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1 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 2 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 II Simulado de 1ª Fase OAB Prova Objetiva Informações gerais • Essa prova é focada na 1ª fase do Exame de Ordem da OAB; • As questões abrangem os temas mais importantes para a sua aprovação no Exame de Ordem, conforme as preferências da banca FGV; • 5 horas é o tempo disponível para a realização da prova, tente realizar este simulado respeitando este limite de tempo conforme ocorrerá no dia de seu exame. • Esse simulado não é uma das rodadas de correção de peças e questões individualizadas, que serão disponibilizadas futuramente somente aos alunos que efetuaram a compra do nosso curso. • Caso você deseje comparar o seu resultado com os demais alunos, faça o simulado diretamente no SQOAB, neste link: https://oab.estrategia.com/cadernos-e-simulados/simulados/8fe0bb5e- ae01-4ad8-b5a0-dbae911cff0d • Esse simulado é uma autoavaliação! Você mesmo (a) vai corrigir, a partir do gabarito que será disponibilizado em outro caderno em .PDF, como esse, e igualmente no link acima. Esse caderno de prova é disponibilizado de maneira gratuita, para que os candidatos à 1ª Fase do XXXIV Exame possam praticar. Por isso, é importante para nós, que você dê o máximo de publicidade a esse simulado. Envie para os seus amigos, mande em listas de e-mails, WhatsApp etc. Assim, mais gente tem acesso a ele! =) O objetivo é difundir esse simulado ao máximo! O fato de o simulado ser gratuito não significa que ele não seja protegido pela Lei de Direitos Autorais. A cópia ou distribuição não autorizada, sujeita o infrator às sanções previstas nos arts. 101 e ss. da Lei 9.610/1998. 3 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Questão 1. 4000010838 O sócio Jorge Gomes integrará uma nova sociedade que será denominada “Somos os Power Rangers da Advocacia”. Sobre a Sociedade de Advogados e à luz do Estatuto da Advocacia, é corretor afirmar que: a) Não são admitidas a registro nem podem funcionar as espécies de sociedades de advogados adotem denominação de fantasia. b) São admitidas a registro e podem funcionar as espécies de sociedades de advogados que adotem denominação de fantasia. c) Não é obrigatório que a razão social tenha o nome de nenhum advogado responsável pela sociedade. d) É possível manter, pelo prazo máximo de três anos, o nome do sócio falecido. Comentários Análise do Caso Em resumo, temos que: o sócio Jorge Gomes integrará uma nova sociedade que será denominada “Somos os Power Rangers da Advocacia”. Questionamento: É possível adotar denominação de fantasia? A questão cobrou o previsto no art. 16 do EAOAB, vejamos: Art. 16 do EAOAB: Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente proibida de advogar. Logo, podemos concluir que não são admitidas a registro nem podem funcionar as espécies de sociedades de advogados adotem denominação de fantasia. A LETRA A é a alternativa correta. Letra A CORRETA É a previsão do art. 16, caput do EAOAB! Segundo o dispositivo, não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente proibida de advogar. Letra B INCORRETA Na verdade, não são admitidas a registro nem podem funcionar as espécies de sociedades de advogados adotem denominação de fantasia. Letra C INCORRETA Conforme o §1º do art. 16 do EAOAB, a razão social deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela sociedade, podendo permanecer o de sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no ato constitutivo. 4 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Letra D INCORRETA É possível manter (sem prazo) o nome do sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no ato constitutivo da sociedade, nos termos do §1º do art. 16 do EAOAB. Questão 2. 4000010839 Um grupo de advogados recém-formados, visando a publicidade profissional, não se atentou as vedações previstas no Código de Ética e Disciplina. Considerando o caso narrado, assinale a afirmativa correta sobre as regras da publicidade profissional para a advocacia: a) É permitida a inclusão de fotografias pessoais ou de terceiros nos cartões de visitas do advogado. b) Na publicidade profissional que promover ou nos cartões e material de escritório de que se utilizar, o advogado fará constar seu nome, nome social ou o da sociedade de advogados, o número ou os números de inscrição na OAB. c) Não poderão ser referidos os títulos acadêmicos do advogado e as distinções honoríficas relacionadas à vida profissional. d) É permitida a menção a qualquer emprego, cargo ou função ocupado, atual ou pretérito, em qualquer órgão ou instituição, inclusive o de professor universitário. Comentários Análise do Caso A questão versa sobre a publicidade profissional do advogado. Neste sentido, preceitua o artigo 44 do CED: Art. 44. Na publicidade profissional que promover ou nos cartões e material de escritório de que se utilizar, o advogado fará constar seu nome, nome social ou o da sociedade de advogados, o número ou os números de inscrição na OAB. §1º Poderão ser referidos apenas os títulos acadêmicos do advogado e as distinções honoríficas relacionadas à vida profissional, bem como as instituições jurídicas de que faça parte, e as especialidades a que se dedicar, o endereço, e-mail, site, página eletrônica, QRcode, logotipo e a fotografia do escritório, o horário de atendimento e os idiomas em que o cliente poderá ser atendido. §2º É vedada a inclusão de fotografias pessoais ou de terceiros nos cartões de visitas do advogado, bem como menção a qualquer emprego, cargo ou função ocupado, atual ou pretérito, em qualquer órgão ou instituição, salvo o de professor universitário. Diante de todo o exposto, o nosso gabarito é a LETRA B! Letra A INCORRETA – O §2º do art. 44 do CED estabelece que é vedada a inclusão de fotografias pessoais ou de terceiros nos cartões de visitas do advogado, bem como menção a qualquer emprego, cargo ou função ocupado, atual ou pretérito, em qualquer órgão ou instituição, salvo o de professor universitário. Letra B 5 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 CORRETA – É a exata previsão do art. 44 do CED, olha só: “Na publicidade profissional que promover ou nos cartões e material de escritório de que se utilizar, o advogado fará constar seu nome, nome social ou o da sociedade de advogados, o número ou os números de inscrição na OAB.”. Letra C INCORRETA – O §1º do art. 44 do CED estabelece que poderão ser referidos apenas os títulos acadêmicos do advogado e as distinções honoríficas relacionadas à vida profissional, bem como as instituições jurídicas de que faça parte, e as especialidades a que se dedicar, o endereço, e-mail, site, página eletrônica, QRcode, logotipo e a fotografia do escritório, o horário de atendimento e os idiomas em que o cliente poderá ser atendido. Letra D INCORRETA – O §2º indica que é vedada a inclusão de fotografias pessoais ou de terceiros nos cartões de visitas do advogado, bem como menção a qualquer emprego, cargo ou função ocupado, atual ou pretérito, em qualquer órgão ou instituição, salvo o de professor universitário. Questão 3. 4000010840 Os amigos Pedro, Luiza e Mário pretendem constituir uma Sociedade dea uma das fases da despesa pública, não tendo qualquer relação com a concessão de benefícios fiscais. Questão 24. 4000010849 O Estado Beta constatou, no curso da execução do orçamento anual, que será necessário reforçar uma dotação orçamentária relativa à uma determinada despesa ordinária, prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA), uma vez que a dotação inicialmente consignada se mostrou insuficiente. A partir desse cenário, é correto afirmar, com base na Lei nº 4.320/1964, que: a) Deve ser aberto um crédito adicional suplementar. b) Deve ser aberto um crédito adicional especial. c) Deve ser aberto um crédito adicional extraordinário. d) Não é permitida a retificação do orçamento no curso de sua execução, de modo que o reforço da dotação que se mostrou necessária deverá ser consignado no projeto de LOA do ano subsequente. Comentários Análise do Caso A questão gira em torno dos seguintes aspectos: o orçamento público (Lei Orçamentária Anual - LOA) pode ser alterado no curso da sua execução? Acaso seja possível, qual o tipo de crédito adicional a ser criado/aberto para reforçar uma dotação orçamentária já prevista na Lei Orçamentária Anual, mas que se mostrou insuficiente? No caso: > Determinado ente federativo constatou, no curso da execução do orçamento anual, que será necessário reforçar uma dotação orçamentária referente à uma despesa ordinária. > Essa dotação a ser reforçada já consta na Lei Orçamentária Anual (LOA), mas se mostrou insuficiente. 29 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 > Eis o cerne da questão: a LOA (Lei Orçamentária Anual) pode ser alterada? Se positiva a resposta, qual o tipo de crédito adicional a ser criado/aberto para reforçar uma dotação orçamentária ordinária que se mostrou insuficiente? A resposta é dada pelos arts. 40 e 41 da Lei nº 4.320/64: Lei nº 4.320/64: Art. 40. São créditos adicionais as autorizações de despesas não computadas ou insuficientemente dotadas na Lei de Orçamento. Lei nº 4.320/64: Art. 41. Os créditos adicionais classificam-se em: I - suplementares, os destinados a reforço de dotação orçamentária; II - especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica; III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública. (...). De acordo com o art. 40 da Lei nº 4.320/64, a Lei Orçamentária Anual (LOA) pode sim ser alterada no curso da execução orçamentária. E de acordo com o art. 41, inciso I, da mesma lei, os créditos adicionais destinados ao reforço de uma dotação orçamentária existente são classificados como suplementares. Portanto, no caso do problema em questão, é correto afirmar que deve ser aberto um crédito adicional suplementar, estando correta, assim, a LETRA A, que é o gabarito da questão. Letra A CORRETA De fato, os créditos orçamentários adicionais suplementares são aqueles destinados ao reforço de uma dotação orçamentária existente que se mostrou insuficiente. Letra B INCORRETA Os créditos adicionais especiais são destinados a despesas para as quais ainda não haja dotação orçamentária específica. Letra C INCORRETA Os créditos adicionais extraordinários são destinados especificamente a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública. Letra D INCORRETA Diferentemente, é permitida sim a retificação do orçamento no curso de sua execução. Questão 25. 4000008465 A entidade beneficente de assistência social sem fins lucrativos ABC, devidamente registrada e cumprindo todos os requisitos legais para o gozo da imunidade tributária, apresentou dois requerimentos à Receita Federal do Brasil: i) de reconhecimento da imunidade tributária quanto ao imposto incidente sobre suas rendas, oriundas de suas atividades; e ii) de reconhecimento da imunidade tributária quanto à contribuição para a 30 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 seguridade social. Com base nas informações apresentadas, o Fisco Federal deverá: a) Indeferir o pedido quanto ao imposto, pois as entidades beneficentes de assistência social têm imunidade tributária somente quanto às contribuições para a seguridade social. b) Indeferir o pedido quanto às contribuições para a seguridade social, pois as entidades beneficentes de assistência social têm imunidade tributária somente quanto ao imposto incidente sobre suas rendas. c) Deferir os dois pedidos, pois as entidades beneficentes de assistência social têm imunidade tributária quanto ao imposto incidente sobre suas rendas e quanto às contribuições para a seguridade social. d) Indeferir os dois pedidos, pois as entidades beneficentes de assistência social têm direito somente à isenção tributária quanto ao imposto incidente sobre suas rendas e quanto às contribuições para a seguridade social. Comentários A questão gira em torno do seguinte aspecto: quais tributos são abrangidos pela imunidade tributária a que fazem jus as entidades beneficentes de assistência social? Tal imunidade alcança somente os impostos ou alcança, também, as contribuições para a seguridade social? No caso: > Determinada entidade beneficente de assistência social, que está devidamente registrada e que cumpre todos os requisitos legais para o gozo da imunidade tributária, apresentou dois requerimentos à Receita Federal do Brasil. > Um dos requerimentos tem por objeto o reconhecimento da imunidade tributária quanto ao imposto incidente sobre suas rendas, oriundas de suas atividades. > O outro requerimento tem por objeto o reconhecimento da imunidade tributária quanto à contribuição para a seguridade social. > Eis o cerne da questão: qual desses tributos é alcançado pela imunidade tributária? O imposto ou a contribuição? Ou ambos? A resposta é dada pelos arts. 150, inciso VI, alínea "c" e 195, § 7º, da CF/88: CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI - instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...). CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) 31 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 § 7º - São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (...). De acordo com o art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88, as instituições de assistência social sem fins lucrativos têm imunidade tributária quanto a impostos que incidem sobre o patrimônio, renda ou serviços; dessa forma, o requerimento relativo ao imposto deve ser deferido. E de acordo com o art. 195, § 7º, da CF/88, tais entidades também têm imunidade tributária quanto às contribuições para a seguridade social; dessa forma, o requerimento relativo à contribuição também deve ser deferido. Portanto, no caso do problema em questão, o Fisco Federal deverá deferir os dois pedidos, pois as entidades beneficentes de assistência social têm imunidade tributária quanto ao imposto incidente sobre suas rendas e quanto às contribuições para a seguridade social, estando correta, assim, a LETRA C, que é o gabarito da questão. Letra A (item árvore: 7.4 e 7.5) INCORRETA O Fisco Federal deve deferir os dois pedidos, pois as entidades beneficentes de assistência social têm imunidade tributária quanto ao imposto incidente sobre suas rendase quanto às contribuições para a seguridade social. Letra B (item árvore: 7.4 e 7.5) INCORRETA O Fisco Federal deve deferir os dois pedidos, pois as entidades beneficentes de assistência social têm imunidade tributária quanto ao imposto incidente sobre suas rendas e quanto às contribuições para a seguridade social. Letra C (item árvore: 7.4 e 7.5) CORRETA De fato, o Fisco Federal deve deferir os dois pedidos, pois as entidades beneficentes de assistência social têm imunidade tributária quanto ao imposto incidente sobre suas rendas e quanto às contribuições para a seguridade social. Letra D (item árvore: 7.4 e 7.5) INCORRETA O Fisco Federal deve deferir os dois pedidos, pois as entidades beneficentes de assistência social têm imunidade tributária - e não à isenção - quanto ao imposto incidente sobre suas rendas e quanto às contribuições para a seguridade social. Questão 26. 4000008466 A indústria Alfa vende as mercadorias que produz à pessoa jurídica Beta, comerciante, que os revende, por sua vez, aos consumidores finais. A fabricante e a comerciante estão estabelecidas no mesmo Estado-membro da federação, onde vigora lei que obriga as indústrias a recolher o ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços incidente em toda cadeia produtiva ou econômica (regime de Substituição Tributária). Assim, por força dessa lei, a fabricante é substituta tributária e deve recolher o ICMS incidente na venda dos produtos pela comerciante B (substituída) aos consumidores finais. Acaso a indústria Alfa recolha indevidamente o ICMS em determinado período, como substituta tributária de Beta, relativamente a fato gerador presumido que posteriormente não se realizou, é 32 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 correto afirmar que a legitimidade jurídica para postular a restituição desse imposto indevidamente pago é: a) Do contribuinte de fato. b) Da pessoa jurídica Beta. c) Da pessoa jurídica Alfa. d) Da pessoa jurídica Alfa e da pessoa jurídica Beta, concorrentemente. Comentários A questão gira em torno do seguinte aspecto: quem detém legitimidade jurídica para postular a repetição (restituição) de ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços indevidamente recolhido por substituto tributário, relativo a fato gerador presumido que posteriormente não se realizou? O contribuinte de fato, o contribuinte substituído, o substituto ou esses dois últimos, concorrentemente? No caso: > A indústria Alfa fabrica determinados produtos e os vende à pessoa jurídica Beta; como se trata de circulação de mercadoria, há a incidência do ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços nessa primeira operação. > A pessoa jurídica Beta os revende, por sua vez, aos consumidores finais; como se trata de uma nova circulação de mercadoria, há nova incidência do ICMS nessa segunda operação. > A fabricante (indústria Alfa) e a comerciante (pessoa jurídica Beta) estão estabelecidas no mesmo Estado-membro da federação. > Por força de lei, a fabricante (indústria Alfa) é obrigada a recolher antecipadamente o ICMS incidente sobre a venda de mercadorias que a comerciante (pessoa jurídica Beta) faz aos consumidores finais (regime de Substituição Tributária). > Portanto, a fabricante (indústria Alfa) é a substituta tributária e a comerciante (pessoa jurídica Beta) é a substituída. > Eis o cerne da questão: quem detém legitimidade jurídica para postular a repetição (restituição) de ICMS indevidamente recolhido por Alfa, antecipadamente, como substituta tributária de Beta, relativamente a fato gerador presumido que posteriormente não se realizou, supondo que não houve a venda das mercadorias por Beta aos consumidores finais? A resposta é dada pelo art. 165 do CTN e pelo caput do art. 10 da Lei Complementar nº 87/1996 - Lei Kandir: CTN: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 33 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. LC nº 87/1996: Art. 10. É assegurado ao contribuinte substituído o direito à restituição do valor do imposto pago por força da substituição tributária, correspondente ao fato gerador presumido que não se realizar. De acordo com o art. 165 do CTN, todo aquele que pagar tributo indevido ou mais que o devido tem direito à repetição (devolução) dos valores indevidamente pagos. E de acordo com o caput do art. 10 da Lei Complementar nº 87/1996 - Lei Kandir, acaso o recolhimento indevido de ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços se dê em regime de substituição tributária, a legitimidade jurídica para postular a repetição é do contribuinte substituído. De fato, o substituído é o real contribuinte do imposto, que praticaria aquele fato gerador presumido (futuro) que não se concretizou, tendo arcado, por isso, com o ônus econômico do imposto que foi indevidamente pago, pois nesse tipo de substituição tributária (progressiva ou “para frente”) o substituto embute o imposto devido no preço a ser pago pelo substituído (então, é ele que efetivamente arca com o custo do tributo). Portanto, no caso do problema em questão, a legitimidade jurídica para postular a restituição do CIMS indevidamente pago no regime de substituição tributária é da pessoa jurídica Beta, substituída, estando correta, assim, a LETRA B, que é o gabarito da questão. Letra A (item árvore: 23.3) INCORRETA O contribuinte de fato não detém legitimidade para postular a repetição de indébito (restituição) nesse caso; a legitimidade é da contribuinte substituída, ou seja, da pessoa jurídica Beta. Letra B (item árvore: 23.3) CORRETA De fato, a legitimidade jurídica para postular a restituição é da contribuinte substituída, ou seja, da pessoa jurídica Beta. Letra C (item árvore: 23.3) INCORRETA A substituta tributária não detém legitimidade para postular a repetição de indébito (restituição) nesse caso; a legitimidade é da contribuinte substituída, ou seja, da pessoa jurídica Beta. Letra D (item árvore: 23.3) INCORRETA A substituta tributária não detém legitimidade concorrente para postular a repetição de indébito (restituição) nesse caso; a legitimidade é exclusiva da contribuinte substituída, ou seja, da pessoa jurídica Beta. Questão 27. 4000008467 Paulo importou da Itália, pessoalmente, um carro superesportivo de luxo para o seu uso pessoal. Ao retirar o veículo no Departamento Aduaneiro da Receita Federal do Brasil (desembaraço aduaneiro) foi surpreendido com a exigência do ICMS - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços. Sobre tal exigência, é correto afirmar que: a) Não é devido ICMS na importação feita por pessoa física que não é contribuinte habitual do imposto. 34 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 b) Não é devido ICMS na importação de produto para uso próprio. c) A entrada de bem ou mercadoria importados do exterior possui imunidade tributária quanto ao ICMS. d) O imposto é devido. Comentários A questão gira em torno do seguinte aspecto: pessoa física (ou natural) que não é contribuinte habitual do ICMS - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços e que importa, pessoalmente, produto industrializado importado para uso próprio, tem o dever de pagar o referido imposto? No caso: > Paulo,pessoa física, importou pessoalmente determinado produto industrializado para seu uso próprio e pessoal. > Porém, ele foi surpreendido com a exigência do ICMS - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços no momento do desembaraço aduaneiro. > Eis o cerne da questão: o ICMS - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços em questão é devido? A resposta é dada pelo art. 155, inciso IX, alínea "a", da CF/88 e pela Súmula Vinculante nº 48: CF/88: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (...) II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (...). § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (...) IX - incidirá também: a) sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) (...). Súmula Vinculante nº 48: Na entrada de mercadoria importada do exterior, é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro. De acordo com o art. 155, inciso IX, alínea "a", da CF/88, incide ICMS - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física (ou jurídica), ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, ou seja, até mesmo se a mercadoria ou produto for para uso próprio do importador. E de acordo com a Súmula Vinculante nº 48, é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro. Portanto, no caso do problema em 35 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 questão, é correto afirma que o imposto é devido, estando correta, assim, a LETRA D, que é o gabarito da questão. Letra A (item árvore: 19.2) INCORRETA Ao contrário, é devido ICMS na importação feita por pessoa física, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto. Letra B (item árvore: 19.2) INCORRETA Ao contrário, é devido ICMS na importação de produto para uso próprio. Letra C (item árvore: 19.2) INCORRETA A entrada de bem ou mercadoria importados do exterior não possui imunidade tributária quanto ao ICMS. Letra D (item árvore: 19.2) CORRETA De fato, o imposto é devido na entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física (ou jurídica), ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, ou seja, até mesmo se a mercadoria ou produto for para uso próprio do importador. Questão 28. 4000008468 José prometeu adquirir um imóvel urbano de uma autarquia federal por meio de escritura pública de promessa de compra e venda. Metade do preço foi pago no momento da lavratura da escritura, que foi imediatamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis competente, e o saldo será pago em 12 parcelas mensais. Sobre a hipótese, é correto afirmar que após o registro da escritura: a) Passa a incidir o IPTU e a autarquia é a contribuinte, já que a propriedade do imóvel, que não está mais sendo utilizado em suas finalidades, não foi transmitida por meio da mera promessa de compra e venda. b) Continua a não incidir o IPTU, por força da imunidade da autarquia, já que a propriedade do imóvel não foi transmitida por meio da mera promessa de compra e venda. c) Passa a incidir o IPTU e a autarquia e José são contribuintes solidários. d) Passa a incidir o IPTU e José é o contribuinte. Comentários A questão gira em torno dos seguintes aspectos: bem imóvel pertencente a uma entidade que possui imunidade tributária, objeto de contrato de promessa de compra e venda a um particular, permanece imune à incidência de IPTU? Ou seja, o fato de a propriedade em si não ser transmitida, diante da celebração de tão somente uma promessa de compra e venda, afasta ou não a incidência do IPTU, considerando que o promitente vendedor é imune? No caso: > José, um particular que não possui imunidade tributária, firmou promessa de compra e venda com uma autarquia federal, que tem por objeto um imóvel urbano. 36 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 > Metade do preço foi pago no momento da lavratura da escritura e o saldo será pago em 12 parcelas mensais. > Essa escritura pública da promessa de compra e venda foi imediatamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis competente. > Eis o cerne da questão: o fato de José não ter adquirido a propriedade do imóvel, mas tão somente o direito real de promitente comprador, afasta ou não a incidência do IPTU sobre o bem, considerando que o promitente vendedor possui imunidade tributária? A resposta é dada pela parte final do § 3º do art. 150 da CF/88 e pelos arts. 32, caput, e 34 do CTN: CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...). § 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. (...). CTN: Art. 32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município. (...). CTN: Art. 34. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. De acordo com o § 3º do art. 150 da CF/88, o promitente comprador de bem imóvel pertencente a ente imune não "leva consigo” o direito à imunidade tributária recíproca, pois essa - a imunidade - é da entidade imune (imunidade subjetiva) e não do bem (quando a imunidade seria objetiva). Como a imunidade não é transmitida com o bem, e como o promitente comprador passa a ter o domínio útil sobre o imóvel com o registro da escritura pública da promessa de compra e venda, passará ele a ser, então, o contribuinte do IPTU, nos termos do que dispõe o art. 34 do CTN. Portanto, no caso do problema em questão, passa a incidir o IPTU e José é o contribuinte, estando correta, assim, a LETRA D, que é o gabarito da questão. Letra A (item árvore: 7.4) INCORRETA De fato, passará a incidir o IPTU, o que torna a primeira parte da alternativa correta, porém, o imposto não será pago pela autarquia, mesma ela sendo a nú-proprietária, mas pelo promitente comprador, José, que passou a praticar o fato gerador do tributo, caracterizado pela titularidade do domínio útil sobre o bem. Letra B (item árvore: 7.4) 37 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 INCORRETA Passará a incidir o IPTU, pois o promitente comprador de bem imóvel pertencente a ente imune não leva consigo o direito à imunidade tributária recíproca, pois essa - a imunidade - é da pessoa política (imunidade subjetiva) e não do bem (quando a imunidade seria objetiva). José adquiriu a titularidade do domínio útil sobre o bem, passando a praticar, assim, o fato gerador do IPTU. Letra C (item árvore: 7.4) INCORRETADe fato, passará a incidir o IPTU, o que torna a primeira parte da alternativa correta, porém, o imposto não será pago solidariamente pela autarquia e por José, mas somente pelo promitente comprador (José), que passou a praticar o fato gerador do tributo, caracterizado pela titularidade do domínio útil sobre o bem. Letra D (item árvore: 7.4) CORRETA De fato, passará a incidir o IPTU, a ser pago por José, promitente comprador, uma vez a promessa de compra e venda de imóvel devidamente registrada no Registro Geral de Imóveis configura fato gerador do imposto, devido à aquisição, por José, do domínio útil sobre o bem. Paralelamente, o promitente comprador e não "leva consigo” o direito à imunidade tributária recíproca, pois essa - a imunidade - é da pessoa política (imunidade subjetiva) e não do bem (quando a imunidade seria objetiva). Questão 29. 4000008469 A Sociedade Empresária XYZ foi devidamente citada, em Ação de Execução Fiscal, para pagar débitos de IRPJ - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica constituído de ofício pela RFB - Receita Federal do Brasil sobre base de cálculo arbitrada. Por não concordar com o valor arbitrado pelo Fisco, a contribuinte pretende impugnar a cobrança por meio de Embargos à Execução Fiscal. Nos termos do art. 16 da Lei Federal nº 6.830/80, os seus embargos poderão ser opostos no prazo de até 30 dias, contados a partir: a) Da data da juntada, aos autos da Execução Fiscal, do mandado de penhora devidamente cumprido. b) Da data da sua citação por meio de carta (via postal) com aviso de recebimento. c) Da data da intimação da penhora de bens. d) Do ajuizamento da Ação de Execução Fiscal. Comentários A questão gira em torno do seguinte aspecto: qual o termo inicial (dia) da contagem do prazo para a oposição de Embargos à Execução Fiscal? No caso: > Determinada contribuinte foi citada em Ação de Execução Fiscal. > Mas ela pretende impugnar a cobrança por meio de Embargos à Execução. > Eis o cerne da questão: de acordo com o disposto no art. 16 da Lei Federal nº 6.830/80 - Lei de Execução Fiscal, qual o termo inicial (dia) da contagem do prazo legal de 30 (trinta) dias para a oposição dos Embargos à Execução Fiscal? 38 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 A resposta é dada pelos incisos do art. 16 da referida Lei Federal nº 6.830/80 - Lei de Execução Fiscal: LEF: Art. 16 - O executado oferecerá embargos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados: I - do depósito; II - da juntada da prova da fiança bancária ou do seguro garantia; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) III - da intimação da penhora. § 1º - Não são admissíveis embargos do executado antes de garantida a execução. (...). De acordo com o caput do dispositivo legal em questão, o prazo para a oposição dos Embargos à Execução Fiscal é de 30 (trinta) dias, diferenciando- se tão somente o termo (dia) inicial da contagem, a depender do tipo de garantia oferecida na Execução Fiscal: i) na hipótese do inciso I, o prazo deve ser contado a partir da data em que realizado o depósito e não da data da juntada do seu comprovante nos autos da execução (ou qualquer outra data); ii) na hipótese do inciso II, o prazo deve ser contado a partir da data da juntada, nos autos, da prova da fiança bancária ou do seguro garantia, e não da data de eventual intimação acerca dessa juntada; e iii) na hipótese do inciso III, o prazo deve ser contado a partir da data da intimação da penhora, que não se confunde, necessariamente, com a data da penhora em si (de fato, após a lavratura do Termo de Penhora, que é a "penhora", deve-se dar ciência ao Executado por meio de um ato denominado "intimação da penhora"). Importa destacar que não são admissíveis embargos do executado antes de garantida a execução, nos termos do § 1º do referido dispositivo legal. Portanto, no caso do problema em questão, o prazo de 30 (trinta) dias para a oposição dos Embargos à Execução Fiscal deve ser contado a partir da data da intimação da penhora de bens, estando correta, assim, a LETRA C, que é o gabarito da questão. Letra A (item árvore: 23.2) INCORRETA O prazo não é contado da juntada, aos autos, do mandado de penhora devidamente cumprido; é contato da data da intimação da penhora, que é ato judicial diverso. Letra B (item árvore: 23.2) INCORRETA A data da citação do Executado não é termo inicial de contagem do prazo para a oposição dos Embargos à Execução Fiscal. Letra C (item árvore: 23.2) CORRETA De fato, a data da intimação da penhora de bens é um dos termos iniciais de contagem do prazo para a oposição dos Embargos à Execução Fiscal (e não a data da penhora em si e tampouco a data da juntada, aos autos, do mandado de penhora devidamente cumprido) . Letra D (item árvore: 23.2) INCORRETA A data da propositura da Ação de Execução Fiscal não é termo inicial de contagem do prazo para a oposição dos Embargos à Execução Fiscal. Questão 30. 4000008420 39 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 O Governador do Estado X decide alienar alguns bens móveis que foram legalmente apreendidos pelo Estado. Para tal, pretende realizar licitação pautada na Lei 14.133/2021, e contrata você, como advogado, para melhor orientá-lo quanto aos trâmites legais. Você informa corretamente que: a) Poderá ser utilizada a modalidade leilão ou a modalidade concorrência. b) O Governador deve utilizar a modalidade leilão, pois apenas se se tratasse de bens imóveis ele poderia utilizar-se da modalidade concorrência. c) Se, além dos bens móveis legalmente apreendidos, o Governador pretender alienar, para outros órgãos da Administração Pública, materiais e equipamentos sem utilização previsível pelo Estado X, a modalidade de licitação deverá ser leilão, posto que se trata de bens móveis. d) O Estado X deverá realizar licitação na modalidade leilão, o qual poderá ser cometido a leiloeiro oficial selecionado mediante credenciamento ou licitação na modalidade pregão. Comentários A questão trata da alienação de bens móveis pela Administração Pública, de acordo com a Lei 14.133/2021. Veja o que determina o artigo 6º, XL: Art. 6º (...) XL - leilão: modalidade de licitação para alienação de bens imóveis ou de bens móveis inservíveis ou legalmente apreendidos a quem oferecer o maior lance; Logo, para a venda de bens móveis legalmente apreendidos, a modalidade a ser utilizada é leilão. Juntamente ao artigo 6º, XL, veja o que determina o artigo 76, incisos I e II da Lei 14.133/2021: Art. 76 (...) I - tratando-se de bens imóveis, inclusive os pertencentes às autarquias e às fundações, exigirá autorização legislativa e dependerá de licitação na modalidade leilão, dispensada a realização de licitação nos casos de: (...) II - tratando-se de bens móveis, dependerá de licitação na modalidade leilão, dispensada a realização de licitação nos casos de: (...) f) venda de materiais e equipamentos sem utilização previsível por quem deles dispõe para outros órgãos ou entidades da Administração Pública. Desta feita, depreende-se que, seja o bem móvel ou imóvel, a Administração Pública deverá se valer de licitação unicamente na modalidade LEILÃO para alienar, salvo as exceções em que a licitação é dispensada. Cuidado para não confundir, pois na Lei 8.666/93, mais precisamente em seu artigo 17, I, havia a previsão de licitação na modalidade concorrência em caso de alienação de bens imóveis. Chamamos atenção também para o art. 76, II, alínea f, segundo o qual fica dispensada a licitação em caso de venda de materiais e equipamentos sem utilização previsível por quem deles dispõe para outros órgãos ou entidades da Administração Pública. 40 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Ou seja, no caso narrado no enunciado, caso o Governador pretenda alienar, para outros órgãos da Administração Pública, materiais e equipamentos sem utilização previsívelpelo Estado X, haverá dispensa da licitação. Ainda tratando do leilão, o artigo 31 dispõe que este poderá ser cometido a leiloeiro oficial ou a servidor designado pela autoridade competente da Administração. Se a Administração optar pelo leiloeiro oficial, deverá selecioná-lo mediante credenciamento ou licitação na modalidade pregão e adotar o critério de julgamento de maior desconto para as comissões a serem cobradas. Veja o § 1º do referido artigo: Art. 31. O leilão poderá ser cometido a leiloeiro oficial ou a servidor designado pela autoridade competente da Administração, e regulamento deverá dispor sobre seus procedimentos operacionais. § 1º Se optar pela realização de leilão por intermédio de leiloeiro oficial, a Administração deverá selecioná-lo mediante credenciamento ou licitação na modalidade pregão e adotar o critério de julgamento de maior desconto para as comissões a serem cobradas, utilizados como parâmetro máximo os percentuais definidos na lei que regula a referida profissão e observados os valores dos bens a serem leiloados. Letra A INCORRETA A modalidade a ser utilizada deve ser a modalidade leilão, conforme artigo 6º, XL e artigo 76, II, ambos da Lei 14.133/2021. Letra B INCORRETA Ainda que se tratasse de bens imóveis, a alienação deveria se dar por meio de licitação na modalidade leilão, conforme artigo 76, I, da Lei 14.133/2021. Letra C INCORRETA Caso o Governador pretenda alienar, para outros órgãos da Administração Pública, materiais e equipamentos sem utilização previsível pelo Estado X, haverá dispensa da licitação, conforme artigo 76, II, alínea f, da Lei 14.133/2021. Letra D CORRETA Conforme artigo 6º, XL e artigo 31, caput e § 1º, todos da Lei 14.133/2021. Questão 31. 4000008421 O Estado Y pretende constituir consórcio público com os Municípios Alfa e Beta, ambos localizados em seu território. A União não participará do referido consórcio. O prefeito de Alfa, no entanto, ainda possui algumas dúvidas relativas às formalidades do consórcio, e contrata você, como advogado, para melhor orientá-lo. Você informa corretamente que: a) O consórcio não é válido, pois a União deve participar de todos os consórcios envolvendo Municípios e o Estado em que eles estejam situados. b) O consórcio deve ser constituído por meio de contrato, cuja celebração depende de prévia subscrição do protocolo de ratificações. 41 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 c) O consórcio poderá adquirir personalidade jurídica de direito público ou privado, casos em que integrará a Administração Indireta de todos os entes da Federação consorciados, ou seja, Y, Alfa e Beta. d) As obrigações que o Município Alfa constituir para com outro ente da federação, no âmbito de gestão associada de serviços públicos, devem ser constituídas por meio de contrato de programa, excluídas as obrigações cujo descumprimento não acarrete ônus a ente da federação. Comentários A questão trata de consórcios públicos, trabalhados pela Lei 11.107/2005. Veja o que a Lei dispõe logo em seu artigo 1º: Art. 1º Esta Lei dispõe sobre normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios contratarem consórcios públicos para a realização de objetivos de interesse comum e dá outras providências. (...) § 2º A União somente participará de consórcios públicos em que também façam parte todos os Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados. Desta feita, percebe-se que a União não possui participação obrigatória em todo e qualquer consórcio Público. Na verdade, o que o artigo 1º, § 2º, da Lei 11.107/2005 determina é que, caso a União e um Município queiram constituir consórcio público, é obrigatória a participação do ESTADO no qual se situa o tal Município. Ademais, veja que segundo o artigo 6º, caput e § 1º, da Lei 11.107/2005, o consórcio público poderá adquirir personalidade jurídica de direito público ou de direito privado. No entanto, somente os consórcios com personalidade jurídica de direito público integrarão a Administração Indireta dos entes consorciados: Art. 6º O consórcio público adquirirá personalidade jurídica: I – de direito público, no caso de constituir associação pública, mediante a vigência das leis de ratificação do protocolo de intenções; II – de direito privado, mediante o atendimento dos requisitos da legislação civil. § 1º O consórcio público com personalidade jurídica de direito público integra a administração indireta de todos os entes da Federação consorciados. Ainda tratando da constituição dos consórcios públicos, esta se dará mediante contrato, cuja celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de intenções, e não “protocolo de ratificações”. É o que determina artigo 3º da Lei 11.107/2005: Art. 3º O consórcio público será constituído por contrato cuja celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de intenções. Por fim, mencione-se que, em caso de um ente da federação constituir obrigação para com outro ente da Federação ou para com consórcio público no âmbito de gestão associada em que haja a prestação de serviços públicos, tais obrigações deverão ser constituídas e reguladas por contrato de programa, como condição de sua validade. No entanto, ficam excluídas dessa determinação as obrigações cujo descumprimento não acarrete qualquer ônus, inclusive financeiro, a ente da Federação ou a consórcio público. É o que dispõe o artigo 13, caput e § 7º, da Lei 11.107/2005. 42 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Art. 13. Deverão ser constituídas e reguladas por contrato de programa, como condição de sua validade, as obrigações que um ente da Federação constituir para com outro ente da Federação ou para com consórcio público no âmbito de gestão associada em que haja a prestação de serviços públicos ou a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal ou de bens necessários à continuidade dos serviços transferidos. (...) § 7º Excluem-se do previsto no caput deste artigo as obrigações cujo descumprimento não acarrete qualquer ônus, inclusive financeiro, a ente da Federação ou a consórcio público. Letra A INCORRETA O consórcio é válido. A União não possui participação obrigatória em todo e qualquer consórcio Público. Na verdade, o que o artigo 1º, § 2º, da Lei 11.107/2005 determina é que, caso a União e um Município queiram constituir consórcio público, é obrigatória a participação do ESTADO no qual se situa o tal Município. Letra B INCORRETA O consórcio público será constituído por contrato cuja celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de intenções, conforme artigo 3º da Lei 11.107/2005. Letra C INCORRETA O consórcio poderá adquirir personalidade jurídica de direito público ou privado. No entanto, somente os consórcios com personalidade jurídica de direito público integrarão a Administração Indireta dos entes consorciados, conforme artigo 6º, caput e § 1º, da Lei 11.107/2005. Letra D CORRETA Conforme artigo 13, caput, da Lei 11.107/2005, em caso de um ente da federação constituir obrigação para com outro ente da Federação ou para com consórcio público no âmbito de gestão associada em que haja a prestação de serviços públicos, tais obrigações deverão ser constituídas e reguladas por contrato de programa, como condição de sua validade. No entanto, de acordo com artigo 13, § 7º, da Lei 11.107/2005, ficam excluídas dessa determinação as obrigações cujo descumprimento não acarrete qualquer ônus, inclusive financeiro, a ente da Federação ou a consórcio público. Questão 32. 4000008422 Reijane é servidora pública federal, admitida mediante concurso público de provas e títulos, sujeita ao regime jurídico da Lei 8.112/90. Há 3 anos, Meire, irmã de Reijane, e seu marido Alceu, faleceram em um acidente, deixando órfã a filha Tatiana, menor de idade. Sem mais nenhum parente próximo,Reijane então se tornou responsável por criar a sobrinha. Um certo dia, Tatiana adoece e, para cuidar da garota e dar toda a atenção necessária, Reijane pretende tirar licença. Acerca da situação narrada, assinale a alternativa correta: a) Como Reijane é a única parente viva de Tatiana e é quem efetivamente cuida da garota, deverá ser concedida licença por motivo de doença em pessoa 43 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 da família, independentemente de Tatiana constar como dependente no assento funcional de Reijane. b) Reijane poderá tirar até 90 dias de licença, consecutivos ou não, a cada período de 12 meses, caso em que será mantida sua remuneração. c) Ainda que Reijane não esteja recebendo remuneração, é vedado o exercício de atividade remunerada durante o período de licença por motivo de doença em pessoa da família. d) Caso Reijane necessite prorrogar a licença inicialmente concedida, Tatiana não precisará ser novamente submetida à perícia médica oficial, posto que já há essa obrigatoriedade quando da concessão inicial da licença. Comentários A questão trata da licença de servidores públicos, conforme a lei 8.112/90, mais especificamente a licença concedida por motivo de doença em pessoa da família. Veja o que determina o artigo 81, caput e §§ 1º e 3º, da Lei 8.112/90: Art. 81. Conceder-se-á ao servidor licença: I - por motivo de doença em pessoa da família; (...) § 1º A licença prevista no inciso I do caput deste artigo bem como cada uma de suas prorrogações serão precedidas de exame por perícia médica oficial, observado o disposto no art. 204 desta Lei. (...) § 3º É vedado o exercício de atividade remunerada durante o período da licença prevista no inciso I deste artigo. Portanto, de logo se percebe que em caso de licença por motivo de doença em pessoa da família, tanto a concessão da licença quanto suas prorrogações deverão ser precedidas de exame por perícia médica oficial. Logo, no caso narrado, o fato de a sobrinha de Reijane já ter sido submetida à perícia médica quando da concessão da licença não dispensa que essa perícia seja novamente feita em caso de prorrogação da licença. Além disso, perceba que, conforme o § 3º do artigo 81 da Lei 8.112/90, é vedado o exercício de atividade remunerada durante o período da licença por motivo de doença em pessoa da família. A lei não diferencia se o servidor está ou não recebendo remuneração; logo, em todo caso, seja a licença remunerada ou não, é vedado o exercício de atividade remunerada durante o período de concessão. Ademais, veja o disposto no artigo 83, caput, da Lei 8.112/90: Art. 83. Poderá ser concedida licença ao servidor por motivo de doença do cônjuge ou companheiro, dos pais, dos filhos, do padrasto ou madrasta e enteado, ou dependente que viva a suas expensas e conste do seu assentamento funcional, mediante comprovação por perícia médica oficial. Percebe-se, portanto, que no caso dos dependentes que vivam às expensas do servidor, estes devem constar no assento funcional como dependentes, posto que não são parentes diretos como os demais (cônjuge ou companheiro, dos pais, dos filhos, do padrasto ou madrasta e enteado). Logo, no caso narrado, é necessário que Tatiana conste como dependente no assento funcional de Reijane. 44 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 No tocante ao prazo concedido, o artigo 83, § 2º, da Lei 8.112/90 determina que, se a licença for de até 60 dias, o servidor continua recebendo sua remuneração. No entanto, após esse período, o servidor ainda fará jus a mais 90 dias de licença, mas sem remuneração. Art. 83 (...) § 2º A licença de que trata o caput, incluídas as prorrogações, poderá ser concedida a cada período de doze meses nas seguintes condições: I - por até 60 (sessenta) dias, consecutivos ou não, mantida a remuneração do servidor; e II - por até 90 (noventa) dias, consecutivos ou não, sem remuneração. a) Como Reijane é a única parente viva de Tatiana e é quem efetivamente cuida da garota, deverá ser concedida licença por motivo de doença em pessoa da família, independentemente de Tatiana constar como dependente no assento funcional de Reijane. Letra A INCORRETA Conforme artigo 83, caput, da Lei 8.112/90, no caso de a “pessoa da família” ser dependente que viva às expensas do servidor, este deve constar no assento funcional como dependente. Letra B INCORRETA De acordo com artigo 83, § 2º, da Lei 8.112/90, Reijane poderá tirar até 60 dias – e não 90 dias – de licença, consecutivos ou não, mantendo sua remuneração. Letra C CORRETA Conforme § 3º do artigo 81 da Lei 8.112/90, é vedado o exercício de atividade remunerada durante o período da licença por motivo de doença em pessoa da família. A lei não diferencia se o servidor está ou não recebendo remuneração. Letra D INCORRETA Conforme artigo 81, § 1º, da Lei 8.112/90, em caso de licença por motivo de doença em pessoa da família, tanto a concessão da licença quanto suas prorrogações deverão ser precedidas de exame por perícia médica oficial. Logo, no caso narrado, o fato de a sobrinha de Reijane já ter sido submetida à perícia médica quando da concessão da licença não dispensa que essa perícia seja novamente feita em caso de prorrogação da licença. Questão 33. 4000008423 Seu Merval obteve autorização da prefeitura do Município Gama para colocar uma banca de revistas em uma praça pública, pelo período de 1 ano. Ocorre que, após 6 meses, Seu Merval machuca as costas e deixa de cuidar da limpeza do local, o que era uma das condições necessárias impostas pelo Poder Público Municipal quando da concessão da licença. É correto afirmar, neste caso, que: a) A Administração não poderá extinguir o ato de autorização, posto que Seu Merval deixou de cumprir uma das condições por motivo alheio à sua vontade, qual seja, ter machucado as costas, caso equiparado à força maior. 45 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 b) A Administração poderá extinguir o ato de autorização de uso através da anulação. c) A Administração poderá extinguir o ato de autorização de uso através da cassação. d) A Administração poderá extinguir o ato de autorização de uso através da caducidade. Comentários A questão trata da extinção de ato administrativo de autorização. A Administração Pública pode extinguir os atos administrativos por diversas formas, veja: Natural: Caso for estipulado um prazo para a conclusão do ato administrativo ou pela produção de todos os seus efeitos, estaremos diante de uma extinção natural. Subjetiva: Caso o beneficiário do ato administrativo desaparecer (entenda-se falecer, por exemplo), teremos o caso da extinção subjetiva. Objetiva: Quando desaparecer o objeto que determinou a relação jurídica, o ato administrativo não encontrará mais razão de ser, extinguindo-se. Renúncia: Caso o particular quiser extinguir unilateralmente o ato administrativo, estaremos diante de uma Renúncia. Recusa: Antes de que o ato administrativo produza seus efeitos para o particular, caso este decida por não se valer de tal ato, estaremos diante de uma recusa. Caducidade: Ocorre a caducidade quando o objeto ou a situação elencada no ato administrativo não é mais suportada pela legislação vigente, o ato administrativo se extinguirá pela caducidade. Vale destacar que a caducidade atingirá apenas os atos discricionários e precários, visto que se forem vinculados, existe o direito adquirido, devendo ser protegido inclusive com a superveniência de nova lei. Cassação: Caso o particular descumpra as condições previamente fixadas pela administração ou existir uma ilegalidade posterior por parte do beneficiário, estaremos diante da extinção por cassação. Revogação: A revogação recai sobre razões de conveniência e oportunidade da administração pública para extinguir determinado ato. Aqui não existe ilegalidade no ato administrativo, apenasexiste a reavaliação do mérito administrativo; ou seja, o ato em questão torna-se inoportuno ou inconveniente para a Administração pública, ficando ao critério desta, extinguir o ato ou não. A revogação produz efeito ex nunc, respeitando-se todos os atos validamente produzidos até o momento da extinção. Anulação: Na anulação existe a presunção de ilegalidade. Ou seja, anulam-se os atos ilegais, com defeitos ou vícios, sejam eles discricionários ou vinculados. A anulação tem caráter vinculante, devendo a administração pública, sempre que se deparar com uma ilegalidade, anular o ato administrativo em questão, salvo casos de convalidação. Fique atento! A anulação não se confunde com a cassação ou a caducidade, uma vez que nessas hipóteses a ilegalidade é superveniente, ou seja, é posterior ao ato administrativo. Na anulação, a ilegalidade é originária, e deve ser extirpada uma vez o ato administrativo nasceu corrompido. Ainda sobre anulação e revogação, veja as Súmulas 346 e 473 do STF: 46 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Súmula 346 – STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473 – STF: A Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Portanto, no caso narrado, observa-se que Seu Merval deixou de cumprir as condições necessárias impostas pelo Poder Público Municipal quando da concessão da licença, sendo caso de cassação de sua autorização. Não há de se falar em caso fortuito ou de força maior. Letra A INCORRETA Seu Merval deixou de cumprir as condições necessárias impostas pelo Poder Público Municipal quando da concessão da licença, sendo caso de cassação de sua autorização. Letra B INCORRETA Não se trata de ato ilegal, mas sim do fato de o particular ter descumprido as condições previamente fixadas pela administração. Logo, é caso de cassação. Letra C CORRETA Seu Merval deixou de cumprir as condições necessárias impostas pelo Poder Público Municipal quando da concessão da licença, sendo caso de cassação de sua autorização. Letra D INCORRETA Não se trata de modificação na legislação vigente, mas sim do fato de o particular ter descumprido as condições previamente fixadas pela administração. Logo, é caso de cassação. Questão 34. 4000008424 Gervásio, diretor de uma sociedade de economia mista, possui algumas dúvidas acerca da composição interna da referida entidade. Para se prevenir de qualquer irregularidade e posterior responsabilização, Gervásio contrata você, como advogado, para sanar alguns de seus questionamentos quanto à estrutura interna das sociedades de economia mista. Você informa a Gervásio, corretamente, que: a) Os membros do Conselho Fiscal terão prazo de gestão não superior a 2 anos, permitidas 2 reconduções consecutivas. b) Deve ser garantida a participação de representantes dos empregados e dos acionistas majoritários no Conselho de Administração. c) Deverá haver um Comitê de Auditoria Estatutária, ao qual compete, entre outras atribuições, monitorar a qualidade e a integridade dos mecanismos de controle externo. d) O Conselho de Administração deve ter no mínimo 7 e no máximo 11 membros, cujo prazo de gestão será unificado e não superior a 2 anos, permitida apenas 1 recondução consecutiva. 47 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Comentários A questão trata da composição das Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista, de acordo com a Lei 13.303/2016. Em linhas gerais, as EP e SEM deverão contar com Diretoria, Conselho Fiscal, Conselho de Administração e Comitê de Auditoria Estatutário. Vejamos o que determina o artigo 13 da Lei 13.303/2016: Art. 13. A lei que autorizar a criação da empresa pública e da sociedade de economia mista deverá dispor sobre as diretrizes e restrições a serem consideradas na elaboração do estatuto da companhia, em especial sobre: I - constituição e funcionamento do Conselho de Administração, observados o número mínimo de 7 (sete) e o número máximo de 11 (onze) membros; (...) VI - prazo de gestão dos membros do Conselho de Administração e dos indicados para o cargo de diretor, que será unificado e não superior a 2 (dois) anos, sendo permitidas, no máximo, 3 (três) reconduções consecutivas; (...) VIII - prazo de gestão dos membros do Conselho Fiscal não superior a 2 (dois) anos, permitidas 2 (duas) reconduções consecutivas. Ou seja: O Conselho de Administração deve ter no mínimo 7 e no máximo 11 membros, cujo prazo de gestão será unificado e não superior a 2 anos, permitidas, no máximo, 3 reconduções consecutivas, conforme artigo 13, incisos I e VI, da Lei 13.303/2016. E os membros do Conselho Fiscal terão prazo de gestão não superior a 2 anos, permitidas 2 reconduções consecutivas, conforme artigo 13, VIII, da Lei 13.303/2016. Ademais, no Conselho de Administração deve ser garantida a participação de representante dos empregados e dos acionistas minoritários, conforme artigo 19 da Lei 13.303/2016. Art. 19. É garantida a participação, no Conselho de Administração, de representante dos empregados e dos acionistas minoritários. Por fim, mencione-se que, quanto ao Comitê de Auditoria Estatutário, este é órgão auxiliar do Conselho de Administração, ao qual se reportará diretamente, e terá várias atribuições, dispostas no artigo 24 da Lei 13.303/2016. Entre elas, o inciso IV do § 1º dispõe: Art. 24. A empresa pública e a sociedade de economia mista deverão possuir em sua estrutura societária Comitê de Auditoria Estatutário como órgão auxiliar do Conselho de Administração, ao qual se reportará diretamente. § 1º Competirá ao Comitê de Auditoria Estatutário, sem prejuízo de outras competências previstas no estatuto da empresa pública ou da sociedade de economia mista: IV - monitorar a qualidade e a integridade dos mecanismos de controle interno, das demonstrações financeiras e das informações e medições divulgadas pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista; Letra A CORRETA 48 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Os membros do Conselho Fiscal terão prazo de gestão não superior a 2 anos, permitidas 2 reconduções consecutivas, conforme artigo 13, VIII, da Lei 13.303/2016. Letra B INCORRETA No Conselho de Administração deve ser garantida a participação de representante dos empregados e dos acionistas minoritários, conforme artigo 19 da Lei 13.303/2016. Letra C INCORRETA Conforme artigo 24, § 1º, IV, ao Comitê de Auditoria Estatutária compete, entre outras atribuições, monitorar a qualidade e a integridade dos mecanismos de controle interno. Letra D INCORRETA O Conselho de Administração deve ter no mínimo 7 e no máximo 11 membros, cujo prazo de gestão será unificado e não superior a 2 anos, permitidas, no máximo, 3 reconduções consecutivas, conforme artigo 13, incisos I e VI, da Lei 13.303/2016. Questão 35. 4000008392 A mineradora ABC S/A recebeu um comunicado da Justiça Federal por um suposto crime contra o meio ambiente em virtude de uma ação tomada por decisão de seu órgão colegiado. Segundo o comunicado, a decisão estratégica da empresa de manter as atividades de lavra em um local sem licença ambiental de operação vigente caracterizava indícios de conduta criminosa cometida pela pessoa jurídica ABC S/A. Consultando o setor jurídico da empresa, o CEO recebeu, corretamente, a seguinte informação da advogada líder do setor: a) Caso a pessoa jurídica seja responsabilizada, excluir-se-á a responsabilidade das pessoas físicas que compõem o colegiado e que eventualmente tenham sido partícipes do mesmo fato. b) A pessoa jurídica ABC S/A pode ser responsabilizada penalmente, uma vez que a supostainfração foi cometida por decisão de seu órgão colegiado, no interesse da entidade. c) A pessoa jurídica deve ser responsabilizada penalmente, não podendo ser desconsiderada. d) A pessoa jurídica, por seu caráter impessoal, só pode ser responsabilizada pelo eventual crime nas esferas administrativa e civil. Comentários Gabarito: alternativa B Acesse em nossa plataforma os comentários em vídeo para essa questão: https://oab.estrategia.com/questoes/4000008392/ Questão 36. 4000008393 Um deputado da Assembleia Legislativa de Minas Gerais concebeu um projeto de lei estadual que considera como cruéis as práticas do Rodeio e da Vaquejada, objetivando proibi-las em todo o 49 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 território mineiro. Considerando o exposto, julgue os itens a seguir: a) Embora a Vaquejada seja proibida no território brasileiro, não é considerada uma prática cruel aos animais por expressa previsão em lei federal. b) Tanto o Rodeio quanto a Vaquejada constituem práticas vedadas no território brasileiro porque submetem os animais à crueldade. c) Tanto o Rodeio quanto a Vaquejada, bem como suas respectivas expressões artísticas e esportivas, são reconhecidas como manifestações culturais integrantes do patrimônio cultural brasileiro e, portanto, não são consideradas práticas cruéis. d) Não há lei federal que regule as práticas do Rodeio e da Vaquejada em território nacional, sendo constitucional lei estadual que as proíba. Comentários Gabarito: alternativa C Acesse em nossa plataforma os comentários em vídeo para essa questão: https://oab.estrategia.com/questoes/4000008393/ Questão 37. 4000011471 Eduardo e Mônica se casaram sob o regime de comunhão parcial de bens. Durante o casamento, Eduardo recebeu uma herança de R$ 100.000,00 e, com parte desse valor, comprou um imóvel em seu nome. Após cinco anos de casamento, Eduardo e Mônica decidiram se separar. Considerando a situação apresentada, assinale a alternativa correta: a) O imóvel adquirido por Eduardo com a herança é considerado bem comum do casal, devendo ser partilhado igualmente entre Eduardo e Mônica. b) O imóvel adquirido por Eduardo é considerado bem particular, não sendo partilhado com Mônica, pois foi adquirido com herança recebida por Eduardo. c) O imóvel deve ser partilhado apenas se Mônica provar que contribuiu financeiramente para a aquisição do bem. d) O imóvel adquirido por Eduardo é considerado bem comum, pois foi adquirido durante o casamento, independentemente da origem dos recursos. Comentários Gabarito: B O imóvel adquirido por Eduardo é considerado bem particular, não sendo partilhado com Mônica, pois foi adquirido com herança recebida por Eduardo. No regime de comunhão parcial de bens, os bens adquiridos por meio de herança são considerados bens particulares do cônjuge que os recebeu. Assim, mesmo que o imóvel tenha sido adquirido durante o casamento, como ele foi comprado com a herança que Eduardo recebeu, ele não se comunica com os bens comuns do casal. Portanto, Mônica não tem direito à partilha desse imóvel, o que torna a alternativa B a correta. As demais alternativas estão incorretas, pois não refletem a correta aplicação das regras do regime de comunhão parcial de bens. No caso em concreto, a questão também versa sobre a sub-rogação de bens! Art. 1.658 CC: No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na 50 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes. Art. 1.659 CC: Excluem-se da comunhão: I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; Questão 38. 4000011472 Maria, uma senhora de 75 anos, faleceu deixando um testamento no qual nomeou seus filhos, João e Ana, como herdeiros de sua totalidade de bens. No entanto, Maria também tinha um filho, Carlos, que foi reconhecido judicialmente como seu filho, mas que não teve nenhum contato com a mãe durante os últimos 20 anos de sua vida. Carlos, ao tomar conhecimento do falecimento de Maria e do testamento, ingressou com uma ação judicial para reivindicar sua parte da herança, alegando que o testamento não deveria prevalecer sobre seu direito à herança. Considerando a legislação brasileira sobre sucessões, qual dos seguintes itens está correto? a) Carlos não tem direito à herança, pois foi excluído do testamento e não pode contestá-lo. b) Carlos tem direito à herança, pois a disposição testamentária não pode prejudicar a legítima dos herdeiros necessários. c) O testamento de Maria é nulo, pois Carlos não foi mencionado, e todos os filhos têm direito a uma parte igual da herança, independentemente da vontade da falecida. d) Carlos não pode reivindicar a herança, pois a ausência de contato com a mãe por 20 anos caracteriza a renúncia à herança. Comentários Gabarito: B Carlos tem direito à herança, pois a disposição testamentária não pode prejudicar a legítima dos herdeiros necessários. A alternativa B está correta porque, de acordo com o Código Civil Brasileiro, os herdeiros necessários, que incluem os filhos, têm direito à legítima, que corresponde a 50% do patrimônio da herança. A vontade da testadora, embora tenha valor legal, não pode excluir totalmente o direito de herança de Carlos, que é um herdeiro necessário. A disposição testamentária de Maria deve respeitar a legítima de Carlos, mesmo que ele não tenha mantido contato com a mãe. As alternativas A, C e D estão incorretas, pois não consideram adequadamente os direitos dos herdeiros necessários conforme a legislação vigente. Art. 1.845 CC: São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge. Art. 1.846 CC: Pertence aos herdeiros necessários, de pleno direito, a metade dos bens da herança, constituindo a legítima. Art. 1.857 CC: Toda pessoa capaz pode dispor, por testamento, da totalidade dos seus bens, ou de parte deles, para depois de sua morte. § 1º A legítima dos herdeiros necessários não poderá ser incluída no testamento. Questão 39. 4000011473 51 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Eduardo, um empresário bem-sucedido, decide doar um apartamento localizado na praia para seu amigo Carlos, como forma de reconhecimento pela amizade e apoio que Carlos lhe deu ao longo dos anos. Eles celebram um contrato de doação por escrito, no qual estão presentes as assinaturas de ambos e de duas testemunhas. No entanto, após alguns meses, Eduardo muda de ideia e informa Carlos que não quer mais realizar a doação, alegando que se arrependeu da decisão. Diante dessa situação, assinale a alternativa correta: a) A doação é irrevogável e Eduardo não pode desistir, pois a doação foi formalizada por contrato escrito e acompanhada de testemunhas. b) Eduardo pode desistir da doação, pois a lei permite que o doador se arrependa antes da entrega do bem. c) A doação pode ser revogada por Eduardo, pois Carlos não demonstrou a sua necessidade de receber o bem doado. d) A doação é válida, mas pode ser anulada a pedido de Eduardo, pois não houve a formalização da escritura pública. Comentários Gabarito: Alternativa A Art. 541. A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular. Art. 555. A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário, ou por inexecução do encargo. Art. 557. Podem ser revogadas por ingratidão as doações: I - se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de homicídio doloso contra ele; II - se cometeu contra ele ofensa física; III - se o injuriou gravemente ou o caluniou; IV - se, podendo ministrá-los, recusou ao doador os alimentos de que este necessitava. A alternativa A está correta, pois segundo o Código Civil Brasileiro, a doação, em regra, é irrevogável, salvo algumas exceções que não se aplicamao caso em questão. A formalização do contrato por escrito e com a presença de testemunhas conferiu segurança jurídica à doação, tornando-a válida. A revogação da doação só poderia ocorrer em situações específicas, como ingratidão do donatário ou mudança na situação do doador que justifique a revogação, o que não é o caso apresentado. As demais alternativas estão incorretas: - A alternativa B é errada, pois o arrependimento do doador não é motivo para revogação da doação formalizada, a menos que haja condições específicas previstas em lei. - A alternativa C é equivocada, pois a necessidade do donatário não é um requisito para a validade da doação. - A alternativa D está incorreta, pois a doação realizada por escritura pública não é uma exigência para a validade da doação entre particulares, embora a escritura pública seja recomendada para bens de maior valor. Questão 40. 4000011474 Laura, em dificuldades financeiras, procurou um conhecido, Roberto, para obter um empréstimo de R$ 10.000,00. Roberto, ciente do desespero de 52 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Laura para resolver suas dívidas, ofereceu-lhe o empréstimo com uma taxa de juros de 30% ao mês, exigindo que o pagamento fosse realizado em um único prazo de 90 dias. Laura, temendo perder sua casa, assinou o contrato sem ler as cláusulas. Após 90 dias, Laura deveria pagar R$ 13.000,00, mas não conseguiu cumprir o pagamento e foi ameaçada por Roberto. Considerando a situação apresentada, qual das alternativas a seguir está correta em relação à possibilidade de Laura pleitear a nulidade do contrato com base no estado de perigo? a) Laura não pode pleitear a nulidade do contrato, pois ela tinha a liberdade de escolha ao assinar o contrato. b) Laura pode pleitear a nulidade do contrato, pois ficou demonstrado que ela estava em estado de perigo, o que torna o contrato anulável. c) Laura pode pleitear a nulidade do contrato, mas apenas se provar que Roberto tinha conhecimento da sua situação financeira. d) Laura não pode pleitear a nulidade do contrato, pois o estado de perigo não é um vício do consentimento. Comentários Gabarito: Alternativa B Laura pode pleitear a nulidade do contrato, pois ficou demonstrado que ela estava em estado de perigo, o que torna o contrato anulável. De acordo com o Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002), o estado de perigo ocorre quando uma das partes se obriga, em razão de uma situação de necessidade, a prestar uma vantagem desproporcional à outra parte (art. 156). No caso apresentado, Laura estava em uma situação de desespero financeiro, o que a levou a aceitar um contrato com condições extremamente desvantajosas, como a alta taxa de juros. Roberto, sabendo da situação de vulnerabilidade de Laura, aproveitou-se dela para estipular um contrato abusivo. Portanto, Laura tem o direito de pleitear a nulidade do contrato, uma vez que o estado de perigo vicia seu consentimento. A alternativa A está incorreta, pois a liberdade de escolha de Laura foi comprometida pela sua situação. A alternativa C é errada, pois a nulidade pode ser pleiteada independentemente da comprovação do conhecimento de Roberto sobre a situação de Laura. A alternativa D também está incorreta, pois o estado de perigo é, sim, um vício do consentimento que pode levar à anulabilidade do contrato. Questão 41. 4000011475 Rafael, um adolescente de 17 anos, decidiu abrir uma pequena loja de artesanato em sua cidade. Para isso, ele precisa de um alvará e de um contrato de locação do espaço onde pretende estabelecer seu negócio. Como Rafael ainda não atingiu a maioridade, ele se pergunta se pode assinar esses documentos e se há alguma forma de obter a capacidade legal para tanto. Considerando a situação apresentada, assinale a alternativa correta: a) Rafael pode assinar o contrato de locação, pois a emancipação ocorre automaticamente quando o adolescente completa 17 anos. b) Rafael não pode assinar nenhum contrato, pois a emancipação é exclusiva para maiores de 18 anos e não há como antecipar essa capacidade. c) Rafael pode ser emancipado, desde que seus pais ou responsáveis legais o autorizem, permitindo que ele assine o contrato de locação e o alvará de funcionamento. 53 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 d) Rafael pode abrir a loja, mas precisa aguardar a idade máxima de 21 anos para que qualquer contrato que assinar tenha validade. Comentários Gabarito: Alternativa C Art. 5º CC: A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; A alternativa C é a correta, pois a emancipação é um instituto que confere ao menor a capacidade para a prática de atos da vida civil, permitindo que ele assine contratos, como o de locação e o alvará, antes de atingir a maioridade plena (18 anos). A emancipação pode ocorrer por várias formas, incluindo a concessão dos pais ou responsáveis legais, conforme previsto no Código Civil Brasileiro (art. 5º). As demais alternativas estão incorretas, pois: - A) A emancipação não ocorre automaticamente ao completar 17 anos, sendo necessário um ato formal ou situação específica que a justifique. - B) Embora o menor não tenha plena capacidade, ele pode ser emancipado, portanto a afirmação é imprecisa. - D) Não há necessidade de aguardar até os 21 anos, pois a emancipação pode ocorrer antes dos 18, conferindo a capacidade legal ao menor. Questão 42. 4000011476 Mário, um adolescente de 16 anos, deseja vender um carro que herdou de seu avô. Ele se encontra em situação financeira complicada e acredita que a venda do veículo será essencial para ajudar sua família. Ao procurar um comprador, Mário encontra Maria, que está disposta a comprar o carro por R$ 20.000,00. No entanto, Mário não informou a Maria que era menor de idade. Após a venda, Maria descobre que Mário é um adolescente e questiona a validade do contrato. Considerando a situação apresentada, assinale a alternativa correta: a) O contrato é válido, pois Mário é maior de 16 anos e, portanto, possui capacidade civil plena. b) O contrato é inválido, pois Mário, sendo menor de idade, não possui capacidade civil para realizar a venda do veículo. c) O contrato é válido, pois Maria não tinha como saber que Mário era menor de idade. d) O contrato é nulo, pois todo contrato celebrado por menor é considerado nulo independentemente das circunstâncias. Comentários Gabarito: Alternativa B Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 54 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I - por incapacidade relativa do agente; De acordo com o Código Civil brasileiro, a capacidade civil plena é adquirida aos 18 anos. No entanto, os menores de 18 anos têm capacidade relativa, o que significa que podem praticar alguns atos da vida civil, mas com a assistência de seus responsáveis legais. No caso apresentado, Mário, com 16 anos, não possui capacidade para vender um bem imóvel sem a autorização de seus responsáveis. Portanto, a venda realizada por ele é considerada inválida, já que ele não tinha a capacidade legal para tal ato. A alternativa B é a correta, pois reflete a incapacidade civil de Mário para a realização do contrato de venda do carro. As alternativas A e C estão erradas, pois ignoram a condição de incapacidade de Mário, e a alternativa D também é incorreta, pois a nulidade não é automática em todos os casos, mas sim naquelesque não respeitam a assistência necessária. Questão 43. 4000008396 O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, compete ao Conselho Tutelar: a) Conhecer de representações promovidas pelo Ministério Público, para apuração de ato infracional atribuído a adolescente, aplicando as medidas cabíveis. b) Conceder a remissão, como forma de suspensão ou extinção do processo. c) Conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes. d) Determinar o acolhimento institucional. Comentários Gabarito: alternativa C Questão 44. 4000008397 É garantido o acesso de toda criança ou adolescente à Defensoria Pública, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, por qualquer de seus órgãos. Sobre o acesso à Justiça no âmbito do ECA, é incorreto afirmar: a) A assistência judiciária gratuita será prestada aos que dela necessitarem, através de defensor público, sendo vedada a nomeação de advogado para este fim. b) A autoridade judiciária dará curador especial à criança ou adolescente, sempre que os interesses destes colidirem com os de seus pais ou responsável, ou quando carecer de representação ou assistência legal ainda que eventual. c) É vedada a divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional. d) As ações judiciais da competência da Justiça da Infância e da Juventude são isentas de custas e emolumentos, ressalvada a hipótese de litigância de má-fé. Comentários Gabarito: alternativa A 55 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Questão 45. 4000009263 Osvaldo, dirigindo seu veículo, parou na cancela de entrada do estacionamento do shopping center “Vende muito” para apertar no botão e pegar o ticket de pagamento. Neste momento, foi assaltado por um indivíduo que, portando arma de fogo, ordenou que a vítima abaixasse o vidro e exigiu o relógio, o celular e a carteira de Osvaldo. Durante todo o ocorrido, não havia qualquer agente de segurança no local. Na qualidade de advogado da vítima, você deverá informar corretamente que: a) Estabelecimentos comerciais, tais como grandes shoppings centers e hipermercados, ao oferecerem estacionamento, respondem pelos assaltos à mão armada praticados contra os clientes, desde que não sejam gratuitos. b) O shopping center deve ser responsabilizado pelo fortuito externo, por se tratar de fato ligado aos riscos da atividade desenvolvida pelo fornecedor. c) Admite-se a exoneração da responsabilidade do shopping center quando ocorre fortuito interno à atividade empresarial desempenhada, isto é, evento imprevisível e totalmente alheio aos deveres anexos dos fornecedores e aos riscos por estes assumidos. d) O shopping center e o estacionamento vinculado a ele podem ser responsabilizados por roubo à mão armada ocorrido na cancela para ingresso no estabelecimento comercial, em via pública. Comentários Gabarito: alternativa D Acesse em nossa plataforma os comentários em vídeo para essa questão: https://oab.estrategia.com/questoes/4000009263/ Questão 46. 4000009264 Valdenice era triatleta e machucou seu joelho durante um dos treinos. Visando sua reabilitação, ela contratou o fisioterapeuta Luciano para realizar sessões de tratamento muscular. Porém, o tratamento foi mal sucedido, e Valdenice ficou incapacitada de concorrer em três competições de triátlon, que juntas pagavam o prêmio de R$ 50.000,00, em razão da ineficiência e da má qualidade do serviço. Por isso, procurou você, na qualidade de advogado, a fim de ajuizar demanda contra Luciano, pleiteando especialmente lucros cessantes e danos emergentes. Você deverá informar corretamente que: a) Valdenice deve ajuizar ação de responsabilidade pelo vício do serviço, e a responsabilidade de Luciano é subjetiva. b) Valdenice deve ajuizar ação de responsabilidade pelo fato do serviço, e a responsabilidade de Luciano é subjetiva. c) Valdenice deve ajuizar ação de responsabilidade pelo vício do serviço, e a responsabilidade de Luciano é objetiva. d) Valdenice deve ajuizar ação de responsabilidade pelo fato do serviço, e a responsabilidade de Luciano é objetiva. Comentários Gabarito: alternativa B Acesse em nossa plataforma os comentários em vídeo para essa questão: https://oab.estrategia.com/questoes/4000009264/ 56 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Questão 47. 4000011461 Ana, Bruno, Clara e Davi, que se conheceram durante a pós-graduação em Comunicação Digital, decidem abrir uma empresa para produzir e comercializar cursos online e serviços de assessoria em redes sociais. O grupo planeja investir cem mil reais, criar uma marca própria, montar um estúdio profissional e contratar uma equipe com pelo menos vinte colaboradores. Com base na situação hipotética descrita e considerando o ordenamento jurídico brasileiro, assinale a alternativa correta: a) A sociedade a ser constituída por Ana, Bruno, Clara e Davi deverá ser obrigatoriamente uma sociedade simples, devido à natureza intelectual da atividade. b) Caso os sócios optem por uma sociedade por ações, ela será empresária, independentemente do objeto. c) A sociedade adquire personalidade jurídica assim que os sócios assinam o contrato social. d) A atividade empresarial só pode existir se envolver a produção de bens físicos, excluindo a prestação de serviços. Comentários GABARITO B A questão trata da natureza jurídica das sociedades e a forma como adquirem personalidade jurídica, conforme o Código Civil. CC, art. 982. Salvo as exceções expressas, considera- se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único: Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa." Com isso, observa-se que uma sociedade por ações é sempre considerada empresária, ainda que o seu objeto social seja uma atividade não mercantil ou intelectual. Sobre a aquisição de personalidade jurídica, o art. 985 do Código Civil dispõe: CC, art.985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts. 45 e 1.150). Por fim, o art. 966 esclarece que a atividade empresarial compreende tanto a produção de bens quanto a prestação de serviços: CC, art. 966.Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Análise das alternativas: A) Incorreta: A atividade de produção e comercialização de conteúdo digital constitui uma atividade empresarial, conforme o art. 966 do Código Civil, não sendo necessariamente uma sociedade simples. B) Correta: Conforme o parágrafo único do art. 982, a sociedade por ações é sempre considerada empresária, independentemente do objeto social C) Incorreta: A sociedade não adquire personalidade jurídica com a assinatura do contrato 57 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 social, mas com o registro no órgão competente, conforme o art. 985 do Código Civil. D) Incorreta: A prestação de serviços pode configurar atividade empresarial, conforme o art. 966 do Código Civil, que inclui tanto a produção de bens quanto a circulação de serviços. Portanto, a alternativa B é a correta, pois está em conformidade com o parágrafo único do art. 982 do Código Civil. Questão 48. 4000011462 A empresa "EcoFit", especializada em produtos naturais e orgânicos, é amplamente reconhecida por sua marca registrada e forte atuação nas redes sociais. A empresa concorrente "BioGreen" contratou serviços de publicidade paga em um buscador popular e utilizou como palavras-chaveAdvogados. Um desejo em comum entre eles para a contratação de advogados para a Sociedade é o chamado contrato de associação. Considerando o previsto no Estatuto da Advocacia sobre o contrato de associação, podemos afirmar que no contrato de associação, o advogado sócio ou associado e a sociedade pactuarão as condições para o desempenho da atividade advocatícia e estipularão livremente os critérios para a partilha dos resultados dela decorrentes, devendo o contrato: a) conter a qualificação das partes, com referência expressa à inscrição no Conselho Federal. b) não conter especificação e delimitação do serviço a ser prestado. c) conter forma de repartição dos riscos e das receitas entre as partes, vedada a atribuição da totalidade dos riscos ou das receitas exclusivamente a uma delas. d) não conter o prazo de duração do contrato, tendo em visto a natureza da contratação. Comentários Análise do Caso A questão trata sobre a Sociedade de Advogados. O art. 17-B do EAOAB indica que a associação de que trata o art. 17-A dar-se-á por meio de pactuação de contrato próprio, que poderá ser de caráter geral ou restringir-se a determinada causa ou trabalho e que deverá ser registrado no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede a sociedade de advogados que dele tomar parte. O parágrafo único do mesmo dispositivo indica que no contrato de associação, o advogado sócio ou associado e a sociedade pactuarão as condições para o desempenho da atividade advocatícia e estipularão livremente os critérios para a partilha dos resultados dela decorrentes, devendo o contrato conter, no mínimo: I - qualificação das partes, com referência expressa à inscrição no Conselho Seccional da OAB competente; 6 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 II - especificação e delimitação do serviço a ser prestado; III - forma de repartição dos riscos e das receitas entre as partes, vedada a atribuição da totalidade dos riscos ou das receitas exclusivamente a uma delas; IV - responsabilidade pelo fornecimento de condições materiais e pelo custeio das despesas necessárias à execução dos serviços; V - prazo de duração do contrato. Diante do exposto, a LETRA C é o nosso gabarito! Letra A INCORRETA – O certo é inscrição no Conselho Seccional da OAB competente, não no Conselho Federal, nos termos do art. 17-B, PU, I do EAOAB. Letra B INCORRETA – Deve conter especificação e delimitação do serviço a ser prestado, segundo o art. 17-B, PU, II do EAOAB. Letra C CORRETA – É a exata previsão do art. 17-B, PU, III do EAOAB: “Art. 17-B. A associação de que trata o art. 17-A desta Lei dar-se-á por meio de pactuação de contrato próprio, que poderá ser de caráter geral ou restringir-se a determinada causa ou trabalho e que deverá ser registrado no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede a sociedade de advogados que dele tomar parte. Parágrafo único. No contrato de associação, o advogado sócio ou associado e a sociedade pactuarão as condições para o desempenho da atividade advocatícia e estipularão livremente os critérios para a partilha dos resultados dela decorrentes, devendo o contrato conter, no mínimo: III - forma de repartição dos riscos e das receitas entre as partes, vedada a atribuição da totalidade dos riscos ou das receitas exclusivamente a uma delas”. Letra D INCORRETA – Em verdade, deve conter o prazo de duração do contrato, conforme o art. 17-B, PU, V do EAOAB. Questão 4. 4000010841 O advogado Fernando possui um famoso programa em suas redes sociais. Considerando que o programa atende todas as regras éticas relacionadas à advocacia, Fernando: a) Não poderá responder à consulta sobre matéria jurídica de forma esporádica. b) Poderá debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro advogado. c) Não poderá insinuar-se para reportagens e declarações públicas. d) Poderá divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes e demandas. Comentários Análise do Caso A questão versa sobre a publicidade profissional. De acordo com o art. 42 do CED, temos que é vedado ao advogado: I - responder com habitualidade a consulta sobre matéria jurídica, nos meios de comunicação social; 7 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 II - debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro advogado; III - abordar tema de modo a comprometer a dignidade da profissão e da instituição que o congrega; IV - divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes e demandas; V - insinuar-se para reportagens e declarações públicas. Logo, a LETRA C é o nosso gabarito! Letra A INCORRETA - Segundo o art. 42, I do CED, é vedado ao advogado responder com habitualidade a consulta sobre matéria jurídica, nos meios de comunicação social. Podemos concluir que é permitida a consulta sobre matéria jurídica de forma esporádica. Letra B INCORRETA - De acordo com o art. 42, II do CED, temos que é vedado ao advogado debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro advogado. Letra C CORRETA – De fato, não poderá insinuar-se para reportagens e declarações públicas, conforme o art. 42, V do CED. Letra D INCORRETA - É vedado divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes e demandas, segundo o art. 42, IV do CED. Questão 5. 4000010842 Marta contrata o advogado Sérgio para ajuizar petição inicial em sede Juizado Especial Cível em causa de 10 salários-mínimos. Sobre a atividade realizada por Sérgio, assinale a afirmativa correta: a) A ação que Sérgio ajuizou é privativa para advogados e estagiários. b) É vedado ao advogado a atividade mencionada. c) A ação ajuizada por Sérgio não é privativa para advogados. d) A atividade que Sérgio realizou é privativa para advogados. Comentários Análise do Caso Em resumo, Sérgio, advogado, ajuizou petição inicial em sede de Juizado Especial Cível em causa de 10 salários-mínimos. Questionamento: É um ato privativo de advogado? A capacidade postulatória, como regra, é privativa do advogado, de forma que apenas aquele que for apto, e qualificado legalmente, poderá postular em juízo e exigir um provimento jurisdicional do Estado. No entanto, algumas exceções legais dispensam a necessidade de postulação em juízo ser realizada por advogado: - Habeas Corpus; - Juizado Especial Cível (até 20 salários mínimos); - Juizado Especial Federal Cível (até 60 salários mínimos); 8 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 - Ação de Alimentos; - Defesa em sede de Processo Administrativo Disciplinar - Jus postulandi na seara trabalhista Portanto, a ação ajuizada por Sérgio não é privativa para advogados. Letra A INCORRETA – Não é privativa de advogados e estagiários. Letra B INCORRETA – É permitido ao advogado a atividade mencionada. Letra C CORRETA - A atuação em Juizado Especial Cível (até 20 salários-mínimos) dispensa a necessidade de a postulação em juízo ser realizada por advogado. Letra D INCORRETA - Não é privativa de advogados. Questão 6. 4000010843 A advogada Marcela, com inscrição regular, passou a exercer o cargo de Oficial da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. À luz do caso apresentado, considerando as disposições do Estatuto da Advocacia, assinale a alternativa correta: a) É hipótese de cancelamento da inscrição, já que Marcela passou a exercer, em caráter definitivo, atividade incompatível com a advocacia. b) É hipótese de licenciamento da inscrição, já que Marcela passou a exercer, em caráter definitivo, atividade incompatível com a advocacia. c) É hipótese de demissão da advocacia, , já que Marcela passou a exercer, em caráter definitivo, atividade incompatível com a advocacia. d) Em hipótese alguma a advogada Marcela pode voltar aos quadros da OAB,a marca "EcoFit" e expressões relacionadas aos produtos desta marca. Assim, anúncios de "BioGreen" eram exibidos em destaque quando consumidores buscavam pelo nome "EcoFit". Com base na Lei de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/1996) e na repressão à concorrência desleal, assinale a alternativa correta: a) O uso da marca registrada "EcoFit" como palavra- chave caracteriza concorrência desleal e uso indevido, pois visa desviar clientela e confundir consumidores. b) O uso de palavras-chave relacionadas a marcas concorrentes é permitido, desde que o anúncio deixe claro que não há vínculo com a marca pesquisada. c) A utilização de nomes de marcas em anúncios é válida se o consumidor conseguir diferenciar os produtos e empresas ao acessar o link patrocinado. d) Concorrentes podem utilizar marcas registradas em estratégias digitais, desde que não façam alegações enganosas sobre os produtos. Comentários A questão aborda a proteção marcária e a repressão à concorrência desleal, com fundamento na Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/1996). A legislação assegura ao titular de uma marca registrada o direito de uso exclusivo em todo o território nacional, garantindo a proteção contra práticas que possam prejudicar sua reputação ou confundir os consumidores. De acordo com o art. 129 da LPI, o registro de uma marca assegura ao seu titular o direito de uso exclusivo em todo o território nacional. O art. 195, inciso III, prevê como crime de concorrência desleal o desvio de clientela por meios fraudulentos, e o inciso IV prevê punição para quem utiliza sinal de propaganda alheio ou imita marca de maneira a causar confusão. No caso descrito, a empresa "BioGreen" utiliza a marca "EcoFit" como palavra-chave para atrair consumidores que buscavam produtos da concorrente. Tal prática infringe os arts. 129 e 195 da LPI, configurando uso indevido de marca e concorrência desleal. Lei nº 9.279/1996: Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as disposições desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado quanto às marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148. 58 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Art. 130. Ao titular da marca ou ao depositante é ainda assegurado o direito de: III - zelar pela sua integridade material ou reputação. Art. 195. Comete crime de concorrência desleal quem: III - emprega meio fraudulento para desviar, em proveito próprio ou alheio, clientela de outrem; IV - usa expressão ou sinal de propaganda alheio ou imita, de modo a criar confusão entre os produtos ou estabelecimentos. Análise das alternativas: A) Correta: O uso da marca registrada "EcoFit" como palavra-chave para anúncios pagos caracteriza concorrência desleal e uso indevido. B) Incorreta: Mesmo que o anúncio contenha informações claras, a utilização da marca registrada por concorrentes continua sendo ilegal. C) Incorreta: A possibilidade de diferenciação pelos consumidores não elimina a ilicitude do uso de marca registrada como estratégia de publicidade. D) Incorreta: O direito de exclusividade impede o uso da marca registrada por concorrentes, independentemente do teor das alegações nos anúncios. Portanto, a alternativa A é a correta. Questão 49. 4000011463 Lucas e Sofia decidiram abrir um curso preparatório para concursos públicos em uma cidade do interior do Paraná. Sofia optou por não se envolver diretamente na administração do negócio, participando apenas como investidora e seguindo os termos do contrato social firmado com Lucas. Já Lucas, muito conhecido na região, preferiu atuar como o responsável público pelo negócio, assumindo perante terceiros a condução da atividade em seu nome e sob sua responsabilidade exclusiva. O contrato social foi elaborado e registrado conforme as exigências legais, tendo sido constituída uma sociedade em conta de participação. Com base na situação apresentada e de acordo com o Código Civil, assinale a afirmativa correta: a) A falência de Lucas, sócio ostensivo, leva à dissolução da sociedade e à liquidação da conta de participação, cujo saldo será tratado como crédito quirografário. b) A falência de Sofia, sócia participante, implica na dissolução da sociedade e na responsabilização de Lucas por eventuais dívidas da sociedade. c) A inscrição do contrato social no registro competente confere personalidade jurídica à sociedade, tornando-a responsável perante terceiros. d) O sócio participante, mesmo sem interferir na gestão, pode ser responsabilizado solidariamente caso a sociedade não honre com suas obrigações. Comentários GABARITO A A questão trata de sociedade em conta de participação, regulada pelos arts. 991 a 996 do Código Civil, destacando o papel do sócio ostensivo e do sócio participante, além das implicações da falência. 59 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 CC, art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. O sócio participante (Sofia) não aparece perante terceiros e não é responsável pelas obrigações da sociedade, salvo se intervier diretamente nas relações do sócio ostensivo (Lucas) com terceiros, conforme: CC, art. 993. Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Além disso, a sociedade em conta de participação não possui personalidade jurídica, e a falência do sócio ostensivo (Lucas) implica a dissolução da sociedade. CC, art. 994, §2º. A falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário. Análise das alternativas: A) Correta: De acordo com o art. 994, §2º do Código Civil, a falência do sócio ostensivo dissolve a sociedade e a liquidação da conta de participação é tratada como crédito quirografário. B) Incorreta: A falência do sócio participante (Sofia) não implica a dissolução da sociedade, conforme o art. 994, §3º do Código Civil. C) Incorreta: O contrato social da sociedade em conta de participação não confere personalidade jurídica, conforme o art. 993 do Código Civil. D) Incorreta: O sócio participante só é responsabilizado solidariamente se intervier nas relações com terceiros, conforme o parágrafo único do art. 993. Questão 50. 4000011464 A empresa Alfa Construtora Ltda., especializada em obras públicas, enfrenta sérias dificuldades de fluxo de caixa e não está conseguindo novos créditos no mercado financeiro para honrar compromissos urgentes, especialmente com credores trabalhistas e por acidentes de trabalho. A diretoria da empresa decidiu elaborar um plano de recuperação extrajudicial para apresentar aos credores e negociar sua aprovação. Com base no cenário descrito, assinale a alternativa correta sobre a possibilidade de inclusão de créditos trabalhistas e por acidentes de trabalho na recuperação extrajudicial: a) Os créditos de natureza trabalhista podem ser incluídos no plano de recuperação extrajudicial mediante negociação coletiva com o sindicato, mas os créditos por acidentes de trabalho não se sujeitam aos efeitos da recuperação extrajudicial. b) Créditos de natureza trabalhista e por acidentes de trabalho, assim como os créditos tributários, não podem ser incluídos no plano de recuperação extrajudicial, pois não se sujeitam aos seus efeitos. c) Créditos decorrentes de acidentes de trabalho, até o limite de 150 salários mínimos por empregado, podem ser incluídos na recuperação extrajudicial,60 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 mas os créditos de natureza trabalhista não podem ser incluídos. d) Os créditos de natureza trabalhista e por acidentes de trabalho podem ser incluídos no plano de recuperação extrajudicial, mas, para a homologação, é necessária prévia negociação coletiva com o sindicato da respectiva categoria funcional. Comentários GABARITO D A questão aborda a inclusão de créditos na recuperação extrajudicial, conforme disposto na Lei nº 11.101/2005 (Lei de Recuperação e Falências - LREF). LREF, art. 161, § 1º. Estão sujeitos à recuperação extrajudicial todos os créditos existentes na data do pedido, exceto os créditos de natureza tributária e aqueles previstos no § 3º do art. 49 e no inciso II do caput do art. 86 desta Lei, e a sujeição dos créditos de natureza trabalhista e por acidentes de trabalho exige negociação coletiva com o sindicato da respectiva categoria profissional." Portanto, tanto os créditos trabalhistas quanto os decorrentes de acidentes de trabalho podem ser incluídos no plano de recuperação extrajudicial, desde que haja prévia negociação coletiva com o sindicato da categoria profissional. Análise das alternativas: A) Incorreta: Tanto os créditos trabalhistas quanto os créditos por acidentes de trabalho podem ser incluídos, desde que ocorra negociação coletiva com o sindicato. B) Incorreta: Os créditos trabalhistas e por acidentes de trabalho não são automaticamente excluídos da recuperação extrajudicial. Eles podem ser incluídos mediante negociação coletiva. C) Incorreta: Não há limitação de 150 salários mínimos para créditos por acidentes de trabalho na recuperação extrajudicial. D) Correta: De acordo com o art. 161, § 1º, da LREF, os créditos de natureza trabalhista e por acidentes de trabalho podem ser incluídos no plano de recuperação extrajudicial, desde que haja negociação coletiva com o sindicato da categoria profissional. Questão 51. 4000010871 Ao proferir o despacho saneador, o juiz de primeira instância identificou os fatos e direitos que considerou controversos e ordenou que as partes especificassem as provas que desejavam apresentar. No mesmo despacho, o juiz também delimitou os fatos que considerou incontroversos e determinou que o réu devolvesse imediatamente os valores incontroversos ao autor da demanda. O advogado do réu, discordando da decisão do juiz por entender que todos os fatos são controversos, tem a seguinte opção: a) Aguardar a sentença final de mérito, pois, não existe recurso contra despacho saneador. b) Recorrer, através de apelação, uma vez que o despacho saneador, em parte, está decidindo o mérito da demanda. c) Recorrer, através do agravo de instrumento, uma vez que o despacho saneador, em parte, está decidindo o mérito da demanda. d) Aguardar a sentença final de mérito e, apenas neste momento, insurgir-se contra a decisão 61 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 presente no despacho saneador, em preliminar de apelação, uma vez que no momento da prolação do despacho saneador a Lei não ofertava qualquer recurso para insurgir-se. Comentários Gabarito: C A: Errada – Nesse caso, cabe agravo de instrumento contra o despacho, uma vez que este proferiu uma decisão. B: Errada – Nesse caso, cabe agravo de instrumento contra o despacho, uma vez que este proferiu uma decisão. C: Certa – Nos termos do art. 356, §5º, do CPC, cabe agravo de instrumento contra o despacho, uma vez que este está proferindo uma decisão. D: Errada – Nesse caso, cabe agravo de instrumento contra o despacho, uma vez que este proferiu uma decisão. A questão exige conhecimento acerca do despacho saneador (decisão saneadora). E, neste sentido, o CPC aborda que: ''Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles: I - mostrar-se incontroverso; II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355 . § 1º A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a existência de obrigação líquida ou ilíquida. § 2º A parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a obrigação reconhecida na decisão que julgar parcialmente o mérito, independentemente de caução, ainda que haja recurso contra essa interposto. § 3º Na hipótese do § 2º, se houver trânsito em julgado da decisão, a execução será definitiva. §4º A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar parcialmente o mérito poderão ser processados em autos suplementares, a requerimento da parte ou a critério do juiz. § 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento.'' Deste modo, o advogado do réu, discordando da decisão do juiz por entender que todos os fatos são controversos poderá recorrer, através do agravo de instrumento, uma vez que o despacho saneador, em parte, está decidindo o mérito da demanda. Questão 52. 4000010872 O Ministério Público e a Advocacia Pública desempenham papéis fundamentais no sistema de Justiça, cada um com suas particularidades. Em razão dessas peculiaridades, ambos possuem prerrogativas processuais específicas. Assim, o prazo para manifestação do Ministério Público e da Advocacia Pública é contado, respectivamente, da seguinte forma: a) em dobro, em ambos os casos da intimação pessoal. b) em dobro, em ambos os casos da publicação para manifestação no diário oficial. 62 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 c) em dobro para o Ministério Público e não para a Advocacia Pública, contados para o Ministério Público da publicação no diário oficial e para a Advocacia Pública da intimação pessoal. d) em dobro para o Advocacia Pública e não para o Ministério Público, contados para a Advocacia Pública da publicação no diário oficial e para o Ministério Público da intimação pessoal. Comentários Gabarito: A A: Certa - Nos termos do artigo 180, do CPC, o Ministério Público gozará de prazo em dobro para manifestar-se nos autos, que terá início a partir de sua intimação pessoal. Ademais, o art. 183, do CPC, aborda que a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal. B: Errada – O prazo será em dobro, em ambos os casos da intimação pessoal, e não da publicação no diário oficial. C: Errada – O prazo será em dobro, em ambos os casos da intimação pessoal. D: Errada - O prazo será em dobro, em ambos os casos da intimação pessoal. A questão exige conhecimento acerca da Advocacia Pública e do Ministério Público, mas especificamente quanto aos prazos processuais para suas manifestações, e, neste ponto, temos que: "Art. 180. O Ministério Público gozará de prazo em dobro para manifestar-se nos autos, que terá início a partir de sua intimação pessoal, nos termos do art. 183, § 1º. (...) Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal. § 1º A intimação pessoal far-se-á por carga, remessa ou meio eletrônico.". Desta forma, o prazo para manifestação do Ministério Público e da Advocacia Pública é contado, respectivamente, em dobro, em ambos os casos da intimação pessoal. Questão 53. 4000010873 Ações possessórias são procedimentos judiciais destinados a proteger a posse de um bem contra turbação (perturbação) ou esbulho (invasão) praticados por terceiros. No direito brasileiro, as ações possessórias mais comuns são o interdito proibitório, a manutenção de posse e a reintegração de posse. Cada uma delas possui características específicas e é aplicável a diferentes situações de violação da posse. A respeitodas ações possessórias, é correto afirmar que: a) É vedado ao réu, na contestação, demandar a proteção possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho cometido pelo autor. 63 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 b) Na pendência de ação possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu, propor ação de reconhecimento do domínio, inclusive se a pretensão for deduzida em face de terceira pessoa. c) Se o réu provar, em qualquer tempo, que o autor provisoriamente mantido ou reintegrado na posse carece de idoneidade financeira para, no caso de sucumbência, responder por perdas e danos, o juiz designar-lhe-á o prazo de noventa dias para requerer caução, real ou fidejussória, sob pena de ser depositada a coisa litigiosa, ressalvada a impossibilidade da parte economicamente hipossuficiente. d) A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos pressupostos estejam provados. Comentários Gabarito: D A: Errada - Conforme o artigo 556, do CPC, é lícito ao réu, na contestação, alegar que foi o ofendido em sua posse, demandar a proteção possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho cometido pelo autor. B: Errada – Conforme o artigo 557, do CPC, na pendência de ação possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu, propor ação de reconhecimento do domínio, exceto se a pretensão for deduzida em face de terceira pessoa. C: Errada – Conforme o artigo 559, do CPC, se o réu provar, em qualquer tempo, que o autor provisoriamente mantido ou reintegrado na posse carece de idoneidade financeira para, no caso de sucumbência, responder por perdas e danos, o juiz designar-lhe-á o prazo de 5 (cinco) dias para requerer caução, real ou fidejussória, sob pena de ser depositada a coisa litigiosa, ressalvada a impossibilidade da parte economicamente hipossuficiente. Logo, podemos concluir que o prazo correto é de 5 dias e não de 90 dias. D: Certa - De fato, o CPC estabelece em seu artigo 554, que a propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos pressupostos estejam provados. A questão exige conhecimento acerca das ações possessórias, e, neste ponto, temos que: - É lícito ao réu, na contestação, alegar que foi o ofendido em sua posse, demandar a proteção possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho cometido pelo autor; (Art. 556, do CPC) - Na pendência de ação possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu, propor ação de reconhecimento do domínio, exceto se a pretensão for deduzida em face de terceira pessoa; (Art. 557, do CPC) - Se o réu provar, em qualquer tempo, que o autor provisoriamente mantido ou reintegrado na posse carece de idoneidade financeira para, no caso de sucumbência, responder por perdas e danos, o juiz designar-lhe-á o prazo de 5 (cinco) dias para requerer caução, real ou fidejussória, sob pena de ser depositada a coisa litigiosa, ressalvada a impossibilidade da parte economicamente hipossuficiente; (Art. 559, do CPC) e - A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos pressupostos estejam provados. (Art. 554, do CPC) 64 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Assim, conforme o artigo 554, do CPC, a propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos pressupostos estejam provados. Questão 54. 4000010874 No Código de Processo Civil (CPC), a ação de consignação em pagamento é um procedimento judicial pelo qual uma pessoa, chamada consignante, deposita em juízo o valor que deve a outra pessoa, chamada consignatário. Através dela, o devedor fica protegido de cobranças indevidas, e demais encargos. Com base nas disposições do Código de Processo Civil (CPC) quanto à ação de consignação em pagamento, assinale a alternativa correta. a) Requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, cessando para o devedor, à data do depósito, os juros e os riscos, ainda que a demanda for julgada improcedente. b) Tratando-se de prestações sucessivas, consignada uma delas, pode o devedor continuar a depositar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as que se forem vencendo, desde que o faça em até cinco dias contados da data do respectivo vencimento. c) Se o objeto da prestação for coisa indeterminada e a escolha couber ao credor, será este citado para exercer o direito dentro de vinte dias, se outro prazo não constar de lei ou do contrato, ou para aceitar que o devedor a faça, devendo o juiz, ao despachar a petição inicial, fixar lugar, dia e hora em que se fará a entrega, sob pena de depósito. d) Não é permitido ao réu apresentar contestação, cabendo-lhe apenas aceitar ou rejeitar o pagamento consignado. Comentários Gabarito: B A: Errada - Nos termos do artigo 540, do CPC, requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, cessando para o devedor, à data do depósito, os juros e os riscos, salvo se a demanda for julgada improcedente. B: Certa - Nos termos do artigo 541, do CPC, tratando-se de prestações sucessivas, consignada uma delas, pode o devedor continuar a depositar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as que se forem vencendo, desde que o faça em até 5 (cinco) dias contados da data do respectivo vencimento. C: Errada – Nos termos do artigo 543, do CPC, se o objeto da prestação for coisa indeterminada e a escolha couber ao credor, será este citado para exercer o direito dentro de 5 (cinco) dias, se outro prazo não constar de lei ou do contrato, ou para aceitar que o devedor a faça. D: Errada – Nos termos do artigo 544, do CPC, o réu pode apresentar contestação, alegando, entre outras coisas, como, que não houve recusa ou mora em receber a quantia ou a coisa devida. Na presente questão, a banca nos demanda conhecimentos sobre a ação de consignação em pagamento, incluindo sua finalidade que é garantir a segurança jurídica às partes envolvidas e resolver conflitos relacionados ao pagamento de obrigações. Com essa introdução, vejamos o que dispõe o CPC: - Nos termos do artigo 540, do CPC, requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, cessando para 65 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 o devedor, à data do depósito, os juros e os riscos, salvo se a demanda for julgada improcedente; - Nos termos do artigo 541, do CPC, tratando-se de prestações sucessivas, consignada uma delas, pode o devedor continuar a depositar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as que se forem vencendo, desde que o faça em até 5 (cinco) dias contados da data do respectivo vencimento; - Nos termos do artigo 543, do CPC, se o objeto da prestação for coisa indeterminada e a escolha couber ao credor, será este citado para exercer o direito dentro de 5 (cinco) dias, se outro prazo não constar de lei ou do contrato, ou para aceitar que o devedor a faça; - Nos termos do artigo 544, do CPC, o réu pode apresentar contestação, alegando, entre outras coisas, como, que não houve recusa ou mora em receber a quantia ou a coisa devida. Assim, tratando-se de prestações sucessivas, consignada uma delas, pode o devedor continuar a depositar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as que se forem vencendo, desde que o faça em até 5 (cinco) dias contados da data do respectivo vencimento, conforme disposição do artigo 541, do CPC. Questão 55. 4000010875 No contexto do Código de Processo Civil (CPC), a função jurisdicional refere-se ao poder que o Estado possui para resolver conflitos de interesse por meio do processo judicial. Essa função é desempenhada pelos órgãos do PoderJudiciário, como os juízes e tribunais. Assim, o CPC estabelece as normas e procedimentos que regulam como o Estado exerce essa função, garantindo que os litígios sejam resolvidos de maneira justa, transparente e eficiente. Com base nas disposições do Código de Processo Civil (CPC), assinale a alternativa correta, a respeito da função jurisdicional. a) Para postular em juízo, basta ter interesse jurídico. b) Qualquer cidadão poderá pleitear direito alheio em nome próprio, desde que assuma a obrigação de indenizar o titular do direito. c) O interesse do autor pode limitar-se à declaração da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica. d) Havendo substituição processual, o substituído não poderá intervir como assistente litisconsorcial. Comentários Gabarito: C A: Errada - Nos termos do art. 17, do CPC, para postular em juízo é necessário ter interesse E legitimidade. B: Errada – Nos termos do art. 18, do CPC, ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. C: Certa – Nos termos do art. 19, inciso I, do CPC, o interesse do autor pode limitar-se à declaração da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica. D: Errada - Nos termos do art. 18, parágrafo único, do CPC, havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial. 66 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 No âmbito do Código de Processo Civil (CPC), a função jurisdicional refere-se ao papel essencial desempenhado pelo Poder Judiciário na resolução de conflitos por meio do processo judicial. Essa função é exercida pelos juízes e tribunais, e envolve várias atribuições fundamentais: - Poder de Decisão: Os órgãos judiciais têm autoridade para interpretar e aplicar a lei aos casos concretos apresentados, proferindo decisões que têm força vinculativa sobre as partes envolvidas. - Imparcialidade e Independência: Os juízes devem atuar de maneira imparcial e independente, sem favorecer qualquer das partes, garantindo assim a imparcialidade nas decisões judiciais. - Obrigatoriedade das Decisões: As decisões judiciais são obrigatórias e devem ser cumpridas pelas partes envolvidas, sob pena de sanções legais. - Acesso à Justiça: O CPC visa garantir o acesso de todos os cidadãos à justiça, proporcionando meios para resolver litígios de forma justa e equitativa, independentemente de sua condição social, econômica ou cultural. - Garantia da Ordem Jurídica: A função jurisdicional busca assegurar a observância da ordem jurídica e a aplicação uniforme das leis, contribuindo para a estabilidade e segurança das relações sociais. Em suma, o CPC estabelece as regras e procedimentos que orientam como o Poder Judiciário exerce sua função jurisdicional, garantindo que os conflitos sejam resolvidos de maneira eficaz e de acordo com os princípios de justiça e legalidade. Vejamos o que dispõem os arts. 16 e seguintes do CPC: ''Art. 16. A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em todo o território nacional, conforme as disposições deste Código. Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial. Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; II - da autenticidade ou da falsidade de documento. Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito.'' Dessa forma, o interesse do autor pode limitar-se à declaração da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica, conforme disposição do artigo 19, inciso I, do CPC. Questão 56. 4000010876 Em uma execução fundada em um título executivo extrajudicial, o devedor foi citado para pagar ou apresentar defesa em 15 dias úteis, contados da juntada aos autos do mandado de citação cumprido. Constou do mandado, ainda, a incidência de honorários advocatícios de 10% sobre o valor devido em execução. Nesse sentido, o juiz agiu de forma: 67 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 a) correta, devendo o executado apresentar a defesa em embargos à execução, ou efetuar o pagamento em até 10 dias. b) correta, devendo o executado apresentar a defesa em impugnação à execução. c) incorreta, uma vez que os honorários advocatícios são fixados na sentença do processo executivo. d) incorreta, uma vez que o prazo para pagamento é de três dias, contados da data em que se realizou a citação. Comentários Gabarito: D A: Errada - Nos termos do art. 829, do CPC, o prazo para apresentação de defesa na execução fundada em título executivo extrajudicial é de 15 dias, mas o prazo para pagamento é de 03 dias. B: Errada - Nos termos do art. 914, do CPC, a defesa na execução é feita por meio de embargos à execução, e não impugnação à execução. C: Errada – Nos termos do art. 827, do CPC, os honorários advocatícios são fixados no início do processo executivo, e não apenas na sentença. D: Certa – De fato o juiz agiu de forma incorreta, pois de acordo com o art. 829, do CPC, o prazo para pagamento é de 03 dias, contados da data em que se realizou a citação. A questão apresentada pela banca examinadora, cobra sobre o procedimento de execução fundada em título executivo extrajudicial, abordando o prazo para pagamento e a incidência de honorários advocatícios. E, nesta toada, o CPC aborda que: ''Art. 827. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários advocatícios de dez por cento, a serem pagos pelo executado. § 1º No caso de integral pagamento no prazo de 3 (três) dias, o valor dos honorários advocatícios será reduzido pela metade. (...) Art. 829. O executado será citado para pagar a dívida no prazo de 3 (três) dias, contado da citação. (...) Art. 914. O executado, independentemente de penhora, depósito ou caução, poderá se opor à execução por meio de embargos. § 1º Os embargos à execução serão distribuídos por dependência, autuados em apartado e instruídos com cópias das peças processuais relevantes, que poderão ser declaradas autênticas pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal.'' Assim, o juiz agiu de forma incorreta, uma vez que o prazo para pagamento é de três dias, contados da data em que se realizou a citação. Questão 57. 4000011238 Depois de sofrerem muito bullying na faculdade em que estudam Carla e Juliana, maiores de idade, fizeram um pacto de morte. Após todos saírem da faculdade, as amigas fecharam as portas e janelas do refeitório, e Carla abriu a válvula de gás. O segurança do prédio, ao sentir o odor, decidiu arrombar a porta e se deparou com as duas amigas caídas no chão desmaiadas. Ambas foram encaminhadas ao hospital e socorridas a tempo, contudo, Carla acabou sofrendo lesão corporal 68 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 grave e Juliana lesão corporal gravíssima. Nesse caso hipotético, é correto afirmar que: a) Carla responderá pelo crime de homicídio na forma tentada e Juliana pelo crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação. b) A conduta de ambas será considerada atípica, pois o ordenamento jurídico pátrio não pune autolesão em face do princípio lesividade (ofensividade). c) Apenas Carla responderá pelo crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação na forma qualificada. d) A conduta de Juliana será considerada atípica em face do princípio da mínima lesividade (ofensividade), e Carla responderá pelo crime de induzimento a suicídio pois causou lesão gravíssima em Juliana. Comentários Gabarito: “A”A questão trata do crime previsto no art. 122 do Código Penal, mais especificamente sobre o pacto de morte. Resumidamente, podemos apontar que quem sobrevive e executa o ato (abriu o gás) responderá por tentativa de homicídio. Por outro lado, quem sobrevive e não executa o ato, responde por instigação. Se a sobrevivente somente auxiliou a outra a suicidar-se, responderá pelo crime de participação em suicídio (art. 122 CP). Se ambos praticaram atos de execução (abrir o gás), uma contra a outra, e ambas sobreviveram, responderão ambas por tentativa de homicídio. A – Correta. Carla, que foi a pessoa responsável por abrir o gás, responderá por tentativa de homicídio, em face do dolo de matar. Por outro lado, Juliana, que não executou o ato, responde por instigação ao suicídio de Cassia (art. 122 do CP). B – Incorreta. O princípio da ofensividade ou lesividade (nullum crimen sine iniuria) exige que do fato praticado ocorra lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Em decorrência disso, e especificamente com fundamento neste princípio, a autolesão não é em regra punida, pois, se a conduta não excede a esfera individual do agente, não há interesse para a atuação do Direito Penal. No caso narrado, a conduta excedeu a esfera individual, havendo crime. C – Incorreta, conforme comentários do item “A”, já que Carla responde por tentativa de homicídio. D – Incorreta, conforme comentários do item “A” já que Carla responde por tentativa de homicídio e Joana por Induzimento ao suicídio (art. 122 CP) Questão 58. 4000011239 Ana, enquanto manobrava o carro em frente sua residência, nota que Pedro se aproxima do carro portando uma arma de fogo. Pedro, mirando sua arma de fogo em direção à Ana, anuncia o assalto. Assustada, Ana acelera seu carro e Pedro dispara sua arma de fogo, vindo a matá-la instantaneamente. Sem levar qualquer pertence de Ana, Pedro foge do local. Diante desse caso hipotético e considerando o entendimento sumulado do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que Pedro responderá pelo crime de: a) roubo impróprio tentado em concurso com homicídio consumado. 69 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 b) homicídio consumado qualificado. c) latrocínio, na modalidade tentada. d) latrocínio, na modalidade consumada. Comentários Gabarito: “D” Conforme entendimento sumulado do STF (Súmula 610), há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima. Dessa forma, é possível afirmar que para o STF, no latrocínio, sempre que houver morte, será consumado, e quando não houver morte, será tentado. Subtração consumada + morte consumada = latrocínio consumado! Subtração consumada + morte tentada = latrocínio tentado! Subtração tentada + morte consumado = latrocínio consumado! Subtração tentada + morte tentada = latrocínio tentado! A – Incorreta. Não se trata de roubo impróprio, previsto no § 1º do art. 157 do Código Penal. No roubo impróprio (ou roubo por aproximação), o agente usa da violência ou grave ameaça não para subtrair a coisa, mas sim para assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa (já apoderada). B – Incorreta. O dolo inicial do agente era de praticar o roubo, tanto que exerceu o emprego com grave ameaça ao anunciar o assalto com o emprego de arma de fogo. C – Incorreta. Haverá tentativa no latrocínio apenas quando a morte for tentada. D – Correta pois, pela sum 610 do STF, havendo morte o latrocínio será consumado. Questão 59. 4000011240 Bruna, ao sair de sua casa para trabalhar durante a madrugada, foi surpreendida por Caio no portão de sua casa. Empregando uma arma de fogo, Caio subtraiu a bolsa, relógio e joias que Bruna carregava consigo. Com a posse dos pertences da vítima, Caio, ainda se valendo da arma de fogo, constrangeu-a a fornecer a senhas do celular e banco para que então conseguisse realizar um pix. Bruna procura você como advogado. para que se habilite como assistente de acusação em uma futura ação penal, mas indaga qual a imputação penal cabível no caso. Você deverá informá-la que, de acordo com a jurisprudência dos tribunais superiores: a) Caio deverá responder por um único roubo. b) Caio deverá responder por roubo e extorsão, em concurso material. c) Caio deverá responder por roubo e extorsão, em concurso formal. d) Caio deverá responder por roubo e extorsão, em continuidade delitiva. Comentários Gabarito: “B” 70 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 A questão trata da temática de concurso de crimes. Para responder o caso hipotético, é preciso relembrar os seguintes aspectos: i) Concurso material ➜ 2 ou + condutas com 2 ou + resultados Consequência: soma das penas ii) Concurso formal ➜ 1 condutas com 2 ou + resultados Consequência: aplica a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos. iii) Crime continuado ➜ 2 ou + condutas com 2 ou + resultados Consequência: exasperação de 1/6 a 2/3 Os crimes praticados precisam ser de mesma espécie e possuir condições semelhantes de tempo, lugar e maneira de execução. Importante também saber a diferença entre os crimes de roubo e extorsão: ROUBO 1 - A colaboração da vítima é dispensável. 2 - O agente subtrai o bem da vítima. 3 - A vantagem é um bem móvel. 4 - A vantagem é imediata. EXTORSÃO 1 - A colaboração da vítima é indispensável. 2 - O agente constrange a vítima a entregar a coisa. 3 - A vantagem pode ser um bem móvel ou imóvel. 4 - A vantagem pode ser imediata ou mediata. A – Incorreta. Não há que se reconhecer crime único, pois após ter consumado a prática do crime de roubo, Caio realizou outra conduta. Logo, em se tratando de ações diversas e com desígnios autônomos, não há falar na existência de crime único entre os delitos de roubo e extorsão, mantendo-se incólume o concurso material. Súmula 582 do STJ: “Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada. B – Correta. Para o STJ, há concurso material entre o crime de roubo e extorsão quando o agente, após subtrair bens da vítima, mediante o emprego de violência ou grave ameaça, a constrange a entregar o cartão bancário e a respectiva senha para sacar dinheiro da sua conta corrente. No mesmo sentido, decide o STF: “a prática sucessiva de roubo e, no mesmo contexto fático, de extorsão, com subtração violenta de bens e posterior constrangimento da vítima a entregar o cartão bancário e a respectiva senha, revela duas condutas distintas, praticadas com desígnios autônomos, devendo-se reconhecer, portanto, o concurso material”. C – Incorreta. Não se trata de concurso formal, pois, no caso, Caio se valeu de duas condutas (uma primeira para praticar subtrair os bens com emprego de grave ameaça e uma segunda para exigir as senhas da vítima). 71 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 D – Incorreta. Os Tribunais Superiores não reconhecem a continuidade delitiva nesses casos. Vejamos: Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto. Isso porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas. Questão 60. 4000011241 Carlos, após adentrar em um mercado, foi preso em flagrante delito por ter subtraído 3 pacotes de bolacha, avaliados no total de R$18,00. O Ministério Público, com isso, ofereceu denúncia pela prática de crime de furto. Sendo recebida a peça acusatória, o magistrado determinou a citação de Carlos. Diante desse caso,a família de Carlos contrata você como advogado (a), que na defesa deverá alegar: a) que Caio agiu em estado de necessidade. b) que o fato é formalmente atípico. c) que o fato é materialmente atípico. d) que a conduta de Caio não é culpável, em razão do crime impossível. Comentários Gabarito: “C” A questão trata da aplicação do princípio da insignificância. O princípio da insignificância, também denominado princípio da bagatela, é aplicado aos casos em concreto para considerar o fato atípico em razão da ausência da tipicidade material do crime. Para que o fato seja materialmente típico, exige-se relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. A aplicação desse princípio tem por fim auxiliar o intérprete para este possa excluir do âmbito de incidência da lei aquelas situações consideradas como de bagatela. Segundo entendimento pacífico do STF e STJ, os requisitos objetivos para a aplicação do princípio da insignificância são os seguintes: Mínima ofensividade da conduta do agente; nenhuma periculosidade social da ação; reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; Inexpressividade da lesão jurídica provocada. A – Incorreta. Para que haja o reconhecimento do estado de necessidade pelo furto famélico deve haver a comprovação de condição extrema do agente, em que não há outra forma de agir para satisfazer a necessidade, não sendo suficiente a mera alegação de dificuldades financeiras. Na situação narrada, não há nada que indique essas circunstâncias. B – Incorreta. A conduta de Caio é formalmente típica (Art. 155 CP), visto que se enquadra no delito de furto por ter subtraído para si bem móvel. C – Correta. O princípio da insignificância torna o fato formalmente típico, materialmente atípico. D – Incorreta por dois motivos: primeiro porque o crime impossível, quando cabível, não afasta a culpabilidade do agente, mas sim torna o fato atípico. Segundo porque o enunciado não narra hipótese de configuração dessa figura. O art. 17 do CP estabelece que não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. No caso narrado, a arma (meio) era apta a produzir o resultado, assim como o objeto (pessoas vivas) poderia perfeitamente ser atingido. Questão 61. 4000011242 72 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Marcos caminhava com o seu cachorro pela rua quando se deparou com seu desafeto Cesar. Já muito irritado com as atitudes de Cesar, Marcos solta a coleira do seu cachorro, um pitbull treinado, e determina que este o ataque. Cesar, contudo, saca uma faca da cintura e golpeia o cachorro, que morre no mesmo instante. Partindo da análise do caso narrado, é correto afirmar que a conduta de Cesar: a) estará amparada pela excludente de ilicitude, em razão do estado de necessidade. b) estará amparada pela excludente de ilicitude, em razão da legítima defesa. c) estará amparada pela excludente da culpabilidade, em razão da inexigibilidade de conduta diversa. d) estará amparada pelo estado de necessidade, mas se constatando que poderia correr para se salvar da situação de perigo sem praticar a conduta lesiva, sua pena poderá ser reduzida. Comentários Gabarito: “B” A questão elenca diversas hipóteses de excludentes do crime e requer conhecimento específico acerca das espécies de excludentes de ilicitude e de culpabilidade. A – Incorreta. O estado de necessidade é uma excludente de ilicitude prevista no art. 24 do CP. Para sua configuração são necessários os seguintes requisitos: i) Perigo atual, que está ocorrendo, podendo ser oriundo de ato humano, força da natureza ou ataque de animais; ii) Ameaça a direito próprio ou alheio; iii) Situação não causada voluntariamente pelo sujeito: Caso o agente provoque dolosamente o perigo, não poderá alegar estado de necessidade; iv) Inexistência de dever legal de enfrentar o perigo: quem tem o dever legal de enfrentar o perigo não pode invocar o estado de necessidade (exemplo: bombeiros e os policiais). Além desses requisitos, precisa também analisar se o agente tinha a possibilidade de salvaguardar o direito sem praticar a conduta lesiva e se a conduta era proporcional, ou seja, se o bem de maior valor prefere a bem de menor valor. No caso em questão configura legítima defesa, conforme comentário do item “B”. B – Correta. A legítima defesa é uma excludente de ilicitude prevista no art. 25 do CP. Para sua configuração, o agente deve repelir uma agressão injusta, atual ou iminente. A conduta deve ser humana e deve ofender ou expor a perigo direitos, podendo ser dolosa ou culposa, ativa ou omissiva. Atual é aquela agressão que já começou a ofender o bem jurídico, porém, sem ainda ter cessado. Iminente é a agressão que está prestes a se tornar atual. A doutrina sustenta que, em regra, matar animais não configura legítima defesa, mas sim estado de necessidade. Excepcionalmente, porém, como ocorre na questão, será hipótese de legítima defesa quando o agente atiçar (instigar) o animal a praticar o ato, pois neste caso existe a agressão humana e o animal será mero instrumento. C – Incorreta. Para que o comportamento seja reprovável, deve-se verificar se o agente poderia ter praticado a conduta, em situação de normalidade, conforme o ordenamento jurídico. Duas são as causas que excluem a culpabilidade no elemento da exigibilidade de conduta diversa: a coação moral irresistível e a obediência hierárquica a ordem não manifestamente ilegal. D – Incorreta. No estado de necessidade, além dos requisitos mencionados no item “B”, precisa também analisar se o agente tinha a possibilidade de salvaguardar o direito sem praticar a conduta lesiva e se a conduta era proporcional, ou seja, se o 73 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 bem de maior valor prefere a bem de menor valor. Conforme dispõe o art. 24, § 2º, do CP, embora seja razoável exigir o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. Porém, no caso em questão configura legítima defesa, conforme comentário do item “A”. Questão 62. 4000011243 Eduardo, após sequestrar o filho de seu desafeto Jose, constrange-lhe a subtrair objetos de valor da joalheria em que trabalha, sob a ameaça de matar o filho acaso não desenvolva a tarefa criminosa patrimonial. Em razão disso, Jose acaba por cometer o crime de furto no local determinado. Partindo-se dos fatos narrados, é correto afirmar que: a) Jose não responderá pelo crime praticado pois está acobertado por uma excludente de ilicitude. b) A conduta de Jose é atípica em razão da coação física irresistível sofrida. c) Eduardo responderá pelo crime de sequestro, mas não poderá responder pelo crime de furto. d) Jose não será responsabilizado pelo crime, porquanto está abarcado por uma excludente de culpabilidade, qual seja, a coação moral irresistível. Comentários Gabarito: “D” A questão abrange a temática da culpabilidade, mais especificamente quanto ao elemento da exigibilidade da conduta diversa, exigindo conhecimento acerca da coação moral irresistível (art. 22 CP) como uma das hipóteses excludentes. A – Incorreta. A hipótese narrada não configura nenhuma das excludentes de ilicitude (estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento de dever legal e exercício regular de direito). B – Incorreta. Coação física (vis absoluta) e coação moral (vis compulsiva) são conceitos distintos e inconfundíveis. A coação física concretiza-se pela força corporal imposta pelo coator ao coagido, que nada pode fazer, sendo, pois, um mero instrumento nas mãos daquele. C – Incorreta. Nos termos definidos pelo art. 22 do Código Penal, “só é punível o autor da coação”, ou seja, apenas será culpável o agente coator pelo furto realizado pelo coagido, logo, Eduardo responderá também pelo crime de furto. D – Correta. Trata-se da coaçãomoral irresistível (Art. 22 CP), excludente de culpabilidade, aquela decorrente do emprego de grave ameaça (séria e idônea) como forma de exigir de alguém (coagido) a prática de determinada e específica conduta. Questão 63. 4000010703 Patrick, promotor de justiça atuante na Vara do Júri há 28 anos, valendo-se de sua experiência, decidiu dar aula sobre o júri para passar aos jurados a ideia de que conhece bem o Tribunal Popular. Em sua fala, assim se pronunciou: “O Tribunal popular tem previsão constitucional com os seguintes temas: o voto dos senhores jurados é sigiloso e soberano; a defesa é ampla e a sua competência veio definida na Carta Magna”. Em sua vez de se manifestar, para demonstrar que o promotor errou, aponte qual das afirmações de Patrick pode ser rebatida perante os jurados: a) A ampla defesa. 74 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 b) A soberania dos veredictos. c) O sigilo das votações. d) A previsão constitucional do Júri. Comentários CRFB/88. Art. 5º. (...) XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Questão 64. 4000010704 Quatro amigos foram presos em flagrante delito praticando um furto em um museu, mediante rompimento de obstáculo e no período noturno. No caso apresentado, poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar apenas quando o(a) agente for: a) homem maior de 65 anos de idade. b) mulher com filho até 14 anos de idade incompletos. c) homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 14 anos de idade incompletos. d) mulher extremamente debilitada por motivo de doença grave. Comentários Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: I - maior de 80 (oitenta) anos; II - extremamente debilitado por motivo de doença grave; III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência; IV - gestante; V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que: I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; II - não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente. Questão 65. 4000010705 Epaminondas e Afanásio, delegado de polícia e procurador federal, respectivamente, se unem para celebrar acordo de colaboração premiada com Beuzebu, líder da organização criminosa XPTO. Após todas as tratativas, assinale a única alternativa que não contém erro: 75 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 a) Carlos Moroso, juiz competente para homologar o acordo assinado, poderia ter integrado a força tarefa. b) Beuzebu renunciará, na presença de seu defensor, ao direito ao silêncio. c) O prêmio acordado na assinatura da colaboração deverá ser entregue ao réu ao final do processo, necessariamente. d) A presença do advogado só será peremptória após o recebimento da denúncia. Comentários Lei 12.850/2013. Art. 4º, § 14. Nos depoimentos que prestar, o colaborador renunciará, na presença de seu defensor, ao direito ao silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade. (Vide ADI 5567). O que essa ADI trouxe sobre esse tema? Termo "renúncia", previsto na lei n. 12.850/13, que deve ser interpretado não como forma de esgotamento da garantia do direito ao silêncio, que é irrenunciável e inalienável, mas sim como forma de "livre exercício do direito ao silêncio e da não autoincriminação pelos colaboradores". Questão 66. 4000010706 A empresa - Tigrinho do Pé Quente - fabrica meias de lã e vende seus produtos pela internet. Michel, cliente da loja virtual, começa a agredir a empresa com comentários de ódio na internet, difamando a confecção. Para evitar que esse conteúdo possa atingir seus lucros, a pessoa jurídica ajuíza queixa- crime contra Michel, que contrata você para ser advogado de defesa. No dia seguinte à citação do querelado, veículos de comunicação noticiam que a querelante fechou as portas, sem deixar sucessor. A respeito dessa situação, marque a alternativa que apresenta a tese correta a ser alegada pelo advogado do réu: a) Absolvição pela inexistência de parte autora. b) Decadência do direito de queixa-crime. c) Perempção da ação penal privada. d) Renúncia ao direito de queixa-crime. Comentários CPP. Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal (...) IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor. Questão 67. 4000010707 Zelda, irritada com o descaso de Link, decide dar uma lição em seu marido. Contrata Ganon para matá-lo. A execução não dá certo por circunstâncias alheias à vontade do executor. Ganon foi identificado por testemunhas e é preso uma semana depois com a arma do crime. A respeito do caso concreto, responda: a) Ganon vai a Júri e Zelda será julgada no Juizado de Violência Doméstica. b) Zelda vai a Júri como mandante do crime, e Ganon será julgado na Vara Criminal comum pela ausência de morte. c) A conduta de Ganon será julgada pelo júri e Zelda praticou fato atípico. 76 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 d) Ambos serão julgado pelo Tribunal do Júri, mesmo Link não tendo morrido. Comentários A competência constitucional do júri prevalece sobre qualquer outra decorrente da matéria, ficando atrás apenas do foro de prerrogativa de função quando a função também está prevista na CRFB/88. O júri julga crimes dolosos contra a vida, consumados ou tentados. Questão 68. 4000010708 Januário, delegado de polícia, valendo-se da autorização judicial para busca e apreensão de um computador de titularidade de Fred, já no interior do quarto do suspeito, coloca em seu armário 500 gramas de maconha. Jair, policial que acompanhava a diligência, localiza a droga e dá voz de prisão a Fred. A respeito dessa situação, aponte a alternativa correta: a) essa prisão é lícita, pois é caso de flagrante próprio. b) essa prisão é ilícita, pois o flagrante foi forjado. c) essa prisão é lícita, pois cabe flagrante próprio em diligência de busca e apreensão. d) essa prisão é ilegal pois o Supremo Tribunal Federal descriminalizou a posse de maconha. Comentários O delegado colocou a droga no armário de forma intencional e criminosa e isso gera a ilicitude da prisão em flagrante. O flagrante forjado sempre será ilegal, o que torna incorretas as alternativas A e C. A letra D está errada porque o julgamento do STF ainda não terminou e quando terminar terá relação apenas com o art. 28 da Lei 11.343 de 2006. Questão 69. 4000009267 Acerca dos segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social – RGPS, avalie se as afirmativas a seguir estão corretas. I - são segurados obrigatórios da previdência social, como segurado especial, a pessoa física residente no imóvel rural ou em aglomerado urbano ou rural próximo que, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros, na condição de pescador artesanal ou a este assemelhado, que faça da pesca profissão habitual ou principal meio de vida. II - são segurados obrigatórios da previdência social, como segurado empregado, o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa. III - são segurados obrigatórios da previdência social, como contribuinte individual, o brasileiro civil que trabalha para a União no exterior, emorganismos oficiais internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se amparado por regime próprio de previdência social. IV - são segurados obrigatórios da previdência social, como trabalhador avulso, aquele que, sindicalizado ou não, preste serviço de natureza urbana ou rural a diversas empresas, ou equiparados, sem vínculo empregatício, com intermediação obrigatória do órgão gestor de mão 77 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 de obra ou do sindicato da categoria, assim considerados, dentre outros, o amarrador de embarcação e o ensacador de café. a) I. b) II e IV. c) I e III. d) I e IV. Comentários Gabarito: alternativa D Acesse em nossa plataforma os comentários em vídeo para essa questão: https://oab.estrategia.com/questoes/4000009267/ Questão 70. 4000009268 Marlete, segurada empregada do RGPS, trabalha como secretária em um escritório de advocacia e recebe um salário-mínimo por mês. Acerca dos recolhimentos previdenciários de Marlete, é correto afirmar que a) A contribuição previdenciária a cargo de Marlete será de 8% sobre seu salário-de-contribuição, ficando a cargo do empregador a retenção e respectivo recolhimento. b) os recolhimentos previdenciários de Marlete são de sua responsabilidade, cabendo ao empregador o dever de orientá-la na arrecadação de sua contribuição previdenciária. c) Quando o somatório das remunerações auferidas no período de um mês por Marlete for inferior ao limite mínimo mensal do salário de contribuição, para que o limite mínimo mensal do salário de contribuição seja alcançado ela poderá complementar a sua contribuição, utilizar o valor da contribuição que exceder o limite mínimo de uma competência em outra ou agrupar contribuições inferiores ao limite mínimo de diferentes competências. d) a ausência de recolhimento da contribuição previdenciária por parte do seu empregador, poderá afastar o direito de Marlete à aposentadoria. Comentários Gabarito: alternativa C Acesse em nossa plataforma os comentários em vídeo para essa questão: https://oab.estrategia.com/questoes/4000009268/ Questão 71. 4000011451 Denise trabalha como empregada doméstica na casa de Dona Clara, uma idosa que precisa de cuidados frequentes. Para atender às necessidades da empregadora, Denise segue uma escala de trabalho de 12 horas seguidas de labor, seguidas de 36 horas de descanso. Esse arranjo foi estabelecido por meio de um acordo escrito entre Denise e Dona Clara, para garantir que ambas tivessem uma rotina equilibrada e respeitassem os limites legais. No entanto, ao conversar com uma colega, Denise ficou na dúvida se essa escala era permitida pela legislação que regula o trabalho doméstico. Para esclarecer a situação, ela decidiu buscar informações sobre o que a lei realmente permite. 78 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Com base na Lei Complementar nº 150/2015, que regula o trabalho doméstico, qual é a resposta correta sobre a validade do sistema de escala adotado? a) O sistema de 12x36 horas para o doméstico depende da assinatura de acordo coletivo ou da convenção coletiva de trabalho. b) É vedada a adoção do sistema 12x36 horas para os empregados domésticos, daí porque inválido o horário adotado. c) A Lei de Regência é omissa a respeito, daí porque, em razão da proteção, não se admite o sistema de escala para o doméstico. d) É possível a fixação do sistema de escala de 12x36 horas para o doméstico, desde que feito por acordo escrito individual. Comentários GABARITO D A: Errada – A Lei Complementar nº 150/2015, que regula o trabalho doméstico, permite a adoção do regime de 12x36 horas por meio de acordo escrito individual entre empregador e empregado. Não há exigência de acordo coletivo ou convenção coletiva para os empregados domésticos. B: Errada – A legislação aplicável não proíbe o sistema de escala 12x36 para os trabalhadores domésticos. Pelo contrário, a Lei Complementar nº 150/2015 expressamente autoriza esse regime, desde que formalizado em acordo escrito. C: Errada – A Lei Complementar nº 150/2015 aborda diretamente a questão do regime de escala para empregados domésticos e prevê a possibilidade de adoção do sistema 12x36, desde que haja acordo escrito entre as partes. D: Certa – De acordo com o artigo 10, §2º, da Lei Complementar nº 150/2015, o sistema de 12x36 horas pode ser implementado no trabalho doméstico, desde que haja acordo escrito individual entre empregador e empregado. Isso confere segurança jurídica para ambas as partes e respeita a legislação aplicável. Denise e Dona Clara adotaram um sistema de escala que está em conformidade com a legislação trabalhista para empregados domésticos. O regime 12x36 horas é válido, desde que formalizado por meio de acordo escrito individual, como ocorreu no caso apresentado. Essa solução permite atender às necessidades das partes, garantindo respeito às normas legais e à dignidade no trabalho. Neste sentido, destaca-se o texto da LC 150/2015: Art. 10. É facultado às partes, mediante acordo escrito entre essas, estabelecer horário de trabalho de 12 (doze) horas seguidas por 36 (trinta e seis) horas ininterruptas de descanso, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação. §1º A remuneração mensal pactuada pelo horário previsto no caput deste artigo abrange os pagamentos devidos pelo descanso semanal remunerado e pelo descanso em feriados, e serão considerados compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno, quando houver, de que tratam o art. 70 e o § 5º do art. 73 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1o de maio de 1943, e o art. 9o da Lei no 605, de 5 de janeiro de 1949. Assim, a alternativa “d” é a correta e gabarito da questão. Questão 72. 4000011452 79 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Leônidas é churrasqueiro no restaurante "Sabor do Sul", onde trabalha 44 horas semanais e recebe um salário mensal de R$ 1.400,00. Com o crescimento do restaurante, o proprietário, Sr. Renato, decidiu contratar um novo churrasqueiro, Vinícius, para ajudar nos horários de maior movimento. Vinícius foi contratado em regime de trabalho parcial, com uma jornada de 22 horas semanais e um salário proporcional de R$ 700,00 por mês. Alguns colegas questionaram se essa diferença salarial seria legal, já que ambos desempenhavam a mesma função. Diante dessa situação, Sr. Renato resolveu verificar o que diz a CLT e o entendimento do TST sobre a remuneração proporcional em contratos de trabalho. Com base na legislação trabalhista, assinale a alternativa correta. a) O salário pago a Vinícius é ilegal porque inferior ao salário mínimo nacional, cabendo então reivindicar a diferença correspondente. b) O salário é de livre estipulação em cada contrato, daí porque não cabe ao Judiciário interferir nos valores fixados livremente pelas partes. c) A situação retrata discriminação salarial, pois não pode haver divergência salarial entre empregados que exercem a mesma função. d) É possível a estipulação do salário de Vinícius nessa base, pois ele guarda relação com o de Leônidas, que cumpre a jornada constitucional. Comentários A) Errada - O salário mínimo pode ser proporcionalmente reduzido em contratos de trabalho parcial, desde que respeitada a relação com a jornada de trabalho. No caso de Vinícius, que cumpre 22 horas semanais (metade da jornada de 44 horas), o salário proporcional de R$ 700,00 é permitido e está de acordo com a legislação. B) Errada - Embora as partes tenham autonomia para estipular as condições do contrato de trabalho, elas devem respeitar os limites impostos pela legislação trabalhista, como a proporcionalidade do salário com base na jornada de trabalho. O Judiciário pode interferir quando houver descumprimento das normas legais. C) Errada- A diferença salarial entre Leônidas e Vinícius não configura discriminação, pois está diretamente relacionada às jornadas de trabalho distintas. A proporcionalidade entre salário e carga horária está prevista na legislação e não fere o princípio da isonomia. D) Certa - De acordo com a CLT, é permitido ajustar salários proporcionais à jornada de trabalho em contratos de tempo parcial. O salário de Vinícius, que é metade do de Leônidas, está em conformidade com a proporcionalidade exigida pela legislação trabalhista e reflete o número de horas trabalhadas. A contratação de Vinícius em regime de jornada parcial, com remuneração proporcional, é plenamente válida segundo a CLT. Nos termos do artigo 58-A, parágrafo primeiro, da CLT, a proporcionalidade do salário em relação à jornada semanal de 22 horas é legal e não configura discriminação ou irregularidade. Esse modelo de contrato oferece flexibilidade para atender às demandas do restaurante sem infringir a legislação. Assim, a alternativa “d” é a correta e gabarito da questão. 80 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Questão 73. 4000011453 Pedro, auxiliar administrativo em uma empresa de tecnologia, começou a apresentar atrasos frequentes, além de cometer pequenos erros em documentos importantes. Após diversas advertências e uma suspensão, a empresa decidiu aplicar a justa causa para encerrar o contrato. Pedro discordou, afirmando que nunca havia causado prejuízo grave. No caso em tela, a justa causa poderia ser tipificada como: a) Insubordinação b) Mal Procedimento c) Desídia d) Incontinência de conduta Comentários A: Errada – O caso não se refere a uma situação de insubordinação do empregado frente ao empregador, mas tão somente de negligência reiterada, ou seja, desídia, firmado no artigo 482, “e”, da CLT. B: Errada – O caso não se refere a uma situação de mal procedimento, mas tão somente de negligência reiterada, ou seja, desídia, firmado no artigo 482, “e”, da CLT. C: Certa – A desídia, caracterizada pela negligência reiterada, e torna-se motivo para dispensa por justa causa, conforme o artigo 482, “e”, da CLT. D: Errada - O caso não se refere a uma situação de incontinência de conduta, mas tão somente de negligência reiterada, ou seja, desídia, firmado no artigo 482, “e”, da CLT. A prática reiterada de conduta contrária às normas da empresa, punida de forma progressiva ao longo do contrato, justifica a despedida por justa causa, caracterizando desídia, falta grave prevista na alínea e do art. 482 da CLT. Assim, a alternativa correta “C” é a correta e gabarito da questão. Questão 74. 4000011454 Laura foi contratada como vendedora em uma loja e trabalhou por 8 meses antes de pedir demissão. Durante o acerto rescisório, o empregador informou que ela não teria direito a férias proporcionais por não ter completado um ano de serviço. Laura questionou essa posição. Com base na legislação, Laura tem direito às férias proporcionais? a) Não, pois a CLT exige que o empregado complete 12 meses de trabalho para ter direito às férias proporcionais. b) Sim, pois as férias proporcionais são devidas mesmo que o contrato não tenha alcançado 12 meses. c) Não, pois o direito às férias proporcionais só existe em casos de dispensa sem justa causa. d) Sim, mas apenas se o aviso prévio for trabalhado. Comentários Gabarito: B A) Incorreta. A CLT assegura o direito às férias proporcionais independentemente do tempo total de serviço. 81 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 B) Correta. As férias proporcionais são garantidas a todos os empregados na rescisão contratual, salvo nos casos de dispensa por justa causa. C) Incorreta. A modalidade da rescisão não impede o direito às férias proporcionais, salvo nos casos de justa causa. D) Incorreta. O aviso prévio não interfere no direito às férias proporcionais. Conforme disposto no artigo 146, parágrafo único , da CLT , o direito às férias proporcionais é devido ao empregado, desde que não haja sido dispensado por justa causa. O entendimento da Súmula n. 171, do TST preceitua que: “Salvo na hipótese de dispensa do empregado por justa causa, a extinção do contrato de trabalho sujeita o empregador ao pagamento da remuneração das férias proporcionais, ainda que incompleto o período aquisitivo de 12 doze meses (art. 147 da CLT)". Questão 75. 4000011455 Luís foi dispensado sem justa causa por uma empresa de logística. Durante o aviso prévio trabalhado, ele solicitou a redução de 2 horas diárias de sua jornada para procurar um novo emprego. A empresa, no entanto, exigiu que ele trabalhasse a jornada completa, alegando que a redução só seria possível no caso de pedido de demissão. Luís ficou em dúvida sobre seus direitos Com base na CLT, qual é a resposta correta? a) Luís tem direito à redução de 2 horas diárias ou à dispensa de 7 dias corridos durante o aviso prévio trabalhado. b) Luís só tem direito à redução de jornada no aviso prévio se houver previsão em acordo coletivo. c) Luís não tem direito à redução de jornada, pois o empregador pode exigir o cumprimento integral do aviso prévio trabalhado. d) Luís só teria direito à redução de jornada no caso de aviso prévio indenizado. Comentários A) Correta. A CLT assegura ao empregado dispensado sem justa causa o direito à redução de 2 horas diárias ou à dispensa de 7 dias corridos durante o aviso prévio trabalhado. B) Incorreta. O direito à redução de jornada é garantido pela CLT, independentemente de previsão em acordo coletivo. C) Incorreta. A empresa não pode exigir o cumprimento integral da jornada no aviso prévio trabalhado, salvo se o empregado optar por não reduzir a jornada. D) Incorreta. O aviso prévio indenizado não dá direito à redução de jornada, mas o aviso prévio trabalhado sim. Nos termos do art. 488 , caput, da CLT , o empregado, durante o prazo do aviso prévio, tem direito à redução da jornada diária em 2 horas, sendo-lhe facultado optar por faltar ao serviço, sem prejuízo do salário integral, por 7 dias corridos (art. 488 , parágrafo único , da CLT ). A inobservância dessa disposição acarreta a nulidade do aviso prévio, devendo a ex-empregadora arcar com o pagamento de novo aviso prévio, de forma indenizada. Assim, a alternativa “a” é a correta e gabarito da questão. 82 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Questão 76. 4000010663 Murilo ajuizou reclamação contra seu ex- empregador em 2024, tendo a assistência de seu sindicato de classe. Depois que foi devidamente contestada e instruída, com oitiva das partes e de várias testemunhas, adveio a sentença que julgou improcedente o pedido. O juízo indeferiu o requerimento de gratuidade de justiça feito na petição inicial em razão do elevado salário que era recebido por Murilo. As custas foram fixadas em R$ 4.000,00, e os honorários sucumbenciais em favor dos advogados do reclamado, em R$ 10.000,00. Dessa sentença não houve interposição de recurso, transitando em julgado. Considerando esses fatos e a previsão da CLT, é correto afirmar que a) haverá solidariedade do sindicato na quitação dos honorários advocatícios e das custas. b) as custas serão rateadas igualmente entre o ex- empregado e o sindicato. c) somente pelo pagamento das custas o sindicato responderá solidariamente. d) o sindicato será subsidiariamente responsável pelo pagamento dos honorários advocatícios. Comentários Gabarito: Alternativa “C” A: Errada - A alternativa "A" está incorreta. Segundo o artigo 790, §1º da CLT, quando o empregado é assistido pelo sindicato e não obtém êxito na ação, o sindicato não é solidariamente responsável pelo pagamento dos honorários advocatícios sucumbenciais. B: Errada - A alternativa "B" está incorreta. A legislação não prevê que as custas processuais sejam rateadas igualmente entre o ex-empregado e o sindicato. A responsabilidade é solidária, enão dividida em partes iguais, de modo que ambos são plenamente responsáveis pelo total das custas. C: Certa - De acordo com o artigo 790, §1º da CLT, quando o empregado não obtém o benefício da justiça gratuita ou isenção de custas, o sindicato que interveio no processo responderá solidariamente pelo pagamento das custas devidas. Portanto, tanto Murilo quanto o sindicato são responsáveis pelo pagamento das custas processuais de R$ 4.000,00. D: Errada - A alternativa "D" está incorreta. A responsabilidade solidária pelo pagamento das custas processuais implica que o sindicato não responde apenas subsidiariamente, mas solidariamente com o empregado. Portanto, a responsabilidade do sindicato não é subsidiária, mas sim solidária. De acordo com o artigo 790, § 1º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), quando o empregado não obtém o benefício da justiça gratuita ou a isenção de custas, o sindicato que tiver intervindo no processo responderá solidariamente pelo pagamento das custas devidas. Este dispositivo legal é claro ao estabelecer a responsabilidade solidária do sindicato em tais situações, garantindo que o pagamento das custas processuais seja compartilhado entre o empregado e o sindicato. No caso de Murilo, a gratuidade de justiça foi indeferida devido ao elevado salário que ele recebia, e as custas processuais foram fixadas em R$ 4.000,00. Conforme o dispositivo legal citado, o sindicato que o assistiu no processo será solidariamente responsável pelo pagamento dessas custas, juntamente com Murilo. Esta responsabilidade solidária implica que tanto Murilo 83 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 quanto o sindicato são obrigados a garantir o pagamento integral das custas processuais Questão 77. 4000010664 Na ata da audiência da reclamação trabalhista movida por Belarmino contra seu ex-empregador, foi registrado que o reclamante estava acompanhado de seu advogado, que foi devidamente identificado, já que seu nome não constava na procuração anexada aos autos com a petição inicial. Considerando esses fatos e o entendimento consolidado do TST, a referida ata equivale a: a) a uma concessão escrita de poderes, mas que não autoriza que o advogado assine eventual recurso. b) ao mandato apud acta com poderes gerais e especiais, autorizando que o advogado assine eventual recurso. c) a uma concessão verbal de poderes ilimitados, mas que não autoriza que o advogado assine eventual recurso. d) à outorga tácita de poderes para o foro em geral, autorizando que o advogado assine eventual recurso. Comentários Gabarito: Alternativa “D” A: Errada - A juntada da ata de audiência, em que consignada a presença do advogado, desde que não estivesse atuando com mandato expresso, torna dispensável a procuração deste, porque demonstrada a existência de mandato tácito (apud acta). Neste sentido, é admissível recurso firmado por advogado sem procuração juntada aos autos, até o momento da sua interposição, em caso de mandato tácito (Súmula n. 383, TST). B: Errada – Nos termos do art. 791, parágrafo terceiro, da CLT, A constituição de procurador com poderes para o foro em geral poderá ser efetivada, mediante simples registro em ata de audiência, a requerimento verbal do advogado interessado, com anuência da parte representada. Neste sentido, o de mandato tácito (apud acta) concede poderes para o foro geral, não concedendo poderes especiais. C: Errada - A presença do advogado na audiência, por si só, não implica automaticamente no reconhecimento de seus poderes. Esse reconhecimento só ocorre dentro do contexto de mandato tácito, conforme estabelecido pelo artigo 791, §3º da CLT e a Súmula 286 do TST. Portanto, é necessário que haja circunstâncias que permitam inferir que o reclamante conferiu poderes ao advogado para representá-lo no processo, mesmo que seu nome não conste na procuração anexada aos autos. Neste sentido, é admissível recurso firmado por advogado sem procuração juntada aos autos, até o momento da sua interposição, em caso de mandato tácito (Súmula n. 383, TST). D: Certa - Conforme o artigo 791, §3º da CLT e a Súmula 286 do TST, a ata de audiência que registra a presença do advogado do reclamante, mesmo que seu nome não conste na procuração anexada aos autos, configura mandato tácito. Portanto, com base nesse entendimento, a atuação do advogado é reconhecida, suprindo a ausência de um mandato expresso. A presença do advogado na audiência pode configurar mandato tácito, tornando dispensável a procuração expressa, conforme a Súmula 383 do TST. Neste sentido, o artigo 791, §3º da CLT 84 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 estabelece que o mandato tácito (apud acta) confere poderes para o foro em geral, desde que registrado em ata de audiência com a anuência da parte representada, mas não concede poderes especiais automaticamente. Logo, a simples presença do advogado na audiência não implica automaticamente no reconhecimento de seus poderes; é necessário um contexto adequado, conforme a Súmula 286 do TST e o artigo 791, §3º da CLT. Questão 78. 4000010665 Ronaldo Pelegrino ajuizou uma reclamação trabalhista contra seu ex-empregador, e o pedido foi julgado parcialmente procedente. O reclamado interpôs recurso ordinário, mas, por um equívoco, recolheu as custas e o depósito recursal em valor inferior ao devido. Quando instado a se manifestar em contrarrazões, o advogado de Ronaldo Pelegrino solicitou que o recurso fosse negado por deserção devido ao recolhimento inadequado. Considerando os fatos e o entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta: a) O magistrado, ao verificar o equívoco, deve conceder um prazo de cinco dias para que o recorrente complemente o recolhimento e comprove o valor devido. b) A complementação de preparo insuficiente aplica-se apenas às custas, e não ao depósito recursal, portanto, o advogado de Ronaldo Pelegrino está correto. c) A insuficiência no depósito é equivalente à ausência de recolhimento do preparo, resultando na declaração de deserção do recurso, sem possibilidade de agravo de instrumento. d) É possível complementar o depósito recursal, mas não as custas, pois se trata de um erro grosseiro. Comentários Gabarito: Alternativa “A” A: Certa - A alternativa "A" está correta. De acordo com a Orientação Jurisprudencial (OJ) nº 140 da SDI- I do TST, se o recolhimento das custas e do depósito recursal for insuficiente, o magistrado deve conceder ao recorrente um prazo de cinco dias para complementar o valor e comprovar o recolhimento. Esta medida visa garantir o princípio da ampla defesa e do contraditório, permitindo que o recorrente corrija o equívoco antes que o recurso seja considerado deserto. B: Errada - A alternativa "B" está incorreta. A complementação de preparo insuficiente se aplica tanto às custas quanto ao depósito recursal. A jurisprudência consolidada do TST, por meio da OJ nº 140, estabelece que ambos os recolhimentos podem ser complementados, o que contraria a afirmação de que apenas as custas podem ser complementadas. C: Errada - A alternativa "C" também está incorreta. A insuficiência no depósito recursal não equivale à ausência de recolhimento do preparo. Conforme a OJ nº 140 do TST, o recorrente deve ser intimado a complementar o valor insuficiente dentro do prazo de cinco dias, antes de o recurso ser declarado deserto. Portanto, a insuficiência no depósito não resulta automaticamente em deserção. D: Errada - A alternativa "D" está incorreta. Tanto o depósito recursal quanto as custas podem ser complementados em caso de recolhimento insuficiente. O entendimento do TST, conforme a OJ nº 140, é que o erro de valor pode ser corrigido 85 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 dentro do prazo estabelecido, o que inclui tanto as custas quanto o depósito recursal. A alternativa correta é a letra "A". Segundo a Orientaçãojá que Marcela passou a exercer, em caráter definitivo, atividade incompatível com a advocacia. Comentários A questão versa sobre as hipóteses de Cancelamento da Inscrição da OAB. De acordo com o art. 28 do EAOAB, a advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades: V - ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a atividade policial de qualquer natureza. Aqueles que exercem, como servidor, direta ou indiretamente, atividade policial tornar-se-ão incompatíveis. A título de exemplo, observamos os agentes, escrivães, delegados, investigadores, comissários, perito criminal etc. Segundo o art. 11 do EAOAB, cancela-se a inscrição do profissional que: I – assim o requerer; II – sofrer penalidade de exclusão; III – falecer; IV – passar a exercer, em caráter definitivo, atividade incompatível com a advocacia; 9 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 V – perder qualquer um dos requisitos necessários para inscrição. § 1º Ocorrendo uma das hipóteses dos incisos II, III e IV, o cancelamento deve ser promovido, de ofício, pelo Conselho competente ou em virtude de comunicação por qualquer pessoa. § 2º Na hipótese de novo pedido de inscrição – que não restaura o número de inscrição anterior – deve o interessado fazer prova dos requisitos dos incisos I, V, VI e VII do art. 8º. § 3º Na hipótese do inciso II deste artigo, o novo pedido de inscrição também deve ser acompanhado de provas de reabilitação. Na hipótese de novo pedido de inscrição - que não restaura o número de inscrição anterior - deve o interessado fazer prova dos requisitos seguintes requisitos (incisos I, V, VI e VII do art. 8º do EAOAB): capacidade civil; não exercer atividade incompatível com a advocacia; idoneidade moral; e prestar compromisso perante o conselho. Diante de todo o exposto, a LETRA A é o nosso gabarito. Letra A CORRETA De acordo com o art. 28 do EAOAB, a advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades: V - ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a atividade policial de qualquer natureza. O art. 11 do EAOAB estabelece que cancela-se a inscrição do profissional que: IV – passar a exercer, em caráter definitivo, atividade incompatível com a advocacia. Letra B INCORRETA É hipótese de cancelamento, não licenciamento. Letra C INCORRETA Não existe hipótese de demissão no Estatuto da Advocacia. Letra D INCORRETA Pode fazer novo pedido! Na hipótese de novo pedido de inscrição - que não restaura o número de inscrição anterior - deve o interessado fazer prova dos requisitos seguintes requisitos (incisos I, V, VI e VII do art. 8º do EAOAB): capacidade civil; não exercer atividade incompatível com a advocacia; idoneidade moral; e prestar compromisso perante o conselho. É a previsão do art. 11, §2º do EAOAB. Questão 7. 4000010844 O advogado João foi acusado em Processo Disciplinar em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia. O caso repercutiu negativamente em todo o território nacional. Nessa situação, podemos afirmar que: a) O Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o acusado tenha inscrição principal pode suspendê- lo preventivamente, em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia, depois de ouvi- lo em sessão especial para a qual deve ser notificado a comparecer, salvo se não atender à notificação. 10 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Neste caso, o processo disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de noventa dias. b) O Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o acusado tenha inscrição principal pode suspendê- lo preventivamente, em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia, depois de ouvi- lo em sessão especial para a qual deve ser notificado a comparecer, salvo se não atender à notificação. Neste caso, o processo disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de sessenta dias. c) O Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o acusado tenha inscrição principal pode suspendê- lo preventivamente, em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia, depois de ouvi- lo em sessão especial para a qual deve ser notificado a comparecer, salvo se não atender à notificação. Neste caso, o processo disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de trinta dias. d) O Tribunal de Ética e Disciplina não pode suspendê-lo preventivamente. Comentários Análise do Caso A questão aborda o Processo Disciplinar. De acordo com o art. 70, §3º do EAOAB, o Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o acusado tenha inscrição principal pode suspendê-lo preventivamente, em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia, depois de ouvi- lo em sessão especial para a qual deve ser notificado a comparecer, salvo se não atender à notificação. Neste caso, o processo disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de noventa dias. Diante do exposto, a LETRA A é o nosso gabarito! Letra A CORRETA - O art. 70, §3º do EAOAB estabelece que o Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o acusado tenha inscrição principal pode suspendê-lo preventivamente, em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia, depois de ouvi- lo em sessão especial para a qual deve ser notificado a comparecer, salvo se não atender à notificação. Neste caso, o processo disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de noventa dias. Letra B INCORRETA – São noventa dias, não sessenta. Letra C INCORRETA – São noventa dias, não trinta. Letra D INCORRETA - O Tribunal de Ética e Disciplina pode suspendê-lo preventivamente. Questão 8. 4000010845 Lúcia, recém-formada e aprovada no Exame de Ordem, pretende exercer a advocacia, mas não possui dinheiro suficiente para alugar um local para ter seu escritório. Por isso, resolve dividir espaço compartilhado com outras empresas. À luz do quadro apresentado, podemos afirmar que: a) A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia podem ter como sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios de advocacia ou empresas, desde que respeitadas as hipóteses de sigilo previstas no Estatuto da Advocacia e no Código de Ética e Disciplina. 11 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 b) A sociedade de advogados não pode ter como sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios de advocacia ou empresas, já a sociedade unipessoal de advocacia pode. c) A sociedade unipessoal de advocacia não pode ter como sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios de advocacia ou empresas, já a sociedade de advogados pode. d) A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia não podem ter como sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios de advocacia ou empresas. Comentários Análise do Caso A questão trata sobre a Sociedade de Advogados. O § 12 do art. 15 do EAOAB indica que a sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia podem ter como sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios de advocacia ou empresas, desde que respeitadas as hipóteses de sigilo previstas no Estatuto da Advocacia e no Código de Ética e Disciplina. Diante do exposto, a LETRA A é o nosso gabarito! Letra A CORRETA – É a previsão do § 12 do art. 15 do EAOAB, olha só: “a sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia podem ter como sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios de advocacia ou empresas, desde que respeitadas as hipóteses de sigilo previstas nesta Lei e no Código de Ética e Disciplina”. Letra B INCORRETA – Em verdade,Jurisprudencial (OJ) nº 140 da SDI-I do TST, quando há recolhimento insuficiente das custas processuais e do depósito recursal, o magistrado deve conceder ao recorrente um prazo de cinco dias para complementar o valor e comprovar o recolhimento correto. Essa orientação garante que os princípios do contraditório e da ampla defesa sejam respeitados, permitindo a correção de equívocos antes que o recurso seja considerado deserto. Portanto, a decisão de negar seguimento ao recurso de imediato, como solicitado pelo advogado de Rogério, seria contrária à jurisprudência consolidada do TST. Questão 79. 4000010666 Em uma reclamação trabalhista, um advogado, João, em causa própria, solicitou o reconhecimento de vínculo empregatício com o escritório de advocacia onde trabalhava. O titular do escritório, Pedro, também em causa própria, apresentou uma contestação e uma reconvenção, refutando todos os pedidos de João e exigindo a devolução de um empréstimo feito pelo escritório a João (réu reconvindo). Considerando esses fatos e a normatização da CLT acerca de honorários, é correto afirmar que: a) Haverá concessão de honorários na ação principal, mas não na reconvenção. b) Uma vez que ambas as partes se valeram do jus postulandi, não haverá condenação em honorários advocatícios. c) Os honorários serão devidos na ação principal e na reconvenção. d) Os honorários serão devidos na reconvenção e fixados entre 10% e 20% do valor atribuído à causa. Comentários Gabarito: Alternativa “C” A: Errada - Segundo o art. 791-A, parágrafo quinto, da CLT, a concessão de honorários advocatícios pode ocorrer tanto na ação principal quanto na reconvenção, desde que presentes os requisitos legais para sua concessão. B: Errada - Mesmo que as partes tenham se valido do jus postulandi, isso não impede a condenação em honorários advocatícios se houver sucumbência e se os requisitos para a concessão de honorários estiverem presentes. C: Certa - De acordo com a CLT e a jurisprudência consolidada, os honorários advocatícios são devidos tanto na ação principal quanto na reconvenção, caso haja sucumbência. D: Errada - Os honorários podem ser fixados entre 5% e 15% do valor da condenação ou do proveito econômico obtido, não se limitando exclusivamente à reconvenção. A alternativa correta é a letra "C". Conforme o artigo 791-A da CLT, os honorários advocatícios são devidos tanto na ação principal quanto na reconvenção, desde que presentes os requisitos para sua concessão e haja sucumbência. A concessão de honorários não é impedida pelo uso do jus postulandi pelas partes, e os honorários podem ser fixados entre 5% e 15% do valor da condenação ou do proveito econômico obtido, não se limitando exclusivamente à reconvenção. 86 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Questão 80. 4000010667 Perante a 54ª Vara do Trabalho de Belém-PA, tramita uma reclamação trabalhista movida por Vanderlei, na qual a reclamada, devidamente citada, apresentou exceção de incompetência territorial, requerendo o envio do processo para uma das Varas de Marabá-PA, local onde os serviços foram prestados. Na mesma Vara de Belém, tramita também a reclamação trabalhista de Priscilinha, em que o reclamado apresentou exceção de incompetência territorial, solicitando o envio do processo para uma das Varas de Porto Alegre-RS, local onde os serviços foram prestados. O juízo da 54ª Vara do Trabalho de Belém-PA acolheu ambas as exceções, apesar da discordância dos reclamantes, determinando o envio dos autos ao juízo distribuidor das localidades competentes, Marabá-PA e Porto Alegre-RS, respectivamente. Considerando o entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta: a) De ambas as decisões não caberá recurso imediato, porque se trata de decisão interlocutória. b) Da decisão proferida no processo de Priscilinha não caberá recurso imediato e, da de Vanderlei, caberá recurso ordinário. c) Caberá recurso ordinário em face de ambas as decisões proferidas pela 54ª Vara do Trabalho de Belém-PA. d) Da decisão proferida no processo de Vanderlei não caberá recurso imediato e, no de Priscilinha, caberá recurso ordinário. Comentários Gabarito: Alternativa “D” A: Errada - Da decisão proferida no processo de Vanderlei não caberá recurso imediato e, no de Priscilinha, caberá recurso ordinário. Isso porque a decisão que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, poderá ser impugnada por meio de Recurso Ordinário, conforme Súmula n. 214, "c", do TST. B: Errada - Da decisão proferida no processo de Vanderlei não caberá recurso imediato e, no de Priscilinha, caberá recurso ordinário. C: Errada - Da decisão proferida no processo de Vanderlei não caberá recurso imediato e, no de Priscilinha, caberá recurso ordinário. Isso porque a decisão que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, poderá ser impugnada por meio de Recurso Ordinário, conforme Súmula n. 214, "c", do TST. D: Certa – A decisão que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, poderá ser impugnada por meio de Recurso Ordinário, conforme Súmula n. 244, “c”, do TST. Contudo, diante da decisão que acolhe a exceção de incompetência territorial, mas não implica em remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, não importa no cabimento de recurso imediato. A decisão que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, poderá ser impugnada por meio de Recurso Ordinário, como se observa na Súmula n. 244, “c”, do TST: 87 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 “Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão: (...) c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT.” Contudo, diante da decisão que acolhe a exceção de incompetência territorial, mas não implica em remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, não importa no cabimento de recurso imediato. Assim, diante da decisão proferida no processo de Vanderlei não caberá recurso imediato e, no de Priscilinha, caberá recurso ordinário. Gabarito: Alternativa “D”. 88 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 CONHEÇA A ASSINATURA OAB ATÉ A APROVAÇÃO Materiais gratuitos e atualizados para as duas fases do Exame de Ordem com acesso liberado até você passar: https://bit.ly/OAB-ate-a-aprovacaoa sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia podem ter como sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios de advocacia ou empresas. Letra C INCORRETA - A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia podem ter como sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios de advocacia ou empresas. Letra D INCORRETA - A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia podem ter como sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios de advocacia ou empresas. A alternativa vai no sentido contrário! Questão 9. 4000010709 Agostinho de Hipona (354-430) se interessou por filosofia pelas obras de Cícero. Entre outras contribuições, reviveu as ideias platônicas para o estudo das relações entre Estado, os cidadãos, e a lei. Segundo Agostinho de Hipona, qual é a meta do Estado para assegurar que o povo viva uma vida digna? 12 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 a) Promover a obediência estrita às leis estatais para garantir a ordem pública. b) Garantir que as leis terrenas estejam alinhadas com as leis divinas, conforme prescritas pela igreja. c) Incentivar a participação democrática e a autonomia dos cidadãos nas decisões políticas. d) Assegurar a prosperidade econômica para que o povo possa viver com dignidade. Comentários Vamos analisar cada uma das opções à luz das ideias de Santo Agostinho: A) Promover a obediência estrita às leis estatais (humanas) para garantir a ordem pública? Nada! Embora a obediência às leis seja importante, Agostinho enfatizava que as leis humanas frequentemente não são adequadas às leis divinas, levando as pessoas ao pecado! A obediência estrita às leis humanas, portanto, não é (nem de longe) suficiente para assegurar uma vida virtuosa. B) Issooo! Em sua obra mais importante “Cidade de Deus”, Santo Agostinho distinguiu dois reinos: civitas Dei (cidade de Deus) e civitas terrea (cidade terrena – onde predomina o pecado). Ele acreditava que a única forma de fazer com que o povo ascendesse à cidade de Deus era garantir a influência da Igreja no Estado, de modo que as leis terrenas fossem adequadas às leis divinas. C) Agostinho não defendia a participação democrática como meio de alcançar uma vida digna. No seu entender, a maioria das pessoas não é apta para os assuntos públicos e, logo, deve ser guiada/conduzida à vida digna. Mais uma vez: ele enfatizava a importância da conformidade com as leis divinas. D) Embora a prosperidade econômica possa contribuir para o bem-estar, Agostinho pregava que a verdadeira vida digna e virtuosa dependia da aderência às leis divinas, não simplesmente da prosperidade material. Questão 10. 4000010710 Em sua obra mais conhecida, “O conceito de direito” (1961), Hart buscou responder a por que as pessoas cumprem as regras jurídicas e no que estas se assemelham ou se distinguem de uma ordem coercitiva ou moral. Segundo H.L.A. Hart em “O Conceito de Direito”, qual é o critério de validade das normas jurídicas? a) A conformidade com os princípios morais da sociedade. b) A aceitação social e institucional das regras dentro de um sistema jurídico. c) A capacidade de prevenir comportamentos imorais e punir infratores. d) A coerência lógica e racional das normas jurídicas entre si. Comentários Hart conceituou a moral como o conjunto de regras sociais que condicionam comportamentos ao incentivar certas condutas e reprovar outras. Como esse âmbito é muito próximo do jurídico, pode acontecer, em alguns casos, de as normas morais serem reproduzidas em normas jurídicas (noção de justiça). Ainda assim, direito e moral não se misturam (são independentes) – mantém-se a pureza do direito. A 13 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 moral NÃO pode ser considerada critério de validade das normas jurídicas. Poxa, mas então qual o critério? Hart estabeleceu a institucionalização como critério de validade do direito. Há um padrão mínimo de aceitação daquilo que deve ser considerado válido juridicamente. Vejamos o que as opções nos apresentam. A) Seria a conformidade com os princípios morais da sociedade? Nops! Hart argumenta que, embora as normas morais possam influenciar as normas jurídicas, a moral não pode ser considerada critério de validade das normas jurídicas. Direito e moral são independentes. B) A aceitação social e INSTITUCIONAL das regras dentro de um sistema jurídico. Bingo! Hart estabelece que a validade das normas jurídicas depende de um padrão mínimo de aceitação social e institucional. Essa aceitação constitui a base do critério de validade no sistema jurídico, permitindo a institucionalização das normas. C) A capacidade de prevenir comportamentos imorais e punir infratores tem a ver com a capacidade estatal e outros aspectos executórios... Embora a prevenção de comportamentos imorais e a punição de infratores sejam funções do direito, Hart não define isso como critério de validade das normas jurídicas. A validade decorre da aceitação institucional. D) Muitas vezes há pouco coerência lógica e racional das normas jurídicas entre si, mas ainda assim elas perfazem direito... Isso não quer dizer que Hart minimiza a importância da coerência lógica e racional no direito, mas ele não a considera como o critério principal de validade das normas jurídicas. O critério de validade está na aceitação social e institucional. Questão 11. 4000011401 O Governador do Estado Beta sancionou determinado projeto de lei que regulou, de forma geral, o tratamento de dados pessoais. A referida lei estabelece um conjunto de normas e diretrizes que visam assegurar a proteção da privacidade dos cidadãos, garantindo que seus dados pessoais sejam tratados de forma transparente, segura e responsável. À luz do quadro apresentado, a referida lei: a) é inconstitucional, porque legislar sobre tratamento de dados pessoais compete privativamente à União. b) é constitucional, porque legislar sobre tratamento de dados pessoais compete concorrentemente à União, aos Estados e Municípios. c) é inconstitucional, porque legislar sobre tratamento de dados pessoais é de competência comum entre os entes. d) é constitucional, porque legislar sobre tratamento de dados pessoais compete aos Estados. Comentários Análise do Caso A questão trata sobre a Repartição de Competências. Nesse sentido, confira o art. 22, inciso XXX da CRFB/88: 14 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: (...) XXX - proteção e tratamento de dados pessoais. Assim, fica expressamente estabelecido que a União será a responsável pela legislação sobre o tema, no que diz respeito à proteção e ao tratamento dos dados pessoas. Portanto, podemos observar que o disposto no enunciado é vedado e na ocorrência de edição de lei estadual que tenha como objeto matéria privativa da União, deverá ser declarada inconstitucional, já que viola a competência da União. Portanto, a LETRA A é o nosso gabarito! Letra A (item da árvore: 8.3) CORRETA – De fato, legislar sobre tratamento de dados pessoais compete privativamente à União, nos termos do art. 22, XXX da CRFB/88. Letra B (item da árvore: 8.3) INCORRETA O tema não é de competência concorrente, sim privativa da União. Letra C (item da árvore: 8.3) INCORRETA – Não é de competência comum, sim privativa da União. Letra D (item da árvore: 8.3) INCORRETA – É errado afirmar que o tema é de competência dos Estados. Questão 12. 4000011402 Ana, Deputada Estadual, pretende apresentar projeto de lei sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição, tema de competência corrente. No tocante à competência concorrente, podemos afirmar que: a) No âmbito da legislação concorrente, acompetência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. b) No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas específicas. A competência da União para legislar sobre normas específicas exclui a competência suplementar dos Estados. c) Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados não poderão exercer a competência legislativa. d) A superveniência de lei federal sobre normas gerais revoga a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. Comentários Análise do Caso A questão trata sobre a Competência Concorrente. Legislar sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição é competência concorrente, confira o art. 24, inciso VI da CRFB/88: VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição. É determinado que cabe à União editar normas gerais sobre os temas dos incisos. Aos Estados e DF é permitido que complementem a legislação 15 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 federal. A complementação acontece com a edição de normas de caráter específico (competência suplementar complementar - §1º e §2º). Nesse sentido, confira os parágrafos do art. 24 da CRFB/88: § 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. § 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. § 4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. Diante do exposto, a LETRA A é o nosso gabarito! Letra A (item da árvore: 8.3) CORRETA – É a exata previsão do art. 24, §§1º e 2º da CRFB/88, confira: § 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. Letra B (item da árvore: 8.3) INCORRETA – Não é sobre normas específicas, sim gerais. Letra C (item da árvore: 8.3) INCORRETA – Conforme o §3º do art. 24 da CRFB/88, inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. Letra D (item da árvore: 8.3) INCORRETA – Nos termos do §4º do art. 24 da CRFB/88, a superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende (não revoga) a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. Questão 13. 4000011403 Foi decretada Intervenção Federal no Estado Gama para pôr termo a grave comprometimento da ordem pública. Com base no ordenamento jurídico- constitucional vigente, podemos afirmar que: a) não dependerá de qualquer autorização prévia do Congresso Nacional ou solicitação do Poder Executivo do Estado. b) dependerá de provimento pelo Supremo Tribunal Federal. c) dependerá de requisição do Tribunal de Justiça do Estado. d) dependerá de autorização prévia do Congresso Nacional. Comentários Análise do Caso A questão trata sobre a Intervenção Federal. A resposta da questão está no art. 34, III e 36, §1º da CRFB/88, olha só: 16 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública. Art.36 (...) § 1º O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembleia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas. Por se tratar de intervenção espontânea ela será decretada de ofício pelo Presidente da República, sem necessidade de prévia autorização do CN. Na verdade, será submetida ao CN após a decretação, de acordo com o art. 34, inciso III e art. 36, § 1º da CRFB/88. Diante do exposto, a LETRA A é o nosso gabarito! Letra A (item da árvore: 8.4) CORRETA - Por se tratar de intervenção espontânea ela será decretada de ofício pelo Presidente da República, sem necessidade de prévia autorização do CN. Na verdade, será submetida ao CN após a decretação, de acordo com o art. 34, inciso III e art. 36, § 1º da CRFB/88. Letra B (item da árvore: 8.4) INCORRETA – É errado afirmar que dependerá de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal. Não se trata de uma hipótese de intervenção provocada, mas sim do tipo espontânea. Letra C (item da árvore: 8.4) INCORRETA – Não é correto afirmar dependerá de requisição do Tribunal de Justiça do Estado. Letra D (item da árvore: 8.4) INCORRETA – Está errado afirmar que dependerá de autorização prévia do Congresso Nacional. O controle a ser realizado pelo Congresso e a posteriori e não de maneira prévia ao decreto interventivo. Questão 14. 4000011404 O Diretório Nacional do partido político Frente Unida, com representação no Congresso Nacional optou por ajuizar a Ação Declaratória de Constitucionalidade, junto ao Supremo Tribunal Federal, ao considerar que a Lei Federal nº XXX era substancialmente inconstitucional. De acordo com o ordenamento jurídico vigente, é correto afirmar que, as decisões de mérito em sede de controle concentrado de constitucionalidade têm os seguintes efeitos, em regra: a) ex nunc, inter partes e não vinculantes. b) ex tunc, erga omnes e vinculantes. c) ex nunc, erga omnes e vinculantes. d) ex tunc, inter partes e não vinculantes. Comentários Análise do Caso A questão trata sobre os Efeitos das Decisões de Mérito. As decisões de mérito em sede de controle concentrado de constitucionalidade têm os seguintes efeitos: 17 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 - Efeitos retroativos (“ex tunc”): Terá, em regra, efeitos retroativos (“ex tunc”). Existe, no entanto, a possibilidade de que STF, por decisão de 2/3 (dois terços) dos seus membros, proceda à modulação dos efeitos temporais da sentença. Assim, excepcionalmente, a decisão em sede de ADI poderá ter efeitos “ex nunc” ou mesmo poderá ter eficácia a partir de um outro momento fixado pela Corte. - Eficácia “erga omnes”: A decisão terá eficácia contra todos, ou seja, alcança indistintamente em todos. Cabe destacar que o STF poderá, por decisão de 2/3 (dois terços) dos seus membros, restringir os efeitos da decisão, determinando que ela não alcançará a todos indistintamente, mas apenas a algumas pessoas. - Efeito vinculante: A decisão definitiva de mérito proferida pelo STF terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Observe que nos referimos “aos demais órgãos do Poder Judiciário”, o que, portanto, exclui o STF, que não estará vinculado às decisões que ele próprio tomar em ADC. É perfeitamente possível, dessa maneira, que o STF mude a orientação firmada em julgados pretéritos. O efeito vinculante também não alcança o Poder Legislativo, que poderá editar nova lei de conteúdo idêntico ao da norma declarada inconstitucional pelo STF. - Efeito repristinatório: Quando uma lei ou ato normativo é declarado inconstitucional, a legislação anterior (acaso existente) voltará a ser aplicável. Ressalte-se que o STF poderá declarar a inconstitucionalidade da norma impugnada (objeto da ação) e também das normas por ela revogadas, evitando o efeito repristinatório (indesejado) da decisão de mérito. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário que o autor impugne tanto a norma revogadora quanto os atos por ela revogados. Diante do exposto, a LETRA B é o nosso gabarito! LetraA (item da árvore: 19.1) INCORRETA – Em verdade, em regra os efeitos são ex tunc, erga omnes e vinculantes. Letra B (item da árvore: 19.1) CORRETA – De fato, as decisões de mérito em sede de controle concentrado de constitucionalidade têm os seguintes efeitos, em regra: - Efeitos retroativos (“ex tunc”): Terá, em regra, efeitos retroativos (“ex tunc”). - Eficácia “erga omnes”: A decisão terá eficácia contra todos, ou seja, alcança indistintamente em todos. - Efeito vinculante: A decisão definitiva de mérito proferida pelo STF terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. - Efeito repristinatório: Quando uma lei ou ato normativo é declarado inconstitucional, a legislação anterior (acaso existente) voltará a ser aplicável. Letra C (item da árvore: 19.1) INCORRETA – Em regra é ex tunc, não ex nunc. Letra D (item da árvore: 19.1) INCORRETA – Em regra é erga omnes e vinculante. 18 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Questão 15. 4000011405 Alana impetrou mandado de segurança perante determinado Tribunal de Justiça, órgão jurisdicional com competência originária para processar e julgar o feito. O Tribunal de Justiça, em acordão manifestamente contrário à Constituição da República, denegou a ordem. Com base na situação hipotética apresentada, podemos afirmar que: a) Cabe a interposição de recurso ordinário, a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. b) Cabe a interposição de recurso extraordinário, a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. c) Cabe a interposição de recurso ordinário, a ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. d) Cabe recurso especial, a ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. Comentários Análise do Caso A questão trata sobre os Recursos. Segundo o enunciado, Alana impetrou mandado de segurança perante determinado Tribunal de Justiça, órgão jurisdicional com competência originária para processar e julgar o feito. O Tribunal de Justiça, em acordão manifestamente contrário à Constituição da República, denegou a ordem. A situação se encaixa na hipótese do art. 105, II, b da CRFB/88, vejamos: Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: II - julgar, em recurso ordinário: b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão. Diante do exposto, a LETRA C é o nosso gabarito! Letra A (item da árvore: 13.1) INCORRETA – O endereçamento é ao STJ, não STF. Letra B (item da árvore: 13.1) INCORRETA – Não cabe Recurso Extraordinário, cabe Recurso Ordinário. Letra C (item da árvore: 13.1) CORRETA – É o nosso gabarito. Temos o cabimento de ROC. Nos termos do art. 105, II, b da CRFB/88, temos que compete ao STJ julgar, em recurso ordinário os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão. Letra D (item da árvore: 13.1) INCORRETA – Não cabe Recurso Especial, cabe Recurso Ordinário. Questão 16. 4000011406 A gestão do prefeito de determinado Município direcionava recursos públicos para escolas vinculadas a certas religiões, que não tivessem finalidade lucrativa, e que aplicassem seus excedentes em educação e assegurassem a destinação do seu patrimônio, no caso de encerramento de suas atividades, às escolas comunitárias, filantrópicas ou confessionais, ou ao Poder Público. Sobre os recursos públicos, na forma 19 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 descrita no enunciado, assinale a alternativa correta: a) Os recursos públicos podem ser direcionados a escolas vinculadas a certas religiões. b) A Constituição Federal veda a destinação de recursos públicos a escolas vinculadas a certas religiões. c) Os recursos públicos só podem ser direcionados a escolas vinculadas ao catolicismo. d) Os recursos públicos só podem ser direcionados a escolas evangélicas. Comentários Análise do Caso A questão trata sobre o Direito à Educação. Sobre a destinação dos recursos públicos às escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, a CRFB/88 estabelece o seguinte: Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação; II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades. § 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. § 2º - As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo e fomento à inovação realizadas por universidades e/ou por instituições de educação profissional e tecnológica poderão receber apoio financeiro do Poder Público. Perceba que o disposto no enunciado se encaixa perfeitamente ao disposto no dispositivo exposto anteriormente. Diante do exposto, a LETRA A é o nosso gabarito! Letra A (item da árvore: 18.3) CORRETA – É a exata previsão do art. 213, incisos I e II da CRFB/88: Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação; II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades. Letra B (item da árvore: 18.3) INCORRETA – A CRFB/88 não veda a destinação de recursos a escolas confessionais, apenas estabelece limitações. (art. 213) 20 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Letra C (item da árvore: 18.3) INCORRETA – Não é correto afirmar que APENAS podem ser direcionados a escolas católicas. Não há uma delimitação para religião a, b ou c. Podem ser destinados recursos a escolas confessionais, que pode ser católica, presbiteriana, evangélica, etc. Letra D (item da árvore: 18.3) INCORRETA – Não é correto afirmar que APENAS podem ser direcionados a escolas evangélicas. Questão 17. 4000010834 Os Direitos Humanos, ao longo do século XX, passaram por um processo significativo de consolidação e expansão. Inicialmente, a proteção dos direitos humanos estava restrita ao âmbito interno dos Estados. No entanto, após os horrores das duas Guerras Mundiais, a comunidade internacional reconheceu a necessidade de estabelecer normas globais para garantir a dignidade humana. Esse movimento culminou na criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945 e na subsequente Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948. Desde então, diversos tratados e convenções internacionais foram adotados para proteger os direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. Sobre a evolução histórica dos Direitos Humanos e sua consagração nos instrumentos internacionais, assinale a alternativa correta: a) A Carta das Nações Unidas, adotada em 1945, contém um catálogo detalhado de direitos humanos, incluindo direitos civis e políticos, bem como direitos econômicos, sociais e culturais. b) A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 é um tratado internacional juridicamente vinculante que impõe obrigações legais aos Estados signatários. c) A Convenção Europeia dosDireitos Humanos, adotada em 1950, é um instrumento regional que permite a qualquer pessoa, organização não governamental ou grupo de indivíduos alegar violações dos direitos consagrados na convenção diretamente perante a Corte Internacional de Justiça. d) O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, ambos adotados em 1966, são tratados que, além de serem vinculantes, estabelecem mecanismos de supervisão e monitoramento de sua aplicação pelos Estados-partes. Comentários Gabarito: D Alternativa A: ERRADA. A Carta das Nações Unidas menciona a promoção e o incentivo ao respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais, mas não contém um catálogo detalhado de direitos humanos. Esse papel é desempenhado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pelos Pactos de 1966. Alternativa B: ERRADA. A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 não é um tratado internacional juridicamente vinculante. Ela serve como um padrão comum de realização para todos os povos e nações, mas não impõe obrigações legais aos Estados. Alternativa C: ERRADA. A Convenção Europeia dos Direitos Humanos permite que indivíduos apresentem casos de violações de direitos humanos, mas esses casos são levados perante a 21 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Corte Europeia dos Direitos Humanos, não a Corte Internacional de Justiça. Alternativa D: CERTA. Os dois Pactos Internacionais, adotados em 1966, são juridicamente vinculantes para os Estados que os ratificaram e incluem mecanismos de supervisão, como o Comitê de Direitos Humanos para o Pacto sobre Direitos Civis e Políticos e o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais para o outro Pacto. Questão 18. 4000010835 A proteção e promoção dos direitos das pessoas com deficiência são asseguradas tanto pela legislação nacional quanto por tratados internacionais. No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) e a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 2006 e incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro são marcos fundamentais. Esses instrumentos estabelecem princípios, diretrizes e direitos para assegurar a plena e efetiva participação das pessoas com deficiência na sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas. A respeito da proteção e dos direitos das pessoas com deficiência, conforme estabelecido na legislação brasileira e nos instrumentos internacionais, assinale a alternativa correta: a) A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência estabelece que os Estados Partes devem adotar medidas para eliminar a discriminação baseada na deficiência em todas as áreas, mas não menciona a necessidade de adaptação razoável em ambientes de trabalho. b) A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência assegura, entre outros direitos, a acessibilidade, a igualdade de oportunidades e a não discriminação, sendo que a discriminação por motivo de deficiência constitui crime punível com reclusão e multa. c) A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foi incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro com status de lei ordinária e, portanto, está sujeita a alterações legislativas por maioria simples no Congresso Nacional. d) A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência prevê que a educação especial deve ser oferecida preferencialmente em instituições especializadas e separadas do sistema regular de ensino, para garantir um atendimento mais adequado às necessidades das pessoas com deficiência. Comentários Gabarito: B Alternativa A: ERRADA. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência menciona expressamente a necessidade de adaptação razoável no ambiente de trabalho e em outras áreas, como forma de assegurar a igualdade de condições para as pessoas com deficiência (Artigo 2º e Artigo 5º da Convenção). Alternativa B: CERTA. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) assegura direitos como acessibilidade, igualdade de oportunidades e não discriminação. A discriminação por motivo de deficiência é de fato considerada crime e é punível com reclusão e multa, conforme estabelecido no artigo 88 da referida lei. 22 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 Alternativa C: ERRADA. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foi incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro com status de emenda constitucional, conforme o Decreto Legislativo nº 186/2008 e o Decreto Executivo nº 6.949/2009, e não pode ser alterada por lei ordinária, necessitando de um processo mais rigoroso para qualquer alteração. Alternativa D: ERRADA. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) estabelece que a educação especial deve ser oferecida, preferencialmente, na rede regular de ensino, assegurando um sistema educacional inclusivo em todos os níveis (Artigo 28, inciso III). Questão 19. 4000009428 No ano anterior à realização de eleições para cargos eletivos federais e estaduais, os dirigentes dos partidos políticos Alfa e Gama iniciaram tratativas para se aliançarem, tanto nas eleições majoritárias como nas proporcionais, mas havia dúvida em relação ao modelo a ser utilizado. Após consultarem a legislação de regência, concluíram corretamente que deveriam formar a) coligação, que se extinguirá ao fim do prazo para o ajuizamento da ação de impugnação de mandato eletivo. b) gestão colegiada, somente utilizada nas eleições proporcionais, que deve perdurar até o fim do prazo do mandato eletivo obtido. c) ajuntamento partidário, que se extinguirá após a diplomação dos eleitos. d) federação, sendo que os partidos devem permanecer filiados por no mínimo quatro anos, contados da data do respectivo ingresso. Comentários A resposta correta é a letra D. A alternativa A está incorreta. Coligações não podem ser formadas para eleições proporcionais, apenas para eleição majoritária, conforme artigo 6º da Lei 9.504/97: "É facultado aos partidos políticos, dentro da mesma circunscrição, celebrar coligações para eleição majoritária". As coligações são agrupamentos transitórios de partidos políticos criados com o objetivo de disputar as eleições. Segundo a doutrina de José Jairo Gomes: "Coligação é o consórcio de partidos políticos formados com o propósito de atuação conjunta e cooperativa na disputa eleitoral". É importante mencionar que a EC 97/2017 alterou a redação do §1º do art. 17, da CF, que passou a prever a formação de coligações apenas nas eleições majoritárias. A pretensão do legislador foi fortalecer o sistema partidário brasileiro, proporcionando uma redução no elevado número de partidos políticos atualmente existentes. Busca- se também inibir a formação de partidos políticos de ocasião, cuja finalidade é, tão somente, agregar em determinado partido maior (pela formação de coligação) de alguns minutos a mais no tempo de rádio e de televisão. As letras B e C estão incorretas. As alternativas trazem nomenclaturas, gestão colegiada e ajuntamento partidário, que não têm correspondência e regramento especifico na legislação eleitoral brasileira. A letra D está correta. A Federação de partidos cumpre a finalidade pretendida e a alternativa se 23 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 mostra em consonância com o artigo 11-A da Lei 9.096/95: "Art. 11-A. Dois ou mais partidos políticos poderão reunir-se em federação, a qual, após sua constituição e respectivo registro perante o Tribunal Superior Eleitoral, atuará como se fosse uma única agremiação partidária. §3º A criação de federação obedecerá às seguintes regras: II os partidos reunidos em federação deverão permanecer a ela filiados por, no mínimo, 4 (quatro) anos". Alei 14.208/2021 acrescentou o art. 6-A na Lei da Eleições ( 9.504/97) afirmando que as federações serão regidas pelas mesmas normas que são aplicadas aos partidos políticos. Contudo a federação deve ser constituída para durar pelo menos 4 anos diferentemente do que ocorre com as coligações que se limitam a um período eleitoral determinado; ainda, os partidos participantes da federação não se extinguem como acontece nas fusões, eles continuarão existindo e poderão se retirar sem nenhuma punição após o prazo de 4 anos. Questão 20. 4000009429 Helena, filiada ao partido político Beta e candidata ao cargo de governadora do Estado Alfa, consultou seu advogado a respeito da composição dos gastos de campanha, mais especificamente se o pagamento de honorários em razão da prestação de serviços advocatícios, no curso e em razão da campanha eleitoral, teria essa natureza jurídica. A assessoria respondeu, corretamente, que os referidos honorários a) estão incluídos no limite de gastos de campanha, sendo tidos como despesas eleitorais. b) são considerados gastos eleitorais e não estão incluídos no limite de gastos de campanha. c) pela sua essência alimentar, não têm correlação com os gastos eleitorais, o que afasta a possibilidade de serem enquadrados em qualquer limitador de despesas. d) podem ser considerados gastos eleitorais, caso o candidato assim os declare, e estão incluídos no limite de gastos de campanha. Comentários A resposta correta é a letra B. Os gastos lícitos realizados em campanha são todos aqueles realizados de acordo com a legislação eleitoral. O art. 26 e o art. 100-A da Lei das Eleições exemplificam gastos lícitos que podem ser realizados durante as campanhas eleitorais. Tudo que estiver fora dos limites estabelecidos serão gastos eleitorais ilícitos sujeitos às penalidades previstas. Cumpre trazer aqui quais são os itens considerados como gastos eleitorais, conforme literalidade do artigo 26, vejamos: "I - confecção de material impresso de qualquer natureza e tamanho, observado o disposto no §3º do art. 38 desta Lei; II - propaganda e publicidade direta ou indireta, por qualquer meio de divulgação, destinada a conquistar votos; III - aluguel de locais para a promoção de atos de campanha eleitoral; IV - despesas com transporte ou deslocamento de candidato e de pessoal a serviço das candidaturas, observadas as exceções previstas no §3º deste artigo; V - correspondência e despesas postais; VI - despesas de instalação, organização e funcionamento de Comitês e serviços necessários às eleições; VII - remuneração ou gratificação de qualquer espécie a pessoal que preste serviços às candidaturas ou aos comitês eleitorais; VIII - montagem e operação de carros de som, de propaganda e assemelhados; IX - a realização de 24 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 comícios ou eventos destinados à promoção de candidatura; X - produção de programas de rádio, televisão ou vídeo, inclusive os destinados à propaganda gratuita; XII - realização de pesquisas ou testes pré-eleitorais; XV - custos com a criação e inclusão de sítios na internet e com o impulsionamento de conteúdos contratados diretamente com provedor da aplicação de internet com sede e foro no País". Ainda, o mesmo artigo, em seu parágrafo terceiro, traz alguns itens que não são considerados gastos eleitorais: "a) combustível e manutenção de veículo automotor usado pelo candidato na campanha; b) remuneração, alimentação e hospedagem do condutor do veículo a que se refere a alínea a deste parágrafo; c) alimentação e hospedagem própria; d) uso de linhas telefônicas registradas em seu nome como pessoa física, até o limite de três linhas". A alternativa A está incorreta e a alternativa B está correta. Os gastos com honorários advocatícios são considerados como gastos eleitorais, contudo não são sujeitos a limites, conforme artigo 18-A, parágrafo único, da lei 9.504/97 (Lei das Eleições): "Art. 18-A. Serão contabilizadas nos limites de gastos de cada campanha as despesas efetuadas pelos candidatos e as efetuadas pelos partidos que puderem ser individualizadas. Parágrafo único. Para fins do disposto no caput deste artigo, os gastos advocatícios e de contabilidade referentes a consultoria, assessoria e honorários, relacionados à prestação de serviços em campanhas eleitorais e em favor destas, bem como em processo judicial decorrente de defesa de interesses de candidato ou partido político, não estão sujeitos a limites de gastos ou a limites que possam impor dificuldade ao exercício da ampla defesa". A letra C está incorreta. A sua desvinculação com a limitação de gastos não decorre de seu caráter alimentar, mas da garantia ao exercício da ampla defesa, conforme artigo acima mencionado. A letra D está incorreta. Conforme comentando acima, são considerados gastos eleitorais, contudo não estão sujeitos ao limite de gastos com a campanha. Questão 21. 4000009463 Um brasileiro teve seu pedido de visto de trabalho negado por uma representação consular de Estado estrangeiro. Inconformado, consultou você, como advogado (a), para a adoção das providências cabíveis no Brasil. Após a avaliação do caso, você concluiu que a) nenhuma medida judicial é cabível. b) deve ser proposto mandado de segurança perante a Justiça Federal. c) cabe reclamação trabalhista perante a Justiça do Trabalho. d) deve ser proposta ação condenatória por obrigação de fazer, perante o Tribunal de Justiça competente. Comentários A alternativa correta é a letra A. A alternativa A está correta, pois a concessão de visto é uma decisão discricionária da autoridade consular de um país. Ressalte-se, ainda, que o funcionário consular, no exercício de sua função (no que se inclui a concessão ou não de um visto de trabalho), goza de imunidade 25 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 de jurisdição, conforme previsto na Convenção de Viena sobre relações consulares (1963): “Art. 43.1. Os funcionários consulares e os empregados consulares não estão sujeitos à Jurisdição das autoridades judiciárias e administrativas do Estado receptor pelos atos realizados no exercício das funções consulares”. A concessão de visto é fruto da soberania de um Estado, dentro dos chamados atos de império. Dessa forma, não cabe, no Brasil, nenhuma medida judicial contestando. Além disso, em regra, os atos que os consulares praticarem no exercício da função possuem imunidade de jurisdição. Quanto a esse ponto, cabem as seguintes observações apontadas por Valerio Mazzuoli (Curso de Direito Internacional Público, 2019): “Relativamente aos privilégios consulares, de que cuida a Convenção de Viena de 1963, a regra é que os cônsules e funcionários consulares gozam de inviolabilidade física e de imunidade ao processo (penal ou cível) apenas no que diz respeito aos seus atos de ofício. Portanto, as imunidades dos representantes consulares são relativas e divergem daquelas concedidas aos agentes diplomáticos em dois pontos: a) não existe imunidade penal absoluta para os representantes consulares (a qual, tampouco, se estende aos seus familiares); e b) a imunidade de jurisdição civil a eles concedida (segundo a regra ne impediatur of icium) restringe- se tão somente aos atos realizados no exercício das funções consulares, não se estendendo aos atos praticados a título particular. Fora dos atos de ofício não existe imunidade para os cônsules e funcionários consulares, quer na esfera civil quer na criminal”. As alternativas B, C e D estão incorretas de acordo com o fundamento exposto na alternativa A. Questão 22. 4000009464 O cidadão francês Pierre Renoir, residente e domiciliado em Portugal, foi casado com uma espanhola, com quem teve dois filhos nascidos na Alemanha. Pierre faleceu em 2022 e deixou como herança um apartamento no Brasil, onde viveu durante a fase universitária. Nesta hipótese, à sucessãodo bem será aplicada a lei a) francesa b) portuguesa c) brasileira d) alemã Comentários A alternativa correta é a letra B. A questão trata sobre os elementos de conexão. O art. 10 da LINDB dispõe: Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. § 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus. 26 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 § 2º A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder. A lex domicilli (lei do domicílio), portanto, é aplicada à sucessão por morte. O autor da herança era francês, residente e domiciliado em Portugal, não sendo casado com brasileira e nem teve filhos brasileiros. Dessa forma, não se enquadra na regra do § 1º do art. 10. Assim, embora tenha deixado um apartamento no Brasil, a sucessão quanto a este bem será regulada pela lei do seu domicílio: Portugal. Portanto, a alternativa B está correta, nos termos do art. 10, caput, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB): “A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens”. As alternativas A, C e D estão incorretas, de acordo com o fundamento exposto na alternativa B. Questão 23. 4000010848 O Prefeito do Município M enviou Projeto de Lei à Câmara de Vereadores prevendo isenção de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para idosos a partir de 65 anos de idade, desde que sejam proprietários de um único imóvel no Município. Considerando que tal Projeto de Lei está acompanhado da estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes e que atende ao disposto na LDO - Lei de Diretrizes Orçamentárias, mas que não houve a demonstração, pelo proponente, de que a renúncia tributária em questão foi considerada na estimativa de receita da lei orçamentária, é correto afirmar que tal Projeto de Lei estará de acordo com a Lei Complementar nº 101/2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal somente se estiver acompanhado: a) De declaração assinada pelo Prefeito, dispensada firma reconhecida, se comprometendo a cumprir todas as metas de resultados fiscais. b) Da abertura de créditos orçamentários adicionais extraordinários. c) De medidas de compensação, no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição. d) Da Nota de Empenho. Comentários Análise do Caso A questão gira em torno do seguinte aspecto: quais as condições impostas pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) para que uma renúncia de receita tributária seja considerada válida? No caso: > O Prefeito de determinado Município enviou Projeto de Lei à Câmara de Vereadores prevendo isenção de IPTU para idosos a partir de 65 anos de idade, desde que sejam proprietários de um único imóvel no Município. > Tal Projeto de Lei está acompanhado da estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes. 27 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 > Tal Projeto de Lei também atende ao disposto na LDO - Lei de Diretrizes Orçamentárias. > Mas não houve a demonstração, pelo proponente, isto é, pelo Prefeito, de que a renúncia tributária em questão (isenção) foi considerada na estimativa de receita da lei orçamentária. > Eis o cerne da questão: quais as condições impostas pela LRF para que tal renúncia tributária seja considerada válida? A resposta é dada pelo art. 14 da Lei Complementar nº 101/2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal: Lei Complementar nº 101/2000: Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: I - demonstração pelo proponente de que a renúncia foi considerada na estimativa de receita da lei orçamentária, na forma do art. 12, e de que não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo próprio da lei de diretrizes orçamentárias; II - estar acompanhada de medidas de compensação, no período mencionado no caput, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição. (...). De acordo com o art. 14. incisos I e II, da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000), a concessão de benefício fiscal da qual decorra renúncia de receita tributária, como, no caso, uma isenção, deverá estar acompanhada (i) de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, (ii) atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e (iii) a pelo menos uma das seguintes condições: I - demonstração pelo proponente de que a renúncia foi considerada na estimativa de receita da lei orçamentária, na forma do art. 12, e de que não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo próprio da lei de diretrizes orçamentárias; ou II - estar acompanhada de medidas de compensação, no período mencionado no caput, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição. Como o enunciado narra que não houve a demonstração pelo proponente de que a renúncia foi considerada na estimativa de receita da lei orçamentária e de que não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo próprio da lei de diretrizes orçamentárias (inciso I), então deve ser cumprido o inciso II, isto é, deve estar acompanhada de medidas de compensação, no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição. Portanto, no caso do problema em questão, é correto afirmar que tal Projeto de Lei estará de acordo com a Lei Complementar nº 101/2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal somente se estiver acompanhado de medidas de compensação, no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição, estando correta, assim, a LETRA C, que é o gabarito da questão. Letra A 28 II Simulado OAB 1ª Fase – 26/01/2025 INCORRETA A LRF não exige declaração assinada pelo Prefeito, com ou sem firma reconhecida, no que tange à concessão de isenção tributária, se comprometendo a cumprir todas as metas de resultados fiscais. Letra B INCORRETA Os créditos adicionais extraordinários são aqueles que destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública, não tendo qualquer relação com a concessão de benefícios fiscais. Letra C CORRETA De fato, o Projeto de Lei em questão será válido somente se estiver acompanhado de medidas de compensação, no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição. Letra D INCORRETA A Nota de Empenho é um documento relativo