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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
MELHORAMENTO VISANDO RESISTÊNCIA À FITOPATÓGENOS
EM SOJA
Aluna: Juliana Araújo Santos
Prof: Dr. Fernando Cézar Juliatti
Disciplina: Melhoramento para Resistência à Fitopatógenos- GEB 10
Dezembro
2004
1. INTRODUÇÃO
A soja (Glycine max (L.) Merrill) é umas das mais importantes oleaginosas cultivadas no
mundo, principalmente devido aos elevados teores de proteína (40%), óleo (20%) e pelo
alto rendimento de grãos. O Brasil é o segundo maior produtor e exportador mundial de
soja, com uma produção estimada em torno de 36 milhões de toneladas de grãos, em uma
área de, aproximadamente, 13,7 milhões de hectares na safra 2000/2001 (Embrapa Soja,
2001). A expansão da soja nas diversas regiões do Brasil mostra a adaptabilidade da mesma
às diversas condições de clima, fotoperíodo e solos. Entretanto, acompanhando o
desenvolvimento desta cultura, os problemas sanitários também estão aumentando em
número e intensidade, exigindo, cada vez mais, o aprimoramento nas técnicas de cultivo, e
o desenvolvimento contínuo de novas variedades com alto potencial de rendimento e mais
resistentes às doenças. Atualmente, já existem cerca de 40 doenças de importância
econômica que atacam a cultura (EMBRAPA, 1998; YORINORI, 1998; YORINORI,
2000). De acordo com Yorinori (2002), o aumento da intensidade das doenças aumenta
também as perdas na produção da soja brasileira. (Tabela 1).
Devido a essa ampla variação, torna-se fundamental a seleção de genótipos com elevada
produtividade e adaptabilidade a vários ambientes. (Sediyama e Santos, 1998)
2. MELHORAMENTO GENÉTICO DA SOJA
As pesquisas sobre genética e melhoramento da soja tiveram grande desenvolvimento a
partir de 1920, principalmente nos Estados Unidos e no Japão. Em relação aos fatores
genéticos analisados, aproximadamente 80, constata-se alta freqüência daqueles que afetam
características de interesse econômico e agronômico. A resistência total ou parcial ás
doenças e pragas e algumas características morfológicas que afetam a planta, tornando-a
mais adaptada ao cultivo intensivo são um dos principais propósitos do melhoramento.
Considerando-se o interesse econômico da soja, praticamente, todos os métodos de
melhoramento aplicados ás plantas autógamas vêm sendo utilizados, tendo em vista o
isolamento de linhagens produtivas, adaptadas ás várias condições ecológicas (Sediyama et
al., 1981 apud Juliatti et al.,2004).
A expressão da produtividade é função dos efeitos genéticos e ambientais, e da interação
entre ambos. Além da produtividade, estabilidade de produção e ampla adaptação
agronômica são características de uma boa cultivar. Parte da estabilidade de produção (
capacidade da cultivar adaptar-se a diversos ambientes) é conferida pela introdução de
resistência a doenças, nematóides e insetos. A introdução de características agronômicas
especiais para tolerância aos fatores limitantes relacionados com o solo e clima permitem a
planta tolerar melhor os fatores que podem comprometer a produção.( Embrapa, 2002b
apud Juliatti et al., 2004). Em um determinado ambiente, a manifestação fenotípica é o
resultado da ação do genótipo sob influência do meio. Entretanto quando se considera uma
série de ambientes, detecta-se, além dos efeitos genéticos e ambientais, um efeito adicional,
proporcionado pela interação dos mesmos. Estudos a respeito da interação genótipo x
ambiente, apesar de serem de grande importância para o melhoramento, não proporcionam
informações pormenorizadas sobre cada genótipo frente ás variações do ambiente.
Para tal objetivo, realizam-se as análises de adaptabilidade e estabilidade , pelas quais
torna-se possível a identificação de cultivares de comportamento previsível e que sejam
responsáveis ás variações ambientais, em condições específicas ou ampla.( Cruz; Regazzi,
1997 apud Juliatti et al., 2004).
A eficiência da seleção visual de qualquer caráter depende de sua herdabilidade, isto é, do
grau de influência do ambiente sobre sua expressão fenotípica (Vernetti, 1983 apud Juliatti
et al., 2004). A herdabilidade pode ser definida como a influência genética, indicando-nos
que proporção da variação populacional em um fenótipo pode ser atribuída á variação da
similaridade fenotípica entre os parentais ( Griffths et al., 1996 apud Juliatti et al., 2004).
Por meio destas informações torna-se possível orientar de maneira efetiva o programa de
melhoramento.
3. MÉTODOS DE MELHORAMENTO
Os programas de melhoramento para as plantas autógamas envolvem três níveis de
avaliação. Plantas individuais e progênies de uma única planta são avaliadas em um único
local (ambiente) e selecionadas para determinadas características de herança qualitativa,
como resistência á doenças, e para determinadas heranças quantitativas de alta
herdabilidade, como maturação, acamamento, altura da planta, etc.. Após esta fase inicial
de seleção, faz-se uma avaliação mais pormenorizada das progênies para produção de
grãos, a fim de reduzir o seu número. Finalmente, as melhores progênies e linhagens são
submetidas a teste regionais para avaliações nas mais diversas condições de ambientes (
Hanson e Brim, 42, apud Sediyama et al.,1986).
O melhoramento da soja em diferentes países tem sido feito através da introdução de
material de seleção e pela hibridação. Os métodos de conduzir as populações segregantes,
após a hibridação, são aqueles comumente usados para culturas autógamas, e basicamente
são : genealógico, de população (“Bulk”), retrocruzamento e métodos que utilizam algumas
combinações ou modificações do genealógico e do “bulk”.
4.OBJETIVOS DO MELHORAMENTO DA SOJA
A soja apresenta ampla diversidade genética quanto á sua área de adaptação, e esta
característica deve-se principalmente á sensibilidade dessa leguminosa ao fotoperíodo e á
temperatura. Nos programas de melhoramento da soja no Brasil, atualmente desenvolvidos
pelas diferentes instituições, objetiva-se a criação de novos cultivares , levando em
consideração entre muitas características (hábito de crescimento, período juvenil para
indução floral, acamamento, deiscência das vagens, qualidade das sementes ) a resistência a
doenças.
4.1.RESISTÊNCIA A DOENÇAS
Uma das maiores contribuições do melhoramento da soja tem sido o desenvolvimento de
cultivares resistentes a doenças.Com o cultivo sucessivo, no entanto, aquelas doenças que
aparentemente não eram importantes podem causar em pouco tempo danos econômicos
consideráveis. Entre os patógenos a que se tem dado maior ênfase de controle pelo
desenvolvimento de cultivares resistentes estão: pústula bacteriana ( Xanthomonas phaseoli
pv. Glycines), cancro-da-haste (Diaporthe phaseolorum f.sp. meridionalis), cercosporiose
(Cercospora sojina Hara) , oídio (Microsphaera diffusa ), fogo-silvetre( Pseudomonas
syringae pv. Glicinea), mosaico-comum da soja (Soybean Mosaic Virus –SMV),podridão
vermelha da raiz (Fusarium solani), mildio (Peronospora manshurica), ferrugem da soja
(Phakopsora pachyrhizi), mancha roxa (Cercospora kikuchii), nematoide -das –galhas(
Meloidogyne incognita e Melodogyne javanica) e nematóide -do–cisto( Heterodera
glycines Ichinohe).( Sediyama et al, 1999).
Uma informação fundamental ao melhorista que pretende desenvolver uma cultivar
resistente a uma doença, é o conhecimento da herança da resistência e do estádio de
desenvolvimento da planta quando esta se expressa – se na fase juvenil, adulta ou ambas
(Reifschneider et al., 1992 ).
Na natureza a resistência à maioria das doenças ocorre nas culturas. A maior parte da
resistência explorada pelos melhoristas envolve genes maiores ou principais. Resistência
poligênica, embora seja muito menos utilizada nos programasde melhoramento, encontra-
se em maior disponibilidade nos cultivares. Muitos tipos de resistência são altamente
temporária; o patógeno aparentemente adapta-se muito facilmente a estes tipos de
resistência. Outros tipos de resistência permanecem efetivos por muito mais tempo e é
chamado resistência durável. A resistência temporária é invariavelmente do tipo
monogênica, e usualmente é do tipo hipersensível e atua sobre patógenos especializados.
Raça-específica não é a causa da resistência temporária mas sua conseqüência. A
compreensão sobre a resistência adquirida abre interessante caminho para o controle de
fitopatógenos. Isto é mais válido ainda para técnicas moleculares, que já apresentam
enorme gama de possibilidades. Resistência obtida através da transformação é sempre do
tipo quantitativa e pode ser durável em muitos casos.(Vale et al., 2001).
5. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA, SOCIAL E AMBIENTAL DA
RESISTÊNCIA
A questão “por que genótipos resistentes” encontra ainda várias respostas quando se
considera qualquer dos níveis econômicos , social ou ambiental, conforme indicações
abaixo, porque é uma tecnologia:
λ acessível a diferentes extratos sociais;
λ não poluente do meio ambiente;
λ auxiliar no uso de agrotóxicos;
λ embutida na semente adquirida, portanto de fácil adoção ;
λ contribui para o aumento da produtividade e da qualidade;
λ compatível com outras formas de controle;
λ possibilita a utilização de áreas onde o fator doença é limitante;
λ comumente de ampla vida útil e durável;
λ normalmente aplicável a diversas ecorregiões.
6. EVOLUÇÃO DAS DOENÇAS E DAS PESQUISAS VISANDO
RESISTÊNCIA Á FITOPATÓGENOS EM SOJA
No primeiro período, as doenças, em número ainda pequeno, ocorriam de forma restrita,
isoladas em algumas localidades, sem causar graves prejuízos. Eram, por assim dizer, mais
uma "curiosidade" que a cultura apresentava. Neste período, um dos problemas mais
freqüentes era a morte em reboleira (Rhizoctonia solani) que ocorre próximo ao
florescimento, principalmente devido ao alto teor de matéria orgânica que apresentavam os
solos de campos naturais e de matas recém incorporados ao cultivo intensivo. Com o passar
dos anos, essa doença entrou em equilíbrio, provavelmente pelo controle biológico,
mantendo-se constante em algumas lavouras, mas em menor intensidade. O segundo
período iniciou, aproximadamente, a partir de 1990, quando as doenças começaram a
causar danos significativos no rendimento, e a preocupar a todos envolvidos com soja em
todo Brasil. Por que? Entre as causas, podemos citar a monocultura de soja, a compactação
de solo e a introdução de doenças de outros países, através de sementes.
Entre os chamados primeiro e segundo períodos temos uma seqüência na ocorrência das
doenças onde na década de 70, a pústula bacteriana era uma das principais doenças da soja;
na década de 80 era mancha olho –de- rã; e no início da década de 90 era o cancro da haste.
Todas elas foram superadas com o desenvolvimento de cultivares resistentes. Na safra
1991/92, os produtores de soja tomaram conhecimento de um novo e, potencialmente, o
pior inimigo da cultura da soja o nematóide de cisto (Heterodera glycines), existindo
atualmente três cultivares resistentes: o IPAGRO 21, adaptado para o sul do Brasil e o
Renascença e o Liderança, lançados em 1997 pela Embrapa / CNPSo / EPAMIG para
Minas Gerais. Os nematóides formadores de galhas e a podridão vermelha da raiz. exigem
ainda atenção especial para o desenvolvimento de cultivares resistentes.
Após sua identificação, na safra 2001/ 02, a preocupação dos pesquisadores está voltada
para ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi), fungo com elevado potencial de destruição,
exige que sejam, imediatamente, incorporados genes de resistência no germoplasma
nacional.
7.TRABALHOS VISANDO RESISTÊNCIA Á FITOPATÓGENOS EM SOJA
7.1.MOSAICO COMUM DA SOJA
Segundo Almeida et al.,(2000) Soybean mosaic virus (SMV) é considerado como o mais
prevalente na cultura da soja [Glycine max (L.) Merr.], em todo o mundo. No Brasil, o
SMV tem importância por contribuir para o descarte de lotes de sementes e redução de
rendimento. A única forma de controlar essa virose é através do uso de cultivares
resistentes.
Genótipos de soja, foram inoculados mecânicamente com as estirpes dos grupos G1 e G5
do vírus. Os genótipos considerados resistentes às duas estirpes foram as cvs. Embrapa 60,
Embrapa 61, Embrapa 62, Embrapa 66, Embrapa 133, Embrapa 134, Embrapa 135 e
Embrapa 136. As cvs. Embrapa 58, Embrapa 63 e Davis apresentaram reações
diferenciadas em relação às estirpes testadas.(Tabela 2). Os genótipos resistentes podem ser
utilizados como progenitores resistentes nos programas de melhoramento por possuirem
características de boa adapatação às principais regiões produtoras de soja no Brasil.
TABELA 2- Reação de genótipos de soja inoculados mecânicamente com duas
estirpes(G1 e G5) do Soybean mosaic virus (SMV) em condições de casa de vegetação.
7.2.MANCHA OLHO DE -RÃ
No trabalho de Gravina et al.(2003) sete cultivares de soja (Bossier, Cristalina, Davis, Kent,
Lincoln, Paraná e Uberaba) com diferentes níveis de resistência à Cercospora sojina foram
cruzadas de modo dialélico para avaliar as capacidades geral (CGC) e específica (CEC) de
combinação quanto à herança da resistência. Ambas, CGC e CEC, foram significativas
quanto a todos os caracteres avaliados, inferindo-se que, para a expressão dos caracteres, as
ações gênicas aditivas, dominantes e, possivelmente, interações epistáticas foram
importantes. E assim concluíram que as cultivares Cristalina, Davis e Uberaba são
indicadas como genitores em programas de melhoramento que visem à obtenção de
cultivares de soja com resistência à mancha olho-de-rã.
7.3.CANCRO DA HASTE
Há aproximadamente oito anos, o cancro da haste da soja tem sido o principal fator
limitante da produtividade em áreas de manifestação da doença., é causado por um fungo
que apresenta duas fases de desenvolvimento: a fase teleomórfica, denominada de
Diaporthe phaseolorum f. sp. meridionalis Cke & Ell. e a fase anamórfica, denominada de
Phomopsis phaseoli f. sp. meridionalis (Yorinori et al., 1993). O seu controle mediante
cultivares resistentes é o método mais econômico. Num ensaio em casa de vegetação,
visando avaliar o efeito de doses de potássio no controle do cancro da haste, no cultivar
IAS-5, moderadamente resistente, verificou-se haver plantas altamente resistentes,
comprovadas em três gerações, todas inoculadas com o fungo causador da doença. A
importância da obtenção do IAS-5 e de sua multiplicação deve-se a ser o mais cultivado no
Estado de São Paulo e apresentar resistência ao cancro da haste. (Mascarenhas e Ito, 1998).
7.4. MANCHA -PARDA
Seleção de genótipos de soja (Glycine max) resistentes à mancha parda foi avaliada em
condições de casa de vegetação, inoculando-se plantas de soja com um mês de idade com
suspensão de esporos calibrada para 106 esporos/ml.. A avaliação foi iniciada duas semanas
após a inoculação e consistiu em determinar a área abaixo da curva de progresso de lesão,
índice de amarelecimento e período necessário para atingir 5% de área foliar necrosada.
Nenhum genótipo testado foi imune à mancha parda da soja. No entanto, as cultivares CTS-
40, IAS-2, IAS-5, PI PI 230 975 e PI 204 332 exibiram menor porcentagem de área foliar
necrosada e apresentaram maior período em dias para atingir 5 % de severidade. Os
resultados mostram que o nível de severidade estabelecido baseado no número de dias para
atingi-lo é um bom indicador para seleção de genótipos com resistência parcial a Septoria
glycines. Os genótipos identificados como tolerantes, neste trabalho, poderão ser utilizados
nos programas de melhoramento de soja no Brasil. (Almeida et al.,2001)
7.5. CANCRO-DA-HASTE, OÍDIO E MANCHAOLHO DE RÃ
As lipoxigenases vegetais (enzimas que proporcionam gosto de feijão cru a soja) utilizam o
ácido linolênico (C18:3) ou ácido linoléico (C18:2) como substrato e estão associadas a
importantes processos fisiológicos, tais como: biossíntese de compostos regulatórios,
crescimento e desenvolvimento, senescência, germinação de sementes, resposta a
ferimento, proteína de reserva vegetativa e resistência a insetos e patógenos
Visando elucidar a participação das lipoxigenases (Lox1, Lox2 e Lox3), no processo de
resistência da soja a patógenos, variedades normais de soja (FT-Cristalina RCH, Doko RC
e IAC-12) e suas respectivas linhagens obtidas por retrocruzamentos, sem as três
lipoxigenases nas sementes (triplo-nulas - TN) e com as três lipoxigenases (triplo-positivas
- TP), foram testadas quanto às suas resistências ao cancro-da-haste (Diaporthe
phaseolorum f.sp. meridionalis), à cercosporiose (Cercospora sojina Hara) e ao oídio
(Microsphaera diffusa Cke. & Pk.). Todos os materiais genéticos foram resistentes ao
cancro-da-haste. Com relação à cercosporiose, FT-Cristalina RCH e Doko-RC e suas
respectivas linhagens com ou sem lipoxigenases mostraram-se resistentes, enquanto IAC-
12 e suas linhagens derivadas mostraram índices de doença mais elevados, sendo que as
linhagens IAC-12 TP e TN foram mais suscetíveis, indicando perda de gene de resistência
nos retrocruzamentos. Não houve relação entre retirada dos genes que codificam
lipoxigenases nas sementes com a resistência à cercosporiose. No caso do oídio, as
linhagens TP ou TN apresentaram-se similares ou pouco mais resistentes que seus
respectivos progenitores recorrentes, os quais se mostraram suscetíveis na seguinte ordem:
IAC-12, menos suscetível, Doko-RC, intermediário e FT-Cristalina RCH, mais suscetível.
(Martins et al.,2002 )
7.6.PODRIDÃO VERMELHA DA RAIZ
A doença podridão vermelha da raiz (PVR), causada por Fusarium solani (Mart.) Sacc. f.
sp. glycines K. W. Roy, vem-se destacando pelos danos crescentes que tem causado na
cultura de soja [Glycine max (L.) Merrill]. No Brasil, os danos atribuídos à doença foram
estimados em 200.000 t na safra 1997/98, com perdas da ordem de 57,6 milhões de dólares
(Yorinori, 1998). A exemplo de outras doenças do sistema radicular, ainda não estão
disponíveis formas eficientes de controle da PVR. Entre as possíveis táticas de controle da
doença pesquisadas atualmente, a seleção de cultivares resistentes é apontada como a mais
promissora (Chang et al., 1996; Rupe et al., 1991). Resistência à PVR foi relatada como de
caráter hereditário, natureza poligênica, incompleta e sensível a interações com o ambiente
(Hnetkovsky et al., 1996; Njiti et al., 1997). Apesar das dificuldades envolvidas na seleção
de genótipos com esse tipo de resistência, diferenças consistentes entre cultivares quanto à
PVR foram relatadas por diversos autores (Hartman et al., 1997; Rupe et al., 1991;
Stephens et al., 1993), e quatro “quantitative trait loci” (QTLs), condicionando para
resistência à PVR, já foram identificados (Chang et al., 1996; Hnetkovsky et al., 1996).
Gásperi et al., 2003, avaliaram a reação de 30 genótipos de soja, quanto aos sintomas na
parte aérea e no sistema radicular, pelo método “palito-de-dente”, através da introdução de
uma ponta de palito colonizada pelo fungo no hipocótilo de cada plântula e pelo método
“grão de sorgo”, em que o inóculo, constituído de grãos de sorgo (Sorghum bicolor)
colonizados, foi colocado ao redor do colo da planta. Os genótipos BRS 66, BRS 137 e
BRS 138, pelo método “palito-de-dente”, e IAS 5 e BRS 137, pelo método “grão de sorgo”,
foram considerados moderadamente resistentes.
Medeiros et al., 2003, em outro trabalho visando avaliar a resistência de genótipos de soja a
PVR em casa de vegetação e estabelecer uma metodologia para seleção de genótipos
superiores e avanço de gerações segregantes nos testes de progênies, foram realizados três
experimentos em Uberlândia-MG. Concluiu-se que o método grão de sorgo em badejas
destacou-se como o melhor método de avaliação de genótipos quanto a PVR e foi menos
drástico que o método do palito na avaliação dos genótipos.
7.7 FERRUGEM DA SOJA
Segundo Vello et al.,2002, a incorporação , na soja cultivada, de genes de resistência á
ferrugem, presentes em espécies perenes, tem sido feita através de hibridação artificial,
resgate de embrião e seleção para fertilidade em retrocruzamentos sucessivos. Este
processo poderá ser aprimorado por meio de isolamento dos genes de resistência através do
uso de técnicas de biologia molecular, para utilização no processo de transformação de
plantas. Técnicas de biologia molecular também poderão contribuir para a caracterização de
espécies de ferrugem e, principalmente, das diferentes raças do patógeno existentes em
cada espécie. Uma caracterização eficiente de espécies e raças é fundamental para o
monitoramento da população de patógenos e, consequentemente, para o bom andamento
dos programas de melhoramento.
8. AVALIAÇÃO QUANTO À RESPOSTA À RESISTÊNCIA
Após selecionar as plantas , através de gerações de autofecundação e retrocruzamentos,
estas são submetidas ao teste de progênie, para uma seleção das linhagens mais uniformes e
promissoras. O teste de progênie calcula o valor de uma linhagem com base no
comportamento de sua descendência. Deve ser feito preferencialmente em uma localidade
representativa da região de cultivo da soja, pois este avalia o comportamento agronômico
das linhagens que se deseja selecionar. As linhagens selecionadas no teste de progênie são
avaliadas quanto a característica desejada, nesse caso, a resistência á fitopatógenos. Os
ensaios da avaliação das características desejadas são denominados Ensaios Preliminares.
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Piracicaba. Potafos. 1993. p. 333-397.
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
3. MÉTODOS DE MELHORAMENTO
A questão “por que genótipos resistentes” encontra ainda várias respostas quando se considera qualquer dos níveis econômicos , social ou ambiental, conforme indicações abaixo, porque é uma tecnologia:
6. EVOLUÇÃO DAS DOENÇAS E DAS PESQUISAS VISANDO RESISTÊNCIA Á FITOPATÓGENOS EM SOJA
7.TRABALHOS VISANDO RESISTÊNCIA Á FITOPATÓGENOS EM SOJA
7.1.MOSAICO COMUM DA SOJA
TABELA 2- Reação de genótipos de soja inoculados mecânicamente com duas estirpes(G1 e G5) do Soybean mosaic virus (SMV) em condições de casa de vegetação.
7.5. CANCRO-DA-HASTE, OÍDIO E MANCHA OLHO DE RÃ
7.6.PODRIDÃO VERMELHA DA RAIZ
8. AVALIAÇÃO QUANTO À RESPOSTA À RESISTÊNCIA