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1
2
PROFESSORES
FILIPPE AUGUSTO
DIREITO CONSTITUCIONAL E DIREITOS HUMANOS
Defensor Público Federal, Chefe de Gabinete do Defensor Público Geral 
Federal, Ex-Professor da UFC e da UFERSA, Ex-PGE-PB, Ex-PGM-Natal, gra-
duado em Direito pela UFC, Especialista em Processo Civil, Mestre em Di-
reito Constitucional (UFRN), Doutorando em Direito Constitucional (UFC).
FRANKLIN DEYVES
DIREITO CONSTITUCIONAL E DIREITOS HUMANOS
Procurador Federal. Especialista em Ciências Penais. Ex-Defensor Público 
no Estado do Ceará (Aprovado em 18° lugar, obtendo a nota 100 na pro-
va oral). Autor do livro: “O direito de voto do preso como forma de resso-
cialização”. Graduado em Direito pela UFC. Aprovado em vários concursos 
como Procurador Federal/AGU (2006); TRE/MA e TRF/5° Região (O cial de 
Justiça).
LARA TELES
DIREITO CIVIL E DIREITO DO CONSUMIDOR
Defensora Pública do Estado do Ceará. Ex-O ciala de Justiça do Tribunal 
de Justiça do Ceará (TJCE). Está aprovada na Defensoria Pública da União 
(15º lugar). Aprovada na DPE-MA (1º lugar), entre outros concursos. Gradu-
ada em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
ÁLVARO VERAS
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Procurador do Estado do RN. Ex-Defensor Público Federal. Ex-Técnico ju-
diciário do Tribunal de Justiça do Ceará, graduado em Direito pela UFC. 
Também foi aprovado nos concursos de Procurador do Estado da Bahia 
(2014 – 12º lugar), Procurador do Estado do Piauí (2014 – 34º lugar), Defen-
sor Público do Estado do Ceará (2015 – 5º lugar).
3
PROFESSORES
MUNIZ FREIRE
DIREITO PROCESSUAL PENAL E DIREITO DA CRIANÇA E ADOLESCENTE
Defensor Público do Estado do Ceará, aprovado nos concursos da DPE –PB 
e DPE-RS. Ex-O cial de Justiça do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará 
(TJCE), Ex-Analista Judiciário do Ministério Público Federal, graduado em 
Direito pela Unifor, sendo agraciado com mérito acadêmico, por ter sido a 
maior média global do Centro de Ciências Jurídicas. Especialista em Direi-
to Processual Civil pela Unifor.
 
RODRIGO SANTOS
DIREITO PENAL E EXECUÇÃO PENAL
Defensor Público do Estado do Ceará e Ex-Defensor Público do Estado de 
São Paulo. Graduado em Direito pela UFC. Foi aprovado também no con-
curso de Defensor Público do Distrito Federal. 
4
SUMÁRIO
Direito Constitucional e Direitos Humanos
Prof. Filippe Augusto
I - Direitos Humanos - p. 5
II - Direito Constitucional - p. 12
Direito Constitucional e Direitos Humanos
Prof. Franklin Deyves
I - Direito Constitucional - p. 34
II - Direitos Humanos - p. 47
Direito Civil e Direito do Consumidor
Profa. Lara Teles
Direito Processual Civil
Prof. Álvaro Veras
Direito Penal e Execução Penal
Prof. Rodrigo Santos
I - Direito Penal - p. 125
II - Execução Penal - p. 140
Direito Processual Penal e Direito da Criança e do Adolescente
Prof. Muniz Freire
I - Direito Processual Penal - p. 152
II - Direito da Criança e do Adolescente - p. 165
05
34
51
86
125
152
5
DIREITO CONSTITUCIONAL E DIREITOS HUMANOS
RESPONSÁVEL: FILIPPE AUGUSTO
I - DIREITOS HUMANOS
1 - Fale sobre universalismo e relativismo nos direitos humanos. Qual sua opinião sobre o 
multiculturalismo? O que é hermenêutica diatópica e por que ela recebe esse nome?
 O debate entre universalismo e relativismo centra-se, em especial, na crítica elaborada 
pelos adeptos da última corrente às pretensões políticas e econômicas daqueles países (em 
sua maioria, ocidentais e capitalistas) na promoção e “enforcement” de um conjunto de nor-
mas internacionais, cogentes ou mesmo soft law, que, em última instância, teriam identi cação 
APENAS com suas experiências históricas e sociais particulares de países ocidentais e desen-
volvidos. Para os relativistas, é necessária a crítica aos postulados universalistas de apriorismo 
e “a-historicidade” dos direitos humanos, fazendo-se mister o reconhecimento e valorização de 
comunidades locais e tradicionais, em especial, nos países do Eixo Sul e orientais enquanto fon-
tes de costumes e normas socioculturais, em termos gradativos, equivalentes às comunidades 
centrais e “desenvolvidas”. 
 Com relação à segunda pergunta, deve-se a rmar que o multiculturalismo, cujo princi-
pal teórico é o autor português Boaventura de Souza Santos, é uma proposta de superação do 
debate universalismo x relativismo, a rmando o multiculturalismo como uma ferramenta de 
“globalização contra hegemônica”. Nas palavras de Santos, “o multiculturalismo (...) é pré-con-
dição de uma relação equilibrada e mutuamente potenciadora entre a competência global e 
a legitimidade local, que constituem os dois atributos de urna política contra-hegemónica de 
direitos humanos no nosso tempo”. Com efeito, o multiculturalismo é uma forma de diálogo 
intercultural (entre as diversas culturas) sobre a dignidade humana que pode levar, eventual-
mente, a uma concepção mestiça de direitos humanos, uma concepção que, em vez de recorrer 
a falsos universalismos, organiza-se como um diálogo entre as diversas concepções (ocidental e 
oriental; norte e sul etc.) de direitos humanos”.
 O conceito de hermenêutica diatópica (dia, remetendo a dualidade e diálogo, + topos, 
ponto de partida de uma discussão; lugar-comum, na retórica aristotélica) é trazido também 
por Boaventura de Sousa Santos. Diz respeito ao esforço intercultural na busca por uma com-
preensão, por um entendimento ou uma interpretação dialógica da noção de dignidade huma-
na. Nesse processo, é importante que as concepções de determinada cultura não sejam toma-
das por topos exclusivo, mas sim que cada cultura dê suporte à outra nesse “diferente processo 
de criação de conhecimento”. Daí que para Boaventura, a hermenêutica diatópica exige uma 
produção de conhecimento coletiva, interativa, intersubjetiva e reticular”. A hermenêutica dia-
tópica é a hermenêutica adequada a uma concepção multicultural de direitos humanos.
6
2 – A Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica) veda a 
pena de morte? Que espécies de vedações são criadas pelo pacto a tal espécie de pena?
 O tema é tratado no art. 4º do citado diploma normativo internacional. O Pacto, ORIGI-
NALMENTE, NÃO cria vedação expressa à pena de morte, vedando contudo (caput) a privação 
arbitrária da vida. 
 Além disso, o Pacto estabelece que tal pena só poderá ser aplicada aos delitos mais gra-
ves, respeitados os princípios do devido processo legal, da reserva legal da cominação prévia 
da sanção e da irretroatividade, vedada ainda sua aplicação como sanção em face de crimes 
políticos. Muito importante é ressaltar que os países que a tiverem abolido não a poderão res-
tabelecer. Assegura, ainda, a todo aquele condenado à pena de morte o direito aos pedidos de 
indulto, comutação da pena ou anistia, vedando a execução enquanto pendentes tais pedidos. 
Por m, o Pacto ainda estabelece a impossibilidade de execução da pena em face de menor de 
dezoito anos, maior de sessenta e mulher grávida. 
 ATENTE, CONTUDO, que há um Protocolo à Convenção Americana sobre Direitos Huma-
nos referente à Abolição da Pena de Morte. Trata-se de Protocolo Adicional vigente desde 28 
de agosto de 1991. A partir da assinatura e rati cação desse instrumento a pena de morte é 
vedada; contudo, mesmo esse protocolo permite a aposição de reserva para casos de crimes 
sumamente graves, de caráter militar, em tempo de guerra. 
3 - O crime de desacato à autoridade é convencional? Justi que sua resposta.
 O crime de desacato, no ordenamento jurídico brasileiro, é previsto no art. 331 do Código 
Penal. Com a rati cação do Pacto San José da Costa Rica, bem como em virtude de julgamen-
tos da CorteIDH a rmando pela inconvencionalidade de tipos penais semelhantes em ordena-
mentos jurídicos estrangeiros, iniciou-se o questionamento da validade do crime de desacato 
ã autoridade face às disposições da Convenção. Em dezembro do ano passado, a Quinta Turma 
do Superior Tribunal de Justiça proferiu acórdão RATIFICANDO o posicionamento da Corte Inte-
ramericana na descriminalização da condutaHá doutrina, ainda que minoritária, que sustente a possibilidade de, com base no princípio da 
proporcionalidade, que seja admitida prova ilícita em juízo, a partir da análise do caso concreto, 
e em situações excepcionais, nas quais se a gure possível a prevalência da impunidade em vir-
tude de uma tecnicidade processual. 
 OPINIÃO: Concorda-se com a doutrina majoritária; a ilicitude da prova, distintamente de 
sua nulidade processual se refere à violação de direitos e garantias individuais. Trata-se de viola-
ção ao direito material portanto, e não ao direito processual penal, simplesmente. É surreal ima-
ginar que provas obtidas sob tortura, apreendidas sem mandado judicial a partir de violação 
do domicílio, interceptações telefônicas, etc. (note-se, todas provas ilícitas) sejam convalidáveis 
com base na aplicação do princípio da boa-fé.
24 – O que é o estado de Coisas Inconstitucional? Quais os requisitos para sua caracteriza-
ção?
 O Estado de coisas inconstitucional caracteriza espécie de litígio estrutural marcado por 
uma conjuntura de violação massiva e sistemática de direitos fundamentais. Tem os seguintes 
pressupostos: situação de violação generalizada de direitos fundamentais; inércia ou incapa-
cidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modi car a situação; a superação 
das transgressões exigir a atuação não apenas de um órgão, e sim de uma pluralidade de au-
toridades. No Brasil, o caso paradigma veri cou-se na ADPF 347, ajuizada pelo PSOL em crítica 
à situação de descalabro no sistema carcerário brasileiro. O STF declarou o Estado de coisas 
inconstitucional, passando a adotar medidas concretas para a tutela da situação. 
25 – Em recente debate legislativo, decorrente das chamadas “10 medidas contra a corrup-
ção”, promovidas inicialmente pelo Ministério Público Federal, tentou-se permitir a utiliza-
ção de provas ilícitas “desde que colhidas de boa-fé”, bem como tentou-se restringir a utiliza-
ção do Habeas Corpus como sucedâneo recursal, fale sobre essas tentativas, realizando uma 
abordagem constitucional. Imagine que você está falando sobre isso em uma palestra para 
estudantes universitários.
31
 Em momentos de grave comoção e insegurança políticas, medidas como as propostas 
pelo Ministério Público Federal e seus apoiadores tendem a ser sedutoras, não pela sua viabili-
dade ou e cácia, mas por corresponderem a um sentimento difuso de impotência e injustiça. 
Neste jaez, é importante compreender que restrições à admissibilidade(!) do habeas corpus, e-
xibilizações à utilização de provas ilícitas... tratam-se de assuntos sérios e que repercutem no 
âmbito de restrição às garantias do devido processo legal. Esse, por sua vez, é axioma do siste-
ma de direitos e garantias fundamentais elencados ao longo da constituição federal e elevados 
ao status de cláusulas pétreas, na inteligência do art. 60, par. 4º, inciso IV. 
26 – Imagine que você foi convidado(a) para ministrar uma palestra no Curso de Formação 
de Agentes Penitenciários do Estado da Bahia sobre o tema “a importância dos direitos hu-
manos no ambiente carcerário: teoria versus realidade”. Nesse cenário, o que você falaria?
 SUGESTÃO DE ABORDAGEM: O candidato deverá se mostrar sensível aos fatores socio-
culturais e históricos que ajudam a compreender a atual situação de descalabro do sistema 
penitenciário brasileiro. É importante, notadamente, a abordagem jurídica do assunto, tratando 
das principais questões judiciais que derivam da materialidade, de um estado perene de violação a 
garantias e direitos fundamentais (ex.: recentes posicionamentos acerca da responsabilização do 
Estado por morte de detento, ainda que suicídio; estado de coisas inconstitucional). A menção 
ao sistema interamericano de proteção aos direitos humanos, e as virtuais condenações inter-
nacionais que o Brasil sofreria também são dignas de nota. No entanto, também é necessária 
a abordagem sociológica, humana, dos encarcerados e dos carcereiros. De um lado, indivíduos 
marginalizados oprimidos por ‘instituições totais’, na acepção foucaultiana; do outro, indivíduos 
também extremamente vulneráveis psíquica e sicamente, igualmente oprimidos pelas cadeias 
hierárquicas e pela ideologia do medo e da violência. Ambos os grupos introjetam as opressões 
e as reproduzem em símbolos, na linguagem e em seus atos. Não há libertação exclusiva do 
oprimido, na medida em que o opressor também se liberta (Paulo Freire). O descaso, o abando-
no do poder público é compensado pela natureza gregária dos homens e mulheres submetidos 
ao sistema, que se congregam em gangues, facções e milícias. Nesse cenário, a opinião pública 
e alguns agentes do Estado tendem a reproduzir um discurso arisco aos direitos humanos (ge-
ralmente personi cados: “aí vem os direitos humanos e diz...”, “mas eu queria era ver os direitos 
humanos defenderem o policial honesto, trabalhador...”), associando-os à leniência e à impuni-
dade. Faz-se mister, no entanto, sublinhar que foi uma cultura política, administrativa e social 
historicamente marcada pelo desprezo aos direitos humanos (perseguições e torturas na dita-
dura militar, massacres em centros penitenciários – ex. Carandiru) a principal responsável pelo 
abismo que há, atualmente, entre o ideal e o real no sistema carcerário nacional. 
27 – Caso um imóvel de um Partido Político esteja alugado para uma grande empresa va-
rejista para ajudar a fazer caixa para a agremiação partidária, deverá haver a cobrança de 
IPTU?
 O caso trata da aplicação da Súmula vinculante 52-STF: “Ainda quando alugado a tercei-
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ros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo 
art. 150, VI, c, da CF, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais 
tais entidades foram constituídas.”
 No caso da questão, se o partido aluga um imóvel seu a terceiro, esse bem continua sen-
do imune, mas desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais 
entidades foram constituídas. 
28 – Quais as três leis orçamentárias básicas? É possível o controle de constitucionalidade 
de leis orçamentárias? O Executivo pode promover cortes na proposta de lei orçamentária 
enviada pela Defensoria Pública? E O legislativo poderia?
 São elas a lei do plano plurianual, a lei de diretrizes orçamentárias e a lei anual do orça-
mento. Todas são de iniciativa do poder Executivo. 
 Quanto à possibilidade de controle de constitucionalidade de leis orçamentárias: até o 
início dos anos 2000, entendia o STF que as leis orçamentárias, por serem leis formais de conteú-
do concreto, não se submeteriam ao controle de constitucionalidade. Entretanto, a jurisprudên-
cia hodierna entende a questão de forma diametralmente oposta. O que se tem hoje é que a 
densidade normativa do instrumento impugnado só relevante tratando-se de atos normativos 
infralegais. Sendo lei em sentido formal (passando por todas as fases do processo legislativo), a 
lei é passível de controle de constitucionalidade. Precedentes da jurisprudência do STF tratam, 
por exemplo, da previsão da desvinculação de receitas obtidas de Contribuição de Intervenção 
no Domínio Econômico em lei orçamentária (ADI 2925/2003), medidas provisórias de abertura 
de créditos extraordinários (ADI 4049/2008) dentre outros. 
 Quanto à possibilidade de cortes em proposta de lei orçamentaria enviada pela Defen-
soria Pública, entende-se que, após a EC 80/2014, a regra é que o poder Executivo NÃO pode 
promover cortes na proposta (ex. enviando projeto de lei orçamentária anual ao Congresso sem 
os recursos previstos pela instituição), haja vista a autonomia nanceira. 
 Situação similar ocorreu no ano de 2013 com o Ministério Público da União. No MS 31618, 
julgado pelo Supremo Tribunal Federal, consignou-se que o Executivo deveria acolher a propos-
ta do Ministério Público e submetê-la, sem alterações, à apreciação do legislativo. A exceção 
ocorre quando a proposta viola as regras estabelecidas na lei de diretrizesorçamentárias. Nesse 
caso, o Executivo adequa a proposta (isto é, realiza as modi cações tão somente necessárias 
para conformar a proposta às diretrizes legalmente estabelecidas). Caso semelhante também 
ocorreu em 2015, dessa vez realmente com a Defensoria Pública (da União), que impetrou o MS 
33193 perante o STF. Na decisão obtida em caráter liminar, rati cou-se o entendimento acima 
expresso, bem como se entendeu pela possibilidade de cortes pelo Legislativo. 
29 – É possível a restrição de direitos fundamentais? Quais as teorias que tratam sobre o as-
sunto? Quais as diferenças entre elas? O que é a teoria dos limites dos limites?
33
 SIM, a controvérsia reside, no entanto, no debate teórico de como se dá a restrição aos di-
reitos fundamentais. Duas teorias, de um modo geral, tratam do tema. Pela teoria interna (Innen-
theorie), não há distinção entre restrição, direito fundamental ou ‘direito fundamental restringi-
do’. Na realidade, o direito fundamental (assim como qualquer direito, na compreensão de Otto 
Von Gierke) já contém em si próprio uma limitação imanente. Pela teoria externa (Aussentheorie), 
os direitos fundamentais seriam amplos prima facie, comportando restrição na medida em que 
seu âmbito de incidência colida com o de outro direito fundamental. Dessa relação dialética 
nasce o direito restringido, a partir da ponderação. A teoria do limite dos limites (Schranken 
Schranken) é original da dogmática e da jurisprudência da jurisdição constitucional alemã. Ad-
mitida a possibilidade de restrição aos direitos fundamentais (em virtude da presunção de um 
conteúdo essencial dos direitos fundamentais; este sim, intangível e inviolável), resta cuidar para 
que haja limites à própria limitação dos direitos fundamentais. Caso contrário, restrições arbitrá-
rias e abusivas fariam desses direitos letra morta.
30 – Em que casos a Constituição Federal autoriza a intervenção direta do Estado no domínio 
econômico? E a intervenção no domínio privado? Cite dois exemplos desta hipótese.
 A Constituição autoriza a intervenção direta no domínio econômico (exploração de ativi-
dade econômica) em casos estrategicamente relevantes para a soberania e segurança nacional 
(ex.: exploração de minérios de urânio, componente utilizado em usinas nucleares e na fabrica-
ção de armas atômicas), ou em casos de “interesse coletivo”, entendido esse último como aquele 
que se sobrepõe aos interesses particulares, com o m de garantir a sobrevivência da própria 
liberdade individual e da sociedade (Leonardo Vizeu Figueiredo). Exemplo deste último: explo-
ração de atividade econômica nanceira mediante empresa pública ou sociedade de economia 
mista, de criação autorizada por lei, submetidas ao regime concorrencial. Em relação à intervenção 
no domínio privado, a Constituição autoriza, a título de exemplo, a desapropriação mediante 
pagamento prévio de indenização em pecúnia, e a expropriação de imóveis destinados ao cultivo 
de psicotrópicos ou utilizados na exploração de trabalho análogo ao escravo.
34
DIREITO CONSTITUCIONAL E DIREITOS HUMANOS
RESPONSÁVEL: FRANKLIN DEYVES
I - DIREITO CONSTITUCIONAL
1 – O que é Transconstitucionalismo?
 Transconstitucionalismo é o fenômeno pelo qual diversas ordens jurídicas de um mes-
mo Estado, ou de Estados diferentes, se entrelaçam para resolver problemas constitucionais. 
Segundo Uadi Bulos, seria um constitucionalismo de níveis múltiplos ou um constitucionalismo 
multiplex. Pode ser dividido em dois tipos: stricto sensu, em que a comunicação opera entre 
ordens jurídicas de Estados diferentes, ou lato sensu, em que ocorre entre duas ordens jurídicas 
de um mesmo ordenamento (como por exemplo, entre Constituição do Ceará e a Constituição 
do Distrito Federal). No STF, tal teoria já foi usada no caso do terrorismo e sua descaracterização 
de crime político, na Extradição 853.
2 – O que é o Decreto Autônomo? Ele é possível no Brasil?
 O Art. 84, VI da CF/88 trata do Decreto Autônomo, criado no Brasil pela EC 32. O decreto 
autônomo é uma espécie legislativa atípica em que o chefe do Executivo inova no ordenamen-
to jurídico, expedindo decreto sobre matéria não disciplinada em lei. Contrapõe-se assim ao 
Decreto Regulamentar, que disciplina lei já existente. Dessarte, trata-se de medida com rol ta-
xativo previsto na CF/88. Desse modo, leia com MUITA atenção este artigo. Cabe ressaltar que 
existem doutrinadores, tal como Celso Antônio Bandeira de Mello, que advogam no sentido da 
inconstitucionalidade dos decretos autônomos, por enxergar neles uma ofensa ao princípio da 
separação de poderes.
3 – O que é a inconstitucionalidade circunstancial?
 Inconstitucionalidade circunstancial é a declaração de inconstitucionalidade de uma nor-
ma produzida com relação à incidência em um caso especí co. É possível, assim, que se vislum-
brem situações nas quais um enunciado normativo, válido em tese e na maior parte das suas 
incidências, ao ser confrontado com determinadas situações concretas, produza uma norma 
inconstitucional. Um exemplo seria a vedação de liminares contra a Fazenda Pública previstas 
na lei 9.494/97, no caso em que o pedido fosse relativo à concessão de tutela antecipada para 
que o Estado custeasse cirurgia de vida ou morte.
4 – Entidades de classe cuja representação abrange parcela da categoria funcional pode 
ajuizar ação direta de inconstitucionalidade (ADI) perante o Supremo Tribunal Federal (STF)? 
Justi que.
35
 Entidades de classe cuja representação abrange, tão somente, parcela da categoria fun-
cional não têm legitimidade ativa para ajuizar ação direta de inconstitucionalidade (ADI) peran-
te o Supremo Tribunal Federal (STF). O entendimento é do ministro Celso de Mello, que deter-
minou o arquivamento, sem análise de pedido de liminar, da ADI 5320, ajuizada pela Associação 
Brasileira de Criminalística contra alterações em lei do Estado do Paraná que permitiu a equipa-
ração dos policiais papiloscopistas aos peritos criminais.
 O ministro observou que “o Supremo Tribunal Federal, em sucessivos pronunciamentos 
a propósito da legitimação ativa para o processo de controle abstrato de constitucionalidade, 
tem advertido que não se quali ca como entidade de classe, para efeito de ajuizamento da ação 
direta, aquela associação que congregue agentes públicos que constituam – como os peritos 
o ciais de natureza criminal – mera fração de uma determinada categoria funcional”. Segundo o 
decano da Corte, “não se questiona o caráter nacional da entidade de classe autora da presente 
ação direta, eis que ela, comprovadamente, possui representação em mais de nove estados da 
Federação”. O caráter nacional de uma entidade de classe é um dos requisitos exigidos pelo ar-
tigo 103, inciso IX, da Constituição Federal para legitimar aqueles que podem propor ações de 
controle abstrato de constitucionalidade no STF.
 Em sua decisão, o ministro Celso de Mello citou precedentes do Tribunal no sentido de 
não conhecer de ações ajuizadas por frações de entidades de classe, como auditores scais do 
Tesouro Nacional, Associação dos Juízes de Paz Brasileiros e Associação do Ministério Público 
junto aos Tribunais de Contas dos estados, Distrito Federal e municípios. Em todos os casos, a 
Corte entendeu que tais associações não são uma categoria pro ssional autônoma, mas apenas 
representam parte de uma mais abrangente.
5 – É possível a aplicação dos direitos fundamentais nas relações privadas? Fale sobre o tema.
 Há grande discussão, na doutrina e na jurisprudência, sobre a aplicação dos direitos fun-
damentais nas relações privadas, ou seja, nas relações entre particulares. Isso se deve ao fato 
de os direitos fundamentais terem surgido, inicialmente, para o controle das relações entre in-
divíduo e o Estado (dimensão vertical dos direitos fundamentais). No entanto, desde a década 
de 1950, principalmente na Alemanha, discute-se a possibilidade de aplicação dos direitos fun-
damentais entre particulares (dimensão horizontal dos direitos fundamentais).A discussão se 
deve a uma possível supressão da autonomia da vontade entre particulares, em razão da apli-
cação de tais direitos entre indivíduos igualmente livres. Assim, surgiram várias correntes para 
tratar do tema. As duas de maior destaque são as da aplicação indireta e da aplicação direta. No 
Brasil, o STF, apesar das críticas, vem aplicando a teoria da aplicação direta, ou seja, os direitos 
fundamentais poderiam ser aplicados diretamente entre particulares.
6 – O que é o fenômeno da erosão da consciência constitucional?
 O fenômeno da erosão da consciência constitucional, concebido inicialmente por Karl 
36
Lowenstein, consiste no enfraquecimento da função das normas constitucionais, isto é, ocorre 
quando a Lei Fundamental de um país sofre abalos em sua força normativa e na sua capaci-
dade de transformação social. Tal efeito pode decorrer de afastamentos casuísticos da norma 
constitucional pelo julgador, de repetidas emendas constitucionais que venham a desnaturar a 
essência da Constituição e sua natureza rígida, bem como da perpetuação de omissões pelo le-
gislador infraconstitucional, ao não regulamentar e dar operabilidade a normas constitucionais 
de e cácia limitada veiculadoras de direitos e garantias fundamentais. Em um exemplo prático, 
o mandado de injunção é um remédio apto a combater esse fenômeno malé co, em uma de 
suas causas, já que se destina a viabilizar o exercício de direitos e garantias fundamentais con-
sagrados pelo Poder Constituinte Originário, mas inaplicáveis, por serem “letra morta”, em razão 
da ausência de regulamentação por parte do legislador.
7 – Quais são os elementos da Constituição?
 Segundo José Afonso da Silva, existem 5 elementos da Constituição: orgânicos, limita-
tivos, socioideológicos, de estabilização constitucional e formais de aplicabilidade. Os orgâni-
cos são aqueles relativos à estrutura do Estado e do Poder. Os limitativos são os que elencam 
os direitos e garantias individuais. Os socioideológicos são aqueles relacionados ao caráter de 
compromisso das Constituições modernas, como, por exemplo, o capítulo da CF/88 sobre or-
dem social e sobre direitos sociais. Os de estabilização constitucional são aqueles destinados 
a solucionar os con itos de índole constitucional, como os artigos sobre intervenção federal, 
estado de sítio e estado de defesa. Por último, os elementos formais de aplicabilidade são aque-
les destinados a regulamentar a aplicação das normas constitucionais, como o preâmbulo e as 
normas do ADCT.
8 – No que consiste o vício de decoro parlamentar?
 Segundo entendimento de Pedro Lenza, o vício de decoro parlamentar é uma das es-
pécies de vício de inconstitucionalidade, ao lado da formal e da material. Consubstancia-se 
quando, na votação de determinada matéria, ocorre a situação descrita no art. 55, parágrafo 
primeiro, da CF/88. Assim, por exemplo, quando se comprova que no processo legislativo de 
uma emenda constitucional ocorreu a compra de votos (mensalão), deveria tal lei ser tida por 
inconstitucional pelo vício no decoro. Foram ajuizadas ADIs, pendentes, hoje, de julgamento no 
STF, alegando a inconstitucionalidade da Reforma da Previdência, ocorrida com a EC 43, justa-
mente por esse tipo de vício. Até o momento, o STF não decidiu sobre o assunto.
9 – O que são Constituições Inorgânicas?
 As constituições que reúnem seu texto em um só documento jurídico são chamadas co-
di cadas ou ainda constituições orgânicas. Por outro lado, são chamadas de legais, variadas ou 
inorgânicas aquelas cujos preceitos estão espalhados por vários textos legais de caráter consti-
tucional (leis constitucionais).
37
10 – O que é Constitucionalização Simbólica?
 A Constituição Simbólica é um conceito desenvolvido por Marcelo Neves, sob uma pers-
pectiva sociológica e sistêmica, para de nir a ausência de concretização normativa do texto 
constitucional, ou seja, a ine cácia ou não realização das normas constitucionais, mas, em que 
pese a ausência de normatividade real, a Constituição acaba servindo como um símbolo social, 
ou em outras palavras, a Constituição não consegue ser efetivamente uma norma reguladora 
da sociedade, mas como um símbolo, como ente quase mítico de fé, presta-se a gerar crenças 
sociais, realizando assim um papel muito mais de camu agem a valores políticos concretos, 
servindo àqueles que possuem o poder real. Desse modo, nota-se que há uma dupla perspec-
tiva negativa no constitucionalismo simbólico, pois, além de não regular as condutas, traveste 
o poder real em poder legítimo (sem necessariamente o ser), fazendo com que os valores reais 
buscados pela sociedade, como democracia e paz, por exemplo, acabem caindo em total des-
crédito!
11 – Quais as espécies de inconstitucionalidade material?
 Segundo Uadi Lammego Bulos, existem dois tipos inconstitucionalidade material: por 
incompatibilidade entre o conteúdo da norma e o da Constituição e por excesso do ato de legis-
lar. Quanto ao primeiro, bem comum no Brasil, em que se legisla contra constitutionem, pode-
mos citar o exemplo da CPMF, que era cumulativa, enquanto a própria Carta Magna determina 
que nos casos dos tributos residuais têm que ser não-cumulativos. No segundo caso, estamos 
diante de uma inconstitucionalidade nalística ou teleológica, também chamada de inconsti-
tucionalidade por desvio de poder. Constata-se a contradição entre o m do ato normativo e o 
m do bem constitucionalmente protegido. Exemplo: ao editar uma lei ordinária, o legislador, 
valendo-se sua competência legal, persegue nalidade contrária àquela prevista na Constitui-
ção, somente para prejudicar ou bene ciar setores ou segmentos da sociedade.
12 – O que é teoria do pré-comprometimento?
 Na mitologia grega, na Odisséia, Ulisses, durante seu regresso a Ítaca, saberia que ia pas-
sar por todo tipo de provação e tentação. Para não ser levado por essas tentações, pediu para 
ser acorrentado no barco, principalmente em razão do canto das sereias, que, por seu efeito 
encantador, desviava os homens de seus objetivos e os conduzia a caminhos tortuosos. Ulisses 
saberia que não resistiria e, por isso, criou uma auto restrição para não sucumbir depois. Existe 
uma grande relação entre essa história e a existência de cláusulas pétreas na CF/88. Jon Elster, 
fazendo essa ligação, justi ca a existência de cláusulas pétreas através da teoria do pré-com-
prometimento. Aduz que as Constituições democráticas são mecanismos de auto vinculação 
adotados pela soberania popular para se proteger de suas paixões e fraquezas, razão pela qual 
os temas mais sensíveis que precisavam ser petri cados.
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13 – O Brasil permite que sua Constituição passe pelo processo da dupla revisão?
 Teoria da dupla revisão, defendida por Jorge Miranda, apregoa que, em um primeiro mo-
mento, pode-se revogar uma cláusula pétrea para, em seguida, modi car-se aquilo que a cláu-
sula pétrea protegia. No Brasil, a doutrina majoritária adotada em concursos é no sentido da ve-
dação da dupla revisão, na medida em que existem limitações implícitas ao poder constituinte 
reformador, decorrentes do próprio sistema. Até porque, caso fosse admitida, seria uma afronta 
ao próprio Poder Constituinte Originário.
14 – No âmbito do controle jurisdicional das Políticas Públicas, o que é a reserva de consis-
tência?
 A reserva de consistência, segundo Nagibe de Melo Jorge, signi ca que a intervenção 
da jurisdição constitucional depende da reunião de argumentos e elementos su cientes para 
demonstrar o acerto do resultado que se pretende alcançar. Assim sendo, para que seja possível 
a intervenção jurisdicional sobre dada política pública, exige-se, p. ex., que o juiz apresente ar-
gumentos substanciais de que determinada política pública é incompatível com a Constituição. 
A reserva de consistência é assim mais um elemento de controle da intervenção do Judiciário 
sobre as políticas públicas!
15 – Quais as exceções à Cláusula de Reserva de Plenário?
 A cláusula de reserva de plenário, ou regra do fullof bench, está prevista no art. 97 da 
CF: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão 
especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Pú-
blico. Ocorre que tal regra possui diversas exceções. Muitas delas nem deveriam ser chamadas 
de exceções, uma vez que nem se enquadram na regra geral.
 Dentre tais exceções, podemos citar: 
1) Turmas do STF no julgamento de RE: de acordo com as normas regimentais pertinen-
tes ao STF é das Turmas a competência para julgar RE. Não se aplica a cláusula de reser-
va de plenário nesse caso, seja por não se tratar de um Tribunal no sentido xo do art. 
97, seja por ser função precípua da Corte a declaração de inconstitucionalidade. Nesse 
sentido, a jurisprudência pací ca do STF: “O STF exerce, por excelência, o controle difuso 
de constitucionalidade quando do julgamento do recurso extraordinário, tendo os seus 
colegiados fracionários competência regimental para fazê-lo sem ofensa ao art. 97 da CF” 
(RE 361.829-ED, Rel. Min. Ellen Gracie, j. 02.03.2010, 2.ª Turma, DJE de 19.03.2010); 
2) Juízo monocrático de primeira instância: Ora, aqui por óbvio não se aplica a cláusula 
de reserva de plenário, já que não se pode cogitar na sua caracterização como sendo 
Tribunal;
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3) Interpretação conforme a Constituição: O STF já entendeu, no julgamento do RE 
460.971, de rel. do min Sepúlveda Pertence, que nesse caso não seria aplicável a reserva 
de plenário, porque a
inconstitucionalidade estaria na interpretação incompatível com o teto constitucional, 
e não na lei ou no ato normativo passíveis de serem interpretadas em harmonia com a 
Constituição;
4) Turmas Recursais dos Juizados Especiais: embora considerados órgãos recursais, aqui 
também não se pode exigir a reserva de plenário pelo fato de não serem consideradas 
Tribunais; 
5) Quando o Tribunal (órgão especial ou pleno) ou o pleno do STF já tiverem se pronun-
ciado anteriormente;
6) Quando for decidida pela constitucionalidade da lei;
7) Normas pré-constitucionais: aqui não se trata de juízo de inconstitucionalidade, mas 
de mera não-recepção;
8) Medida cautelar.
16 – Os entes federados podem apresentar, na prática, diferentes níveis materiais de satisfa-
ção dos direitos fundamentais formalmente reconhecidos?
 Segundo Gilmar Mendes, direitos a prestação notabilizam-se por uma decisiva dimensão 
econômica. São satisfeitos segundo as conjunturas econômicas, de acordo com a disponibili-
dade do momento, na forma prevista pelo legislador infraconstitucional. Diz-se que esses direi-
tos estão submetidos à reserva do possível. São traduzidos em medidas práticas tanto quanto 
permitem a disponibilidade materiais do Estado. Na medida em que a Constituição não oferece 
comando indeclinável para as opções de alocações de recursos, essas decisões devem car a 
cargo de órgão político, legitimado pela representação popular competente para xar as linhas 
mestras da política nanceira e social. Assim, por suas características organizatórias, os entes 
federados podem apresentar, na prática, diferentes níveis materiais de satisfação dos direitos 
fundamentais formalmente reconhecidos.
17 – O que se entende por federalismo tridimensional?
 O federalismo pode ser classi cado, de acordo com as esferas ou centros de competência 
existentes em seu território. O federalismo típico, bidimensional bipartite ou de 2° grau se carac-
teriza pela existência de duas esferas de competência: a esfera central (União) e a esfera regional 
(Estados-membros). É o modelo adotado nos Estados Unidos e em praticamente todas as fede-
rações existentes no mundo. No Brasil, foi adotado até o advento da Constituição de 1988. No 
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federalismo atípico, tridimensional, tripartite ou de 3° grau se constata a existência de três esfe-
ras ou centros de competência: a esfera central (União), a esfera regional (Estados-membros) e a 
esfera local (Municípios). A Constituição brasileira de 1988 adotou um federalismo de 3.° grau.
 Em sentido diverso e minoritário, José Afonso da SILVA sustenta que o Município não 
pode ser considerado entidade integrante da federação brasileira, seja porque não participa da 
vontade nacional por meio de representantes no Congresso, seja porque, nesse caso, ele assu-
miria a natureza de Estado-membro, uma vez que não existe federação de Municípios.. Nesse 
sentido, os Municípios seriam apenas divisões dos Estados, entes meramente administrativos, 
verdadeiras autarquias territoriais.
18 – Poderia ADI estadual ser defendida por Procurador da Assembleia Legislativa?
 Consoante jurisprudência recente do STF, manifestada no julgamento da ADI 119/RO, a 
Constituição Estadual pode determinar que a lei estadual na ADI estadual seja defendida pelo 
Procurador Geral do Estado ou então pelo Procurador da Assembleia Legislativa do Estado. Os 
principais argumentos são que inexiste dever de simetria no caso com a CF/88 (que determina 
a defesa pelo AGU), que inexistem partes na acepção técnica do termo no controle concentrado 
e que tal atuação não se confunde com a atividade privativa dos Procuradores do Estado deter-
minada na CF/88.
19 – Em que hipóteses cabe Recurso Extraordinário de ADI estadual?
 Consoante entendimento reiterado do STF(AgR-RE 353.350) apenas cabe recurso extra-
ordinário de decisão proferida em ADI estadual, quando a norma paradigma do controle de 
constitucionalidade seja norma de reprodução obrigatória da CF/88, não cabendo quando for 
norma de mera repetição. Geralmente, as normas de reprodução obrigatória são relativas à pró-
pria estrutura do Estado. Ocorre que, ao nal, o que é de reprodução obrigatória ou mera repe-
tição é de nido de certo modo casuisticamente pelo STF.
20 - Em que consiste o princípio do atalhamento constitucional?
 A proibição do atalhamento constitucional signi ca que não se deve utilizar do poder 
constituinte reformador para burlar um princípio constitucional. Exemplo julgado pelo Supre-
mo foi o caso da emenda que possibilitou a não obrigatoriedade de vinculação entre candida-
turas em âmbito nacional, estadual e municipal, com desrespeito ao princípio da anualidade 
eleitoral, previsto no art. 16 do texto constitucional. O atalhamento representa a tentativa de 
se obter um m ilícito a partir de um meio lícito. Trata-se, assim, de uma tentativa de impedir a 
produção de efeitos dos princípios constitucionais. O STF referiu-se à tal termo no julgamento 
da ADI 3685, manifestando-se pela inconstitucionalidade do disposto no art 2o da EC 52/2006.
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21 – O que é a tópica? Qual sua importância para a Nova Hermeneutica Constitucional?
 A tópica é um método hermenêutico que possui origens ainda greco-romanas. Na con-
temporaneidade, todavia, a tópica foi resgatada, na segunda metade do séc. XX, por Theodor 
Viehweg, no Livro Tópica e Jurisprudência. A tópica é um método que parte sempre do caso 
concreto para solução do problema jurídico que dele emana, trazendo à lume fontes materiais 
e conceitos base (topoi) para aprimorar o discurso jurídico.
 Como a rma Paulo Bonavides, “’pensar o problema’ constitui o âmago da tópica em suas 
considerações acerca do método”. Por ser um método voltado aos problemas ele se revela um 
meio adequado à legitimação discursiva das decisões judiciais. Dessa maneira, a tópica apre-
senta grande utilidade prática, no atual panorama da Nova Hermenêutica Constitucional (NHC), 
já que colabora na construção de conceitos e atribuição de sentidos às normas constitucionais 
a partir do caso concreto, valendo-se do processo dialético, para além do analítico-dedutivo da 
hermenêutica clássica. 
 Por essa concepção concretista, a tópica contribui para a NHC, principalmente, por evitar 
discussões meramente abstratas e descontextualizadas, inadequadas à interpretação da Cons-
tituição. Mais uma vez, segundo Bonavides, “a Constituição representa pois o campo ideal de 
intervenção ou aplicação do método tópico em virtude de constituir na sociedade dinâmicauma ‘estrutura aberta’ e tomar pelos seus valores pluralistas, um certo teor de indeterminação”. 
Além disso, a tópica é utilizada como pressuposto de outros métodos atuais da NHC que serão 
futuramente aqui analisados.
22 – O que é bloco de Constitucionalidade e quais seus sentidos?
 Consoante Marcelo Novelino, a expressão “bloco de constitucionalidade” possui dois sen-
tidos. Sentido estrito: compreende apenas as normas constitucionais que servem como parâme-
tro para o controle de constitucionalidade. O Min. Celso de Mello utiliza a expressão “bloco de 
constitucionalidade” nesse sentido estrito (ADIn 514/PI; ADIn 595/ES). É a teoria que a doutrina 
aduz que o ordenamento jurídico brasileiro adota. Sentido amplo: abrange não apenas as nor-
mas da Constituição, mas também aquelas vocacionadas a desenvolver a e cácia de preceitos 
constitucionais. Ex.: o direito de greve do servidor público é previsto na CF (art. 37, VII); logo, a lei 
que vier a regulamentar esse direito, mesmo sendo infraconstitucional, também fará parte do 
bloco de constitucionalidade, de acordo com o sentido amplo, pois essa lei será a responsável 
por dar e cácia à norma constitucional que estabelece o direito de greve do servidor público. 
Quando falamos em bloco de constitucionalidade em sentido amplo, podemos abranger, além 
das normas constitucionais, o Pacto de San José da Costa Rica e o preâmbulo da CF/88.
23 – O que é a teoria dos Poderes reservados?
 Segundo Marcelo Novelino, a competência reservada aos Estados para legislar sobre as 
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matérias que não lhes sejam vedadas pela Constituição (CF, art. 25, § 1.°), além de exclusiva, é 
residual (ou remanescente) e subsidiária, cabendo-lhes dispor sobre os aspectos gerais e es-
pecí cos do tema. Na Constituição de 1988, as competências legislativas exclusivas conferidas 
aos Estados-membros continuaram bastante reduzidas, em razão das extensas competências 
atribuídas à União e aos Municípios. A de nição concreta de tais competências exige, em um 
primeiro momento, a identi cação das competências federais e municipais e das vedações im-
postas pela Constituição. Portanto, as competências dos Estados-membros são identi cadas 
por exclusão, abrangendo tudo o que não lhes seja constitucionalmente vedado e que não 
faça parte da competência legislativa federal ou municipal. Utilizada na Constituição de 1946 e 
retomada pela Constituição de 1988, a fórmula das competências reservadas (CF, art. 25, § 1.°) 
signi cava, originariamente, o refúgio das competências não nacionais. Trata-se de uma técnica 
tradicional da federação norte-americana, originada por um processo de agregação de Estados 
independentes que se uniram para formar o Estado federal. Nesta, os Estados abriram mão de 
uma parcela de sua soberania, reservando a si próprios aquilo que consideraram satisfatório à 
sua existência autônoma. Daí a expressão: “poderes reservados”. No entanto, a expressão com-
petências reservadas não é apropriada para a federação brasileira, que surgiu por um processo 
inverso (“federalismo por segregação”), a partir de um movimento centrífugo resultante da des-
centralização de um Estado Unitário. 
24 - O que você entende por Nova Hermenêutica Constitucional?
 A Nova Hermenêutica Constitucional (NHC) é o termo cunhado para se contrapor à Her-
menêutica Jurídica Clássica (HJC). Esta é a hermenêutica típica do século XIX e primeira metade 
do século XX, típica do Direito privado, e baseada nos métodos igualmente clássicos: gramati-
cal, lógico, teleológico, sistemático e histórico. 
 A NHC surge do triunfo do constitucionalismo na segunda metade do século XX, com a 
assunção da Constituição Federal como norma de cúpula e de grande in uência sobre o restan-
te da pirâmide normativa, principalmente, em razão da peculiaridade das normas constitucio-
nais. A NHC surge assim como uma necessidade do constitucionalismo contemporâneo, visto 
que os métodos da HJC são insu cientes para o trabalho com as normas constitucionais. 
 O que caracteriza as normas constitucionais deste novo período constitucional e que 
serve como justi cativa da NHC são: 
a) o forte caráter político das normas constitucionais; 
b) a textura aberta das normas constitucionais; 
c) a divisão das normas em normas-regra e normas-princípio; 
d) a necessidade de ponderação de normas constitucionais; 
e) a necessidade da utilização das técnicas de argumentação para justi car as escolhas 
trágicas
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25 - A ADPF pode desconstituir coisa julgada?
 Uma das particularidades da ADPF é que ela pode atingir decisões judiciais. Nas palavras 
do Min. Gilmar Mendes, quando ocorrerem proliferação de decisões a ponto de gerar confusão 
hermenêutica e incoerência judicial, ela será cabível. Não é cabível em face de uma única deci-
são, como sucedâneo de recurso ou de ação rescisória. Ocorre que, quando interposta em face 
de decisões judiciais, elas não podem atingir a coisa julgada, consoante entendimento do STF, 
manifestado no julgamento monocrático da ADPF 81 MC, pelo Rel. Min. Celso de Mello, por ser 
o meio cabível previsto legalmente para tanto a ação rescisória, que possui prazos especí cos e 
hipóteses também especí cas.
26 – Existe controle de constitucionalidade Concentrado Concreto?
 O controle concreto é o que ocorre diante de um caso concreto, ou seja, há uma lide, 
em que há partes debatendo por algum bem da vida, mas que para isso há a necessidade de, 
PREJUDICIALMENTE, ser analisada a constitucionalidade da lei a ser aplicada ao caso. O controle 
concreto contrapõe-se ao controle abstrato, que seria aquele em que se discute a constitucio-
nalidade da própria lei, ou seja, da lei em tese e não como uma prejudicial à solução de um caso, 
portanto, a análise da constitucionalidade da lei á a questão principal do processo, neste caso, 
NÃO HÁ LIDE, TRATA-SE DE UM PROCESSO OBJETIVO. 
 Já o controle difuso é aquele que pode ser realizado por qualquer juiz ou tribunal (nos Tri-
bunais, deve ser observado a cláusula de reserva de plenário), diferindo-se do controle concen-
trado que é aquele que é realizado pelo órgão de cúpula do Judiciário, no caso do Brasil, pelo 
STF (por meio da ADI, ADC, ADIO, ADPF, etc.). Como, estatisticamente, quase sempre o controle 
difuso ocorre de forma concreta e o controle concentrado ocorre de forma abstrata, gera-se o 
descuido acima citado. 
 Não obstante isso, há exceções, portanto, casos em que o controle é CONCENTRADO e 
CONCRETO, são eles: 
a) ADI interventiva; 
b) ADPF Incidental; 
c) Mandado de Segurança do Parlamentar. 
 Esses casos são exceções, pois são formas de controle concentrado no STF, mas que par-
tem de um caso concreto.
 
27 – Em que consiste o método hermenêutico normativo estruturante?
 O método Normativo Estruturante é um dos métodos da Nova Hermenêutica Constitu-
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cional (NHC), desenvolvido por Friedrich Müller, partindo de um novo conceito de normativida-
de (Teoria Estruturante do Direito), desenvolvido pelo próprio autor alemão, visando a atender 
aos reclamos de uma aplicabilidade metodológica do Direito. 
 A técnica de interpretação de Müller visa a ser extremamente concretizadora. Pode-se 
a rmar que no método estruturante interpretar é aplicar o Direito. Isso decorre, justamente, da 
forma como o autor entende o fenômeno da normatividade, ou seja, da relação entre norma e 
realidade. 
 Para Müller, a norma é algo que não pode ser extraído apenas semanticamente pelo 
interprete do texto normativo, mas que se constrói em um processo dialético entre Direito e 
realidade, podendo ser explicado por meio de três elementos – “âmbito material”, “âmbito nor-
mativo” e “programa normativo” – que, analisados por meio de um sistema preordenado racio-
nalmente, concretizam o Direito. 
 Desse modo, os fatos concretos da vida que a norma pretende regular (“âmbito mate-
rial”), a partir do momento que são captados pelo intérprete, entram em tensão com o preceito 
contido na norma (“programa normativo”), gerando uma modi cação tanto da normacomo 
da realidade (“âmbito normativo”). Por tudo isso, a hermenêutica estruturante de Müller é tida 
muito importante para o Direito Constitucional, pois permite a concretização dos preceitos abs-
tratos previstos no texto da Constituição.
28 - Em que consiste a e cácia diagonal dos direitos fundamentais?
 Muitos alunos conhecem já a e cácia vertical e a e cácia horizontal dos direitos funda-
mentais. A pergunta agora é: o que é a e cácia diagonal e a e cácia vertical com repercussão la-
teral? E isso existe? Existe sim! A e cácia diagonal consiste na aplicação dos direitos fundamen-
tais nas relações entre empregado e empregador. Foi utilizada essa expressão para diferenciar 
da horizontal (aplicável entre particulares) sob o argumento de que a relação entre empregado 
e empregador não é horizontal, eis que há subordinação jurídica entre eles.
 Já a ideia de e cácia vertical com repercussão lateral, segundo Rafael Barretto, é de-
senvolvida pelo professor Marinoni a partir do direito à tutela jurisdicional ante a omissão do 
legislador em viabilizar direitos fundamentais. A tese principia pela a rmação de que a e cácia 
horizontal dos direitos fundamentais deve ser mediada pela lei e, quando o legislador se omite, 
somente resta socorrer-se à jurisdição.
29 – O que é uma “subconstituição”?
 Segundo Bulos, em sua obra de Direito Constitucional, citando o pensamento de Kra-
mer, que aduz que uma constituição só deve trazer aquilo que interessa à sociedade como um 
todo, sem particularizações e detalhamentos inúteis. A praxe de incluir uma gama in ndável 
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de matérias nas constituições (totalitarismo constitucional), a ponto de se falar em constituição 
econômica, constituição social etc., é uma prática injusti cável, pois, em rigor, constituição é so-
mente aquilo que diz respeito à comunidade, à nação e ao sistema político. O resto não se pode 
considerar constituição do Estado, no sentido exato da palavra, porque foi fruto dos interesses 
de certos grupos que, num determinado estágio de evolução política do país, acreditaram que 
o simples ato de consagrar autorizações constitucionais seria o bastante para o cumprimento 
de todas as promessas formuladas. Esse equívoco mereceu de Krüger severas críticas. Explicou 
ele que o excesso de temas constitucionalizados forma as constituições subconstitucionais ou, 
simplesmente, subconstituições, as quais podem ser de nidas como um conjunto de normas 
que, mesmo elevadas formalmente ao patamar constitucional, não o são, pois que limitadas nos 
seus objetivos. Demonstram preocupações momentâneas, interesses esporádicos, próprios do 
tempo em que foram elaboradas. Em geral, as subconstituições não servem para o futuro, pois 
já nascem divorciadas do sentido de estabilidade e perpetuidade que deve encampar o ato de 
feitura dos documentos supremos que pretendem ser duradouros.
30 – O que é teoria dos limites dos limites?
 Conforme Rafael Barreto, em sua obra de Direitos Humanos, de um modo geral, os direi-
tos humanos comportam limitações, restrições, que são feitas com o intuito de harmonizá-los 
com outros direitos ou bens jurídicos protegidos. A teoria dos limites da limitação induz a ideia 
de que a faculdade de limitar direitos é limitada, que não pode ser exercida em desacordo com 
os parâmetros expressos ou implícitos do texto constitucional. Signi ca dizer que a atividade 
estatal de impor limites aos direitos é, ela própria, uma atividade limitada, vinculada aos pa-
râmetros constitucionais. Segundo Gilmar Mendes, o principal regulador de tal limitação é o 
princípio da proporcionalidade, que traduz a ideia de que os atos estatais não podem limitar os 
direitos fundamentais de modo excessivo, desmedido e arbitrário. Possui duas vertentes prin-
cipais: proibição do excesso: dever imputado aos agentes públicos de ao limitarem um direito 
não irem além do estritamente necessário, não se excedendo; vedação à insu ciência: o Poder 
Público não pode atuar de maneira insu ciente na efetivação dos direitos. Cita-se como exem-
plo a punição com uma sanção penal extremamente pequena para um dado bem jurídico que 
merece ser protegido de modo mais importante.
31 – O que é a dimensão objetiva dos direitos fundamentais?
 Tema relativamente novo e, cada vez mais, cobrado em provas. A dimensão objetiva con-
trapõe-se à dimensão subjetiva dos direitos fundamentais. A dimensão subjetiva é a perspec-
tiva clássica em que há um sujeito, titular de direitos, que demanda a do Estado a tutela de seu 
interesse. Logo, nota-se uma relação bilateral de demanda, em que um sujeito exige do outro 
uma contrapartida. 
 A dimensão objetiva, por sua vez, desprende-se desse caráter pessoal/individual. A di-
mensão objetiva cria deveres aprioristicos de proteção dos direitos fundamentais pelo Estado. 
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Há um caráter preventivo. O Estado passa a ter deveres independentemente de um titular que 
esteja demandando a proteção. 
 Essa atuação preventiva desdobra-se, basicamente, em três vertentes (são as E cácias da 
dim. objetiva): 
a) E cácia Irradiante; 
b) E cácia Vinculante; 
c) E cácia Processual. A e cácia irradiante é o dever do Estado de criar normas para a 
defesa dos direitos fundamentais. 
 A e cácia vinculante é o papel dos direitos fundamentais como regras demarcadoras e 
determinantes da atuação do Estado em suas diferentes funções (Executiva, Legislativa e Judi-
cial), pautando a prestação dos serviços públicos. A e cácia processual é a utilização dos direi-
tos fundamentais como canais de debates e decisões políticas da sociedade, ou seja, a possibi-
lidade de os direitos sejam não apenas conteúdo, mas meio possibilitador de debates sociais 
relevantes.
32 - O que é Ética Animal?
 Historicamente, a compreensão da dignidade, no mundo ocidental, foi construída de 
forma antropocêntrica, mormente, embasada no pensamento Kantiano, que xa no ser huma-
no a noção de valor. Pela concepção kantiana, o ser humano é dotado de dignidade, devendo 
sempre ser tratado como m e nunca como meio. Essa concepção humanista, por outro lado, 
possui uma face obscura e pouco explorada de subvalorização dos demais aspectos ambientais. 
A compreensão da realidade focada no pleno atendimento e satisfação dos interesses humanos 
vem sendo a causadora de sérios efeitos colaterais para o meio ambiente, consequentemente, 
para o próprio ser humano. Nesse contexto, principalmente, com a obra de Nussbaum, passa-se 
a sustentar uma necessidade de uma concepção ecocêntrica da realidade e que o ser humano 
seja visto como um ser integrado nesse sistema ecológico. Nesse contexto, fala-se na necessida-
de de se pensar nos maus tratos e danos aos animais não apenas em razão de uma compaixão 
humana, mas em razão de uma dignidade intrínseca aos próprios animais não humanos. A tal 
mudança de perspectiva e defesa do reconhecimento de uma dignidade animal não humana, 
tem-se chamado ÉTICA ANIMAL!
33 - O que são os deveres de proteção dos direitos fundamentais?
 A dimensão objetiva dos direitos fundamentais é a vertente dos direitos fundamentais 
que exige uma ação preventiva do Estado na tutela de tais direitos, independentemente de 
um titular que a demande, ou seja, um vínculo aprioristico do Estado de respeito aos direitos 
fundamentais. Nesse contexto, como uma das faces da E cácia Vinculante da Dimensão Obje-
tiva, desdobram-se os chamados deveres estatais de proteção dos direitos fundamentais, que, 
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segundo a doutrina e jurisprudência alemãs, são um dever especí co que o Estado possui de 
proteção dos direitos fundamentais dos particulares EM FACE DA AÇÃO DE OUTROS PARTICU-
LARES. Nessa toada, percebe-se que o Estado não só deve promover e abster-se de violar direi-
tos fundamentais (medidas sob sua responsabilidade inicial), mas também deve PROTEGER UM 
PARTICULAR DA AÇÃO DE OUTROS PARTICULARES. Isso impõe o dever de de criar leis com esse 
m, criar políticas públicas, exercer scalização etc. A exigência de licenças de instalação e ope-
ração para o início deempreendimentos é um exemplo desse dever de proteção em matéria 
ambiental, mas essa espécie de rami cação da Dimensão Objetiva existe para os mais diversos 
campos dos direitos fundamentais. 
II - DIREITOS HUMANOS
1 - O que é Justiça de Transição? 
 No que consiste a Justiça de Transição? Quando um Estado Totalitário passa a ser um 
Estado de Direito, temos um conjunto de medidas que devem ser adotadas pelo regimes para 
não trazer sentimentos constantes de revanchismo, de modo a trazer segurança jurídica e legi-
timidade ao novo regime estabelecido. Dentre tais medidas, podemos citar: 
a) reforma das instituições; 
b) responsabilização criminal dos que cometeram crimes; 
c) reparação das vítimas; 
d) busca pela verdade; 
e) respeito do direito à memória. 
 Obs.: Hodiernamente, fala-se muito no direito ao esquecimento, que seria o direito de 
as pessoas que eventualmente cometeram ilícitos no passado, mesmo após tanto tempo, não 
terem suas histórias relembradas, despertando estigmas. Argumenta-se que inexistem penas 
perpétuas. Tal direito, no entanto, não tem o condão de impedir a concretização do direito a 
memória - grandes violações de direitos humanos ocorridas no período da ditadura militar são 
de extrema relevância histórica e de inegável interesse público. Assim, não podem ser simples-
mente esquecidas pelo interesse desses particulares.
2 - No âmbito dos Direitos das Pessoas com de ciência qual a diferença entre integração 
social e inclusão?
 Enquanto na integração social a questão ou os problemas derivados da de ciência são 
da pessoa, na inclusão social são da sociedade. Em outras palavras, ao invés de apenas ser ga-
rantida a integração das pessoas com de ciência nos meios e recursos sociais, na inclusão é o 
meio social que deve estar adaptado para todos. A integração social teve o mérito de romper o 
paradigma da segregação e da discriminação da sociedade, mas limitava-se apenas a garantir o 
acesso aos meios sociais à pessoa com de ciência, sem reconhecer que os meios sociais é que 
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tinham que ser concebidos para inclusão de todos. Já o conceito de inclusão social refere-se ao 
reconhecimento de que o direito ao pleno exercício dos direitos básicos, o bem estar pessoal, 
social e econômico são incondicionais - ou seja, não dependem da capacidade do indivíduo - 
pois é o meio social que deve garantir o acesso universal e a provisão de sistemas de suporte 
para todos. No Brasil, o princípio da integração veio tratado na Lei 7853/89. Já o princípio da 
inclusão passou a ser tratado no Decreto 6949/2009 que promulgou a Convenção Internacional 
sobre os Direitos das Pessoas com De ciência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova 
York, em 30 de março de 2007.
3 - O que é o princípio do pro homine no Direito Internacional? 
 A imagem do Homem Vitruviano de Da Vinci nos remete à ideia de que o homem é a 
medida de todas as coisas, o que serve, inclusive, para a ciência jurídica. Justamente por isso, no 
Direito Internacional, e, mais especi camente, o Direito Internacional dos Direitos Humanos há, 
como um de seus princípios reitores, o princípio pro homine, que signi ca que os direitos pre-
vistos nos tratados devem não somente buscar o equilíbrio nas relações entre os Estados, mas, 
principalmente, ter como foco principal a proteção do ser humano. Esse princípio tem algumas 
consequências principais, são elas: Em primeiro lugar, com base em tal princípio, os direitos 
previstos para os indivíduos sempre devem ser ampliados. Assim sendo, diante de normas, de 
con itos de normas ou de con itos de interpretações, deve-se sempre optar pela forma de reso-
lução do con ito que mais amplie direitos ao indivíduo. Por exemplo, no anterior con ito exis-
tente entre a norma da Convenção Americana de Direitos Humanos, que garante o duplo grau 
de jurisdição em matéria penal e o vetusto art. 594 do CPP (posteriormente revogado) que res-
tringia tal direito, dever-se-ia optar pela primeira norma, pois ampliava direitos. Com a mesma 
lógica, diante de normas que restringem direitos humanos, deve-se optar pela interpretação 
que menos restringe direitos. Por exemplo, no Con ito entre a mesma Convenção Americana 
de Direitos Humanos, que permite a prisão civil por dívida apenas em caso de dívida alimentar 
e a Constituição Federal de 1988, que permite prisão civil em caso de dívida alimentar e em caso 
de depositário in el, deve-se optar pela Convenção, pois esta restringe menos direitos. Por m, 
segundo Mazzuoli e Flávio Gomes, tal princípio estimula o diálogo de fontes em matéria de di-
reitos humanos, estimulando uma hermenêutica potencializadora de tais direitos sempre com 
foco na aplicação da norma mais favorável ao ser humano! 
4 - O que é evolução reacionária? 
 (Tema cobrado na DPE-RJ) Evolução reacionária signi ca o mesmo que vedação ao re-
trocesso ou efeito cliquet. Tais conceitos perpassam pela ideia de que não seria possível supri-
mir direitos humanos, uma vez que os direitos já positivados acabam sendo incorporados ao 
patrimônio jurídico da Humanidade, sendo um retrocesso na a rmação da dignidade humana 
o pensamento de que podem ser suprimidos. Muitos doutrinadores utilizam tal princípio para 
arguir a inconstitucionalidade do Novo Código Florestal, notadamente por trazer proteção me-
nor ao meio ambiente. 
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5 - O que é a teoria da margem de apreciação? 
 Nos Direitos Humanos, existe uma grande discussão a respeito da sua aplicabilidade nas 
mais diversas A teoria da margem de apreciação é muito utilizada na interpretação dos direitos 
humanos, em especial pela Corte Europeia dos Direitos Humanos. Referida teoria apregoa que 
alguns temas de direitos humanos não poderiam ser processados nos sistemas internacionais 
por representarem matéria de grande sensibilidade nacional, devendo assim ser analisada no 
âmbito interno pelo Poder Judiciário Local. Isto é, a relação direitos humanos e interesse público 
deve ser preferencialmente analisada pelo próprio estado, dentro da sua margem de apreciação 
(por isso o nome da teoria). Referida teoria, em que pese seja recorrente na Corte Europeia, não 
é acolhida na Corte Interamericana de Direitos Humanos. 
6 - Como foi a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso “A última tenta-
ção de Cristo” versus Estado do Chile? 
 As decisões da CIDH vêm, cada vez mais, ganhando repercussão na doutrina e sendo 
cobradas em provas e concursos. Hoje, vamos tratar do caso Olmedo Bustos e outros (“A última 
tentação de Cristo”) vs. Chile. É um caso paradigmático e muito importante da Corte Interameri-
cana de Direitos Humanos, pois cuida do con ito entre os direitos de “liberdade de pensamento 
e expressão” em con ito com o de “liberdade de consciência e religião”. 
 O caso trata da censura prévia promovida pelo Estado do Chile ao lme “A última tenta-
ção de Cristo”. Trata-se de um lme norte-americano de 1988, de Martin Scorsese, baseado no 
romance homônimo de Níkos Kazantzákis, publicado em 1951. É estrelado por Willem Dafoe 
como Jesus Cristo e Harvey Keitel como Judas Iscariotes, entre outras estrelas. Como no roman-
ce, “o lme retrata a vida de Jesus Cristo e a sua luta contra várias formas de tentação, incluindo 
medo, dúvida, depressão, relutância e luxúria. Isso é retratado no livro e no lme com Cristo ima-
ginando-se envolvido em atividades sexuais, uma ideia que provocou a indignação de alguns 
cristãos. 
 O lme inclui um aviso explicando que se afasta da interpretação bíblica” (fonte: Wikipe-
dia). Pois bem, resta nítida a polêmica instaurada entre os cristãos que se sentiram ofendidos e 
aqueles (cristãos ou não) que defendiam a possibilidade de o lme retratar uma concepção da 
vida de Cristo diversa da bíblica. 
 O caso foi até a CIDH, que a rmou que o direito de liberdade de consciência e de religião 
é um dos fundamentos da ordem democrática e que protege os crentes (acepção lata da pala-
vra) em sua forma de vida, mas que, naquele caso, nada provava que a mera exibição do lme 
“privouou prejudicou o direito de nenhuma pessoa a conservar, mudar, professar ou divulgar 
a sua religião ou suas crenças com absoluta liberdade”, por isso, afastou-se a alegada violação 
da liberdade de crença. Por outro lado, a censura prévia privava as pessoas de receberem infor-
mações de toda natureza, ressalvadas aquelas informações de conteúdo ilegal. Assim sendo, a 
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CIDH considerou a censura incompatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos.
7 - Quais as vertentes da proteção internacional dos Direitos Humanos?
 
 Esse interessante tema já foi alvo da prova oral da DP-DF e tem tudo para cair em outras 
DPs. As três vertentes da proteção internacional da pessoa humana são: 
i) Direito Internacional Humanitário; 
ii) Direito Internacional dos Refugiados; 
iii) Direito Internacional dos Direitos Humanos. 
 Eles tratam sobre: 
1) Direito Internacional Humanitário: é o sub-ramo mais antigo e surgiu no século XIX 
a partir das Convenções de Genebra. Seu objetivo é tratar da situação das pessoas sub-
metidas aos con itos armados internacionais ou não. Principais documentos jurídicos: 
Convenção de Genebra de 1949 e Protocolos Facultativos de 1977; 
2) Direito Internacional dos Refugiados: destina-se à proteção dos direitos das pessoas 
que imigram para fugir de perseguições por motivos de raça, religião, nacionalidade, 
grupo social, opiniões políticas, etc. em seus países natais. Surge no início do século XX 
com a Liga das Nações. Principais documentos jurídicos: Convenção dos Refugiados de 
1951 e seu Protocolo de 1967; 
3) Direito Internacional dos Direitos Humanos: a nalidade é a proteção ampla e geral do 
ser humano em todas as situações e lugares. É o mais abrangente ramo. 
Fonte: Direitos Humanos. MELO, Fabiano. (Excelente livro). Segundo Cançado Trindade, os três 
ramos são complementares e devem ser aplicados de forma dinâmica.
8 – Quais as e cácias da dignidade da pessoa humana?
 De acordo com Ana Paula de Barcellos, existem três e cácias de tal princípio: 
 1) E cácia direta - permite reconhecer um direito subjetivo, invocável pelo seu titular, 
para proteger contra eventuais lesões ou ameaças de lesões por parte de pessoas privadas ou 
do Poder Público; 
 2) E cácia interpretativa - é utilizado para a interpretação do ordenamento, irradiando 
seus efeitos para todas as áreas e in uenciando a atividade do intérprete em sua missão; 
3) E cácia negativa – invocado para invalidar normas ou atos normativos contrários à dignidade 
da pessoa humana.
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DIREITO CIVIL E DIREITO DO CONSUMIDOR
RESPONSÁVEL: LARA TELES
1 - Quais são as características da família enquanto instituto jurídico? O que é família anapa-
rental? O que é família Mosaico? 
 A família é socioafetiva, eudemonista e anaparental. 
 Socioafetiva porque seu conceito não se dá pela lei ou tão somente por vínculos biológi-
cos, mas sim pelo afeto que seus membros nutram um pelo outro. 
 Eudemonista porque, tendo em vista o princípio da função social, a família é ambiente 
para que seus membros realizem seus projetos de vida e busquem a felicidade. 
 Família anaparental é aquela a qual possui como basilar o elemento afetividade, que se 
caracteriza pela inexistência da gura dos pais, ou seja, constitui-se basicamente pela convivên-
cia entre parentes do vínculo da colateralidade ou pessoas – mesmo que não parentes e sem 
conotação sexual - dentro de uma mesma estruturação com identidade de propósitos, que é o 
animus de constituir família.
 Família mosaico ou pluriparental é entendida como aquela decorrente de vários casa-
mentos, uniões estáveis ou mesmo simples relacionamento afetivos de seus membros. Utiliza-
-se o símbolo mosaico, diante de suas várias cores, que representam as várias origens.
2 - Qual a demanda a ser proposta em caso de necessidade de mudança de nome social, em 
virtude da transexualidade? É necessária a comprovação da cirurgia de transgenitalização? 
Em outro caso, suponha que uma assistida, nascida em 1937, buscou a Defensoria Pública 
a rmando que perdera sua certidão de nascimento. Você o ciara o único Cartório de Regis-
tro Civil local, onde a assistida fora registrada e como resposta obteve a informação de que 
todos os livros de nascimento antes de 1950 foram perdidos em razão de um incêndio ocor-
rido no local. O que faria enquanto Defensor(a) Público(a)? 
 A ação a ser proposta para ns de alteração para o nome social é a de reti cação de regis-
tro, sendo desnecessária a comprovação de cirurgia de transgenitalização. Veja-se importante 
julgado do TJ-RS, nesse sentido:
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE REGISTRO CIVIL. TRANS-
GÊNERO. MUDANÇA DE NOME E DE SEXO. POSSIBILIDADE, INDEPEN-
DENTEMENTE DE CIRUGIA DE TRANSGENITALIZAÇÃO. Constatada e 
provada a condição de transgênero da autora, é dispensável a cirurgia 
de transgenitalização para efeitos de alteração de seu nome e designa-
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tivo de gênero no seu registro civil de nascimento. A condição de trans-
gênero, por si só, já evidencia que a pessoa não se enquadra no gêne-
ro de nascimento, sendo de rigor que a sua real condição seja descrita 
em seu registro civil, tal como ela se apresenta socialmente. NEGARAM 
PROVIMENTO, POR MAIORIA. (Apelação Cível Nº 70067669895, Oitava 
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Rui Portanova, Julgado 
em 03/03/2016).
 Em relação ao caso concreto da assistida que perdera a certidão de nascimento, a res-
posta correta seria o ajuizamento de ação de restauração de registro civil. O art. 109 da Lei de 
Registros Públicos prevê a possibilidade de restauração, suprimento ou reti cação de registros 
públicos, senão vejamos: 
“Quem pretender que se restaure, supra ou reti que assentamento no 
Registro Civil, requererá, em petição fundamentada e instruída com do-
cumentos ou com indicação de testemunhas, que o Juiz o ordene, ou-
vido o órgão do Ministério Público e os interessados, no prazo de cinco 
dias, que correrá em cartório”.
3 - Do que se trata a multiparentalidade? Qual a diferença para paternidade alimentar?
 Para se entender sobre multiparentalidade, essencial a leitura da notícia sobre o julgado 
RE 898060 do STF, extraída do site do Tribunal:
Paternidade socioafetiva não exime de responsabilidade o pai biológi-
co, decide STF
Em sessão nesta quarta-feira (21), o Plenário do Supremo Tribunal Fede-
ral (STF) entendeu que a existência de paternidade socioafetiva não exi-
me de responsabilidade o pai biológico. Por maioria de votos, os minis-
tros negaram provimento ao Recurso Extraordinário (RE) 898060, com 
repercussão geral reconhecida, em que um pai biológico recorria contra 
acórdão que estabeleceu sua paternidade, com efeitos patrimoniais, in-
dependentemente do vínculo com o pai socioafetivo.
Relator
O relator do RE 898060, ministro Luiz Fux, considerou que o princípio da 
paternidade responsável impõe que, tanto vínculos de liação construí-
dos pela relação afetiva entre os envolvidos, quanto aqueles originados 
da ascendência biológica, devem ser acolhidos pela legislação. Segun-
do ele, não há impedimento do reconhecimento simultâneo de ambas 
as formas de paternidade – socioafetiva ou biológica –, desde que este 
seja o interesse do lho. Para o ministro, o reconhecimento pelo orde-
namento jurídico de modelos familiares diversos da concepção tradi-
53
cional, não autoriza decidir entre a liação afetiva e a biológica quando 
o melhor interesse do descendente for o reconhecimento jurídico de 
ambos os vínculos.
“Do contrário, estar-se-ia transformando o ser humano em mero instru-
mento de aplicação dos esquadros determinados pelos legisladores. É 
o direito que deve servir à pessoa, não o contrário”, salientou o ministro 
em seu voto (leia a íntegra).
O relator destacou que, no Código Civil de 1916, o conceito de família 
era centrado no instituto do casamento com a “distinção odiosa” entre 
lhos legítimos, legitimados e ilegítimos, com a liação sendo baseada 
na rígida presunção de paternidade do marido. Segundo ele, o para-
digma não era oafeto entre familiares ou a origem biológica, mas ape-
nas a centralidade do casamento. Porém, com a evolução no campo das 
relações de familiares, e a aceitação de novas formas de união, o eixo 
central da disciplina da liação se deslocou do Código Civil para a Cons-
tituição Federal.
“A partir da Carta de 1988, exige-se uma inversão de nalidades no 
campo civilístico: o regramento legal passa a ter de se adequar às pe-
culiaridades e demandas dos variados relacionamentos interpessoais, 
em vez de impor uma moldura estática baseada no casamento entre 
homem e mulher”, argumenta o relator.
No caso concreto, o relator negou provimento ao recurso e propôs a 
xação da seguinte tese de repercussão geral: “A paternidade socioa-
fetiva, declarada ou não em registro público, não impede o reconheci-
mento do vínculo de liação concomitante baseado na origem biológi-
ca, salvo nos casos de aferição judicial do abandono afetivo voluntário 
e inescusável dos lhos em relação aos pais”.
Partes
Da tribuna, a representante do pai biológico sustentou que a prepon-
derância da paternidade socioafetiva sobre a biológica não representa 
fuga de responsabilidade, mas sim impede que a conveniência de um 
indivíduo, seja o lho ou o pai, opte pelo reconhecimento ou não da 
paternidade apenas em razão de possíveis efeitos materiais que seriam 
gerados. Defendeu que fosse mantido apenas vínculo biológico sem re-
conhecimento da paternidade, portanto, sem efeitos patrimoniais, pois 
a própria lha a rmou que não pretendia desfazer os vínculos com o pai 
socioafetivo.
Atuando na ação na qualidade de amicus curiae (amigo da corte), o Ins-
tituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) sustentou que a igual-
dade de liação – a distinção entre lhos legítimos e ilegítimos – deixou 
de existir com a Constituição de 1988. O instituto defende que as pa-
ternidades, socioafetiva e biológica, sejam reconhecidas como jurídi-
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cas em condições de igualdade material, sem hierarquia, em princípio, 
nos casos em que ambas apresentem vínculos socioafetivos relevantes. 
Considera, ainda, que o reconhecimento jurídico da parentalidade so-
cioafetiva, consolidada na convivência familiar duradoura, não pode ser 
impugnada com fundamento exclusivo na origem biológica.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se manifestou no sen-
tido de que não é possível xar em abstrato a prevalência entre a pater-
nidade biológica e a socioafetiva, pois os princípios do melhor interesse 
da criança e da autodeterminação do sujeito reclamam a referência a 
dados concretos acerca de qual vínculo deve prevalecer. No entendi-
mento do procurador-geral, é possível ao lho obter, a qualquer tempo, 
o reconhecimento da paternidade biológica, com todos os consectários 
legais. Considera, ainda, que é possível o reconhecimento jurídico da 
existência de mais de um vínculo parental em relação a um mesmo su-
jeito, pois a Constituição não admite restrições injusti cadas à proteção 
dos diversos modelos familiares. Segundo ele, a análise deve ser reali-
zada em cada caso concreto para veri car se estão presentes elementos 
para a coexistência dos vínculos ou para a prevalência de um deles.
Votos
O ministro Luiz Fux (relator), ao negar provimento ao recurso extraordi-
nário, foi seguido pela maioria dos ministros: Rosa Weber, Ricardo Lewa-
ndowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e a presidente 
da Corte, ministra Cármen Lúcia. De acordo com a ministra Rosa Weber, 
há possibilidade de existência de paternidade socioafetiva e paternida-
de biológica, com a produção de efeitos jurídicos por ambas. Na mesma 
linha, o ministro Ricardo Lewandowski reconheceu ser possível a dupla 
paternidade, isto é, paternidade biológica e afetiva concomitantemen-
te, não sendo necessária a exclusividade de uma delas. 
O ministro Dias To oli salientou o direito ao amor, o qual está relaciona-
do com as obrigações legais do pai biológico para com o lho, a exem-
plo da alimentação, educação e moradia. “Se teve o lho, tem obriga-
ção, ainda que lho tenha sido criado por outra pessoa”, observou. Ao 
acompanhar o relator, o ministro Gilmar Mendes a rmou que a tese sus-
tentada pelo recorrente [pai biológico] apresenta “cinismo manifesto”. 
“A ideia de paternidade responsável precisa ser levada em conta, sob 
pena de estarmos estimulando aquilo que é corrente porque estamos a 
julgar um recurso com repercussão geral reconhecida”, avaliou.
O ministro Marco Aurélio, que também seguiu a maioria dos votos, des-
tacou que o direito de conhecer o pai biológico é um direito natural. 
Para ele, a lha tem direito à alteração no registro de nascimento, com 
as consequências necessárias. Entre outros aspectos, o ministro Celso 
de Mello considerou o direito fundamental da busca da felicidade e a 
55
paternidade responsável, a m de acolher as razões apresentadas no 
voto do relator. Ele observou que o objetivo da República é o de promo-
ver o bem de todos sem qualquer preconceito de origem, raça, sexo, cor, 
idade e quaisquer outras formas de discriminação.
A presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia destacou que “amor não 
se impõe, mas cuidado sim e esse cuidado me parece ser do quadro de 
direitos que são assegurados, especialmente no caso de paternidade e 
maternidade responsável”.
Divergências
O ministro Edson Fachin abriu a divergência e votou pelo parcial pro-
vimento do recurso, ao entender que o vínculo socioafetivo “é o que se 
impõe juridicamente” no caso dos autos, tendo em vista que existe vín-
culo socioafetivo com um pai e vínculo biológico com o genitor. Portan-
to, para ele, há diferença entre o ascendente genético (genitor) e o pai, 
ao ressaltar que a realidade do parentesco não se confunde exclusiva-
mente com a questão biológica. “O vínculo biológico, com efeito, pode 
ser hábil, por si só, a determinar o parentesco jurídico, desde que na 
falta de uma dimensão relacional que a ele se sobreponha, e é o caso, no 
meu modo de ver, que estamos a examinar”, disse, ao destacar a insemi-
nação arti cial heteróloga [doador é terceiro que não o marido da mãe] 
e a adoção como exemplos em que o vínculo biológico não prevalece, 
“não se sobrepondo nem coexistindo com outros critérios”.
Também divergiu do relator o ministro Teori Zavascki. Para ele, a pa-
ternidade biológica não gera necessariamente a relação de paternida-
de do ponto de vista jurídico e com as consequências decorrentes. “No 
caso há uma paternidade socioafetiva que persistiu, persiste e deve ser 
preservada”, a rmou. Ele observou ser difícil estabelecer uma regra ge-
ral e que deveriam ser consideradas situações concretas.
A tese de repercussão geral, que servirá de parâmetro para casos seme-
lhantes em trâmite na justiça em todo o país, deve ser xada pela Corte 
na sessão plenária desta quinta-feira (22).
 A multiparentalidade se distingue da teoria da paternidade alimentar, sustentada por 
Rolf Madaleno, pois esta é uma tese mais restrita, admitindo somente o reconhecimento de 
efeitos para ns alimentares, diferentemente da multiparentalidade, que admite consequências 
hereditárias, registrais e alimentares. 
4 - Quais são os três critérios de de nição de parentalidade? O que fazer quando um as-
sistido busca a Defensoria Pública desejando registrar seu lho de 5 anos, anteriormente 
registrado somente em nome da mãe, a qual anui com tal reconhecimento? É necessário o 
ajuizamento de demanda judicial? 
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 Três critérios para reconhecimento da parentalidade:
 1. Biológico. Direito ao conhecimento à ascendência genética;
 2. Socioafetivo – (nome + trato + fama);
 3. De presunção jurídica (art. 1597 do cc/02- casamento. (aplica-se à união estável). 
 O reconhecimento de liação, segundo o Código Civil, pode ocorrer das seguintes for-
mas:
Art. 1.609. O reconhecimento dos lhos havidos fora do casamento é 
irrevogável e será feito:
I - no registro do nascimento;
II - por escritura pública ou escrito particular, a ser arquivado em cartó-
rio;
III - por testamento, ainda que incidentalmente manifestado;IV - por manifestação direta e expressa perante o juiz, ainda que o reco-
nhecimento não haja sido o objeto único e principal do ato que o con-
tém.
 Assim, há meios de resolução extrajudicial dessa situação, inclusive através de simples 
escritura pública em Cartório. Por ser uma função institucional da Defensoria Pública priorizar 
a solução extrajudicial de con itos, a melhor resposta é a que contempla um encaminhamento 
formal dos assistidos ao Cartório de Registro Civil local para que se proceda ao reconhecimento 
de paternidade, independentemente de pagamento de custas ou emolumentos, por se tratar 
de pessoas hipossu cientes.
5 - O empresário individual é pessoa jurídica? No caso de cobrança de uma dívida de um 
empresário individual, é possível falar em benefício de ordem? Quais os requisitos para ser 
empresário? O incapaz não pode exercer atividade empresarial? 
 Não, o empresário individual não tem personalidade jurídica distinta da pessoa natural, 
não há autonomia patrimonial, já que as obrigações pertencem a uma única pessoa. 
 Apesar de não haver criação de um novo ente e termos apenas uma personalidade jurídi-
ca, há entendimento de que deve ser observada a regra do art.1024, do Código Civil. Logo, deve 
responder primeiramente os bens atrelados à exploração da atividade econômica. 
Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em 
pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos.
 Não há possibilidade de o incapaz iniciar a atividade empresarial, ele apenas pode conti-
nuar, nas hipóteses taxativas do art.974, do Código Civil.
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Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente 
assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, 
por seus pais ou pelo autor de herança.
6 - Discorra sobre as espécies de alimentos levando em consideração a sua classi cação 
quanto à natureza; causa (origem). O que são alimentos compensatórios? É possível a rmar 
que os alimentos são irrenunciáveis? Os alimentos são repetíveis?
 Quanto à natureza
 - Civis ou côngruos: são os voltados à manutenção do padrão de vida do alimentando 
(credor).
 - Naturais ou necessários: são os indispensáveis para garantir a subsistência do alimen-
tando. 
 Quanto à causa (origem):
 - Legítimos (legais): são os que decorrerem de uma relação de direito de família (ex. Ca-
samento, parentesco)
 - Convencionais ou voluntários: são os que decorrem de liberalidade, de ato de vontade 
do alimentante.
 - Reparatórios ou ressarcitórios: são os que decorrem de uma ação de indenização.
 Segundo Rolf Madaleno, a expressão alimentos compensatórios é inspirada no CC Espa-
nhol e no CC Francês; seria um “plus” dos alimentos civis, que visa efetivamente compensar ao 
alimentado o desequilíbrio econômico efetivamente percebido pela ocasião do divórcio. 
 O CC/02 é expresso ao vedar a possibilidade de renúncia aos alimentos (art.1.707). No en-
tanto a doutrina (enunciado 263) e jurisprudência admitem que a irrenunciabilidade só persiste 
enquanto houver o vínculo de direito de família. 
 Como regra os alimentos são irrepetíveis, no entanto, a jurisprudência tem admitido uma 
única hipótese de “repetibilidade”, qual seja, quando decorrer de má-fé do credor. Ex. A mulher 
que recebe alimentos casa de novo e não comunica.
7 - Quais são as características da responsabilidade alimentar dos avós? É possível o pedido 
de alimentos gravídicos avoengos? O nascituro é legitimado para propor a demanda?
 De acordo com jurisprudência consolidada no STJ, a obrigação dos avós em prestar ali-
mentos aos netos (alimentos avoengos) é subsidiária e complementar. Subsidiária: cabe ini-
cialmente aos pais; caso estes não tenham condições de arcar integralmente, recairá sobre os 
avós (ver art. 1.696, CC). Complementar: se os pais tiverem condição de arcar com parte, deverá,de desacato à autoridade, no exercício legítimo do 
controle de convencionalidade. Dentre as razões para a descriminalização, tem-se a salvaguar-
da à liberdade de expressão, bem como o reconhecimento de que os agentes públicos estão 
sujeitos a maior escrutínio de suas ações, sendo prejudicial a existência de um tipo carregado de 
subjetividade e que, na maioria das vezes, é utilizado pelas autoridades públicas como ameaça 
às críticas que recebem no exercício de suas funções. Trata-se do precedente mais recente sobre 
a matéria no País.
 
4 – Quem pode apresentar petições que contenham denúncias ou queixas de violação de 
direitos humanos por um Estado Parte à ComissãoIDH? Quais os requisitos uma petição ou 
comunicação com denúncias ou queixas deve ter para que seja admitida pela Comissão?
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 Segundo André de Carvalho Ramos, a Comissão pode ser provocada:
a) pela vítima;
b) por terceiros (incluindo organizações não-governamentais);
c) mesmo por outro Estado Parte. 
Quanto aos requisitos de admissibilidade, tem-se:
(i) o esgotamento dos recursos locais; 
(ii) a ausência do decurso do prazo de seis meses, contados do esgotamento dos recursos 
internos, para apresentação da petição; 
(iii) a ausência de litispendência internacional; 
(iv) ausência de coisa julgada internacional. 
 Quanto ao esgotamento dos recursos locais, é possível sua dispensa caso provado:
1. Não existir o devido processo legal para a proteção do direito violado; 
2. Não se houver permitido à vítima o acesso aos recursos de jurisdição interna ou houver 
sido ele ou ela impedido de esgotá-los; 
3. Houver demora injusti cada na decisão sobre mencionados recursos (Caso Maria da 
Penha); 
4. O recurso disponível for inidôneo; 
5. O recurso foi inútil; 6. Faltam defensores ou há barreiras ao acesso a justiça. 
5 – Como se dá a execução de decisões da CorteIDH no contexto brasileiro? Qual a Justiça 
competente para essa análise no Brasil? Essas decisões necessitam de exequatur? Justi que.
 Apesar de lacunoso o ordenamento jurídico quanto à execução de sentenças internacio-
nais, o Pacto San José da Costa Rica, em seu art. 68.2, indica que as condenações à indenização 
(pena pecuniária) devem ser cumpridas seguindo o rito da execução em face da Fazenda Pú-
blica. André de Carvalho Ramos inclusive defende a impossibilidade de submissão dos créditos 
indenizatórios ao regime de precatórios estabelecido na Constituição Federal. Nada se diz a 
respeito de outras sanções. 
 O ideal seria que o Estado as cumprisse espontaneamente, o que de fato costuma ocorrer 
no âmbito de jurisdição da CorteIDH. Em caso de execução forçada, o caso internamente seria 
de execução em face da União Federal (independentemente de a violação ter sido cometida no 
âmbito da competência de um estado-membro. Não há malferimento ao pacto federativo. P. 
ex: caso Damião Ximenes), visto que a União é a pessoa jurídica de direito interno responsável 
nacionalmente pelos atos da República Federativa do Brasil (pessoa jurídica de direito interna-
cional). Assim sendo, a Justiça competente será a Justiça Federal. 
8
 Por m, cumpre ressaltar que decisão/sentença da Corte Interamericana NÃO é sentença 
estrangeira, mas sentença internacional. A doutrina e a jurisprudência são uníssonas ao rati -
carem a desnecessidade de sua homologação enquanto requisito para seu cumprimento, visto 
que se trata de jurisdição que o Brasil voluntariamente aceitou se submeter. 
6 - Quais medidas podem ou devem ser adotadas pela Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos depois que admite uma denúncia ou queixa contra um Estado Parte?
 Segundo a doutrina, a Comissão, assim que admitida a denúncia ou queixa em face do 
Estado Parte, PODE deliberar desde logo acerca de medidas cautelares em casos de “gravidade 
e urgência, para evitar dano irreparável”, DISPENSADA a oitiva prévia do Estado Parte. 
 No entanto, tais medidas cautelares, no âmbito da Comissão, não são dotadas de efeito 
vinculante (Caso Belo Monte), diferentemente daquelas medidas decretadas pela Corte. 
 Recebida a denúncia/queixa, a Comissão DEVE elaborar o PRIMEIRO INFORME (ou Pri-
meiro Relatório) sobre o caso, encaminhando-o ao Estado Parte infrator, quem é incumbido de 
cumprir as recomendações constantes na comunicação. 
 Caso o Estado Parte tenha reconhecido a jurisdição da Corte Interamericana, e a Comis-
são entender necessária esta medida, poderá o caso ser remetido àquela para julgamento. Caso 
contrário, restará à Comissão elaborar um SEGUNDO INFORME sobre o caso; caso descumprido, 
o caso será remetido à Assembleia da OEA, por meio de relatório anual. 
7 – Qual o papel do Defensor Interamericano de Direitos Humanos? Quem indica o Defensor 
Público Interamericano?
 O Defensor Público Interamericano, após 2009, deve representar judicialmente às vítimas 
sem recursos. Até aquele ano, a representação era feita pela própria Comissão. O Defensor Pú-
blico Interamericano é nomeado a partir de lista da OEA a partir de convênio com a Associação 
Interamericana de Defensorias Públicas (AIDEF). Adicional: Atualmente, o corpo de Defensores 
Públicos Interamericanos conta com duas defensoras públicas brasileiras, sendo uma Defensora 
Estadual e uma Defensora Pública Federal. 
8 - Nos processos na Comissão IDH e na CorteIDH, qual é o papel da vítima? Se a vítima não 
tiver condições de constituir advogado, como se dá a sua representação junto à Corte IDH?
 No âmbito da Comissão, a vítima detém papel ativo, podendo peticionar noti cando 
acerca de violações a direitos humanos que tenha sofrido. Ressalta-se, contudo, que no caso de 
a Comissão arquivar a representação, não há recurso cabível à vítima. O mesmo não ocorre em 
casos de actio popularis (petições iniciadas por um Estado Parte contra outro Estado Violador), 
no qual o procedimento ante a Comissão também é obrigatório. Quanto à Corte IDH, não se 
9
entende possível o peticionamento direito pela vítima, ressalvada a possibilidade de a vítima e 
organizações não governamentais peticionarem diretamente à CorteIDH em caso de pedidos 
de medidas provisórias. Esta deve ser representada ante aquele órgão internacional. Até 2009, 
as vítimas sem recursos eram representadas pela própria Comissão IDH. Atualmente, tem-se a 
atuação de um Defensor Público Interamericano. 
9 - O sistema interamericano adota o mecanismo de visitas in loco? O Brasil admite visitas in 
loco?
 SIM, trata-se de inteligência do art. 44 da Convenção. Transcreve-se: Artigo 44. Investiga-
ção in loco possui as seguintes regras: 
 1. Se for necessário e conveniente, a Comissão procederá a uma investigação in loco, para 
cuja e caz realização solicitará, e os Estados interessantes lhe proporcionarão, todas as facilida-
des necessárias. 
 2. Entretanto, em casos graves e urgentes poder-se-á realizar uma investigação in loco, 
após consentimento do Estado em cujo território se alegue haver sido cometida a violação, tão 
somente com a apresentação de uma petição ou comunicação que reúna todos os requisitos 
formais de admissibilidade. 
 3. Uma vez terminada a etapa da investigação, o caso será submetido à consideração da 
Comissão, a qual preparará sua decisão no prazo de 180 dias. O Brasil admite visitas in loco (Ex.: 
Visita n. 64, 1995). 
10 – Fale sobre as diferenças entre as tutelas cautelares e provisórias no âmbito do sistema 
regional americano de direitos humanos, abordando a competência para deferimento.
 A prática do sistema regional americano tem permitido a adoção de medidas in limine 
tanto por parte da Comissão IDH (Caso Belo Monte) quanto pela Corte IDH (diversos casos, ex.: 
Urso Branco, Criança e Adolescentes no ‘Complexo do Tatuapé’ da FEBEM). 
 Quanto às MEDIDAS CAUTELARES são aquelas deferidas PELA COMISSÃO. Entende a dou-
trina pela ausência de efeito vinculante. 
 O mecanismo de medidas cautelares encontra-se previsto no artigo 25 do Regulamento 
da Comissão IDH. Conforme o que estabelece o Regulamento, em situações de gravidade ou 
urgência, a Comissãopoderá, por iniciativa própria ou a pedido da parte, requerer que o Estado 
adote medidas cautelares para prevenir danos irreparáveis às pessoas ou ao objeto do processo 
com base em uma petição ou caso pendente, assim como, à pessoas que se encontrem sob sua 
jurisdição, independentemente de qualquer petição ou caso pendente. Estas medidas poderão 
ser de natureza coletiva com o m de prevenir um dano irreparável às pessoas em razão de 
vínculo com uma organização, grupo ou comunidade de pessoas determinadas ou determiná-
veis. Consequentemente, o número de medidas cautelares concedidas não re ete o número de 
10
pessoas protegidas mediante sua adoção. Como se pode observar, muitas das medidas caute-
lares adotadas pela CIDH estendem proteção para mais de uma pessoa e, em certas situações, 
a grupos de pessoas, como comunidades ou povos indígenas. O Regulamento também estabe-
lece que a concessão dessas medidas e sua adoção pelo Estado não constituirá pré-julgamento 
sobre a violação dos direitos protegidos na Convenção Americana sobre Direitos Humanos e 
em outros instrumentos aplicáveis.
 Já as MEDIDAS PROVISÓRIAS são as proferidas PELA CORTE IDH. 
 As provisórias possuem expressa previsão convencional e são dotadas de efeito vincu-
lante. A Corte, nos casos sob sua análise, pode deferi-las ex o cio por provocação da vítima ou 
de representantes (exceção de possibilidade de a vítima e organizações não governamentais 
peticionarem diretamente à CorteIDH); pode ainda ser provocada pela Comissão em casos ain-
da não submetidos a sua análise. Caso as medidas decretadas pela Corte não sejam cumpridas, 
isso será submetido à apreciação da Assembleia da OEA, pela via de relatório anual. 
11 – Quem pode ser juiz da CorteIDH? Como se dá o seu processo de escolha? O que é o juiz 
“ad hoc” no âmbito da CorteIDH?
 A Corte IDH é composta por sete juízes. A escolha é feita pelos Estados Partes da Con-
venção, em sessão da Assembleia Geral da OEA, a partir de uma lista elaborada pelos próprios 
Estados. O mandato de cada juiz é de seis anos, permitida uma reeleição. Há também a previsão 
de um juiz ad hoc da nacionalidade de um Estado Réu que não possua juiz de sua nacionalidade 
em exercício na Corte. Contudo, essa previsão foi restrita às demandas interestatais (inexisten-
tes até o momento). Na realidade, no mesmo ato (Opinião Consultiva n. 20, 2009) a Corte em 
verdade restringiu mesmo a atuação de juiz de nacionalidade do Estado Réu já em exercício na 
Corte, mesmo que não ad hoc, portanto. 
12 – O que é a Convenção de Nova Iorque? Qual sua importância para o constitucionalismo 
brasileiro? No Brasil, as pessoas com de ciência são civilmente incapazes?
 Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com De ciência (Convenção de Nova 
Iorque) se trata de instrumento normativo internacional (Tratado multilateral) visando a obrigar 
aos Estados signatários a adoção de medidas legislativas, administrativas ou qualquer outra 
natureza para a realização dos direitos reconhecidos, assim como para a eliminação de disposi-
tivos e práticas discriminatórias contra pessoas com de ciência. 
 Tratou-se do primeiro tratado sobre direitos humanos aprovado sob o rito do art. 5º, pár. 
3º da CF/88, portanto, é dotado de status de emenda constitucional. 
 Como medida legislativa adotada pelo Brasil, em cumprimento ao estabelecido na Con-
venção, promulgou-se o Estatuto da Pessoa com De ciência, instrumento que traz diversas 
11
inovações no campo do direito privado, como por exemplo, o instituto da tomada de decisão 
assistida, em alternativa à tutela e curatela. O Estatuto também alterou o Código Civil de 2002, 
eliminando a incapacidade civil decorrente de de ciência física ou psíquica. Deste modo, tem-se 
que civilmente incapazes são apenas aqueles com idade inferior a dezesseis anos, logo, como 
um desdobramento do Estatuto da Pessoa com de ciência e, consequentemente, da Conveção 
de Nova Iorque, no Brasil, as pessoas com de ciência não são mais civilmente incapazes. 
13 – A Lei de Anistia brasileira é convencional? A decisão da CorteIDH revogou a decisão do 
STF na ADPF Nº 153?
 A partir do julgamento do Caso Gomes Lund (Guerrilha do Araguaia), a Corte IDH rati -
cou posicionamento jurisprudencial rmado no caso Barrios Alto vs. Peru, segundo o qual são 
inválidas (inconvencionais) as leis de anistia que impliquem a impunidade de agentes responsáveis 
por graves violações de Direitos Humanos. 
 A Corte chegou à mesma conclusão no que tange a Lei de Anistia brasileira, do nal da 
década de 1980. Tal julgamento por parte da Corte IDH foi proferido apenas meses após o jul-
gamento da ADPF 153 pelo Supremo Tribunal Federal, o qual resultou na declaração da CONS-
TITUCIONALIDADE da referida lei. Não obstante a decisão da Corte IDH ter sido em sentido 
diametralmente oposto ao do STF, predomina o entendimento de que as decisões da Corte não 
funcionam como uma esteira recursal das decisões das Cortes Constitucionais nacionais, logo, 
não estaria a decisão do STF “revogada”, tendo, portanto, a decisão da Corte, em tal aspecto, um 
caráter muito mais moral, orientador e, principalmente, reparador para as vítimas da ditadura 
militar.
14 – Os Estados que aderem à Convenção Americana de Direitos Humanos estão automati-
camente sujeitos à jurisdição contenciosa da CorteIDH? Uma vez tendo sido aceita a jurisdi-
ção contenciosa da CorteIDH, pode o Estado revogar tal aceitação?
 NÃO, os Estados que aderem à Convenção necessitam reconhecer a jurisdição da Corte 
IDH por meio de ato especí co. Mazzuolli aponta que esse fato deriva de uma estratégia política 
que visava estimular à adesão à Convenção. No entanto, uma vez tendo aderido à Jurisdição da 
Corte por meio da adesão à clausula facultativa, não mais poderá o Estado parte voltar atrás e 
denunciar tal adesão. Uma vez tendo se submetido à Jurisdição da Corte, isso se torna CLÁU-
SULA PÉTREA para o Estado aderente. Tal entendimento já foi con rmado pela Corte IDH, no 
caso Ivcher Bronstein, em que o Estado do Peru tentou fugir da jurisdição da Corte, por meio da 
denúncia ao protocolo, mas a tribunal não aceitou tal subterfugio desleal.
15 – A demora no processo de regularização fundiária de povos indígenas pode levar à con-
denação na CorteIDH? O que se entende por racismo ambiental? Fale sobre o caso Xucuru.
 Sim. A demora na regularização de terras tradicionalmente ocupada por indígenas pode 
12
levar à condenação de Estados Parte na CorteIDH. A Corte possui diversos precedentes na tute-
la da propriedade comunal dos povos indígenas, p. ex., o Caso da Comunidade Mayagna Awas 
Tingni vs. Nicarágua. 
 O caso dos Povos Indígenas Xucuru vs. Brasil está em discussão no âmbito da Corte IDH 
justamente nesse sentido. Desse modo, em tal caso, há um prognóstico favorável à condenação 
do Brasil pela demora na regularização fundiária de povos indígenas Xucuru. 
 O caso em questão é um exemplo do que parte da doutrina considera ‘racismo ambien-
tal’, isto é, aquele que não avilta apenas a etnia de uma população, mas também se relaciona 
com as privações ao usufruto dos recursos naturais necessários à identidade cultural dessas 
populações. Logo, seria uma espécie “quali cada” de racismo, ou seja, uma exclusão social de 
um grupo em razão de pertencer a uma etnia não hegemônica na sociedade, mas recaindo tal 
exclusão principalmente sobre os meios e recursos naturais necessários a sua subsistência. As-
sim, a discriminação racial se projeta também nas disputas territoriais. 
16 – Qual a importância do Caso Atala Ri o para a defesa dos direitos humanos de grupos 
LGBTI nas américas?
 O caso Atala Ri o tratou da discriminação injusta sofrida pela juíza Karen Atala, que era 
homossexual, na disputa judicial pela guarda de suas três lhas. Quando sua companheira deci-
diu mudar-se para a casa de Atala – quem já detinha a guarda das lhas desde a separação – o 
pai das crianças questionou a guarda judicialmente, argumentando que o casal homossexual 
apresentavariscos para o desenvolvimento psíquico e físico dos menores. O pai ganhou a causa 
na Suprema Corte do Chile. Apreciando o caso, a Corte Interamericana interpretou a Convenção 
no sentido de esta também proteger os indivíduos contra discriminações arbitrárias relativas 
a orientação sexual. Além disso, a Corte determinou que na avaliação do melhor interesse do 
menor, devem ser considerados elementos concretos dos comportamentos dos pais, e não es-
peculações e estereótipos.
II – DIREITO CONSTITUCIONAL
1 – Fale sobre o procedimento do impeachment. É necessária a manifestação do Senado para 
ocorrer o afastamento do Presidente da República? Por quantos votos? Uma vez afastado o 
Presidente, há um prazo para esse afastamento? Qual? Vencido esse prazo e não esgotado o 
julgamento, o processo é arquivado? Quem julga o pedido de “impeachment” do Presiden-
te? Quantos votos são necessários para a perda do cargo?
 Qualquer cidadão pode dar início a pedido de impeachment, fazendo-o, por escrito, 
diante da Câmara dos Deputados. O Presidente da Câmara pode dar seguimento ou não a tal 
pedido. Uma vez autorizado o processamento pelo Presidente da Câmara, deve ser autorizado 
seu prosseguimento pelo Plenário casa Casa. O procedimento de julgamento político-jurídico 
13
de crimes de responsabilidade cometidos por Presidente da República, nesses termos, depende 
de autorização por parte da Câmara dos Deputados, em juízo político, não vinculante, mediante 
2/3 dos votos. A denúncia será remetida então ao Senado, Casa responsável pela abertura, de 
fato, do processo de impeachment. 
 Depois da atuação da Câmara dos Deputados, cabe entender a atuação do Senado Fede-
ral. Vale lembrar o que decidiu o STF:
“A CF/88 a rma que compete ao Senado, privativamente, ‘processar e 
julgar’ o Presidente (art. 52, I, da CF/88). Segundo entendeu o STF, esta 
locução abrange não apenas o julgamento nal, mas também a reali-
zação de um juízo inicial de instauração ou não do processo, isto é, de 
recebimento ou não da denúncia autorizada pela Câmara.
No regime atual, a Câmara não funciona como um ‘tribunal de pronún-
cia’, mas apenas implementa ou não uma condição de procedibilidade 
para que a acusação prossiga no Senado.
A atuação da Câmara dos Deputados deve ser entendida como parte de 
um momento pré-processual, isto é, anterior à instauração do processo 
pelo Senado. Nas palavras do Min. Roberto Barroso: ‘a Câmara apenas 
autoriza a instauração do processo: não o instaura por si própria, muito 
menos determina que o Senado o faça’.
Os arts. 23, §§ 1º e 5º; 80 e 81, da Lei nº 1.079/50 não foram recepcio-
nados por serem incompatíveis com os arts. 51, I; 52, I; e 86, § 1º, II, da 
CF/1988.
Votaram neste sentido: Roberto Barroso, Teori Zavascki, Rosa Weber, 
Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de 
Mello.
Assim, apresentada denúncia contra o Presidente da República por cri-
me de responsabilidade, compete à Câmara dos Deputados decidir se 
autoriza ou não a instauração de processo:
Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados:
I - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo 
contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de 
Estado;
Caso a Câmara autorize a instauração do processo de impeachment, 
esta será ainda uma autorização ‘provisória’ (mera condição de procedi-
bilidade), considerando que o Senado ainda irá examinar o pedido nos 
termos do art. 52, I, da CF/88:
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos 
crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Co-
14
mandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da 
mesma natureza conexos com aqueles;
Con ra o que disse o Min. Roberto Barroso (redator para o acórdão):
‘(...) a Câmara dos Deputados somente atua no âmbito pré-processual, 
não valendo a sua autorização como um recebimento da denúncia, em 
sentido técnico. Assim, a admissão da acusação a que se seguirá o julga-
mento pressupõe um juízo de viabilidade da denúncia pelo único órgão 
competente para processá-la e julgá-la: o Senado.’
Assim, ao Senado compete decidir se deve receber ou não a denúncia 
cujo prosseguimento foi autorizado pela Câmara:
• Se rejeitar a denúncia, haverá o arquivamento do pedido;
• Se receber, aí sim será iniciado o processo de impeachment propria-
mente dito (fase processual), com a produção de provas e, ao nal, o 
Senado votará pela absolvição ou condenação do Presidente”. FONTE: 
DIZER O DIREITO.
 Com efeito, com o recebimento pelo Senado Federal, ocorre o afastamento do Presidente 
(art. 86, pár. 2º da CF/88), por maioria simples, sendo o quórum a maioria absoluta dos senado-
res. Assim, devem estar presentes no mínimo 42 Senadores no dia da sessão (maioria absoluta 
de 81) e, destes, bastaria o voto de 22 Senadores. 
 Perdurando por cento e oitenta dias, de modo improrrogável. Findo o prazo, o Presidente 
retorna a suas funções e continua exercendo suas atribuições SEM PREJUÍZO DO REGULAR AN-
DAMENTO DO PROCESSO! 
 Por m, para que haja a condenação, é necessário o voto de 2/3 dos membros do Senado 
Federal. 
2 – Qual a ordem de sucessão do cargo de Presidente da República? Há algum impedimento 
que impossibilite algum dos integrantes da linha sucessória de assumir o cargo?
 Na ordem: Vice-Presidente, Presidente da Câmara dos Deputados, Presidente do Senado 
Federal e Presidente do Supremo Tribunal Federal. Os três últimos exercem mandato precário, 
sendo necessária a organização de nova eleição (direta ou indireta, a depender do tempo res-
tante de mandato) para o preenchimento do cargo pelo tempo restante. 
 Recentemente, em APDF ajuizada pelo Partido REDE SUSTENTABILIDADE, o Supremo Tri-
bunal Federal determinou inconstitucional a assunção do cargo presidencial por ocupante da 
linha sucessória que seja réu em ações penais, em uma interpretação analógica do dispositivo 
que prevê o afastamento do Presidente da República, caso aceita denúncia de crime comum 
(com julgamento perante o STF) ou de responsabilidade (com julgamento perante o Senado), 
vide Art. 86, §1º.
15
3 – O que ocorre se houver a vacância dos cargos de Presidente e Vice-Presidente da Repú-
blica nos dois primeiros anos do mandato? E se for nos dois últimos? O que se entende por 
mandato tampão?
 “Mandato tampão” é justamente aquele exercido por representante eleito (pelo povo ou 
pelo Congresso Nacional) na eventualidade da vacância dos cargos de Presidente e Vice-Presi-
dente. 
 Caso tal vacância ocorra nos primeiros dois anos do mandato, há de se realizar eleições 
DIRETAS em até noventa dias depois de aberta a última vaga, ou seja, faz-se uma eleição com a 
participação popular plena.
 Na hipótese de restarem menos de dois anos do mandato, dar-se-ão eleições INDIRETAS 
pelo Congresso Nacional em trinta dias após aberta a última vaga. Esse “mandato tampão” vige 
somente pelo tempo restante do mandato original. Por exemplo, na hipótese de Presidente eleito 
em 2014, condenado por crime de responsabilidade em 2016 (assumindo o cargo, portanto, o 
Vice Presidente), na eventualidade de perda do cargo pelo Vice em 2017, devem se dar eleições 
indiretas pelo Congresso Nacional para preenchimento do cargo somente até 2018! 
4 – Parlamentar perde o cargo por condenação judicial transitada em julgado imediatamen-
te ou é necessário o aval da respectiva casa legislativa?
 O art. 55 da CF estabelece os casos em que os parlamentares perdem seus cargos:
I - havendo infringência de qualquer das incompatibilidades estabele-
cidas no art. 54;
II - quando seu procedimento for declarado incompatível com o decoro 
parlamentar;
III - quando deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça 
parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou 
missão por esta autorizada;
IV - quando perder ou tiver suspensos seus direitos políticos;
V - quando assim decretar a Justiça Eleitoral, nos casosprevistos na 
Constituição e
VI - quando sofrer condenação criminal transitada em julgado.
 A hipótese de condenação criminal em sentença transitada em julgado necessita de 
maior explanação. Nessa hipótese de perda do mandato, a sujeição ao juízo político de conve-
niência do Plenário da Casa Legislativa a que o parlamentar pertencer, que pode decidir pela 
manutenção do mandato eletivo. Todavia, as hipóteses de perda dos direitos políticos são enu-
meradas taxativamente no art. 15 CF e, dentre elas, inclui-se a condenação criminal transitada 
em julgado, enquanto durarem seus efeitos, de forma que, em tal caso, o parlamentar perderia 
16
automaticamente seu mandato, por conta do art. 55, IV e, conforme o parágrafo terceiro, a Mesa 
da Casa Legislativa caberia apenas declarar tal situação, não havendo espaço para o juízo de 
conveniência referido. Assim, haveria uma antinomia aparente das disposições constitucionais 
citadas.
 No julgamento do RE 179.502, o Ministro Moreira Alves sugeriu uma interpretação lógico 
formal, de maneira que a norma especial prevalece sobre a geral, logo, o art. 55, VI e parágrafo 
segundo prevaleceriam sobre a norma geral do art. 15. Assim sendo, ATÉ TAL MOMENTO, inter-
pretava-se o inciso IV e o pár. 2º do art. 55, CF/88 no sentido de NÃO ser automática a perda 
do mandato em virtude de condenação judicial transitada em julgado.
 Em 2012, no entanto, o Supremo Tribunal Federal, no controverso precedente na AP 470 
(apelidada pela mídia de massa de caso ‘Mensalão’), reviu, por maioria apertada (5x4), tal enten-
dimento – sem de nitividade, contudo! -, estabelecendo que a perda do mandato seria efeito 
automático da sentença com seu transito em julgado de nitivo.
 Em 2013, por sua vez, no julgamento da Ação Penal nº 565 (caso do Senador Ivo Cassol, 
condenado, tendo em vista a violação do art. 90 da Lei nº 8.666 - fraude a licitação -, por una-
nimidade, a uma pena de 4 anos, 8 meses e 26 dias, em regime inicial semiaberto), concluído 
no dia 8 de agosto, o Plenário do STF decidiu, por 6 votos a 4, pela aplicação do §2º do art. 55 
da CF/88, tendo sido vencidos os Ministros Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Jo-
aquim Barbosa, os quais votaram a favor da perda automática do mandato parlamentar com o 
trânsito em julgado de condenação criminal. Desse modo, no caso ‘Ivo Cassol’, novamente por 
maioria apertada (6x4), foi decidido que a perda do mandato NÃO decorre automaticamente 
do trânsito em julgado da condenação criminal, necessitando da manifestação da Casa le-
gislativa.
 Não obstante isso, consoante notícia do site do Supremo de 29 de agosto de 2013, a 
respeito do Mandado de Segurança 32.326 DF, com requerimento de concessão de liminar, im-
petrado pelo Deputado Federal Carlos Sampaio em face de ato do Presidente da Câmara dos 
Deputados, o qual submeteu ao Plenário da referida Casa deliberação acerca da perda ou não 
do mandato do Deputado Federal Natan Donadon. Em tal caso, Ao adentrar o mérito do pedido 
cautelar, o Relator desse MS (o Min. Roberto Barroso) declarou ser defensor do entendimento de 
que é a respectiva Casa Legislativa que deve decidir a respeito da perda do mandato parlamen-
tar e que, por conseguinte, o trânsito em julgado da decisão não acarreta automaticamente a 
perda do mandato. Entretanto, Barroso ressalta que entende haver uma exceção à regra do 
§2º do art. 55 da CF/88: condenação criminal a pena de reclusão em regime inicial fechado, 
com duração maior do que o tempo restante de mandato.
 Na decisão, o Min. Luís Roberto Barroso veri cou estarem presentes os requisitos para 
a concessão de medida liminar inaudita altera pars: fumus boni iuris (“fumaça do bom direito” - 
relevante e juridicamente plausível o fundamento de que, no caso em testilha, a condenação 
17
criminal transitada em julgado implica a perda automática do mandato, com a ressalva de que 
o ato da Mesa da Câmara dos Deputados é, por conseguinte, vinculado e declaratório) e pericu-
lum in mora (iminência de dano irreparável ou de difícil reparação, tendo em vista a indignação 
cívica, a perplexidade jurídica, o abalo às instituições e o constrangimento decorrente de tal 
situação aos Poderes constituídos). Destarte, decidiu pela concessão da medida liminar:
“Como consequência, suspendo os efeitos da deliberação do Plenário 
da Câmara dos Deputados acerca da Representação nº 20, de 21 de 
agosto de 2013, até o julgamento de nitivo do presente mandado de 
segurança pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal”.
 Nesses termos, em que pese a severa divergência, a última decisão do STF leva a crer que 
a condenação criminal leva à perda automática do cargo, mormente, caso a condenação seja 
em regime inicialmente fechado!
5 – Quais as fases do processo legislativo? Discorra sobre elas.
 Em que pese haver procedimentos distintos de processo legislativo, a depender da espé-
cie de diploma normativo a ser editado e do regime de urgência, é possível delinear três fases 
principais no processo legislativo, a saber: 
a) fase introdutória; 
b) fase constitutiva e 
c) fase complementar. 
 A fase introdutória é marcada pela propositura, no caso do processo legislativo ordinário, 
do PL. Importante nessa fase é a análise da legitimidade para propositura, a partir das regras 
constitucionais sobre iniciativa. 
 A fase constitutiva, por sua vez, desdobra-se em atos de deliberação legislativa, votação 
e deliberação executiva (sanção ou veto, inaplicável nos ritos de emenda constitucional). 
 A fase complementar é constituída pela promulgação (condição de existência e exequi-
bilidade) e pela publicação (condição de e cácia) do diploma normativo.
 Veja-se o esquema abaixo:
 FASE INTRODUTÓRIA - INICIATIVA - ato que dá início ao processo de elaboração da lei. É 
exercida com a apresentação de um projeto de lei.
 FASE CONSTITUTIVA – É a fase de discussões. Se divide em duas subfases:
 1. DELIBERAÇÃO PARLAMENTAR - discussão e votação do projeto;
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 2. DELIBERAÇÃO EXECUTIVA (sanção/veto). Sanção é a aquiescência do Chefe do Executivo 
aos termos do projeto. Veto é a discordância do Chefe do Executivo com os termos do projeto. 
Deve ser motivado. Pode ser total ou parcial. Em qualquer caso, o projeto retorna ao Legislativo 
para nova apreciação em sessão conjunta, oportunidade em que o veto será aceito ou rejeitado 
(art. 66, §§ 4º, 5º e 6º). O veto encerra idéia de supressão, nunca de acréscimo. Não existe veto 
de palavra ou trechos de palavras (art. 66, § 2º ).
 FASE COMPLEMENTAR – é a fase necessária à perfectibilização da lei. Se desdobra em:
 1. PROMULGAÇÃO - enunciação solene, feita ao público, da existência da lei. É a partir 
dela que a lei passa a existir (toma a data da promulgação). Regra: cabe ao Presidente. Exceção: 
Se não o zer nos casos de sanção tácita ou rejeição de veto, cabe, sucessivamente, ao Pres. do 
Senado e ao Vice (art. 66, § 7º).
 2. PUBLICAÇÃO - é o ato de comunicação da lei. Finalidade: torná-la de todos conhecida. 
Com ela a lei ganha obrigatoriedade (tem que ser por todos obedecida). Assim, a promulgação 
torna a lei executável. Mas é a publicação que a torna obrigatória para todos.
6 – É possível emenda parlamentar sobre Projeto de Lei de Iniciativa Privativa Extraparla-
mentar? Quais seriam os requisitos? O que é contrabando parlamentar? 
 O único poder capaz de emendar projetos de lei é o legislativo. Dessa forma, seria um 
contrassenso reservar o poder de emenda à iniciativa para a propositura de projeto de lei. Há 
no entanto requisitos para a validade dessas emendas. Em síntese: a) devem possuir pertinência 
temática com o assunto tratado originalmente no projeto de lei; b) a emenda não pode, via de 
regra, ocasionar aumento das despesas originalmente previstas. 
 Ocorre ‘contrabando parlamentar’ ou ‘contrabando legislativo’ quando o poder legisla-
tivo (os deputados ou senadores) aproveitam a edição diplomas normativos – em geral, isso 
ocorre mais comumente com as medidas provisórias do Executivo – para inseriremendas sem 
qualquer pertinência temática com o assunto originalmente tratado:
“É incompatível com a Constituição a apresentação de emendas sem re-
lação de pertinência temática com medida provisória submetida à sua 
apreciação. Assim, como essa emenda versa sobre assunto diverso do 
que é tratado na medida provisória, deve-se considerá-lo inconstitucio-
nal.
A inserção, por meio de emenda parlamentar, de assunto diferente do 
que é tratado na medida provisória que tramita no Congresso Nacio-
nal é chamada de ‘contrabando legislativo’, sendo uma prática vedada”. 
(FONTE: DIZER O DIREITO)
 O STF já teve oportunidade de se manifestar a respeito da prática, taxando-a rmemente 
de inconstitucional (STF. Plenário. ADI 5127/DF, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o acórdão Min. 
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Edson Fachin, julgado em 15/10/2015 - Info 803).
7 – A sanção presidencial sobre Projeto de Lei de autoria parlamentar, mas cujo objeto é de 
iniciativa privativa do Chefe do Executivo convalida o vício? Qual o entendimento da doutri-
na sobre o tema? Qual o entendimento do STF sobre o tema?
 A doutrina se divide quanto ao tema. Para a doutrina majoritária, tem-se que a sanção ul-
terior, pelo Chefe do Executivo, a lei cuja iniciativa, originalmente sua, tenha-lhe sido usurpada, 
NÃO convalida esse vício. Esse inclusive é o posicionamento mais recente do Supremo Tribunal 
Federal, em que pese o não cancelamento do Enunciado n. 05 da súmula desta Corte. Veja-se o 
entendimento do STF sobre o tema:
“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – POLICIAL MILITAR – RE-
GIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS – PROCESSO LEGISLATIVO 
– INSTAURAÇÃO DEPENDENTE DE INICIATIVA CONSTITUCIONALMENTE 
RESERVADA AO CHEFE DO PODER EXECUTIVO - DIPLOMA LEGISLATIVO 
ESTADUAL QUE RESULTOU DE INICIATIVA PARLAMENTAR – INCONSTI-
TUCIONALIDADE FORMAL – MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. OS PRINCÍ-
PIOS QUE REGEM O PROCESSO LEGISLATIVO IMPÕEM-SE À OBSERVÂN-
CIA DOS ESTADOS-MEMBROS.
- O modelo estruturador do processo legislativo, tal como delineado 
em seus aspectos fundamentais pela Carta da República, impõe-se, en-
quanto padrão normativo de compulsório atendimento, à observância 
incondicional dos Estados-membros. Precedentes.
- O desrespeito à prerrogativa de iniciar o processo legislativo, que re-
sulte da usurpação do poder sujeito à cláusula de reserva, traduz vício 
jurídico de gravidade inquestionável, cuja ocorrência re ete típica hipó-
tese de inconstitucionalidade formal, apta a in rmar, de modo irremis-
sível, a própria integridade do ato legislativo eventualmente editado.
Nem mesmo a ulterior aquiescência do Chefe do Poder Executivo, me-
diante sanção do projeto de lei, ainda quando dele seja a prerrogativa 
usurpada, tem o condão de sanar esse defeito jurídico radical. Insubsis-
tência da Súmula nº 5/STF, motivada pela superveniente promulgação 
da Constituição Federal de 1988. Doutrina. Precedentes.
SIGNIFICAÇÃO CONSTITUCIONAL DO REGIME JURÍDICO DOS SERVIDO-
RES PÚBLICOS (CIVIS E MILITARES).
- A locução constitucional ‘regime jurídico dos servidores públicos’ cor-
responde ao conjunto de normas que disciplinam os diversos aspectos 
das relações, estatutárias ou contratuais, mantidas pelo Estado com os 
seus agentes.”
(RTJ 187/97, Rel. Min. CELSO DE MELLO)
20
8 – Qual a diferença nalística entre a sanção e a promulgação de um projeto de lei? Existe 
promulgação tácita?
 A ‘sanção’ é ato privativo do Chefe do Poder Executivo. Finalisticamente, simboliza a 
aquiescência do Executivo ao texto votado pelo Legislativo (representantes do povo e dos Esta-
dos-membros). É o que torna o ‘projeto de lei’ uma ‘lei’, isso mesmo antes de sua promulgação. 
A sanção pode ser expressa ou tácita. A promulgação, por sua vez, se trata de formalidade pos-
terior ao próprio surgimento da lei. Trata-se do ato que certi ca que a lei existe, é executável e 
potencialmente obrigatória (a obrigatoriedade decorre da publicação). Não há promulgação 
tácita. 
 • Sanção expressa: É aquela em que o Presidente apõe a sua assinatura ao projeto de lei, 
subscrevendo-o (art. 66, caput).
 • Sanção tácita ou por decurso de prazo: Decorrido o prazo de 15 (quinze) dias, o silêncio 
do Presidente da República importará sanção (art. 66, § 3º).
 Este prazo é de dias úteis ou corridos?
 Dias úteis, por conta do § 1º, que estabelece o prazo de 15 dias úteis para o veto.
 Após a sanção (expressa ou tácita) deve o chefe do executivo promulga-la em até 48h. 
Caso omisso, esse dever caberá ao Presidente do Senado por igual prazo. Ocorrida nova omis-
são, a tarefa recai sobre o vice-presidente do Senado, quem deve promulga-la imediatamente. 
9 – Membro do Ministério Público pode assumir cargo de Ministro ou Secretário de Estado? 
Há exceções?
 O Conselho Nacional do Ministério Público já havia editado Resoluções regulamentando 
esta prática. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento da ADPF 388, decidiu ser 
INCONSTITUCIONAL a assunção desses cargos por membro do parquet. A Constituição federal 
veda a prática explicitamente, salientando que membro do Ministério Público não pode exercer 
qualquer outra função pública, salvo a de magistério: 
Membros do Ministério Público não podem ocupar cargos públicos fora 
do âmbito da Instituição, salvo cargo de professor e funções de magis-
tério.
A Resolução 72/2011 do CNMP, ao permitir que membro do Parquet 
exerça cargos fora do MP, é agrantemente contrária ao art. 128, § 5º, II, 
“d”, da CF/88.
Consequentemente, a nomeação de membro do MP para o cargo de Mi-
nistro da Justiça viola o texto constitucional.
STF. Plenário. ADPF 388, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 09/03/2016.
21
Há exceções à regra. Tratam-se dos membros do Ministério Público que ingressaram na carreira 
anteriormente à Constituição Federal de 1988. Tais integrantes do MP possuem regime jurídico 
especial, permitindo tal assunção de funções de Ministro ou Secretário de Governo.
10 – Quais prerrogativas foram conferidas à Defensoria Pública pela EC Nº. 80? Discorra so-
bre elas. Quais os critérios para a instalação de novos núcleos da Defensoria Pública pelo 
Brasil pela EC Nº. 80.
 A EC 80/2014:
a) explicitou tratar-se a Defensoria Pública de instituição permanente e essencial ao Esta-
do de Direito (nos mesmos moldes que o art. 127, CF/88, quando menciona o Ministério 
Público); 
b) incluiu um pár. 4º no art. 134, que constitucionalizou os princípios institucionais da 
Defensoria (unidade, indivisibilidade e independência funcional) – os mesmos do Minis-
tério Público;
c) determinou a aplicação à Defensoria Pública das regras constantes dos arts. 93 e 96, II, 
CF/88. O primeiro refere-se às regras de organização da Magistratura (relativas à promo-
ção, à distribuição imediata de processos etc.). O segundo trata da iniciativa para apre-
sentação de projetos de lei relativos à estruturação da Defensoria; 
d) acrescentou, por meio de seu art. 2º, o art. 98 ao ADCT, dispondo que o número de defenso-
res públicos na unidade jurisdicional deverá ser proporcional à efetiva demanda pelo serviço 
da Defensoria Pública e à respectiva população, sendo que no prazo de oito anos, a União, 
os Estados e o Distrito Federal deverão contar com defensores públicos em todas as unidades 
jurisdicionais. 
 Os critérios para a instalação de novos núcleos da Defensoria Pública pelo Brasil pela EC 
Nº. 80 são:
i) atendimento às regiões com maiores índices de exclusão social e 
ii) adensamento populacional.
11 – O Congresso Nacional estuda promulgar uma PEC que torna a vaquejada um patrimô-
nio cultural brasileiro. Isso é possível? Contraria decisão do STF?
 De fato, o Supremo Tribunal Federal teve a oportunidade de se manifestar favorável à 
inconstitucionalidade de lei estadual cearense que regulamentava a prática da vaquejada. A 
maioria da Corte entendeu, na linha do precedente de inconstitucionalidade da farra do boi, 
que a vaquejada representava uma prática cruel contra os animais. 
 A ‘constitucionalização’ da vaquejada por meio de emenda constitucional trata-sede cla-
ro efeito backlash ocasionado pelo julgamento. Importante notar que o Congresso Nacional 
22
não se vincula às decisões do Supremo Tribunal Federal, não obstante poderem as emendas 
constitucionais serem questionadas junto à Corte caso representem malferimento às cláusulas 
pétreas (Art. 60, pár. 4º, CF/88). 
12 – Fale o que são e quais as espécies de decisões manipulativas no controle de constitu-
cionalidade.
 Conforme a doutrina italiana de Riccardo Guastini, a decisão manipulativa ou interme-
diária é aquela mediante a qual “o órgão de jurisdição constitucional modi ca ou adita normas 
submetidas a sua apreciação, a m de que saiam do juízo constitucional com incidência norma-
tiva ou conteúdo distinto do original, mas concordante com a Constituição” (RE 641320/RS).
 Assim, no controle de constitucionalidade, haveria não apenas um juízo sobre a consti-
tucionalidade ou não de determinado conjunto normativo, mas sim uma transformação de seu 
sentido, a m de adequar as disposições à lógica constitucional. Essas decisões podem ser, via 
de regra, de duas espécies: decisões manipulativas aditivas ou substitutivas.
 Espécies de decisões manipulativas
 1) ADITIVA: “A sentença aditiva pode ser justi cada, por exemplo, em razão da não obser-
vância do princípio da isonomia, notadamente nas situações em que a lei concede certo bene-
fício ou tratamento a determinadas pessoas, mas exclui outras que se enquadrariam na mesma 
situação. Assim, nessas hipóteses, o Tribunal Constitucional declara inconstitucional a norma 
na parte em que trata desigualmente os iguais, sem qualquer razoabilidade e/ou nexo de cau-
salidade. A decisão se mostra aditiva, já que a Corte, ao decidir, ‘cria uma norma autônoma’’, es-
tendendo aos excluídos o benefício” (LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. São 
Paulo: Saraiva, 2014, p. 177).
 Ex1: ADPF 54, Rel. Min. Marco Aurélio, julgada em 12/4/2012, na qual o STF julgou in-
constitucional a criminalização dos abortos de fetos anencéfalos, atuando de forma criativa ao 
acrescentar mais uma excludente de punibilidade – no caso de o feto padecer de anencefalia 
– ao crime de aborto.
 2) SUBSTITUTIVA: Na decisão manipulativa substitutiva, “a Corte declara a inconstitucio-
nalidade de um preceito na parte em que expressa certa norma em lugar de outra, substancial-
mente distinta, que dele deveria constar para que fosse compatível com a Constituição. Atuan-
do dessa forma, a Corte não apenas anula a norma impugnada, como também a substitui por 
outra, essencialmente diferente, criada pelo próprio tribunal, o que implica a produção heterô-
noma de atos legislativos...” (“Mendes, Gilmar. Curso de Direito Constitucional” – 2ª edição; São 
Paulo: Saraiva, 2008).
 Ex: a MP 2183-56 alterou o Decreto-lei nº 3.365/41 e estabeleceu que, no caso de imissão 
23
prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou utilidade pública e interesse social, ha-
vendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem, xado na sentença, deverá 
incidir juros compensatórios de até 6% ao ano. Ao julgar ADI contra esta MP, o STF a rmou que 
esse percentual de 6% era inconstitucional e determinou que este percentual deveria ser de 
12% ao ano (ADI 2332, Rel. Min. Moreira Alves, julgado em 05/09/2001). (FONTE: DIZER O DIREI-
TO)
13 – Quem pode ser considerado brasileiro nato? Quais cargos são considerados privativos 
de brasileiros natos? Em que casos pode ser declarada a perda da nacionalidade?
 Brasileiro nato: nascido no território nacional (regra geral jus solii), nascido no estran-
geiro lho de pai/mãe brasileira a serviço da RFB; nascido no estrangeiro, lho de brasileiro, 
registrado na repartição consular brasileira; lho de brasileiro, nascido no estrangeiro, vindo a 
residir no Brasil a qualquer tempo e faz a opção pela nacionalidade brasileira após a maiorida-
de. Cargos privativos: todos os Ministros de Estado, todos os Ministros do STM, TST, TSE, TFR e 
TCU; o Procurador-Geral da República; os Senadores e Deputados Federais; os Governadores (e 
Vices) de Estado, de Territórios e o Governador do Distrito Federal (bem como os substitutos); os 
embaixadores e os membros de carreira diplomática; os o ciais das Forças Armadas. Por m, há 
reserva de seis assentos no Conselho da República para brasileiros natos. 
 Já a perda da nacionalidade, ocorre nos casos do art. 12, pár. 4º I e II, CF/88:
“§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude 
de atividade nociva ao interesse nacional;
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: (Redação dada pela 
Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; 
(Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro 
residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em 
seu território ou para o exercício de direitos civis; (Incluído pela Emenda 
Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)”
14 – Quais são os instrumentos de democracia direta existentes na Constituição Federal de 
1988? Quais as diferenças entre eles?
 Na forma do art. 14 da CF/88, tem-se: 
a) o plebiscito;
b) o referendo; e 
c) a lei de iniciativa popular. 
24
 Quanto à iniciativa popular, trata-se da possibilidade de propositura de projeto de lei 
ao Congresso Nacional pela própria população, sem necessidade de demais intermediações, 
respeitadas as regras apoio, mediante assinatura, de pelo menos um por cento do eleitorado 
nacional; participação de não menos que três décimos por cento de eleitores de, no mínimo, 
cinco estados-membros). 
 Plebiscito e referendo são ambos instrumentos de consulta pública, não vinculativos. A 
diferença é que o plebiscito é uma consulta prévia, enquanto o referendo é uma consulta a pos-
teriori, na qual o povo rati ca ou não o ato já praticado pelo Poder Público. 
15 - Na apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e 
pensão, no âmbito do Tribunal de Contas, é garantido o contraditório e a ampla defesa? Há 
exceções?
 Em regra, a Súmula Vinculante n. 3 excepciona a oitiva do interessado nos casos de mera 
apreciação da legalidade do ato concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão pelo Tri-
bunal de Contas. Eis o teor do verbete:
“Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o 
contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anu-
lação ou revogação de ato administrativo que bene cie o interessado, 
excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de 
aposentadoria, reforma e pensão.”
 Não obstante isso, há casos em que se faz necessário ATENUAR a Súmula Vinculante Nº. 3 
do STF, nos termos dos seguidos julgados da própria corte maior: 
“Nos termos dos precedentes rmados pelo Plenário desta Corte, não 
se opera a decadência prevista no art. 54 da Lei 9.784/1999 no período 
compreendido entre o ato administrativo concessivo de aposentadoria 
ou pensão e o posterior julgamento de sua legalidade e registro pelo 
TCU – que consubstancia o exercício da competência constitucional de 
controle externo (art. 71, III, CF). A recente jurisprudência consolidada 
do STF passou a se manifestar no sentido de exigir que o TCU assegure 
a ampla defesa e o contraditório nos casos em que o controle externo 
de legalidade exercido pela Corte de Contas, para registro de aposenta-
dorias e pensões, ultrapassar o prazo de cinco anos, sob pena de ofen-
sa ao princípio da con ança – face subjetiva do princípio da segurança 
jurídica. Precedentes. Nesses casos, conforme o entendimento xado 
no presente julgado, o prazo de cinco anos deve ser contado a partir 
da data de chegada ao TCU do processo administrativo de aposentado-
ria ou pensão encaminhado pelo órgão de origem para julgamento da 
25
legalidade do ato concessivo de aposentadoria ou pensão e posterior 
registro pelaCorte de Contas.” (MS 24.781, Rel. p/ o ac. Min. Gilmar Men-
des, julgamento em 2-3-2011, Plenário, DJE de 9-6-2011.)
 
“Ato do TCU. (...) Negativa de registro a aposentadoria. (...) A inércia 
da Corte de Contas, por mais de cinco anos, a contar da aposentado-
ria, consolidou a rmativamente a expectativa do ex-servidor quanto 
ao recebimento de verba de caráter alimentar. Esse aspecto temporal 
diz intimamente com: o princípio da segurança jurídica, projeção obje-
tiva do princípio da dignidade da pessoa humana e elemento concei-
tual do Estado de Direito; a lealdade, um dos conteúdos do princípio 
constitucional da moralidade administrativa (caput do art. 37). São de 
se reconhecer, portanto, certas situações jurídicas subjetivas ante o Po-
der Público, mormente quando tais situações se formalizam por ato de 
qualquer das instâncias administrativas desse Poder, como se dá com o 
ato formal de aposentadoria. A manifestação do órgão constitucional 
de controle externo há de se formalizar em tempo que não desborde 
das pautas elementares da razoabilidade. Todo o Direito Positivo é per-
meado por essa preocupação com o tempo enquanto gura jurídica, 
para que sua prolongada passagem em aberto não opere como fator 
de séria instabilidade intersubjetiva ou mesmo intergrupal. A própria 
CF de 1988 dá conta de institutos que têm no perfazimento de um certo 
lapso temporal a sua própria razão de ser. Pelo que existe uma espécie 
de tempo constitucional médio que resume em si, objetivamente, o de-
sejado critério da razoabilidade. Tempo que é de cinco anos (inciso XXIX 
do art. 7º e arts. 183 e 191 da CF; bem como art. 19 do ADCT). O prazo 
de cinco anos é de ser aplicado aos processos de contas que tenham 
por objeto o exame de legalidade dos atos concessivos de aposentado-
rias, reformas e pensões. Transcorrido in albis o interregno quinquenal, 
a contar da aposentadoria, é de se convocar os particulares para parti-
ciparem do processo de seu interesse, a m de desfrutar das garantias 
constitucionais do contraditório e da ampla defesa (inciso LV do art. 
5º).” (MS 25.116, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 8-9-2010, Plená-
rio, DJE de 10-2-2011.) No mesmo sentido: MS 26.053, Rel. Min. Ricardo 
Lewandowski, julgamento em 18-11-2010, Plenário, DJE de 23-2-2011.
 Assim sendo, ante a jurisprudência do STF, os Tribunais de Contas devem assegurar a 
ampla defesa e o contraditório nos casos em que o controle externo de legalidade exercido 
pela Corte de Contas TENHA DEMORADO MAIS DE CINCO ANOS PARA SE MANIFESTAR SOBRE 
O REGISTRO de aposentadorias e pensões, sob pena de ofensa ao princípio da con ança – face 
subjetiva do princípio da segurança jurídica.
26
16 – De na “constitucionalização simbólica”. Um Defensor Público tem como contribuir para 
a minoração do direito meramente simbólico?
 Marcelo Neves, em seu livro “Constitucionalização Simbólica”, parte expressamente da 
perspectiva losó ca da teoria sistêmica de Niklas Luhmann, em que o Direito é visto como um 
dos vários sistemas sociais (Político, Jurídico, Econômico etc.) que existem nas sociedades com-
plexas contemporâneas. Tais sistemas diferenciaram-se uns dos outros por trabalharem com ló-
gicas próprias (são operativamente fechados), geralmente expressas por códigos binários, mas 
que podem aprender uns com os outros (são cognitivamente abertos).
 Partindo dessa lógica luhmanniana, Neves conceituará a Constituição enquanto “acopla-
mento estrutural” entre o Sistema Jurídico e o Sistema Político, na medida em que possibilita-
ria uma solução política de problemas jurídicos e uma solução jurídica de problemas políticos. 
Nesse sentido, a política e o direito, que são dois sistemas sociais autônomos, criam um canal de 
comunicação e inter-relação.
 Com efeito, ante essa concepção sistêmica e da noção de acoplamento estrutural, ex-
surge a noção de Constitucionalização Simbólica, que pode ser de nido como uma hipertro a 
da função simbólico-ideológica legiferante (característica da política) do que propriamente ju-
rídico-normativa, representando uma certa capitulação do Direito à Política, o que em termos 
sistêmicos pode-se chamar de colonização de um sistema por outro. 
 Em um regime republicano e democrático, tem o Defensor Público de carreira um papel 
ímpar na concretização dos ideais constitucionais, na salvaguarda dos direitos e garantias fun-
damentais e na defesa dos direitos humanos. Não é possível, contudo, romantizar. É necessário 
um conjunto de garantias, autonomias e prerrogativas para que isso se realize. 
17 – Como surge a noção de Tribunal Constitucional na teoria do Controle de Constituciona-
lidade? O que se entende por controvérsia Kelsen versus Schmitt? O STF pode ser considera-
do um Tribunal Constitucional?
 A notícia histórica acerca da jurisdição constitucional remonta à Inglaterra, no caso Bo-
nham, em que se pronunciou Sir Edward Coke favorável à ideia de controle judicial de atos do 
parlamento. A criação de um Tribunal Constitucional ocorreria somente no século XIX, com a 
Suprema Corte dos Estados Unidos da América, sendo o precedente da judicial review (caso 
Marbury vs. Madison) datado de 1803, tornando-se um paradigma para a teoria do Controle de 
Constitucionalidade. 
 Hans Kelsen, jurista austríaco, adota a ideia de supremacia da constituição, ocupando 
esta posição de fundamento último de validade das normas jurídicas de um sistema (excetuada 
a NHF). Em sua visão, portanto, o controle de constitucionalidade das leis e atos do poder públi-
co deveria ser um controle jurídico, realizado por um Tribunal competente exclusivamente para 
27
tanto. Divergia nesse ponto Carl Schmitt, para quem o controle de constitucionalidade deveria 
ser político, realizado pelo presidente do Reich (à época, a Alemanha era uma República, mas 
manteve o nome de Deutsches Reich, i.e. Império Alemão). 
 Sob a concepção kelseniana, portanto, o nosso STF NÃO seria um Tribunal Constitucional, 
uma vez que acumula diversas funções estranhas ao modelo teórico proposto (ex.: conhecer, 
processar e julgar mandado de segurança contra ato praticado por outros tribunais superiores, 
processar e julgar ações penais contra parlamentares federais...). 
18 – Diferencie os Estados Federados dos Estados Confederados. Quais elementos são im-
prescindíveis para a caracterização de um Estado como Federado? O Brasil é um federalismo 
de Terceiro Grau?
 Estado federado contrapõe-se a noção de Estado unitário, uma vez que o primeiro está 
baseado em descentralização político-administrativa, isto é, do poder político, em unidades 
dotadas de autonomia, em sentido amplo. Em miúdos, o sistema federativo é dotado das se-
guintes características: descentralização do exercício do poder político (auto-organização, au-
togoverno, autoadministração); indissolubilidade do vínculo federativo; rigidez constitucional; 
existência de um Tribunal Constitucional com a atribuição de resolver con itos entre as unida-
des federativas; previsão de órgão legislativos que represente os poderes regionais (no Brasil, 
tem-se o Senado federal); formação por meio de uma Constituição. 
 A confederação (ou “Estado” confederado) difere do Estado federado na medida em que 
se trata da união entre Estados soberanos, por meio de um pacto ou tratado, permitido o direito 
de secessão (o que é defeso dentro do federalismo); formação por meio de um Tratado. 
 A questão dos graus de federalismo (segundou ou terceiro grau) tem a ver com o núme-
ro de esferas de poder federativas. Tradicionalmente, é comum o federalismo de segundo grau 
(duas esferas de poder: União e Estados-membros). O Brasil pode ser considerado de Terceiro 
Grau na medida em que alçou os municípios ao status de ente federativo. 
19 – Quais as espécies de intervenção que existem no Brasil? O que são Princípios Constitu-
cionais sensíveis? Diferencie-os dos extensíveis e dê exemplos.
 Há duas espécies de intervenção constitucionais. Primeiramente, há a Intervenção fede-
ral (ou da União) que pode sedar sobre os Estados-membros, o DF ou municípios integrantes de 
Território Federal. A outra espécie é a intervenção estadual (dos Estados nos municípios). Princí-
pios constitucionais sensíveis, extensíveis e estabelecidos são aqueles que remetem à organiza-
ção do Estado. 
 Os princípios constitucionais sensíveis estão taxativamente elencados no art. 34, CF/88, 
sendo eles: forma republicana, sistema representativo e regime democrático; direitos da pessoa 
28
humana; autonomia municipal; prestação de contas da administração pública direta e indireta 
perante o Tribunal de Contas; aplicação do percentual mínimo exigido da receita dos impostos 
estaduais nos serviços públicos de ensino e saúde pública. Tais princípios ensejam expressamen-
te a intervenção da União em outra entidade federativa (Estado-membro, DF ou município inte-
grante de Território Federal). Os princípios constitucionais extensíveis são aqueles princípios de 
organização do Estado expressamente atribuídos à União federal, mas entendidos extensíveis, 
implicitamente, aos Estados-membros. A doutrina elenca, dentro do conjunto, a organização, 
composição e scalização do Tribunal de Contas; eleições para chefe do Poder Executivo; prin-
cípios básicos do processo legislativo federal etc.
20 – O que é o Município Putativo? E a Reserva do Impossível?
 A tese de município putativo foi objeto de discussão na Ação Direta de Inconstitucionali-
dade da criação do município de Luís Eduardo Magalhães, no estado da Bahia. A ação questio-
nava a criação do município fora de prazo especí co, conforme previsão constitucional expres-
sa. A ADI foi julgada procedente, contudo teve seus efeitos modulados para que a criação do 
município pudesse ser convalidada no prazo de 24 meses. A ideia de município putativo seria, 
tal qual a de casamento putativo, um reconhecimento de que efeitos muito mais nocivos que o 
mero desrespeito ao regramento jurídico poderiam ocorrer com a invalidação de uma série de 
atos em cascata (certidões de nascimento e óbito, contratos das mais variadas espécies), todos 
praticados de boa-fé. A Reserva do Impossível, por sua vez, é a impossibilidade de se anular situ-
ação fática decorrente de decisão política de caráter institucional sem que ocorra uma agressão 
ao princípio federativo.
21 – O que se entende por princípio da conformidade funcional? E por princípio do efeito 
integrador? Relacione a gura do “amicus curiae” com a noção de Constituição Aberta de-
fendida por Peter Haberle.
 A questão versa sobre princípios de hermenêutica constitucional. Pelo princípio da con-
formidade funcional, tem-se vedação a interpretações constitucionais que modi quem ou de-
turpem o arranjo organizacional-funcional delimitado originalmente na Constituição a partir da 
repartição de competências. A partir do princípio do efeito integrador, tem-se que, na leitura do 
texto constitucional, o intérprete deve buscar o sentido que mais contribui para a integração 
política e social. A gura do amicus curiae, hoje expressamente previsto no Código de Processo 
Civil de 2015 enquanto ‘intervenção de terceiros’, tem se mostrado uma ferramenta importante 
no âmbito da Corte Constitucional na discussão de temas de expressiva relevância política, eco-
nômica, social e cultural. De fato, pode-se dizer que se pode considerar o amicus curiae como 
uma expressão – ainda que potencialmente tímida – do alargamento do círculo de intérpretes 
da Constituição, na medida em que a possibilidade de in uência nas decisões da Corte por par-
te de associações civis engajadas, de organizações não governamentais ou mesmo de órgãos 
estatais desa a o dogma do monopólio da legitimidade de interpretação da Constituição por 
um Tribunal (no caso brasileiro, o STF). 
29
22 – O que se entende por derrotabilidade das normas constitucionais? Regras jurídicas po-
dem ser ponderadas? O que é a concordância prática?
 Dirley da Cunha Jr. aponta, em primeiro lugar, que mais adequado seria falar em derro-
tabilidade dos enunciados normativos em vez de derrotabilidade das normas (haja vista serem 
essas últimas fruto da interpretação dos enunciados e da intelecção de diversos outros fatores 
jurídicos e meta-jurídicos). A derrotabilidade (defeasibility) surge na doutrina de Herbert Hart, 
quem admite a possibilidade de não aplicação (afastamento) de determinada norma jurídica 
em casos particulares, não previstos no enunciado, em cuja a aplicação da norma de modo 
meramente subsuntivo (pois presentes estariam todos os requisitos jurídicos formais de apli-
cabilidade da norma) resultaria em grave dano. Um exemplo seria a criminalização da mulher 
que opta pelo aborto de feto anencéfalos. A criminalização da conduta se mostraria de uma le-
sividade desmensurada para uma conduta de periculosidade inexistente e reprovabilidade so-
cialmente controversa. Quanto à possibilidade de ponderação de regras jurídicas, é necessária 
a explicitação do referencial. Majoritariamente (Alexy, Virgílio Afonso da Silva) se entende que 
não se comporta ponderação entre regras jurídicas, resolvendo-se a antinomia pelos critérios 
da hierarquia, especialidade e cronologia. Às regras aplica-se o tudo ou nada. Nos con itos entre 
princípios e regras, tendem essas últimas a prevalecer, a menos que viciadas em sua constitucio-
nalidade. Há entretanto doutrina que entenda pela possibilidade de ponderação entre regras 
(Humberto Ávila); contudo, é necessário explicitar que, para esse último, o conceito de ponde-
ração é um pouco distinto daquele ordinariamente em voga nos tribunais e nas lições doutri-
nárias majoritárias, uma vez que Ávila se debruça sobre o sopesamento de razões, motivos pelos 
quais determinada norma (e nesse ponto, a distinção entre norma-princípio e norma-regra tem 
pouca relevância) deve ser obedecida ou aplicada (enforced). 
 O princípio da concordância prática ou harmonização, por m, exige que os bens jurídi-
cos constitucionalmente protegidos possam coexistir harmoniosamente, sem predomínio de 
uns sobre os outros.
23 – Fale sobre o ativismo judicial e a autocontenção. Quais os subprincípios da proporcio-
nalidade? A proporcionalidade pode autorizar a utilização de uma prova ilícita? 
 Na lição do professor e Ministro do STF Luís Roberto Barroso, o ativismo judicial deriva do 
alargamento do escopo jurisdicional para causas relacionadas a políticas públicas e cidadania. 
Nessas lides, não raro envolvendo discussões acerca do alcance e das restrições a direitos so-
ciais, o judiciário toma papel ativo, determinando medidas concretas a serem observadas pelos 
agentes públicos e pela sociedade, em um juízo substancialmente político, mas juridicamente 
fundamentado. Dentre os famosos casos paradigma de ativismo judicial no Brasil, pode-se citar 
o exemplo da descriminalização do aborto de fetos anencéfalos e a declaração de constitucio-
nalidade das uniões homoafetivas. O oposto ao fenômeno do ativismo judicial é a autoconten-
ção. Nas palavras de Barroso: “o Judiciário procura reduzir sua interferência nas ações dos outros 
Poderes. Por essa linha, juízes e tribunais (i) evitam aplicar diretamente a Constituição a situa-
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ções que não estejam no seu âmbito de incidência expressa, aguardando o pronunciamento do 
legislador ordinário; (ii) utilizam critérios rígidos e conservadores para a declaração de inconsti-
tucionalidade de leis e atos normativos; e (iii) abstêm-se de interferir na de nição das políticas 
públicas. Até o advento da Constituição de 1988, essa era a inequívoca linha de atuação do 
Judiciário no Brasil”.
 Quanto aos subprincípios da proporcionalidade temos a adequação, a necessidade e a 
chamada ‘proporcionalidade em sentido estrito’. A adequação tem sentido teleológico (i.e. por 
esse meio determinado é possível atingir o m visado); a necessidade reporta-se à ausência 
de outra medida que possa tomada; a ‘proporcionalidade em sentido estrito’ trata-se de uma 
razão entre os grupos bene ciados com a medida e os grupo que serão, com ela, prejudicados.

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