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ANGLO ENSINO FUNDAMENTAL ANGLO ano6 º- 1 caderno MANUAL DO PROFESSOR HISTÓRIA capa_final_ANGLO_SOMOS_MP_historia.indd 3 10/7/16 4:46 PM capa_final_ANGLO_SOMOS_MP_historia.indd 2 10/7/16 4:46 PM 6º ano Ensino Fundamental Manual do Professor História Fabiana Saad Ezarchi Sílvia Helena A. B. Brandão Tania Fontolan 1 caderno MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 1 9/28/15 12:54 PM Direção de conteúdo e inovação pedagógica: Mário Ghio Júnior Direção: Tania Fontolan Coordenação pedagógica: Ricardo Leite Conselho editorial: Bárbara M. de Souza Alves, Eliane Vilela, Helena Serebrinic, Lidiane Vivaldini Olo, Luís Ricardo Arruda de Andrade, Mário Ghio Júnior, Marisa Sodero Cardoso, Ricardo de Gan Braga, Ricardo Leite, Tania Fontolan Direção editorial: Lidiane Vivaldini Olo Gerência editorial: Bárbara M. de Souza Alves Coordenação editorial: Adriana Gabriel Cerello Edição: Cláudia P. Winterstein (coord. História e Geografia), colaboração: Lavínia Valadares Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Danielle Modesto, Edilson Moura, Letícia Pieroni, Marília Lima, Marina Saraiva, Tayra Alfonso, Vanessa Lucena Coordenação de produção: Paula P. O. C. Kusznir (coord.), Daniela Carvalho Supervisão de arte e produção: Ricardo de Gan Braga Edição de arte: Daniel Hisashi Aoki Diagramação: Christine Getschko, Fernando Afonso do Carmo, Lourenzo Acunzo, Luiza Massucato Iconografia: Silvio Kligin (supervisão), Claudia Bertolazzi, Claudia Cristina Balista, Ellen Colombo Finta, Marcella Doratioto Licenças e autorizações: Edson Carnevale Cartografia: Eric Fuzii Capa: Daniela Amaral Foto de capa: Eric Isselee/Shutterstock/Glow Images Ilustração de capa: D’Avila Studio Projeto gráfico de miolo: Daniela Amaral Editoração eletrônica: Casa de Tipos Todos os direitos reservados por SOMOS Sistemas de Ensino S.A. Rua Gibraltar, 368 – Santo Amaro CEP: 04755-070 – São Paulo – SP (0xx11) 3273-6000 © SOMOS Sistemas de Ensino S.A. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Brandão, Sílvia Helena A. B. Ensino fundamental, 6º ano : história : caderno 1 : manual do professor / Sílvia Helena A. B. Brandão, Tania Fontolan. -- 1. ed. -- São Paulo : SOMOS Sistemas de Ensino, 2016. 1. História (Ensino fundamental) I. Fontolan, Tania. II. Título. 15-08585 CDD-372.89 Índices para catálogo sistemático: 1. História : Ensino fundamental 372.89 2017 ISBN 978 85 7595 462 1 (PR) Código da obra 824656117 1ª edição 1ª impressão Impressão e acabamento Uma publicação MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 2 10/7/16 2:54 PM SUMÁRIO HISTÓRIA ............................................................................................... 4 Esclarecimentos iniciais ........................................................................... 5 O Caderno 1 ........................................................................................... 11 1. Como solucionar um mistério? À procura de pistas e sinais ................................................ 13 2. O que Sherlock Holmes tem em comum com os estudiosos do passado? ............................ 19 3. Viajando pela Pré-História: a origem da humanidade .......................................................... 23 4. O modo de vida dos primeiros grupos humanos ................................................................. 27 5. Vida urbana e religiosa ........................................................................................................ 31 Módulo interdisciplinar ............................................................................................................. 37 8 MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 3 9/28/15 12:54 PM HISTÓRIA Caros professores, Chegamos a uma nova edição do material de História. Nesta jornada, juntou-se a nós uma nova autora: Fabiana Saad Ezarchi. Ela também conjuga a formação teórica à experiência em sala de aula, junção que consideramos importante para a elaboração de um material atualizado e exequível. Ao longo destes anos, o material tem se consolidado como uma experiência de múltipla autoria: nossa e dos professores usuários, que interagem conosco nos eventos e pelos canais de comunicação de que dispomos. Desses diálogos, emergiram a criação de uma seção específ ca para testes, a ampliação da utilização de infográf cos, a inserção de determinados temas (como o surgimento das cidades e o monoteísmo) e a supressão ou o reordenamento de outros. Empolga-nos, de maneira espe- cial, a participação periódica na seção interdisciplinar: dessa forma, podemos contribuir com a abordagem da História na problematização de fenômenos que compõem a realidade da maneira como ela se apresenta e é percebida no dia a dia. Também nos preocupamos em enriquecer as propostas e a troca de experiências presentes no Manual do Professor. Gostaríamos que ele fosse um contributo real para a organização dos professores, sem a pretensão de esgotar ou formatar de modo rigoroso as abordagens das aulas. Esperamos que esta nova edição atinja suas expectativas. E renovamos o convite para a ma- nutenção e o aprofundamento do diálogo constante que mantemos. As autoras. 84 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 4 9/28/15 12:54 PM Esclarecimentos iniciais O Ensino de História em tempos de redes sociais Há pelo menos duas décadas, educadores do mun- do todo vêm se deparando com o desafio de propor formas mais eficazes de preparação de indivíduos para as exigências atuais e futuras: da constatação de que a escola não pode ser apenas transmissora de acer- vo de conhecimentos acumulados pela humanidade (embora essa função se mantenha) à necessidade de efetivamente dotar os alunos da capacidade de conti- nuarem a aprender quando estiverem fora da escola, ao final dos ciclos básicos de aprendizagem. Ou seja, de serem capazes de compreender e de incorporar de forma crítica novidades que sequer existiam quando estavam na escola (e, por isso, não podiam ser trans- mitidas naquele momento). Nessa direção, em muitos países, entidades oficiais, universidades, organizações não governamentais, fóruns de educadores, entre outras instituições, formularam pro- postas para tornarem as escolas espaços privilegiados para o desenvolvimento de habilidades e competências individuais, necessárias a esses novos tempos, bem como para uma socialização solidária e responsável. Essas discussões e propostas também chegaram ao Brasil e, em grande parte, foram formalizadas nos Parâme- tros Curriculares Nacionais (PCN). Nessa obra, elaborada pelo Ministério da Educação (MEC) e publicada em 1998, diversos educadores propuseram orientações pedagógi- cas, metodológicas e conteúdos disciplinares para adequar a educação brasileira aos novos paradigmas. Em nosso entendimento, as propostas dos PCN são ferramentas importantes para que a escola deixe de ser um espaço de transmissão burocrática do conhecimento acumulado e se torne um lócus privilegiado de formação de indivíduos conscientes, que se aprimoram continuamente e mantêm relações sociais responsáveis e solidárias. Espera-se que os alunos desenvolvam a capacidade de reflexão e interajam com os meios natural e social em que vivem. Nesse sen- tido, devem ser estimulados a buscar novas informações, processá-las e aplicá-las em seu cotidiano. Segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, vive- mos a era da “modernidade líquida”: Líquidos mudam de forma muito rapidamente, sob a menor pressão. Na verdade, são incapazes de manter a mesma forma por muito tempo. No atual estágio “líquido” da modernidade, os líquidos são deliberada- mente impedidos de se solidificarem. A temperatura elevada – ou seja, o impulso de transgredir, de substi- tuir, de acelerar a circulação de mercadorias rentáveis – não dá ao fluxo uma oportunidade de abrandar, nem o tempo necessário para condensar e solidificar-seObjetivos • Refletir sobre a origem da humanidade. • Conceituar Pré-História. • Identificar nos mitos possíveis fontes para o conhecimento do cotidiano e da forma de pensar das sociedades. Roteiro de aulas (sugestão) Aula Descrição Anotações 5 Retorno das tarefas 3 e 4 do Módulo 2 Você já pensou nisso? Atividade 1 Teste (item 1) * Orientações para a tarefa 1 (Em casa) 6 Correção da tarefa 1 A Pré-História Como tudo começou? O que os mitos explicam Atividade 2 (em grupo) Teste (item 2) * Orientações para a tarefa 2 (Em casa) 7 Retorno da tarefa 2 As explicações científicas Atividade 3 Teste (item 3) * Orientações para a tarefa 3 (Em casa) * Os testes podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa. Noções básicas • Classificar uma sociedade como pré-histórica significa que as únicas fontes de informação sobre ela são os do- cumentos não escritos. • Os mitos podem ser considerados fontes históricas, pois podem nos dar indícios da sociedade que o criou. Estratégias e orientações Ativação de conhecimento prévio Pergunte aos alunos como é possível saber o que aconteceu no passado. A ideia é que eles se lembrem das primeiras aulas do Caderno, que tratam do trabalho do arqueólogo e do historiador. Esse questionamento abre espaço para os temas a serem tratados nas próximas aulas: como os mitos e a ciência explicam a origem dos seres humanos. 3. VIAJANDO PELA PRÉ-HISTÓRIA: A ORIGEM DA HUMANIDADE 823 M a n u a l d o P ro fe ss o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 23 9/28/15 12:54 PM Motivação Peça aos alunos que observem a linha do tempo da abertura do Módulo. Chame a atenção deles para a dis- tância entre o início do planeta Terra e o surgimento do Homo sapiens. Em seguida, proponha os questionamen- tos do boxe Você já pensou nisso?. Desenvolvimento Após o trabalho com o boxe Você já pensou nisso?, explique aos alunos que eles vão se preparar para jogar. Peça que, individualmente, eles recortem as imagens que estão nos anexos 1 e 2 (páginas 159-164) para que em seguida possam montar o peão, dado e o tabuleiro. Dê um tempo para que façam o recorte, a dobradura e a colagem. Ande pela sala de aula e verifique se alguém está precisando de ajuda. Em seguida, assim que todos estiverem munidos com seus peões e dados, organize grupos de, no máximo, quatro alunos cada. Procure montar grupos diversifica- dos, com alunos de diferentes personalidades e níveis de aproveitamento escolar. Assim, um auxilia o outro e, nas trocas, é possível dar a oportunidade para que a aprendizagem ocorra de forma compartilhada. Ao propor o jogo, estamos ajudando o aluno a com- preender de forma lúdica o conteúdo estudado. Peça a eles que definam quem iniciará o jogo, por meio de um sorteio. Explique que, ao iniciarem as jogadas, terão de prestar atenção nos textos que aparecem no boxe de instruções, respeitando o andamento das casas. Se perceber que os alunos estão gostando, deixe que joguem mais de uma vez. Para concluir, proponha oralmente o item 5 da Ativida- de 1. Ouça o que os alunos têm a dizer e só em seguida peça que registrem no Caderno. Inicie a aula sobre a Pré-História pedindo a alguns alunos que leiam o item “A Pré-História”. Em seguida, retome o segundo tópico do Você já pensou nisso?. Peça a eles que comparem suas respostas – a que foi apre- sentada na seção e a atualizada – e esclareça os termos “Pré-História” e “História”, caso ainda tenham dúvidas. Em seguida, aborde os mitos de origem. Comente com os alunos que essas histórias surgem das tentativas dos seres humanos de explicar questões básicas, relaciona- das à existência. Elas representam uma das respostas à questão universal que persegue a todos: de onde viemos? Enfatize que os mitos são fontes históricas, não sobre o evento que narram, mas sobre os povos que os pro- duziram, pois eles revelam aspectos do cotidiano e da forma de pensar do povo que o criou. Explique também que os mitos fazem sentido para os seus criadores. Proponha a leitura compartilhada dos mitos e faça pequenas pausas para verificar se eles estão entendendo. Ao trabalhar os mitos, ressalte que as semelhanças entre eles revelam a existência de questões universais, válidas para todos os povos (tais como a ideia de um Criador e a superioridade dos homens em relação aos demais seres vivos), enquanto as diferenças revelam as singularidades de cada povo, relativas a seu modo de viver e de pensar. Concluída essa parte, proponha aos alunos que se organizem em grupos de três para trabalhar os mitos compartilhando seus conhecimentos e suas habilidades com os colegas. A Atividade 2 tem a intenção de permitir uma melhor compreensão dos mitos, além de trabalhar um procedimento essencial ao ensino de História: leitura e compreensão de texto. Esse trabalho deve ser feito em grupo e está pro- gramado para ser desenvolvido em duas aulas, pois os alunos deverão fazer leituras, vocabulário, interpretação do texto, além de elaborar questões que serão propostas aos outros grupos. Combine com eles as regras dessa atividade e peça que sigam as instruções. a) Fazer a releitura dos mitos, silenciosamente. b) Listar as palavras desconhecidas e buscar o significado delas no dicionário. c) Elaborar cinco questões sobre os mitos, as quais serão propostas, oralmente, aos outros grupos. Solicite aos alunos que anotem as questões no caderno de classe. Ao terminarem essa parte da Atividade 2, peça a cada grupo que entregue as questões elaboradas. Eles terão cinco minutos para se preparar para a compe- tição com os outros grupos da sala. Enquanto isso, monte o placar na lousa e selecione as questões, de tal forma que elas não sejam apresentadas ao grupo que as criou. Faça um sorteio para definir por qual grupo iniciar a atividade. Em seguida, proponha a primeira questão. Conceda alguns poucos minutos para que os alunos possam debater. Caso a resposta esteja errada, peça aos autores da questão que a respondam. Anote no placar um ponto para o grupo que acertar e menos um para o que errar. Conclua a aula com o tópico “Explicações científicas” e proponha a Atividade 3, estabelecendo as diferenças entre mito e conhecimento científico. Na medida do possível, e dentro da mesma perspectiva, os Cadernos posteriores apresentarão outros povos e seus respectivos mitos de origem. 824 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 24 9/28/15 12:54 PM Respostas e comentários Você já pensou nisso? (página 127) • Por meio da pesquisa sobre os vestígios que os primei- ros seres humanos deixaram. • Não é possível dizer que os povos que não desenvolve- ram a escrita não têm história. Embora, nesses casos, a escrita não seja uma possibilidade de sabermos o que aconteceu naquela época, temos os vestígios que são analisados por arqueólogos, e outros profissionais, que procuram saber como era o modo de vida daqueles povos. Atividade 1 (página 128) 5. O aparecimento do Homo sapiens é bem recente se comparado com a formação da Terra e o surgimento dos pequenos mamíferos. Atividade 2 (página 132) 2. Verifique se os alunos precisam de auxílio na organi- zação do glossário. Se for necessário, ajude-os a buscar o significado das palavras no contexto. 3. Verifique se as questões que os alunos elaboraram são realmente pertinentes e estão de acordo com o assunto tratado nos textos. 4. Ao elaborarem o gabarito, os alunos terão a oportuni- dade de conferir se as questões que formularam têm resposta. Verifique se eles estão cumprindo essa tarefa e explique que terão de responder, caso o grupo ques- tionado não consiga fazê-lo. Atividade 3 (página 132) 1. Os mitos utilizam histórias simbólicas. Já as explicações científicas são baseadas em dados concretos e métodos de investigação rigorosos. 2. Para saber como era o modo de vida dos povos da Pré- -História, podemos usar como base os trabalhos cien- tíficos e, ainda, lançar mão de outras fontes. Os mitos,por exemplo, também podem nos ajudar a entender as crenças e o modo de pensar de povos do passado. Teste (página 133) 1. Alternativa C. Os alunos estudaram que o trabalho do arqueólogo permite que se pesquise em vestígios muito antigos. Assim, devem ser eliminados os outros itens que apresentam claramente informações incorretas. Os relatos escritos só seriam possíveis a partir de 6 mil anos atrás; na época do surgimento dos primeiros seres humanos não havia fotografia e muito menos filmes. 2. Alternativa D. A questão exige que os alunos interpre- tem o texto, entendendo sua essência. Como aborda as diversas visões sobre o mito, a única alternativa possível é a que assume que a palavra tem diversas definições. 3. Alternativa A. Na aula, os alunos tiveram a oportu- nidade de aprender que as explicações científicas não estão baseadas exclusivamente nos mitos. Elas baseiam-se em um trabalho rigoroso e metódico. Tendo clareza desse fato, as outras alternativas serão eliminadas por apontar apenas para explicações ba- seadas em crenças religiosas. Em casa (página 133) 1. 3 2 1 2. Os alunos devem grifar: o aperfeiçoamento do Uni- verso; a criação do céu, da terra, da vegetação, dos rios e dos oceanos, da lua e do sol e, finalmente, a humanidade. Os mitos podem ser parecidos porque, independentemente da sociedade que o criou, eles tentam responder questões essenciais aos seres huma- nos: o surgimento do mundo, da vida e do homem. 3. Peça aos alunos que mostrem o desenho que fizeram e justifiquem a escolha do mito. Trabalhe a coerência entre o texto e a sua representação por meio do desenho. Sugestão de material para consulta Textos de apoio ao professor Sobre o mito [...] Quando Augusto Comte, filósofo francês do século XIX e fundador do positivismo, explicou a evolução da humanidade com a teoria dos três estados, definiu a maturidade do espírito humano pelo abandono de to- das as formas míticas e religiosas. Com isso estava pri- vilegiando o fato positivo, ou seja, que é objetivo e que pode ser medido e controlado pela experimentação. Essa posição opõe radicalmente o mito à razão, ao mesmo tempo em que inferioriza o mito como uma ten- 825 M a n u a l d o P r o fe s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 25 9/28/15 12:54 PM tativa fracassada de explicação da realidade. Ao criticar o mito, o positivismo se mostra reducionista, empobre- cendo as possibilidades do mundo abertas ao homem. A Ciência é necessária, mas não é a única interpretação válida do real, nem é suficiente. Quando assim exaltada, faz nascer o mito da cientificidade: a crença na ciência como única forma de saber possível é geradora de outros mitos também prejudiciais, como o mito do progresso, cujo fruto mais amargo é a tecnocracia, assim como os mitos da objetividade e neutralidade científicas. Contrariando o positivismo, precisamos dar ao mito, ainda hoje, um lugar de importância como forma fundamental de todo viver humano. Ele é a primeira leitura do mundo, e o advento de outras abordagens do real não expulsa do homem aquilo que constitui a raiz da sua inteligibilidade, isto é, o mito é o ponto de partida para a compreensão do ser. Em outras palavras, tudo o que pensamos e quere- mos se situa inicialmente no horizonte da imaginação, nos pressupostos míticos, cujo sentido existencial serve de base para todo trabalho posterior da razão. [...] Mito e razão se complementam mutuamente. ARANHA, M. Lucia de Arruda; MARTINS, M. Helena Pires. Filosofando. São Paulo: Moderna, 1987. p. 27. 8 26 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 26 9/28/15 12:54 PM 4. O MODO DE VIDA DOS PRIMEIROS GRUPOS HUMANOS AULAS 8 a 10 Objetivos • Entender, em linhas gerais, o processo de hominização. • Conhecer o modo de vida dos primeiros grupos humanos. • Refletir sobre a origem dos seres humanos e as formas de sobrevivência. • Diferenciar Paleolítico e Neolítico. Roteiro de aulas (sugestão) Aula Descrição Anotações 8 Retorno da tarefa 3 do Módulo 3 Você já pensou nisso? O que a ciência conta sobre a origem dos seres humanos O processo de hominização Para sobreviver, era preciso andar muito! Com a palavra, o historiador Atividade 1 (em grupo) Teste (item 1) * Orientações para a tarefa 1 (Em casa) 9 Retorno da tarefa 1 A descoberta do fogo Atividade 2 Teste (item 2) * Orientações para a tarefa 2 (Em casa) 10 Retorno das tarefas 1 e 2 Plantar para poder ficar A divisão da Pré-História: Paleolítico e Neolítico Atividade 3 Teste (item 3) * Orientações para a tarefa 3 (Em casa) * Os testes podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa. Noções básicas • As características físicas dos primeiros seres humanos que habitavam o planeta Terra eram bem diferentes das que possuímos hoje. • Da origem dos seres humanos até os nossos dias ocorreu um longo processo de transformação que durou mi- lhões de anos. • O processo de transformação vivenciado pelos seres humanos, desde a sua origem, dependeu de um conjunto de fatores, como as condições físicas e naturais que tiveram de enfrentar, além das expectativas dos grupos em relação à sua sobrevivência. 827 M a n u a l d o P r o fe s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 27 9/28/15 12:54 PM Estratégias e orientações Ativação de conhecimento prévio Pergunte aos alunos se eles se lembram há quanto tempo surgiram os primeiros seres humanos no planeta Terra. Para os que não se lembrarem, sugira que con- sultem a imagem de abertura do Módulo 3. Depois de ouvir as respostas, proponha outra questão: “Como vocês imaginam a vida na Pré-História?”. Por meio das respostas dadas pelos alunos, o professor poderá ter uma ideia do que eles sabem sobre o assunto. Esse conhecimento prévio que emerge da atividade de ativação deve nor- tear os ajustes da condução da aula, pois ao conhecer os equívocos, os erros e os acertos de seus alunos, o professor poderá conduzir a aula de forma a gerar o melhor resultado. Motivação Apresente as imagens de instrumentos produzidos por povos que viveram na Pré-História. Peça aos alunos que observem e, em seguida, proponha as questões da seção “Você já pensou nisso?”. Abra espaço para que os alunos levantem hipóteses, que demonstrem o que já sabem e, também, o que ainda não sabem sobre o assunto a ser estudado. Ouça o que eles têm a dizer e explique que no decorrer das aulas terão a oportunidade de conferir as respostas. Desenvolvimento Inicie o tópico da aula comentando a antiguidade da espécie humana. Explique que os primeiros seres, os hominídeos, precisaram passar por muitas transformações físicas e mentais para chegar ao Homo sapiens. Peça aos alunos que observem a ilustração que mostra as transformações físicas que ocorreram nos hominídeos e suas consequências. Se for possível, projete a imagem que está no Caderno do Aluno (página 136) e solicite a alguns alunos que leiam partes do texto. Chame atenção para os elementos que possibilitaram melhor adaptação dos seres humanos ao meio ambiente. Discuta com eles que os avanços aqui apresentados garantiram, ao longo do tempo, a sobrevivência de certos grupos, mas pro- moveram o desaparecimento de outros. Leia para a classe o título “Para sobreviver, era preciso andar muito!” (página 137). Peça aos alunos que pensem no título e levantem hipóteses sobre o assunto do texto. Ouça o que eles têm a dizer. É provável que associem a expressão “andar muito” à busca de alimentos. Em seguida, proponha a leitura do texto como um desafio: confirmar ou refutar suas hipóteses. Terminada a leitura, que pode ser compartilhada, solicite que comentem suas impressões sobre o que leram em relação às hipóteses levantadas por eles. Explique que, durante muito tempo (e também nos dias de hoje), os seres humanos mudavam constantemen- te de lugar em busca de alimentos. Estabeleça, então, a relação com o conceito de nomadismo. Para trabalhar como conceito de cultura, peça aos alunos que leiam a definição que está no Caderno (pági- na 137). Em seguida, solicite que troquem ideias com um colega da classe, por poucos minutos, e tentem elaborar exemplos concretos, nos dias de hoje, de convivência – pacífica ou não – de diferentes culturas. Conclua o as- sunto destacando a diversidade das formas de existência. Organize a turma em grupos para fazer a Atividade 1. Explique que primeiro eles farão uma leitura silenciosa do texto “O processo de hominização” (página 136) para, em seguida, compartilhar com os colegas do grupo o seu entendimento sobre o assunto. Somente após terem se inteirado do conteúdo do texto devem iniciar o preen- chimento do quadro conceitual. Ao trabalhar o tópico “A descoberta do fogo”, apro- veite para chamar a atenção deles sobre dois elementos importantes para o ensino de História: a descoberta da técnica de produção do fogo como parte das ações dos seres humanos para sua sobrevivência, e a mudança que essa descoberta provocou na estrutura das sociedades estudadas. Proponha que eles leiam, silenciosamente, o texto da Atividade 2. Em seguida, peça que se organizem em duplas para que possam trocar ideias sobre o texto e responder às questões. Antes de iniciar o trabalho com o tópico “Plantar para poder ficar”, solicite aos alunos que levantem hi- póteses sobre como os seres humanos conseguiram descobrir as técnicas de produção do alimento, ou seja, da agricultura. Ouça o que têm a dizer e, em seguida, explique o processo. Trabalhe o conceito de simultaneidade e deixe claro que os grupos humanos se deslocavam e, por isso, enfren- tavam diferentes ambientes e estímulos. Assim, no mundo, conviviam povos com diferentes características culturais, econômicas, sociais, etc. Comente com eles que muitos povos, simultaneamente, viveram em diferentes fases de desenvolvimento humano e técnico. Assim, era possível encontrar grupos humanos vivendo no Paleolítico e ou- tros, na mesma época, trabalhando com a forja de metais. Encaminhe a Atividade 3 individualmente. Na corre- ção, se for possível, projete as imagens. Com base nelas, retome o conteúdo e faça a conclusão do assunto. Respostas e comentários Você já pensou nisso? (página 135) • Hipóteses: pontas de lanças; pontas de machado. • Os primeiros seres humanos dependiam muito dos recursos naturais fornecidos pelo ambiente habitado 828 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 28 9/28/15 12:54 PM por eles. Por exemplo: seus instrumentos e armas eram feitos com pedra, madeira, entre outros elementos en- contrados na natureza; o acesso ao fogo, antes do desenvolvimento da técnica para produzi-lo, era ao acaso. O mesmo ocorria com os alimentos que dependiam da coleta, da caça e da pesca. Atividade 1 (página 138) 1. SURGIMENTO DOS SERES HUMANOS CERCA DE 5,5 MILHÕES DE ANOS Processo de... Hominização Mudanças Longo processo de transformação Músculo Cérebro Sistema nervoso Bipedismo Melhor deslocamento Melhor observação dos acontecimentos Aumento da caixa craniana Mãos livres Desenvolvimento do aparelho fonador Desenvolvimento das capacidades intelectuais Comunicação com o grupo Prever Projetar Produzir Proporcionou... Segurar alimentos Facilita a caça Mais fácil enxergar animais ferozes Locomover-se com filhotes no colo 2. Os itens que devem ser assinalados pelos alunos são: rio; tigre-dentes-de-sabre; árvores com frutos; machado feito com pedra lascada e madeira; uma parede rochosa com pintura rupestre; uma tenda feita de galhos e coberta por folhas; uma lança com a ponta feita de pedra lascada. Atividade 2 (página 141) 1. Os primeiros caçadores surgiram a partir de 50 mil anos a.C. 2. Por meio do estudo das marcas presentes nos ossos do cavalo, é possível identificar o que ocorreu no passado. Ao pesquisar as marcas de dentes de animais e os cortes feitos com o sílex, os arqueólogos puderam, inclusive, determinar a ordem dos acontecimentos: primeiro houve corte com sílex e, depois, arranhões causados por dentes de hienas. 3. a) Martelo, biface e lanças de madeira. b) Ossos de animais e sílex. c) Carne de cavalo; medula. 4. Item a (vermelho): – Outros ainda empunhavam suas lanças de madeira. – [...] substituir suas lanças, confeccionar um novo martelo [...] – [...] tirando lascas para dar uma forma arredondada de um biface [...] Item b (verde): – Seis estavam de cabeça baixa, trabalhando o sílex. – Eles já haviam preparado alguns dos grandes nódulos de sílex [...] – [...] confeccionar um novo martelo com osso de cavalo para trabalhar o sílex [...] 829 M a n u a l d o P r o fe s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 29 9/28/15 12:54 PM Item c (azul): – [...] eles correram para a carcaça do cavalo e começaram a cortar a carne. – [...] quando os ossos ficaram expostos, esmagaram os maiores para extrair a medula. – Parte da carne foi consumida ali mesmo; as melhores postas foram levadas ao topo da falésia, onde o grupo estava acampado, e consumidas à vontade. 5. Sugestão de resposta: Os vestígios contam a história dos seres humanos pré-históricos da Inglaterra. Atividade 3 (página 145) 2. a) b) c) d) Teste (página 146) 1. Alternativa A. Os alunos devem considerar o que aprenderam em aula, ou seja, que a ciência se baseia nos es- tudos e nas pesquisas sobre os vestígios arqueológicos. As outras alternativas estão incorretas, pois explicações baseadas na Bíblia fazem parte do criacionismo e não são científicas; a pesquisa baseada exclusivamente em mitos não seria suficiente para nos dar respostas e, finalmente, como se trata do estudo sobre a origem dos seres humanos, não seria possível contar com documentos escritos. 2. Alternativa C. Os alunos devem considerar o que aprenderam em aula: para o desenvolvimento da caça foi ne- cessária a combinação de diversos fatores. Força física, habilidade com as armas e inteligência, isoladamente, não seriam suficientes. 3. Alternativa D. Os alunos devem considerar o que foi estudado na aula: para o desenvolvimento da agricultura houve um longo processo de observação da natureza e muitas tentativas de imitá-la. O item “a” apresenta uma informação errada sobre a abrangência da agricultura. Os itens “b” e “c” invertem o processo de domínio das técnicas. Em casa (página 147) 1. a) ( × ) Facilidade para se deslocar. ( × ) Observação mais eficaz dos acontecimentos ao redor. b) Sim, pois, com as mãos livres, os seres humanos puderam desenvolver e aprimorar suas habilidades manuais. 2. Os seres humanos são dotados de inteligência. Têm a capacidade de analisar as situações e planejar; de construir instrumentos e armas; de se organizar e viver em grupo (coesão social); possuem habilidade física e acuidade mental. 3. (M) Instrumentos de trabalho mais resistentes. (D) Diminuição da necessidade da caça. (C) Armazenamento de alimentos. (A) Maior tempo de fixação de moradia. 830 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 30 9/28/15 12:54 PM AULAS 11 e 12 Objetivos • Entender como se deu o surgimento das cidades e as peculiaridades de sua localização. • Associar a organização das cidades com a complexificação social e com o surgimento do estado. • Tomar contato com o que há de universal e com o que há de específico nas crenças e manifestações religiosas. Roteiro de aulas (sugestão) Aula Descrição Anotações 11 Retorno da tarefa 3 do Módulo 4 Você já pensou nisso? Novas experiências: as cidades Novas formas de poder: força e convencimento Cidades e civilização Atividade 1 Teste (item 1) * Orientações para as tarefas 1 e 2 (Em casa) 12 Retorno das tarefas 1 e 2 Crenças religiosas: uma prática universal O culto às forças da natureza e o politeísmo O monoteísmo O respeito às diferenças religiosas Atividade 2 Teste (item 2) * Orientações para a tarefa 3 (Em casa) * Os testes podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa. Noçõesbásicas • As cidades surgiram como formas de organização espacial e social decorrentes do aumento das comunidades e de uma maior divisão e especialização de tarefas. • As formas de religiosidade vividas pelas comunidades foram diversas, com uma motivação comum: buscar res- postas sobre a existência humana e os fenômenos naturais. • É importante entender e valorizar as variadas formas de organização social e as diversas vivências religiosas. Estratégias e orientações Ativação de conhecimento prévio Retome as grandes linhas do Módulo anterior: a agricultura e a pecuária significaram a conquista da produção de alimento (em contraposição à coleta e à caça). Ao produzir alimentos em um mesmo espaço, os homens puderam abandonar o nomadismo e se fixar em um único lugar. 831 M a n u a l d o P r o fe s s o r 5. VIDA URBANA E RELIGIOSA MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 31 9/28/15 12:54 PM Motivação Apresente aos alunos uma imagem da Terra observa- da do espaço durante a noite. A imagem pode ser en- contrada na internet (disponível em: . Acesso em 22 ago. 2015) e também no Caderno Digital. Pergunte a eles se reconhecem a imagem. Por que algumas áreas estão mais claras que outras? Espera-se que eles falem que as áreas mais claras são as que têm luz (iluminação à noite). Por que há regiões com grande concentração de áreas claras e outras nem tanto? Eles provavelmente dirão que as áreas mais claras são as mais habitadas. O que caracteriza essa concentração de ocupação e habitação? Espera-se que eles comentem que as maiores concentrações popula- cionais estão nas cidades. Diga-lhes, então, que estudarão como surgiram as cidades na história da humanidade. Desenvolvimento Sugerimos duas possibilidades de abordagem deste Módulo. 1. Aulas expositivas Inicie a aula explorando o boxe Você já pensou nisso?. Depois de mencionar para os alunos que eles estudarão os locais onde surgiram as primeiras cidades, estimule- -os a perceber no mapa da abertura do Módulo que as primeiras cidades se estabeleceram perto de grandes rios. Nas aulas de Matemática, eles já tiveram uma menção a esse fato. Nessa atividade, eles devem recuperar essa informação, observando-a no mapa, e ir além: interaja novamente com os alunos para que expliquem essa ca- racterística comum. Seria coincidência ou existiria uma razão prática? Conduza a discussão de maneira que pen- sem na resposta considerando o que aprenderam nas aulas de Matemática e no Módulo anterior de História. Espera-se que concluam que, em meio a uma série de descobertas para a sobrevivência, a fixação das popula- ções somente seria possível em áreas próximas a fontes de água (não havia tecnologia disponível para trazer água “de muito longe”). Comente com eles que o surgimento das cidades não se deu de uma hora para outra. As pequenas comuni- dades se tornaram aldeias e foi o crescimento ou junção destas que deu origem às cidades. No entanto, o que diferenciava uma cidade de uma aldeia não era apenas a quantidade de pessoas, mas a forma de organização interna. Uma maneira de esquema- tizar o que possivelmente aconteceu no desenvolvimento das cidades é a seguinte: Sobra de alimentos. Pessoas liberadas de produzir alimentos dedicam-se a outras atividades: artesanato, comércio, defesa, etc. Especialização desenvolve cada vez mais as técnicas de cada área de atuação. Maior sobra de alimentos e de produção artesanal: mais população, mais comércio. Diferenciação social crescente: alguns grupos com mais posses, outros com menos. Desenvolvimento da escrita. Surgimento do Estado. Mais conflitos internos, mais ameaças externas: o líder ganha mais poderes e se torna governante. Imposição de regras (controle de soldados), ligação com poderes religiosos (apoio de sacerdotes), cobrança de tributos (apoio de escribas e funcionários do governo). Pensamos que a construção de um quadro sinóti- co como esse ajuda o aluno a acompanhar a sequente complexificação do funcionamento das cidades e o sur- gimento do Estado. Não deixe de destacar o surgimento da escrita. O mo- tivo de muitos estudiosos relacionarem seu surgimento à necessidade de controle da produção e dos tributos não muda o fato de que ela passou a servir a muitos propósitos: relato do cotidiano, das ideias, forma de co- municação, entre outros. 832 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 32 9/28/15 12:54 PM Em uma perspectiva de “aprendizagem em es- piral”, este é um primeiro momento do curso no qual o aluno toma contato com esse modelo de organização social, econômica e política. No de- correr do curso, esses elementos serão constante- mente retomados, em meio ao estudo específico das sociedades. Portanto, não é hora de grandes aprofundamentos ou exploração exaustiva do tema. Finalize essa parte, destacando a relação entre o termo “cidade” e o termo “civilização”. Achamos importante destituir as palavras “civilização” e “civilizado” de um sentido “qualitativo”, sinônimo de evoluído ou melhor. Em vez disso, explorar a origem da palavra e seu signi- ficado “descritivo” – relativo à cidade (ou a uma cidade/ cultura) ou, ainda, àquele que vive nas cidades – tira a conotação pejorativa do “não civilizado”. Nesse sentido, é preciso lembrar que muitas pessoas continuaram (e continuam) a viver em aldeias ou em áreas não classifi- cadas como cidades. E isso não fazia (e não faz) delas pessoas melhores ou piores (apenas se organizavam de maneira diferente de quem vivia nas cidades). A questão da escrita também precisa ser bem di- mensionada: embora tenha significado um domínio importante para registros das mais variadas espécies e finalidades, sociedades que desenvolveram a escrita depois ou não a desenvolveram encontraram formas próprias para transmissão de conhecimentos e controle de informações. Para introduzir a segunda parte do Módulo, as cren- ças religiosas, aproveite o gancho anterior: da mesma maneira que as diferentes formas de viver e de se or- ganizar, as diferentes formas de crer também devem ser respeitadas. Destaque o fato de ser universal a relação das comuni- dades humanas com a religiosidade. E que essa vivência sempre buscou dar sentido à vida dos humanos: explicou sua origem, os fenômenos que os cercavam, a morte e muitos outros aspectos da realidade. Exponha, então, as três grandes formas estruturais de religiosidade e transcendência: as crenças nas forças da natureza, o politeísmo e o monoteísmo. Comente as características de cada uma dessas formas e pergunte aos alunos se conhecem expressões dessas religiosidades. Não as apresente numa sequência “evolutiva”, mas como expressões coexistentes. Destaque a especificidade do monoteísmo, surgido entre os hebreus. Enquanto a crença nas forças da na- tureza e o politeísmo estiveram presentes em muitas sociedades, o monoteísmo surgiu entre os hebreus que, durante muito tempo, foram o único povo a cultuar um único Deus. Comente com eles que o monoteísmo hebraico (também conhecido como judaísmo, em razão do reino de Judá) esteve e está presente no cristianismo e no islamismo. A tônica da abordagem, no entanto, não deve se prender ao factual. O eixo de apresentação e a problematização devem mostrar uma prática universal (a busca e a expressão da transcendência religiosa), com expressões e formatações locais – as diversas crenças, os diversos deuses (ainda que em sociedades monoteístas), os diversos ritos. Dessa forma, a tolerância religiosa e o respeito a expressões diferentes são mostradas aos alunos como práticas de coexistência adequada entre povos tão diversos e tão iguais. 2. Aula operatória da primeira parte do Módulo Objetivos Desenvolver: • habilidade de transposição de texto escrito para se- quência ilustrada; • procedimentos para trabalho em grupo; • habilidade de exposição oral. Depoisda introdução da aula (sedentarização, cres- cimento e junção de aldeias, surgimento das cidades), proponha aos alunos que façam uma história em qua- drinhos sobre as características de complexificação das cidades. Procedimentos • Divida a turma em quatro grupos (ou seis, se a classe for muito grande). • Divulgue ao grupo o quadro sinótico da página 31 deste Manual do Professor (ou proponha às equipes que criem um, com base no texto. Se optar por esse desenvolvimento, esse item deve compor a avaliação proposta a seguir). • Os diferentes aspectos desse processo devem ser re- gistrados, ponto a ponto, por meio de desenhos em forma de HQ, em cartolina ou Power Point (fixo ou animado como filme). • Cada grupo deve fazer a apresentação oral de sua sequência ilustrada, sem que o texto do quadro si- nótico acompanhe os desenhos. Ou seja, a referência ilustrada deve ser o condutor da apresentação (e não o texto). Avaliação da atividade dos grupos Se a aula operatória for realizada, é importante que o professor destaque não apenas os conteúdos que estão sendo estudados e expressos em imagens, mas o ato de trabalhar em equipe e a apresentação oral. 833 M a n u a l d o P r o f e s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 33 9/28/15 12:54 PM Portanto, utilize um quadro como o abaixo para orientar os alunos em relação às suas expectativas e para dar a devolutiva da atividade. Parâmetro Insuficiente (de 0 a 0,75 ponto) Suficiente (de 1 a 1,5 ponto) Bom (de 1,75 a 2 pontos) Sequência ilustrada do tema As ilustrações não permitiam a identificação do aspecto abordado. As ilustrações permitiam a identificação dos aspectos abordados, mas sua sequência ficou confusa. As ilustrações permitiam a identificação dos aspectos abordados, sua sequência ficou clara e compreensível. Trabalho em equipe Desorganização e má dis- tribuição das tarefas entre os componentes do grupo. Fraca participação dos componentes do grupo. Razoáveis organização e distribuição das tarefas entre os componentes do grupo. Razoável participação dos componentes do grupo. Boa dinâmica de grupo. Ativa participação dos componentes do grupo. Bom desenvolvi- mento das tarefas propostas. Apresentação oral Postura inadequada: expli- cação “decorada” ou pouco compreensível das imagens. Apresentação irregular: alter- nou bons e maus momentos. Apresentação adequada: clara, permitiu a compreensão das imagens apresentadas. Respostas e comentários Você já pensou nisso? (página 148) • Todas as cidades apontadas no mapa se localizavam próximas a rios. • Espera-se que os alunos relacionem esta proximida- de à importância da água para a sobrevivência das pessoas. Um grupo só poderia se fixar em um lugar se houvesse água ao seu alcance (para beber e para irrigar as plantações, alimentar animais, na pecuária ou para fornecer peixes). Atividade 1 (página 153) a) Sim. Na primeira faixa estão o rei e os nobres que são próximos a ele. Podemos identificar também um músico nessa faixa. Nas faixas de baixo estão os trabalhadores. Podemos identificar pessoas com animais (pecuária) e com peixes e pessoas carre- gando sacas, que podem ser alimentos ou produtos de artesanato. b) Porque acreditam que ele tem ligação especial com os deuses e também porque são obrigados a fazê-lo. O rei cobrava tributos e utilizava o que recebia para sustentar sua estrutura de poder. Atividade 2 (página 156) a) A intolerância religiosa é o não reconhecimento do direito de as pessoas terem a própria religião; atitude de desrespeito com quem tem uma religião diferente. b) Resposta pessoal. Na correção, alguns casos podem ser lidos e comentados. c) Se possível, a atividade deve contemplar a elaboração de cartazes. Todas as frases podem ser expostas em cartazes (cartolina ou A4 impressos). As frases devem incentivar a tolerância religiosa. Exemplos: “Religião combina com amor, não com ódio. Respeite todas as religiões.” “Trate as outras crenças como você quer que a sua seja tratada.” Teste (página 157) 1. Alternativa A. Os alunos estudaram que a palavra “civilizado” refere-se à cidade e não a uma forma de classificação ou índice de desenvolvimento. Se considerar essa informação e o fato de que deve ha- ver respeito a pessoas e grupos diferentes, chegará à alternativa “a”. As alternativas “b” e “c” justificam o preconceito, e a “d” não é realista. 2. Alternativa C. Os alunos devem considerar o que estudaram: que os humanos têm em comum uma mesma origem, além da necessidade de se organizar para a sobrevivência e a busca de sentido religioso. No entanto, as respostas que encontram para essas questões são muito diferentes. Somente a alternativa “c” contempla isso. 834 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 34 9/28/15 12:54 PM Em casa (página 158) 1. A forma do item “a” representa melhor as estruturas das antigas aldeias. Embora houvesse liderança, seu poder era compartilhado e havia pouca diferenciação social. A forma do item “b” representa melhor as estru- turas das cidades. No topo, está o governante; na base da pirâmide, espaço maior e com mais pessoas, estão os trabalhadores; no centro, os grupos especializados. Quanto mais perto do topo, maiores as posses ou o prestígio. 2. a) Confirmam. As pesquisas arqueológicas menciona- das descobriram documentos que levaram a novas conclusões sobre o surgimento da escrita. Portanto, novas descobertas sempre podem mudar o relato sobre um tema. Por isso, os relatos históricos são provisórios. b) Esses lugares tinham em comum a existência de cidades complexas. Possivelmente, isso levou os governantes a necessitar de registros da produção e do pagamento de tributos por parte da população e a encomendar esse controle para seus auxiliares. Além disso, a construção de grandes obras também requeria cálculos e planejamento. Por isso, cidades que foram criadas em épocas próximas sofreram um grande crescimento e desenvolveram a escrita. 3. a) Coexistir. b) Existir ao mesmo tempo e/ou no mesmo lugar. c) A opinião do aluno deve ser respeitada. Conside- rando a maneira como a palavra foi construída, com símbolos das três religiões, a banda defende que as religiões e seus seguidores convivam em paz, ou seja, a mensagem promove a tolerância religiosa. Sugestão de material para consulta Textos de apoio ao professor Sobre a atribuição de sentido ao sagrado É impossível dizer quando os seres humanos vi- ram, pela primeira vez, significado na Lua, no Sol, nas estrelas e nos cometas. Mas ignorar a noite e o céu noturno porque os registros existentes são escassos e transitórios seria negligenciar uma parte fundamental e intrigante da história humana. Os monumentos escondidos Os nômades não construíam grandes monumen- tos, não tinham pirâmides, nem colunas de pedra imponentes, nem templos e nem faróis perto do mar. Eram incapazes de cortar blocos pesados de pedra e carregá-los para longe, mas, de certa forma, eles não precisavam de monumentos. Um monumento é uma proclamação do que é importante e, para as pessoas que viveram há 15 mil anos, o céu e a terra estavam repletos de monumentos, alguns visíveis somente para aqueles com olhos treinados. Para algumas sociedades nômades, o céu era um monumento criado por seus ancestrais, e sua terra tinha sido criada da mesma forma. Cada colina e serra rochosa, cada detalhe da paisagem tinham sido criados por esses seres quando começaram a viver na Terra. Aos olhos dos primeiros australianos, as colinas, os penhascos, os animais e tudo o mais que fosse fun- damental no próprio território da tribo eram quase monumentos sagrados para o culto aos ancestrais, e o ato original da criação tinha de ser repetido perio- dicamente através das danças, das cerimônias e dos rituais religiosos herdados desses criadores. Assim, as pessoas vivas mantinham seu contato com aqueles que há muitotinham criado essa paisagem terrestre e celeste responsável pela vida. Mesmo adiantando um pouco a história, deve-se dizer que as religiões posteriores foram também pro- fundamente afetadas pelo céu noturno. O calendário judeu era baseado na Lua; o início do ano religioso era determinado pela justaposição de dois fenômenos dis- tintos – o sinal das espigas aparecendo nas plantações de cevada e o primeiro sinal da nova meia-lua. Buda nasceu num ponto especial do ciclo da Lua, enquanto uma estrela brilhante no céu apontou para onde Jesus tinha nascido. No hinduísmo e no jainismo, um dos fenômenos sagrados é um festival de lampiões que acontece no dia da Lua cheia de um determinado mês. O dia mais santo do calendário cristão é determinado pela Lua. No Islã, o calendário ainda é baseado na Lua, e o Ramadã, o mês do jejum, oficialmente começa no momento em que a Lua nova é visível a olho nu. A civilização chinesa venerava a lua e as estrelas. Até mesmo as primeiras universidades, que surgiram na Idade Média, davam ênfase à astrologia. Ser professor de astrologia em uma dessas universidades ou ser um consultor em astrologia de um rei cristão ou de um general do século XII era possuir poder de verdade. Foi Copérnico quem, quatro séculos mais tarde, acabou fazendo a astrologia cair dos céus acadêmicos – mas não do céu particular de cada pessoa, onde permanece com bastante força. BLAINEY, Geoffrey. Uma breve hist—ria do mundo. S‹o Paulo: Fundamento, 2012. p. 46-47. 835 M a n u a l d o P r o fe s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 35 9/28/15 12:54 PM Na estante • Abril e Time/Life. A aurora da humanidade. São Paulo: 1993. • BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Ja- neiro: Zahar, 2001. • ______. Sobre a educação e juventude. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. • COULANGES, Fustel de. A cidade antiga. São Paulo: RT, 2011. • DE LUCA, Tania Regina. O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009. • ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. Lisboa: Livros do Brasil, s.d. • FUNARI, Pedro Paulo. Arqueologia. São Paulo: Con- texto, 2003. • SCATAMACCHIA, Maria Cristina Mineiro. Turismo e Arqueologia. São Paulo: Aleph, 2005. 8 36 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 36 9/28/15 12:54 PM Módulo interdisciplinar Manual do Professor 1 caderno MP_AngloEFII_Interdiscipl_6.1_HIST_37a42.indd 37 9/28/15 12:55 PM As atividades propostas no Módulo Interdisciplinar pretendem mostrar ao aluno que um mesmo assunto ou tema tem aspectos múltiplos que podem ser analisados e trabalhados por várias disciplinas. Orientações gerais • Cada disciplina envolvida deve utilizar uma aula para o desenvolvimento das atividades que lhe correspondem. • Deve-se evitar o repasse de atividades para casa, pois o Módulo não pode se tornar enfadonho e repetitivo. • É importante que os professores dos componentes cur- riculares envolvidos conversem entre si, antes, para pro- gramar as atividades, e, depois, para avaliar os resultados. O assunto deste primeiro Módulo Interdisciplinar – a exploração de um sítio arqueológico – permite retomar e aprofundar temas que foram vistos ao longo do caderno. Na ordenação das aulas, as atividades devem se iniciar com História, devido à relação mais estreita do assunto com essa disciplina. HISTÓRIA Aos professores de História, caberá: • Conduzir a observação da ilustração do sítio arqueo- lógico, retomando o que os alunos estudaram sobre o trabalho dos arqueólogos: a delimitação do terreno, as ferramentas e equipamentos que utilizam, o cuida- do no manuseio e catalogação das peças. Esta etapa ficará mais interessante se eles forem estimulados a encontrar esses elementos na imagem. • Apresentar os métodos de datação utilizados e ex- plicar a importância deles. Sem eles, não se poderia precisar em que período os fósseis e objetos viveram ou foram utilizados. Portanto, não seria possível si- tuar no tempo cronológico as diversas comunidades e sociedades que habitaram um mesmo espaço (o que tinham em comum, o que era diferente entre elas, etc.). Como saber, por exemplo, desde quando a flauta de osso era utilizada pela comunidade “A”, que viveu em determinado lugar, ou pela comuni- dade “B”, que viveu em outro lugar? Essa avaliação permitirá afirmar, por exemplo, há quanto tempo as duas praticavam a música como uma forma de arte. A atividade sobre a fogueira tem a mesma intenção: permitir que o aluno perceba que a datação poderá nos contar desde quando o povo estudado praticava determinada técnica e responder sobre as técnicas de quem vivia naquele lugar, num determinado tempo. • Explorar o belo texto de Manoel de Barros, comparan- do o trabalho de um escritor, que “escova palavras”, com o do arqueólogo, que “escova ossos”. O arqueólogo, ao escovar ossos, busca pistas sobre o passado; o poeta, ao escovar palavras, busca a melhor forma de expressar ideias e sentimentos, recuperando, na elaboração especial da linguagem, significados que foram desgastados ou encobertos pelo longo uso. Ambos estão empenhados em fazer o seu trabalho com atenção, respeito e cuidado. É uma boa forma de fazer a relação entre História e Língua Portuguesa. A pergunta sobre a prática do aluno ao escrever é uma forma de levá-lo a pensar se “capricha” ao escrever um texto ou se o faz de qualquer modo. Se a segunda opção for a declarada, ele pode estragar sua comunicação, como um arqueólogo desajeitado faria com vestígios mal manuseados. Respostas e comentários A análise de uma fogueira pode nos levar a saber: • se, numa determinada época, aquele território já era habitado por humanos (uma fogueira provocada por raios independe da presença humana); • se os humanos que habitavam a área já dominavam a técnica de fazer o fogo; • e, com as técnicas de datação, há quanto tempo o fato ocorreu. Por isso, a datação é importante: ela permite acompanhar a sequência de ocupações e experiências humanas ao longo do tempo. a) Porque entre os vestígios encontrados pelos arqueó- logos estão ossos humanos, de animais e objetos feitos com ossos. Assim como fazem com outros vestígios, os arqueólogos limpam e manuseiam cui- dadosamente esses itens para estudá-los. Observar que o texto afirma que os arqueólogos escovam ossos por amor. E que também o fazem para encontrar vestígios de antigas civilizações que estariam enterrados por séculos naquele chão. 838 Ensino Fundamental MÓDULO INTERDISCIPLINAR MP_AngloEFII_Interdiscipl_6.1_HIST_37a42.indd 38 9/28/15 12:55 PM b) Assim como um arqueólogo “escova ossos” bus- cando vestígios do passado, um escritor “escova palavras”, buscando a melhor forma de expressar ideias e sentimentos. Dependendo da turma, é possível levar a resposta um pouco mais longe, comentando que, de tanto usadas, as palavras se gastam, perdem a expressividade ao longo do tempo. O escritor, trabalhando a sonorida- de e as imagens, recupera vestígios de significados perdidos e renova a expressividade das palavras. c) Resposta pessoal. A ideia aqui é levá-lo a pensar se é cuidadoso como um arqueólogo ao trabalhar com as palavras. CIÊNCIAS Essa atividade deverá ser desenvolvida em grupo. Após a formação dos grupos (isso pode ser definido em uma aula anterior e pedido que para esta aula já estejam divididos nos grupos – ganha-se tempo dessa forma), a atividade seguirá estas etapas: I. Apresentação da ilustração pelo professor e pedi- do para responder o item a, depois de uma breve discussão (previsão 10-20 minutos). II. Socialização das respostas entre os grupos e redefi- nição de hipótese (item b) (previsão 10-20 minutos). III. Caso tenha tempo, sugere-se a continuação da atividade com a leitura do texto a seguir, em con- junto com toda a sala. Sugere-se que o texto seja projetado (ele está disponível em um PIN no ca- derno digital) e que a condução dessa leitura seja feita pelo professor (previsão 5 minutos). Respostas e comentários1. a) Espera-se que o aluno relacione o uso do fogo à construção de determinados objetos como as cerâ- micas e os utensílios de metal, como o escudo que aparece junto a um dos fósseis humanos. Pode ser que os alunos também apontem também o uso do fogo para cozer alimentos. b) Momento de escuta e socialização das hipóteses levantadas. c) Espera-se que os alunos possam rever suas hipóteses e complementá-las, ou modificá-las, se for o caso. 2. a) As evidências se baseiam em achados dentro da caverna, junto às fogueiras, de cinzas de plantas e pedaços de ossos chamuscados, supostamente usados na alimentação. b) Espera-se que os alunos relacionem a atividade em grupo que fizeram, discutindo e socializando suas ideias (hipóteses) com os colegas, e o que o texto propõe para o que os nossos antepassados faziam ao redor das fogueiras, socializando seus conhecimentos. MATEMÁTICA Aos professores de Matemática caberá conduzir a ob- servação da ilustração, relacionando-a com o estudo que fizeram sobre a história da numeração, em especial, o sistema dos babilônios. A atividade exige o reconhecimento dos dois símbolos do sistema babilônio, a forma de combinação deles para a representação numérica na base 60, bem como o reco- nhecimento das ordens inteiras e decimais desse sistema, relacionando-o com o sistema de numeração decimal. Conduza os alunos para a observação do sítio ar- queológico e coloque-os para discutirem o item 1 da atividade. Sugerimos que você faça a leitura comparti- lhada da decifração do tablete babilônio de acordo com o enunciado. Caso você queira, poderá fazer a escrita multiplicativa de outras linhas do tablete. Se necessário, retome o Módulo 4 do Caderno do Aluno para o registro na base 60, no qual eles deverão identificar os símbolos cravo (representando a unidade e grupos de 60) e asna (representando dezenas até o 50). Vamos entender o significado desses registros, nas colunas I e II desse tablete. Os matemáticos descobriram que esse registro refere-se à tabuada do 9. Vamos acom- panhar como eles chegaram a essa conclusão. Observe que na coluna I estão registrados os números de 1 a 14. Na coluna II estão os respectivos produtos da tabuada do 9: 9, 18, 27, 36, ... . Vestígios do sistema de numeração dos babilônios Coluna I Coluna II 1 × 9 = 9 2 × 9 = 18 9 × 9 = 81 10 × 9 = 90, ou seja: 1 × 60 + 30 14 × 9 = 126, ou seja: 2 × 60 + 6 × 1 12 × 9 = 108, ou seja: 1 × 60 + 5 × 10 + 8 839 M a n u a l d o P ro fe ss o r MP_AngloEFII_Interdiscipl_6.1_HIST_37a42.indd 39 9/28/15 12:55 PM Concluída essa discussão coletiva, os alunos deverão resolver o item 2 da atividade proposta. Respostas e comentários 1. Os alunos poderão se orientar pelas linhas no tablete que já foram decifradas no texto. 2. Oriente os alunos para a identificação das ordens na base 60. Se houver apenas uma vírgula, o algarismo que vem antes representa grupos de 60, e o que vem depois, grupos de unidades. Se houver duas vírgulas, o algarismo que vem antes da primeira delas representa 60 grupos de 60 (60 3 60); os algarismos que vem entre as duas vírgulas representam grupos de 60; os que vêm após a segunda vírgula representam grupo de unidades. a) 1,3 5 1 3 60 1 3 5 63 b) 1,48 5 1 3 60 1 48 5 108 c) 2,15 5 2 3 60 1 15 5 135 d) 2,40 5 2 3 60 1 40 5 160 e) 1,25,30 5 1 3 60 3 60 1 25 3 60 1 30 5 3 600 1 1550 1 30 = 5 130 f) 2,3,15 5 2 3 60 3 60 1 3 3 60 1 15 5 7 200 1 180 1 15 5 7 395 GEOGRAFIA Inicialmente, mostre imagens de sambaquis para os alunos e pergunte o que pode ser aquilo, para estimular a participação e discussão em sala de aula. Peça inicialmente que respondam aos itens da ques- tão 1 a e b para expor melhor as características dos sambaquis. O item a da questão 2 relaciona as áreas de sambaquis com a ocupação humana atual e prepa- ra para os itens b e c, que tratam da devastação e da preservação do patrimônio arqueológico. Tal sequência leva o aluno a entender os motivos de se estudar e preservar estes sítios. Respostas e comentários 1. a) Os sambaquis se apresentam como pequenas eleva- ções na paisagem litorânea, podendo, muitas vezes, ser confundidos com pequenos morros. Atingem até 40 metros de altura e possuem comprimentos muito variados. b) Não. Os indígenas atuais não mantêm esta tradição. 2. a) O processo de ocupação é bastante intenso. O lito- ral do Sul e Sudeste do Brasil é uma das áreas mais povoadas do país, concentrando capitais como Rio de Janeiro e Florianópolis, alguns dos principais portos marítimos e intensa atividade turística. b) Sim. O crescimento urbano desenfreado pode amea çar essas áreas caso não haja um planeja- mento ou política de preservação dos sambaquis como patrimônio histórico. c) O texto do aluno deve apresentar a seguinte ideia: É importante preservar sítios arqueológicos porque, por meio deles, é possível entender o ambiente e a vida dos povos que habitaram essas regiões. Sugestão de material para consulta Texto de apoio aos professores Idade de um fóssil A determinação da idade de um objeto arqueológico é um processo que envolve Física, Química, Biologia, História e Geografia. Os métodos utilizados para determinar a idade de um artefato ou de fóssil são baseados no estudo das alterações químicas e físicas que acontecem ao longo do tempo com o material de que o objeto é feito. Conhecendo- -se suas alterações e determinando-se o quanto o material já foi degradado, pode-se, em muitos casos, determinar há quanto tempo o objeto está exposto a essas alterações. O carbono-14 O carbono está presente em muitas substâncias como, por exemplo, no carvão, no açúcar, na gasolina, no gás carbônico, etc. O carbono-14 é um tipo de carbono uti- lizado para se determinar a idade de vários objetos. Ele existe na Terra em quantidade muito pequena. É produ- zido na atmosfera pelos raios cósmicos, que interagem com o gás nitrogênio presente no ar. O método do carbono-14 usa o fato de que os orga- nismos vivos absorvem carbono-14 e sua concentração (quantidade) no ser vivo é estável. Porém, quando um organismo morre, essa quantidade começa a diminuir e a cada 5 740 anos a metade do carbono-14 deixou de existir e em mais 5 730 anos, metade do que restou decai; e assim por diante. Pode-se usar a técnica do carbono-14 desde que a amostra contenha carbono: objetos de ma- deira, carvão, ossos, tintas que derivam de plantas, etc. Essa técnica é capaz de datar objetos com até 50 mil anos. 840 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Interdiscipl_6.1_HIST_37a42.indd 40 9/28/15 12:55 PM Fóssil de uma planta Vamos considerar que em 2014 foi feita a datação do carbono-14 em uma planta e foi determinado que nela exis- tem 6,25% de carbono-14. Qual seria a idade dessa planta? Se hoje 2014 temos 12,5% de carbono-14, há 5 740 anos (em 3726 a. C.), deveríamos ter 25%; há 5 740 anos (em 9466 a. C.), deveríamos ter 50%; há 5 740 anos (em 15206 a. C.), deveríamos ter 100%. Resumindo: Voltando no tempo 2014 12,5% 3276 a. C. 25% 5 740 anos 5 740 anos 5 740 anos 9466 a. C. 50% 15206 a. C. 100% Assim, podemos concluir que essa planta estava viva, aproximadamente, em 15206 a. C. Na estante GORMAN, R. M. Desenvolvendo cérebros maiores. Scientifc American Brasil – Edição especial, n. 52, p. 80-81, 2013. DEBLASIS, Paulo et all. Sambaquis e paisagem: dinâ- mica natural e arqueologia regional no litoral do sul do Brasil. UFRJ, 2007. Disponível em: . Acesso em: 22 set. 2015. 841 M a n u a l d o P r o f e s s o r MP_AngloEFII_Interdiscipl_6.1_HIST_37a42.indd 41 9/28/15 12:55 PM 842 Ensino Fundamental Anotações MP_AngloEFII_Interdiscipl_6.1_HIST_37a42.indd 42 9/28/15 12:55 PM História Autores: Fabiana Saad Ezarchi Sílvia Helena A. B. Brandão Tania Fontolan SUMÁRIO 1. Como solucionar um mistério? À procura de pistas e sinais .............1042. O que Sherlock Holmes tem em comum com os estudiosos do passado? ...............................................................................115 3. Viajando pela Pré-História: a origem da humanidade ......................126 4. O modo de vida dos primeiros grupos humanos ..............................135 5. Vida urbana e religiosa ....................................................................148 Anexos .................................................................................................159 AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 103 9/28/15 11:28 AM 8104 Ensino Fundamental Você conhece o desenho animado “As aventuras de Scooby-Doo”? Já assistiu a algu- ma aventura dessa turma formada pelo cão Scooby-Doo e seus amigos Velma, Daphne, Salsicha e Fred? você Já pensou nisso? • Scooby-Doo é o cachorro de uma turma de adolescentes que agem como detetives. Você se lembra de ter assistido a alguma aventura da turma do Scooby-Doo? • Você sabe como atuam os detetives? A que eles se dedicam? • Que relação pode haver entre as aventuras de detetives e um curso de História? Estamos iniciando o curso de História. E o nosso primeiro tema é o trabalho dos detetives e seus métodos de investigação. Por isso, nos lembramos da turma do Scooby-Doo. Vamos conhecer agora outro detetive muito famoso, Sherlock Holmes, personagem criada pelo escritor inglês Sir Arthur Conan Doyle, no século XIX. Na aventura que você vai ler a seguir, ele resolve um caso desafiador. Cena do desenho animado “As aventuras de Scooby-Doo”. E v E r E t t C o l l E C t io n /K E y s t o n E /W a r n E r B r o s P iC t u r E s como solucionar um mistério? À procura de pistas e sinais1 Sir arthur conan doyle Nasceu em 1859, na Es- cócia, e morreu em 1930, na Inglaterra. Embora tenha se formado em Medicina, tornou-se famoso pelos con- tos e romances policiais que escreveu. Sua personagem mais famosa é o detetive Sherlock Holmes. Em 1902, foi nomeado cavaleiro da monarquia britânica e rece- beu o título de Sir, a mais alta honraria concedida pelos monarcas britânicos. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 104 9/28/15 11:39 AM 8105 H is tó r ia a liga dos cabeças vermelhas Num dia de outono de 1890, Sherlock Holmes foi procurado por um senhor idoso, muito corpulento, de rosto corado e cabelos vermelhos, chamado Jabez Wilson. Após olhar atentamente o visitante, Sherlock Holmes perguntou-lhe: — Além dos fatos evidentes de que já foi operário, é maçom, esteve na China e tem escrito muito ultimamente, o que o traz aqui? Surpreso, o homem pulou da sua cadeira, com os olhos fixos em Holmes: — De que modo mágico descobriu tudo isso, Sr. Holmes? Como adivinhou, por exemplo, que fui operário? — Suas mãos, meu caro senhor. Sua mão direita é muito maior do que a esquerda. Usou-a muito, e os músculos estão mais desenvolvidos. — Mas e a Maçonaria e a China? — O senhor usa um arco e um compasso no alfinete da gravata, símbolo desta organização. Quanto à China, o peixe que o senhor traz tatuado logo acima do pulso direito só pode ter sido feito na China. Estudei um pouco a respeito de tatuagem e até contribuí com alguma literatura sobre o assunto. Aquele truque de colorir as escamas de peixe com um delicado cor-de-rosa é peculiar da China. Quando, ainda por cima, vejo uma moeda chinesa pendurada na corrente do seu relógio, torna-se fácil descobrir tudo. — E como sabe que ando escrevendo muito? — O que se há de pensar quando se vê a manga direita tão brilhante e gasta pró- xima ao punho, e a manga esquerda gasta perto do cotovelo que o senhor apoia na escrivaninha? Jabez Wilson riu impressionado e passou a apresentar seu caso, mostrando um jornal: — Aqui está. Foi isto que deu início a tudo, há dois meses. Leia-o, senhor. Holmes começou a ler: “Liga dos Cabeças Vermelhas” Está aberta uma vaga que dá direito a um outro membro da Liga a receber o salá- rio de quatro libras semanais por serviços de escritório. Todos os homens de cabelos vermelhos que estejam em perfeita saúde mental e física, com mais de vinte e um anos, podem se associar à Liga. Tratar pessoalmente na segunda-feira, às onze horas; falar com Duncan Ross, nos escritórios da Liga, na rua Pope’s Court. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 maçom, Maçom: integrante da Maçonaria, associação de pessoas que se comprometem com princípios de fraternidade e se reconhecem, entre si, por sinais e emblemas, entre os quais o arco e o compasso. Seu nome, de origem francesa, significa “pedreiro”, e remete à ideia de construção. Em cada loja maçônica, seus membros obedecem a um chefe, o venerável, e se classificam como aprendizes, companheiros e mestres. Na época em que a história de Sherlock Holmes foi escrita, o salário de um trabalhador inglês especializado era de quatro libras por mês. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 105 9/28/15 11:39 AM 8 106 Ensino Fundamental Holmes ficou muito impressionado com a proposta de trabalho, tão bem remune- rada, cuja principal exigência era que o candidato tivesse cabelos vermelhos, ruivos. — Sr. Wilson, – disse Holmes –, conte-me sobre você. — Bem, tenho um pequeno negócio de penhores na praça Saxe-Coburg, perto do centro. É pequeno, e ultimamente mal dá para me sustentar. Antigamente podia pa- gar a dois ajudantes, mas agora tenho um só, chamado James Spaulding, que aceitou receber metade de um salário, embora seja muito bom. — O senhor parece ter sorte; um empregado que não exige um salário regulamen- tar não é muito comum nestes tempos. Não sei se seu ajudante não será tão estranho como este anúncio. — Oh, ele tem também as suas falhas: tira fotos quando devia estar trabalhando, e desce logo em seguida para a adega, como um coelho que procura a toca, para revelar os negativos. É a principal falha dele, mas em geral trabalha bastante. Foi ele que me mostrou este anúncio. Fomos juntos ao endereço indicado e, apesar de haver centenas de homens de cabelos vermelhos, fui o escolhido. O trabalho era copiar a Enciclopédia Britânica. A única exigência inegociável era que não faltasse e não deixasse o traba- lho das 10 às 14 horas. Semanalmente, o homem que me contratou, Sr. Duncan Ross, aparecia para me pagar as quatro libras. — E por que o senhor me procurou? – perguntou Holmes. — Porque depois de oito semanas, quando fui ao trabalho hoje pela manhã, encontrei o seguinte cartão na porta: A LIGA DOS CABEÇAS VERMELHAS ESTÁ DISSOLVIDA 9 DE OUTUBRO, 1890 — E que fez o senhor então? – perguntou Holmes. — Voltei para minha casa na praça Saxe-Coburg e consultei meu ajudante. Mas ele não pôde auxiliar-me. Disse apenas que, se eu esperasse, talvez recebesse qualquer coisa pelo correio. Mas aquilo não era suficiente, Sr. Holmes. E eu não queria perder semelhante emprego sem lutar por ele. Por isso, ouvindo dizer que o senhor atende aos pobres que necessitam do seu auxílio, vim falar-lhe diretamente. — E fez muito bem – disse Holmes. – Seu caso é extraordinário, e terei muito prazer em investigá-lo. Pelo que o senhor me contou, penso que se trata de coisa mais séria do que à primeira vista pode parecer. — Séria a valer! Pois perdi quatro libras por semana – disse Jabez Wilson. — Vou me esforçar para esclarecer todos os pontos. Mas, primeiramente, uma ou duas perguntas, Sr. Wilson. Há quanto tempo estava no emprego esse seu ajudante, quando lhe chamou a atenção para o anúncio? Como o senhor o contratou? — Há cerca de um mês, ele respondeu a um anúncio que publiquei. Escolhi-o porque tinha boa aparência e estava disposto a me servir por um salário baixo. — Sr. Wilson, terei a satisfação de lhe dar mais algumas informações sobre o caso dentro de um ou dois dias. Hoje é sábado, e espero que até segunda-feira tenhamos chegado a alguma conclusão. Holmes foi dar um passeio no centro. Uma breve caminhada levou-o à praça Saxe-Coburg(onde ficava a loja de penhores de Wilson) e seus arredores. Subiu a rua vagarosamente e depois desceu-a até a outra esquina, examinando as casas. Final- mente, voltou à casa de penhores e, depois de usar sua bengala batendo com força três vezes na calçada, foi até a porta e tocou a campainha. Um rapaz bem-barbeado e esperto atendeu e o convidou a entrar. — Obrigado – disse Holmes –, desejava apenas perguntar-lhe como é que se vai para o litoral. O rapaz explicou e fechou a porta. 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 penhores Loja de penhores: local onde é possível obter pequenas quantias de dinheiro, vendendo mercadorias usadas ou deixando-as como garantia em troca de um empréstimo. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 106 9/28/15 11:39 AM 8107 H i s t ó r i a Holmes então murmurou consigo mesmo: — Este é o Sr. Spaulding e os joelhos dele me chamaram a atenção. Um crime hediondo está sendo planejado. Na mesma noite, Holmes encontrou-se com Peter Jones, agente da polícia, e o di- retor de banco, Sr. Merryweather. Partiram juntos em direção ao centro, nas mesmas ruas onde Holmes estivera de manhã. Entraram em uma agência do banco onde o Sr. Merryweather trabalhava, que ficava naquela área. Foram ao porão da agência, onde estavam empilhadas muitas caixas fechadas com grades e cadeados. O banqueiro contou que havia dinheiro naquelas caixas, vindo de uma transação com um banco francês. — Vejam como o piso parece oco, – disse Hol- mes, após bater sua bengala no chão. — Vamos ficar aqui em silêncio e no escuro. Não demorou muito para que uma laje come- çasse a se mover e dois homens subissem para o porão. Sherlock Holmes deu um pulo e pegou o pri- meiro intruso pela gola – um conhecido ladrão lon- drino. O segundo homem – Spaulding – foi agarrado pelo agente de polícia. Outros policiais estavam na porta do banco, para prender os outros envolvidos. — Realmente, Sr. Holmes – disse Merryweather quando os viu presos –, não sei como o banco lhe po- derá agradecer ou recompensá-lo. Como conseguiu descobrir um dos mais audaciosos e bem-arquiteta- dos roubos de banco de que até agora se ouviu falar? Holmes explicou como desvendou o caso: — Era evidente desde o princípio que o úni- co objetivo possível desse fantástico negócio de copiar a Enciclopédia era afastar o Sr. Wilson de sua loja durante algumas horas, todos os dias. Foi um modo curioso de arranjar as coisas, mas seria difícil sugerir melhor. As quatro libras por semana eram a isca para atrair o Sr. Wilson. Publicaram o anúncio, o outro malandro incitou o homem a ir candidatar-se ao lugar, e juntos conseguiram que ele se ausentasse durante algumas horas todas as manhãs. Desde que ouvi o penhorista dizer que o empregado trabalhava por metade do salário, convenci-me de que tinha forte motivo para con- servar o emprego. — Mas como pôde descobrir qual era o motivo? — A casa de penhores era pequena, e não tinha nada que justificasse tão grandes preparativos e tantas despesas. Devia então ser alguma coisa fora da casa. O que seria? Lembrei-me da grande paixão que Spaulding tinha por fotografias e do seu hábito de se meter na adega. A adega! Era ali que esta- va a chave deste caso intrincado. Estava, portanto, querendo fazer qualquer coisa na adega, coisa que levava horas durante dias, meses sem fim. Que po- dia ser? Ocorreu-me que estaria abrindo um túnel até outro edifício. Tinha chegado a esta conclusão, quando visitei o local da ação. Quando bati a bengala 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 hediondo Hediondo: horrível, repulsivo, pavoroso. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 107 9/28/15 11:39 AM 8 108 Ensino Fundamental na calçada, pude ouvir o som se propagando em superfície oca. Toquei a campainha e, como esperava, foi Spaulding que veio abrir a porta. Queria ver os joelhos dele e reparei como as calças estavam gastas e sujas justamente nos joelhos. Revelavam as horas pas- sadas cavando o chão. Só restava descobrir o motivo por que cavavam. Virei a esquina e percebi que o banco City and Suburban era próximo à casa de Wilson. Achei que estava ali a solução do meu problema. — E como adivinhou que iam tentar o assalto hoje? — Bem, quando fecharam o escritório da Liga, era sinal de que já não se incomoda- vam com a presença do Sr. Jabez Wilson. Em outras palavras, tinham completado o túnel, mas era essencial que o utilizassem logo, porque podia ser descoberto ou o dinheiro ser transferido de lugar. Diante da admiração geral, Holmes respondeu: — Serviu para me divertir – respondeu ele, bocejando. – Passo a vida procurando es- capar às coisas comuns e estes problemas ajudam-me a consegui-lo. DOYLE, Arthur Conan. Aventuras de Sherlock Holmes. v. 2. Tradução de Hamilcar de Garcia. São Paulo: Círculo do Livro, 1985. Adaptado. nota: nesta adaptação, o foco narrativo foi mudado para 3a pessoa. nas obras originais de Conan Doyle, o narrador é o Dr. Watson, um médico amigo de sherlock Holmes. 43 44 45 46 atividade 1 Leia os quinze primeiros parágrafos do conto “A Liga dos Cabeças Vermelhas” (páginas 105 e 106) e responda às questões. a) Que características da vida de Jabez Wilson o detetive Sherlock Holmes observou quando o novo cliente chegou ao seu escritório? b) Holmes adivinhou ou deduziu essas características da vida de Wilson? Justifique sua resposta.adivinhou deduziu Adivinhar: conhecer ou descobrir o que está oculto, utilizando meios ou poderes sobrenaturais. Deduzir: ato de raciocinar e tirar conclusões com base na observação e análise de características, fatos e argumentos. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 108 9/28/15 11:39 AM 8109 H i s t ó r i a 2 Você leu que Holmes observou e destacou alguns detalhes sobre o caso relatado pelo Sr. Wilson. Com base neles, formu- lou hipóteses e as checou para desvendar o caso. Vamos reconstituir os passos de Holmes, preenchendo o quadro abaixo. Para isso, leia os parágrafos indicados. Parágrafos Orientação Pistas e hipóteses de investigação 11 a 19 Indique cinco situa- ções relatadas pelo Sr. Wilson que Sherlock Holmes considerou es- tranhas ou fora do nor- mal. 20 a 33 Destaque três detalhes observados por Holmes em seu passeio pelo centro da cidade. 3 Explique como os detalhes observados e descritos por você possibilitaram a Holmes formular hipóteses e resolver o caso. Para isso, releia os parágrafos 34 a 46 (páginas 107 e 108). AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 109 9/28/15 11:39 AM 8 110 Ensino Fundamental teste 1 Você leu o conto “A Liga dos Cabeças Vermelhas”. Sobre ele, é correto afrmar: a) O mistério foi resolvido acidentalmente: Sherlock Holmes passava pela loja de penhores, viu o funcionário de Jabez em atitude suspeita e pediu ajuda à polícia. b) Sherlock Holmes desvendou o mistério apresentado por Jabez, mas não o ajudou: o prejuízo com o roubo da loja de penhores aconteceu. c) Sherlock Holmes desvendou o mistério e auxiliou Jabez: esclareceu a farsa do falso emprego e mostrou que seu fun- cionário usava a loja de penhores para poder roubar o banco. d) O título “A Liga dos Cabeças Vermelhas” foi escolhido porque se refere ao fato de as personagens do conto serem ruivas. 2 Aponte a alternativa que contém as ações mais identifcadas com o trabalho de um detetive. a) Investigação, construção de hipóteses, sorte, análise de pistas. b) Investigação, seleção e análise de pistas, construção de hipóteses, dedução. c) Investigação, adivinhação, seleção de pistas, resolução do caso. d) Seleção de pistas, estudo dos métodos de outros detetives, coleta de depoimentos, acreditar fielmente em tudo que lhe contam, resolução de casos. 1 Reescreva os dez primeiros parágrafos do conto “A Liga dos Cabeças Vermelhas” (página 105) usando suas próprias palavras. Seu texto deve ter três parágrafos, com ummáximo de quatro linhas cada um, e não pode ter diálogos. 2 Chamamos de legenda um pequeno texto que explica o que uma imagem representa, permitindo que ela seja mais bem entendida. Observe a ilustração a seguir e crie uma legenda para ela, considerando o conto de Sherlock Holmes. em casa AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 110 9/28/15 11:39 AM desafio Você gostou da aventura de Sherlock Holmes? Agora é hora de você se colocar na “pele” de um detetive e desvendar o caso proposto a seguir. Leia o texto e as instruções e tente encontrar uma solução. A mansão se destacava no alto da colina e chamava a atenção de todos que passavam pela pequena cidade. Na casa que, em décadas passadas, era habitada pela família Adams, até ontem à noite era apenas o lar de Charlie Adams e todos os seus empregados. Harry era o único neto de Charlie e foi educado pelo avô após a morte de seus pais, que aconteceu quando ele ain- da era criança. Apesar de manterem uma relação fortalecida, Harry tinha tomado gosto por percorrer o mundo conhe- cendo lugares novos e, portanto, não se viam com frequên- cia. Ao chegar à casa de Charlie, Harry não entendeu a intensa movimentação e, ao questionar o mordomo que estava no jardim, soube do falecimento do seu avô. O mordomo contou que os empregados tentaram o contato para contar dos últimos problemas de saúde de Charlie, mas como Harry não tem um endereço fixo, não conseguiram. A notícia foi recebida com espanto, pois o seu avô, apesar da idade avançada, sempre fazia exercí- cios para o corpo e para a mente. Na última visita feita por Harry, ele aparentava estar bem, era muito ativo e levava uma vida saudável. 8111 H i s t ó r i a 3 Vamos treinar sua capacidade de observação e inves- tigação? Observe atentamente a foto ao lado, tirada na cidade de São Paulo, SP, e responda às perguntas. a) O que as pessoas retratadas estão fazendo? b) Qual é o meio de transporte retratado? c) Como as pessoas estão vestidas? d) Quais são as principais diferenças entre as vesti- mentas da época retratada e as da nossa época? e) Quais são as principais diferenças entre a es- quina retratada e as esquinas e ruas que você conhece atualmente? Considere a cena toda em sua resposta. f) Quanto à época em que foi produzida, esta foto tem mais de 200 anos ou menos de 200 anos? Que pistas você utilizou para chegar a essa conclusão? a l E x s il v a /a g ê n C ia E s t a D o AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 111 9/28/15 11:39 AM 8 112 Ensino Fundamental Os dias que se seguiram foram exaustivos. O enterro aconteceu no extenso jardim da residência. No final da tarde, Harry sentou-se na poltrona da sala de estar e começou a lembrar como o café da manhã era um momento esperado por ele quando ainda era criança. Todos os dias, o seu avô contava uma história que terminava com uma charada. Harry sempre tinha que ir em busca de algum objeto que estava escondido nos aposentos da mansão. Com frequência, eram objetos que pertenceram ao filho de Charlie, pai de Harry. Os seus pensamentos foram interrompidos pela entrada do mordomo que, ainda trajado com roupas formais, se aproximou com um papel nas mãos e disse: “De todos os pedidos feitos por Charlie, esse é o último que vou atender”. Veja o que estava escrito no papel: Querido neto, Chegou o momento da minha partida, mas não fique triste. Depois de uma vida intensa, descansar me fará bem. Você, por ainda ser jovem, tem muito o que viver e tudo o que está guardado nessa mansão pertence a você. E para minha vontade se realizar, o testamento você deve procurar. Assim como acontecia quando você era uma criança, a sua busca se inicia. Preste atenção: Aquele terço de hora era a minha espera diária. Das atividades recomendadas, eu não quero me lembrar. É no ambiente que antes eu frequentava que você deve procurar. Harry prontamente se pôs de pé. Sentia que era uma obrigação resolver aquela última charada. Pediu ao mordomo que pegasse a planta da casa e reunisse todos os empregados. Após dias de longas conversas, Harry analisou todas as informações que tinha conseguido reunir. Analise todas elas: AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 112 9/28/15 11:39 AM 8113 H i s t ó r i a “Já não existem mais pessoas com o coração grande e uma inteligência tão perspicaz como o Sr. Charlie. Ele acordava cedo e cumpria os seus horários com rigor. Aqui está a rotina dele: 7h30 – Café da manhã 9h – Aula de tênis 11h15 – Descanso na biblioteca 12h – Almoço 13h30 – Descanso no quarto 15h – Aula de hidroginástica 16h – Café da tarde 18h15 – Leitura na biblioteca 19h – Jantar 20h30 – Descanso no quarto” “O Sr. Charlie era um homem muito reservado. Ele sempre fazia as suas refeições na sala de jan- tar. Conversávamos sobre o cardápio todas as segundas logo depois do café da manhã. Lembro que, assim que ele terminava de tomar o chá e comer o seu bolo, ele pedia para me chamar, pois não gostava de ir à cozinha. Das poucas vezes em que lá apareceu, ele comentava que aquele ambiente abafado – em consequência do forno que normalmente estava aceso logo cedo – deixava-o com mal-estar.” “Há anos estou nessa casa. Sempre organizei a sequência dos lugares a serem limpos de acordo com a rotina do Sr. Charlie, cumprida rigorosamente. Na sala de jogos eu só tirava o pó, porque raramente ele ia até lá. Dizia que não tinha graça jogar sozinho. Na sala de estar, ele também não costumava ficar, porque poucas pessoas o visitavam. Quanto às suítes, ele só frequentava a dele. Era a única que nos dava trabalho na limpeza.” “O Sr. Charlie sempre deixou claro que só fazia as atividades físicas porque eram recomendações médicas. Eu não costumava exigir muito esforço nas aulas de tênis e hidroginástica, pois, quando ele se cansava, parava antes do término das aulas.” “O Sr. Charlie saía pouco de casa. Quando demorávamos a ir ao seu médico de confiança, o médico aparecia aqui. Íamos também a uma livraria no centro da cidade em busca de livros. Ele sempre costumava voltar com um exemplar da Agatha Christie. Dizia que os livros dessa autora guardavam grandes mistérios.” Depoimento do mordomo: Depoimento da faxineira mais antiga da residência: Depoimento do personal trainer: Depoimento do motorista: Depoimento da cozinheira: AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 113 9/28/15 11:39 AM 8114 Ensino Fundamental roteiro de investigação 1 Organização das pistas: 2 Formulação de hipóteses para resolver o caso: em qual de- pendência o testamento pode ter sido guardado? 3 Compare esses lugares com a charada deixada pelo Sr. Charlie. Elimine locais. 4 Indique os cômodos onde o testamento pode estar escon- dido e aponte os indícios. 5 Onde está o testamento? Aponte o cômodo e faça um relato fnal de como você levantou hipóteses e chegou à conclusão do caso. Dependências da mansão Classificação das dependências SIM: Charles costumava frequentar NÃO: Charles evitava Horários em que Charles frequentava Motivos para não frequentar AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 114 9/28/15 11:39 AM 8115 H is tó ri a Você conhece o filme de animação chamado A era do gelo? Trata-se de um desenho animado que retrata a vida na Terra há 20 mil anos. Embora seja um filme de ficção – os animais falam e uma série de situações improváveis acontecem –, sua ambientação levou em conta algumas características do planeta naquela época. E v E r E t t C o l l E C t io n /K E y s t o n E /2 0 t H C E n t F o x o que sHerlock Holmes tem em comum com os estudiosos do passado?2 você Já pensou nisso? • Esse filme foi realizado em 2002. Seus produtores, portanto, não viveram na época em que se passa a história. Como puderam, então, recriar detalhes de como era o planeta? • Você se lembra de outros filmesem formas estáveis, com uma maior expectativa de vida. Entrevista à revista Isto É, 24 set. 2010. Disponível em: . Acesso em: 27 abr. 2015. Até alguns anos atrás, as mudanças aconteciam num ritmo muito mais lento. Atualmente, as novas tecnologias e a produção de novos conhecimentos exigem atualiza- ção constante e seletiva, bem como o aguçamento da capacidade de análise de novos contextos. As velhas formas de ensino-aprendizagem não atendem mais aos desafios do presente e às novas perspectivas socioeco- nômicas e culturais. História é uma disciplina privilegiada, dentro da grade escolar, por colaborar com a preparação do aluno para os novos tempos. As experiências humanas, em todas as suas modalidades, são nossa matéria-prima. Ocupamo- -nos com as trajetórias humanas e sociais, as permanên- cias e mudanças, a universalidade e a singularidade, as diferentes percepções de tempo, o fato de a técnica e a arte poderem ser conhecidas e analisadas, fornecendo subsídios para nos posicionarmos perante os novos tem- pos e fazermos as melhores escolhas. O historiador Eric Hobsbawm reforça a importância do estudo da História em tempos tão voláteis: A destruição do passado – ou melhor, dos me- canismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenô- menos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qual- quer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso, os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam- -se mais importantes que nunca no fim do segundo milênio. HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX–1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 13. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, o estu- do da História deve contribuir para o “desenvolvimento dos alunos como sujeitos conscientes, capazes de enten- der a História como conhecimento, como experiência e prática de cidadania”.1 1BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. História. Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. p. 25. 85 M a n u a l d o P r o fe s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 5 9/28/15 12:54 PM Ainda de acordo com os PCN, são objetivos gerais da área de História, ao longo do Ensino Fundamental, tornar os alunos capazes de: • identificar o próprio grupo de convívio e as relações que estabelecem com outros tempos e espaços; • organizar repertórios histórico-culturais que lhes per- mitam localizar acontecimentos numa multiplicidade de tempo, de modo a formular explicações para algu- mas questões do presente e do passado; • conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes gru- pos sociais em diversos tempos e espaços, e a diversi- dade de manifestações culturais, econômicas, políti- cas e sociais, reconhecendo semelhanças e diferenças entre esses grupos; • reconhecer mudanças e permanências nas vivências humanas, presentes na sua realidade e em outras comunidades, próximas ou distantes no tempo e no espaço; • questionar sua realidade, identificando alguns de seus problemas e refletindo sobre suas possíveis soluções, reconhecendo formas institucionais de atuação política e organizações coletivas da socie- dade civil; • utilizar métodos de pesquisa e de produção de textos de conteúdo histórico, aprendendo a ler diferentes registros escritos, iconográficos e sonoros; • valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a di- versidade, reconhecendo-a como um direito dos povos e indivíduos e como um elemento de fortalecimento da democracia. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. História. Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. p. 33. Nesta nova edição, além de atualizar o material, tivemos a oportunidade de incorporar vivências, ex- periências e sugestões que recebemos ao longo dos últimos anos. Também temos nos valido cada vez mais (e recomendamos fortemente aos professores que uti- lizem) do recurso do Caderno Digital. A um só tempo ele é “meio e mensagem”: permite incorporar e com- plementar temas e atividades, e atualizar os temas em tempo real (por meio da inserção de pins). Além disso, seu uso permite uma interação com os alunos que utilizam a tecnologia. Não é possível a escola preparar indivíduos para um mundo tecnológico e não incorporar o uso da tecnologia nas aulas e no projeto de formação. Gostaríamos de explicitar o que acreditamos ser o melhor caminho conceitual e metodológico a ser se- guido. Acreditamos que em vez de acionar pura e simples- mente a memória dos educandos, adestrá-los com a repe- tição de exercícios e avaliar sua capacidade de reproduzir um conteúdo factual, devemos possibilitar aos alunos um conjunto de aprendizagens: • dos fatos – contextualizando-os no momento em que ocorreram, fazendo que sejam compreendidos, e não decorados; • dos conceitos – permitindo que sejam percebidos segundo sua função classificatória, que recorta ca- racterísticas no tempo e no espaço e as conjuga para exprimir determinado significado. Além da compreen- são da função dos conceitos e de seus significados, é fundamental estimular sua utilização na interpretação de situações e contextos, e até na criação de novos conceitos; • dos procedimentos – habilitando-os para a ação por meio de leitura, observação, classificação, seleção, cálculo, expressão oral; desenvolvendo métodos e estratégias para atingir um fim (aprender a aprender); • das atitudes – interiorizando as reflexões para que elas permitam rever e reformular seus valores e atitudes, em termos individuais e coletivos. Evidentemente, esses conteúdos e procedimentos se inter-relacionam, requerendo aulas nas quais os alunos não se tornem meros espectadores, sendo estimulados e desafiados a relacionar conhecimentos prévios com no- vas informações e conceitos. Dessa maneira se sentirão motivados a pesquisar (atividades investigatórias), refletir e levantar hipóteses, construir versões, confrontá-las com as dos colegas, praticar o conhecimento e incorporá-lo. A sele•‹o de temas Sabemos, e os PCN também o afirmam, que é impos- sível trabalhar toda a História. É consensual a impossibilidade de se estudar a His- tória de todos os tempos e sociedades, sendo necessário fazer seleções baseadas em determinados critérios para estabelecer os conteúdos a serem ensinados. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. História. Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. p. 35. Vale ressaltar que um material como o nosso é parte de um projeto de formação integrada, que continua o tra- balho desenvolvido ao longo do Ensino Fundamental I e que terá continuidade no Ensino Médio. Portanto, nossas escolhas também se referenciam no conhecimento das informações e dos conceitos que os alunos já adquiriram na vida escolar e social anterior, assim como na maior verticalização e abrangência que tais conteúdos terão no Ensino Médio. 8 6 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 6 9/28/15 12:54 PM Fizemos a seleção dos conteúdos conceituais de forma integrada: História Geral e do Brasil são trabalhadas si- multaneamente, obedecendo-se à cronologia e aos eixos temáticos de cada ano, explicitados a seguir. Também consideramos que as finalidades do Ensino Fundamental (3o e 4o ciclos) são diferentes das propostas para o Ensino Médio. Dessa forma, optamos por excluir determinados temas considerados clássicos – Mesopotâmia, hebreus, fenícios, persas – para trabalhar de forma mais significa- tiva conceitos, procedimentos e atitudes, por meio dos assuntos que julgamos mais relevantes. Pensamos que é uma solução melhor do que abordar muitas sociedades e trabalhar superficialmente todas elas. Optamos por organizar os assuntos estudados ao lon- go do curso em eixos temáticos.que se passam em épocas muito antigas, antes do surgimento da escrita? • Como é possível saber o que aconteceu no passado? Cena do filme A era do gelo. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 115 9/28/15 11:39 AM 8116 Ensino Fundamental detetives, arqueólogos e Historiadores Ao ler a história de Sherlock Holmes e fazer os exercícios propostos nas aulas passadas, você teve a oportunidade de conhecer os métodos de trabalho de um detetive. Holmes ouviu atentamente a história narrada por Jabez Wilson, seguiu as pistas, raciocinou, levantou hipóteses e chegou à solução. Esse método de investigação também é usado pelos especialistas que estudam o passado, como os arqueólogos e os historiadores. Para descobrir como viviam os grupos humanos de outras épocas, esses estudiosos também pesquisam pistas, selecionam o que consideram importante, levantam hipóteses e constroem um conhecimento, chegando a várias conclusões a respeito dos nossos ancestrais. Diferenças e semelhanças entre o trabalho dos detetives, dos arqueólogos e dos historiadores D E T E T IV E S São especialistas em desvendar mistérios – atos indesejáveis, muitas vezes criminosos, provocados por autores não identificados. Procuram descobrir o que está oculto por meio das diversas pistas encontradas. A R Q U E Ó LO G O S São cientistas que estudam sociedades do passado e do presente a partir de vestígios materiais produzidos por elas: pinturas em rochas, restos de fogueiras, construções ou qualquer outro objeto (facas, lanças, peças de cerâmica, etc.). A esses vestígios damos o nome de achados arqueológicos ou artefatos. Na vida real, existem deteti- ves muito competentes. Mas os mais famosos são aqueles criados pelos escritores de romances policiais. Por isso, Sherlock Holmes é conside- rado a figura símbolo do de- tetive. A maior parte dos materiais pesquisados por arqueó- logos encontra-se no subsolo, coberta por camadas de poeira e outros sedimentos depositados sobre eles ao longo do tempo. Outros registros materiais podem estar desenhados em paredes de cavernas ou enterrados sob os rios, lagos e mares. Fragmentos de esqueletos humanos e de outros animais também podem servir como indícios para o estudo das socie- dades antigas. sedimentos Sedimentos: fragmentos de rochas e de materiais sólidos que foram transportados e depositados em outro local, pela ação do vento, da água, do gelo ou mesmo do homem. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 116 9/28/15 11:39 AM 8117 H i s t ó r i a A R Q U E Ó L O G O S Os locais que concentram materiais de pesquisa são chamados sítios arqueológicos. O material obtido na pesquisa de campo – monumentos, pinturas, fósseis, instrumentos de trabalho, armas, enfeites, moedas, etc. – deve ser removido do sítio arqueológico com muito cuidado e transportado para labo- ratórios e centros de estudo especializados, a fim de ser analisado. Essa análise é feita em duas etapas: primeiro, os arqueólogos investigam a idade do artefato; depois, o relacionam com informações já conhecidas, referentes à mesma época e região. Para tanto, eles precisam se apoiar em conhecimentos fornecidos pela História, pela Sociologia, pela Antropologia, pela Geografia, pela Biologia, entre outras disciplinas. Por isso, dizemos que o trabalho do arqueólogo é interdisciplinar. H IS T O R IA D O R E S Assim como os arqueólogos, os historiadores estudam o passado das sociedades. Mas, ao contrário de seus colegas, eles se valem princi- palmente dos documentos escritos, embora também utilizem outros tipos de documentos não escritos (como construções, desenhos, utensílios, relatos orais, etc.). Os historiadores que estudam os últimos dois séculos utilizam ainda fotografias, gravações em áudio (som) e vídeo (imagem). Antes de começar o seu trabalho, o historia- dor tem de estabelecer uma questão ou um problema de pesquisa, definindo o tema, o período e as fontes que utilizará em seu es- tudo. Esse procedimento é necessário porque a história dos seres humanos é muito ampla, portanto não é possível estudar tudo de uma só vez. Além disso, os temas que inte- ressam aos historiadores estão relacionados à época em que estes estudiosos vivem. Por exemplo: um historiador que vive a experiência de uma guerra em seu tempo e lugar pode se interessar em estudar guerras de outros tempos e lugares. Em seguida, o historiador começa a procurar as fontes para sua pesquisa (ou seja, as fontes que contêm informações importantes sobre o tema, o local e o período investigados). Nesse trabalho, o historiador conta com o auxílio de outros profissionais, como ar- queólogos, geógrafos, antropólogos e restauradores. Diferentemente dos detetives que, quando “resolvem” os casos, chegam a uma conclusão definitiva, o resultado do trabalho dos historiadores é sempre provisório: novas fontes podem alterar suas conclusões e outros estudiosos po- dem discordar de suas interpretações. l u C a s l a C a z r u iz / F o l H a P r E s s Antropologia, restauradores Na maior parte das escavações, os arqueólogos utilizam pincéis, pequenas pás, enxadas e picaretas, mas às vezes precisam trabalhar com máquinas escavadoras de grande porte. Toda escavação deve ser feita com extremo cuidado, para não danificar os vestígios. Na foto, pesquisador limpa artefato em sítio arqueológico em Paraibuna, SP, em 2013. Restauradores: profissionais que reconstituem documentos e objetos do passado danificados pela ação do tempo e do ser humano. Antropologia: ciência social que estuda a diversidade cultural dos povos que habitaram e habitam o planeta. Hábitos, comportamentos, folclore, rituais, crenças, mitos, festas, formas de pensamento e outros aspectos são fontes de pesquisa para os antropólogos. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 117 9/28/15 11:39 AM 8118 Ensino Fundamental atividade 1 o trabalHo do Historiador: conHecendo melHor os documentos ou as fontes Históricas Como vimos, os historiadores pesquisam, organizam e interpretam vestígios deixados pelas sociedades do passado. Graças a esses profissionais, podemos ter uma ideia de como homens e mulheres se organizavam antigamente: seu modo de pensar, as explicações que criavam, as obras que construíam, como se vestiam, quais eram suas diversões, etc. Ao organizar informações sobre o passado, os historiadores nos auxiliam a compreender como as sociedades em que vivemos se tornaram o que são hoje, em seus variados as- pectos. Os historiadores podem se dedicar tanto ao estudo de sociedades que praticavam ou praticam a escrita, como de sociedades que não praticavam e não praticam a escrita. Há uma grande variedade de documentos ou fontes que o historiador pode pesquisar. Vamos conhecer os principais. A palavra “rupestre” signifca “que se refere à rocha”. Chamamos de arte rupestre as pinturas e as gravuras feitas nas rochas, dentro das cavernas ou fora delas. Por meio das pinturas rupestres, os homens e as mulheres das primeiras comunidades humanas registravam o que pensavam e sentiam. Também representavam cenas de seu dia a dia, diferentes formas de cálculo e o modo como administravam os recursos disponíveis (caça, pesca e coleta) há milhares de anos. Observe a imagem ao lado e o que você estudou sobre o trabalho dos arqueólogos para responder às questões a seguir. D E a /C . M a r C H E l l i/ D E a g o s t in i/ g E t t y i M a g E s Pintura rupestre do sítio arqueológico Tassili n’Ajjer, na Argélia. a) As pinturas rupestres são uma fonte de informação para os arqueólogos? Explique. b) Com base na pintura rupestre apresentada acima, o que é possível dizer sobre os seres humanos que viviam na região de Tassili n’ Ajjer, na atual Argélia, há 7 mil anos? AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 118 9/28/15 11:39 AM 8119 H i s t ó r i a • Escritos: podem ser encontrados em arquivos históricos, em acervos de famílias ou de instituições, comofóruns, empresas, jornais, escolas, prefeituras, cartórios, entre ou- tras organizações. Há inúmeros documentos que servem como fontes para o trabalho do historiador: inquéritos, processos criminais, leis, jornais, revistas, folhetins, cartas pessoais, cartões-postais, livros, etc. • Materiais: objetos (utensílios, vestimentas, ferramentas, móveis, obras de arte, cons- truções, etc.) produzidos pelas sociedades do passado. • Visuais: pinturas, fotografias, caricaturas, pichações, histórias em quadrinhos, anúncios pu- blicitários, tatuagens, filmes e quaisquer outras imagens produzidas em diferentes épocas. Preservação de documentos na Fundação Arquivo e Memória de Santos, SP. Armadura inglesa do século XVII. Vista da cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Foto de 2013. Fotografias do início do século XX. l u iz F E r n a n D o M E n E zE s /F o lH a P r E s s a . D a g li o r ti /D E a g o s ti n i/a lB u M /l a t in s to C K /M u s E u s ti B B E r t, F lo r E n ç a , it á li a . to M a lv E s /K in o .C o M .B r li li g r a P H iE /s H u tt E r s to C K / g lo W iM a g E s AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 119 9/28/15 11:39 AM 8120 Ensino Fundamental • Sonoros: gravações de músicas, depoi- mentos, programas de rádio e televisão, entre outros. • Orais: se o período estudado for recen- te, o historiador poderá entrevistar pes- soas que vivenciaram o acontecimento e podem dar seu testemunho sobre o ocorrido. William Haley e sua mãe, Nannie Haley, dão seu depoimento para um projeto de preservação da memória de famílias afro-americanas que vivem nos EUA. Nova York, 2007. • Imateriais: manifestações culturais (festas, práticas, crenças, tradições) que trazem in- formações sobre a história de quem as pratica ou deixou de praticar. Elas se modificam ao longo do tempo, mas sempre revelam o que os grupos valorizam, celebram e não querem esquecer. construindo relatos Históricos As informações que o historiador obtém em entrevistas, arquivos, museus, bibliotecas, conjuntos arquitetônicos e festas populares são registradas em suas notas de pesquisa. Com a ajuda de textos e livros já escritos sobre o assunto, ele seleciona, classifica e analisa essas informações para construir um conhecimento acerca de uma sociedade, de um lugar ou de um indivíduo. Assim ele vai montando o quebra-cabeça da história ou, como Sherlock Holmes, resolvendo o caso que se propôs a estudar. Ao final, constrói um relato histórico, no qual apresenta suas conclusões. Esse relato, no entanto, não reconstrói o passado com absoluta exatidão. Trata-se de uma interpreta•‹o sobre o que aconteceu. Um outro historiador, ao analisar as mesmas informações, pode chegar a conclusões diferentes. Discos de vinil e fita cassete são exemplos de documentos sonoros. A congada é uma dança popular afro-brasileira. Os escravizados já a dançavam no Brasil no século XVI, misturando tradições africanas com influências culturais locais. Assistir a uma congada é uma forma de conhecer uma festa do período colonial e identificar elementos da cultura africana e da cultura portuguesa presentes na dança. Na foto, apresentação de congada em Serra, MG, em 2013. l il ig r a P H iE /s H u t t E r s t o C K /g l o W i M a g E s r iC a r D o t E l E s /P u l s a r i M a g E n s a F P P H o t o /s t a n H o n D a AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 120 9/28/15 11:39 AM 8121 H is tó ri a por que estudar História Graças aos historiadores, podemos saber mais sobre como viveram os homens e as mulheres em outros tempos e espaços, o que mudou e o que permaneceu. Ao conhecer as experiências humanas do passado, podemos entender como foi que o mundo em que vivemos tornou-se o que é. Também podemos encontrar formas de atuar nele, a fim de preservar ou mudar aspectos de nossa realidade. atividade 2 A palavra “história” é de origem grega e signifca “investigação, relato”. Com base no que você estudou, esta palavra é adequada para designar o estudo do passado? Explique. a contagem do tempo Para facilitar seus estudos, os pesquisadores (arqueólogos e historiadores) costumam organizar o tempo em períodos. Essa divisão reflete as medidas de tempo das sociedades. No Ocidente, região do planeta em que vivemos, os períodos utilizados são: ano (que equivale a 365 dias), século (que equivale a 100 anos), milênio (que equivale a 1 000 anos). Tradicionalmente, os séculos são representados por algarismos romanos. Além dos períodos, os estudiosos também costumam utilizar marcos históricos para organizar o tempo. O nascimento de Cristo é considerado um marco muito importante no mundo ocidental. Por isso, divide- -se o tempo em antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo (d.C.). A contagem do período antes de Cristo é decrescente; a contagem do período depois de Cristo é crescente. Séculos Anos III a.C. 300 a.C. a 201 a.C. 200 a.C. a 101 a.C. II a.C. 100 a.C. a 1 a.C. I a.C. 1 a 100 I 101 a 200 II 201 a 300 III 301 a 400 IV 401 a 500 V 501 a 600 VI 601 a 700 VII 701 a 800 VIII 801 a 900 IX 901 a 1000 X 1001 a 1100 XI 1101 a 1200 XII 1201 a 1300 XIII 1301 a 1400 XIV 1401 a 1500 XV 1501 a 1600 XVI 1601 a 1700 XVII 1701 a 1800 XVIII 1801 a 1900 XIX 1901 a 2000 XX 2001 a 2100 XXI AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 121 9/28/15 11:39 AM 8 122 Ensino Fundamental teste 1 Leia o texto abaixo e indique a alternativa correta. Os primeiros seres humanos já se divertiam ao som de música tocada com instrumentos. Estudo publicado na revista Nature descreve flautas com mais de 35 mil anos, encontradas em cavernas na Alemanha. Os autores da pesquisa, da Universidade de Tübingen, analisaram um exemplar quase completo, feito de osso de ave, além de fragmentos de três flautas de marfim. Tradições musicais haviam sido sugeridas em estudos anteriores, mas faltava evidência concreta. A nova des- coberta, feita por Nicholas Conard e colegas, demonstra que os primeiros humanos na Europa, entre 35 mil e 40 mil anos atrás, já contavam com uma tradição musical bem estabelecida. Disponível em: . Acesso em: 26 jan. 2015. Adaptado. a) Os arqueólogos puderam identificar que os homens já produziam música há mais de 35 mil anos, graças a métodos de datação de vestígios. b) Os arqueólogos dataram os vestígios encontrados com base na estratigrafia, comparando-os com os de outras regiões do planeta. c) Os arqueólogos já haviam comprovado a existência da música na Europa neste período, antes do encontro dessas flautas. d) A descoberta dessas flautas explica de maneira definitiva a origem da prática musical na Europa. 2 Observe a imagem ao lado. Os arqueólogos e historiadores aplicam o método científco em suas pesquisas. Para isso, eles: I. escolhem um tema que querem estudar; II. selecionam e analisam as fontes; III. elaboram hipóteses (suposições, ex- plicações) para solucionar/entender o problema; IV. checam as hipóteses, analisando no- vamente as fontes; V. chegam a conclusões, com as quais constroem uma narrativa. Considerando as informações anterio- res e o que você estudou neste Módulo, aponte a alternativa INCORRETA. a) Os arqueólogos não adivinham e não inventam, eles se baseiam em dados cientificamente estudados. b) Os historiadores podem ser classificados como cientistas. c) O material didático de História traz relatos históricos baseados em pesquisas. d) Como utilizam o método científico, arqueólogos e historiadores reconstroem o passado com absoluta certeza sobre o que aconteceu. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 122 9/28/15 11:39 AM 8123 H i s t ó r i a 1 No municípiode São Raimundo Nonato, no Piauí, está localizado um dos principais sítios arqueológicos do Brasil. As descobertas feitas na região permitiram compreender o povoamento do território brasileiro. A equipe da arqueóloga Niède Guidon faz um tra- balho de conscientização dos moradores da região sobre a importância deste sítio arqueológico. Antes desse trabalho, alguns moradores vinham coletando pedaços de rochas para vender aos turistas que visi- tavam a área. a) Que argumentos você usaria para convencer os moradores de São Raimundo Nonato e os turistas que compram os vestígios de rochas sobre a im- portância de preservar aquele sítio arqueológico? b) Que tal fazer uma campanha de preservação do patrimônio histórico brasileiro? • Pesquise um conjunto que possa ser considerado patrimônio histórico na região em que você mora. Consiga fotos e descreva-o, apontando sua importância. • Crie um slogan que convença os moradores de sua cidade ou turistas a não com- prar peças arqueológicas ou “lembranças” retiradas do local que você pesquisou. • Organize essas informações (fotos, importância, slogan) em um cartaz ou folheto que chame bastante atenção. 2 Caso seu professor tenha solicitado, separe documentos e fontes referentes à história de sua vida e leve para a próxima aula. 3 Leia os fragmentos abaixo e responda às questões. I. O relato histórico não reconstrói o passado com absoluta exatidão. Trata-se de uma interpreta•‹o sobre o que aconteceu. II. A Terra do Brasil não se descobriu de propósito, mas por acaso, indo Pedro Álvares Cabral, por mandado de el-rei D. Manuel, no ano de 1500 para a Índia como capitão-mor de 12 naus. Afastando-se da costa da Guiné, foi costeando alguns dias a tormenta até chegar a um porto seguro, do qual a terra vizinha fcou com o mesmo nome. SALVADOR, Vicente. História do Brasil: 1500-1627. São Paulo: Melhoramentos, 1965. p. 56. Adaptado. III. D. Manuel envia em 1500 uma nova frota às Índias, composta por treze naus e 1500 homens, sob o coman- do de Pedro Álvares Cabral. Em pouco mais de um mês, Cabral chega ao nordeste do Brasil. Hoje já nos parece que não havia muita novidade em encontrar a nova terra. Mesmo antes de 1500, tem-se, na corte portuguesa, a comprovação da existência de terras no hemisfério ocidental [onde o Brasil se localiza]. SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Conquista e colonização da América Portuguesa. In: LINHARES, Maria Yedda (Org.). História Geral do Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1990. p. 43. Adaptado. Os textos dos fragmentos II e III confrmam ou desmentem o texto do fragmento I? Explique. 4 Releia o texto da aula. Escreva um parágrafo explicando como se produzem relatos históricos sobre fatos ocorridos no passado. Slogan: frase ou expressão fácil de memorizar, utilizada em campanhas publicitárias. slogan em casa a n D r E D iB /P u l s a r i M a g E n s Detalhe de pintura rupestre no Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, PI. Foto de 2013. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 123 9/28/15 11:40 AM 8124 Ensino Fundamental atividade complementar r E P r o D u ç ã o /M u s E u P a u l is t a D a u n iv E r s iD a D E D E s ã o P a u l o , s ã o P a u l o , s P . r E P r o D u ç ã o /M u s E u P a u l is t a D a u n iv E r s iD a D E D E s ã o P a u l o , s ã o P a u l o , s P . Períodos 1822 Período Colonial Império República 1889 Marcos Você vai cumprir duas das etapas do trabalho do historiador: a divisão do tempo em períodos e a organização dos documentos relativos aos períodos estudados. Para realizar esta atividade, você deve selecionar documentos escritos e não escritos referentes às diversas fases de sua vida. Para facilitar os estudos, os historiadores costumam dividir a História em períodos. Esses períodos são demarca- dos por acontecimentos importantes, chamados de marcos históricos. Veja o exemplo a seguir. Uma das formas de dividir a História do Brasil, após a chegada dos portugueses, é a seguinte: História moderna e História contemporânea 1 Como os historiadores, divida a história de sua vida em três fases, separadas por acontecimentos importantes. Depois, preencha o quadro a seguir. Fase Marco inicial Marco final 1a 2a 3a Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500, de Oscar Pereira da Silva, 1922. Detalhe de Independência ou Morte, de Pedro Américo, 1888. O Marechal Deodoro da Fonseca proclamando a República, obra de Henrique Bernadelli, c. 1892. r E P r o D u ç ã o /M u s E u D a r E P u B l iC a , r io D E J a n E ir o , r J. 1500 AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 124 9/28/15 11:40 AM 8125 H is tó r ia 2 Agora, responda: a) Que marcos você utilizou para identificar as três fases da sua biografia? Por que escolheu esses marcos? b) Os marcos escolhidos por você foram iguais aos de seus colegas? Por quê? 3 Transforme as informações que você registrou na tabela do item 1 em uma linha do tempo, como no exemplo da História do Brasil. Ilustre com fotos ou desenhos. 4 Separe os documentos que você trouxe de casa em dois grupos: um de documentos “escritos” e outro de “não escritos”. Indique no quadro abaixo a que fase da sua vida pertence cada um desses documentos. Fase Documentos escritos Documentos não escritos 1a 2a 3a 5 O que aconteceria com o conhecimento de sua história caso alguns dos documentos indicados por você se per- dessem, fossem danifcados ou destruídos? anotações AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 125 9/28/15 11:40 AM 8126 Ensino Fundamental Observe a ilustração abaixo. Ela representa a trajetória da vida na Terra, desde o surgimento do planeta até o aparecimento do ser humano e a invenção da escrita, com datas aproximadas. viaJando pela pré-História: a origem da Humanidade3 Formação da Terra Surgimento de organismos unicelulares (3,2 bilhões de anos) Surgimento dos invertebrados com carapaça (550 milhões de anos) Surgimento de vertebrados (470 milhões de anos) Surgimento das plantas terrestres (400 milhões de anos) Surgimento das plantas com flores (125 milhões de anos) Surgimento dos anfíbios (390 milhões de anos) Surgimento de organismos multicelulares como águas-vivas e algas (2,4 bilhões de anos) Desaparecimento dos dinossauros (70 milhões de anos) Aparecimento das aves (65 milhões de anos) AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 126 9/28/15 11:40 AM 8127 H is tó ri a Surgimento de pequenos mamíferos (220 milhões de anos) Surgimento dos grandes mamíferos (60 milhões de anos) Surgimento do Homo sapiens (130 mil anos) Surgimento da escrita (6 mil anos) Surgimento dos répteis marinhos (280 milhões de anos) Surgimento dos dinossauros (230 milhões de anos)(2 rg você Já pensou nisso? • Como os cientistas podem conhecer o modo de vida dos primeiros seres humanos? • Observe que a escrita começou a surgir muito tempo depois do Homo sapiens. É correto afirmar que os povos que não desenvolveram a escrita não têm história? Justifique. Acesse o portal e e explore o conteúdo digital Os fósseis contam a história. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 127 9/28/15 11:40 AM 8 128 Ensino Fundamental atividade 1 1 Recorte as fguras do anexo 1 (página 159), que correspondem ao dado e ao peão, e monte-os. 2 Recorte o anexo 2 (páginas 161 e 163) para montar o tabuleiro. 3 Organize-se em dupla para iniciar o jogo. 4 Siga as instruções abaixo. O jogo é composto por um tabuleiro dividido em 16 partes. Cada uma delas corresponde a um dos períodos que compõem a história do planeta Terra. Instruções • Definam, por sorteio, quem começará as jogadas. Os participantes devem jogar o dado e, aquele que con- seguir maior número, inicia a partida. • Jogue o dadoe mova o peão, avançando pelas casas. • Consulte as regras para cada casa ocupada pelos peões. • O jogo termina quando o primeiro peão chegar à casa 16. Regras para as jogadas CASA 1. A formação da Terra. Avance 1 casa. CASA 2. Organismos unicelulares. Mantenha-se onde está. CASA 3. Surgimento de organismos multicelulares (águas-vivas e algas). Comemore e avance 3 casas. CASA 4. Surgimento de invertebrados com carapaça. Nada acontece nesse momento. Mantenha-se no mesmo lugar. CASA 5. Surgimento de vertebrados. Avance 5 casas. CASA 6. Surgimento das plantas. Você não conseguiu encontrar alimentos e está fraco. Volte 2 casas. CASA 7. Surgimento dos anfíbios. Mantenha-se em sua posição. CASA 8. Répteis marinhos. Melhor você se preparar para correr e avançar 4 casas. CASA 9. Aparecimento dos dinossauros. Você está muito próximo dos dinossauros! Avance 2 casas. CASA 10. Aparecimento de pequenos mamíferos. Você se distraiu com os pequenos animais... Volte 4 casas. CASA 11. Surgimento das plantas com flores. Hoje é seu dia de sorte! Já que as plantas deram flores, avance 1 casa. CASA 12. Desaparecimento dos dinossauros. Poxa, que triste! Lá se foram os “dinos”. Volte 2 casas. CASA 13. Aparecimento das aves. Fique apenas apreciando e não mude de casa. CASA 14. Surgimento dos grandes mamíferos. Nada como conhecer esses animais, não é mesmo? Mas você deve avançar 1 casa. CASA 15. Surgimento do Homo sapiens. Grande momento para a história da humanidade! Em comemoração, avance 1 casa e ganhe o jogo! CASA 16. Surgimento da escrita. Parabéns, você ganhou! 5 Após ter jogado com seu colega, responda: em relação à formação da Terra e ao surgimento dos pequenos mamíferos, você diria que o aparecimento do Homo sapiens é muito antigo ou recente? AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 128 9/28/15 11:40 AM 8129 H is tó ri a A PRÉ-HISTÓRIA Você aprendeu em aulas anteriores que é possível saber a respeito de sociedades que não desenvolveram a escrita, baseando-se em fontes materiais e visuais encontradas. Quando uma determinada sociedade do passado é estudada, e as únicas fontes de informação sobre ela são os documentos não escritos, nós a classificamos como pré- -histórica. Isto é, como pertencente a um tempo histórico chamado Pré-História. O trabalho de cientistas, com base nos estudos dos vestígios deixados pelos primeiros habitantes da Terra, permitiu identificar o surgimento de registros escritos, por volta de 6 mil anos atrás. Por meio de suas pesquisas, também foi possível saber que a escrita não se desenvolveu entre todos os grupos humanos, e em todos os lugares do planeta, ao mesmo tempo. As sociedades que deixaram registros escritos, aqueles que vão compor o conjunto de documentos onde se pode pesquisar para se ter informações de seu passado, podem ser classificadas como pertencentes a um tempo histórico chamado História. COMO TUDO COMEÇOU? O QUE OS MITOS EXPLICAM Você já assistiu ao filme Os Croods? Seu enredo apresenta uma sociedade pré-histórica. Trata-se de uma família que mantém intensa relação com a natureza, mora em cavernas e caça para sobreviver. Não faltam, também, momentos de reflexão e busca por respostas como a que a jovem personagem Eep, que se via encantada com o Sol que ilumina e esquenta a Terra, fez ao seu pai, Grug: “— Qual é a razão de tudo isso? — Por que estamos aqui?” Embora Eep seja uma personagem do filme, suas reflexões coincidem com as de muitos seres humanos que, constantemente, procuram respostas para suas indagações sobre a vida, os fenômenos da natureza, a origem do mundo, dos animais e do ser hu- mano. Buscando dar sentido a questões como essas, os mais diversos grupos humanos criaram os seus mitos. Por meio dessas narrativas, podemos tentar compreender alguns elementos da socie- dade que os criou. Os hebreus, por exemplo, explicavam a origem dos seres humanos através da narrativa de Adão e Eva, presente no livro Gênesis, da Bíblia. Você conhecerá a seguir outros dois mitos que explicam o surgimento do mundo, da vida e do homem. Mito: narrativas utilizadas para explicar as origens do mundo e dos humanos, fatos da realidade e fenômenos da natureza. Normalmente, os mitos utilizam elementos sobrenaturais em suas explicações e também aspectos da realidade dos povos que os transmitem. mitos AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 129 10/10/16 4:47 PM 8130 Ensino Fundamental130 Ensino Fundamental O primeiro deles é contado pelos Fang, um grupo que vive no Gabão, na África. Eles acreditam que no princípio do mundo não havia nada, mas Deus existia. Perceba que, como sempre ocorre nos mitos, neste também aparecem deuses, personagens fantás- ticas, de características extraordinárias, que convivem com os homens e os animais. O segundo mito, de origem chinesa, mostra que Deus morre, dando então vida à criação do mundo. China e Gabão: localização Círculo Polar Ártico Trópico de Câncer Trópico de Capricórnio M er id ia no d e G re en w ic h Equador OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICOOCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO çFRICA 2 110 km0 N S LO GABÃO CHINA O mito de origem dos Fang No princípio das coisas, não havia nada, nem o homem, nem animais, nem plantas, nem céu, nem terra. Mas Deus existia e se chamava Nzame. No princípio, Nzame fez o céu e a terra e reservou o céu para si. Em seguida, ele soprou sobre a terra, e o chão e água foram criados, cada qual em seu lado. Nzame fez tudo: céu, terra, sol, lua, estrelas, ani- mais, plantas, tudo. Quando terminou tudo aquilo que vemos hoje, chamou Mebere e Nkwa e lhes mostrou sua obra. — Esta é minha obra. Está boa?. Eles responderam: — Sim, você fez direito. — Mas ainda falta alguma coisa. Mebere e Nkwa responderam a ele: — Vemos muitos animais, mas não o chefe deles; vemos muitas plantas, mas não a senhora delas. Para senhores de todas essas coisas, eles designa- ram o elefante, porque tinha sabedoria; o leopardo, porque tinha vigor e astúcia; e o macaco, porque ti- nha malícia e agilidade. Mas Nzame queria fazer uma coisa ainda melhor e, trabalhando juntos, ele, Mebere e Nkwa criaram um ser quase como eles mesmos. Um lhe deu poder, o segundo, autoridade e o terceiro, beleza. Então os três disseram: F o n te : A tl a s G e o g rá fi c o E s c o la r. R io d e J a n e ir o . IB G E , 2 01 2 . A d a p ta d o . AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 130 10/7/16 2:34 PM 8131 H is tó r ia — Fique com a terra para si. Daqui por diante você é o senhor de tudo que existe. Como nós, você tem vida, todas as coisas lhe pertencem, você é o senhor. [...] Nzame, Mebere e Nkwa deram ao primeiro homem o nome de Fam, que significa “poder”. Orgulhoso de sua autoridade, de seu poder e de sua beleza – porque nessas três qualidades ele suplantava o elefante, o leopardo e o macaco –, de sua capacidade de derrotar todos os animais, o primeiro homem tornou-se perverso; ficou arrogante e não queria mais cultuar Nzame. [...] Furioso, Deus chamou Nzalan, o trovão. — Nzalan, venha cá! – Nzalan veio cor- rendo com grande estrondo: bum, bum, bum! O fogo do céu caiu sobre a floresta. As plantações queimaram como tochas enormes. Fu, fu, fu! – tudo em chamas. [...] Mas quando Deus criou o primeiro homem, ele lhe disse: — Nunca morrerás. – E o que Deus dá Deus não tira. O primeiro homem foi queimado, mas nada sabe o que deu dele. Está vivo, sim, mas onde? Mas Deus olhou para a terra, toda preta, sem nada, um vazio; sentiu-se en- vergonhado e quis consertar. Nzame, Mebere e Nkwa reuniram-se e fizeram o seguinte: sobre a terra preta coberta de carvão colocaram uma nova camada de solo; uma árvore cresceu, cresceu mais e mais, e, quando uma de suas sementes caiu, outra árvore nasceu; quando uma folha se desprendeu, ela cresceu mais e mais e começou a andar. Era um animal, um elefante, um leopardo, um antílope, um cágado – todos eles. Quando uma folha caiuna água, ela nadou; era um peixe, uma sardinha, um caranguejo, uma ostra – todos eles. A terra voltou a ser o que tinha sido e é ainda hoje. [...] Mas Nzame, Mebere e Nkwa reuniram-se de novo; precisavam de um chefe para comandar os animais. — Devemos fazer um homem como Fam – disse Nzame, – as mesmas pernas e braços, mas devemos mudar a cabeça dele, e ele conhecerá a morte. Esse foi o segundo homem e pai de todos. Nzame chamou-o de Sekume, mas não quis deixá-lo sozinho, então disse: — Faça uma mulher para você de uma árvore. Sekume fez uma mulher para si, e ela andou, e ele a chamou de Mbongwe. FORD, Clyde W. O herói com rosto africano: mitos da África. São Paulo: Summus, 1999. p. 259-63. mito de origem chinesa A criação do mundo não terminou até que P’an Ku morreu. Somente sua morte pôde aperfeiçoar o Universo: de seu crânio surgiu a abóbada do firmamento, e de sua pele a terra que cobre os campos; de seus ossos vieram as pedras, de seu sangue, os rios e os oceanos; de seu cabelo veio toda a vegetação. Sua respiração se transformou em vento, sua voz, em trovão; seu olho direito se transformou na Lua, seu olho esquerdo, no Sol. De sua saliva e suor veio a chuva. E dos vermes que cobriam seu corpo surgiu a humanidade. GLEISER, Marcelo. A dança do Universo: dos mitos de criação ao Big Bang. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 23. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 131 9/28/15 11:40 AM 8132 Ensino Fundamental atividade 2 (em grupo) 1 Faça a releitura do texto de cada mito. 2 Identifque as palavras que são desconhecidas para você e organize um glossário. 3 Elabore cinco questões que serão aplicadas aos seus colegas. 4 Organize o gabarito para as questões que elaborou, pois, caso seus colegas não consigam respondê-las, você terá de fazê-lo. as explicações científicas Vimos que o mito é uma forma muito antiga de explicação da realidade. Mas não é a única. Para explicar os fenômenos naturais e a própria existência, os seres humanos também se valem da ciência. Ao contrário dos mitos que utilizam histórias simbólicas para responder às questões fundamentais da humanidade, as explicações científicas são baseadas em dados con- cretos, métodos rigorosos e argumentos lógicos. Os arqueólogos e os historiadores utilizam vestígios e indícios (dados concretos) e métodos próprios para conhecer o passado, e por isso são considerados cientistas. O aperfeiçoamento da ciência não fez a mitologia perder sua importância. Enquanto as pesquisas científicas oferecem a cada dia novas descobertas e teorias, os mitos conti- nuam a oferecer explicações baseadas na crença em forças superiores ao homem e que podem revelar muito a respeito do povo que os criou. simbólicas atividade 3 1 Leia o tópico “As explicações científcas” e apresente as principais diferenças entre mito e ciência. 2 Podemos dizer que a única maneira de saber sobre o modo de vida dos povos da Pré-História é por meio de trabalhos científcos, desenvolvidos a partir da descoberta de vestígios arqueológicos? Justifque a sua resposta. Simbólico: elemento descritivo ou narrativo que pode assumir mais de um significado; aquele que permite fazer mais de uma leitura e interpretação. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 132 9/28/15 11:40 AM 8133 H i s t ó r i a teste 1 Os cientistas podem conhecer o modo de vida dos primeiros seres humanos por meio: a) dos relatos escritos há mais de 50 mil anos. b) de fotografias tiradas na época. c) do trabalho dos arqueólogos que investigam os antigos vestígios. d) de filmes que fazem sucesso nos cinemas. 2 Leia o texto abaixo. O conceito de mito é muito difícil de se definir. Alguns historiadores afirmam que o mito é uma mentira. Outros, mais moderados, afirmam que os mitos são fábulas, narrativas puramente fictícias. Neles encontramos o sobrenatural e fenômenos da natureza. Também existem aqueles que defendem que o mito se diferencia totalmente da fábula: não é fantasia nem ficção. Trata-se de um disfarce para o pensamento, a expressão de uma consciência mais profunda. O mito, para alguns historiadores, é fonte de pesquisa, pois carrega uma mensagem, muitas vezes disfarçada, capaz de revelar o pensamento de uma sociedade. SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicion‡rio de conceitos hist—ricos. S‹o Paulo: Contexto, 2005. p. 294. Adaptado. Podemos afrmar que mito, segundo o texto: a) é uma mentira contada pelos povos que o criaram. b) não representa uma ficção, pois expressa a consciência humana. c) é uma narrativa capaz de revelar, de maneira exata, o pensamento de uma sociedade. d) tem diversas definições. 3 As explicações científcas em relação aos primeiros seres humanos que habitaram o planeta estão baseadas: a) em dados concretos e métodos de pesquisa rigorosos. b) nas crenças religiosas sobre um fato histórico. c) exclusivamente em mitos e outras histórias criadas pelos povos estudados. d) nas histórias bíblicas. 1 Leia o texto e, em seguida, faça o que se pede. Homo sapiens quer dizer “homem que sabe”. Essa espécie, que surgiu por volta de 130 mil anos atrás, é considerada o primeiro ser humano do planeta Terra. Por meio do estudo das transformações ocorridas nas formas e estruturas físicas de seres que viveram antes do Homo sapiens, bem como dos vestígios deixados pelo tempo, pesquisadores che- garam à conclusão de que essa espécie humana teria se originado de uma outra, que foi denominada Homo erectus. Estima-se que entre a origem do Homo erectus e o surgimento do Homo sapiens, há uma distância de tempo de mais de um milhão de anos. Com base nas informações do texto e nos dados que aparecem na imagem de aber- tura que apresenta a história do mundo até o surgimento da escrita (páginas 126 e 127), faça o que se pede. Homo erectus. em casa Homo erectus: o mesmo que homem ereto; que anda com as costas retas e as m‹os livres. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 133 9/28/15 11:40 AM 8134 Ensino Fundamental Preencha os espaços em branco da linha do tempo abaixo. Consulte os itens, pois todos eles devem ser utilizados. 1. Surgimento da escrita 2. Surgimento do Homo sapiens 3. Surgimento do Homo erectus Para preencher os espaços da linha do tempo, utilize os números que correspondem a cada item. Linha do tempo da Pré-História: do surgimento do Homo erectus à invenção da escrita 2 Releia os dois mitos trabalhados em sala de aula (páginas 130 e 131) e grife, nos textos, os elementos que os tor- nam similares. Em seguida, explique por que povos que vivem tão distantes, e nunca fzeram contato uns com os outros, produzem histórias similares. 3 Escolha um dos mitos estudados por você e, em uma folha sulfte, faça um desenho para ilustrá-lo. anotações AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 134 9/28/15 11:40 AM 8135 H is tó ri a Observe a imagem abaixo. Ela mostra um conjunto de instrumentos fabricados por seres humanos pré-históricos. Eles foram encontrados em sítios arqueológicos e permi- tiram aos pesquisadores levantar informações sobre o povo que os criou. o modo de vida dos primeiros grupos Humanos4 g r a n g E r C o l l E C t io n /g l o W i M a g E s você Já pensou nisso? Com base na observação das ferramentas que aparecem na imagem: • levante hipóteses para explicar a utilidade delas na época em que foram cons- truídas; • deduza as características do modo de vida dos primeiros seres humanos. Dê exemplos para ilustrar o seu ponto de vista. Ferramentas do Período Neolítico. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 135 9/28/15 11:40 AM 8136 Ensino Fundamental Homem ereto: tem a capacidade de andar com as costas retas. O bipedismo proporcionou aumento do campo de visão. O bipedismo garantiu que os braços e as mãos ficassem liberados. Os deslocamentos tornaram-se mais eficientes, possibilitando a realizaçãode longas marchas. A diminuição do maxilar deu mais espaço para a caixa craniana.1 o que a ciência conta sobre a origem dos seres Humanos Você já aprendeu que, para saber o que ocorreu no passado dos povos que não desenvolveram a escrita, é necessário o investimento em pesquisas e estudos que se baseiam em vestígios arqueológicos. A partir disso, os historiadores e arqueólogos pu- deram construir a hipótese de que a espécie humana surgiu no continente africano, há cerca de 6 milhões de anos. Sabe-se ainda que os seres humanos não surgiram com as características físicas que possuímos hoje. Da sua origem até os nossos dias, ocorreu um longo processo de trans- formação, conhecido como hominização, que durou milhões de anos. o processo de hominização Um conjunto de transformações ocorridas no esqueleto, nos músculos, no sistema nervoso e no cérebro dos nossos ancestrais deu origem ao ser humano moderno. O desenvolvimento da ciência não impediu que explicações sobre a origem dos seres humanos, baseadas exclusivamente na religião, continuassem existindo. Os criacionistas, como são chamadas as pessoas que defendem a Bíblia como a única e verdadeira fonte de informação sobre o passado, rejeitam as teorias científicas sobre a origem da Terra, do sistema solar, da origem comum dos seres humanos, bem como o seu processo de evolução biológica. Defendem, entre outras ideias, a criação da humanidade como uma obra divina. O bipedismo – a capacidade de andar sobre dois pés, na posição ereta – foi uma das transformações mais importantes. O bipedismo proporcionou um campo de visão mais amplo: eretos sobre as duas pernas, os hominídeos podiam observar melhor o que acontecia ao seu redor, reconhecendo, mais facilmente, predadores e presas. Os hominídeos, pouco a pouco, ficaram com suas mãos livres para, entre outras coisas, segurar os alimentos para transportá-los, além de carregar os seus filhotes enquanto se locomoviam. Os deslocamentos tornaram-se mais eficientes, possibilitando-lhes realizar longas marchas. Seu maxilar, que antes era grande e forte, diminuiu de tamanho, permitindo o aumento da caixa craniana e, consequentemente, do cérebro. O resultado foi o desenvolvimento das capacidades intelectuais, como prever e projetar ações no futuro, realizar cálculos e executar diferentes tarefas, tais como produzir ferramentas. Uma das últimas conquistas no processo de hominização foi o desenvolvimento da linguagem. Diante da necessidade de comunicação, um grande número de gestos e sons combinados passou a ser utilizado para transmitir mensagens e ideias. Isso foi possível, entre outros fatores, graças ao aperfeiçoamento do aparelho fonador. hominídeos, maxilar, caixa craniana aparelho fonador. Hominídeo: ancestral do ser humano. Maxilar: conjunto de ossos e cartilagens que permitem a abertura e o fechamento da boca. Caixa craniana: conjunto de ossos que envolvem o cérebro. Aparelho fonador: conjunto de órgãos destinados a produzir os sons da fala. 1 2 2 3 4 3 4 5 5 AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 136 9/28/15 11:40 AM 8137 H is tó r ia para sobreviver, era preciso andar muito! A pesquisa sobre os vestígios dos seres humanos mais antigos do planeta Terra, que viveram entre 6 milhões e 12 mil anos a.C., nos permite concluir que existiram diferentes formas de organização em seu modo de vida. As habilidades sociais, físicas e intelectuais desenvolvidas estiveram diretamente relacionadas à necessidade de responder aos desa- fios vivenciados por cada grupo. Contudo, podemos estabelecer algumas características comuns entre eles. Os primeiros seres humanos enfrentaram enormes dificuldades de sobrevivência, com poucos recursos para superá-las. Nessa época, viviam em grupos, não produziam os próprios alimentos e, para sobreviver, dependiam exclusivamente do que a natureza lhes oferecia, coletando os vegetais que cresciam nos campos e caçando animais selvagens: cavalos e tigres-dentes-de-sabre, entre outros. Quando os alimentos disponíveis acabavam, tinham de se mudar para outros locais, de forma a garantir a sua sobrevivência. Por isso, durante milhares de anos, esses grupos humanos não tiveram um território fixo como residência, deslocando-se constantemente. Os primeiros grupos nômades fabricavam ferramentas simples, feitas com paus, pe- dras lascadas e ossos, que eram usadas para caçar, cortar, trinchar animais ou triturar alimentos e lutar contra inimigos. Um exemplo de instrumento encontrado em sítios arqueológicos são os objetos feitos de pedra lascada, que serviam para cortar a pele e a carne de animais ou como pontas das lanças utilizadas na caça, pesca e defesa do grupo. Os diversos tipos de vestígios deixados pelos primeiros seres humanos nômades permitem ter uma ideia de como eram suas habitações e alimentação. Alguns habitavam cavernas, outros, saliências rochosas ou tendas feitas de galhos e cobertas por folhas ou pele de animais. Como viviam em grupos, comunicavam-se e partilhavam experiências entre si. Dessa convivência, surgiu um conjunto de práticas, hábitos, sinais de linguagem, regras e formas de sobrevivência a que chamamos de cultura. Sua organização depende da combinação de fatores como necessidade, interesses materiais, intelectuais e espirituais que envolvem a sobrevivência em um determinado contexto. Como nem todos os grupos humanos vivenciam as mesmas experiências, diferentes culturas se desenvolveram. trinchar Esse modo de vida, caracterizado por constantes deslocamentos em busca de alimento, é chamado de nomadismo, e quem o pratica é conhecido como n™made. Ferramentas do Período Paleolítico. g . D a g l i o r t i/ D E a g o s t in i/ t H E B r iD g E M a n a r t l iB r a r y / M u s E u n a C io n a l D E a n t ig u iD a D E s , s a in t g E r M a in -E n -l a y E , F r a n ç a . Trinchar: cortar em pedaços ou fatias. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 137 9/28/15 11:40 AM 8138 Ensino Fundamental Com base em pesquisas arqueológicas, estima-se que por volta de 40 mil a.C. sur- giram as primeiras pinturas rupestres. Fei- tas nas paredes de cavernas e em grutas, são encontradas em diferentes locais do planeta. Por meio dessas pinturas, é pos- sível imaginar parte da cultura do povo que a criou. Elas são de diversos tipos e muitas nos levam a crer que representam hábitos co- muns ao grupo: caça, pastoreio e rituais. Seus autores podiam utilizar diversos mate- riais disponíveis na natureza: argila, sangue, ossos, madeira queimada, etc. com a palavra,o Historiador Cultura é tudo aquilo produzido pela humanidade, seja no plano concreto ou no plano imaterial, des- de artefatos e objetos até ideias e crenças. Cultura é todo complexo de conhecimentos e toda habilidade humana empregada socialmente. Além disso, é todo comportamento aprendido, de modo independente da questão biológica. SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicion‡rio de conceitos hist—ricos. S‹o Paulo: Contexto, 2005. p. 85. atividade 1 (em grupo) 1 Com base no texto “O processo de hominização” (página 136), leia os itens abaixo e analise o quadro para identifcar as informações que estão faltando, utilizando os itens a seguir: • melhor observação dos acontecimentos; • músculo; • segurar alimentos; • bipedismo; • desenvolvimento das capacidades intelectuais; • sistema nervoso. P r in t C o l l E C t o r /g E t t y i M a g E s Pintura rupestre encontrada na caverna Rouffignac, em Dordonha, França. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 138 9/28/15 11:40 AM 8139 H i s t ó r i a 2 Procure na ilustração a seguir os itens que pertencem ao período da Pré-História – entre 6 milhões e 12 mil anos atrás. Em seguida, escreva elementos que você encontrou. Mais fácil enxergar animais ferozes Mudanças Desenvolvimento do aparelho fonadorComunicação com o grupo Locomover-se com filhotes no colo Mãos livres Melhor deslocamento SURGIMENTO DOS SERES HUMANOS CERCA DE 5,5 MILHÕES DE ANOS Processo de... Proporcionou... Longo processo de transformaçãoHominização Prever Projetar Produzir Aumento da caixa craniana Facilita a caça Cérebro AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 139 9/28/15 11:40 AM 8 140 Ensino Fundamental a descoberta do fogo Atualmente, é muito simples conseguir fogo. Com um fósforo ou um isqueiro nas mãos, rapidamente se obtém uma chama. Contudo, em um tempo bem distante do nosso e durante milhões de anos, os seres humanos não souberam como produzi-lo. Só tinham acesso ao fogo quando ele surgia espontaneamente, em áreas de vegetação muito seca incendiadas por raios ou por calor muito forte. Naquela época, a obtenção do fogo era eventual e dependia do acaso. eventual Somente depois de muito observar a natureza, refletir sobre ela e fazer experimentos, foi possível descobrir modos de utilizar e, posteriormente, de produzir fogo. Provavelmente, os primeiros passos para essa descoberta foram dados quando os ancestrais humanos perceberam que o vento e o sopro sobre as brasas faziam o fogo reaparecer. Com isso, descobriram como mantê-lo aceso por mais tempo, mas não como produzi-lo. Imagina-se que, pouco a pouco, os seres humanos notaram que o fogo surgia quando folhas ou galhos secos eram aquecidos por muito tempo. Assim, perceberam que uma chama poderia ser iniciada quando algum objeto era exposto a altas temperaturas. Acredita-se que a descoberta da técnica de produção do fogo tenha sido uma das mais importantes conquistas humanas. Eventual: ocasional; que ocorre algumas vezes, em certas ocasiões. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 140 9/28/15 11:40 AM 8141 H i s t ó r i a Estudos científicos atestam que há cerca de 500 mil anos alguns grupos de seres hu- manos já haviam descoberto a técnica de produção do fogo. Esse domínio foi possível devido ao conhecimento, adquirido pela experiência e observação, de que o atrito entre duas pedras ou dois pedaços de madeira gerava calor suficiente para produzir fogo. Com a manipulação do fogo, muitos hábitos dos seres humanos mudaram: eles pu- deram iluminar a noite, se assim desejassem; proteger-se do frio e de animais ferozes; cozinhar vegetais e assar as carnes de suas caças. atividade 2 Leia o texto para fazer o que se pede em seguida. Na planície, jazia um cavalo. Reunido perto dali, um grupo concentrado em suas atividades; alguns observavam o bando de hienas que circundava o animal morto, atirando pedras de tempos em tempos para mantê-las afastadas. Outros ainda empunhavam suas lanças de madeira. Seis estavam de cabeça baixa, trabalhando o sílex. Eles já haviam preparado alguns dos grandes nódulos de sílex provenientes de uma falésia não longe dali, tirando lascas para dar uma forma arredondada de um biface, e agora cada um trabalhava um desses blocos com grande rapidez e destreza. [...] Assim que o primeiro talhador terminou o artefato bem delineado que agora chamamos de “biface”, eles correram para a carcaça do cavalo e começaram a cortar a carne. Removeram postas de carne das pernas e dos quadris e, quando os ossos ficaram expostos, esmagaram os maiores para extrair a medula. Vamos supor que os adultos ajudaram a alimentar as crianças e os jovens ajudaram os velhos, ainda que os membros mais fracos talvez tenham precisado tratar de agarrar o que podiam. Parte da carne foi consumida ali mesmo; as melhores postas foram levadas ao topo da falésia, onde o grupo estava acampado, e consumidas à vontade. Vamos supor, mais uma vez, que agora eles puderam descansar um ou dois dias, substituir suas lanças, confeccionar um novo martelo com osso de cavalo para trabalhar o sílex e brincar com os filhos. jazia sílex nódulos falésia biface destreza talhador medula. Jazer: estar deitado, morto, ou parecer morto. Sílex: rocha dura. Nódulo: pequeno nó. Falésia: declive de montanha alta que sofre erosão marinha. Biface: utensílio do formato de uma grande amêndoa. Trata-se de um fragmento de rocha (sílex) lascada e alisada dos dois lados. De um lado forma uma ponta fina e cortante, e do outro uma ponta arredondada, para que se possa segurar com a mão ou colocar um cabo. Destreza: habilidade. Talhador: cortador. Medula: espécie de líquido localizado no interior de um osso. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 141 9/28/15 11:40 AM 8 142 Ensino Fundamental Isso aconteceu em um lugar que meio milhão de anos depois seria conhecido como Boxgrove, perto de Chichester, no sul da Inglaterra. Nenhum dos seres presentes tinha a mais remota consciência de que os vestígios de suas atividades sobreviveriam por meio milhão de anos, preservados pelo rápido soterramento sob sedimento de falésias desmoronadas. Nenhuma palavra sobreviveu para nos contar sobre esse e inúmeros outros incidentes [...]. [...] Os ossos de cavalo nos contam sua própria história. [...] O exame microscópico revela marcas de dentes de animais, indicando que foram visitados por hienas depois que os hominídeos se foram. Podemos determinar em que ordem os seres chegaram à carcaça, já que as marcas de dentes deixaram sulcos ao longo das marcas existentes de corte com sílex [...]. [...] Muitos afirmam que a caça só se desenvolveu com os humanos plenamente modernos, há cerca de 50 mil anos, e em épocas mais remotas não havia a coesão social, a tecnologia ou a inteligência necessárias para fazer mais do que revirar animais mortos por grandes carnívoros ou coletar alimentos vegetais. Abater, trinchar um cavalo grande e saudável não é tarefa fácil e nos faz pensar sobre o tipo de organização social e os níveis de habilidade física e acuidade mental requeridos. [...] GOSDEN, Chris. PrŽ-Hist—ria. Porto Alegre: L&PM, 2012. p. 11-7. Sedimento: material sólido que se desprendeu e se espalhou. Coesão social: unidade; associação entre integrantes de um grupo. Acuidade: perspicácia; grau de sensibilidade acentuada dos órgãos do sentido como visão, audição, tato. Requerer: exigir; solicitar. 1 Segundo o texto, quando surgiram os primeiros caçadores? 2 O que signifca dizer que “os ossos do cavalo contam sua própria história”? 3 Procure no texto informações sobre o grupo humano e anote-as a seguir. a) Instrumentos produzidos: b) Materiais utilizados na produção de instrumentos: c) Alimentos: sedimento coesão social, acuidade requeridos AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 142 9/28/15 11:40 AM 8143 H i s t ó r i a 4 Grife no texto os trechos onde você encontrou as respostas para o item 3 dessa Atividade. Utilize a cor vermelha para o item “a”; verde para o item “b” e azul para o item “c”. 5 Agora que você trabalhou diversos aspectos do texto, dê um título a ele. plantar para poder ficar Há aproximadamente 11 mil anos, alguns dos grupos humanos que habitavam o Oriente Médio aprenderam a cultivar plantas e a domesticar animais. É muito provável que essa descoberta tenha ocorrido com a observação da natureza, num processo semelhante ao da descoberta do fogo, que demorou milhares de anos e não aconteceu em todos os lugares ao mesmo tempo. Uma hipótese é que, pouco a pouco, os seres humanos foram percebendo que as sementes, ao caírem na terra, germinavam e davam origem a uma planta igual à que lhes originou. Com o passar do tempo, a ação, antes espontânea, tornou-se intencional: os próprios seres humanos passaram a enterrar as sementes, conseguindo reproduzir parte da vegetação local. E foi assim que começaram a plantar. Essa descoberta não dispensou a coleta de alimentos, mas possibilitou que alguns grupos humanos se fixassem por mais tempo numa região, pois, produzindo o próprio alimento, já não precisavam mais se deslocar com tanta frequência. Somente mais tarde eles aprenderam a selecionar e ar- mazenar os grãos. Também criaram técnicasmais eficientes de plantio, que só foram possíveis graças à produção de novos instrumentos de trabalho. Além da pedra lascada, que já utilizavam, passaram a empregar a técnica de pedras polidas para construir suas ferramentas. Imagina-se que esses primeiros seres humanos passa- ram a produzir utensílios de cerâmica, como potes e vasos, com o objetivo de armazenar o produto de seu trabalho. Gradualmente, essas descobertas permitiram o planeja- mento da produção e o desenvolvimento da agricultura. Simultaneamente à descoberta da agricultura, certos gru- pos humanos desenvolveram a domesticação e a criação de animais, diminuindo a necessidade da caça, que era perigosa e incerta. Tal como a agricultura, a pecuária passou a ser praticada depois de um longo processo de observação e experimentação que permitiu o desenvolvimento humano. Além disso, há indícios de que muitos dos povos que já haviam desenvolvido as técnicas de produção de alimentos tivessem viajado por lugares distantes, pelos mais variados motivos, e levado consigo esse conhecimento. Com isso, influenciaram os grupos humanos que encontravam. r o g E r v io l l E t /g E t t y i M a g E s /C o l E ç ã o P a r t iC u l a r Vaso de cerâmica encontrado na região do atual Iraque, no Oriente Médio, datado de 5 mil anos a.C. A domesticação de animais e o desenvolvimento da agricultura provocaram importantes mudanças no modo de vida dos seres humanos. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 143 9/28/15 11:40 AM 8144 Ensino Fundamental Há cerca de 3 mil anos, alguns dos povos que habitavam a região da Mesopotâmia e do Egito, em função de suas necessidades e interesses, desenvolveram também os pri- meiros registros escritos. A partir daí, as pesquisas científicas passaram a contar, também, com esses documentos. Podemos dizer que o surgimento da escrita fez parte de um conjunto de técnicas que se desenvolveram para atender às necessidades de determinados povos, na construção de sua sobrevivência. Por isso, ela não surgiu em todos os lugares do planeta ao mesmo tempo. a divisão da pré-História: paleolítico e neolítico Vimos que o modo de vida dos primeiros grupos humanos passou por profundas mudanças ao longo do tempo. A partir de suas necessidades, eles inventavam novas técnicas para transformar a realidade. Com base nos resultados dos estudos arqueológicos sobre os vestígios materiais deixados por esses primeiros grupos humanos, os cientistas classificam e organizam as informações que se relacionam com o seu modo de vida e instrumentos que desenvolvem. Um grupo de arqueólogos, na Austrália, analisou o DNA de 21 fósseis humanos encontrados em um sítio arqueológico na Alemanha. O exame desse material permitiu que estimassem a idade deles: entre 5 500 e 4 900 anos. Além disso, foi possível comparar o material genético daqueles fósseis com o dos atuais habitantes da Anatólia, na Turquia, e verificar que há grande semelhança entre eles. Observe no mapa a distância entre um lugar e outro. Alemanha e Anatólia: localização Círculo Polar Ártico Trópico de Câncer Trópico de Capricórnio M er id ia no d e G re en w ic h Equador OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO Círculo Polar Antártico 2 570 km0 N S LO ALEMANHA Anat—lia Segundo o que os pesquisadores apuraram, há claros indícios de que os primeiros agricultores europeus teriam sido migrantes que chegaram de longe trazendo em sua bagagem as técnicas de cultivar os alimentos. Disponível em: . Acesso em: 3 fev. 2015. Adaptado. F o n te : A tl a s G e o g rá fi c o E s c o la r. r io d e J a n e ir o . iB g E , 2 01 2 . a d a p ta d o . Povos que saíram da atual Anatólia, na Turquia, podem ter levado a técnica de cultivo aos povos que habitavam a região onde hoje se localiza a Alemanha. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 144 9/28/15 11:40 AM 8145 H i s t ó r i a Utiliza-se o termo Paleolítico (“paleo”: antigo; “lítico”: referente a pedra) para deno- minar o período em que surgiram os primeiros instrumentos com a técnica da pedra lascada, e o termo Neolítico (“neo”: novo; “lítico”: referente a pedra) para denominar o período a partir do qual surgiram os primeiros instrumentos produzidos com a técnica da pedra polida. Com o desenvolvimento das pesquisas arqueológicas sobre os vestígios deixados pelos primeiros seres humanos da Pré-História, percebeu-se que determinados povos passaram a utilizar técnicas de fundição de metais. Com isso, os instrumentos de trabalho, como foices, machados, arados, armas, entre outros, tornaram-se mais eficientes e resistentes que os conhecidos até então. A descoberta dessas inovações técnicas também fez com que o modo de vida dos povos que a desenvolveram fosse classificado como parte do Neolítico. Embora seja comum a divisão da Pré-História da humanidade em etapas de desen- volvimento técnico e organização social, este recurso deve ser utilizado com cuidado, pois não pode ser encarado como um instrumento que classifica os diferentes modos de vida em mais ou menos evoluídos. A trajetória humana não corresponde a um processo homogêneo e evolutivo. Como as necessidades dos grupos humanos não são as mesmas em todo o planeta, diferentes modos de organizar a vida coexistem, desde a origem do homem, há 6 mi- lhões de anos. Essas diferenças devem-se a diversos fatores diretamente relacionados às necessidades diante da construção e organização da vida em sociedade. Elas não representam, em hipótese alguma, níveis de evolução. atividade 3 1 Recorte as imagens que estão no anexo 3 (página 165). 2 Leia atentamente as frases a seguir e cole as imagens que correspondem a elas. a) Observando a natureza, o homem aprendeu a plantar. Também conhecido por Período da Pedra Antiga ou Lascada. Período anterior ao aparecimento da agricultura. Também conhecido como Período da Pedra Nova ou Polida. Período que combina com o aparecimento da agricultura. Desenvolvimento das técnicas de produção de instrumentos com metais. Paleolítico Neolítico AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 145 9/28/15 11:40 AM 8 146 Ensino Fundamental b) A pecuária passou a ser praticada na mesma época que a agricultura. c) A descoberta da técnica de produção do fogo mudou consideravelmente o modo de vida dos seres humanos. d) No período Paleolítico, além da caça, os primeiros grupos humanos que habitaram o planeta praticavam a coleta de frutos da floresta. teste 1 Sobre a origem dos seres humanos, as pesquisas científcas baseiam-se: a) em vestígios arqueológicos encontrados. b) somente nas explicações dadas pela Bíblia. c) exclusivamente nas histórias narradas pelos mitos. d) nos registros escritos que foram produzidos na época. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 146 9/28/15 11:40 AM 8147 H i s t ó r i a 2 Releia o texto da Atividade 2 (páginas 141 e 142) e assinale a alternativa que melhor defne as características necessárias aos primeiros seres humanos do planeta Terra para que desenvolvessem a caça. a) Força física e pesadas armas de metal. b) Somente a habilidade com as armas. c) A combinação de três habilidades: sociais, físicas e intelectuais. d) Apenas a inteligência. 3 Assinale a alternativa que melhor explica o processo de desenvolvimento da agricultura. a) Abrangendo todos os grupos humanos do planeta, a agricultura surgiu há 11 mil anos. b) Os seres humanos começaram a coletar os frutos e armazená-los. c) A partir do domínio da cerâmica, a agricultura se desenvolveu. d) É provável que os seres humanos tenham observado a natureza e o processo que, naturalmente, fazia as sementes germinar. Com o tempo, assumiram esse processo e passaram a plantar. 1 Faça o que se pede a seguir. a) Analise os itens e assinale apenas aqueles que apresentam as consequências do bipedismo paraos seres humanos da Pré-História. ( ) Diminuição do campo de visão. ( ) Facilidade para se deslocar. ( ) Crescimento do maxilar. ( ) Caminhadas em bando. ( ) Observação mais efcaz dos acontecimentos ao redor. ( ) Maior capacidade de fazer cálculos matemáticos. b) Podemos dizer que o bipedismo ajudou na descoberta da técnica de produção do fogo? Justifique. 2 No texto da Atividade 2, vimos que há uma disputa entre homens e hienas que desejam consumir o mesmo ani- mal morto. Releia o texto, analise a situação que revela a luta pela sobrevivência e explique o que diferenciava os humanos dos animais que disputavam o alimento. 3 Leia os itens a seguir e assinale aqueles que correspondem às consequências do desenvolvimento de técnicas: • agrícolas, com a letra A; • da cerâmica, com a letra C; • do metal, com a letra M; • de domesticação de animais, com a letra D. ( ) Instrumentos de trabalho mais resistentes. ( ) Diminuição da necessidade da caça. ( ) Armazenamento de alimentos. ( ) Maior tempo de fxação de moradia. em casa AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 147 9/28/15 11:40 AM 8148 Ensino Fundamental Observe o mapa abaixo. Ele registra as regiões nas quais surgiram algumas das pri- meiras cidades da humanidade. vida urbana e religiosa5 você Já pensou nisso? • Embora se localizem em regiões muito variadas do planeta, todas as cidades apontadas no mapa têm uma característica em comum. Qual é ela? • Levante hipóteses para explicar por que todas essas cidades tinham essa característica em comum. As primeiras cidades Trópico de Câncer OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO Mar Aral Mar Negro M ar Verm elho M ar Cáspio Rio TigreMar Mediterrâneo EGITO ANATÓLIA MESOPOTÂMIA ÍNDIA IRÃ ARÁBIA CHINA Golfo Pérsico Mar Arábico Golfo de Bengala Mar Amarelo Jericó Çatal Hüyük Ebla Mari Eridu Lothal Pan-lou-cheng Tseng-tsou Sufutun Anyang Eritou Cheng-Zuyai Taixium Harapa Mundigak Mehrgarh Mohenjo-DaroUr Uruk SusaKish Nipur Tebas Gizé Sacara Mênfs Assuã Rio Eufrates Rio N ilo R io In do R io Ganges Rio Yang-tse (Azul) Ri o Hua n g -h o (A marelo) 557 km0 N S LO novas experiências: as cidades Nas aulas passadas, você estudou a fascinante experiência humana nos primeiros tem- pos: descobrir os variados recursos do planeta e desenvolver ferramentas e novas práticas para viver melhor. O tempo todo, em todos os lugares ocupados, desenvolviam-se formas de obtenção de alimentos, de organização das comunidades, de moradia, de produção de artesanato, de criação artística e muitos outros aspectos ligados às necessidades humanas. Os humanos puderam se tornar sedentários porque desenvolveram técnicas de cultivo e criação de animais que garantiam a produção do alimento “em um mesmo lugar”. Para isso, a água era essencial. A agricultura e a pecuária somente são possíveis quando há água regularmente. No passado não foi diferente. F o n te : A a u ro ra d a h u m a n id a d e . r io d e J a n e ir o . t im e -l if e l iv ro s , 1 9 9 3 . (C o l. H is tó ri a e m r e v is ta ) a d a p ta d o . AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 148 9/28/15 11:40 AM 8149 H i s t ó r i a Artesãos trabalhando com ouro e fazendo vasos de prata (à esquerda) e um oleiro fabricando vasos de cerâmica (à direita), no Egito. Nas cidades antigas, cada artesão especializava-se em um tipo de produção. Quanto maior a comunidade, maior a necessidade de alimento e de água. Por isso, as aldeias que cresceram e formaram as primeiras cidades estavam localizadas próximas aos rios. Eles garantiam o abastecimento ao longo do ano, mesmo quando não chovia. Além disso, permitiam que um grande número de pessoas tivesse acesso à água, que vastas áreas fossem cultivadas e rebanhos se fixassem em suas proximidades. Pouco a pouco, a quantidade de alimentos produzidos nas aldeias passou a ser maior que a necessidade de sobrevi- vência dos grupos que nelas viviam. A prática de armazenar e estocar alimentos permitiu que algumas pessoas deixassem de trabalhar na agricultura e se dedicassem, exclusivamente, a tarefas artesanais, como produzir ferramentas e objetos de cerâmica, tecer, construir casas e muralhas. Além disso, surgiram os comerciantes especializados em fazer circular produtos. Por exemplo: uma aldeia podia ter muito trigo e poucas ferramentas; nesse caso, o comerciante encarregava-se de levar o excesso de trigo para outras aldeias, trocando-o pelas ferramentas de que sua aldeia necessitava. Portanto, gradativamente os trabalhos tornaram-se especializados: quem trabalhava na agricultura não se dedicava necessariamente ao artesanato e ao comércio; os artesãos aprimoravam suas técnicas de produção dos artefatos; os construtores se dedicavam a desenvolver técnicas de construção, aproveitando a matéria-prima do lugar; os comer- ciantes montavam espaços organizados de troca (bancas, feiras) e se deslocavam entre regiões, levando e trazendo produtos diferentes. A especialização permitiu o aprimoramento contínuo dos artefatos e a criação de novas ferramentas. Uma delas, a roda, permitiu que o transporte de cargas tivesse sua capacidade aumentada muitas vezes, substituindo muitos homens. Outro destaque desta invenção é que ela foi original: não se baseou em ne- nhum elemento da natureza. Foi uma invenção totalmente humana. Os estudos de arqueólogos e historiadores apontam que a roda foi inventada nas cidades da Mesopotâmia. O rio Nilo foi de grande importância para o surgimento de cidades no Egito Antigo. Teria sido impossível as pessoas se fixarem numa região desértica, com os recursos da época. Como ele, outros rios possibilitaram o surgimento de novas cidades há milhares de anos. g . D a g l i o r t i/ D E a g o s t in i/ g E t t y i M a g E s g . D a g l i o r t i/ D E a g o s t in i/ g E t t y i M a g E s a . J E M o l o /D E a g o s t in i/ t H E B r iD g E M a n a r t l iB r a r y / M u s E u D o E g it o , C a ir o , E g it o . AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 149 9/28/15 11:40 AM 8150 Ensino Fundamental Outra atividade que começou a se especializar foi a das técnicas de combate. Não demorou para que as cidades fossem atacadas por grupos nômades ou rivais. Surgiram, então, os primeiros soldados, indivíduos preparados para defender o grupo. Nessa épo- ca, vários grupos (sedentários ou nômades) também aprenderam a produzir objetos de metal ao dominar a técnica da fundição, o que possibilitou a fabricação de armas muito mais eficientes para combater as invasões. Outra consequência destas invasões foi a construção de grandes muralhas para proteger estas cidades. novas formas de poder: força e convencimento Estudiosos estimam que a cidade de Çatal Hüyük, na atual Turquia, surgida há mais de 8 mil anos, tenha abrigado até 7 mil pessoas. Em Uruk, no atual Iraque – região entre os rios Tigre e Eufrates (veja mapa da página 148) – viveram 50 mil pessoas há cerca de 5 mil anos. Çatal Hüyük (Colina da Encruzilhada) foi uma das primeiras cidades de que se tem registro. Uma característica específica deste núcleo urbano era o acesso às casas, que se fazia pelo telhado, com a ajuda de escadas. Tantas pessoas vivendo em um espaço comum, diferenças sociais surgidas com a es- pecialização do trabalho, aumento de conflitos internos, ameaças de ataques e invasões: a vida em sociedade foi ficando mais complexa. Isso abriu espaço para que, em algumas cidades, os líderes (que nas aldeias eram respeitados pelo grupo, mas dependiam da aprovação geral para liderar) fossem se tornando governantes que chefiavam os primei- ros exércitos, impunham as regras e tinham um grupo de funcionários para auxiliá-los na tarefa de controlar a população e garantir que as pessoas o obedecessem. O antigo líder, escolhido e respeitado pelo grupo, se tornouum governante respeitado e temido. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 150 9/28/15 11:40 AM 8151 H i s t ó r i a Além da força, era necessário convencer as pessoas. Ao buscar convencer a população de que deviam ser obedecidos, a ideia de que os governantes eram preferidos pelos deuses era a mais utilizada. Por isso, a necessidade de haver sacerdotes, que reforçavam esta ideia junto à população. Quando o convencimento não bastava, o uso da força, por meio dos soldados, era utilizado. Para manter os soldados e seus auxiliares, os governantes passaram a cobrar tribu- tos da população, em moeda ou em produtos. A necessidade de registrar o pagamento dos tributos foi um dos grandes estímulos para o surgimento da escrita e de um novo “especialista”: o escriba. O Estandarte de Ur é uma placa de madeira, feita há cerca de 5 mil anos, decorada com madrepérola e lápis-lazúli (um mineral azul), que retrata o exército da cidade, incluindo infantaria e carros de guerra. Nele se pode ver o rei, comandando as tropas de soldados e prisioneiros capturados. Muitos estudiosos consideram que a escrita foi estimulada pelo interesse em registrar a quantidade de alimentos e outros produtos, a cobrança de tributos, o planejamento e os cálculos para as grandes obras. Ainda que tenha tido essas motivações, ela também permitiu o registro e a circulação das ideias e formas de pensamento, a descrição do cotidiano das pessoas, além de aumentar as formas de comunicação entre as pessoas. Muitos desses registros, até os dias atuais, são fontes importantes para os historiadores. Nas imagens, à esquerda, a escrita cuneiforme (de cidades da região da Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque) e, à direita, hieróglifos egípcios. a n n r o n a n P iC t u r E s /P r in t C o l l E C t o r / g E t t y i M a g E s /M u s E u B r it â n iC o , l o n D r E s , in g l a t E r r a . P iC t u r E s F r o M H is t o r y /t H E B r iD g E M a n a r t l iB r a r y B il D a r C H iv s t E F F E n s /t H E B r iD g E M a n a r t l iB r a r y / t E M P l o D E K a r n a K , K a r n a K , E g it o . AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 151 9/28/15 11:41 AM 8152 Ensino Fundamental A desobediência às regras e o não pagamento de tribu- tos passaram a ser considerados crimes, e uma estrutura de julgamentos e punições a eles passou a ser montada. O conjunto de regras, sua aplicação e punição a quem não as cumpria tornou-se conhecido como “Justiça” ou aparelho judiciário. Evidentemente, ele fazia valer as decisões do governante. De maneira geral, os governantes (que depois se torna- ram conhecidos como reis, faraós, e várias outras denomi- nações) se ligavam mais fortemente a determinados grupos sociais. Por isso, esses grupos tinham cada vez mais pres- tígio e acumulavam cada vez mais posses. A diferenciação social, portanto, aumentava nas cidades. As pessoas mais próximas ao governante, que chegavam a viver nos palá- cios em algumas cidades, eram conhecidas como “nobres”. A estrutura social menos desigual que havia nas antigas aldeias desaparecia. Aos grupos de menor prestígio social nestas sociedades, normalmente os agricultores e criadores de animais, restava o trabalho mais pesado, o pagamento de tributos e a imposição de cumprir as ordens do governante, inclusive dedicando parte do seu tempo a atividades determinadas por ele: construção de palácios, templos, celeiros, muralhas, canais de irrigação, entre outras. Quando havia guerras, os inimigos capturados e trazidos vivos para as cidades ven- cedoras eram considerados e tratados como escravizados (deixavam de ser donos até de seu corpo) e viviam para executar ordens. Havia sociedades em que um integrante podia ser reduzido à escravidão em caso de dívidas com outro morador ou se não pagasse os tributos ao governante. Apesar de uma característica das cidades ser a de ter um núcleo de edificações, com concentração de pessoas, a agricultura continuava a ser a principal atividade para o sustento de toda a população. A estrutura de poder e governo – que incluía os soldados (exército), os escribas (controladores de impostos), os sacerdotes (que reforçavam a vinculação entre o governante e a religião) e os demais funcionários a serviço do governante – é chamada de Estado. Muitas cidades da antiguidade ficaram conhecidas como cidades-Estado justamente porque eram independentes e tinham esta estrutura de organização de poder. Ao longo do curso, vamos estudar as diferentes formas que estas estruturas de poder e governo foram tomando no decorrer da história, em diversas regiões do planeta. cidades e civilização Muitas aldeias que se tornaram cidades e passaram a abrigar milhares de pessoas ficaram conhecidas como civilização. A origem da palavra civilização está ligada à ideia de “viver em cidades”. Neste sentido, portanto, civilizado é quem vive em cidades. Com o tempo, a palavra foi ganhando um sentido diverso, de superioridade, como se expres- sasse a “evolução” de quem “é civilizado”. É importante recuperar o sentido original da palavra, que descrevia uma forma de viver. Outras formas de vida em comunidade não são necessariamente piores nem me- lhores do que a vida nessas primeiras cidades. Na imagem, camponeses egípcios realizam a colheita. Parte da produção era entregue ao governante (faraó) como pagamento de tributo. t H E B r iD g E M a n a r t l iB r a r y /D E ir E l -M E D in a , t E B a s , E g it o . AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 152 9/28/15 11:41 AM 8153 H i s t ó r i a Atualmente, o dicionário Houaiss define civilização como “conjunto de aspectos peculiares à vida intelectual, artística, moral e material de uma época, de uma região, de um país ou de uma sociedade”. Como se vê, a palavra não tem nenhum sentido de classificar a vida das sociedades em mais ou menos evoluídas. Cada uma tem a sua forma de organização e funcionamento, diferente uma da outra. atividade 1 Duas das características das cidades da Antiguidade foram a especialização do trabalho e a diferenciação social. Observe outra parte do Estandarte de Ur, que mostra a população levando oferendas e tributos ao rei. Depois, responda às questões. a) O estandarte está ilustrado em faixas. Podemos considerá-las uma sequência do prestígio social dos membros da cidade de Ur? Explique. b) Por que as pessoas levam oferendas ou tributos ao rei? t H E B r iD g E M a n a r t l iB r a r y /s u l D E B a D D á , ir a q u E . AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 153 9/28/15 11:41 AM 8154 Ensino Fundamental crenças religiosas: uma prática universal Desde o surgimento e a disseminação dos humanos pelo planeta, inúmeros grupos se formaram e se organizaram, cada um a sua maneira. A necessidade de sobrevivência (comida, moradia, proteção) levou ao desenvolvimento de muitas formas de coletar e produzir alimentos, encontrar ou fabricar abrigos, encontrar ou produzir materiais para cobrir e aquecer o corpo, recipientes para guardar água e comida, armas para ataque e defesa. Podemos afirmar, portanto, que a sobrevivência sempre foi uma necessidade univer- sal (dos humanos de todos os locais do planeta, em todos os tempos). As formas para assegurar esta sobrevivência é que variaram e variam, conforme as características de cada povo e de cada lugar. Outra prática que se revelou universal foi a religião. Você estudou que os seres hu- manos tiveram necessidade de compreender sua origem e o funcionamento do Universo. Todas as sociedades, em todos os tempos e lugares, manifestaram suas crenças em forças da natureza ou em deuses. A religião sempre explicou a origem do ser humano e de todas as coisas e sempre foi um dos elementos considerados na hora de definir regras de convivência. As homenagens aos deuses, por meioNo 6o ano, momento em que os alunos terão contato com uma multiplicidade de sociedades, nosso eixo é “Diversidade cultural”. No 7o ano, uma vez que os alunos tenham apreendido a validade das diferenças culturais, nosso eixo é “Encon- tro de culturas”, que propõe reflexões sobre as trocas e aquisições culturais, bem como as formas de violência provocadas pela recusa às culturas diferentes. No 8o ano, o eixo é “Cidadania”: a criação dos espaços políticos modernos e as lutas pela ampliação de direitos políti- cos e civis. No 9o ano, o eixo “Cidadania” é retomado em meio à complexidade dos séculos XX e XXI. Dessa forma, unimos conteúdos que estão presentes há muito tempo no ensino de História e que integram um “saber consolidado”, que deve fazer parte da formação do aluno, a grandes questões problematizadoras que permitem a reflexão sobre o presente e o futuro. Nossa experiência como educadoras, somada às dis- cussões que vêm ocorrendo no campo pedagógico, nos convence de que nossos alunos, no Ensino Fundamental, devem receber uma formação humanista e generalista. Não devemos ter a intenção de torná-los “pequenos his- toriadores”. Antes, devemos nos preocupar em utilizar a História como oportunidade de conhecimento e reflexão sobre as ações humanas e suas consequências, de tal for- ma que os alunos se reconheçam como sujeitos históricos e percebam que suas atitudes (ou omissões) têm reper- cussão no micro e macro contexto social. É importante lembrar que muitos detalhes factuais dificilmente são guardados pela memória e que eles estão disponíveis em diversas fontes de informação. Desejamos que os alunos aprendam onde e como pesquisar as informações que necessitam ou que têm curiosidade de conhecer. Além de saber buscá-las, eles devem aprender a criticá-las, interpretá-las, compreendê-las e transpor os ensinamen- tos para o seu cotidiano. Não podemos perder a oportu- nidade de desenvolver essas habilidades, extremamente úteis para o futuro do aluno. Além disso, sua formação continuará no Ensino Médio. Portanto, temas não vistos no Ensino Fundamental serão trabalhados no Ensino Médio, em outra fase cognitiva e com outros objetivos. O replanejamento O material do Sistema de Ensino é composto de Ca- derno do Aluno (ou apenas Caderno) e pelo Manual do Professor (ou apenas Manual). No Caderno, os conteúdos estão divididos em Módulos, que têm a teoria integrada às atividades de sala. A quantidade de aulas sugerida para cada Módulo é explicitada no Manual. Embora as tarefas para casa apareçam ao final dos Módulos (seção Em casa), elas devem ser propostas aos alunos ao final de cada aula do Módulo. Consideramos que a distribuição dos conteúdos aqui proposta pode ser replanejada, levando em consideração as características e possibilidades das turmas e as pró- prias convicções e métodos de trabalho. Dessa forma, há Módulos que podem ser estendidos ou reduzidos; outros podem ser tratados como atividade de leitura em casa. Há atividades que podem ser suprimidas ou adicionadas, conforme a necessidade. Acreditamos que o replanejamento deva ocorrer Ca- derno a Caderno, de forma que os novos materiais sejam iniciados nas datas indicadas nos calendários. Por isso, se o professor der mais ênfase a um tema, necessariamen- te outro deve ser redimensionado, para que os prazos sejam cumpridos. Esse cuidado evita que, ao final do ano, fiquem temas por serem abordados e partes dos Cadernos sem utilização. A linguagem e a organização dos Cadernos Nossa experiência como professoras nos ensinou que a linguagem dos materiais didáticos deve ser ade- quada a cada ano. Do 6o ao 9o ano, grande parte dos materiais existentes apresenta textos com a mesma profundidade e complexidade, como se um aluno de 6o ano estivesse na mesma fase cognitiva de um de 9o ano e dominasse o mesmo vocabulário e compreen- desse as mesmas modalidades de texto. Além disso, a linguagem inadequada (mesmo para o 9o ano) nos tornava “tradutores” de texto, impedindo um trabalho autônomo por parte dos alunos. Para evitar esses problemas, o nível de profundidade da linguagem varia e se aprofunda à medida que os anos avançam. Nosso propósito é o de permitir uma leitura autônoma e significativa por parte dos alunos. O professor pode ler com a classe trechos que considere mais relevan- tes, mas não precisa fazê-lo com o propósito de “tradução”. 87 M a n u a l d o P r o f e s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 7 9/28/15 12:54 PM Dessa maneira, em meio ao replanejamento do profes- sor, ele pode usar o texto (de alguns Módulos) que conside- re menos relevante como uma atividade de leitura para os alunos, sem que isso comprometa o entendimento do tema. No decorrer dos Módulos, há uma série de seções de atividades que pretendem subsidiar o trabalho do pro- fessor para tornar as aulas mais interativas, bem como estimular o desenvolvimento contínuo de habilidades de entendimento e a sistematização dos conteúdos. Para tanto, cada seção possui um objeto (texto historiográfico, documento de época – textual ou visual) e/ou um pro- pósito (interpretar textos, interpretar imagens, levantar hipóteses, sistematizar informações) específico. Entre essas seções, destacamos: • Atividade As atividades propostas nessa seção ao longo dos Cadernos tem finalidades variadas. Elas podem ter o objetivo de retomar conteúdos já trabalhados ou fixar, por meio de quadros sinóticos ou mapas conceituais, os principais conteúdos trabalhados. • Atividade com documento Esse tipo de proposta trabalha com leitura e análise de documentos históricos, que podem ser textuais e/ou visuais. No tocante às fontes textuais, o objetivo é apresentar aos alunos alguns dos procedimentos básicos exigidos na leitura desse tipo de documento, tais como: identificação do assunto principal do texto, análise do vocabulário empregado, contextualização das ideias expressas no do- cumento, etc. Por meio da leitura “a contrapelo”, pode-se levar os alunos a perceber elementos que não aparecem no texto, bem como a problematizar essa ausência. Tam- bém se procura estimular os alunos a recompor o universo material e mental no qual o documento foi produzido. Quanto às fontes visuais, o trabalho visa desenvolver os procedimentos de leitura de imagem, que vêm sendo trabalhados desde o 1o ciclo do Ensino Fundamental. As atividades propostas devem estimular a percepção crítica dos alunos, de modo a evidenciar o caráter de representação das imagens: o que elas representam? De que modo a repre- sentação foi feita? Que elementos visuais foram utilizados? • Atividade em grupo Visa à construção ou à ampliação de conceitos, ati- tudes ou procedimentos. Com esse tipo de atividade, pretendemos que as discussões e produções feitas nos grupos auxiliem os alunos a construir o conhecimento. Após a realização, é importante que haja uma discussão coletiva, orientada pelo professor, para confrontar as respostas/soluções de cada grupo. • Atividade complementar Oferece possibilidades extras de trabalho aos profes- sores que têm uma carga horária maior. Portanto, ela é sempre opcional. Ao longo dos textos, aparecerão boxes de: • Você já pensou nisso? Apresenta questionamentos e problematizações de na- turezas diversas: alguns relacionam o conteúdo estudado ao cotidiano e às experiências dos alunos; outros sugerem a eles que levantem hipóteses para explicar determinados eventos ou conjunturas históricas, incitando-os a pensar his- toricamente. Os questionamentos propostos não precisam resultar, necessariamente, em produção escrita, bastando uma discussão oral em sala de aula. Caso considere neces- sário, o professor pode solicitar aos alunos que redijam um pequeno texto sobre as discussões propostas. Essa atividade também será utilizada em todas as aberturas de Módulo, para subsidiar a motivação e a introdução ao tema. O Manual do Professor Procuraremosde ritos, existiram em todas as comunidades humanas, desde o surgimento da humanidade. A exemplo da necessidade de sobrevivência, o que variou no tempo e no espaço foram as formas de expressão da religiosidade. Muitas sociedades foram ou são politeístas (culto a vários deuses); algumas deixaram o politeísmo e se tornaram monoteístas (cultuando um único Deus); e outras, ainda, cultuaram e cultuam as diversas formas da natureza. o culto às forças da natureza e o politeísmo A primeira forma de religiosidade expressa pelas comunidades humanas foi o culto às forças da natureza. Consideradas ou não deuses, a essas forças eram atribuídos pode- res sobrenaturais. O sol, o fogo, a água, o vento, a chuva, a lua: elementos que tinham grande importância na vida das comunidades eram cultuados e considerados dotados de forças especiais. Muitas comunidades acreditavam que essas forças da natureza tinham vontade própria e podiam beneficiar ou punir os homens. Por isso, orações e oferendas eram feitas a elas, de forma a agradá-las e atrair boas coisas para as pessoas. Muitas comunidades consideravam essas forças como deuses. E muitas acreditavam em deuses, com aparência ou comportamento semelhantes aos dos humanos, mas do- tados de um poder especial. Assim, havia o Deus do fogo, o Deus dos raios, o Deus da morte e assim por diante. As sociedades que cultuavam vários deuses eram conhecidas como politeístas (“poli”: referente a vários; “teísta”: referente a Deus). Acreditava-se que quando esses deuses eram desagradados, manda- vam desgraças ou demônios para punir os humanos. Por isso, também faziam orações e oferendas para agradá-los. Muitos usavam amuletos, objetos consi- derados mágicos, para atrair a simpatia dos deuses e afastar os seres do mal. Muitas dessas crenças também estavam ligadas à morte ou à superação dela. Seguir determinadas práticas religiosas era uma forma de se livrar dos perigos, adiar a morte e assegurar até outra vida depois da morte. Por isso, em algumas sociedades, os mortos eram enterrados com seus pertences, para utilizá-los novamente em outra vida. ritos, Os egípcios antigos praticaram uma religiosidade politeísta na maior parte de sua história. Na imagem, os diversos deuses aos quais eles atribuíam poderes sobre os vários aspectos da realidade. Os deuses dos egípcios tinham formas humanas e possuíam poderes especiais sobre os elementos da natureza. Rito: conjunto de cerimônias e práticas de uma religião e de tudo que se refere ao seu culto. Amon Ísis Osíris Rá Seth Anúbis Geb Hórus AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 154 9/28/15 11:41 AM 8155 H i s t ó r i a Localização dos hebreus Jerusalém Jaffa Gaza REINO DE ISRAEL REINO DE JUDÁ DESERTO DA ARÁBIA Tiro Megido Arameus Amonitas Moabitas Filisteus Amalecitas Edomitas Fenícios Mar Mediterrâneo Mar Morto EGITO R io J o rd ã o 49 km0 N S LO Territórios progressivamente ocupados pelas tribos de Israel ao fim do II milênio Territórios mantidos como tributários pelo rei Davi e perdidos depois por Salomão o monoteísmo Ao contrário do politeísmo, o monoteísmo significa a crença em um único Deus. O primeiro povo monoteísta que se tem conhecimento na história foram os hebreus. Eles habitavam uma região do Oriente, entre a África e a Ásia, próxima ao mar Mediterrâneo. Os hebreus acreditavam em um único Deus ( Jeová ou Javé), que segundo eles era o criador do Universo e da humanidade. Portanto, para os hebreus, Javé estava acima das forças da natureza porque tinha sido o criador delas. Os fenômenos naturais – chuva, ventos, tempestades, secas, inundações – não tinham vontade própria (ou deuses que os dominavam), mas estavam todos sujeitos à vontade de Javé. Os hebreus faziam orações e oferendas unicamente a Javé, que falava com seu povo através dos patriarcas (primeiros líderes), dos profetas e de líderes escolhidos, como Moisés. A ele, os hebreus acreditavam que Deus entregou uma tábua com “dez mandamentos” que deveriam ser seguidos pela população. A religião monoteísta dos hebreus se tornou conhecida como judaísmo (nome vindo de um dos reinos hebreus, Judá, que também tornou os he- breus conhecidos como judeus). Os relatos da história dos hebreus e de sua relação com Javé estão na Bíblia, nos livros do chamado Velho Testamento. Esta religião existe até os dias atuais. Outras religiões monoteístas se desenvolveram ao longo da história. O cristianismo é uma delas (fortemente influenciada pelo judaísmo). Outra religião monoteísta que existe até os dias atuais é o islamismo (que possui elementos comuns com o judaísmo e o cristianismo). Cartaz do filme Os 10 mandamentos, de Cecil B. DeMille, produzido nos Estados Unidos em 1958. Esta passagem bíblica registra as expectativas de comportamento que Javé teria em relação aos hebreus. Na parte inferior do cartaz, veem-se os soldados egípcios que perseguiam os hebreus sendo tragados pelo mar. r E P r o D u ç ã o /P a r a M o u n t Fo nt e: W o rl d H is to ry A tl a s : m ap pi ng t he h um an jo ur ne y. l on dr es . D or lin g K in de rs le y, 2 0 05 . a da pt ad o. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 155 9/28/15 11:41 AM 8156 Ensino Fundamental o respeito Às diferenças religiosas Como vimos, a vivência religiosa é uma prática universal. As formas que esta prática tomou e toma variaram e variam ao longo da história e dos muitos lugares do planeta. As forças da natureza, vários deuses ou um único deus fazem parte da crença dos inúmeros povos que habitam o planeta até hoje. Cada povo acredita na sua religião, vê sentido em suas orações e ritos, respeita os próprios templos ou locais considerados sagrados. E todos merecem respeito. Desrespeitar crenças religiosas diferentes da sua abre espaço para que sua crença religiosa seja desrespeitada. Afinal, se considero que apenas minha religião tem valor – e que as outras não são verdadeiras –, os que praticam outras religiões podem pensar a mesma coisa em relação ao que acreditam. Muitas guerras já foram e são travadas por razões religiosas. E crenças que deveriam trazer bons valores e boas práticas aos humanos acabam sendo usadas como justificativa para ataques, destruição e sofrimento. atividade 2 Leia o texto abaixo e responda às questões. Muitos conflitos ocorreram ao longo da história, em função da intolerância religio- sa. E continuam a ocorrer até hoje. De briga de vizinhos que têm crenças diferentes e se desentendem por isso, até grandes guerras com milhares e milhares de mortos. a) O que é a intolerância religiosa? g iu l io o r ig l ia /g E t t y i M a g E s a y M a n y a q o o B /a n a D o l u a g E n C y /g E t t y i M a g E s Nos dias atuais, existem três grandes religiões monoteístas no planeta: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Nas imagens acima, ritos das três religiões: à esquerda, judeus ultraortodoxos rezam durante ritual de ano novo em Tel’Aviv, em 2014; ao centro, católicos na missa de Pentecostes na basílica de São Pedro, no Vaticano, em 2014; à direita, muçulmanos rezam em mesquita na cidade de Manama, no Bahrein, em 2014. E há muitas sociedades que continuam a praticar o politeísmo. F in B a r r o ’r E il l y /r E u t E r s /l a t in s t o C K AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 156 9/28/15 11:41 AM 8157 H i s t ó r i a b) Você conhece algum caso de intolerância religiosa? Descreva-o. Caso não conheça nenhum, pesquise em um portal de notícias algum acontecimento deste tipo ocorrido recentemente no Brasil e relate-o. c) Escreva uma frase (que possa ser copiada em um cartaz), propondo a coexistência pacífica entre as religiões politeístas e monoteístas. teste 1 Muitas pessoas são preconceituosas e desrespeitosas contra grupos e pessoas que vivem de maneira diferente da delas. Uma das formas de expressar este preconceito éconsiderar os diferentes como inferiores e usar o termo “não civilizados” como forma de ofensa. Considerando o que você estudou e a frase anterior, indique a alternativa correta. a) Essas pessoas, mencionadas na frase, estão duplamente erradas: por não tolerar as formas diferentes de vida como válidas e por usar a palavra “civilizado” como sinônimo de “adequado, superior”. b) Essas pessoas estão certas ao não tolerar quem é diferente e utilizar o termo “não civilizado” para descrevê-las. Afinal, civilizado é sinônimo de desenvolvido. c) Essas pessoas estão erradas ao utilizar o termo “não civilizado” para designar os diferentes. A melhor palavra para isso é “incivilizado”. d) A frase está errada porque não há pessoas que não respeitam as formas diferentes de organização e de cultura. 2 Leia a frase abaixo e aponte a alternativa correta sobre ela. Nós, humanos, ao mesmo tempo somos iguais e diferentes. a) A frase está errada porque não há nada em comum entre os humanos. b) A frase está errada porque todos os seres humanos são iguais e não há diferenças entre eles. c) A frase está correta porque os humanos têm coisas em comum (a busca pela sobrevivência, a expressão religiosa), mas as formas como as organizam variam de sociedade para sociedade. d) A frase está correta porque todos os seres humanos têm uma origem comum e, portanto, sempre pensam e vivem da mesma maneira. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 157 9/28/15 11:41 AM 8 158 Ensino Fundamental 1 Observe os diagramas abaixo. Qual deles melhor representa o modelo social e de poder que havia nas antigas aldeias, e qual seria o modelo das cidades da Antiguidade? Explique sua resposta. a) b) 2 Leia o fragmento abaixo e responda às questões. Desde 1998, a história da escrita está sendo reescrita. Novos achados arqueológicos, a milhares de quilô- metros das cidades da Mesopotâmia, onde se pensava que a escrita tinha sido inventada, por volta de 5000 a.C, sugerem que a ideia ocorreu a diversos povos ao mesmo tempo. Um desses achados foi anunciado no Egito pelo arqueólogo Günter Dreyer, do Instituto Arqueológico Alemão. Escavando uma tumba real na margem do Nilo, em Abidos, ele desenterrou 180 placas de barro com formas rudimentares de hieróglifos, a escrita dos faraós. Elas podem ter sido gravadas há até 5400 anos, três séculos antes dos mesopotâmios. Em maio de 1999, pesquisadores americanos da Universidade de Harvard encontraram, no atual Paquistão, pedaços de vasos com escrita feita há 5300 anos pelo povo de Harappa, uma das grandes cidades da Índia antiga. Os achados indicam que a arte de registrar palavras por sinais estava sendo desenvolvida em mais de um lugar na mesma época. BURGIERMAN, Denis Russo. O primeiro dia da História. Superinteressante. São Paulo: Abril, ano 13, n. 142. 1999. p. 52-3. Adaptado. a) As novas descobertas sobre a escrita confirmam ou desmentem o que você estudou sobre as pesquisas arqueológi- cas e o fato de os relatos históricos serem provisórios e não definitivos? b) Com base no que você estudou, explique por que a necessidade da escrita ocorreu em lugares distantes entre si, na mesma época. O que estes lugares tinham em comum? 3 Em 2004 e 2005, a banda irlandesa U2 projetou em seus shows da turnê “Vertigo” uma palavra formada por símbo- los religiosos de islâmicos (a lua crescente), judeus (a estrela de Davi) e cristãos (a cruz). a) O que significa a palavra “coexist”? Pesquise em um dicionário inglês/português ou em um site de tradução. b) O que essa palavra significa em português? Pesquise em um dicionário. c) Em sua opinião, qual mensagem a banda quis transmitir? em casa K M a z u r /W ir E iM a g E /g E t t y i M a g E s Projeção durante show da banda U2, em 2005, na Califórnia, Estados Unidos. AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 158 9/28/15 11:41 AM 8159 H i s t ó r i a Cortar Dobrar Colar anexo 1 AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 159 9/28/15 11:41 AM AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 160 9/28/15 11:41 AM anexo 2 AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 161 9/28/15 11:41 AM 8 162 Ensino Fundamental AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 162 9/28/15 11:41 AM AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 163 9/28/15 11:41 AM AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 164 9/28/15 11:41 AM 8165 H i s t ó r i a anexo 3 AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 165 9/28/15 11:41 AM AngloEFII_HIS_6.1_C01_ao_05_103a166.indd 166 9/28/15 11:41 AM Módulo interdisciplinar AngloEFII_6.1_Modulo_interdisciplinar_387a392.indd 387 9/28/15 12:27 PM Os vestígios encontrados pelos arqueólogos precisam ser datados. Dessa forma, eles revelam o período a que pertenceram, dando-nos informações sobre como as pessoas e comunidades se organizavam. Fóssil humano Solo de calcário Explorando um sítio arqueológico 8388 AngloEFII_6.1_Modulo_interdisciplinar_387a392.indd 388 9/28/15 12:27 PM Um dos métodos de datação utilizados pelos arqueólogos é a estratigrafia. Outro método utilizado pelos arqueólogos é conhecido como carbono-14. Ele é mais preciso que a estratigrafia. Todos os seres vivos (plantas e animais, inclusive os homens) absorvem, em vida, um elemento chamado carbono-14. Após sua morte, a quantidade dessa substância presente no organismo começa a reduzir-se. Assim, ao medirmos a quantidade de carbono-14 que resta em um achado arqueológico (ossos, conchas, madeiras, pinturas feitas com tintas derivadas de plantas, etc.), podemos calcular sua idade: quanto menor a quantidade desse elemento, mais antigo é o objeto. Sabe-se que as camadas de areia, terra ou pedra guardam vestígios do passado. Dependendo da camada (estrato) na qual os fósseis ou os objetos são encontrados, estima-se o período em que viveram ou foram utilizados. Os que se localizam mais superficialmente são os mais recentes. Já os mais profundos são os mais antigos. Objetos de cerâmica Restos de fogueira 8389 Vestígios do sistema de numeração dos babilônios Coluna I Coluna II 1 × 9 = 9 2 × 9 = 18 10 × 9 = 90, ou seja: 1 × 60 + 30 14 × 9 = 126, ou seja: 2 × 60 + 6 × 1 AngloEFII_6.1_Modulo_interdisciplinar_387a392.indd 389 9/28/15 12:27 PM 8 390 Ensino Fundamental 2 História Identif car restos de fogueira não basta para um ar- queólogo. É preciso analisar os vestígios para deter- minar: • se a fogueira foi causada por forças da natureza, como os raios; • se a fogueira foi provocada intencionalmente por humanos. O que a análise de uma fogueira pode revelar sobre a ocupação de certo território e sobre os grupos que nele estiveram? Leia o texto a seguir e responda às questões. Escova Eu tinha vontade de fazer como os dois ho- mens que vi sentados na terra escovando osso. No começo, achei que aqueles homens não ba- tiam bem. Porque ficavam sentados na terra o dia inteiro escovando osso. Depois aprendi que aqueles homens eram arqueólogos. E que eles faziam o serviço de escovar osso por amor. E que eles queriam encontrar nos ossos vestígios de antigas civilizações que estariam enterrados por séculos naquele chão. Logo pensei de es- covar palavras. [...] Eu queria então escovar as palavras para escutar o primeiro esgar de cada uma. Para escutar os primeiros sons, mesmo que ainda bígrafos. Comecei a fazer isso sen- tado em minha escrivaninha. Passava horas inteiras, dias inteiros fechado no quarto, tran- cado a escovar palavras. BARROS, Manoel de. Mem—rias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta, 2003. Esgar: careta Bígrafo: escrito de formas diferentes a) Por que o autor afirma que os arqueólogos “esco- vam ossos”? b) Como o autor compara o trabalho de um escritor ao de um arqueólogo? c) Quando você escreve um texto, “escova” as pala- vras que vão compô-lo? Ciências 1 A ilustração mostra fósseis humanos, restos de uma fogueira e algunsartefatos. Com base no que você es- tudou em Ciências até agora, responda: a) Que hipótese você levantaria para o suposto uso do fogo nesse sítio arqueológico? b) Ouça agora as hipóteses levantadas pelos seus co- legas e discuta-as com a classe. c) Registre em seu caderno uma nova hipótese para o uso do fogo nesse sítio arqueológico depois das discussões feitas com seus colegas. 2 Leia o texto abaixo: Cientistas encontram registro mais antigo do uso de fogo por hominídeos Um estudo publicado [...] pela PNAS, revista da Academia Americana de Ciências, indica que nossos antepassados começaram a dominar o fogo há um milhão de anos – 300 mil antes do que os pesquisa- dores acreditavam anteriormente. [...] A descoberta se baseia em fragmentos en- contrados na caverna Wonderwerk, na África do Sul. São cinzas de plantas e pedaços de ossos cha- muscados, aparentemente queimados dentro da caverna, e não trazidos de fora por fenômenos naturais. [...] “O impacto de cozinhar alimentos é bem do- cumentado, mas o impacto do controle do fogo teria alcançado todos os elementos da sociedade humana. Socializar em volta de uma fogueira de acampamento pode ser, na verdade, um aspecto essencial do que nos torna humanos”, afirmou Michael Chazan, um dos autores da pesquisa [...]. Fonte: . Acesso em: 20 mar. 2015. Responda: a) Quais as evidências que os cientistas apontam para dizer que nesse sítio arqueológico os hominí- deos usavam o fogo para cozer alimentos? b) Vocês estão terminando esta atividade em grupo. Expliquem as semelhanças existentes entre o que vocês fizeram nesta aula e o que os hominídeos faziam em volta da fogueira. AngloEFII_6.1_Modulo_interdisciplinar_387a392.indd 390 9/28/15 12:27 PM 8391 Geografia 1 Mediante as explicações do seu professor, responda: a) Qual é o aspecto de um sambaqui, hoje, na paisagem? b) Os indígenas que atualmente vivem nas áreas litorâ- neas ainda produzem sambaquis? 2 Com a ajuda de um atlas, responda: a) Nos dias atuais, o processo de ocupação humana nas áreas de ocorrência de sambaquis é grande ou pequeno? b) De acordo com a resposta ao item anterior, diga se esses sítios estão ameaçados nos dias atuais. Se a resposta for sim, quais seriam os motivos? c) Discuta em grupo: para que preservar um sítio ar- queológico? Escreva um parágrafo expondo suas conclusões. Matemática Nas páginas anteriores, há um grupo de arqueólogos explorando registros do sistema de numeração utilizado pelos babilônios. Os matemáticos descobriram que as colunas I e II do tablete referem-se à tabuada do 9. Vamos acompanhar como eles chegaram a essa conclusão. Observe que na coluna I estão registrados os números de 1 a 14. Na coluna II, estão os respectivos produtos da ta- buada do 9: 9, 18, 27, 36, ... A partir dessas informações, faça o que é pedido a seguir: 1 Indique no tablete onde se localizam as multiplicações e dê seu resultado. a) 9 3 9 b) 12 3 9 2 Na decifração desses símbolos, os matemáticos cria- ram um outro tipo de registro usando os algarismos indo-arábicos. Por exemplo, o registro 1,12 representa 72, pois 1 3 60 1 12 5 72. Escreva quais são os núme- ros representados a seguir na base 60: a) 1,3 5 b) 1,48 5 c) 2,15 5 d) 2,40 5 e) 1,25,30 5 f) 2,3,15 5 O Brasil também possui sítios arqueológicos espalha- dos por todo o território. No litoral das regiões Sudeste e Sul do país, existem alguns sítios que recebem o nome de sambaquis. Sambaqui A palavra tem origem tupi (tamba signif ca marisco, concha; e ki signif ca amontoado). Sambaquis são grandes amontoados de conchas de moluscos que foram acumulados por povos nativos que ocupavam a região há muitos séculos. Além das conchas, os sambaquis também contêm ossadas de animais, objetos de uso e de arte e até esqueletos humanos. Existe ainda uma dúvida sobre os sambaquis: qual era a função deles? Isso os pesquisadores ainda não descobriram. Os sambaquis foram construídos entre 7 000 e 2 000 anos atrás. Equador 0º OCEANO PACÍFICO 50º O OCEANO ATLÂNTICO Trópico de Capricórnio 864 km0 N S LO RS SC PR SP MG RJ ES BA Brasil: localização de sambaquis Z IG K O C H /P U L S A R I M A G E N S Sambaqui em Laguna, Santa Catarina. AngloEFII_6.1_Modulo_interdisciplinar_387a392.indd 391 9/28/15 12:27 PM Anotações AngloEFII_6.1_Modulo_interdisciplinar_387a392.indd 392 9/28/15 12:27 PM capa_final_ANGLO_SOMOS_MP_historia.indd 2 10/7/16 4:46 PM A força do leão está presente na coleção de Ensino Fundamental do Sistema Anglo de Ensino. O desenvolvimento de competências e habilidades imprescindíveis para o aluno em sua vida pessoal e profissional é o principal objetivo do material. Em espírito colaborativo, a nova edição traz mudanças construídas a partir das sugestões de professores, pais e alunos da rede. Há mais propostas interdisciplinares, testes de múltipla escolha e novas seções: recursos que enriquecem a aula e mantêm o interesse do jovem. Por isso, desejamos valiosos momentos com a coleção. Bons estudos! ANGLO 824656117 296128 capa_final_ANGLO_SOMOS_MP_historia.indd 2 10/7/16 4:46 PMmanter um diálogo com os professores por meio do Manual. Ele contém os objetivos de cada Mó- dulo, bem como sugestões de estratégias para desenvolver os conteúdos. Sabemos que os professores têm seu próprio repertório de encaminhamento das aulas e reafirmamos nosso estímulo para que o utilizem. As estratégias sugeridas pretendem oferecer alternativas e apoio a esse repertório. Com relação aos encaminhamentos propostos para as aulas, tomamos a liberdade de sugerir um roteiro de trabalho com os conteúdos e as atividades de cada Mó- dulo, bem como indicação de tarefas. Evidentemente, o replanejamento do professor pode encontrar uma distri- buição diversa da sugerida. Ressaltamos a importância da indicação de tarefa(s) ao final de cada aula dada, e não apenas ao final de todas as aulas do Módulo. O Manual também sugere ações de motivação (para aguçar a atenção da classe para o que será desenvolvido) e ativação de conhecimento prévio, retomando ideias e experiências já dominadas pelos alunos, que funcionem como “âncoras” para o entendimento do que será estuda- do. Acreditamos que com essas ações as aulas expositivas podem se tornar mais interativas e produtivas. Por outro lado, consideramos essencial que se utili- zem outras estratégias, além das aulas expositivas, para que os alunos tenham oportunidade de experimentar e desenvolver outras formas de aprendizagem procedi- mental e atitudinal e que sejam contempladas as várias potencialidades de expressão dos alunos. 8 8 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 8 9/28/15 12:54 PM Avaliação Considerando a filosofia do material, não faria sentido a elaboração de avaliações que se preocupassem apenas com aspectos factuais das sociedades abordadas. Os pro- fessores devem levar em conta os objetivos de cada aula para elaborar as questões, ou seja, retomar os aspectos enfatizados que devem ser apreendidos pelos alunos, em detrimento de detalhes que cabem mais na memorização mecânica que no entendimento dos processos. Além dessa seleção de objetivos, também considera- mos essencial que as questões, a exemplo do que faz o material, proponham leitura e interpretação de textos, documentos escritos e visuais. Essa é uma forma de rea- firmar a importância que damos ao desenvolvimento de habilidades de entendimento, lapidando essa capacidade de interpretação. Objetivos e propostas do 6o ano Eixo temático: Diversidade cultural • Compreender as diferentes e múltiplas possibilidades de vivência em sociedade. • Compreender que a História é construção. • Desenvolver os conceitos de tempo histórico e tempo cronológico. • Desenvolver o respeito ao patrimônio histórico. • Conhecer as semelhanças e diferenças entre as sociedades. • Identificar as múltiplas respostas humanas às suas necessidades de sobrevivência. • Entender que os tempos históricos podem ser diferen- tes em um mesmo tempo cronológico, sem que isso implique em juízos de valor evolucionistas. • Desenvolver o conceito de cultura. • Valorizar a diversidade. • Desenvolver o respeito à liberdade e o cultivo da tolerância. • Compreender a universalidade dos direitos humanos. • Identificar as formas de organização econômica, so- cial, política e cultural semelhantes no tempo histórico e diferentes no tempo cronológico. Conteúdos procedimentais • Pesquisa e seleção de informações em diversas fontes. • Classificação e organização de dados. • Síntese. • Trabalho em grupo. • Expressão oral e escrita. • Leitura de mapas e de imagens. Conteúdos atitudinais • Familiarização com a diferença. • Desenvolvimento da tolerância. • Respeito à diversidade cultural. • Responsabilidade individual e coletiva: participar, engajar-se, importar-se e sensibilizar-se. Dentre os objetivos que nortearam nosso trabalho no 6o ano, o de garantir a formação de nossos alunos é a nossa prioridade. Acreditamos que o ensino de História deve servir, primeiramente, para possibilitar a compreensão das diferentes possibilidades de existência em sociedade. Dessa forma, entendemos que é necessário preparar os alunos para o exercício da cidadania e da solidariedade, tornando-os capazes de participar, de se importar, de se engajar e de se sensibilizar com as muitas experiências dos seres humanos. Além disso, acreditamos na necessidade de fornecer- -lhes bases éticas que devem permear o convívio demo- crático e ajudá-los a desenvolver o respeito à liberdade e a prática da tolerância. Trabalhamos ao longo dos Cadernos do 6o ano com a noção de etnocentrismo como estratégia para atingirmos os nossos objetivos. Assim, os alunos aprendem a convi- ver com universos e lógicas diferentes das suas, “enfren- tam” o etnocentrismo explicitado na experiência com o diferente, refletem sobre essa questão e aprendem que não se pode analisar sociedades à luz de juízos de valor que reduzem experiências humanas e suas especificida- des a comparações do tipo: melhor, pior, mais evoluído, menos evoluído, e assim por diante. Novamente, os PCN referenciam nossa escolha: A aproximação da História com as demais Ciências Humanas conduziu os estudos de povos de todos os continentes, redimensionando o papel histórico das populações não europeias. Orientou estudos sobre a diversidade de vivências culturais, estimulou a preo- cupação com as diferentes linguagens. A investigação histórica passou a considerar a importância da utiliza- ção de outras fontes documentais e da distinção entre a realidade e a representação da realidade expressa em gravuras, desenhos, gráficos, mapas, pinturas, es- culturas, fotografias, filmes e discursos orais e escritos. Aperfeiçoou, então, métodos para extrair informações de diferentes naturezas dos vários registros humanos já produzidos, reconhecendo que a comunicação entre os homens, além de escrita, é oral, gestual, figurada, musical e rítmica. O aprofundamento de estudos culturais, principal- mente no diálogo da História com a Antropologia, tem contribuído, ainda, para um debate sobre os conceitos de cultura e de civilização. Alguns historiadores rejei- tam o conceito de civilização por considerá-lo impreg- nado de uma perspectiva evolucionista e otimista face 89 M a n u a l d o P r o f e s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 9 9/28/15 12:54 PM aos avanços e domínios tecnológicos, isto é, com uma culminância de etapas sucessivas em direção a uma cultura superior antecedida por períodos de selvageria e barbárie. Nessa linha, valorizam a ideia de diversidade cultural e multiplicam as concepções de tempo. A ideia de um tempo apenas contínuo e evolutivo, igual e único para toda a humanidade, também é confrontada com o esforço de perceber e iluminar a descontinuidade das mudanças, evidenciando, por exemplo, a convivência, na mesma época, de povos que utilizam diferentes tec- nologias, como no caso de sociedades coletoras que são contemporâneas de nações que dominam recursos tecnológicos capazes de explorar o planeta Marte. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. História. Terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. p. 32-33. Portanto, nossa intenção é a de mostrar, por intermé- dio das primeiras sociedades humanas, dos indígenas do Brasil, dos incas, dos egípcios, de sociedades africanas, dos gregos e dos romanos, a experiência humana na construção de soluções para seus problemas cotidianos. Além disso, apontar que, diante de suas especificidades, cada povo construiu aquilo que entendeu ser melhor. É por isso que não se justifica analisar uma sociedade e sua experiência à luz de pressupostos que levem a comparações hierarquizadoras. Nesta edição, atendendo a sugestões de professores usuários, criamos um Módulo que aborda o surgimento das cidades e a questão da religiosidade (politeísta e monoteísta). Ele cria base para que os alunos trabalhem com a questão ao longo do curso.Evitamos as reduções de uma linha do tempo euro- peizada (que prioriza o tempo cronológico), que só serve para justificar uma suposta superioridade dos europeus em detrimento das sociedades americanas ou de tantas outras que se transformaram de maneiras e com ritmos diferentes. Não podemos nos esquecer de que a linha do tempo, embora seja uma forma de organizar a História, cria um referencial de adiantamento ou retardamento histórico que é falso. É necessário usá-la, mas com ma- turidade, para não cometer enganos que só hierarquizam a experiência histórica da humanidade. Também vale ressaltar a presença da História da África, em atendimento aos termos da Lei 10 639/2003, bem como em reconhe- cimento à importância dessa temática em um país mul- tiétnico como o Brasil, que tem uma grande proporção de afrodescendentes em sua população. As autoras. 8 10 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 10 9/28/15 12:54 PM O CADERNO 1 Iniciar um curso de História de 6o ano traz sempre o desafio de apresentar a disciplina para alunos de cerca de 10 anos de forma interessante e cativante. Falar sobre o passado para eles, que vivem in- tensamente o presente, e tentar articular a relação entre passado, presente e futuro para uma faixa etária na qual 5, 50, 500 anos parecem ter a mesma “imensidão” não é tarefa fácil. Por isso, resolvemos ir por etapas. Em primeiro lugar, devemos apresentar a ciência histórica e seus métodos de forma lúdica. A importância da disciplina deve ser compreendida de forma gradativa ao longo do curso. Dessa forma, fugimos de discursos que se prendem a lugares-comuns e, acreditamos, temos mais possibilidades de envolver os alunos em nossa proposta e torná-los participativos nas aulas. Iniciamos o curso com uma aventura do detetive Sherlock Holmes. Ao longo desses anos, temos mudado os contos de Arthur Conan Doyle, mas mantido a estratégia. Ela tem se mostrado acertada: os alunos se envolvem na resolução do mistério e ficam mais predispostos a estudar – por analogia – os métodos dos estudiosos do passado. Desvendar esse passado passa a ser um “mistério” que precisa ser estudado e elucidado. O objetivo dessas aulas, portanto, é questionar como podemos reconstituir um evento que não pre- senciamos ou uma situação sobre a qual pouco conhecemos recorrendo às pistas de que dispomos. Por meio da história vivida pela personagem Sherlock Holmes, os alunos conhecerão o método de trabalho investigativo de um detetive, que se baseia na análise minuciosa das pistas e na construção de hipóteses. O Módulo seguinte propõe uma analogia entre esse método e aqueles empregados por arqueólogos e historiadores, destacando suas semelhanças e diferenças. Importante: O conto de Sherlock Holmes é um pretexto para a apresentação do método de investigação. Por si só ele não tem importância central neste Caderno. Portanto, os detalhes da história “A Liga dos Cabeças Vermelhas” não devem ser objeto de questões em avaliações e provas. Ao final, apresentamos como Desafio (opcional) um “mistério” para que os alunos resolvam em sala, com o monitoramento do professor. É mais uma oportunidade para eles se envolverem com a descoberta do que não é aparente e óbvio. A partir do conteúdo desses Módulos iniciais, todos os outros conteúdos de História serão apresen- tados aos alunos de forma a fazer relação com os tipos de documentos disponíveis para a pesquisa histórica, bem como o método investigativo utilizado no processo de construção da narrativa histórica. Dessa forma, serão estudados, nos Módulos subsequentes, a origem dos seres humanos, o seu modo de vida e, finalmente, as primeiras experiências humanas na formação dos centros urbanos, na orga- nização do poder, na vida religiosa. Nesse contexto, o conceito de civilização também será trabalhado com os alunos. 811 M a n u a l d o P r o f e s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 11 9/28/15 12:54 PM MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 12 9/28/15 12:54 PM AULAS 1 e 2 Objetivos • Iniciar reflexões sobre como é possível desvendar mistérios e reconstituir eventos que não presenciamos. • Tomar contato com o método de trabalho de um detetive. Roteiro de aulas (sugestão) Aula Descrição Anotações 1 Motivação Você já pensou nisso? Leitura coletiva dos parágrafos 1 a 15 do texto “A Liga dos Cabeças Vermelhas” Atividade (item 1) Teste (item 1) Orientações para a tarefa 1 (Em casa) 2 Retorno da tarefa 1 e retomada do texto “A Liga dos Cabeças Vermelhas” Leitura coletiva dos parágrafos 16 a 46 Atividades (itens 2 e 3) Teste (item 2) Orientações para as tarefas 2 e 3 (Em casa) Orientação para o Desafio – caso a atividade seja realizada * Observação: Os testes podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa. Noções básicas • Desvendar um mistério requer técnicas e métodos de investigação. • É possível obter conhecimento sobre o que não presenciamos. Estratégias e orientações Motivação Introduza o curso anunciando que nosso tema inicial são os mistérios: como podemos resolver casos sobre os quais, a princípio, temos poucas informações. Pergunte aos alunos se conhecem o desenho Scooby-Doo e que tipo de aventuras a turma dele vive. Explore as questões iniciais para reforçar a percepção de que falamos sobre “detetives que solucio- nam casos misteriosos”. Pergunte-lhes sobre outras obras de ficção (as histórias em quadrinhos “As aventuras de Tintim”, de Hergé; os livros A droga da obediência e Anjo da morte, da coleção Os Karas, de Pedro Bandeira) ou mesmo jogos (Detetive®; Scotland Yard®) que abordem esse tema. Você pode até lançar um pequeno desafio: “Por que um curso de 1. COMO SOLUCIONAR UM MISTÉRIO? À PROCURA DE PISTAS E SINAIS 813 M a n u a l d o P ro fe ss o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 13 9/28/15 12:54 PM História iniciaria falando de mistérios?”, “Existe alguma semelhança entre o trabalho do detetive e o do historiador?” e deixar isso no ar para retomar no Módulo 2. Obs.: Há episódios de Scooby-Doo disponíveis no YouTube. Alguns trechos podem ser exibidos em sala, no início dessa Motivação. Desenvolvimento Aproveitando o gancho anterior, pergunte aos alunos se eles conhecem Sherlock Holmes e suas aventuras. Em seguida, chame a atenção deles para a história de mistério que será contada. Faça uma leitura coletiva do conto “A Liga dos Cabeças Vermelhas”. Os 15 parágrafos iniciais devem ser lidos na primeira aula, e os demais, na segunda. Procure dramatizar a leitura do texto, atentando para a entonação das falas das personagens e do narrador. Não aconselhamos que a leitura em voz alta de grandes trechos seja feita pelos alunos, já que eles tendem a não prestar atenção no texto que leem, preocupados com a leitura em si. Portanto, comprometa-se a ler as falas de Holmes e divida as demais. Abaixo, apresentamos um esquema dos parágrafos para a leitura. Narrador 1, 2, 4, 11, 13, 15, 30, 32, 34, 36, 37, 39, 45 Sherlock Holmes 3, 6, 8, 10, 14, 16, 18, 20, 23, 25, 27, 29, 31, 33, 35, 40, 42, 44, 46 Jabez Wilson 5, 7, 9, 12, 17, 19, 21, 22, 24, 26, 28 Sr. Merryweather 38, 41, 43 Ao final da primeira aula, proponha o item 1 da Atividade, que explora esse trecho, e encaminhe o item 1 da seção Em Casa, que servirá de gancho para a segunda aula. Peça aos alunos que tentem controlar a curiosidade e não leiam o restante do conto em casa. Segundo os pro- fessores de Língua Portuguesa, essa é uma ótima estratégia para aguçar a curiosidade e estimular a leitura em casa. Caso ela não ocorra, isso não trará prejuízo para o andamento do curso. Na aula seguinte, após a correção da tarefa, dê continuidade à leitura dramática do conto, iniciando-a no pará- grafo 16. Ao final, proponha os itens 2 e 3 da Atividade e indique o item 2 da seção Em Casa. É importante que os alunos apreendam as etapas do trabalho de Sherlock Holmes, para que a analogia aplicada nos Módulos seguintes fique clara. Se possível, explore o Desafio em sala de aula.Ele sempre mobiliza os alunos, que se sentem verdadeiros detetives. Respostas e comentários Você já pensou nisso? (página 104) • Como esse desenho animado continua a ser apresentado na TV, é possível que muitos alunos o conheçam. • Espera-se que os alunos utilizem a lembrança do desenho e de outras obras de ficção ou mesmo notícias de jornal para relacionar detetives à resolução de casos de mistério. • Estimule os alunos a levantar hipóteses. Aproveite essa questão para criar um suspense: diga que tudo fará sen- tido no próximo Módulo. Atividade (página 108) 1. a) Holmes observou que Jabez já tinha sido operário, era maçom, tinha estado na China e tinha escrito muito ultimamente. b) O detetive deduziu as características de Jabez, pois tirou conclusões com base no que observou. Por exemplo: concluiu que Jabez tinha sido operário porque sua mão direita era maior do que a esquerda e, consequentemente, seu braço direito tinha músculos mais desenvolvidos que os do esquerdo (em decorrência do esforço repetitivo muito comum nas linhas de produção). Também viu que Jabez usava um símbolo da maçonaria na gravata, tinha uma tatuagem e uma moeda típicas da China e sinais de que andava escrevendo muito: a manga direita brilhante e gasta próxima ao punho, e a manga esquerda gasta perto do cotovelo que apoiava na escrivaninha. 814 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 14 9/28/15 12:54 PM 2. Parágrafos Orientação Pistas e hipóteses de investigação 11 a 19 Indique cinco situações relata- das pelo Sr. Wilson que Sherlock Holmes considerou estranhas ou fora do normal. – Exigência de cabelos vermelhos para obtenção do em- prego. – Aceitação de metade do salário e apresentação do anúncio do emprego pelo ajudante. – Natureza do trabalho: copiar a Enciclopédia Britânica. – Exigência de horário de trabalho: das 10h às 14h. – Hábitos do ajudante: fotografia e permanência longa na adega. 20 a 33 Destaque três detalhes observa- dos por Holmes em seu passeio pelo centro da cidade. – O solo da calçada da casa de penhores estava oco. – As calças do ajudante estavam gastas na altura dos joelhos. – A distância entre a casa de penhores e o edifício do banco. 3. As peculiaridades do trabalho na Liga dos Cabeças Vermelhas levaram Holmes a formular a hipótese de que o emprego era “arranjado” apenas para afastar o Sr. Wilson da loja de penhores durante algumas horas do dia; a permanência do ajudante durante muito tempo na adega da loja levou à hipótese de que ele tinha algum outro interesse e fazia algo escuso na ausência do patrão. O som oco das batidas com a bengala levou Holmes à suposição de que havia um túnel sob a calçada; a calça suja e gasta nos joelhos sugeriu ao detetive que o ajudante estava cavando o túnel. Teste (página 110) 1. Alternativa C. Esta é a primeira questão-teste do 6o ano. O aluno precisa ser orientado a ler o enunciado e a buscar nas alternativas o que se pede. A melhor técnica para esse tipo de exercício é eliminar as alternativas que não se aplicam, identificando o que há de errado nelas. Nessa questão, considerando a leitura do conto, o aluno deve excluir a primeira alternativa porque o mistério foi resolvido após Holmes investigar as pistas, levantar hipóteses e checá-las. Ou seja, nada foi acidental. A alternativa “b” está errada porque Holmes fez o que Jabez lhe pediu e não houve roubo na loja de penhores. A alternativa “d” está errada porque o título se refere à suposta Liga que empregou Jabez e não a todas as personagens do conto. A única alternativa correta, portanto, é a “c”, que identifica corretamente o desfecho do conto: a resolução do mistério apresentado por Jabez. 2. Alternativa B. A questão pergunta sobre aspectos do trabalho de um detetive, visto aqui por meio da personagem Sherlock Holmes. Nela, os alunos devem identificar o que invalida alternativas erradas. No caso da alternativa “a” é a sorte, item aleatório, com o qual um detetive não pode contar. No item “c” é a adivinhação. No item “d” é o acreditar fielmente em tudo que lhe contam (porque muitos deles podem conter inverdades, e distinguir os relatos válidos dos não válidos é um dos trabalhos do detetive). Em casa (página 110) 1. Uma das grandes finalidades deste curso é procedimental: ensinar os alunos a ler e a interpretar textos com au- tonomia. Nessa atividade, os alunos devem reler os primeiros parágrafos do conto e, depois, recontar essa parte com suas palavras, dentro de uma limitação dada de número de parágrafos (3) e linhas (4). Devem ser valorizados os textos elaborados pelos alunos e desestimuladas as cópias de parágrafos. Possibilidade de resposta: “O detetive Sherlock Holmes recebeu a visita do Sr. Jabez Wilson em seu escritório. Ao observar as características físicas e os detalhes de sua vestimenta, Holmes concluiu que Wilson tinha sido operário, já tinha estado na China, era maçom e andava escrevendo muito. Diante da surpresa de Wilson, Holmes explicou como a observação de suas características permitiu que ele che- gasse a essas conclusões, sem recorrer à mágica ou à adivinhação.” 2. Devem ser respeitadas as respostas dos alunos que tenham relação com a imagem. Exemplos: “O mapa do crime”, “A poucos passos do dinheiro”, “As pistas estão em todos os lugares”, etc. 815 M a n u a l d o P r o fe s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 15 9/28/15 12:54 PM 3. a) Há pessoas em uma esquina e uma delas atravessa a rua. A maior parte das pessoas são homens, há apenas uma mulher. No lado oposto, mais distante, veem-se homens na outra esquina. b) O meio de transporte que aparece é o bonde. Para sua passagem, há trilhos na rua. c) A maior parte dos homens usa terno e chapéu. Um homem parece usar um uniforme e um quepe. A mulher usa chapéu e um vestido de comprimento abaixo do joelho. d) Atualmente, a maior parte das pessoas se veste de maneira mais informal. O uso do chapéu é muito raro para homens e mulheres. Ternos são usados em ocasiões especiais ou por exigência do trabalho ao qual a pessoa se dedica. Os vestidos das mulheres têm comprimentos variados hoje em dia: podem ser mais curtos ou mais longos que o da imagem. e) Podemos destacar como diferenças a maior presença feminina que há hoje no espaço público (ao contrário do momento da foto, no qual a presença feminina era muito menor). Os bondes deixaram de ser meios de transporte e foram substituídos por ônibus e automóveis. Prédios, como os retratados, restaram em poucos lugares. Atualmente, o estilo das construções é bem diferente do da foto. f) Os alunos precisam ter espírito de detetive e “investigar”. A foto é de 1938, tem, portanto, menos de 200 anos. Eles podem apontar que há mais de 200 anos a máquina fotográfica não existia. Desaf o (página 111) A atividade é opcional, mas muito importante. Por isso, recomendamos a todos os professores que busquem inseri-la no planejamento das aulas para que seja possível realizá-la. Trata-se de uma atividade lúdica, que pretende mobilizar os alunos para uma pequena investigação. Além de organizar e classificar as pistas, eles serão levados a formular hipóteses e a resolver o caso (o encontro do testamento), como um detetive. É interessante que a atividade seja feita em grupos. Dessa forma, os alunos interagem (no início do ano essa é uma forma importante de integração) e o professor pode observar a dinâmica da sala como um todo, e dos grupos em particular, para intervir nas próximas atividades em equipe. Além disso, se os alunos estiverem motivados, os próximos Módulos serão mais bem aproveitados por todos. Resolução: 1. Dependências da mansão Classificação das dependências SIM: Charles costumava frequentar NÃO: Charles evitava Horários em que Charles frequentava Motivos para não frequentar Cozinha Não Muito quente Biblioteca Sim 11h15 e 18h15 Sala de jogos Não Não tinha com quem jogar Sala de jantar Sim 7h30, 12h, 16h e 19h Sala de estar Não Não recebia visitas Suítes Sim(uma delas, a particular) 13h30 e 20h30 Piscina Sim 15h Quadra de tênis Sim 9h 2. Os alunos devem mencionar os locais frequentados por Charlie: biblioteca, sala de jantar, suíte, piscina, quadra de tênis. 3. Charlie escreveu na charada que não quer “nem se lembrar” das atividades recomendadas. Isso exclui a piscina e a quadra de tênis (locais das atividades físicas). 4. Pode ser na biblioteca (frequentava duas vezes por dia porque gostava); no quarto (dormia todas as noites e tinha tempo para guardar o testamento); na sala de jantar (que frequentava três vezes por dia). 5. O testamento está na sala de jantar. 816 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 16 9/28/15 12:54 PM Um relato possível é: “Analisando as dicas do avô e o relato do cotidiano do Sr. Charles, cheguei às seguintes conclusões: – Ele não queria se lembrar das atividades recomendadas, ou seja, das atividades físicas (hidroginástica e aulas de tênis). Ele não gostava delas: chegava a parar antes do tempo, e o personal trainer dele “pegava leve”. Assim, excluí a piscina e a quadra de tênis. – No bilhete, ele avisa que está no ambiente que costumava frequentar. Temos três possibilidades: • Biblioteca – ia duas vezes por dia. Gostava de ler (ia à livraria, comprava livros de Agatha Christie), mas não tinha de esperar por nada nela. Os livros já estavam lá. • Suíte particular – ia duas vezes por dia, mas também não precisava esperar por nada nela. • Sala de jantar – ia quatro vezes por dia: café da manhã, almoço, café da tarde e jantar. Nesse lugar, ele esperava que lhe servissem as refeições (garanto que ele não se servia sozinho, afinal ele tinha um mordomo) e todas as segundas-feiras mandava chamar a cozinheira para escrever o cardápio da semana, o que também o colocava em espera. Portanto, de acordo com a charada, a sala de jantar é o local onde está guardado o testamento.” Textos de apoio ao professor O ensino de História: entre a história e a memória A articulação entre esses dois processos possibili- ta a formação de representações e valores pelos alunos e a produção de sentidos e significados Se falamos da sala de aula, a relação entre história vivida e história conhecimento é ainda pouco proble- matizada. Parece que ainda nos encontramos no tempo em que as duas noções não eram percebidas como processos diferentes. Em decorrência disso, é comum ouvirmos a concepção de que a história ensinada é a história vivenciada. A confusão se aprofunda quando se afirma, de forma bastante genérica, que “basta saber história para ensinar história”. Mas que “história” é essa que se “sabe” ao ensinar? Para ensinar história, realizamos dois processos fundamentais: uma seleção cultural – definindo entre os vários saberes disponíveis na sociedade, o que im- plica opções culturais, políticas e éticas, possibilitando ênfases, destaques, omissões e negações –, enraizada social e historicamente, revelando interesses, projetos identitários e de legitimação de poderes instituídos ou a instituir, além de suscetível a redefinições. Ela se realiza e expressa nas propostas e nas práticas curriculares. A didatização é o outro processo e possibilita que os saberes selecionados sejam passíveis de ser ensinados. A articulação dos dois processos possibilita a for- mação de representações e de valores pelos alunos, a produção de sentidos e a atribuição de significados a partir das situações de aprendizagem vivenciadas. Dessa maneira, o ensino de história contribui de for- ma importante para a construção e reconstrução do conhecimento cotidiano, utilizado por todos nós para a vida comum, e no qual operamos com a “memória” – construção individual realizada a partir de referências culturais coletivas. Os professores enfrentam uma contradição que muitos não consideramos quando ensinamos e que atua de forma expressiva nos processos de aprendi- zagem. A proposição de Pierre Nora sobre a relação entre história e memória, que dialogam, se alimentam e se contrapõem, apresenta bem essa contradição. “A memória é vida, sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, ela está em permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento, incons- ciente de suas deformações sucessivas, vulnerável a todos os usos e manipulações, suscetível de longas latências e de repentinas revitalizações. A história é a reconstrução sempre problemática e incompleta do que não existe mais. A memória é um fenômeno sem- pre atual, um elo vivido no eterno presente; a história, uma representação do passado. A história, operação intelectual e laicizante, demanda análise e discurso crítico. A memória instala a lembrança no sagrado; a história a liberta e a torna sempre prosaica.” Nossos alunos, ao chegar à escola, são portadores de saberes e referências construídos nos grupos fami- liares que cultivam suas memórias: de trabalhadores, de migrantes, de desempregados, de lutas diárias pela sobrevivência, de referências étnicas e religiosas que lhes oferecem explicações do mundo e de seu devir. Constituem, na área da educação, os chamados saberes prévios, que muitos de nós descartamos a priori, como expressões de ideologias que precisam ser anuladas porque são portadoras de preconceitos e fomentado- ras de comportamentos discriminatórios. Ou, às vezes, Sugestão de material para consulta 817 M a n u a l d o P r o fe s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 17 9/28/15 12:54 PM porque são resultado de ensinamentos ultrapassados, equivocados, a serem superados por nossas aulas, nas quais a “verdadeira história vai ser ensinada”. Mas, muitas vezes, esquecemos que são referên- cias culturais fortemente ancoradas em figuras fami- liares que sustentam construções identitárias. Dificul- dades de aprendizagem ou resistências a conteúdos e posturas mais críticas, apresentados sob a forma de verdades absolutas pelos professores e que se chocam com as referências dos alunos? Exemplo conhecido por muitos de nós é o caso das reações ao trabalho com o evolucionismo em co- munidades de forte adesão a religiões que defendem o criacionismo. Os professores precisam estar atentos às representações sociais dos alunos e procurar dia- logar com elas, principalmente no ensino de história, no qual estará trazendo revisões e críticas a saberes consolidados, que servem para a comunicação entre grupos aos quais os alunos pertencem. As representações sociais são dinâmicas, estão em processo de constante transformação. Como diz Nora, a memória “é suscetível a longas latências e a repentinas revitalizações”. Estas podem ser induzidas pelas aprendizagens da história que, também como nos ensina Nora, “demanda análise e discurso crítico”, nos leva ao estranhamento, nos desestabiliza, nos des- concerta. Nesse sentido, é fundamental considerar a relação entre história e memória para pensar o lugar do ensino de história. O ensino de história é ou pode tornar-se um “lugar de memória”, “onde a memória se refugia, se cristaliza”? Nora explica que os lugares de memória nascem e vivem de um sentimento de que não há mais memória espontânea nas sociedades atuais, que é preciso “orga- nizar os arquivos, manter os aniversários, organizar as celebrações”, pois a aceleração do tempo – o presen- tismo – nos faz esquecer ou desconsiderar o passado. O ensino de história é, potencialmente, um lugar onde memórias se entrecruzam, dialogam, entram em conflito; lugar no qual, também, se busca a afirmação e o registro ou se desenvolvem embates entre versões e teorias sobre as sociedades, a política e o mundo. “Lugar de fronteira”, que possibilita o diálogo entre memórias e “história conhecimento escolar”, com aprofundamento, ampliação, crítica e reelaboração para uso no cotidiano. Defendo que o ensino de história não é um lugar de memória no sentido atribuído por Nora – lugar onde memórias secristalizam – se trabalhamos em perspec- tiva crítica, através da qual as memórias espontâneas de nossos alunos são mobilizadas, tornam-se objeto de estudo e de possibilidades de recriação. O ensino de história é “lugar de fronteira” entre história e memória, no qual a primeira deflagra análises, reflexões e novas compreensões. No contexto da aula e das atividades, cabe ao professor trabalhar o “pensamento histórico” para o questionamento de verdades estabelecidas e a busca da compreensão da historicidade da vida social. Novos saberes são construídos pelos alunos, saberes esses que, ao se tornarem conhecimento cotidiano, podem vir a ser instrumentos de libertação ou resistência, as- sim como podem servir para a legitimação de poderes instituídos. As definições e opções dos professores no seu fazer marcam e orientam as diferentes aborda- gens e encaminhamentos. Como afirma Hobsbawm, professores de história são cada vez mais necessários. MONTEIRO, Ana Maria. Disponível em: . Acesso em: 13 fev. 2015. 8 18 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 18 9/28/15 12:54 PM 2. O QUE SHERLOCK HOLMES TEM EM COMUM COM OS ESTUDIOSOS DO PASSADO? AULAS 3 e 4 Objetivos • Comparar o método de trabalho dos detetives ao dos estudiosos que investigam o passado. • Conhecer o trabalho de arqueólogos e de historiadores. • Refletir sobre a importância do patrimônio arqueológico e histórico e dos relatos históricos que se constroem com base neles. Roteiro de aulas (sugestão) Aula Descrição Anotações 3 Retorno das tarefas 2 e 3 do Módulo 1 Você já pensou nisso? Detetives, arqueólogos e historiadores Atividade 1 Teste (item 1) * Orientações para a tarefa 1 (Em casa) Orientações para a tarefa 2 * * 4 Retorno da tarefa 1 O trabalho do historiador: conhecendo melhor os documentos ou as fontes históricas Construindo relatos históricos Por que estudar História Atividade 2 A contagem do tempo Teste (item 2) * Orientações para as tarefas 3 e 4 (Em casa) * Os testes podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa. ** Caso a Atividade complementar seja desenvolvida. Noções básicas • Ainda que não tenhamos vivido no passado é possível estudá-lo e conhecê-lo. • Os historiadores e arqueólogos se baseiam em métodos específicos para analisar vestígios e relatos escritos dei- xados pelas comunidades em qualquer tempo ou lugar. • É preciso preservar o patrimônio histórico e arqueológico para esses estudos serem possíveis. Estratégias e orientações Ativação de conhecimento prévio Ao corrigir as tarefas da Aula 2, retome com os alunos a ideia de que os detetives utilizam pistas para solucionar os casos em que trabalham. Em seguida, pergunte se esse mesmo procedimento poderia ser utilizado para desvendar mistérios ocorridos num passado mais distante. 819 M a n u a l d o P r o fe s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 19 9/28/15 12:54 PM Motivação Exiba um pequeno trecho do filme A era do gelo. Acre- ditamos que essa é uma forma simpática e envolvente de dar prosseguimento ao curso e avançar na questão do estudo sobre o passado, articulando-a aos questionamen- tos abordados na Ativação do conhecimento prévio e na seção Você já pensou nisso? da abertura. Faça perguntas como: em que fontes os criadores do filme se basearam para apresentar como cenário da animação o planeta há milhares de anos? Vocês acham que foi completamente inventado? Desenvolvimento Após a Ativação do conhecimento prévio e a Moti- vação, estabeleça uma comparação entre o trabalho dos detetives e o dos estudiosos que investigam o passado, ressaltando o fato de que ambos se valem de “pistas” em suas investigações. Proponha que leiam o quadro comparativo das páginas 116 e 117 e expliquem, com as próprias palavras, algumas diferenças entre o trabalho do detetive e o daqueles estudiosos. Depois de ouvi-los, não deixe de sistematizar, en- fatizando que os arqueólogos estudam o passado das sociedades utilizando, prioritariamente, os vestígios ma- teriais encontrados. Normalmente, se dedicam ao estu- do de sociedades que não utilizavam a escrita (embora não exclusivamente). Já os historiadores se baseiam em documentos escritos e outras fontes variadas, materiais e imateriais. Nessa sistematização, explicite a interseção do tra- balho de arqueólogos e historiadores. Por isso os cha- mamos, no título deste Módulo, de “estudiosos do pas- sado”. Arqueólogos podem estudar vestígios materiais (documentos não escritos de sociedades que têm escrita) e historiadores podem estudar sociedades que não de- senvolveram a escrita. A separação de atuação, portanto, não é absoluta. Ao abordar mais especificamente o trabalho do histo- riador, destaque a grande variedade de documentos que servem como “pistas” para o estudo do passado. Ressalte que nós também deixamos pistas para os historiadores do futuro. Relacione os documentos escritos e não escritos ao patrimônio histórico. Comente como a destruição do pa- trimônio histórico pode dificultar ou mesmo inviabilizar a produção de relatos históricos. Faça um paralelo com a história dos estudantes: se alguém eliminar todos os documentos que registram a presença deles no planeta, eles “desaparecerão” completamente da história da hu- manidade, não deixarão “rastros” visíveis. Destruir um monumento, pichar uma estátua ou deixar desaparecer tradições culturais equivale a fazer desaparecer a vida de quem nos antecedeu. Outra comparação próxima do cotidiano deles é a da memória histórica à da memória do computador. Per- gunte aos alunos se algum deles já teve a experiência de ter o hard disk (HD) do computador danificado, per- dendo dados importantes, sem chance de recuperação. Mesmo que nos lembremos de uma parte desses dados, dificilmente nos lembraremos de todos eles, de modo que alguns se perderão para sempre. O mesmo se dá quando danificamos algum vestígio do passado, sobre- tudo quando ele é a única fonte de informação sobre determinado assunto. Em seguida, faça a relação com os relatos históricos e com a importância da História: somente por meio dela sabemos como chegamos ao nosso modo de vida, e os erros e os acertos cometidos pelos humanos ao longo do tempo. Por isso, podemos nos tornar melhores. A Atividade complementar presente no Caderno do Aluno também apoia essa reflexão e a valorização da preser- vação dos documentos históricos. Ao final, utilize o boxe para introduzir a questão de contagem do tempo e sua forma no Ocidente. Aqui, abordamos dois aspectos desse tema: o agrupamento dos anos em séculos, grafados com números romanos, e a divisão do tempo em antes e depois de Cristo. Dada a grande abstração que exige, esse assunto será retomado ao longo do curso. Neste momento, ele apenas será ex- plorado como ferramenta para que os alunos se localizem nos textos. Não se esqueça de ressaltar que, enquanto os anos antes de Cristo necessitam vir sempre acompanha- dos da sigla a.C., os depois de Cristo dispensam a sigla d.C. Embora essa questão vá ser retomada, comente que essa forma de periodização é uma das muitas possíveis. Lembramos que a questão da numeração romana, uti- lizada largamente na História, foi estudada pelos alunos nos 3o e 4o anos do Ensino Fundamental, em Matemática. Atividade complementar Se houver possibilidade, recomendamos que essa atividade seja desenvolvida. É uma forma de introduzir a noção da divisão do tempo em períodos de maneira bem concreta para essa faixa etária. Pensamos que, por analogia, os alunos entenderão melhor as práticas de utilização de marcos para periodização, os diversos va- lores envolvidos na definição desses marcos e as formas de representação da periodização. Sugerimos que a linha do tempo (item 3 da atividade) seja transferida para cartazes espalhados na sala. Dessa forma, todos os elementos mencionados acima serãomais facilmente percebidos por toda a sala. 820 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 20 9/28/15 12:54 PM Atividade extra Simulação de um sítio arqueológico Para complementar o estudo dos vestígios e documen- tos do passado, o professor pode organizar a simulação de um sítio arqueológico. Objetivos • Simular o trabalho de escavação e pesquisa em um sítio arqueológico. • Conhecer as etapas do trabalho de um arqueólogo. • Destacar a importância das fontes para a pesquisa arqueológica e histórica. Materiais • Caderno do Aluno, revistas, livros sobre a Pré-História ou as civilizações antigas. • Barro, pasta de papel machê, pedra, osso e madeira. • Terreno ou jardim que possa ser escavado. Caso a esco- la não disponha desse espaço, podem-se utilizar caixas de papelão ou de madeira cheias de terra ou areia. • Pincel. • Cola. Procedimento 1a etapa • Divida a turma em grupos. • Oriente cada grupo a pesquisar, na internet ou em livros de História, imagens sobre a cultura material da Pré-História ou da Antiguidade (ferramentas, utensí- lios, armas, adornos, etc.). 2a etapa • Se o professor de Artes participar do trabalho, os alunos poderão fazer réplicas de instrumentos ou da cultura material com barro ou papel machê. Caso não haja possibilidade de desenvolver um trabalho interdisciplinar, os alunos deverão procurar objetos de pedra, osso ou madeira que se assemelhem a ins- trumentos pré-históricos. • Cada grupo deve selecionar três objetos (de osso, ma- deira ou pedra) ou uma recriação da cultura material (feita com barro ou papel machê). 3a etapa • No terreno escolhido, os alunos devem preparar o sítio arqueológico, demarcando 16 quadrantes de 1 m². Para isso, devem utilizar seus conhecimentos adquiridos no curso de Matemática do 5o ano. A demarcação deve ser feita utilizando-se pedaços de madeira e barbante, conforme o esquema abaixo. 1 2 3 4 4a etapa • Depois da delimitação, cada grupo enterrará seu objeto em um quadrante preestabelecido pelo pro- fessor. No caso de um objeto de barro, ele deverá ser quebrado antes de ser enterrado. 5a etapa • No dia seguinte, os grupos desenterram os objetos de um quadrante diferente daquele onde enterraram os seus. No caso das caixas, elas devem ser entregues a um grupo diferente daquele que a preparou. • A escavação deve ser feita com pequenas pás, para não danificar os objetos enterrados. • A retirada dos objetos ou fragmentos deve ser feita com bastante cuidado. Em seguida, os grupos devem limpar, com um pincel, os restos de terra presentes nesses objetos. Se estiverem quebrados, devem ser reconstituídos. 6a etapa • Após a retirada e a limpeza dos artefatos, os grupos devem catalogá-los, fazendo uma descrição rigorosa de suas características e indicando o local (quadrante) em que foram encontrados. Em seguida, devem iden- tificar sua datação aproximada e o povo ou a cultura a que pertencem, com base na mesma bibliografia utilizada pelo grupo que enterrou os objetos. Respostas e comentários Você já pensou nisso? (página 115) • Os alunos devem comentar que os produtores pesquisa- ram o período em questão. Alguns provavelmente farão uma ponte com o Módulo anterior e dirão que buscaram “pistas” no passado para resolver esse problema. • Os alunos devem citar filmes ou desenhos que retra- tem outras épocas. • Espera-se que os alunos reforcem a ideia de que é possível conhecer o passado pesquisando, investigan- do. Diga-lhes que veremos como essas investigações se dão. Lembramos aqui que essa questão vem sendo apresentada aos alunos desde o Ensino Fundamental 1. Portanto, eles devem utilizar as referências que já têm e que serão aprofundadas nesse novo segmento. A B C D 821 M a n u a l d o P r o fe s s o r MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 21 9/28/15 12:54 PM Atividade 1 (página 118) a) Sim. Elas trazem imagens do cotidiano, dos sen- timentos e pensamentos das comunidades que as pintaram. Portanto, são uma fonte de informação. b) É possível afirmar que os seres humanos dessa região praticavam a caça ou a presenciaram. Atividade 2 (página 121) Espera-se que o aluno responda que sim, porque conhecer as sociedades do passado requer investigação (dos vestígios, dos documentos) para que seja possível construir relatos históricos. Teste (página 122) 1. Alternativa A. Nessa questão, os alunos devem inter- pretar o texto considerando o que estudaram sobre o trabalho dos arqueólogos. A alternativa “a” deve ser indicada porque eles estudaram que os objetos podem ser datados por métodos científicos. Quanto às outras alternativas, devem rejeitar a “b” porque os arqueó- logos não fizeram comparações com outras regiões; a “c” porque foi o encontro da flauta que permitiu a datação e definição da época desses artefatos; e a “d” porque novas descobertas podem trazer outras interpretações sobre essa questão. 2. Alternativa D. Os estudiosos fazem relatos que são sempre interpretações. É impossível reconstituir o passado com certeza. Em casa (página 123) 1. a) As peças e os desenhos desse sítio arqueológico são importantes para conhecermos como viviam os primeiros habitantes do território brasileiro. Se o sítio for saqueado ou depredado, não poderá ser estudado, o que acarretará prejuízos para o conhecimento de nosso passado. b) Essa atividade pretende estimular os alunos a co- nhecer melhor os elementos do patrimônio histó- rico presentes na região em que vivem, além de mobilizá-los para a valorização desses conjuntos. Caso tenham dificuldade de identificação, oriente- -os. Se não existir nada na localidade, indique uma lista com sugestões que eles possam conhecer vir- tualmente: sítios arqueológicos, conjuntos arquite- tônicos, outros marcos possíveis. Valorize os cartazes criados pelos alunos. Eles de- vem trazer frases de impacto. Por exemplo: “No sítio arqueológico, a rocha é um ‘livro de memórias’. Em sua casa, ela é uma pedra sem importância”. 2. Tarefa complementar. 3. Os textos II e III comprovam o que o texto I afirma, pois apresentam versões diferentes sobre um mesmo fato. No texto II encontramos a informação de que o Brasil foi descoberto ao acaso e no texto III, que os portugueses já sabiam da existência de terras onde o Brasil se localiza, mesmo antes de 1500. 4. Resposta possível: os relatos históricos podem ser es- critos porque há estudiosos que pesquisam vestígios e documentos produzidos ou deixados pelos homens do passado que revelam detalhes de seu modo de vida. Graças à datação desses documentos, é possível situá-los no tempo e contar a história das sociedades. Atividade complementar (página 124) 1. Os marcos escolhidos e sua justificativa podem variar de aluno para aluno. Por exemplo: 1a fase: do nascimento ao momento em que começou a andar. 2a fase: do momento em que começou a andar ao mo- mento em que ingressou na escola. 3a fase: do ingresso na escola aos dias atuais. Mudanças de cidade, de casa e de escola também podem ser consideradas marcos importantes. 2. a) Resposta pessoal. A escolha dos marcos se deve à importância que determinados acontecimentos tiveram na vida dos alunos. b) Provavelmente, eles constatarão que os marcos são diferentes porque cada um tem sua história de vida. 3. Cada aluno construirá uma linha do tempo de sua própria vida, com as imagens que selecionou. 4. O preenchimento do quadro dependerá dos do- cumentos trazidos pelos alunos. Devem ser clas- sificados como documentos escritos as certidões de nascimento, os bilhetes, as cartas, os boletins e trabalhos de escola, entre outros. Como documentos não escritos, os brinquedos, as fotos, os filmes, etc. 5. Espera-se que os alunos percebam que a perda desses documentos criaria lacunas no conhecimento de seu passado, tornando mais difícil a pesquisa e a reconstituição de sua história. 822 Ensino Fundamental MP_AngloEFII_Hist_6.1_01a36.indd 22 9/28/15 12:54 PM AULAS 5 a 7