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www.soeducador.com.br 2 Educação infantil nos anos iniciais Sumário 1. Panorama Histórico da Educação Infantil .................................................................... 6 2. Concepções de Infância e concepções de Educação ............................................. 20 3. Concepções de desenvolvimento e de aprendizagem segundo Piaget e Vygotsky 25 4. Concepções de pré-escola .......................................................................................... 32 4.1 A importância da pré-escola .................................................................................... 35 5. A Educação Infantil na Educação Básica .................................................................. 37 5.1 Os direitos de aprendizagem no desenvolvimento da Educação Infantil ......... 38 5.2 Finalidade de aprendizado e desenvolvimento para a Educação Infantil ........ 39 5.3 Estrutura da Educação Infantil de acordo com Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ............................................................................................................................... 40 5.4 Campos de Experiência da Educação Infantil ...................................................... 43 5.4.1 Campo de Experiência: O eu, o outro e o nós ............................................... 43 5.4.2 Campo de Experiencia: Corpo, gestos e movimentos .................................. 44 5.4.3 Campo de Experiência: Traço, sons, cores e formas ................................... 46 5.4.4 Campo de Experiencia: Oralidade e escrita ................................................... 47 5.4.5 Campo de Experiência: espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. ............................................................................................................................... 48 5.5 A mudança da Educação Infantil para o Ensino Fundamental .......................... 50 6.0 O desenvolvimento psicomotor e sua importância para o aprendizado no ambiente escolar em crianças com 2 e 4 anos. ................................................................................................... 55 6.1 Desenvolvimento psicomotor ........................................................................................ 56 6.2 A Psicomotricidade no contexto escolar ..................................................................... 58 7.0 O uso de jogos e brincadeiras no processo de aprendizagem e desenvolvimento .. 61 7.1 Brinquedoteca Escolar: Ferramenta de ludicidade .................................................... 63 7.2 Proposta de Brinquedoteca na escola......................................................................... 66 7.2.1 Cantinho da leitura e atividades de artes ............................................................ 66 7.2.2 Cantinho do faz de conta ....................................................................................... 67 7.2.3 Cantinho dos jogos ................................................................................................. 68 7.2.4 Cantinho dos brinquedos e das brincadeiras ..................................................... 68 www.soeducador.com.br 3 Educação infantil nos anos iniciais 8.0 Anos iniciais do Ensino Fundamental .............................................................................. 70 8.1 Aprendizagem ................................................................................................................. 73 8.2 A necessidade da integração entre os currículos da Educação Infantil e das primeiras séries ................................................................................................................................... 74 8.3 Colocando a alfabetização em perspectiva ................................................................ 75 8.4 Os diferentes modelos de relacionamento entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental ........................................................................................................................................ 77 8.5 O ensino e a aprendizagem da linguagem escrita em classes do primeiro ano do ensino fundamental ............................................................................................................................. 79 9.0 O Letramento ....................................................................................................................... 82 9.1 Elementos para a construção de uma proposta pedagógica ................................... 84 9.2 O desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita de palavras, frases e textos em sala de aula ................................................................................................................................... 86 9.3 A aquisição do sistema de escrita e o desenvolvimento da consciência fonológica ............................................................................................................................................................... 89 9.4 Os níveis conceituais da escrita ................................................................................... 90 9.5 Aspectos Centrais da evolução psicogenética da língua escrita ............................ 91 9.6 O desenvolvimento da consciência fonológica .......................................................... 91 9.7 Letra Cursiva X Letra Bastão ........................................................................................ 94 10. Planejamento Reverso: Uma nova forma de planejamento ...................................... 100 11. O Ensino Hibrido no Brasil ............................................................................................... 105 11.1 Visão Geral sobre o Ensino Hibrido......................................................................... 112 11.2 O uso abusivo de telas e seus riscos para o desenvolvimento ........................... 115 12. Metodologias Ativas no processo de aprendizagem .................................................. 117 13. Educação, Cultura, Currículo .......................................................................................... 124 14. Propostas de Atividades .................................................................................................. 127 14.1 Acertar no saco ........................................................................................................... 127 14.2 Saquinho-Surpresa .................................................................................................... 128 14.3 Brincar de loja ............................................................................................................. 129 14.4 Piquenique ................................................................................................................... 130 14.5 Acertar nos buracos ................................................................................................... 131 www.soeducador.com.br 4 Educação infantil nos anos iniciais 14.6 Equilibrar o saquinho ................................................................................................. 132 14.7 Corrida de ovo na colher ........................................................................................... 133 14.8 Bola de meia ............................................................................................................... 134 14.9 Aviõezinhos de papel ................................................................................................. 134 14.10 Desafio do Elástico .................................................................................................. 135 14.11 Procurar formas geométricas .................................................................................a criança se desenvolve e aprende, pode-se reconhecer que durante a pré-escola muito pode ser trabalhado para propiciar e ampliar tal desenvolvimento e aprendizagem. Nesta fase em que as crianças demonstram desejo de explorar, experimentar, perguntar, e que ainda, aprendem depressa, percebe-se que deve ser dado a elas muita atenção e cuidados. Dentro desta perspectiva, muitos teóricos, incluindo também as políticas e programas de educação infantil vigentes, demonstram estar preocupados com esta fase, buscando investigar cada vez mais sobre esta etapa da vida da criança, e sobre o papel da pré-escola, propondo, assim, possíveis orientações para o trabalho adequado. No entanto, é importante considerar a ''voz'' dos próprios professores, buscando verificar como estes percebem a importância da pré-escola e de que forma esta pode influenciar as crianças nas primeiras séries do ensino fundamental. Buscando verificar também, se muitos dos traços que as crianças www.soeducador.com.br 36 Educação infantil nos anos iniciais revelam mais tarde poderão ter sido determinados por seu desenvolvimento durante os anos em que passou pela pré-escola. www.soeducador.com.br 37 Educação infantil nos anos iniciais 5. A Educação Infantil na Educação Básica O que fundamenta a educação básica dentro de processo educacional é a Educação Infantil. Ao darem entrada seja na creche ou na pré-escola, essas crianças estão vivenciando, normalmente, a primeira separação dos seus pais ou de familiares, para uma convivência de socialização mais estruturada e diferenciada da qual estão acostumados a vivenciarem. As convivências e conhecimentos construídos por essas crianças no ambiente familiar e no contexto da comunidade, serão articulados nas propostas pedagógicas, tendo como objetivo a ampliação do universo de experiencias, conhecimentos e habilidades de cada uma delas. Toda essa diversidade atua de maneira diversificada e complementar à educação familiar – sendo os principais a educação de bebes e crianças bem pequenas, atuando na socialização, autonomia e comunicação. Um dos principais eixos para potencializar esse aprendizado e desenvolvimento é a prática do diálogo e o compartilhamento de responsabilidades entre a instituição e a família. As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI, Resolução CNE/CEB n° 5/2009), no art.4°, traça a seguinte definição de que a criança é “sujeito histórico e de direitos, que interage, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura” (BRASIL, 2009). Segundo a DCNEI, ainda em seu art.9°, os eixos que estruturam as práticas pedagógicas na Educação Básica são justamente as interações e as brincadeiras, por quais as crianças constroem experiencias e se apropriam de conhecimentos através das ações e interações com as demais crianças e adultos, possibilitando um leque mais abrangente de possibilidades, desenvolvimento e socialização. Interação no ato de brincar deve ser a maior característica de toda a infância, trazendo muitas aprendizagens e potenciais desenvolvimentos de forma integral na criança. Através da observação de como a criança interage seja com outras criança ou adultos, identificaremos a expressão de afetos, como acontece a mediação de frustações, resolução de conflitos e até mesmo a como regulam as suas emoções. Os eixos que estruturam as práticas pedagógicas e www.soeducador.com.br 38 Educação infantil nos anos iniciais as competências gerais da Educação Básica propostas pela BNCC, traz seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento, que visam assegurar, na Educação Infantil que as crianças aprendam em situações na qual elas possam desempenhar um papel ativo nos ambientes que convidam elas a viverem desafios e ao mesmo tempo provocadas a resolve-los, construindo significados sejam sobre si, sobre os outros ou mundo social e natural. 5.1 Os direitos de aprendizagem no desenvolvimento da Educação Infantil Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento em si e do outro, o respeito em relação a cultura e ás diferenças entre as pessoas. Brincar de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), de forma a ampliar e diversificar suas possibilidades de acesso a produções culturais. A participação e as transformações introduzidas pelas crianças nas brincadeiras devem ser valorizadas, tendo em vista o estimulo ao desenvolvimento de seus conhecimentos; sua imaginação; sua criatividade e suas esperiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais. Participar ativimente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando. Esplorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relaciomentos, histórias, objetos e elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia. Expressar como sujeito dialogico, criativo e sensivel, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipoteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens. Conhecer-se e contruir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário. www.soeducador.com.br 39 Educação infantil nos anos iniciais A criança como um ser que observa, faz questionamentos, traz hipóteses, faz julgamentos, entende valores, constrói e se apropria do conhecimento seja através de ações ou interações feitas com o mundo de forma física ou social, não deve ser apenas um resultado de confinamento dessas aprendizagens ou um processo de desenvolvimento de estrutura natural ou espontânea. Muito pelo contrário, temos que trazer a importância e a necessidade de adquirir de cunho intencional as práticas pedagógicas educativas na Educação Infantil, seja na creche ou na pré-escola. As aprendizagens mais complexas, de acordo como a criança cresce, requer experiências organizadas e vivencias estruturadas da aprendizagem. A intenção educacional rege as práticas de orientação para com a criança seja na alimentação, na hora de vestir-se, higienizar-se, brincar, desenhar, pintar, recortar, conviver com livros, escutar histórias e etc. A construção de conhecimentos é gerada pelo educador, através de selecionar, organizar, refletir, planejar, mediar e monitorar os conjuntos de práticas e interações. A monitoração das práticas pedagógicas está fundamentada na observação sistemática do educador, dos efeitos e dos resultados das ações na aprendizagem e desenvolvimento da criança. Através de registros, feitos em diferentes momentos, seja pelos professores, ou pela criança (como relatórios, portfolios, fotografias, desenhos e textos), podemos ver evidencias de progressão durante o período observado, sem intenção de haver classificação nas crianças. 5.2 Finalidade de aprendizadoe desenvolvimento para a Educação Infantil No sistema educacional infantil, todas os aprendizados são essenciais e compreende tantos os comportamentos, como as habilidades e conhecimentos que promovem habilidades nos diversos campos de experiencias, sempre tomando as interações e brincadeiras como eixos de estrutura. Sabendo as especificidades dos diferentes grupos etários que fazem parte da Educação Infantil, os objetivos que constituem a aprendizagem estão sequenciados e organizados em três grupos de faixas etárias, que vão corresponder, as possíveis características que cada criança irá desenvolver. De www.soeducador.com.br 40 Educação infantil nos anos iniciais toda forma, esses grupos não devem ser considerados rigidamente, já que há diferenças no ritmo que cada criança desenvolverá a partir da proposta pedagógica. CRECHE PRÉ- ESCOLA Crianças de 0 a 1 e seis meses Crianças de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Crianças de 4 anos a 5 anos e 11 meses 5.3 Estrutura da Educação Infantil de acordo com Base Nacional Comum Curricular (BNCC) De acordo com os fundamentos pedagógicos, a BNCC está estruturada com o objetivo de especificar as competências que os alunos tem que desenvolver na trajetória de toda a Educação Básica e nas etapas da escolaridade. Vamos observar a estrutura geral da BNCC e o detalhamento de cada um dos elementos que compõe a sua estrutura em todas as etapas da Educação Infantil. Essa explicação acontece com a composição de códigos alfanuméricos criados para identificar cada uma das aprendizagens. A Educação Infantil se organiza em três grupos de faixa etárias nas quais estão detalhados os objetivos de aprendizados e conhecimentos. Educação Infantil Direitos de aprendizagem e desenvolvimento Campos de experiência www.soeducador.com.br 41 Educação infantil nos anos iniciais Na primeira etapa da Educação Básica e de acordo com os eixos que estruturam a Educação Infantil (interações e brincadeiras), é importante garantir seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento, consolidando para as crianças cenários de aprender e se desenvolver. Conviver Explorar Brincar Expressar Participar Conhecer-se Ponderando os direitos de aprendizado e desenvolvimento, a BNCC estabeleceu campos de experiência, aonde as crianças aprendem a se desenvolver. • O eu, o outro e o nós • Corpo, gestos e movimentos • Traços, sons, cores e formas • Oralidade e escrita • Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações Em cada campo de experiência, é estabelecido objetivos de aprendizagem e desenvolvimento que são estruturados em três grupos de faixas etárias. Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento www.soeducador.com.br 42 Educação infantil nos anos iniciais CRECHE PRÉ- ESCOLA Crianças de 0 a 1 e seis meses Crianças de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Crianças de 4 anos a 5 anos e 11 meses (EI01TS01) Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente. (EI02TS01) Criar sons com materiais, objetos e instrumentos musicais, para acompanhar diversos ritmos de música. (EI03TS01) Utilizar sons produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas. Cada objetivo de aprendizagem e desenvolvimento é identificado por um código alfanumérico que será explicado logo abaixo: EI02TS01 EI – O primeiro par de letras indica a etapa de Educação Infantil 02 – O primeiro par de números indica o grupo de faixa etária: 01 = zero a 1 ano e 6 meses 02 = 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses 03 = 4 anos a 5 anos e 11 meses TS – O segundo par de letras indica o campo de experiencia: EO = O eu, o outro e o nós CG = Corpo, gestos e movimento TS = Traços, sons, cores e formas OE = Oralidade e escrita ET = Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações www.soeducador.com.br 43 Educação infantil nos anos iniciais 01 – O último par de números indica a posição da habilidade na numeração sequencial do campo de experiencia para cada grupo/faixa etária. Então, o código apresentado EI02TS01 faz menção ao primeiro objetivo do aprendizado e desenvolvimento proposto no campo de experiencia Traço, sons, cores e formas para as crianças de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses. 5.4 Campos de Experiência da Educação Infantil Agora que já conhecemos como é definidos os campos de experiencia em cada uma das fases da Educação Infantil, abordaremos neste contexto objetivos de aprendizado e desenvolvimento conforme cada faixa etária e campos de experiências para cada uma das fases. 5.4.1 Campo de Experiência: O eu, o outro e o nós OBJETIVOS DE APRENDIZADO E DESENVOLVIMENTO Crianças de 0 A 1 ano e 6 meses Crianças de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Crianças de 4 anos a 5 anos e 11 meses (EI01EO01) Perceber que suas ações têm efeitos nas outras crianças e nos adultos. (EI02EO01) Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos. (EI03EO01) Demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas tem diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir. (EI01EO02) Perceber as possibilidades e os limites de seu corpo nas brincadeiras e interações das quais participa. (EI02EO02) Demonstrar imagem positiva de si e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e desafios. (EI03EO02) Atuar de maneira independente, com confiança em suas capacidades, reconhecendo suas conquistas e limitações. (EI01EO03) Interagir com crianças da mesma faixa etária e adultos ao explorar materiais, objetos, brinquedos. (EI02EO03) Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa e adultos. (EI03EO03) Ampliar as relações interpessoais, desenvolvendo atitudes de participação e cooperação. www.soeducador.com.br 44 Educação infantil nos anos iniciais (EI01EO04) Comunicar necessidades, desejos e emoções, utilizando gestos, balbucios e palavras. (EI02EO04) Comunicar- se com os colegas e os adultos, buscando compreende-los e fazendo-se compreender. (EI03EO04) Comunicar suas ideias e sentimentos com desenvoltura a pessoas e grupos diversos. (EI01EO05) Reconhecer as sensações de seu corpo em momentos de alimentação, higiene, brincadeira e descanso. (EI02EO05) Habituar-se a práticas de cuidado com o corpo, desenvolvendo noções de bem-estar. (EI03EO05) Adotar hábitos de autocuidado, valorizando atitudes relacionadas a higiene, alimentação, conforto e cuidados com a aparência. (EI01EO06) Construir formas de interação com outras crianças da mesma faixa etária e adultos, adaptando-se ao convívio social. (EI02EO06) Respeitar regras básicas de convívio social nas interações e brincadeiras. (EI03EO06) Compreender a necessidade das regras no convívio social, nas brincadeiras e nos jogos com outras crianças. (EI01EO07) Demonstrar sentimentos de afeição pelas pessoas com as quais interage. (EI02EO07) Valorizar a diversidade ao participar de situações de convívio com diferenças. (EI03EO07) Manifestar oposição a qualquer forma de discriminação. (EI01EO08) Desenvolver confiança em si, em seus pares e nos adultos em situações de interação. (EI02EO08) Resolver conflitos nas interações e brincadeiras,com a orientação de um adulto. (EI03EO08) Usar estratégias pautadas no respeito mutuo para lidar com conflitos nas interações com crianças e adultos. 5.4.2 Campo de Experiencia: Corpo, gestos e movimentos OBJETIVOS DE APRENDIZADO E DESENVOLVIMENTO Crianças de 0 a 1 ano e 6 meses Crianças de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Crianças de 4 anos a 5 anos e 11 meses (EI01CG01) Movimentar as partes do corpo para exprimir corporalmente (EI02CG01) Apropriar- se de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si (EI03CG01) Movimentar-se de forma adequada ao interagir com colegas e adultos www.soeducador.com.br 45 Educação infantil nos anos iniciais emoções, necessidades e desejos. e nos jogos e nas brincadeiras. em brincadeiras e atividades. (EI01CG02) Ampliar suas possibilidades de movimento em espaços que possibilitem explorações diferenciadas. (EI02CG02) Explorar formas de deslocamento no espaço (pular, saltar, dançar), combinando movimentos e seguindo orientações. (EI03CG02) Criar movimentos, gestos, olhares, mimicas e sons com o corpo em brincadeiras, jogos e atividades artísticas, como dança, teatro e música. (EI01CG03) Experimentar as possibilidades de seu corpo nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes. (EI02CG03) Fazer uso de suas possibilidades corporais, ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes naturezas. (EI03CG03) Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em momentos de cuidado, brincadeiras e jogos, escuta e reconto de histórias, atividades artísticas, entre outras possibilidades. (EI01CG04) Participar do cuidado do seu corpo e da promoção do seu bem-estar. (EI02CG04) Demonstrar progressiva independência no cuidado do seu corpo. (EI03CG04) Demonstrar valorização das características de seu corpo nas diversas atividades das quais participa em momentos de cuidado consigo e com o outro. (EI01CG05) Imitar gestos, sonoridades e movimentos de outras crianças, adultos e animais. (EI02CG05) Deslocar seu corpo no espaço, orientando-se por noções como em frente, atrás, no alto, embaixo, dentro, fora etc. (EI03CG05) Criar com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos, sensações e emoções, tanto nas situações do cotidiano quanto com a música e em brincadeiras, dança, teatro. (EI01CG06) Utilizar os movimentos de preensão, encaixe e lançamento, ampliando suas possibilidades de manuseio de diferentes materiais e objetos. (EI02CG06) Desenvolver progressivamente as habilidades manuais, adquirindo controle para desenhar, pintar, rasgar, folhear, entre outros. (EI03CG06) Coordenar com precisão e eficiência suas habilidades motoras no atendimento a seus interesses e necessidades de representação gráfica. www.soeducador.com.br 46 Educação infantil nos anos iniciais 5.4.3 Campo de Experiência: Traço, sons, cores e formas OBJETIVOS DE APRENDIZADO E DESENVOLVIMENTO Crianças de 0 A 1 ano e 6 meses Crianças de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Crianças de 4 anos a 5 anos e 11 meses (EI01TS01) Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente. (EI02TS01) Criar sons com materiais objetos e instrumentos musicais, para acompanhar diversos ritmos de música. (EI03TS01) Utilizar sons produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas. (EI01TS02) Traçar marcas gráficas, em diferentes suportes, usando instrumentos riscantes e tintas. (EI02TS02) Utilizar diferentes materiais, suportes e procedimentos para grafar, explorando cores, texturas, superfícies, planos, formas e volumes. (EI03TS02) Expressar- se livremente por meio de desenho, pintura, colagem, dobradura e escultura, criando produções bidimensionais e tridimensionais. (EI01TS03) Utilizar materiais variados com possibilidades de manipulação (argila, massa de modelar), criando objetos tridimensionais. (EI02TS03) Expressar- se por meio de linguagens como a do desenho, da música, do movimento corporal, do teatro. (EI03TS03) Apreciar e participar de apresentações de teatro, música, dança, circo, recitação de poemas e outras manifestações artísticas. (EI01TS04) Explorar diferentes fontes sonoras e materiais para acompanhar brincadeiras cantadas, canções, músicas e melodias. (EI02TS04) Utilizar diferentes fontes sonoras disponíveis no ambiente em brincadeiras cantadas, canções, músicas e melodias. (EI03TS04) Reconhecer as qualidades do som (intensidade, duração, altura e timbre), utilizando-as em suas produções sonoras e ao ouvir músicas e sons. www.soeducador.com.br 47 Educação infantil nos anos iniciais (EI01TS05) Imitar gestos, movimentos, sons, palavras de outras crianças e adultos, animais, objetos e fenômenos da natureza. (EI02TS05) Imitar e criar movimentos próprios, em danças, cenas de teatro, narrativas e músicas. (EI03TS05) Reconhecer e ampliar possibilidades expressivas do seu corpo por meio de elementos da dança. 5.4.4 Campo de Experiencia: Oralidade e escrita OBJETIVOS DE APRENDIZADO E DESENVOLVIMENTO Crianças de 0 A 1 ano e 6 meses Crianças de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Crianças de 4 anos a 5 anos e 11 meses (EI01OE01) Reconhecer quando é chamado por seu nome e reconhecer o nome de pessoas com quem convive. (EI02OE01) Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos e necessidades, sentimentos e opiniões. (EI03OE01) Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivencias, por meio da linguagem oral e escrita (escrita espontânea), de fotos, desenhos e outras formas de expressão. (EI01OE02) Demonstrar interesse ao ouvir a leitura de poemas e a apresentação de músicas. (EI02OE02) Identificar e criar diferentes sons e reconhecer rimas e aliterações em cantigas de roda e textos poéticos. (EI03OE02) Inventar brincadeiras cantadas, poemas e canções, criando rimas, aliterações e ritmos. (EI01OE03) Demonstrar interesse ao ouvir histórias lidas ou contadas, observando as ilustrações e os movimentos de leitura do adulto-leitor (modo de segurar o portador e de virar as páginas). (EI02OE03) Demonstrar interesse e atenção ao ouvir a leitura de histórias e outros textos, diferenciando escrita de ilustrações, e acompanhando, com orientação do adulto- leitor, a direção da leitura (de cima para baixo, da esquerda para a direita). (EI03OE03) Escolher e folhear livros, procurando se orientar por temas e ilustrações e tentando identificar palavras conhecidas. (EI01OE04) Reconhecer elementos das ilustrações de histórias, (EI02OE04) Formular e responder perguntas sobre fatos da história narrada, identificando (EI03OE04) Recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e www.soeducador.com.br 48 Educação infantil nos anos iniciais apontando-os, a pedido do adulto-leitor. cenários, personagens e principais acontecimentos. encenações, definindo os contextos, os personagens, a estrutura da história, (EI01OE05) Imitar as variações de entonação e os gestos realizados pelos adultos ao ler histórias e ao cantar. (EI02OE05) Relatar experiencias e fatos acontecidos, histórias ouvidas, filmes ou peças teatrais assistidas, etc. (EI03OE05) Recontar histórias ouvidas para produção de reconto escrito, tendo o professor como escriba. (EI01OE06) Comunicar-se com outras pessoas usando movimentos, gestos, balbucios, fala e outras formas de expressão. (EI02OE06) Criar e contar histórias oralmente, com base em imagens ou temas sugeridos. (EI03OE06) Produzir suas próprias histórias, orais e escritas (escritas espontânea), em situações com função social significativa. (EI01OE07) Conhecer e manipular materiais impressos e audiovisuais em diferentes portadores (livro, revista, gibi, jornal, cartaz, CD, tablet, etc.). (EI02OE07) Manusear diferentes portadores textuais, demonstrando reconhecer seus usos sociais e suas características gráficas. (EI03OE07) Levantar hipóteses sobre gêneros textuais veiculados em portadores conhecidos, recorrendo a estratégias de observação gráfica e de leitura. (EI01OE08) Ter contato com diferentes gêneros textuais (poemas, fabulas, contos, receitas, quadrinhos, anúncios, etc.). (EI02OE08) Ampliar o contato com diferentes gêneros textuais (parlendas, histórias de aventura, tirinhas, cartazes de sala, cardápios, notícias, etc.). (EI03OE08) Identificar gêneros textuais mais frequentes, recorrendo a estratégias de configuração gráfica do portador e do texto e de ilustrações nas páginas. (EI01OE09) Ter contato com diferentes instrumentos e suportes de escrita. (EI02OE09) Manusear diferentes instrumentos e suportes de escrita para desenhar, traçar letras e outros sinais gráficos. (EI03OE09) Levantar hipóteses em relação á linguagem escrita, realizando registros de palavras e textos, por meio de escrita espontânea. 5.4.5 Campo de Experiência: espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. www.soeducador.com.br 49 Educação infantil nos anos iniciais OBJETIVOS DE APRENDIZADO E DESENVOLVIMENTO Crianças de 0 A 1 ano e 6 meses Crianças de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Crianças de 4 anos a 5 anos e 11 meses (EI01ET01) Explorar e descobrir as propriedades de objetos e materiais (odor, cor, sabor, temperatura). (EI02ET01) Explorar e descrever semelhanças e diferenças entre as características e propriedades dos objetos (sonoridade, textura, peso, tamanho, posição no espaço). (EI03ET01) Estabelecer relações de comparação entre objetos, observando suas propriedades. (EI01ET02) Explorar relações de causa e efeito (transbordar, tingir, misturar, mover e remover, etc.) na interação com o mundo físico. (EI02ET02) Observar, relatar e descrever incidentes do cotidiano e fenômenos naturais (luz solar, vento, chuva, etc.). (EI03ET02) Observar e descrever mudanças em diferentes materiais, resultantes de ações sobre eles, em experimentos envolvendo fenômenos naturais e artificiais. (EI01ET03) Explorar o ambiente pela ação e observação, manipulando, experimentando e fazendo descobertas. (EI02ET03) Compartilhar, com outras crianças, situações de cuidado de plantas e animais nos espaços da instituição e fora dela. (EI03ET03) Identificar e selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza, seus fenômenos, sua preservação. (EI01ET04) Manipular, experimentar, arrumar e explorar o espaço por meio de experiencias de deslocamentos de si e dos objetos. (EI02ET04) Identificar relações espaciais (dentro, fora; em cima, embaixo; acima, abaixo; entre e do lado) e temporais (antes, durante e depois). (EI03ET04) Registrar observações, manipulações e medidas, usando múltiplas linguagens (desenho, registro por números ou escrita espontânea), em diferentes suportes. (EI01ET05) Manipular materiais diversos e variados para comparar as diferenças e semelhanças entre eles. (EI02ET05) Classificar objetos, considerando determinado atributo (tamanho, peso, cor, forma, etc.). (EI03ET05) Classificar objetos e figuras, de acordo com suas semelhanças e diferenças. (EI01ET06) Experimentar e resolver (EI02ET06) Analisar situações-problema do cotidiano, levantando (EI03ET06) Resolver situações-problema, formulando questões, www.soeducador.com.br 50 Educação infantil nos anos iniciais situações-problema do seu cotidiano. hipóteses, dados e possibilidades de solução. levantando hipóteses, organizando dados, testando possibilidades de solução. (EI01ET07) Vivenciar diferentes ritmos, velocidades e fluxos nas interações e brincadeiras (em danças, balanços, escorregadores, etc.) (EI02ET07) Utilizar conceitos básicos de tempo (agora, antes, durante, depois, ontem, hoje, amanhã, lento, rápido, depressa, devagar). (EI03ET07) Relatar fatos importantes sobre seu nascimento e desenvolvimento, a história dos seus familiares e da sua comunidade. (EI02ET08) Contar oralmente objetos, pessoas, livros, etc., em contextos diversos. (EI03ET08) Relacionar números ás suas respectivas quantidades e identificar o que vem antes, depois e entre uma sequência. (EI02ET09) Registrar com números a quantidade de crianças (meninas e meninos, presentes e ausentes) e a quantidade de objetos da mesma natureza (bonecas, bolas, livros, etc.). (EI03ET09) Expressar medidas (peso, altura, etc.), construindo gráficos básicos. 5.5 A mudança da Educação Infantil para o Ensino Fundamental Fonte: Canguru News www.soeducador.com.br 51 Educação infantil nos anos iniciais Além de ser uma fase muito importante para o desenvolvimento da criança, essa transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental requer bastante atenção, pois para que se possa garantir a integração e continuidade dos processos de aprendizagem, deve-se respeitar a singularidade e a diferença que elas irão estabelecer com os conhecimentos e assim adquirir um equilíbrio. É necessário estabelecer estratégias voltadas ao acolhimento e adaptação sejam para as crianças ou para os docentes, construindo através dessa atividade uma base sobre o que a criança é que capaz de fazer e em uma perspectiva dar continuidade ao seu trajeto educativo. Informações contidas em relatórios, portfolios, ou qualquer outro registro aonde sejam evidenciados os processos vividos pelas crianças ao longo de toda sua trajetória na Educação Infantil, contribuem consideravelmente na compreensão de trajetória da vida escolar de cada um. É importante salientar que visitas, troca de materiais e informações entre professores do infantil com os do fundamental se tornam essenciais para facilitar a inserção dessas crianças nessa nova fase. Superar os desafios nessa fase de transição é indispensável para que haja um equilíbrio nessas mudanças introduzidas e continuidade no aprendizado e acolhimento, de forma que essa nova etapa seja construída baseado no que o educandos sabem e são capazes de fazerem, evitando que o trabalho seja fragmentado ou descontinuado. A BNCC traz sínteses de aprendizado esperados para que as crianças saiam do ensino infantil em condições favoráveis para esses novos campos de experiencia, essas sínteses são compreendidas como elementos demarcadores de objetivos que devem ser explorados em todo o segmento da Educação Infantil, tendo em vista que serão estendidos e estudados no Ensino Fundamental, e não apenas como uma condição ou um pré-requisito para a entrada do Ensino Fundamental. SINTESE DAS APRENDIZAGENS PARA A TRANSIÇÃO AO www.soeducador.com.br 52 Educação infantil nos anos iniciais ENSINO FUNDAMENTAL O eu, o outro e o nós ✓ Respeitar e expressar sentimentos e emoções, atuando com progressiva autonomiaemocional. ✓ Atuar em grupo e demonstrar interesse em construir novas relações, respeitando a diversidade e se solidarizando com os outros. ✓ Agir com progressiva autonomia em relação ao próprio corpo e ao espaço que ocupa, apresentando independência e iniciativa. ✓ Conhecer, respeitar e cumprir regras de convívio social, manifestando respeito pelo outro ao lidar com conflitos. Corpo, gestos e movimentos ✓ Reconhecer a importância de ações e situações do cotidiano que contribuem para o cuidado de sua saúde e a manutenção de ambientes saudáveis. ✓ Apresentar autonomia nas práticas de higiene, de alimentação, de vestir-se e no cuidado com seu bem-estar, valorizando o próprio corpo. ✓ Utilizar o corpo intencionalmente (com criatividade, controle e adequação) como instrumento de interação com outro e com o meio. ✓ Coordenar suas habilidades psicomotoras finas. Traços, sons, cores e formas ✓ Discriminar os diferentes tipos de som e ritmo e interagir com a música, percebendo-a como forma de expressão individual e coletiva. ✓ Reconhecer as artes visuais como meio de comunicação, expressão e construção do conhecimento. ✓ Relacionar-se com o outro empregando gestos, palavras, brincadeiras, jogos imitações, observações e expressões corporais. www.soeducador.com.br 53 Educação infantil nos anos iniciais ✓ Recriar a partir de imagens, figuras e objetos, usando materiais simples e ensaiando algumas produções expressivas. Oralidade e escrita ✓ Expressar ideias, desejos e sentimentos em distintas situações de interação, por diferentes meios. ✓ Argumentar e relatar fatos oralmente, em sequência temporal e causal, organizando e adequando sua fala ao contexto em que é produzida. ✓ Ouvir, compreender, contar, recontar e criar narrativas. ✓ Conhecer diferentes gêneros e portadores textuais, demonstrando compreensão da função social da escrita e reconhecendo a leitura como fonte de prazer e informação. Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações ✓ Identificar, nomear adequadamente e comparar as propriedades dos objetos, estabelecendo relações entre eles para a formulação, o raciocínio e a resolução de problemas. ✓ Interagir com o meio ambiente e com fenômenos naturais ou artificiais, demonstrando atitudes de investigação, respeito e preservação. ✓ Utilizar vocabulário relativo às noções de grandeza (maior, menor, igual, etc.), espaço (dentro e fora) e medidas (comprido, curto, grosso, fino) como meio de comunicação de suas experiencias. ✓ Resolver, criar e registrar situações-problema do cotidiano e estratégias de resolução. ✓ Utilizar unidades de medida (dia e noite, dias, semanas, meses, anos) e noções de tempo (presente, passado, futuro; antes, agora, depois), para responder a necessidades e questões do cotidiano. ✓ Identificar e registrar quantidades por meio de diferentes formas de representação (contagens, www.soeducador.com.br 54 Educação infantil nos anos iniciais desenhos, símbolos, escrita de números, organização de gráficos básicos, etc.). www.soeducador.com.br 55 Educação infantil nos anos iniciais 6.0 O desenvolvimento psicomotor e sua importância para o aprendizado no ambiente escolar em crianças com 2 e 4 anos. O desenvolvimento psicomotor apesar de estar atualmente embasada nos estudos de psicologia do desenvolvimento (ramo que busca compreender os processos de transição pelos quais os seres humanos passam ao longo da vida), ela é de grande importância para compreender os modos de interação do homem com o meio ao qual ele vive. Alves (2012), afirma que o movimento é o meio pelo qual há a interação e a atuação da criança com o mundo exterior. Cada fase de desenvolvimento psicomotor, vão se desenvolvendo movimentos e aperfeiçoando de acordo com as necessidades apresentadas ao meio em que ela vive. O objetivo é que ela se torne um ser único, social e integral e para que isso ocorra, é necessário o desenvolvimento de capacidades motoras, intelectuais e afetivas. Todo psicólogo do desenvolvimento leva em conta que cada criança tem sua forma de ser no mundo e sua individualidade, que deve ser respeitado. É muito comum, encontrar na escola alunos que apresentam distúrbios de aprendizagem, déficits e etc., que afetam diretamente o desenvolvimento escolar e social. Entenda que nem sempre os distúrbios estarão associados a problemas neurológicos, graças a estudos é possível compreender a relação entre desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Sendo um tipo de aprendizagem que só é efetivada a partir das experiencias do sujeito, o desenvolvimento psicomotor é observado a partir das fases aonde a criança aprende a andar (desenvolvimento motor). Todas essas experiencias devem ser exploradas e aproveitadas, garantindo a criança um diversificado e que estimule o seu desenvolvimento. Muitos profissionais tem dificuldade no desenvolvimento de trabalhos em ambiente escolar de forma adequada às atividades psicomotoras e a aprendizagem na Educação Infantil. (Martinez, Peñalver e Sánchez, 2003). Sabemos que o ambiente escolar é um dos principais lugares onde a criança se desenvolve, o espaço www.soeducador.com.br 56 Educação infantil nos anos iniciais para que ocorra essa interação com o meio e a as pessoas faz toda a diferença quanto ao contexto de observação às estratégias de adaptação das crianças e o método utilizado pra se desenvolver no meio ao qual está inserido. Hoje a psicomotricidade é um fator indispensável seja ao desenvolvimento geral ou a aprendizagem da criança. É um gesto simples, mas que está presenta em todas as atividades, sejam as mais simples às mais complexas. O principal objetivo é através do conhecimento obter o domínio do próprio corpo. Alves, 2012, afirma o seguinte: o processo de aprendizagem na Educação Infantil tem como base a educação psicomotora; por isso, a raiz dos problemas de aprendizagem, na maioria dos casos, está na base do desenvolvimento psicomotor. 6.1 Desenvolvimento psicomotor A compreensão de desenvolvimento é ligada á evolução continuada, que nem sempre se apresenta de forma linear e é composta por vários aspectos, sejam de origem afetiva, cognitivo, motor ou social. Ela não deve ser vista apenas como um processo de estrutura biologica, por um meio de cultura, sociedade, interações e praticas que dão maior importancia ao desenvolvimento humano. (Passos e Rabelo, s/d.) Ariole (2007), destaca que o desenvolvimento psíquico da criança se inicia com a inserção dela ao mundo, ou seja, sua própria convivência com outras pessoas, em especial os seus pais, fazem influencias contundentes de cunho sócio-histórica, cultural, econômica e política. Nesse processo de apropriação são formadas funções e habilidades inatas ou não, que a partir do estimulo serão desenvolvidas de acordo com as características biológicas de cada ser e da sua relação com o ambiente ao qual vive. Já Silva (2010), relata que a psicomotricidade é a relação entre a motricidade, cognição e afetividade. É a ciência que a educação objetiva educar e desenvolver, realizando funções de inteligência, como estudar o homem pelo seu corpo através do movimento, seja em relação ao seu ambiente ou a em relação a si próprio, seja nos gestos mais simples ou naqueles em que tem haver um domínio sobre o próprio corpo. www.soeducador.com.br 57 Educaçãoinfantil nos anos iniciais Alves (2012), diz que para compreender o desenvolvimento psicomotor é necessário ressaltar que cada criança é única, tendo seus próprios objetivos. As fases de desenvolvimento são comuns a todos, mas em relação a aspectos físicos, afetivos, meio social e o ambiente familiar vai variar de acordo com cada criança. Um exemplo é que crianças de mesma idade apresentam comportamentos totalmente diferentes independentes de estarem no mesmo ambiente. No trabalho da psicomotricidade, o professor precisa entender que ele é o principal facilitador no processo de desenvolvimento da capacidade de aprender, ofertando tempo adequado para que a criança faça as suas próprias descobertas, proporcionando vivencias concretas sobre o próprio corpo. Silva (2010), relata que o corpo tem três fases para chegar à perfeição. Primeiro, o corpo é percebido; segundo, é conhecido e em terceiro ele é vivido. Fonseca (2009) nos trouxe uma escala do desenvolvimento psicomotor, evidenciando as principais características de cada fase de crianças dos 2 aos 4 anos. Segue quadro abaixo: AOS 2 ANOS AOS 3 ANOS AOS 4 ANOS Chuta uma bola, explora intencionalmente os brinquedos, faz traços horizontais, utiliza frase de pelo menos quatro palavras, consegue abrir uma porta e/ gaveta, ajuda ativamente a se vestir ou a se despir, consegue juntar brinquedos de encaixe, imita movimentos verticais e horizontais. Prevalece a vontade de se afirmar; geralmente nessa fase a criança expressa interesse em atividades em que é solicitada que faça desenhos; brinca com outras crianças e já assume papeis na brincadeira, apresenta uma melhor percepção do espaço, equilibra-se em um pé e na ponta dos pés por um pequeno período de tempo, controla-se em equilíbrio com os olhos fechados, coordena a marcha e a corrida, demonstra o domínio da coordenação motora grossa. Nessa fase, já consegue desenvolver atividades como segurar o lápis na posição correta e pedalar; demonstra interesse pelos sentimentos das pessoas que estão ao seu redor, como, por exemplo, perceber que sua mãe está triste e tentar confortá-la; consegue fazer desenhos do corpo e de casas, apresenta noção em relação ao corpo, sobe e desce escadas alternadamente, sabe seu nome completo, sexo, idade e, em alguns casos, o endereço; sabe esperar sua vez. www.soeducador.com.br 58 Educação infantil nos anos iniciais 6.2 A Psicomotricidade no contexto escolar A base educacional para toda e qualquer criança é a psicomotricidade. O período da Educação Infantil tem seu objetivo voltado a auxiliar a criança a atingir uma percepção adequada sobre si mesma. Ela precisa entender quais são suas limitações e possibilidades, para nesse contexto ter liberdade no processo de aperfeiçoamento das capacidades motoras. Essa interação que acontece com a psicomotricidade e a aprendizagem cria na criança possibilidades que vão ajudar no seu desenvolvimento motor e no conhecimento do próprio corpo gerando uma autonomia para exploração do ambiente ao qual ela está exposta. A psicomotricidade entente que a aprendizagem tem diversos fatores, sejam de ordens físicas ou psíquicas, sociais e que não atuam separadamente, mas de forma conjunta. (Silva, 2010) Pereira e Calsa (2009), relatou que as práticas psicomotoras estão sendo utilizadas apenas como uma via alternativa pelas escolas, que estão encaliçadas com o comportamento motor, fixado a partir de movimentos mecânicos e sem aparente sentido. Nós educadores, estamos preocupados em apenas distribuir as habilidades de coordenação motora, discriminação visual e organização espacial. Estamos presos a processos educacionais tradicionais, voltado ás quatro paredes da sala de aula e deixando de lado a interação seja com pessoas ou com o ambiente ao nosso redor, restringindo novas oportunidades e que caminhos para novos saberes. Todos os educadores sabem a devida importância que o desenvolvimento psicomotor e a aprendizagem têm no desenvolvimento educacional da criança, contudo, ainda existem muitas escolas que utilizam metodologias mecanicistas no que diz respeito as práticas educacionais na Educação Infantil, utilizando de forma errônea e prejudicando o desenvolvimento daquilo que é base para as séries seguintes. Todo esse trabalho psicomotor, é um processo de acompanhamento com a criança em seu próprio percurso de desenvolvimento, englobando atividades motoras, cognitivas e afetivas. Essas práticas respeitam potencialidades e direito de lugar na sociedade. A crianças tem vários caminhos para se expressar www.soeducador.com.br 59 Educação infantil nos anos iniciais através da comunicação, interação, expressão e criatividade, auxiliando nas relações de aprendizagem. (Martinez, Peñalver e Sánchez,2003) Fonte: Aluno On Fonte: PROJAB É fundamental que os professores utilizem praticas psicomotoras no processo de aprendizagem com os seus alunos, por exemplo, o esquema de desenvolvimento corporal, da lateralidade, de estruturação espacial, orientação espacial e pré-escrita. Contudo, essas práticas sendo utilizadas de forma errônea, que acontece frequentemente, pode causar danos na aprendizagem e no desenvolvimento, com alta probabilidade de problemas na escrita, na diferenciação e reconhecimento de letras, na relação com o outro e com o meio ao qual está inserido. Para Silva (2010), esse desenvolvimento só é possível se o professor estiver atento a cada uma das fases de desenvolvimento da criança, para que www.soeducador.com.br 60 Educação infantil nos anos iniciais assim ele possa assumir um papel de facilitador, sendo baseado no respeito, confiança e afeto mutuo. Segundo Bae (2003), é fácil perceber como a interação entre meio social e objetos é importante para o desenvolvimento psicomotor da criança. É normal observamos que a criança quando inicia os seus estudos, no primeiro dia de aula ela chegue chorando, tenha um repertorio de palavras bem reduzido e com a coordenação motora e corporal bem reduzida, mas com o passar do tempo, poderá ser observado que ela já passa a interagir com os colegas, vai expandindo seu repertório de palavras com músicas e diálogos e também já tem um desenvolvimento da coordenação motora a partir do uso de atividades. Observamos que muitos são os benefícios do desenvolvimento psicomotor dentre do aspecto escolar, seja ela de cunho educacional ou social. É necessário que haja práticas orientadoras através e cada professor para que haja interação de forma correta durantes as práticas educacionais e que o respeito junto ao conhecimento seja a sua base de trabalho. www.soeducador.com.br61 Educação infantil nos anos iniciais 7.0 O uso de jogos e brincadeiras no processo de aprendizagem e desenvolvimento Um dos pioneiros na educação a ver infância como a fase decisiva na formação de pessoas, o alemão Friedrich Froebel (1782-1852), popularmente conhecido como o “educador das crianças”, viveu em uma época ao qual grandes mudanças ocorreram a respeito do processo pedagógico, sendo o fundador dos jardins de infância. Jogos, brincadeiras e brinquedos, utilizados no cotidiano de uma brinquedoteca, deve-se muito a Froebel, pois ele sempre afirmou serem os primeiros recursos no processo de aprendizagem e não apenas um objeto para diversão. Para Froebel, os jogos de construção têm a finalidade de trazer decomposição e recomposição, ou seja, a manipulação e a expressão desses materiais são indissolúveis. É através do meio de explorar tais objetos de forma livre e espontânea que a criança cria seus próprios jogos. Fonte: Aubicon O jogo constitui o mais elevado grau de desenvolvimento de qualquer criança, é uma manifestação de cunho espontâneo e natural do mundo, www.soeducador.com.br 62 Educação infantil nos anos iniciais provocada por uma necessidade de brincar, já que quando a criança brinca, ela se sente imersa em um mundo de alegria, contentamento, paz e harmonia provocada pelo simples fato de “brincar”. (Froebel, 2001) De acordo com Veiga (2000), Froebel geral duas orientações, sendo elas o brincar livre, destinado a socialização, e o brincar dirigido, voltado para o ensino. Considera-se por Froebel (2001), dois tipos de jogos: 1. Atividades simbólicas e imitativas que é desenvolvida de forma espontânea e livre, com destino á socialização, como brincadeiras de faz de conta; 2. Os dons e ocupações: entre eles estão os jogos de construção, como objetos geométricos (bola, cilindro, cubo, triangulo, esfera, blocos de construção, anéis, argila, desenhos e dobraduras. Apesar dos tipos representativos, renderem avanço pedagógico percebemos que as atividades definidas e utilizadas por Froebel, são dirigidas e controladas, já que são previamente elaboradas pelo professor, a fim de atingir determinado objetivo educativo. Essa proposta pode ter sido a solução encontrada por muitos educadores diante da dúvida de como utilizar pedagogicamente essas atividades, tendo em vista que nem sempre é fácil utilizar o lúdico ao pedagógico. Através do jogo a criança é capaz de demonstrar o que pensa. Pois há uma grande liberdade de expressão, possibilitando a representação de coisas significativas. A educação eficiente é aquela que proporciona autoexpressão e participação social. Então, o educador que utiliza jogos, brinquedos e brincadeiras, como forma de arte, utiliza um instrumento que promove e facilita a educação. Froebel defende uma ideia que todo professor deve explorar a capacidade da criança criar, permitindo atividade espontâneas e prazerosas. Tudo isso começa a partir de objetos do próprio cotidiano, pois a criança vai adequando significados e representações no seu imaginário para si mesma. O brincar por si www.soeducador.com.br 63 Educação infantil nos anos iniciais só já representa, prazer, autodeterminação, seriedade, expressão de necessidades e tendencias internas. “A criança não é uma argila, moldável: é uma força mágica dotada de movimento, de resistência de uma certa autonomia”. (Brougére 1998, p.63) Percebemos assim que através de atividade lúdicas, as crianças conseguem expressar, criar e trocar informações sejam com adultos ou crianças e ainda podemos trabalhar a cooperação. Todo educador deve estar preparado e sempre avaliando seus conceitos a respeito das atividades propostas, garantindo espaços que permitam a expressão de sua fala e seu ponto de vista. Leontiev (2001), declara que a brincadeira não é só uma atividade intuitiva da criança, a brincadeira é objetiva, pois a criança se apropria de um mundo real para os seres humanos, ou seja, a brincadeira é uma fantasia, uma imaginação (componente indispensável durante a infância), com a missão de criar um mundo diferente dos adultos, possibilitando uma maior propiciação dela. A brincadeira é uma atividade fundamental na idade pré-escolar, já que provoca revoluções no desenvolvimento infantil. A propiciação dessas ideias e desses materiais tomou diferentes caminhos, levando até a uma mecanização dos jardins de infância. Entendemos que na brinquedoteca, em casa, na rua, na escola ou em qualquer ambiente que seja possível tal tipo de atividade, ela se torna automaticamente de cunho educativo, obtendo um papel importante no desenvolvimento infantil. Kishimoto (2005), declara que quando permitimos a ação intencional, a construção de representações mentais, a manipulação de objetos e o desempenho de ações sensório-motoras e troca de interações, complementamos as formas de representação da criança e suas inteligências múltiplas. 7.1 Brinquedoteca Escolar: Ferramenta de ludicidade Os objetivos que compõem a utilização de uma brinquedoteca no âmbito escolar são: ✓ Promover prazer www.soeducador.com.br 64 Educação infantil nos anos iniciais ✓ Desenvolver a mente ✓ Brincar livre ✓ Soltar a imaginação ✓ Desenvolver a criatividade ✓ Promover aprendizagem ✓ Viver a emoção ✓ Promover a socialização ✓ Viver magias Apesar de ser uma proposta advinda de algumas décadas, ela é considerada por muitos como modismo, principalmente quando não está associada a escola. A brinquedoteca tem o cunho de melhorar a aprendizagem da criança, principalmente na Educação Infantil. A brinquedoteca originou-se em Los Angeles, pela proposta advinda de Toy Loan em 1934, que era onde emprestava-se brinquedos. Em 1963, é que foi feita uma proposta, mas especifica, em Estocolmo, na Suécia. Mas apenas em 1987, umas duas décadas depois é que foi realmente ganhado uma expansão, em Toronto, no Canadá, através de um congresso internacional sobre a questão que gerou a proposta do Centro de Recursos para a Família. No Brasil, iniciou-se em 1971, com a inauguração da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), a proposta era expor brinquedos pedagógicos, somente em 1973 é que foi gerado um rodizio de brinquedos chamado de Ludoteca. Em 1981 surgiu a primeira brinquedoteca brasileira, em São Paulo, com o objetivo de as crianças brincarem. Já em 1984, foi criada a Associação Brasileira de Brinquedoteca (ABBri), com o único objetivo de criar espaços aonde as crianças brincassem livremente sem haver regras impostas pelos adultos. Hoje em dia as brinquedotecas já funcionam em: ✓ Espaços escolares e não escolares ✓ Ambientes hospitalares e clinicas ✓ Ambientes comunitários e socioeducativos ✓ Ambientes universitários ✓ Em centros culturais www.soeducador.com.br 65 Educação infantil nos anos iniciais Todos eles com o intuito de garantir com que a criança possa brincar sejam com jogos ou brincadeiras, ofertando espaço adequados e materiais para cada faixa etária. Além de ser uma questão cientifica, ela está focada na educação. Os projetos de brinquedotecas visam um espaço especifico no âmbito escolar, visando através do projeto da escola, ser desenvolvidas atividades recreativas e educativas, utilizando brinquedos e jogos infantis como uma ferramenta pedagógica, estimulando a aprendizagem de forma prazerosa, criativa, imaginaria e de fácil socialização. Fonte: Biancogres As brinquedotecas,apesar de estarem em ambientes distintos, atendem a um público diversificado, mantendo os mesmos objetivos e propostas: sendo a socialização por meio da brincadeira, utilizando espaços coloridos, alegres e diferentes onde jovens e adultos possam soltar a sua imaginação sem o receio de serem punidos ou cobrados. (Flor,2018) www.soeducador.com.br 66 Educação infantil nos anos iniciais 7.2 Proposta de Brinquedoteca na escola A proposta é baseada em criar um espaço onde as crianças possam ter uma convivência e obter conhecimentos através de atividades lúdicas utilizando jogos e brincadeiras, de forma livre e planejada pelos professores. Podem ser utilizadas tanto no âmbito infantil como no fundamental. Espaço físico • Ambiente fixo • Dimensão de no mínimo (4,5m x 9m) • Acesso adequado ao público • Iluminação • Refrigeração • Mobilidade adequada Estrutura da Brinquedoteca É sugerido os seguintes espaços: • Cantinho da leitura e atividades de artes • Cantinho do faz de conta • Cantinho dos jogos • Cantinho dos brinquedos e das brincadeiras 7.2.1 Cantinho da leitura e atividades de artes Deve ser desenvolvida nesse espaço atividades de leitura ou contação de histórias, também atividades de artes como desenho livre, pintura de desenhos impressos, manipulação com massinhas, elaboração de brinquedos de encaixe e desenvolver artes temáticas. www.soeducador.com.br 67 Educação infantil nos anos iniciais Fonte: Educador – UOL 7.2.2 Cantinho do faz de conta Nesse local os recursos devem ser bastante diferentes, e estimular o uso da criatividade através da imaginação tanto das crianças como dos que a estarão acompanhando. De haver a promoção de diversas brincadeiras através do lúdico, gerando aprendizado e entendimento, como também desenvolver o senso crítico e criativo das crianças. Der ter neste local brinquedos do dia a dia como mesa de passar roupas, um mini mercadinho, uma minicozinha e etc., pode também ser utilizados prateleiras para colocar objetos de cunho pessoal como chapéu, bolsa, óculos, kit de maquiagem e etc. Fonte: Gestão Escolar Atenção! As prateleiras devem ficar em uma altura adequada á faixa etária das crianças para melhor acesso aos livros e materiais lúdicos. www.soeducador.com.br 68 Educação infantil nos anos iniciais 7.2.3 Cantinho dos jogos Nesse ambiente as crianças devem praticar o brincar de forma livre e espontânea, sendo individual ou em grupo, desenvolvendo pontos de vistas e aprendendo a aceitar regras e opiniões de colegas, tomando iniciativas e decisões. Fonte: Inovar 7.2.4 Cantinho dos brinquedos e das brincadeiras Os brinquedos utilizados nesse ambiente estarão em brincadeiras com arranjos de forma grupal ou individual, propondo exercícios de interação social, desenvolvimento de ações disciplinares e éticas nas relações sociais, promovendo muita diversão. Como sugestão, segue o quadro abaixo: • 3 cones e 30 argolas de plástico (lançamento de argolas no cone) • 3 cestos e 30 bolinhas de plásticos (lançamento de bolinhas no balde) www.soeducador.com.br 69 Educação infantil nos anos iniciais • 10 bambolês de plástico com diversas cores e suporte de parede • Tiro ao alvo afixado na parede para arremesso de dardos Toda escola juntamente com os professores deve definir Regras de Funcionamento e Recursos Humanos para uso e operacionalização da brinquedoteca. Dentre elas: ✓ Contratar um educador de apoio e para responder pela brinquedoteca e cuidar dela. ✓ Elaborar um banner com “combinados para o uso” e fixa-lo na porta de entrada da respectiva brinquedoteca. ✓ Monitorar o acesso dos professores segundo agendamento. ✓ Não quebrar os brinquedos nem levar para casa os objetos e recurso da brinquedoteca. ✓ Deixar os brinquedos e recursos organizados após a utilização. ✓ Respeitar o espaço do outro nas brincadeiras individuais e coletivas. ✓ Compartilhar o uso dos brinquedos e objetos de uso comum. ✓ Os funcionários da referida escola devem efetuar a limpeza do ambiente. www.soeducador.com.br 70 Educação infantil nos anos iniciais 8.0 Anos iniciais do Ensino Fundamental Conforme a Lei n. 11.274 de 06 de fevereiro de 2006, que apenas em 2010 foi estabelecida, define a entrada das crianças de seis anos de idade em todas as redes educacionais do país. A inclusão dessas crianças concretiza o preceito legal de ampliar de oito para nove anos o Ensino Fundamental, único nível de ensino de matrícula obrigatória no país. Ao ter sua duração ampliada, o Ensino Fundamental passou a acolher, principalmente, uma parcela da população brasileira que não encontrava vagas na rede pública de educação infantil e que não podia arcar com o custo de uma educação privada. Ainda que se considere a expansão das vagas como condição fundamental para a garantia do direito à educação, é no âmbito das práticas pedagógicas que a instituição educativa pode tornar-se ela mesma expressão ou não desse direito. Para que esse direito se cumpra, portanto, e para que se configure como promotor de novos direitos, o acesso das crianças às instituições educativas e sua permanência nelas devem consolidar-se como direito ao conhecimento, à formação integral do ser humano e à participação no processo de construção de novos conhecimentos. A concretização dessa prática comprometida com o direito ao pleno desenvolvimento humano implica um conjunto de desafios a serem superados tanto do ponto de vista das próprias crianças quanto daqueles responsáveis pela sua efetivação: professores e demais profissionais da educação, gestores dos sistemas e das escolas, e pesquisadores. Tais desafios vão desde a adequação de espaços físicos, garantia de materialidade adequada, adaptação dos instrumentos de registro, das normatizações; mas, sobretudo se relacionam à perspectiva pedagógica. Antes da análise e reflexão acerca dos diferentes aspectos presentes em cada um desses desafios, é importante ressaltar que todos eles são tributários da concepção de criança a partir da qual se constroem os pilares da ação educativa. Uma prática educativa de qualidade exige, portanto, que se considere a criança como eixo do processo e considere as diferentes dimensões de sua formação. Requer, portanto, que se leve em conta a concepção de infância que se encontra subjacente às práticas e ações educativas. www.soeducador.com.br 71 Educação infantil nos anos iniciais Atualmente, a partir da contribuição de diferentes áreas do conhecimento humano, tem-se construído um consenso em torno da ideia de que a infância, tal como a conhecemos hoje, não é um fenômeno natural e universal, mas sim, o resultado de uma construção paulatina das sociedades moderna e contemporânea. A infância deixou de ser compreendida como uma “pré” etapa da fase adulta, passando a ser identificada como um estado diferenciado. Assim, ao mesmo tempo em que se reconhece que a definição de infância é tributária do contexto histórico, social e cultural no qual se desenvolve, admite-se a especificidade que a constitui como uma das fases da vida humana. Esse reconhecimento da especificidade da infância possibilitou avanços desde a perspectiva do desenvolvimento infantil, ou seja, de comoas crianças compreendem o mundo e buscam dele se apropriar. Nessa perspectiva e durante um largo período, as investigações psicológicas se ocuparam em descrever e compreender os aspectos que caracterizavam e tornavam específica essa etapa de vida, enfatizando a gênese das funções psíquicas e considerando os processos vividos na infância como condição estruturante da vida mental do adulto. Piaget, como um dos eminentes teóricos da psicogênese, afirmava que suas investigações, ao analisarem os comportamentos infantis, tinham como objetivo principal investigar não a compreensão do conhecimento no seu estado final, mas sim, na sua gênese e no seu processo de construção. Assim como Piaget, Vygotsky também deu importância ao papel do sujeito na aprendizagem. Entretanto, se para o primeiro os suportes biológicos que fundamentam sua teoria dos estados universais receberam maior destaque, para o segundo a interação entre as condições sociais na transformação e os substratos do comportamento humano foram os elementos fundamentais para sua teoria sobre o desenvolvimento humano. As interações sociais, para Vygotsky, ocupam a centralidade do processo de desenvolvimento do sujeito e são percebidas como constitutivas da sua identidade. Para esse teórico, o funcionamento psicológico fundamenta-se nas relações sociais do indivíduo com o meio, mediadas por outros indivíduos, num processo histórico. Ou seja, é imerso na trama das relações sociais que o indivíduo vai se constituindo, através da carga de valores, conceitos, preconceitos e teorias constantemente reelaborados e internalizados. www.soeducador.com.br 72 Educação infantil nos anos iniciais Entretanto, o fato de reconhecermos a infância como uma construção social, o que nos possibilitou conhecer melhor as crianças e suas formas de interagir com o mundo, não pode significar a compreensão da infância como um universo isolado, como se adultos e crianças não compartissem práticas culturais comuns. As crianças, como atores sociais de pleno direito, participam efetivamente do contexto social no qual estão inseridas e interagem com os signos e símbolos construídos socialmente, assim como constroem novos signos e símbolos a partir dessa interação: As culturas infantis não nascem no universo simbólico exclusivo da infância, este universo não está fechado – muito pelo contrário, é mais que qualquer outro, extremamente permeável - tampouco está distante do reflexo social global. A interpretação das culturas infantis, em síntese, não pode realizar- se no vazio social, e necessita sustentar-se na análise das condições sociais nas quais as crianças vivem, interagem e dão sentido ao que fazem (PINTO & SARMENTO, 1997, p. 22). O que importa destacar é que o reconhecimento da especificidade da infância, como esperamos ter assinalado, não pode significar seu isolamento diante dos demais grupos sociais. Se o estatuto de ator social é conferido aos seres humanos tendo em conta sua capacidade de interagir em sociedade e de atribuir sentido a suas ações, então, reconhecer a infância como uma construção social da qual participam as crianças como atores sociais de pleno direito implica considerar sua capacidade de produção simbólica, de representações e crenças em sistemas organizados. É na inter-relação com as outras culturas que a cultura infantil se constitui como tal. Nesse sentido, se pode afirmar que as crianças são sujeitas e capazes de interagir com os signos e símbolos construídos socialmente, bem como de atribuir distintos significados a partir dessa interação. Por tudo que argumentamos até aqui, gostaríamos de salientar que nove anos de escolaridade obrigatória devem significar a ampliação do direito à educação não apenas quantitativamente – mais crianças na escola e mais anos de escolarização para cada uma delas – mas, sobretudo, qualitativamente – mais crianças, por mais tempo, em uma escola de qualidade. Uma escola que respeite as crianças e que lhes assegure o tempo da infância. A discussão sobre as práticas educativas a serem desenvolvidas nos primeiros anos do Ensino Fundamental de nove anos de duração deve, pois, www.soeducador.com.br 73 Educação infantil nos anos iniciais responder ao desafio de assegurar uma educação de qualidade para nossas crianças. 8.1 Aprendizagem Hoje a escola básica brasileira encontra-se em uma nova etapa. Depois de passados 36 anos da promulgação da Constituição Federal, e 28 anos da aprovação da LDB, vivemos um momento em que se apresentam novos desafios aos educadores, mas, por outro lado, ainda não foi possível superar muitos dos velhos problemas que sempre afligiram a educação no país. As mudanças – como a expansão da Educação Infantil, a inclusão das crianças de seis anos na escola obrigatória e a extensão do Ensino Fundamental para nove anos – somam-se a desafios não superados; heranças de tempos passados; as taxas de repetência mais altas da América Latina; as alfabetizações mal sucedidas de alunos com acesso à escola, mas sem acesso à aprendizagem; a falta de integração entre a pré-escola e as primeiras séries; a formação inadequada dos professores; as condições desiguais de funcionamento das escolas públicas, entre muitas outras. As estatísticas do Ministério da Educação de 2023 mostram que existem, no Brasil, 900 mil de crianças matriculadas na Educação Infantil, sendo 5,3 milhões na pré-escola. Em comparação, nas primeiras séries do Ensino Fundamental estão matriculados cerca de 26,1 milhões de alunos em todo o país. Podemos observar através desses números uma concentração de crianças matriculadas no ensino fundamental, período esse importante para o letramento e alfabetização. Durante muito tempo, lamentou-se, no país, a grande proporção de crianças da escola pública que nunca havia frequentado a pré-escola. Pois bem, essa realidade mudou. Porém, será que essa expansão da Educação Infantil significou melhores condições de aprendizagem para as crianças que ingressam na primeira série? Mais ainda: será que os professores da escola pública aprenderam a considerar as aprendizagens prévias de seus alunos de primeira série como ponto de partida para seu trabalho no início do Ensino Fundamental? No ponto abaixo estaremos tratando de possíveis respostas para as perguntas feitas acima. www.soeducador.com.br 74 Educação infantil nos anos iniciais 8.2 A necessidade da integração entre os currículos da Educação Infantil e das primeiras séries Até recentemente, as propostas curriculares da educação infantil e das primeiras séries foram pensadas e propostas de forma independente. Existem poucas experiências no país de integração curricular entre essas duas etapas da educação básica. Por que seria importante avançar nessa direção? Sabemos que os primeiros anos de vida são muito importantes do ponto de vista da aprendizagem e da socialização das crianças pequenas. O desenvolvimento da linguagem oral, o amadurecimento motor amplo e fino, as interações entre pares e entre crianças e adultos, a noção de identidade, o reconhecimento do próprio corpo, o conhecimento do mundo, a descoberta das múltiplas formas de brincar são alguns entre muitos aspectos dessa etapa rica em possibilidades que as crianças vivem em seus primeiros anos. À medida que se aproxima dos seis anos de idade, a enorme curiosidade e vontade de aprender da criança comporta uma programação mais dirigida às diversas áreas do conhecimento, sem que isso signifique uma escolarização precoce nos moldes tradicionais. O letramento e as primeiras noções de alfabetização, a iniciação matemática, os conhecimentos sobre o mundo natural e o mundo dacultura, a criatividade artística, as atividades físicas e lúdicas em espaços amplos, o trabalho em grupo são importantes para ampliar as possibilidades de desenvolvimento e expressão infantis. Assim, deveriam ser organizadas as atividades e rotinas da Educação Infantil, em uma concepção de respeito ao direito à aprendizagem da criança pequena. Nesse processo, a criança pré-escolar aprende a ser aluno e a ser cidadã; não há motivos para que sua passagem para a primeira série signifique um rompimento brusco de um processo vivido intensamente por ela nos anos em que frequentou a Educação Infantil. Seria desejável que essa transição ocorresse de forma a ampliar as possibilidades de aprendizagem das crianças, incorporando novas metas, sem que para isso seja preciso desconsiderar formas de trabalho pedagógico apropriadas para cada faixa etária. Uma criança de cinco, seis, sete anos de idade é a mesma, seja em uma etapa educacional, seja em outra. Os conteúdos e métodos de ensino devem estar ajustados às suas características e www.soeducador.com.br 75 Educação infantil nos anos iniciais potencialidades, seja em que escola ela estiver sendo educada. Quanto mais harmoniosa for essa passagem, mais condições as crianças terão de manter seu interesse em aprender. No entanto, muitas vezes o acolhimento dos egressos da Educação Infantil não leva em consideração essas experiências educativas anteriores. A escola de Ensino Fundamental não só costuma tratar todos os novos alunos da mesma forma – tenham eles ou não já sido alunos nos anos anteriores – como também parece que faz questão de reforçar as rupturas entre as duas etapas iniciais da educação básica: sinaliza-se claramente que acabou o direito à brincadeira, que a obrigação leva a melhor sobre a motivação, que a aprendizagem é imposta e não construída, que todos devem seguir no mesmo ritmo, independentemente de suas diferenças individuais, culturais ou de nível de conhecimento. A Educação Infantil é a base que busca o fortalecimento para o Ensino Fundamental anos iniciais. Bem como todas as séries iniciais potencialmente estruturadas para que a criança aprenda a se relacionar socialmente em um ambiente democrático, aberto à comunidade utilizando propostas pedagógicas que vá além da sala de aula. O currículo da Educação Infantil tem a visão de construir o conhecimento na primeira infância. No objetivo de que seja proporcionado e potencializado o desenvolvimento integral das crianças até os seis anos de idade. Segundo Piaget, a Educação Infantil não é para se contentar em apenas preparar a criança para enfrentar uma fase de sua vida. O verdadeiro sentido da Educação Infantil deve ser de contribuir para o desenvolvimento da criança, no propósito de que esta realize todas as suas possibilidades humanas características do período de desenvolvimento na qual se encontra” 8.3 Colocando a alfabetização em perspectiva A sociedade brasileira sempre teve dificuldades em democratizar o acesso à leitura e à escrita. A simples menção à alfabetização provoca tensões, sobressaltos, ansiedades, tanto em profissionais como nas famílias. A memória das gerações passadas, privadas desse conhecimento, parece que está www.soeducador.com.br 76 Educação infantil nos anos iniciais presidindo a chegada das novas levas de alunos, como que prenunciando seu possível fracasso escolar. A experiência truncada de escolaridade da maioria dos brasileiros atesta que é muito difícil lidar com essa herança. As práticas adotadas na maioria das pré-escolas e escolas de Ensino Fundamental ainda se encontram defasadas em relação ao saber acumulado sobre os processos de aprendizagem, de letramento e de alfabetização. No campo da Educação Infantil, podemos observar duas posições extremas. De um lado, muitas pré-escolas forçam uma alfabetização a crianças muito novas, sem respeitar os ritmos individuais e as características da faixa etária. De outro lado, prospera uma visão romantizada do desenvolvimento infantil, que rejeita qualquer programação que inclua material escrito, entendida como escolarização precoce, privando as crianças mais pobres daquelas experiências de que não dispõem em seus ambientes familiares. No caso das creches, que atendem a crianças de 0 a 3 anos, observa-se a ausência de uma preocupação em desenvolver a linguagem oral e a falta de contato com livros de literatura infantil apropriados a essa faixa etária, entre outros materiais. Nas primeiras séries, a situação se inverte ou se acentua: a pressão para a alfabetização em um ano, o lugar quase exclusivo que as atividades de alfabetização ocupam no currículo, o efeito indutor dos sistemas de avaliação externos à escola, tudo isso cria uma pressão muito grande tanto nos professores, como nos alunos e suas famílias. Não parece que esse seja o melhor caminho, quando se leva em conta os resultados negativos constatados nessas mesmas avaliações. Nas palavras de Emília Ferreiro: “Assim como os objetivos da alfabetização do início da escola primária necessitam redefinir-se, também necessitam redefinir-se os objetivos da pré-escola com respeito à alfabetização. Não se trata, nesse nível, nem de adotar as práticas ruins da escola primária, seguindo este ou aquele método de ensinar a ler e escrever, nem de manter as crianças assepticamente afastadas de todo o contato com a língua escrita. Esta é uma falsa dicotomia que se expressa na famosa pergunta: deve se ensinar a ler e escrever na pré-escola ou não? Minha resposta é simples: não se deve ensinar, porém deve-se permitir que a criança aprenda” (p.38). www.soeducador.com.br 77 Educação infantil nos anos iniciais Ao propor diferentes formas de proporcionar às crianças uma aproximação e uma maior familiaridade com a escrita e a leitura, desde a pré- escola e também nas primeiras séries, a autora mostra como converter a alfabetização em “uma tarefa interessante, que dá lugar a muita reflexão e a muita discussão. A língua escrita se converte num objeto de ação e não de contemplação. É possível aproximar-se dela sem medo, porque se pode agir sobre ela, transformá-la e recriá-la” (p. 47). Já vivemos hoje em uma situação em que a maioria dos alunos permanecerá muitos anos na escola. Existem diversas coisas para aprender na escola que não dependem estritamente da alfabetização; por outro lado, várias experiências mostram que a curiosidade e o gosto por aprender e por se expressar facilitam também o domínio da leitura e da escrita. É preciso, sem deixar de reconhecer a importância da alfabetização, coloca-la em perspectiva, no campo mais amplo da cultura e do conhecimento em geral. 8.4 Os diferentes modelos de relacionamento entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental O autor britânico Peter Moss classifica as relações que se estabelecem entre esses dois níveis educacionais em quatro tipos: Preparando a criança para a escola Nesse modelo, a escola obrigatória é claramente o parceiro dominante e o papel da Educação Infantil é preparar a criança para que esteja pronta a atender os requisitos exigidos pelo ensino fundamental. A palavra-chave é “prontidão”, entendida como o ajustamento da criança às exigências do sistema escolar. O autor utiliza a expressão “colonização” da Educação Infantil pela escola obrigatória, ao se referir a esse processo. Impasse Esse segundo tipo de relacionamento descreve aquela situação em que as duas instituições se fecham uma para a outra, recusam-se a dialogar e mantêm uma atitude de franca desconfiança e hostilidade uma em relação à outra. Na realidade, ao definir sua identidade, cada uma delas se reporta à136 14.12 Palavras com números ............................................................................................ 137 15. Referências ........................................................................................................................ 139 www.soeducador.com.br 5 Educação infantil nos anos iniciais Apresentação Caro educador, É uma honra ter você no nosso time! A partir de hoje, vamos adquirir o conhecimento adequado sobre o que é Educação Infantil e Anos Iniciais. Nosso objetivo é auxiliá-lo na compreensão dos processos educacionais, bem como lhe direcionar e atualizá-lo quanto às diferentes metodologias que podem ser utilizados dentro de sala de aula. Esperamos que ao longo do curso, dúvidas sejam sanadas e mentes sejam abertas para melhorias no planejamento estratégico e pedagógica de cada educador. Nosso intuito é garantir através deste curso melhorias no sistema educacional, de acordo com as novas tecnologias e metodologias propostas em nosso meio educacional. Cada instituição e Educador tem papel fundamental no desenvolvimento da aprendizagem de cada aluno. Bons Estudos! Atenciosamente, Equipe Só Educador. www.soeducador.com.br 6 Educação infantil nos anos iniciais 1. Panorama Histórico da Educação Infantil A História da Educação nos revela que os valores assumidos por um determinado grupo ou sociedade numa determinada época dependem do desenvolvimento de uma complexa rede de eventos sociais, políticos e econômicos. Tais valores, que na maioria das vezes não são explícitos claramente, podem ser evidenciados ou delineados através de uma análise de metas, dos objetivos e das propostas educacionais formuladas. (...) o estudo do passado pode (...) suscitar reflexões que sirvam para aqueles que trabalham com a infância e sua educação nos dias de hoje, (...) as propostas para agora não podem ser pensadas como coelhos a se tirar magicamente da cartola, mas precisam ser uma profunda ancorada tanto na prática quanto nos resultados das pesquisas e na produção teórica. (Moysés Kuhlmann Jr, 1998, p.13) Pode-se afirmar que a ideia de educar crianças menores de seis anos já era tratada por Comenius, onde propunha um nível inicial de ensino que era o “colo da mãe”. Ele considerava que o processo de aprendizagem se iniciava pelos sentidos: Impressões sensórias advindas da experiência com o manuseio de objetos seriam internalizados e futuramente interpretadas pela razão. Daí sua defesa de que a educação de crianças pequenas deveria utiliza matérias e atividades diferentes – passeios, quadros, modelos e coisas reais – segundo www.soeducador.com.br 7 Educação infantil nos anos iniciais suas idades, de modo a auxilias no futuro a fazer aprendizagens abstratas. (OLIVEIRA, 1994, p.13) Muitos outros teóricos se mostraram preocupados com a educação das crianças menores de seis anos, porém, as ideias que avançaram dentro da educação pré-escolar foram as de Froebel, fundador do Kindergarten (jardim-de- infância) na Alemanha, em 1837. Estando voltada para crianças acima dos três ou quatro anos, sua proposta considerava que tais crianças, sendo pequenas sementes que, adubadas e expostas a condições favoráveis em seu meio ambiente, desabrochariam em um clima de amor, simpatia e encorajamento estariam livres para aprender sobre si mesmas e sobre o mundo. (idem, p.14) Assim, neste jardim-de-infância predominavam atividades práticas autogeradas pelos interesses e desejos da criança. Tal proposta tinha como modo básico as atividades de cooperação e o jogo livre. No período do Império: Uma das maiores defesas da implantação do jardim – de infância no Brasil foi feita por Rui Barbosa, em 1822, em um parecer apresentado na Câmara do Império, sobre a Reforma do ensino primário e várias instituições complementares da instrução pública. Para esse eminente político, a proposta educativa a ser considerada para a educação da infância era a de Froebel. (KUHLMAN JR., 1998, p.117) Já a creche, que foi criada na França em 1844, como instituição para crianças até três anos, encontra mais força para sua difusão interna e internacional na década de 1870 – chegando ao Brasil – a partir das descobertas no campo da microbiologia, onde se viabilizou a amamentação artificial. Com estes avanços, os médicos ganharam um papel predominante nas discussões sobre a criança. Na educação, essa influência foi fundamental, pois muitos médicos redirecionaram suas atividades profissionais ou políticas à educação. Esta década – 1870 – é marcada, então, pela entrada da influência médico-higienista nas questões educacionais. Neste período, enquanto nos países europeus a creche foi proposta em função da ampliação do trabalho industrial feminino, aqui no Brasil ainda não havia demanda deste setor. Para Kuhlmann Jr. (1998), a Lei do Ventre Livre trazia as donas de casa o problema da educação das crianças de suas escravas. Assim, as creches populares foram criadas com o objetivo não só de atender às operárias www.soeducador.com.br 8 Educação infantil nos anos iniciais industriais, mas também às mães empregadas domésticas. Só no século XIX, é que surgem as creches voltadas para as elites. Por outro lado, a educação pré-escolar com o primeiro jardim-de-infância em setor privado, voltado para a elite, e de orientação froebeliana foi oferecida, no Rio de Janeiro, pelo Colégio Menezes Vieira, fundado em 1875; em São Paulo, pela Escola Americana, de 1877; e o jardim-de-infância anexo à escola normal Caetano de Campos, de 1896, que mesmo sendo setor público, atendia aos filhos da burguesia paulistana. (KUHLMANN JR., 1998) A Exposição Pedagógica de 1883 caracterizou-se pela questão da educação pré-escolar, pela legitimação dos interesses privados. Observou-se entre aqueles que se vinculavam às instituições pré-escolares privadas brasileiras, a utilização do termo pedagógico como uma estratégia para atrair as famílias abastadas, como uma atribuição do jardim-de-infância para ricos, que não poderia ser confundido com os asilos e creches para os pobres. Na passagem do século XIX ao XX o Brasil viveu o desenvolvimento da influência europeia para os EUA, fenômeno que teve expressão marcante na criação do Dia da Criança, no 3º Congresso Americano da Criança, realizado no Rio de Janeiro em 1922, juntamente com o 1º Congresso Brasileiro de Proteção à Infância. Neste período, a educação pré-escolar passou a ser oferecida de forma assistencialista, onde foram fundadas as primeiras creches com essa concepção, que precediam posterior criação dos jardins-de-infância. Vários congressos que abordavam a assistência à infância, recomendaram a criação de creches junto às indústrias e às entidades assistenciais: “Era uma medida defendida no quadro da necessidade de criação de uma regulamentação das relações de trabalho, particularmente quanto ao trabalho feminino. (...), entretanto, considero não como um direito dos trabalhadores e de seus filhos, mas como uma dádiva dos filantropos, propunha-se o atendimento educacional à infância por entidades assistencialistas.” (KUHLMANN JR., 1998, p.85) De acordo com Faria (1999), o Decreto 16.300 de 1923, que aprovou a regulamentação do trabalho feminino no país (Brasil), protegia a mulher trabalhadora enquanto mãe e entre suas determinações, encontra-se a www.soeducador.com.br 9 Educação infantil nos anos iniciais obrigação da instalação de creches ou salas de amamentação, próximas ao local de prestação de serviços.negação da imagem que faz da outra, www.soeducador.com.br 78 Educação infantil nos anos iniciais definindo-se em oposição às características que acredita estejam presentes nas práticas educativas da outra etapa. Preparando a escola para a criança Nesse modelo, já experimentado em países como a Noruega e a Suécia, procura-se adotar, nos primeiros anos da escola elementar, práticas utilizadas na educação infantil que funcionam bem com crianças daquela faixa etária, adaptando a escola à criança e não somente ajustando a criança à escola. Para isso, criam-se condições para que os professores dos dois sistemas trabalhem juntos, de forma a evitar uma brusca mudança para as crianças mais jovens que agora chegam à primeira série. A visão de um lugar de encontro Essa é a proposta do autor, que parte da constatação de que as duas instituições tiveram histórias muito diferentes e guardam tradições pedagógicas também diversas. Reconhecendo essas distintas bagagens, seria preciso iniciar um trabalho colaborativo que pudesse construir novas formas de relação e práticas educativas integradas para garantir uma passagem menos brusca de um nível a outro. Para isso, Moss indica que seria preciso construir uma cultura comum, a partir de uma visão compartilhada de criança, de aprendizagem, de conhecimento e de educação. Baseando-se em seu conhecimento das experiências de diversos países, pois hoje a antecipação da idade de ingresso à escola é um fenômeno comum a muitas regiões do mundo, Peter Moss traz alguns exemplos de iniciativas que podem contribuir para a construção de um sistema educacional mais orgânico e menos hostil aos novos alunos. Segundo ele, nos exemplos mais bem-sucedidos, nota-se a importância atribuída aos aspectos de “cuidado”, ao lado dos aspectos exclusivamente pedagógicos. Cuidado, nesse contexto, refere-se a uma postura de respeito às necessidades integrais da criança, o que inclui questões como conforto, alimentação, socialização e descanso, mas também atenção às suas necessidades emocionais e características individuais, assim como respeito à sua identidade racial, cultural e de gênero. Para outros autores por ele citados, www.soeducador.com.br 79 Educação infantil nos anos iniciais o cuidado é uma ética e como tal deve ser parte integral da educação, independentemente do nível de ensino, pois crianças maiores, adolescentes e jovens também precisam ser cuidados, nesse sentido que extrapola apenas os cuidados físicos. Ao contrário do que muitos acreditam, a inclusão dessa dimensão de cuidado não anula a importância da aprendizagem, mas indica que o direito ao conhecimento caminha junto ao direito da criança ao reconhecimento como pessoa que se desenvolve enquanto ser integrado e não apenas como uma cabeça que recebe informações. Nessa perspectiva, é possível visualizar diversas linhas de ação: um trabalho mais próximo às famílias, momentos de encontro entre equipes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, possibilidades de as crianças visitarem as escolas para onde irão no ano seguinte, oportunidades para os professores de primeira série conhecerem as pré-escolas de onde chegam as crianças, adequação dos espaços internos e externos da escola, revisão de rotinas e horários, previsão de um período de adaptação dos alunos que não tiveram acesso à Educação Infantil quando de seu ingresso na primeira série, oportunidades de formação em serviço com a presença de profissionais das duas etapas da educação, apoio e orientação das secretarias a essas iniciativas, entre muitas outras. Afinal, a criança que chega agora com seis anos na escola fundamental é a mesma que até há pouco estava na pré-escola ou ainda não tinha sido escolarizada. Suas necessidades e sua fase de desenvolvimento são as mesmas. Assim como aquela que acabou de completar sete anos não deixa de ser criança por isso. O direito à aprendizagem, na primeira e na segunda etapa da educação básica, depende do respeito ao direito de ser criança; não são requisitos incompatíveis, mas complementares. 8.5 O ensino e a aprendizagem da linguagem escrita em classes do primeiro ano do ensino fundamental Como único nível de ensino de matrícula obrigatória no País, o Ensino Fundamental, ao ter ampliada sua duração de oito para nove anos, trouxe para essa etapa da educação básica um novo contingente de crianças. Ainda que www.soeducador.com.br 80 Educação infantil nos anos iniciais algumas das crianças de seis anos frequentassem instituições pré-escolares, a incorporação desse segmento no Ensino Fundamental impõe novos desafios, sobretudo pedagógicos, para a área educacional. É preciso pensar numa prática educativa que considere a criança como eixo do processo e leve em conta as diferentes dimensões de sua formação. Neste texto, sem ignorarmos a relevância das demais dimensões, discutiremos uma delas, que, por seu caráter complexo, multifacetado e precursor de novos conhecimentos, cumpre um papel fundamental na garantia do direito à educação: o desenvolvimento da linguagem escrita. Uma prática educativa comprometida com o desenvolvimento da linguagem escrita não se restringe à elaboração de atividades e situações de aprendizagem dirigidas aos alunos. Além disso, é preciso superar a fragmentação dessas atividades de ensino no contexto educativo. Para se assegurar aos aprendizes o pleno desenvolvimento de suas potencialidades, é fundamental, dentre outros aspectos, que a ação educativa se baseie em uma orientação teórico-metodológica, que se definam os objetivos de ensino, a organização do trabalho pedagógico, o tipo de abordagem que se quer dar ao conhecimento e, por fim, que se considere a realidade sociocultural dos alunos e o contexto da escola. Para mobilizar os processos de aprendizagem das crianças de modo a ajuda-las no desenvolvimento das capacidades relacionadas à leitura e à escrita e na construção de representações sobre esse objeto de estudo, as propostas de atividades e as estratégias metodológicas precisam ser sequenciadas, articuladas e contextualizadas, ou seja, as crianças precisam participar de um conjunto de atividades caracterizado por um ciclo de ações e procedimentos de ensino aprendizagem – as chamadas Situações de Aprendizagem. Organizar esses ciclos de Situações de Aprendizagem fica mais fácil quando as professoras têm em mente uma proposta de ensino na qual possam buscar referências metodológicas para projetar seus trabalhos junto às crianças. Vale ressaltar, ainda, que, para uma proposta de ensino se tornar um referencial e se materializar em uma prática de ensino adequada, ela deverá ser validada e reconstruída a partir do conhecimento que se tem das crianças e também das interações que se estabelecem entre os participantes do grupo www.soeducador.com.br 81 Educação infantil nos anos iniciais escolar e deles com os objetos do conhecimento. Dessa forma, a avaliação e o planejamento são fatores determinantes para a consolidação desta prática. A avaliação diagnóstica é um procedimento de ensino a ser adotado com o objetivo de se estabelecerem relações entre a proposta de ensino, o perfil pedagógico da turma e as necessidades de aprendizagem específicas de cada aluno. O planejamento pedagógico, por sua vez, como projeto de trabalho do professor, só se torna efetivo se elaborado a partir da articulação entre a proposta de ensino e os sujeitos da aprendizagem. Uma prática de ensino consistente tem em sua conformação esse conjunto de elementos bem definidos e pressupõe uma construção singular de cada professoracom seu grupo de alunos, ao mesmo tempo em que requer um trabalho coletivo envolvendo todo o corpo docente e os demais profissionais na sua elaboração. Essa construção cotidiana da prática educativa exige dos seus profissionais a capacidade de fazer escolhas, criar, recriar, pesquisar, experimentar e avaliar constantemente suas opções. Em outras palavras, somente uma prática pedagógica autônoma garante as condições para o exercício profissional competente e para a construção de uma educação comprometida com a qualidade referenciada socialmente. www.soeducador.com.br 82 Educação infantil nos anos iniciais 9.0 O Letramento Fonte: Gazeta do povo Tendo em vista algumas modificações culturais, econômicas e sociais que se processaram nas sociedades contemporâneas, observamos, sobretudo a partir de meados do século XX, uma mudança daquilo que, durante um bom tempo, consideramos como sendo alfabetização. Se até o início do século XX bastava que o sujeito assinasse o próprio nome para ser considerado alfabetizado, com o passar do tempo, esta denominação careceu de maiores especificações. Ler e escrever um bilhete simples também não era suficiente para designar os diferentes graus de apreensão da linguagem escrita. A insuficiência de conceitos e expressões capazes de retratar a situação da população em relação à apropriação da linguagem escrita, bem como de designar os diferentes aspectos que englobam esse fenômeno, levou alguns estudiosos a empregarem o termo “letramento”, inspirados na palavra inglesa “literacy”, como forma de designar o estado ou a condição que cada indivíduo ou grupos de indivíduos passam a ter a partir da aquisição da língua escrita. Os conceitos de alfabetização e letramento ressaltam duas dimensões importantes da aprendizagem da escrita. De um lado, as capacidades de ler e escrever propriamente ditas, e, de outro, a apropriação efetiva da língua escrita: “[…] aprender a ler e escrever significa adquirir uma tecnologia, a de codificar www.soeducador.com.br 83 Educação infantil nos anos iniciais em língua escrita e de descodificar a língua escrita; apropriar-se da escrita é tornar a escrita ‘própria’, ou seja, assumi-la como sua propriedade” (SOARES, 1998, p.39). A condição letrada parece ser resultado de um conjunto de fatores que se articulam entre si: o convívio com pessoas letradas, a participação efetiva em eventos de letramento, o desenvolvimento das capacidades de leitura e escrita, o conhecimento de protocolos de uso da escrita. Esses são alguns dos elementos presentes na formação do perfil letrado dos diferentes grupos sociais e culturais que compõem uma sociedade. Evidentemente, crianças e adultos participam de diferentes eventos de letramento e neles têm a oportunidade de ampliarem seus conhecimentos acerca da linguagem escrita. Entretanto, a escola desempenha um papel fundamental na inserção das crianças no mundo letrado, bem como na sua formação como usuário desse sistema simbólico. Em geral, é na escola que as crianças se alfabetizam, desenvolvem capacidades de leitura e produção de textos. Mas a importância da escola se acentua, sobretudo, para aquelas crianças cujo acesso a materiais escritos é restrito. A escola, para esse segmento, se constitui no espaço privilegiado e, às vezes, único para adquirir capacidades e habilidades que permitam usufruir a cultura letrada, interagir com ela e ampliar suas oportunidades de se apropriar de bens culturais que, pela sua valorização, têm dominado as relações sociais em contextos mais amplos. A formação de novos usuários da língua escrita se faz por meio de um longo caminho que exige prática constante e um olhar atento dos formadores para os interesses, as curiosidades, os materiais de acesso, os hábitos e os modos de viver das crianças. À medida que se avança nesse processo de formação, conquista-se familiaridade e altera-se a forma de se relacionar com o mundo e com as pessoas. Pensar em uma proposta pedagógica capaz de assegurar ao aprendiz a tecnologia da escrita e, ao mesmo tempo, a apropriação desse sistema, impõe-nos algumas questões: Que tipo de leitores e escritores se quer formar por meio da ação pedagógica na escola? Como despertar o interesse das crianças pequenas para a leitura e a escrita? Como garantir que a criança se torne capaz de relacionar símbolos gráficos a sons e vice-versa e, ao mesmo tempo, desenvolver capacidades e habilidades que lhe permitam fazer uso da linguagem escrita nas diferentes formas como ela se apresenta na www.soeducador.com.br 84 Educação infantil nos anos iniciais sociedade? Como assegurar às crianças a aquisição de capacidades e habilidades que lhes possibilitem compreender e produzir diferentes tipos de texto, de acordo com suas características? 9.1 Elementos para a construção de uma proposta pedagógica Sabemos que as crianças são muito curiosas e se envolvem com entusiasmo em situações que as desafiam a explorar os mais diferentes tipos de material de leitura: ✓ a manusear livros, jornais e revistas; ✓ a ouvir a leitura de contos, poemas, crônicas, reportagens; a brincar de ler e de escrever ou mesmo a criar e participar de jogos e brincadeiras nas quais a leitura e a escrita são objetos centrais. Todas essas são maneiras de aproximar as crianças da cultura letrada. Entretanto, além desse contato com o material escrito, as crianças precisam ter oportunidades de observar e reelaborar suas representações sobre o “para que” e “como” as pessoas leem e escrevem em suas atividades diárias. Para isso, é importante que a ação pedagógica promova a participação das crianças em práticas autênticas de leitura e de escrita, no cotidiano da sala de aula, nas quais elas possam sempre interagir com esse objeto do conhecimento. Mas o que ler e escrever para e com as crianças? A leitura de livros de literatura em voz alta pelos professores pode ser um desses momentos em que se pratica a leitura com a participação dos alunos. A cada livro lido pela professora, as crianças vão incorporando novas referências sobre como se configuram os livros de literatura (localização do título, do nome do autor, da editora, etc.) A leitura em voz alta desperta o desejo e a curiosidade das crianças. Quando elas gostam da história que foi lida em sala de aula, acabam buscando os livros em momentos livres de leitura. Portanto, a leitura em voz alta para as crianças pode despertar o desejo de ser leitor. Vale ressaltar a importância de se lerem outros materiais de leitura e buscar apresentar às crianças variados gêneros textuais. www.soeducador.com.br 85 Educação infantil nos anos iniciais Também é importante levar para a sala de aula as experiências de leitura que as professoras têm como adultos. Trazer materiais que estão sendo lidos ou escritos pelos profissionais da escola e relatar para as crianças como são produzidos os textos e como se caracterizam os momentos de leitura na escola e em outros lugares são atitudes que podem aguçar o interesse das crianças para as práticas de leitura e escrita. Além disso, vale ressaltar a importância das práticas de leitura e escrita que se concretizam nos momentos em que a escrita se torna mediadora das experiências escolares, ampliando as relações e/ou regulando os comportamentos das crianças e dos adultos no interior da escola. Estamos nos referindo aos eventos de letramento que ocorrem quando os professores levam livrosde literatura, jornais, artigos, etc. como recursos de estudo de algum projeto de trabalho das crianças ou quando elas são levadas a registrarem suas aprendizagens e alguns fatos da aula em um portfólio ou diário de bordo, por exemplo. É preciso, ainda, criar espaços apropriados e prever tempos na rotina escolar para que as crianças tenham contato com os materiais de leitura. As crianças podem escolher um artigo ou uma reportagem de revista ou um livro sobre determinado tema, por exemplo, e a professora ler em voz alta para elas. Assim, podem decidir se o que está sendo lido é ou não interessante e útil para elas, e terão oportunidade de aprender modos de leitura que estão relacionados a determinados gêneros. Na escrita de texto, as situações em que as crianças são estimuladas a interagir com as demais turmas e outros profissionais da escola, ou ainda, a escrita de registros sobre fatos e atividades que compõem um ciclo de estudos com a mediação da professora, por exemplo, tornam -se oportunidades para o esclarecimento sobre as condições de produção (para quem estamos escrevendo, com qual intenção, por meio de que gênero, etc.). www.soeducador.com.br 86 Educação infantil nos anos iniciais 9.2 O desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita de palavras, frases e textos em sala de aula Fonte: Psicopedagoga Silvana Lima: Entenda porque o letramento precoce pode ser prejudicial. Paralelamente ao processo de compreensão da natureza alfabética do sistema de escrita, as crianças desenvolverão alguns mecanismos da leitura e da escrita de palavras. Apesar de muitas delas aprenderem esses mecanismos com relativa facilidade, o desenvolvimento das habilidades relacionadas à leitura e à escrita de palavras leva tempo e requer treino por parte das crianças. Para isso, um conjunto de atividades de leitura e escrita de palavras e frases deve fazer parte do planejamento pedagógico dos professores desde o primeiro ano do Ensino Fundamental. Simultaneamente, as crianças terão ainda que desenvolver a capacidade de ler e interpretar textos com autonomia. As habilidades de leitura e produção de textos envolvem o conhecimento de elementos que compõem os textos escritos, os seus estilos, a identificação do autor, da finalidade e do contexto de circulação do texto. Esses conhecimentos são construídos na prática cotidiana de leitura e escrita. É preciso prática e orientação adequada para desenvolver uma postura de leitor crítico. www.soeducador.com.br 87 Educação infantil nos anos iniciais Nos contextos sociais em que os adultos fazem uso da língua escrita em suas ações cotidianas, desde muito cedo as crianças começam a lidar com textos escritos por meio da observação e do acompanhamento dessas situações de prática de leitura e escrita. Elas começam, mesmo antes de terem domínio do sistema de escrita, a conhecer as especificidades dos gêneros textuais, apreendendo não apenas o sentido das atividades de leitura e escrita, mas também a maneira como os textos devem ser interpretados. Como vimos na dimensão “O letramento”, as práticas de leitura e escrita em sala de aula se concretizam de diferentes maneiras, dentre as quais, naquelas situações em que os professores preparam um texto para ser lido e discutido com as crianças, ou seja, quando o texto se torna objeto de análise e conhecimento. Por meio de Situações de Aprendizagem que tomam o texto como objeto de ensino, as crianças devem ter oportunidade de compartilhar com os professores suas estratégias, seus conhecimentos, suas habilidades de leitura e escrita. Essa abordagem começa pela seleção dos textos que farão parte do repertório do trabalho analítico. É preciso ter cuidado com o vocabulário e a extensão dos textos trabalhados em sala de aula. As professoras devem realizar um reconhecimento das habilidades já desenvolvidas por seus alunos por meio de uma avaliação diagnóstica para traçar as metas de aprendizagem para a turma. Cabe assinalar que não é preciso esperar que as crianças escrevam convencionalmente para realizar atividades que visem desenvolver habilidades, estratégias e comportamentos de leitura e de escrita de textos. No caso de a turma ou parte dela ainda não escrever convencionalmente, podem ser pensadas diferentes estratégias. Uma delas é a professora exercer o papel de escriba da classe, produzindo os textos coletivamente, ou o papel de leitora, lendo para todos o texto escolhido. Outra estratégia é permitir e estimular que as escritas espontâneas sejam produzidas em sala. Também é possível aproveitar a diversidade da turma e agrupar os alunos de forma que aqueles que já decodificam e codificam possam servir de leitores ou de escribas para os colegas. Qualquer que seja a estratégia adotada, a professora pode propor às crianças que: www.soeducador.com.br 88 Educação infantil nos anos iniciais • Reescrevam o texto com palavras mais simples para expressar seu conteúdo; • Marquem partes dos textos lidos de acordo com a informação requerida ou com o objetivo da leitura; • Grifem palavras de acordo com o que se quer ressaltar; • Façam resumos do que está escrito; • Façam anotações sobre o texto; • Realizem leituras individuais ou em duplas (um aluno que já se apropriou do funcionamento do sistema de escrita pode ler para outro que ainda não o faz); • Realizem leituras teatralizadas de textos ou de trechos de textos; • Realizem leituras com pausas planejadas e contextualizadas, com perguntas que orientem a interpretação das crianças; • Realizem leituras seguidas de conversas orientadas por questões previamente planejadas pela professora; • Produzam textos em pequenos grupos ou em duplas (também se podem agrupar as crianças de forma que aquelas que já são capazes de ler e escrever se façam de escribas do grupo); • Produzam textos com apoio de roteiros definidos pelo coletivo. Há, ainda, as atividades que ampliam o trabalho com o conteúdo dos textos. Aqueles trabalhos que são planejados como ampliação do momento de leitura e de escrita. Em geral, essas atividades envolvem, dentre muitas possibilidades de trabalho, a produção e a apresentação de peças teatrais, pesquisas e estudos de aprofundamento, leitura de livros ou de outros textos sobre o mesmo assunto. À medida que se vai trabalhando os textos com as crianças, é possível observar como elas passam a considerar as orientações da professora no momento em que entram em contato com novos textos. Por exemplo, quando vivenciam situações de aprendizagem em que a professora destaca certos elementos textuais, estando diante de um novo livro, a criança busca identificar os mesmos elementos, como, por exemplo, o sumário do livro, seu autor, seu título. Elas passam a demonstrar comportamentos e habilidades de leitores e escritores, mesmo quando ainda não dominam o sistema de escrita. www.soeducador.com.br 89 Educação infantil nos anos iniciais Para as crianças de seis anos, a mediação dos professores é muito necessária. Não apenas porque elas não conseguem ainda escrever e ler textos com autonomia, mas também porque para elas a interação por meio da língua escrita é uma situação que apresenta condições de produção ainda desconhecidas, como, por exemplo, a de ter o interlocutor ausente no momento da produção. Por isso é importante que o professor sirva de leitor e escriba em diferentes situações em sala de aula, principalmente nas atividades específicas para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita de textos. Outro aspecto dessa dimensão que merece atençãodas professoras de crianças de seis anos diz respeito à necessidade de se deixar claro o objetivo das atividades e como elas deverão ser realizadas, ou seja, como as crianças devem proceder para realizá-las. Ao conduzir as Situações de Aprendizagem que abordam o texto escrito em classes de seis anos, a professora deve prever formas de fazer com que as crianças fiquem atentas aos aspectos que são abordados nas propostas de leitura ou de escrita dos textos, consequentemente, as crianças ficarão atentas também à forma como a atividade será realizada. 9.3 A aquisição do sistema de escrita e o desenvolvimento da consciência fonológica Quando as crianças iniciam o processo de alfabetização, buscam compreender o que a escrita representa, ou seja, o que aqueles sinais gráficos representam e como eles se organizam formando um sistema de representação. Desta forma, elas começam a lidar com a diferenciação dos dois planos da linguagem: o plano do conteúdo (dos significados), que diz respeito aos significados e sentidos produzidos quando usamos a língua oral ou escrita, e o plano da expressão (dos sons), que diz respeito às formas linguísticas. A compreensão da natureza alfabética do sistema de escrita e o desenvolvimento da consciência fonológica integram esse processo e são impulsionados por aprendizagens que estimulam o desenvolvimento infantil à www.soeducador.com.br 90 Educação infantil nos anos iniciais medida que promovem a competência simbólica das crianças. Vejamos a seguir, conforme esclareceu o construtivismo psicogenético, como os aprendizes vão elaborando hipóteses e resolvendo questões para os problemas que eles mesmos se colocam, num movimento de reconstruções, no qual antigos conhecimentos vão dando lugar a novas formulações. 9.4 Os níveis conceituais da escrita Desde os primeiros contatos da criança com marcas gráficas impressas em livros, cadernos, cartazes, inicia-se um longo processo de construção de esquemas conceituais cujo primeiro desafio consiste em distinguir o que é desenho do que é escrita. Neste primeiro momento, ainda sem fazer essa distinção, a criança se propõe a imitar o ato de escrever. Como num jogo, ela crê que poderia ou deveria escrever certo conjunto de palavras imitando a ação de escrever. O resultado dessas primeiras “escritas” infantis pode aparecer, desde o ponto de vista figural, como linhas onduladas ou quebradas (zig-zag), contínuas ou fragmentadas, ou como uma série de elementos discretos (séries de linhas verticais ou bolinhas). Essa aparência figural não é garantia de escrita propriamente dita, a não ser que se conheçam as condições nas quais ela foi produzida. Conforme salienta Ferreiro (2003), tradicionalmente, eram considerados, tanto por educadores, quanto por pesquisadores, os aspectos figurativos da escrita infantil, ignorando-se os aspectos construtivos. Os aspectos figurativos têm a ver com os elementos formais, tais como: a qualidade do traçado, a distribuição espacial das formas, a orientação predominante (da esquerda para a direita, de cima para baixo), a orientação dos caracteres individuais (inversões, rotações), etc. Já os aspectos construtivos têm relação com o que o sujeito quis representar e os meios que empregou para criar diferenciações entre as representações. Não são, portanto, os aspectos figurais que designam se houve ou não uma escrita. Quando ocorre essa intencionalidade por parte da criança, ou seja, quando constatamos a presença de aspectos construtivos, é que consideramos que houve uma produção escrita. Em relação aos aspectos construtivos, como veremos a seguir, a escrita infantil segue uma linha regular de evolução que, conforme comprovaram as www.soeducador.com.br 91 Educação infantil nos anos iniciais investigações de Ferreiro e Teberosky (1991), independem da procedência dos sujeitos quanto a meios culturais, situações educativas, línguas, etc. 9.5 Aspectos Centrais da evolução psicogenética da língua escrita Na linha da evolução psicogenética, identificam-se três grandes períodos distintos entre si, dentro dos quais cabem múltiplas subdivisões: • Primeiro período: Caracteriza-se pela distinção entre o modo de representação icônico e não icônico; • Segundo período: Ocorre a construção de formas de diferenciação; o aprendiz busca exercer um controle progressivo das variações sobre os eixos qualitativo e quantitativo; • Terceiro período: Marcado pela fonética da escrita, que se inicia com um período silábico e culmina em um período alfabético. 9.6 O desenvolvimento da consciência fonológica Quando as crianças chegam ao Ensino Fundamental, possuem um bom domínio da língua materna: sabem utilizá-la para fins de comunicação, sabem sua estrutura sintática e têm um adequado conhecimento do léxico. Sobre a escrita, podemos dizer que as crianças chegam à escola sabendo suas funções (para que as pessoas leem e escrevem) e sua estrutura em muitos gêneros textuais, reconhecem os sinais gráficos, são capazes de fazer o reconhecimento de algumas palavras, etc. O trabalho pedagógico desenvolvido na escola busca ampliar o desenvolvimento cognitivo e cultural das crianças. Uma das capacidades das crianças que é desenvolvida na escola, ao iniciarem o processo formal de alfabetização, está relacionada à análise do sistema fonológico da língua que elas aprenderam a falar desde muito cedo. Os estudos sobre a relação entre consciência fonológica e alfabetização vêm demonstrando o importante papel das habilidades metafonológicas no processo de aquisição da leitura e da escrita num sistema alfabético. No entanto, pode-se dizer que essas habilidades se desenvolvem concomitantemente a esse processo, e não previamente. www.soeducador.com.br 92 Educação infantil nos anos iniciais Para dizer do processo de desenvolvimento dessa capacidade, vamos analisar a realização de uma atividade muito comum no início do ano letivo, em turmas de seis anos. A atividade será apresentada nas páginas que se seguem. PALAVRA PRIMEIRA LETRA ÚLTIMA LETRA QUANTAS VEZES ABRE A BOCA MACACADA BONECA DOCE MÃO Trocando em miúdos... O desenvolvimento da consciência fonológica parece estar relacionado ao próprio desenvolvimento simbólico da criança, no sentido de ela vir a atentar para o aspecto sonoro das palavras (significante), em detrimento de seu aspecto semântico (significado)... www.soeducador.com.br 93 Educação infantil nos anos iniciais Trocando em miúdos... A noção de recorte ou de segmentação (analisar a fala) é fundamental na aquisição do sistema alfabético de escrita. É preciso fazer com que a criança se dê conta de que aquilo que ela percebe como um todo na língua oral, um “bololô”, vai ser dividido em unidades menores (em palavras, sílabas e fonemas). Trocando em miúdos... As sílabas são unidades naturalmente isoláveis no contínuo da fala. Esse parece ser o fator responsável pela elaboração de uma hipótese silábica anterior à hipótese alfabética no processo de aquisição da língua escrita. A sílaba inicial parece ser mais facilmente observada pelas crianças. Trocando em miúdos... Podemos relacionar três importantes habilidades que constituem o trabalho na área da consciência fonológica: 1 - Identificação das unidades fonológicas; 2 - Segmentação das unidades fonológicas; 3 - Manipulação: inverter, subtrair e trocar segmentos fonológicos. www.soeducador.com.br94 Educação infantil nos anos iniciais Essas habilidades precisam ser consideradas em relação aos diferentes níveis das unidades fonológicas com as quais a criança pode operar: as unidades supras segmentares – por exemplo, rimas e aliterações –, as sílabas e os fonemas. Os estudos sobre o desenvolvimento da consciência fonológica das crianças pequenas sugerem a necessidade de uma abordagem sistemática do sistema fonológico ao longo do processo de alfabetização. Ao elaborar a proposta de ensino, é preciso considerar diferentes níveis de abordagem através da atividade pedagógica: • Análise das variações linguísticas que constituem a linguagem oral; • Análise das diferentes unidades fonológicas da língua oral; • Reconhecimento das correspondências entre unidades fonológicas e unidades do sistema de escrita. 9.7 Letra Cursiva X Letra Bastão Muitos pesquisadores e profissionais não são adeptos ao uso da letra cursiva com a justificativa de que devido a era tecnológica, ela caiu em desuso. Então se na minha concepção, eu não irei mais usá-la, pra que aprender ela? Quais o pensamento dos professores e gestão escolar mediante essa prerrogativa? É óbvio que o ensino da letra cursivo é trabalhoso e cansativo, até porque as escolas não estão trabalhando de forma árdua o desenvolvimento da coordenação motora fina das crianças. Então se torna um desafio muito grande ao professor desenvolver essa habilidade, já que a criança não desenvolveu a sua coordenação motora fina que é tão importante para esse aprendizado. Ao longo dos anos, observamos que a letra cursiva vem se tornando obsoleta no meio educacional. Jean Piaget, se baseia em uma educação aonde o método de aprendizagem vem a partir da investigação, estimulando o estudante a resolver problemas e encontrar respostas a partir daquilo que ele já tem adquirido, de haver interação com o outro na realidade em que se é vivida e tudo isso será a www.soeducador.com.br 95 Educação infantil nos anos iniciais base para o direcionamento do cotidiano do estudante, como o uso de celular, tablet, computadores, livros e etc., contudo, entendemos que em todos esses momentos, o estudante tem vivenciado com o uso da letra de forma. Então é particularmente normal que o estudante se identifique com o uso daquilo ao qual ele está mais familiarizado, devido a sua ocorrência de utilização nos meios ao qual hoje estão inseridos tanto crianças, como jovens e adultos. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), não pensa dessa forma, já que a mesma estabelece que todo estudante no 1° ano deve conhecer, relacionar e diferenciar todos os tipos de letras para que ao adentrar no 2° ano, ela possa aprender e escrever de forma efetiva a letra cursiva. As competências e diretrizes que norteiam a base do Ensino Fundamental na BNCC, elenca diferentes áreas de conhecimento de Linguagens, principalmente no que se refere ao processo de alfabetização, e uma das habilidades que estão descritas é a aprendizagem da letra cursiva. Muitos estudos já comprovaram que mesmo sendo utilizados mensagens de voz, redes socias e etc., é de fundamental importância que todo estudante aprenda a letra cursiva. Fonte: Blog PsiquEasy Um estudo feito através do processo de avaliação do Pisa, entre alunos que escrevem com letra de forma e aqueles que escrevem com letra cursiva, mostrou que há uma piora significativa no item de interpretação textual nos estudantes que só escrevem com letra de forma. Escrever de letra cursiva, aumente a compreensão, produção textual e interpretação daquele que ler e escreve, pois ela estimula o desenvolvimento de áreas cerebrais que é responsável pelo pensamento, linguagem e memória do trabalho. Ensinar a letra cursiva na alfabetização é vital para que haja a estimulação do estudante e assim novas conexões e sinapses cerebrais possam entrar em campo e a aprendizagem possa ampliar a amplitude de interpretações, www.soeducador.com.br 96 Educação infantil nos anos iniciais pensamento crítico, expressão escrita e falada. Entenda que, o estudante deixar de usar ela mais tarde não é um problema, contudo, há a necessidade de que se aprenda para que outras áreas cerebrais possam ser desenvolvidas. Desde a Idade Média que a escrita cursiva já é utilizada, mesmo sendo de forma sigilosa e somente entre a nobreza e o clero, se tornando indecifrável a qualquer outra pessoa. (Schwartz, 2010). Durante muito tempo, quem possuía um bom traçado de letra cursiva era considerado uma pessoa culta, pois era-se destinado muito tempo á pratica da caligrafia, utilizando técnicas de repetições de letras e não levantar o lápis do papel enquanto se escrevia. No século XX era comum a personalidade de uma pessoa ser avaliada a partir de sua assinatura, da sua escrita cursiva, essa metodologia era utilizada até mesmo na entrevista de um emprego. Aos meados da década de 1980, crianças residentes no nosso país só podiam escrever se fosse com a letra cursiva. (Morais, 2012) Fonte: Instituto Universal Brasileiro Estudos de construtivismo e psicogênese relacionados a escrita, no qual o seu fundamento teórico é voltado para o aluno em seu processo de aprendizagem, é proposto que no início da alfabetização, é interessante usar a letra maiúscula. Devido a esse acontecimento, a letra cursiva acabou ficando como uma segunda opção tornando-se duvidoso para docentes e especialistas quanto a sua importância na pratica do ensino. Independentemente desse questionamento feito pelos educadores, a BNCC, promulgou em 2017, a referência do processo de alfabetização aonde estabeleceu que nos anos iniciais, do 1° e 2° ano, do ensino fundamental que há a alfabetização das mesmas, elencando o conhecimento do alfabeto em seus vários formatos como letras de imprensa, cursiva, maiúsculas e minúsculas. www.soeducador.com.br 97 Educação infantil nos anos iniciais Ou seja, apesar das indagações, existe um documento legal onde é estabelecido que a escrita de forma cursiva deve ser ensinada no processo de alfabetização fazendo parte ativa nos processos pedagógicos. No início do processo de aprendizagem da escrita, é ideal que os educadores comecem o primeiro estágio para as linhas retas, também conhecida como letra bastão, por se tratarem de traçados mais simples. O movimento da letra cursiva remete ao cérebro estímulos em áreas simbólicas e motoras, desenvolvendo áreas de linguagens e compreensão de mundo. Os docentes com as suas práxis pedagógicas, trazem várias teorias e abordagens bem diferenciadas, mas não devemos esquecer que existe documentos estabelecendo que a letra cursiva deve ser ensinada dentro do contexto educacional, desafios sempre vão existir, nós educadores é que vamos estabelecer se esse caminho ao qual vai ser traçado será de fácil ou difícil acesso. As crianças desde quando nascem já estão sendo preparadas para o desenvolvimento da escrita, através de movimentos lúdicos vão sendo maturados os músculos para a promoção da escrita, como por exemplo o movimento de pinça, que normalmente se desenvolve a partir do nono mês, pois o movimento de segurar objetos já o prepara para a pega do lápis. Nos 3 primeiros anos de vida, a mão vai se desenvolvendo seja por meio de manuseio com massinhas ou desenhos, entre 3 e 4 anos já observamos a facilidade de construir linhas horizontais e verticais. A partir disso poderemos observar desenhos com contornos mais definidos, pontilhados e etc. Pesquisas relatam que a memória motora é melhor na idade de alfabetização, ou seja, a probabilidade de erros diminui consideravelmente com letra cursiva na questão ortográfica.A educadora Magda Soares (2015, p.73), Professora Emérita da Faculdade de Educação da UFMG, relatou que: “No momento em que a criança está descobrindo as letras e suas correspondências com fonemas, é importante que cada letra mantenha sua individualidade, o que não acontece com a escrita ‘emendada’, que é a cursiva; daí o uso exclusivo da letra de imprensa, cujos traços são mais fáceis para a criança grafar, na fase em que ainda está desenvolvendo suas habilidades motoras.” www.soeducador.com.br 98 Educação infantil nos anos iniciais Para Cagliari (2009) aprender a ler e a escrever, na grafia de imprensa e maiúscula é bem mais fácil e simples, contudo, não tira a importância da escrita cursiva já que ela é fundamental e necessária no processo de aprendizagem, é interessante nesse contexto, fazer uso da caligrafia. “Deve-se ensinar a caligrafia da escrita cursiva. Não cuidar da arte de escrever é um equívoco, um erro da escola, que se diz ser moderna.” (Cagliari, 2009, p.84) O ensino da letra cursiva reforça os seguintes pontos: ✓ Melhora a coordenação fina, portanto desenvolve as habilidades sensoriais e noções de orientação espacial. ✓ Oportuniza maior velocidade a escrita e, assim, maior destreza. ✓ Leva a pensamento conectado e favorece a concentração e produção textual com mais coesão. ✓ Desenvolve a disciplina e contribui para a autoestima do estudante, isto é, desenvolve a capacidade e sensação de conquista, a possibilidade de produção e construção de letras e textos com a letra própria. ✓ É uma terapia para os disléxicos, pois ajuda no processo de decodificação simbólica, juntamente com as funções cerebrais, memória, consciência fonológica e coordenação motora fina. ✓ Desenvolve a função simbólica, isto é, a compreensão dos símbolos e significados que irão contribuir para o desenvolvimento da leitura e da escrita. ✓ Vários originais de documentos, manuscritos de obras literárias e cartas que compõem nosso acervo histórico-cultural foram escritos com letra cursiva, portanto não oportunizar a leitura dessas obras é um obstáculo a aprendizagem. www.soeducador.com.br 99 Educação infantil nos anos iniciais ✓ A letra cursiva tem um componente importante no desenvolvimento da escrita pessoal, é expressão individual. ✓ O desenvolvimento psicomotor promove o controle de movimentos (controlar o movimento do lápis sobre o papel), a postura, a concentração, a lateralidade, a praxia global, a relação temporal, a orientação espacial, o ritmo; além disso, dominância lateral definida. ✓ A linguagem verbal adequada desenvolve o vocabulário correto e amplo. ✓ O desenvolvimento sociocultural promove a sensação de pertencimento ao grupo social do qual faz parte. Independente de suporte digital, a escrita manual (cursiva) e uma habilidade importante na sociedade, dando oportunidades de saber ler em diferentes tipos de fontes. www.soeducador.com.br 100 Educação infantil nos anos iniciais 10. Planejamento Reverso: Uma nova forma de planejamento Toda pratica escolar acontece através de planejamento. Desde o início, independente da proposta pedagógica pela qual seja escolhida, planejar é a base principal praticada nas escolas. Além de haver ganhos através do planejamento, é uma atividade que está na essência de todo educador. Fonte: Geekie O planejamento traz clareza ao caminho que vai ser percorrido, pois a clareza traz ao meu planejamento pedagógico a certeza de aonde quero chegar, quais serão os métodos utilizados, meus objetivos, as metas e os conteúdos que quero trabalhar e ainda aumento as chances de não me perder durante o processo. A precisão do que pretendo alcançar é nítido, me proporcionado visibilidade nas intervenções educativas e estratégicas. Ao planejar um jogo de boliche eu tenho que ter planejado qual o objetivo para esse jogo, se é a contagem dos pinos ou o respeito aos limites e regras do jogo. Pois se o meu objetivo é a contagem eu não vou perder tempo se os alunos irão ou não estar pisando na linha na hora de arremessar a bola, agora se o meu objetivo é o respeito as regras, então eu não vou perder tempo contando pinos e sim observando se as regras estão sendo obedecidas. As intenções educativas devem estar baseadas de acordo com as normas pautadas pela BNCC, que define as normatizes de aprendizagem essencial que cada educando deve alcançar pela passagem da escola. Segundo a BNCC, a educação deve potencializar o desenvolvimento de competências e habilidades. O sociólogo suíço Perrenoud declarou que só são manifestadas essas competências quando a situações complexas e imprevisíveis, normalmente isso acontece diante de um problema que precisa ser resolvido. Lembre-se que a consciência não é ensinada, mas desenvolvida e somente diante de recursos mobilizados é que vai se tornando competente a cada dia. O planejamento de atividades no qual o aluno é protagonista e www.soeducador.com.br 101 Educação infantil nos anos iniciais responsável pela aprendizagem e também na promoção de situações colaborativas onde ele possa interagir com pares, argumentar, dialogar e fazer pesquisas são ótimos caminhos para a formação de indivíduos competentes. Lenise Aparecida, da Universidade de Brasília (UnB), fala o seguinte: [...] a competência abraça a um conjunto de coisas. Perrenoud trata de esquemas, através de um sentido próprio, seguindo essa concepção de uma estrutura invariante de uma operação ou ação, não está condenando uma repetição idêntica, mas podendo sofrer acomodações, dependendo da situação. A todo momento estamos propícios a enfrentar novos desafios, sendo alguns de extrema complexidade, a forma como vamos atuar diante dela é que vai fazer total diferença. Competências implicam mobilização dos conhecimentos e esquemas que a pessoa possui para desenvolver respostas inéditas, criativas e eficazes para cada um dos problemas. Utilizando da proposta da BNCC, saímos de uma perspectiva de conteúdo isolado para o desenvolvimento de habilidades. A habilidade é o conhecimento em ação, saber fazer. É através dessa perspectiva de transpor conhecimentos mediante as situações cotidianas, que está a lógica do planejamento reverso. O planejamento reverso é o planejamento de etapas ou unidades de ensino, não um planejamento reverso para cada aula, pois é um instrumento trabalhoso e que precisa eleger evidencias de processos de aprendizado. Nem sempre será possível sua realização em todas as aulas, por isso, Wiggins e Mc’Tighe (2005), criaram etapas para auxiliar na hora do planejamento, segue- se abaixo: O primeiro passo é definir os resultados que se quer alcançar nas ações educativas de acordo com a BNCC. A descrição é feita por meio de habilidades, no livro de Wiggins e Mc’Tighe (2019), temos um exemplo do professor Bob Definir os resultados que se quer alcançar (BNCC/habilidades) Determinar as evidências de aprendizagem Planejar as experiências de aprendizagem www.soeducador.com.br102 Educação infantil nos anos iniciais James, da sala do 6° ano, onde ele fala como foi feito para identificar os resultados que ele almejava alcançar com a turma. Confere: Buscando através de orientações curriculares feitas de acordo com o estado, existem três padrões de conteúdo sobre a nutrição que são referência para a faixa etária: ✓ Os alunos vão compreender conceitos essenciais sobre nutrição. ✓ Os alunos vão compreender os elementos de uma dieta balanceada. ✓ Os alunos vão compreender seus próprios padrões alimentares e as formas como esses padrões podem ser melhorados. A partir dessas investigações, foram definidas ações educativas, a partir daquilo que se esperava que os estudantes aprendessem naquela unidade. Abaixo teremos uma tabela para exemplificar: ESTÁGIO 1 – RESULTADOS DESEJADOS Objetivos estabelecidos: Aqui você será bem especifico, listando os objetivos esperados Que perguntas essenciais serão consideradas? Através das perguntas, os alunos compreenderão que... Que conhecimentos-chave e habilidades os alunos irão adquirir como resultado desta unidade? Os alunos saberão que... Os alunos serão capazes de... Fonte: Adaptado por Priscila Boy (2023) de Wiggins e McTighe (2019) www.soeducador.com.br 103 Educação infantil nos anos iniciais O segundo passo é a evidencia de como a aprendizagem ocorreu. É desafiador fazer seleção de estratégias que estejam adequadas para uma avaliação a partir do objetivo que é pretendido ser alcançado. A evidencia é algo concreto que possa ser mostrado a uma pessoa, como, por exemplo filmar, fotografar, criar portfolios, seminários, desenhos, organogramas, redações e a construção de soluções. Ainda ressaltando o exemplo de Bob James, vamos observar agora a estratégia utilizada para determinar as evidencias de aprendizagem dos alunos. Como estão aprendendo sobre nutrição, foi pedido ao diretor de acampamento do centro de educação ao ar livre, que fizesse uma adaptação nutricionalmente balanceada para um passeio de três dias até o centro no fim do ano. Foram utilizadas as diretrizes da pirâmide alimentar e informações contidas no rótulo dos alimentos, incluindo três lanches (manhã, tarde e na hora da fogueira). O objetivo era obter um cardápio saboroso e balanceado. A seguir temos um quadro que exemplifica bem as evidências que irá ser coletado dessa atividade: ESTÁGIO 2 – DETERMINAR EVIDÊNCIAS • Que evidências mostrarão que os alunos compreenderam? Tarefas de desempenho • Que outras evidências precisam ser reunidas á luz dos resultados desejados no Estágio 1? • Autoavaliação e reflexão do aluno Fonte: Wiggins e McTighe (2019) O terceiro e último passo é o planejamento de como acontecerão as experiencias de aprendizagem que serão propostas aos alunos no cunho de garantir a aprendizagem e evidencias. www.soeducador.com.br 104 Educação infantil nos anos iniciais ✓ Quais conteúdos de forma especifica a turma precisa adquirir? ✓ Quais habilidades a turma precisa desenvolver? ✓ Quais as metodologias, espaço ou recursos eu preciso utilizar para atingir meus objetivos? A seguir teremos um quadro que lhe auxiliara a elaborar as experiências de aprendizagem: ESTÁGIO 3 – PLANEJAR EXPERIENCIAS Que sequência de experiencias de ensino e aprendizagem equipará os alunos para se engajar, desenvolver e demonstrar aprendizagens desejadas? Como o planejamento irá: Ajudar o aluno a saber Onde a unidade está indo? Prender a atenção dos alunos Equipar os alunos, Experimentar, Explorar questões Repensar, Rever Avaliar o próprio trabalho Adaptar-se às diferentes necessidades Organizar-se Fonte: Wiggins e McTighe (2019) O planejamento além de ser essencial é de fundamental importância para o educador, apesar de muitas vezes não termos ou não utilizarmos ferramentas que nos auxiliem. Após a homologação das diretrizes da BNCC e seu processo organizacional com competências e habilidades, se tornou desafiador a realização de um planejamento efetivo. Normalmente dividimos nossos conteúdos em aulas e ao final do processo os avaliamos. Mas fica a seguinte pergunta: será que os alunos realmente entenderam o assunto que foi abordado em sala de aula? www.soeducador.com.br 105 Educação infantil nos anos iniciais Devemos fazer planejamentos significativos e que estejam objetivados na aprendizagem e compreensão dos alunos. Haver socialização com os alunos, conhecer sobre o que eles aprendem e trazer para a realidade do nosso assunto é uma estratégia de aprendizagem significativa diante do contexto atual em que estamos. Nossa forma de planejar vai interferir diretamente nas metodologias, instrumentos e as experiências realizadas no processo de aprendizagem. 11. O Ensino Hibrido no Brasil Fonte: Minha Biblioteca A pandemia veio para escancarar os problemas estruturais presentes na educação brasileira. Isso aconteceu pois devido a obrigatoriedade do isolamento muitas atividades tiveram que ser adaptadas a fim de que a economia, educação, saúde e etc., não tivessem seus exercícios paralisados. O professor José Armando Valente (livre-docente e professor titular do Departamento de Multimeios, Mídia e Comunicação do Instituto de Artes da Unicamp) no prefacio do livro Ensino Hibrido: personalização e tecnologia na educação (Penso Editora), definiu da seguinte forma o ensino hibrido: O ensino hibrido é uma forma de abordagem pedagógica combinando atividades presenciais e atividades que podem ser realizadas por meio da Tecnologia Digital de Informação e Comunicação (TDICs). Temos formas diferentes para combinar essas atividades, a estratégia é colocar o foco do processo na aprendizagem do aluno e não na transmissão de informação que www.soeducador.com.br 106 Educação infantil nos anos iniciais normalmente o professor realiza. Essa abordagem de conteúdo e instruções sobre determinado assunto curricular não é transmitido pelo professor em sala de aula, pois ele estuda o material em diferentes situações e ambientes e a sala de aula passa a ser um lugar onde o aluno aprende de forma ativa, realizando atividades de resolução de problemas, projetos, discussões, laboratórios, ente outro, através do apoio do professor e colaboração dos colegas. Um exemplo sobre isso é descentralização dos atendimentos bancários, que antes necessitava-se ir até a agência a fim de obter determinado serviço e hoje em dia você pode obter atendimento através do próprio aplicativo bancário, não necessitando mais que se faça o deslocamento até a agência. Contudo, o único ambiente que ainda não adotou de forma especifica os serviços, foi a educação, pois estamos mais focados em manter o modelo de prestador de serviços e não no cliente. Estamos presos ao sistema de que a educação tem que ser perceptível aos pais dos alunos, necessitando utilizar-se de sua estrutura física com materiais, bibliotecas, ginásios, salas climatizadas e etc., e esquecendo da perspectiva do aluno. Temos que ter em mente que a qualidade de uma escola não está em objetos e materiais ao qual ela possa lhe fornece, como, por exemplos, parquinhos temáticos, mas em ambiente propícios e adequados para o pleno desenvolvimento do aluno. Exupéry, no livro O Pequeno Príncipe, fala o seguinte: “O essencial é invisível aos olhos, e só se pode ver com o coração.” Infelizmente, a educação brasileira não internaliza aquilo que é essencial da humanidadede nossas crianças, sendo comprovada isso pelo fato de que nem todos são leitores, e isso é um direito básico do ser humano. Não nos mobilizamos para o fato de estimular a curiosidade, pois nosso modelo educacional prioriza que todos devem saber a mesma coisa e não cada um deve aprender aquilo que lhe traz a melhor experiencia possível. A relação de tudo isso é que no futuro nossas crianças irão trabalhar em profissões que ainda nem existem, então porque os sistemas educacionais deve ser o mesmo? Será que mantendo essa perspectiva estaremos realmente preparando de forma adequada para exercerem essas profissões futuras? A resposta para isso é: não, não estamos preparando-os. Devemos entender que o mais importante hoje é que as pessoas saibam conviver e se www.soeducador.com.br 107 Educação infantil nos anos iniciais relacionar do que até mesmo saberem algo especifico, pois todo conteúdo que possa ser necessário está armazenado na internet e de fácil acesso. O que a pandemia nos trouxe foi a ruptura de um sistema educacional voltada somente a presença no âmbito escolar para traçar um novo caminho aonde chega bem próximo do ensino híbrido. Entre os modelos de ensino híbrido, Lilian Bacich, Adolfo Tanzi Neto e Fernando de Mello Trevisano (2015), traz os seguintes: Modelo de rotação Há um revezamento das atividades a serem realizadas, sob orientação dos professores, pelos estudantes. Modelo Flex Há uma personalização das atividades, em geral on-line, a serem realizadas por cada estudante, e os professores ficam á disposição para esclarecimento de dúvidas. Ensino Presencial Ensino On-Line Ensino Híbrido Modelo de Rotação Modelo Flex Modelo À La Carte Modelo Virtual Enriquecido www.soeducador.com.br 108 Educação infantil nos anos iniciais Modelo à la carte A organização do que estudar para chegar aos objetivos propostos é definida pelo próprio estudante em parceria com os professores. Modelo Virtual enriquecido Acontece a combinação entre atividades on-line e presenciais que devem ser vivenciadas e/ou realizadas por todos os estudantes. Fonte: Vector Stall / Shutterstock.com Essas metodologias são vistas por alguns autores como ativas, pois muda a visão central do ensino, tirando o professor da centralidade, e colocam na aprendizagem, o aluno passa a ser a centralidade da questão. É importante salientar que a ideia não é abolir o ensino presencial, pois o próprio ensino hibrido necessita e depende dos professores reais envolvidos, já que ele só funciona quando a tríade educacional acontece com: planejamento, execução/orientação, registro e retorno seja avaliativo ou autoavaliação. Então em toda e qualquer proposta, haverá a atuação do professor engajado e motivado para que exerça a sua função de tutor ou professor, pois ambos têm atribuições distintas. Não esqueçamos de pontuar as grandes contribuições do ensino hibrido: ✓ Desenvolvimento da autonomia ✓ Respeito aos limites e ao tempo ✓ Estimulo a criação de possibilidades Tudo isso acontece porque há engajamento dos alunos em aspecto a aprendizagem, aumentando a qualidade e o aproveitamento do tempo dos professores, definindo de forma coletiva ou individual a jornada ou percurso que cada estudante deve realizar, isso acontece de forma especifica porque grande parte das plataformas monitoram período de login, tempo de navegação, percurso pelas funcionalidades e atividades, apresentando dados e informações www.soeducador.com.br 109 Educação infantil nos anos iniciais especificas oferecendo diagnostico adequado no qual deverá haver intervenção do professor, possibilitando também uma variedade de linguagens e experiências nas diversas forma de aprender e próxima a realidade dos alunos. Uma das dificuldades enfrentadas aqui no Brasil é utilização das redes sociais (WhatsApp, Facebook, Instagram e etc.) como didática pedagógica e acabamos enfrentando dificuldades para recorrer a esse meio em propostas de atividades. O parecer n° 05/2020, criada no período da pandemia do Covid-19 para atender as demandas educacionais que não podiam acontecer presencialmente, sugere diversas possibilidades de trabalhar por meio do ensino hibrido e que ainda podem ser utilizadas hoje em dia. Vejamos: Na Educação Infantil: Para crianças das creches (0 a 3 anos) As orientações para os pais devem indicar atividades de estímulo às crianças, leitura de textos pelos pais, brincadeiras, jogos, músicas infantis. Para auxiliar pais ou responsáveis que não tem fluência na leitura, sugere-se que as escolas ofereçam aos cuidadores algum tipo de orientação concreta, como modelos de leitura em voz alta em vídeo ou áudio, para engajar as crianças pequenas nas atividades e garantir a qualidade da leitura. Crianças da pré-escola (4 e 5 anos) As orientações são de atividades de estimulo as crianças como leitura de textos pelos pais ou responsáveis, desenhos, brincadeiras, jogos, músicas infantis e algumas atividades no meio digital quando for possível. O objetivo é estimular as atividades entre crianças e seus pais ou responsáveis. As escolas podem orientar as famílias e estimular criando condições para que as crianças sejam envolvidas em atividades rotineiras, transformando os ambientes cotidianos em espaços www.soeducador.com.br 110 Educação infantil nos anos iniciais de interações e aprendizagem. Além disso fortalece os vínculos, potencializando desenvolvimentos cognitivos, afetivos e de sociabilidade. Observamos que é possível fazer a utilização dos TDICs na Educação Infantil desde os bebes até os 5 anos de idades, através de compartilhamento das orientações para famílias e cuidadores, é sugerido até que faça a utilização de objetos digitais através de vídeos (Facebook, YouTube, Vimeo, etc.) ou áudio (podcasts, Deezer, WhatsApp, etc.), sendo selecionados ou até produzidos pelos próprios professores. É importante também que os professores mantenham a interação com as crianças mesmo que remotamente para que haja um vínculo com elas. Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental: Traremos agora sugestões de possibilidades para que as atividades sejam realizadas no âmbito do Ensino Fundamental: ✓ Aulas gravadas para televisão, organizadas pela escola ou rede de ensino, de acordo com o planejamento de aulas e conteúdo, ou via plataformas digitais de organização. ✓ Sistema de avaliação realizado a distância sob a orientação das redes, escolas e dos professores e, quando possível, com a supervisão dos pais acerca do aprendizado dos seus filhos. ✓ Lista de atividades e exercícios, sequencias didáticas, trilhas de aprendizagem por fluxo de complexidade relacionadas às habilidades e aos objetos de aprendizagem. www.soeducador.com.br 111 Educação infantil nos anos iniciais ✓ Orientação aos pais para realização de atividades relacionadas aos objetivos de aprendizagem e às habilidades da proposta curricular. ✓ Guias de orientação aos pais e estudantes sobre a organização das rotinas diárias. ✓ Sugestões para que os pais realizem leituras para seus filhos. ✓ Utilização de horários de TV aberta com programas educativos compatíveis com as crianças dessa idade e orientação aos pais para o que elas possam assistir. ✓ Elaboração de materiais impressos compatíveis com a idade dacriança para a realização de atividades (leitura, desenho, pintura, recorte, dobradura, colagem, entre outros). ✓ Distribuição de vídeos educativos (de curta duração) por meio de plataformas on-line, mas sem a necessidade de conexão simultânea seguida de atividades a serem realizadas com a supervisão dos pais. ✓ Realização de atividades on-line síncronas, regulares em relação aos objetos de conhecimento, de acordo com a disponibilidade tecnológica. ✓ Oferta de atividades on-line assíncronas regulares em relação aos conteúdos, de acordo com a disponibilidade tecnológica e familiaridade do usuário. ✓ Estudos dirigidos com supervisão dos pais. ✓ Exercícios e deveres de casa de acordo com os materiais didáticos utilizados pela escola. www.soeducador.com.br 112 Educação infantil nos anos iniciais ✓ Organização de grupos de pais, por meio de aplicativos de mensagens instantâneas e outros, conectando os professores e as famílias. ✓ Guias de orientação às famílias e acompanhamento dos estudantes. Todas essas atividades estão diretamente proporcionais ao uso do ensino hibrido, pois ele não se reflete somente a um vídeo de uma aula, mas a tudo aquilo que for tecnológico que possa ser utilizado como estratégia de dinâmica para a aula planejada. 11.1 Visão Geral sobre o Ensino Hibrido 1. O que entendemos sobre Ensino Hibrido? É uma proposta inovadora para a Educação Básica pois permite aplicar benefícios da tecnologia em sala de aula. O objetivo dele é combinar as vantagens da educação presencial e á distancia, incentivando interações sociais e culturais, proporcionando o contato com as ferramentas tecnológicas do campo da educação. O especialista Lilian Bacich apud Claudio Sassaki, diz o seguinte: “O ensino hibrido é uma mistura metodológica que impacta a ação do professor em situações de ensino e a ação dos estudantes em situações de aprendizagem.” 2. Como surgiu? Surgiu a partir do termo blended learning, nos anos 2000, com cursos educacionais voltados para empresas. Em 2014, houve um grupo de experimentação feita pelo Instituto Peninsular e pela Fundação Lemann, aonde professores de escolas públicas e privadas compartilhavam o www.soeducador.com.br 113 Educação infantil nos anos iniciais maior número de experiencias bem sucedidas de personalização do ensino, utilizando a tecnologia como facilitadora e potencializadora desse processo. 3. Qual é a principal característica do Ensino Hibrido? É caracterizado por misturar dois modos de aprendizagem, onde on-line o aluno aprende a estudar sozinho e individualmente e o off-line, onde ele estuda em grupo, com o professor e colegas, valorizando o aprendizado coletivo e colaborativo. 4. Como funciona o Ensino Hibrido? Seja na forma off-line ou on-line, ela traz interação social e troca de saberes entre alunos com alunos e alunos com professores, utilizando-se da plataforma tecnológica quando necessário. Nesse ambiente é utilizado a valorização de interações sociais no ambiente escolar e o aprendizado de forma virtual. São elementos complementares, dando autonomia e conhecimento importantes para o desenvolvimento profissional. 5. Como funciona o Ensino Hibrido na pratica? Claudio Sassaki relata que isso acontece por meio da rotação de laboratório (ou lab rotation, em inglês). Ele é complementar e apresentado em laboratório ou sala de aula. Muitas escolas utilizam esse método e também a plataforma Geekie Lab, que facilita o processo de aprendizagem do aluno. 6. Quais são os benefícios do Ensino Hibrido? A principal vantagem é a de permitir que o aluno tenha flexibilidade de ambiente e horário para estudar. • Flexibilidade do ambiente de aprendizado: o aluno pode www.soeducador.com.br 114 Educação infantil nos anos iniciais escolher o melhor ambiente e horário para estudar como também o de interação com seus colegas de sala e professor. • Capacidade de coordenar tarefas: os vários instrumentos como celular, tablet, computador pode ser escolhidos como meio para estudo, adquirindo uma maior capacidade para coordenação das atividades do cotidiano e tendo a oportunidade de aprimorar os seus estudos, obtendo até um rendimento superior. • Qual é o papel do professor e do aluno nesse ambiente? O professor precisa elaborar um plano pedagógico voltado para essa modalidade afim de atender os objetivos da disciplina, já o aluno precisa manter organização e seriedade mediante os estudos e cumprimento de tarefas. 7. O que o Ensino Hibrido propõe? 01 – Maior engajamento dos alunos no aprendizado. 02 – Melhor aproveitamento do tempo do professor. 03 – Ampliação do potencial da ação educativa, visando intervenções efetivas. 04 – Planejamento personalizado e acompanhamento de cada aluno. 05 – Oferta de experiências de aprendizagem que estejam ligadas ás diferentes formas de aprender dos alunos. 06 – Aproximação da realidade escolar com o cotidiano do aluno. www.soeducador.com.br 115 Educação infantil nos anos iniciais 11.2 O uso abusivo de telas e seus riscos para o desenvolvimento Rápida é a evolução no quesito de envolvimento das Tecnologias de Informações e comunicação, sendo muitas vezes até difícil de acompanhar. Esse desenvolvimento acelerado, contribui para que mais pessoas estejam imersas nas telas e nas mídias sociais, ocupando o lugar do convívio social e até mesmo do processo de aprendizagem. Essa problematização avança cada mais rápida, e isso é observado através de entendermos a exposição da nova geração ao uso de celulares, tablets e qualquer outro dispositivo eletrônico nos primeiros anos de vida. O NICHD – Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos, declara que uma relação de grande valia quando relacionado o comportamento da criança com a utilização de telas. Através dessa pesquisa foi possível identificar fatores relacionados a agressividade e desatenção por exposição excessiva dessas telas, além de transtornos psicológicos, é observado uma alteração na qualidade do sono. Evelyn Eisenstein, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), informa que a luz que é emitida pelas telas inibe a produção de melatonina, esse hormônio é essencial para que haja a indução do sono. Ou seja, quando crianças na primeira infância são expostas ao uso excessivo das telas, estamos prejudicando o desenvolvimento dela, pois é necessário ter-se um sono de qualidade para que haja o desenvolvimento do cérebro e do corpo. O estilo de vida moderno, é um ótimo contribuinte para o vício (sim, o uso de telas gera um vício semelhante ao uso de drogas ou outras práticas nocivas), o uso do celular, por exemplo, libera um neurotransmissor chamado dopamina que influencia diretamente nas emoções, no prazer e no aprendizado. É importante salientar que tanto a família como a escola tem papeis fundamentais no processo de diminuição dos usos dessas telas. Apesar de serem usados pelos pais ou familiares como uma válvula de escape, tentando distrair a criança, essa compensação acaba disseminando o vício. Diante dessa situação é dever dos pais e da família, regular e monitorar o acesso as redes para que essa pratica não comprometa o desenvolvimento cerebral. www.soeducador.com.br 116 Educação infantil nos anos iniciais Já na escola, é um fator a ser debatido. A Sociedade Brasileira de Pediatria faz a recomendação que crianças menores de 2 anos nãodevem ser expostas ao uso de telas e que crianças de 2 a 5 anos no máximo passem somente 1 hora expostas a ela. Crianças de 6 a 10 anos devem utilizar de 1 a 2 horas por dia. E os adolescentes de 11 à 18 não devem ultrapassar de 3 horas diárias incluindo o videogame. A caderneta da criança atualmente traz a informação que até os 10 anos de idade seja evitado o uso de telas nos seus próprios quartos, como televisão e computador, e que o uso do smartphone deve ser iniciado somente após os 12 anos. Então o uso de telas na escola, tanto é benéfico como prejudicial, tendo em vista que o professor pode muitas vezes não ter certeza do tempo de uso que as crianças fazem em casa. O que queremos salientar aqui é que, o uso de telas apesar de ter suas vantagens e ser e alto cunho educativo, ele pode ser substituído por outras metodologias que sejam tão interessantes quanto o uso da tecnologia. Hoje já dispomos de várias metodologias (ativas, reversas, brinquedotecas e etc.) que estão expostas neste curso com o objetivo de se usar o lúdico na construção do conhecimento e desenvolvimento. Nossas crianças necessitam de atividades ativas a fim de que não venham apresentar quadros de hiperatividade, desatenção, frustação, dificuldade pra dormir e até mesmo apresentar um quadro de ansiedade. Quando a criança brinca, ela cria, participa, explora e se sente extremamente feliz. www.soeducador.com.br 117 Educação infantil nos anos iniciais 12. Metodologias Ativas no processo de aprendizagem Fonte: Moodle USP A contemporaneidade nos mostra transformações biopsicossociais, provocadoras de grandes mudanças na maneira de ser do sujeito e de como ele irá interagir com o mundo. Esse novo paradigma contemporâneo exige do indivíduo posturas novas nos aspectos econômicos, sociais e políticos. A educação precisa de mudanças no quesito de metodologias na forma de aprendizagem. Hoje, observamos um modelo passivo no qual o docente é o protagonista da educação, com aulas expositivas e aplicação de avaliações e trabalhos. Contudo, necessitamos de mudanças nas técnicas de ensino e nas formas de aprendizagem. As metodologias ativas, valorizam o sujeito como ator principal, tornando- o responsável pelo processo de aprendizado, ou seja, o objetivo é incentivar a comunidade escolar e acadêmica a desenvolver capacidades de absorção dos conteúdos de uma maneira autônoma e participativa. O Americano William Glasser, psiquiatra, através de estudos feitos sobre como as pessoas aprendem e a eficiência desses métodos, relatou que 100% eles aprendem lendo; 20% aprende escrevendo; 50% observando e escutando; 70% discutindo com outras pessoas; 80% praticando; 95% ensinando. É www.soeducador.com.br 118 Educação infantil nos anos iniciais possível dessa forma enfatizar que os métodos que são mais eficientes estão inseridos nas metodologias ativas. Já sabemos que todas as práticas envolvendo o ensino-aprendizagem com o uso de metodologia ativas, promove aprendizagem significativa, sendo que algumas delas já são desenvolvidas em muitas instituições de ensino. Essas técnicas de estudos avançada permeiam novas possibilidades de o aluno ter acesso a conteúdo online, fazendo com que o tempo em sala de aula seja otimizado. O estudante que já vem com conhecimento prévio sobre o conteúdo e vem apenas para tirar dúvidas com os professores e interagir com os demais colegas, torna a classe bem mais participativa. Ele pode aproveitar esse tempo para a execução de estudos de casos, fazer projetos, analises e etc., a partir desse eixo até a concentração dos alunos mostrarão uma significativa diferença. Nas metodologias ativas, vários são os recursos utilizados que irão beneficiar o processo de aprendizagem, como vídeos, imagens, textos, a múltiplas linguagens (gestuais, silenciadas, verbais); aulas com construção de peças teatrais (performance), parodias, músicas com representação falada e silenciada (somente com gestos), tudo isso contribui para uma aula ativa e dinâmica que atendera a modalidade de cada estudante, pois cada indivíduo tem um jeito de aprender. Grandes são os benefícios do uso de metodologias ativas no desenvolvimento de autonomia e confiança, tornando os alunos aptos a resolverem problemas. Para a instituição, os benefícios são a satisfação dos alunos com o ambiente. Temos que lembrar que aprendizagem é o prazer em aprender, melhorar a percepção em relação ao aprendizado, ao conhecimento e a instituição, dando oportunidade de ser um sujeito mais proativo dentro do mercado de trabalho. A proposta é que haja diálogo entre as diversas ciências a fim de que o saber seja entendido como um todo e não em partes ou de forma fragmentada. Nesse contexto, a interdisciplinaridade é uma forma de chegarmos à transdisciplinaridade, etapa que não se encaixa na interação e reciprocidade entre as ciências, mas que elevaria o estágio entre as disciplinas. Então, se o trabalho interdisciplinar nos garante maior interação entre alunos e professores, seja em experiencias ou em convívio grupal, podemos www.soeducador.com.br 119 Educação infantil nos anos iniciais entender que é uma forma aonde temos a promoção da união escolar em torno do objetivo que permeia os indivíduos sociais. As metodologias ativas e a interdisciplinaridade promovem: ✓ Relação sujeito-aquisição do saber: a crença aonde o indivíduo aprende; então, ele aprende a aprender, o docente ensina a aprender, a estudar e etc., estabelecendo relação direta e pessoal com o saber. ✓ Noção de tempo: não é cobrado do aluno o tempo certo em que ele deve aprender, não data, ele pode aprender a toda hora e não somente em sala de aula. ✓ Sujeito interdisciplinar: o saber ele é aprendido individualmente, contudo, não anula as partes do conhecimento que formam uma totalidade. ✓ Interdisciplinaridade e metodologias ativas: o aprendizado envolve emoções e razão no processo da criação do conhecimento, assim é possível aprender independe da idade quando possuem um projeto de vida e o conteúdo do ensino é importante para esse projeto. Ou seja, necessitamos que a educação abra as portas para que mais didáticas possa ser utilizada mediante o seu planejamento. Assim como também os educadores necessitam estar com a mente aberta e abraçarem a ideia de novas formas de execução das aulas, associando metodologias diferentes na construção do saber. Abaixo, traremos as metodologias ativas mais conhecidas: Sala de aula invertida São propostos estudos individuais, em geral com material disponibilizado de maneira remota, antes da interação com o professor e os colegas. Rotação Individual É proposta uma lista personalizada para cada estudante com as www.soeducador.com.br 120 Educação infantil nos anos iniciais propostas de atividades (on-line e/ou presenciais) para serem realizadas de maneira que contemple o tema em estudo. Rotação por estações São organizados grupos de estudantes que têm atividades especificas, mas que devem ser realizadas de maneira colaborativa e, em alguns momentos, individual. Laboratório rotacional As propostas de trabalho são apresentadas na sala de aula, mas, para a sua execução, requer que os alunos usem computadores e/ou laboratórios, utilizando atividades on- line como complemente ou suporte para as presenciais. Brainstorming É uma palavra inglesa que significa tempestade de ideias e que é utilizada em grupos para o desenvolvimento de ideias que possam explorar a capacidadeEsta obrigatoriedade foi regulamentada de forma mais precisa por outro Decreto, em 1932, o 2.417-A, que regulou as condições de trabalho das mulheres nos estabelecimentos industriais e comerciais. Este decreto determinou que os estabelecimentos em que trabalhassem pelo menos trinta mulheres com mais de 16 anos de idade deveriam ter locais apropriados onde fosse permitido às empregadas guardar sob vigilância e assistência os filhos em período de amamentação. Tal legislação nunca foi rigorosamente cumprida. Das entidades assistencialistas, a mais importante deste período, foi o Instituto de Proteção e Assistência à Infância do Rio de Janeiro (IPAI-RJ), fundado pelo médico Arthur Moncovo Filho, em 24 de março de 1899. Em 1929, já possuía 22 filias em todo o país, delas com creche. Tal assistência era oferecida por estar dividindo os seus serviços em puericultura intrauterina (ginecologia, proteção à mulher grávida pobre, assistência ao parto e ao recém- nascido) e exta-interina (distribuição de leite, creche, consulta e higiene de lactantes, exame e atestação das amas-de-leite). (KUHLMANN, 1998) A implantação de creches não era definida de forma generalizada e trazia à tona conflitos sob vários aspectos: médico-higienista, jurídico-policial e religioso. Essas influências se articularam em nosso país, não somente na composição das entidades, mas também na participação e organização de congressos sobre os temas da assistência, da higiene, da educação, etc. Assim, a política assistencial, imbuída dos saberes médico, jurídico e religioso, apresentava justificativas para a implantação de creches, asilos e jardins-de-infância. Kramer (1982) atribui ao período inicial do atendimento pré-escolar, como de fase pré-1930, tendo um caráter de atendimento médico e sanitário. Segundo Kuhlmann Jr. (1998), embora a concepção médico-higienista esteja marcadamente presente na constituição das creches em nosso país: Não se pode caracterizar este período como de hegemonia médico- higienista: as propostas de atendimento pré-escolar não são monopólio daqueles interesses, daquele corpo profissional. (...) não havia apenas médicos- higienistas na educação infantil. Além da puericultura, que passou a integrar os www.soeducador.com.br 10 Educação infantil nos anos iniciais currículos das escolas normais, desenvolveram-se estudos de psicologia infantil e de métodos pedagógicos para a criança pequena. (p.88) Assim, a educação infantil estava associada à ideia de sociedade moderna e civilizada, à ideologia do progresso. Segundo Faria (1999), para tirar o Brasil do atraso e construir uma nação moderna os intelectuais das décadas de 20 e 30 tinham que acreditar na reforma da educação e do ensino, e só dispunham do poder das ideias. (p.30) Do ponto de vista médico-higienista, o grande tema da assistência à infância, era o combate da mortalidade infantil. Esta preocupação se integrava ao projeto mais geral de saneamento básico para atingir a civilidade, a modernidade e combater a mortalidade. A puericultura recebia a pediatria e a partir dela divulgou-se as normas racionais de cuidados com a infância. A puericultura foi, assim, considerada como a ciência da família, exercendo a colaboração entre médico e mães. As mães burguesas eram postas na condição de aliadas dos médicos na tarefa de difusão dos novos comportamentos junto às mães trabalhadoras. Apesar de ter um caráter médico, o Instituto de Proteção e Assistência a Infância (IPAI), teve um conselho administrativo construído por representantes de vários setores sociais, políticos, militares, negociantes, industriais, juristas e outros profissionais liberais. Os objetivos de seus estatutos (de 1903), mostram preocupações com a questão jurídica e educacional, dentre eles: Inspecionar e regulamentar a lactação; inspecionar as condições de vida das crianças pobres (alimentação, roupas, habitação, educação, instrução, etc.); dispensar proteção à crianças abandonadas; auxiliar dispensam médica nas escolas e indústrias; zelar pela vacinação; difundir meios de combate à tuberculose e outras doenças comuns às crianças; criar jardins-de-infância e creches; manter o Dispensário Moncorvo, para tratamento das crianças pobres; auxiliar os poderes públicos na proteção às crianças necessitadas; (...) e propagar a necessidade de leis protetoras da infância e também da regulamentação da indústria das amas-de-leite. (KUHLMANN JR., 1998. p. 92- 93) Muito menos do que relacionadas com questões de higiene e saúde, as rígidas e detalhadas prescrições da puericultura seriam a demonstração de uma www.soeducador.com.br 11 Educação infantil nos anos iniciais mentalidade intervencionista visando ao adestramento das crianças para a sua autonomização, ou individualização. A educação para os pequenos, considerada como pré-educação obteria resultados na saúde e resultaria em obediência. A pré-educação, entendida como domesticação de caprichos, previa que o bebê deveria ser deixado chorando no berço até obedecer, para aprender a dormir à noite sem mamar. Tal educação teria por objetivo integrar rapidamente os pequenos à sociedade, treinando os pais e as mães, a seguir apenas as prescrições indicadas como necessárias para o bom desenvolvimento da infância. Do ponto de vista jurídico-policial, este mesmo autor (KUHLMANN JR., 1998.), afirma que as legislações trabalhista e criminal revelavam a preocupação com a chamada infância moralmente abandonada. Dava-se especial atenção à criminalidade infantil, apontando a desorganização da família e a má influência exercida em certos meios familiares. Na discussão para a definição de parâmetros da legislação trabalhista, buscou-se implementar uma divisão entre medidas para os trabalhadores, entendidos como beneficiários, e também medidas que passaram a constituir o campo de assistência, voltadas para os mais pobres, entendidos como assistidos. Os objetivos do Patronato de Menores foram estabelecidos nos estatutos de 1909, como, por exemplo: ✓ fundar creches e jardins-de-infância; ✓ proporcionar aos menores pobres recursos para o aproveitamento do ensino público primário; ✓ incutir no espírito das famílias os preciosos resultados da instrução; auxiliar os Juízes de órfãos no amparo e proteção aos menores materialmente e moralmente abandonados; ✓ promover a proibição das vendas por menores na escola perniciosa das ruas; ✓ codificar as causas que acarretaram a cessação do pátrio poder; ✓ evitar a convivência dos menores de ambos os sexos, promovendo a extinção da promiscuidade nos xadrezes, criando depósitos com aposentos separados para ambos os sexos; ✓ promover a assistência dos detentos menores; ✓ tratar da reforma das prisões de menores; www.soeducador.com.br 12 Educação infantil nos anos iniciais ✓ e esforçar-se para que se realize a fiscalização de todos os asilos e institutos de assistência pública e privada. (KUHLMANN JR., 1998, p.p.93-4) A concepção de assistência científica defendia a desobrigação do Estado e o fortalecimento das entidades privadas. A função do Estado seria apenas supervisionar e subsidiar as entidades propiciando, então, a existência de um atendimento fracionado em múltiplas instituições, onde procuravam saber sobre as vidas particulares para selecionar as pessoas que seriam atendidas. A população pobre era vista, nesta concepção, como ameaça à tranquilidade das elites, conforme nos mostra esse mesmo autor: A concepção da assistência científica (...) em consonância com as propostas das instituições de educação popular difundidas nos congressos a nas exposições internacionais, já previa que o atendimentocriativa de todos e de cada um. Brainwriting Trata-se de registrar ideias pertinentes e relacionadas á demanda do grupo e é também conhecida como método 6-3-5 porque originalmente envolve seis pessoas, mais um mediador, que deverão escrever pelo menos três ideias relacionadas á demanda num tempo máximo de cinco minutos; a partir desses registros, as ideias são compartilhadas e se elabora uma proposta. Design Thinking Proposta para aplicar conceitos do design ao pensamento dos humanos; portanto, não há um modelo especifico, mas cinco etapas a serem vivenciadas para chegar á aprendizagem, que são: a descoberta www.soeducador.com.br 121 Educação infantil nos anos iniciais (apresentação e observação da situação); a interpretação (levantamento de informações da situação); a experimentação (aplicação das soluções propostas); e a evolução (analise e avaliação dos resultados do que foi proposto). Recursos visuais Possibilidade de construir alguns recursos visuais que “organizam” o que está sendo estudado por meio de, por exemplo, mapa mental (estabelece o sintagma individual ou coletivo relacionado a um conceito especifico), mapa conceitual (estabelece um organograma individual ou coletivo relacionando conceitos ou ideias que estão sendo trabalhados) ou infográfico (maneira gráfica de apresentar informações e/ou dados utilizando imagens e textos). Gamificação É quando utilizamos elementos de games (objetivos, regras retorno imediato, recompensas, motivação intrínseca, inclusão do erro no processo, diversão, narrativa, níveis, abstração da realidade, competição, conflito, cooperação, voluntariedade, etc.) em situações fora deles para elevar o engajamento, a motivação e a atenção para a realização das atividades propostas. PBL (Problem Based Learning), ou Aprendizagem Baseada em Problemas As atividades propostas são baseadas em problemas reais por meio dos quais será necessário o desenvolvimento do pensamento, o estimulo a criatividade, a aprendizagem de conceitos das(s) área(s) envolvidas e o respeito aos critérios norteadores da inovação. São fundamentais para a proposição de soluções para o problema. www.soeducador.com.br 122 Educação infantil nos anos iniciais PjBL (Project Based Learning) ou Aprendizagem Baseada em Problemas com Soluções via Projetos Trata-se de uma “consequência” do PBL quando a solução para o problema, a questão ou a tarefa que prevê e necessita de uma solução sustentável de produção por meio de um trabalho cooperativo. Peer instrucion (Aprendizagem pelos padrões) Consiste em disponibilizar, antes da aula, material didático com instrumento de mensuração previa (questões, testes, etc.) para os alunos fazerem individualmente; então, baseando-se nessas respostas previas, se tiverem um alto índice de acertos, o professor revisa e conclui o conteúdo apresentado ou, se tiverem um baixo índice de acerto, o professor explica o conteúdo e propõe que os alunos discutam coletivamente suas respostas e revisem suas respostas individuais, quando acontece uma nova observação, pelo professor, das novas respostas, antes de seguir para o próximo conteúdo ou retomar novamente o que está sendo estudado. Storytelling Significa narrativa; portanto, é a utilização de narrativas bem estruturadas, construídas e contextualizadas, que facilitam a compreensão de conteúdos de maneira mais efetiva porque envolvem sentimentos, emoções, desejos, atitudes e valores; por exemplo, o envolvimento do leitor quando lê um texto didático sobre a Segunda Guerra Mundial será bem diferente de ler uma obra clássica como O diário de Anne Frank. POE (Predict/Observe/Explain), ou Prever, Observar e Explicar Trata-se de os alunos, individualmente ou em pequenos grupos, fazerem o levantamento de hipóteses, justificando-as, sobre um determinado evento; depois, observam o evento para verificar se www.soeducador.com.br 123 Educação infantil nos anos iniciais corroboram ou refutam suas hipóteses; e, por último, consolidam suas considerações a partir das hipóteses e das observações (verificam o fenômeno). ISLE (Investigative Science Learning Environment), ou Ambiente de Aprendizagem e Investigação em Ciência Os alunos recebem previamente atividades com roteiros de experimentos a serem realizados cuja orientação de observação dos fenômenos deverão investigar e buscar a identificação e construção de padrões cuja posterior testagem vai contribuir para as explicações desses padrões e utilizá-los em múltiplas representações (constroem padrões para o fenômeno). TBL (Team Based Learning), ou Aprendizagem Baseada em Equipes Tem por objetivo o desenvolvimento de trabalho colaborativo, autonomia e protagonismo por meio do gerenciamento de equipes de aprendizagem, atividades envolvendo preparação e aplicação de conceitos da área envolvida, retorno permanente dos resultados das ações realizadas e avaliação entre os membros da equipe porque todos se responsabilizam pela aprendizagem individual e coletiva. www.soeducador.com.br 124 Educação infantil nos anos iniciais 13. Educação, Cultura, Currículo (…) a educação não é nada fora da cultura e sem ela. Mas, reciprocamente, é pela e na educação, através do trabalho paciente e continuamente recomeçado de uma “tradição docente” que a cultura se transmite e se perpetua: a educação “realiza” a cultura como memória viva, reativação incessante e sempre ameaçada, fio precário e promessa necessária da continuidade humana (Forquin,1993, p. 14). Forquin ajuda a refletir sobre as inter- relações entre educação e cultura, enfatizando a importância da ação docente neste processo. Para o autor, pode-se dizer que a cultura é o conteúdo substancial da educação, sua fonte e sua justificação última. Partimos de uma visão de cultura como prática social. Como afirmam Moreira e Candau (2007, p. 27), quando um grupo compartilha uma cultura, compartilha um conjunto de significados, construídos, ensinados e aprendidos nas práticas de utilização da linguagem. A palavra cultura implica, portanto, o conjunto de práticas por meio das quais significados são produzidos e compartilhados em um grupo. Isto é, um conjunto de práticas significantes. ✓ Fonte: Foco Educação Profissional Nesta perspectiva, os autores discutem o currículo como escolhas, como uma seleção cultural da escola. Portanto, um conjunto de práticas que propicia www.soeducador.com.br 125 Educação infantil nos anos iniciais a produção, a circulação e o consumo de significados. O currículo é, por consequência, um dispositivo de grande efeito no processo de construção da identidade do(a) estudante (id. p. 28). E não se pode desconsiderar a relação de poder e as tensões que se travam neste processo seletivo da cultura: o currículo é um território em que se travam ferozes competições em torno dos significados (Moreira e Candau, 2007, p. 28). A escola é a instituição oficialmente encarregada de organizar, selecionar, decantar, adaptar elementos da cultura, para serem transmitidos às novas gerações. Cabe a ela não só a função de selecionar o que deverá ser ensinado, como também de pensar o como estes saberes deverão ser organizados para serem aprendidos da melhor maneira possível. Ao pensar o como, a escola reorganiza didaticamente aqueles saberes,faz transposições didáticas dos saberes eruditos, produzindo substitutos didáticos da cultura social de referência, produzindo os conhecimentos escolares. Estes conhecimentos, por sua vez, são responsáveis por formas típicas de atividades intelectuais, influenciando também a produção cultural fora dos muros escolares. Portanto, o professor, com seus saberes e suas condições de trabalho, é, em última instância, quem realiza o currículo, transmitindo, perpetuando e produzindo cultura. Para Chevallard (1991, p.15), o processo didático é uma relação ternária entre um docente, os alunos e o saber. Durante muito tempo, a didática preocupou-se com a relação “ensino aprendizagem”, esquecendo-se do saber. Ao levarmos em conta o saber nestas relações e considerando a aquisição de conhecimento como um processo interativo em que os sujeitos envolvidos não só se apropriam como também produzem conhecimentos, surgem algumas questões: quais são os critérios de seleção dos saberes escolares? Que saberes os professores possuem e tomam como referência e quais os que eles produzem? O professor encontra-se no centro desta complexa e tensa relação entre escola e cultura. Especialmente porque a escola sempre teve dificuldade em lidar com a pluralidade e com as diferenças, tendendo ao silenciamento e neutralização de muitas vozes. Moreira e Candau (op. cit.) destacam, ainda, que a homogeneização e a padronização têm sido sua marca, e que seu grande www.soeducador.com.br 126 Educação infantil nos anos iniciais desafio é abrir espaços para a diversidade, a diferença e para o cruzamento de culturas. E este desafio se coloca desde os primeiros anos da criança na escola. Nas seleções feitas para cada faixa etária, em cada área de conhecimento, nas formas de descontextualizar e contextualizar os saberes, nas abordagens capazes de problematizar e confrontar diferentes pontos de vistas, nas possibilidades de as crianças expressarem de diferentes maneiras seus sentimentos, visões e formas de significar o que está ao seu redor. A linguagem, como constituinte do sujeito, é a arena onde cultura e educação se realizam mutuamente. Portanto, os espaços abertos às interlocuções e partilhas são sinalizadores de uma educação comprometida com a constituição das crianças e com a mudança. Os conteúdos que circulam e a forma com que são problematizados pelo professor relevam suas posições sócio-político-culturais. Uma educação de qualidade, afirmam Moreira e Candau (2007, p. 21) deve propiciar ao (à) estudante ir além dos referentes presentes em seu mundo cotidiano, assumindo-o e ampliando-o, transformando-se, assim, em um sujeito ativo na mudança de seu contexto. Portanto, não cabe mais na escola a antiga e sempre presente lógica de transmissão e reprodução de conhecimentos e também não cabe mais pensar as áreas de conhecimento de forma fechada e restrita. A organização do currículo por áreas do conhecimento é uma maneira (entre outras) de tentar organizar os saberes em conhecimento escolar. Os conteúdos selecionados para serem trabalhados em cada área devem ser entendidos como possibilidades de socialização de conhecimentos acumulados ao longo de uma história ocidental, burguesa, urbana, branca – portanto, precisam ser problematizados de forma crítica – e também como possibilidade de desenvolver capacidades nas crianças. Os conteúdos não são importantes por si sós, e sim enquanto suportes que dão sustentação a inúmeras ações e interações. www.soeducador.com.br 127 Educação infantil nos anos iniciais 14. Propostas de Atividades Logo abaixo teremos várias propostas de atividades que podem ser realizadas no âmbito escolar, como sendo uma opção para se trabalhar o desenvolvimento cognitivo e psicomotor utilizando metodologias ativas. 14.1 Acertar no saco Deixe as crianças gastarem um pouco de energia e treinarem a coordenação motora com esta atividade simples. O que usar: • Um saco feito de papel, plástico ou tecido resistente • Jornal • Barbante • Colher de pau Como fazer: Crianças de 2 anos vão adorar ajudar você a rasgar e amassar jornal para encher um saco de pancadas. Quando estiver cheio, amarre a boca bem firme com barbante e pendure num gancho ou no vão de uma porta (com cuidado para que não esbarre em nada de valor). As crianças vão se divertir tentando acertar o saco com a colher de pau. www.soeducador.com.br 128 Educação infantil nos anos iniciais 14.2 Saquinho-Surpresa Muitas vezes, você vai precisar manter as crianças entretidos e quietos. Os saquinhos surpresa são ótimos para essas ocasiões (sendo que orientado aos pais, pode até ser utilizado em casa ou qualquer ambiente onde necessite que a criança fique quieta). Fonte: Elo7 O que usar: • Saquinho de pano • Coisas interessantes para colocar dentro Como fazer: Compre ou faça saquinhos de pano para guardar as surpresas. Junte as coisas que encontrar, assim terá um saquinho pronto em qualquer momento que for necessário. Algumas sugestões do que colocar dentro do saquinho: • Um livro novo para ler com eles • Caderno ou bloco para rabiscar • Arames felpudos coloridos • Contas de madeira e fios de plástico • Peças de Lego • Quebra-cabeça • Jogo da memoria • Fantoches de dedo • Lente de aumento www.soeducador.com.br 129 Educação infantil nos anos iniciais • Brinquedo ou carrinho pequeno • Espelho inquebrável 14.3 Brincar de loja Para ajudar as crianças em conhecimento sobre formas e até mesmo o dinheiro, nada mais legal que montar uma loja de mentirinha. O que usar: • Caixa de papelão grande ou uma mesinha para crianças • Coisas para vender na loja • Moedas • Papel • Giz de cera • Tesoura • Objetos como sacolas plásticas, uma caixa registradora de brinquedos ou um carrinho de compras de plástico. Fonte: Educlub Como fazer: Ajude as crianças a fazerem uma loja com caixas de papelão ou uma mesinha. Procure na despensa latas e pacotes que possam servir para vender na loja. Para fazer o dinheiro, grude algumas moedas na mesa com fita adesiva dupla face ou massinha, cubra com uma folha de papel e ensine as crianças a riscarem por cima com giz de cera para decalcar as moedas. Ajude as crianças www.soeducador.com.br 130 Educação infantil nos anos iniciais a recorta-las. Se não tiver uma caixa registradora de brinquedo que possa usar na loja, ajude as crianças a encontrarem um recipiente onde possam guardar o que receberem. Faça uma lista de compras e visite a loja – os pequenos vão adorar atender você! 14.4 Piquenique Fonte: Direcional Todo mundo adora um piquenique, e ele oferece ótimas oportunidades de passar momentos alegres e descontraídos com as crianças. O que usar: • Cesta de piquenique • Bastante comida e bebida • Toalhas, almofadas • Bolas, tacos e etc. • Lenços umedecidos ou papel toalha para limpar as mãos www.soeducador.com.br 131 Educação infantil nos anos iniciais Como fazer: Eu tenho cesta de piquenique cheia de pratos e copos de plástico, garrafas térmicas, açúcar, sal e pimenta, palitos de dente, guardanapos e toalhas; assim, fica bem mais fácil me aprontar me aprontar para um piquenique rápido. Solicite as crianças e aos pais que preparemcomidas fáceis de transportar e guarde em recipientes térmicos – afinal não queremos ninguém com problemas intestinais depois. É importante que haja diversidade nos alimentos e que a quantidade seja adequada para que todos os colegas possam usufruir. 14.5 Acertar nos buracos Fonte: Aprende Brasil Use caixas de papelão grandes como as de aparelhos eletrônicos (televisão, computador, micro-ondas, etc.) para fazer um alvo com buracos. O que usar: • Estilete ou faca afiada • Caixa de papelão grande • Fita adesiva colorida • Bolas, saquinhos de feijão ou bolas e meias para atirar www.soeducador.com.br 132 Educação infantil nos anos iniciais Como fazer: Use o estilete para recortar, cuidadosamente, figuras de vários tamanhos na caixa. Faça figuras de formatos diferente como quadrados, triângulos, losangos e retângulos. Deixe algumas maiores, outras menores. Faça algumas na altura do chão e outras mais para cima. Reforce as bordas com fitas adesivas de cores diferentes para destaca- las. Faça uma abertura maior na lateral para que as crianças possam recuperar os objetos que acertarem nos buracos. Distribua bolas e saquinhos de vários tamanhos e formatos para as crianças atirarem. Elas vão se divertir jogando e treinando sua pontaria. As crianças mais velhas podem treinar suas habilidades matemáticas marcando os pontos de cada jogador e o total acumulado. 14.6 Equilibrar o saquinho Uma brincadeira divertida para as crianças terem mais coordenação, equilíbrio e controle do seu corpo. O que usar: • Saquinho de feijão para equilibrar • Percurso com obstáculos simples (um pneu ou bambolê, caixas de papelão, toalhas de praia ou sacos de estopa e uma vassoura). Como fazer: Encha uma meia com feijão ou arroz e amarre bem para o recheio não sair. As crianças podem ajudar você a preparar o percurso com obstáculos. Pensem juntos em várias maneiras diferentes de carregar o saquinho sem usar as mãos: na cabeça, debaixo do braço, preso entre as pernas, debaixo do queixo, entre os cotovelos e entre os punhos. www.soeducador.com.br 133 Educação infantil nos anos iniciais Em seguida, as crianças escolhem uma das maneiras para carregar o saquinho até o primeiro obstáculo, depois passam para outra, e assim por diante até o fim do percurso. Quem derrubar o saquinho deve voltar á linha de partida e tentar de novo. Entre na brincadeira você também: não é tão fácil quanto parece! 14.7 Corrida de ovo na colher Muito divertida para festas ou reuniões de crianças. O que usar: • Colher (as de plástico servem) • Ovos (podem ser cozidos para evitar sujeira) • Linhas de partida e de chegada Fonte: Thirstymag.com Como fazer: Cada criança tem uma colher e um ovo para equilibrar. As crianças devem ficar com uma mão para trás o tempo todo, para resistirem á tentação de segurar o ovo. O objetivo da brincadeira é andar ou correr o mais rápido possível até a linha de chegada sem derrubar o ovo. Quem derrubar o ovo deve voltar até a linha de partida e começar de novo. Em geral, essa brincadeira é como a história da tartaruga e da lebre: devagar e sempre se chega na frente! www.soeducador.com.br 134 Educação infantil nos anos iniciais 14.8 Bola de meia Com uma simples bola de meia, as crianças podem se divertir bastante no pátio. O que usar: • Bola de tênis • Meia comprida (um meião de futebol é o ideal) Como fazer: Coloque a bola de tênis dentro da meia e amarre a ponta. Os pequenos vão adorar ficar girando a bola, arremessando um para o outro ou jogando contra a parede. 14.9 Aviõezinhos de papel Faça alguns aviõezinhos simples de papel e organize uma competição com as crianças para ver até onde eles conseguem voar. Se a sua escola fica num lugar alto, joguem os aviõezinhos da varanda e vejam em que direção o vento vai leva-los. É uma ótima opção para agregar as aulas de geografia ou ciências. O que usar: • Papel-sulfite Como fazer: Dobre uma folha de papel-sulfite ao meio no sentido do comprimento. Abra a folha e dobre os dois cantos superiores até a marca formando uma seta. www.soeducador.com.br 135 Educação infantil nos anos iniciais Depois, sobre os cantos até o meio outra vez. Em seguida, dobre as “asas” para baixo nas laterais para formar o avião. As asas podem ser mais estreitas, para que pareça um avião a jato de alta velocidade, ou mais largas, para aumentar seu potencial acrobático. Vocês podem grampear o corpo do aviãozinho para que ele mantenha o seu formato. Um clipe preso ao bico vai fazê-lo voar mais depressa ainda! 14.10 Desafio do Elástico Fonte: Ambientação Quando as crianças tiverem dominado os movimentos básicos da brincadeira, veja se elas conseguem realizar estes movimentos. O que usar: • 2 a 3 metros de elástico com as pontas amarradas formando um grande círculo. • Três crianças www.soeducador.com.br 136 Educação infantil nos anos iniciais Como fazer: Para aumentar o desafio, o elástico pode ficar preso na altura dos joelhos para que as crianças tenham que pular mais alto. Talvez as crianças gostem de experimentar novos movimentos. Quem vai pular começa do lado de fora e: • Pular para dentro do elástico, juntando os joelhos para deixar o vão mais estreito. • Pula para fora • Pula para dentro com o elástico na altura do joelho • Pula e pisa sobre um dos elásticos com os dois pés sobre um lado do elástico, que leva a outro passando por cima; faz isso com o elástico na altura do quadril • Pula para sair Se elas ficarem realmente craques nessa brincadeira, podem tentar pular com o elástico na altura da cintura! Tente fazer você também e veja se ainda consegue se lembrar desses velhos truques infantis. 14.11 Procurar formas geométricas É ótimo para desenvolver os conhecimentos de geometria brincando de procurar formas. O que usar: • Tempo Como fazer: www.soeducador.com.br 137 Educação infantil nos anos iniciais Procurem todos os círculos, retângulos, quadrados, triângulos e outras formas geométricas encontradas ao seu redor quando estiverem passeando. Observem as arvores, os canteiros do jardim, as calçadas, as cercas, as plantas, as folhas, as casas, os prédios, a rua, as placas de trânsito, os letreiros, os veículos, etc. Não se esqueçam de observar também as pessoas – suas roupas, bolsos, chapéus, sapatos, bolsas, mochilas, etc. Por último, olhem para o céu e vejam como os fios elétricos e as nuvens também apresentam formas interessantes. Essa brincadeira é muito divertida e, realmente, estimula as crianças a verem o mundo de uma forma diferente. Mas cuidado: ela é muito viciante, e, depois que vocês começarem, vai ser difícil parar! 14.12 Palavras com números Ótimo para melhorar as habilidades matemáticas com todos. O que usar: • Tesoura • Papel • Lápis • Chapéu ou caixa Como fazer: Corte 26 quadrados numa folha de papel e escreva uma letra do alfabeto em cada um. Coloque todos eles dentro de um chapéu ou de uma caixa e misture bem. Cada jogador recebe uma folha de papel e escreve nela os números de 1 a 26, um abaixo do outro. A medidaque cada letra for sendo retirada do chapéu, os jogadores vão escrevendo-as ao lado dos números. Por exemplo, se a primeira letra a sair foi R, ela será a número 1; se a segunda foi um T, será a número 2; se a terceira foi M, será a número 3; e assim por diante. www.soeducador.com.br 138 Educação infantil nos anos iniciais Agora todos devem formar o maior número de palavras que conseguirem, tentando pensar em palavras com o maior valor numérico possível. Determine um tempo de 5 a 10 minutos, depois somem a pontuação de todos para verem que ganhou. ✓ ✓ ✓ Um livro n www.soeducador.com.br 139 Educação infantil nos anos iniciais 15. Referências A importância da Educação Infantil para o ingresso no Ensino Fundamental. Colégio Apoio, 2020. Disponível em: Acesso em: 03 de Junho, 2024. ALTOÉ, I. Navegando pelos impactos do uso excessivo das telas. Construir Notícias. Ano 24 - #132 Setembro/Outubro 2023. ISSN 2236-3505. ALBUQUERQUE, R. N. Letra Cursiva, Eis a questão! Por que ensinar letra cursiva na era da tecnologia? Construir Notícias. Ano 23 - #130 Maio/Junho 2023. ISSN 2236 – 3505. ALBUQUERQUE, R. N. Práxis Pedagógica: Metodologias ativas e interdisciplinaridade. Construir Notícias. Ano 18 - #100 Maio/Junho 2018. ISSN 2236 – 3505. ALVES, F. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. Rio de Janeiro: Wak, 2012. ARIOLI, T. F. 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As instituições pré-escolares tinham como proposta, isolar as crianças de influências que pudessem contaminá-las, da rua principalmente. Assim, o autoritarismo, presente em concepções autoproclamadas científicas – como a eugenia racista e as políticas da assistência científica – também penetrou as propostas educacionais. Do ponto de vista religioso, representada pela Igreja Católica, considerada na época como única instituição capaz de salvar a ordem social e fazer a felicidade dos povos, anunciou a sua contribuição para o controle das classes trabalhadoras, onde realizaram vários congressos católicos para organizar e homogeneizar o clero e os leigos militantes para a implementação das novas políticas assistenciais. Tal intervenção da Igreja na nova ordem social foi tratada pela encíclica Rerum Novarum, elaborada pelo Papa Leão XIII em 1891. Segundo Kuhlmann Jr. (1998), os religiosos tinham a Igreja como um sustentáculo da sociedade www.soeducador.com.br 13 Educação infantil nos anos iniciais capitalista, onde enfatizavam que a sua experiência secular na caridade não deveria ser desprezada. Mas os médicos e os juristas não prescindiram da orientação religiosa nos seus estabelecimentos. Cabe ressaltar que há posicionamentos mais laicos como os de Moncorvo Filho e de Franco Vaz, vendo, no caráter cientificamente organizado da assistência, uma contraposição à caridade religiosa, entretanto, não é uma postura que levou a rompimentos com a Igreja Católica: havia muito mais uma acomodação de interesses. A hegemonia constituída pela assistência científica não foi tomada como uma unanimidade geral, antes mesmo de sua realização, o Congresso Brasileiro de Proteção à Infância foi objeto de questionamento por vários intelectuais. (...) Luiz Palmeira, da revista socialista Clarté, e a educadora Maria Lacerda de Moura denunciaram os limites e a demagogia produzida em torno das propostas de políticas sociais para a infância. (KUHLMANN JR., 2000. p.8) Desse período até meados da década de 1970, as instituições de educação infantil viveram um lento processo de expansão, uma parte ligada aos sistemas de educação, atendendo crianças de 4 a 6 anos, e parte vinculada aos órgãos de saúde e de assistência, com um contato direto com a área educacional. A inspetoria de Higiene Infantil, que foi criada em dezembro de 1923, passa a ser substituída, em 1934, pela Diretoria de Proteção à Maternidade e à Infância. Já em 1937, o Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública passa a se chamar Ministério da Educação e da Saúde. Segundo Faria (1999), isto foi: (...) produto das discussões sobre a vida nacional e uma unidade cultural, e das consequentes reformas de ensino desenvolvidas nos anos 20 sob o ideário escola novista. Este talvez seja um momento privilegiado da história da educação brasileira, onde a educação e cultura, estando de tal forma integradas, permitiriam que todas as crianças (inclusive as pequenas, em idade pré-escolar) que estavam fora da escola não fossem esquecidas, assim como foram alvo de grande interesse. (p. 124) Em 1940, foi criado o Departamento Nacional da Criança (DNCr), dirigido por Olinto de Oliveira, médico que participou do congresso de 1922. O DNCr www.soeducador.com.br 14 Educação infantil nos anos iniciais ficou encarregado de estabelecer normas para o funcionamento das creches, onde promoveu a publicação de livros e artigos. No mesmo período em que foi criado o DNCr, houve a criação, em Porto Alegre, de jardins-de-infância, inspirados em Froebel e localizados em praças públicas, para atender crianças de 4 a 6 anos. Em outros locais também estavam sendo construídos jardins-de-infância. Em 1949, foi iniciado o Curso de Especialização em Educação Pré- Primária, no Instituto de Educação do Rio de Janeiro (IERJ), que inicialmente foi reconhecido como pós-normal e mais tarde como curso superior. Esta iniciativa consolida, na época, o Centro de Estudos da Criança, criado por Lourenço Filho, primeiro diretor do IERJ, como um espaço de estudos e pesquisas sobre a criança e um centro de formação de professores especializados. (KUHLMANN JR., 2000. p.9) Outro programa educacional que também aproximou as instituições foi o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, de 1932, o qual previa o desenvolvimento das instituições de educação e de assistência física e psíquica à criança em idade pré-escolar (creches, escolas maternais e jardins-de- infância) e de todas as instituições complementares pré-escolares e pós- escolares. (FARIA, 1999, p.30) Aos poucos, foi havendo uma mudança ao considerar a escola maternal como aquela dos pobres, em oposição aos jardins-de-infância. Passou a ser definida como a instituição que atende a faixa etária dos 2 aos 4 anos, enquanto o jardim atenderia as de 5 a 6 anos. Mais tarde, a educação infantil foi oferecida tendo a divisão das turmas em instituições que atendem crianças de 0 a 6 anos: berçário, maternal, jardim e pré-escolar. No município de São Paulo, uma nova instituição estava se estruturando, o parque infantil, que estava vinculada ao Departamento de Cultura (DC) e teve a nomeação de Mário de Andrade para sua direção, em 1935, onde permaneceu até 1938, e Nicanor Miranda ficou com a chefia da Divisão de Educação e Recreio, onde fica até 1945. De acordo com Faria (1999), na ocasião em que Mário de Andrade era diretor do Departamento de Cultura do município, durante a gestão do prefeito Fábio Prado, foram criados os primeiros Parques Infantis (PIs) para crianças de 3 a 12 anos. Somente em 1975, os PIs, que já tinham passado a receber apenas www.soeducador.com.br 15 Educação infantil nos anos iniciais as crianças de 3 a 12 anos, transformaram-se nas atuais Escolas Municipais de Educação Infantil – EMEI. Os objetivos do PI eram tríplices: ✓ Assistir ✓ Educar ✓ Recrear/ Ao lado da não separação de educação e cultura (mais saúde e higiene) e do lúdico enquanto integrante da cultura dos povos, tanto a educação estética e a preocupação com o folclore, como as raízes múltiplas do brasileiro caracterizam o PI e o DC como um projeto governamental coerentemente integrado. A busca de uma identidade nacional, que não exclui nem a infância nem os operários, e a crítica à educação escolar que aponta para a necessidade de a escola ser complementada com outras formas de educação, convivendo com práticas disciplinadoras próprias de instituições governamentais das sociedades capitalistas, fizeram do PI um instigante objeto de estudo para a área da Educação e das Políticas Sociais. O parque infantil foi uma experiência governamental, uma alternativa educacional para os filhos e filhas de 3 a 6 anos de idade, das famílias operárias, através da qual lhes foi garantida a oportunidade de ser criança, de brincar, criando e recriando cultura. Enquanto as atuais EMEIs têm a tendência crescente em adotar o modelo escolar, o projeto inicial do PI tinha a curiosa postura de criticar a escola da época e propor-se a complementá-la. Em relação às crianças em idade pré-escolar, não foi encontrada nenhuma referência voltada à sua preparação para a escola, pré-alfabetização, curriculum com disciplinas, etc., pelo contrário,enquanto complemento escolar, o PI oferecia para essas crianças e para as outras frequentadoras, a oportunidade de se expressarem artisticamente, brincarem, jogarem, enfim, de continuarem crianças, complementando o “aluno” que a escola pretende modelar. Um ser incompleto que precisa ser completado com os conhecimentos científicos de que o adulto dispõe, deixando de lado outros conhecimentos como aqueles produzidos pelas próprias crianças. (idem, p.157) Tal trabalho do PI é distanciado do modelo pedagógico froebeliano do jardim de infância do final do Império e do início da República, já que neste modelo froebeliano, a formação do cidadão era feita através do cultivo da www.soeducador.com.br 16 Educação infantil nos anos iniciais polidez, da ordem e do senso estético, por meios de exercícios conduzidos pela professora. Na década de 1940, o parque infantil se expandiu para outras localidades do país como o interior do estado de São Paulo, o Distrito Federal, Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Recife e Rio Grande do Sul. Em 1942, o DNCr projetou uma instituição que reuniu todos os estabelecimentos em um só: a Casa da Criança. A educação foi oferecida, então, tendo a creche, a escola maternal, o jardim-de-infância, a escola primária, o parque infantil, o posto de puericultura e um abrigo provisório para menores abandonados, além de um clube agrícola, para o ensino do uso da terra. Assim, os médicos do DNCr não se ocuparam apenas da creche, mas de todo o sistema escolar, já que a educação e a saúde estavam integradas no mesmo ministério. Somente em 1953 foram desmembradas, quando o DNCr passou a integrar o Ministério da Saúde até o ano de 1970. Segundo Kuhlmann (2000), Heloísa Marinho escreveu um livro em 1966, onde incluiu um “Planejamento para a educação pré-primária do estado da Guanabara”, em que propõe. (...) que a expansão deveria priorizar as crianças necessitadas, filhos de mães trabalhadoras, com a organização de novos jardins-de-infância públicos na proximidade das zonas industriais e favelas destituídas, jardins particulares por autarquias, clubes, estabelecimentos comerciais e industriais, assim como em centros comerciais e residenciais, a exemplo da Dinamarca, e ainda a organização de centros de recreação pré-escolar, em praias e jardins públicos, como na Suécia. Além disso, haveria a organização flexível de jardins-de-infância anexos às escolas primárias. (p.9) Em 1967, foram implantados os Centros de Recreação que foram propostos como programa de emergência para atender as crianças de 2 a 6 anos, pelo Plano de Assistência ao Pré-Escolar, do Departamento Nacional da Criança, do Ministério da Saúde. O plano falou em medidas de emergência, mas pouco se realizou, e a sua implantação efetiva não aconteceu. www.soeducador.com.br 17 Educação infantil nos anos iniciais A Legião Brasileira de Assistência (LBA) publicou no texto Projeto Casulo, que o programa viesse a desenvolver atividades paralelas de orientação familiar, assim como no início do século. Acreditando que a baixa renda das famílias estava provocando desequilíbrio das mesmas e desintegração do lar e, ainda que esses problemas impediam a sociedade brasileira de avançar no desenvolvimento socioeconômico-cultural, foi proposta a partir disso a criação de novas vagas para as crianças de 0 a 6 anos, a baixo custo, nas creches Casulo. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que promoveu, em 1965 a Conferência Latino-Americana sobre a Infância e a Juventude no Desenvolvimento Nacional, já trazia a ideia de simplificar as exigências básicas para uma instituição educacional e implantar um modelo de baixo custo, apoiado na ideologia do desenvolvimento da comunidade. (KUHLMANN JR., 2000, p.11) Além de solução para os problemas da pobreza, a educação infantil foi vista como uma forma de se resolver as altas taxas de reprovação no ensino de 1º grau. Assim, o Ministério da Educação passou a se ocupar da educação pré- escolar, e se tornou ponto de destaque no II e no III Plano Setoriais de Educação e Cultura (PSEC), que foram desdobramentos dos Planos Nacionais de desenvolvimento, elaborados durante o governo militar, para os períodos de 1975-79 e 1980-85. (idem, p.12) As propostas do regime militar queriam atender as crianças de forma barata. Sobre os programas para a infância, foi projetada a ideia de que viessem a ser a solução dos problemas sociais. Foi designada a pré-escola como solução redentora, mágica e imediata. (KRAMER e LEITE, 1996, p.17) Dessa forma, a educação infantil voltou-se para os mais variados fins: era um meio agregador da família para apaziguar os conflitos sociais, era um meio de educação para a sociedade igualitária, era um instrumento para a libertação da mulher do jugo das obrigações domésticas e ainda era uma superação dos limites da estrutura familiar. A educação de crianças em creches a partir do seu nascimento ganhou uma legitimidade social para além da destinação exclusiva aos filhos dos pobres, já que o trabalho feminino estava sendo ampliado nos setores médios, levando www.soeducador.com.br 18 Educação infantil nos anos iniciais a classe média a procurar instituições educacionais para seus filhos. Como, por exemplo: • Centros de Convivência Infantil, para atender os filhos dos servidores públicos no estado de São Paulo, em várias secretarias. • A conquista de creches em universidades públicas. • A reivindicação em alguns sindicatos operários e do setor de serviços, como bancários, jornalistas, professores. Anteriormente não se pensava em generalizar a creche, destinadas apenas às mães pobres que precisassem trabalhar. Não se cogitava de que mulheres de outra condição social pudessem querer trabalhar quando gerassem crianças pequenas e, caso isto ocorresse, a solução deveria ficar no âmbito do doméstico, do privado. (KUHLMANN JR., 2000, p.12) No início da década de 1980, um dos aspectos que ganhou mais relevância foi a expressão educação pré-escolar, sendo o atendimento anterior à escolarização obrigatória, e passou a incluir também a educação das crianças de 0 a 8 anos. A luta dos profissionais por creches que defendam o caráter educacional ou pedagógico, declarando oposição ao assistencial, atuando de forma negativa e incompatível com os primeiros. Assim, alguns serviços de assistência, como a alimentação e os cuidados de higiene, pareciam representar uma ameaça ao caráter educacional das instituições. Mas algumas formulações sobre a educação infantil, na década de 1990, passaram a enfatizar a inseparabilidade dos aspectos do cuidado e da educação da criança pequena. Determinados conteúdos escolares tornaram objeto de preocupação da educação infantil, de acordo com a aproximação da idade do ensino fundamental. De outra parte, observa-se que ainda hoje há crianças pequenas que são submetidas a uma disciplina escolar arbitrária em que, diferentemente de um compromisso com o conhecimento, a instituição considera não ser sua função prestar os cuidados necessários, e sim, controlar os alunos para que sejam obedientes à autoridade. (idem, p.13) Ainda no início da década de 1980, o princípio educacional a se adotar nos berçários, para as crianças de 0 a 18 meses, era o da estimulação, www.soeducador.com.br 19 Educação infantil nos anos iniciais procurando obter os comportamentos previstos numa escola que foi elaborada em 1957 – a Escola do Desenvolvimento Físico, Psicológico e Social da Criança Brasileira, que descreve até os 8 meses, comportamentos esperados mês a mês, e depois por períodos mais espaçados,até os 9 anos de idade – e experimentada até a década de 1970. O maternal, que recebia crianças de 18 meses em diante, tinha uma programação do caráter compensatório e visava superar as deficiências da classe pobre, a deficiência cultural, segundo Patto (1977). As atividades previstas eram de expressão oral, desenvolvimento motor, música, matemática, ciência, integração social e vida prática, respeitando-se as necessidades das diferentes faixas etárias. Dessa forma, o propósito educacional tinha como foco o desenvolvimento intelectual da criança. Uma proposta educacional apenas para as crianças de 4 a 6 anos passou a ser refletida, considerando esse como o período específico da pré-escola. www.soeducador.com.br 20 Educação infantil nos anos iniciais 2. Concepções de Infância e concepções de Educação A criança não é filhote do homem, ou um ser em maturação biológica , ela não se resume a ser alguém que não é, mas que se tornará (adulto, no dia em que deixar de ser criança...).Contra esta percepção naturalizada da infância e infantilizada do ser humano, há que se forjar uma concepção que reconhece a especificidade da infância - manifesta no seu poder de imaginação, fantasia, criação – e que entende as crianças enquanto pessoas que produzem cultura, além de serem nela produzidas, que possuem um olhar crítico e maroto que vira pelo avesso a ordem das coisas, subvertendo essa ordem. (KRAMER, 1999, p.272) Ao longo da história, diferentes conceitos de infância foram sendo construídos. A ideia de infância não existiu sempre e da mesma maneira. Assim, também, a educação foi vista com olhares distintos em cada época, surgindo, dessa forma, várias concepções. A mudança da concepção de infância é compreendida segundo uma perspectiva histórica como sendo reflexo da própria mudança nas formas de organização da sociedade, nas formas de organização das relações dos homens com seus semelhantes, das relações de trabalho, das atividades realizadas e dos tipos de inserção que nessa sociedade têm as crianças. As crianças participam das relações sociais, e este não é exclusivamente um processo psicológico, mas social, cultural, histórico. As crianças buscam essa participação, apropriam-se de valores e comportamentos próprios de seu tempo e lugar, porque as relações sociais são parte integrante de suas vidas, de seu desenvolvimento. (KUHLMANN JR., 1998, p.31) Delineando a trajetória da infância, veremos que na Idade Média, por exemplo, não existia um sentimento de infância que distinguisse a criança do www.soeducador.com.br 21 Educação infantil nos anos iniciais adulto. Ela era considerada um adulto de pequeno tamanho, pois fazia as mesmas atividades dos mais velhos. Para a sociedade medieval, o importante era a criança crescer rapidamente para poder participar do trabalho e de outras atividades no mundo adulto. Nos colégios, reservados a um pequeno número de pessoas, o mestre apenas se limitava a transmitir conhecimentos aos alunos não se interessando com o comportamento deles fora da classe. A ideia de infância aparece com a sociedade capitalista, urbano - industrial, na medida em que mudam a inserção e o papel social da criança no lugar em que vive. Se na sociedade feudal, a criança tinha um papel produtivo direto, como de um adulto, quando ultrapassava o período de alta mortalidade, na sociedade burguesa ela passa a ser alguém que precisa de cuidados, ser escolarizada e preparada para atuar futuramente. Mas, a concepção de natureza frágil da criança, no século XVII, era compartilhada pela pedagogia tradicional, onde a educação disciplinar devia inculcar regras, através da ação direta do adulto e da permanente transmissão de modelos. Com a consolidação da sociedade capitalista, a escola tornou -se um instrumento de fragmentação da sociedade, na medida em que isolou as crianças dos adultos e separou os ricos dos pobres. Os níveis de ensino dividiram as crianças por idade e reforçaram a estratificação social, na medida em que, só os mais distintos podiam ascender aos níveis mais elevados de ensino. www.soeducador.com.br 22 Educação infantil nos anos iniciais Fonte: Blog do Cape De acordo com Kuhlmann Jr. (1998): Por um lado, a escola substituiu a aprendizagem como meio de educação; a criança deixou de ser misturada aos adultos e de aprender a vida diretamente, passando a viver uma espécie de quarentena na escola. Por outro, esta separação ocorreu com a cumplicidade sentimental da família, que passou a se tornar um lugar de afeição necessária entre cônjuges e entre pais e filhos. Esse sentimento teria se desenvolvido inicialmente nas camadas superiores da sociedade: o sentimento da infância iria do nobre para o pobre. (p.18) Para Ariès, (apud KRAMER, 1996), o sentimento moderno de infância corresponde a duas atitudes contraditórias, uma considera a criança ingênua, inocente e pura e é traduzida por uma "paparicação"; a outra surge simultaneamente à primeira, mas se contrapõe a ela, tomando a criança como um ser imperfeito e incompleto, que necessita da "moralização" e da educação feitas pelo adulto. Segundo Kramer (1996), tais aspectos do sentimento de infância, são aparentemente contraditórios, mas na verdade, se completam na concepção de infância enquanto essência infantil. A visão que se tem de criança, baseada em uma concepção de natureza infantil, e não na análise da condição infantil, mascara a significação social da infância. Um sentimento de infância voltado para a classe pobre, é marcado no Brasil, durante os séculos XVIII e XIX, pelo médico-higienismo, onde vários www.soeducador.com.br 23 Educação infantil nos anos iniciais médicos implantaram as primeiras creches brasileiras e, estando aliados às mulheres burguesas, realizaram seus projetos higienistas, visando o atendimento dos filhos das trabalhadoras domésticas, buscando diminuir os índices de mortalidade infantil. Porém, a preocupação com a infância, visando, ao controle da mortalidade infantil, não estava apenas voltada para os pobres, era uma preocupação voltada para a população em geral, desconhecedora das suas causas principais e secundarias (as criancinhas de famílias ricas também morriam, mesmo que muitas vezes a causa principal fosse atribuída às amas – de – leite, que eram pobres). (Faria, 1999, p.68) Mesmo tendo essa preocupação com a infância, a escola por muito tempo ficou caracterizada por métodos repressivos e autoritários. Mas, foi ela também que colaborou para o avanço da descoberta e da valorização da infância. Assim, foram descobertas as diversas fases de crescimento da mente infantil e a infância mesma foi reconhecida como um valor social, a quem é confiado o futuro da sociedade. Faria (1999) nos lembra que: Apesar das especificidades do capitalismo no Brasil, existem as características comuns, próprias dos diferentes processos de industrialização: aumento da mão – de obra feminina no mercado de trabalho, ambivalência da nova estrutura familiar, produto da invasão do capital na esfera privada, a "familiarização" da fábrica, a necessidade de controle do tempo do não trabalho, etc., portanto, tem-se também um novo papel para a infância. (...) então, além de guardá-las e garantir-lhes a vida, cabe agora também educar as crianças para o futuro, e é essa uma grande novidade trazida pelo capitalismo: esse outro jeito de viver precisa ser ensinado e aprendido desde terna idade, já que se tratade uma nova maneira de viver, onde o tempo do trabalho define uma nova mentalidade. (p.65) Dessa forma, não poderemos hoje, na sociedade, pensar na infância em abstrato, referindo-nos à criança independente de sua classe social. Tratar da criança em abstrato, sem levar em conta as diferentes condições de vida, é dissimular a significação social da infância. O pensamento pedagógico, ao fazer essa dissimulação, deixa de lado a desigualdade social real existente entre as populações, inclusive as infantis, (...) contra a ideia-de- criança-ser-da-natureza (...), foi possível delinear uma imagem de criança www.soeducador.com.br 24 Educação infantil nos anos iniciais tomada com base em suas condições concretas de existência social, cultural, e historicamente determinada. (KRAMER, 1996, p. 21-22) Assim, a infância deve ser considerada como uma condição da criança. É preciso (...) considerar as crianças concretas, localizá-las nas relações sociais, etc., reconhecê-las como produtoras da história. (KUHLMANN JR., 1998, p.31) Neste sentido, pode-se perceber que de umas décadas para cá, há um esforço de conhecer melhor as crianças, onde a questão da infância difundiu-se, diversificou e têm-se mais projetos de ação e de investigação. Hoje, no Brasil, se reconhece que aquele ser paparicado ou moralizado, miniatura do homem sementinha a desabrochar, cresceu como estatuto teórico. Então: (...) a infância é hoje tematizada em várias áreas de conhecimento e é motivo de mobilização de diversos segmentos da sociedade civil que, reconhecendo as crianças como cidadãs, lutam para que os direitos sociais afirmados na letra da Constituição de 88 - entre eles o direito à educação - tornem-se de fato. (KRAMER, 1996, p.26) Dessa forma, a concepção de educação está voltada para a cidadania, já que as crianças são encaradas como pequenos cidadãos e cidadãs, que tem poder de imaginação e criação. E, assim, o trabalho escolar é considerado como tendo o objetivo de formar indivíduos críticos, criativos e autônomos, capazes de agir no seu meio e transformá-lo. Nesse contexto entre infância e educação se percebe que é essencial procurar saber sempre mais sobre as crianças pequenas, que estas se desenvolvem psicologicamente, apresentando características próprias no decorrer do seu desenvolvimento, em vários aspectos; e que apesar do avanço em relação à educação, chegando à concepção voltada para a cidadania, muitas outras concepções ainda resistem em torno da pré-escola. www.soeducador.com.br 25 Educação infantil nos anos iniciais 3. Concepções de desenvolvimento e de aprendizagem segundo Piaget e Vygotsky Fonte: Pedagogia ao pé da letra As ciências que dedicaram seu olhar sobre a criança investigando como se processa o seu desenvolvimento, afirmam a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento e aprendizagem posteriores. E é se baseando nelas que a educação formula seus propósitos e atuação a partir do nascimento da criança. A psicologia, por exemplo, através de seus estudos, tem dado contribuições bastante relevantes que nos permitem conhecer o desenvolvimento infantil nas diferentes áreas: sensório motora, socioafetiva, cognitiva, simbólica e linguística. Nos permitem também, compreender como as crianças constroem o seu conhecimento, o que elas são capazes de descobrir e aprender a cada instante. Por um lado, Davis e Oliveira (1994) consideram o desenvolvimento como: (...) o processo através do qual o indivíduo constrói ativamente, nas relações que estabelece com o ambiente físico e social, suas características. Ao contrário de outras espécies, as características humanas não são biologicamente herdadas, mas historicamente formadas. (p.19) www.soeducador.com.br 26 Educação infantil nos anos iniciais Por outro lado, a aprendizagem é considerada por Kohl (1993) como um processo diferente dos fatores inatos e dos processos de maturação do organismo. É o processo pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes, valores, etc., a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente e as outras pessoas. É um processo que se diferencia dos fatores inatos (a capacidade de digestão, por exemplo, que já nasce com o indivíduo) e dos processos de maturação do organismo, independentes da informação do ambiente (a maturação sexual, por exemplo). (p.57) Assim, para que ocorram tais processos, é preciso que haja a interação de vários fatores determinantes. Em suas obras, Piaget e Vygotsky tratam profundamente desta interação de fatores determinantes para o desenvolvimento humano. São preocupações destes teóricos, o desenvolvimento humano e a aprendizagem, e as relações entre os mesmos. Padilla, 1998, relata que Piaget é o principal expoente da abordagem do desenvolvimento cognitivo. Para ele, o desenvolvimento comporta dois aspectos: I. aspecto psicossocial, onde tudo o que a criança recebe vem de fora, aprende por transmissão familiar e escolar; II. espontâneo ou psicológico, que é o desenvolvimento da inteligência e se refere ao que a criança aprende sozinha, aquilo que deve descobrir por si mesmo. Ou seja, o desenvolvimento cognitivo não é o resultado apenas do amadurecimento do organismo, ou apenas da influência do meio, mas sim, da interação dos dois. Tal desenvolvimento ocorre através de constantes desequilíbrios e equilibrações. Quando aparece uma nova possibilidade orgânica na pessoa ou a mudança de alguma característica do meio ambiente, provoca a ruptura do estado de repouso causando um desequilíbrio. Para que se possa alcançar um novo estado de equilíbrio, dois mecanismos são acionados: www.soeducador.com.br 27 Educação infantil nos anos iniciais O primeiro recebe o nome de assimilação. Através dele o organismo - sem alterar suas estruturas - desenvolve ações destinadas a atribuir significações, a partir da sua experiência anterior, aos elementos do ambiente com os quais interage. O outro mecanismo, através do qual o organismo tenta restabelecer um equilíbrio superior com o meio ambiente, é chamado de acomodação. Agora, entretanto, o organismo é impelido a se modificar, a se transformar para se ajustar às demandas impostas pelo ambiente. (DAVIS e OLIVEIRA, 1994, p.38) Durante o processo de desenvolvimento, há momentos em que a assimilação prevalece sobre a acomodação e há momentos em que a acomodação é mais importante. Assim, Piaget considera, o desenvolvimento como um processo de equilibrações sucessivas e de auto regulação, sendo um processo contínuo. Embora seja considerado assim, o desenvolvimento é caracterizado por diferentes períodos, de acordo com o aparecimento de novas qualidades do pensamento: o período sensório-motor, o pré-operatório, o operatório-concreto e o operatório-formal. De acordo com Piaget (apud PADILLA, 1998), o fator de equilibração das ações é fundamental para se explicar a ordem de tais períodos de desenvolvimento e para se explicar a passagem de uma etapa de desenvolvimento mental para a seguinte, além dos outros fatores básicos que também afetam o desenvolvimento: os fatores biológicos, o amadurecimento do sistema nervoso, a experiência adquirida com os objetos e os fatores sociais de coordenação interindividual. O fator de menor relevância nesta teoria é a interação social. Estes períodos de desenvolvimento se referem a uma forma específica de atuar sobre o mundo e todos os indivíduos passam por todos os períodos, na mesma sequência, já queé sempre invariável. Mas o início e o término de cada uma delas são alcançados em épocas diferentes, ou seja, não é sempre a mesma para todas as crianças. Isto pode acontecer devido à natureza do ambiente em que as crianças vivem, às suas características biológicas e até mesmo fatores educacionais e sociais. Durante o período de desenvolvimento sensório-motor (0 a 2 anos) a criança conquista, através da percepção e dos movimentos, tudo o que está em sua volta e, (...) a partir da construção de esquemas pela transformação da sua www.soeducador.com.br 28 Educação infantil nos anos iniciais atividade sobre o meio, a criança vai construindo e organizando noções. Nesse processo, afetividade e inteligência são aspectos indissociáveis e influenciados, desde cedo, pela socialização. (DAVIS e OLIVEIRA, 1994, p.40) No decorrer deste período, a criança irá fazer uma diferenciação progressiva entre o seu eu e o mundo exterior. Já o período pré-operatório (de 2 a 7 anos), o qual todo professor que atua na pré-escola deve conhecer mais profundamente, é marcado pelo surgimento da linguagem, que irá acarretar em mudanças no aspecto intelectual, afetivo e social da criança. Esta linguagem irá permitir que a criança disponha da possibilidade de ter esquemas simbólicos. Assim, a criança transforma o real em função dos seus desejos e fantasias (jogo simbólico); posteriormente, utiliza-o como referencial para explicar o mundo real, a sua própria atividade, seu eu e suas leis morais. (BLOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999, p.103) Grande parte do repertório verbal da criança é usada de forma imitativa, ela não domina o significado das palavras. E como ainda está centrada em si mesma, analisa os fatos a partir do próprio ponto de vista, este é o pensamento egocêntrico. Segundo estes autores (1999), é devido a este pensamento que torna impossível o trabalho em grupo, esta dificuldade mantém-se ao longo do período, na medida em que a criança não conseguir colocar-se do ponto de vista do outro. (p.103) A criança neste período, não é capaz, ainda, de perceber que é possível a reversibilidade. E não tendo noção de conservação, para ela, quando se muda a aparência do objeto, muda também a quantidade, a massa, o peso e o volume do mesmo. Quando a criança chega ao período das operações concretas (7 a 11 ou 12 anos), ela é capaz de construir um conhecimento mais compatível com o mundo que a rodeia, já que, (...) o pensamento lógico, objetivo, adquire preponderância. Ao longo dela, as ações interiorizadas vão-se tornando cada vez mais reversíveis e, portanto, móveis e flexíveis. O pensamento se torna menos egocêntrico, menos centrado no sujeito. (...) O real e o fantástico não mais se misturarão. (DAVIS e OLIVEIRA, 1994, p.43) www.soeducador.com.br 29 Educação infantil nos anos iniciais Na etapa operatório-formal (11 ou 12 em diante), o sujeito já consegue raciocinar logicamente, já realiza as operações no plano das ideias não necessitando de manipulação concreta, é o pensamento abstrato. Quando se chega a esta etapa, o sujeito atinge o grau mais complexo do seu desenvolvimento cognitivo. A tarefa, a partir de agora, será apenas a de ajustar, solidificar e estofar as suas estruturas cognitivas. (idem, p.44) Durante todo esse processo, Piaget (apud MIZUKAMI, 1986) considera o conhecimento humano como essencialmente ativo: Conhecer um objeto é agir sobre e transformá-lo apreendendo os mecanismos dessa transformação vinculados com as ações transformadoras. Conhecer é, pois, assimilar o real às estruturas de transformações, e são as estruturas elaboradas pela inteligência enquanto prolongamento direto da ação. (p.64) Enquanto que para este autor o conhecimento se dá a partir da ação do sujeito sobre a realidade, para Vygotsky (1984), esse sujeito não é apenas ativo, mas interativo, porque constitui conhecimentos e se constitui a partir de relações intrapessoais e interpessoais. A internalização de conhecimentos, papéis e funções sociais se dá na troca com outros sujeitos e consigo próprio. É um processo que caminha do plano social (relações interpessoais) para o plano individual interno (relações intrapessoais). Em Vygotsky, justamente por sua ênfase nos processos sócio- históricos, a ideia de aprendizado inclui a interdependência dos indivíduos envolvidos no processo. (KOHL, 1993, p.57) Ao discutir as relações entre desenvolvimento e aprendizagem, Vygotsky (1987) faz uma análise das concepções sobre as mesmas: A primeira teoria, que ainda é a mais amplamente aceita, considera o aprendizado e o desenvolvimento independentes entre si. (...) Admite a existência de uma relação unilateral: a aprendizagem depende do desenvolvimento, mas o curso do desenvolvimento não é afetado pela aprendizagem. (...) A Segunda teoria acerca do desenvolvimento e do aprendizado identifica os dois processos. (...) Como o aprendizado e o desenvolvimento são idênticos, nem sequer se questiona a relação concreta entre eles. (...) A terceira escola do pensamento (...) tenta reconciliar as duas anteriores, evitando as suas deficiências. Embora esse ecletismo resulte numa www.soeducador.com.br 30 Educação infantil nos anos iniciais abordagem um tanto inconsistente, realiza uma certa síntese das duas concepções opostas. (p.117-119) Este autor não concorda com as teorias acima, embora reconheça que aprendizagem e desenvolvimento sejam processos distintos e interdependentes. Nesse questionamento da interação existente entre estes dois processos, ele dá importância ao papel da capacidade do homem de entender e utilizar a linguagem. Assim, a aprendizagem favorece o desenvolvimento das funções mentais, onde (...) o aprendizado adequadamente e organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer. (VYGOTSKY, 1987, p.101) Esse aprendizado se inicia muito antes da entrada da criança na escola, pois, desde que nasce e durante seus primeiros anos de vida, encontra-se em interação com diferentes sujeitos (adultos e crianças) e situações, o que vai lhe permitindo atribuir significados a diferentes ações, diálogos e vivências. Embora isso ocorra, este autor considera que o aprendizado escolar produz algo novo no desenvolvimento infantil. Para ele, o aprendizado escolar induz o tipo de percepção generalizante, desempenhando assim um papel decisivo na conscientização da criança dos seus próprios processos mentais. Assim, Vygotsky (1984) propõe o conceito de zona de desenvolvimento proximal para explicar a relação entre desenvolvimento e aprendizagem. Ele denomina a capacidade que a criança tem em realizar tarefas sozinha, de forma independente, como nível de desenvolvimento real. Este nível caracteriza o desenvolvimento referindo-se a etapas já alcançadas, já conquistadas pela criança. No entanto, Vygotsky (apud KOHL, 1993) chama a atenção para o fato de que, (...) para compreender adequadamente o desenvolvimento devemos considerar não apenas o nível de desenvolvimento real da criança, mas também seu nível de desenvolvimento potencial, isto é, sua capacidade de desempenhar tarefas com a ajuda de adultos ou de companheiros mais capazes. Há tarefas que uma criança não é capaz de realizar sozinha, mas que se torna capaz de realizar se alguém lhe der instruções, fizer uma demonstração, fornecer pistas, ou der assistência durante o processo. (p.59) www.soeducador.com.br 31 Educação infantil nos anos iniciais A partir desses dois níveis de desenvolvimento - real e potencial - Vygotsky (1984)define a zona de desenvolvimento proximal como: (...) a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes. (p.97) Assim todo professor - incluindo, neste caso, o da pré-escola - deve conhecer o nível de desenvolvimento dos alunos para atuar adequadamente. No entanto, o ensino deverá estar voltado não para etapas intelectuais já alcançadas, mas sim, para estágios de desenvolvimento que ainda não foram incorporados pelos alunos. www.soeducador.com.br 32 Educação infantil nos anos iniciais 4. Concepções de pré-escola Ao analisar o contexto histórico da Educação Infantil e como a infância é concebida pela sociedade, pode-se perceber o aparecimento de diferentes posturas em relação à criança e à própria educação, fazendo surgir, assim, várias concepções de pré-escola. A atribuição de uma determinada função à escola de crianças de 4 a 6 anos, depende, portanto, da concepção que temos sobre criança, educação infantil e pré-escola. A pré-escola guardiã tinha como objetivo a guarda das crianças, liberando, assim, a mão-de-obra feminina. Esta concepção predominou no Brasil escravagista, imperial e no início da República. A assistência dada à criança era voltada à sua sobrevivência, à prestação de cuidados básicos de higiene, saúde e alimentação, tendo em alguns casos atendimento em período integral. Dessa forma, a criança pré-escolar era vista apenas sob o ângulo da saúde física. Os aspectos importantes para a educação desta criança como crescimento, desenvolvimento e formação de hábitos permanecem estritamente ligados à saúde física. E ainda, a chamada ''assistência científica'' - forma utilizada na época de exaltação do progresso e da indústria - além da alimentação, abarcou aspectos como habitação dos pobres. (KUHLMANN JR., 1998). Com uma ideia mais relacionada à ''educação'' do que à assistência, uma nova função passou a ser atribuída à pré-escola: a função preparatória. Essa função, baseada em treinamento, visava preparar as crianças para ingressarem no 1º grau, pois a pré-escola era vista como solução para resolver o problema do fracasso escolar. Por um lado, a função de ''preparação'' era voltada à aceleração das crianças da classe média, por outro, era voltada à compensação de carências das classes populares. Essa visão de educação compensatória teve como pano de fundo a teoria da deficiência cultural, ou seja, a criança deveria receber estímulos para compensar a sua carência cultural que era considerada uma característica da população de baixa renda. Tal educação compensatória foi classificada em dois tipos: preventivos e remediativos, onde Patto (1977) explica seus objetivos: www.soeducador.com.br 33 Educação infantil nos anos iniciais A educação compensatória preventiva tem por objetivo impedir que o ambiente em que a criança se desenvolve produza as consequências negativas que costuma produzir. Neste sentido, a educação pré-primária seria utilizada como um ''antídoto'' às influências nefastas dos ambientes pobres de estimulação cognitiva. (...) A educação compensatória remediativa, dada a fase de desenvolvimento em que atinge as crianças, é menos recomendável e seria aplicada sempre que a educação preventiva não tivesse sido oferecida, por uma série de circunstância, ou, se oferecida, não tivesse produzido os efeitos desejados. (p.51-52) Ainda hoje muitos educadores não superaram a ideia da função preparatória, onde a pré-escola é vista tendo como objetivo a escolarização. As marcas da escolarização tradicional antecipada são muitas: ✓ O cenário ✓ O longo tempo gasto na execução de exercícios pouco criativos feitos de forma monótona ✓ A exigência do silencio ✓ Contenção do movimento A meta observada é que todos os alunos façam a mesma coisa ao mesmo tempo não lhes dando oportunidade para a execução de trabalhos diversificados, a pesquisas de temas que lhes despertem a curiosidade e a vontade de aprender a buscar respostas. (OLIVEIRA, 2000, p.2) Essa representação de uma pré-escola escolarizada não vê o papel da criança como sendo ativa, interativa e exploradora. O ''modelo escolarizado'' voltado para a alfabetização, (...) é em geral realizado através de um planejamento que impede a construção de novos conhecimentos - tanto pelos professores como pelas crianças - e acaba ''tornando didático, o lúdico''. (...) Não há necessidade da escolarização, ela a terá mais tarde. Agora, nesta idade, educá-la para ser o futuro da nação é dar- lhe ''outros conhecimentos'' que ela vai precisar, inclusive na escola. (FARIA, 1999, p.p.20-1) www.soeducador.com.br 34 Educação infantil nos anos iniciais De acordo com a ampliação dos questionamentos sobre a educação compensatória, surge a pré-escola, com a finalidade de promover o desenvolvimento global e harmônico da criança. Diante desta ideia de pré-escola, Kramer (1997) coloca que não são levados em consideração, a heterogeneidade social e o papel político que a pré- escola desempenha no contexto mais amplo da educação e da sociedade brasileira. (p.28) Contrapondo a ideia de depósito e de compensação, a pré-escola passa a receber uma outra função: a pré-escola com função pedagógica, com o objetivo de instrumentalizar as crianças. Essa concepção pedagógica se volta a um trabalho desenvolvido na pré- escola que toma como ponto de partida a realidade e os conhecimentos infantis, ampliando através de atividades que têm um significado concreto para a vida das crianças e onde paralelamente, garante à criança a aquisição de novos conhecimentos, favorecendo, dessa forma, o seu desenvolvimento. De acordo com Kramer (1997), para que essa função se efetive na prática, (...) o trabalho pedagógico precisa se orientar por uma visão das crianças como seres sociais, indivíduos que vivem em sociedade (cidadãs e cidadãos). Isso exige que levemos em consideração suas diferentes características, não só em termos de histórias de vida ou de região geográfica, mas também de classe social, etnia e sexo. Reconhecer as crianças como seres sociais que são, implica em não ignorar as diferenças. Os conflitos - que podem emergir - não devem ser encobertos, mas, por outro lado, não podem ser reforçados, precisam ser explicitados e trabalhados com as crianças a fim de que sua inserção social no grupo seja construtiva, e para que cada um seja valorizado e possa desenvolver sua autonomia, identidade e espírito de cooperação e solidariedade com as demais. (p.19) No entanto, o entendimento da função da pré-escola como sendo pedagógica ainda tem gerado alguns equívocos entre os educadores. Um deles é a importação para a pré-escola de práticas rotineiras da escola de ensino fundamental: ênfase cognitivista, organização seriada e disciplinar dos conteúdos escolares, pouca ênfase no jogo e na motricidade. (OLIVEIRA, 2000, p.2) www.soeducador.com.br 35 Educação infantil nos anos iniciais Assim, muitos professores da pré-escola, dizem seguir uma concepção pedagógica, mas a sua prática nos revela possuir outra concepção de educação pré-escolar. 4.1 A importância da pré-escola Fonte: Projeto Colabora Compreendendo como