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23 Daiane Arruda Resplande O PAPEL DA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE NO CUIDADO DO PACIENTE HIPERTENSO PORTO ALEGRE DO NORTE-MT 2025 Daiane Arruda Resplande O PAPEL DA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE NO CUIDADO DO PACIENTE HIPERTENSO Projeto apresentado ao Curso de Enfermagem da Instituição UNOPAR Orientador: Ariane Sabina Stieven Porto Alegre do Norte-MT 2025 19 9 Público Público SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 4 1.1 O PROBLEMA 5 2 OBJETIVOS 6 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS OU SECUNDÁRIOS 6 3 JUSTIFICATIVA 7 4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 8 4.1 DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS 8 4.2 HIPERTENSÃO ARTERIAL E SUAS COMPLICAÇÕES 10 4.3 PAPEL DA APS NA ASSISTÊNCIA AO PACIENTE COM HAS 13 5 METODOLOGIA 17 6 CRONOGRAMA DE DESENVOLVIMENTO 19 REFERÊNCIAS 20 1 INTRODUÇÃO A hipertensão arterial é uma condição crônica prevalente e um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, representando um desafio significativo para os sistemas de saúde globalmente. Neste contexto, a atenção primária em saúde emerge como um componente fundamental no cuidado integral ao paciente hipertenso. Compreende-se a atenção primária não apenas como o primeiro ponto de contato do paciente com o sistema de saúde, mas também como a base para a promoção da saúde, prevenção de doenças e gestão de condições crônicas como a hipertensão. A relevância da atenção primária na gestão da hipertensão se fundamenta na sua capacidade de oferecer cuidado contínuo e coordenado, focado não apenas no tratamento dos sintomas, mas na promoção de hábitos de vida saudáveis e na prevenção de complicações associadas. É através da atenção primária que se estabelecem as diretrizes para o manejo clínico adequado, incluindo o monitoramento regular da pressão arterial, a avaliação de fatores de risco individuais e a prescrição de tratamentos personalizados. Além do aspecto clínico, a atenção primária desempenha um papel crucial na promoção da educação em saúde, capacitando pacientes a entenderem melhor sua condição e a adotarem medidas autônomas para o autocuidado. Este enfoque holístico não apenas melhora os resultados de saúde, mas também contribui para a sustentabilidade dos sistemas de saúde ao reduzir hospitalizações e procedimentos invasivos decorrentes de complicações não controladas da hipertensão. Portanto, este projeto de pesquisa visa explorar de maneira aprofundada como a atenção primária em saúde pode otimizar o cuidado ao paciente hipertenso, considerando não apenas a eficácia clínica, mas também a qualidade de vida e a sustentabilidade dos recursos de saúde. Ao entender melhor os mecanismos pelos quais a atenção primária pode integrar-se de forma efetiva no manejo da hipertensão, espera-se contribuir para políticas e práticas que fortaleçam esse pilar essencial do sistema de saúde. 1.1 O PROBLEMA A hipertensão arterial é uma condição crônica prevalente e um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, representando um desafio significativo para os sistemas de saúde globalmente. Neste contexto, a atenção primária em saúde emerge como um componente fundamental no cuidado integral ao paciente hipertenso. Compreende-se a atenção primária não apenas como o primeiro ponto de contato do paciente com o sistema de saúde, mas também como a base para a promoção da saúde, prevenção de doenças e gestão de condições crônicas como a hipertensão. A relevância da atenção primária na gestão da hipertensão se fundamenta na sua capacidade de oferecer cuidado contínuo e coordenado, focado não apenas no tratamento dos sintomas, mas na promoção de hábitos de vida saudáveis e na prevenção de complicações associadas. É através da atenção primária que se estabelecem as diretrizes para o manejo clínico adequado, incluindo o monitoramento regular da pressão arterial, a avaliação de fatores de risco individuais e a prescrição de tratamentos personalizados. Além do aspecto clínico, a atenção primária desempenha um papel crucial na promoção da educação em saúde, capacitando pacientes a entenderem melhor sua condição e a adotarem medidas autônomas para o autocuidado. Este enfoque holístico não apenas melhora os resultados de saúde, mas também contribui para a sustentabilidade dos sistemas de saúde ao reduzir hospitalizações e procedimentos invasivos decorrentes de complicações não controladas da hipertensão. Portanto, este projeto de pesquisa visa explorar de maneira aprofundada como a atenção primária em saúde pode otimizar o cuidado ao paciente hipertenso, considerando não apenas a eficácia clínica, mas também a qualidade de vida e a sustentabilidade dos recursos de saúde. Ao entender melhor os mecanismos pelos quais a atenção primária pode integrar-se de forma efetiva no manejo da hipertensão, espera-se contribuir para políticas e práticas que fortaleçam esse pilar essencial do sistema de saúde. 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL OU PRIMÁRIO Compreender o papel da atenção primária em saúde no cuidado integral e no controle da hipertensão arterial em pacientes acompanhados pelos serviços de saúde. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS OU SECUNDÁRIOS • Analisar as principais estratégias utilizadas na atenção primária para o acompanhamento de pacientes hipertensos. • Identificar os desafios enfrentados pelas equipes de saúde na adesão dos pacientes ao tratamento da hipertensão arterial. • Descrever a importância da educação em saúde no controle da pressão arterial e na prevenção de complicações. • Investigar os impactos do acompanhamento contínuo realizado na atenção primária sobre a qualidade de vida dos pacientes hipertensos. 3 JUSTIFICATIVA A hipertensão arterial sistêmica representa um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e no mundo, devido à sua alta prevalência e à relação direta com o desenvolvimento de complicações cardiovasculares graves, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Por se tratar de uma doença crônica silenciosa, que frequentemente evolui sem sintomas perceptíveis, a hipertensão requer um acompanhamento contínuo e eficaz. Nesse sentido, a atenção primária em saúde tem papel central, por ser a principal porta de entrada do sistema de saúde e o nível responsável pela coordenação do cuidado e pela promoção de ações preventivas e educativas voltadas à melhoria da qualidade de vida dos pacientes. A escolha por investigar o papel da atenção primária no cuidado ao paciente hipertenso se justifica pela necessidade de compreender como as práticas desenvolvidas nesse nível de atenção contribuem para o controle efetivo da doença. A pesquisa é relevante por buscar analisar a atuação das equipes de saúde, a adesão dos pacientes às orientações terapêuticas e as estratégias que promovem um cuidado integral. Assim, pretende-se aprofundar o conhecimento sobre as potencialidades e os desafios enfrentados pela atenção primária, considerando sua importância na prevenção de complicações e na redução dos índices de morbimortalidade por hipertensão. Os resultados deste estudo poderão oferecer subsídios teóricos e práticos que contribuam para a qualificação das ações realizadas na atenção primária, beneficiando diretamente a comunidade científica e os profissionais de saúde. Além disso, ao identificar aspectos que possam ser aprimorados nos serviços de atenção primária, a pesquisa pode auxiliar na formulação de políticas públicas mais eficazes e no desenvolvimento de estratégias de intervenção que promovam maior adesão ao tratamento e melhor controle da hipertensão, refletindo positivamente na saúde da população. 4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 4.1 DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são condições de natureza progressiva e prolongada, que geralmente apresentam evolução silenciosa e manifestam-se ao longo da vida. Elas correspondem a enfermidades multissistêmicas de alta complexidade, responsáveis por elevados índices de morbimortalidade em nível global. Estima-se que essas doenças sejam responsáveis por cerca de 41 milhões de mortes anualmente, o que representa aproximadamente 80% dos óbitos no mundo. Dentre as principais DCNT destacam-se a hipertensão arterial sistêmica, o diabetes mellitus, os cânceres, as doenças cardiovasculares e as doenças pulmonares crônicas. Essas enfermidades são fortemente associadas a fatores comportamentais e sociais, como sedentarismo, consumo excessivo de álcool, alimentação inadequada, tabagismo e determinantes não modificáveis como idade, sexo e predisposição genética (PEREIRA; SANTOS; UEHARA, 2020). Nos países de baixa e média renda, a prevalência das DCNT é ainda mais acentuada, refletindo desigualdades sociais e econômicas que limitam o acesso aos serviços básicos de saúde e às ações de promoção e prevenção. Em áreas rurais, essas dificuldades são ainda maiores, visto que a população apresenta limitações no acesso a serviços de saúde qualificados, o que contribui para o diagnóstico tardio e o manejo inadequado das doenças crônicas. Estudos demonstram que as populações rurais enfrentam maior vulnerabilidade devido a fatores como baixos níveis educacionais, maior exposição a hábitos alimentares inadequados e maior prevalência de consumo de tabaco, o que impacta diretamente na qualidade de vida e na expectativa de vida desses grupos (HIRSCHMANN et al., 2020). No Brasil, as DCNT representam uma das principais causas de óbitos precoces, sendo responsáveis por cerca de 50% das mortes registradas no estado do Ceará em 2018, de acordo com dados do IBGE (2019). Observa-se uma elevada incidência de mortalidade prematura entre indivíduos com menos de 80 anos, com destaque para a faixa etária de 30 a 69 anos. As mulheres apresentam maior expectativa de vida e, consequentemente, são mais afetadas pelos impactos das doenças crônicas em longo prazo. Além disso, as DCNT agravam as desigualdades sociais ao limitar a capacidade laboral dos indivíduos, influenciando diretamente o aumento da pobreza e da vulnerabilidade social. Outro fator que contribui para o aumento dos índices de DCNT é a mudança no padrão alimentar da população, marcada pelo crescente consumo de alimentos ultraprocessados. Estes produtos contêm elevados teores de aditivos químicos, sódio, açúcares e gorduras saturadas, elementos que favorecem o desenvolvimento de doenças como a obesidade, hipertensão e diabetes mellitus. O consumo frequente desses alimentos é apontado como um dos principais fatores para o aumento dos casos de doenças crônicas em diferentes faixas etárias, tornando-se um desafio para as políticas públicas de saúde (SILVA et al., 2019). A preocupação com os impactos negativos dos produtos não saudáveis foi evidenciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que, durante a 9ª Conferência Mundial de Proteção da Saúde (CMPS), destacou a necessidade de regulamentação dos determinantes comerciais da saúde. A conferência reforçou a importância de ações que priorizem a saúde e o bem-estar das populações, considerando o impacto negativo dos interesses econômicos na oferta de produtos prejudiciais à saúde. Nesse cenário, a OMS e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) enfatizam a urgência de políticas intersetoriais que promovam ambientes alimentares mais saudáveis e reduzam o risco de DCNT (OPAS, 2020). As doenças crônicas não transmissíveis continuam representando um desafio significativo para os sistemas de saúde em todo o mundo, refletindo-se em altas taxas de morbidade e mortalidade, além da diminuição da qualidade de vida dos indivíduos afetados. O enfrentamento das DCNT no Brasil inclui ações de vigilância, promoção da saúde e prevenção, com ênfase nos serviços de atenção primária, secundária e terciária. O Ministério da Saúde realiza o monitoramento contínuo dessas enfermidades por meio de sistemas de informação e inquéritos de saúde, buscando fortalecer a rede de atenção integral e ampliar o acesso às ações de prevenção e controle (SOUZA et al., 2018). As DCNT configuram-se, portanto, como um dos principais problemas de saúde pública no Brasil, sobrecarregando o Sistema Único de Saúde (SUS) e elevando os custos relacionados ao tratamento e controle dessas condições. A hipertensão arterial, por exemplo, é uma das doenças que mais demandam recursos do SUS para aquisição de medicamentos e acompanhamento dos pacientes. Estima-se que cerca de 70% da população adulta brasileira seja afetada por alguma doença crônica não transmissível, especialmente doenças cardiovasculares, respiratórias, diabetes e neoplasias malignas. Os fatores de risco modificáveis, como alimentação inadequada e sedentarismo, podem ser controlados por meio de estratégias de promoção da saúde e mudanças nos hábitos de vida, o que reforça a importância de ações preventivas e educativas para conter a crescente prevalência dessas doenças (BAUMGARTEL et al., 2020). Dessa forma, a implementação de políticas públicas eficazes e a ampliação das ações de promoção da saúde são fundamentais para enfrentar o avanço das DCNT, especialmente no contexto da atenção primária. O fortalecimento das estratégias de prevenção, a educação em saúde e o estímulo a hábitos de vida saudáveis são medidas essenciais para a redução da morbimortalidade relacionada às doenças crônicas e para a melhoria da qualidade de vida da população. 4.2 HIPERTENSÃO ARTERIAL E SUAS COMPLICAÇÕES A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma das principais doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), caracterizada pela elevação persistente dos níveis de pressão arterial, definidos como valores iguais ou superiores a 140 mmHg de pressão sistólica e 90 mmHg de pressão diastólica. Essa elevação constante da pressão nos vasos sanguíneos representa um importante fator de risco para complicações multissistêmicas, devido à sobrecarga imposta ao coração e ao sistema circulatório, o que pode culminar em infarto agudo do miocárdio, entre outras doenças. No Brasil, a prevalência da hipertensão é alarmante, sendo frequentemente autorreferida por pessoas com idade acima de 12 anos, idosos com 65 anos ou mais, e especialmente pelas mulheres. A hipertensão é um dos principais desencadeadores de eventos cardiovasculares graves, como acidentes vasculares encefálicos (AVE), aneurismas, insuficiência cardíaca e insuficiência renal. Diante desse quadro, a adoção de hábitos saudáveis é a principal estratégia para prevenir a doença e suas complicações (MAGRI et al., 2020). Dentro do conjunto das doenças crônicas não transmissíveis, a hipertensão arterial se destaca como uma das principais causas de morbidade e mortalidade por internações hospitalares no Brasil. Estima-se que aproximadamente 20% das mortes no país estejam relacionadas a doenças cardiovasculares que se originam dos altos níveis de pressão arterial. A HAS é frequentemente considerada uma enfermidade silenciosa e assintomática, afetando, de maneira global, cerca de um bilhão de pessoas. No Brasil, esse número vem aumentando progressivamente, o que sobrecarrega o sistema de saúde pública. A hipertensão é reconhecida como um fator de risco fundamental para agravos cardiovasculares, comprometendo a qualidade de vida e aumentando o risco de mortes prematuras. Além disso, ela é uma das principais doenças crônicas responsáveis pelo aumento da demanda nos serviços públicos de saúde (PELAZZA et al., 2020). Os impactos da hipertensão arterial não se limitam apenas à saúde, mas também alcançam a esfera social e econômica. Entre os fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença estão o envelhecimento, o sexo, predisposição genética, obesidade, estilo de vida sedentário, a presença de outras comorbidades e a adoção de dietas desequilibradas, ricas em sódio e calorias. A hipertensão pode se desenvolver de forma insidiosa, sem apresentar sintomas nas suas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. A confirmação da doença ocorre mediante avaliação médica criteriosa, e o sucesso no tratamento está diretamente relacionado à adesão do paciente às orientações médicas e ao uso adequado da medicação. No entanto, diversos obstáculos dificultam o tratamento efetivo, como o alto custo dos medicamentos, os efeitos colaterais indesejados e a falta de informação adequada sobre a terapia, o que compromete a adesão e eficácia do tratamento (OLIVEIRA et al., 2020). O crescimento da hipertensão arterial, considerado um problema de saúde pública mundial, contribui significativamente para o aumento das doenças cardiovasculares e para a elevação das taxas de mortalidade. Projeções indicam que, até 2050, aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas poderão ser acometidas pela doença. Diversos fatores sociodemográficos influenciam esse cenário, incluindo desigualdade social, pobreza, acesso limitado a serviços de saúde, questões culturais e condições ambientais desfavoráveis. O sedentarismo, classificado como um fator de risco modificável, é amplamente associado ao desenvolvimento de doenças multissistêmicas, que figuram entre as principais causas de óbito em populações vulneráveis (SILVA et al., 2020). A hipertensão arterial é a doença crônica mais frequente entre a população idosa no Brasil, funcionando como um gatilho para a manifestação de diversas doenças cardiovasculares. Este grupo etário é particularmente suscetível ao aumento da pressão arterial devido à presença simultânea de outras alterações metabólicas, como hiperglicemia, elevação dos triglicerídeos, disfunções no colesterol de alta densidade (HDL), obesidade e consumo excessivo de sal. Esses fatores, somados às comorbidades típicas da terceira idade, ampliam a probabilidade de eventos cardiovasculares graves. Por isso, as intervenções que promovam a mudança de hábitos de vida são indispensáveis para reduzir os riscos de complicações sistêmicas e melhorar a qualidade de vida dos idosos (COSTA et al., 2020). Entre as complicações neurológicas mais associadas à hipertensão arterial destaca-se o acidente vascular cerebral (AVC), responsável por aproximadamente 70% das internações hospitalares no Brasil relacionadas a eventos neurológicos. O AVC frequentemente gera sequelas severas, que podem ser temporárias ou permanentes, impactando de forma significativa a funcionalidade e a qualidade de vida dos indivíduos. Dados recentes apontam para uma média de 68 mil óbitos anuais por AVC no Brasil. Além do sofrimento individual, essas complicações geram um custo financeiro elevado para o sistema de saúde, considerando que a maioria das internações por AVC está diretamente relacionada a níveis críticos de pressão arterial (GOULART et al., 2016). Além das complicações cardiovasculares e neurológicas, aproximadamente 80% dos hipertensos apresentam alguma outra comorbidade relacionada à síndrome metabólica, o que aumenta em até três vezes o risco de desenvolver doenças cardiovasculares (DCV). Para estimar o risco de eventos cardiovasculares em um período de 10 anos, pode-se utilizar o Escore de Risco de Framingham (ERF), que leva em consideração fatores como idade, sexo, níveis de colesterol total, HDL, tabagismo e pressão arterial. Apesar de ser um método de avaliação amplamente utilizado internacionalmente, no Brasil ainda é um desafio a implementação sistemática desse tipo de vigilância. Nesse contexto, a Estratégia de Saúde da Família desempenha papel fundamental na prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento da hipertensão arterial, sendo uma ferramenta essencial no enfrentamento das doenças cardiovasculares (HAITO et al., 2020). Adicionalmente, destaca-se a importância das ações de educação em saúde voltadas para a população, com foco na orientação sobre os fatores de risco modificáveis, como alimentação balanceada, prática regular de atividade física, redução do consumo de álcool e abandono do tabagismo. Essas iniciativas, somadas a um acompanhamento efetivo pelas equipes de saúde, são fundamentais para o controle da hipertensão arterial e a prevenção de suas complicações a longo prazo. Dessa forma, a hipertensão deve ser tratada não apenas como uma condição clínica, mas como uma questão de saúde pública que demanda uma abordagem ampla e integrada. 4.3 PAPEL DA APS NA ASSISTÊNCIA AO PACIENTE COM HAS As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) figuram como as principais responsáveis pelos altos índices de morbidade e mortalidade, especialmente entre indivíduos diagnosticados com hipertensão arterial sistêmica (HAS). A hipertensão atinge de forma significativa a população envelhecida, que frequentemente convive com múltiplas doenças e, consequentemente, utiliza diversos medicamentos de forma simultânea com o objetivo de manter a pressão arterial controlada. Na maior parte dos casos, o acesso a esses medicamentos ocorre por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), sendo que os dados indicam maior consumo de medicamentos entre o público feminino, o que pode estar relacionado ao fato de as mulheres procurarem mais frequentemente os serviços de saúde (CAMARGO et al., 2021). A Estratégia Saúde da Família, componente essencial da atenção básica no Sistema Único de Saúde (SUS), destaca-se como um dos principais alicerces no acompanhamento e cuidado dos indivíduos com hipertensão arterial. Considerando a elevada prevalência dessa condição e a sua associação com diversas comorbidades, a ESF desempenha papel crucial na gestão da terapêutica medicamentosa dos pacientes hipertensos. O uso correto dos medicamentos é vital para prevenir complicações graves, como eventos cardiovasculares e renais, além de evitar a progressão da doença. A orientação adequada oferecida pelos profissionais da ESF busca promover a adesão ao tratamento, reduzindo a automedicação e o uso inadequado dos fármacos, fatores que podem gerar desfechos desfavoráveis e aumentar os custos para o sistema público de saúde (FREITAS et al., 2021). Dentro do escopo da ESF, o enfermeiro se consolida como uma figura central na assistência ao paciente hipertenso. Atuando de forma abrangente e integrativa, o profissional de enfermagem assume uma visão holística no cuidado, com foco na promoção da saúde e na prevenção das complicações decorrentes das DCNT. No que diz respeito à hipertensão arterial, a supervisão do uso de medicamentos se apresenta como uma estratégia imprescindível para minimizar danos aos órgãos-alvo, como cérebro, rins e coração, decorrentes do descontrole pressórico. As Unidades Básicas de Saúde (UBS), como espaços fundamentais de cuidado primário, visam assegurar a equidade no acesso aos serviços, promovendo ações preventivas, assistenciais e reabilitadoras, em uma abordagem multiprofissional e centrada na integralidade do cuidado. Entretanto, ainda existem barreiras significativas que dificultam a adesão e a continuidade do tratamento medicamentoso, impactando diretamente a efetividade do cuidado ao paciente hipertenso (SALLES et al., 2019). O acesso aos medicamentos anti-hipertensivos e à assistência integral aos portadores de hipertensão arterial é disponibilizado tanto nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) quanto na Estratégia Saúde da Família (ESF). Esses serviços têm como finalidade garantir a prevenção, a promoção, o tratamento e a continuidade dos cuidados para as famílias em situação de vulnerabilidade. O controle das DCNT é tratado como prioridade, visto que essas doenças figuram entre as principais causas de morte, incapacidade temporária e permanente, além de acarretarem elevados custos para o sistema público de saúde. Com a finalidade de estruturar e ampliar o acompanhamento dos pacientes hipertensos e diabéticos, o governo federal implementou o Programa Nacional de Hipertensão e Diabetes Mellitus (HIPERDIA). Esse programa visa assegurar não apenas o acompanhamento clínico contínuo, mas também o fornecimento gratuito de medicamentos, com a meta de reduzir as complicações relacionadas às DCNT (ALMEIDA et al., 2019). Apesar das políticas públicas vigentes, o desafio da adesão ao tratamento permanece significativo. Muitos pacientes enfrentam dificuldades para manter o uso regular das medicações, seja por fatores econômicos, culturais ou pela falta de compreensão sobre a importância da continuidade do tratamento mesmo na ausência de sintomas. A hipertensão, por ser uma doença silenciosa, muitas vezes leva o paciente a negligenciar o uso dos medicamentos, o que favorece o surgimento de complicações como o acidente vascular cerebral, a insuficiência renal crônica e o infarto agudo do miocárdio. Outro aspecto relevante a ser considerado é a necessidade de educação em saúde, que deve ser uma prática constante dentro da ESF. As ações educativas voltadas para a conscientização da população sobre os riscos da hipertensão arterial, a importância da alimentação saudável, a prática regular de atividade física e a adesão ao tratamento medicamentoso são essenciais para a mudança de comportamento e o controle efetivo da doença. Além disso, o fortalecimento dos grupos de apoio e dos programas de acompanhamento contínuo possibilitam um vínculo mais próximo entre as equipes de saúde e a comunidade, promovendo uma abordagem humanizada e eficaz. Cabe ainda destacar a importância da equipe multiprofissional no gerenciamento dos casos de hipertensão arterial. Médicos, enfermeiros, nutricionistas, educadores físicos e agentes comunitários de saúde precisam atuar de forma integrada, garantindo que as necessidades dos usuários sejam atendidas de forma ampla e personalizada. A articulação entre esses profissionais fortalece as ações de promoção e prevenção, além de assegurar maior eficácia nas intervenções terapêuticas. Por fim, é fundamental investir em políticas públicas que ampliem a cobertura da ESF, melhorem o acesso da população aos serviços de saúde e assegurem a disponibilidade contínua de medicamentos essenciais. A luta contra a hipertensão arterial e as DCNT exige um esforço conjunto de gestores, profissionais de saúde e sociedade para que se obtenham melhores resultados na saúde pública brasileira. 5 18 Público 5 METODOLOGIA A presente pesquisa trata-se de uma revisão bibliográfica, de natureza qualitativa e descritiva. O objetivo principal deste método é reunir, analisar e discutir conteúdos de publicações acadêmicas que abordem a temática das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), com ênfase na hipertensão arterial sistêmica e sua relação com a Estratégia Saúde da Família (ESF). A revisão bibliográfica permite o levantamento e a análise de informações previamente publicadas, possibilitando a compreensão mais ampla sobre o tema, sem a necessidade de coleta de dados primários ou realização de intervenções. Para a construção deste trabalho, foram utilizados materiais científicos publicados no período compreendido entre os anos de 2013 e 2023, a fim de garantir a atualização e a relevância dos dados analisados. Os critérios de inclusão adotados consistiram em artigos disponíveis nos idiomas português e inglês, que abordassem diretamente a temática proposta, tais como hipertensão arterial, doenças crônicas não transmissíveis, saúde pública, prevenção, tratamento e atenção básica. Também foram incluídas publicações de organizações reconhecidas, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde do Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Foram excluídos artigos de revisão, resenhas, editoriais, textos de opinião, resumos simples e estudos que não apresentassem dados completos ou que não se relacionassem diretamente com a temática em questão. A seleção dos materiais foi realizada através de busca em bases de dados eletrônicas reconhecidas no meio acadêmico, como a Scientific Electronic Library Online (SciELO), a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), o Google Acadêmico e a PubMed. Além desses, também foram consultados livros, documentos oficiais e manuais técnicos relevantes para a fundamentação teórica da pesquisa. Os descritores utilizados no processo de busca foram: “hipertensão arterial”, “doenças crônicas não transmissíveis”, “estratégia saúde da família”, “atenção básica”, “promoção da saúde” e “prevenção de doenças crônicas”. Estes termos foram combinados de diferentes formas, utilizando operadores booleanos (AND, OR) para ampliar ou refinar os resultados, conforme a necessidade de aprofundamento nos diferentes aspectos da pesquisa. Dessa forma, a metodologia adotada garantiu uma análise criteriosa e fundamentada de conteúdos que contribuem para a compreensão do papel da ESF no enfrentamento da hipertensão arterial enquanto uma das principais DCNT no contexto brasileiro. 6 CRONOGRAMA DE DESENVOLVIMENTO ETAPAS FEVEREIRO MARÇO ABRIL ELABORAÇÃO DO PROJETO X X X REVISÃO DE LITERATURA X X X ENTREGA X Fonte: O Autor (2025). REFERÊNCIAS ALMEIDA, A. J. S. et al. Adesão ao tratamento medicamentoso da hipertensão arterial em dois modelos de atenção à saúde. Revista APS, v. 22, n. 2, p. 235-250, 2021. BARROSO, W. K. S. et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 116, n. 3, p. 516-658, 2020/2021. 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