Teorias da Comunicação - Mass Communication Research
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Teorias da Comunicação - Mass Communication Research


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Teorias da Comunicação
Mass Communication Research (1920 - 1960) 
Introdução
Mass Communication Research compreende estudos que partem de um ponto mais simplista até estudos mais sofisticados, que percebem a complexidade dos fenômenos comunicacionais.
As quatro características comuns aos estudos que integram a Mass Communication Research:
 Orientação empiricista: dimensão quantitativa
 Orientação pragmática: pesquisa administrativa
 Objeto de estudo: comunicação midiática
 Modelo comunicativo comum: Teoria Matemática da Comunicação
Orientação empiricista: dimensão quantitativa
O tipo de pesquisa que a Mass Communication Research faz é a empírica, que estuda casos concretos de atos comunicacionais. São estudos que analisam uma determinada situação concreta de comunicação, como a cobertura que um determinado jornal faz durante uma campanha eleitoral ou mapear a quantidade e o tipo de audiência de um programa de rádio, por exemplo. Privilegia casos empíricos a partir da perspectiva quantitativa. Busca entender as proporções, os dados e as estatísticas. 
Exemplo:
Em 1948, Lazarsfeld estudou o funcionamento da propaganda de massa. 
Orientação pragmática: pesquisa administrativa
A orientação desses estudos é alimentar a prática, ou seja, a pragmática e, por isso, recebe o nome de pesquisa administrativa.
É uma pesquisa que visa entender como funcionam os meios de comunicação de massa para poder favorecer a otimização do uso desses meios.
Assim, compreender os mecanismos pelos quais a comunicação de massa funciona é interessante, pois permite que os operadores da comunicação - administradores, políticos, governos, etc. - possam, de certa maneira, aperfeiçoar o uso dessas ferramentas.
A maior parte dessas pesquisas é feita por encomenda, tanto por parte dos departamentos estatais, quanto por parte dos impérios midiáticos. É bom lembrar que estamos no período de 1920 a 1960, época que atravessa a Segunda Guerra Mundial e, logo em seguida, a Guerra Fria, quando as mídias de massa terão imensa relevância.
Objeto de estudo: comunicação midiática
Comunicação é um conceito muito amplo que serve para nomear inúmeras dimensões.
Se fizermos hoje um levantamento, a comunicação pode conter inúmeros sentidos e podemos dizer que somos geneticamente informação.
Mas qual comunicação esses pesquisadores estudam? Não é a linguagem, nem a oralidade, nem o caráter tecnológico dos processos comunicacionais. Eles estudam a comunicação midiática.
A pesquisa da Mass Communication Research centra as suas ferramentas no estudo dos meios de comunicação, mais especifícamente nos meios de comunicação de massa, nos processos de comunicação que acontecem por intermédio desses meios. São pesquisas que têm, em geral, a mídia - em inglês, o mass media - como elemento central.
Modelo comunicativo comum: Teoria Matemática da Comunicação
Todos as pesquisas partem em geral, ou pelo menos inicialmente, de um modelo comum: a ideia básica - e aparentemente óbvia - de que comunicação é a transmissão de mensagens de um ponto A para um ponto B, através de algum meio, algum canal.
Esse modelo sustenta as pesquisas da Mass Communication Research até o seu questionamento final. 
A formalização clássica dessa concepção é fornecida pela chamada Teoria Matemática da Comunicação.
 
O livro que inaugura oficialmente a Mass Communication Research foi publicado pelo sociólogo Harold Lasswell, em 1927, e apresenta as técnicas de propaganda na Primeira Guerra Mundial \u2013 (\u201cPropaganda Technique in the World War\u201d).
Na publicação, o pesquisador analisa o funcionamento da propaganda de guerra, entendida como instrumento que pode ser utilizado para bons ou para maus fins. Traz a ideia de que os meios de comunicação, extremamente poderosos, manipulam as consciências.
Esse livro, considerado o marco inicial da Mass Communication Research, aborda o estudo dos efeitos da comunicação de massa sobre os indivíduos, analisando os principais temas das propagandas americana, inglesa, francesa e alemã, entre 1914 e 1917.
Teoria Matemática
Teoria Matemática (ou Teoria da Informação)
A Teoria Matemática foi originada por Claude Shannon, engenheiro que trabalhava no laboratório Bell System - uma das subsidiárias do grande grupo de comunicação AT&T - com criptografia e processo de codificação.
Enquanto trabalhava no Bell System, Shannon começou a se preocupar com a questão técnica da transmissão das mensagens de um ponto a outro. Ele pensava em como conseguir uma transmissão segura. Um elemento central aí era o código e sua eficácia (economia).
A preocupação de Shannon não está no sentido das mensagens, nas ideologias ocultas ou explícitas. Ele se preocupa com processos eficazes de codificação e transmissão e, ao mesmo tempo, em como garantir que a mensagem que passe por um processo de codificação chegue ao seu destino de maneira segura.
Problemática de Shannon: pensar um sistema de comunicação no qual se garanta a isomorfia das mensagens, transmitidas entre dois pontos de forma linear.
Em 1948, ele apresenta sua tese no jornal do Bell System e, em 1949, ela é publicada com os comentários de Warren Weaver em formato de livro, pela Universidade de Illinois. Esquema comunicativo
OBJETIVO: PASSAR O MÁXIMO DE INFORMAÇÃO COM O MÍNIMO DE DISTORÇÃO E COM A MÁXIMA ECONOMIA DE TEMPO E ENERGIA.
Modelo de Shannon e Weaver
O modelo possui a seguinte ideia:
Uma fonte de comunicação seleciona uma mensagem, que é codificada por um codificador, ou seja, ela vai ser transformada em um sinal por esse emissor.
Este sinal passa por um canal.
Problema: toda transmissão acontece na presença de um ruído. Ruído é toda perturbação aleatória que pode atrapalhar a isomorfia da mensagem.
O sinal chega a um aparelho decodificador ou receptor e recompõe esse sinal na mensagem original, pensada pela fonte para um destinatário.
Veja um exemplo de situação cotidiana aplicada ao modelo de Shannon e Weaver:
Quando falamos ao telefone...
a voz é a fonte;
o aparelho é o codificador;
o canal telefônico transmite o sinal elétrico ao outro telefone, que é o decodificador;
o outro telefone recupera a voz do emissor;
o ouvido atua como destinatário final;
o código vai ser o que regula a transmissão do sinal elétrico.
Outros conceitos importantes sobre esse modelo:
 Informação
 Entropia
 Código
 Ruído
 Redundância
Informação
Para ele, o que é a quantidade de informações? Quanto mais novidade - improbabilidade - se tem na mensagem, mais informação ela carrega. Quanto menos novidade - ou seja, quanto mais provável for a escolha - menor quantidade de informação carrega a mensagem.
Informação para Shannon não tem a ver com o sentido da mensagem, e sim com a quantidade de improbabilidades presentes.
Se ele está preocupado com a transmissão segura de uma mensagem do ponto A para o B, quanto mais econômica for essa mensagem, menor a probabilidade de que alguma coisa se perca no caminho.
Entropia
Para Shannon, entropia é o nome dado à grandeza que mede a quantidade de informação.
\u201cO conceito de entropia está relacionado tanto a um estado quanto a uma tendência. No primeiro caso, ao grau da desorganização da matéria; no segundo, à tendência à desorganização de toda matéria\u201d (PINEDA, 2006).
A informação, medida da liberdade de escolha, quanto mais incerta, mais improvável é uma mensagem, mais quantidade de informação e de novidade ela carrega.
Para Shannon, a quantidade de informação está associada ao conceito de entropia.
Código
O código é o princípio organizador de toda e qualquer mensagem; é um elemento central do sistema.
Sem o código, não há princípio a partir do qual se organiza a mensagem e, portanto, não há como esta circular de um ponto A para um ponto B.
Ruído
São perturbações aleatórias que impedem a isomorfia das mensagens por representarem alterações no sinal (WEAVER, 1978, p. 28).
Redundância
Para Shannon, o ideal para todo sistema ou toda mensagem é um equilíbrio entre a informação e algum grau de redundância,