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PL-Sumário-Cor 8/9/06, 10:35 AM1
..............Sumário
LEITURA DE IMAGEM
5ª. SÉRIE
Tema: Comunicação
De olho na imagem: cartum de Mordillo
De olho na imagem: cartum de Quino
Tema: No caminho da fantasia
De olho na imagem: tira de Bill Watterson
Tema: Crianças
De olho na imagem: A descoberta, de Norman Rockwell
De olho na imagem: No swimming, de Norman Rockwell
Tema: Descobrindo quem sou eu
De olho na imagem: A governanta, de Jean Baptiste Siméon Chardin
6ª. SÉRIE
Tema: Ser diferente
De olho na imagem: As meninas, de Diego Velázquez
De olho na imagem: Campeão de bolinha de gude, de Norman Rockwell
Tema: Heróis
De olho na imagem: fotos de cenas dos filmes O garoto e Em busca do ouro, de Chaplin
PL-Sumário-Cor 8/8/06, 3:16 PM2
Tema: Viagem pela palavra
De olho na imagem: A idade do romance, de Norman Rockwell
7ª. SÉRIE
Tema: Humor
De olho na imagem: cartum de Mordillo
De olho na imagem: cartum de Quino
Tema: Adolescência
De olho na imagem: Pôr-do-sol, de Norman Rockwell
Tema: Consumo
De olho na imagem: Mitos, de Andy Warhol
De olho na imagem: anúncio publicitário
Tema: Mundo moderno
De olho na imagem: Perdido (Vagamundo), de Livigian
8ª. SÉRIE
Tema: Juventude
De olho na imagem: fotos
Tema: Valores
De olho na imagem: As graças, de Rubens; A banhista loira, de Renoir; Nu rosa, de Matisse
De olho na imagem: foto e As banhistas, de Renoir
Tema: Amor
De olho na imagem: Os amantes, de Magritte
Tema: Nosso tempo
De olho na imagem: Criança geopolítica assistindo ao nascimento do novo homem,
de Salvador Dalí
PL-Sumário-Cor 8/8/06, 3:16 PM3
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
5ª. SÉRIE
Tema: Comunicação, linguagem, código
Cartum de Caulos e quadrinhos de Maurício de Sousa
Cartum de Quino
Entre sensos e pensos (fragmento), de Feiffer
Tema: No caminho da fantasia
O Chapeuzinho Vermelho, de Charles Perrault
A Iara, de Monteiro Lobato
Pedrinho pega um saci, de Monteiro Lobato
A raposa e as uvas, de Esopo; A raposa e as uvas, de Millôr Fernandes
Tema: Crianças
Garoto linha-dura, de Stanislaw Ponte Preta
Na rua do sabão, de Manuel Bandeira
Negócio de menino com menina, de Ivan Ângelo
Tema: Descobrindo quem sou eu
O diamante, de Luis Fernando Verissimo
A menina que descobriu o Brasil (fragmentos), de Ilka Brunhilde Laurito
Irmão de enxurrada, de Murilo Cisalpino
Causa perdida, de Luiz Vilela
6ª. SÉRIE
Tema: Ser diferente
A pipoca, de Lygia Bojunga Nunes
O nariz, de Luis Fernando Verissimo
O preconceito racial (depoimentos)
Tema: Heróis
Mocinho, de Carlos Drummond de Andrade
O homem no teto, de Jules Feiffer
Teseu contra o Minotauro, de Menelaos Stephanides
Qual destes é seu pai?, de Moacyr Scliar
PL-Sumário-Cor 8/8/06, 3:16 PM4
Tema: Viagens
Viagem a Lilipute, de Jonathan Swift
A primeira alunissagem, de Richard Plat
Os livros e suas vozes, de Cecília Meireles; A língua absolvida, de Elias
 Canetti
Minhas férias, de Luis Fernando Verissimo
Mentes e mãos no século XXI e Túnel do tempo: o sonho secreto dos físicos, revista Superinteressante
Tema: Viagem pela palavra
A incapacidade de ser verdadeiro, de Carlos Drummond de Andrade;
 Poeta à vista, de Carlos Queiroz Telles
A rua das rimas, de Guilherme de Almeida
O galo que cantava para fazer o sol nascer, de Rubem Alves
7ª. SÉRIE
Tema: Humor
Lua nua, de Leilah Assunção
Brincadeira, de Luis Fernando Verissimo
Antes e depois, de Moacyr Scliar
Cartum de Mordillo e depoimentos de Mordillo
Tema: Adolescer
A morcega, de Walcyr Carrasco
Puberdade: o início das complicações, de Flávio Gikovate
Liberdade, oh, liberdade, de Danuza Leão
O primeiro beijo, de Clarice Lispector
Tema: Consumo
O estranho procedimento de dona Dolores, de Luis Fernando Verissimo
Essas mães maravilhosas e suas máquinas infantis, de Carlos Eduardo Novaes
A publicidade na TV, de Ciro Marcondes Filho
Tema: Mundo moderno
Da utilidade dos animais, de Carlos Drummond de Andrade
Adeus a Sete Quedas, de Carlos Drummond de Andrade
O império da vaidade, de Paulo Moreira Leite
Relato de ocorrência em que qualquer semelhança não é mera
 coincidência, de Rubem Fonseca
PL-Sumário-Cor 8/8/06, 3:16 PM5
8ª. SÉRIE
Tema: Juventude
O não, o sim, a felicidade, de Ignácio de Loyola Brandão
Quando se é jovem e forte, de Affonso Romano de Sant’Anna
Juventude: a utopia da onipotência, de Flávio Gikovate
Entrevista de Serginho Groissman, Claudia Família
Tema: Valores
Vai, de Ivan Ângelo
A beleza não é um atributo fundamental, de Luiz Alberto Py
O casamento, de Luis Fernando Verissimo
Tema: Amor
Soneto da fidelidade, de Vinícius de Morais
Ter ou não ter namorado? Eis a questão, de Artur da Távola
Canção para os fonemas da alegria, de Thiago de Mello
Tema: Nosso tempo
Ela tem alma de pomba, de Rubem Braga
Dolly, a revolução dos clones, de Eurípedes Alcântara
Genoma: o quebra-cabeça da vida, de Paula Menezes
O homem; as viagens, de Carlos Drummond de Andrade
GRAMÁTICA
5ª. SÉRIE
Linguagem: ação e interação
As variedades lingüísticas
Substantivo
PL-Sumário-Cor 8/8/06, 3:16 PM6
Adjetivo
Flexão dos substantivos e adjetivos
Artigo
Numeral
Pronome
Verbo
Exercícios de revisão
6ª. SÉRIE
Verbo
Sujeito e predicado
Verbo de ligação e predicativo do sujeito
Adjunto adnominal
Preposição
Pronome
Transitividade verbal – objeto direto e objeto indireto
Predicado
PL-Sumário-Cor 8/8/06, 3:16 PM7
Adjunto adverbial
Exercícios de revisão
7ª. SÉRIE
Tipos de sujeito
Modo imperativo
Figuras de linguagem
Complemento nominal
Aposto e vocativo
Pontuação
Conjunção
Exercícios de revisão
8ª. SÉRIE
Orações subordinadas substantivas
Pronome relativo
Orações subordinadas adjetivas
Orações subordinadas adverbiais
PL-Sumário-Cor 8/8/06, 3:16 PM8
Estrutura e formação das palavras
Concordância verbal e nominal
Regência verbal e nominal — Sintaxe de regência
Orações coordenadas
Figuras de sintaxe
Exercícios de revisão
PL-Sumário-Cor 8/8/06, 3:16 PM9
LEITURA DE IMAGEM
5a. SÉRIE
• Comunicação
• No caminho da fantasia
• Crianças
• Descobrindo quem sou eu
PL-Miolo Leitura-Aluno 8/8/06, 4:40 PM1
2
Tema:
Comunicação
(Mordillo. Status Humor. Editora Três.) Po
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PL-Miolo Leitura-Aluno 8/8/06, 4:40 PM2
O receptor.
O emissor deseja carona.
O emissor está à beira da estrada, em pé, fazendo um gesto que significa
pedir carona.
Ele está pedindo ao motorista que lhe dê carona.
Ele faz o pedido de forma educada, porque depois ele agradece, tirando o
chapéu.
Porque ele está fazendo o gesto de pedir carona.
Porque ele está num ponto alto da estrada e consegue ver o carro que
vem vindo, e nós, leitores, não.
Sim, porque ele acena com o lenço em sinal de agradecimento e adeus.
Porque nós, leitores, esperávamos que o homem estivesse pedindo carona para si mesmo, e não para a vaca.
Com pequenos riscos que se assemelham a aspas.
Resposta pessoal.
3
1. Em todos os quadrinhos, há situações de comunicação.
a) Para nós, leitores, que elemento da comunicação falta no 1o. quadrinho?
b) O que deseja o emissor nos dois primeiros quadrinhos?
c) Como você chegou a essa conclusão?
2. Observe agora o 3o. quadrinho. Nele, o homem que está fora do carro se comunica com o motorista.
a) O que você acha que ele está pedindo ao motorista?
b) Você acha que ele faz esse pedido de forma educada ou de forma comum? Justifique sua resposta,
baseando-se nos gestos da personagem.
3. No 1o. quadrinho, nós, leitores, não vemos o receptor da mensagem, mas o emissor — o homem que
está ao lado da vaca — o vê.
a) Como sabemos disso?
b) Por que ele vê o carro e nós, leitores, não?
4. Observe o emissor no 4o. quadrinho.
Podemos dizer que ele está satisfeito com o desfecho da situação? Justifique sua resposta.
5. O humor do cartum se concentra, principalmente, no último quadrinho. Por quê?
6. Volte ao cartum e observe as linhas, as cores e as formas dos desenhos.
a) Como o cartunista representaAo fundo, temos uma paisagem primitiva e desértica, quebrada apenas
por um edifício que se posiciona à direita do quadro. No alto, sobre o planeta, há uma espécie de
toldo, cheio de pontas.
a) A função de um toldo é cobrir e proteger. Na sua opinião, as formas do toldo do quadro sugerem
a idéia de proteção? Por quê?
b) A paisagem, com seus contrastes, transmite uma impressão positiva ou negativa?
c) Reunindo os vários elementos do cenário, é possível afirmar que as perspectivas de futuro desse
novo homem são de que tipo?
• misteriosas • tristes • alegres
• otimistas • céticas (duvidosas) • enigmáticas
6. Observe que, da África, escorre uma lágrima, assim como do extremo sul da América. A figura
vermelha da parte inferior pode ser tanto um embrião como uma lágrima de sangue. Considerando
que o quadro retrata uma situação de parto, de nascimento do novo homem, qual é a razão das lágrimas?
7. O quadro em estudo se intitula Criança geopolítica assistindo ao nascimento do novo homem e foi
pintado em 1943, portanto em plena Segunda Guerra Mundial. Observe que o ser humano que nasce
não é um bebê, mas uma pessoa feita, adulta.
a) Considerando o contexto em que o quadro foi pintado, qual o significado dele naquele momento?
b) Por que o ser humano que nasce é um adulto?
c) Considerando o momento histórico que estamos vivendo hoje, de mudança de século e de milê-
nio, você acha que o quadro continua atual? Por quê?Po
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PL-Miolo Leitura-Aluno 8/8/06, 4:40 PM43
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INTERPRETAÇÃO
DE TEXTOS
5a. SÉRIE
• Comunicação, linguagem,
código
• No caminho da fantasia
• Crianças
• Descobrindo quem sou eu
PL-Miolo Interpretação 5ª-Aluno 8/8/06, 3:20 PM44
45
Tema:
Comunicação,
linguagem, código
ESTUDO DOS TEXTOS
Observe com atenção o cartum e leia os quadrinhos:
(Caulos. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 jul. 1975. Caderno B.)
(Maurício de Sousa. Mônica, no. 63, p. 82.)Po
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PL-Miolo Interpretação 5ª-Aluno 8/8/06, 3:20 PM45
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Resposta pessoal. Sugestões: um aperto de mão, a chave na fechadura,
um beija-flor com o bico numa flor, uma mãe dando de mamar ao filho,
o noivo colocando a aliança no dedo da noiva, etc.
As pessoas estão conversando.
Elas estão frente a frente, com a boca aberta, e há, no desenho, balões de fala.
Os balões dos quadrinhos têm frases,
palavras.
 Mônica não gosta de ser chamada nem de dentuça nem de gorducha
 e, em situações como essas, costuma bater em seus agressores.
Ela se enfurece e quer saber quem a xingou.
Bateria nele.
Porque cada uma delas responde ou reage à outra por meio de palavras, gestos ou
expressões.
Significaria que não houve comunicação.
Possibilidades: o menino é dentuço como ela;
ou Mônica está interessada ou apaixonada por
ele; ou acha-o muito bonito; ou o menino é novo
no bairro e ela deseja conquistá-lo, ou quer mos-
trar que é uma menina gentil, educada, etc.
O encaixe sugere que está ocorrendo comunicação; que as pessoas estão se comunicando, se entendendo.
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■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. O cartum, de Caulos, nos mostra duas pessoas.
a) O que elas estão fazendo?
b) Como sabemos disso?
2. O que o encaixe dos balões de fala sugere, considerando a situação que o cartum mostra?
3. Compare os balões do cartum com os balões dos quadrinhos.
O que os balões dos quadrinhos têm que os do cartum não têm?
4. No 1o. quadrinho da história da Mônica, alguém a chama de dentuça.
a) Como ela reage a isso no 2o. quadrinho?
b) Por que você acha que ela reagiu assim?
c) O que ela provavelmente faria, se o autor da frase fosse o Cebolinha?
5. No último quadrinho, Mônica surpreende o leitor com sua reação.
Dê duas razões para ela não ter reagido como esperávamos.
6. Nos quadrinhos, embora os balões estejam separados, como sabemos que há comunicação entre
Mônica e a personagem Titi?
7. No cartum, as peças do quebra-cabeça se encaixam perfeitamente. Associe as peças do quebra-
cabeça à comunicação e indique em seu caderno a alternativa que completa corretamente a afir-
mação a seguir.
Para que a comunicação se realize é necessário:
a) que uma pessoa tenha muita paciência com a outra.
b) que uma das pessoas seja muito inteligente.
c) que uma pessoa entenda o que a outra diz.
d) que uma das pessoas seja sensível e crítica.
8. Se no cartum as peças do quebra-cabeça não se encaixassem, o que isso significaria?
9.No cartum, uma peça de quebra-cabeça se encaixando perfeitamente na outra simboliza a
comunicação. Uma pecinha de Lego se encaixando em outra, uma fita de game sendo introduzida
num videogame ou um garoto beijando uma garota poderiam também representar a comunicação.
Que outros símbolos você sugere para representar
a comunicação?
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Estudo do textoEstudo do texto
Elas esperam o início de uma cerimônia oficial, talvez uma inaugura-
ção ou o discurso político de uma autoridade.
Significa que estão preocupadas com o horário, prova-
velmente está havendo algum atraso.
Que ocorreu um acidente com a
pessoa esperada.
É engraçada porque as pessoas presentes querem realizar a cerimônia de qualquer jeito, nem esperam
a vítima se recuperar do acidente.
Professor: Chame a atenção dos alunos para a paisagem ao fundo, a situação do carro e a nova posição do tapete. Esses elementos acentuam o absurdo da
situação, da qual nasce o humor.
Tema:
Comunicação,
linguagem, código
Você sabe o que é um cartum? Cartum é um tipo
de desenho que mostra uma situação engraçada.
Observe este trabalho de Quino, um cartunista
argentino:
(Quino. Provision d’humeu. Grenoble: Glénat, 1984.)
■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. O cartum é organizado em quatro cenas. Na 1ª cena, observe o local, as pessoas presentes, o modo
como estão vestidas, os tapetes, o microfone.
a) Por que, na sua opinião, essas pessoas estão reunidas?
b) Algumas pessoas estão olhando as horas. O que isso significa?
2. Na 2ª cena, um homem de bicicleta se aproxima e, na 3ª cena, todos saem correndo.
a) O que você supõe que o homem de bicicleta comunicou às pessoas?
b) O que a fala do homem provocou nas pessoas? Provocou uma reação: elas saíram correndo.
3. A graça desse cartum está principalmente na 4ª cena. Observe os elementos dela.
a) O que você acha que vai acontecer no momento retratado na cena? Vai começar a cerimônia.
b) Por que essa situação é engraçada?Po
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PL-Miolo Interpretação 5ª-Aluno 8/8/06, 3:20 PM47
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Estudo do textoEstudo do texto
Tema:
Comunicação,
linguagem, código
Leia este texto de Feiffer:
A mamãe está me ensinando a soletrar, mas eu não en-
tendia, e ela disse que era muito simples: Joel, G-A-T-O
quer dizer GATO, e eu disse: Por quê?
E ela disse porque é assim, e eu perguntei por que era assim,
e ela disse que Deus queria que fosse assim e eu perguntei:
Por que W-X-Y-Z não quer dizer GATO?
E ela disse que é porque não é assim e eu
disse por que não se eu quero que seja assim
e ela disse que é por causa das regras…
E eu disse que as regras são bobas e G-A-T-O quer dizer GATO é uma regra estúpida e
ultrapassada, e W-X-Y-Z quer dizer GATO é melhor e mais moderno e ela disse: Não
tente reformar o mundo, Joel, ou você será muito infeliz…
E eu perguntei por que as regras antigas estão sempre certas e por que as regras novas
estão sempre erradas, e ela disse: Já fui paciente demais com você, rapazinho, e agora
soletre gato do modo certo ou irá para a cama uma semana sem ver TV…
E eu disse quem precisa ver TV, e ela disse: Deixe de ser malcriado,
você precisa de TV, e eu disse: Não podemos conversar comoduas
pessoas civilizadas, e ela disse que eu arranjei essas idéias engraça-
das na rua; ficarei sem TV durante um mês…
E eu disse que W-X-Y-Z quer dizer GATO.
E ninguém me fará mudar de idéia.
A-B-C-D-E-F-G
quer dizer socorro.
(Entre sensos e pensos. Gráfica Bahiense, 1976.)
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PL-Miolo Interpretação 5ª-Aluno 8/8/06, 3:20 PM48
49
Joel é um menino teimoso e inconformado com as regras impostas.
“Deus queria que fosse assim”. Não conseguindo convencer o filho, a mãe apela até para argumentos
religiosos.
Inicialmente, Joel ficaria uma semana sem ver TV; depois o castigo passa para um mês.
Provavelmente o comentário “Não podemos conversar como duas pessoas civilizadas”. Colocando-se como superior e mostrando um comportamento não
emocional, diferentemente da mãe, Joel a irrita ainda mais.
Provavelmente a mãe está vindo para bater nele ou puni-lo de outra forma.
As pessoas não se entenderiam e seria a maior confusão.
Resposta pessoal. Professor: A questão propicia uma boa reflexão com os alunos. Uma pessoa questionadora pode ser feliz, mesmo
tendo problemas de adequação ao seu meio. Mas há limites, pois para viver em sociedade é necessário aceitar regras, como as de
escrita, de trânsito, etc.
respondeu — perguntei —
afirmou
Não; porque, ao criar novas regras de escrita, ele também ficaria preso a elas.
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Embora Joel seja a única personagem que aparece no cartum, podemos tomar conheci-
mento de uma situação vivida por ele e sua mãe. Nas discussões com ela, fica claro o
temperamento de Joel, o seu modo de ser e de pensar. Como você caracterizaria o garoto?
2. Na 2ª cena, a mãe de Joel dá mostras de que está se cansando de tantas perguntas. Qual das respos-
tas dela comprova sua impaciência?
3. Da 5ª para a 6ª cena, a mãe de Joel vai ficando cada vez mais nervosa.
a) Observe as ameaças que ela faz em relação à TV. O que muda de uma cena para a outra?
b) Na sua opinião, qual comentário de Joel teria levado a mãe a ficar tão nervosa?
4. Compare a última cena com as demais. Observe, principalmente, o rosto da personagem.
a) O que sua expressão sugere? Espanto e medo.
b) Ainda na última cena, Joel cria uma nova forma de escrever a palavra socorro. O que
você acha que deve estar acontecendo nesse momento entre ele e a mãe?
5. A revolta de Joel tem suas razões: quando aprendemos a falar e a escrever, as regras da
língua falada e escrita já estão prontas, e não temos muitas chances de modificá-las.
a) O que você acha que aconteceria se cada um de nós criasse regras próprias para falar ou
escrever?
b) Joel, revoltado, deseja se livrar das regras da língua escrita. Mas, ao afirmar que, para ele, a palavra
gato deve ser escrita com w-x-y-z, o menino estaria mesmo se libertando das regras? Por quê?
6. A mãe diz ao garoto: “Não tente reformar o mundo, Joel, ou você será muito infeliz”. Você
acha que toda pessoa como Joel, que discorda das regras estabelecidas, torna-se infeliz?
Por quê?
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. O texto apresenta algumas características próprias da linguagem que uma criança usa para contar
uma história. Na 3ª cena, por exemplo, o menino une frases que são da mãe e frases que são dele.
a) Foram empregados sinais de pontuação para organizar as falas da mãe e as do filho? Não.
b) Que palavra, então, faz a ligação entre as falas? A palavra e.
2. A palavra disse é repetida várias vezes em todo o texto, o que também é característico da língua oral.
Que outras palavras poderiam ter sido empregadas no lugar de disse na 3ª cena?
3. Observe como a 1ª cena ficaria mais clara se o texto recebesse algumas modificações de vocabulário
e de pontuação:
A mamãe estava me ensinando a soletrar, mas eu não entendia. Então ela disse:
— É muito simples, Joel. G-A-T-O quer dizer gato.
E eu respondi:
— Por quê?
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PL-Miolo Interpretação 5ª-Aluno 8/8/06, 3:20 PM49
50
E ela disse:
— É porque não é assim.
impaciência, irritação
Então eu perguntei:
— Por que não, se eu quero que seja assim?
Ela afirmou:
— É por causa das regras.
Cruzando linguagensCruzando linguagens
Faça o mesmo com o texto da 3ª cena, empregando ponto final, dois-pontos, travessão e evitando a
repetição da palavra disse. Elimine ou inclua o que achar necessário.
4. Em certo momento, a mãe diz a Joel: “Já fui paciente demais com você, rapazinho”. A partícula
-inho, em nossa língua, indica diminutivo, mas também pode exprimir amor, carinho, prazer, ofen-
sa, ironia, impaciência. No texto, a mãe de Joel não quis exatamente chamar o filho de “rapaz
pequeno”. O que expressa, então, o diminutivo na situação em que foi empregado?
5. Que sentidos o diminutivo -inho tem nestas outras situações?
a) Você já leu a história do patinho feio? tamanho e pena
b) Está na hora de dormir, filhinho, disse a mãe, ternamente. afetividade e carinho
c) Você pensa que eu não vi, engraçadinho? ironia. Professor: comente com os alunos que a ironia produz um sentido contrário ao que é dito.
■ LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Um aluno lê a história fazendo o papel de Joel, e outro fazendo o papel da mãe. Para isso é necessá-
rio eliminar partes do texto, como ela disse, eu perguntei, etc., deixando somente as falas. As cenas
devem ser lidas inicialmente de forma lenta e tranqüila e, aos poucos, de maneira a transmitir nervosis-
mo e irritação.
Leia o texto a seguir, de Luis Fernando Verissimo:
BOTECOS
[…] E tem a história do Nascimento, que um dia quase brigou com o garçom
porque chegou na mesa, cumprimentou a turma, sentou, pediu um chope e de-
pois disse:
— E traz aí uns piriris.
— O quê? — disse o garçom.
— Uns piriris.
— Não tem.
— Como, não tem?
— “Piriris” que o senhor diz é…
— Por amor de Deus. O nome está dizendo. Piriris.
— Você quer dizer — sugeriu alguém, para acabar com o im-
passe — uns queijinhos, uns salaminhos…
— Coisas para beliscar — completou outro, mais científico.
Mas o Nascimento, emburrado, não disse mais nada. O garçom que entendesse como quisesse. O
garçom, também emburrado, foi e voltou trazendo o chope e três pires. Com queijinhos, salaminhos e
azeitonas. Durante alguns segundos, Nascimento e o garçom se olharam nos olhos. Finalmente o Nas-
cimento deu um tapa na mesa e gritou:
— Você chama isso de piriris?
E o garçom, no mesmo tom:
— Não. Você chama isso de piriris!
Tiveram que acalmar os ânimos dos dois, a gerência trocou o garçom de mesa e o Nascimento ficou
lamentando a incapacidade das pessoas de compreender as palavras mais claras. Por exemplo, “flunfa”. Po
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Resposta pessoal. É possível que fossem azeitonas, salame e queijo, mas não naquela quantidade ou
daquele tipo, ou com aquela apresentação.
Nascimento se indispõe com as pessoas, cria mal-estar no ambiente, se mostra mal-educado e promove mal-entendidos. Pode-se dizer que esse resultado
equivale à infelicidade temida pela mãe de Joel.
Elas se tornariam uma gíria e, com o tempo, se todos começassem a falá-las, talvez viessem a
se integrar à língua.
Sim, as regras podem mudar. Professor: Chame a atenção dos alunos para o fato de que, quando começamos a falar e a escrever, temos de aprender as regras já
existentes. Apesar disso, a língua é viva e está em constante mudança, assim como as pessoas e a sociedade.
Em parte, sim, pois ele não aceita as regras da língua.
Trocando idTrocando idéiasias
Não estava claro o que era flunfa? Todos na mesa se entreolha-
ram. Não, não estava claro o que era flunfa.
— A palavra estava dizendo — impacientou-se Nascimen-
to. — Flunfa. Aquela sujeirinha que fica no umbigo. Pelo amor
de Deus!
(A mãe de Freud.Porto Alegre: L&PM, 1997. p. 61-2.)
1. O que Nascimento, personagem principal dessa história, tem
de parecido com Joel, o menino do texto lido no início deste
capítulo? Tanto Joel quanto Nascimento querem atribuir outros nomes às coisas.
2. Afinal, o que você acha que Nascimento chamava de piriris?
3. A mãe de Joel dizia ao filho: “Não tente reformar o mundo,
Joel, ou você será muito infeliz”.
a) Você acha que Nascimento está tentando reformar o mundo?
b) Qual o resultado do procedimento da personagem?
4. Suponha que o garçom e os amigos de Nascimento aprendessem com ele o significado das pala-
vras piriris e flunfa. E depois começassem a usá-las no trabalho, com outros amigos, com os fami-
liares, etc.
a) O que aconteceria com essas palavras?
b) Então, conclua: As regras que a língua segue podem mudar?
1. Você ouviu falar do esperanto, uma língua universal? Leia o quadro informativo abaixo e discuta com
seus colegas: É válido as pessoas, no mundo inteiro, aprenderem uma língua universal? Por quê?
2. Pergunte aos seus pais quais as gírias mais usadas no tempo em que eles eram adolescentes. Anote-
as e apresente-as à classe. Se quiser, acrescente a elas as que você fala ou conhece e monte um
pequeno dicionário de gírias.
ESPERANTO USA CERCA DE 15 000 PALAVRAS
? Qual a origem da língua esperanto?
! O esperanto foi criado pelo polonês Ludwig Lazarus Zamenhof (1859-1917) para servir como idio-
ma mundial e facilitar a comunicação. Zamenhof sabia várias línguas. Ele nasceu na cidade de Bialystok,
na Polônia, onde se falava russo, polonês, alemão e hebraico. Depois aprendeu francês, alemão, latim e
inglês na escola, e tentou elaborar um idioma de fácil aprendizagem.
O esperanto é composto por apenas 15 000 termos, enquanto “o português tem de 400 000 a 500 000
palavras”, diz o lingüista Flávio Di Giorgi […]. Mas no esperanto elas podem ser combinadas de modo a
formar um vocabulário maior. Por exemplo, hospital é malsanulejo: mal quer dizer não, san é saúde, ul é pessoa
e ejo lugar. Ou seja, lugar da pessoa sem saúde. […] Calcula-se que 100 000 pessoas falem esperanto no mundo.
(Superinteressante, junho 1995.)
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Tema:
No caminho da fantasia
ESTUDO DO TEXTO
O CHAPEUZINHO VERMELHO
Havia, numa cidadezinha, uma menina que todos achavam muito bonita. A mãe era doida por
 ela e a avó ainda mais. Por isso, a avó mandou fazer um pequeno capuz vermelho que ficava
muito bem na menina. Por causa dele, ela ficou sendo chamada em toda parte de Chapeuzinho Vermelho.
Um dia em que sua mãe tinha preparado umas tortas, disse para ela:
— Vai ver como está passando sua avó. Pois eu soube que ela anda doente. Leva uma torta e este
potezinho de manteiga.
Chapeuzinho Vermelho saiu em seguida para ir visitar sua avó, que morava em outra cidadezinha.
Quando atravessava o bosque, ela encontrou compadre Lobo, que logo teve vontade de comer a
menina. Mas não teve coragem por causa de uns lenhadores que estavam na floresta.
O Lobo perguntou aonde ela ia. A pobrezinha, que não sabia como é perigoso parar para escutar um
lobo, disse para ele:
— Eu vou ver minha avó e levar para ela uma torta e um potezinho de manteiga que minha mãe está
mandando.
— Ela mora muito longe? — perguntou o Lobo.
— Oh! Sim — respondeu Chapeuzinho Vermelho. — É pra lá daquele moinho que você está vendo
bem lá embaixo. É a primeira casa da cidadezinha.
— Pois bem — disse o Lobo —, eu também quero ir ver sua avó. Eu vou por este caminho daqui e
você vai por aquele de lá. Vamos ver quem chega primeiro.
O Lobo pôs-se a correr com toda a sua força pelo caminho mais curto. A menina foi pelo caminho
mais longo, distraindo-se a colher avelãs, correndo atrás de borboletas e fazendo ramalhetes com as
florzinhas que encontrava.
O Lobo não levou muito tempo para chegar à casa da avó. Bateu na porta: toc, toc.
— Quem está aí?
— É sua neta, Chapeuzinho Vermelho — disse o Lobo, mudando a voz. Eu lhe trago uma torta e um
potezinho de manteiga que minha mãe mandou pra você.
A bondosa avó, que estava de cama porque não passava muito bem, gritou:
— Puxe a tranca que o ferrolho cairá.
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O Lobo puxou a tranca e a porta se abriu. Ele avançou sobre a pobre mulher e devorou-a num
instante, pois fazia mais de três dias que não comia. Em seguida, fechou a porta e foi-se deitar na cama
da avó. Ficou esperando Chapeuzinho Vermelho, que, um pouco depois, bateu na porta: toc, toc.
— É sua neta, Chapeuzinho Vermelho, que traz uma torta pra você e um potezinho de manteiga que
minha mãe lhe mandou.
O Lobo gritou para ela, adocicando um pouco a voz:
— Puxe a tranca que o ferrolho cairá.
Chapeuzinho Vermelho puxou a tranca e a porta se abriu.
O Lobo, vendo que ela tinha entrado, escondeu-se na cama, debaixo da coberta, e falou:
— Ponha a torta e o potezinho de manteiga sobre a caixa de pão e venha se deitar comigo.
Chapeuzinho Vermelho tirou o vestido e foi para a cama,
ficando espantada de ver como sua avó estava diferente ao
natural. Disse para ela:
— Minha avó, como você tem braços grandes!
— É pra te abraçar melhor, minha filha.
— Minha avó, como você tem pernas grandes!
— É pra correr melhor, minha menina.
— Minha avó, como você tem orelhas
grandes!
— É pra escutar melhor, minha menina.
— Minha avó, como você tem olhos grandes!
— É pra ver melhor, minha menina.
— Minha avó, como você tem dentes
grandes!
— É para te comer.
E, dizendo estas palavras, o Lobo saltou
pra cima de Chapeuzinho Vermelho e a de-
vorou.
Moral
Vimos que os jovens,
Principalmente as moças,
Lindas, elegantes e educadas,
Fazem muito mal em escutar
Qualquer tipo de gente.
Assim, não será de estranhar
Que, por isso, o lobo as devore.
Eu digo o lobo porque todos os lobos
Não são do mesmo tipo.
Existe um que é manhoso,
Macio, sem fel, sem furor.
Fazendo-se de íntimo, gentil e adulador,
Persegue as jovens moças
Até em suas casas e seus aposentos.
Atenção, porém!
As que não sabem
Que esses lobos melosos
De todos eles são os mais perigosos.
(Charles Perrault. O Chapeuzinho Vermelho. Porto Alegre: Kuarup, 1987.)
tranca: barra de ferro ou de madeira que
se põe transversalmente atrás das por-
tas para segurá-las.
ferrolho: peça de ferro, com a qual se fe-
cham portas e janelas.
fel: mau-humor, azedume, ódio.
adulador: bajulador, aquele que agrada
por interesse próprio.
meloso: semelhante ao mel, doce; exces-
sivamente sentimental, baboso.
manhoso: esperto, vivo, astuto, sagaz.
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As duas coisas. Chapeuzinho é ingênua por ser muito nova e inexperiente; imprudente, por ter parado e falado com um estranho.
É aquele que finge ser bem-intencionado (gentil, íntimo, manhoso). É mais peri-
goso porque confunde as pessoas.
Tomar um caminho mais curto e chegar à casa da avó antes de Chapeuzi-
nho Vermelho.
Mandar a filha pequena atravessar so-
zinha o bosque até a casa da avó, que
morava em outra cidadezinha.
Ter explicado como entrar na casa, sem verificar se realmente era sua neta quem estava
à porta.
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Como todos os contos de fadas, O Chapeuzinho Vermelho apresenta um herói ou uma heroína e um
vilão (ou antagonista), isto é, aquele que se opõe ao herói.
a) Quem é a heroína do conto lido? A heroína é Chapeuzinho Vermelho.
b) Quem é o vilão? O vilão é o Lobo.
2. É comum, nos contos de fadas, o herói ser vítima de uma armadilha planejada pelo vilão. É o
caso, por exemplo, da maçã envenenada que Branca de Neve come no conto Branca de Neve e os
sete anões. No conto O Chapeuzinho Vermelho:
a) Qual é a armadilha queo vilão planeja?
b) Quem são suas vítimas? A menina e sua avó.
3. No final da história, o Lobo alcança seu objetivo: devorar a menina. Contudo, desde o início do
conto as intenções do Lobo estavam claras.
a) Identifique em que parágrafo aparece pela primeira vez a intenção do Lobo de comer Chapeu-
zinho Vermelho. No 5°. parágrafo: “[...] encontrou compadre Lobo, que logo teve vontade de comer a menina”.
b) O que impediu o Lobo de comer a menina nesse momento? A presença de lenhadores por perto.
4. Além de divertir, os contos de fadas normalmente procuram transmitir às crianças alguns conhe-
cimentos. No caso do conto O Chapeuzinho Vermelho, a história parece alertar as pessoas contra
os perigos da imprudência e da ingenuidade.
a) Qual teria sido a imprudência da mãe de Chapeuzinho Vermelho?
b) Qual a imprudência da avó?
c) O trecho “A pobrezinha, que não sabia como é perigoso parar para escutar um lobo, disse para
ele” demonstra que a menina era imprudente ou ingênua? Por quê?
5.Numa parte do conto, fica clara a intenção de alertar, as moças principalmente, sobre os riscos da
imprudência e da ingenuidade.
a) Que parte é essa? A moral.
b) De acordo com essa parte, existe um tipo de lobo que é o mais perigoso de todos. Qual é esse
tipo? Por que ele é o mais perigoso?
CONTOS DE FADAS NO
CINEMA DE HOJE
Além de alguns filmes da Disney, que são
adaptações diretas dos contos de fadas, muitos
outros apresentam uma estrutura semelhante. É
o caso, por exemplo, dos filmes O jardim secre-
to, de Agnieszka Holland, e Willow, de Ron
Howard.
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✗
Porque Magali, pro-
vavelmente, comeu
o que havia nela.
(no. 18, fev. 1990.)
Magali está sem graça, meio envergonhada por ter de as-
sumir que comeu o conteúdo da cesta. E o Lobo está com
ar de zangado, repreendendo Magali por causa de sua gula.
Chapeuzinho aparenta ser uma garota ingênua e inexperiente, ao
passo que Magali aparenta ser esperta e gulosa.
6. O russo W. Propp, estudando os contos maravilhosos, observou que algumas situações se repetem
em quase todos os contos de fadas. Veja algumas delas:
1) o herói se distancia do lar
2) o herói adentra o bosque ou a floresta
3) o herói cai numa armadilha
4) há luta entre herói e vilão
5) o herói vence o vilão ou
6) o herói é vencido pelo vilão
7) o herói volta para casa
8) o vilão é punido
9) o herói se casa
a) Quais dessas situações ocorrem na versão lida de O Chapeuzinho Vermelho?
b) Os irmãos Grimm deram outro final à mesma história: um caçador corta a barriga do Lobo e
salva a menina e a avó. Chapeuzinho coloca pedras na barriga do Lobo, causando sua morte.
Quais dos elementos acima existem apenas na versão dos irmãos Grimm? 5, 7, 8
7. Você já imaginou se Chapeuzinho Vermelho fosse Magali,
a personagem comilona de Maurício de Sousa? Observe esta
capa da revista Magali.
Magali mostra a cesta de lanches ao Lobo.
a) Por que, provavelmente, ela está vazia?
b) Compare a expressão facial dos dois. O que sugere cada
uma delas?
8.A capa dessa revista sugere uma história diferente da
versão original.
a) Na história sugerida pela capa, em que o comportamento
de Magali difere do comportamento de Chapeuzinho Ver-
melho?
b) Nessa história, quem seria a personagem mais famin-
ta, o Lobo ou Magali? Provavelmente Magali.
■A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Releia esta frase do conto lido e observe o trecho destacado:
“Eu digo o lobo porque todos os lobos não são do mesmo tipo.”
Note que o autor escreveu “todos os lobos não são”, o que equivale a dizer:
a) qualquer lobo é.
b) nenhum lobo é.
c) todo lobo é.Po
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Pirulin lulin lulin — som da flauta
Prrrrii! — apito de juiz
Rosnava, regougava, uivava (sons que
imitam a voz da raposa ou do lobo).
Respostas pessoais.
Professor, a associação mais comum é de Chapeuzinho com as moças inexperientes e o
Lobo com os rapazes inescrupulosos. Contudo, também é interessante associar o Lobo ao
indivíduo egoísta, em geral: o comerciante ganancioso, o político sem princípios, etc.
2. Observe:
“O Lobo não levou muito tempo para chegar à casa da avó. Bateu na porta: toc, toc.”
Toc, toc reproduz o som das batidas dos dedos na porta. As palavras que imitam, na escrita, sons e
ruídos são chamadas de onomatopéias.
Onomatopéias são palavras que imitam aproximadamente sons e ruídos produzi-
dos por sinos, campainhas, instrumentos musicais, armas de fogo, vozes de animais,
movimentos, etc.
Nos textos seguintes, identifique as onomatopéias e indique o que imitam:
a) “Prrrrii!
— Aí Heitor!
A bola foi parar na extrema esquerda. Melle desembestou com ela.”
(Antônio de Alcântara Machado)
b) “O bicho, raposa-lobo como se dizia, rosnava e depois regougava pelos caminhos. De longe se
ouviam os uivos que ele dava.”
(Luís Jardim)
c) “Em cima do meu telhado
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.”
(Mário Quintana)
3. Imagine a seguinte situação: você está no centro da cidade às 6 horas da tarde. As lojas fecham suas
portas. Barulho de vozes, buzinas, motor de carros e ônibus, escapamentos de motos, apito de guar-
da de trânsito. Um carro freia repentinamente, uma mulher grita. Um cachorro, ganindo, passa por
você.
Escreva um pequeno texto que narre essa situação. Faça uso de onomatopéias.
1. Podemos dizer que, no conto O Chapeuzinho Vermelho, a menina representa a ingenuidade e a
inexperiência, ao passo que o Lobo representa a astúcia e a malícia. No mundo real de hoje, quem
poderia ser:
a) Chapeuzinho Vermelho?
b) o Lobo?
2. Se os contos de fadas pretendem transmitir ensinamentos às crianças, qual das duas versões — a de
Perrault ou a dos irmãos Grimm — é a mais educativa? Por quê? Resposta pessoal. Po
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Tema:
No caminho da fantasia
ESTUDO DO TEXTO
A IARA
— Vamos à cachoeira onde mora a Iara — disse. — Essa rainha das águas costuma aparecer
sobre as pedras nas noites de lua. É muito possível
que possamos surpreendê-la a pentear seus lindos cabelos ver-
des com o pente de ouro que usa.
— Dizem que é criatura muito perigosa — murmurou Pedri-
nho.
— Perigosíssima — declarou o Saci. — Todo cuidado é pou-
co. A beleza da Iara dói tanto na vista dos homens que os cega e
os puxa para o fundo d’água. A Iara tem a mesma beleza vene-
nosa das sereias. Você vai fazer tudo direitinho como eu mandar.
Do contrário, era uma vez o neto de Dona Benta!...
Pedrinho prometeu obedecer cegamente.
Andaram, andaram, andaram. Por fim, chegaram a uma grande
cachoeira cujo ruído já vinham ouvindo de longe.
— É ali — disse o perneta, apontando. — É ali que ela costu-
ma vir pentear-se ao luar. Mas você não pode vê-la. Tem de ficar
bem quietinho, escondido aqui atrás desta pedra e sem licença
de pôr os olhos na Iara. Se não fizer assim, há de arrepender-se
amargamente. O menos que poderá acontecer é ficar cego.
Pedrinho prometeu, e de medo de não cumprir o prometido
foi logo tapando os olhos com as mãos.
O Saci partiu, saltando de pedra em pedra, para logo desapa-
recer por entre as moitas de samambaias e begônias silvestres.
Vendo-se só, Pedrinho arrependeu-se de haver prometido con-
servar-se de olhos fechados. Já tinha visto o Lobisomem, o Cai-
pora, o Curupira, a Cuca. Por que não havia de ver a Iara tam-
bém? O que diziam do poder fatal de seus encantos certamente que era exagero. Além disso, poderia
usar um recurso: espiar com um olho só. O gosto de contar a toda gente que tinha visto a famosa Iara
valia bem um olho.
Assim pensando, e não podendo por mais tempo resistir à tentação, fez como o Saci: foi pulando depedra em pedra, seguindo o mesmo caminho por ele seguido.
Súbito, estacou, como fulminado pelo raio. Ao galgar uma pedra mais alta do que as outras, viu, a
cinqüenta metros de distância, uma ninfa de deslumbrante beleza, em repouso numa pedra verde de
limo, a pentear-se com um pente de ouro os longos cabelos verdes cor do mar. Mirava-se no espelho
das águas, que naquele ponto formavam uma bacia de superfície parada. Em torno dela centenas de
vaga-lumes descreviam círculos no ar; eram a coroa viva da rainha das águas. Jóia bela assim, pensou
Pedrinho, nenhuma rainha da terra jamais possuiu. A tonteira que a vista da Iara causa nos mortaisPo
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Lobisomem, Caipora, Curupira, Cuca: personagens lendárias do folclore brasi-
leiro.
súbito: repentinamente, inesperadamente.
estacar: parar de repente, ficar parado, imóvel.
galgar: saltar por cima de, subir, trepar.
ninfa: divindade fabulosa dos rios, dos bosques e dos montes.
cautelosamente: cuidadosamente, prudentemente.
astúcia: habilidade em enganar; artimanha, ardil.
desferir: soltar, emitir (som).
tomou conta dele. Esqueceu até do seu plano de olhar com um olho só. Olhava com os dois arregaladís-
simos, e cem olhos que tivesse, com todos os cem olharia.
Enquanto isso, ia o Saci se aproximando da mãe-d’água, cautelosamente, com infinitos de astúcia
para que ela nada percebesse. Quando chegou a poucos metros de distância, deu um pulo de gato e
nhoque! furtou-lhe um fio de cabelo.
O susto da Iara foi grande. Desferiu um grito e precipitou-se nas águas, desaparecendo.
(Monteiro Lobato. Viagem ao céu e O Saci. São Paulo: Brasiliense, 1950. p. 266-8.)
VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DO SÍTIO DO
PICAPAU AMARELO?
O sítio é uma pequena fazenda onde mo-
ram Narizinho, Dona Benta, Pedrinho, Tia
Nastácia, a boneca Emília, o Visconde de Sa-
bugosa e Rabicó.
Imaginadas por Monteiro Lobato, o primei-
ro escritor brasileiro a escrever para crianças,
essas personagens vivem incríveis aventuras
no sítio e falam de muitas tradições do nosso
país.
Ilustração de Voltolino
para A menina do
narizinho arrebitado,
um dos livros de
Monteiro Lobato.
(The journal of decorative and
propaganda arts, p. 75.)
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. A Iara é uma personagem lendária do folclore brasileiro.
a) Como é a Iara de acordo com o texto?
b) Por que sua beleza é tão venenosa quanto a das sereias?
2. O Saci não permitiu que Pedrinho se aproximasse da cachoeira porque o menos que poderia lhe
acontecer era ficar cego.
a) Na sua opinião, o que poderia acontecer de mais grave a Pedrinho?
b) Que fato do texto comprova que o menino não resistiu à tentação de ver a rainha das águas?
3. Pedrinho se arrependeu da promessa feita ao Saci.
a) Que preço Pedrinho estaria disposto a pagar para poder contar a toda a gente que vira a famosa
Iara?
b) O que essa atitude revela do seu comportamento?
Ficar cego de um olho.
É uma ninfa muito bela, encantadora; tem o poder de
cegar os homens e matá-los; tem cabelos verdes cor
do mar e os penteia com um pente de ouro; possui uma coroa viva, formada
por centenas de vaga-lumes. Costuma aparecer nas noites de lua.
Porque sua beleza dói tanto na vista que deixa os homens cegos e os puxa para dentro d’água.
Resposta esperada: Pedrinho pode-
ria ser atraído pela beleza da Iara, ser
puxado para o fundo do rio e morrer
afogado.
Ele segue o mesmo caminho feito pelo Saci, pulando de pedra em pedra.
Que Pedrinho é um menino que gosta de se gabar, de se vangloriar, de receber elogios.
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Não. Ao ver a rainha das águas, fi-
cou tonto com a sua beleza e es-
queceu-se de seu plano.
Sim; o fato de ele, usando de astúcia, fur-
tar um fio de cabelo da Iara.
Espera-se que o aluno observe que o Saci pode vê-la sem sofrer nenhum dano porque é também uma entidade
do folclore, é fruto da crença popular.
4. Segundo a lenda, o Saci-Pererê é um negrinho de uma perna só que anda sempre com um cachimbo
na boca e usa um gorro vermelho. Maroto, gosta de pregar peças nas pessoas.
Há, nesse texto, algum fato que comprove o modo de ser do Saci?
5.O combinado era que Pedrinho ficaria com os olhos fechados enquanto o Saci se aproximaria da
cachoeira.
a) Ele cumpriu a promessa que fez a si mesmo? Justifique sua resposta.
b) Por que, de acordo com a lógica da história, o Saci poderia se aproximar da Iara, e até vê-la, e
Pedrinho não?
c) No final da história, Pedrinho viu Iara, mas não ficou cego. Discu-
ta com a classe qual ou quais destas explicações pode(m) justificar
esse desfecho. Se quiser, tente criar outras explicações.
• Ao arrancar um fio de cabelo da Iara, o Saci distraiu-a; por isso,
ela não notou o olhar de Pedrinho.
• Iara, ao ser descoberta, achou melhor se proteger, desaparecen-
do nas águas; por isso não teve tempo de cegá-lo.
• Pedrinho chegou a ficar tonto, mas o po-
der da Iara não era tão
grande a ponto de
cegá-lo.
• Iara, na verdade,
não era má como
contava a lenda,
simplesmente não
desejava ser vista
pelos seres hu-
manos.
■A LINGUAGEM DO TEXTO
1.No texto estudado, Pedrinho diz que a Iara é uma criatura muito perigosa. O Saci confirma,
dizendo “Perigosíssima”. Você deve ter observado que podemos dizer a mesma coisa de formas
diferentes.
Faça o mesmo nas frases abaixo:
a) Pedrinho olhava a rainha das águas com os olhos muito arregalados.
b) Seus cabelos são muito lindos.
c) A beleza das sereias é muito venenosa.
d) A Iara é uma personagem lendária muito famosa.
e) Pedrinho galgou uma pedra muito alta.
f) Esta aventura deixou o menino muito feliz.
Pedrinho olhava a rainha das águas com os olhos arregaladíssimos.
Seus cabelos são lindíssimos.
A beleza das sereias é veneno-
síssima. A Iara é uma personagem
lendária famosíssima.
Pedrinho galgou uma pedra
altíssima.
Esta aventura deixou o menino felicíssimo.
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O sentido de transmitir a idéia de que a cachoeira
ficava longe do local onde eles se encontravam.
Resposta pessoal.
✗
Resposta pessoal.
nhoque: o ruído do fio de cabelo ao ser arrancado, puxado
2. No texto, o Saci diz: “A beleza da Iara dói tanto na vista dos homens que os cega”.
Em qual das frases abaixo a expressão destacada tem o mesmo sentido de tanto... que?
a) O Saci aproximou-se da mãe-d’água, cautelosamente, para que ela nada percebesse.
b) A beleza da Iara é mais perigosa do que a beleza das sereias do mar.
c) Pedrinho ficou tão deslumbrado que arregalou os dois olhos.
d) De repente, ele parou, como fulminado por um raio.
3. “Andaram, andaram, andaram. Por fim, chegaram a uma grande cachoeira...”
a) Que sentido a repetição da palavra andaram tem no texto?
b) Crie um pequeno texto, empregando os verbos conversar, escrever ou falar, de modo que o sentido
da repetição desses verbos seja semelhante ao da frase do texto.
4. No texto estudado, há uma onomatopéia. Destaque-a e indique o que ela imita.
5. Se você fosse o autor desse texto, que onomatopéia empregaria para completar o trecho abaixo?
“O susto da Iara foi grande. Desferiu um grito e precipitou-se nas águas, desaparecendo.”
■LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Um aluno lê as falas do Saci. No 1o. parágrafo, lê num tom de voz calmo, que tente despertar em
Pedrinho a curiosidade em ver a Iara; no 3o. parágrafo, num tom de voz que demonstre preocupação,
chamando a atenção para os cuidados que se devem ter diante de uma figura tão perigosa; no 6o.
parágrafo, num tom que demonstre autoridade, numa voz de quem sabe do que está falando e pode
mandar.
Outro aluno pode traduzir em palavras os pensamentos de Pedrinho que aparecem no 9o.parágra-
fo, a partir de “Já tinha visto o Lobisomem”. Ficaria assim: Já vi o Lobisomem. Por que não hei de
ver... Inicialmente, o tom deve ser de frustração, depois de desprezo, em seguida de descoberta e,
finalmente, o de quem se vangloria.
Você conhece outras entidades lendárias brasileiras, como, por exemplo, o Lobisomem, o Curupira,
o Negrinho do Pastoreio, a Mula-Sem-Cabeça, o Boto, o Caipora? Escolha a que você conhece melhor
e fale sobre ela a seus colegas e a seu professor. Caso não conheça, pesquise.
FOLCLORE
É o conjunto de tradições, conhecimentos e crenças de
um povo, expressos em lendas, contos, costumes, provér-
bios, canções, etc.
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Estudo do textoEstudo do texto
Tema:
No caminho da fantasia
Você já ouviu falar do Sítio do Picapau Amarelo, um lugar imaginado por Monteiro Lobato? O sítio é uma
pequena fazenda onde moram Narizinho, Dona Benta, Pedrinho, Tia Nastácia, a boneca Emília, o Visconde
de Sabugosa e Rabicó. Criadas por Monteiro Lobato, o primeiro escritor brasileiro a escrever para crianças,
essas personagens vivem incríveis aventuras no sítio e falam de muitas tradições de nosso país.
O texto que você vai ler a seguir se refere a uma delas. Pedrinho muitas vezes tinha ouvido falar em
saci e queria saber se ele realmente existia. Foi então perguntar ao Tio Barnabé, um negro de mais de 80
anos e bom contador de histórias que vivia perto de sua fazenda.
Tio Barnabé não apenas confirmou que o saci existia, mas também informou que existiam vários
sacis. E contou muitas histórias sobre eles, as artes que essas criaturas fazem e até ensinou como se
pega um saci. Pedrinho, então, armou um plano. Vamos conhecer o plano do garoto?
PEDRINHO PEGA UM SACI
Tão impressionado ficou Pedrinho com esta conversa que dali por diante só pensava em saci, e
até começou a enxergar sacis por toda parte. Dona Benta caçoou, dizendo:
— Cuidado! Já vi contar a história de um menino que de tanto pensar em saci acabou virando saci…
Pedrinho não fez caso da história, e um dia, enchendo-se de coragem, resolveu pegar um. Foi de
novo em procura do tio Barnabé.
— Estou resolvido a pegar um saci, disse ele, e quero que o senhor me ensine o melhor meio.
Tio Barnabé riu-se daquela valentia.
— Gosto de ver um menino assim. Bem mostra que é neto do defunto sinhô velho, um homem que
não tinha medo nem de mula-sem-cabeça. Há muitos jeitos de pegar saci, mas o melhor é o de peneira.
Arranja-se uma peneira de cruzeta…
— Peneira de cruzeta? interrompeu o menino. Que é isso?
— Nunca reparou que certas peneiras têm duas taquaras mais largas que se cruzam bem no meio e
servem para reforço? Olhe aqui — e tio Barnabé mostrou ao menino uma das tais peneiras que estava
ali num canto. Pois bem, arranja-se uma peneira destas e fica-se esperando um dia de vento bem forte,
em que haja rodamoinho de poeira e folhas secas. Chegada essa ocasião, vai-se com todo o cuidado para
o rodamoinho e zás! joga-se a peneira em cima. Em todos os rodamoinhos há saci dentro, porque fazer
rodamoinhos é justamente a principal ocupação dos sacis neste mundo.
— E depois?
— Depois, se a peneira foi bem atirada e o saci ficou preso, é só dar jeito de botar ele dentro de uma
garrafa e arrolhar muito bem. Não esquecer de riscar uma cruzinha na rolha, porque o que prende o
saci na garrafa não é a rolha e sim a cruzinha riscada nela. É preciso ainda tomar a carapucinha dele e
a esconder bem escondida. Saci sem carapuça é como cachimbo sem fumo.
Eu já tive um saci na garrafa, que me prestava muitos bons serviços. Mas veio aqui um dia aquela
mulatinha sapeca que mora na casa do compadre Bastião e tanto lidou com a garrafa que a quebrou.
Bateu logo um cheirinho de enxofre. O perneta pulou em cima da sua carapuça, que estava ali naquele
prego, e “Até logo, tio Barnabé!”
Depois de tudo ouvir com a maior atenção, Pedrinho voltou para casa decidido a pegar um saci,
custasse o que custasse. Contou o seu projeto a Narizinho e longamente discutiu com ela sobre o que
faria no caso de escravizar um daqueles terríveis capetinhas. Depois de arranjar uma boa peneira de
cruzeta, ficou à espera do dia de S. Bartolomeu, que é o mais ventoso do ano.
Custou a chegar esse dia, tal era sua impaciência, mas afinal chegou, e desde muito cedo Pedrinho
foi postar-se no terreiro, de peneira em punho, à espera de rodamoinhos. Não esperou muito tempo.Po
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Um forte rodamoinho formou-se no pasto e veio caminhando para
o terreiro.
— É hora! disse Narizinho. Aquele que vem vindo está com
muito jeito de ter saci dentro.
Pedrinho foi se aproximando pé ante pé e, de repente, zás! jo-
gou a peneira em cima.
— Peguei! gritou no auge da emoção, debruçando-se com todo o
peso do corpo sobre a peneira emborcada. Peguei o saci!…
A menina correu a ajudá-lo.
— Peguei o saci! repetiu o menino vitoriosamente. Corra, Narizinho, e traga-
me aquela garrafa escura que deixei na varanda. Depressa!
A menina foi num pé e voltou noutro.
— Enfie a garrafa dentro da peneira, ordenou Pedrinho, enquanto eu cerco dos lados. Assim! Isso!…
A menina fez como ele mandava e com muito jeito a garrafa foi introduzida dentro da peneira.
— Agora tire do meu bolso a rolha que tem uma cruz riscada em cima, continuou Pedrinho. Essa
mesma. Dê cá.
Pela informação do tio Barnabé, logo que a gente põe a garrafa dentro da peneira o saci por si
mesmo entra dentro dela, porque, como todos os filhos das trevas, tem a tendência de procurar sempre
o lugar mais escuro. De modo que Pedrinho o mais que tinha a fazer era arrolhar a garrafa e erguer a
peneira. Assim fez, e foi com o ar de vitória de quem houvesse conquistado um império que levantou
no ar a garrafa para examiná-la contra a luz.
Mas a garrafa estava tão vazia como antes. Nem sombra do saci dentro…
A menina deu-lhe uma vaia e Pedrinho, muito desapontado, foi contar o caso ao tio Barnabé.
— É assim mesmo, explicou o negro velho. Saci na garrafa é invisível. A gente só sabe que ele está lá
dentro quando a gente cai na modorra. Num dia bem quente, quando os olhos da gente começam a piscar
de sono, o saci pega a tomar forma, até que fica perfeitamente visível. É desse momento em diante que a
gente faz dele o que quer. Guarde a garrafa bem fechada, que garanto que o saci está dentro dela.
Pedrinho voltou para casa orgulhosíssimo com a sua façanha.
— O saci está aqui dentro, sim, disse ele a Narizinho. Mas está
invisível, como me explicou tio Barnabé. Para a gente ver o capeti-
nha é preciso cair na modorra — e repetiu as palavras que o negro
lhe dissera.
Quem não gostou da brincadeira foi a pobre tia Nastácia. Como
tinha um medo horrível de tudo quanto era mistério, nunca mais
chegou nem na porta do quarto de Pedrinho.
— Deus me livre de entrar num quarto onde há garrafa com saci
dentro! Credo! Nem sei como dona Benta consente semelhante coi-
sa em sua casa. Não parece ato de cristão…
(Monteiro Lobato. Viagem ao Céu e O saci. São Paulo: Brasiliense, s.d. p. 191-5.)
emborcar: pôr de boca para bai-
xo.
façanha: ato heróico, força ad-
mirável.
rodamoinho: o mesmo que re-
demoinho ou remoinho; ra-
jada de vento; pé-de-vento.
Procure no dicionário outras pa-
lavras que você desconheça.
O tio Barnabé, contador de casos misteriosos, e tia Nastácia, que “tinha um medo horrível de tudo quanto era mistério” e se afastou do quarto de Pedrinho.
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Pedrinho vive num lugar que parece ser cheio de superstições, isto é, um lugar em que as pessoas
acreditam em seres sobrenaturais e em fenômenos inexplicáveis.
a) Além da lenda do saci, que outra lenda é citada nessa história? A lenda da mula-sem-cabeça.
b) Que outros fatos ou personagens comprovam a superstição existentena região?
2. Numa conversa anterior que Pedrinho teve com Tio Barnabé, veja como o velho descreveu o saci:
“Azeda o leite, quebra a ponta das agulhas, esconde as tesourinhas de unha, embaraça os nove-
los de linha, […] bota mosca na sopa, queima o feijão que está no fogo, gora os ovos das ninhadas.”
(Viagem ao Céu e O saci, cit., p. 186.)
a) Pelas artes que o saci faz, como você o caracteriza?
b) Esses comportamentos parecem ser de adulto ou de criança? Parecem ser traquinagens de crianças.
Ele é traquinas, brincalhão e gosta de pregar peças nas pessoas, deixando-as
enfurecidas. Lembre que a principal ocupação do saci é fazer redemoinhos.
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É ela que dá ao saci os poderes que ele tem.
Professor: Sugerimos pedir a um aluno que conheça a his-
tória de Sansão e Dalila para que a conte aos colegas. Se
necessário, lembre a eles que Sansão, quando teve os ca-
belos cortados por Dalila, perdeu a força enorme que tinha.
3. Tio Barnabé se surpreende com a coragem de Pedrinho. A quem Pedrinho é comparado?
4. Na conversa anterior de Pedrinho com tio Barnabé, o velho explicou que “a força dele [do saci] está
na carapuça, como a força de Sansão estava nos cabelos”. E no texto lido ele afirma que “Saci sem
carapuça é como cachimbo sem fumo”.
a) Você conhece a história de Sansão?
Se conhece, conte-a para os colegas.
b) Com base nessas comparações, conclua:
Que importância tem a carapuça para o saci?
5. Tio Barnabé conta: “Eu já tive um saci na garrafa que me prestava muitos bons
serviços”. Que tipo de serviços você imagina que um saci-escravo poderia prestar?
Resposta pessoal.
6. Releia este trecho:
“Pela informação do tio Barnabé, logo que a gente põe a garrafa dentro da peneira o saci por
si mesmo entra dentro dela, porque, como todos os filhos das trevas, tem a tendência de procurar
sempre o lugar mais escuro.”
a) O que quer dizer filhos das trevas?
b) Que palavras e expressões usadas para se
referir ao saci confirmam sua resposta an-
terior?
c) Qual é, então, a verdadeira arma que con-
segue prender o saci? É a cruz.
d) Que outro “filho das trevas”, de acordo com
a imaginação popular, perde seus poderes
diante dessa mesma arma?
7. Segundo o tio Barnabé, só é possível ver o saci
na garrafa quando “a gente cai na modorra”.
a) Pelo contexto em que a palavra foi empre-
gada, o que você acha que é modorra?
b) Por que você acha que é só nesse estado
que a gente consegue ver saci?
8. E você? Acredita em saci? O que você faria se escravizasse um saci?
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Monteiro Lobato, o autor do texto, viveu há muito tempo, entre 1882 e 1948. Por essa razão, muitas
palavras e expressões que ele utilizou em suas histórias não são conhecidas pelas crianças de hoje.
Apesar disso, é possível compreender o sentido delas no contexto em que foram empregadas. Redija
de outra forma os trechos a seguir, substituindo as palavras destacadas por outras:
a) “Pedrinho não fez caso da história” Pedrinho não ligou / não se importou com a história.
b) “quero que o senhor me ensine o melhor meio” … me ensine o melhor modo / maneira / jeito
c) “e tanto lidou com a garrafa que a quebrou” e tanto brincou…
d) “A menina foi num pé e voltou noutro.” A menina foi e voltou rapidamente.
Ao avô dele, que também não sentia medo de seres sobrenaturais.
A palavra capetinha e o comentário final de tia Nastácia:
“Não parece ato de cristão…”.
Entre outros, os vampiros.
Seres do mal, como o diabo, os demônios, etc.
Ilustração de
Voltolino para A
menina do
narizinho
arrebitado, um
dos livros de
Monteiro
Lobato.
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Expressa a idéia de uma ação rápida; no caso, a ação de jogar a peneira sobre o saci.
Trocando idTrocando idéiasias
Professor: Se quiser, escolha algumas duplas para se apresentarem para toda a classe.
2. Em duas situações, foi empregada a palavra zás!. O que essa onomatopéia expressa nessas situações?
3. Tio Barnabé é uma pessoa simples, que vive no meio rural. Sua linguagem apresenta algumas carac-
terísticas que são próprias da variedade lingüística usada nesse meio. Identifique, nos trechos que
seguem, palavras ou expressões próprias dessa variedade lingüística:
a) “é só dar jeito de botar ele dentro de uma garrafa e arrolhar muito bem” botar ele
b) “e a esconder bem escondida” A ênfase na repetição; bastaria dizer esconder bem.
4. No trecho “Pedrinho voltou para casa orgulhosíssimo com a sua façanha”, a palavra orgulhosíssi-
mo equivale a muito orgulhoso.
Nas frases abaixo, substitua as expressões destacadas por palavras terminadas em -íssimo(s) ou
-íssima(s):
a) Pedrinho ficou muito impressionado com a história do saci. impressionadíssimo
b) Chegou ao terreiro um rodamoinho muito forte. fortíssimo
c) O saci era muito esperto. espertíssimo
■ LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
No início do texto, ocorre entre tio Barnabé e Pedrinho um longo diálogo, que termina em “Até
logo, tio Barnabé!”. Junte-se a um colega e leiam em voz alta o diálogo, de modo que cada um faça uma
personagem. Depois troquem os papéis.
Ao lerem, procurem expressar o jeito das personagens e a entonação (o tom e a musicalidade da fala)
mais adequada para caracterizá-las: Pedrinho é um menino curioso, que mora na fazenda; tio Barnabé
é uma pessoa idosa, simples, que mora num rancho de sapé e adora contar histórias.
1. Que outras lendas você conhece
além da do saci? Conte para os
colegas uma delas.
2. Você acredita em outros seres len-
dários, como o lobisomem, o cu-
rupira, o negrinho do pastoreio, a
mula-sem-cabeça, o boto, o caipo-
ra? Por quê?
3. Como você acha que nascem as
lendas populares?
A cuca (1924), de Tarsila do Amaral, retrata
uma das figuras lendárias da imaginação
popular. Quem nunca ouviu a canção
“Dorme, nenê, que a cuca vem pegar…”? Po
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Estudo dos textosEstudo dos textos
Tema:
No caminho da fantasia
TEXTO I
A RAPOSA E AS UVAS
Uma raposa estava com muita fome. Foi quando viu uma parreira cheia de lindos cachos de uva.
Imediatamente começou a dar pulos para ver se pegava as uvas. Mas a latada era muito alta e,
por mais que pulasse, a raposa não as alcançava.
— Estão verdes — disse, com ar de desprezo.
E já ia seguindo o seu caminho, quando ouviu um pequeno ruído.
Pensando que era uma uva caindo, deu um pulo para abocanhá-la. Era apenas uma folha e a raposa
foi-se embora, olhando disfarçadamente para os lados. Precisava ter certeza de que ninguém percebera
que queria as uvas.
Também é assim com as pessoas: quando não podem ter o que desejam, fingem que não o desejam.
(12 fábulas de Esopo. Trad. por Fernanda Lopes de Almeida. São Paulo: Ática, 1994.)
ESOPO E LA FONTAINE
Os fabulistas mais conhecidos são Esopo e La Fontaine. O primeiro viveu há mais ou menos
2 500 anos na Grécia antiga e provavelmente foi um escravo. Já naquela época, narrando histórias
simples de bichos, criticava as más atitudes e o mau comportamento das pessoas.
La Fontaine viveu na França, entre 1621 e 1695, e se tornou conhecido principalmente pelas
recriações que fez das fábulas de Esopo. Da mesma forma que seu mestre, ele também achava que
as fábulas educam. “Sirvo-me dos animais para instruir os homens”, dizia.
latada: grade de va-
ras para susten-
tar a parreira.
Procure no dicio-
nário outras palavras
que você des-
conheça.
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TEXTO II
A RAPOSA E AS UVAS
De repentea raposa, esfomeada e gulosa, fome de quatro dias e gula de todos os tempos, saiu
do areal do deserto e caiu na sombra deliciosa do parreiral que descia por um precipício a
perder de vista. Olhou e viu, além de tudo, à altura de um salto, cachos de uva maravilhosos, uvas
grandes, tentadoras. Armou o salto, retesou o corpo, saltou, o focinho passou a um palmo das uvas.
Caiu, tentou de novo, não conseguiu. Descansou, encolheu mais o corpo, deu tudo o que tinha, não
conseguiu nem roçar as uvas gordas e redondas. Desistiu, dizendo entre dentes, com raiva: “Ah, também
não tem importância. Estão muito verdes”. E foi descendo, com cuidado, quando viu à sua frente uma
pedra enorme. Com esforço empurrou a pedra até o local em que estavam os cachos de uva, trepou na
pedra, perigosamente, pois o terreno era irregular, e havia o risco de despencar, esticou a pata e…
conseguiu! Com avidez, colocou na boca quase o cacho inteiro. E cuspiu. Realmente as uvas estavam
muito verdes!
Moral: a frustração é uma forma de julgamento como qualquer outra.
(Millôr Fernandes. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991. p. 118.)
■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Fábula é uma pequena narrativa, muito simples, em que as personagens geralmente são animais.
a) Na fábula de Esopo, a raposa, com fome, vê “lindos cachos de uva”. Se os cachos eram lindos, por
que, então, a raposa diz que as uvas estavam verdes? Porque não as alcançava.
b) A raposa, não alcançando as uvas, vai embora. Que fato posterior a esse comprova que a raposa
mentia ao dizer que as uvas estavam verdes? O fato de voltar-se rapidamente para trás, pensando que uma uva tivesse caído.
2. As fábulas sempre terminam com uma moral da história, isto é, com um ensinamento.
a) Identifique no texto o parágrafo que contém a moral da fábula de
Esopo. A moral está no último parágrafo do texto.
b) Qual das frases abaixo traduz a idéia principal da fábula de
Esopo?
• Quem não tem, despreza o que deseja.
• A mentira tem pernas curtas.
• Quem não tem o que deseja, sente inveja dos outros.
X
areal: terreno de areia.
avidez: desejo, ansiedade.
retesar: tornar tenso, esticar.
roçar: tocar de leve.
Procure no dicionário outras pa-
lavras que você desconheça.
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3. Compare a versão de Millôr Fernandes à de Esopo.
a) Até certo ponto da história, as duas fábulas são praticamente iguais. A partir de que trecho a
versão de Millôr fica diferente da versão de Esopo? No momento em que a raposa sobe em uma pedra para alcançar as uvas.
b) Qual é o fato da versão de Millôr que altera completamente a história?
4. A moral da história de Millôr Fernandes é claramente identificada: “a frustração é uma forma de
julgamento como qualquer outra”.
a) Consulte o dicionário e veja qual sentido das palavras frustração e julgamento corresponde ao
que elas têm no contexto. Depois troque idéias com seus colegas e com seu professor e responda:
O que essa moral quer dizer?
b) Qual das frases abaixo traduz a idéia principal dessa moral?
• Uma pessoa frustrada não sabe fazer um bom julgamento.
• Às vezes, uma mentira acaba expressando uma verdade.
• Uma pessoa malsucedida acaba tirando conclusões erradas.
■ A LINGUAGEM DOS TEXTOS
1. Na fábula de Esopo, lemos: “a latada era muito alta e, por mais que pulasse, a raposa não as
alcançava”. Em qual das frases abaixo a expressão destacada
tem sentido mais aproximado ao da expressão por mais que?
a) Uma vez que pulava, a raposa não as alcançava.
b) A não ser que pulasse, a raposa não as alcançaria.
c) Mesmo que pulasse, a raposa não as alcançaria.
d) Quando pulava, a raposa não as alcançava.
2. Na mesma fábula se lê: “Precisava ter certeza de que ninguém percebera que queria as uvas”. Nessa
frase, sem alterar o sentido, a parte destacada pode ser substituída por outra expressão: “Precisava
estar certa de que…”.
Faça o mesmo com as frases a seguir:
a) Precisava ter segurança de que alcançaria os cachos de uva. Precisava estar segura de que…
b) Precisava ter confiança de que conseguiria dar os saltos. Precisava estar confiante de que…
c) Precisava ter disposição para saltar em direção às uvas. Precisava estar disposta a…
3. Em seu texto, Millôr Fernandes empregou as expressões fome de quatro dias e gula de todos os tempos.
a) Qual a diferença entre fome e gula?
b) O que significa gula de todos os tempos? Uma gula enorme.
4. A palavra nem é o resultado da soma de duas outras palavras de nossa língua: e + não. Por exemplo:
“Não pagou a conta nem (e não) deu nenhuma explicação ao garçom”. Entretanto, há casos em que
essa palavra ganha outro sentido. Por exemplo, em “não conseguiu nem roçar as uvas gordas e
redondas”, do texto de Millôr, a palavra nem tem o sentido de sequer.
Em qual das frases abaixo a palavra nem tem o mesmo sentido que na frase de Millôr?
a) A raposa não alcançou as uvas nem pegou nenhuma outra fruta naquele dia.
b) Não ganhei nem um “obrigado” pelo que fiz.
c) Nem estudou, nem fez a lição de casa, nem nada.
O fato de a raposa ter alcançado as uvas e elas estarem realmente verdes.
frustração: decepção, desilusão; julgamento: opinião, juízo.
Professor: Sugerimos abrir a discussão com os alunos, pois a questão sobre a moral da fábula exige um salto
interpretativo. Sugestão: “Às vezes, nossas desculpas têm
um fundo de verdade” ou “Às vezes, blefamos (mentimos) e
acabamos acertando”.
Fome é o desejo de comer porque o organismo está precisando de alimento; gula é o anseio de
comer por puro prazer, mesmo sem ter fome.
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Porque ele também não consegue realizar seu desejo, que é
acertar a bola.
Trocando idTrocando idéiasias
Quando não se consegue alcançar um objetivo de uma forma, procura-se outra forma de alcançá-lo.
À história de Calvin, que intencionalmente encontra um meio de atingir seu objetivo (uma bola maior), e à de Millôr, em que a raposa, mesmo ocasionalmente,
descobre uma pedra e alcança as uvas.
Cruzando linguagensCruzando linguagens
Na última cena, porque Calvin, não acertando a bolinha, procura uma bola maior, enquanto a raposa, na versão de Esopo, vai embora insatisfeita,
sem ter conseguido alcançar as uvas.
■ LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Um aluno lê duas vezes o 3º e o 4º parágrafos da fábula de Esopo. Na primeira vez, deve falar a frase
“Estão verdes” com desprezo e indiferença; na segunda vez, com desprezo, mas, ao mesmo tempo,
demonstrando que, na verdade, está muito frustrado por não ter alcançado as uvas. A expressão facial
pode contribuir para tornar a cena mais convincente.
(Bill Watterson. Os dias estão simplesmente lotados. São Paulo: Best News, 1995. v. 1, p. 10.)
1. A tira de Bill Watterson acima mostra a personagem Calvin em uma situação que lembra a fábula de
Esopo.
a) Por que Calvin, até certo ponto, se assemelha à raposa?
b) Em qual cena ou situação a história de Calvin fica diferente da história da raposa? Por quê?
2. Você conhece o provérbio “Quem não tem cão, caça com gato”?
a) O que ele quer dizer?
b) Se quiséssemos empregar esse provérbio como título de uma das três histórias, a qual ou quais
delas ele seria mais adequado? Por quê?
1. Como vimos, as fábulas, com seus exemplos, transmitem conceitos morais e normas de convivência social.
O escritor Monteiro Lobato traduziu e recontou muitas das fábulas narradas por Esopo e La Fontaine. Ao
término de cada uma delas, as personagens de O Sítio do Picapau Amarelo comentam a história ou a moral da
história. Veja, por exemplo, o que Narizinho comenta depois de ouvir a fábula A raposa e as uvas:
— Que coisa certa, vovó! — exclamou a menina. Outro dia eu vi essa fábula em carne e osso. A
filha do Elias Turco estavasentada à porta da venda. Eu passei no meu vestidinho novo de pintas
cor-de-rosa e ela fez um muxoxo. “Não gosto de chita cor-de-rosa.” Uma semana depois, lá a encon-
trei toda importante num vestido cor-de-rosa igualzinho ao meu, namorando o filho do Quindó…
(Fábulas. São Paulo: Brasiliense, 1993. p. 48.)
Agora é a sua vez… Relate para a classe uma situação da vida real que ilustre a moral da fábula de Esopo.
2. Como você sabe, as fábulas sempre procuram transmitir um ensinamento. Discuta com seus cole-
gas: Que ensinamento a respeito das pessoas a fábula de Esopo transmite? Po
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Estudo do textoEstudo do texto
Tema:
Crianças
GAROTO LINHA-DURA
Deu-se que Pedrinho estava jogando bola no jardim e, ao emendar a bola de bico por cima do
travessão, a dita foi de contra uma vidraça e despedaçou tudo. Pedrinho botou a bola debaixo
do braço e sumiu até a hora do jantar, com medo de ser espinafrado pelo pai.
Quando o pai chegou, perguntou à mulher quem quebrara o vidro e a mulher disse que foi Pedri-
nho, mas que o menino estava com medo de ser castigado, razão pela qual ela temia que a criança não
confessasse o seu crime.
O pai chamou Pedrinho e perguntou:
— Quem quebrou o vidro, meu filho?
Pedrinho balançou a cabeça e respondeu que não tinha a mínima idéia. O pai achou que o menino
estava ainda sob o impacto do nervosismo e resolveu deixar para depois.
Na hora em que o jantar ia para a mesa, o pai tentou de novo:
— Pedrinho, quem foi que quebrou a vidraça, meu filho? — E, ante a negativa reiterada do filho,
apelou: — Meu filhinho, pode dizer quem foi que eu prometo não castigar você.
Diante disso, Pedrinho, com a maior cara-de-pau, pigarreou e lascou:
— Quem quebrou foi o garoto do vizinho.
— Você tem certeza?
— Juro.
Aí o pai se queimou e disse que, acabado o jantar, os dois iriam ao
vizinho esclarecer tudo. Pedrinho concordou que era a melhor solução e
jantou sem dar a menor mostra de remorso. Apenas — quando o pai fez
ameaça — Pedrinho pensou um pouquinho e depois concordou.
apelar: chamar em auxílio, recorrer a um expediente.
emendar: jogar, chutar.
espinafrar (gíria): repreender com dureza, descompor.
impacto: choque; impressão muito forte, muito profunda.
linha-dura: autoritário, que abusa do poder, que defende me-
didas severas contra a subversão.
queimar-se: ficar bravo, zangar-se, irar-se.
reiterada: repetida, renovada.
subversivo: revolucionário, que quer reformar ou modificar
algo; aquele que pretende destruir ou transformar a ordem
pública, social ou econômica estabelecida.
travessão: barra de madeira que delimita a parte superior do
gol.
Procure no dicionário outras palavras que você desconheça.
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Resposta pessoal. Sugestão: Talvez por ser mais tolerante que o marido, ou por achar que proble-
mas desse tipo quem devia resolver era o pai.
É o contrário: os pais preferem o diálogo; o pai e a mãe têm a mesma importância e tomam decisões conjuntamente.
O pai esperava tranqüilizar o garoto. Professor: Chame a atenção dos alunos para a gradação nas formas de tratar o
filho: parece que o pai já estava se desesperando ante a recusa do filho, ou estava tentando “desarmar” uma possível
reação do menino.
Essa forma de agir é própria do modelo moderno, por-
que se baseia na compreensão e na busca do diálogo.
Sim, pois o pai disse que não ia punir o filho.
Duas possibilidades: ou porque ele viu que não conseguiu fazer o filho confessar, ou porque, se era verdade o que Pedrinho estava
afirmando, ia ter de brigar com o pai do garoto vizinho.
Porque, ao acusar o filho do vizinho, Pedrinho inverteu totalmente a situação, modificando a verdade. Era ele quem estava “subvertendo” a ordem natural
das coisas.
Terminado o jantar o pai pegou o filho pela mão e — já chateadíssimo — rumou para a casa do
vizinho. Foi aí que Pedrinho provou que tinha idéias revolucionárias. Virou-se para o pai e aconse-
lhou:
— Papai, esse menino do vizinho é um subversivo desgraçado. Não pergunte nada a ele não. Quan-
do ele vier atender a porta, o senhor vai logo tacando a mão nele.
(Stanislaw Ponte Preta. A palavra é… humor. Contos selecionados por Ricardo Ramos. São Paulo: Scipione, 1989. p. 84-6.)
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Depois que quebrou a vidraça jogando bola, Pedrinho sumiu até a hora do jantar “com medo de ser
espinafrado pelo pai”. Na sua opinião, o menino realmente estava com medo? Justifique sua res-
posta. Talvez não, pois ele vai jogar bola em outro lugar e na hora do jantar já está em casa.
2. O texto mostra uma situação familiar em que os pais desejam repreender uma falta do filho. A mãe
sabia que Pedrinho tinha quebrado a vidraça, mas preferiu esperar o pai chegar. Por que você acha
que ela própria não repreendeu o filho?
3. A forma como os pais educam os filhos varia muito, mas é possível dizer que existem dois modelos
básicos de educação: um tradicional e outro moderno.
No modelo tradicional, os pais são mais duros com os filhos e dialogam pouco; o pai é a figura
principal.
Como você imagina que seja o modelo de educação moderno?
4. O pai de Pedrinho, ao saber da aprontação do menino, conversou com ele e disse:
“— Pedrinho, quem foi que quebrou a vidraça, meu filho? […] Meu filhinho, pode dizer quem
foi que eu prometo não castigar você.”
a) Por esse trecho, pode-se dizer que o pai estava procurando seguir um modelo tradicional ou um
modelo moderno de educação?
b) Por essa fala do pai de Pedrinho, pode-se concluir que ele já sabia quem era o culpado?
Por quê?
c) O pai de Pedrinho inicialmente chamou o filho de “meu filho” e depois de “meu filhinho”. O que
o pai pretendia com isso?
5. Com a insistência de Pedrinho, “o pai se queimou e disse que, acabado o jantar, os dois iriam ao
vizinho esclarecer tudo”. Depois, “chateadíssimo”, pegou o filho pela mão e “rumou para a casa do
vizinho”.
a) Qual o sentido de se queimou nesse contexto? O pai ficou furioso, muito bravo, nervoso.
b) Por que, na sua opinião, o pai, mesmo antes de ir, já estava chateadíssimo?
6. Pedrinho, prevendo que o filho do vizinho o desmentiria, deu um conselho ao pai.
Por que, na sua opinião, podemos dizer que, em vez do vizinho, Pedrinho é que era um sub-
versivo? Po
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Uma mistura dos dois: a mãe não disse nada, deixando para o pai a repreensão (índice de educação tradicional); o pai tenta o diálogo até o fim (índice de educação moderna).
Resposta pessoal. Entre outras expressões: amarrar a cara (zangar-se, amuar-se), encher a cara (embriagar-se), enfiar a cara no mundo (fugir), cara de tacho
(fisionomia própria de quem está desapontado, sem saber o que fazer), etc.
Trocando idTrocando idéiasias
Entre outras: certa vez, uma vez, um dia, certo dia.
Resposta esperada: intensificar a negação, reforçar a idéia, tentar persuadir o pai.
Provavelmente o método linha-dura, porque o método baseado no diálogo não levou Pedrinho a assumir o que fez.
7. Quanto ao modelo de educação adotado pelos pais de Pedrinho, podemos tirar algumas conclusões.
a) Ele é tradicional (linha-dura), moderno (baseado no diálogo) ou uma mistura dos dois? Por quê?
b) Na sua opinião, que método o pai iria experimentar depois de sair da casa do vizinho? Por quê?
■A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Stanislaw Ponte Preta, o autor do texto, foi um famoso cronista de jornais no Rio de Janeiro. Seus
textos geralmente apresentam uma linguagem informal, às vezes com gírias.
Indique o sentido que têm, no texto, as palavras destacadas:
a) “com medo de ser espinafrado pelo pai” repreendidoseveramente, com dureza
b) “Pedrinho, com a maior cara-de-pau, pigarreou e lascou” cínico, descarado; disse
c) “o senhor vai logo tacando a mão nele” atirando, lançando
2. O texto se inicia por uma expressão pouco usada nos dias de hoje: “Deu-se que Pedrinho estava
jogando bola no jardim”. Que outra expressão você empregaria no lugar dessa expressão?
3. A palavra cara compõe, com outras palavras, algumas expressões bem brasileiras, muito usadas nas
variedades não padrão da língua.
a) Identifique o significado das expressões destacadas nas frases abaixo:
Ao acusar o filho do vizinho, Pedrinho livrou sua cara.
O pai, querendo dialogar com o garoto, quebrou a cara.
O garoto meteu a cara na casa do amigo.
b) Que outras expressões com a palavra cara você conhece? O que elas significam?
4. Leia e compare:
Não pergunte nada a ele.
“Não pergunte nada a ele não”, disse Pedrinho.
Qual foi, na sua opinião, a intenção do menino ao repetir na sua fala a palavra não?
O texto lido mostra que os pais de Pedrinho misturavam os modelos moderno e tradicional de
educação e, na situação narrada, não conseguiram fazer com que o filho assumisse o que fez.
1. Em relação à educação dos filhos, que método, na sua opinião, os pais devem adotar para obter
bons resultados?
2. Em que situações, já vividas por você, cada um dos métodos funcionou melhor?
3. Supondo que um dia você também terá filhos, que método adotará para educá-los? Por quê?Po
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Estudo do textoEstudo do texto
Tema:
Crianças
Cai cai balão
Cai cai balão
Na Rua do Sabão!
O que custou arranjar aquele balãozinho de papel!
Quem fez foi o filho da lavadeira
Um que trabalha na composição do jornal e tosse muito.
Comprou o papel de seda, cortou-o com amor, compôs
[os gomos oblongos…
Depois ajustou o morrão de pez ao bocal de arame.
Ei-lo agora que sobe, — pequena coisa tocante na
[escuridão do céu.
Levou tempo para criar fôlego.
Bambeava, tremia todo e mudava de cor.
A molecada da Rua do Sabão
Gritava com maldade:
Cai cai balão!
Subitamente, porém, entesou, enfunou-se e
[arrancou das mãos que o tenteavam.
E foi subindo…
para longe…
serenamente…
Como se o enchesse o soprinho tísico
[do José.
Cai cai balão!
A molecada salteou-o com atiradeiras
assobios
apupos
pedradas.
Cai cai balão! Po
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Crianças cantarem a antiga Cai cai balão e o menino soltar o
balão.
Professor: Comente com os alunos como era feita a composição do jornal antigamente. O texto de cada página era produzido com tipos, isto é, letras esculpidas em
blocos de metal ou madeira, e depois impresso, com tinta, em papel.
A molecada gritava com maldade “Cai cai balão”, torcendo para
que ele caísse.
Atacou o balão com atiradeiras (estilingues)
e pedradas, assobiando e vaiando.
Em razão do medo de se contagiagemm ou por falta de informação a respeito da doença, as pessoas excluíam socialmente os doentes, tinham preconceito.
Eles pretendiam agredir José, pois tinham preconceito em relação ao garoto, pelo fato de ele ter contraído uma doença contagiosa e incurável. Ou
então porque sentiam inveja de José.
Um senhor advertiu que balões são proibidos pelas posturas municipais.
Ele foi subindo…
muito serenamente…
para muito longe…
Não caiu na Rua do Sabão.
Caiu muito longe… Caiu no mar, — nas águas puras do mar alto.
(Manuel Bandeira. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. p. 195-6.)
apupo: vaia, gritos e assobios.
arrancar: desprender(-se), soltar(-se).
atiradeira: estilingue, bodoque.
enfunar-se: encher-se de vento; tornar-se bojudo; inflar.
entesar: tornar direito, reto; esticar, endireitar.
morrão de pez: pedaço de corda ou mecha com breu ou piche em que se coloca fogo.
oblongo: que tem mais comprimento que largura; alongado.
saltear: atacar de repente.
tentear: apalpar, dirigir.
tísico: aquele que sofre de tuberculose pulmonar.
Procure no dicionário outras palavras que você desconheça.
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. O início do poema refere-se a uma cantiga de nosso folclore.
a) Em que época do ano e em que tipo de festividade ela é cantada? No início do inverno, em junho, nas festas juninas.
b) Que fatos citados no poema se relacionam com essa festa?
2. José arranjou o balãozinho de papel com dificuldade.
Qual é a condição social do menino? Justifique sua resposta.
3. Enquanto o balão vai, aos poucos, ganhando altura e subindo, a molecada muda de atitude grada-
tivamente.
a) Como a molecada reage enquanto o balão ganhava fôlego?
b) E quando ele começou a subir?
4. A tuberculose é uma doença contagiosa, causada pelo bacilo de Koch, e se localiza freqüentemente
nos pulmões. Até o início do século XX não tinha cura.
Comparando a tuberculose com a Aids, doença que atualmente também é contagiosa e incurável,
como você imagina que as pessoas agiam naquela época em relação a um tuberculoso?
5. No poema, podemos comparar José com o balãozinho.
a) Que semelhanças há entre o comportamento do balão tentando subir e o que José apresentava
em razão da sua condição física de menino tuberculoso?
b) Ao agredirem o balão, quem na verdade os meninos pretendiam agredir? Justifique sua
resposta.
O menino é de uma classe social desfavorecida; é pobre. Ele é filho da lava-
deira e trabalha na composição de um jornal.
O balãozinho levou tempo para criar fôlego. Bombeava, tremia e mudava
de cor. Do mesmo modo, José, tuberculoso, tinha dificuldade para respi-
rar, tossia muito, tremia, perdia o fôlego e mudava de cor.
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O sonho de sair da prisão representada pela doença, o desejo de conhecer o mundo, de ser livre de ser
aceito, etc.
Resposta pessoal. Professor: Sugerimos abrir a discussão com a classse, pois não é uma questão simples. Sugestão: Com essa disposição, cada um dos elementos é
mais destacado; podem dar uma idéia de seqüência e gradação: primeiro os assobios, depois os apupos e depois as pedradas.
Resposta pessoal. Sugestão: Elas sugerem a lentidão com que o balão subiu.
v. 7 e 8. Aluno E: v. 9. Aluno F: v. 10. Alunos A, B, C, D, E e F: v 11. Aluno A: v. 12 e 13. Todos: v. 14. Aluno B: v. 15. Alunos C e D: v. 16. Aluno E: v. 17. Aluno F: v. 18. Alunos A,
B, C, D, E e F: v. 19. Todos: v. 20. Aluno A: v. 21, 22, 23, 24. Todos: v. 25. Aluno B: v. 26. Alunos A e B: v. 27. Alunos C e D: v. 28. Alunos E e F: v. 29. Todos: v. 30. Aluno A: v. 31.
6. Apesar da maldade dos moleques, o balãozinho subiu muito serenamente e caiu muito longe, “nas
águas puras do mar alto”.
a) Comparando novamente José com o balão, qual seria, na sua opinião, o sonho do menino que o
balãozinho conseguiu realizar?
b) Considerando que José estava doente, infectado pela tuberculose, o que podem representar as
“águas puras” do mar alto? Podem representar a purificação de José, o fim de sua doença.
■A LINGUAGEM DO TEXTO
1. “Na Rua do Sabão” é um poema, um tipo de texto geralmente escrito em versos. Verso é cada linha
do poema.
Os versos geralmente são sonoros, melódicos.
Leia em voz alta este trecho de um verso do poema:
“cortou-o com amor, compôs os gomos oblongos…”
Nesse trecho, destaca-se o som de uma vogal.
Qual é essa vogal? É a vogal o.
2. Observe a disposição visual destes versos:
“A molecada salteou-o com atiradeiras
assobios
apupos
pedradas.”
O poeta poderia ter empregado os substantivos assobios, apupos e pedradas depois de atiradei-
ras, ligando-os com vírgulas. Mas preferiu deixar cada uma dessas palavras numa linha, de modo
que cada uma forma um verso. Que diferença de sentido essa disposição visual provoca?
3. O sinalnos desenhos os movimentos do homem e do carro?
b) Por que, na sua opinião, o cartunista pintou a vaca de cor-de-rosa?
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DE LH NA I MAGEM
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Tema:
Comunicação
(Quino. Quinoterapia. 4. ed. Barcelona: Lumen, 1999. p. 23.) Po
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Que está com problemas de queda de cabelos.
Que ele estivesse escrevendo o nome de algum
remédio ou outro tipo de tratamento.
Utilizou somente linguagem não verbal,
composta de imagens e gestos.
Utilizou linguagem verbal. Professor: Chame a atenção do aluno para o fato de que, para nós, leitores, o conteúdo do balão é uma figura; apesar disso, o balão
de fala indica que, entre as duas personagens, houve comunicação verbal, isto é, com palavras.
A personagem está falando com um médico,
conforme mostra o avental do homem, o ar-
mário com medicamentos, o quadro com a
ilustração de um fio de cabelo e a inscrição
DR. na porta.
5
1. O cartum é organizado em cinco cenas. Que tipo de problema a personagem percebe que tem, na
1ª cena? Que está sofrendo de calvície, de queda de cabelos.
2. Observe, na 2ª cena, o balão de fala e o local onde está a personagem.
a) Com quem ela está falando? Como você chegou a essa conclusão?
b) O que você acha que a personagem está dizendo ao homem de avental?
3. Observe as três últimas cenas. Primeiramente, o homem de avental examina o cliente e depois
escreve algo num papel.
a) O que seria lógico imaginar que ele estivesse escrevendo?
b) Por que a última cena é surpreendente e engraçada?
4. Observe as linguagens empregadas na criação do cartum.
a) O cartunista Quino usou linguagem verbal ou linguagem não verbal?
b) E o cliente, ao se comunicar com o médico, que tipo de linguagem utilizou?
Porque, em vez de o médico dar uma receita ao paciente, fez uma
caricatura de como ele vai ser quando ficar completamente careca.
Professor: Seria interessante retomar aqui o conceito de intencionalidade lingüística. Quando a personagem reclama, na 2ª cena, do seu problema de calvície,
deseja um tratamento, e não uma caricatura de como vai ficar.
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Tema:
No caminho da
fantasia
(Bill Watterson. Os dias estão simplesmente lotados. São Paulo: Best News, 1995. V. 1, p. 39.)
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Nos quadrinhos 1, 2 e 8.
Nos demais: 3, 4, 5, 6 e 7.
Devido à imaginação de Calvin, que, ao su-
bir a escada, tem a sensação de que está
cada vez mais alto, como se subisse por
uma magirus.
O último.
É a revelação de que tudo se passara apenas na imaginação de Calvin.
7
A sensação de estar no espaço, avistando de longe o solo da
Terra.
As respostas são pessoais, mas
convém observar se os alunos
perceberam que a personagem
foi tomada pelas sensações de
espanto e medo. Esse é um exer-
cício importante para desenvol-
ver a capacidade de levantar hi-
póteses e perceber a coerência
na narrativa.
Parece estar ficando cada vez mais assustado.
Para facilitar a resolução do exercício, numere os quadrinhos de 1 a 8.
1. A tira de Bill Watterson explora a imaginação da personagem Calvin, opondo a fantasia do garoto à
realidade.
a) Em quais quadrinhos Calvin está no mundo real?
b) Em quais ele está vivendo a pura fantasia?
2. Observe que, a partir do terceiro quadrinho, a escada por onde Calvin sobe se modifica. Ela deixa de
ter a forma de uma escada de escorregador e transforma-se numa escada magirus, do tipo utilizado por
bombeiros para fazer salvamentos em lugares altos. Por que você acha que houve essa transformação
da escada do quadrinho 2 para o quadrinho 3?
3. Repare nas expressões de Calvin nos quadrinhos 3 e 4. O que a personagem parece estar sentindo?
4. Observe a paisagem que Calvin avista do alto da escada, no penúltimo quadrinho. Qual a sen-
sação que ele deve estar tendo nesse momento?
5.A tira de Bill Watterson é uma narrativa construída quase exclusivamente com imagens. O que
será que Calvin estava pensando em cada um dos quadrinhos? Escreva em seu caderno o pensa-
mento que, na sua opinião, a personagem teve em cada uma das situações.
6. Pode-se dizer que essa é uma tira de humor.
a) Qual dos quadrinhos provoca o riso?
b) O que, nesse quadrinho, torna a história engraçada?
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8
Tema:
Crianças
A descoberta, de Norman Rockwell. Po
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A curiosidade.
Ao Papai Noel.
Quem as veste é o pai do menino para entregar os presentes no Natal.
Provavelmente porque ele descobriu que Papai Noel não existe; ou porque foi surpreendido por alguém quando mexia na gaveta.
Surpresa, espanto.
Resposta pessoal.
Respostas pessoais.
9
1. A cômoda e os objetos presentes nesse quadro mostram que o menino está num quarto.
A quem possivelmente o quarto pertence: ao menino ou a seus pais? Justifique.
2. O menino mexia nas gavetas de seus pais.
Que característica da personalidade infantil esse fato revela?
3. O menino tem em suas mãos algumas peças de roupa.
a) Essas roupas, pela cor e pelas características, pertencem a que personagem lendária própria do
universo infantil?
b) Quem provavelmente as veste? Para quê? Em que época do ano?
4. Observe o rosto do menino e a posição de seus braços.
a) O que revela a expressão de seu rosto?
b) Na sua opinião, por que o menino está boquiaberto e com os olhos arregalados?
5.A gaveta está entreaberta, deixando à mostra outros objetos.
Na sua opinião, o pai tinha intenção de que o menino descobrisse a verdade? Justifique.
6. Diferentemente das histórias em quadrinhos, as pinturas não apresentam balões. Se fosse possível
colocar um, de fala ou de pensamento, para expressar a emoção do menino, na sua opinião, o que o
menino estaria falando ou pensando?
7. Quando você era menor, provavelmente acreditava em Papai Noel.
a) Como você recebia seus presentes no Natal?
b) Conte como foi que você ficou sabendo da verdade.
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DE LH NA I MAGEM
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Tema:
Crianças
No swimming (1921), de Norman Rockwell. Po
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Resposta pessoal. Sugestões: E agora? O que vamos fazer? / Estamos fritos! Vão nos pegar! / Ai! Que medo!
Parece ser um lugar aberto,
retirado, no meio do mato.
11
1. Vemos, neste quadro, três meninos correndo. Observe o menino que está em primeiro plano.
a) O que ele leva nas mãos? Suas roupas.
b) Ele está vestido? Não, aparentemente está nu.
2. O nome do quadro é No swimming, em inglês, que em português significa “Proibido nadar”. Obser-
ve os cabelos e a expressão do rosto do menino que está em primeiro plano.
a) Como estão os cabelos dele? Estão molhados.
b) Por que você acha que ele está olhando para trás?
3. Diferentemente das histórias em quadrinhos, as pinturas não apresentam balões. Se fosse possível
colocar no quadro um balão, de fala ou de pensamento, para expressar a emoção do menino, na
sua opinião, o que o garoto estaria falando ou pensando?
4. Podemos ver alguns elementos do localde pontuação chamado reticências (…) aparece várias vezes no poema. As reticências
podem ser empregadas:
•para assinalar um estado emocional de alegria, de tristeza, de raiva, etc.;
•para indicar que a idéia que se pretende exprimir deve ser completada pela imaginação do leitor;
•para indicar que o texto deve ser lido de uma forma pausada.
Veja novamente este trecho:
“Ele foi subindo…
muito serenamente…
para muito longe…”
Que efeito o uso das reticências produz nesse trecho do texto?
■LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Seguindo as orientações de seu professor, faça com seus colegas a leitura do poema em forma de jogral.
Professor: Sugerimos que organize a classe para ler o poema em forma
de jogral. Oriente os alunos quanto à pontuação e à entonação
adequadas dos versos. Numere os versos e proceda assim:
Todos: versos 1, 2 e 3. Aluno A: v. 4. Aluno B: v. 5. Aluno C: v. 6. Aluno D:
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Cruzando linguagensCruzando linguagens
Observa-se que o quadro, ressaltando balões e igrejas, faz referência a uma festa religiosa cristã, o Dia de São João, que é comemorado com procissões, rezas,
quermesses, quadrilhas, fogos de artifício, balões, fogueira.
O quadro a seguir chama-se Noite de São João e foi feito pelo pintor brasileiro Guignard. Observe-o
com atenção:
1. O quadro mostra uma paisagem noturna e nebulosa. Apesar disso, alguns elementos nele se desta-
cam, pelo fato de estarem iluminados.
a) Quais são esses elementos? Os elementos que pertencem à cidade (principalmente as igrejas) e os balões.
b) Com base nos elementos destacados, justifique o título do quadro.Po
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Trocando idTrocando idéiasias
Resposta pessoal: Sugestão: As igrejas construídas em lugares elevados estão mais próximas de Deus.
O tamanho dos balões é exagerado porque eles costumam ser uma importante atração da festa em que se comemora o Dia de São João.
 X
2. Você deve ter observado, em sua cidade ou em fotografias e pinturas, que muitas igrejas são cons-
truídas em lugares altos, como no quadro Noite de São João.
Por que você acha que isso ocorre?
3. Observe o tamanho das pessoas na parte inferior do quadro. Em seguida, compare o tamanho delas
com o tamanho das igrejas e dos balões.
a) Qual desses dois elementos tem um tamanho desproporcional em relação às pessoas? Os balões.
b) Por que você acha que o pintor deu tanto destaque a esse elemento?
4. Qual dos seguintes versos do poema de Manuel Bandeira pode traduzir melhor a atmosfera do
quadro de Guignard?
a) “O que custou arranjar aquele balãozinho de papel!”
b) “Bambeava, tremia todo e mudava de cor.”
c) “Ei-lo agora que sobe, — pequena coisa tocante na escuridão do céu.”
5. No poema de Manuel Bandeira, quem solta o balão é José, um menino pobre e tuberculoso. Já no
quadro de Guignard, são grupos de pessoas.
a) De acordo com a visão do pintor, soltar balão pode ser uma forma de integrar as pessoas? Sim.
b) De acordo com a visão que têm o poeta e o pintor, o que as pessoas desejam, ou esperam, ao
soltarem balões? Que seus sonhos (ou os pedidos para o santo) se realizem.
1. No poema, um senhor chamou a atenção das crianças, dizendo que soltar balões é proibido pelas
leis da cidade. Discuta com seus colegas: Soltar balões deve ou não ser proibido? Por quê?
2. Por que, na sua opinião, pessoas portadoras de determinadas doenças são discriminadas? Você
concorda com esse procedimento? Justifique sua resposta.
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Estudo do textoEstudo do texto
Tema:
Crianças
NEGÓCIO DE MENINO COM MENINA
O menino, de uns dez anos, pés no chão, vinha andando pela estrada de terra da fazenda com a
gaiola na mão. Sol forte de uma hora da tarde. A menina de uns nove anos ia de carro com o
pai, novo dono da fazenda. Gente de São Paulo. Ela viu o passarinho na gaiola e pediu ao pai:
— Olha que lindo! Compra pra mim?
O homem parou o carro e chamou:
— Ô menino.
O menino voltou, chegou perto, cari-
nha boa. Parou do lado da janela da me-
nina. O homem:
— Este passarinho é pra vender?
— Não senhor.
O pai olhou para a filha com uma cara
de deixa pra lá. A filha pediu suave como
se o pai tudo pudesse:
— Fala pra ele vender.
O pai, mais para atendê-la, apenas
intermediário:
— Quanto você quer pelo passarinho?
— Não tou vendendo não senhor.
A menina ficou decepcionada e segredou:
— Ah, pai, compra.
Ela não considerava, ou não
aprendera ainda, que negócio só
se faz quando existe um
vendedor e um comprador. No
caso, faltava o vendedor. Mas o
pai era um homem de negócios,
águia da Bolsa, acostumado a encorajar
os mais hesitantes ou a virar a cabeça dos mais
recalcitrantes:
— Dou dez mil.
— Não senhor.
— Vinte mil.
— Vendo não.
O homem meteu a mão no bolso, tirou o dinheiro, mostrou três notas, irritado.
— Trinta mil.
— Não tou vendendo, não, senhor.Po
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O homem resmungou “que menino chato” e fa-
lou pra filha:
— Ele não quer vender. Paciência.
A filha, baixinho, indiferente às impossi-
bilidades da transação:
— Mas eu queria. Olha que bonitinho.
O homem olhou a menina, a gaiola, a
roupa encardida do menino, com um rasgo
na manga, o rosto vermelho de sol.
— Deixa comigo.
Levantou-se, deu meia-volta, foi até lá.
A menina procurava intimidade com o pas-
sarinho, dedinho nas gretas da gaiola.
O homem, maneiro, estudando o
adversário:
— Qual é o nome deste
passarinho?
— Ainda não botei nome
nele, não. Peguei ele agora.
O homem, quase impa-
ciente:
— Não perguntei se ele é batizado não,
menino.
É pintassilgo, é sabiá, é o quê?
— Aaaah. É bico-de-lacre.
A menina, pela primeira vez, falou
com o menino:
— Ele vai crescer?
O menino parou os olhos pretos nos olhos
azuis.
— Cresce nada. Ele é assim mesmo, peque-
nininho.
O homem:
— Canta?
— Canta nada. Só faz chiar
assim.
— Passarinho besta, hein?
— É. Não presta pra nada, é só bonito.
— Você pegou ele dentro da fazenda?
— É. Aí no mato.
— Essa fazenda é minha. Tudo que tem nela é meu.
O menino segurou com mais força a alça da gaiola, ajudou com a outra mão nas grades. O homem
achou que estava na hora e falou já botando a mão na gaiola, dinheiro na outra mão.
— Dou quarenta mil! Toma aqui.
— Não senhor, muito obrigado.
O homem, meio mandão:
— Vende isso logo, menino. Não tá vendo que é pra menina?
— Não, não tou vendendo não.
— Cinqüenta mil! Toma! — e puxou a gaiola. Po
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a) O menino está de pés no chão, sua roupa está encardida e com um
rasgo na manga; seus pais, provavelmente, são lavradores na fa-
zenda, empregados do homem que quer comprar o passarinho.
b) O homem é o novo dono da fazenda, tem
carro, mora em São Paulo, trabalha na Bolsa
de Valores, vai oferecendo cada vez mais di-
nheiro ao menino para satisfazer um
capricho de sua filha, que provavel-
mente tem todos os seus desejos
satisfeitos.
O homem, porque pode amedrontar o menino, intimidá-lo, tem poder, é rico, é o dono, o patrão.
Esse comportamento revela que a menina é mimada e vive num mundo em que o dinheiro pode comprar tudo, satisfazer todos os seus desejos ou caprichos.
Porque, tal como ocorre na fábula, em que a raposa, não conseguindo apanhar as uvas, diz que
elas estão verdes, o homem, não conseguindo convencer o menino,diz que ele é ignorante.
Revela desprezo; ou que o homem se acha mais importante do que o menino; ou que, para ele, o menino e sua gente não passam de gentalha, são pessoas
socialmente inferiores a ele.
Para o pai da menina, o passarinho tem o valor de mercadoria e, além disso,
representa um desafio; porém ele é vencido nesse desafio.
Resposta pessoal. Espera-se que o aluno responda que sim, pois pai e filha tiveram uma lição de que o dinheiro não compra tudo, de que é preciso respeitar o desejo
das outras pessoas, etc.
As crianças querem o passarinho pelo que ele é, para brincar com ele. Professor: Apesar do desejo comum, é possível ver também no desejo da menina uma
espécie de capricho, pois ela parece ser muito mimada.
Com cinqüenta mil se comprava um saco de
feijão, ou dois pares de sapatos, ou uma bicicleta
velha.
O menino resistiu, segurando a gaiola, voz trê-
mula.
— Quero não senhor. Tou vendendo não.
— Não vende por que, hein? Por quê?
O menino acuado, tentando explicar:
— É que eu demorei a manhã todinha pra
pegar ele e tou com fome e com sede, e queria ter
ele mais um pouquinho. Mostrar pra mamãe.
O homem voltou para o carro, nervoso. Bateu
a porta, culpando a filha pelo aborrecimento.
— Viu no que dá mexer com essa gente? É tudo ignorante, filha. Vam’bora.
O menino chegou pertinho da menina e falou baixo, para só ela ouvir:
— Amanhã eu dou ele pra você.
Ela sorriu e compreendeu.
(Ivan Ângelo. O ladrão de sonhos e outras histórias. São Paulo: Ática, 1994. p. 9-11.)
águia (figurado): pessoa de grande talento e perspicácia,
notável.
encorajar: dar coragem a, animar, estimular.
greta: fenda, abertura estreita.
hesitante: que hesita, indeciso, vacilante.
intermediário: que está de permeio, que intervém, me-
diador, árbitro.
maneiro: hábil, jeitoso.
recalcitrante: obstinado, teimoso.
transação: combinação, ajuste, operação comercial.
Procure no dicionário outras palavras que você desco-
nheça.
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. O texto trata de uma “negociação” entre pessoas de nível social diferente: o menino, de um lado, e o
homem e a menina, de outro.
a) Que dados do texto comprovam que o menino é pobre?
b) Que dados do texto comprovam que o homem e sua filha são ricos?
c) Supostamente, quem tem mais força para vencer na negociação? Por quê?
2. Mesmo diante das negativas do menino, a menina insiste em que o pai compre o passarinho. O que
esse comportamento revela sobre o tipo de mundo em que ela vive?
3. O pai, homem experiente no mundo dos negócios, usa estratégias para convencer o menino e,
nessas tentativas, vai ficando cada vez mais irritado.
a) Quais são as primeiras estratégias? Oferecer dinheiro; primeiro, dez mil; depois, vinte, trinta.
b) Já desistindo da compra, diante da insistência da filha o pai tenta novamente. Que novas estraté-
gias ele usa? Ele conversa de forma amistosa com o menino, buscando intimidade, estudando-o como adversário num negócio.
c) Com que argumento o pai da menina pretendia encerrar a negociação? Dizendo que tudo na fazenda lhe pertencia.
4. No final do texto, no auge da irritação, o homem diz à filha: “Viu no que dá mexer com essa gente?
É tudo ignorante, filha. Vam’bora”.
a) Podemos comparar o homem do texto com a raposa da fábula “A raposa e as uvas”. Por quê?
b) O que revela em relação ao menino e à sua gente essa fala do homem?
5. O passarinho tem um valor ou um significado diferente para cada uma das personagens.
a) Que valor o passarinho tem para o pai da menina?
b) E que valor ele tem para o menino e para a menina?
6. Pelo final da história, você acha que o menino deu uma lição na menina e no pai dela? Por quê?Po
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Sim, pois eles estão numa situação informal e apenas um é adulto; a situação não exige o emprego da
variedade padrão.
Provavelmente ele empregaria a variedade padrão. Ficaria assim: Você o pegou dentro da fazenda?
A palavra lá, pois ela dá a entender que o pai antes estava distante de onde o passarinho se encontrava.
Trocando idTrocando idéiasias
Supõe-se que o pai esteja muito próximo do passarinho, pois empregou um pronome referente à 1ª pessoa do
discurso.
Nas duas frases há repetição da
palavra não.
A repetição reforça a negação.
■A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Observe algumas falas das personagens do texto:
“— Você pegou ele dentro da fazenda?” (pai da menina)
“— Fala pra ele vender.” (menina)
“— Ainda não botei nome nele, não. Peguei ele agora.” (menino)
a) Para se comunicar, as personagens usam a variedade padrão da lín-
gua ou uma variedade não padrão? Usam uma variedade não padrão.
b) Na situação em que eles se encontram — uma conversa entre um adulto e duas crianças —, o
uso dessa variedade é adequado? Por quê?
c) Como você acha que o pai da menina diria a primeira frase se ele estivesse trabalhando na Bolsa?
2. Compare estas duas falas do menino:
“— Ainda não botei nome nele, não.”
“— Não, não tou vendendo não.”
a) O que você vê de semelhante nelas?
b) Que efeito de sentido provoca essa característica observada?
3. Observe esta construção:
“Levantou-se, deu meia-volta, foi até lá. […]
— Qual é o nome deste passarinho?”
a) Pelo emprego do pronome demonstrativo deste, você supõe que o pai da menina esteja perto ou
longe do passarinho? Por quê?
b) Que outra palavra do texto confirma sua resposta?
■LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Leia com outros dois colegas o diálogo entre o homem, o menino e a menina, cada um fazendo a vez
de uma personagem. Ao ler, procure dar às falas o tom da personagem, isto é, o homem deve mostrar sua
irritação crescente e, na fala final, aborrecimento; a menina deve falar num tom manhoso, mostrar que
é mimada, caprichosa; e o menino deve mostrar resistência, depois medo.
1. Na última oferta de compra, o homem ofereceu ao menino cinqüenta mil, quantia suficiente para
comprar um saco de feijão, ou dois pares de sapato, ou uma bicicleta usada. Considerando que o
passarinho era “besta”, não cantava, não prestava para nada, era só bonito, você, no lugar do meni-
no, teria ou não vendido o passarinho? Por quê? Resposta pessoal.
2. Discuta com seus colegas: É correto aprisionar e comercializar passarinhos ou outros animais da
fauna brasileira? Por quê? Resposta pessoal. Po
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Tema:
Descobrindo quem sou eu
ESTUDO DO TEXTO
O DIAMANTE
Um dia, Maria chegou em casa da escola muito triste.
— O que foi? — perguntou a mãe de Maria.
Mas Maria nem quis conversa. Foi direto para o seu
quarto, pegou o seu Snoopy e se atirou na cama, onde ficou
deitada, emburrada.
A mãe de Maria foi ver se Maria estava com febre. Não
estava. Perguntou se Maria estava sentindo alguma coisa.
Não estava. Perguntou se estava com fome. Não estava.
Perguntou o que era, então.
— Nada, disse Maria.
A mãe resolveu não insistir. Deixou Maria deitada na cama, abraçada com o seu Snoopy, emburra-
da. Quando o pai de Maria chegou em
casa do trabalho a mãe avisou:
— Melhor nem falar com ela...
Maria estava com cara de pou-
cos amigos. Pior. Estava com
cara de amigo nenhum.
Na mesa do jantar, Maria de
repente falou:
— Eu não valo nada.
O pai de Maria disse:
— Em primeiro lugar, não se diz “eu não valo
nada”. É “eu não valho nada”. Em segundo lugar,
não é verdade. Você valhe muito. Quer dizer, vale
muito.
— Não valho.
— Mas o que é isso? — disse a mãe de Maria. —
Você é a nossa filha querida. Todos gostam de você. A
mamãe, o papai, a vovó, os tios, as tias. Para nós, você é
uma preciosidade.
Mas Maria não se convenceu. Disse que era igual a mil
outras pessoas. A milhões de outras pessoas.
— Só na minha aula tem sete Marias!
— Querida... — começou a dizer a mãe. Mas o pai interrompeu.
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— Maria — disse o pai —, você sabe por que um diamante vale tanto dinheiro?
— Porque é bonito.
— Porque é raro. Um pedaço de vidro também é bonito. Mas o vidro se encontra em toda parte. Um
diamante é difícil de encontrar.
Quanto mais rara é uma coisa, mais ela vale. Você sabe por que o ouro vale tanto?
— Por quê?
— Porque tem pouquíssimo ouro no mundo. Se o ouro fosse como areia, a gente ia caminhar no ouro,
ia rolar no ouro, depois ia chegar em casa e lavar o ouro do corpo para não ficar suja. Agora, imagina se
em todo o mundo só existisse uma pepita de ouro.
— Ia ser a coisa mais valiosa do mundo.
— Pois é. E em todo o mundo só existe uma Maria.
— Só na minha sala são sete.
— Mas são outras Marias.
— São iguais a mim. Dois olhos, um nariz...
— Mas esta pintinha aqui nenhuma delas tem.
— É...
— Você já se deu conta que em todo mundo só existe uma você?
— Mas, pai...
— Só uma. Você é uma raridade. Podem existir outras parecidas. Mas você, você mesmo, só existe
uma. Se algum dia aparecer outra você na sua frente, você pode dizer: é falsa.
— Então eu sou a coisa mais valiosa do mundo.
— Olha, você deve estar valendo aí uns três trilhões...
Naquela noite a mãe de Maria passou perto do quarto dela e ouviu Maria falando com o Snoopy:
— Sabe um diamante?
(Luis Fernando Verissimo. O santinho. 3a. ed. Porto
Alegre: L&PM, 1991. p. 10-2.)
Snoopy: cachorrinho de pelúcia.
convencer-se: adquirir certeza,
persuadir-se.
raro: que poucas vezes se encon-
tra, pouco numeroso.
dar-se conta: notar, perceber.
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83
A mãe pensa que Maria está
com febre, sentindo alguma
coisa ou com fome.
 Maria acha que não vale nada.
O pai afirma que ela vale muito.
A mãe apela para o argumento sentimental, dizendo que ela é
uma filha muito querida, que todos, a mãe, o pai, a avó, os tios e
as tias gostam dela, que ela é uma preciosidade.
Ele a compara a
um diamante.
b) O fato de ambos serem raros, difíceis de serem encontrados
e, por isso, valerem muito.
Ele diz à filha que só ela tem uma pintinha.
O pai dá à filha um valor muito alto porque a ama muito; ou, na tentativa de convencê-la, utiliza um valor alto para impressioná-la.
Resposta pessoal. Sugestão: Ele significa muito para
ela, porque é o amigo ou o confidente.
Resposta pessoal. Sugestão: Maria disse que não va-
lia nada porque havia milhões de pessoas iguais a ela;
que só em sua classe havia sete Marias.
Espera-se como resposta: A menina ou vai se comparar a um diamante, ou
repetir ao bicho o que ouviu do pai, ou repetir o diálogo, fazendo de conta
que ela é o pai e o bichinho é ela.
A palavra não ou não acom-
panhada de sequer: “Mas Maria
não quis sequer conversa”.
Significa e não.
“Melhor nem falar com ela.”
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Maria chega da escola triste.
a) O que a mãe de Maria pensa que ela tem?
b) Qual é o verdadeiro motivo de sua tristeza?
2. A menina se abre com os pais na hora do jantar. Pai e
mãe se utilizam de argumentos diferentes para conven-
cê-la de que ela tem muito valor. Compare os argumentos
do pai com os da mãe e responda:
a) O que afirma o pai?
b) Diante da insistência da menina, que tipo de argumento a
mãe utiliza?
3.O pai, vendo que os argumentos da mãe não conseguem
convencer Maria, muda de estratégia e faz uma compara-
ção.
a) A que ele compara a menina?
b) O que haveria em comum entre a menina
e o objeto comparado?
c) Ainda assim, a menina não se conven-
ce, porque existem outras Marias. Qual
é, então, o argumento final usado pelo
pai?
4. Para finalizar a conversa, o pai transforma o valor da menina, como pessoa, em valor monetário.
Por que, na sua opinião, ele dá a Maria um valor tão alto?
5.No início do texto, Maria, emburrada, fica em seu quarto abraçada ao Snoopy. No final do texto, ela
lhe diz: “— Sabe um diamante?”. Na sua opinião:
a) O que o bichinho de pelúcia Snoopy significa para ela?
b) O que ela pode ter dito ao Snoopy quando estava triste?
c) O que você acha que ela vai dizer ao Snoopy agora?
■A LINGUAGEM DO TEXTO
1. No terceiro parágrafo do texto, há a seguinte frase:
“Mas Maria nem quis conversa.”
a) Que palavra poderia substituir nem?
b) Retire do texto outra frase em que a palavra nem aparece com o mesmo significado.
c) E na frase abaixo, o que significa a palavra nem?
Maria não tinha febre nem estava sentindo nada.Po
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84
A primeira frase. A idéia de imprecisão, de
aproximação.
 Olha, você deve estar valendo aproximadamente/perto de uns três trilhões.
2. Leia e compare estas frases:
Olha, você deve estar valendo três trilhões.
“Olha, você deve estar valendo aí uns três trilhões.”
a) Qual delas dá à menina um valor exato, preciso?
b) Na segunda frase, que idéia a palavra aí acrescenta à palavra que exprime quantidade?
c) Reescreva a segunda frase, substituindo a palavra aí por outra de significado equivalente.
Leia o poema abaixo e compare-o com o texto ‘O diamante’.
 O JOVEM FRANK
Às vezes eu me pergunto Sendo assim... eu não sou eu.
que diabo de papel Sou outra coisa qualquer:
estou fazendo aqui. um personagem perfeito
para um filme de terror,
Não pedi para nascer, um andróide, um mutante,
não escolhi o meu nome, um bicho extraterrestre,
e tenho um corpo montado um berro de puro pavor!
com pedaços de avós, fatias de pai Graças a Deus meu espelho
e amostras de mãe. não é daqueles que falam...
Diante dele, com cuidado,
Nas reuniões de família posso até reconhecer
o esporte predileto este rosto que é só meu
é dissecar Frankenstein: e sorrir aliviado:
“Os olhos são dos Arruda...” Cheio de cravos e espinhas,
“Os pés lembram os Botelho...” pode não ser um modelo
“Tem as mãos do velho Braga!” de perfeição ou beleza,
“...e o nariz é dos Fonseca!” mas com certeza é alguém
e esse alguém... sou eu, sou eu!
Certamente o resultado
de um tal esquartejamento
não pode ser coisa boa,
pois tantos retalhos colados
não inteiram uma pessoa.
(Carlos Queiroz Telles. Sementes de sol.
São Paulo: Moderna, 1992. p. 38.)
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A busca da identidade; a busca de si mesmos; saber “quem sou eu”.
Porque, de acordo com seus familiares, ele é formado por pedaços de paren-
tes, e pedaços não formam uma pessoa.
Olhar-se no espelho.
A feiúra (ou o fato de ele não ser um modelo de perfeição ou beleza).
Ambos chegam à conclusão de que são alguém, de que têm valor, de quem têm uma identidade.
Resposta pessoal.
Resposta pessoal.
Ela é excluída do grupo; ou sofre pressões do grupo; é vítima de preconceito social ou racial; é motivo de brincadeiras de mau-
gosto e de gozações; é motivo de pena, etc.
Resposta pessoal.
Resposta pessoal.
1. Tanto Maria quanto o jovem Frank apresentam no início dos textos uma preocupação em comum.
Qual é ela?
2. O garoto do poema se compara a Frankenstein, personagem do livro do mesmo nome, da escritora
inglesa Mary Shelley. Frankenstein é o nome do médico que criou, com partes de pessoas mortas,
uma criatura monstruosa e aterrorizante. Popularmente, entretanto, chama-se à criatura, e não ao
seu criador, de Frankenstein.
Por que o garoto afirma “eu não sou eu”?
3. Em ambos os textos, um fato contribui para que o garoto e Maria cheguem a uma conclusão sobre si
mesmos. Em ‘O diamante’, o fato são os argumentos do pai.
E, no poema, o que contribui para o jovem chegar a uma conclusão sobre a sua identidade?
4. Nas últimas estrofes do poema, o garoto conclui quehá algo nele que o particulariza e o distingue
das demais pessoas.
Qual é esse traço particularizador?
5.A que conclusão Maria e o jovem chegam, no final dos textos, sobre sua dúvida inicial?
1. Nos dias de hoje, a televisão e as revistas impõem-nos certos padrões de beleza — homens e mulhe-
res de rostos perfeitos e corpos esculturais, muito bem-vestidos.
a) Você procura seguir a moda? E seus amigos?
b) Você alguma vez vestiu-se ou penteou-se de modo diferente dos padrões gerais? Como foi?
c) Na sua opinião, por que as pessoas procuram seguir a moda e os padrões de beleza impostos
pelos meios de comunicação?
d) O que, normalmente, acontece a uma pessoa que, por qualquer motivo, foge a esses padrões?
2. Há pessoas que se identificam com o modo de vida imposto pela sociedade e há outras que se
rebelam.
Na sua opinião, o que é mais importante: seguirmos o que a sociedade nos impõe ou sermos nós
mesmos? Justifique sua resposta.
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Estudo do textoEstudo do texto
Tema:
Descobrindo quem sou eu
Os textos que você vai ler a seguir são parte
do livro A menina que descobriu o Brasil, de Ilka
Brunhilde Laurito. Quem conta a história é a
protagonista, Fortunata, uma italianinha de 10
anos que, acompanhada do irmão menor, che-
ga ao Brasil para reencontrar a mãe e o padras-
to. A história se passa no início do século XX,
quando muitos italianos imigravam para o Bra-
sil e se estabeleciam em São Paulo à procura
de trabalho e se concentravam em bairros como
o Brás, o Bexiga e a Liberdade, onde ocorre
nossa história.
O texto I é o início do livro. No texto
II, Vincenzo Laurito, o padrasto de Fortu-
nata, conta à menina um pouco da histó-
ria dele.
TEXTO I
M inha história começa numa aldeia italiana,
muitos e muitos anos atrás... E continua na
cidade brasileira de São Paulo, muitos e muitos anos
atrás... Atrás, onde?... Lá, no tempo e no espaço da
minha memória.
Eu tinha dez anos quando, com meu irmão Caeta-
ninho, cheguei ao porto de Santos para reunir-me à
metade brasileira de minha família: minha mãe, meu
padrasto e os meus irmãozinhos nascidos no Brasil.
O mar, aquele grande mar que apaga os rastros de
todos os barcos, apagara as imagens de minha infân-
cia: Domenico Gallo, meu pai, vovô Leone, pai de
meu pai, vovó Catarina, mãe de minha mãe, todos se-
pultados num pequeno cemitério de aldeia. Vivos, mas
sepultados na minha lembrança, ficavam, como um aceno de saudade, padre Cherubino, irmão de meu
pai, e vovô Vincenzo, pai de minha mãe.
Eu estava em São Paulo, eu estava em 1900. Um mundo novo, um novo século, uma nova idade. O
futuro era agora. E a menina que tinha vindo “fazer a América” ia crescer, deitar ramos, flores e frutos,
como uma árvore da Saracena, desarraigada e replantada em terra alheia.
Vou contar...
A SAGA CONTINUA
Em 1990, a escritora
Ilka Brunhilde destacou-
se com a publicação de A
menina que fez a Améri-
ca, obra vencedora do
prêmio Jabuti e que te-
matiza a vida dos imi-
grantes italianos no fi-
nal do século XIX.
Com A menina que descobriu o Brasil, a história
continua. Além da história de Fortunata, o livro nos
possibilita conhecer um pouco de nosso país e da
cidade de São Paulo no início do século XX.
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TEXTO II
— Éuma longa história. Uma triste história.
Vou contar... [diz o padrasto]
E contou. A voz mansa foi saindo pela janela, des-
ceu a rua Tamandaré, seguiu pela rua Glicério, encon-
trou o caminho do mar e mergulhou nas ondas de um
passado naufragado, que agora voltava à tona.
— Eu me casei, lá na Saracena, com uma moça muito
boa e trabalhadeira. Éramos camponeses pobres e la-
vrávamos a terra de outros. Então resolvemos tentar a
sorte aqui na América, onde já estava meu irmão mais
velho. Juntamos nossas economias e partimos, minha
mulher e mais um filhinho de poucos meses. Embarcamos no porto de Gênova, onde a passagem para
os imigrantes era mais barata.
 — De terceira classe? — perguntei, lembrando-me da minha viagem.
 — A classe dos imigrantes. Naqueles primeiros tempos era pior do que agora que você e Caetano
vieram. Muito mais gente embarcava para a América, era difícil alimentar direito todo mundo e manter
as condições de limpeza do navio. E aconteceu a desgraça.
— Desgraça? — repeti ansiosa.
Vincenzo Laurito pegou um grande lenço do bolso, igual àquele com que enrolava moedas, pas-
sou-o pelo nariz. E continuou:
— Sim, desgraça. Uma epidemia de cólera. Doença muito grave, você conhece?
 Enquanto eu lhe dizia que, de doença grave, só conhecia o sarampo que me atacara na Saracena, ele
explicava:
— É um mal terrível e pode matar em pouco tempo. E foi isso o que aconteceu. As pessoas vomita-
vam, ficavam amarelas, enfraqueciam, acabavam morrendo. E, como não havia outro jeito, os corpos
eram jogados ao mar. Foi assim que eu perdi minha mulher e meu filhinho.
Soltei um grito sincero de horror, enquanto ele levava novamente o lenço ao nariz.
— Uma desgraça, Fortunata. Uma desgraça. O navio chegou ao Rio de Janeiro, mas eu não pude
desembarcar. Fiquei de quarentena na Ilha das Flores, depois o Serviço de Imigração me mandou de
volta para a Itália. Cheguei à Calábria muito mais pobre do que quando tinha partido, porque já não
tinha nem mais a família.
Ouvindo Vincenzo Laurito narrar a história de sua primeira e trágica aventura de imigração, eu conta-
va notas e moedas, pensando que aquele dinheiro não tinha o peso do ouro, não. Tinha o peso da vida.
— E depois? — perguntei, disfarçando a emoção.
Meu padrasto assoou definitivamente o nariz, guardou o lenço no bolso como se, com ele, também
guardasse o antigo sofrimento.
— Depois, eu voltei viúvo para Saracena. E aí as comadres da aldeia me falaram de sua mãe, que
também era viúva e moça como eu. Daí nós nos casamos, e eu decidi tentar novamente a vida na
América com ela. Só que, dessa vez, achei que era mais seguro deixar as crianças na Itália...
Parei de contar as notas. Fiquei olhando aquele homem que, debruçado sobre a mesa, conferia o
total das somas que eu fizera. E entendi por que minha mãe dizia, enquanto preparávamos o almoço
dos domingos, que ele não era nem um pouco enjoado para comer. Comia de tudo. Menos peixe.
Também entendi por que eu e Caetaninho tínhamos ficado para trás na Saracena. E porque entendi,
olhei-o com uma familiaridade nova: ali estava ele, Vincenzo Laurito — o mesmo olhar bondoso, as
mesmas mãos rudes e cálidas, os mesmos gestos mansos e até o mesmo nome do meu querido avô
Vincenzo Ventimiglia. E descobri que, daí por diante, ia ser muito fácil chamar esse homem de pai.
(A menina que descobriu o Brasil. São Paulo: FTD, 1999. p. 5-6; 33-5.
Bairro da Liberdade no início do século XX
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A intenção da narradora de estabelecer–se, casar, ter filhos, trabalhar, etc. no Brasil, que passaria a ser sua
terra.
Porque esse passado estava adormecido no fundo de sua memória; nele estavam as lembranças da família que havia morrido no mar.
Tentar a sorte ou uma nova vida
na América.
Quarentena é um período de quarenta dias em que os imigrantes de países em que há doenças contagiosas têm de ficar no
navio ou num lugar isolado; os que sobrevivem a esse período não estão infectados.
Ela percebe que toda luta de Vincenzo e de sua família foi para aquilo: para terem o que comer e onde viver dignamente.
cálidas: quentes, ardentes.
desarraigar: arrancar pela raiz; fazer sair.
Saracena: cidade italiana de onde veio a nar-
radora-protagonista da história.
Procure no dicionário outras palavras quevocê desconheça.
Imigrantes observam a cidade de
Santos no início do século XX.
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. No texto I, a narradora afirma que vai contar sua própria história. Portanto, de onde provêm os fatos
que serão narrados?
a) de sua imaginação c) das experiências dos seus pais
b) de sua memória d) da experiência do irmão
2. No 3º parágrafo do texto I, a narradora fala dos parentes que deixou na Itália. Todos estavam sepul-
tados, mas com uma diferença. O que difere o padre Cherubino e vovô Vincenzo dos outros — o
pai, vovô Leone e vovó Catarina?
3. A narradora diz que “tinha vindo ‘fazer a América’” e que iria “crescer,
deitar ramos, flores e frutos, como uma árvore da Saracena, desarrai-
gada e replantada em terra alheia”.
a) No contexto, o que significa a expressão “fazer a América”?
b) O que significa, no contexto, “deitar ramos, flores e frutos, como
uma árvore da Saracena, desarraigada e replantada em terra alheia”?
4. No texto II, Vincenzo, o padrasto de Fortunata, conta um pouco de sua vida à menina.
a) Por que, segundo a narradora, ele “mergulhou nas ondas de um passado naufragado”?
b) Por que, durante seu relato, Vincenzo enxuga tantas vezes o nariz com o lenço?
5. Quando Vincenzo chegou pela primeira vez ao Brasil, não pôde desembarcar no Rio de Janeiro e
ficou numa ilha, até regressar à Itália.
a) Por que isso aconteceu? Porque houve um surto de cólera no navio, durante a viagem.
b) O que é quarentena? Por que você acha que as autoridades brasileiras obrigavam os imigrantes a
ficar de quarentena?
6. Enquanto Vincenzo narrava sua história, Fortunata contava o dinheiro que a família tinha consegui-
do trabalhando. Explique o que a narradora quer dizer neste trecho: “eu contava notas e moedas,
pensando que aquele dinheiro não tinha o peso do ouro, não. Tinha o peso da vida”.
7. Ao final do relato de Vincenzo, Fortunata passou a ver o padrasto de modo diferente, isto é, passou a
compreendê-lo.
a) Por que, de acordo com a compreensão que ela passou a ter, o padrasto não era enjoado para comer?
b) Por que, para ela, agora seria fácil chamar o padrasto de pai?
 Porque ele se emociona e chora com as lembranças.
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O casal deixou as crianças na Itália não
porque não gostasse delas, mas porque queria que elas viajassem depois, de modo mais seguro. Professor: Lembre aos alunos que o primeiro filho de
Vincenzo morreu na primeira viagem que ele fez.
Porque, para a menina, tudo era realmente novo e diferente: uma terra nova, pes-
soas diferentes, novos desafios, nova etapa de vida, etc.
Resposta pessoal. Sugestão: Tudo o que ela havia imaginado ou sonhado estava acontecendo naquele momento: ela tinha família, segurança, podia trabalhar, etc.
Trabalhadora é a mulher que trabalha profissionalmente; trabalhadeira é aquela que gosta de trabalhar, seja em casa, seja num emprego.
Professor: Sugerimos pedir às duplas que ensaiem a leitura. Depois, na hora da apresentação da leitura para toda a classe, divida o diálogo em duas partes: uma dupla lê a
1ª parte e outra dupla lê a parte final.
Trocando idTrocando idéiasias
8. Quando Fortunata vivia na Itá-
lia, não compreendia por que
a mãe e o padrasto tinham dei-
xado as duas crianças com os
avós. Com a narrativa de Vin-
cenzo, ela compreendeu a ra-
zão do procedimento da mãe
e do padrasto. Qual foi essa
razão?
A IMIGRAÇÃO NA TV
O tema da imigração sempre interessou muito aos brasileiros,
pois quase todos nós temos antepassados estrangeiros. Já foi tema
de romances, filmes e novelas. Uma das mais importantes novelas
sobre o assunto foi Terra nostra, apresentada pela Rede Globo,
em que se destacaram os atores Ana Paula Arósio, Thiago Lacer-
da, Maria Fernanda Cândido, Raul Cortez e outros.
■A LINGUAGEM DO TEXTO
1. No 1º parágrafo do texto I, a narradora usa duas vezes a expressão “muitos e muitos anos atrás”.
Perceba que, nessa expressão, a palavra muitos também é repetida duas vezes. Que sentido essas
repetições acrescentam ao texto? As repetições acentuam a idéia de tempo distante, isto é, a idéia de que faz realmente muito tempo.
2. Observe a construção deste trecho: “Um mundo novo, um novo século, uma nova idade. O futuro
era agora”.
a) Por que a palavra novo é repetida tantas vezes?
b) O que a narradora quer dizer com a frase “O futuro era agora”?
3. Segundo Vincenzo, sua primeira esposa era uma moça boa e trabalhadeira. Qual é a diferença de
sentido entre trabalhadeira e trabalhadora?
4. Vincenzo contou “sua primeira e trágica aventura de imigração”.
a) Procure no dicionário as palavras migração, imigração e emigração. Que diferença de sentido
há entre elas?
b) No Brasil, Vincenzo era imigrante ou emigrante? Era imigrante.
■LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Reúna-se com um colega e, sob a orientação de seu professor, preparem a leitura expressiva do
diálogo entre Fortunata e seu padrasto. Procurem dar à fala do padrasto um tom nostálgico, triste,
choroso. A fala da menina deve demonstrar curiosidade, espanto e, finalmente, emoção.
1. Você tem parentes que saíram de seu lugar de origem para tentar uma vida melhor em outro lugar?
Se tem, conte para a classe o que você conhece dessa história.
2. Abandonar o lugar e a casa em que se vive, deixar amigos e parentes, começar uma vida nova —
tudo isso é muito difícil para quem migra ou emigra. Em que situações você abandonaria tudo?
3. Fortunata, ao conhecer melhor Vincenzo, aceita-o definitivamente como pai. Na sua opinião, é
possível gostar de um padrasto tanto quanto de um pai verdadeiro? Por quê?Po
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Tema:
Descobrindo quem sou eu
ESTUDO DO TEXTO
IRMÃO DE ENXURRADA
Fico lembrando dele esperneando no berço. Ele era uma coisica ainda mais estranha do que é
hoje. Não, muito mais estranha: hoje ele é gente, fala, acha coisas sobre mim, sobre os outros
irmãos, sobre a dona da padaria. Antes ele era... um... um montinho que se mexia também estranha-
mente. Eu ficava horas olhando para ele. As mãozinhas minúsculas, que de tão minúsculas ele nem
sabia que tinha. Na verdade, acho que ele realmente não sabia para o que elas serviam. Elas navegavam
no ar, aquelas titiquinhas de dedos sem entender nada, parecendo uma sementinha viva.
E mijava e fazia cocô sem parar — meu Deus do céu, como sujava as fraldas esse cara! Minha mãe
falava a língua dos bebês. “Ih, gachinha da mamãe tá de caquinha de novo? Tadim, gente! Quetarindo,
hein? Quetarindo, sem-vergoinha da mãe, hein?” Muito chato. Eu achava que ele era meio pancada.
Comigo ela não falava assim. Nem com meus irmãos. A gente fazia uma besteirinha de nada, como
quebrar um vaso, um vidro de janela, ficar na rua até mais tarde, brigar no colégio... e o pau comia — ah,
se o pau comia! Mas com ele era aquele nhenhenhém, aquele tatibitate sem fim.
[...]
[...] Teve um tempo em que ele engatinhava. Rodava pela casa toda, gugu pra cá, dadá pra lá, passando
debaixo dos móveis, debaixo das pernas da gente — um saco! Porque, de vez em quando, a gente tropeçava
nele. E o meleca chorava. Ele não tinha a menor solidariedade. Chorava mesmo. Esgoelava-se, o bostinha!
E sobrava pra gente, é claro. Na maioria das vezes era sem querer que a gente tropeçava nele.
E um dia que ele engoliu a cabeça de um bonequinho do “Forte Apache”? Ou foi o rabinho de um
cavalo? Não lembro exatamente o que foi que ele engoliu, mas lembro do problemão que foi. Ele
engasgou, e acho que ele não sabia tossir, ou era burrinho demais para isso, ou estava só de implicância
comigo, sei lá. Minha mãe veio correndo porque eu gritei lá do meu quarto: “Mãe, o Augusto engoliu
uma coisa aqui e tá ficando roxo, mas eu não dei nada pra ele comer; ele é que pegou, esse burro. Eu
falei praele não comer mas ele comeu assim mesmo. Mas não fui eu não, viu, mãe?” Não adiantou
nada. Fiquei uma semana sem poder brincar com o “Forte Apache” por causa dele. E olha que ele nem
morreu nem nada.
[...]
Até que tinha um ar interessante, o meu irmão mais novo. Os cabelos muito pretos, muito lisos,
caindo-lhe sobre os olhos. Que eram enormes, com cílios longos como os das meninas. Um rosto
radiante, o tempo todo. Um corpo miúdo, mas socado. Bisbilhotava tudo, sempre de orelha em pé.
[...]
— Como foi que eu nasci?
— Hein?
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— Como foi que eu nasci? Quero saber...
Então era isso. Viu os cachorrinhos e ficou curioso. Era
a minha oportunidade.
— E eu sei lá! Nem mamãe sabe.
— Como que mamãe não sabe? Eu não sou filho dela?
— Olha, cara, acho melhor você conversar isso com
ela. Depois, sabe, não era pra você saber, não era pra
te contar nada...
— Contar o quê?
— Bem, na verdade, você não é irmão-irmão,
da gente. Você é irmão, assim, por acaso.
— É?
— É.
— Conta...
— Um dia estava chovendo demais. Era de
tarde mas parecia de noite. Tudo preto, sabe? Re-
lâmpago, trovão, enxurrada que parecia um rio
e...
— O que é enxurrada?
— Mas é besta mesmo... Enxurrada, cara: aquele
tantão de água que escorre pela rua quando chove. Lem-
bra outro dia, a gente ficou sentado no meio-fio lá de casa,
com o pé numa água que descia a rua... Fizemos barquinho
com formiga dentro, lembra?
— Lembro.
— Aquela água chama enxurrada.
— Ah...
— Pois como eu estava contando, chovia. E fez enxurrada. Mamãe
tinha saído pra comprar pão, eu acho. Quando ela vinha voltando, viu uma coisa que parecia uma
gente, descendo pela enxurrada. Esperou chegar mais perto... Sabe o que era?
— ...
— Era você. Todo sujo, fedendo. Magricela. Aí ela ficou com pena e pegou você. Disse pra gente:
“Achei esse neném na enxurrada, tadinho! Vamos cuidar dele como se fosse da família”. Nós também
ficamos com dó de você e resolvemos te tratar como irmão de verdade... Foi assim.
— ...
— Tá chateado? Liga não. Até que a gente gosta de você, mesmo sendo irmão de enxurrada.
— ...
Tump, tump, tump... Passávamos pela esquina onde havia uma padaria. Sempre havia alguns ami-
gos por lá comendo maria-mole. Maria-mole é horrível, mas vinha com revolvinho de plástico ou
estrela de xerife, grudados nela. Estavam lá, três amigos meus, encostados na guarita alaranjada dos
motoristas de ônibus.
— Olha, o “pouca-sombra”!
— E aí, já deu uns tapas nesse porcaria?
Zombavam do meu irmão mais novo. Achavam, com certeza, que eu iria rir também.
Me aproximei, tranqüilo, um sorrisinho safado no rosto. Meu irmão, quieto, cabeça baixa. Eles, os
caras, falavam outras gracinhas. Fui chegando, chegando... Dei um tapaço no primeiro que alcancei.
Ele saiu catando cavaco e caiu de cara no chão.
— Ninguém se mete com o meu irmão mais novo, tá falado? Quem se meter com ele vai se ver
comigo. Zero a zero?Po
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Resposta pessoal. Sugestão: Pela linguagem que apresenta, deve ser um pré-adolescente, em torno de 12 anos.
Provavelmente porque, pelo fato de ser peque-
no, despertava-lhe a curiosidade, requeria cui-
dados, porque era frágil, indefeso.
Amor, ternura, carinho, afeto.
Ciúme, dor-de-cotovelo, raiva.
 Porque ele acha que a mãe dá um tratamento especial ao irmão e, por causa dele, o
castiga sem necessidade, sem que ele mereça.
Sim; porque ele maltratava o irmão (tropeçava nele, deixava-o engolir coisas, inventou que ele era adotivo), mas sentia-se injustiçado
quando ouvia sermões e era castigado.
O sentido de companheirismo, de ami-
zade. São irmãos nas brincadeiras.
 Ele defende Augusto das gracinhas dos colegas.
Na verdade, ele gosta do irmão, admira-o, acha-o interessante, é seu parceiro nas brincadeiras e, principalmente, é seu irmão.
Respostas esperadas: Porque, pelo fato de o irmão tê-lo defendido diante dos amigos, ele não acreditou na história de ser adotivo; ou
porque amava o irmão mais velho e não queria ver a mãe castigando-o; etc.
Silêncio. Continuamos andando pra casa. Meu irmão mais novo, calado. Eu, calado. A merendeira:
tump, tump, tump...
Ele não contou a história da enxurrada para minha mãe.
(Murilo Cisalpino. In: Ricardo Ramos et alii. Irmão mais velho, irmão
mais novo. São Paulo: Atual, 1992. p. 64-71.)
nhenhenhém: falatório interminável; resmungo.
tatibitate: modo de falar trocando certas consoantes.
esgoelar: gritar forte.
implicância: má-vontade, birra.
bisbilhotar: investigar com curiosidade, examinar.
por acaso: casualmente, acidentalmente.
meio-fio: fieira de pedras que serve de remate à calçada.
catar cavaco: perder o equilíbrio, seguindo para a frente
com o corpo curvo e as mãos quase tocando o chão.
merendeira: cesta ou maleta para merenda, lancheira.
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Quem nos narra a história é o irmão mais velho.
Que idade provavelmente ele tem? Justifique sua resposta.
2. No início do texto, o irmão mais velho descreve o irmão mais novo como “coisica”, “montinho”,
“uma sementinha viva”.
a) Por que, na sua opinião, ele ficava horas olhando-o no berço?
b) Que tipo de sentimento, provavelmente, ele sentia pelo irmão?
3. A partir do segundo parágrafo do texto, o menino passa a chamar o irmão de “pancada”, “um saco”,
“meleca”, “bostinha” e “burro”.
a) Que sentimento, na sua opinião, o irmão mais velho revela, agora, em relação ao irmão mais novo?
b) Por que seu sentimento mudou?
4. Sempre que um irmão sente ciúme do outro, achando que está em segundo plano quanto ao carinho
dos pais, a tendência é ele ver a situação de modo exagerado e se fazer de vítima.
Você acha que esse é o caso do irmão mais velho? Por quê?
5.No final da história, o comportamento do irmão mais velho surpreende o leitor.
a) Qual é esse comportamento?
b) Na sua opinião, qual é a razão dessa mudança de comportamento?
6. O irmão mais novo não conta à mãe a história da enxurrada.
Por que, na sua opinião, ele escondeu essa história de irmão de enxurrada?
7. Augusto é irmão legítimo. Mas, ao mesmo tempo, no sentido figurado, do irmão mais velho ele é
também um “irmão de enxurrada”: “[...] Lembra outro dia, a gente ficou sentado no meio-fio lá de casa
com o pé numa água que descia a rua... Fizemos barquinho com formiga dentro, lembra?”.
Que sentido tem a expressão “irmão de enxurrada” nesse contexto? Po
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Com a intenção de exprimir o afeto e o
carinho que sentia pelo bebê.
Com a intenção de expressar a raiva, o desprezo e o ciúme que sentia do irmão mais novo.
coisa
mãos
boneco
titicas
coitado
rabo
revólver
sorriso
graça
pequenas, miúdas; muito magro
pãozinho,
pãezinhos
pezinho
irmãozinho
moveizinhos
bercinho
amiguinho
lisinhos
sujinho
O significado de “de verdade”, “de fato”, “mesmo”,
“pra valer”.
Respostas possíveis: Para não ser muito categórico ou muito frio; para criar expectativa; para aguçar a curiosidade, etc.
gugu, dadá: a língua dos bebês; tump, tump, tump: o som de alguma coisa batendo em outra no interior da lancheira, ou
a lancheira batendo na perna do menino.
■A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Há, no texto, substantivos e adjetivos no diminutivo. Empregamos o diminutivo para:
• indicar a diminuição do tamanho de um ser; ou
• exprimir o que sentimos, seja afeto, carinho, saudade, prazer, seja troça, desprezo, ofensa.
Com que intenção o irmão mais velho emprega:
a) “coisica”, “montinho”, “mãozinhas minúsculas”, “sementinha”?
b) “bostinha”?
2. a) Indique as palavras a que se referem os diminutivos:
coisica titiquinhas revolvinho
mãozinhas tadim, tadinho sorrisinho
bonequinhorabinho gracinha
b) O que significa “minúsculas”? E “magricela”?
3. Dê o diminutivo das palavras:
pão, pães irmão berço lisos
pé móveis amigo sujo
4. Leia o par de frases abaixo:
• “Bem, na verdade, você não é irmão-irmão, da gente.”
• Bem, na verdade, você não é irmão da gente.
a) Que significado a repetição acrescenta à palavra irmão?
b) Por que, na sua opinião, o irmão mais velho optou pela repetição?
5.Há, no texto estudado, duas onomatopéias. Identifique-as e escreva o que elas imitam.
■LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Leia com outros dois colegas o diálogo que há no texto: alguém lê as falas do irmão mais velho, um
colega lê as do irmão mais novo, e outro, a dos amigos, procurando dar às falas a entonação adequada,
isto é, mostrar curiosidade, irritação, zombaria, etc., conforme for o caso.
1. Você também acha que irmão mais novo é “um saco”? Justifique sua resposta.
2. Como é o seu relacionamento com seus irmãos? Em que situações eles são amigos de verdade?
Quando eles têm atitudes que lhe desagradam?
3. Você acha que seus pais tratam de modo diferente você e seus irmãos? Justifique sua resposta.
4. Você gostaria de ser filho único? Por quê? E você, que é filho único, gostaria de ter um irmão? Por quê?Po
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Tema:
Descobrindo quem sou eu
ESTUDO DO TEXTO
CAUSA PERDIDA
[...] naqueles dias tinha chegado na cidade um padre que fora vigário de nossa paróquia anos atrás e
que era, pelo que soube, muito amigo da nossa família — ele é que tinha batizado Chiquinho, meu
irmãozinho. Logo que chegou, Mamãe e Papai foram lá visitá-lo, e então Mamãe convidou-o para
almoçar um domingo lá em casa. O padre aceitou, e aí lembrou-se de umas coxinhas que ele tinha
comido lá em casa num almoço aqueles tempos; e então Mamãe foi logo falando que ele ia comer de
novo aquelas coxinhas. Não haveria nenhum mal nisso; o problema é que para as coxinhas Mamãe
resolveu pegar um galo nosso, o Filó — e foi aí que danou tudo.
Filomeno, que depois passou a ser simplesmente Filó, era de Chiquinho. Era um galo índio que
Mamãe comprara franguinho ainda. Não sei por quê, Chiquinho logo criou afeição por ele; dizia que o
franguinho era dele, tratava dele diariamente, com todo o carinho, levava água e comida, gamou com o
bicho. Não sei se foi por causa de toda essa atenção, o frango logo mostrou que não era um frango
qualquer: tinha inteligência, ou sei lá quê que ele tinha que era igual a inteligência; tinha algo que um
frango comum não tem: ele compreendia e aprendia as coisas. Chiquinho ensinava para ele, e o dana-
do, à medida que crescia, mostrava-se cada vez mais sabido. Por fim, já galo feito, fazia coisas que só
mesmo as pessoas que viam podiam acreditar. [...]
Não vou contar aqui tudo o que ele fazia, mesmo porque quase ninguém iria acreditar. Por exem-
plo: se eu contasse que ele dançava La cumparsita; Chiquinho assobiava, e Filó ia acompanhando.
Isso várias pessoas viram. Era um galo diferente, o Q.I. do bicho devia ser o de um gênio. Dar bom-
dia com a asa, esconder a cabeça, coisas assim eram café pequeno para ele. No duro: às vezes eu
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ficava olhando e me dava até um negócio esquisito, pois não era
normal, um galo que fazia essas coisas não podia ser um galo
normal. Não era com todo mundo que ele fazia, era só com Chi-
quinho. Chiquinho conversava com ele, o galo ficava parado
ouvindo e de vez em quando piscava, torcia a cabeça, sacudia as
penas, arrepiava ou cacarejava; quem via jurava que ele estava
entendendo palavra por palavra — e Chiquinho dizia que ele
estava mesmo. Se tinha um doido ali, era difícil saber quem era;
se o galo ou meu irmão — ou os dois juntos. O fato é que eles se
entendiam e eram amigos.
Além disso, como todo gênio, Filó tinha também suas malu-
quices. Por exemplo: tinha dia que cismava de andar numa perna
só, saltitando; como ele fazia isso não sei, sei que ele fazia. A
primeira vez que Chiquinho viu, pensou que fosse algum machu-
cado, mas examinou e não viu nada, e depois, uma outra hora,
surpreendeu o galo andando normalmente; e de novo numa perna
só. Não tinha explicação: maluquice de gênio. Outra coisa esqui-
sita era ele correr de vez em quando os pintinhos; é como se se
sentisse azucrinado com aquela piadeira o dia inteiro — um gê-
nio como ele ter que suportar isso —, e então explodia, e era uma
folia dos diabos no galinheiro, com pintinho correndo para todo
lado e a galinha aflita, sem saber quem acudia e sem entender o
que dera em Filó.
Uma terceira maluquice — Chiquinho achou que fosse malu-
quice — foi a de ele não sair da casinha, ficar lá dentro quase o
tempo todo, trepado no poleiro, como quem não quer nada, às
vezes até dormindo. [...]
Um dia Chiquinho chegou no galinheiro e encontrou Filó num
canto, abatido, ensangüentado, quase morto — levara uma surra
do outro galo. Acabara o reinado de Filó. Chiquinho, de raiva,
quase matou o outro galo, Mamãe é que chegou a tempo e não
deixou, “que loucura é essa, menino?” “Ele bateu no Filó.” “Filó
já está bom é de morrer, ele não serve mais pra nada.” Os adultos
vivem ferindo à toa as crianças; Mamãe não precisava ter dito
isso, ou, pelo menos, devia ter dito de outro modo.
Poucos dias depois ela dava a notícia. Filó ia ser morto para
fazer coxinha. Confesso que eu mesmo, quando soube disso,
fiquei revoltado. Afinal de contas Filó não era um galo qualquer
e merecia um fim mais digno do que esse de se ver transforma-
do em coxinhas e ser comido entre conversas e risadas alegres
num almoço de domingo.
Existem certas causas que são perdidas desde o começo. São
coisas que não deviam acontecer. Por exemplo: a gente gostar de
um galo. Pois ninguém vai querer vê-lo um dia cozinhando na
panela e transformado em coxinha. No entanto é esse o destino
dos galos, e querer ir contra é, no mínimo, criar um problema
doméstico.
Quando eu falei com Mamãe que a gente podia comprar um
outro galo para as coxinhas, ela deu uma bronca: “Comprar, se nósPo
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Um valor monetário; o galo era um bicho criado para ser comido.
Sim, porque Filó fazia coisas que todo galo faz, como, por exemplo, piscar, bater as asas, arrepiar-se, cacarejar, saltitar,
correr atrás de pintinhos, trepar no poleiro, etc.
Resposta pessoal. Sugestão: O galo ainda tinha valor, era o companheiro do menino, seu animalzinho de estimação.
Resposta pessoal.
temos esse aí no ponto? Ou você quer que a gente deixe o Filó morrer de velhice e doença e depois ser
enterrado, quando ele podia economizar o dinheiro de um bom galo pra coxinha? Vocês acham que seu
pai trabalha pra quê? pensam que nós somos ricos? Chiquinho ainda passa, mas você já é rapaz e devia
compreender isso. Vocês aqui em casa são cheios de coisas; criar tanto caso por causa de um galo velho”.
“Não é um galo velho, Mãe”, eu falei.
“Não é um galo velho como?...”
“A senhora não compreende.”
“Não compreende o quê?...”
Eu cocei a cabeça.
“Vocês só sabem é arranjar problema”, ela encerrou, e foi cuidar do serviço.
Domingo chegou, e ao meio-dia lá estávamos todos à mesa: o padre e nós, com exceção de Chi-
quinho, que se fechou no quarto e não queria sair para nada. E lá estavam as coxinhas — pobre
Filomeno. Eu decidira não comer nenhuma, em sinal de protesto; mas elas estavam tão apetitosas e
os outros comiam com tanto gosto, que acabei não resistindo e comi também; comi quatro. Que Filó
me perdoe.
(Luiz Vilela. O violino e outros contos. São Paulo: Ática, 1989. p. 60-4.)
vigário: padre que substitui o pároco em uma paróquia.
paróquia: a menor unidade de uma diocese, da qualé responsável um padre ou
vigário, chamado pároco.
La cumparsita: o título de um tango, música de origem argentina.
Q.I.: sigla de quociente de inteligência: proporção entre a inteligência de um
indivíduo, determinada de acordo com alguma medida mental, e a inteligên-
cia normal ou média para sua idade.
azucrinado: aborrecido, irritado.
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. A história apresenta duas formas de relacionamento entre as pessoas e o galo. De um lado, o modo
como as crianças — os dois irmãos — se relacionavam com Filó; de outro, como o adulto — a mãe
— via o galo.
a) Para Chiquinho, o que significava o galo?
b) Quem conta a história é o irmão de Chiquinho. Ele também admirava o galo Filó? Justifique sua
resposta.
c) E para a mãe, que valor tinha o galo?
2. O irmão se surpreende com certos comportamentos do galo.
Na sua opinião, há algum exagero nos comentários que ele faz a respeito de Filó? Justifique sua
resposta.
3. Lembrando do comentário que a mãe fez de quando Chiquinho, de raiva, quase matou o outro galo,
o irmão critica os adultos: “Os adultos vivem ferindo as crianças”.
a) Pensando na satisfação de Chiquinho, você acha que o galo não servia mesmo para mais
nada?
b) Você também acha verdadeira a afirmação do irmão de Chiquinho? Justifique sua resposta.
O galo era seu animalzinho de estimação; tratava dele, dava-lhe carinho,
conversava com ele.
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As aspas.
Mamãe (é que) chegou a tempo e não deixou (, dizendo) (e disse):
— Que loucura é essa, menino? (— disse ela).
— Ele bateu no Filó — disse Chiquinho (meu irmão).
— Filó já está bom é de morrer, ele não serve mais pra nada.
Sugere à mãe comprar outro galo.
Aproxima-o do universo do adulto, pois ele agiu com senso prático: já que Filó estava morto mesmo, de que adiantaria
não comer as coxinhas?
4. Quando fica sabendo que a mãe pretende transformar Filó em coxinhas, o irmão se revolta e decide
defender o galo.
a) Com que argumento ele tenta convencer a mãe a não matá-lo?
b) Durante a discussão com a mãe, ele coça a cabeça. O que representa esse
gesto naquele contexto?
c) O que a mãe, na sua opinião, não consegue compreender?
5. A luta dos irmãos para manter Filó vivo cria um “problema doméstico”: de um
lado, os argumentos dos irmãos, baseados nos sentimentos; de outro, os argu-
mentos da mãe, ligados ao senso prático.
a) Normalmente, diante de certas situações da vida, ou agimos de forma práti-
ca, ou de forma emocional. Quando o irmão de Chiquinho afirma: “Existem
certas causas que são perdidas desde o começo”, ele manifesta ter que tipo de
visão da vida: uma visão mais emocional ou mais prática? Justifique.
b) A partir do momento em que a mãe anuncia a morte de Filó, Chiquinho quase
desaparece da história. O irmão, ao contrário, se destaca mais. Por que você
acha que isso aconteceu?
6. O irmão mais velho, então adolescente, em transição para a vida adulta, defendeu Filó até quando pôde.
No entanto, no último parágrafo, teve uma ação surpreendente: comeu quatro coxinhas.
Essa atitude o aproxima mais do universo da criança ou do universo do adulto? Justifique sua
resposta.
■A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Normalmente, as falas das personagens vêm introduzidas por travessões.
Que sinal de pontuação introduz e finaliza as falas das personagens nesse texto?
2. Empregando travessões e fazendo as adaptações necessárias, organize este trecho:
Mamãe é que chegou a tempo e não deixou, “que loucura é essa, menino?” “Ele bateu no Filó.”
“Filó já está bom é de morrer, ele não serve mais pra nada.”
1. A questão em torno da morte do galo revela uma situação familiar — a relação entre pais e filhos.
Se você fosse o Chiquinho, o que faria?
2. Você tem um animal de estimação? Conte para a classe como ele é, quando você o ganhou, de quem,
como seus pais e irmãos o tratam, etc.
3. Você já sofreu por causa de algum animal de estimação? Se isso ocorreu, conte como foi.Po
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INTERPRETAÇÃO
DE TEXTOS
6a. SÉRIE
• Ser diferente
• Heróis
• Viagens
• Viagem pela palavra
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Tema:
Ser diferente
A PIPOCA
Falaram pouco até chegar no morro.
 O caminho que subiam era estreito. O Tuca foi na
frente. Quase correndo. Feito querendo escapar da dis-
cussão que crescia lá dentro dele: um Tuca dizendo que
amigo-que-é-amigo não tá ligando se a gente mora aqui
ou lá; o outro Tuca não acreditando e cada vez mais arre-
pendido da idéia de comer pipoca.
E atrás dos dois lá ia o Rodrigo, querendo assobiar
para disfarçar. Querendo mas não podendo: já estava
botando a alma pela boca de tanto subir.
Quantas vezes, com a luz de tudo que é barraco se
espalhando pelo morro, o Rodrigo tinha escutado dizer:
que bonito que é favela de noite! as luzes parecem estre-
las.
E o Rodrigo ia olhando cada barraco, cada criança,
cada bicho, vira-lata, porco, rato, olhando tudo que
passava: bonito? estrela? cadê?!
•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
Quando chegaram no alto o Rodrigo estava sem fôlego.
O Tuca parou:
— Eu moro aqui. — Entrou.
Só os irmãos pequenos estavam em casa. Quatro. O
Tuca foi apresentando cada um. Os grandes ainda estavam
“lá embaixo se virando”; e a irmã mais velha tinha saído.
— Mas e a pipoca? — o Tuca quis logo saber — ela esqueceu que ia fazer pipoca pra gente?
— Não, — um irmão explicou — ela já fez. Mas ficou com medo da gente comer tudo antes de você
chegar e então guardou ali — espichou o queixo pra uma porta que estava fechada. Fez cara de sabido
e piscou o olho: — A chave tá na vizinha...
Enquanto o garoto falava o Rodrigo ia olhando pro barraco: dois cômodos pequenos, um puxado lá
fora pro fogão e pro tanque, e a tal porta fechada que o garoto tinha mostrado e que devia ser um outro
quarto; ou quem sabe o banheiro? Juntando tudo o tamanho era menor que a cozinha da casa dele; e
eram onze morando ali! e mais a mãe?!
★★★
Uma vez o Tuca tinha contado pro Rodrigo:
“O meu pai era marinheiro. Só aparecia em casa de vez em quando. Um dia não apareceu mais.”
Fu
nd
aç
ão
 P
or
ti
na
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Morro (1933), de Portinari.
Estudo do textoEstudo do texto
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“Ele morreu?”
“Ninguém sabe.”
“E a tua mãe?”
“Ela mora lá com a gente. Mas
quem faz de mãe lá em casa é a minha
irmã mais velha.”
“Por quê?”
“É que a minha mãe... é doente.”
“O que ela tem?”
“Tem lá umas coisas. Mas a minha irmã é a pessoa mais legal que eu já vi até hoje: agüenta qual-
quer barra.”
★★★
Lá pelas tantas o Tuca quis acabar com a discussão que continuava dentro dele:
— Vam’embora, Rodrigo. Você agora já sabe onde eu moro e se quiser aparecer a casa é sua.
— Mas e a pipoca? — o Rodrigo perguntou.
Não precisou mais nada: a criançada desatou a falar na pipoca, a querer a pipoca, a pedir a pipoca.
Uma barulhada! O Tuca ficou olhando pro chão. De repente saiu correndo. Pegou a chave na casa da
vizinha. Abriu a porta que estava trancada.
Era um quarto com uma cama, um armário velho de porta escancarada e uns colchões no chão.
Tinha uma mulher jogada num colchão.
Tinha uma panela virada no colchão.
Tinha pipoca espalhada em tudo.
A criançada logo invadiu o quarto e começou a catar pipoca do chão.
Ninguém ligou pra mulher querendo se levantar do colchão.
O Rodrigo estava de olho arregalado.
O Tuca olhou pra ele. Olhou pra mulher. Olhou pras pipocas sumindo.
— Pronto, — ele resolveu — você não vai comer pipoca do chão, vai? então não tem mais nada pra
gente fazer aqui. — Empurrou o Rodrigo pra fora do barraco. — Agora você jásabe o caminho. Desce
por lá. — Apontou.
O Rodrigo estava atarantado:
— Lá onde?
— Vem! eu te mostro. — E desceu correndo na frente. Num instantinho chegou na curva que ele
tinha mostrado. Respirou fundo. Lembrou do perfume do talco. Olhou pro lado: estava um lameiro
medonho naquele pedaço do morro: tinha chovido forte na véspera e uma mistura de água e de lixo
tinha empoçado ali.
O Rodrigo chegou de língua de fora: o Tuca tinha descido tão depressa que mais parecia um cabrito.
— Pô cara! — ele reclamou — assim não dá. Você quase me mata nessa des...
Mas o Tuca já tinha virado pra ele de cara feia e já estava gritando:
— Não precisa me dizer! eu sei muito bem que não dá. Como é que vai dar pra gente ser amigo com
você cheirando a talco...
— Eu?!
— ... e eu aqui nesse lixo todo. Não precisa me dizer, tá bem? eu sei, EU SEI, que não dá. Você que
ainda não sabe de tudo. Quer saber mais, quer? quer? — Pegou o Rodrigo pela camisa. — Quando a
minha irmã tranca minha mãe daquele jeito é porque a minha mãe já tá tão bêbada que faz qualquer
besteira pra continuar bebendo mais. — Começou a sacudir o Rodrigo. — Você olhou bem pra cara
dela, olhou? pena que ela não tava chorando e gritando pra você ver. Ela chora e grita (feito neném com
fome) pedindo cachaça por favor.
— Me solta Tuca! Po
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— Solto! solto sim. Mas antes você vai ficar igual a mim. — E botou toda a força que tinha pra
derrubar o Rodrigo no lameiro.
••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
[...] E quando sentiu os pés se encharcando se atirou pro lameiro levando o Rodrigo junto. Aí
largou.
O Rodrigo levantou num pulo. Não precisava tanta pressa: ele já estava imundo, pingando lixo.
O Tuca levantou devagar. E de cabeça baixa foi subindo o morro de volta pra casa.
(Lygia Bojunga Nunes. Tchau. 3. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1987. p. 38-42.)
atarantado: aturdido, perturbado, atrapalhado.
■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Tuca e Rodrigo são dois amigos da
escola. Rodrigo, que mora num
luxuoso apartamento, vai conhecer
o barraco do amigo, numa favela.
No 2º. parágrafo do texto, o
narrador se refere ao nervosismo
de Tuca.
a) Que comportamento do menino
mostra seu nervosismo?
b) Por que, segundo o texto, havia
dois Tucas dentro dele?
2. Releia o 5º. parágrafo do texto. Nele
é descrito tudo o que Rodrigo vê.
a) Pela mistura dos elementos enu-
merados, o que se pode dizer das
condições de higiene daquele
lugar?
b) Por que se pode dizer que
Rodrigo, até aquele dia, tinha
sido ingênuo em relação ao
morro?
PROMESSAS DE UM NOVO MUNDO
Esse é o nome do excepcional documentário de Justine
Shapiro, B. Z. Goldberg e Carlos Bolado, um filme im-
pressionante que retrata a vida de sete crianças (israelen-
ses e palestinas) com idade entre 8 e 13 anos, que vivem
em Jerusalém, local de conflitos religiosos.
Apesar das diferenças religiosas e culturais, elas po-
deriam ser amigas?
É o que tentam saber os diretores do filme, conseguin-
do mostrar algo quase impossível: o encontro e a amizade
dessas crianças — sementes de paz para um novo mundo.
Um garoto judeu e um palestino desafiando o ódio e a guerra.
O fato de ele subir o morro correndo, como
se quisesse “escapar da discussão” interior.
Porque Tuca tinha dúvida quanto à opinião de Rodrigo: por um
lado, achava que, se ele fosse amigo verdadeiro, não se importa-
ria; por outro, chegava a se arrepender do convite que havia feito.
Porque nunca tinha visto a miséria do
morro de perto. Talvez tivesse uma “impressão poéti-
ca” do morro, construída pelos sambas, pela tevê ou
pelos quadros que mostram a lua atrás dos barracos.
É um lugar sujo, em que crianças se
misturam a porcos, ratos e cachorros.
3. Com a frase “Uma vez o Tuca tinha contado pro Rodrigo”, o narrador introduz o flash-back
narrativo, isto é, conta fatos que ocorreram no passado. Assim, ficamos sabendo que o pai de
Tuca havia sumido e que a mãe dele era doente.
a) Que tipo de problema tem a mãe de Tuca?
b) Que diferença há entre Tuca dizer “ela mora com a gente” e “a gente mora com ela”?
c) Quem sustenta a casa? Retire do texto um trecho que justifique sua resposta.
d) Quem cuida da organização da casa?
Ela é alcoólatra. “Ela mora com a gente” revela o estado de dependência da
mãe: já não trabalha nem exerce nenhum papel na família.
Os irmãos mais velhos, con-
forme mostra o trecho “Os
grandes ainda estavam ‘lá
embaixo se virando’ ”.A irmã mais velha.Po
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4. Rodrigo é convidado para ir comer pipoca na casa de Tuca; mas a pipoca é apenas uma desculpa
para eles se conhecerem melhor e estreitarem a amizade.
a) Por que Tuca, em casa, fica nervoso e deseja descer o morro antes mesmo de comerem a pipoca?
b) Que sentimento Tuca revela sentir no momento em que abre a porta do quarto?
5. Tuca desce o morro em disparada. Em certo momento, Rodrigo
diz: “assim não dá. Você quase me mata nessa des...”.
a) Provavelmente, do que Rodrigo iria reclamar? Por quê?
b) O que Tuca supôs que Rodrigo estivesse pensando sobre a situação?
c) Por esse episódio, pode-se dizer que a discussão que existia dentro
de Tuca, no começo do texto, continua agora? Por quê?
6. No final do texto, Tuca joga Rodrigo na lama. Um pouco antes, sentira um cheiro de talco no
amigo.
a) A que se associa o talco?
b) A que se associa a lama?
c) Se Tuca vive num ambiente de lama e Rodrigo cheira a talco, por que, na sua opinião, Tuca teria
forçado Rodrigo a cair na lama?
7. “O Tuca levantou devagar. E de cabeça baixa foi subindo o morro de volta pra casa.”
a) O que as expressões devagar e de cabeça baixa revelam quanto ao estado emocional de Tuca?
b) O que você acha que ele devia estar pensando, enquanto subia o morro?
c) E Rodrigo, enquanto voltava para seu apartamento?
8. No contato com Tuca, Rodrigo — um garoto até certo ponto ingênuo — aprendeu muitas coisas.
a) Em algum momento, Rodrigo manifestou preconceito em relação à pobreza de Tuca? Se não, o
que sentiu?
b) Você acha que, depois dessa experiência, os dois vão continuar a ser amigos?
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Releia este fragmento:
“Tinha uma mulher jogada num colchão.
Tinha uma panela virada no chão.
Tinha pipoca espalhada em tudo.”
Observe que o narrador poderia ter escrito “Tinha uma mulher, uma panela e pipoca espalhadas no
chão”, mas o efeito de sentido não seria o mesmo.
a) Que efeitos resultam dessa repetição?
b) Empregando a mesma técnica usada pelo narrador, reescreva a frase seguinte, desdobrando-a em
três frases: “Notei uma mulher, uma criança, a vida no jardim”.
Vergonha, humilhação.
Sim, porque Tuca continua achando que Rodrigo não vai querer ser seu amigo depois de conhecer sua casa e sua família. Professor: É possível que o aluno veja a questão
por outro ângulo e responda que não. Essa resposta é possível, se ele perceber que Tuca, agora, tem quase certeza de que Rodrigo não quer mais ser seu amigo.
Resposta pessoal. Sugestão: Devia estar pensando que Rodrigo não iria mais querer ser seu amigo.
Resposta pessoal. Sugestão: Provavelmente achava estranha a atitude de Tuca e devia estar pensando nas condições de miséria da população do morro e nos
privilégios que ele tem.
Porque Tuca queria que o amigo se sentisse “sujo” como ele se sentia, que conhecesse a miséria e a sujeira
de perto. Professor: É possível que os alunos apresentem dificuldade para estabelecer essa relação, mas devem ser estimulados a fazê-lo. Se necessário, leia o
trecho outras vezes e faça perguntas orais que induzam o raciocínio.
Não, Rodrigo manifestou apenas espanto.
Provavelmente sim, pois Rodrigo em nenhum momento demonstrouestar decepcionado com o amigo. Tuca, por sua vez, provavelmente irá perceber que Rodrigo
gosta dele mesmo depois de conhecer a miséria em que ele vive.
Resposta pessoal. Sugestão: limpeza, perfume, sensação agradável.
Resposta pessoal. Sugestão: sujeira, lixo, mau cheiro, sensação desagradável.
Resposta pessoal. Sugestão: Notei uma mulher no jardim. Notei uma criança no jardim. Notei a vida no jardim.
• ritmo • quebra da seqüência lógica • gradação de idéias • duplo sentido.
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2. Observe as palavras destacadas neste fragmento:
“eu sei, EU SEI, que não dá. Você que ainda não sabe de tudo”
Na 1ª. frase, a autora empregou EU SEI com letras maiúsculas e, na 2ª frase, empregou o pronome
Você com letras do tipo itálico, que são letras ligeiramente inclinadas para a direita. Esses recursos
servem para expressar, na escrita, o modo como falamos, isto é, para indicar se estamos gritando,
falando baixo ou de forma lenta, se estamos enfatizando alguma palavra ou expressão, etc.
a) Leia o trecho em voz alta, procurando exprimir o modo como Tuca deve ter pronunciado essas
palavras.
b) Concluindo, explique por que a autora empregou as maiúsculas e o itálico nessas frases.
3. O texto faz uso de várias expressões da variedade não padrão da língua. Dê o sentido das seguintes
expressões:
• amigo-que-é-amigo • espichou o queixo
• botando a alma pela boca • cara feia
• se virando • pra cara dela
■ LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Desprezando as falas do narrador, leia com um colega as falas das personagens Rodrigo e Tuca a
partir do parágrafo que se inicia com “— Pô cara!” até a última fala. Durante a leitura, enfatizem o
espanto de Rodrigo e dêem cada vez mais ênfase às palavras de Tuca, a fim de mostrar seus sentimentos
conflituosos de raiva, vergonha e insegurança.
1. O texto narra a amizade entre um menino pobre e um menino rico.
a) Você já teve alguma experiência desse tipo ou conhece alguém que tenha passado por isso? Em
caso afirmativo, conte como foi.
b) E os adultos de sua casa, o que pensam
sobre esse tipo de relacionamento?
c) Você acha que as diferenças entre ami-
gos — sejam elas sociais, raciais, culturais
— dificultam a amizade?
2. Coloque-se no lugar de Rodrigo e depois
no de Tuca.
a) Como Rodrigo, você teria coragem de ir
ao barraco de Tuca? Como agiria dian-
te do comportamento do amigo?
b) Como Tuca, você também sentiria vergonha
da situação de pobreza? Como teria agido?
U
ni
ve
rs
al
Trocando idéias
As maiúsculas indicam que a personagem gritou ou falou alto; o itálico indica que ela enfatizou a palavra ao pronunciá-la.
amigo verdadeiro
cansado
arranjando dinheiro
mostrou
para o rosto dela
bravo
SAPATILHAS OU LUVAS DE BOXE?
Você já pensou no preço que se paga por ser diferente?
Billy Elliot, personagem do premiado filme inglês que
tem esse mesmo nome, é um garoto que descobre por
acaso o gosto pelo balé e acaba se tornando, mais tarde,
um renomado bai-
larino. Para isso,
tem de pagar um
alto preço, como
lutar contra o pre-
conceito de várias
pessoas, inclusive
o de seu pai.
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104
Estudo do textoEstudo do texto
Tema:
Ser diferente
O NARIZ
Era um dentista respeitadíssimo. Com seus quarenta e poucos anos, uma filha quase na faculda-
de. Um homem sério, sóbrio, sem opiniões surpreendentes, mas de uma sólida reputação como
profissional e cidadão. Um dia, apareceu em casa com um nariz postiço. Passado o susto, a mulher e a
filha sorriram com fingida tolerância. Era um daqueles narizes de borracha com óculos de aros pretos,
sobrancelhas e bigodes que fazem a pessoa ficar parecida com Groucho Marx. Mas o nosso dentista não
estava imitando o Groucho Marx. Sentou-se à mesa de almoço — sempre almoçava em casa — com a
retidão costumeira, quieto e algo distraído. Mas com um nariz postiço.
— O que é isso? — perguntou a mulher depois da salada, sorrindo menos.
— Isto o quê?
— Esse nariz.
— Ah, vi numa vitrina, entrei e comprei.
— Logo você, papai...
Depois do almoço ele foi recos-
tar-se no sofá da sala como fazia
todos os dias. A mulher impa-
cientou-se.
— Tire esse negócio.
— Por quê?
— Brincadeira tem hora.
— Mas isto não é brinca-
deira.
Sesteou com o nariz de
borracha para o alto. Depois
de meia hora, levantou-se e
dirigiu-se para a porta. A
mulher interpelou:
— Aonde é que você vai?
— Como, aonde é que eu
vou? Vou voltar para o consultó-
rio.
— Mas com esse nariz?
— Eu não compreendo você —
disse ele, olhando-a com censura
através dos aros sem lentes. — Se fosse
uma gravata nova, você não diria nada.
Só porque é um nariz... Po
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105
— Pense nos vizinhos. Pense nos clientes.
Os clientes, realmente, não compreenderam o nariz de borracha. Deram risada: (“Logo o senhor,
doutor...”), fizeram perguntas mas terminaram a consulta intrigados e saíram do consultório com dúvidas.
— Ele enlouqueceu?
— Não sei — respondia a recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos. — Nunca vi “ele” assim.
Naquela noite, ele tomou seu chuveiro, como fazia sempre antes de dormir. Depois, vestiu o pijama
e o nariz postiço e foi se deitar.
— Você vai usar este nariz na cama? — perguntou a mulher.
— Vou. Aliás, não vou mais tirar este nariz.
— Mas, por quê?
— Por que não?
Dormiu logo. A mulher passou a metade da noite olhando para o nariz de borracha. De madrugada
começou a chorar baixinho. Ele enlouquecera. Era isto. Tudo estava acabado. Uma carreira brilhante,
uma reputação, um nome, uma família perfeita, tudo trocado por um nariz postiço.
— Papai...
— Sim, minha filha.
— Podemos conversar?
— Claro que podemos.
— É sobre esse seu nariz...
— O meu nariz, outra vez? Mas vocês só pensam nisso?
— Papai, como é que nós não vamos pensar? De uma hora para outra, um homem como você
resolve andar de nariz postiço e não quer que ninguém note?
— O nariz é meu e vou continuar a usar.
— Mas por que, papai? Você não se dá conta de que se transformou no palhaço do prédio? Eu não
posso mais encarar os vizinhos, de vergonha. A mamãe não tem mais vida social.
— Não tem porque não quer...
— Como é que ela vai sair na rua com um homem de nariz postiço?
— Mas não sou “um homem”. Sou eu. O marido dela. O seu pai. Continuo o mesmo homem. Um
nariz de borracha não faz nenhuma diferença.
— Se não faz nenhuma diferença, então por que usar?
— Se não faz diferença, por que não usar?
— Mas, mas...
— Minha filha.
— Chega! Não quero mais conversar. Você não é mais meu pai!
A mulher e a filha saíram de casa. Ele perdeu todos os clientes. A recepcionista, que trabalhava
com ele há 15 anos, pediu demissão. Não sabia o que esperar de um homem que usava nariz
postiço. Evitava aproximar-se dele. Mandou o pedido de demissão pelo correio. Os amigos mais
chegados, numa última tentativa de salvar sua reputação, o convenceram a consultar um psiqui-
atra.
— Você vai concordar — disse o psiquiatra depois de concluir que não havia nada de errado com
ele — que seu comportamento é um pouco estranho...
— Estranho é o comportamento dos outros! — disse ele. — Eu continuo o mesmo. Noventa e
dois por cento do meu corpo continua o que era antes. Não mudei a maneira de vestir, nem de
pensar, nem de me comportar. Continuo sendo um ótimo dentista, um bom marido, bom pai,
contribuinte, sócio do Fluminense, tudo como antes. Mas as pessoas repudiam todo o resto por
causa deste nariz. Um simples nariz de borracha. Quer dizer que eu não sou eu, eu sou o meu
nariz?Po
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agem que os meninos estão.
a) Como você acha que é esse local?
b) O que você imagina que eles foram fazer nesse local?
c) O que pode ter acontecido?
5. Nas pinturas de Norman Rockwell, é comum haver animais ao lado de crianças. O que você acha
que o cão representa nesse quadro? Representa fidelidade, companheirismo.
6. O que você acha que vai acontecer com esses meninos, depois dessa cena?
7. Você já passou por uma experiência semelhante à dos meninos, isto é, já fez algo proibido? Se sim,
o que você sentiu na ocasião? Que desfecho teve a situação? Conte para os seus colegas.
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12
DE LH NA I MAGEM
Tema:
Descobrindo quem sou eu
A governanta (1739), de Jean-Baptiste Siméon Chardin. Po
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Há certo luxo nas roupas:
são feitas de bons tecidos,
bem cortadas; ambos es-
tão bem calçados; a gover-
nanta usa uma espécie de
touca e escova o chapéu
de veludo do menino.
As cartas, a raquete e a peteca pertencem ao menino; a cesta de costura e o novelo de lã, à governanta.
Provavelmente, em alguns momentos, eles jogavam cartas e tênis; em outros, o menino brincava sozinho,
enquanto a governanta bordava ou costurava.
Para a escola.
Representa a segurança, a
certeza e a firmeza, quali-
dades esperadas daqueles
que se propõem a ensinar
e a formar.
13
No século XVIII, época em que esse quadro foi produzido, as famílias mais ricas contratavam uma
governanta para cuidar das crianças e, principalmente, educá-las. Assim, ela exercia, ao mesmo tem-
po, os papéis de mãe e de professora.
1. Observe as roupas e o penteado das duas personagens.
a) Que aspectos comprovam que elas pertencem a uma classe social privilegiada?
b) Quem se veste de forma mais estranha para os padrões de hoje: o menino ou a governanta? Por
quê? O menino, porque usa vestido, roupa que, atualmente, só as meninas usam.
2. No plano inferior do quadro, vemos alguns objetos no chão.
a) Que objetos pertencem ao menino? E à governanta?
b) O que, provavelmente, os dois faziam durante o dia, além de estu-
dar?
3. O quadro estabelece uma oposição de idéias a partir de dois pares
de elementos: livro e brinquedos, de um lado, e fechamento e
abertura, de outro. O livro — que representa o conhecimento
formal, oferecido pela escola — se opõe aos brinquedos, que re-
presentam o mundo lúdico (de jogos e prazeres) da infância. O
ambiente particular e fechado da família se opõe à abertura da
porta.
a) O menino está segurando um livro embaixo do braço. Portan-
to, para onde ele deve estar indo?
b) Considerando que a casa e o ambiente familiar representam a
infância e a proteção da família, o que a porta aberta representa
para o menino?
4. Observe os objetos na mão da governanta e as expressões do
rosto dela e do rosto do menino. Note também que os dois pare-
cem conversar.
a) Na sua opinião, o que a governanta está fazendo com o chapéu e
a escova?
b) O que provavelmente ela está dizendo a ele?
c) O menino está com os olhos e a cabeça voltados para baixo. O
que isso revela quanto ao seu relacionamento com a gover-
nanta?
5. Em pintura, as linhas e as cores têm significados especiais. Por exemplo: o vermelho (do encosto da
cadeira da governanta) é uma cor forte, que geralmente transmite a idéia de firmeza, de certeza. Já
o azul (cor usada na fita do cabelo e nos detalhes do casaco do menino) é uma cor que normalmen-
te sugere fragilidade, insegurança.
Associando o vermelho à governanta e o azul ao menino, responda:
a) O que a governanta representa em relação à formação e à educação do menino?
b) Como o menino provavelmente se sente em relação ao futuro?
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LEITURA DE IMAGEM
6a. SÉRIE
• Ser diferente
• Heróis
• Viagem pela palavra
PL-Miolo Leitura 8/8/06, 4:33 PM44
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Tema:
Ser diferente
As meninas (séc. XVII), de Diego Velázquez. Po
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Estão ali há algum tempo, como se comprova pelo cão adorme-
cido.
✗
✗
O rei e a rainha.
Deve ter ido falar com os pais ou vê-los posando para o pintor.
A cruz, que está no peito de Velázquez.
Porque o pintor retrata o processo de criação da pintura.
Resposta no final da página.
15
1. O quadro tem como figura central a menina loira, Margarida, filha do rei Filipe IV, da Espanha.
Apesar disso, alguns especialistas afirmam que a luz é a principal personagem do quadro. Observe
as sombras e também as áreas de menor e maior iluminação do quadro. Além da porta do fundo, de
que outro ponto ( janela, porta) vem a luz que ilumina as figuras centrais do quadro? Justifique.
2. Observe as várias personagens da tela e o que elas estão fazendo.
a) Esse quadro expressa uma idéia de dinamismo ou de estagnação (ausência de movimento)?
Justifique.
b) Observe as personagens que estão à frente do quadro. É possível dizer que acabaram de chegar
ou que já estão ali há algum tempo? Justifique.
3. A infanta Margarida tinha apenas 5 anos quando foi retratada nessa tela. Observe a expressão de
seu rosto. Qual destes itens traduz melhor o que ele expressa?
• coragem e firmeza • fragilidade e delicadeza • firmeza e delicadeza
4. Até o século XIX, a criança não era vista como um ser humano em desenvolvimento, mas como um
miniadulto. Que traços das roupas das meninas comprovam essa informação?
5.Entre as personagens que fazem parte do quadro, uma se destaca por ser diferente. É Mari-Bárbola (à
direita da tela), a anã preferida da corte. Seus traços são grosseiros e, mesmo sendo adulta, é pouco
maior que uma criança de 5 anos. Compare o rosto e o vestido da anã com os da infanta. Em seguida,
identifique, entre os itens abaixo, o que traduz melhor o papel da anã no quadro:
• demonstrar quanto os anões eram valorizados naquela corte
• demonstrar quanto a infanta era pequena
• realçar, por contraste, a beleza e a delicadeza da infanta, com suas vestes claras e seu rosto
angelical
6. À esquerda do quadro, notamos a figura do próprio pintor Velázquez, que está pintando uma enor-
me tela. Observe que ele não está olhando a infanta, mas sim um ponto que está à frente do quadro,
isto é, a posição em que nós ficamos quando olhamos para o quadro. Mas é possível saber quem
está nesse ponto: ao fundo do quadro há um espelho e, nele, está refletida a figura dos pais de
infanta. Então conclua:
a) Quem provavelmente a personagem-pintor Velázquez está pintando na situação retratada pelo
quadro As meninas.
b) Unindo todas as informações anteriores, na sua opinião o que o pintor Velázquez retrata com seu
quadro?
7. Se a infanta não estava posando para Velázquez, então o que ela provavelmente foi fazer nesse
aposento?
8.O quadro faz duas referências à religião, sinal de que, na época, a Igreja exercia forte influência
sobre o rei. Uma das referências é a presença de dois religiosos, que conversam atrás das
meninas. Tente localizar a 2a. referência à religião ou à Igreja.
9. Por que se pode dizer que o quadro As meninas é o retrato da própria pintura?
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PL-Miolo Leitura-Aluno 8/8/06, 4:40 PM15
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DE LH NA I MAGEM
Tema:
Ser diferente
Campeão de bolinha de gude (1939), de Norman Rockwell. Po
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Não.
De bolinha de gude.
Por meninos.
Vazio.
Vazio.
Completamenteal
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PL-Miolo Interpretação 6ª-Aluno 8/8/06, 3:23 PM105
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Não, as pessoas só levavam em conta seu papel social.
A sociedade valoriza a aparência e pouco se importa com o que cada um pensa ou sente.
Gradação crescente.
A partir do momento em que percebem não se tratar apenas de uma brincadeira comum.
X
■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. A crônica discute vários aspectos da vida social moderna; contudo, um deles se destaca. Das pala-
vras seguintes, qual traduz o assunto central do texto?
• comportamento • moda • casamento • beleza
2. As três frases a seguir expressam a reação da esposa e da filha diante do comportamento do dentista:
“Passado o susto, a mulher e a filha sorriram com fingida tolerância.”
“— O que é isso? — perguntou a mulher depois da salada, sorrindo menos.”
“A mulher impacientou-se.”
a) De uma frase para outra, nota-se que o narrador, para demonstrar o processo de irritação da
esposa e da filha, empregou o recurso da gradação. Esse recurso consiste em criar um movimen-
to crescente ou decrescente, que acontece aos poucos, em graus. Comparando as partes destaca-
das nas frases, observa-se uma gradação crescente ou decrescente?
b) A partir de que momento o comportamento bem-humorado da mãe e da filha começa a se
modificar?
3. Observe esta descrição que o narrador faz do dentista:
“Era um dentista respeitadíssimo. [...] Um homem sério, sóbrio, sem opiniões surpreendentes, mas de
uma sólida reputação como profissional e cidadão.”
Compare-a, agora, com estes pensamentos da esposa:
“Uma carreira brilhante, uma reputação, um nome, uma família perfeita”
a) Em algum momento esses fragmentos demonstram os sentimentos e desejos do dentista como
pessoa? Justifique.
b) De acordo com o texto, o que é mais importante para a sociedade: o que o indivíduo realmente é
ou o que ele parece ser?
Be
tt
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an
n/
C
or
bi
s
reputação: fama, renome.
repudiar: rejeitar, repelir.
sestear: fazer a sesta, descansar, cochilar
OS IRMÃOS MARX
Quatro comediantes ameri-
canos, os irmãos Marx, fizeram
grande sucesso na música e no
cinema. Groucho Marx (1895-
1977), o que teve uma carrei-
ra mais duradoura no cinema,
usava bigode e sobrancelhas
pretos e espessos. Seus ócu-
los pesados destacavam ain-
da mais o nariz avantajado.
— É... — disse o psiquiatra. — Talvez você
tenha razão...
O que é que você acha, leitor? Ele tem razão?
Seja como for, não se entregou. Continua a usar
nariz postiço. Porque agora não é mais uma
questão de nariz. Agora é uma questão de prin-
cípios.
(Luis Fernando Verissimo. O nariz e outras crônicas.
São Paulo: Ática, 1994. p. 73-6.)
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107
Entre outras possibilidades, porque quer explicitar que tem
consciência de que está empregando uma construção gra-
matical que foge à variedade padrão. Ou porque talvez quei-
ra dar uma entonação especial ao pronome, o que seria difí-
cil com o emprego do oblíquo.
Nunca o vi assim.
Porque quer ressaltar que ele não é um homem qualquer, como tantos outros.
Porque, com os definidos, a personagem confirma que é alguém que elas conhecem bem: o marido, o pai.
No superlativo absoluto sintético.
Porque esse grau reforça a idéia de que ele era uma pessoa bem-aceita socialmente, o que é importante para provocar a surpresa
posterior.
4. O mundo do dentista, até o episódio do nariz postiço, resumia-se a dois elementos básicos: a família
(esposa e filha) e a profissão (incluindo aí seus clientes e sua secretária).
a) Que comportamento têm essas pessoas quando ele insiste em agir de modo diferente?
b) De modo geral, tal qual ocorreu no caso do dentista, pode-se dizer que a sociedade reserva um
único destino a todos aqueles que ousam ser diferentes. Qual é esse destino?
5. A esposa suspeita que o marido tenha enlouquecido, os amigos o aconselham a procurar um
psiquiatra. O psiquiatra conclui que ele está bem, apesar de apresentar um “comportamento
estranho”.
a) Que argumentos contrários o dentista apresenta diante da opinião do psiquiatra sobre seu com-
portamento?
b) No final da crônica, o narrador afirma que o dentista continua a usar o nariz: “agora não é mais
uma questão de nariz. Agora é uma questão de princípios”. Qual a diferença entre uma questão
de nariz e uma questão de princípios?
6. O dentista diz ao psiquiatra: “Quer dizer que eu não sou eu, eu sou o meu nariz?”. E o psiquiatra
responde: “É... [...] Talvez você tenha razão...”. E o narrador nos propõe uma questão: “O que é que
você acha, leitor? Ele tem razão?”.
Então dê sua opinião: O que é ser diferente? Somos o que somos ou o que parecemos ser?
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Releia estes trechos do texto:
“Era um dentista respeitadíssimo”
“Continuo sendo um ótimo dentista”
a) Em que grau estão os adjetivos respeitadíssimo e ótimo?
b) Considerando as surpresas provocadas pelo dentista, por que o uso desse grau é importante para
caracterizá-lo?
2. Observe o trecho:
“— Não sei — respondia a recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos. — Nunca vi ‘ele’ assim.”
a) Por que o narrador empregou o pronome ele entre aspas?
b) Como ficaria essa frase de acordo com a variedade padrão?
3. Observe o emprego do artigo neste trecho:
“— Como é que ela vai sair na rua com um homem de nariz postiço?
— Mas não sou ‘um homem’. Sou eu. O marido dela. O seu pai. Continuo o mesmo homem.”
a) De acordo com o contexto, por que a personagem empregou o artigo indefinido ao responder à
filha que ele não é “um homem”?
b) Por que, nas frases seguintes, ele emprega o artigo definido?
Com coerência, afirma que pouco mudou: continua quase com a mesma aparência física e cumprindo normalmente suas obrigações de
marido, pai e cidadão.
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Cruzando linguagensCruzando linguagens
Leia este cartum:
(Quino. Déjenme inventar. Barcelona: Lúmen, 1986. p. 63.)
1. O cartum é organizado em nove cenas ou situações. Observe a expressão do homem nas duas
primeiras cenas. O que ele parece estar fazendo? Ele parece estar pensando sobre alguma coisa, buscando alguma idéia. Po
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Porque ele resolveu ser diferente dos outros.
O fato de encontrar muitas outras
pessoas andando como ele.
Ele parece estar decepcionado, triste, conforme a expressão do rosto e a posição
das pernas.
Significa que ela voltou à estaca zero, ou seja, não conseguiu ser diferente.
Isolar a pessoa que se comporta de
modo diferente.
O comportamento diferente pode ser imitado pelas demais pessoas até se tornar um comportamento normal. Professor: Chame a atenção dos alunos para o fato
de que, no cartum, apesar de as demais pessoas passarem a ter o mesmo comportamento do protagonista, este rejeita o grupo e prefere o isolamento.
Resposta pessoal.
Trocando idéias
Em “O nariz”, as pessoas rejeitam o comportamento do dentista; no cartum não há rejeição, pois as pessoas passam a ter o mesmo comportamento do protagonista.
Resposta pessoal.
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2. A partir da 3ª. cena, o homem passa a andar com as mãos.
a) Por que você acha que ele tem esse comportamento?
b) Como ele se sente enquanto tem esse comportamento?
Justifique sua resposta.
c) Que fato o surpreende?
d) Como ele parece se sentir na penúltima cena?
3. Observe que a última cena é igual à primeira. O que isso
significa quanto aos objetivos da personagem?
4. Comparando o cartum ao texto “O nariz”, explique:
a) O que os dois protagonistas têm em comum?
b) Que diferença existe quanto ao modo como as pessoas reagem?
5. Os textos nos permitem concluir que, quandouma pessoa passa a se comportar de modo diferente,
pode haver dois tipos de reação por parte das pessoas que estão à sua volta.
a) Tomando como base o texto “O nariz”, qual é o primeiro tipo de reação?
b) Tomando como base o cartum, que outro tipo de reação pode haver?
6. Tanto o texto “O nariz” quanto o cartum refletem sobre o desejo de ser diferente. Na sua opinião:
a) Essa é uma necessidade de todo ser humano? Por quê?
b) É fácil ser diferente? Por quê?
MALUCO BELEZA
Raul Seixas também discutiu
o tema do comportamento social
em sua canção Maluco beleza. Eis
alguns versos dela: “Enquanto
você se esforça pra ser / um su-
jeito normal / e fazer tudo igual /
Eu, do meu lado, aprendendo a
ser louco / maluco total / na lou-
cura real”.
1. A crônica retrata uma situação extrema de comportamento social diferente. Mas, no dia-a-dia, nas
mínimas coisas podemos notar o preconceito social em relação ao que é diferente, como o uso de
brincos por meninos, o uso de piercings e tatuagens, o uso de cabelos coloridos ou cortados de forma
não convencional, o uso de roupas rasgadas, o indivíduo ser excessivamente gordo ou magro, etc.
Se você já viveu uma situação social desse tipo, conte-a para seus colegas. Caso contrário, discuta:
Você teria coragem de se vestir conforme uma moda completamente diferente daquela que é adota-
da no seu meio social ou pelas pessoas da sua faixa etária?
2. Apesar de haver preconceito social em relação ao que é diferente, alguns
setores da sociedade procuram tirar proveito daquilo que é incomum, ga-
nhando dinheiro com roupas, cortes de cabelo e atividades culturais alterna-
tivos. Nesse caso, o diferente pode até tornar-se uma moda ou um comporta-
mento de grupo. Pense, por exemplo, na moda e no comportamento punk,
heavy metal, etc. Então discuta com seus colegas:
a) O diferente, ao tornar-se igual dentro do grupo, não perde seu caráter
livre e alternativo, virando algo comum e quase obrigatório?
b) É possível sermos realmente diferentes na nossa sociedade? Até que ponto?Po
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Tema:
Ser diferente
Estudo do textoEstudo do texto
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A seguir você vai ler um painel de textos, com depoimentos importantes de pessoas que já viveram
situações relacionadas com o preconceito racial.
O PRECONCEITO RACIAL
TEXTO I
No ano passado, eu passeava num shopping de Curitiba
com a minha mãe, quando gostei de uma blusa.
Entrei na loja. Vi o preço. Era caríssima. Mesmo assim,
quis experimentar.
Mas ninguém me atendia. As vendedoras me olhavam
de cima para baixo.
Olhavam e faziam que não me viam. Fiquei nervosa e
fui embora. Disse à minha mãe o que tinha acontecido.
Decidi, então, voltar. Entrei e contei até dez. Todos conti-
nuavam a me ignorar. Aí explodi. “Será que tenho de abrir
minha bolsa e mostrar o cartão de crédito?” Virei as costas
e saí. A gerente então correu atrás de mim. Tentou me
explicar que não podia adivinhar que eu tinha dinheiro para comprar a blusa. Não quis ouvi-la, não.
Poxa, só porque sou negra não posso ter dinheiro? O preconceito existe, sim. [...]
Cinthya Rachel, 18 anos, a Biba do Castelo Rá-Tim-Bum
(Veja, 24/6/1998.)
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A atriz Cinthya Rachel, vítima de preconceito.
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TEXTO II
Moro num prédio de classe média. Aos nove anos, eu era o único
negro. Três amigos meus viviam chamando meus pais de “Café” e
“King Kong”. Eu me sentia humilhado. O síndico dizia que lugar de
negro era na senzala. Aos onze anos, deixei de freqüentar o playground.
Ficava em casa. Nunca mais brinquei no prédio. Mas não tem jeito.
Se saio na rua cinco vezes, em pelo menos uma sou insultado. No
ano passado, ao voltar do colégio a pé, o motorista de uma Kombi
jogou o carro em cima de mim e gritou: “Vai para casa, macaco”. Na
época em que me isolei dos garotos do prédio, todos os fins de sema-
na meus pais arrumavam programas fora de casa para mim. Num deles fomos à Hípica e decidi apren-
der a montar. Comecei a competir. Em seis anos, ganhei 18 medalhas e 2 troféus. O hipismo me ajudou
a superar o problema do preconceito.
Augusto Modesto, 16 anos, estudante em São Paulo
(Idem.)
TEXTO III
Em 1968, [a atriz Zezé Mota], aos 25 anos, com o Teatro de Arena, estreou uma temporada no
Harlem, reduto dos negros pobres de Nova York. O movimento black power ainda não havia eclodido
com toda a sua força, mas os negros americanos já procuravam substituir o sentimento de humilhação
por um tipo de orgulho barulhento da raça. Zezé apareceu usando uma peruca no estilo chanel —
cabelos lisos, escorridos. “Os americanos perguntaram a Boal (Augusto Boal, diretor do grupo) por que
eu usava um cabelo que não era de negro se eu era negra”, lembra a atriz. Zezé arrancou a peruca. Mas
seus cabelos de verdade continuavam a não ser os de uma negra. Estavam alisados. “Voltei para o hotel,
lavei o cabelo e assumi meu lado negro”, conta. “Foi um batismo.”
Zezé Mota, cantora e atriz
(Idem.)
TEXTO IV
Desde os 12 anos, coloquei na minha cabeça que eu poderia me dar bem no futebol. Era um sonho,
eu sabia. Então, por segurança, estudava para ser torneiro mecânico. Enquanto eu vendia pastéis em
feiras livres, meus dois irmãos capinavam o jardim dos vizinhos. Mamãe oferecia tapetes nas ruas e
papai era gari da prefeitura. A vida era difícil. Refrigerante e frango, só aos domingos. Na escola, como
eu não tinha dinheiro para comprar doces na hora da merenda, meus amigos diziam: “Também, teu pai
é preto e lixeiro”. Até hoje me lembro de um garoto branco, o Marcos. Ele era muito rico para os nossos
padrões, mas era o único que não se incomodava com a minha cor. Era meu melhor amigo. Trocáva-
mos as roupas e ele deixava eu usar as dele, muito mais caras e bonitas do que as minhas. Eu nunca ia
às festas boas do meu bairro. Tinha medo da discriminação. Sei que os grã-finos me olhavam de
maneira diferente, então procurava o povão em bailes funk. Tudo isso era triste para mim, mas a pior
decepção foi quando me apaixonei pela filha de um marinheiro. Ele não admitia vê-la ao lado de um
negro com cabelo black power. E esse racista arruinou tudo.
Marcelo Pereira Surcin, o Marcelinho Carioca, jogador de futebol
(Idem.)
O QUE DIZ A LEI?
A Constituição de 1988
confirma a antiga lei de
1948: “Todos os homens
nascem livres e iguais em
dignidade e direitos”.
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TEXTO V
Nossa raça ficou muito tempo no escuro, mas agora somos uma sensação. A revolução começou pela
estética. O negro, hoje, se acha bonito, se veste melhor. Sou um modelo para os meninos que, como eu,
foram criados na pobreza das periferias. Zelando pela minha imagem, me cuidando, sei que posso melho-
rar a auto-estima dessa garotada e servir de exemplo para eles. Não bebo, não fumo, não curto drogas. [...]
Precisamos crescer com consciência, seguir uma ideologia, promover ações solidárias. Nossos pais eram
aplaudidos quando deixavam a escola para trabalhar. Nossos avós pensavam “que bom, meu filho não é
vagabundo”. Resultado: ficaram burros. Não tínhamos cultura para nos relacionar com o branco, que por
sua vez não sabia como tratar o negro. A minha geração também começou a trabalhar cedo, mas não
largou os estudos. Meus pais sempre disseram que eu devia ser melhor que eles. Que eu tinha de trabalhar
e estudar ao mesmo tempo. Por isso, a luta contra o preconceito é mais eficiente.
José de Paula Neto, o Netinho, vocalista do Negritude Júnior
(Idem.)
TEXTO VI
Numa das aulas de um curso de pós-gradua-
ção, fui incumbida pela professora de observara
apresentação de alguns trabalhos de colegas da sala
e fazer um comentário avaliativo.
Depois de concluída minha exposição, a pro-
fessora comentou: “O debate foi tão intenso que a
‘japoronga’ até arregalou os olhos!”. Nesse momen-
to, me senti paralisada pela crueldade das palavras.
Não consegui fazer nada, a não ser esboçar um
sorriso sem graça e sentar-me quieta. Fui embora
com um sentimento de tristeza tão grande, pen-
sando que mesmo no meio universitário ainda te-
ria que ouvir comentários pejorativos como esse.
Entender que atitudes e palavras como essas,
ainda que sutis, são expressões de preconceito foi
um processo doloroso para mim, que me acompanhou por toda a vida e em todos os lugares.
Cristina Akisino, brasileira, neta de japoneses, pesquisadora iconográfica em São Paulo
■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. No texto I, Cinthya conta a experiência que teve ao querer comprar uma blusa. Releia a explicação
que a gerente deu a Cinthya.
a) Na sua opinião, os funcionários da loja agiriam da mesma forma com uma pessoa branca, mas
vestida com roupas simples?
b) O preconceito manifestado pelas pessoas dessa loja é social, racial ou dos dois tipos?
2. No texto II, Augusto sentia-se humilhado por causa do preconceito que sofria. O hipismo, porém,
mudou a vida dele. Por que você acha que isso aconteceu?
BRASIL: POLIEDRO DE RAÇAS
Veja quanta gente de fora veio fazer parte do
povo brasileiro, entre 1820 e 1950:
• africanos: 4 milhões
• portugueses: 1,7 milhão
• italianos: 1,5 milhão
• espanhóis: 719 mil
• alemães: 295 mil
• japoneses: 243 mil
• ucranianos: 200 mil
• outros: 450 mil
Fonte: Marcelo Duarte. O guia dos curiosos — Brasil.
São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 73.
Provavelmente sim, pois pareceu que o procedimento normal é não atender quem supostamente não tem condi-
ções de comprar.
É primeiramente
social; contudo, pode ser também racial, pois a vendedora, pelo fato de a cliente ser negra, achou que ela não tivesse dinheiro para comprar a blusa.
Resposta pessoal. Sugestão: Porque o esporte melhorou a auto-
estima do garoto, isto é, fez com que visse que ele tinha valor.
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3. A atriz Zezé Mota conta que o contato com os negros americanos,
em 1968, foi para ela uma espécie de batismo. Que sentido tem
essa palavra nesse contexto?
4. No depoimento do jogador Marcelinho Carioca, há exemplos de
pessoas preconceituosas e exemplos de pessoas sem preconceito.
a) Quais são os exemplos de pessoas sem preconceito?
b) De acordo com o texto, a ausência de preconceitos pode apro-
ximar as pessoas? Justifique sua resposta.
c) Pelo que conta o jogador, o preconceito leva a vítima ao isola-
mento? Por quê?
5. De acordo com o depoimento do cantor Netinho, a revolução
entre os negros começou pela estética. Mas o texto acaba revelan-
do outro tipo de revolução.
a) O que o cantor quer dizer com a palavra estética?
b) Qual é o outro fator importante que acabou dando mais condições aos negros de se destacarem
socialmente? Por que ele é importante?
6. Na situação vivida por Cristina Akisino em sala de aula:
a) Você acha que a intenção da professora era magoar a aluna, debochando dela perante a classe?
b) O comentário da professora revela preconceito racial ou não? Por quê?
7. Observe este anúncio
de protetor solar:
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a) Pela imagem do anúncio, pode-se supor que, para o anunciante, a pele dos negros requer cuida-
do tanto quanto a dos brancos? Justifique.
b) Você diria que a imagem do anúncio é preconceituosa ou não? Por quê?
(Claudia, fev. 1996.)
Nos anos 1960-70, o movimento black
power (força negra) marcou em todo o
mundo um momento de valorização
do negro, de sua cultura e de sua bele-
za física. Hoje, embora mais conscien-
te do que antes, a luta contra o pre-
conceito racial continua.
A atriz dá a entender que, a partir dessa experiência, ela se
assumiu como negra, iniciou uma fase nova em sua vida,
agora com uma identidade negra.
Sim, porque a vítima fica com medo de se expor e sofrer novas
agressões, conforme mostra o exemplo das festas de grã-finos do
bairro.
Ele se refere ao reconhecimento da beleza do negro pelo
próprio negro. Antes o negro se depreciava, hoje ele
se acha bonito.
Os estudos, pois, de acordo com o cantor, com cultura o negro fica mais preparado para se
relacionar com o branco e combater o preconceito.
Resposta pessoal.
Sim, porque, além de empregar “japoronga”
— termo geralmente usado de forma pejo-
rativa —, a professora se referiu a características raciais da aluna, sem que houvesse nenhuma necessidade naquela situação. Professor: Se julgar interessante, poderá comentar
com os alunos que os brasileiros de ascendência japonesa são discriminados tanto no Brasil quanto no Japão, já que naquele país eles também não são considerados japoneses.
Sim, porque o protetor solar está próximo das duas crianças.
Não, ao contrário. Ela aproxima uma
criança branca e outra negra e as mostra unidas por gestos de amizade. É como se essa imagem traduzisse o relacionamento ideal entre as raças.
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8. Agora leia estes dados de uma pesquisa a respeito dos negros no Brasil:
(Veja, 24/6/1998.)
a) Compare o depoimento de Netinho aos dados estatísticos anteriores. Esses dados confirmam ou
negam a opinião de Netinho a respeito da importância dos estudos?
b) Considerando que há 7,5 milhões de negros de classe média, que outra razão você apontaria para
que eles passem, cada vez mais, a fazer parte de campanhas publicitárias como a do protetor
solar?
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. No depoimento de Netinho, o cantor emprega a palavra auto-estima.
a) O que significa essa palavra?
b) Compare o sentido das palavras auto-estima, autodidata e autocontrole. Conclua: O que signi-
fica a partícula auto-?
2. Cinthya, em seu depoimento, diz:
“Poxa, só porque sou negra não posso
ter dinheiro?”. A palavra poxa é uma
interjeição, uma classe de palavras que
exprime emoções, sentimentos.
a) Que tipo de sentimento ela expressa
na situação em que foi empregada?
b) Poxa é uma variação de outra inter-
jeição, usada em situações mais for-
mais. Qual é essa outra interjeição?
MORENO É A COR DO BRASIL
Em pesquisa realizada pelo DataFolha, 43% dos en-
trevistados se autodenominam “morenos”. Apenas 6%
se consideram pardos. “Moreno é a cor do Brasil. Nin-
guém gosta de ser chamado de neguinho ou de branqui-
nho”, sintetiza Ézio San, vocalista do grupo de pagode
Os Morenos.
(Folha de S. Paulo, 25/7/1995.)
O que querem Mais escola
No Brasil há 7,5 milhões de negros
de classe média, com renda
conjunta de 46 bilhões de reais.
Suas ambições:
Hoje, a classe média negra tem tempo
de escolarização cerca de três vezes
maior do que o de seus pais.
1º
2º
3º
4º
5º
54% 13%
4%
19%
13%
19%
26%
39%
27%
44%
43%
39%
29%
Primário incompleto
Primário completo
Ginásio completo
Ginásio incompleto
Abrir seu próprio negócio
Ganhar mais dinheiro
Comprar ou trocar de carro
Viajar
Ter casa própria
Pais Filhos
Confirmam. Nos dias atuais, o número de ne-
gros que completam os estudos básicos aumentou, o que permite que mais negros pertençam à classe média e tenham condições de consumo.
Os negros tornaram-se um público consumidor muito importante na última década.
Significa “si mesmo’’. Professor: Depois que os alunos responderem à questão, substitua o prefixo em cada uma das palavras
a fim de tornar mais claro o sentido delas: estimar a si mesmo, estudioso por si mesmo, controle de si mesmo.
Significa estimar a si mesmo.
Puxa.
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Trocando idéias
O quinto.
O sexto.
ONDE ESTÁ A
DESIGUALDADE?
Cavalli-Sforza, um cientista ita-
liano, coletou amostras de sangue
de pessoas de mais de 2 mil luga-
res diferentes do mundo. Anali-
sando o DNA, isto é, o código ge-
nético dessas pessoas, ele desco-
briu que a cor da pele, o tipo de
cabelo e a proporção do corpo são
apenas detalhes. A estrutura gené-
tica humana é idêntica em qual-
quer raça.
Leia o painel a seguir, que contém dados de uma das mais completas pesquisas sobre a questão
racial no Brasil. Mais de 5 mil pessoas foram entrevistadas pelos pesquisadores.
1) Um branco recebe por mês, em média, mais que o dobro do salário de um negro.
2) 70% dos negros estão empregados, mas a metade ganha menos de dois salários mínimos.
3) De cada 100 crianças negras que entram na escola, apenas 4 chegam à universidade.
Entre os brancos, a proporção sobe para 13.
4) 87% de não-negros manifestam algum preconceito contra negros ao responder ao questionário. Mas
só 10% enxergam preconceito naquilo que fazem.
5) 77% dos entrevistados negros dizem estar satisfeitos consigo mesmos e não gostariam de mudar a
aparência.
6) Metade dos negros diz concordar que “negro bom é negro de alma branca”.
(Folha de S. Paulo, 25/1/1995.)
Com base no painel, discuta com seus colegas:
1. Na busca de escolas e de empregos (salários), o ne-
gro sofre grande discriminação. Por essa razão, um
projeto, aprovado em 2002, foi bastante discutido por
políticos e comunidades negras: reservar vagas no tra-
balho e na escola para os negros. Isso daria oportu-
nidades iguais a negros e brancos. O que você acha
dessa medida?
2. O 4º. item do quadro mostra que a grande maioria dos
brasileiros não se considera preconceituosa. Contudo, os
demais itens mostram que há em nosso país um “pre-
conceito discreto”, não tão assumido como nos Estados
Unidos. Você acha que esse tipo de racismo é pior ou
melhor? Por quê?
3. Aos poucos, o negro brasileiro vem se conscientizando da discriminação de que é vítima e de
seus próprios valores culturais. Assim, tem enfeitado seus cabelos crespos (em vez de alisá-los)
e valorizado mais as manifestações culturais afro-brasileiras (como o grupo Olodum, o samba-
reggae, etc.). No entanto, essa conscientização é lenta. Qual dos itens da pesquisa comprova
que:
a) o negro não quer ser igual ao branco fisicamente?
b) o negro ainda não se conscientizou plenamente?
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Tema:
Heróis
ESTUDO DOS TEXTOS
MOCINHO
Os garotos estavam indóceis, à espera do grande mocinho norte-americano, de passagem pelo
 Rio, que prometera ir pessoalmente à televisão. Na calçada, os brinquedos não engrenavam,
ninguém tinha alma para os jogos de todo dia. A proximidade do herói, num ponto qualquer da cida-
de, os punha nervosos e pediam a hora a quem passava, sentindo que o tempo trabalhava de bandido,
em sua lentidão.
À hora anunciada, em casa de Alfredinho, sentaram-se no chão,
diante do aparelho, e toca a suportar anúncio de sabão, de lotea-
mento, de biscoito: sabiam por experiência ser esse o preço que
pagamos pelo prazer das imagens. E sendo maior, aquele prazer
devia ser mais caro.
Afinal o locutor anunciou a chegada do cavaleiro famoso, ídolo
das crianças do mundo inteiro. E o ídolo era simpático, falava
inglês mas tinha outro cavaleiro ao lado para traduzir, só que
viera a pé e foi se sentando, cansado talvez de cavalgar por montes
e vales do Oeste, e de tanta luta contra os maus: ladrões de cavalo,
ladrões de mala-posta, ladrões de tesouro enterrado.
Sentou-se e deram-lhe sorvete, que o herói ingeriu muito delicada-
mente, surpreendendo a todos, cowboys amadores de Copacabana, que
lambiam doze gelados por dia, mas nunca seriam capazes de imaginar que um vaqueiro “legal” gostas-
se de sorvete de café, e o tomasse com modos tão distintos.
E o locutor foi conversando com ele. É verdade que possuía quatrocentos revólveres? Sim, possuía
quatrocentos revólveres, para o gasto. A notícia agradou em cheio ao auditório, e Kleber perguntou
como é que ele podia manejá-los todos de uma só vez, mas Gaúcho mandou-lhe calar a boca.
Alfredinho tinha ares de dono do mocinho e da armaria, e os olhos azuis de Toto prestavam
furiosa atenção.
O locutor pediu licença ao herói para mostrar sua roupa aos telespectadores. E o herói virou figu-
rino: primeiro o chapéu, com fitinha de prata e incrustações de ouro; a gravata curta era revestida em
parte por uma chapinha de prata, onde se empinava um cavalinho também de ouro; na ponta do
colarinho, mais um bocado de metal de qualidade produzia reflexo; na bota, flores vermelhas e folhas
verdes, em relevo no couro; biqueira de prata, com três tachinhas de ouro, e tacão alto, de prata.
Maravilha das maravilhas. Trajes iguais, naturalmente empregando metais menos nobres, seriam ex-
postos à venda na semana seguinte, pois o vaqueiro tem uma fábrica de roupa, só para fabricar o
vestuário de seus amiguinhos que quiserem imitá-lo.
Conversa vai, sorvete vem, o herói tranqüilo, de mais de quarenta anos, respondeu à pergunta sobre
o faturamento da matriz de sua fábrica nos States — coisinha de milhões — e recebeu com benevo-
lência os cumprimentos de um cowboy da praça, este, simples consumidor. Po
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Mauricinho, estirado no tapete, quis perguntar pelo Ga-
tilho, o famoso cavalo do herói e parte integrante do mito,
porém, os outros, mais velhos, explicaram-lhe que não
adianta perguntar de casa, tem de ser no estúdio.
Por que não aparecia Gatilho? Mocinho sem
cavalo é mocinho? Mocinho sentado, tomando
sorvete, mostrando como abotoa e desabotoa ca-
misa, é mocinho?
E os quatrocentos revólveres? Por que ele não
dava ao menos um tiro, de farra? O programa
acabou, os garotos foram saindo sem entusiasmo.
Naquele horário, estavam habituados a ver fil-
mes do herói, em que ele desenvolve bravura,
astúcia e generosidade exemplares. Ali encon-
travam apenas um senhor meio maduro, folhea-
do a ouro e prata, vendendo roupa e refrescan-
do-se com gelados.
Mauricinho, o mais moço, resumiu a impres-
são geral:
— Não gosto de mocinho, gosto é de filme de
mocinho!
(Carlos Drummond de Andrade. ‘A bolsa e a vida’. In: Poesia completa
e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973. p. 1044-5.)
indócil: nervoso, ansioso, irrequieto.
os brinquedos não engrenavam: as brincadeiras não davam certo.
ingerir: engolir.
amador: não profissional, iniciante.
gelado: sorvete.
distinto: educado.
manejar: manipular.
incrustação: revestimento, cobertura.
biqueira: peça metálica colocada na ponta da sola do sapato.
tacão: salto do calçado.
matriz: sede.
States: Estados Unidos.
benevolência: boa-vontade, agrado.
astúcia: esperteza, habilidade para enganar.
mito: conjunto de feitos e elementos que se associam à figura do herói.
(Set, junho 1996.)
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■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. O texto foi escrito numa época em que a televisão ainda não era um meio de comunicação muito
difundido. Pouco se sabia de seu funcionamento e poucas pessoas tinham tevê em casa.
a) Que comportamentos dos meninos comprovam isso?
b) Por que Alfredinho, em certo momento, “tinha ares de dono do mocinho e da armaria”?
2. Do início ao fim da entrevista, os meninos passam por vários estágios de emoção.
a) Como eles se sentem antes de começar a entrevista?
b) E depois da entrevista?
3. O “mocinho” estava no Brasil, no Rio de Janeiro, mas não como o herói do seriado de bangue-
bangue.
a) O que ele veio fazer no Rio?
b) Fica claro que, além de ator, o “mocinho”desempenha outras atividades profissionais. Quais são
elas?
Porque era o dono da casa e da televisão.
Ansiosos, impacientes.
Decepcionados.
✗
Eles todos assistem à tevê na casa de um deles; além disso, Mauricinho (o mais novo) queria perguntar diretamente ao mocinho,
 que aparecia na tevê, onde estava Gatilho.
4. a) O mocinho veio a pé (sem o cavalo), tomava sorvete
delicadamente e fez propaganda de roupas.
 O cavalo Gatilho e, ao menos, um tiro de revól-
ver.
A impressão de um herói cansado e aco-
modado, que não coincidia com a que
tinham do herói da tevê.
a) Porque é no filme
que o mocinho de-
sempenha o seu
verdadeiro papel;
na realidade, o mo-
cinho é apenas um
homem comum.
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PLANET HOLLYWOOD:
DO CINEMA À MODA
A associação de ídolos do cinema a marcas de
roupa também existe nos dias de hoje. Arnold
Schwarzenegger e Demi Moore, dentre outros, cri-
aram a grife Planet Hollywood, com lojas em vá-
rios pontos do mundo. São lojas decoradas com
fotografias de grandes artistas de Hollywood, que
acabam, assim, promovendo moletons, jeans, bo-
nés, etc. No Brasil, também há vários produtos
promovidos por modelos e artistas, como os brin-
quedos, as sandálias e os batons da Xuxa e da
Angélica, as roupas da Luíza Brunet, etc.
4. Os garotos, aos poucos, vão ficando decep-
cionados com o mocinho.
a) Cite, pela ordem em que aparecem, três
fatos que decepcionam os garotos.
b) O mito do herói construído pela tevê es-
tava incompleto. Na visão dos garotos,
faltavam pelo menos dois elementos para
que o mito ficasse completo. Quais são
eles?
c) Que impressão os meninos tinham do
mocinho por esta descrição: “um senhor
meio maduro, folheado a ouro e prata,
vendendo roupa e refrescando-se com
gelados”?
5. Segundo o narrador, “Mauricinho resumiu a
impressão geral” do grupo com esta frase:
“— Não gosto de mocinho, gosto é de filme
de mocinho!”.
a) Por que, na opinião dos meninos, “filme
de mocinho” é melhor do que “mocinho”?
b) Os garotos parecem ter feito confusão entre
dois elementos que sempre envolvem o ci-
nema e a arte em geral. Qual dos pares abai-
xo traduz melhor essa confusão?
• ficção e aventura
• aventura e imaginação
• imaginação e ficção
• ficção e realidade
Lançar uma roupa de sua fábrica.
 A de empresário e a de garoto-propaganda de sua própria empresa.
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enfeitado com ouro
vaqueiro “duro”, corajoso, valente
“pouco”, “apenas” alguns milhões
 “conversa vai, conversa vem”
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Há, no texto, um conjunto de expressões que merecem atenção. Qual o significado das expressões a
seguir, no contexto em que foram empregadas?
a) “folheado a ouro”
b) “vaqueiro ‘legal’ ”
c) “coisinha de milhões”
2. O autor fez um trocadilho com a expressão “conversa vai, sorvete vem”.
a) Qual é a expressão original?
b) Que alteração de sentido provocou esse trocadilho?
3. Releia o 3o. parágrafo do texto. Nele há uma mistura entre a fala do narrador e o pensamento dos
meninos. Identifique o trecho em que se inicia o pensamento dos garotos.
 A expressão original quer dizer “entre uma conversa e ou-
tra”; o trocadilho dá a idéia de “entre um pouco de sorvete e um pouco de conversa”.
1. Leia esta informação:
Affonso Serra, diretor-sócio da ágil e badalada DM9, conta uma história que ilustra a força de
Xuxa nesse mercado: “A Grendene fez uma sandalinha de criança, de plástico, simplesmente
horrorosa. Não vendia. Desesperados, ligaram para nós. A salvação era a Xuxa, pensamos. Pronto,
virou uma sandalinha da Xuxa. Acredite, em um mês a Grendene desovou 2,6 milhões de pares,
todo o estoque. A Xuxa embolsou 150000 dólares pelo comercial e mais uma comissão nas
vendas. Deve ter ganho 1 milhão de dólares em poucos meses.”
(Veja, 5/2/97, p. 94.)
Você acha correto os artistas de tevê e cinema participarem de campanhas publicitárias para promover
produtos de consumo? Por quê?
2.A confusão que os meninos fizeram entre ficção e realidade não é exclusiva das crianças. Você
já ouviu falar em artistas que foram apedrejados na rua porque desempenhavam, em novelas, o
papel de um vilão cruel? Então discuta sobre até que ponto são verdadeiras as afirmações a
seguir:
• O cinema e a televisão podem confundir as pessoas quanto ao que é fantasia e o que é
realidade.
• Programas de grande audiência, como a novela das 8, na tevê, podem influenciar e até alterar o
comportamento e o modo de pensar de um país.
3. Os meninos tinham o “mocinho” como herói, como ídolo.
a) Você também tem ídolos ou heróis? Quais?
b) As pessoas precisam de heróis ou ídolos para viver? Por quê?Po
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Estudo do textoEstudo do texto
Tema:
Heróis
O HOMEM NO TETO
Não me compreendam mal quando falo do Pai. Não é que ele não gostasse do Jimmy, simples-
mente não tinha nenhuma pista para saber qual era a dele. Queria um filho com quem
pudesse discorrer sobre médias de rebates e percentagens de arremesso. Em vez do quê, tinha Jimmy.
Fez o melhor que pôde, nas condições disponíveis. Quer dizer, ele não deixava de ser um pai, não
deixava de pagar pela comida e pelas roupas de Jimmy, dar presentes de aniversário, presentes de
Natal. Era um bom pai, visto por este ângulo. E sempre achava para dizer a Jimmy coisas educativas
do tipo: “Por que você tem que deixar seus desenhos todos espalhados aí pelo chão?” ou: “Dá para
abaixar essa televisão para que ela fique apenas berrando?”. Às vezes chegava a ser um disciplinador
ofensivo, até.
Mas Jimmy não achava que o Pai estivesse a fim de ofendê-lo de caso pensado. Simplesmente ele
não sabia de que outra maneira tratar um filho que ficava desenhando. Os desenhos que seu pai se
queixava de ver todos espalhados pelo chão eram deixados assim por Jimmy de propósito. Jimmy
esperava que o Pai topasse de repente com eles como se estivessem ali por acaso, pegasse a primeira
página e emendasse a leitura das dez ou quinze páginas seguintes, pasmo, estupefato. “Não posso
acreditar que um garoto de dez anos e meio tenha sido capaz de desenhar isto!” eram as palavras que
Jimmy imaginava o Pai dizendo. Palavras que, entretanto, ele nunca disse.
O seu pai que era Indiana Jones teria dito essas palavras. O seu pai que era Indiana Jones estava
sempre a encorajá-lo.
E Jimmy, que não se chamava Jimmy na história por ele inventada, mas Bob, pulou no vazio…
E o seu pai que era Indiana Jones aparou-o na queda.
[…]
Um dia Jimmy surgiu do porão (seu lugar secreto para desenhar quadrinhos) e deu com Lisi mos-
trando algumas produções dele, daquelas mais antigas, realmente antigas, ao Pai. Desenhos que ele tinha
feito mais de um mês atrás e de que se envergonhava. Lisi apontou para uma figura. “Este é você”, disse.
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E o Pai respondeu: “Este não sou eu”, e
Lisi disse: “É sim, e saiu igualzinho”.
Bem, talvez tivesse saído igualzinho,
talvez não, mas era o tipo da tolice di-
zer isso ao Pai. Principalmente quando
Lisi estava querendo provar a ele o que
ela e a Mãe sabiam, mas o Pai não: que
Jimmy era um artista de verdade. Não
era assim que se devia conduzir a coi-
sa. O Pai olhou meio atravessado para
o quadrinho de Jimmy. Ele sabia a apa-
rência que tinha, e decididamente não
tinha nada daquele pateta metido numa
jaqueta de safári. “Meu nariz não tem
esse tamanhão.” O Pai, com desdém,
soltou um riso que saiu justamente pelo
nariz. “Cadê meu queixo?”
Jimmy estava arrasado. […]
Era um erro contar o que quer que
fosse para Lisi. Não era para ela saber a respeito de Indiana Jones. Não era para ninguém saber exceto o Pai, o
Paique iria descobrir tudo espontaneamente quando pegasse os desenhos e dissesse: “Ei, mas o que é isso? Este
cara é igualzinho a mim! Ora vejam só, e eu sou o Indiana Jones!”.
Lisi, no entanto, estragou tudo, porque ninguém se acha parecido com um desenho quando é outra
pessoa que aponta essa semelhança. A semelhança tem que ser notada pelo próprio. Esta era uma das
regras de Jimmy. Jimmy teve vontade de matar Lisi.
Indiana Jones estava liquidado como personagem de histórias em quadrinhos. Isso tinha ficado
absolutamente claro. Ele havia sido um bom herói, talvez mesmo um grande herói. […]
Mas Lisi entregara Jimmy. O Pai deixou sair um riso pelo nariz, de puro desdém. Um riso pelo
nariz! Jimmy repassou a cena em sua cabeça uma dezena de vezes, e de cada vez era como se
morresse. Indiana não podia continuar. Tinha que ser substituído. Mas quem poderia substituir
Indiana Jones?
Jimmy ficou remoendo o assunto nas duas tardes que se seguiram. Foi mais rude do que de costume
com sua irmã menor, Susu.
[…]
Tentou de tudo, nada funcionava. Foi se sentindo cada vez pior, minúsculo e inútil. Chateado e
sem nada melhor para fazer, Jimmy desenhou a si mesmo minúsculo e inútil. Uma lâmpada acen-
deu-se na sua cabeça como acontece nos quadrinhos quando um personagem tem uma idéia. Acres-
centou uma máscara negra e uma capa ao seu personagem minúsculo e inútil. O resultado deixava a
desejar. Transformou a máscara num capuz. Olhou para o personagem que acabava de criar e ficou
arrepiado. Inventara um herói com potencialidade de vir a ser o maior de todos saídos do seu traço.
Tão minúsculo e inútil na aparência, faria os vilões acre-
ditarem que poderiam matá-lo facilmente. Poderiam
pegá-lo, torturá-lo, passar com carros em cima dele,
até com tanques. Mas ninguém, ninguém seria capaz de
derrotar Mini-man!
(Jules Feiffer. O homem no teto. São Paulo: Cia. das Letras,
1995. p.16-23.)
Homem-Aranha.
A MÁSCARA DOS HERÓIS
Será que os super-heróis usam máscaras só para es-
conder sua identidade? A resposta é
não. Elas têm também
outro significado.
Nas culturas primi-
tivas, a máscara ti-
nha sentido simbó-
lico e era usada em
rituais religiosos.
Usar uma máscara
significa assumir a na-
tureza de um deus ou
um espírito.
(Marcelo Duarte. Super-herói:
você ainda vai ser um. São Pau-
lo: Cia. das Letrinhas, 1996. p.
43.)
desdém: desprezo.
estupefato: muito surpreso, pasmo.
rebate e arremesso: jogadas do beisebol.
Procure no dicionário outras palavras que
você desconheça.
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Um garoto que se interes-
sasse por esportes.
A capacidade de desenhar muito bem, o dom de ser artista.
Do material; o papel de pai responsável pelas
necessidades materiais do filho.
Do afetivo; o papel de pai que participa dos interesses do filho.
Segurança, confiança.
O pai de Bob é participante e estimula o filho a confiar nele; o pai de Jimmy, ao contrário, despreza os desenhos do filho e, assim, tira-lhe a confiança.
Apenas com a semelhança física entre ele e Indiana Jones.
O pai representa um herói para o filho, e isso é uma demonstração de amor e carinho, própria da idade de Jimmy.
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■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. O texto apresenta um problema de relacionamento entre Jimmy, protagonista e narrador dessa his-
tória, e seu pai. Um não corresponde à expectativa do outro.
a) Segundo o texto, que tipo de garoto o pai de Jimmy gostaria de ter como filho?
b) Jimmy não tinha as qualidades esperadas pelo pai, mas tinha outras, para ele até mais importan-
tes, que gostaria que o pai percebesse e valorizasse. Quais são elas?
2. O narrador afirma: “[…] ele não deixava de ser um pai, não deixava de pagar pela comida e pelas
roupas […]. Era um bom pai, visto por este ângulo”. Esse trecho permite supor que, para Jimmy,
existiam outros ângulos pelos quais a figura paterna poderia ser vista.
a) De que ponto de vista o pai de Jimmy desempenha bem seu papel?
b) De que ponto de vista o pai de Jimmy falha em seu papel?
3. Apesar desses desencontros, Jimmy ama o pai e chega a colocá-lo como herói em suas histórias em
quadrinhos. Assim, o menino tem em mente duas figuras paternas: o pai real, que é frio e indiferen-
te ao filho, e o pai ideal, o Indiana Jones de suas histórias em quadrinhos. Observe os quadrinhos
que o menino desenhou.
a) Que tipo de sentimento o pai Indiana Jones desperta no filho Bob?
b) Que diferenças há entre o pai Indiana Jones e o pai real de Jimmy?
4. Lisi, a irmã de Jimmy, inocentemente mostra os desenhos do irmão ao pai. O que Jimmy mais desejava
era que o pai os visse com carinho, mas o garoto não fica feliz.
a) Com que o pai mais se preocupa?
b) Apesar de saber que é super-herói de uma história em quadrinhos feita por seu próprio filho, o
pai deixa de reconhecer o mais importante: o significado que ele tem para o garoto. Qual é esse
significado?
POR QUE POPEYE COME
TANTO ESPINAFRE?
Popeye surgiu em 1929 e é considerado o primeiro
dos super-heróis. Para conseguir o amor de Olí-
via Palito, precisa lutar contra Brutus e por
isso se vale dos superpoderes que o es-
pinafre lhe dá. Inicialmente Popeye
não comia a verdura, mas em
1930, após uma campanha médi-
ca que visava estimular as crianças
a comerem alimentos ricos em fer-
ro, ele passou a devorar latas e la-
tas de espinafre.
(Marcelo Duarte, op. cit., p. 12.)
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Minúsculo e inútil.
Foi assim que Jimmy se sentiu perante o comportamento do pai: pequeno, inútil, incapaz de fazer as coisas direito.
Mini-homem.
Jimmy se sente diminuído, tão minúsculo quanto o herói.
Sim, porque Jimmy foi capaz de superar a decepção com a atitude do pai e criou uma nova personagem,
mantendo-se como artista.
a fim de
afins
A fim de
a fim de
afim
Na 1a. frase, o locutor parece espantar-se com a ação de pedir
comida; na 2a., o espanto não se dá em relação a pedir, mas a pedir comida; na 3a. frase, não há espanto em pedir comida, mas em pedir aos vizinhos.
5. Com a decepção que teve, Jimmy fica arrasado. Indiana Jones está morto e é
preciso começar tudo outra vez, de forma diferente, mas ele se sente sem
forças.
Releia o último parágrafo do texto e responda:
a) Jimmy faz um desenho de si mesmo. Como ele se retrata?
b) Que relação tem a forma como ele se retrata com a reação que o pai teve
diante do seu desenho?
6. Projetando sua própria fragilidade no papel, Jimmy cria um novo herói, Mini-man, que possui
semelhanças com seu criador.
a) O que quer dizer Mini-man em português?
b) Que semelhanças físicas há entre os dois?
c) Mini-man não aparenta, mas possui uma grande força interior. Você acha que isso também ocor-
re no caso de Jimmy? Justifique.
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Observe a expressão destacada nesta frase do texto: “Mas Jimmy não achava que o Pai estivesse a
fim de ofendê-lo de caso pensado”. A expressão a fim de significa “com a intenção de”, “com a
finalidade de”. Não se deve confundi-la com o adjetivo afim, que significa “semelhante”, “parecido”,
“que tem afinidade ou parentesco”.
Veja:
Ela e o namorado têm idéias afins. (idéias comuns, semelhantes)
Ela e o namorado estão a fim de ir ao cinema. (com intenção)
A seguir, complete em seu caderno as frases com a fim de ou afim, para
dar coerência às afirmações:
a) Jimmy estava tornar-se um artista.
b) Não tinham gostos , mas mesmo assim Jimmy amava o pai.
c) continuar desenhando, Jimmy inventou Mini-man.
d) Haveria alguém destruir Mini-man?
e) O francês é uma língua do português.
2. No texto se lê: “Às vezes chegava a ser um disciplinador ofensivo, até”. A palavra até, nesse contex-
to, é uma palavra de inclusão e tem o sentido de “inclusive”. Dependendo da posição em queaparece, ela pode alterar todo o sentido da frase.
Observe:
O menino chegava até a pedir comida aos vizinhos.
O menino chegava a pedir até comida aos vizinhos.
O menino chegava a pedir comida até aos vizinhos.
Note que, em todas elas, o locutor manifesta espanto diante do que presencia, mas há diferenças de
sentido.
Com que o locutor mais se espanta em cada uma das frases?Po
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Professor: Se preferir, toda esta atividade poderá ser desenvolvida oralmente.
Cruzando linguagensCruzando linguagens
Leia este cartum, de Quino:
(Provision d´humeur. Grenoble: Glénat, 1984. p. 24.) Po
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Na 2ª cena.
Não.
Sim; o fato de ele se julgar parecido com o homem do desenho significa que ele acha o garoto um bom desenhista.
Resposta pessoal. Professor: Sugerimos abrir a discussão com toda a classe. Se necessário, estimule os alunos com outras perguntas.
Será que o pai do garoto do cartum desejava ser retratado pelo filho como herói? Ou será que ele se sentia um herói para o menino? Por
que será que o pai de Jimmy não conseguia ver-se nos desenhos do filho?
Trocando idéias
1. O cartum de Quino apresenta uma situação parecida com a vivida pelo garoto Jimmy no texto “O
homem no teto”.
a) Qual é essa situação?
b) Aparentemente, que diferença existe entre as intenções de Jimmy e as do garoto do cartum?
2. No texto, Jimmy não gosta quando Lisi conta ao pai que a personagem dos quadrinhos era ele
próprio, o pai. Segundo Jimmy, o pai “iria descobrir tudo espontaneamente quando pegasse os
desenhos e dissesse: ‘Ei, mas o que é isso? Este cara é igualzinho a mim!’”.
Das cinco cenas apresentadas pelo cartum, em qual delas essa situação imaginada por Jimmy
acontece?
3. Compare o homem do cartum à figura que a criança desenha.
a) Eles são parecidos?
b) O homem parece se importar com isso? Por quê? Justifique com elementos da última cena.
c) Na sua opinião, o homem do cartum reconhece qualidades artísticas na criança ou não?
Por quê?
4. Compare as maneiras como os dois homens se comportam em relação aos filhos:
a) Que diferenças existem entre elas?
b) Tomando como base a comparação entre os dois textos, discuta com os colegas: Até que ponto
nosso olhar capta a verdade? Será que vemos as coisas como elas são ou só vemos o que
queremos?
1. O pai de Jimmy era indiferente às realizações do filho. Se você estivesse no lugar de Jimmy, o que
faria?
a) Falaria com ele sobre o assunto?
b) Tentaria chamar a atenção dele de alguma forma?
c) Deixaria as coisas como estavam?
d) Buscaria outras soluções? Quais?
2. Saindo do mundo das histórias em quadrinhos, quem você acha que poderia ser considerado um
super-herói real na cidade, no país ou no mundo em que vivemos? Por quê?
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Tema:
Heróis
Teseu, um dos heróis das histórias antigas que chegaram até nós, era filho de Egeu, rei de Atenas, e
de Etra, filha de Piteu, rei de Trezena. Criado pela mãe, Teseu desde cedo se destacou por sua força e
coragem. Seu desejo era combater bandidos e monstros e, assim, consagrar-se herói, como Hércules,
cuja fama se espalhava por toda a Grécia.
Após sair-se vitorioso de várias situações, Teseu deparou com uma prova muito difícil. O povo
ateniense encontrava-se aflito, pois, todos os anos, Minos, o rei de Creta, exigia que lhe fossem entre-
gues sete moças e sete rapazes para serem devorados pelo Minotauro, monstro com corpo de homem e
cabeça de touro que vivia num labirinto.
Quando chegou a época de sortear e enviar as vítimas, Teseu, desejando pôr fim a essa situação, se
ofereceu para ser uma delas.
Os textos que você vai ler a seguir fazem parte desse episódio. O primeiro retrata o momento
em que as vítimas são recebidas e molestadas por Minos; o segundo, a luta entre Teseu e o
Minotauro.
TESEU CONTRA O MINOTAURO
TEXTO I
— Viemos aqui para morrer, não para
 sermos desonrados!
— Quem é você, que ousa me fazer adver-
tências? — gritou Minos. — Está esquecendo
que sou rei da poderosa Creta? E se isso não
bastar, fique sabendo que sou filho de Zeus,
pois parece que você não sabe!
Em seguida olhou o céu, ergueu os braços
para o alto e gritou:
— Zeus, meu pai, por favor, mostre quem
eu sou!
E então, imediatamente, um raio brilhou
no céu sem nuvens, sinal de que Zeus reco-
nhecia seu filho.
Teseu ficou surpreso, mas nem naquela
hora perdeu sua coragem:
— Se isso tem tanta importância — disse — então eu devo dizer que também sou filho de Possêidon!
Minos não acreditou nele:
— Se você é filho de Possêidon, então poderá me trazer isto aqui de volta!
Estudo do textoEstudo do texto
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E tirou seu anel, lançando-o em seguida, com força,
bem longe, no meio do mar profundo.
Imediatamente, Teseu, dando um mergulho,
desapareceu nas águas profundas. Passou-se
um bom tempo sem que ele reaparecesse. To-
dos diziam que ele devia ter se afogado, e Minos
acrescentou:
— Que pena! O Minotauro vai comer um a
menos!
Porém Ariadne, a filha de Minos, que também
estava entre os presentes, encobriu o rosto e
secretamente enxugou suas lágrimas. Prestara atenção em Teseu desde o primeiro momento, e a ousa-
dia dele a havia comovido. De imediato, um forte amor se aninhou dentro dela enquanto uma flecha de
Eros, o filho alado da deusa Afrodite, trespassava-lhe o coração. Dessa maneira, agora estava sofrendo
com a dor pelo desaparecimento do brilhante e valoroso jovem.
Teseu, contudo, não estava perdido. Assim que mergulhou na água, golfinhos o apanharam e o
conduziram sem demora até o palácio do deus do mar, Possêidon, o Abalador da Terra, irmão de Zeus
e nada inferior em força ao deus que detém os raios em suas mãos.
Em um trono majestoso, que parecia uma imensa concha, sentava-se o deus que governava as
ondas. Ao seu lado estava a belíssima Anfitrite, esposa do eminente deus. Perto deles encontravam-se
Triton e muitas outras divindades marinhas.
Possêidon recebeu Teseu com alegria e, assim que ouviu o porquê de ele ter descido ao seu
reino aquático, ordenou a Triton que corresse para trazer o anel. O deus marinho não demorou a
voltar, juntamente com uma multidão de Nereidas. Uma delas trazia o anel e o entregou a Teseu.
Imediatamente então, Anfitrite colocou sobre os cabelos dele uma coroa de ouro e Possêidon, que
percebera que Teseu não devia se demorar mais, ordenou a Triton e às Nereidas que o conduzis-
sem à praia.
Teseu saiu do mar no momento em que todos se preparavam para
ir embora. De repente, alguém gritou:
— Teseu! Teseu voltou!
Ao vê-lo, Minos não ousava crer em seus próprios olhos! Além
de Teseu não ter se afogado, usava ainda uma coroa na cabeça,
toda de folhas de ouro! Mas o rei de Creta ficou ainda mais sur-
preso quando se aproximou e recebeu dele o anel que havia lan-
çado ao mar. Percebera agora que Teseu não era um mortal co-
mum, e teve medo dele. Por isso, disse ao seu séquito:
— Esse deve ser o primeiro a ser comido pelo Minotauro!
Escutando as palavras de seu pai, Ariadne ficou mortificada.
Tinha pena de todos os rapazes e moças, mas ouvir tais palavras
sobre Teseu era como se um punhal lhe atravessasse o coração.
[...]
(Menelaos Stephanides. Teseu, Perseu e outros mitos. São Paulo: Odysseus, 2000. p. 97-100.)
Então Ariadne, decidida a intervir na sorte de Teseu, foi falarcom Dédalo, o arquiteto que construíra
o labirinto, em busca de ajuda para Teseu. Dédalo, que admirava o heroísmo e a coragem de Teseu e
acreditava na capacidade dele de matar o Minotauro, já havia pensado em uma forma de Teseu voltar a
salvo do labirinto: ele deveria levar consigo um novelo de linha.
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TEXTO II
Com o novelo escondido debaixo do braço, Ariadne correu para encontrar Teseu.
 — Sou filha de Minos — disse-lhe. — Meu nome é Ariadne e, por mais estranho que possa lhe
parecer, não quero que você pereça. Preferiria morrer, se você morresse!
Teseu ficou surpreso. Lembrou-se, contudo, de que havia pedido a ajuda de Afrodite e compreen-
deu prontamente. Olhou Ariadne. Era belíssima, como uma deusa. Admirou a coragem dela, ficou
maravilhado com sua beleza e também se apaixonou por ela de imediato.
— Não vim aqui para morrer — respondeu — e sim para matar o Minotauro!
— Isso ninguém pode — disse Ariadne. — E no entanto algo me diz que você conseguirá... Mas de
qualquer maneira não poderá ver de novo a luz do sol, porque quem entra no Labirinto não consegue
encontrar a saída. Foi por isso que vim vê-lo. Tome este novelo. Quando entrar no Labirinto, amarre a
ponta do fio junto à entrada e siga em frente, desenrolando-o. É a única maneira de você não se perder.
Na volta, enrolando de novo o fio, encontrará a porta. Quero apenas que depois disso você não me
deixe em Creta, pois meu pai poderia até mesmo me matar! [...]
O herói ficou entusiasmado. — Obrigado, grande deusa! disse quando se viu sozinho. E pela ma-
nhã, quando o colocaram no Labirinto, amarrou o
fio na entrada, conforme Ariadne lhe havia dito, e
prosseguiu, desenrolando o novelo. O caminho den-
tro do Labirinto era interminável e inimaginavelmente
confuso. Ora ia por lá, ora por aqui, ora voltava para
trás, depois de novo para frente, e pela direita, pela
esquerda, para cima e para baixo... E assim Teseu
caminhou por muito tempo até que, de repente, onde
menos esperava, viu o Minotauro diante de si!
A luta com a fera imediatamente teve início. O
terrível monstro investia com os chifres contra Teseu.
O jovem herói, porém, muito ágil, foi para o canto
para se proteger, golpeando-o no flanco com a espa-
da. Porém o golpe pouco dano causou ao Minotauro,
que investia mais e mais. Mas sempre Teseu conse-
guia desviar-se das investidas da fera; e assim, não
sofreu nada.
Até que, num dado momento, a fera, visivelmen-
te extenuada, quis tomar fôlego. Teseu, então, não
perdeu a oportunidade. Imediatamente a agarrou pe-
los chifres e com uma força inacreditável atirou-a no
chão e enfiou depressa a espada em seu peito. E esse
foi o seu fim! Não seriam mais necessárias outras ví-
timas para o monstro do Labirinto!
O herói olhou o cadáver do Minotauro, enxugou
o suor da testa e pensou — Agora só me resta encon-
trar a saída. E começou a sair, enrolando de novo o
fio do novelo. E felizmente ele tinha aquele novelo,
porque, ao passo que algo lhe dizia que devia seguir por um lado, o fio o conduzia por outro. E quando
novamente achava que determinado caminho era o certo, o fio seguia por outro. Perplexo, Teseu não
podia entender por que o fio o conduzia por entre passagens tão inacreditáveis, até que, certa hora, viu
de repente a saída diante de si. Po
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— Se não tivesse esta linha, estaria perdido — disse. — Ariadne me salvou!
E eis que a linda moça o esperava na saída. Estava sozinha. Felizmente, Minos não havia se preocu-
pado em colocar sentinelas, pois pensava ser totalmente dispensável.
Chorando de alegria, a filha de Minos caiu nos braços de Teseu. E este não tinha palavras para
agradecer-lhe. Apenas lhe entregou o novelo, o “fio de Ariadne”, como ficou conhecido desde então.
[...]
(Idem, p. 103-5.)
A VERDADEIRA ORIGEM DE TESEU
Havia muitos anos Egeu era casado, mas não conseguia ter filhos com sua esposa.
Desesperado, pede ajuda à feiticeira Medéia, que lhe promete um filho sob algumas condições.
Depois disso, certa noite Egeu vai visitar Piteu,
rei de Trezena, e se embebeda com vinho que o
amigo lhe oferece.
Na manhã seguinte, quando acorda, percebe
que passara a noite com Etra, filha de Piteu, e
acredita que é ela a escolhida para lhe dar um
filho.
De fato, nove meses depois Etra dá à luz Teseu.
Porém a criança era, na verdade, filha de Etra e
Possêidon, deus do mar, pois Egeu realmente não
podia ter filhos.
Afrodite: a deusa do amor, também conhecida como Vênus.
apreensivo: preocupado, receoso.
extenuado: cansado, enfraquecido.
flanco: um dos lados do corpo.
mortificada: atormentada, muito preocupada.
Nereidas: na mitologia grega, ninfas marinhas filhas de Nereu.
Possêidon: o deus do mar, também conhecido como Netuno, responsável pelos
terremotos, motivo pelo qual é chamado de o Abalador da Terra.
perecer: morrer.
séquito: conjunto de pessoas que acompanham outra(s).
trespassar: atravessar, furar.
Zeus: o pai dos deuses e dos homens, também conhecido como Júpiter ou Jove.
Procure no dicionário outras palavras que você desconheça.
■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. As ações e atitudes de Teseu demonstram que ele é diferente dos homens comuns. Que fatos ocor-
ridos no encontro entre Teseu e Minos comprovam essa afirmação?
2. Leia o boxe abaixo, que fala da origem de Teseu.
a) Que informação do boxe explica por que Teseu é tão bem recebido por Possêidon?
b) Qual é, então, a razão de Teseu ser tão diferente dos homens comuns?
O Teseu de ouro (1880), H. J. Draper.
Teseu ousa se dirigir ao rei e repreendê-lo; além disso, aceita o desafio do rei e lança-se ao mar, em busca do anel.
Teseu era filho de um deus. Professor: Comente com os alunos que, na mitologia, os deuses podem ter filhos com os seres
humanos, dando origem a semideuses, como Teseu. Além disso, diferentemente dos homens, os deuses são imortais.
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A ousadia, conforme a afirmação do trecho “a ousadia dele a havia comovido”.
Porque amar Teseu e ajudá-lo significava ir contra a vontade do seu pai. Professor: Chame a atenção dos alunos para a coragem e a ousadia de Ariadne, que põe
em risco a própria vida para ajudar Teseu.
Teseu, ao conhecer Ariadne, apaixona-se por ela.
Sua beleza e sua coragem.
Não; os deuses da mitologia grega brigam entre si, disputam para ver quem tem maior poder, interferem na vida dos seres humanos e até têm filhos com eles.
É exemplo de astúcia.
Sim, Teseu era valente, forte, honrado e se impôs como líder ao decidir combater o Minotauro e salvar a vida das sete moças e dos sete rapazes que seriam
devorados pelo monstro.
abrigou, alojou
Seu e suas, respectivamente. Professor: Sugerimos que escreva as frases na lousa e depois as compare, de modo que o aluno perceba concretamente a correspondên-
cia entre o oblíquo e o possessivo.
3. Nas religiões cristã, judaica e muçulmana, Deus é considerado um ser que está acima dos homens e
não se mistura com eles nem se envolve diretamente em seus problemas. Observe o comportamento
dos deuses da mitologia grega citados no texto: Possêidon, Afrodite, Eros e Zeus.
Esses deuses gregos têm comportamento semelhante ao que tem o Deus das religiões cristã, judaica
e muçulmana? Justifique sua resposta com exemplos do texto.
4. Ariadne se apaixona por Teseu ao conhecê-lo.
a) Que qualidade de Teseu atraiu a atenção de Ariadne?
b) Por que os sentimentos de Ariadne a colocam numa situação difícil?
5. Teseu, vendo-se em dificuldades, pede ajuda à deusa Afrodite. De fato, ele é ajudado,e a ajuda vem
por meio de Ariadne, que lhe dá o novelo de linha. Porém, essa ajuda tem uma conseqüência.
a) Qual é a conseqüência da ajuda providenciada por Afrodite?
b) Que qualidades de Ariadne chamaram a atenção do herói?
6. Vencer o Minotauro era uma tarefa impossível para um homem comum. Nem mesmo os golpes de
espada de Teseu faziam o monstro se abalar. Entretanto, não podendo vencê-lo pela força, o herói
usou uma técnica que o levou à vitória.
a) Qual foi essa técnica?
b) Veja este conjunto de qualidades que os heróis geralmente apresentam:
valentia honra força astúcia liderança
A técnica utilizada por Teseu é exemplo de qual dessas qualidades?
c) As demais qualidades também se aplicam a Teseu? Justifique.
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Releia este trecho do texto em estudo, observando a palavra destacada:
“De imediato, um forte amor se aninhou dentro dela enquanto uma flecha de Eros
[...] trespassava-lhe o coração.”
Que palavras poderiam substituir aninhou, nesse contexto?
2. Compare estes dois enunciados:
“trespassava-lhe o coração”
beijava-lhe as mãos com carinho
Nesses enunciados, o pronome oblíquo lhe tem valor de um pronome possessivo. Que pronomes
possessivos poderiam substituir o pronome oblíquo nos enunciados?
3. Observe estas palavras do texto e o sentido que apresentam:
interminável: o que não pode terminar
inimaginável: o que não se pode imaginar
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Incalculável
impensável
indizível
incontável
Professor: Antes da leitura dos alunos, sugerimos que você leia o texto para a classe, com a entonação e ênfase adequadas. Depois que as duplas treinarem a leitura, escolha
alguns alunos para lerem para toda a classe. Aproveite para comentar cada uma das leituras, sugerindo, se necessário, entonações mais adequadas.
Trocando idéias
a) Conclua: Que sentido tem a partícula in- colocada no início dessas palavras?
b) Empregando in-, forme palavras com o seguinte sentido:
• o que não se pode calcular
• o que não se pode pensar
• o que não se pode dizer
• o que não se pode contar
4. Observe este trecho:
“[Teseu] Ora ia por lá, ora por aqui, ora voltava para trás”
a) O que a expressão ora... ora dá a entender sobre o comportamento de Teseu no labirinto?
b) Escreva uma frase a respeito do comportamento do Minotauro durante a luta, empregando tam-
bém ora... ora.
■ LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Localize no texto o trecho que relata a luta entre Teseu e o Minotauro: ele vai do parágrafo que se
inicia com “A luta com a fera” até o final do parágrafo seguinte, que termina com “outras vítimas para
o monstro do Labirinto!”.
Em dupla com um colega, leiam o texto um para o outro, procurando criar suspense e tensão. Para
isso, valorizem as pausas indicadas pela pontuação e busquem a melhor entonação possível da voz
para sugerir as emoções que cada golpe da luta provocava.
Nos dias atuais, não existem seres sobrenaturais como o Minotauro, que nos desafiem para nos tornar-
mos heróis como os de antigamente. No mundo que nos cerca há, entretanto, outros “seres” fantásticos,
certamente muito mais terríveis do que o Minotauro, como, por exemplo, a fome, doenças como a Aids e
o câncer, o trabalho infantil, as favelas, a violência urbana, os desastres ecológicos, etc.
Felizmente, hoje, o mundo está vendo surgir novos heróis — os voluntários —, que usam seus
“superpoderes” para ajudar os outros. Embora não sejam necessariamente fortes, bonitas e destemidas,
essas pessoas se destacam por dedicar uma parte de seu tempo a ajudar pessoas carentes, visitando
idosos, defendendo a natureza, participando de campanhas de solidariedade.
2001 foi o Ano do Voluntariado, mas a solidariedade continua e você também pode ser um herói,
procurando melhorar o modo de tratar as pessoas e as condições de sua casa, de sua escola, de seu
bairro.
Troque idéias com os colegas:
a) O que podemos fazer em casa para ajudar a melhorar o mundo?
b) Que tipo de colaboração os alunos podem dar na escola e pela escola?
c) O que podemos fazer pelo nosso bairro?
Professor: Se julgar conveniente, conforme os alunos forem trocando idéias, liste na lousa as idéias que eles forem dando
para melhorar cada um dos lugares. Se necessário, dê algumas pistas: 1. Coletar lixo para reciclagem; doar o que não usa;
ajudar nas tarefas domésticas; ser solidário com vizinhos; colaborar em campanhas como a da dengue, a do agasalho etc.
2. Doar material escolar; preservar a limpeza; ensinar alguém
com dificuldade; ser gentil e educado, etc. 3. Preservar a
limpeza das ruas; participar de campanhas como
de arborização e doações, etc.
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Estudo do textoEstudo do texto
Tema:
Heróis
QUAL DESTES É SEU PAI?
Lamento dizer, meu filho, mas
não sou nenhum desses.
Não sou, por exemplo, o Superman.
Não consigo sair por aí voando, embo-
ra muitas vezes tenha vontade de fazê-
lo; tenho de me mover no atrapalhado
trânsito desta cidade num modesto Gol,
com a esperança de não chamar a aten-
ção dos assaltantes nem de ficar na rua
com um pneu furado. Também não te-
nho, como o Superman, a visão de
Raios X; mal consigo ler, com muita
dificuldade e incredulidade, as notícias
que aparecem diariamente nos jornais e
que nos falam de um mundo convul-
sionado e de um país perplexo.
Não sou o Homem Invisível. Não
consigo passar despercebido; tenho de
ocupar meu lugar na sociedade, goste
dele ou não.
Não sou o He-Man. Não tenho a
Força; pelo menos não aquela Força.
Tenho uma pequena força, o suficiente para garantir o pão nosso de cada dia, e mesmo alguma mantei-
ga, o que não é pouco, neste país em que muita gente morre de fome.
E O BRASIL, TEM SEUS SUPER-HERÓIS?
Sim, nós também criamos nossos heróis, embora muitos
deles sejam cópias dos heróis americanos. Na década de 60,
por exemplo, surgiram três: Capitão Sete, Raio Negro e Golden
Guitar. Em 1994, foi criado o Senninha — herói inspirado em
nosso ídolo do automobilismo, Ayrton Senna —, que alcança
grande popularidade em todo o mundo.
(Senninha e sua turma, n.º 57. São Paulo: Abril, 1997. Autorizado
pelo Instituto Ayrton Senna.)
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Não sou o Rambo; não tenho aquela formidável musculatura, nem as armas incríveis, nem o feroz
ódio contra os inimigos (aliás, quem são os inimigos?). Não sou o Tio Patinhas, não sou um Transformer,
não sou o Príncipe Valente. Não sou o Rei Arthur, nem Merlin, o Mago, nem Fred Astaire. O que sou,
então?
Sou o que são todos os pais. Homens absolutamente comuns, a quem um filho transforma de
repente (porque os pais são criados pelos filhos, assim como os filhos são criados pelos pais: a
criança é o pai do homem). Homens comuns que levantam de manhã e vão trabalhar. Homens que
se angustiam com as prestações a pagar, com os preços do supermercado, com as coisas que estão
sempre estragando em casa. Homens que de vez em quando jogam futebol, que às vezes fazem
churrasco, que ocasionalmente vão a um teatro ou a um concerto. Destes homens é que são feitos
os pais.
Quando os filhos precisam, estes homens se transformam. Se o filho está doente, se o filho tem
fome, se o filho precisa de roupa — estes homens adquirem a força do He-Man, a velocidade do Superman,
os poderes mágicos de Merlin. Mas a verdade é que isto não dura sempre, e também nem sempre
resolve. A inflação, por exemplo, nocauteia qualquer pai.
Não, filhos, não somos os seres poderosos que vocês gostariam que fôssemos. Mas somos os pais
de vocês, que um dia serão pais como nós. Os heróis são eternos. Os pais não. E é nisso que está a sua
força.
(MoacyrScliar. Um país chamado infância. São Paulo: Ática, 1995. p. 76-7.)
incredulidade: des-
crença.
perplexo: estupefato,
admirado.
Procure no dicionário
outras palavras que
você desconheça.
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O dia-a-dia, a inflação, o trânsito.
Quando os filhos precisam de comida, remédios e roupas.
Não existe pai sem filho, e vice-versa. As-
sim, ambos aprendem a exercer seu pa-
pel conjuntamente.
1º.) Toda criança será, amanhã, um adulto; portanto, o que o adulto será depende do que a criança é hoje. 2º.) Os adultos aprendem com as crianças.
Professor: Essa é uma questão aberta, que permite mais de uma resposta. Eis uma sugestão: A força dos pais (de enfrentar o dia-a-dia, de defender os filhos com unhas
e dentes), só eles a têm. Cada pai, com seus pequenos recursos, tem de descobrir sozinho como exercer bem seu papel — eis sua grandeza e sua força.
■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Os estudiosos das histórias em quadrinhos afirmam que a invenção dos heróis está relacionada com as
necessidades do ser humano em certas épocas. Sentindo-se fraco, deprimido, impotente, ele cria na
ficção um super-herói, capaz de realizar tudo aquilo que deseja fazer. No texto, o narrador cita alguns
dos super-heróis mais famosos; veja o que distingue alguns deles:
Superman: o vôo, a velocidade, a visão de raios X
Homem Invisível: a invisibilidade
He-Man: a força
Rambo: a musculatura
Merlin: os poderes mágicos
a) Como o narrador caracteriza a si mesmo e aos outros pais?
b) De que serviriam ao narrador, por exemplo, os poderes do Superman?
c) Os super-heróis, desde que são criados, já apresentam poderes. Levando em conta esse dado, o
que é mais difícil: ser um super-herói ou um cidadão comum? Por quê?
2. Muitos super-heróis têm inimigos permanentes.
a) Quais são os principais inimigos permanentes dos pais?
b) Os poderes dos super-heróis serviriam para combater esses inimigos?
3. Apesar de serem comuns e apenas humanos, os pais podem eventualmente adquirir “a força do He-
Man, a velocidade do Superman, os poderes mágicos de Merlin”.
a) Quando isso ocorre?
b) Esses poderes são duradouros?
4. No 6º. parágrafo, o narrador afirma: “os pais são criados pelos filhos, assim como os filhos são
criados pelos pais”.
a) Explique essa afirmação.
b) Dê dois sentidos possíveis a esta outra frase: “a criança é o pai do homem”.
5. “Os heróis são eternos. Os pais não. E é nisso que está a sua força”. De acordo com essas frases, os
pais não são eternos, porque são mortais. Então como explicar essa força dos pais?
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Observe e compare os sentidos da palavra mal nestas frases:
“mal consigo ler, com muita dificuldade e incredulidade, as notícias”
Eu apenas consigo ler mal.
Perceba que a mudança de posição da palavra acarretou uma alteração de sentido.
a) Que sentido tem a palavra mal em cada uma das frases?
b) Reescreva as duas frases sem fazer uso da palavra mal, porém transmitindo as mesmas informa-
ções. Faça as adaptações que forem necessárias.
Na 1ª. frase, equivale a “quase não”; na 2ª. frase, equivale a “de
forma errada, inadequada”.
Quase não consigo ler, a não ser com muita dificuldade e incredulidade, as notícias.
/ Eu só leio errado.
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Com mais ênfase, para que a palavra seja destacada pela entonação.
O de que não se trata de uma Força grande.
Respostas pessoais. Sugestões: O Tarzã talvez satisfaça a fantasia de
viver em contato direto com a natureza; Superman, a de voar, de ter
supervisão, força, etc.; Batman, a de lutar contra os bandidos urbanos
com a ajuda de máquinas poderosas.
Os parênteses isolam os comentários do narrador, introduzindo pensamentos paralelos, não diretamente ligados ao que está sendo narrado.
2. Observe o emprego da palavra aquela neste trecho do texto:
“Não tenho a Força; pelo menos não aquela Força. Tenho uma pequena força”
Note que o autor utilizou um tipo especial de letra, inclinada para a direita — o itálico —, com a
finalidade de chamar a atenção sobre a forma de lê-la e sobre o seu sentido.
a) Como deve ser feita a leitura dessa palavra no texto?
b) Que sentido tem essa palavra no contexto?
3. Observe o emprego dos parênteses nestes trechos:
• “nem o feroz ódio contra os inimigos (aliás, quem são os inimigos?)”
• “a quem um filho transforma de repente (porque os pais são criados pelos filhos, assim como os filhos
são criados pelos pais: a criança é o pai do homem)”
Note que, antes de serem empregados os parênteses, o narrador estava falando de si mesmo, compa-
rando-se aos super-heróis. Os parênteses quebram a seqüência narrativa para trazer outro tipo de
informação. Que tipo de informação o narrador introduz entre parênteses?
■ LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Releia o último parágrafo do texto de forma grave, dando destaque à
expressão “Mas somos os pais de vocês”. Além disso, faça pausa entre as
três últimas frases, dando bastante ênfase à última delas, para deixar o
texto emotivo e marcante.
Trocando idéias
1. Se é verdade que os super-heróis são criados para realizar na ficção aquilo que não conseguimos
fazer no mundo real, que tipo de fantasia humana tem relação com:
a) Tarzã? b) Superman? c) Batman?
2. Pensando nos heróis das histórias em quadrinhos e do cinema, responda:
a) Qual é, na sua opinião, o mais humano, isto é, o mais próximo das pessoas comuns? Por quê?
b) E o mais distante? Por quê?
3. Baseando-se em experiências pessoais, dê sua opinião: Qual é o gesto mais heróico que um pai
pode ter?
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Estudo do textoEstudo do texto
Tema:
Viagens
Gulliver era um médico inglês que adorava viagens e aventuras. Como sua clientela era pequena e
ele vivia em dificuldade financeira, aceitou o convite para ser o médico da tripulação do navio Antílope.
Assim, embarcou para as Índias, em 1699. A viagem, no início, transcorreu bem. Porém, perto das
Índias Orientais, uma violenta tempestade atingiu o navio, e a tripulação lançou-se ao mar em peque-
nos barcos. Gulliver estava num deles com alguns companheiros, mas, depois de algumas horas re-
mando, foi lançado ao mar por uma enorme onda que virou a embarcação. Só restava nadar…
VIAGEM A LILIPUTE
TEXTO I
Perdi meus amigos de vista e depois de nadar alguns metros, vendo que não adiantava lutar contra as
 ondas, deitei-me de costas, fechei os olhos, relaxei os músculos dos braços e das pernas, para
descansar um pouco, e fiquei boiando.
Felizmente o mar se acalmou, o vento parou de soprar e, olhando em redor, vi terra ao longe. Virei-me de
bruços, respirei fundo e recomecei a nadar. Cheguei à praia quase morto de cansaço e, não vendo ninguém por
perto, deitei-me à sombra de um arbusto e adormeci.
Acordei muito tempo depois, com a luz forte do Sol a me bater em cheio nos olhos. Tentei mudar
de posição, mas não consegui me mexer: estava preso ao chão por milhares de cordões finíssimos,
que me rodeavam o corpo inteiro. Ouvi um rumor confuso, mas não pude olhar
para os lados, pois meus cabelos também estavam amarrados, e era impossível
qualquer movimento.
Daí a pouco, senti algo se mexendo em cima da minha perna esquer-
da. Forcei os olhos para baixo, mas não consegui perceber a causa.
Julguei tratar-se de um rato ou um coelho pequeno. O suposto
animalzinho veio caminhando devagar, passou pela minha barri-
ga, demorou-se à altura do peito e, de um salto, chegou à ponta
do meu queixo.
Pensei que estava delirando, quando vi um soldadinho
de meio palmo de altura se equilibrando no meu rosto,
com arco nas mãos e uma aljava nas costas.cheio.
A menina, pois tem várias bolinhas ao seu lado, no chão, além do saco cheio de bolinhas.
Resposta pessoal.
17
1. Nesse quadro, três crianças estão brincando.
a) Do que elas estão brincando?
b) Esse jogo normalmente é jogado por meninos ou meninas?
c) Se você já jogou esse jogo, conte para os colegas como são as regras dele e como se faz para
vencer.
2. Cada um dos jogadores tem um saquinho de bolinhas de gude.
Como está o saquinho:
a) do menino de camiseta listrada?
b) que está no bolso do menino de camisa branca?
c) ao lado da menina?
3. Pelos saquinhos de bolinhas de gude, é possível tirar algumas conclusões.
a) O jogo começou nesse momento ou já faz algum tempo que as crianças estão jogando? Por
quê?
b) Quem está ganhando o jogo? Por quê?
4. Observe a expressão do rosto das três crianças.
a) O que os meninos parecem estar sentindo?
b) E a menina, o que ela deve estar pensando e sentindo?
5. Observe a localização das bolinhas de gude no quadro.
a) Existe alguma bolinha perto dos meninos?
b) O que você acha que vai acontecer se a menina acertar a jogada?
c) O título do quadro é Campeão de bolinha de gude. Qual das crianças
você acha que merecerá esse título? Por quê?
6. Existem certos jogos e brincadeiras que são praticados geralmente por meninos, e outros, por
meninas.
a) Que esportes, jogos e brincadeiras são mais praticados por meninos?
b) E quais são mais praticados por meninas?
c) Na sua opinião, existe preconceito de sexo nas brincadeiras
e nos jogos? Por quê?
d) Você conhece alguém que se destaca num jogo ou esporte que
geralmente é praticado pelo sexo oposto? Essa pessoa sofre ou
sofreu preconceitos? Conte para os colegas.
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Professor: Para enriquecer a atividade e ajudar os alunos a ampliarem seu repertório de filmes clássicos, sugerimos assistir com eles a um dos filmes de Charles Chaplin,
como O garoto, Tempos modernos, Luzes da cidade ou Em busca do ouro.
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DE LH NA I MAGEM
Tema:
Heróis
Português: Linguagens — William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães
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As fotografias retratam cenas dos filmes O garoto e Em busca do ouro, de Charles Chaplin.
1. Nas cenas dos filmes de Charles Chaplin, o vagabundo Carlitos aparece sempre vestido do mesmo
jeito.
a) Que roupas e acessórios normalmente caracterizam essa personagem?
b) Que imagem Carlitos nos passa?
2. Observe os lugares em que Carlitos se encontra nessas cenas. Como são esses lugares?
3. Associe os lugares e as roupas das personagens vistas nas cenas à fisionomia delas e responda:
Essas cenas mostram situações familiares a pessoas ricas ou pobres?
4. Em quase todos os filmes de que participa, Carlitos denuncia a miséria, as péssimas condições de
vida do trabalhador, a infância abandonada, a dura luta pela sobrevivência, o cotidiano do homem
comum.
a) No cinema atual, como são os heróis vividos por atores como, por exemplo, Sylvester Stallone,
Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude van Dame?
b) Esses heróis têm um ideal, isto é, lutam por uma causa coletiva? Justifique sua resposta.
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DE LH NA I MAGEM
Tema:
Viagem pela palavra
A idade do romance (1923), de Norman Rockwell. Po
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O livro (romance) que ele lê.
Não; provavelmente vai continuar, porque, ao que parece, o garoto vai ler outras obras.
O plano da fantasia.
O cão.
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1. Ao observarmos o quadro, notamos a presença de dois planos: o primeiro, com cores mais fortes, apre-
senta um garoto e um cachorro; o segundo, dentro de um círculo e com cores mais fracas,
apresenta um rapaz e uma moça cavalgando.
No primeiro plano:
a) O que o garoto está fazendo?
b)Pela expressão de seu rosto e por sua postura física, como parece estar sendo essa atividade
para ele?
2. Observe agora o segundo plano. Note os detalhes do cenário: as construções, as roupas e o rosto
das personagens, as armas e a bandeira do cavaleiro, etc.
a) A que época corresponde esse cenário? Justifique sua resposta com elementos da pintura.
b)Observe a figura do cavaleiro. Ele usa no rosto algo que ainda não existia na sua época. O quê?
c) Conclua: Quem é o cavaleiro?
d)Levante hipóteses: Quem possivelmente é a moça que cavalga com ele?
3. O quadro se intitula A idade do romance.
a) Que objeto do primeiro plano é responsável pela “viagem” que o garoto faz no tempo e no
espaço?
b)Pelos objetos que estão à volta do garoto, você acha que essa “viagem” vai acabar quando ele
terminar a leitura? Por quê?
c) Você já viu filmes ou leu livros que tratam da época histórica enfocada no segundo plano?
Como ela é retratada normalmente?
d)Você acha que o tipo de história que o garoto está lendo é adequado à idade dele?
e) Qual dos dois planos é mais cheio de aventuras e emoções para o garoto: o plano da realidade
ou o plano da fantasia?
4. Nas histórias medievais, o cavaleiro-herói normalmente é fiel ao amor de uma donzela e luta até
à morte para defendê-la, se necessário. No segundo plano, a companhia da donzela sugere fide-
lidade. No primeiro plano, embora não haja a sugestão amorosa, também temos um elemento
que se associa à fidelidade. Qual é esse elemento?
5. Como conclusão dessa leitura, indique em seu caderno as afirmativas verdadeiras sobre o qua-
dro:
a) A leitura é retratada pelo quadro como uma atividade cansativa e pouco prazerosa.
b)Por meio dos livros, o leitor é levado a mundos imaginários, deslocando-se no tempo e no
espaço.
c) O leitor identifica-se com aquilo que lê e às vezes chega a projetar-se nas personagens da
história.
d)Pelo número de livros que estão em torno do garoto, supõe-se que ele já tenha feito ou ainda vá
fazer muitas outras viagens pelo mundo da palavra.
e) O mundo de fantasia criado pela leitura não causa na vida real nenhum efeito sobre o leitor.
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LEITURA DE IMAGEM
7a. SÉRIE
• Humor
• Adolescência
• Consumo
• Mundo moderno
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Tema:
Humor
(Mordillo. Revista Classe Tam, no. 52.) Po
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A pomba ter pousado sobre seu canhão.
Que ele não poderá atirar, porque iria matar a pomba.
É um cartum, porque generaliza o ser humano e as situações de guerra e paz.
A guerra.
A paz.
A esperança.
O humor consiste no fato de a pomba da paz ter pousado justamente sobre o canhão e o
soldado ficar desconcertado com isso.
Os tanques de guerra.
Os militares chineses que manobram os
tanques.
O jovem estudante desarmado.
Devia estar atirando em algum alvo.
Compare a foto com o cartum. Que elemento(s) da foto
corresponde(m):
a) ao canhão, do cartum?
b)aos militares, do cartum?
c) à pomba, do cartum?
6. A foto retrata uma cena real, que chocou o mundo. O cartum é uma criação artística que parte do real,
mas é ficção, embora retrate fatos que podem ocorrer. A seguir, são reproduzidos quatro comentários
sobre o humor. Qual deles não explica a relação entre a realidade e a arte do humor?
a) “O humorista [...] é um homem como outro qualquer, que sofre as conseqüências da sociedade e
que analisa o que observa.” (Zélio)
b) “[O] humor é uma análise crítica do homem e da vida.” (Ziraldo)
c) “Necessitamos do Humor e nem sempre nos damos conta disso. Somos sarcásticos, irônicos,
irreverentes, melodramáticos, oFechei e
abri os olhos várias vezes, para desfazer a estra-
nha miragem, mas o soldado continuava a ca-
minhar perto do meu nariz, logo seguido
por dezenas de outros.
Meu espanto foi tão grande que sol-
tei um grito. Os soldadinhos fugiram,
aterrorizados, e alguns pularam do meu
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rosto tão precipitadamente que se machucaram na queda. Daí a minutos voltaram, e um deles, subindo
no meu nariz, levantou os braços e, com voz esganiçada, gritou:
— Hequiná degul!
Os outros também levantaram os braços e berraram:
— Hequiná degul! — enquanto os outros levantavam os braços e esbravejavam as mesmas e miste-
riosas palavras.
Imobilizado, já estava me sentindo mal. Com grande esforço, mexi os dedos da mão direita e virei a
cabeça alguns centímetros. Foram terríveis as dores que senti, mas consegui, afinal, olhar para o lado e
soltar os dedos da mão, embora meu punho continuasse imobilizado pelos estranhos e finíssimos
cordões metálicos.
Os soldadinhos fugiram, em disparada, soltando gritos ferozes. Mas logo voltaram, desta vez orga-
nizados em fileiras.
Um deles berrou:
— Tolgo fonaque!
Imediatamente centenas de flechas minúsculas se cravaram na minha mão.
— Tolgo fonaque! — a ordem foi repetida.
E centenas de agulhinhas, atiradas para cima, depois de descreverem um semicírculo no ar, caíram
no meu rosto.
Quase desmaiei de dor, e procurei ficar imóvel, para evitar novos ataques. Os soldadinhos, no entanto,
continuaram a atirar flechas e alguns tentaram ferir-me nas costelas com lanças. Felizmente, eu usava um
colete de búfalo e os golpes não me atingiram.
De repente, os ataques cessaram, diminuiu a balbúrdia e pude descansar durante algum tem-
po. […]
(Jonathan Swift. Viagens de Gulliver. Texto em português de Esdras do Nascimento.
16. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001. p. 9-12.)
Depois do susto inicial, Gulliver aos poucos ganha a confiança dos habitantes e do rei
de Lilipute. Assim, recebe roupas novas, um lugar para dormir e começa a participar de
festividades, tornando-se um amigo fiel do rei. Mas Lilipute tem um inimigo, Blefusco,
um país vizinho cujo monarca vivia querendo invadir Mildendo, capital de Lilipute, por
este ser um país mais rico e desenvolvido. Como será que Gulliver vai reagir diante dessas
disputas políticas?
TEXTO II
O serviço de espionagem de Sua Majestade trouxe a notícia de que
poderosa frota estava ancorada no porto de Blefusco e dentro de
pouco dias invadiria Lilipute. Fui chamado ao palácio e o imperador me deu
ordem de impedir a qualquer preço o desembarque das tropas inimigas em
Mildendo.
Descansei algumas horas à beira da estrada e entrei no canal. Nos trechos
mais profundos tive que nadar, mas fiz a pé a maior parte do trajeto e quando
cheguei a Blefusco, na enseada onde foi construída a capital, assisti a um
belíssimo espetáculo: cinqüenta navios de guerra se exercitavam em mano-
bras de combate. Para que não me vissem, fiquei sentado dentro da água e
procurei não fazer movimentos que denunciassem minha presença. Mas foi
inútil. Um dos navios da frota abandonou a formação e saiu em minha perse-
guição. Do convés centenas de marinheiros começaram a disparar suas setas
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Ilustração de 1865 para a obra de Swift.
e a acionar pequenos canhões, carregados de minúsculas lanças. Daí a
pouco, quase todos os navios me atacavam e fui atingido no peito e nos
braços. Rapidamente me levantei, mas, mesmo assim, algumas setas
me feriram o rosto. Com receio de que me vazassem o olho, voltei
correndo para Lilipute, nadando com a maior velocidade possível nos
trechos onde o canal era mais profundo.
Em Mildendo contei ao imperador o que se passava e pedi-lhe que
mandasse fabricar cabos metálicos, semelhantes aos usados na minha
captura, e pequenos ganchos de ferro.
Uma semana depois recebi os cabos e ganchos e parti para Blefusco,
disposto a evitar surpresas desagradáveis.
Segui lentamente pelo canal até chegar bem perto da capital inimiga. A
frota estava ancorada ao longo da enseada. Aproximei-me, tirei do bolso o
canivete e cortei as amarras que prendiam os navios a terra. Amarrei-os
depois uns aos outros e os reboquei, utilizando os ganchos que trouxera.
Em desespero, oficiais e marinheiros se jogavam às ondas. Os mais
afoitos, porém, não abandonaram os navios e atiravam em minha dire-
ção com todas as armas disponíveis. Mas dessa vez eu levara meus óculos e não havia perigo de ser
ferido nos olhos. Agi tranqüilamente e saí devagar pelo canal, rumo a Lilipute.
Quando cheguei a Mildendo, o imperador e os ministros me esperavam na praia. Ficaram satisfeitos
com minha proeza e me deram o título de nardaque — a mais alta distinção concedida a um estrangei-
ro, em tempos de paz ou de guerra.
Ouvi discursos de vários ministros e o próprio imperador, em rápidas pala-
vras, agradeceu em nome do povo o que eu fizera por Lilipute. Terminando,
pediu-me que voltasse a Blefusco, aprisionasse toda a população, trouxesse
para Mildendo os navios de guerra e de transporte, porventura ainda ancora-
dos no porto, e matasse todos os políticos liliputianos asilados em Blefusco
[…].
Recebi os abraços, homenagens e discursos em silêncio. Quando a fes-
ta acabou, disse ao imperador que não podia, infelizmente, cumprir
suas ordens, pois, embora estivesse sempre à dis-
posição da Coroa para ajudar Lilipute,
jamais poderia servir de instru-
mento para oprimir um povo
corajoso como o de Blefusco.
E deixei claro que não pre-
tendia envolver-me em ques-
tões políticas, nem assassinar
exilados.
(Idem, p. 39-41.)
aljava: estojo sem tampa em que se guardavam e transportavam
as setas e que era carregado nas costas.
asilado: que está refugiado ou internado num asilo.
balbúrdia: confusão, desordem.
exilado: aquele que está fora de seu país.
proeza: ato de valor; valentia; façanha.
rumor: barulho de vozes.
Procure no dicionário outras palavras que você desconheça. Po
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Porque Gulliver, pelo seu tamanho, representava perigo para os pequenos liliputianos.
A ganância, o egoísmo, a crueldade; enfim, os interesses que levam as nações à
guerra.
■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Viagens de Gulliver é uma narrativa de viagem. O que você acha que diferencia uma narrativa de
viagem de outras narrativas em geral? Justifique sua resposta com elementos dos textos lidos.
2. O primeiro contato de Gulliver com a civilização de Lilipute não foi amigável. Por que você acha
que os liliputianos agiram de forma agressiva?
3. Releia o trecho em que Gulliver fala de suas impressões
sobre os homenzinhos:
“Pensei que estava delirando […]. Fechei e abri os
olhos várias vezes, para desfazer a estranha miragem […].
Meu espanto foi tão grande que soltei um grito. Os
soldadinhos fugiram”
a) Como Gulliver se sentiu nesse momento? Que pala-
vras do texto comprovam sua resposta?
b) Gulliver soltou um grito de espanto. Observe a rea-
ção dos soldados e conclua: De quem foi o espanto?
4. Entre Lilipute e Blefusco havia uma disputa.Tomando
como base o texto II e o boxe que o antecede, explique:
Qual era o motivo dessa disputa?
5. Gulliver, ao ficar amigo do povo e do rei de Lilipute,
praticamente se tornou um membro da comunidade.
Iniciado o conflito, ele atendeu ao pedido do rei de im-
pedir o desembarque do povo inimigo, mas não atendeu
ao segundo pedido: prender a população, trazer navios
de guerra e de transporte e assassinar exilados.
a) Por que Gulliver atendeu a um pedido e não a outro? Você acha que houve coerência em sua
decisão? Justifiquesua resposta.
b) A decisão de Gulliver mostra qual característica de seu caráter?
c) Poderíamos considerar Gulliver um herói? Por quê?
6. Jonathan Swift escreveu uma história de aventuras que, além de divertir, indiretamente fazia uma
crítica a seu próprio país, a Inglaterra, e a outros países europeus do século XVIII.
Supondo que Lilipute represente a Inglaterra e outros países da época, responda:
a) O que Jonathan Swift criticava nesses países?
b) Você acha que a crítica feita pelo autor ainda é válida nos dias de hoje? Por quê?
c) Que semelhança você vê entre o modo como os governos de Blefusco e Lilipute agem na história
e o modo como os governos atuais agem?
7. Toda vez que viajamos, trazemos de volta algum conhecimento novo, uma aprendizagem ou uma
lição. O que você acha que Gulliver aprendeu nessa viagem?
HISTÓRIAS DE VIAJANTES E
NÁUFRAGOS
Além das Viagens de Gulliver, muitas
outras obras narram aventuras de via-
jantes que chegaram a lugares estranhos
e, muitas vezes, tiveram de se adaptar a
condições precárias para sobreviver. As
mais conhecidas delas são Robson
Crusoé, de Daniel Defoe, e várias histó-
rias de Júlio Verne, como Volta ao mun-
do em 80 dias ou Viagem ao centro da Terra.
No cinema,
o tema foi atua-
lizado com Náu-
frago, filme de
Robert Zeme-
ckis, com Tom
Hanks no papel
principal.
Cena do
filme
Náufrago.
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Na 1ª pessoa.
Ele é narrador-personagem.
Trocando idéias
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Releia este trecho:
“— Hequiná degul!
Os outros também levantaram os braços e berraram:
— Hequiná degul! — enquanto os outros levantavam os braços e
esbravejavam as mesmas e misteriosas palavras.”
a) Por que o narrador considera essas palavras misteriosas?
b) O que você acha que eles disseram nessa situação? Escreva uma frase com um sentido correspondente.
2. Observe os verbos e os pronomes relacionados ao narrador empregados no texto.
a) Em que pessoa eles estão?
b) O narrador participa da história como narrador-personagem ou é apenas um narrador-observa-
dor, alguém que conta fatos dos quais não participa?
3. Quando uma história é narrada com ponto de vista em 1ª. pessoa, toda a visão dos fatos é parcial. No
texto lido, por exemplo, nossas impressões sobre os habitantes de Lilipute são aquelas que Gulliver
captou com seu olhar. Mas pode ser que outras personagens tivessem visto os fatos de outro modo.
Releia este parágrafo:
“Pensei que estava delirando, quando vi um soldadinho de meio palmo de altura se equilibrando no meu
rosto, com arco nas mãos e uma aljava nas costas. Fechei e abri os olhos várias vezes, para desfazer a estranha
miragem, mas o soldado continuava a caminhar perto do meu nariz, logo seguido por dezenas de outros.”
Reescreva esse trecho da história, mudando o ponto de vista da narração. Em vez do ponto de vista
de Gulliver, mostre o do soldadinho que subiu no corpo do viajante. Depois leia o novo texto para
os colegas e ouça o deles.
■ LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Releia o trecho que vai do parágrafo que se inicia com “Pensei que estava delirando” até o parágrafo
que se inicia com “E centenas de agulhinhas, atiradas para cima […] caíram no meu rosto”.
Durante a leitura, procure dar à voz um tom que acentue a sensação de espanto do narrador. Enfatize
palavras e expressões como “soltei um grito”, “Hequiná degul!”, “terríveis”, “Tolgo fonaque!” e outras.
Estimule os alunos a lerem toda a obra Viagens de Gulliver, contando a eles que, depois
dessa aventura, Gulliver vai ter contato com outra civilização. Porém, na nova situação,
ele é que será minúsculo perto dos habitantes do local.
1. O sonho de viajar e conhecer o mundo já fez muitos aventureiros colocarem o “pé na estrada”. No
entanto, toda vez que você chega a um lugar estranho, você é o diferente e, por isso, pode ser
discriminado e rejeitado. Mesmo assim, vale a pena viajar? Por quê?
2. Há mais de duzentos anos, Swift já fazia, em Viagens de Gulliver, um alerta sobre a ambição sem
limites do ser humano, que leva os povos e nações à guerra.
a) Atualmente, você tem conhecimento de alguma guerra que esteja ocorrendo entre povos diferen-
tes? Se necessário, converse com seu professor de História ou de Geografia.
b) Em caso afirmativo, quais são as causas dessa(s) guerra(s)?
c) Na sua opinião, todo ser humano é ambicioso por natureza ou somente algumas pessoas são
assim? Por quê? Po
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Tema:
Viagens
A PRIMEIRA ALUNISSAGEM
Estudo do textoEstudo do texto
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“V ÃO COM CALMA, GAROTOS!”, disse Michael Collins a seus amigos
Soltando um jorro de chamas, o motor do Eagle entrou em
funcionamento para iniciar a descida. Dentro do módulo lunar
Neil Armstrong examinou os instrumentos, e seu companheiro, Buzz
Aldrin, cotejou os dados dos dois computadores de bordo. Nunca
tinham viajado no Eagle, mas haviam ensaiado os procedimentos cen-
tenas de vezes num simulador. Agora as crateras abaixo do módulo
eram reais.
Buzz começou a ler em voz alta os números que apareciam nos monitores.
Quando se encontravam a 1800 metros da superfície lunar, Neil o interrom-
peu:
“Sinal de alerta!”, exclamou, apontando para uma luz amarela.
Imediatamente os dois astronautas consultaram o monitor digital.
Constataram um “erro 1202”, que não sabiam identificar, pois não
ocorrera durante o treinamento. Dispunham de apenas alguns segundos
Antecedentes
Em 16 de julho de 1969 o fo-
guete Saturno 5 pôs na órbita da Ter-
ra a nave Apollo 11, com três homens
a bordo: Armstrong, Aldrin e
Collins. A Apollo 11 compreendia um
módulo de serviço, contendo os
motores de propulsão; um módulo
de comando, a nave Columbia, onde
os astronautas viajaram; e um
módulo lunar, o Eagle, usado na
alunissagem. Ao entrar na órbita lu-
nar, três dias e 390 mil quilômetros
depois, Armstrong e Aldrin atraves-
saram o corredor que ligava a
Columbia ao Eagle e se prepararam
para pousar.
Armstrong, Aldrin e Collins.
O Eagle pousou na Lua em 20 de julho de 1969.Po
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para decidir se iam voltar atrás ou continuar com a alunissagem. Na
Columbia, Michael Collins consultou a lista de itens. O que vinha a ser o
erro 1202? Antes que pudesse encontrar o código, ele ouviu uma voz da
missão de controle dizendo calmamente:
“Tudo bem, vamos verificar esse sinal de alerta”.
A luz amarela indicava que o computador de bordo estava tentando se
atualizar. Mas o Eagle podia prosseguir com a descida: não havia perigo.
Mais confiante, Neil Armstrong passou dos controles automáticos
para os manuais. Nos estágios finais da alunissagem conduziria pessoal-
mente a pequena espaçonave em forma de besouro. Buzz verificou a
altitude: “Cento e vinte metros… noventa… sessenta…”.
Ele não tirava os olhos do monitor que informava sua velocidade, e
lia esses números também. O trem de pouso do Eagle podia absorver
pequenos choques, mas os astronautas teriam problemas sérios se tocas-
sem muito rapidamente a superfície lunar.
Neil segurava firme as alavancas que controlavam a velocidade e a
posição do módulo. E olhava fixo pela portinhola. Agora tinha uma boa
visão do solo e constatou que haviam passado da planície escolhida para
a alunissagem e estavam sobre uma cratera rodeada de pedras. Descer
numa superfície tão irregular arruinaria o trem de pouso. Neil manejou
o acelerador cautelosamente, procurando a melhor posição. De repente
a missão de controle alertou: “Trinta segundos”.
Os astronautas tinham combustível suficiente para apenas meio mi-
nutode vôo. Neil se manteve em silêncio, enquanto Buzz continuava
resmungando os números:
“Doze metros… levantando poeira… nove metros…”.
As nuvens de poeira lunar provocadas pela descarga do foguete difi-
cultavam a avaliação da velocidade com que estavam descendo. De re-
pente o Eagle ganhou impulso, ultrapassou um amontoado de pedras e
parou.
“Sinal de contato!”, Neil anunciou, empolgado, quando o trem de
pouso tocou a superfície da Lua.
“Motor desligado”, disse ele. “O Eagle alunissou!”
Neil e Buzz desceram do módulo e caminharam pelo local conheci-
do como Mar da Tranqüilidade. Eram os primeiros homens a pisar na
Lua. Duas horas e meia depois, o Eagle acoplou-se novamente com a
Columbia, e os três astronautas retornaram à Terra sem o menor trans-
torno.
(Richard Plat. Grandes aventuras — 30 histórias reais de coragem
e ousadia. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001. p. 92-3.)
acoplar-se: unir-se, juntar-se.
cotejar: comparar.
simulador: instrumento para treinos que
tenta reproduzir uma situação real.
Procure no dicionário outras palavras
que você desconheça.
Os astronautas
Os norte-americanos Neil
Armstrong, Edwin “Buzz” Aldrin e
Michael Collins, nascidos em 1930,
haviam pilotado aviões de combate
e tinham experiência de vôo espacial
quando a NASA (Administração Na-
cional de Aeronáutica e Espaço) lhes
confiou a missão Apollo 11. Collins
ficaria na Columbia, na órbita da Lua,
e os outros desceriam na superfície
lunar. O Eagle pousou num lugar
chamado Mar da Tranqüilidade, que,
apesar do nome, é uma planície seca.
“Este é um pequeno passo para um
homem, um grande salto para a hu-
manidade.”, disse Armstrong, ao pi-
sar na Lua.
O Saturno 5
O enorme foguete que deixou a
plataforma de lançamento do cabo
Canaveral, na Flórida, em 16 de ju-
lho de 1969, levando a nave Apollo
11 para a órbita da Terra, pesava 2,8
toneladas e tinha 110,6 metros de
altura (o equivalente a um edifício
de 44 andares).
Saturno 5. Po
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É verdadeira.
Porque é o momento mais esperado, mais emocionante.
Com a inclusão desse fato, o narrador tenta transmitir ao leitor um pouco da tensão vivida pelos astronautas.
Resposta pessoal. Sugestão: Entre outras possibilidades, poderia ocorrer avariação da nave, o que impediria a volta, e os astronautas poderiam se machucar.
■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. “A primeira alunissagem” contém um texto central e textos laterais, intitulados “Ante-
cedentes”, “Os astronautas” e “O Saturno 5”.
a) Sobre o que informa cada um desses textos laterais?
b) Conclua: Qual é o papel dos textos laterais?
2. Observe, no final do texto, o nome do livro do qual ele foi extraído.
a) Essa história é verdadeira ou ficcional?
b) Por que você acha que o narrador inicia o texto mostrando exatamente o momento em que os
astronautas se preparam para descer ao solo lunar?
3. O texto faz referência a várias naves utilizadas durante a operação. O foguete Saturno 5, por exem-
plo, cumpriu o papel de levar a nave Apollo 11 até a órbita da Terra.
a) O que era a Apollo 11 e quais eram suas partes?
b) Quando chegaram à Lua, Michael Collins ficou na Columbia, e Armstrong e Aldrin no Eagle. Qual
era a função de cada um dos astronautas?
4. Durante a descida do Eagle, acendeu-se uma luz amarela, dando sinal de alerta. Felizmente, não
havia nenhum problema. A luz indicava apenas que o computador estava se atualizando. Se esse
fato não teve grande importância na viagem, por que o narrador o incluiu no texto?
5. Releia este trecho:
“O trem de pouso do Eagle podia absorver pequenos choques, mas os astronautas teriam problemas
sérios se tocassem muito rapidamente a superfície lunar.”
Que espécie de problema poderiam ser esses “problemas sérios” mencionados no texto?
6. Para poder acontecer uma viagem no espaço, gastam-se anos em estudos, planejamentos e treina-
mentos. No entanto, sempre existe uma margem de risco no momento de sua realização, pois po-
dem ocorrer situações inesperadas.
a) Que surpresa os astronautas tiveram em relação ao local de pouso?
b) Que riscos eles correram, considerando-se os fatores solo, velocidade e combustível?
7. A área em que devia acontecer o pouso chama-se Mar da Tranqüilidade.
a) O local é compatível com o nome que ele tem? Justifique sua resposta.
b) Por esse dado, pode-se dizer que o ser humano é sonhador? Por quê?
8. Armstrong, ao pisar na Lua, disse: “Este é um pequeno passo para um homem, um grande salto para
a humanidade”. Explique o sentido dessa frase na situação em que foi pronunciada.
9. A coragem e ousadia desses três astronautas são incomuns.
a) Você teria tido coragem de fazer o que eles fizeram?
b) Você os considera heróis? Por quê?
“Antecedentes” explica quais eram as naves
(módulos) utilizadas na missão; “Os astronau-
tas” apresenta uma rápida biografia dos
astronautas e diz qual o papel de cada um; e
“O Saturno 5 ” explica como foi que a nave
Apollo 11 chegou à órbita da Terra.
Resposta pessoal.
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O interesse político.
Sim, Portugal e Espanha, principalmente, disputavam o domínio dos mares e, conseqüentemente, o aumento de poder, com domínio político e
econômico das colônias conquistadas.
amartissar
avenussar
Professor: Comente com os
alunos que também estão
dicionarizadas as formas
aterrizar e alunizar.
solar
escolar
polar
espetacular
A primeira palavra significa navegante de astros, e a segunda, navegante
do universo; portanto, elas são sinônimas. W
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s10. Antes da façanha dos três astronautas norte-americanos, o
astronauta russo Iúri Gagárin já tinha ido ao espaço, em
1961. Considerado o primeiro astronauta do mundo, ele é
o autor da famosa frase: “A Terra é azul”. Seu vôo represen-
tou um desafio para o governo dos Estados Unidos, que,
temendo o domínio russo do espaço sideral, garantiu que
os norte-americanos chegariam à Lua antes de 1970.
a) Além do desejo de desbravar o desconhecido, que ou-
tro tipo de interesse há por trás das viagens espaciais?
b) Converse com seu professor de História ou de Geogra-
fia e procure saber se durante o período das navega-
ções, no século XVI, também havia esse interesse. Ex-
plique.
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Antes de o homem chegar à Lua, não existia a palavra alunissar, que significa “pousar na Lua”. Ela
foi criada por semelhança com a palavra aterrissar. Veja como é sua formação:
a + terr (terra) + issar
a + lun (lua) + issar
Conforme o mesmo modelo de formação,
quais seriam as palavras com o significado
de:
a) pousar em Marte?
b) pousar em Vênus?
2. Os astronautas também são chamados de
cosmonautas. Consulte no dicionário o
sentido das partículas astro-, cosmo- e
-nauta e dê o sentido das palavras astronau-
ta e cosmonauta.
3. Na expressão “módulo lunar”, a palavra
lunar é um adjetivo. Veja como ela se
formou:
lun + ar
Usando o mesmo processo de construção,
forme adjetivos a partir de:
a) sol
b) escola
c) pólo
d) espetáculo
Iúri Gagárin.
ESTAMOS SÓS?
Como teria se originado o mundo? Por que ape-
nas na Terra teria surgido a vida? Estamos sós no
universo? Perguntas como essas são comuns entre
nós, pois parece inconcebível à imaginação humana
aceitar que somos os únicos habitantes do universo.
O cinema, explorando esse rico filão da fantasia
humana, já produziu filmes inquietantes ou emocio-
nantes, como 2001 — Uma odisséia no espaço, de
Kubrick; Et — O extraterrestre, de Steven Spielberg;
e Contato, de Robert Zemeckis.
Jodie Foster em cena de Contato.
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Cruzando linguagensCruzandolinguagens
Alpinismo.
Difícil: a montanha é muito íngreme e sua escalada está fazendo o alpinista suar.
(Mordillo. Opus 4. Grenoble: Glénat, 1990.)
Satisfação e alegria, pois abre os braços e grita uma expressão que tradicionalmente é associada a esses sentimentos.
Leia, a seguir, este cartum de Mordillo:
1. Observe, na 1ª. cena, a paisagem e o tipo de atividade que a personagem pratica.
a) Que nome se dá a esse tipo de esporte?
b) Pela imagem da 1ª. cena, realizar essa atividade parece estar sendo fácil ou difícil? Justifique com
elementos da cena.
2. Na 2ª. cena, a personagem está no topo da montanha. Que sentimentos ela expressa? Justifique com
dois elementos da cena.Po
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Vem do alto.
Que existe uma montanha ainda mais alta e que alguém conseguiu chegar
ao topo dela.
Escalar a outra montanha, pois chegar ao seu topo será seu novo desafio.
X
Os preparativos para a viagem e a viagem em si.
A conquista, no espaço, do objetivo traçado.
O recomeço de tudo, o aparecimento de novos desafios no espaço.
X
Trocando idéias
3. Na 3ª. cena, há uma surpresa: alguém acerta uma bota na cabeça da personagem.
a) De onde vem essa bota?
b) Que significado tem esse fato para a personagem?
c) Provavelmente, qual será a próxima aventura da personagem?
4. Imagine que esse cartum seja uma representação da conquista do espaço. Nesse caso, a que corres-
ponderia:
a) escalar a montanha?
b) chegar ao topo da montanha?
c) a terceira cena?
5. Qual ou quais dos itens seguintes correspondem à idéia central do cartum de Mordillo?
a) Querer superar os inimigos é um dos desejos humanos.
b) A ação humana é impulsionada pelo desejo de desvendar e dominar o desconhecido.
c) Constantemente estabelecemos novas metas a serem alcançadas.
d) O ser humano é frágil diante dos obstáculos.
1. Suponha que você seja um astronauta e tenha sido convidado para participar de uma missão no
espaço com duração de seis meses. Você pode levar apenas dois objetos. O que levaria? Por
quê?
2. As pesquisas espaciais custam muito caro. Geralmente, com o que se gasta para levar uma
tripulação ao espaço, seria possível matar a fome de milhões de pessoas todos os anos. Você
acha que, para alimentar essa população faminta, valeria a pena interromper as pesquisas espa-
ciais? Por quê?
3. Algumas pessoas, por várias razões, não vêem com bons olhos certas áreas de pesquisa científica,
como as empenhadas em levar o homem a outros planetas, descobrir como retardar o envelheci-
mento físico, buscar a origem do homem, etc. Acham que o ser humano não deve desvendar o
mistério que envolve a vida. Você concorda com isso? A ciência deve levar adiante essas pesquisas?
Por quê?
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Tema:
Viagens
Você vai ler, a seguir, o relato de dois escritores que se deixaram levar pelas forças criadoras da
imaginação e da memória: o primeiro é da poetisa brasileira Cecília Meireles, e o segundo, do escritor
búlgaro Elias Canetti.
TEXTO I
OS LIVROS E SUAS VOZES
Se há uma pessoa que possa, a qualquer momento, arrancar da sua infância uma recordação ma-
ravilhosa, essa pessoa sou eu. […]
Tudo quanto, naquele tempo, vi, ouvi, toquei, senti, perdura em mim com uma intensidade poética
inextinguível. Não saberia dizer quais foram as minhas impressões maiores. Seria a que recebi dos
adultos tão variados em suas ocupações e em seus aspectos? Das outras crianças? Dos objetos? Do
ambiente? Da natureza? […]
Recordo céus estrelados, chuva nas flores, frutas maduras, casas fechadas, estátuas, negros, aleija-
dos, bichos, suínos, realejos, cores de tapete, bacia de anil, nervuras de tábuas, vidros de remédio, o
limo dos tanques, a noite em cima das árvores, o mundo visto através de um prisma de lustre, o
encontro com o eco, essa música
matinal dos sabiás, lagartixas pelos
muros, enterros, borboletas, o car-
naval, retratos de álbum, o uivo dos
cães, o cheiro do doce de goiaba,
todos os tipos populares, a pajem
que me contava com a maior con-
vicção histórias do Saci e da Mula-
sem-cabeça (que ela conhecia pes-
soalmente); minha avó que me can-
tava rimances e me ensinava
parlendas… […]
Mais tarde […] os livros se
abriram, e deixaram sair suas re-
alidades e seus sonhos, em com-
binação tão harmoniosa que até
hoje não compreendo como se
possa estabelecer uma separação
entre esses dois tempos de vida,
unidos como os fios de um pano.
Estudo do textoEstudo do texto
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Foi ainda nessa área que apareceram um dia os meus próprios livros, que não são mais do que o
desenrolar natural de uma vida encantada com todas as coisas […]
Sempre gostei muito de livros e, além dos livros escolares, li os de histórias infantis, e os de
adultos: mas estes não me pareciam tão interessantes, a não ser, talvez, Os Três Mosqueteiros, numa
edição monumental, muito ilustrada, que fora de meu avô. Aquilo era uma história que não acaba-
va nunca; e acho que esse era o seu principal encanto para mim. Descobri o Dicionário, uma das
invenções mais simples e mais formidáveis e também achei que era um livro maravilhoso, por
muitas razões.
[…] Quando eu ainda não sabia ler,
brincava com livros e imaginava-os chei-
os de vozes, contando o mundo.
(Cecília Meireles. Obra poética. Rio de Janeiro:
Aguilar, 1997. p. 58-61.)
inextinguível: que não se extingue, não se apaga.
limo: lodo.
pajem: babá, criada, acompanhante.
prisma: cristal que decompõe a luz.
rimance: o mesmo que romance, poética popular.
Procure no dicionário outras palavras que você desconheça.
TEXTO II
A LÍNGUA ABSOLVIDA
A lguns meses depois de meu ingresso na escola, aconteceu algo solene e excitante que determi-
nou toda a minha vida futura. Meu pai me trouxe um livro. Levou-me para um quarto dos
fundos, onde as crianças costumavam dormir, e o explicou para mim. Tratava-se de The Arabian
Nights, As Mil e Uma Noites, numa edição para crianças. Na capa havia uma ilustração colorida,
creio que de Aladim com a lâmpada maravilhosa. Falou-me, de forma animadora e séria, de como
era lindo ler. Leu-me uma das histórias: tão bela como esta seriam também as outras histórias do
livro. Agora eu deveria tentar lê-las, e à noite eu lhe contaria o que havia lido. Quando eu acabasse
de ler este livro, ele me traria outro. Não precisou dizê-lo duas vezes, e, embora na escola come-
çasse a aprender a ler, logo me atirei sobre o maravilhoso livro, e todas as noites tinha algo para
contar. Ele cumpriu sua promessa, sempre havia um novo livro e não tive que interromper minha
leitura um dia sequer.
Era uma série para crianças e todos os livros tinham o mesmo formato; se diferenciavam pela ilustra-
ção colorida na capa. As letras tinham o mesmo tamanho em todos os volumes e era como se continu-
asse a ler sempre o mesmo livro. Como série, nunca houve outra igual. Lembro-me de todos os títulos.
Depois das Mil e uma noites vieram os Contos de Grimm, Robinson Crusoé, As viagens de Gulliver, Contos de
Shakespeare, Dom Quixote, Dante, Guilherme Tell.
(Elias Canetti. A língua absolvida. São Paulo: Cia. das Letras, 1987. p. 50.) Po
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■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Os dois textos são exemplos de relato, um gêne-
ro textual em que os autores narram experiênci-
as pessoais vividas no passado.
a) Em que pessoa são narrados os textos: em 1ª.
ou em 3ª. pessoa? Comprovesua resposta com
alguns exemplos.
b) Dos três itens que seguem, qual é o que me-
lhor traduz o assunto desses relatos?
• recordações da infância
• o poder transformador dos livros
• a descoberta dos livros e da leitura na
infância
c) Que palavras dos textos
comprovam que os rela-
tos são fruto da memória
e não da imaginação?
2. A autora do texto I, no 3º
parágrafo, cita várias recor-
dações de sua infância: algu-
mas são de coisas concretas,
outras de coisas abstratas.
a) Cite três dessas coisas concretas.
b) Quais são as recordações de coisas abstratas?
3. Os adultos desempenharam um importante papel na vida dos dois escritores quando crianças.
a) Quem são os adultos citados no texto I?
b) E no texto II?
c) O que os adultos fizeram de importante para essas crianças?
d) Por que essa iniciativa foi importante para a escolha profissional que essas crianças iriam fazer
mais tarde?
4. Releia estes fragmentos dos textos:
“estes não me pareciam tão interessantes, a não ser, talvez, Os Três Mosqueteiros, numa edição monumental,
muito ilustrada”
“As Mil e Uma Noites, numa edição para crianças. Na capa havia uma ilustração colorida”
O que os livros oferecidos às crianças tinham em comum, o que as atraía neles?
5. Os dois textos tratam de viagens, embora não de forma explícita.
a) Que tipo de viagem os autores, quando crianças, faziam pelos livros?
b) Que tipo de viagem os autores fazem agora, já adultos?
PAGEMASTER: O MESTRE
DA FANTASIA
Um garoto tímido e medroso, fugindo de
uma tempestade, se esconde na biblioteca da
cidade. De repente, os livros à sua volta ganham
vida e, num passe de mágica, ele é transporta-
do ao mundo do Pagemaster, o
mestre da fantasia. Voltar
para casa? Só vivendo
antes grandes emo-
ções, com a ajuda
de seus novos ami-
gos: Aventura, um
livro-pirata que
adora confusão;
Fantasia, uma fada
esperta e muito ma-
luca; e Terror, um li-
vro que tem medo
da própria sombra.
Em 1ª pessoa, conforme mostram as formas verbais
vi, ouvi, toquei e os pronomes mim, meu, me, etc.
céus, chuva, frutas, casas, etc.
São as histórias, as parlendas e os rimances que ouvia da pajem e da avó.
A pajem e a avó.
O pai.
Iniciaram essas crianças no mundo da leitura e da literatura.
Porque mais tarde se tornaram escritores.
O fato de serem bem-ilustrados; por isso, atraíam também como objetos.
X
Eles faziam uma viagem pela fantasia e pela
imaginação, estimulados pelos livros.
Agora viajam pela memória, recordando a infância e a iniciação à
leitura.Po
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Resposta pessoal. Professor: Vale a pena chamar a atenção dos alunos para o fato de que a infância
é uma das fases mais bonitas da vida, embora as crianças não tenham consciência disso.
Espera-se que o aluno perceba que sim, pois também Drummond “viaja” pela memória e relata suas primeiras experiências com a leitura.
6. Leia agora este poema de Carlos Drummond de Andrade:
INFÂNCIA
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo. Minha mãe ficava sentada cosendo
Minha mãe ficava sentada cosendo. olhando para mim:
Meu irmão pequeno dormia. — Psiu… Não acorde o menino.
Eu sozinho menino entre mangueiras Para o berço onde pousou um mosquito.
lia a história de Robinson Crusoé, E dava um suspiro… que fundo!
comprida história que não acabava mais.
Lá longe meu pai campeava
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu no mato sem fim da fazenda.
a ninar nos longes da senzala — e nunca se esqueceu
chamava para o café. E eu não sabia que minha história
Café preto que nem a preta velha era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
café gostoso
café bom.
(Reunião. 10. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980. p. 3.)
a) Na sua opinião, por que o eu lírico afirma, nos versos finais do poema, que sua história “era mais
bonita que a de Robinson Crusoé”?
b) Compare estes dois trechos:
“lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acabava mais.” (Carlos Drummond de Andrade)
“Aquilo [Os Três Mosqueteiros] era uma história que não acabava nunca; e acho que esse era o seu
principal encanto para mim.” (Cecília Meireles)
Que significado tinha para essas crianças a leitura de livros volumosos e histórias longas?
c) Você acha que o poema “Infância” é também o relato de uma viagem pela leitura e pela memória?
Por quê?
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Observe este trecho do texto I:
“Sempre gostei muito de livros e, além dos livros escolares, li os de histórias infantis, e os de adultos”
Perceba que a autora empregou a palavra livros duas vezes e precisaria empregá-la mais duas: “ li os
(livros) de histórias infantis, e os (livros) de adultos”. Para evitar a repetição, ela suprimiu a palavra
livros e, em seu lugar, deixou a palavra os.
Nas frases abaixo, faça o mesmo: suprima o segundo termo destacado e deixe a palavra o ou a
palavra a em seu lugar:
a) Não me referi ao cabelo dele, mas ao cabelo dela.
b) Nunca gostei do doce de figo, mas gosto do doce de pêssego.
c) Não falei do documento de Márcia, mas do documento de Lourdes.
… mas ao dela.
… gosto do de pêssego.
… mas do de Lourdes. Po
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Empregando vários pontos de interrogação, a autora valoriza e destaca mais cada um dos elementos. Professor: Sugerimos que você leia para os alunos as duas
formas. Durante a leitura do texto original, enfatize cada um dos elementos e dê uma pausa entre um elemento e outro.
Professor: Se achar conveniente, poderá selecionar um trecho maior do texto I, ou tomar todo o texto para a leitura expressiva.
2. Releia este trecho do texto I:
“Seria a que recebi dos adultos tão variados em
suas ocupações e em seus aspectos? Das outras cri-
anças? Dos objetos? Do ambiente? Da natureza?”
Nesse trecho, a autora também poderia ter escrito
assim:
[…] Das outras crianças, dos objetos, do ambien-
te, da natureza?
No entanto, em vez da vírgula, ela preferiu usar o
ponto de interrogação, isolando cada um dos ele-
mentos. Que efeito de sentido tem a escolha feita pela autora?
■ LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
A pontuação e a entonação (a melodia da fala) têm papel decisivo na leitura. Para a leitura tornar-se
mais expressiva, é necessário perceber os momentos do texto que exigem ênfase em certas palavras,
pausa em outras, gradação em alguns trechos, etc.
Releia em voz alta o 2º parágrafo do texto I, procurando ler de modo pausado o trecho inicial, em
que há uma seqüência de verbos (vi, ouvi…). Ao chegar às frases interrogativas do final do parágrafo,
procure ler as perguntas de forma gradativa, cada vez com mais ênfase.
Trocando idéias
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1. Houve algum livro que marcou sua infância? Por quê? Conte para a classe.
2. A leitura, além de ser uma forma de “viajar” pelas palavras e pela imaginação, traz informações que
ampliam nossa visão do mundo.
a) Você gosta de ler? O quê?
b) Além da literatura (livros de histórias, poesia, teatro, etc.), a leitura de outros tipos de texto,
como o jornal, a revista, os quadrinhos, os textos sobre informática, também é importante?
Por quê?
c) Você acha que a leitura é importante para a formação das pessoas?
d) O que você acha que poderia ser feito na sua sala de aula ou na sua escola para os alunos passa-
rem a ler mais?
3. Cecília Meireles afirma, no texto I: “Mais tarde […] os livros se abriram, e deixaram sair suas reali-
dades e seus sonhos”. A maioria dos livros infantis e infanto-juvenis conta histórias inventadas pela
imaginação de um escritor. Apesar disso, você acha que as histórias, mesmo parecendo sonhos,
podem mostrar a realidade? Por quê?Po
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Tema:
Viagens
ESTUDO DO TEXTO
MINHAS FÉRIAS
Eu, minha mãe, meu pai, minha irmã (Su) e meu cachorro (Dogman) fomos fazer camping.
Meu pai decidiu fazer camping este ano porque disse que estava na hora de a gente conhe-
cer a natureza de perto, já que eu, a minha irmã (Su) e o meu cachorro (Dogman) nascemos em
apartamento, e, até os 5 anos de idade, sempre que via um passarinho numa árvore, eu gritava
“aquele fugiu!” e corria para avisar um guarda; mas eu acho
que meu pai decidiu fazer camping depois que viu o preço
dos hotéis, apesar da minha mãe avisar que, na primeira vez
que aparecesse uma cobra, ela voltaria para casa correndo, e
a minha irmã (Su) insistir em levar o toca-discos e toda a
coleção de discos dela, mesmo o meu pai dizendo que aonde
nós íamos não teria corrente elétrica, o que deixou minha irmã
(Su) muito irritada, porque, se não tinha corrente elétrica, como
ela ia usar o secador de cabelo? Mas eu e o meu cachorro
(Dogman) gostamos porque o meu pai disse que nós íamos
pescar, e cozinhar nós mesmos o peixe pescado no fogo e co-
mer o peixe com as mãos, e se há uma coisa que eu gosto é
confusão. Foi muito engraçado o dia em que minha mãe abriu
a porta do carro bem devagar, espiando embaixo do banco com
cuidado e perguntando “será que não tem cobra?”, e o meu pai
disse “este parece ser um bom lugar, com bastante grama e
perto da água”, e decidimos deixar para armar a barraca no dia
seguinte e dormir dentro do carro mesmo; só que não consegui-
mos dormir porque o meu cachorro (Dogman) pas-
sou a noite inteira querendo sair do
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carro, mas a minha mãe não deixava abrirem a porta, com medo de cobra; e no dia seguinte tinha
a cara feia de um homem nos espiando pela janela, porque nós tínhamos estacionado o carro no
quintal da casa dele, e a água que meu pai viu era a piscina dele e tivemos que sair correndo. No
fim conseguimos um bom lugar para armar a barraca, perto de um rio. Levamos dois dias para
armar a barraca, porque a minha mãe tinha usado o manual de instruções para limpar umas porca-
rias que o meu cachorro (Dogman) fez dentro do carro, mas ficou bem legal, mesmo que o zíper da
porta não funcionasse e para entrar ou sair da barraca a gente tivesse que desmanchar tudo e
depois armar de novo. O rio tinha um cheiro ruim, e o primeiro peixe que nós pescamos já saiu da
água cozinhado, mas não deu para comer, e o melhor de tudo é que choveu muito, e a água do rio
subiu, e nós voltamos pra casa flutuando, o que foi muito melhor que voltar pela estrada esburaca-
da; quer dizer que no fim tudo deu certo.
(Luis Fernando Verissimo. O nariz e outras crônicas. São Paulo:
Ática, 1994. p.17-8.)
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. O narrador é uma das personagens da história. Ele é um adulto ou uma criança? Justifique sua
resposta com pelo menos duas características da linguagem do texto.
2. Nas férias do narrador, toda a família vai acampar.
a) De quem partiu a idéia?
b) Qual foi o argumento do pai para convencer a família a fazer camping?
c) Na visão do filho, esse argumento correspondia ao motivo verdadeiro da decisão tomada
pelo pai? Por quê?
3. O pai sonha com umas férias em contato com a natureza, em que eles próprios pescariam e comeriam
com as mãos o peixe pescado. No entanto, a família tem comportamentos tipicamente urbanos.
Comprove isso com:
a) um hábito do narrador;
b) uma preocupação da irmã (Su);
c) uma preocupação da mãe.
4. Quanto tempo você acha que deve ter durado o camping? Comprove sua resposta com pelo menos
dois elementos do texto.
5.Releia este trecho: “minha mãe abriu a porta do carro bem devagar, espiando embaixo do banco
com cuidado e perguntando ‘será que não tem cobra?’, e o meu pai disse ‘este parece ser um bom
lugar, com bastante grama e perto da água’”.
a) A resposta do pai corresponde àquilo que a mãe perguntou?
b) O que essa confusão na linguagem sugere quanto ao relacionamento entre as pessoas naquele
momento, no carro?
É uma criança, porque construiu o texto em um único parágrafo, repete muitas palavras e expressões, usa excessivamente a palavra
e; além disso, emprega “peixe cozinhado”, em vez de “peixe cozido”.
Do pai.
Era preciso que os filhos conhe-
cessem a natureza de perto.
Não. Ele achava que a decisão tinha sido tomada por causa dos preços dos hotéis.
Até os 5 anos, estranhava quando via um passarinho solto.
Levar os discos e o secador de cabelo.
Se haveria cobra no local do camping.
No mínimo dois dias, por este trecho: “Foi muito engraçado o dia em que minha mãe abriu a porta
[...]”. Além disso, levaram dois dias para armar a barraca.
Não.
Já estão todos cansados, pouco se entendendo entre si.Po
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Flutuando na en-
chente.
Após as férias de julho ou do final do ano.
Resposta pessoal.
Não; o leitor espera
uma linguagem bem-
elaborada, própria de
um escritor.
6. Releia a última frase do texto.
a) Explique o sentido do trecho: “e nós voltamos pra casa flutuando”.
b) Que fatos comprovam que as férias junto à natureza foram frustradas, pelo me-
nos do ponto de vista do pai?
c) O narrador, no entanto, afirma: “o melhor de tudo é que choveu muito” e “no
fim tudo deu certo”. Por que, para ele, as férias não foram um fracasso?
7. O texto recebe o título de ‘Minhas férias’.
a) Em que época do ano os professores costumam solicitar uma redação sobre esse
assunto?
b) Se na escola o professor solicitasse que você produzisse um texto contando como
foram suas férias, sobre o que você escreveria?
8. Muito do humor desse texto tem origem em dois aspectos: a expectativa do que se vai ler e o tipo de
linguagem empregado.
a) Normalmente, o que o professor ou qualquer outro leitor esperam ler numa redação com esse
título? O texto lido atende a essa expectativa?
b) O texto foi escrito por Luis Fernando Verissimo, quando adulto.
• A linguagem que ele utiliza no texto atende à expectativa do leitor? Por quê?
• Pensando no narrador-personagem da história, a linguagem é compatível com ele?
■A LINGUAGEM DO TEXTO
O texto lido reproduz a escrita de uma criança que ainda não conhece bem as diferenças entre
linguagem oral e linguagem escrita. Por causa disso, o texto apresenta várias marcas da oralidade, entre
as quais dois problemas de coesão textual.
1. Observe este trecho:
“Eu, minha mãe, meu pai, minha irmã (Su) e meu cachorro (Dogman) fomos fazer camping.
Meu pai decidiu fazer camping este ano [...] mas eu acho que meu pai decidiu fazer camping
depois [...]”
Como se nota, a expressão fazer camping se repete sem necessidade no texto. Para evitar esse
problema de coesão, podemos substituí-la por outras palavras. Veja uma possibilidade:
Eu, minha mãe, meu pai, minha irmã (Su) e meu cachorro (Dogman) fomos fazer camping. Meu
pai tomou essa decisão este ano [...] mas eu acho que essa iniciativa só foi tomada depois [...]
Nos fragmentos abaixo tambem se verificam problemas de coesão. Resolva-os,
substituindo as expressões destacadas por palavras ou expressões equivalentes.
a) “mesmo o meu pai dizendo que aonde nós íamos não teria corrente
elétrica, o que deixou minha irmã (Su) muito irritada, porque, se não
tinha corrente elétrica [...]”
b) “nós íamos pescar, e cozinhar nós mesmos o peixe pescado no fogo, e
comer o peixe com as mãos.” Po
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O pai do narrador decidiu fazer camping, isto é, passar alguns dias junto à natureza, longe da cidade,
levando uma vida quase selvagem. As férias, entretanto, acabaram frustradas.
1. Você acha que a vida junto à natureza é mais saudáveldo que a vida nas cidades? Por quê?
2. A irmã do narrador deseja levar na viagem o secador de cabelo, quando
poderia secar os cabelos diretamente ao sol. Você acha que o homem
moderno e urbano, hoje, tem condições de se adaptar a uma vida intei-
ramente natural, sem as conquistas da tecnologia? Por quê?
3. Nos anos 60, o movimento hippie propunha uma vida natural, em
pequenas comunidades, longe da civilização. As crianças não freqüen-
tavam escolas e os adultos viviam do artesanato e, às vezes, da plan-
tação. Arembepe, na Bahia, foi um dos pontos mais importantes do
movimento hippie em nosso país.
a) O homem seria mais livre e feliz com esse tipo de vida? Por quê?
b) E você? Acha que poderia viver dessa forma? Por quê?
Sugestão: O rio tinha um cheiro ruim; além disso, o primeiro peixe que pescamos já saiu da água cozido, mas ninguém se atreveu a comer.
O melhor de tudo, porém, é que choveu tanto que a água do rio subiu, por isso, voltamos para casa.
2o. emprego: dali ou do veículo; 3o. emprego: simplesmente eliminar ou substituir por o auto-
móvel
c) “e decidimos deixar para armar a barraca no dia seguinte e dormir dentro do carro mesmo [...] o
meu cachorro (Dogman) passou a noite inteira querendo sair do carro [...] nós tínhamos estacio-
nado o carro no quintal [...]”
2. Outro problema de coesão textual existente no texto é o uso excessivo da palavra e para ligar as
palavras e orações. Releia este trecho:
“Mas eu e o meu cachorro (Dogman) gostamos porque o meu pai disse que nós íamos pescar,
e cozinhar nós mesmos o peixe pescado no fogo, e comer o peixe com as mãos, e se há uma coisa
que eu gosto é confusão.”
Veja como é possível evitar esse problema, assim como as repetições desnecessárias, a fim de tornar
o texto mais claro e sintético:
Mas eu e o meu cachorro gostamos porque o meu pai disse que íamos pescar; depois,
nós mesmos cozinharíamos o peixe e o comeríamos com as mãos. Achei ótimo, porque
se há [...]
A fim de evitar repetições desnecessárias, faça o mesmo com o trecho seguinte: substitua a palavra
e por palavras ou expressões equivalentes, fazendo as adaptações necessárias.
“O rio tinha um cheiro ruim, e o primeiro peixe que nós pescamos já saiu da água cozinhado,
mas não deu para comer, e o melhor de tudo é que choveu muito, e a água do rio subiu, e nós
voltamos pra casa [...]”
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Tema:
Viagens
ESTUDO DO TEXTO
Texto I
MENTES E MÃOS NO SÉCULO XXI
O lema do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) é Mens et Manus (mentes e mãos).
Perfeito para uma instituição que reúne cérebros privilegiados com o único objetivo de ter
idéias e transformá-las em coisas úteis ao homem. Invenções cuja possibilidade de existência a maioria
dos cidadãos sequer pode imaginar. Mas falta algo para que esse lema seja a completa tradução do que
se faz no MIT. Lá dentro, os cientistas têm mens et manus in tempus venturum (no futuro). Eles não
trabalham para resolver os problemas da atualidade. Vão muito mais longe. Simulam desejos e neces-
sidades que os indivíduos ainda não têm e os satisfazem. Criam um mundo novo. Mudam o modo de
pensar da humanidade. Seguem a escola de gente como o polonês Nicolau Copérnico (1473-1543),
que desmontou a idéia de que a Terra era o centro do Universo. Ou daqueles navegadores que também
pelos idos do século XV acrescentaram aos mapas um mundo até então desconhecido. Trilham o cami-
nho traçado pelo americano Thomas Alva Edison (1847-1931), cuja maior invenção não foi a lâmpada,
mas o laboratório científico profissional.
Mesmo Edison, porém, custaria a acreditar na existência de um centro de pesquisas tão grandioso
e produtivo quanto o MIT. Nos 650 000 metros quadrados do seu campus espalham-se 61 laborató-
rios. Nesses laboratórios, 12 116 pesquisadores inventam o que estará nos noticiários em breve e na
sua casa logo em seguida. De vídeos holográficos a computadores que reconhecem emoções. [...]
Entre seus feitos estão o desenvolvimento do radar, a invenção da pele artificial (usada no tratamento
de vítimas de queimaduras), a confirmação da existência dos quarks (as menores partículas subatô-
micas), [...] a descoberta do primeiro oncogene humano (gene envolvido no processo que dá origem
ao câncer) e a criação, junto com outras instituições, da Internet, a rede que hoje liga computadores
do mundo inteiro.
(Superinteressante, março 1996.)
TORRADAS COM REVISTAS
Você terá em casa algo como uma torradeira, na qual você disca e pede
uma revista. Cinco minutos depois: bing! Aí está sua revista impressa. Depois
que você tiver lido, coloca o papel reciclável de volta na torradeira, aperta
outro botão e bing! Páginas brancas novamente. Prontas para receber outra
revista. Tudo isso pode parecer fantasioso, mas neste exato momento estamos
construindo uma máquina dessas no MIT.
(Nicholas Negroponte, diretor do Media Lab, o laboratório de comunicação do MIT, em pales-
tra em 1955.)
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EM NOME DO PRAZER E DA EFICIÊNCIA
A TV, o vídeo, o computador e até os brinquedos que você tem na sua
casa estão com os dias contados. Muito do que o MIT está fazendo não
tem apenas objetivos filosóficos ou científicos. Ali também se inventam
maravilhosos produtos de consumo. Atrações que logo, logo vão estar
nas vitrinas dos shopping centers.
Afinal, quem não vai querer comprar um vídeo holográfico, que pro-
jeta imagens no ar? Pois ele
já funciona no Media Lab,
que, entre outras fontes de
financiamento, recebe di-
nheiro de mais de 100 em-
presas do mundo todo. [...]
(Superinteressante, março 1996.)
(Cena do filme De volta para o
futuro, de Robert Zemeckis.)
Texto II
TÚNEL DO TEMPO: O SONHO SECRETO DOS FÍSICOS
N ão existe sonho mais fantástico do que viajar através do tempo, voltar ao passado ou avançar
pelas décadas à frente. O problema é que, além de fantástico, esse é um sonho comprometedor.
Nenhum cientista pode sonhá-lo em público sem correr o risco de dar uma de maluco. Agora, para
surpresa dos próprios físicos, a possibilidade de cruzar os séculos para a frente e para trás não
pode mais ser descartada. Desde o final da década passada o físico americano Kip Thorne, do Instituto
de Tecnologia da Califórnia, trouxe à tona
um objeto estupendo, o wormhole, que, em
inglês, quer dizer buraco de minhoca. Com
esse nome nada futurista, até meio inverte-
brado, o wormhole pode ser a peça-chave de
um futuro ônibus do tempo.
E o que é esse bicho? É uma espécie de
túnel que, segundo a teoria, pode existir no
Universo. Como se fosse um atalho cósmico,
ele ligaria pontos superdistantes de um modo
tal que, se alguém pudesse caminhar por ele,
chegaria rapidamente à outra extremidade.
INTERNAUTAS: NETOS DOS
ARGONAUTAS
Os navegantes ousados do século XV, que liga-
ram as duas pontas do planeta com suas caravelas,
foram chamados de argonautas. Hoje a tarefa fi-
cou mais fácil: os internautas — assim são chama-
dos os viajantes ultramarinos da Internet —, dentro
de casa, podem dar a volta ao mundo com um sim-
ples apertar de botão. Vencidos os limites do espa-
ço, o desafio agora é quebrar as barreiras do tempo.
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A idéia de Thorne, então, seria
aproveitar esses túneis, deslocando
suas extremidades para os pontos
desejados e conseguir, com idas e
voltas por dentro deles, saltos não
apenas no espaço, mas também no
tempo.
Por enquanto essa máquina do
tempo só existe na teoria. Mas, exa-
tamente porque só existe na teo-
ria, tem aquele fascínio dos aviões
e helicópteros esboçados nas pran-
chetas do século XV por Leonardo
da Vinci. [...]Você pode não levar a sério, mas
viajar no tempo não é apenas pos-
sível. É até inevitável, em certas
circunstâncias. A ciência sabe disso desde 1905, data em que o alemão Albert Einstein formulou a
Teoria da Relatividade. “O princípio é muito simples”, disse à SUPER o americano Michael Morris,
da Butler University, em Indianápolis, pesquisador virtual nos mais importantes avanços da atuali-
dade. “Basta embarcar numa nave que alcance velocidade bem próxima à da luz, de 300 000 quilô-
metros por segundo”, explica Morris. “Automaticamente o tempo na nave vai começar a passar mais
devagar do que na Terra. Na volta, portanto, o viajante estará mais jovem do que os que não voaram.
Em números, se o relógio da nave, nessa velocidade, marca a passagem de 12 horas, os da Terra
marcam muito mais: uma década. Ou seja, em relação a quem ficou aqui, o viajante terá feito uma
travessia de dez anos para o futuro.”
(Superinteressante, set. 1996.)
COMO SERIA A VIAGEM?
A partir da Teoria da Relatividade — que ensina que um
relógio em movimento marca o tempo mais devagar do que
um relógio que está imóvel —, Thorne imaginou pôr uma
das bocas de um wormhole dentro de uma nave, mandando-
a para uma velocíssima viagem. A outra boca ficaria na Ter-
ra. Na volta, uma das bocas, a que viajou, estaria atrasada no
tempo. É claro! Se essa viagem acontecesse hoje, numa ve-
locidade bem próxima à da luz, bastariam 12 horas de pas-
seio para conseguir um intervalo de dez anos na Terra. Pron-
to! Sai um túnel do tempo para viagem: uma das bocas esta-
ria em 2006; a outra, em 1996. E quanto tempo levaria para
atravessar o túnel do tempo depois de pronto? Menos de 1
segundo.
privilegiado: extraordinário, excepcional.
campus: o espaço de pesquisa científica ou o
conjunto de edifícios de uma universidade.
holográfico: que projeta imagens no ar a partir
do raio laser.
■COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Observe estes dois fragmentos dos textos:
“Eles não trabalham para resolver os problemas da atualidade. Vão muito mais longe. Simu-
lam desejos e necessidades que os indivíduos ainda não têm e os satisfazem.”
“Não existe sonho mais fantástico do que viajar através do tempo, voltar ao passado ou avan-
çar pelas décadas à frente.”
Por esses textos, percebe-se que os cientistas têm grande interesse por certa questão. Qual é essa
questão? O tempo. Po
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ser considerado louco; O que é
isso?
Oral.
O público jovem.
2. O texto I faz referência a Nicolau Copérnico (1473-1543), cientista que contrariou o pensamento
geral de sua época, inclusive o da Igreja, afirmando que o Sol era o centro do Sistema Solar, o que
negava a idéia de ser a Terra o centro do Universo. Por causa disso, foi perseguido, e sua teoria
chegou a ser rejeitada pelo papa.
a) Que outras pessoas os dois textos mencionam como sonhadores cujas idéias mudaram o modo de
pensar da humanidade?
b) Por que, no texto II, afirma-se que o sonho de viajar no tempo “é comprometedor”?
c) Em filmes, desenhos e quadrinhos, você já viu alguma vez a figura do “cientista maluco”, isto é, a
associação que se faz entre ciência e loucura? Cite alguns exemplos.
d) Você acha que essa imagem do cientista é preconceituosa? Por quê?
3. A propósito do texto I:
a) Observe a data de sua publicação e responda: o título lhe é ade-
quado? Por quê?
b) O título do texto I também serviria ao texto II? Por quê?
c) O MIT recebe apoio financeiro de várias empresas. Por que
elas se interessam pelas pesquisas feitas no MIT?
4. De acordo com o texto I:
a) Qual a grande novidade trazida por Thomas Edison?
b) Como, então, se desenvolvia o trabalho científico antes de Tho-
mas Edison?
5.Os dois textos demonstram o inconformismo humano com as
barreiras do tempo. Quais são as tentativas de superação desses
limites enfocadas em cada texto?
■A LINGUAGEM DOS TEXTOS
1. Os dois textos lidos são jornalísticos. Contudo, o segundo apre-
senta algumas expressões nem sempre comuns à linguagem jor-
nalística, como “dar uma de maluco” e “E o que é esse bicho?”.
a) Essas expressões são mais comuns na linguagem oral ou na escrita?
b) Substitua essas expressões por outras do padrão culto de nossa língua.
c) Sabendo que o texto foi publicado na revista Superinteressante, que tipo de público o autor do
texto pretende atingir ao usar esse tipo de linguagem?
2. Repare no emprego dos parênteses e dos travessões nestes dois fragmentos dos textos:
“Entre seus feitos estão o desenvolvimento do radar, a invenção da pele artificial (usada no
tratamento de vítimas de queimaduras), a confirmação da existência dos quarks (as menores
partículas subatômicas) [...]”
“A partir da Teoria da Relatividade — que ensina que um relógio em movimento marca o
tempo mais devagar em relação a um relógio que está imóvel — Thorne imaginou [...]”
188 DIAS NO CÉU
Que graça pode haver em fi-
car dando voltas na Terra uma,
duas, três, quatro... 3 000 vezes?
Foi isso que a americana Shan-
non Lucid, de 53 anos, fez nos
últimos seis meses a bordo da
estação orbital russa Mir. A ma-
ratona, de 188 dias e 120 mi-
lhões de quilômetros ao redor da
Terra, terminou
na manhã da últi-
ma quinta-feira,
quando o ônibus
espacial Atlan-
tis, que a trouxe
de volta, pou-
sou na Flórida.
 (Veja, 2/10/96.)
De modo mais difícil e precário, já que não havia um local apropria-
do para os experimentos.
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Teoria da Relatividade.
Os parênteses e os travessões servem para isolar informações complementares, que explicam ou ampliam um
conceito anteriormente expresso.
Como se nota, dentro dos parênteses e dos travessões há uma informação relacionada ao termo
referido imediatamente antes.
a) A que termos se referem as informações postas entre parênteses no 1o. fragmento?
b) A que termo se refere a informação posta entre travessões no 2o. fragmento?
c) Conclua: para que servem os parênteses e os travessões em situações como essas em que foram
empregados?
3. As frases a seguir são longas e, devido ao número excessivo de vírgulas, têm sua leitura dificultada.
Torne sua leitura mais fácil e sua compreensão mais clara, empregando os parênteses ou os travessões:
a) No passado, muitos cientistas e filósofos, entre os quais Nicolau Copérnico, Galileu Galilei,
Giordano Bruno, foram perseguidos por suas idéias revolucionárias.
b) Leonardo da Vinci, autor dos famosos quadros A Monalisa e A santa ceia, foi também responsável por
várias invenções, embora nem todas bem-vistas em sua época, como máquinas de voar, cidades sus-
pensas, atiradeiras de guerra, etc.
1. Coloque-se no lugar de um pesquisador do MIT. Pense na forma como vivemos hoje, o que come-
mos, como nos transportamos, quais as nossas formas de lazer, os problemas de poluição ambiental,
etc. Então imagine: que tipo de necessidade o ser humano vai ter daqui a trinta anos? Que máquina
você poderia inventar hoje para resolver os problemas de amanhã?
2. Algumas pessoas, talvez por razões religiosas, não vêem com bons olhos certas áreas de pesquisa
científica, empenhadas em descobrir o túnel do tempo, retardar o envelhecimento físico, buscar a
origem do homem no planeta, etc. Acham que o ser humano não deve desvendar o mistério que
envolve a vida. Você concorda com isso? A ciência deve levar adiante essas pesquisas? Por quê?
3. Suponha que os cientistas tenham conseguido, finalmente, descobrir um meio de viajar no tempo.
Qualquer pessoa poderia se transportar para o passado e para o futuro.
a) Se você viajasse para o passado, para o ano de 1940, o que procuraria evitar que acontecesse, já
tendo conhecimento do que ocorreu nos anos posteriores a essa data?
b) Baseando-se no fato de que nem todos os habitantes do nosso planetarespeitam a vida e a natu-
reza, levante hipóteses: se você viajasse para o futuro, para o ano 2020, como encontraria nosso
país e o mundo?
Pele artificial e quarks,
respectivamente.
 Sugestão: Como, nesse período, há dois trechos que podem ser isolados, é possível
empregar os travessões e os parênteses conjuntamente. Por exemplo: o trecho “autor dos famosos quadros A Monalisa e A santa
ceia” poderia ficar entre parênteses, e o trecho “embora nem todas bem-vistas em sua época” poderia ficar entre travessões. Outra
possibilidade é isolar apenas um dos trechos.
Sugestão: Isolar com travessões o trecho “entre os quais Nicolau [...] Bruno”.
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Tema:
Viagem pela palavra
TEXTO I
A INCAPACIDADE DE SER VERDADEIRO
P aulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-
da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.
A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola
um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo.
Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol
durante quinze dias.
Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da terra passaram
pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-
lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr.
Epaminondas abanou a cabeça:
— Não há nada a fazer, Dona Coló. Esse menino é mesmo um caso de poesia.
(Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985. p. 24.)
Estudo do textoEstudo do texto
dragão-da-independência: soldado da
cavalaria.(Quino. Artes e partes. Lisboa:
D. Quixote, 1994.)
TEXTO II
POETA À VISTA
Não sei como pôr para fora
essas idéias malucas
que me sacodem a cabeça.
É coisa muito esquisita,
parece assombração:
palavras que nascem feitas
sem nenhuma explicação.
Contar aos pais
não adianta… Vão dizer:
“É tudo imaginação!”
Falar com a turma… não sei.
Pode virar gozação.
O jeito é tentar guardar
esse caso para mim mesmo
e colocar no papel
os recados da emoção.
Uma palavra aqui,
outra palavra ali…
Parece que achei o caminho!
Epa! Mas isso tem cara de verso!
Será que eu sou poeta?
E agora? Que vergonha!
Só me faltava mais essa…
Outro segredo bem trancado
no fundo do coração.
(Carlos Queiroz Telles. Sonhos, grilos e paixões. 6. ed. São Paulo: Moderna, 1992. p. 30.)Po
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Porque vivia dizendo coisas estranhas, aparentemente sem nexo.
A Paulo.
Por ser poeta, ele não consegue falar das coisas simplesmente como elas são.
Seus pensamentos e suas emoções.
Surpreso e inseguro quanto à reação das outras pessoas.
■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. No texto I, todos achavam que Paulo era mentiroso.
a) Por que ele tinha essa fama?
b) Será que não existe lógica no pensamento de Paulo? Vejamos: se os dragões-da-independência
têm esse nome, por que não podem emitir fogo? Se a lua parece um queijo, por que um pedaço
dela não teria sabor de queijo? Todas as borboletas do mundo, unidas, não formariam um “tapete
de borboletas”?
Você acha que Paulo mentia quando falava essas coisas ou buscava um significado diferente para
cada uma delas?
c) Qual é, então, a diferença entre ser mentiroso e ser “um caso de poesia”?
2. O título do texto I é “A incapacidade de ser verdadeiro”.
a) A quem ele se refere?
b) Qual a razão dessa incapacidade?
3. No texto II, o eu lírico (o “eu” que fala no poema) está escrevendo versos.
a) O que esses versos expressam?
b) Como ele se sente, descobrindo-se um poeta principiante?
4. Compare a reação que os adultos têm diante das idéias de Paulo com a reação que o eu lírico do
texto II acha que as pessoas vão ter quando souberem que ele escreve poesia.
a) O que as pessoas, em geral, tendem a pensar com relação à poesia?
b) Entre Paulo e o eu lírico do texto II, quem se preocupa claramente com a opinião alheia? Justifi-
que sua resposta com elementos do texto.
5. Qual dos itens seguintes não deve ser considerado uma das conclusões que podemos extrair dos
dois textos?
a) A poesia possibilita às pessoas desprender-se da realidade, viajar por meio da palavra.
b) Os dois garotos sentem vergonha por se descobrirem poetas.
c) Ambos os textos tratam do nascimento de um poeta, embora Paulo (texto I) ainda não tenha
consciência disso.
d) A poesia é associada pelas pessoas a maluquices, a idéias esquisitas.
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Leia estes fragmentos dos textos I e II:
“A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um
pedaço de lua”
“Epa! Mas isso tem cara de verso!
Será que eu sou poeta?”
Neles, os autores empregaram termos freqüentemente utilizados na linguagem oral.
a) Identifique-os.
b) Reescreva esses fragmentos com palavra(s) de sentido equivalente, própria(s) da variedade pa-
drão da língua portuguesa.
O eu lírico do texto II preocupa-se com a opinião dos familiares e dos amigos. No texto I não há nenhuma referência a esse tipo de preocupação por parte de Paulo.
X Paulo não tem vergonha do que fala.
botou-o e cara
Respostas pessoais. Sugestões: A mãe colocou-o de castigo… / Epa! Mas isso parece/tem jeito de verso! Po
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Ele não só pagou a dívida atual, mas também (pagou) as atrasadas.
A 1ª.
Meus sobrinhos não só vieram à festa, mas também ficaram para dormir.
2. Compare as duas frases a seguir, a primeira delas extraída do texto I:
“Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol”
Paulo ficou sem sobremesa e foi proibido de jogar futebol.
Como se vê, tanto na 1ª quanto na 2ª frase, o sentido é quase o mesmo: Paulo não terá sobremesa
nem jogará futebol. A expressão não só… mas (como) também tem o mesmo valor de e, isto é, o
sentido de soma, de adição. Na 1ª frase, o autor deixou subentendida a palavra também.
a) Apesar da semelhança de sentido, uma das frases é mais enfática. Qual?
b) Elimine a palavra e das frases seguintes e reescreva-as, empregando em seu lugar a expressão não
só… mas (como) também:
• Ele pagou a dívida atual e pagou as atrasadas.
• Meus sobrinhos vieram à festa e ficaram para dormir.
• Esses jovens lêem livros e revistas e acompanham os jornais diários.
■ LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Releia o poema “Poeta à vista”, tentando interpretar, nas duas primeiras estrofes, a insegurança do
eu lírico e, nas duas últimas, a surpresa dele ao descobrir-se poeta. Ao interromper a fala nas reticências,
procure sugerir dúvida ou surpresa. E, ao ler as frases exclamativas e interrogativas, enfatize-as.
Leia o texto seguinte, do cartunista argentino Quino:
Cruzando linguagensCruzando linguagens
(Bien, gracias. ¿ Y’usted?. 6. ed. Barcelona: Lumen, 1985. p. 96. Traduzido para o português.)
Desça, meu filho!
Primeiro o trabalho,
depois a poesia!
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O pai, porque aponta para a terra e quer o trabalho da lavoura em primeiro
lugar.
O filho, porque “voa” pela poesia e abandona o trabalho da lavoura.
Uma máquina agrícola.
Porque a poesia também é uma espécie de vôo, só que realizado por
meio das palavras.
É sonho, fantasia, imaginação.
É a parte externa e material da realidade: a colheita, a sobrevivência, etc.
Sim, é um trabalho que exige, além do esforço físico, uma boa dose de imaginação e criatividade.
Todos os três “viajam”por meio da poesia.
Porque está preso à realidade, não valorizando os vôos da imaginação.
Trocando idéias
Professor: Ao discutir essa questão, o ideal seria o aluno perceber que nem todas as atividades humanas precisam estar voltadas para fins práticos; a arte, por exemplo,
tem um papel diferente e não menos importante: proporciona prazer, entretenimento, cultura, reflexão crítica, etc.
1. O cartum retrata uma situação em que um agricultor e seu filho demonstram ter visões comple-
tamente diferentes da vida e do mundo. Observe para onde aponta o pai e onde se encontra o
filho.
a) Qual deles está mais ligado à realidade? Por quê?
b) Qual deles está mais ligado ao irreal, à fantasia? Por quê?
2. Normalmente os poetas usam como ferramentas de trabalho a caneta, o lápis, a máquina de escrever
ou o computador.
a) Que ferramenta o filho do agricultor utiliza?
b) Por que o pai associa o vôo da máquina com a poesia?
3. O agricultor opõe a poesia ao trabalho.
a) Para ele, o que é a poesia?
b) E o que é o trabalho?
c) E, para o poeta, a poesia é um trabalho?
4. Compare o cartum de Quino com a crônica de Carlos Drummond de Andrade e com o poema de
Carlos Queiroz Telles.
a) Em que aspecto o filho do agricultor se assemelha a Paulo, do texto I, e ao eu lírico do
texto II?
b) Por que o agricultor se assemelha às demais pessoas mencionadas nos textos I e II?
1. Nem sempre a poesia trata do amor, mas muitos poetas a descobrem quando ficam apaixonados
pela primeira vez. Vem então aquela vontade de pôr para fora os sentimentos, de comparar a pessoa
amada a tantas coisas bonitas, que haja palavras, tinta e papel! Você já passou por isso? Suponha que
você viva uma experiência desse tipo e chegue a escrever um poema. Do que falaria nele? A que
compararia a pessoa amada?
2. Os dois textos lidos põem em destaque a reação (negativa) que normalmente a maioria das pessoas
tem diante do poeta iniciante.
a) Por que a maioria das pessoas tende a rejeitar aquilo que é diferente do comportamento
comum?
b) Você acha que um(a) jovem sensível, que se descobre com dom para as artes — poesia, música,
pintura, dança, etc. —, não pode ter uma vida inteiramente normal, como os outros jovens?
c) Você teria coragem de ser um artista, mesmo que tivesse de contrariar a opinião de outras
pessoas? Por quê?
3. No mundo de hoje, quase tudo tem uma função prática. A todo momento, ouvimos ou pergunta-
mos: “Para que serve isso?”. Há coisas, contudo, que fogem a esse espírito prático. É o caso da poesia
e da arte em geral. Mas faça um esforço e tente responder: Para que servem a arte e a poesia?
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Tema:
Viagem pela palavra
A RUA DAS RIMAS
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,
direita, estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e varais nos quintais;
e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,
doiradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas;
e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço baço e lasso,
e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,
mas brando e brando, soltando, de vez em quando,
na luz rala de opala de uma sala uma escala clara que embala;
e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde;
e de noite, no ócio capadócio,
junto aos espiões, os bordões dos violões;
e a serenata ao luar de prata (mulata ingrata que me mata…);
e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio…
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer uma mulher
que bem me quer;
é uma rua, como todas as ruas, com suas duas calçadas nuas,
correndo paralelamente, como a sorte, como a sorte diferente de toda a gente,
para a frente,
para o infinito; mas uma rua que tem escrito um nome bonito,
bendito, que sempre repito
e que rima com mocidade, liberdade, tranqüilidade: RUA DA FELICIDADE…
(Guilherme de Almeida. São Paulo: Abril Educação, 1982. p. 70-1.
Col. Literatura Comentada.)
Estudo do textoEstudo do texto
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acácia: planta de flor amarela e cheirosa.
alarde: barulho.
baço: embaçado, sem brilho.
bordão: som grave; corda de instrumento musical.
brando: leve, lento.
capadócio: trapaceiro, falso, impostor.
escala: seqüência gradativa de sons.
lasso: frouxo, cansado.
ócio: preguiça.
opala: pedra de coloração azulada que emite cores vivas quando exposta à luz.
singelo: simples.
Procure no dicionário outras palavras que você desconheça.
mulher/bem me quer; toda a gente/para a frente
Em todos os versos, como o 1º, por exemplo.
Sim, porque apresentam sons semelhantes.
Sim, porque todo o poema, que é uma descrição da rua, é construído com rimas.
Não, tudo nessa rua — natureza, pessoas, música, etc. — leva à tranqüilidade e à felicidade.
X
■ COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
1. Qual dos itens a seguir traduz a idéia central do texto?
a) Para o eu lírico, na rua ideal tudo tem que ter nome sonoro, para poder rimar.
b) Para o eu lírico, a rua ideal é aquela que tem casas e prédios luxuosos, bem-decorados e
ajardinados.
c) A rua ideal, para o eu lírico, é simples mas rica em sensações, sons, tranqüilidade e felicidade.
2. O poema se intitula “A rua das rimas”. Rima é uma semelhança de sons entre a
terminação de duas ou mais palavras. Ela normalmente ocorre entre palavras do
final de versos.
Observe:
“[…] um nome bonito,”
“[…] sempre repito”
A rima também pode se dar no interior de um único verso; nesse caso, chama-se
rima interna. Veja as rimas internas deste verso:
“direita, estreita, bem feita, perfeita”
a) Identifique no poema outras rimas entre palavras do final de versos.
b) Identifique outro verso em que ocorram rimas internas.
3. A palavra harmonia tem, entre outros, estes sentidos: “ordem, acordo, semelhança, sucessão
agradável de sons”.
a) Quando duas palavras rimam entre si, podemos dizer que seus sons são harmônicos?
Explique.
b) O poema recebeu o título de “A rua das rimas”. Podemos dizer que a rua sonhada pelo eu lírico
é uma rua harmônica? Por quê?
c) A harmonia existente nessa rua é apenas de som? Justifique sua resposta. Po
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Pregões, piano, violões, alarde de crianças,
serenata, silêncio (falta de som)
lua rala, opala, luar de prata, tarde que arde
(amarela ou vermelha de sol)
Alegre, porque as cores e os sons lembram movimento, vida.
acácias […] descabeladas, debruçadas
Ela se torna humanizada.
É isso tudo que a rua tem: tranqüilidade, liberdade, simplicidade, harmonia, sentimentos, música, humanidade, etc.
todos
Entre outros: “é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta, / direita, estreita, bem feita, perfeita”.
4. O poema é bastante envolvente em razão do jogo sonoro que faz com as palavras. Além disso,
também é rico em sugestões de som e cor.
a) Destaque do texto ao menos quatro referências a sons produzidos na rua do eu lírico.
b) Destaque do poema ao menos duas referências ao colorido dessa rua.
c) A presença desses sons e dessas cores sugere que a rua seja alegre ou triste? Por quê?
5. Observe este verso:
“e algum piano provinciano, quotidiano, desumano”
Ao atribuir características humanas ao piano, o poeta fez uso da personificação ou prosopopéia,
um recurso de expressão que consiste em dar vida a seres inanimados, ou atribuir ações, idéias e
sentimentos a seres inanimados ou irracionais.
a) Identifique a personificação presente neste outro fragmento:
“e acácias paralelas, todas elas belas, singelas,que é inerente ao Humor.” (Geandré)
d) “[...] a razão pela qual existe o cartum é a força da sátira, e o poder nunca, jamais, ou quase
nunca, que eu me lembre, esteve a favor do povo.” (Zélio)
O comentário c está mais voltado a explicar a necessidade do humor do que a explicar a relação entre humor e realidade.
✗
A esperança (o ramo verde) de que a paz (a pomba) vença a guerra (o canhão).
1. A imagem retrata uma cena que sugere movimento e diálogo.
a) Observe os dois militares. Qual a diferença de posto entre eles no Exército? Justifique sua resposta
com elementos da imagem.
b) O que provavelmente a personagem que está sobre o canhão fazia antes da cena retratada?
c) O que impediu sua ação?
d) Levante hipóteses: o que o soldado deve estar falando ao oficial?
2. Diferentemente da charge — que trabalha com caricaturas de pessoas conhecidas ligadas à política,
à televisão, etc. —, o cartum retrata figuras comuns, que representam o homem e a condição huma-
na. Com base nesses dados, responda: o texto de Mordillo é uma charge ou um cartum? Justifique
sua resposta com elementos do texto.
3. O autor utiliza no texto alguns símbolos conhecidos.
a) O que simbolizam o canhão e os militares?
b) E a pomba?
c) E o ramo verde no bico da pomba?
d) O que todos esses símbolos, unidos, podem transmitir ao leitor?
4. O cartum de Mordillo tem uma clara intenção política e, além disso, é humorístico. Em que consiste
seu humor?
5.A foto abaixo foi tirada na Praça da Paz Celestial, na Chi-
na, em 3 de junho de 1989, quando centenas de milhares
de estudantes e populares foram às ruas exigir democra-
cia. O governo reagiu violentamente, com tropas e tan-
ques, deixando cerca de 1 500 mortos e 10 mil feridos.
SILÊNCIO A BALA
Doze dias após o massacre de Pe-
quim, 27 acusados de liderarem o
movimento de protesto foram suma-
riamente executados pelo governo
chinês, com um tiro na cabeça, ape-
sar dos protestos do mundo inteiro.
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24
DE LH NA I MAGEM
Polícia humorística.
Documentos, por favor.
Hum... “Desenhista
profissional”.
Desenhista de humor?
Vejamos: a morte, a velhice, a
injustiça social, o autoritarismo... Na
sua opinião, esses temas são
humorísticos?
Sim, sim. Olhe: todas estas
são páginas publicadas
aqui mesmo!!
E por que não está desenhando?
Não vejo nada de engraçado nesta
página!!! Você desenha ou não
desenha
humor?
É isto que você fez de humorístico em
toda a sua vida?
Não, não, espere, fiz outras coisas. Vejamos que diabos é isto. Porém,
para o seu bem, espero que se trate
de algo
divertido.
Pelo menos são otimistas.
Na minha acham que
Argh!
Puf!
Na sua casa, como
acham que estão as
coisas?
Hã... sim.
Tema:
Humor
Tradução livre dos autores. (Quino. Qué mala es la gente! Barcelona: Lumen, 1996. p. 125.) Po
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PL-Miolo Leitura-Aluno 8/8/06, 4:40 PM24
O Estado.
Numa ditadura.
Comprova, pois “Polícia humorística” supõe que seja um departamento especializado em reprimir o humor político.
A morte, a velhice, a injustiça social, o autoritarismo.
Não; os temas são sociais, pois ao falar da situação de suas casas, as crianças falam da situação do país.
A visão do policial.
A visão do desenhista (Quino).
25
1. O cartum retrata um diálogo entre um desenhista e um policial. Das instituições sociais (Igreja,
Estado ou governo, família, etc.), qual delas o policial representa?
2. Nos países democráticos, as pessoas têm o direito de expressar livremente suas idéias, seja por meio
da fala ou da escrita, seja por meio da arte. Nas ditaduras, entretanto, o Estado proíbe a liberdade de
expressão e instaura a censura.
a) Conclua: O desenhista e o policial vivem num país democrático ou numa ditadura?
b) O departamento de polícia a que pertence o policial comprova ou nega sua resposta anterior?
3. O policial não vê graça nos trabalhos do humorista.
a) Que temas o humorista explora?
b) Pelos comentários do policial, como provavelmente ele acha que deve ser o trabalho humorístico?
4. Nos quadrinhos que o desenhista mostra, vemos Mafalda, personagem de Quino. Isso nos faz crer
que a personagem desenhista do cartum seja o próprio Quino.
Nas tiras mostradas pelo desenhista ao policial, as personagens são crianças, o que cria a expectativa
de que os temas abordados serão leves, e não sociais. Essa expectativa se confirma? Justifique sua
resposta.
5. O humorista brasileiro Ziraldo afirma:
“O humor, numa concepção mais exigente, não é apenas a arte de fazer rir. Isso é comicidade,
ou qualquer outro nome que se escolha. Na verdade, humor é uma análise crítica do homem e da
vida.”
Relacione as duas visões de humor expressas no cartum (a do policial e a do desenhista) à afirmação de Ziraldo.
a) Qual delas se identifica com comicidade?
b) E qual se identifica com humor?
6. Veja o que afirma o humorista Zélio a respeito do cartum:
“Um cartunista jamais poderá ser a fa-
vor do governo. Não pode haver cartum a
favor. É uma condição, porque a razão pela
qual existe o cartum é a força da sátira, e o
poder nunca, jamais ou quase nunca, que eu
me lembre, esteve a favor do povo.”
Observe as cenas finais do cartum. Que semelhança você
vê entre elas e o comentário de Zélio?
7. Milton Nascimento, em uma de suas canções, proclama:
“Todo artista tem de ir aonde o povo está”. E o humorista
Zélio afirma: “O humorista, o artista, o grafista é um ho-
mem como outro qualquer, que sofre as conseqüências da
sociedade e que analisa o que observa”.
Levando em conta esses comentários, explique a relação
existente entre os artistas do humor e o povo.
RIA POR MIM, ARGENTINA...
Não apenas com choro se expressam
os sentimentos de dor e sofrimento de
uma nação. Em muitos momentos da His-
tória, o humor e o riso foram uma forma
de resistência política. O trabalho de Qui-
no, por exemplo, destacou-se durante a
ditadura militar na Argentina (1976-
1982), época em que o desenhista alcan-
çou sucesso internacional.
No Brasil, durante o regime militar
(1964-1986), também surgiram humo-
ristas de grande expressão, como Ziral-
do, Henfil e Millôr Fernandes.
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26
DE LH NA I MAGEM
Tema:
Adolescência
Pôr-do-sol (1926), de Norman Rockwell. Po
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PL-Miolo Leitura-Aluno 8/8/06, 4:40 PM26
Ele deve tê-la puxado ao seu encontro.
Ele pode pertencer a um ou a outro: pode ser o companheiro de pesca
do menino ou a companhia da menina em seus passeios.
Transmitem tristeza.
As flores, principalmente, e as pernas distantes.
A vara de pesca, principalmente. O cão é um elemento que pode estar ligado tanto a um quanto a outro.
O abraço entre eles, o corpo reclinado dela.
A insegurança, as dificuldades e incertezas da fase adolescente.
Provavelmente ao menino.
Provavelmente ela colhia flores no campo e ele estava indo pescar.
27
1. Os elementos que compõem esse quadro fazem imaginar uma história. Observe as personagens, o modo como
estão vestidas e como se abraçam; veja também a expressão do cão, os objetos que estão no chão e as margaridas
que pendem da mão da menina.
a) Pelas roupas, pelo cabelo e pelo porte físico dos garotos, que idade você acha que eles têm?
b) A quem, provavelmente, pertencem a vara de pescar e as minhocas?
c) O que possivelmente eles faziam antes de se encontrarem?
2. Observe a postura das duas personagens. O garoto tem o corpo ereto, enquanto a garota tem o corpo inclinado:
a parte superior do corpo dela está próxima do garoto, mas as pernas estão distantes.
a) Levante hipóteses: Que tipo de movimento oamarelas,
doiradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas”
b) Na sua opinião, que nova característica ganha a rua com o emprego da personificação?
6. Releia o último verso do poema. De acordo com as idéias desse verso e de todo o texto, o que é a
felicidade para o poeta?
7. Para conhecermos um bairro ou uma cidade, precisamos percorrer cada uma de suas ruas e avenidas. Para
ler um poema, também precisamos percorrer cada um de seus versos. Assim, os versos de um poema são
como ruas e avenidas de uma cidade: que se ligam, se completam e levam a todos os lugares. Com base
nessa comparação, indique quais dos itens seguintes correspondem a afirmações coerentes sobre o texto:
a) Os sons têm uma grande importância na construção do poema. Primeiramente, porque o poeta
emprega muitas rimas; em segundo lugar, porque a rua que ele imagina é também cheia de sons,
com vozes, canto e música.
b) A rua do poeta se chama Rua da Felicidade e o seu poema se chama “A rua das rimas”. Na visão
do poeta, as rimas, ou a poesia, são uma forma de chegar à felicidade.
c) O poema, com seus sons que combinam uns com os outros (rimas), sugere uma rua em que tudo
se harmoniza: a natureza, as pessoas, a música e a poesia.
■ A LINGUAGEM DO TEXTO
1. Observe a sonoridade deste verso:
“e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço baço e lasso”
O verso é sonoro não apenas porque apresenta rimas internas, entre palavras terminadas em -aço,
mas também porque há repetições dos sons consonantais p e s. A esse recurso, o de repetir um
mesmo som consonantal, chamamos aliteração. Veja:
som de /p/ (pê): passo, espaço, espaço
som de /s/ (cê): passo, espaço, espaço, mormaço, aço, baço, lasso
Identifique outros versos em que também tenha sido empregada a aliteração.Po
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Professor: Sugerimos que, previamente, oriente a classe quanto à pontuação e à entonação adequada aos versos. Em seguida, numere os versos e distribua-os da seguinte
forma: aluno A: verso 1; aluno B: versos 2 e 3; aluno C: versos 4 e 5; aluno D: verso 6; aluno E: verso 7; aluno F: verso 8; todos: versos 9, 10 e 11; aluno B: verso 12; aluno C: versos
13, 14 e 15; todos: 16; aluno A: 17; aluno D: 18 e 19; aluno E: 20; aluno F: 21; todos: 22; aluno A: 23, 24 e 25, esse último verso até “tranqüilidade”; todos: RUA DA FELICIDADE…
Respostas pessoais.
Trocando idéias
2. Brinque com palavras! Crie um ou mais versos com as palavras seguintes, formando aliterações. Se
quiser, acrescente outras palavras.
 pobre espera povo espreme ponte partido ponto postal
 porto porta portar importar sempre sendo senso
 censo incenso sede assim assunto ser som
 assombrar assuntar assento acento
■ LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO
Seguindo as orientações de seu professor, faça com os colegas a leitura do poema na forma de
jogral.
1. No poema, o autor enumerou vários elementos que gostaria que houvesse em sua rua: flores,
crianças, adultos, animais, luar, música, amor, calçadas, etc. Agora imagine uma rua ideal
para você.
a) Descreva-a. Como seria?
b) O que haveria na sua rua que o poeta não imaginou para a dele?
2. A rua do poeta é uma rua sonhada, que não existe na vida real. Pense agora em lugares reais,
que sejam bastante agradáveis. Que lugar você escolheria como modelo de cidade, de bairro,
de rua?
3. Pergunte a seus avós como era a rua em que moravam quando crianças: as brincadeiras, as pessoas, as
conversas, as amizades, os namoros, etc. Se for possível, traga para a classe algumas fotos antigas da
sua família nas quais apareçam ruas. Em seguida, compare as ruas vistas nas fotos com a rua em que
você mora.
a) O que mudou daquele tempo para hoje?
b) Será que as pessoas eram mais felizes? Por quê?
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Tema:
Viagem pela palavra
O GALO QUE CANTAVA PARA
FAZER O SOL NASCER
E ra uma vez um galo que acordava bem cedo todas as manhãs e dizia para a bicharada do galinheiro:
 — Vou cantar para fazer o sol nascer…
Ato contínuo, subia até o alto do telhado, estufava o peito, olhava para o nascente e ordenava, definitivo:
— Có-có-ri-có-có…
E ficava esperando.
Dali a pouco a bola vermelha começava a aparecer, até que se mostrava toda, acima das montanhas,
iluminando tudo.
O galo se voltava, orgulhoso, para os bichos e dizia:
— Eu não falei?
E todos ficavam biqui/abertos e respeitosos ante poder tão extraordinário conferido ao galo: cantar
pra fazer o sol nascer.
Ninguém duvidava. Tinha sido sempre assim. Também o galo-pai cantara para fazer o sol nascer, e
o galo-avô.
Tal poder extraordinário provocava as mais variadas reações.
Primeiro, os próprios galos não estavam de acordo. E isto porque não havia um galo só. Quando a
cantoria começava, de madrugada, ela ia se repetindo pelos vales e montanhas. Em cada galinheiro
havia um galo que pensava a mesma coisa e julgava todos os outros uns impostores invejosos. Além do
que não havia acordo sobre a partitura certa para fazer o sol nascer. Cada um dizia que a única verda-
deira era a sua — todas as outras sendo falsificações e heresias. Em cada galinheiro imperava o terror.
Os galos jovens tinham de aprender a cantar do jeitinho do galo velho, e se houvesse algum que
Estudo do textoEstudo do texto
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desafinasse ou trocasse bemóis por suste-
nidos, era imediatamente punido. Por ve-
zes, a punição era um ano de proibição de
cantar. Sendo mais grave o desafino, ame-
açava-se com o caldeirão de canja do fa-
zendeiro, fervendo sobre o fogão de lenha.
[…]
Depois havia grande ansiedade entre os
moradores do galinheiro. E se o galo fi-
casse rouco? E se esquecesse da partitura?
Quem cantaria para fazer nascer o sol?
O dia não amanheceria. E por causa disso
cuidavam do galo com o maior cuidado.
Ele, sabendo disso, sempre ameaçava a
bicharada, para ser mais bem tratado ain-
da.
— Olha que eu enrouqueço!, dizia.
E todos se punham a correr, para satisfazer as suas vontades.
[…]
Aconteceu, como era inevitável, que certa madrugada o galo perdeu a hora. Não cantou para fazer o
sol nascer.
E o sol nasceu sem o seu canto.
O galo acordou com o rebuliço no galinheiro. Todos falavam ao mesmo tempo.
— O sol nasceu sem o galo… O sol nasceu sem o galo…
O pobre galo não podia acreditar naquilo que os seus olhos viam: a enorme bola vermelha, lá no alto
da montanha. Como era possível? Teve um ataque de depressão ao descobrir que o seu canto não era
tão poderoso como sempre pensara. E a vergonha era muita.
Os bichos, por seu lado, ficaram felicíssimos. Descobriram que não precisavam do galo para que o
sol nascesse. O sol nascia de qualquer forma, com galo ou sem galo.
Passou-se muito tempo sem que se ouvisse o cantar do galo, de deprimido e humilhado que ele
estava. O que era uma pena: porque é tão bonito. Canto de galo e sol nascente combinam tanto. Parece
que nasceram um para o outro.
Até que, numa bela manhã, o galinheiro foi despertado de novo com o canto do galo. Lá estava ele,
como sempre, no alto do telhado, peito estufado.
— Está cantando para fazer o sol nascer?, perguntou o peru em meio a uma gargalhada.
— Não, ele respondeu. Antes, quando eu cantava para fazer o sol nascer, eu era doido varrido. Mas
agora eu canto porque o sol vai nascer. O canto é o mesmo. E eu virei poeta.
(Rubem Alves. Estórias de bichos. 2. ed. São Paulo: Loyola, 1990. p. 22-5.)
bemóis e sustenidos: variações de tom de uma nota musical.
depressão: abatimento moral.
deprimido: estado daquele quegaroto deve ter feito com os braços para que ela ficasse nessa
posição?
b) O que esse abraço sugere quanto ao relacionamento existente entre eles?
c) Esse tipo de comportamento é condizente com os traços infantis dos dois?
3. Observe o cão, seus olhos e sua expressão.
a) A quem você acha que ele pertence?
b) Que tipo de sentimento seus olhos transmitem?
c) Por que você acha que ele está se sentindo assim?
4. Em parte crianças, em parte adultos, os garotos estão começando a
viver a fase da adolescência. Com base nisso, observe que o quadro
pode ser dividido em duas partes: do banco para baixo, está o mundo
infantil, das brincadeiras, da diversão. Acima do banco, está o mundo
adulto, que se inicia com a adolescência.
a) Do banco para baixo, que elemento(s) se associa(m) à infância abandonada:
• pela menina?
• pelo menino?
b) Do banco para cima, que elemento(s) se associa(m) à iniciação à fase adulta?
5. Observe o banco em que as personagens estão sentadas. Perceba a fragilidade dos troncos de sustentação e como
a tábua central está vergada.
Supondo que o banco simbolize a linha divisória entre o mundo infantil e o mundo adulto, o que significa, na
sua opinião, a fragilidade do banco?
6. As personagens do quadro olham para o sol que se põe. Por essa razão, a tela se intitula Pôr-do-sol. No contexto,
porém, esse título pode ganhar outros significados. Como você sabe, o pôr-do-sol é a transição do dia para a
noite e marca o momento a partir do qual ocorre a substituição do sol pela lua e pela estrelas.
a) Qual a semelhança existente entre o dia que finda e a infância das personagens?
b) Que relação existe entre a noite que se aproxima e o momento que eles estão vivendo no presente?
Que se inicia um namoro entre eles.
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Tema:
Consumo
Mitos, de Andy Warhol.
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Da cultura norte-americana, embora sejam conhecidos no mundo inteiro.
Desenho: Superman e Mickey; suspense: Drácula; aventura: Superman; comédia: o fantoche (tevê) e talvez a bruxa.
Tio Sam
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✗
✗
P r o f e s -
sor: ainda
há alguns
aspectos
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1.Andy Warhol (1930-87) foi um artista americano que ficou conhecido pelo uso especial que fazia da
serigrafia, uma técnica que consiste em repetir várias vezes uma ou mais imagens. Muitas de suas
obras são painéis criados a partir de fotografias de pessoas conhecidas, como, por exemplo, a atriz
Marilyn Monroe e o cantor Elvis Presley.
Observe a imagem reproduzida: quais dessas pessoas ou personagens você reconhece?
2.O quadro se intitula Mitos, porque reúne alguns ídolos, isto é, artistas e personagens amados por
muita gente.
a) De que cultura fazem parte esses ídolos?
b) Quais são os meios de comunicação que difundem esses mitos no mundo inteiro?
3.A tela é formada por cem fotografias: dez na vertical e dez na horizontal. A justaposição de fotos
forma tiras, que podem ser vistas tanto vertical quanto horizontal e transversalmente.
a) Que artes visuais estão relacionadas com tiras ou seqüências de imagens repetidas?
b) Destaque do painel ao menos uma personagem relacionada a cada uma dessas artes visuais.
c) Você já viu o negativo de um filme? Já notou que, nele, aquilo que é branco fica preto, e vice-
versa? Indique uma das tiras verticais que sugerem a foto e o seu negativo, ao mesmo tempo.
d) Olhe o quadro na transversal, partindo do ângulo esquerdo inferior até chegar ao ângulo oposto.
Em seguida, olhe qualquer seqüência horizontal, da esquerda para a direita. São iguais?
4.Algumas das personagens da tela pertencem ao mundo do cinema. O cinema apresenta certos gêne-
ros, como o drama, o suspense, a comédia, o desenho e a aventura. Greta Garbo, por exemplo, fez
dramas. Identifique ao menos uma personagem de cada um dos outros gêneros citados.
5.Andy Warhol criava suas obras a partir de objetos de grande consumo social: produtos enlatados,
embalagens de produtos de limpeza, histórias em quadrinhos, etc. Por esse motivo, suas obras são
vistas como uma crítica à sociedade de consumo, isto é, uma sociedade em que o maior prazer é
consumir bens como carros, televisão, certos tipos de alimentos, etc.
a) Grande parte das pessoas e personagens fotografadas pertencem ao cinema e à música. Você acha
que essas artes podem virar objetos de consumo? Por quê?
b) Papai Noel representa o Natal. Ele também pode estar relacionado ao consumo? Por quê?
6.Se você olhar a tela da esquerda para a direita, depois da direita para a esquerda, e depois pelas
transversais (partindo dos ângulos), notará que no quinto quadrinho sempre figuram ou o Tio Sam ou
o Mickey. Saiba quem são eles:
• Tio Sam é conhecido desde 1917, quando, durante a Primeira Guerra, o governo
norte-americano fez uma campanha de alistamento militar. Ele representa, por-
tanto, os Estados Unidos.
• Mickey, personagem de Walt Disney, é o representante da “indústria da diversão”,
do cinema.
Levando em conta essas informações, identifique as afirmações corretas:
a) Tio Sam e Mickey representam os principais heróis ou mitos da cultura
norte-americana.
b) O quadro de Warhol sugere que, nos Estados Unidos, toda a cultura acaba
se transformando em produto de consumo e tudo se vende: espírito natali-
no, ratos, bruxas e a própria arte.
c) Mickey e Tio Sam, centralizando o quadro, sugerem uma crítica do autor à indústria cultural norte-
americana, que ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos e atinge o mundo inteiro.Po
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São as sopas instantâneas, vendidas em saquinho, às quais se acrescenta água.
Sugere que as sopas de saquinho são artificiais e não têm o mesmo sabor de uma sopa que vem comple-
ta (caldo, pedaços de legumes, etc.).
A imagem dos tomates madu
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DE LH NA I MAGEM
Tema:
Consumo
(Nova, jun. 2001.)
1. O enunciado da parte superior do anúncio faz indiretamente uma referência a um produto con-
corrente — outro tipo de sopa, há mais anos no mercado e líder de vendas no Brasil.
a) Qual é esse tipo de sopa?
b)O anunciante chama o seu produto de “sopa de verdade”. O que essa expressão sugere em
relação ao produto concorrente?
c) Que relação têm as imagens do anúncio com a expressão “sopa de verdade”? Po
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a favorita da América
Figura 172
Sim, pois o anunciante utiliza a expressão com que era conhecida a atriz Marilyn Monroe.
Ao fazer essa associação, que aproxima a sopa e Marilyn Monroe, o anunciante indiretamente destaca a sopa
anunciada, apresentando-a como uma espécie de “estrela americana”.
O prato branco lembra a saia branca da atriz e a sopa vermelha lembra seus lábios com batom.
31
2. As sopas em lata, especialmente as da marca anunciada, fizeram e ainda fazem muito sucesso nos
Estados Unidos. Que frase do anúncio comprova essa informação?
3. Andy Warhol (1930-1987) foi um artista norte-americano que
ficou conhecido internacionalmente pelo uso especial que fazia
da serigrafia, uma técnica de impressão de desenhos que possibi-
lita a reprodução de imagens em série. Muitas de suas obras têm
como tema a sociedade de consumo americana e retratam ou ob-
jetos de consumo, como as sopas Campbell’s, ou pessoas que fa-
zem parte da cultura de massa, como a atriz de cinema e cantora
Marilyn Monroe.
Leia a legenda que acompanha a foto de Marilyn Monroe abaixo.
a) Pode-se dizer que há discurso citado no anúncio em estudo? Por
quê?
b)Levante hipóteses: Que razões teriam levado o anunciante a
associar a sopa à expressão “a favoritada América”?
4. Compare o prato com sopa do anúncio à imagem de Marilyn
Monroe por inteiro e ao detalhe de seus lábios. Que semelhanças
você nota nessa comparação?
5. Para persuadir (convencer) o interlocutor a consumir seu produ-
to, o anunciante utiliza as seguintes estratégias:
• destaca a qualidade do produto anunciado;
• ataca indiretamente os produtos concorrentes;
• associa o produto anunciado a grandes nomes do cinema e da arte.
Que relação há entre o emprego dessas estratégias e o tipo de
imagem que o anunciante procura apresentar do produto?
6. No texto “A publicidade na TV” estudado no capítulo 3, o autor
afirma que, ao consumir um produto, “as pessoas são seduzidas por
alguma coisa que está fora e muito além dele”. Você acha que as
estratégias de persuasão utilizadas pelo anunciante conseguiram criar
para o produto uma imagem que o associa a algo “que está fora e
muito além dele”? Por quê?
7. A revista em que foi publicado
o anúncio é lida predominan-
temente por um público femi-
nino, formado por mulheres da
classe média, com nível de es-
colaridade médio ou superior.
Na sua opinião, o anúncio é
adequado a esse tipo de públi-
co? Justifique sua resposta.
Latas de sopas Campbell I (1968),
um dos quadros de Andy Wahrol.
Marilyn Monroe, uma das mais
famosas estrelas do cinema
americano e conhecida como a
“favorita da América”.
Lábios de Marilyn (1962), de Andy Wahrol.Po
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DE LH NA I MAGEM
Tema:
Mundo moderno
Perdido (Vagamundo), 1992, de Livijian. Po
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Um pedaço de pão.
Ela dá pão aos pombos.
Um cobertor.
Possivelmente é uma mulher jovem, pois mochila,
jeans e tênis são mais usados por jovens.
Que ela já andou muito e que, talvez, não tenha onde lavá-los.
Possivelmente, ela abandonou o lar e agora vive nas ruas, talvez ten-
tando uma vida nova em outro lugar diferente daquele em que vivia.
É possível que à procura de emprego.
A meia de seda furada, os tênis surrados, o pão sem recheio.
Expressam tristeza, angústia, desespero.
Resposta pessoal. Sugestão: Provavelmente algo como “E agora? O que faço?”.
Esse gesto revela uma pessoa sensível e
solidária.
Não, pois está abandonada, isolada.
O jornal, os tênis, a coca-cola, a bolsa jeans.
A coca-cola.
As cores frias reforçam o estado de tristeza, frieza e abandono da persona-
gem do quadro.
Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba que todos os avanços tecnológicos não são suficientes para libertar o homem da miséria.
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1. O quadro é o retrato de uma mulher com o rosto encoberto, sentada num banco. Observando os detalhes,
responda:
a) O que a mulher tem na mão esquerda?
b) O que ela está fazendo?
c) O que ela tem nos ombros?
d) Observe os cabelos dela, o tipo de calçado e de bolsa que usa. Ela é uma mulher jovem ou idosa? Justifique.
e) Os tênis estão sujos e velhos. O que isso sugere?
2. O quadro se intitula Perdido (Vagamundo). Levante hipóteses:
a) Relacionando a mulher retratada no quadro a tantas outras pessoas que vivem nas praças e nas ruas, que
história você acha que ela tem? Que razões a teriam levado a essa situação?
b) Os jornais, nesse momento, servem de tapete à mulher. Mas com que finalidade ela leria um jornal?
c) Onde provavelmente o banco está situado? O que ele representa para a mulher?
3. Identifique no quadro ao menos três aspectos que lembram pobreza.
4. Note que o rosto da mulher não é retratado no quadro. Observe a posição de sua cabeça e de seus braços.
a) O que significa o fato de o rosto dessa mulher não ser revelado?
b) O que expressam a posição em que se encontra o corpo, o jeito retraído, a cabeça apoiada
na mão direita?
c) Na sua opinião, o que a personagem está pensando?
5. Mesmo estando numa condição de miséria, a personagem dá pão aos pombos.
a) O que esse gesto revela sobre o caráter e os sentimentos dela?
b) Em sua vida, a mulher parece ter encontrado pessoas com o mesmo caráter e os mesmos
sentimentos dela? Por quê?
6. O quadro apresenta alguns sinais de modernidade. Identifique três deles.
7. Observe as cores do quadro. Predominam cores frias: o cinza, o azul (na tonalidade escolhida pelo pintor) e o
preto.
a) Que relação existe entre essas cores e o tema do quadro?
b) Qual é o único elemento pintado em cor viva, quente?
8. O quadro se constrói a partir de algumas relações de oposição. Das afirmativas abaixo, indique aquelas que
explicam corretamente essas relações.
a) A idéia de tristeza e desolação está em oposição à idéia de vida e esperança representada pelos pombos e
pelo pão dado a eles.
b) Os aspectos da vida moderna urbana e industrial — representados pelo jornal, pela coca-cola, por exemplo
— estão em oposição à vida natural, representada pelos pombos.
c) As cores frias sugerem vida e alegria, ao passo que a cor viva sugere tristeza.
d) A coca-cola chama a atenção não apenas por sua cor, mas também porque está deslocada do contexto. O
consumismo que ela representa está em oposição à miséria da personagem.
9. A vida moderna, com o avanço da tecnologia, trouxe um conjunto de invenções que facilitaram a vida do
homem: energia elétrica, meios de comunicação eletrônicos, meios de transporte arrojados, aparelhos eletro-
domésticos, etc. O quadro foi produzido em 1992; portanto, é contemporâneo, atual. Com base nessa obra,
você acha que a modernidade trouxe benefícios a todos? Por quê?
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LEITURA DE IMAGEM
8a. SÉRIE
• Juventude
• Valores
• Amor
• Nosso tempo
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A
FP
DE LH NA I MAGEM
Tema:
Juventude
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PL-Miolo Leitura-Aluno 8/8/06, 4:40 PM34
Eles deviam estar armados. Professor: Comente com
os alunos que o jato d’água é emitido por um canhão
d’água, o que demonstra certo aparato da polícia.
Sim, pois desafiam o perigo;
podiam ser presos ou feridos.
A luta contra a alta do petróleo, pelo fato de ser um problema que ultrapassa o universo das questões estudantis.
Espera-se que o aluno responda que sim. A polícia costuma ser mais condescendente com causas específicas, como causas estudantis ou
ecológicas, e mais dura com causas que ponham em risco o governo.
35
Ao manter levantada a bandeira, é como se ele não deixasse cair o ideal do grupo; ele representa a
persistência, a coragem.
1. A primeira foto flagrou uma manifestação estudantil em Makati, nas Filipinas, em fevereiro de
2000, no momento em que um forte jato de água era jogado sobre os estudantes.
a) Quem provavelmente jogava água nos manifestantes? A polícia.
b) Por que, na foto, a maior parte dos estudantes está agachada e unida? Porque tentam, assim, se proteger do jato
d’água.
2. Na primeira foto, destacam-se entre os manifestantes o jovem que segura a bandeira e o jovem que
está em pé, à direita, com mochila nas costas.
a) Levante hipóteses: Que significado pode ter o fato de o jovem que mantém levantada a bandeira
não se proteger como os outros?
b) O que você acha que o jovem de mochila está fazendo? Que papel ele parece ter no grupo?
Ele parece ser um dos líderes do grupo; ele pode estar protestando contra a ação da polícia, ou vendo a melhor forma de o grupo sair daquela situação.
3. Observe as roupas e os objetos que os estudantes carregam.
a) Há sinal de armas? Não.
b) Como você imagina que estavam os opositores dos estudantes naquele momento?
c) É possível dizer que esses jovens mostram coragem e idealismo? Por quê?
4. Observe agora a segundafoto. Ela flagrou uma manifestação de estudantes da Universidade de São
Paulo, em maio de 2000. Observe as roupas e os gestos dos estudantes:
a) O que eles estão fazendo em relação aos policiais? Estão oferecendo flores aos policiais.
b) Qual é a reação dos policiais? Eles mostram indiferença diante da iniciativa dos jovens.
c) O que a flor e as roupas dos estudantes representam nesse contexto? Representam a paz.
d) É possível dizer que esses estudantes paulistas mostram coragem e idealismo?
5. As duas fotos retratam manifestações de estudantes em luta por causas diferentes: a primeira con-
tra a alta do petróleo, e a segunda por melhor qualidade de ensino. Apesar das diferenças, ambas
têm um fundo político.
a) Qual das manifestações apresenta uma intenção mais claramente política?Por quê?
b) Troque idéias com os colegas: A outra causa é ou não política, isto é, sua solução depende ou
não de ações do governo?
c) Levante hipóteses: Você acha que pode haver relação entre o tipo de causa defendida e a reação
da polícia?
Resposta pessoal: Professor: sugerimos abrir o debate com a classe.
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Tema:
Valores
As graças, de Rubens.
Nu rosa, de Matisse. Po
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A banhista loira, de Renoir.
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O fato de elas serem gordas.
Elas estão dançando.
Sim, pois o quadro é minucioso e fiel à realidade.
Sim, ela parece ser mais jovem.
Doçura, suavidade, delicadeza.
Sim.
Com certeza.
Em parte. Ainda é um retrato minucioso quanto à representação do corpo, porém são
feitas experiências inovadoras quanto às impressões causadas pelas cores: há tons
azulados e avermelhados no corpo dela.
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1.O quadro As graças foi pintado por Rubens em 1636. O tema desse quadro já tinha sido explorado
antes por artistas da cultura greco-romana e do Renascimento e inspirou, depois de Rubens, muitos
outros pintores.
De acordo com a mitologia grega, as graças são filhas de Zeus (o principal deus do Olimpo), respon-
sáveis por alegrar a natureza e o coração dos homens. Associadas à poesia e ao canto, são sempre
retratadas como bonitas, sensuais, graciosas e inspiradoras do bem e do belo.
Observe as graças retratadas por Rubens.
a) Para os padrões de beleza de hoje, o que mais chama a atenção no corpo dessas moças?
b) Observe a posição dos braços, das pernas e dos pés das moças. Eles insinuam movimento e
ritmo. O que elas estão fazendo?
c) A forma como elas se enlaçam e se movimentam confirma ou não a idéia de graciosidade, que
elas representam?
d) Pelos padrões de beleza do século XVII, essas mulheres eram consideradas bonitas e sensuais?
2.Uma das diferenças básicas entre artistas de épocas distintas é a forma como eles representam a
realidade. Alguns são minuciosos e captam detalhes, procurando dar à obra extrema semelhança com
o real; outros se preocupam mais com a sensação ou com a impressão que a obra vai provocar, e não
com o realismo da figura retratada. No caso do quadro As graças, qual é sua impressão: o pintor tem
ou não a preocupação de retratar a realidade de forma fiel e minuciosa? Justifique sua resposta.
3.Observe agora o quadro A banhista loira, pintado em 1881. Renoir admirava os nus de Rubens e, de
certa forma, retoma nesse quadro o tema das graças, ao retratar sua própria esposa, Aline Charigot.
a) Do ponto de vista físico, a modelo de Renoir difere das graças de Rubens? Justifique sua resposta.
b) Observe a expressão do olhar da moça retratada. O que manifesta?
c) As qualidades tradicionalmente atribuídas às graças — graciosidade, sensualidade, doçura —
também podem ser atribuídas a essa jovem?
d) Então é possível dizer que se trata de uma mulher bela para os padrões de sua época?
4. Compare o quadro de Rubens com o de Renoir quanto às formas e às cores. Renoir preocupava-se
em retratar fielmente a realidade?
5. Observe agora o quadro Nu rosa (1935). Matisse é um pintor moderno, que rompe com a tradição
clássica da pintura, já não se preocupa em retratar o real da forma mais aproximada possível.
Compare esse quadro com os dois anteriores e, com base nos contornos, nas cores e na expressão
facial da figura feminina, responda: que aspectos desse quadro comprovam sua ruptura com a pintura
tradicional?
6.Os três quadros expressam diferentes valores quanto à beleza física feminina e quanto à beleza da
obra de arte. Indique a afirmativa incorreta quanto ao estudo feito:
a) A beleza física é um valor relativo, que depende dos padrões culturais e estéticos de uma época.
b) Da mesma forma que a beleza física, o conceito do que é belo em arte também varia. Na arte
moderna, a beleza pode estar nas experiências com formas e cores, e não na representação fiel
da realidade.
c) Os conceitos de beleza, tanto da mulher quanto da arte, são os mesmos, do século XVII até os
dias de hoje.
d) Com o passar dos séculos, nota-se que a arte busca novas experiências de representação, seja com a cor,
seja com os traços, e chega a ponto de a figura retratada ser não mais do que um traço ou um esboço.
Não há interesse em retratar a mulher com fidelidade: o corpo é desproporcional (a cabeça é pequena, e os braços,
exageradamente longos e grossos); as cores são usadas mais para criar o efeito de contraste do que para mostrar a
mulher real.
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DE LH NA I MAGEM
Tema:
Juventude
As banhistas (1877), de Renoir.
Português: Linguagens — William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães
1. Compare as moças da pintura de Renoir com a moça da fotografia.
a) O que elas apresentam em comum? Elas são jovens e estão nuas.
b) Qual é a principal diferença física entre elas? As moças do quadro são mais ou menos gordas, e a modelo da foto é magra.
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c) O olhar das moças do quadro se dirige para o rio ou para elas mesmas;
já o olhar da moça da foto se dirige para o fotógrafo.
Geralmente os grupos envolvidos com es-
portes, ginástica e academia.
Espera-se que os alunos percebam que, apesar de serem um pouco gordas para os padrões atuais, as moças são graciosas, bonitas e sensuais.
Não, ela é forte, musculosa.
a) Elas se encontram à beira de um rio, se banhando e
se refrescando e estão integradas no cenário.
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Não. Pelos padrões atuais, elas seriam consideradas um pouco gordas e, portanto, em desacordo com o ideal de beleza de
agora.
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2. Observe o espaço em que se encontram as moças e a
direção do olhar delas.
a) Em que cenário se encontram as moças do quadro
de Renoir? O que elas estão fazendo? Elas estão inte-
gradas no cenário?
b) Em que lugar está a moça da foto? O que ela está
fazendo? Ela está integrada no cenário?
c) Para onde elas dirigem o olhar?
d) Quem aparenta estar assumidamente posando para
o artista (pintor ou fotógrafo)? Por quê?
3. O quadro foi pintado em 1877 pelo pintor francês Re-
noir. A fotografia foi tirada por S. Martinelli, um fotó-
grafo da atualidade.
a) Troque idéias com os colegas: Tanto em uma cena quanto em outra existe graça e sensualidade
nessas jovens?
b) As características físicas das moças do quadro coincidem com o ideal de beleza que os meios de
comunicação atuais veiculam?
c) Leia o boxe Salve a gordurinha! acima e responda: No século XIX, as modelos do quadro eram
consideradas um exemplo de graça e de sensualidade feminina? Sim.
4. Leia o boxe Musas e aventuras digitais e obser-
ve o corpo de Lara Croft, musa virtual:
a) Ela se assemelha fisicamente a alguma das mo-
ças retratadas pelo pintor ou pelo fotógrafo?
Justifique.
b) Que grupos sociais valorizam mulherescom
esse tipo de corpo?
c) Você acha que essa mulher representa um novo
padrão de beleza? Se sim, quem criou essa
mudança?
5. Comparando a beleza das moças retratadas por
Renoir no século XIX com a da modelo fotografa-
da em nosso tempo ou a da musa virtual Lara
Croft, responda:
a) Os padrões de beleza são universais e atem-
porais (isto é, independem da época), ou são
relativos e variam de acordo com cada época?
Justifique sua resposta.
b) No mundo de hoje, os conceitos de beleza
nascem espontaneamente na sociedade ou são
influenciados pelos meios de comunicação?
Justifique sua resposta.
SALVE A GORDURINHA!
Gordurinhas localizadas, flacidez,
celulite, tudo isso que o atual padrão
de beleza condena já foi sinônimo de
elegância e refinamento social.
No passado, as mulheres “cheinhas”
representavam o ideal feminino de be-
leza, que estava relacionado a uma po-
sição social privilegiada, de quem le-
vava uma vida de pouco trabalho. Já as
mulheres magras eram associadas ao tra-
balho e à pobreza, sendo, por isso, con-
sideradas feias ou “inferiores” social-
mente.
MUSAS E AVENTURAS DIGITAIS
Os jovens internautas e aficionados por vi-
deogames também criaram suas musas virtuais,
sinônimos da perfeição feminina, como Lara
Croft, Tmmy e Yuky Terai e a brasileira Kaya.
Algumas delas, inclusive, são resultado de
uma montagem de várias mulheres famosas:
a boca de uma,
os olhos de ou-
tra, e assim por
diante.
A mais fa-
mosa delas é
Lara Croft, cria-
da em 1996, que
saiu dos games
para o cinema.
Para fazer o pa-
pel da musa di-
gital, no filme
Tomb Raider, foi
convidada a
atriz Angelina
Jolie.
Português: Linguagens — William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães
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Tema:
Amor
Os amantes, de Magritte.
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É o pano que cobre o rosto das personagens.
São roupas sociais, principalmente as do rapaz.
O vermelho e o preto são cores contrastantes.
Não, pois não há contato direto entre os amantes. O pano sobre os rostos sugere um relacionamento incompleto, sem comunhão plena.
Aparentemente não, pois não conseguem se libertar das amarras sociais, representadas pelas roupas e pelo pano/
máscara.
Dá aos amantes uma dimensão universal, isto é, todos nós podemos ter nossos sentimentos mutilados por causa de valores e
pressões sociais.
paixão, serenidade, tranqüilidade
guerra (disputa), opressão
Confirmam, pois elas reforçam a idéia da con-
tradição existente entre o beijo e a máscara.
Porque a um rosto sem identidade, neutro, cabe uma cor neutra.
Não, pois os amantes não conseguem ser crianças novamente, estão presos às convenções sociais.
Inteiramente, pois os amantes estão presos em
seus papéis, vivem atrás de máscaras/grades.
Resposta pessoal. Talvez tirar o pano (a máscara) do rosto e sentir o outro de verdade.
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vermelho: paixão, ódio, guerra
branco: paz, tranqüilidade
preto: morte, opressão, mistério
bege: cor neutra
azul: serenidade, leveza
1. O quadro Os amantes choca a quem o vê, por causa da articulação de elementos díspares, isto é,
elementos que não combinam entre si.
a) Observe o tipo de ação das personagens do quadro. Ela é compatível com o título do quadro? Por quê?
b) Qual é o elemento principal do quadro, que se opõe a esse tipo de ação e provoca no observador
a sensação de estranhamento?
2. Observe a cor e o tipo de roupa que as personagens estão vestindo.
a) São roupas sociais ou esportivas?
b) As cores são contrastantes ou harmônicas entre si?
3. O beijo na boca é uma das principais provas de intimidade entre dois amantes. É um ato de comu-
nhão, que envolve sentimento, troca de emoções, busca do outro. O quadro, como um todo, transmi-
te essa impressão de comunhão plena entre duas pessoas? Justifique.
4. O pano que cobre o rosto dos amantes cumpre o mesmo papel de uma máscara, pois esconde a
identidade de quem está por trás dele. A máscara associa-se aos papéis que todos nós assumimos na
vida social e que muitas vezes escondem nossa verdadeira identidade: o papel de filho, de pai, de
mãe, de patrão, de empregado, de namorado, etc.
a) Ao se beijarem, eles conseguem romper os papéis sociais e expressar o seu mais profundo amor?
Por quê?
b) Sem rosto, os amantes não têm identidade própria. Isso lhes atribui uma dimensão particular,
restrita apenas à relação dos dois, ou lhes dá uma dimensão mais geral, universal? Por quê?
5.Observe as cores que compõem esse quadro e algumas das significações relacionadas a elas:
a) Quais dos elementos acima se relacionam com a idéia de beijo?
b) Quais se relacionam com o significado de máscara social?
c) As cores confirmam ou negam o conteúdo do quadro? Por quê?
d) Por que o artista teria escolhido uma cor neutra para pintar o pano que cobre a cabeça das personagens?
6. Leia estes três fragmentos:
I. “Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado” (Carlos Drum-
mond de Andrade)
II. “nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as nossas grades.” (Pedro Bloch)
III. “A gente só é o que faz aos outros.” (Pedro Bloch)
Confronte esses fragmentos com o quadro de Magritte. Na sua opinião:
a) Os amantes são “namorados”, de acordo com a concepção de Drummond? Por quê?
b) A af irmação II se aplica ao quadro de Magritte? Justifique.
c) Com base no que af irma Pedro Bloch no fragmento III, o que seria necessário para romper com
a frieza do quadro de Magritte?
Sim, pois é normal que os amantes se beijem.
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Tema:
Nosso tempo
Criança geopolítica assistindo ao nascimento do novo homem (1943), de Salvador Dalí.
Português: Linguagens — William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães
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O sentido de vida, de
nascimento ou renasci-
mento (como na Páscoa).Um ser humano.
Resposta pessoal. Sugestão: Ela parece estar mostran-
do à criança o que há de nascer ou o que há de vir. É
como se dissesse: olhe para o futuro.
A criança se agarra à mãe, parecendo sentir medo do que vê.
Baixo.
No crepúsculo, no início ou no fim do dia.
O quadro representa o nascer de um novo homem e de um novo tempo em nosso planeta.
A nudez representa o rompimento com o mundo que existia antes.
Espera-se que o aluno responda que não,
pois as formas do toldo são sombrias.
Negativa, pois, apesar de haver a presença
de figuras humanas, o mundo parece estar
devastado.
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As lágrimas sugerem dor, sofrimento, comuns em qualquer parto, ou alegria pelo nascimento do novo homem.
Resposta pessoal. Sugestão: Sim, pois também há incertezas,
1. No centro da imagem, está o planeta Terra, com seus continentes. O formato do planeta lembra o de
um ovo, porém sua casca é mole. Na parte inferior, há também uma forma vermelha que lembra
tanto uma lágrima de sangue quanto um embrião.
a) Em nossa cultura, qual é o sentido simbólico normalmente associado ao ovo?
b) O que está nascendo desse ovo/planeta?
2. Observe que, à frente do planeta, estão uma mulher e uma criança nuas. A mulher aponta para a
figura que sai do ovo, enquanto a criança olha atentamente para essa figura.
a) Levante hipóteses: o que significa o gesto da mulher?
b) Pela expressão corporal da criança, que tipo de sensação ou sentimento ela deve estar tendo?
3. Observe a posição das sombras e da luz que incide sobre os objetos. Com base nesse dado, responda:
a) O sol está baixo ou alto?
b) Portanto, em que fase do dia provavelmente ocorre essa cena?
4. Relacione estes elementos entre si:
• planeta Terra • ovo/embrião/vida • homem/mulher/criança nus • crepúsculo
Agora responda:
a) O que o quadro representa?
b) Levando em conta sua resposta anterior, que significado pode ser atribuído à nudez das persona-
gens centrais?
5.Observe o cenário do quadro.

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