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Anatomia e fisiologia da contração 1 Anatomia e fisiologia da contração Anatomia Sistema Muscular São compostos por muitas fibras e cada fibra é inervada por 1 terminação nervosa Termos Sarcolema membrana celular delgada que reveste a fibra muscular esquelética (como se fosse uma membrana plasmática do músculo) Miofibrilas cada fibra muscular tem várias, que são compostas de filamentos Actina e Miosina Sarcoplasma É o citoplasma do músculo e está nos espaços entre as miofibrinas (rico em cálcio, magnésio, ATP, sódio) Retículo Sarcoplasmático: - É o reticulo endoplasmático especializado dos mm. As fibras mm, com contração muito rápida , possuem esses retículos *muito extensos,* pois necessitam de mais depósito de Ca+ Eficiência da Contração Muscular: A eficiência de uma máquina ou é calculada pelo percentual de energia fornecida que é Anatomia e fisiologia da contração 2 convertida em trabalho. O percentual da quantidade de energia fornecida ao músculo que pode ser convertida em trabalho, mesmo sob as melhores condições, é menor que 25%. Cerca da metade da energia dos nutrientes é perdida na formação do ATP e somente 40% a 45% da energia do ATP pode ser posteriormente convertida em trabalho. Tríade Uma tríade é composta por 1 túbulo T e 2 cisternas terminais associadas aos lados Cisternas terminais: são porções terminais alargadas dos retículos sarcoplasmáticos Túbulos T: a rede de túbulos T do interior da fibra muscular é capaz de se comunicar com o exterior Os túbulos T permitem que os potenciais de ação se movam rapidamente da superfície para o interior da fibra muscular, de forma a alcançar as cisternas terminais quase simultaneamente. Anatomia e fisiologia da contração 3 Sem os túbulos T, os potenciais de ação alcançariam o centro da fibra somente pela condução do potencial de ação pelo citosol, um processo mais lento e menos direto, que retardaria o tempo de resposta da fibra muscular. Sarcômero: a unidade funcional do músculo Composição: Compostos de Actina (mais fina) e Miosina (mais grossa) Faixa I: isotrópicos à luza polarizada (mais clara), compostos de actina Faixa A: Anisotrópicos à luz polarizada (mais escura), nas porções laterais possue filamentos grossos e finos sobrepostos, mas no meio é composta de miosina Faixa H: somente o corpo da miosina, sem ponte cruzadas e terminações de actina Disco Z: compostos de proteínas filamentosas e cruzam transversalmente as miofibrilas, conectando os filamentos finos (está dentro da faixa I) Sarcômero: é um segmento de miofibrilas situado entre 2 discos Z sucessivos Linha M: equivalente ao disco Z, Porém para filamentos grossos Titina: filamentos que mantém o posicionamento lado a lado dos filamentos de actina e miosina (*auxiliada pela nebulina) Pontes cruzadas: filamentos da miosina que estão entrelaçadas Anatomia e fisiologia da contração 4 Distrofia muscular de cintura (DMC) A distrofia muscular de cintura (DMC) representa um grupo clínico e geneticamente heterogêneo de doenças musculares degenerativas de herança autossômica dominante e recessiva. O fenótipo é definido pelo comprometimento dos músculos das cinturas pélvica e escapular, geralmente com início na segunda ou terceira décadas de vida e, muitas vezes, apresenta melhon prognóstico do que a forma mais comum de distrofia muscular - a Duchenne (DMD). A diversidade clínica se reflete em nível molecular, com presença de mutações em muitos genes diferentes, DMCL2J. Esse distúrbio é causado por mutações no gene da maior proteína conhecida, a titina. Além da DMCL2J, que se apresenta com fraqueza proximal com início na infância, as mutações na titina podem produzir miopatia distal autossômica dominante (miopatia distal tipo Udd) e uma miopatia hereditária com insuficiência respiratória precoce (MHIRP) autossômica dominante Filamentos Miosina Compostos por múltiplas moléculas de miosinas Compostas de 6 cadeias polipeptídicas (2 pesadas e 4 leves) As pesadas se espiralam em dupla hélice, formando 2 cabeças no final Ponte cruzada: cada uma é flexível em 2 lugares (dobradiças ) Actina Composta por Actina F, Tropomiosina e Troponina Anatomia e fisiologia da contração 5 A troponina possui 3 unidades I (com afinidade pela actina); T (com afinidade pela tropomiosina; C (com afinidade pelo cálcio) Locais ativos: locais onde as pontes cruzadas se ligam Quando o músculo está relaxado, a tropomiosina tampa os locais ativos Mecanismo da contração muscular Gerando e propagando o Potencial de Ação 1. Os potenciais de ação chegam pelo neurônio motor até as fibras musculares 2. Em cada terminação o nervo secreta um pouquinho de acetilcolina (sai por exocitose) 3. A acetilcolina age em área local da membrana da fibra muscular para abrir canais de sódio (Na) 4. Entra muitos íons Na pra dentro das fibras musculares, causando despolarização local. 5. A despolarização local produz a abertura de canais de sódio dependentes de voltagem para a entrada de mais sódio ainda, desencadeando o potencial de ação 6. O PA se propaga pela membrana da fibra, despolarizando-a O processo contrátil Anatomia e fisiologia da contração 6 1. Assim, grande parte da eletricidade do PA flui pelo centro da fibra muscular, fazendo com que o retículo sarcoplasmático libere grande quantidade de íons Cálcio (Ca++) 2. Os íons Cálcio (Ca++) ativam as forças atrativas entre actina e miosina, fazendo com que os filamentos deslizem um ao lado do outro 3. Após, os íons Cálcio (Ca++), são bombeados de volta para o retículo sarcoplasmático por meio da bomba de Ca++ da membrana Os glicosídeos cardíacos (p. ex., ouabaína e digitálicos) são uma classe de fármacos que inibem a Na+ -K+ ATPase. Exercem ação no sítio de ligação do K+, competindo com este íon na bomba que age trocando o Na+ intracelular pelo K+ que está no meio extracelular. Com o aumento de Na+ na célula, o antiporte de Na/Ca (que entra Na e sai ca) reduz. Assim, mais Cálcio fica na célula. O influxo inicial de cálcio induz a liberação adicional de cálcio do retículo sarcoplásmico, o que resulta em contração muscular das fibras miocárdicas. (o retículo sarcoplasmático na insuficiência não tem capacidade de armazenar o Ca necessário Mecanismo Molecular Perceba que: Na contração, os sarcômeros estão menores e as extremidades da actina se sobrepões É devido à interação de 1 filamento de Miosina e 2 de Actina, além dos íons cálcio Anatomia e fisiologia da contração 7 O que faz com que os filamentos de actina deslizem entre os filamentos de miosina? As pontes cruzadas Esclarecendo: o que inibe e o que ativa a contração? a. Inibição: O complexo troponina-tropomiosina inibe o filamento de actina (cobrindo os pontos ativos) b. Ativação: Os íons de Cálcio “inibem a inibição”, eles impedem que o Complexo Troponina- tropomiosina iniba a contração Por meio da ligação do Cálcio à troponina C Mecanismo 0. Estado de rigidez 1. O ATP se liga à cabeça da miosina, ocorrendo a clivagem do ATP → ADP + Pi a. A cabeça tem função de enzima ATPase (Miosina ATPase) 2. A energia proveniente do ATP altera a conformação da cabeça da miosina, se soltando da actina, e a energia liberada pela clivagem move a cabeça da miosina, fazendo com que ela se ligue a uma nova actina que está próxima (hiperestendendo), ficando em posição engatilhada em 90° em relação aos filamentos. Anatomia e fisiologia da contração 8 Nesse momento, as ligações cruzadas recém-formadas entre miosina e actina ainda estão fracas, pois a tropomiosina está bloqueando parcialmente os sítios de ligação Nesse estado engatilhado, a miosina estoca energia potencial (assim como uma mola esticada). A maioria das fibras musculares em repouso encontra-se nesse estado, engatilhados e preparadas para disparar (contrair), apenas esperando o sinal do cálcio 3. Movimento de força [movimento de inclinação das ligações cruzadas]:inicia após o cálcio se ligar à troponina e permite a liberação total do sítio de ligação à miosina a. As ligações cruzadas agora estão fortes b. A miosina libera o Pi, fazendo com que sua cabeça se desloque em direção à linha M, levando a actina junto (inclinando de 90° para 45°) 4. A miosina libera ADP e sua cabeça se liga fortemente à actina, retornando ao estado de rigidez, até que outra molécula de ATP refaça o processo Durante a contração, nem todas as cabeças de miosina se soltam ao mesmo tempo. Se isso ocorresse, as proteínas deslizariam de Rigor mortis: Após a morte, quando o metabolismo cessa e o suprimento de ATP se esgota, os músculos são incapazes de ligar mais ATP e, por isso, os músculos permanecem no estado de ligação forte, chamado de estado de rigidez. Na condição conhecida como rigor mortis, os músculos ficam “paralisados” em decorrência das fortes ligações cruzadas que permanecem imó- veis. A forte Anatomia e fisiologia da contração 9 volta para a posição inicial, do mesmo modo que o mastro cairia se todos os velejadores soltassem a corda ao mesmo tempo. ligação entre a actina e a miosina persiste por um dia ou mais após a morte, até que as enzimas envolvidas no processo de decomposição comecem a degradar as proteínas musculares. Energia para a contração muscular Ocorre gasto de energia : 1. na contração muscular propriamente dita 2. no bombeamento de Ca do sarcoplasma de volta para o retículo sarcoplasmático 3. no bombeamento de sódio e potássio para manter o ambiente iônico Refosforilação Quando o ATP foi hidrolisado em ADP e Pi, ele pode ser refosforilado em ATP novamente Para esse processo, existem várias fontes de energia Fosfocreatina: ela cede um P energizado A fosfocreatina é gerada por creatina + ATP quando os músculos estão em repouso. Quando os músculos entram em atividade, os grupamentos fosfato de alta energia da fosfocreatina são transferidos Anatomia e fisiologia da contração 10 para o ADP, gerando mais ATP para abastecer os músculos. Glicogenólise Pode ser produzida na ausência de O2 Mantém a contração até 1 minuto Metabolismo oxidativo Creatina-cinase (CK) A enzima que transfere o grupamento fosfato da fosfo- creatina para o ADP é a creatina-cinase . As células musculares contêm grandes quantidades dessa enzima. Como consequência, níveis elevados de creatina-cinase no sangue normalmente são um indicador de dano muscular esquelético ou cardíaco. Como os dois tipos de músculos contêm isoenzimas diferentes, os médicos conseguem distinguir entre os danos ao tecido cardíaco produzidos durante um infarto do miocárdio e os danos da musculatura esquelética. Somação das forças Significa soma de abalos individuais para aumentar intensidade da contração total Como podemos aumentar a intensidade da contração total? Anatomia e fisiologia da contração 11 1. Somação por fibras múltiplas: Quando o sistema nervoso central envia um sinal fraco para que o músculo se contraia, as menores unidades motoras do músculo podem ser estimuladas em preferência às unidades motoras maiores. Então, à medida que a força do sinal aumenta, unidades motoras cada vez maiores começam a ser também excitadas, com as maiores unidades motoras apresentando 50 vezes mais força contrátil que as unidades menores. Isso é conhecido como o princípio do tamanho. A razão para esse princípio do tamanho é que as pequenas unidades motoras são inervadas por pequenas fibras nervosas motoras, e os pequenos motoneurônios na medula espinhal são mais excitáveis que os maiores, sendo naturalmente excitados primeiro. Fibras musculares não fazem hiperplasia (aumenta em número), ela faz hipertrofia 2. Somação por frequência: ↑ da frequência da contração a. Pode ocasionar tetanização: tanto estímulo, que a fibra não relaxa Hipocalcemia tetânica Os canais de repouso do Na+ são estabilizados pelos íons Ca2+, que inibem uma abertura espontânea exagerado dos canais de sódio, evitando uma despolarização excessiva. Na hipocalcemia, os canais de Na+ estão mais instáveis, Anatomia e fisiologia da contração 12 favorecendo a despolarização e a contração excessiva, levando à tetanização Tônus do Músculo Esquelético. Mesmo quando os músculos estão em repouso, em geral eles ainda apresentam certa tensão. Essa tensão é conhecida como tônus muscular. Como normalmente a fibra muscular esquelética não se contrai sem que ocorra um potencial de ação para estimulá-la, o tônus do músculo esquelético resulta inteiramente de baixa frequência de impulsos nervosos vindos da medula espinhal. Esses impulsos, por sua vez, são controlados em parte por sinais transmitidos pelo cérebro para o motoneurônio anterior da medula espinhal, e em parte por sinais originados nos fusos musculares, localizados no próprio músculo. Tipos de Fibras Fibras Oxidativas (Músculo Vermelho). São: fibras oxidativas de contração lenta (tipo1) e as fibras oxidativas-glicolíticas de contração rápida (tipo 2A) 1. Tamanho: Fibras menores. (facilita o transporte de O2) 2. Fonte de energia : fosforilação oxidativa aeróbia (número de mitocôndrias muito elevado) 3. Mioglobina: As fibras contêm grande quantidade de mioglobina, proteína que contém ferro, semelhante à hemoglobina nas hemácias. Ela se combina com o oxigênio e o armazena até que ele seja necessário; A Anatomia e fisiologia da contração 13 mioglobina dá ao músculo lento sua aparência avermelhada 4. Irrigação : Sistema dos vasos sanguíneos e dos capilares mais extensos, para suprir quantidades extras de oxigênio. As fibras oxidativas-glicolíticas de contração rápida (tipo 2A) exibem propriedades de fibras oxidativas e de fibras glicolíticas Fibras Glicolíticas (Músculo Branco). Fibras glicolíticas de contração rápida (tipo 2x) 1. Tamanho: Fibras grandes para grande força de contração. (dificulta o transporte de O2) 2. Fonte de energia : dependentes da glicóline anaeróbia (menor número de mitocôndrias) a. Essa via promove um acúmulo de H+ que contribui para acidose = pouco resistentes à fadiga 3. Mioglobina: déficit de mioglobina vermelha no músculo rápido (músculo branco.) 4. Irrigação : Suprimento de sangue menos extenso devido ao metabolismo oxidativo ter importância secundária. 5. Retículo sarcoplasmático muito extenso, para a rápida liberação dos íons cálcio para desencadear a contração. Anatomia e fisiologia da contração 14 Fadiga O termo fisiológico fadiga descreve uma condição reversível na qual um músculo é incapaz de produzir ou sustentar a potência esperada. Influenciável por: intensidade, duração, pelo fato de a fibra muscular estar usando o metabolismo aeróbio ou anaeróbio, pela composição do músculo e pelo nível de condicionamento do indivíduo. Fadiga central X Fadiga periférica Central: originados no sistema nervoso central Estudos demonstraram que esse tipo de fadiga psicológica precede a fadiga fisiológica que ocorre nos músculos e, portanto, pode ser um mecanismo de proteção. Anatomia e fisiologia da contração 15 Periférica: se originam em qualquer local entre a junção neuromuscular e os elementos contráteis do músculo Causas O baixo pH decorrente da produção de ácido durante a metabolização do ATP Há algumas evidências de que a acidose possa influenciar a sensação de fadiga percebida pelo cérebro. Entretanto, mecanismos homeostáticos de equilíbrio do pH mantêm o pH do sangue em níveis normais até que o esforço esteja próximo do máximo; portanto, o pH como um fator envolvido na fadiga central provavelmente só se aplique em casos de esforço máximo Causas neurais Podem surgir tanto de falhas de comunicação na junção neuromuscular quanto de falhas dos neurônios de comando do SNC. Por exemplo, se a ACh não for sintetizada no terminal axonal rápido o suficiente para responder à taxa de disparo do neurônio, a liberação do neurotransmissor na sinapse diminuirá. Consequentemente,o potencial da placa motora do músculo não atingirá o limiar necessário para disparar um potencial de ação na fibra muscular, resultando em falha na contração. Esse tipo de fadiga está associado a algumas doenças neuromusculares, mas provavelmente não seja um fator importante durante o exercício normal. Depleção das reservas de glicogênio muscular No exercício submáximo prolongado , a fadiga está associada à depleção das reservas de glicogênio muscular. A falta de glicogênio pode afetar outros aspectos da contração, como a liberação de Ca2+ do retículo sarcoplasmático. Aumento dos níveis de Pi ● Produzido quando o ATP e a fosfocreatina são utilizados como fonte de energia na fibra muscular. ● Concentrações citoplasmáticas elevadas de Pi podem deixar mais lenta a liberação do Pi a partir da miosina e, assim, alterar o movimento de força ● Relacionada à fadiga no esforço máximo de curta duração Desequilíbrios iônicos Durante um exercício de intensidade máxima, o íon K+ deixa a fibra muscular a cada contração e, como resultado, as concentrações de K+ aumentam no líquido extracelular dos túbulos T. A alteração no K+ modifica o potencial de membrana da fibra muscular. Alterações na atividade da Na+-K+-ATPase também podem estar envolvidas. Anatomia e fisiologia da contração 16 Excitação do Músculo Esquelético (Acoplamento Excitação-Contração) Junção Neuromuscular Junção neuromuscular: Composto pelo terminal axonal na goteira sináptica e a fibra muscular (e a fenda sináptica entre) Fendas subneurais: dobras na membrana muscular para aumentar a supercíce de contato com o neurotransmissor Placa motora: onde ocorre as sinapses Lembrar que os feixes motores nervosos advém do córtex pré- central e saem pelo corno anterior da medula Mecanismos Produção de Acetilcolina 1. As mitocôndrias no terminal axonal fornecem ATP, a fonte de energia que é usada para a síntese 2. Acetilcolina é produzida no citoplasma terminal, mas é rapidamente transferida para vesículas sinápticas (produzidas pelo Complexo de Golgi) Anatomia e fisiologia da contração 17 Secreção de Acetilcolina 1. Um potencial de ação despolariza o terminal axonal 2. A despolarização abre canais de Ca2+ dependentes de voltagem e Ca2+ entra na célula neural 3. A entrada do cálcio inicia a exocitose das visículas sinápticas 4. A acetilcolina difunde-se através da fenda sináptica e se liga aos receptores na célula seguinte No fim: A acetilcolinesterase degrada a acetilcolina e outra parte do neurotransmissor se dissipa para fora da fenda sináptica, evitando a reexcitação contínua do músculo O acetato e a Colina se separam e a porção Colina retorna à célula neural para ser reaproveitada Contração 1. Já na fibra musucar (na placa motora), a acetilcolina se liga aos seus receptores 2. Essa ligação permite a abertura dos canais de Na+, entrando muitos íons Na pra dentro das fibras musculares e causando despolarização local (gerando um potencial da placa motora PPM) 3. O potencial de ação desloca-se pela superfície da fibra muscular e para o interior dos túbulos T, ao penetrar, o PA produz uma alteração conformacional no Anatomia e fisiologia da contração 18 receptor de di-hidropirina DHP (Canal de cálcio do tipo L) a. Exclusivamente no m. esquelético, esses receptores DHP estão acoplados aos canais de cálcio do retículo sarcoplasmático (RS) adjacente. (esses canais de liberação de cálcio do RS são conhecidos como receptores de rianodina RyR) 4. Ocorre a liberação de Ca2+ pelo RS 5. Ocorre a contração Relaxamento: 8. O retículo sarcoplasmático bombeia o Ca2+ de volta para o seu lúmen utilizando uma Ca2+-ATPase 9. À medida que a concentração citosólica de Ca2+ livre diminui, o equilíbrio entre o cálcio ligado e o não ligado é alterado, e o cálcio desliga-se da troponina. 10. A remoção do Ca2+ permite que a tropomiosina volte à sua posição inicial e bloqueie o sítio de ligação à miosina presente na molécula de actina. Com a liberação das ligações cruzadas, a fibra muscular relaxa, com a ajuda de componentes elásticos do sarcômero e do tecido conectivo do músculo. Sincronização do acoplamento: Após o potencial de ação do neurônio motor somático, ocorre um potencial de ação muscular, seguido da contração muscular. Anatomia e fisiologia da contração 19 Um único ciclo de contração-relaxamento de uma fibra muscular esquelética é denominado abalo muscular. Observe que há um pequeno retardo – o período de latência – entre o potencial de ação muscular e o início da geração de tensão muscular. Esse retardo representa o tempo necessário para a liberação do cálcio e sua ligação à troponina. Paralisia Agentes que afetam os receptores nicotínicos de acetilcolina A sinalização pelo nAChR pode ser bloqueada por agonistas e antagonistas, contudo o mecanismo de ação é diferente. Agonistas: A succinilcolina compreende duas moléculas de ACh unidas, que prontamente se ligam ao nAChR e iniciam a contração. Entretanto, ao passo que a ACh é rapidamente metabolizada pela AChE, a succinilcolina é resistente à degradação, o que lhe permite manter-se na fenda sináptica e continuar estimulando o receptor. O resultado é a dessensibilização do nAChR e a inativação do canal Na+. (Na prática, isso significa que a sinalização é bloqueada após uma contração inicial.) A succinilcolina tem ação rápida, e, portanto, é usada clinicamente com frequência, para paralisar o músculo traqueal a fim de permitir a inserção de tubo endotraqueal. Seus efeitos são de vida razoavelmente curta, pois prontamente sucumbe à forma plasmática da colinesterase. Antagonistas: duas toxinas naturais se ligam de forma bastante intensa ao nAChR e impedem a interação da ACh com o receptor. Anatomia e fisiologia da contração 20 A a-bungarotoxina é um potente antagonista do nAChR, encontrado na peçonha da serpente Bungarus. O curare é sintetizado por algumas plantas na Região Amazônica da América do Sul, cujo ingrediente ativo é a d-tubocurarina. Caçadores de tribos nativas aplicam o curare na ponta das suas flechas para ajudar a parali- sar e derrubar a presa. Anestesiologistas usam fármacos similares (relaxantes musculares) para limitar os movimentos durante alguns procedimentos cirúrgicos