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<p>Histologia e</p><p>Embriologia</p><p>Responsável pelo Conteúdo:</p><p>Prof. Ms. Norton Claret Levy Junior</p><p>Revisão Textual:</p><p>Profa. Dra. Selma Aparecida Cesarin</p><p>Profa. Ms. Sandra Regina F. Moreira</p><p>Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo Sanguíneo,</p><p>Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>• Introdução;</p><p>• Tecido Cartilaginos;</p><p>• Tecido Conjuntivo Sanguíneo;</p><p>• Tecido Muscular;</p><p>• Tecido Nervoso;</p><p>• Nervos;</p><p>• Regeneração do Tecido Nervoso.</p><p>· Entender a estrutura e as propriedades dos tecidos conjuntivos</p><p>Cartilaginoso e Sanguíneo;</p><p>· Estudar as funções dos Tecidos conjuntivos Cartilaginoso e Sanguíneo;</p><p>· Discutir a importância desses tecidos;</p><p>· Entender a estrutura e propriedades dos tecidos muscular e nervoso;</p><p>· Estudar as funções dos tecidos muscular e nervoso;</p><p>· Discutir a importância dos tecidos muscular e nervoso.</p><p>OBJETIVO DE APRENDIZADO</p><p>Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>Orientações de estudo</p><p>Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem</p><p>aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua</p><p>formação acadêmica e atuação profissional, siga</p><p>algumas recomendações básicas:</p><p>Assim:</p><p>Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte</p><p>da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e</p><p>horário fixos como o seu “momento do estudo”.</p><p>Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma</p><p>alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.</p><p>No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e</p><p>sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também</p><p>encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua</p><p>interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.</p><p>Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão,</p><p>pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato</p><p>com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.</p><p>Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte</p><p>Mantenha o foco!</p><p>Evite se distrair com</p><p>as redes sociais.</p><p>Mantenha o foco!</p><p>Evite se distrair com</p><p>as redes sociais.</p><p>Determine um</p><p>horário fixo</p><p>para estudar.</p><p>Aproveite as</p><p>indicações</p><p>de Material</p><p>Complementar.</p><p>Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma</p><p>Não se esqueça</p><p>de se alimentar</p><p>e se manter</p><p>hidratado.</p><p>Aproveite as</p><p>Conserve seu</p><p>material e local de</p><p>estudos sempre</p><p>organizados.</p><p>Procure manter</p><p>contato com seus</p><p>colegas e tutores</p><p>para trocar ideias!</p><p>Isso amplia a</p><p>aprendizagem.</p><p>Seja original!</p><p>Nunca plagie</p><p>trabalhos.</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>Introdução</p><p>Os últimos tópicos abordados foram os Tecidos Conjuntivos propriamente ditos,</p><p>elástico, reticular, mucoso, adiposo e ósseo.</p><p>Daremos continuidade ao estudo dos tecidos animais Cartilaginosos e Sanguíneo.</p><p>Abordaremos os diferentes tipos de Tecido Cartilaginoso, as diferentes</p><p>proteínas e células do plasma sanguíneo e suas funções, a medula óssea e a</p><p>produção de sangue.</p><p>Estudaremos também os tecidos dos músculos e do sistema nervoso. Aborda-</p><p>remos os três tipos de tecido muscular, as diferentes células do plasma no sistema</p><p>nervoso e suas funções, além de tratar sobre os nervos.</p><p>Tecido Cartilaginoso</p><p>O Tecido Cartilaginoso é considerado um tipo especializado de tecido conjuntivo.</p><p>Possui consistência rígida e desempenha a função de sustentação de tecidos</p><p>moles, além de revestir a superfície das articulações. Absorve choques e facilita</p><p>o deslizamento dos ossos nas articulações. É essencial para o desenvolvimento</p><p>(formação e crescimento) dos ossos longos desde a vida uterina.</p><p>Como os demais tecidos conjuntivos, é constituído de células (chamadas de</p><p>condrócitos) e abundante material extracelular (matriz extracelular). De fato, os</p><p>componentes intercelulares predominam sobre as células.</p><p>Os condrócitos são encontrados nas lacunas (Figura 1), as quais são cavidades</p><p>presentes na matriz extracelular. Em cada lacuna, pode haver um ou mais</p><p>condrócitos, que são as células responsáveis pela síntese e pela renovação dos</p><p>elementos da matriz cartilaginosa.</p><p>Os localizados mais próximos à periferia são ovoides, enquanto os mais pro-</p><p>fundos são esféricos, com diâmetro que varia de 10 a 30μm. Possuem um núcleo</p><p>grande com nucléolo bem evidente e suas organelas caracterizam uma célula secre-</p><p>tora de proteínas.</p><p>O Tecido Cartilaginoso não apresenta vascularização nem inervação próprias e</p><p>sua nutrição ocorre a partir dos capilares sanguíneos presentes no tecido conjuntivo</p><p>denso que envolve a peça de cartilagem, denominado pericôndrio (Figura 1).</p><p>O pericôndrio é, portanto, uma bainha conjuntiva que envolve a cartilagem</p><p>(com exceção das articulações e da cartilagem fibrosa) e que contém nervos, vasos</p><p>sanguíneos e vasos linfáticos. Nos locais em que não há pericôndrio, a nutrição é</p><p>realizada pelo líquido sinovial.</p><p>8</p><p>9</p><p>condrócito</p><p>lacuna</p><p>condroblasto</p><p>fibrócito</p><p>periconcôndrio</p><p>periconcôndrio</p><p>Figura 1 – Esquema e corte histológico do Tecido Cartilaginoso</p><p>Fonte: Junqueira e Carneiro12ª edição - modificado e adaptado</p><p>As funções do Tecido Cartilaginoso dependem, principalmente, da estrutura da</p><p>matriz extracelular. De forma geral, a matriz extracelular é formada por colágeno ou</p><p>por colágeno mais elastina, em associação com macromoléculas de proteoglicanos</p><p>(proteínas + glicosaminoglicanos) e diversas glicoproteínas. O colágeno e a elastina</p><p>fornecem a flexibilidade ao tecido e as ligações eletrostáticas entre o colágeno e os</p><p>glicosaminoglicanos garantem a sua consistência firme.</p><p>Há quatro grupos principais de glicosaminoglicanos que se distribuem de</p><p>formas diferentes nos tecidos biológicos. Nas cartilagens, encontram-se: o ácido</p><p>hialurônico, o sulfato de condroitina e o sulfato de queratina.</p><p>Com exceção do ácido hialurônico, os demais se ligam às proteínas. A sulfatação</p><p>dos glicosaminoglicanos faz com que eles retenham água, propriedade que contribui</p><p>para que, além de firme, as cartilagens tenham consistência gelatinosa.</p><p>A osteoartrite, doença articular degenerativa, artrose ou osteoartrose é a doença reumática</p><p>mais prevalente entre indivíduos com mais de 65 anos de idade. Os novos conhecimentos</p><p>da sua fi siopatogenia levaram a uma alteração no conceito dessa doença. Acreditava-se</p><p>que se tratava de uma doença progressiva, sem perspectivas de tratamento, encarada por</p><p>muitos como natural do processo de envelhecimento. Hoje, no entanto, é vista como uma</p><p>enfermidade na qual é possível modifi car o curso evolutivo, tanto em relação ao tratamento</p><p>sintomático imediato, quanto ao prognóstico. Ocorre por insufi ciência da cartilagem, oca-</p><p>sionada por um desequilíbrio entre a formação e a destruição dos seus principais elementos,</p><p>associada a uma variedade de condições, como sobrecarga mecânica, alterações bioquími-</p><p>cas da cartilagem e membrana sinovial e fatores genéticos. É uma doença crônica, multifa-</p><p>torial, que se não tratada leva à incapacidade funcional progressiva (COIMBRA et al., 2004).</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>As cartilagens podem ser classificadas em três tipos: cartilagem hialina,</p><p>cartilagem elástica e cartilagem fibrosa.</p><p>9</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>Cartilagem Hialina</p><p>É o tipo de cartilagem mais frequentemente encontrada no corpo humano. É</p><p>um tecido elástico, com coloração branco-azulada e aparência translúcida.</p><p>No embrião, constitui o primeiro esqueleto e serve como molde cartilaginoso para</p><p>a formação dos ossos durante o seu desenvolvimento. Nas crianças, forma o disco</p><p>epifisário, viabilizando o crescimento dos ossos longos. No adulto, é encontrada</p><p>principalmente na parede das fossas nasais, na traqueia e nos brônquios, além</p><p>da</p><p>extremidade ventral das costelas e das extremidades dos ossos longos.</p><p>Sua matriz extracelular é formada, em cerca de 40%, por fibrilas de colágeno</p><p>tipo II, que são encontradas associadas a ácido hialurônico, proteoglicanos</p><p>muito hidratados e glicoproteínas. Entre as glicoproteínas, a mais importante é a</p><p>condronectina, uma macromolécula que possui sítios de ligação para os condrócitos,</p><p>para fibrilas colágenas e glicosaminoglicanos. A condronectina participa, dessa</p><p>forma, da estruturação do arcabouço da cartilagem.</p><p>A matriz que circunda os condrócitos, quando corada, apresenta-se de forma</p><p>intensa devido à concentração de mucopolissacarídeos ácidos, o que a torna</p><p>basófila. Essa região recebe o nome de matriz capsular ou territorial e é pobre</p><p>em colágeno. Já a matriz menos basófila, localizada entre os grupos celulares, é</p><p>chamada de matriz interterritorial, é rica em colágeno e pobre em proteoglicanos</p><p>(Figura 2).</p><p>Os condrócitos da cartilagem hialina, quando encontrados na periferia, são</p><p>alongados, com o eixo maior paralelo à superfície e, quando estão nas regiões</p><p>mais profundas, são arredondados e aparecem em grupos de até 8 (oito) células,</p><p>chamados de grupos isógenos (pois são originados a partir de uma única célula: o</p><p>condroblasto). Os condrócitos são células secretoras de colágeno, proteoglicanos</p><p>e glicoproteínas, entre elas a condronectina.</p><p>Figura 2 – Cartilagem hialina (Corte de traqueia aumento grande)</p><p>Fonte: Atlas Digital de Histologia Básica</p><p>10</p><p>11</p><p>Como as cartilagens não possuem vascularização, a oxigenação dos condrócitos</p><p>é deficiente. A energia necessária para a atividade dos condrócitos é obtida, então,</p><p>por meio da degradação de glicose por mecanismos anaeróbios, com formação de</p><p>ácido lático como produto final.</p><p>Todas as cartilagens hialinas (com exceção das cartilagens das articulações)</p><p>são envolvidas pelo pericôndrio. Esse tecido é uma fonte de novos condrócitos,</p><p>permitindo o crescimento das cartilagens. Além disso, é responsável pela nutrição</p><p>das cartilagens, sua oxigenação e a eliminação de metabólitos.</p><p>O pericôndrio possui duas camadas: a camada fibrosa externa e a camada</p><p>celular interna. A camada externa é composta por colágeno do tipo I, fibroblastos</p><p>e vasos sanguíneos. A camada interna é composta, principalmente, por células</p><p>condrogênicas que têm a capacidade de dividir e dar origem a condroblastos. Os</p><p>condroblastos, por sua vez, são capazes de originar novos condrócitos. Esse tipo</p><p>de crescimento da cartilagem recebe o nome de crescimento aposicional e pode</p><p>ocorrer durante toda a vida da cartilagem.</p><p>Além do crescimento aposicional, as cartilagens também podem crescer a partir</p><p>do chamado crescimento intersticial. Esse crescimento ocorre através da divisão</p><p>mitótica dos condrócitos preexistentes. Ele é menos importante que o aposicional</p><p>e só acontece nas primeiras fases de vida da cartilagem.</p><p>Em relação a outros tecidos, a cartilagem hialina sofre, com relativa frequência,</p><p>processos degenerativos. O mais comum é a calcificação da matriz, o que causa dor</p><p>e diminuição da mobilidade das articulações. Nos casos de lesões, a cartilagem se</p><p>recupera com muita dificuldade e, geralmente, de modo incompleto, com exceção</p><p>de crianças com pouca idade.</p><p>Cartilagem Elástica</p><p>É encontrada sustentando o pavilhão auditivo, no conduto auditivo externo, na</p><p>tuba auditiva, na epiglote e na laringe.</p><p>É bastante semelhante à cartilagem hialina, mas possui, além das fibrilas de</p><p>colágeno (principalmente do tipo II), uma abundante rede de fibras elásticas</p><p>contínuas ao peritônio.</p><p>As fibras elásticas presentes na matriz podem ser delicadas ou grosseiras,</p><p>ramificadas ou interpostas entre feixes de colágeno. A riqueza em fibras elásticas</p><p>confere certa elasticidade a esse tipo de cartilagem, além de uma coloração</p><p>amarelada e opaca devido à presença de elastina.</p><p>Comparando-se com a cartilagem hialina, sua matriz não é tão abundante e há</p><p>condrócitos maiores e em maior quantidade.</p><p>Por outro lado, ela cresce também por aposição (como na cartilagem hialina) e</p><p>é menos sujeita a processos degenerativos.</p><p>11</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>Figura 3 – Cartilagem elástica (Corte de traqueia aumento grande)</p><p>Fonte: Atlas Digital de Histologia Básica</p><p>Cartilagem Fibrosa</p><p>A cartilagem fibrosa, também conhecida como fibrocartilagem é um tecido</p><p>com características intermediárias entre o tecido conjuntivo denso e a cartilagem</p><p>hialina. Na verdade, ela está sempre associada ao tecido conjuntivo denso e é</p><p>muito difícil identificar o limite entre esses dois tecidos.</p><p>É encontrada nos discos intervertebrais, em certas cartilagens articulares</p><p>(exemplo: meniscos do joelho), na sínfese pubiana, no ligamento teres femoris e</p><p>nos locais de ligação de certos tendões nos ossos.</p><p>Os condrócitos da cartilagem fibrosa geralmente são encontrados formando</p><p>fileiras alongadas. Sua matriz contém grande quantidade de fibras colágenas do</p><p>tipo I, que constituem feixes que seguem uma organização aparentemente irregular</p><p>entre ou paralela aos condrócitos. A substância fundamental, constituída de ácido</p><p>hialurônico, proteoglicanos e glicoproteínas é escassa e localizada à proximidade</p><p>das lacunas que contêm os condrócitos.</p><p>Não há pericôndrio ao redor dessa cartilagem. Isso explica o fato de que o cres-</p><p>cimento intersticial é o único tipo de crescimento que ocorre na cartilagem fibrosa.</p><p>12</p><p>13</p><p>Figura 4 – Cartilagem fi brosa, matriz com grande quantidade de fi bras colágenas do tipo I e poucos condrócitos</p><p>Fonte: http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/</p><p>Tecido Conjuntivo Sanguíneo</p><p>O sangue é um tipo especial de tecido conjuntivo cuja matriz extracelular está no</p><p>estado líquido e na qual seus elementos figurados estão suspensos.</p><p>É encontrado em um compartimento fechado, denominado aparelho circulató-</p><p>rio, que o mantém em movimento regular e unidirecional devido, principalmente,</p><p>às contrações rítmicas do coração. Em uma pessoa saudável, representa 7% do</p><p>peso corporal. Em um adulto, de cerca de 70 Kg, corresponde a aproximadamente</p><p>5 litros.</p><p>O sangue é um fluído de tonalidade vermelha, brilhante, escura e levemente</p><p>alcalino (pH próximo de 7,4). Como circula por todo o organismo, é o principal</p><p>veículo de transporte de substâncias.</p><p>Sua função principal, portanto, é o transporte de nutrientes e outras substâncias.</p><p>Leva tanto nutrientes do sistema gastrointestinal para todas as células do corpo,</p><p>quanto produtos excretados por estas células para órgãos específicos para que</p><p>possam ser eliminados. Transporta, também, hormônios, outros metabolitos e</p><p>eletrólitos até os respectivos destinos finais. Carrega o oxigênio e o dióxido de</p><p>carbono, substâncias envolvidas na respiração.</p><p>O sangue tem, ainda, um papel regulador da temperatura corporal (por meio da</p><p>distribuição de calor), do equilíbrio ácido-básico e do equilíbrio osmótico dos tecidos</p><p>e no processo de defesa do organismo.</p><p>A homogeneidade do sangue é apenas aparente, pois é formado por duas</p><p>fases: uma fase compreende os elementos figurados (glóbulos brancos, glóbulos</p><p>13</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>vermelhos e plaquetas) encontrados suspensos em outra fase, líquida, o plasma</p><p>sanguíneo, com 91% de água e os 9% restantes representados pelas proteínas,</p><p>eletrólitos, gorduras, glicose, hormônios e numerosas outras substâncias.</p><p>Submetendo-se o sangue de uma pessoa sadia à centrifugação em um tubo</p><p>capilar, como ocorre no exame chamado de Hematócrito, os elementos figurados</p><p>se depositam no fundo do tubo como um precipitado vermelho recoberto por uma</p><p>fina camada translúcida (a papa leucocitária).</p><p>O precipitado vermelho corresponde aos glóbulos vermelhos e representa</p><p>cerca de 44% do total do volume analisado. A papa leucocitária, que representa</p><p>cerca de 1% do total, é composta de glóbulos brancos e plaquetas. Além dos</p><p>elementos figurados, o plasma permanece como um sobrenadante,</p><p>ocupando</p><p>cerca de 55% do volume total.</p><p>O plasma é um líquido amarelo, transparente, mas que pode adquirir uma</p><p>aparência leitosa após as refeições, devido à presença de gotículas oriundas de</p><p>lipídeos contidos nos alimentos (BLOOM & FAWCETT, 1977).</p><p>Trata-se de uma solução aquosa que contém substâncias de pequeno peso</p><p>molecular, além de moléculas mais pesadas e que, no total, correspondem a 10%</p><p>de seu volume. Tais substâncias são proteínas plasmáticas (em maior quantidade),</p><p>sais orgânicos, aminoácidos, hormônios, açúcares, vitaminas e outras substâncias</p><p>orgânicas.</p><p>A maior parte das proteínas plasmáticas é produzida no fígado. Podem ser</p><p>divididas e pertencem a quatro grupos principais:</p><p>• Albuminas: que são responsáveis pela manutenção da pressão osmótica do</p><p>sangue e pelo transporte de ácidos graxos e hormônios. Representam cerca</p><p>de 55% do total das proteínas plasmáticas. São produzidas no fígado;</p><p>• Globulinas: que correspondem a 38% do total de proteínas e podem ser</p><p>de três tipos principais: alfaglobulinas, betaglobulinas e gamaglobulinas.</p><p>São as proteínas que constituem os anticorpos. Também são chamadas de</p><p>imunoglobulinas;</p><p>• Fibrinogênio: representa cerca de 7% do total de proteínas do plasma,</p><p>existindo entre 100 a 700mg de fibrinogênio em cada 100ml de plasma. É uma</p><p>proteína sintetizada no fígado e possui grande peso molecular. É responsável</p><p>pelo processo de coagulação do sangue;</p><p>• Lipoproteínas: envolvidas no transporte de lipídeos e colesterol.</p><p>A concentração das substâncias sólidas dissolvidas no plasma está em equilíbrio</p><p>com a concentração do líquido intersticial dos tecidos adjacentes. Por isso, quando</p><p>há alguma alteração nos tecidos, pode haver reflexos na composição do sangue,</p><p>fazendo dele um indicador da composição do líquido extracelular dos tecidos.</p><p>Esse equilíbrio se dá pela troca de elementos presentes no sangue com os</p><p>tecidos e ocorre por meio dos capilares sanguíneos, que são vasos de paredes</p><p>14</p><p>15</p><p>mais simples, constituídos apenas de endotélio e sua membrana basal. Em alguns</p><p>capilares, o endotélio apresenta pequenos poros, pelos quais a água pode atravessar</p><p>juntamente com um grande número de moléculas hidrossolúveis e pela maioria</p><p>dos íons. Substâncias maiores, assim como substâncias lipossolúveis (por exemplo:</p><p>vitaminas) dissolvem-se na membrana capilar e atravessam a sua extensão sem</p><p>passar pelos poros. O trânsito de substâncias através das membranas celulares</p><p>pode ocorrer por meio de dois mecanismos: difusão e transporte ativo.</p><p>Células do Sangue</p><p>Eritrócitos (Figura 5 e Figura 7d)</p><p>Também conhecidos por hemácias ou glóbulos vermelhos, são células anucleadas,</p><p>com a forma de um disco bicôncavo, medindo cerca de 7,2μm de diâmetro e</p><p>produzidas na medula óssea a partir dos eritroblastos (células precursoras). São</p><p>responsáveis pela cor vermelha, característica do sangue.</p><p>Em cada mm3 de sangue são encontradas aproximadamente 5.000.000 de</p><p>hemácias no homem e 4.500.000 na mulher. Portanto, há diferenças entre os</p><p>sexos. A altitude também tem influência na quantidade de eritrócitos: pessoas que</p><p>vivem em grandes altitudes apresentam maior número dessas células. Em condições</p><p>normais, não são encontradas fora do sistema circulatório, permanecendo sempre</p><p>no interior dos vasos sanguíneos.</p><p>Seu principal elemento constituinte é a hemoglobina, pigmento que contém ferro</p><p>ferroso, que é capaz de se ligar ao O2 de forma irreversível. Por causa da presença</p><p>desse pigmento, a hemácia é responsável pelo transporte de oxigênio dos pulmões</p><p>para os tecidos e do gás carbônico dos tecidos para os pulmões. E, por sua forma</p><p>bicôncava, que propicia a existência de uma grande superfície externa (20 a 30%</p><p>maior do que se fosse esférica), é muito eficiente no processo de troca gasosa.</p><p>Essa forma bicôncava é mantida por meio da presença de proteínas estruturais do</p><p>citoesqueleto ligadas à membrana celular. São exemplos dessas proteínas a espectrina,</p><p>a anquirina, a actina, a proteína 4.1 e a banda 3. A membrana e o citoesqueleto são</p><p>altamente deformáveis e podem suportar importantes forças de pressão.</p><p>Por sua vez, a hemoglobina é formada por 4 (quatro) unidades, cada uma</p><p>contendo um grupo heme ligado a um polipeptídeo. O grupo heme é um derivado</p><p>porfirínico que contém Fe++.</p><p>A hemoglobina é produzida no interior dos precursores das hemácias localizados</p><p>na medula óssea, utilizando-se o ferro captado da circulação. O ferro da circulação</p><p>sanguínea é obtido da digestão dos alimentos ingeridos e durante o processo</p><p>de renovação das hemácias envelhecidas. Quando a hemoglobina está ligada</p><p>ao oxigênio, é denominada oxiemoglobina, conferindo ao sangue a sua cor</p><p>característica, e quando se une ao gás carbônico, é denominada carboxiemoglobina,</p><p>apresentando tonalidade mais escura e menos brilhante.</p><p>15</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>Em relação a variações possíveis nas cadeias polipeptídicas, há diferentes tipos</p><p>de hemoglobinas, dos quais três são considerados normais: A1, A2 e F.</p><p>A A1 (Hb A1) representa cerca de 97% do total de hemoglobina de um adulto</p><p>normal, enquanto a A2 (Hb A2) cerca de 2%. A F (Hb F) é a hemoglobina fetal. No</p><p>feto, representa 100% do total de hemoglobina e no recém-nascido, cerca de 80%.</p><p>Aos poucos, sua concentração vai diminuindo até os oito meses de idade, quando</p><p>chega a 1% e permanece nessa concentração até a idade adulta.</p><p>Além da hemoglobina, há nas hemácias grande quantidade da enzima anidrase</p><p>carbônica, cuja função é catalisar a ligação entre o gás carbônico e a água, formando</p><p>o ácido carbônico. Essa molécula é altamente instável, dissociando-se naturalmente</p><p>em bicarbonato e hidrogênio. Dessa forma, o gás carbônico, que é tóxico para a</p><p>célula, é transportado, também, na forma de bicarbonato.</p><p>A vida útil das hemácias é de cerca de 120 dias. Durante o processo de produção</p><p>e maturação na medula óssea, elas perdem o seu núcleo e outras organelas. Ao</p><p>fim de 120 dias, suas enzimas já estão em estado crítico e o rendimento de seu</p><p>metabolismo é insuficiente para mantê-las. As hemácias são, então, destruídas por</p><p>macrófagos, principalmente no baço (órgão mais ativo), mas também no fígado e</p><p>na medula óssea.</p><p>A destruição e a produção de hemácias se equilibram, não havendo anemia</p><p>ou poliglobulina em condições normais. A medula óssea produz hemácias</p><p>continuamente, para a sua renovação no sangue circulante.</p><p>As formas jovens dos eritrócitos circulantes recebem o nome de reticulócitos</p><p>(Figura 5). Possuem, em seu citoplasma, grupos de ribossomos dispersos e</p><p>mitocôndrias ocasionais. São encontrados assim que são produzidos pela medula</p><p>óssea e entram na corrente sanguínea. Após cerca de 24 horas, os reticulócitos</p><p>amadurecem e se transformam em eritrócitos adultos. Quando corados, apresentam</p><p>cor azulada, devido à basofilia presente no RNA.</p><p>No sangue periférico, para cada 100 hemácias encontradas em pessoas em</p><p>situação de saúde normal, há um reticulócito. Em casos de anemia, a elevação do</p><p>número de reticulócitos é um indicador do resultado positivo do tratamento.</p><p>Figura 5 – Eritropoiese.</p><p>Fonte: http://www.vivabiologia.com.br/</p><p>16</p><p>17</p><p>Doença de caráter genético e frequente, mas não exclusiva, em indivíduos de origem</p><p>africana e é uma anomalia genética importante no Brasil. Origina-se a partir de uma</p><p>mutação no cromossomo 112, dando origem à hemoglobina S. Os eritrócitos cujo conteúdo</p><p>predominante é a hemoglobina S assumem, em condições de hipóxia, forma semelhante à</p><p>de uma foice, daí o nome falciforme. A falcização das hemácias por ela determinada, além de</p><p>causar anemia hemolítica crônica, ainda é responsável pela obstrução de vasos sanguíneos,</p><p>com crises de dor, infartamento e necrose em diversos órgãos, como ossos e articulações,</p><p>baço, pulmões, rins e outros. Trata-se de uma doença crônica, incurável, embora tratável,</p><p>e que geralmente traz alto grau de sofrimento aos seus portadores (DI NUZZO & FONSECA,</p><p>2004; SILVA et al., 1993).</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Leucócitos</p><p>Encontram-se envolvidos na defesa do organismo. A denominação “glóbulos</p><p>brancos” deve-se à observação macroscópica do sangue após sua coagulação em</p><p>um tubo de ensaio. Nesse caso, pode-se perceber a formação de uma camada</p><p>branca acima dos eritrócitos.</p><p>O número de leucócitos é muito menor do que o de eritrócitos. Em um adulto</p><p>sadio, há somente de 6.500 a 10.000 leucócitos por mm3 de sangue.</p><p>Os leucócitos não têm função no interior da corrente sanguínea (também</p><p>diferentemente dos eritrócitos); eles a utilizam como meio de transporte de uma</p><p>região do organismo para outra. Quando chegam ao seu destino, eles migram da</p><p>corrente sanguínea por entre as células endoteliais dos vasos sanguíneos, alcançam</p><p>os espaços do tecido conjuntivo e desempenham sua função. Esse processo de</p><p>migração recebe o nome de diapedese.</p><p>Animação de diapedese: https://youtu.be/LZtUSyJpW3M</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Os leucócitos também são produzidos pela medula óssea, assim como os</p><p>eritrócitos, ou nos tecidos linfoides. Existem diferentes tipos de leucócitos, que</p><p>podem ser classificados em dois grupos: os granulócitos e os agranulócitos.</p><p>Tanto os granulócitos quanto os agranulócitos possuem grânulos inespecíficos</p><p>em seu citoplasma, os lisossomas. Entretanto, além desses, os granulócitos</p><p>possuem grânulos específicos. Há três tipos de granulócitos, também chamados de</p><p>polimorfonucleares: os neutrófilos, os eosinófilos e os basófilos. E dois tipos de</p><p>agranulócitos: os linfócitos e os monócitos.</p><p>Os neutrófilos (Figura 6a) são os leucócitos mais numerosos, representam cerca</p><p>de 40 a 75% do total. Possuem forma arredondada, com diâmetro entre 10 a</p><p>14μm, com um núcleo que apresenta de três a cinco lóbulos unidos por pontes de</p><p>cromatina. Quando jovem, o núcleo não é lobulado e a lobulação nuclear aumenta</p><p>à medida que a célula envelhece.</p><p>17</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>O citoplasma dos neutrófilos apresenta grânulos específicos e grânulos</p><p>azurófilos. Os grânulos específicos possuem enzimas envolvidas no combate aos</p><p>microrganismos e às substâncias que auxiliam na reposição da membrana e na</p><p>proteção contra antioxidantes. Os grânulos azurófilos contêm proteínas e peptídeos</p><p>que digerem e matam microrganismos.</p><p>Geralmente, têm menos de uma semana de vida. Sua função é a de fagocitar</p><p>e destruir bactérias, para tanto, migram para áreas de tecidos danificados onde</p><p>exercem esse papel defensivo.</p><p>Os eosinófilos (Figura 6b) contêm granulação específica, também chamada de</p><p>eosinófilas ou acidófilas, que se coram de rosa ou laranja na presença de eosina e</p><p>que ocupam todo o citoplasma da célula.</p><p>São menos numerosos do que os neutrófilos, correspondendo a cerca de 1 a 3%</p><p>do total de leucócitos.</p><p>Estão envolvidos na defesa do organismo contra bactérias e doenças parasitárias.</p><p>Entretanto, quando ativados para combater agentes externos, liberam substâncias</p><p>tais como as citocinas e mediadores inflamatórios lipídicos, que exacerbam a</p><p>resposta inflamatória e podem causar danos teciduais.</p><p>Os basófilos (Figura 6c) são os leucócitos menos numerosos, constituindo</p><p>menos de 2% do total. Possuem um núcleo volumoso e bilobado, geralmente em</p><p>forma de S, que normalmente é de difícil visualização devido à grande quantidade</p><p>de grânulos citoplasmáticos.</p><p>Os grânulos citoplasmáticos contêm histamina, heparina e fatores quimiotáticos</p><p>para eosinófilos e neutrófilos. Na membrana, apresentam receptores para a</p><p>imunoglobulina E (IgE). Secretam substâncias mediadoras de processos inflamatórios,</p><p>as citocinas e os leucotrienos.</p><p>São mobilizados em resposta a sinais inflamatórios. Liberam suas substâncias</p><p>ao mesmo tempo em que aumentam em quantidade (aumento da produção pela</p><p>medula óssea).</p><p>Neutró�lo Eosinó�lo Basó�lo</p><p>Figura 6 – a) neutrófilo, b) eosinófilo e c) basófilo</p><p>Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images</p><p>18</p><p>19</p><p>Os monócitos (Figura 7b) são os maiores leucócitos circulantes com diâmetro en-</p><p>tre 15 e 22μm. Possuem núcleo irregular, com uma pequena reentrância, em forma</p><p>de rim ou de fechadura. No citoplasma, apresentam numerosos grânulos pequenos e</p><p>densos (lisossomos), azurófilos e que podem preencher todo o citoplasma.</p><p>Animação de células do sistema imune: https://youtu.be/_p9wLEj5QZc</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Os monócitos do sangue constituem uma fase de maturação da célula</p><p>mononuclear fagocitária (Figura 7a). Originado na medula óssea, passam pelo</p><p>sangue, onde permanecem apenas por alguns dias. Após esse período, atravessam</p><p>os capilares por diapedese e penetram em diferentes órgãos, transformando-</p><p>se em macrófagos (Figura 7c). Dessa forma, o monócito faz parte do sistema</p><p>mononuclear fagocitário.</p><p>Macrófago</p><p>Monócito</p><p>Capilar sanguíneo</p><p>Tecido</p><p>A)</p><p>Golgi corado negativamente</p><p>Eritrócitos</p><p>MonócitoB)</p><p>D)</p><p>MacrófagoC)</p><p>Figura 7 – a) Maturação de macrófago em monócito após a diapedese; b) Monócito; c) Macrófago; d) Eritrócito</p><p>Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images</p><p>Os linfócitos (Figura 8) representam o segundo tipo mais abundante de</p><p>leucócitos no sangue, constituindo cerca de 20 a 35% dos leucócitos circulantes.</p><p>São células pequenas, esféricas, com diâmetro entre 7 a 8μm, com núcleo esférico</p><p>ou ligeiramente chanfrado. Entretanto, uma pequena porcentagem dessas células</p><p>pode chegar a 18μm.</p><p>Animação de fagocitose: https://youtu.be/V8MTPxX5Emg</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>19</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>Existem dois tipos de linfócitos: os linfócitos T e os linfócitos B. Apesar de</p><p>morfologicamente semelhantes, possuem moléculas diferentes em sua superfície.</p><p>Ambos são produzidos nos tecidos linfoides e na medula óssea. Os linfócitos B têm</p><p>um tempo variável de vida e, quando diferenciados em plasmócitos, participam na</p><p>produção de anticorpos. Os linfócitos T têm vida longa e participam ativamente</p><p>dos mecanismos relacionados à imunidade celular. Receptores existentes na sua</p><p>superfície são capazes de identificar antígenos específicos. Ao reconhecer um</p><p>antígeno, os linfócitos T estimulam a diferenciação dos linfócitos B, visando à</p><p>produção de anticorpos específicos para aquele antígeno.</p><p>Plaquetas (Figura 9)</p><p>As plaquetas, também chamadas de trombócitos, não são células, mas sim</p><p>corpúsculos ou fragmentos celulares, formados a partir de uma célula gigante</p><p>chamada megacariócito residente na medula óssea. Existem cerca de 150 a 450</p><p>mil plaquetas por microlitro de sangue de uma pessoa sadia.</p><p>Figura 8 – Linfócito</p><p>Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images</p><p>Não possuem núcleos; têm a forma de disco e medem cerca de 2 a 4μm de</p><p>diâmetro. Nas fotocromias, apresentam uma região periférica clara, chamada de</p><p>hialorômetro, e uma região central mais escura, denominada granulômetro. Duram</p><p>de 10 a 14 dias no sangue circulante.</p><p>20</p><p>21</p><p>Megacariócito</p><p>Plaquetas</p><p>Eritrócitos</p><p>Retículo</p><p>endoplasmático</p><p>Figura 9 – Esquema de megacariócito produzindo plaquetas e fotomicrografi a</p><p>de plaquetas rodeadas de eritrócitos.</p><p>Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images</p><p>Promovem a coagulação sanguínea, liberando a tromboplastina, que é um</p><p>dos fatores determinantes para a coagulação. Também auxiliam na reparação da</p><p>parede dos vasos sanguíneos, evitando perda de sangue.</p><p>21</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>A AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) é uma doença emergente, grave, causada</p><p>pelo retrovírus HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), que vem se disseminando desde</p><p>1981, e é, atualmente, considerada um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil</p><p>e no mundo (SILVA et al, 2013). O HIV infecta vários tipos de células, entre as células</p><p>protagonistas da regulação e da função do sistema imune: os linfócitos T e os macrófagos. O</p><p>ritmo em que ocorre a deterioração do sistema imunológico nos pacientes é heterogêneo e</p><p>é marcado por extrema variabilidade pessoal (ALBELO et al, 2013).</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Figura 10 – Plaquetas</p><p>Hemocitopoese</p><p>Hemopoiese,</p><p>hematopoese, hematopoiese ou hemocitopoese (Figura 10)</p><p>são termos utilizados para denotar a formação (gênese, poiese) dos elementos</p><p>figurados do sangue (hemo).</p><p>Trata-se do processo contínuo e regulado de produção de células do sangue,</p><p>que envolve a renovação, a proliferação, a diferenciação e a maturação celular.</p><p>É um processo muito importante, pois as células do sangue têm vida curta e são</p><p>constantemente renovadas pela proliferação mitótica de células localizadas nos</p><p>órgãos hemocitopoéticos.</p><p>A hematopoiese se inicia no embrião, por volta do segundo mês, prolongando-</p><p>se por toda a vida do indivíduo. Durante o desenvolvimento intrauterino, ela muda</p><p>por várias vezes. O primeiro local é o mesênquima da parede do saco vitelino. À</p><p>medida que os órgãos vão se definindo estruturalmente, a hematopoiese passa a</p><p>ocorrer no fígado, no baço, no timo e, por último, na medula óssea. Ao nascimento,</p><p>a medula óssea é o principal sítio de produção. Na vida adulta, as células sanguíneas</p><p>são produzidas somente na medula óssea.</p><p>Na hematopoiese medular, todas as células sanguíneas se originam de células-</p><p>tronco pluripotenciais hemopoiéticas, também chamadas de células fonte</p><p>22</p><p>23</p><p>(hemocitoblastos) que representam cerca de 0,1% da população de células</p><p>nucleadas da medula óssea.</p><p>Tais células não sofrem mitoses frequentes, mas podem sofrer explosões de</p><p>divisões celulares, originando mais células tronco, mas também outros dois tipos de</p><p>células tronco multipotenciais hemopoiéticas: as unidades formadoras de colônias</p><p>de linfócitos (CFU-Li) e as unidades formadoras de colônias de granulócitos,</p><p>eritrócitos, monócitos e megacariócitos (CFU-GEMM).</p><p>As CFU-Li e as CFU-GEMM são chamadas de células progenitoras, pois</p><p>originam as células precursoras (denominadas de blastos). É nessas células</p><p>precursoras que as características morfológicas diferenciais das linhagens aparecem</p><p>pela primeira vez; têm-se, então, os: linfoblastos, eritroblastos, megacarioblastos,</p><p>promonócitos, mielócitos netrófilos, mielócitos eosinófilos e mielócitos basófilos.</p><p>A eritropoiese (Figura 5) corresponde à formação das hemácias ou eritrócitos</p><p>do sangue que, no homem adulto, ocorre exclusivamente na medula óssea. São</p><p>produzidos cerca de 2,5 x 1011 eritrócitos por dia. Os progenitores finais e os</p><p>precursores celulares das hemácias são estimulados pelo hormônio eritropoetina.</p><p>A eritropoetina é uma glicoproteína produzida e liberada por células encontradas</p><p>nos rins, que estimula a remoção de hemácias envelhecidas e diferenciação dos</p><p>precursores em hemácias. Se a quantidade de eritrócitos é baixa, o rim produz uma</p><p>alta concentração de eritropoetina.</p><p>A diferenciação e a maturação da linhagem eritrocítica necessitam de cerca de</p><p>seis dias, mas, sob estresse, a medula pode reduzir esse tempo para dois a três</p><p>dias. As células da série eritropoiética são: proeritroblasto, eritroblasto basófilo,</p><p>eritroblasto policromatófilo, eritroblasto ortocromático, reticulócito e, por fim, o</p><p>eritrócito (Figura 5).</p><p>A granulopoiese refere-se à formação de células das linhagens granulocíticas.</p><p>Como já visto, cada um dos granulócitos descende de sua própria célula precursora.</p><p>A proliferação e a diferenciação dessas células estão sob a influência de diferentes</p><p>fatores, entre eles, as citocinas (por exemplo, o fator estimulador de colônias de</p><p>granulócitos-monócitos – CSF-GM) e as interleucinas.</p><p>As células da série neutrofílica são: mieloblasto, promielócito, mielócito neutrófilo,</p><p>metamielócito neutrófilo, neutrófilo em bastão (jovem) e neutrófilo.</p><p>A monocitopoiese corresponde à formação da linhagem monocítica e a</p><p>linfopoiese à formação da linhagem linfocítica. Os monócitos têm origem na célula</p><p>mieloide e se constituem em células intermediárias que darão origem posteriormente</p><p>aos macrófagos. Já os linfócitos circulantes têm origem principalmente no timo e</p><p>nos órgãos linfoides periféricos (baço, linfonodos e tonsilas), a partir de células</p><p>levadas da medula óssea pelo sangue.</p><p>23</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>A formação das plaquetas (megacariocitopoese) está sob o controle da</p><p>tromboietina, hormônio produzido no fígado, que induz o desenvolvimento e a</p><p>proliferação de células gigantes conhecidas como megacariócitos. Tais células</p><p>pertencem à medula óssea vermelha, possuem diâmetro entre 15 a 50μm e núcleo</p><p>grande (oval ou em forma de rim). Cada megacariócito pode originar vários milhares</p><p>de plaquetas. O precursor do megacariócito na medula óssea é o megacarioblasto.</p><p>Figura 11 – Hemopoiese, hematopoese, hematopoiese ou hemocitopoese</p><p>Fonte: http://biologiaucs.blogspot.com.br/</p><p>Medula Óssea</p><p>A medula óssea é um órgão difuso, volumoso e muito ativo. Pode ser considerada</p><p>um órgão constituído por diferentes tecidos, estando dividida em compartimentos:</p><p>compartimento vascular (representada pelas artérias, veias e capilares sinusoidais)</p><p>e compartimento hematopoiético (com estroma de tecido reticular e células livres,</p><p>além de células adiposas). Representa cerca de 5% do peso corporal total.</p><p>No adulto sadio, produz, por dia, cerca de 2,4 bilhões de eritrócitos, 2,5 bi-</p><p>lhões de plaquetas e 1,0 bilhão de granulócitos por cada quilo de peso corporal.</p><p>Vale ressaltar que essa produção é perfeitamente equilibrada com as necessidades</p><p>do organismo.</p><p>A medula óssea é encontrada no canal medular dos ossos longos e nas cavidades dos</p><p>ossos esponjosos. A medula óssea do recém-nascido é chamada de medula vermelha,</p><p>devido ao grande número de eritrócitos que estão sendo produzidos no local.</p><p>Com o passar da idade, a maior parte da medula óssea transforma-se na medula</p><p>amarela, rica em células adiposas e que não produz células sanguíneas. A medula</p><p>vermelha permanece apenas no esterno, nas vértebras, nas costelas e na díploe</p><p>dos ossos do crânio.</p><p>Nos dois tipos de medula, existem nódulos linfáticos que são acúmulos de linfócitos.</p><p>24</p><p>25</p><p>Tecido Muscular</p><p>O tecido muscular representa cerca de 40 a 50% do peso corporal total e é</p><p>constituído por células alongadas, especializadas na contração muscular. Para tanto,</p><p>estas células contêm grande quantidade de filamentos citoplasmáticos compostos</p><p>de proteínas contráteis, as quais, por sua vez, geram as forças necessárias para a</p><p>contração desse tecido. Esta propriedade é utilizada pelo organismo para realizar</p><p>sua locomoção, a constrição de estruturas e outros movimentos propulsores. A</p><p>energia necessária para a contração das células é obtida por meio das moléculas</p><p>de ATP.</p><p>As características do tecido muscular são importantes para a compreensão de</p><p>suas funções. São elas:</p><p>• a excitabilidade: a capacidade do tecido muscular de receber e responder a</p><p>estímulos;</p><p>• a contratilidade: a capacidade que uma estrutura apresenta de reduzir suas</p><p>dimensões;</p><p>• a extensibilidade: a capacidade de distender-se;</p><p>• a elasticidade: a capacidade de retornar à sua forma original após contração</p><p>ou extensão.</p><p>De acordo com as características morfológicas e funcionais de suas células, o</p><p>tecido muscular pode ser classificado em estriado esquelético, estriado cardíaco</p><p>ou liso. As células musculares por sua vez, podem ser classificadas em estriadas</p><p>ou lisas, dependendo do arranjo de suas proteínas contráteis.</p><p>As células musculares estriadas ( Figura 12b e 12c) possuem uma alternância</p><p>de estriações transversais claras e escuras, que não são observadas nas células</p><p>musculares lisas (Figura 12a). As células estriadas são encontradas nos músculos</p><p>somáticos (massa muscular voluntária de contração voluntária) e no músculo</p><p>cardíaco, enquanto as lisas estão localizadas nas paredes dos vasos sanguíneos, nas</p><p>paredes das vísceras e na derme da pele.</p><p>25</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>Figura 12 – Tecidos musculares: fotomicrografia e desenho esquemático. a) tecido muscular liso. b) tecido</p><p>muscular estriado esquelético. c) tecido muscular estriado cardíaco</p><p>Fonte: blogdoenem.com.br</p><p>(modificado e adaptado)</p><p>Diferentemente de outros tecidos, uma nomenclatura específica é utilizada</p><p>para descrever os componentes das células do tecido muscular (Figura 13). Sua</p><p>membrana plasmática é denominada de sarcolema, seu citoplasma é conhecido por</p><p>sarcoplasma, seu retículo endoplasmático agranular por retículo sarcoplasmático</p><p>e as suas mitocôndrias recebem o nome de sarcossomas. Além disto, por serem</p><p>alongadas, as células musculares são conhecidas por fibras musculares.</p><p>Veja mais em: https://goo.gl/gjtvER</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>26</p><p>27</p><p>Tecido Muscular Estriado Esquelético</p><p>As células musculares esqueléticas (Figura 12b) formam a base estrutural dos</p><p>músculos que são responsáveis pelos movimentos voluntários (sob influência do</p><p>sistema nervoso) e pela manutenção da postura.</p><p>O tecido muscular esquelético é formado por feixes destas células que possuem</p><p>como característica o comprimento (são muito longas e podem ter até 30 cm</p><p>de comprimento). Tais células são cilíndricas, com diâmetro entre 10 a 100μm,</p><p>multinucleadas e com muitos filamentos, denominados de miofibrilas (Figura 13).</p><p>O diâmetro da fibra muscular está diretamente relacionado à sua força. As</p><p>variações de diâmetro encontradas são determinadas por diferentes fatores, entre</p><p>eles: o músculo considerado, a idade, o sexo, o estado de nutrição e o treinamento</p><p>físico. Por exemplo, o exercício físico estimula a formação de novas miofibrilas o</p><p>que aumenta diretamente o diâmetro das fibras musculares (processo chamado de</p><p>hipertrofia). Por outro lado, a força do músculo como um todo é determinada pelo</p><p>número e pela espessura de suas fibras.</p><p>As miofibrilas são os elementos contráteis das células musculares esqueléticas.</p><p>São estruturas cilíndricas e delgadas, com cerca de 1 a 2μm de diâmetro. São</p><p>compostas pela sobreposição e pela agregação repetitiva de filamentos grossos</p><p>(constituídos principalmente pela proteína denominada miosina) e filamentos finos</p><p>(constituídos principalmente pela proteína chamada de actina).</p><p>Qualquer fibra muscular esquelética possui centenas de miofibrilas dispostas ao</p><p>longo de seu comprimento. A alternância das regiões de filamentos grossos e finos</p><p>dá a aparência estriada, característica do tecido muscular esquelético.</p><p>Neste tecido, as fibras musculares aparecem organizadas de forma paralela umas</p><p>às outras, portando, em seus espaços intercelulares, capilares contínuos. Estas</p><p>fibras apresentam, além das estrias transversais, núcleos na periferia próximos ao</p><p>sarcolema. Esta característica (localização do núcleo) diferencia estas células das</p><p>células do tecido muscular cardíaco que possui os núcleos na região central.</p><p>O músculo estriado esquelético apresenta coloração que vai do róseo ao verme-</p><p>lho, devido à presença de pigmentos de mioglobina e da grande quantidade de va-</p><p>sos sanguíneos no tecido conjuntivo que é encontrado por entre as suas células. A</p><p>mioglobina é uma proteína transportadora de oxigênio semelhante à hemoglobina.</p><p>Dependendo do diâmetro das fibras, da quantidade de mioglobina, do número</p><p>de mitocôndrias, da extensão do retículo sarcoplasmático e da concentração de</p><p>enzimas, as fibras musculares podem ser classificadas em vermelhas, brancas ou</p><p>intermediárias.</p><p>A fibra muscular estriada esquelética vermelha, por exemplo, possui como</p><p>características (entre outras): um rico suprimento vascular, diâmetro menor e</p><p>mitocôndrias bastante numerosas. As brancas, por sua vez, possuem um pobre</p><p>suprimento vascular, diâmetro maior e poucas mitocôndrias. As fibras intermediárias</p><p>possuem características intermediárias entre as outras duas.</p><p>27</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>Geralmente, em um músculo anatômico clássico, como o bíceps, são encontrados</p><p>os três tipos de fibras em proporções relativamente constantes, características de</p><p>cada músculo.</p><p>Câimbras podem acontecer quando menos se espera. De repente, a pessoa sente uma dor</p><p>intensa provocada por contrações involuntárias de um ou mais músculos, repentinas e</p><p>prolongadas. As contrações usualmente se instalam nos membros inferiores e ocorrem em</p><p>espasmos, tornando visíveis os músculos e tendões contraídos. Assista ao vídeo proposto e</p><p>aprenda um pouco mais sobre a câimbra: https://youtu.be/1-uiBRenNRQ</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>As fibras se organizam em feixes (Figura 14) e o conjunto desses feixes apresenta-</p><p>se envolvido por uma camada de tecido conjuntivo denso não modelado denominada</p><p>de epimísio, que envolve o músculo por inteiro. Do epimísio, partem finos septos de</p><p>tecido conjuntivo mais frouxo e menos fibroso, chamado de perimísio, que envolve</p><p>os feixes de fibras. Outro tecido, o endomísio, composto por fibras reticulares e</p><p>pela lâmina basal da fibra muscular, envolve cada uma das fibras.</p><p>O tecido conjuntivo é responsável por manter as fibras musculares unidas,</p><p>possibilitando que a força de contração gerada por cada fibra, atinja o músculo por</p><p>inteiro. Também é o tecido conjuntivo que transmite a força da contração a outras</p><p>estruturas, tais como tendões e ossos.</p><p>Os vasos sanguíneos penetram o músculo através dos septos de tecido conjuntivo</p><p>e formam uma extensa rede de capilares que correm entre as fibras musculares.</p><p>O tecido conjuntivo do músculo esquelético possui também vasos linfáticos e nervos.</p><p>O músculo não se fixa diretamente ao osso, havendo um tecido intermediário</p><p>entre o osso e o músculo. Este tecido é formado por tecido conjuntivo denso</p><p>modelado e constitui os tendões (Figura 13).</p><p>Osso</p><p>Tendão</p><p>EpimísioPerimísio</p><p>Vaso</p><p>Sanguíneo</p><p>Endomísio</p><p>Feixe muscular</p><p>Fibra muscular</p><p>Figura 13 – Esquema da estrutura de um musculo estriado esquelético</p><p>Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images</p><p>28</p><p>29</p><p>Tecido Muscular Estriado Cardíaco</p><p>Também chamado de músculo cardíaco, o tecido muscular estriado cardíaco é</p><p>encontrado somente no coração (local onde recebe o nome de miocárdio) e na</p><p>parede das veias pulmonares na junção destas com o coração. O músculo estriado</p><p>cardíaco é constituído por células alongadas, com aproximadamente 85 a 100μm</p><p>de comprimento, com estrias transversais, apresentando um ou dois núcleos</p><p>grandes e ovais, localizados centralmente.</p><p>As estrias, de forma semelhante ao músculo estriado esquelético, são formadas</p><p>a partir de uma organização dos filamentos de miosina e actina.</p><p>As fibras do músculo cardíaco também são circundadas por uma delicada bainha</p><p>de tecido conjuntivo, equivalente ao endomísio do músculo esquelético, que contém</p><p>abundante rede de capilares sanguíneos.</p><p>Entretanto, o tecido muscular cardíaco possui uma característica exclusiva: a</p><p>presença de linhas transversais, fortemente coráveis que aparecem em intervalos</p><p>irregulares ao longo das células denominadas de discos intercalares ( Figura 12</p><p>e 14). Esses discos são complexos juncionais encontrados na interface de células</p><p>musculares adjacentes e podem ter a aparência de linha reta ou aspecto de escada,</p><p>conforme citado por Junqueira e Carneiro (2013).</p><p>Os discos intercalares possuem porções transversais, onde são encontradas</p><p>faixas de adesão e desmossomos, porções laterais, ricas em junções comunicantes,</p><p>também possuindo zonas de adesão.</p><p>As zônulas de adesão servem para ancorar os filamentos de actina dos sarcômeros</p><p>terminais. Os desmossomos, por sua vez, unem as células musculares cardíacas</p><p>impedindo que se separem durante uma contração. As junções comunicantes</p><p>permitem a passagem de íons e o sinal para a contração.</p><p>É importante destacar que as células musculares cardíacas apresentam um</p><p>número muito grande de mitocôndrias, que ocupam cerca de 40% do volume</p><p>citoplasmático destas células (para comparar: o músculo esquelético possui cerca de</p><p>2% do volume citoplasmático ocupado por mitocôndrias). Essa condição permite</p><p>um intenso metabolismo aeróbico desse tecido.</p><p>É frequente também, o encontro de pequenas gotículas de lipídeos no tecido cardí-</p><p>aco. Tais gotículas representam a maior fonte de energia para a contração do tecido.</p><p>29</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso,</p><p>Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>Figura 14 – Lâmina histológia (fotomicrografia) de miocardiócitos, mostrando</p><p>os discos intercalares entre as fibras (característica única deste tecido)</p><p>Fonte: ATLAS DIGITAL DE HISTOLOGIA BÁSICA</p><p>Tecido Muscular Liso</p><p>O músculo do tipo liso (Figura 15b) pode ser encontrado nas paredes de vísceras</p><p>ocas (trato gastrointestinal (Figura 15a), parte do aparelho reprodutor e sistema</p><p>urinário), nas paredes de vasos sanguíneos, nas vias respiratórias ou formando</p><p>pequenos feixes de tecido muscular presentes na derme da pele.</p><p>De fato, é encontrado em locais que requerem uma contração lenta, sustentada</p><p>ou rítmica. Isto porque suas células possuem um sistema de proteínas contráteis</p><p>bem menos organizado do que nos tecidos estriados.</p><p>O tecido muscular liso não está sob controle voluntário. Suas contrações são</p><p>reguladas pelo sistema nervoso autônomo, por hormônios (como por exemplo: as</p><p>bradicininas) e por condições fisiológicas normais. Por isso, também é denominado</p><p>músculo involuntário.</p><p>Suas células são longas, mais espessas no centro e afiladas nas extremidades,</p><p>com um único núcleo central e sem estriações transversais. Tais células podem</p><p>ter um tamanho bastante variado que vai desde cerca de 20μm (na parede de</p><p>pequenos vasos sanguíneos) a 500μm (parede do útero gravídico).</p><p>Possuem microfibrilas compostas por um feixe de miofilamentos paralelos e</p><p>de dois tipos: espessos (contendo miosina) e delgados (contendo actina), de forma</p><p>semelhante aos músculos estriados. São revestidas por lâmina basal e mantidas</p><p>unidas por uma rede muito delicada de fibras reticulares.</p><p>As células musculares lisas, além da capacidade contrátil, são capazes de sintetizar</p><p>colágeno do tipo III (fibras reticulares), fibras elásticas e proteoglicanos.</p><p>30</p><p>31</p><p>Há dois tipos de tecido muscular liso: o músculo liso multiunitário e o músculo</p><p>liso unitário. No músculo multiunitário, as células que o compõem podem se</p><p>contrair independentemente umas das outras, pois cada uma delas possui seu</p><p>próprio suprimento de sistema nervoso. Por sua vez, no músculo unitário, as</p><p>células não conseguem se contrair de forma independente, pois as fibras nervosas</p><p>formam sinapses somente com algumas poucas fibras. Neste caso, há junções</p><p>comunicantes entre as células.</p><p>Músculo Liso</p><p>(Involuntário)</p><p>Núcleo</p><p>a)</p><p>b)</p><p>Figura 15 – Esquema de músculo liso. a) esôfago e o movimento peristáltico.</p><p>b) células alongadas com núcleo central.</p><p>Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images</p><p>Importante!</p><p>O tecido muscular esquelético possui a maior massa do corpo humano, com 45% do</p><p>peso total. As lesões nesse tecido são a causa mais frequente de incapacidade física na</p><p>prática esportiva. As lesões musculares podem ser causadas por contusões, estiramentos</p><p>ou lacerações. Mais de 90% de todas as lesões relacionadas ao esporte são devidas a</p><p>contusões ou estiramento. A atual classifi cação separa as lesões entre leve, moderada e</p><p>grave. Os sinais e os sintomas das lesões de grau I são edema e desconforto; de grau II,</p><p>perda de função, gap e equimose eventual; de grau III, rotura completa, dor intensa e</p><p>hematoma extenso.</p><p>Você Sabia?</p><p>Regeneração do Tecido Muscular</p><p>Após uma lesão que produza destruição tecidual, no adulto, os três tipos de</p><p>tecido muscular exibem capacidades diferentes de regeneração (GITIRANA, 2007,</p><p>JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).</p><p>31</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>O músculo cardíaco não se regenera. Nas lesões no coração, como ocorre nos</p><p>infartos, as partes destruídas são invadidas por fibroblastos que produzem fibras</p><p>colágenas, formando uma cicatriz composta por tecido conjuntivo denso.</p><p>As fibras musculares esqueléticas têm uma pequena capacidade de regeneração.</p><p>Possuem as chamadas “células satélites” que, quando ativadas, proliferam por divisão</p><p>mitótica e se fundem umas às outras para formar novas fibras musculares. Também</p><p>podem se dividir por meio de meiose no caso de exercícios musculares intensos.</p><p>O músculo liso, por sua vez, conserva sua capacidade mitótica para formar</p><p>novas células. Sua capacidade de regeneração é muito mais eficiente. Quando</p><p>ocorre uma lesão, as células que permanecem viáveis dão origem a novas células,</p><p>reparando o tecido destruído. A capacidade mitótica é evidente, por exemplo, no</p><p>útero grávido, quando a parede uterina se torna mais espessa, tanto por hipertrofia</p><p>das células individualmente, quanto por hiperplasia derivada de mitoses.</p><p>Tecido Nervoso</p><p>O tecido nervoso é distribuído por todo organismo na forma de uma rede</p><p>interligada de comunicações denominada de sistema nervoso.</p><p>Anatomicamente, o sistema nervoso está organizado em sistema nervoso</p><p>central (SNC), formado pelo encéfalo, sistemas neurais do sistema fotorreceptor e</p><p>pela medula espinhal, e o sistema nervoso periférico (SNP), que inclui os nervos</p><p>cranianos e espinhais e os gânglios e as terminações nervosas. Os nervos são</p><p>constituídos principalmente por prolongamentos dos neurônios situados no SNC</p><p>ou nos gânglios nervosos.</p><p>O SNP é dividido, funcionalmente, em um componente sensorial (chamado de</p><p>aferente), que é responsável por receber e transmitir impulsos ao SNC para o</p><p>devido processamento e, um componente motor (eferente) que tem origem no</p><p>SNC e transmite os impulsos nervosos aos órgãos efetores ao longo do corpo.</p><p>O tecido nervoso é composto por duas classes de células: os neurônios, células</p><p>geralmente com longos prolongamentos, e as células gliais ou células da glia,</p><p>que sustentam os neurônios e participam de outras funções importantes. Juntas,</p><p>estas células formam uma complexa organização tecidual. Apesar dos neurônios</p><p>serem muito maiores que as células gliais, a massa de tecido nervoso é dividida</p><p>quase igualmente entre os dois tipos celulares. Possui uma quantidade mínima de</p><p>material extracelular.</p><p>No SNC há uma separação entre o corpo celular e o prolongamento dos</p><p>neurônios. Desta forma, tanto no encéfalo quanto na medula espinhal aparecem</p><p>duas porções distintas: a substância branca e a substância cinzenta.</p><p>32</p><p>33</p><p>A substância branca não contém corpos celulares dos neurônios. É constituída,</p><p>em sua maioria, por fibras nervosas mielínicas (prolongamentos dos neurônios) e</p><p>células gliais. A substância cinzenta (que têm aparência escura quando observada</p><p>macroscopicamente) é composta por agregados de corpos células dos neurônios,</p><p>prolongamentos (dendritos e porções amielínicas dos axônios) e células gliais.</p><p>Células do Sistema Nervoso</p><p>Neurônios</p><p>Os neurônios, também chamados de células nervosas, são responsáveis pela</p><p>recepção, transmissão e processamento de estímulos. Além disso, influenciam</p><p>diversas atividades do organismo e liberam neurotransmissores e outras moléculas</p><p>envolvidas na transmissão de informações. São as unidades morfofuncionais do</p><p>tecido nervoso.</p><p>São células grandes, constituídas de diferentes partes, cada qual com uma função</p><p>diferente. São divididos em ( Figura 16).</p><p>• um corpo celular, também conhecido como pericário ou soma, que contém o</p><p>núcleo e a maioria das organelas celulares responsáveis pela manutenção da célula;</p><p>• um longo prolongamento celular que se estende a partir do corpo celular, de</p><p>diâmetro variável e com até 100cm de comprimento, denominado de axônio,</p><p>responsável por transmitir sinais do neurônio para outras células;</p><p>• numerosos prolongamentos celulares curtos, os dendritos, especializados na</p><p>recepção de estímulos, oriundos das células sensoriais, axônios e outros neurônios;</p><p>• junções celulares especializadas (sinapses) entre o axônio e outras células que</p><p>permitem a comunicação celular direta.</p><p>Dentritos</p><p>Axônio</p><p>Corpo celular</p><p>Terminações do axônio</p><p>Figura 16 – Esquema de neurônio</p><p>Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images</p><p>33</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>O corpo do neurônio é considerado o centro trófico da célula e é a região</p><p>do neurônio que contém um núcleo</p><p>grande, com nucléolo bem evidente, e o</p><p>citoplasma perinuclear. O citoplasma perinuclear apresenta grande quantidade</p><p>de retículo endoplasmático rugoso (RER) que, devido à riqueza em ribossomos,</p><p>é visível ao microscópio de luz como aglomerados basófilos no citoplasma, sendo</p><p>denominados de corpúsculos de Nissl.</p><p>Tanto o pericárdio, quanto os prolongamentos da célula possuem neurofibrilas,</p><p>formando o citoesqueleto.</p><p>A maioria das células nervosas tem numerosos dendritos, que aumentam a</p><p>superfície celular, tornando possível a recepção e a integração de impulsos trazidos</p><p>pelos terminais axônicos de outros neurônios. À medida que se ramificam, vão</p><p>ficando mais finos.</p><p>Cada neurônio possui um único axônio, que surge do corpo celular na região</p><p>conhecida como cone de implantação. É um delgado prolongamento único, com</p><p>comprimento variável, mas de uma forma geral mais comprido do que os dendritos</p><p>da célula a qual pertence.</p><p>Os axônios de muitas células nervosas possuem uma bainha, denominada de</p><p>bainha de mielina. A sua presença ou a sua ausência influencia as propriedades</p><p>fisiológicas dos neurônios.</p><p>A sinapse é responsável pela transmissão unidirecional dos impulsos nervosos.</p><p>É o local onde um impulso nervoso é transmitido de uma célula pré-sináptica (um</p><p>neurônio) para outra pós-sináptica (outro neurônio, uma glândula ou uma célula</p><p>muscular). Essa transmissão pode ocorrer elétrica ou quimicamente.</p><p>As sinapses químicas não são muito comuns. Ocorrem no tronco encefálico, na</p><p>retina e no córtex cerebral nas junções comunicantes, através das transferências</p><p>de íons de uma célula para outra. Quando essa transferência ocorre, há um fluxo</p><p>de corrente.</p><p>As sinapses químicas são as mais comuns. Nestas, há a transferência de</p><p>mensagens por meio de neurotransmissores, que são substâncias químicas que</p><p>quando se combinam com proteínas receptoras, abrem ou fecham canais iônicos</p><p>ou então desencadeiam uma cascata molecular na célula pós-sináptica, que por sua</p><p>vez, produz mensageiros intracelulares.</p><p>Nas sinapses químicas, a membrana pré-sináptica libera um ou mais neuro-</p><p>transmissores dentro da fenda sináptica (pequeno espaço entre as células). O neu-</p><p>rotransmissor se difunde pela fenda até os receptores presentes na membrana</p><p>pós-sináptica.</p><p>São exemplos de neurotransmissores:</p><p>• a acetilcolina: pequena molécula transmissora, não derivada de aminoácidos,</p><p>que é encontrada nas junções mioneurais e em todas as sinapses parassimpáticas,</p><p>simpáticas e pré-ganglionares;</p><p>34</p><p>35</p><p>• a endorfina: neuropeptídeo que tem função analgésica e inibe a transmissão</p><p>da dor.</p><p>Os neurônios podem assumir morfologia variada, mantendo seus constituintes</p><p>essenciais. O corpo celular, por exemplo, po de ser esférico, piriforme ou anguloso.</p><p>Os prolongamentos podem ser de diferentes tipos. De acordo com a morfologia</p><p>podem ser classificados em neurônios multipolares, neurônios bipolares e</p><p>neurônios pseudounipolares.</p><p>Os neurônios multipolares apresentam mais de dois prolongamentos celulares.</p><p>Os bipolares possuem um dendrito e um axônio e, os pseudounipolares apresentam</p><p>prolongamento único junto ao corpo, mas que logo se subdivide em dois.</p><p>Os neurônios também podem ser classificados de acordo com a função que</p><p>desempenham:</p><p>• neurônios sensoriais ou aferentes: captam as informações a partir de</p><p>receptores sensoriais e as transmitem para o SNC, conduzindo informação</p><p>sensorial, ou seja, recebem estímulos sensoriais do meio ambiente e do próprio</p><p>organismo e os transmitem para o SNC;</p><p>• neurônios motores ou eferentes: inervam e regulam a atividade de células-</p><p>alvo, transmitindo comandos originados no SNC para células musculares e</p><p>glândulas (exócrinas e endócrinas);</p><p>• interneurônios: estabelecem conexões entre outros neurônios, representando</p><p>a maioria das células nervosas do tecido nervoso.</p><p>Células da Glia</p><p>Sob a designação de neuroglia ou glia, incluem-se vários tipos celulares</p><p>encontrados no sistema nervoso ao lado dos neurônios. Tais células têm a função</p><p>de dar suporte físico e metabólico aos neurônios, além de protegê-los. Calcula-se</p><p>que existam cerca de 10 vezes mais células gliais do que neurônios no sistema</p><p>nervoso, ou seja, uma para cada neurônio.</p><p>As células neurogliais encontradas exclusivamente no SNC são os astrócitos, os</p><p>oligodendrócitos, as células da microglia e as células ependimárias. No SNP,</p><p>são encontradas as células de Schwann.</p><p>Os astrócitos ( Figura 17) são as maiores células de neuroglia. Possuem formato</p><p>de estrela, com núcleo esférico e central, e citoplasma abundante. Apresentam</p><p>muitos prolongamentos com curtas ramificações.</p><p>Os astrócitos desempenham diferentes funções:</p><p>• dão sustentação aos neurônios;</p><p>• participam do metabolismo de neurotransmissores;</p><p>• realizam a captura de íons e de restos do metabolismo neuronal;</p><p>• mantêm o equilíbrio de potássio no microambiente dos neurônios do SNC</p><p>para a geração de impulsos nervosos;</p><p>35</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>• contribuem para o metabolismo energético dentro do córtex cerebral;</p><p>• auxiliam na formação da barreira hematoencefálica, que regula a passagem</p><p>de substâncias do sangue para as células nervosas.</p><p>Possuem receptores e são ativados pela norepinefrina, aminoácidos (como</p><p>o GABA – ácido gama-aminobutírico), hormônio natriurético, angiotensina II,</p><p>endotelinas e outras moléculas.</p><p>Figura 17 – Lâmina de do sistema nervoso, evidenciando os astrócitos</p><p>Fonte: Acervo do Conteudista</p><p>Os oligodendrócitos (Figura 18) lembram os astrócitos, porém são células</p><p>menores e com menos prolongamentos. São encontrados tanto na substância branca</p><p>quanto na substância cinzenta. São responsáveis por produzir e manter a bainha</p><p>de mielina e servem de isolantes elétricos para os neurônios do SNC. Um único</p><p>oligodendrócito é capaz de envolver vários axônios com seus prolongamentos. Ao</p><p>conjunto formado pelo prolongamento do oligodendrócito e o axônio do neurônio</p><p>dá-se o nome de fibra nervosa.</p><p>Oligodendrócito</p><p>Neurônio</p><p>Figura 18 – Desenho de oligodendrócito</p><p>Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images</p><p>36</p><p>37</p><p>Importante!</p><p>A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica de origem desconhecida,</p><p>caracterizada por lesões axonais e áreas de desmielinização do sistema nervoso central</p><p>associado a processos infl amatórios. Nessa doença, a incapacidade física e uma série de</p><p>sintomas estão relacionados ao comprometimento de sistemas funcionais e ao desuso.</p><p>Sua incidência é maior em mulheres do que em homens, sendo este padrão aplicável até</p><p>os 30 anos de idade, quando se observa o início da inversão deste quadro. O tratamento</p><p>geralmente inclui o uso de imunomoduladores e imunossupressores, que são capazes de</p><p>retardar, mas não interromper sua progressão (FURTADO; TAVARES, 2005).</p><p>Você Sabia?</p><p>As células da microglia ( Figura 19) estão espalhadas por todo o SNC. São células</p><p>pequenas, que se assemelham aos oligodendrócitos, possuem pouco citoplasma,</p><p>um núcleo oval a triangular, prolongamentos curtos e irregulares e espinhas por</p><p>sobre toda a superfície da célula. Atuam como fagócitos, removendo fragmentos</p><p>e estruturas danificadas no SNC. Quando ativadas, retraem seus prolongamentos,</p><p>assumem a forma de macrófagos e protegem o sistema nervoso contra vírus,</p><p>microrganismos e formação de tumores. Fazem parte do Sistema Mononuclear.</p><p>Figura 19 – Células microgliais</p><p>Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images</p><p>As células ependimárias ( Figura 20) são células cilíndricas ou cúbicas que</p><p>revestem as cavidades do encéfalo (ventrículos cerebrais) e o canal central da</p><p>medula espinhal, funcionando como membranas de revestimento. Seu citoplasma</p><p>é repleto de filamentos intermediários e mitocôndrias. Em algumas regiões, as</p><p>células ependimárias apresentam cílios, facilitando o deslocamento do líquido</p><p>cefalorraquidiano. No hipotálamo são chamadas de tanicitos.</p><p>37</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>Figura 20 – Lâmina</p><p>de células epidendimáris (coradas em roxo)</p><p>Fonte: Acervo do Conteudista</p><p>As células de Schwann (Figura 21) têm a mesma função dos oligodendrócitos,</p><p>porém se localizam ao redor dos axônios dos neurônios do sistema nervoso</p><p>periférico. Cada célula de Schwann se enrola em torno de um único axônio. São</p><p>células alongadas com um núcleo achatado, apresentando no citoplasma um</p><p>complexo de Golgi pouco desenvolvido e poucas mitocôndrias.</p><p>Quanto à bainha de mielina, é importante destacar que ao longo de toda a</p><p>extensão dos axônios ocorrem interrupções com intervalos regulares na bainha,</p><p>chamadas de nodos de Ranvier. Cada nodo indica uma interface entre a bainha e</p><p>duas células de Schwan.</p><p>Dentritos</p><p>Corpo Neural</p><p>Axônio</p><p>Bainhas de</p><p>Mielina</p><p>Nodos de</p><p>Ranvier</p><p>Células de</p><p>Schwann</p><p>Núcleo da</p><p>célula de Schwann</p><p>Figura 21 – Desenho de um neurônio, do detalhe células de Schwann intercaladas pelo nódulo de Ranvier</p><p>Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images</p><p>Tanto no SNC, quanto no SNP, nem todos os axônios são recobertos por</p><p>mielina. As fibras amielínicas periféricas também estão envolvidas pelas células de</p><p>Schwann. Nesses casos as células de Schwann não se encontram enroladas nos</p><p>axônios e não existem nodos de Ranvier. No SNC, os axônios amielínicos são mais</p><p>numerosos, sendo encontrados, por exemplo, no encéfalo e na medula espinhal.</p><p>38</p><p>39</p><p>Uma doença desmielinizante é qualquer doença do sistema nervoso na qual a bainha</p><p>de mielina dos neurônios é danifi cada.[1] Isso prejudica a condução de sinais nos nervos</p><p>afetados, causando prejuízos na sensação, movimento, cognição e outras funções</p><p>dependendo dos nervos envolvidos.</p><p>Assista aos vídeos propostos e entenda o que é uma doença desmielinizante.</p><p>https://youtu.be/QOG7ro4O2mE</p><p>https://youtu.be/6n-psn51g-g</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Nervos</p><p>No SNP, o conjunto de feixes de fibras nervosas denomina-se nervo. Devido</p><p>à cor da mielina e às fibras colagenosas que formam o tecido de sustentação dos</p><p>nervos, estes se apresentam como estruturas esbranquiçadas. Raros nervos são</p><p>formados somente por fibras amielínicas. Em sua maioria, os nervos são mistos,</p><p>isto é, formados tanto por fibras nervosas mielínicas quanto por fibras nervosas</p><p>amielínicas.</p><p>O tecido de sustentação dos nervos é constituído por uma camada fibrosa externa</p><p>de tecido conjuntivo denso, denominada de epineuro. O perineuro é a camada</p><p>intermediária dos envoltórios de tecido conjuntivo e o endoneuro é a camada mais</p><p>interna. O endoneuro é uma camada composta por tecido conjuntivo frouxo.</p><p>Os nervos estabelecem comunicação entre os centros nervosos e os órgãos. Com</p><p>relação ao sistema nervoso central, os nervos possuem fibras que funcionalmente</p><p>podem ser classificadas em aferentes (sensitivas) e eferentes (motoras). Os nervos</p><p>periféricos mistos são aqueles que possuem os dois tipos de fibras.</p><p>Regeneração do Tecido Nervoso</p><p>Como os neurônios dos mamíferos normalmente não se dividem, a destruição de</p><p>um neurônio representa uma perda permanente. Entretanto, seus prolongamentos</p><p>podem se regenerar, dentro de certos limites, a partir da atividade dos respectivos</p><p>pericárdios. Por isso, os nervos se regeneram, mas com dificuldade. Esse processo de</p><p>regeneração, a partir dos prolongamentos dos neurônios é chamado de reação axonal.</p><p>No SNC as lesões são permanentes. Apesar disso, alguns circuitos neuronais</p><p>podem ser restabelecidos, apesar da destruição de parte das células nervosas. Este</p><p>processo, denominado de plasticidade neuronal, permite a recuperação de pelo</p><p>menos parte da capacidade funcional do tecido.</p><p>39</p><p>UNIDADE Tecido Conjuntivo Cartilaginoso, Tecido Conjuntivo</p><p>Sanguíneo, Tecido Muscular e Tecido Nervoso</p><p>Material Complementar</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:</p><p>Sites</p><p>Hematologia</p><p>https://goo.gl/dVEiE2</p><p>Eritropoiese</p><p>https://goo.gl/oR8Nch</p><p>Sangue e Hemocitopoese</p><p>https://goo.gl/UZhUIF</p><p>O tecido muscular liso</p><p>https://goo.gl/thdBsp</p><p>Saúde</p><p>https://goo.gl/pVkhTh</p><p>Tecido muscular estriado esquelético</p><p>https://goo.gl/Uatp2</p><p>Tecido Nervoso</p><p>https://goo.gl/UPwmyE</p><p>Vídeos</p><p>Tecido Conjuntivo frouxo, denso e adiposo – Destrinchando a histologia</p><p>https://youtu.be/9kBSYivTqus</p><p>Animação _ O Processo Inflamatório</p><p>https://youtu.be/uhZK-WuPAn8</p><p>Macrófago fagocitando bactéria</p><p>https://youtu.be/V8MTPxX5Emg</p><p>Vídeo Aula 081 – Sistema Muscular – Tipos de Músculos: Liso, Estriado Cardíaco e Esquelético</p><p>https://youtu.be/ChGAO-qi0z8</p><p>Câimbras</p><p>https://goo.gl/W09X9w</p><p>40</p><p>41</p><p>Referências</p><p>ALBELO, A.L.N., TALLET, L.A.V., LASTRE, J.E.P, VILLAFRANCA, R.C.</p><p>Interpretación clínica del conteo de linfocitos T CD4 positivos en la infección por</p><p>VIH. Revista Cubana de Medicina. v. 52, n. 2, 2013.</p><p>ATLAS Digital de Histologia Básica. Disponível em: . Acesso em: 21/03/2017.</p><p>BLOOM, W.; FAWCETT, D. W. Tratado de Histologia. 10.ed. São Paulo:</p><p>Interamericana Ltda., 1977.</p><p>COIMBRA, I.B., PASTOR E.H., GREVE J.M.D., PUCCINELLI M.L.C., FULLER</p><p>R., CAVALCANTI F.S., MACIEL F.M.B., HONDA E. Osteoartrite (Artrose):</p><p>Tratamento. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 44, n. 6, p. 450-3, 2004.</p><p>DI NUZZO, D.V.P., FONSECA, S.F. Anemia falciforme e infecções. Jornal de</p><p>Pediatria. v. 80, n. 5, p. 347, 2004.</p><p>GITIRANA, L. B. Histologia: conceitos básicos dos tecidos. 2.ed. Rio de Janeiro:</p><p>Atheneu, 2007.</p><p>JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. J. Histologia Básica. 12.ed. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan, 2013.</p><p>SILVA, R.B.P., Ramalho, A.S., Cassorla, R.M.S. A anemia falciforme como</p><p>problema de Saúde Pública no Brasil. Revista de Saúde Pública. v. 27, n. 1,</p><p>p.54-8, 1993.</p><p>STEVENS, A.; LOWE, J. Histologia Humana. São Paulo: Manole Ltda., 2001.</p><p>41</p>

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