Doença de Addison
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Doença de Addison


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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE-UFCG 
GRADUAÇÃO EM MEDICINA 
 
 
 
 
 
DANIELLY DANTAS PIMENTEL 
HANNA STHEFANIE 
RENATO SUASSUNA 
THAIS MOURA 
 
 
 
 
 
REVISÃO SOBRE A FISIOPATOLOGIA DA DOENÇA DE ADDISON 
 
CAMPINA GRANDE, PARAÍBA 
2013 
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SUMÁRIO 
 
 
1. Introdução 
2. Desenvolvimento 
3. Considerações finais 
4. Referências 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
A revisão bibliográfica sobre a fisiopatologia da Doença de Addison foi feita baseada 
em 10 artigos e mostra um breve histórico da doença, sua etiologia principal na época em que 
foi descrita por Thomas Addison e a etiologia principal nos dias atuais, além de descrever o 
comportamento da doença no que se refere aos sintomas, estabelecendo um paralelo destes 
com as suas causas hormonais. Logo após, uma discussão sucinta sobre o tratamento da 
doença e a síntese dos conceitos abordados através de perguntas e respostas acerca de um caso 
clínico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FISIOPATOLOGIA DA DOENÇA DE ADDISON 
 
A doença de Addison ou Insuficiência Adrenal Crônica Primária é uma patologia que 
acomete o córtex adrenal, composto por três zonas: glomerulosa, fasciculada e reticulada, 
responsáveis, respectivamente, pela secreção de hormônios mineralocorticoides, 
glicocorticoides e androgênios. A doença foi primeiramente descrita em 1855 por Thomas 
Addison, à época a causa mais comum era a tuberculose; porém, atualmente, é a 
autoimunidade. Quanto à prevalência, essa patologia afeta mais mulheres do que homens, 
sendo sua ocorrência 127/1 milhão, no primeiro caso, e 106/1 milhão no segundo. 
Na fase ativa, existe um infiltrado celular molecular, composto por linfócitos, 
plasmócitos e macrófagos. Linfócitos T (CD4+) desempenham um papel crítico, destruindo 
células do córtex adrenal através do linfócito T (CD8+). Já na fase tardia, ocorre a liberação 
de citocinas pelos linfócitos CD4+ e a geração de radicais livres de oxigênio, aumentando a 
destruição tecidual. Também existem anticorpos contra receptores hormonais ou 
determinantes antiogênicos relacionados com esses receptores, que bloqueiam a ação 
hormonal e colaboram para a Doença de Addison de etiologia autoimune. 
 A insuficiência adrenal pode classificar-se em primária, secundária ou terciária. 
Designa-se primária, quando a causa reside na própria glândula adrenal. Neste caso, existe 
habitualmente um déficit de produção de glicocorticoides e mineralocorticoides; em resposta, 
a hipófise eleva a secreção de ACTH como tentativa de estimular as glândulas adrenais. Na 
insuficiência secundária e terciária, por sua vez, há acometimento da hipófise e do 
hipotálamo, respectivamente, afetando predominantemente a produção de glicocorticoides. 
 O comprometimento do córtex das adrenais provoca um déficit na produção de 
aldosterona e cortisol, um importante hormônio envolvido nos metabolismos glicídico 
(hiperglicemiante), lipídico (provocando lipólise) e protéico (diminuindo a síntese proteica e 
aumentando sua degradação). Como consequência desses déficits hormonais, os pacientes 
acometidos com a doença de Addison apresentam os seguintes sintomas: hipercalemia, 
hiponatremia, hipotensão arterial, hipoglicemia, perda de peso, hipovolemia, náuseas, 
tonturas, desejo de ingerir sal e escurecimento da pele. 
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 Em indivíduos normais, a aldosterona promove a secreção renal do potássio, assim 
como aumenta a reabsorção de sódio e água nós túbulos distais dos néfrons, funções 
prejudicadas em indivíduos com a doença de Addison. Nesse caso, haverá desequilíbrio na 
concentração de eletrólitos \u2013 causando desejo de ingerir sal, em virtude da excreção de sódio 
na urina \u2013, ocorrendo hipercalemia e hiponatremia, além de hipotensão arterial, uma vez que a 
diminuição da reabsorção de água provoca hipovolemia. Embora a diminuição da pressão 
arterial ative o sistema renina-angiotensina, a destruição do córtex da adrenal impede a 
produção de aldosterona e o consequente reestabelecimento da pressão arterial. 
 O cortisol, um hormônio esteroide, normalmente atua provocando a lipólise, a 
degradação proteica, o aumento da gliconeogênese, diminuição da utilização de glicose, 
resistência à insulina fisiológica, além de participar de uma série de reações enzimáticas. 
Atua, ainda, aumentando a resistência ao estresse físico e como anti-inflamatório. Em 
pacientes portadores da doença de Addison, a destruição do córtex adrenal gera uma 
diminuição considerável nos níveis séricos do cortisol, implicando diminuição da 
gliconeogênese e da utilização da glicose, dificultando o controle da glicemia nos intervalos 
entre as refeições e provocando, pois, episódios de hipoglicemia associados à tontura e 
náuseas. Como exerce um papel importante na ativação da maioria das enzimas, alterações 
nos níveis de cortisol influenciam todo o metabolismo corporal. Sua deficiência prejudica a 
absorção dos alimentos, causando diarreias frequentes, perda de peso, assim como fadiga e 
astenia. 
 Um outro sintoma recorrente em portadores da doença de Addison primária é a 
hiperpigmentação muco-cutânea, a qual apresenta importância fundamental no diagnóstico. É 
visualmente caracterizada pelo escurecimento da mucosa bucal, de cicatrizes recentes, 
cotovelo e das aréolas mamárias. Esta característica se desenvolve devido ao devido ao fato 
de o Hormônio Estimulante de Melanócitos (MSH) compartilhar a mesma molécula 
precursora com o Hormônio Adrenocorticotrópico (ACTH), propriomelanocortina. O 
aumento dos níveis de ACTH resultante da ausência de feedback negativo oriundo do cortisol, 
provoca também aumento da produção de MSH e, por conseguinte, aumento do conteúdo de 
melanina nos melanócitos. 
 Em relação ao tratamento, opta-se principalmente pela terapia de reposição hormonal, 
na qual hidrocortisona (cortisol) é administrada via oral, com o objetivo de suprir o déficit 
decorrente da falência adrenal. O uso isolado de glicocorticoide é suficiente para reestabelecer 
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as funções do córtex da adrenal, em razão de essa classe de hormônios, em doses 
farmacológicas, apresentar efeitos mineralocorticoides associados. 
 
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QUESTÕES REFERENTES À FISIOPATOLOGIA DA DOENÇA DE 
ADDISON 
01. Qual a explicação para a modificação da coloração da pele do paciente e a 
hiperpigmentação das mucosas? 
 O desenvolvimento da hiperpigmentação, presente principalmente em regiões 
mucosas, de exposição ao sol e de dobras na pele, ocorre devido ao fato de que o Hormônio 
Estimulante de Melanócitos (MSH) compartilha a mesma molécula precursora com o 
Hormônio Adrenocorticotrópico (ACTH), sendo ela a propriomelanocortina. 
Consequentemente, quando há aumento dos níveis de ACTH pela ausência de feedback 
negativo gerado pelo cortisol, os níveis desse hormônio aumentam paralelamente, provocando 
maior acúmulo de melanina nos melanócitos. 
02. Por que o paciente apresenta hipoglicemias? 
A ocorrência da doença de Addison diminui os níveis de cortisol sérico. Sendo este 
responsável pelo aumento da gliconeogênese, diminuição da utilização de glicose e resistência 
à insulina fisiológica. Sendo assim, seu déficit irá diminuir a gliconeogênese, a utilização da 
glicose e tornar o organismo mais sensível ao efeito da insulina, tornando mais difícil o 
controle da glicemia nos intervalos das refeições e provocando hipoglicemia, neste caso, 
acompanhada de tontura e náuseas. 
03. Por que o uso isolado do glicocorticóide (sem associação com mineralocorticóide) 
melhora a hipotensão? 
O cortisol tem a mesma afinidade da aldosterona ao receptor citoplasmático de 
mineralocorticoide, porém, nas células tubulares renais existe grande quantidade de 11\u3b2-HD, 
uma enzima que rapidamente converte o cortisol em cortisona, um metabólito inativo. 
No entanto, doses altas (farmacológicas) de cortisol não são completamente 
convertidas pela 11\u3b2-HD,