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R a l f h 0. M u n c a s t e r
REIS BOOK DIGITAL
examine/.
EVIDENCIAS
Ia Edição
Traduzido por Degmar Ribas
CPJD
Rio de Janeiro
2007
Todos os direitos reservados. Copyright © 2007 para a língua portuguesa da Casa Publicadora
das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.
Título do original em inglês: Examine the Evidence
Harvest House Publishers, Eugene, Oregon, EUA
Primeira edição em inglês: 2004
Tradução: Degmar Ribas
Preparação dos originais: Gleyce Duque
Revisão: Luciana Alves, César Moisés e Elaine Arsenio
Capa: Josias Finamore
Projeto gráfico e editoração: Alexandre Soares
CDD: 230 - Cristianismo
ISBN: 978-85-263-0870-1
As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Corrigida, edição de 1995,
da Sociedade Bíblica cio Brasil, salvo indicação em contrário.
Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e os últimos lançamentos da
CPAD, visite nosso site: http://www.cpad.com.br
SAC — Serviço de Atendimento ao Cliente: 0800-21-7373
Casa Publicadora das Assembléias de Deus
Caixa Postal 331
20001-970, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
I a edição/2007
http://www.cpad.com.br
Dedico esta obra, com amor, ao
meu avô e xará, Ralph Olsen -
seu amor abundante
permanecerá, eternamente,
como uma fonte de inspiração
Agradecimentos
Sou muito grato a Michael Spicher, mestre em Apologética Cristã
no Southern Evangelical Seminary, por sua ajuda incansável e des
prendida à edição técnica deste projeto. Também estou muito grato
aos Doutores Norman Geisler e Thomas Howe, professores do
Southern Evangelical Seminary, por terem trabalhado com o Sr. Spicher
como consultores.
Também estou grato a Kurt Goedelman, da Personal Freedom
Outreach* por sua generosa provisão de fotos dos sítios arqueológi
cos da Terra Santa.
* Personal Freedom Outreach é “uma organização sem fins lucrativos e não denominacional
que tem três objetivos: educar os cristãos sobre os perigos representados pelas seitas
religiosas e suas doutrinas heréticas, usar o evangelho de Jesus Cristo para alcançar os
membros destas seitas, e advertir os cristãos sobre ensinos não-bíblicos que possam estar
sendo divulgados dentro das próprias igrejas”.
O site desta organização é www.pfo.org. Também é possível entrar em contato através da
Caixa Postal 26062, St. Louis.MO 63136; (314) 921-9800.
http://www.pfo.org
“Na obra E xam ine as Evidências, o ex-ateu Ralph Muncaster
apresenta vastas evidências que validam as reivindicações das
verdades do cristianismo. Ralph fornece argumentos amplamen
te convincentes com base na ciência, nas profecias bíblicas, na
história e na arqueologia. Este livro ajudará os cristãos a com
preender a análise racional e as razões físicas que estão por trás
da fé cristã. Ele também será uma ajuda valiosa para os não-
crentes que estiverem à procura da verdade.”
— D r. N orm an Geisler
Co-autor da obra N ão Tenho Fé Suficiente p a r a Ser Ateu
Presidente do Southern Evangelical Seminary
“Em sua obra prima Exam ine as Evidências, Ralph Muncaster
estrutura uma brilhante apologia em defesa da fé Cristã. Este ex-
cético destaca que, dentre todas as religiões e filosofias na terra,
somente uma — o cristianismo — pode ser verificada e compro
vada depois de ser testada. O autor mostra os fatos em uma
ordem lógica, e de uma forma que facilita a leitura.”
— D. Jam es Kennedy, Ph.D.
Autor da obra Por qu e Creio;
Pastor Presidente, Coral Ridge Presbyterian Church,
Ft. Lauderdale, Florida
“O novo livro de Ralph Muncaster, E xam ine a s E vidências, é
uma ferramenta esplêndida para ajudar os cristãos a explicar e
defender a fé. Eu o recomendo de forma enfática.”
— Dr. Ronald Nash
Autor da obra L ife’s Ultimate Questions;
Professor de filosofia no Southern Baptist
Theological Seminary, Louisville, Kentucky
“O livro de Ralph Muncaster, E xam in e a s Evidências, apresenta
evidências incontestáveis a respeito de Deus, de Jesus, e da Bí
blia Sagrada de uma maneira que facilita a compreensão. A sua
meticulosidade e perfeição, aliadas a recursos como, por exem
plo, versículos para memorização, conceitos chave inseridos nos
textos, além de testes e atividades em grupo, tornam-no uma
obra ideal para o aprendizado individual ou em grupo. Este
livro é um recurso muito necessário para as igrejas que deseja
rem que seus membros se aprofundem nas verdades fundamen
tais das Escrituras, enquanto estão sendo preparados para de
fender a sua fé à medida que procuram trazer outros ao Reino
de Deus.”
— D r. Freda Crews, D.Min., Ph.D., CCMHC
Decano e Diretor da International University
for Graduate Studies,
School of Christian Counseling and Religious Studies;
apresentador do programa de TV em rede nacional, Time f o r H ope
Sumário
Preparação para a sua Viagem, a Caminho de uma Fé M aior......13
Parte 1 — Evidência da Existência de Deus na Criação
1. Evidência através da Observação da C riação...............................31
2. Analisando o Registro Fóssil..............................................................47
3. Criação, Ciência e a Bíblia ................................................................. 63
4. A Complexidade dos Seres V ivos.....................................................77
5. Avaliação cla Impossibilidade de uma Origem
Randômica cla Vida............................................................................... 93
6. Mutações: Um Mecanismo Defeituoso para a Evolução........ 107
7. A Irredutível Complexidade: Um Grande
Problema Transicional....................................................................... 121
Resumo e C on clu são ................................................................................. 133
Parte 2 — Evidência da Confiabilidade da Bíblia
8. A Bíblia É cientificamente Precisa ................................................. 143
9. A Estrutura da Bíblia...........................................................................153
10. Os Manuscritos do Mar Morto, a Septuaginta, e como
Foram Validados por Jesu s ............................................................... 171
11. A Grande Divulgação dos Manuscritos do
Novo Testamento................................................................................ 181
12. Documentos Não-Cristãos a Respeito de Jesus .........................191
13- Os Primeiros Patriarcas (ou Pais) da Igreja
Confirmam a Bíblia............................................................................. 209
14. Evidências Arqueológicas do Antigo Testamento..................... 221
15. Evidências Arqueológicas do Novo Testamento....................... 239
Resum o e C on clu são ................................................................................. 261
Parte 3 — Evidência de Deus, da Bíblia e de Jesus na Profecia
16. Profecia: O Teste de D eu s............................................................... 267
17. Por que a Profecia é um Teste Confiável................................... 27^
18. Provas de Profecias Relacionadas aos Maiores
Eventos Históricos............................................................................... 285
19. Prova Profética do Deus do Judaísm o......................................... 297
20. As Profecias e Je su s ............................................................................305
E xam in e as E vid ên cia s
21. As Profecias do Antigo Testamento Descrevem o Messias
perfeitamente ........................................................................................317
22. Prova Estatística das Profecias de
Jesus Comparada a O utras............................................................... 327
Resumo e C on clu são ................................................................................. 339
Parte 4 - Evidências da R essu rreição de Jesu s
23. Por que Testar as Afirmações da Bíblia a Respeito de Jesus? ....345
24. O Túmulo Vazio...................................................................................Hoje em dia, os pesquisadores concluíram que o registro fóssil
está praticamente completo, no que ele tem a revelar. Por exemplo,
Um estuclo da publicação S cien ce [Ciência] de 26 de
fevereiro de 1999 combina análises cle dados cie cen
tenas cie fósseis de mamíferos antigos com um modelo
matemático cle padrões de ramificações evolucionárias,
para determinar a integridade do registro fóssil anteri
or a 65 milhões de anos atrás. Os pesquisadores con
5 0
A nalisando o R e g ist r o F ó ssil
cluíram que a taxa de preservação fóssil é elevada —
suficientemente elevada, a ponto de que a probabili
dade de que os mamíferos modernos existissem há
mais de 65 milhões de anos, sem deixar fósseis, é de
apenas 0,2 % (dois décimos de 1 %). A autora de estu
dos Christine Janis, professora de ecologia e biologia
evolucionária na Brown University, declarou: “O re
gistro fóssil daquele período é suficientemente bom
para que possamos dizer que tais espécies provavel
mente teriam sido preservadas, se tivessem estado ali”.7
A Soma dos Números não Confere
Hoje em dia, dezenas de milhões de fósseis foram desenterra
dos e classificados. Definimos 250 mil espécies fossilizadas distin
tas. Se as formas verdadeiras de transição existissem, teríamos pelo
menos o mesmo número de espécies de transição — talvez muitas
mais, dado que muitas pequenas modificações teriam ocorrido ao
longo do tempo.
Até mesmo se considerarmos o equilíbrio p on tu ad o , que teoriza
uma modificação evolucionária súbita e abrupta e que é uma alterna
tiva sugerida ao modelo neoclarwiniano gradual (veja a página 55),
uma abundância de fósseis verdadeiros de transição ainda estariam
presentes. E de acordo com a teoria neodarwiniana, também deverí
amos esperar que os intervalos entre espécies em desenvolvimento,
divergentes, fossem pequenos.
No entanto, estes números simplesmente não estão ali.
Em primeiro lugar, não existem verdadeiras espécies cle transição
no registro fóssil — nenhuma. ( Somente fósseis completamente for
mados, com aparências similares, são considerados, por alguns bió
logos, como sendo transições.)
Em segundo lugar, o rápido aparecim en to de m uitas espécies sepa
radas e com pletam ente fo r m a d a s — na explosão Cambriana — con
tradiz o gradualismo proposto pelos neodarwinistas. (E também con
funde os biólogos moleculares, que têm que confrontar as questões
5 1
E xa m in e as E vid ên cia s
da com plex idade irredutível e da mutação por meio de vastas modi
ficações de DNA - veja os capítulos 6 e 7.)
No paradigma do projeto inteligente, no entanto, poderíamos es
perar que criaturas completamente formadas e completamente funci
onais aparecessem subitamente. E, naturalmente, haveria diferenças
— lacunas — entre as várias espécies. É exatamente isso o que o
registro fóssil indica.
Os Paleontólogos se Manifestam
Com tantos fósseis agora disponíveis para exame, e não tendo
sido encontrado nenhum elo perdido, os evolucionistas que não es
tão comprometidos em “fazer com que a evidência se adapte à teo
ria” estão se manifestando. Alguns tentam minimizar a importância
da falta de espécies de transição. O zoólogo britânico Mark Ridley
declara:
A alteração gradual de espécies fósseis nunca fez parte
das evidências a favor da evolução. Nos capítulos sobre
o registro fóssil, na obra A Origem d as Espécies, Darwin
demonstrou que o registro era inútil para decidir entre
a evolução e uma criação especial, porque nele havia
grandes vazios, ou falhas. O mesmo argumento ainda é
válido... De qualquer forma, nenhum evolucionista ver
dadeiro, seja gradualista ou puntuacionista, usa o regis
tro fóssil como uma evidência a favor da teoria da evo
lução, em oposição à criação especial.8
Curiosamente, Ridley parece repetir o que Darwin tinha lamenta
do — os “vazios”, ou a falta de fósseis a serem analisados. Como
vimos, este já não é mais o caso, como ressaltou T. N. George, já em
1960:
Não há mais necessidade de pedir desculpas pela pobre
za do registro fóssil. De certa maneira ele se tornou rico,
de uma maneira quase incontrolável. E as descobertas
estão alcançando a integração.9
5 2
A nalisando o R eg ist r o F ó ssil
Reconhecendo os Vazios
O famoso biólogo molecular Michael Denton, que é MD e PhD,
examinou o problema dos vazios no seu conhecido livro Evolution: A
Theory in Crisis. A contra capa do livro resume as suas opiniões:
Não somente a paleontologia deixou de solucionar os
“vazios [fósseis] que faltavam”, que Darwin previu, mas
reconstruções hipotéticas de grandes desenvolvimentos
evolucionários — tais como a ligação de aves a répteis
— já começam a parecer mais fantasias do que conjetu-
ras sérias.10
Embora alguns evolucionistas tentem utilizar o registro fóssil para
desenvolver uma aparente progressão de plantas e animais, os vazios
invalidam esta progressão, como observa o paleontólogo evolucionário
George Gaylord Simpson:
Isto [o vazio na progressão proposta para cavalos] é
verdade, nas trinta e duas ordens de mamíferos... os
primeiros e mais primitivos membros conhecidos de cada
ordem já têm as características ordinais básicas, e de
nenhuma maneira existe uma seqüência aproximada
mente contínua entre uma ordem e outra conhecida.
Na maioria dos casos, a ruptura é tão aguda e o vazio é
tão grande que a origem da ordem é especulativa e
muito discutida.11
Mais tarde, Simpson observa:
Esta ausência regular de formas de transição não está limi
tada aos mamíferos, mas é um fenômeno quase universal,
que tem sido observado há muito tempo pelos pa
leontólogos. Isto é verdadeiro para praticamente todas as
ordens de todas as classes de animais, tanto vertebrados
quanto invertebrados. A fortiori, é também verdadeiro para
as classes, e o principal filo animal, e aparentemente tam
bém é verdadeiro para categorias análogas de plantas.12
5 3
E xa m in e as E vid ên cia s
Não é nada difícil encontrar paleontólogos que reconheçam que
os muitos vazios no registro fóssil basicamente o invalidam como
uma evidência a favor cia evolução. Aqui está uma amostra do que
tem sido dito:
Uma vez que esta evolução, segundo Darwin, estava em
um contínuo estado cie movimento... logicamente a con
seqüência é que o registro fóssil deveria ser abundante
em exemplos de formas de transição, da menos evoluída
para a mais evoluída... em vez de preencher os vazios
no registro fóssil com os chamados elos perdidos, a mai
oria dos paleontólogos se encontra diante de uma situa
ção na qual havia somente vazios no registro fóssil, sem
nenhuma evidência de intermediários em transformação
entre as espécies fósseis documentadas (Jeffrey H.
Schwartz).13
Apesar cla brilhante promessa de que a paleontologia
fornece um meio de “examinar” a evolução, ela apresen
tou algumas dificu ldades desagradáveis para os
evolucionistas, das quais a mais notória é a presença de
“vazios” no registro fóssil. A evolução requer formas in
termediárias entre as espécies, e a paleontologia não as
fornece. Os vazios, portanto, devem representar uma
característica contingente do registro (David B. Kitts).14
Um grande número de cientistas bem treinados, fora da
biologia evolucionária e da paleontologia, infelizmente
adquiriu a idéia de que o registro fóssil é muito mais
darwiniano do que ele realmente é. Provavelmente isto se
deve à simplificação excessiva, inevitável em fontes se
cundárias: livros de baixo nível, artigos semipopulares, e
outros. Além disso, é possível que haja alguma ilusão en
volvida. Nos anos que se seguiram a Darwin, os seus de
fensores esperaram encontrar progressões previsíveis. Em
5 4
A nalisando o R e g ist r o F ó ssil
geral, elas não foram encontradas; mas o otimismo resis
tiu, e uma dose de pura fantasia penetrou nos livros esco
lares... Uma das ironias da discussão entre criação e evo
lução é o fato de que os criacionistas aceitaram a noção
equivocada de que o registro fóssil apresenta uma pro
gressão ordenadae detalhada (citado por David Raup).15
O registro salta, e toda a evidência mostra que é real: os
vazios que vemos refletem eventos reais na história da
vida — não o artefato de um registro fóssil de má quali
dade (Niles Eldredge).16
A ausência de evidências fósseis para estágios intermediá
rios entre transições principais no projeto orgânico, na
verdade, a nossa incapacidade, até mesmo na nossa ima
ginação, de produzir intermediários funcionais em muitos
casos, tem sido um problema persistente e irritante para
os relatos graclualistas da evolução (StephenJ. Gould).'7
Agora que muitos evolucionistas e paleontólogos observam a falta
de evidências fósseis que sustentem a evolução gradual, o que pro
puseram no seu lugar?
Equilíbrio Pontuado
Desenvolvida em 1972, por Miles Eldredge e Stephen Jay Gould,
como uma crítica ao darwinismo tradicional (gradualismo), a teoria
do equ ilíbrio p on tu ad o afirma que a evolução acontece “aos trope
ções” — às vezes, movendo-se muito rapidamente, às vezes lenta
mente, e às vezes sem nenhum movimento. (Gomo vimos, o
darwinismo encara a evolução como um processo lento e contínuo,
sem saltos repentinos.)
Eldredge e Gould descrevem da seguinte maneira o mecanismo
do equilíbrio pontuado: Grupos de criaturas eram separados cio res
tante da sua espécie, em áreas limítrofes inóspitas, onde poderiam
evoluir mais rapidamente. Tais grupos pequenos possibilitavam uma
5 5
E xa m in e as E vidên cia s
pressão de seleção pelo cruzamento na mesma raça, que teoricamen
te iria provocar o aparecimento de mutações positivas (ou negativas)
e a sua preservação — ao passo que, em uma população maior, elas
iriam desaparecer. Além disso, propõe-se que tal espécie modificada
poderia acabar movendo-se para uma área mais ampla, geografica
mente, onde os indivíduos iriam tornar-se fossilizados — desta ma
neira dando a aparência de uma modificação abrupta na espécie.
(Argumentou-se que a “área limítrofe” original nunca seria escavada
à procura de fósseis.)18
No entanto, o equilíbrio pontuado é, na realidade, mais uma obser
vação — com base no registro fóssil, que mostra a aparição repentina
de novas espécies (por exemplo, a explosão cambriana) — do que
uma teoria no sentido usual. É simplesmente um esforço de explicar o
problema fóssil e não oferece nenhum embasamento científico. E não
soluciona o problema suscitado pelo processo de mutação:
1. As mutações não acrescentam informação.
2. Mesmo se as mutações pudessem acrescentar informação, existe
uma impossibilidade estatística de uma grande modificação
macroevolucionária.
3. Nunca se demonstrou que o cruzamento na mesma raça fizes
se qualquer coisa além de en fraqu ecer a sobrevivência, em
longo prazo, de um organismo.
Mas alguns evolucionistas sentem-se obrigados a adotar a teoria,
para explicar o problema dos vazios:
Parecemos não ter escolha, a não ser considerar a rápida
divergência de populações pequenas demais para deixar
registros fósseis perceptíveis (S. M. Stanley).19
No entanto, tem havido um debate contínuo entre os próprios
evolucionistas sobre a probabilidade do modelo do equilíbrio pon
tuado versus o modelo tradicional gradualista. Aparentemente, o
modelo gradualista tradicional ainda tem forte apoio. A seguir estão
citados alguns pesquisadores cujos textos apóiam este ponto de
vista:
5 6
A nalisando o R e g ist r o F ó ssil
Agora está claro que entre os protistas microscópicos, o
gradualismo parece prevalecer (Hayami e Ozawa, 1975;
Scott, 1982; Arnolcl, 1983; Malmgren e Kennett, 1981;
Malmgren et at., 1983; Wei e Kennett, 1988, a respeito de
foraminiferans; Kellogg e Hays, 1975; Kellogg, 1983;
Lazarus et a l., 1985; Lazarus, 1986, a respeito de
radiolários, e Sorhannus et al., 1988; Fenner et al., 1989;
Sorhannus, 1990, sobre diatomáceas, algas unicelulares.20
Qualquer que seja o modelo que os evolucionistas decidam apoi
ar, a falta cle um único exemplo de uma transição real é evidência
suficiente de que o registro fóssil não serve de fundamento para a
evolução.
Outra Especulação Evolucionista
Como vimos, o registro fóssil representa um fundamento para a
evolução somente quando combinado com especulação — e com a
noção pré-concebida de que a evolução é
um fato. Assim, procurar os “elos perdi
dos” do fóssil é como tentar encontrar as
peças de um quebra-cabeça — mas é um
quebra-cabeça que existe somente na
mente daqueles que se apegam à teoria
evolucionária. O que resultou das tentati
vas de cobrir os vazios na progressão
evolucionária proposta, partindo de espé
cies mais simples para mais complexas?
O Arqueopterix
Vários evolucionistas ainda apontam alguns animais incomuns como
elos perdidos — por exemplo, o arqueopterix. Essa criatura antiga
tem características de ave e de réptil. Por exemplo, tem asas cobertas
com penas completamente formadas. Um dos espécimes encontra
dos tem o tipo de esterno que seria necessário para a ligação do
músculo das asas. Além disso, o arqueopterix tem dentes, garras nas
Muitos paleontólogos
e evolucionistas dedi
cados agora pronta
mente admitem o
fracasso dos fósseis
na fundamentação
da evolução.
5 7
E xa m in e as E vid ên cia s
suas asas e uma cauda. Nem mesmo a comunidade científica conse
gue explicar exatamente o que é o arqueopterix. Alguns entendem
que é um elo perdido. Outros o consideram como a primeira ave. As
opiniões são variadas.
No entanto, podemos ter certeza de uma coisa. Ele — juntamente
com outros exemplos, tais como o pássaro jurássico e o ichthpostega,
um tipo de sapo antigo — não se encaixa no modelo de um verdadeiro
elo perdido, porque todos os seus componentes estão completamente
formados. As suas asas são perfeitamente adequadas para voar, e a
estrutura das suas penas é perfeita até o mínimo detalhe. Somente o
fato de que ele contém algumas características de espécies diferentes,
não significa nada. Afinal, os humanos têm características em comum
com os crocodilos, tais como o olho vertebrado — isto significa que
somos aparentados com os crocodilos? Um verdadeiro elo perdido
deveria mostrar um desenvolvimento parcial de alguma coisa que apa
receria completamente formada posteriormente.
Uma Descoberta Recente Confunde ainda mais as De
clarações a Respeito do Fóssil Evolucionário
Em 15 de julho de 2002, o paleontólogo francês Michel Brunet anun
ciou oficialmente a sua descoberta de um esqueleto hominídeo em Chacl,
na África, que datava de 6 a 7 milhões de anos atrás — aproximadamen
te o dobro da idade do mais antigo fóssil hominídeo que havia então. O
hominídeo foi apelidado de “Toumai”, que significa “árvore da vicia”.
Henry Gee, editor de paleontologia da revista Natiire, chamou a desco
berta de “o fóssil mais importante na memória viva”.21
O que está provocando enorme interesse dos evolucionistas é o
fato de que “Toumai” mostra características semelhantes às humanas,
muito mais “avançadas" do que diversos fósseis “intermediários” na
suposta linha de desenvolvimento da árvore evolucionária humana.
Esta descoberta, juntamente com muitas outras descobertas de
hominídeos, ao longo dos dez últimos anos, rejeitou qualquer per
curso de evolução humana, apesar de diversas décadas cie esforços
para construir uma. Daniel Lieberman, um especialista em evolução
humana, de Harvard, declarou, a respeito da descoberta cle Brunet:
5 8
A nalisando o R e g ist r o F ó ssil
“Isto terá o impacto de uma pequena bomba nuclear”.22 Na verdade,
alguns cientistas dizem que essas recentes descobertas, especialmen
te a de “Toumai”, podem tornar impossível a identificação de um
verdadeiro elo perdido.
A fascinação por fósseis não é uma boa razão para aceitar declara
ções evolucionárias, a respeito de uma progressão de desenvolvi
mento de espécies. Como vimos, o registro fóssil é uma das partes
mais fracas na teoria da evolução. Alguns entendem que ele é até
| f g i' ■■
Ossos de dinossauro estavam disponíveis e na verdadeeram
estudados pelos antigos humanos — pelo menos por volta cie
2000 a.C. — e eram considerados como tendo sido originados
muito tempo antes. Na verdade, a descoberta de tais ossos le
vou ao desenvolvimento de lendas, incluindo o grifo, além dos
dragões reverenciados portanto tempo na região da índia e cia
China. Até mesmo os imperadores de Roma mencionados na
Bíblia eram ávidos colecionadores de ossos de dinossauros. O
imperador César Augusto estabeleceu o primeiro museu de
paleontologia conhecido. E Tibério César, que “cresceu com as
descobertas dos dinossauros”, ficou fascinado com os relatos
cie Plínio, sobre “restos de monstros" antigos. Ele isolou-se na
ilha de Capri. onde estava localizado o museu.
Este entusiasmo relevou -se no legado artístico cia humani
dade primitiva (como no caso do grifo, dos dragões t outros). 4:>
Assim como hoje em dia. as pessoas imaginavam que as cria
turas antigas (às vezes, lendas) eram parecidas entre si. Por
isso. tenha cautela em chegar a conclusões que tentam colo
cai' juntos o homem e os dinossauros. Ainda não existe ta!
evidência cientifica aceitável. A apresentação de informação
não confirmável pode prejudicar enormemente a credibilidade
cristã em outras áreas muito mais importantes.
5 9
E xa m in e as E vidên cia s
mesmo mais consistente com o relato que o livro de Gênesis apre
senta a respeito cia criação, que é exato.
Quando nos libertarmos dessas idéias pré-concebidas, estes espé
cimes antigos podem abrir nossas mentes a alternativas que expli
cam, de maneira mais racional, as observações que fazemos deles.
Uma alternativa desse tipo é o fato de que espécies diferentes e inde
pendentes fazem uso de estruturas e partes similares, e algumas ve
zes muito similares — porque elas foram p ro jetad as desta maneira.
\ Avalie o que Você Aprendeu
1. Além de algumas extinções notáveis, como os dinossauros, de
que forma a maioria das espécies fossilizadas são diferentes
das criaturas da atualidade?
2. De que maneira completa os cientistas consideram o registro
fóssil da atualidade?
3. O que é uma verdadeira espécie cie transição? Por que as tran
sições são importantes? O arqueópterix é uma transição? Fun
damente a sua opinião.
4. Darwin acreditava que o registro fóssil fundamentava a evolu
ção? Qual era a sua opinião?
5. Qual é o papel dos dinossauros na Bíblia?
! * ' 6
Capítulo 2 — Estudo em Grupo
Preparação para a lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia-.Jó 40.15-24; 41; o capítulo 2 deste texto. Familiarize-se com o
apêndice B. Também navegue por www.evidenceofgod.com e fami
liarize-se com as ferramentas a respeito de cr iação versus evolução,
Oração de Abertura
Discussão: Traga o livro D inossauros e a B íb lia ao seu grupo. Dis
cuta onde os dinossauros aparecem na Bíblia, se aparecem em algu
6 0
http://www.evidenceofgod.com
A nalisando o R e g ist r o F ó ssil
ma parte. É provável que eles estivessem na arca? É essencial para a
salvação colocar dinossauros na Bíblia ou na arca? Os cristãos não
estão de acordo a respeito dos dinossauros — o que pode ser feito
para mitigar os problemas entre os cristãos, e por que é importante
fazer isso?
Atividade Prática
Entrevista de televisão: O “cristão” entra em um estúdio de grava
ção para comentar a respeito da nova descoberta do hominídeo
“Tournai” como o elo perdido. O objetivo é convencer a audiência da
televisão de que os fósseis, na verdade, não servem de fundamento
para a evolução, cle nenhuma maneira.
Oração de Encerram ento
C riação , C iên cia
e a B íb lia
: omo tudo veio a existir? As coisas foram criadas, ou surgiram
por meio de algum processo ajeatório ’Pense nisso. Não há outra
possibilidade.
Em um sentido mais amplo, “tudo” inclui toda a matéria, energia e
vida. Nós sabemos que estas coisas existem agora, mas elas sempre
existiram? Houve um começo, como indica a Bíblia? A criação teve
um término? O que a ciência nos diz diverge da Bíblia ou a suporta?
A evolução e a criação podem, ambas, estarem certas (um tipo de
“evolução teísta")?
O que a Bíblia Diz a Respeito da Criação e da Evolução
1. A Bíblia indica que houve um princípio de tudo (Gn 1.1). Isto
significa que houve, anteriormente, uma época de não exis
tência, e que um Deus que transcende o domínio espaço-
tempo, que nós percebemos que existe, criou tudo o que
havia de existir.
2. A Bíblia indica que a Criação ocorreu em uma série de passos
ordenados abrangendo diversos e diferentes períodos de tem-
. po. (Estes períodos de tempo são os “dias” da terra jovem ou
as “eras” da terra velha.)
E xa m in e as E vid ên cia s
3. A Bíblia indica que cada espécie foi criada separadamente, “con
forme as suas espécies”. Conseqüentemente, elas não evoluí
ram de uma espécie a outra, como indicaria uma evolução
teísta. Elas foram criadas seqüencialmente.
4. A Bíblia indica que a criação teve um término (“Deus descan
sou”, Gn 2.2).
O que a Ciência Diz a Respeito da Origem
1. O tempo, a matéria e o espaço tiveram um princípio. A rela
tividade geral, que foi proposta como uma teoria por Albert
Einstein, em 1915, agora já foi provada por muitos experi
mentos científicos. Basicamente ela se verifica, tanto quanto
outras leis da física.
2. As formas de vida apareceram nesta terra em pontos dife
rentes no tempo, que os cientistas definem como “eras” ou
“épocas”.
3. As formas de vida apareceram neste planeta em uma seqüên
cia, e em diferentes pontos no tempo. A evolução — modifica
ção das espécies por meio de mutação favorável — é mais
freqüentemente ensinada como a base para esta seqüência de
desenvolvimento de novas espécies.
4. Houve um ponto depois do qual não houve mais criação nova.
Fica aparente que a ciência está de acordo com a Bíblia, no que
diz respeito ao processo geral de desenvolvimento da origem da vida,
com a exceção de que muitos cientistas preferem a evolução
neodarwiniana das espécies à criação.
A Criação na Bíblia Está acima da Ciência
Algumas pessoas ficam surpresas ao descobrir que os registros
científicos dos eventos da criação estão completamente de acordo
com o relato do Gênesis. Para compreender isso completamente, é
importante reconhecer o marco de referência de Deus — “sobre a
face das águas” (Gn 1.2).
6 4
C ria ç ã o , C iên cia e a B íblia
Passo 1 (Gn 1.1,2)
“No princípio, criou Deus os céus e a terra. E a terra era
sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abis
mo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.”
É particularmente importante reconhecer a presença do “Espírito
de Deus” sobre a “face das águas”. Este marco de referência será
importante na consideração dos demais passos do Gênesis.
A ciência diz: Eiouve um princípio do tempo, espaço e da maté
ria, de acordo com a relatividade geral, que foi proposta pela primei
ra vez por Albert Einstein em 1915, e que foi finalmente verificada
por Penzias e Wilson, Smoot, e muitos outros cientistas depois disso.
A ciência também indica que o estado inicial de um planeta como a
Terra seria “o vazio e o vácuo”.
Passo 2 (Gn 1.3)
“E disse Deus: Elaja luz. E houve luz.”
Por estar o Espírito de Deus sobre a “face das águas”, esta referên
cia indica que a luz tornou-se visível, da posição estratégica de Deus
— em outras palavras, na superfície do oceano.
A ciência diz: A luz por todo o universo teria estado disponível
muito tempo antes do desenvolvimento da Terra. No entanto, quan
do consideramos a linguagem da Bíblia, a ciência concordaria com
Gênesis 1.3 — de que o passo seguinte do desenvolvimento, da
posição estratégica da superfície d a terra , seria que os densos gases
se tornariam translúcidos, permitindo que uma pequena quantidade
de luz alcançasse a terra. Esse passo é vital para a fotossíntese, neces
sária para a vida vegetal.
Passo 3 (Gn 1.6,7)
“E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e
haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expan
6 5
E xa m in e as E vidên cia s
são e fez separação entre as águas que estavam debaixo
da expansão e as águas que estavam sobre a expansão.
E assim foi.”
A ciência diz: O passo seguinte no desenvolvimento seria que a
água aquecida iria evaporar para as nuvens. Isto estabeleceria o ciclo
hidrológico, que é necessário para a vida.
Passo 4 (Gn 1.9,10)
“E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus
num lugar; e apareça a porção seca. E assim foi. F. cha
mou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das
águas chamou mares. E viu Deus que era bom.”
A ciência diz: O passo seguinte do desenvolvimento planetário
seria o de pesada atividade vulcânica e sísmica, que teria provocado
a criação dos continentes e outras porções de terra, em uma propor
ção de 30% de terra — ideal para a vida.
Passo 5 (Gn 1.11)
“E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê
semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua es
pécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi.”
A ciên cia diz: De todas as formas de vida mencionadas na nar
rativa da criação da Bíblia, a vegetação seria o passo seguinte. Luz,
água e as grandes quantidades de dióxido de carbono que estavam
todas presentes na terra primitiva teriam definido a etapa para a
vida vegetal.
Passo 6 (Gn 1.14-18)
“E disse Deus: Elaja luminares na expansão dos céus,
para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles
6 6
C r ia ç ã o , C iên cia e a B íblia
para sinais e para tempos determinados e para dias e
anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para
alumiar a terra. E assim foi. E fez Deus os dois grandes
luminares: o luminar maior para governar o dia, e o lu
minar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E
Deus os pôs na expansão dos céus para alumiar a terra,
e para governar o dia e a noite, e para fazer separação
entre a luz e as trevas.”
A ciência diz: À medida que a vida vegetal liberava oxigênio
(juntamente com outros fatores), a atmosfera foi se tornando transpa
rente, até o ponto em que o sol, a lua e as estrelas ficaram visíveis
desde a superfície da terra. (Anteriormente a esta época, os gases
densos permitiam a passagem de um pouco de luz, mas não a visibi
lidade dos corpos celestes).
Uma vez mais, é importante recordar que o marco de referência
está sobre a face das águas.
Alguns opinam que uma interpretação literal da Bíblia indicaria
que o sol, a lua e as estrelas foram criados durante este passo
(quarto dia). Isto faria pouco sentido para um cientista. A terra
deveria ter a luz do dia e o período da noite (e deveria girar) para
ter um dia ou uma tarde e manhã — tudo isso exigiria um sol.
Uma solução para este dilema está em reconhecer que a Bíblia
afirma que os céus foram criados no primeiro dia. Não há nada na
linguagem do quarto dia que exigisse a criação desses corpos ce
lestes no quarto dia — eles já poderiam ter sido criados previa
mente.
Nós também descobrimos que a palavra hebraica que significa
“fez” no quarto dia — asa h — que normalmente significa produzir
ou manufaturar, também poderia ter significado “fez surgir”, o que
se encaixaria melhor no contexto. Em primeiro lugar, precisamos
nos lembrar que a posição estratégica do Espírito de Deus era sobre
a face das águas. Em segundo lugar, devemos considerar que a
Bíblia nos diz a razão porque os corpos celestes “surgiram” — para
marcar “tempos determinados e para dias e anos”.
6 7
E xa m in e as E vid ên cia s
Passo 7 (Gn 1.20,21)
“E disse Deus: Produzam as águas abundantemente rép
teis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da
expansão dos céus. E Deus criou as grandes baleias, e
todo réptil de alma vivente que as águas abundantemen
te produziram conforme as suas espécies, e toda ave de
asas conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom.”
A ciência diz: Os seguintes, na linha de desenvolvimento listada
na Bíblia, foram as criaturas do mar, seguidas pelas aves.
Passo 8 (Gn 1.24)
“E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a
sua espécie; gado, e répteis e bestas-feras da terra con
forme a sua espécie. E assim foi.”
A ciência diz: A seguir, entre as criaturas da Bíblia, vieram os
animais terrestres.
Passo 9 (Gn 1.26)
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, confor
me a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar,
e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a
terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.”
A ciência diz: A última criatura a aparecer sobre a Terra foi o
homem.
Passo 10 (Gn 2.2)
“E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que
tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra,
que tinha feito.”
6 8
C r ia ç ã o , C iên cia e a B íblia
dos mesmos eventos, con
forme definidos pela ciên-
vido mais criação (a primeira lei da no Gênesis estão de acor-
teimoclinâmica). Jq com Q |jsjQ j a orcjem
Nenhuma cultura na face da terra
compreendeu os eventos da criação do
universo naquela época. Mas se con
siderarmos somente a citação dos dez c 'a - ^ probabilidade de
eventos da criação, verificaremos que "adivinhar" aleatoriamente
as probabilidades de adivinhar aleato- esta ordem seria de apro-
riamente os passos e a sua seqüência ximadamente uma chance
são de aproximadamente uma chance
em quatro milhões.
A ciência diz: N ão p o d eria te r ha- Os dez passos da criação
A Bíblia e a Grande Explosão
(Big Bang)
em quatro milhões, similar
à probabilidade de ga
nhar na loteria com um
único bilhete.
O big ban g é um termo cunhado na época que os cientistas
estavam especulando, originalmente, a origem do universo com base
na teoria da relatividade de Einstein. Em resumo, as equações de
Einstein (juntamente com as atualizações baseadas na física experi
mental) indicam que o universo se iniciou no nada e veio à existên
cia. Infelizmente, a expressão big ban g dá a impressão de uma ex
plosão caótica. Nada poderia estar mais longe da verdade. Na reali
dade, o desenvolvimento do universo tem a aparência de um des
dobrar harmonioso de um ambiente ajustado com precisão para a
humanidade.
Ironicamente, hoje em dia alguns acreditam que o “big bang” con
firma a evolução, talvez porque sugira um ponto de vista de terra
velha. O mal-entendido se origina na idéia de que bilhões de anos é
um período adequado para a evolução. Mas, na realidade, o big bang
prova qu e o tem po tem um prin cíp io e um lim ite—• nem rem otam ente
“su fic ien te” p a r a o p rincíp io d a vida. A ironia é que, quando isso foi
descoberto como verdadeiro, os cientistas ateus (não o clero) se ar
maram, denegrindo a descoberta com base no fato de que implicava
na existência de Deus (um deles até lamentou que os cientistas esta
vam correndo para unir-se à Primeira Igreja de Cristo do “Big Bang”).
6 9
E xam in e as E vid ên cia s
Alguns cientistas até mesmo publicaram livros tentando refutar isso,
temendo as implicações do suporte á Bíblia.
Tais cientistas reconheceram que o big bang estava de acordo
com a Bíblia de diversas maneiras — mais notavelmente o capítulo .1
de Gênesis, de que houve um princípio do tempo e do espaço. Adi
cionalmente, muitos cientistas astutos reconheceram que no momen
to em que se estabelecesse um limite de tempo, o desenvolvimento
aleatório da vida seria matematicamente ilógico, não importando
quantos bilhões cle anos estivessem disponíveis.
Além da referência ao princípio do tempo, em Gênesis 1.1, há
diversas referências na Bíblia, ao “prolongamento cio universo", o
que implica na expansão que observamos e que foi predita no mode
lo do big bang (Sl 104.2; Jó 9.S; Is 40.22; 42.5; 44.24; 45.12; 48.13;
51.13; Jr 10.12; 51.15; Zc 12.1).
De que maneira a Relatividade Geral e o Big Bang
São Confiáveis?
Diversos dos progressos importantes cia física do Século XX en
volveram fenômenos que afetaram o estudo da origem do universo.
A experimentação, durante este período de tempo, tendia a apoiar o
modelo do big bang. Aqui estão alguns desses progressos.
i sDescobertas de Hubble
Na década de 1920, um contemporâneo de Einstein, Eclwin Hubble,
documentou que as galáxias mais distantes estavam se afastando da
terra. Além disso, quanto mais distantes estão as galáxias, mais rapi
damente estào recuando. A sua descoberta experimental que demons
trou isso é chamada de desvio para o vermelho.
Para exemplificar, considere a maneira como percebemos o efeito
Doppler com o som. Como, por exemplo, a aproximação cle um
trem. A tonalidade do ruído é mais alta porque o trem está vindo na
sua direção, na verdade, comprimindo os comprimentos das ondas
sonoras que chegam ao seu ouvido. Depois que o trem passa, no
entanto, acontece o oposto — o comprimento das ondas sonoras se
expande, e a tonalidade diminui subitamente.
7 0
C r ia ç ã o , C iência e a B íblia
Da mesma maneira, o desvio para o vermelho das galáxias distan
tes implica que elas estão se afastando de nós, uma vez que o verme
lho é o maior comprimento de onda da luz visível. O “grau de verme
lho” indica velocidade. Embora Hubble fosse o primeiro a documen
tar um universo em expansão, um grande número de experimentos
foi feito, desde então, para confirmar a lei de Hubble, como ela é
chamada.1 Por exemplo,
Em 1996, duas equipes dos Observatórios Carnegie que
se dispuseram a medir a constante de Hubble, por méto
dos diferentes, relataram descobertas coincidentes sobre
a idade do universo. Uma equipe, liderada por Wendy L.
Freedman, estimou a idade entre 9 e 12 bilhões de anos.
A outra, liderada por Allan Sandage, estimou a idade
entre 11 e 15 bilhões de anos.2
Radiação de Fundo
Em 1964 e 1965, Arno Penzias e Robert Wilson, dos Laboratórios
Bell, estavam trabalhando com uma grande antena espacial situada
em Holmdale, Nova Jersey. Eles perceberam uma radiação “de fun
do” de 3o K, que literalmente vinha de todas as direções do universo.
(Ironicamente, outros cientistas tinham observado anteriormente a
mesma radiação de fundo, mas simplesmente a tinham considerado
uma anomalia).
Aproximadamente na mesma ocasião, Robert Dicke, da Universi
dade de Princeton, procurando evidências adicionais do big bang,
tinha postulado que se o mesmo tivesse ocorrido, um resíduo de
radiação de nível muito baixo estaria ressoando por todo o universo.
A descoberta de Penzias e Wilson, desta maneira, possibilitou uma
forte evidência de confirmação do big bang. (Em 1978, Penzias e
Wilson receberam o Prêmio Nobel em Física).
Mapeando a Radiação de Fundo
A sonda espacial COBE (Exploradora Cósmica de Fundo) foi
lançada em 1989 por uma equipe, sob a liderança de George Smoot,
71
E xa m in e as E vid ên cia s
da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Estava equipada com
uma grande quantidade de equipamentos sofisticados, incluindo
instrumentação que poderiam comparar o espectro da radiação de
fundo com o de um “corpo negro” preciso. A sonda foi projetada
para confirmar ou negar o big bang como o evento de origem, e para
mapear com exatidão a radiação cósmica cie fundo.
Em 24 de abril de 1992, veio a notícia. Anunciou-se em todo o
mundo que a equipe cie pesquisa tinha “descoberto os limites do
universo”. A esta altura, a espaçonave COBE tinha emitido de volta
um tremendo número de pontos de daclos que confirmavam a radia
ção de fundo e mapeavam o universo.
Stephen Hawking, professor Lucasiano de matemática na Uni
versidade de Cambridge, disse, “É a descoberta do século, se não
de todos os tempos”.3 Michael Turner, astrofísico em Fermilab e
na Universidade de Chicago, inclicou que a descoberta era “incri
velmente importante... o significado disso não é exagerado. Eles
descobriram o Santo Graal da cosmologia”. 1 O líder de projetos
Smoot exclamou, “O que nós encontramos é evidência cio nasci
mento do universo”. E acrescentou, “É como estar olhando para
Deus”."
Desde 1992, tem havido inúmeras confirmações experimentais
independentes de resultados das descobertas da COBE. Os dados cie
outros instrumentos sofisticados de obtenção de informação simples
mente confirmaram o que Penzias e Wilson tinham observado origi
nalmente em 1965.
À Procura de Hélio
O modelo do big bang afirma que, quando o universo tinha
20 segundos de idade, teria havido uma elevada proporção de
hélio (avaliada como sendo 25 % de toda a matéria). Uma das
maneiras de examinar a probabilidade do big bang é determinar
os elementos em existência no universo, nas suas extremidades.
Essas regiões teriam sido as primeiras a serem formadas, e se
existir nelas uma elevada proporção de hélio, isso suportaria o
modelo do big bang.'1
7 2
C r ia ç à o , C iência k a B íblia
Em 1994, os astrônomos mediram uma abundância de hélio em
nuvens de gás intergalácticas, muito distantes. Nova confirmação da
elevada presença cie hélio nas galáxias distantes foi, posteriormente,
feita pelos astrônomos americanos e ucranianos, como observado no
exemplar de 1999 do The Astrophysical Journal.7
Um Modelo e um Princípio Confirmado
Desde a descoberta da COBE original, milhões de pontos cie da
dos do universo têm sido mapeados anualmente, o que constante
mente acrescenta dados adicionais para confirmar o princípio da re
latividade geral de Einstein. A teoria do big bang foi testada pela
medição da velocidade de expansão das galáxias mais distantes, e
cinco métodos independentes surgiram com indicações extremamen
te constantes de que o universo tem entre 14,6 e 15,1 bilhões de anos
de idade. (Observe: Recentemente, alguns calcularam a idade cio
universo como sendo 13,6 bilhões de anos.) Hoje em dia, pratica
mente todos os físicos aceitam a relatividade geral como uma lei
essencial da física, e o big bang como o modelo da origem cio univer
so. Em uma entrevista de 2001, o astrofísico Dr. Hugh Ross observou:
“A relatividade geral está tão próxima de uma lei da física quanto é
possível estar”.8
Em outra ocasião, Ross enfatiza ainda mais a fundamentação
empírica da relatividade geral:
Nas últimas décadas, inúmeros testes de observação fo
ram inventados para a relatividade geral. Em cada caso,
a relatividade geral foi aprovada com distinção.9
A relatividade geral prediz a velocidade com a qual dois
astros cie nêutron, um em órbita do outro, se aproxi
mam. Quando esse fenômeno foi observado e medido, a
relatividade geral foi provada com uma exatidão superi
or a um trilhão por cento.
Nas palavras de Roger Penrose, este resultado fez da
relatividade geral “um dos princípios mais confirmados
em toda a física”.10
7 3
E xa m in e as E vid ên cia s
O princípio do big bang da física é
plenamente apoiado pela Bíblia. Ele
fornece evidências muito fortes de
que a criação ocorreu, porque: 1)
houve um princípio do tempo, e 2)
houve um período lim itado de tempo
desde o advento da criação — tor
nando-o um tempo impossivelmente
curto para o desenvolvimento alea
tório de uma única célula sequer
(como será visto em uma análise
posterior).
' Avalie o que Você Aprendeu
1. Em geral, como a Bíblia coincide com a ciência, a respeito das
origens?
2. O que diz Gênesis 1.2 sobre a localização de Deus na criação?
Por que isso é importante na compatibilização do Gênesis
com a ciência.?
3. Se alguém lhe dissesse que o sol foi criado no “quarto dia” (Gn
1.16) — depois cla criação de plantas que precisam do sol —
como você responderia?
4. Quais são as probabilidades de “adivinhar” os passos da cria
ção? Por que isso é importante?
5. De que maneira o big bang apóia a criação bíblica?
Capítulo 3 — Grupo de Estudo
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: Gênesis 1— 2.2; o capítulo 3 deste texto. Familiarize-se
com o apêndice B. Também navegue por www.evidenceofgod.com
Com os seus recentes
aprimoramentos, a interpre
tação do big bang agora é
admirada até mesmo por
ateus, que compreendem as
implicações de um univer
so com um começo. O físi
co Lawrence Krauss, que se
descreve como ateu, elogia
o modelo como uma das
“realidadesmais primorosa
mente projetadas, do conhe
cimento do homem”.11
7 4
http://www.evidenceofgod.com
C r ia ç ã o , C iên cia e a B íblia
e familiarize-se com as ferramentas a respeito de criação versus
evolução.
Oração de Abertura
Discussão: Discuta o capítulo 1 de Gênesis, e como ele se conecta
com a ciência. Como os crentes de posição de terra jovem podem
apresentar a criação a cientistas altamente instruídos, sem abrir mão
das suas crenças pessoais?
Atividade Prática
Debate: O “cristão” é colocado contra um físico que indica que a
Bíblia contém erros. Especificamente, ele afirma que os cristãos pen
sam que: 1) o universo tem somente sete mil anos de idade, 2) o sol
foi criado depois das plantas, e 3) os dinossauros conviveram com
humanos.
Oração de Encerram ento
7 5
4
A Complexidade
dos Seres Vivos
J forma mais simples de vida é uma célula. No entanto, uma
única célula é extraordinariamente complexa. E toda esta complexi
dade cabe dentro de um espaço minúsculo.
Uma célula reprodutora é a menor criatura viva completamente
funcional. As células podem variar em tamanho, desde a menor —
bactérias, que têm aproximadamente 1/50.000 de uma polegada de
diâmetro — até a maior, a gema de um ovo de avestruz.1 Também
existe uma grande variedade do formato e na função das células
vivas (por exemplo, células de vegetais, ou dos músculos, sangue,
nervos, e assim por diante). Podemos colocar o tamanho de uma
célula em perspectiva observando que quase mil células “médias”
caberiam no ponto final desta sentença. (E 25 mil células do tamanho
de bactérias caberiam no mesmo espaço.)
Apesar das vastas diferenças entre elas, praticamente todas as células
realizam determinadas funções. Essas funções são tão complexas que
uma única célula acaba sendo muito mais complicada, em sua estrutura,
do que a mais moderna fábrica no mundo. Todas as células “respiram”,
se alimentam, expelem resíduos, crescem, se reproduzem, e finalmente
morrem. Elas são, basicamente, seres vivos em miniatura — na verdade,
existem muitos organismos unicelulares. (Uma das mais conhecidas é a
ameba, estudada com freqüência nas aulas de biologia.)
E xa m in e as E vid ên cia s
Uma Multiplicidade de Partes
A verdadeira complexidade de uma célula viva nào pode ser bem
avaliada até que sejam consideradas as partes individuais da sua estrutura.
Existem inúmeras partes que são comuns à maioria das células. Dê uma
olhada no diagrama abaixo, que é uma representação muito simplificada
cle como uma célula pode assemelhar-se a uma fábrica típica.
Esquem a Sim plificado de u m a Célula B ásica
7 8
A C o m plex id a d e d o s S eres V iv o s
Abaixo está uma breve descrição de algumas das partes comuns
de uma célula. (Mais adiante, neste capítulo, iremos exemplificar como
é simplista o exemplo de uma fábrica, quando revirmos algumas das
complexidades da mitocôndria, do DNA, do RNA e das cadeias de
proteínas.) No entanto, tenha em mente que tudo isso está inserido
em um espaço, normalmente do tamanho de um milésimo de um
ponto final — às vezes, menor.
O DNA é como o computador principal — a parte essencial de
cada célula, que dita todas as suas ações. Embora uma cadeia com
pleta de DNA use somente seis ingredientes essenciais, a minúscula
cadeia é enormemente longa — freqüentemente contendo bilhões de
partes. Por exemplo, se alguém pegasse a quantidade de DNA em
um único corpo humano, e a esticasse cie ponta a ponta, ela se esten
deria por 50 bilhões d e quilôm etros (da terra até além do sistema
solar)!2 Obviamente, a quantidade de informações complexas em um
único cordão de DNA é imensa.
O DNA é o elemento básico dos cromossomos. Cada espécie tem
um número específico cle cromossomos em cada célula. Por exem
plo, nos humanos, são 23 pares cle cromossomos em células (gerais)
(célu las som áticas), ou 46 cromossomos no total. As células sexuais
(também chamadas cie célulasgerm inativas), são diferentes, pois nelas
os cromossomos não aparecem em pares ( nos hum anos, elas têm 23
crom ossom os sim ples). O processo reprodutor combina as células se
xuais de um macho e de uma fêmea — duplicando os cromossomos
na fertilização, e trazendo o seu total de volta ao número normal (nos
humanos, 23 pares, ou 46).
Matematicamente, o processo da reprodução sexuada (em oposi
ção à reprodução assexuada) possibilita maior diversificação. Em hu
manos, 3,2 bilhões de pares básicos cle DNA de um homem se com
binam com 3,2 bilhões de pares básicos em uma mulher. (Os
evolucionistas afirmam que a enorme variação potencial na seqüên
cia dos genes, por meio cia reprodução sexuada, pode levar a outras
formas de criaturas, embora eles admitam que essa idéia é uma espe
culação.)3
Embora diferentes espécies possam ter o mesmo núm ero de
cromossomos que os humanos, o DNA será diferente. É a in form a -
7 9
E xa m in e as E vid ên cia s
çâ o co d ifica d a na ca d e ia de
• Na reprodução, o homem e a DNA qu e d iferen c ia um ser
mulher contribuem, individualmen- h u m a n o d e u m a a r a n h a
te, com 23 cromossomos, para for- ( além d is to ’ 08 cordòes de
i DNA serão diferentes à sim-
necer ao novo ser humano o pa- , _
pies observação). A capacida-
drão de 23 pares de cromossomos de que têm QS genes Je DNA
(46 no total) quando unidos. (seções de DNA) de gerar
• Embora algumas outras criaturas produtos cle proteína também
tenham o mesmo número de difere enormemente, de espé-
cromossomos que os humanos, a cie Para esPécie - (Tudo isso
. r „ i i , . levanta uma questão impor-
inrormaçao neles contida e imensa-
tante que confronta os evo-
mente diferente. lucionistas: Se as espécies se
transformam, umas em outras,
qual é o mecanismo que muda — e, na verdade, aprimora — o
DNA?)
O DNA controla uma qualidade de informações além da compre
ensão humana, fazendo uma incrível quantidade de coisas, em uma
minúscula fração de um segundo. Ele dá instruções a cada parte cia
célula, sobre funções típicas de fábrica, tais como:
1. gerar energia
2. produzir uma grande quantidade e variedade de produtos
(proteínas)
3. designar a função e a relação desses produtos
4. orientar partes essenciais (moléculas) ao seu destino final
5. empacotar determinadas moléculas em sacos de membranas
6. gerenciar transferência cie informação
7. assegurar um nível de qualidade muito além cle qualquer pa
drão humano
8. expelir resíduos
9. crescer
10. reproduzir-se
8 0
A C o m plex id a d e d o s S eres V iv o s
O conjunto clos genes — isto é, o agrupamento cias seções — do
cordão de DNA, permite cie 30 mil a 70 mil variações, segundo as
estimativas atuais. Existem também mais complexidades e mais alter-
nativas de combinação do que pensávamos que existissem. Conse
qüentemente, a informação de DNA disponível no pátio de produção
(os ríbossom os) é imensa.
O RNAé a substância que executa as instruções do DNA. Ele é muito
semelhante ao DNA, tendo seis ingredientes básicos (mais informações
a este respeito, adiante). A maneira mais fácil de pensar em RNA é uma
“cópia reversa” do DNA que viaja do núcleo (o “centro do computador”,
onde está o DNA), ao “pátio de produção”, onde são executadas as
instruções para a produção de uma grande quantidade de proteínas.
C) núcleo é como a “sala de controle por computador”. É onde se
localiza o DNA, e onde a informação é transferida do DNA ao RNA.
Dentro do núcleo, ocasionalmente, são encontradas estruturas arre
dondadas, chamadas de nucléolos. Eles rodeiam seções de cromossomos
específicos, e se acredita que eles facilitem a produção dos ríbossomos.
Os ríbossom os são, basicamente, os “pátios de produção” —
onde são recebidas as instruções cio RNA e vários tipos de proteínas
são “fabricadas”, dependendo do código de RNA. Por exemplo, um
corpo humano precisa, literalmente, de milhares de diferentes prote
ínas, para realizar muitas tarefas, desde muitas necessidades dentro
da célula até diferentes tipos cle proteínaspara construir o cabelo, as
unhas clas mãos, os músculos, e assim por diante. Em uma única
célula pode haver muitos ríbossomos, cada um deles produzindo um
grande número de diferentes proteínas.
As m itocôndrias são locais de produção de energia, graças à res
piração da célula. Uma célula pode conter centenas dessas estruturas,
com formato de salsicha, para prover todas as suas necessidades,
Os lisossom os processam e expelem os rejeitos destrutivos. Basi
camente, eles digerem os resíduos e o alimento que há na célula,
usando enzimas digestivas (uma proteína que há dentro da célula)
para decompor os alimentos em elementos básicos.
O retículo endoplasm ãtico é como uma rede cle transporte para
as moléculas, pelo citoplasm a (substância líquida cia célula). Ele trans
porta as moléculas para os seus destinos finais específicos.
81
E xa m in e as E vidên cia s
O com p lexo de Golgi é um tipo de “centro de empacotamento”.
Ele toma determinadas moléculas e as empacota em sacos, que são
destinados a vários locais dentro da “fábrica” da célula, ou até mesmo
distribuídos externamente.
As enzim as e proteínas reguladoras são produzidas pela célula
para uso na sua própria operação. As enzimas aceleram drasticamen
te determinadas atividades da célula. Algumas proteínas reguladoras
(tais como polim erase) de certa forma “ligam” ou “desligam” os genes
— permitindo ou impedindo a cópia de RNA, dependendo da neces
sidade da célula. Muitas outras funções reguladoras também são rea
lizadas por determinadas proteínas, tais como o sistema de “corre
ção” integrado. Sem ele, uma célula pode ter uma taxa de erro de
cópia de DNA de uma em 10 mil. No entanto, graças ao sistema de
controle de erros, os erros de cópia (m u tação d e pontos) v ão somen
te de um em um bilhão e um em cem bilhões.1
O citoesqueleto é a impressionante “armação” interior à célula.
Diferentemente das paredes das fábricas normais, ele pode alterar-se e
adaptar-se de diversas maneiras, com base nas instruções do DNA. Por
exemplo, uma função essencial é a manutenção das organelas (os
“órgãos” das células) no seu devido lugar. Mas o citoesqueleto também
é capaz de alterar-se para possibilitar o crescimento e a reprodução.
Muitos tipos de proteínas no citoesqueleto possibilitam isto.
Estrutura Atômica e Sub-atômica
Até agora, examinamos somente a ponta da complexidade da bi
ologia molecular — apenas uma pequena porção da célula e da sua
sub-estrutura. Considere agora a vasta complexidade de um organis
mo como um ser humano. Há aproximadamente cem trilhões de cé
lulas no corpo humano, realizando milhares de funções específicas.
Cada célula contém aproximadamente um trilhão de átomos.5
Os simples números de partes e alterações e a quantidade de
especialização parecem quase incompreensíveis. Mas os cientistas
aprenderam sobre alterações instantâneas ainda mais inacreditáveis
nos nossos corpos, a nível subatômico. Por exemplo, foi descoberta
uma partícula subatômica chamada x i cujo ciclo de vida é de somen-
8 2
A C o m plex id a d e d o s S eres V iv o s
Fatos Fascinantes
mais do queO corpo humano contém 102s átomos
todas as estrelas do universo.
Estudos de isótopos indicam que 90% dos nossos áto
mos são substituídos anualmente.
A cada cinco anos, 100% dos nossos átomos são substi
tuídos.
No decorrer da última hora, um trilhão de trilhões dos
seus átomos foram substituídos.6
te um decabilionésimo de segundo. Isto significa que, em apenas
poucos segundos, bilhões de partículas x í encerraram seus ciclos de
vida. B asicam ente, o nosso c o /p o s e m odifica a um a velocidade p róx i
m a à velocidade da. luz.
O Mistério da Célula
O Dr. Richard Swenson reuniu pesquisas feitas por conhecidos
cientistas, que dão ainda mais evidências da complexidade da célula.
Ele observa, “O mistério da célula é, ao mesmo tempo, impressionan
te e inspirador”:
• Cada célula é complexa, de uma maneira que não é possível
imaginar. Cada uma delas vive em comunidade com as suas vizi
nhas, realizando o seu papel especializado no conjunto global.
• Cada célula está rodeada por uma membrana mais fina do que
a teia cie uma aranha, que eleve funcionar com precisão, caso
contrário a célula morrerá.
• Cada célula gera seu próprio campo elétrico, que às vezes é
maior do que o campo elétrico próximo a uma linha de trans
missão de alta voltagem.7
• Cada célula contém fábricas especializadas de energia, que sinte
tizam tnfosfato d e adenosifía (ATP), que é a fonte principal de
8 3
E xa m in e as E vid ên c ia s
energia do corpo, em nível de célula. Cada célula contém cente
nas dessas fábricas, chamadas motores d e ATP, embutidos na su
perfície da mitocôndria. Cada motor é 200 mil vezes menor do
que a cabeça de um alfinete. No centro de cada motor de ATP há
uma minúscula roda que gira aproximadamente cem revoluções
por segundo, e produz três moléculas de ATP por segundo.8
• As células não armazenam ATP. Em vez disso, elas o produzem
conforme seja necessário, de acordo com o alimento consumi
do. Pessoas ativas podem produzir o seu próprio peso em ATP
todos os dias.9
• Cada célula tem o seu próprio relógio interno, que é ligado ou
desligado em ciclos que variam de 2 a 26 horas, sem variar nunca.10
O Dr. Swenson prossegue, dizendo: “Se, depois de vislumbrar a
atividade, a complexidade, o equilíbrio e a precisão de vida nesse
nível, você não suspeitar de que há um Deus [ou um projetista inte
ligente] por trás de tudo isso, então o meu melhor diagnóstico é que
você está em um coma metafísico”.11
O comentário de Swenson nos incentiva a pensar realmente. Qual
é a probabilidade de que tão vasta complexidade e precisão possam
ter surgido por acaso? Aqueles que são adeptos da evolução natura
lista têm aqui um verdadeiro problema. O problema é explicar como
tais intrincadas máquinas celulares, muito além do que os humanos
projetam, poderiam, aleatoriamente, agrupar-se. Que mecanismo
poderia ter provocado isso? Qual é a probabilidade matemática de
que isso tivesse acontecido no período de tempo cle uma terra de 4,6
bilhões de anos de idade? Ou até mesmo de um universo de 15
bilhões de anos de idade?
Os problemas óbvios incluem as seguintes questões:
1. Como qualquer componente individual “saberia” quando chegar?
2. Como todos os componentes aleatórios “saberiam” como “mon
tar-se” adequada mente?
3. Como o citoesqueleto — a surpreendente “casca” protetora
— “saberia” como cobrir a célula, para permitir que ela traba
lhasse?
8 4
A C o m plex id a d e d o s S eres V iv o s
4. Como toda essa complexidade poderia acontecer ao mesmo
tempo? (Por exemplo, ter somente a mitocôndria, sozinha, não
serviria para nada, sem o DNA, o RNA e as proteínas.)
5. Como uma mitocôndria, com seus numerosos e minúsculos
motores de ATP — cada um produzindo 300 moléculas de ATP
por segundo — surgiria?
6. Para começar, de onde viria a informação para as células traba
lharem individualmente ou como um sistema?
7. Finalmente, o que energizaria a vida, no início?
O Papel do DNA
Em princípio, as células de qualquer planta ou organismo obe
decem a instruções pré-programadas, contidas no seu DNA. O pa
pel do DNA é essencial — é como o computador principal que
orquestra todo o processamento de informações que faz uma pes
soa ser quem ela é. Portanto, se desejarmos verdadeiramente enten
der a vida, e em particular, a origem da primeira célula viva, deve
mos ter uma compreensão básica do DNA; a sua estrutura e o pro
cesso pelo qual ele cria as proteínas que realizam as funções reais
de uma célula viva.
Estrutura
Se desenrolássemos uma hélice de DNA, veríamos uma estrutura
do tipo de uma escada, com fosfatos e açúcares em cada coluna
vertical. Os “degraus” presos aos lados dos fosfatos e dos açúcares
são combinações das bases: tim ina (T) e ad en in a (A), ou g u an in a
(G) e citosina(C ). Estas combinações em pares sempre são TA, AT ou
GC, CG. Não existem outras combinações.O diagrama na página
seguinte ilustra a estrutura de uma molécula de DNA desenrolada.
Partindo dos seus seis componentes básicos, o DNA é capaz de
produzir muitas proteínas necessárias. Cada cadeia de proteína é for
mada por algumas centenas de aminoáciclos, entre os vinte tipos de
aminoácidos “importantes para a vida” (em mais de 80 aminoácidos
encontrados na terra).12 Qualquer cadeia de proteínas pode ter mui
8 5
E xam ine as E vid ên c ia s
tos de cada tipo, e a ordem dos aminoáciclos em uma proteína deter
mina a sua função. A seleção 1) dos aminoáciclos corretos, juntamen
te com 2) o agrupamento correto de aminoáciclos, e 3) a ordem cor
reta, são extremamente importantes. N ada p o d e ser aleatório, p a r a
qu e a p ro teín a possa : rea liz a r u m a fu n çã o . A questão principal é: a
formação das proteínas necessárias é complexa e precisa.
As proteínas, em qualquer forma de vida multicelular, são os in
gredientes básicos que determinam o que cada célula é, estrutural
mente, e o que cada uma faz. Como os nossos corpos — e os dos
vegetais e animais — são formados de células, podemos chegar à
conclusão de que é a proteína, construída conforme as instruções do
DNA, que determina o que se torna cabelo, pele, ossos, e todos os
órgãos do corpo. Ela também decide se seremos uma planta, um ser
humano ou um sapo.
Processos
As instruções embutidas na molécula de DNA controlam o proces
so de “informar” aos ribcssomos quais proteínas devem fabricar. Este
processo funciona basicamente como indicado no diagrama da pági
na 87. A hélice do DNA se divide. Uma vez que as combinações são
sempre em pares (TA, AT ou GC, CG), quando “fragmentos” de RNA
se conectam à metade da molécula de DNA, sempre fazem um mapa
preciso. (No RNA, a ribose é usada como um açúcar, em lugar da
desox irr ibose— conseqüentem ente o “R” versus o “D” — e uracilo
toma o lugar da timina.) A molécula completa de RNA se divide e
passa para o ribossomo, onde se produz uma proteína de acordo
com as instruções levadas cio DNA, levadas pelo RNA. O DNA “sabe”
o que a célula ou o organismo necessita a seguir.
Como? O DNA se divide em grupos de degraus pareados chama
dos genes. Avalia-se que existam algo entre 30 mil e 100 mil genes em
um cordão de DNA, e cada gene “sabe” como produzir determinado
tipo de proteína. Portanto, um cordão de DNA produz até cerca de
cem mil proteínas.13 Os genes determinam todas as características de
um indivíduo, a ordem na qual ocorre o crescimento, e os sistemas
de retroinformação quando são necessários reparos ou alterações.
8 6
A C o m plex id a d e d o s S er es V iv o s
Estrutura do DNA e RNA
— ■—'XXV—
Como a Proteína é Produzida
Ksquema da
hélice do DNA
“desenrolada”
(impo dei
Genes i
c
: >
o
o
o
o
a ^ '
Passo 1: O Passo 2: (
DNA se RNA se
separa duplica
Observações:
1. Todos os am inoácidos devem
ser específicos para a vida (20
entre aproxim adamente 80).
2. Todos os am inoácidos devem
ser canhotos.
3. Todos os am inoácidos devem
estar em uma ordem exata,
em cadeias curtas, para “funci
onar".
4. Os am inoácidos devem estar
em uma ordem exata de
cadeias longas, para "funcio
nar”.
5. Os ingredientes das cadeias
laterais e a ordem na qual
eles aparecem , determ inam a
função da pioteína, e , em
última análise, as esp écies e o
papel adequado da criatura.
LEGENDA
Desoxirri bose Ri bose
(açú car) 1 I (açú car) [......... i
Fosfatos g Fosfatos IS
Ti mina Uracilo O
Adenina Adenina ►
Guanina Guanins -
,o
.•o
O bservações:
1. As inform ações de DNA/
RNA são relevantes para
a vida.
2. Tod os os nucleotídeos
devem ser destros.
3. O DNA deve ter os genes
exatos para “funcionar”
para uma esp écie — para
dar instruções.
4. As enzim as possibilitam
“chaves liga-desliga” para
o s genes, a fim de deter
m inar as necessidades
das células.
5. Os cord ões de DNA têm
um com prim ento enor
m e. Se todo o DNA de
uma única célula humana
fosse estendido, teria 3
m etros de com prim ento.
Aminoácidos —
20 possibilidades
8 7
E xa m in e as E vid ên c ia s
Veja, por exemplo, a seqüência de eventos da concepção humana,
quando um espermatozóide e um óvulo se unem, por meio do processo
de diferenciação. Esta é uma questão que nenhum biólogo compreende.
Ainda assim, alguns fatos são conhecidos. Por exemplo, sabemos que,
trinta horas depois da concepção, a primeira molécula de DNA “ordena”
a primeira divisão celular. As células resultantes dividem-se aproximada
mente duas vezes por dia. Como o crescimento é exponencial (cada
célula se duplica, duas vezes por dia), não é necessário muito tempo
para que se formem alguns bilhões de células. Mas o que confunde os
cientistas — em especial, os evolucionistas — é o estágio em que as
células começam a diferenciar-se, em braços, pernas, unhas dos pés,
retinas e todas as demais partes do corpo.1' É como se uma molécula de
DNA fosse um super computador, de projeto altamente especializado,
que sabe exatamente o que fazer, e quando.
_________________ CONCEITO-CHAVE ---------------------------
• O DNA ê a “m olécu la p r in c ip a l” qu e fo r n e c e a in form a
çã o exclusiva d e controle sobre c a d a pessoa.
• ORNA é, basicam ente, u m a "cópia” d o DNA q u e perm ite
o desenvolvim ento d as proteínas.
• /Is proteínas (m ais d e cem m il tipos) são c a d e ia s de
am in oác id o s fab r icad as con form e instruções do DNA, d e
p en d en d o d as necessidades do corpo.
Funções
Então, em que resulta todo o microprojeto daquela única molécu
la de DNA? O corpo do humano adulto médio — cada segundo de
cada dia — organiza aproximadamente 150 quintilhões (150 x 1018)
aminoácidos, em cadeias cuidadosamente construídas.15 O que fazem
estas cadeias de proteínas? Elas realizam uma grande quantidade de
funções corpóreas, nas quais uma pessoa normal nu n ca chega a
pensar:
A C o m plex id a d e d o s S eres V iv o s
Em uma vida, um coração bate 2,5 bilhões de vezes, sem parar
para descansar.
Em uma vida, aproximadamente 227 milhões de litros de san
gue são bombeados por todo o nosso corpo.
Um glóbulo vermelho percorre o nosso corpo 200 mil vezes
em 120 dias, somente para ser destruído no baço, na volta de
número 200.001.
O seu corpo tem 96 mil metros de vasos sangüíneos — o equi
valente a duas voltas e meia ao redor da terra.
O número de glóbulos vermelhos no seu corpo, se dispostos
seqüencialmente, circundaria a terra quatro vezes.
Bilhões de glóbulos brancos morrem cada vez que você tem
uma febre, para que possa continuar vivendo.
Você respira aproximadamente 23 mil vezes todos os dias, e a
quantidade de ar que respira diariamente pesa aproximada
mente 11 quilogramas.
Os pequenos sacos cie ar nos seus pulmões (os alvéolos), se
separados e colocados juntos, cobririam meia quadra de tênis.
Os cílios pulmonares, que varrem o muco da traquéia, vibram
aproximadamente mil vezes por minuto.
O olho é tão intrincado e complexo, que só existe uma possi
bilidade em 1078 de que dois humanos quaisquer venham a ter
as mesmas características.
Na retina existem 120 milhões de bastonetes (para visão emba-
Seria necessário, pelo menos, cem anos de operação de
um super computador Cray, para simular o que aconte
ce no seu olho a cada segundo.16
E xa m in e as E vid ên c ia s
çada, noturna e periférica), e aproximadamente 7 milhões de
cones (para visão colorida e detalhada).17
• O olho pode distinguir milhões de tonalidades de cores.
• O ouvido tem um milhão de partes móveis.
• Além deste complexo sistema auditivo, o ouvido tem mais de
cem mil células detectoras de movimento, que permitem que
tenhamos equilíbrio e movimento.• O seu nariz consegue determinar dez mil cheiros diferentes.
• O seu corpo tem 450 células “táteis” por polegada quadrada.
• Estima-se que existam cem bilhões de neurônios no cérebro.
• Estima-se que cada neurônio tenha dez mil fibras de ramifica
ção, que o conectam com outros neurônios.
• O cérebro tem capacidade de armazenar a quantidade de in
formação contida em 25 milhões de livros (8 milhões a mais do
que há agora na Biblioteca do Congresso norte americano).
® O cérebro faz aproximadamente mil trilhões de cálculos por
segundo.18
Tudo o que vimos acima — e muito, muito mais — cliz respeito
simplesmente a uma minúscula molécula de DNA que, de alguma
maneira, “sabia” exatamente como construir e o que fazer para uma
pessoa em particular. O nosso corpo é muito mais complexo do
que todas as instalações fabris de todo o mundo juntas. A idéia de
que a imensa complexidade microbiológica do corpo possa ter evo
luído de uma simples bactéria é inaceitável. De onde teria vindo
toda a informação?
Quanto mais aprendemos a respeito de biologia molecular, desde
a complexidade da estrutura celular até a vasta complexidade dos
nossos próprios corpos humanos, fica mais óbvio que todos os
seres vivos são projetados. No entanto, a compreensão básica da
biologia molecular somente define o cenário para uma análise mais
rigorosa da origem da vida. E com a origem da vida, podemos
determinar que a única alternativa é o projeto inteligente da pró
pria vida — ou Deus.
9 0
A C o m plex id a d e d o s S eres V iv o s
v %
■ Avalie o que Você Aprendeu
1. Que tamanho tem uma célula “média”? O que ela faz?
2. O que é a molécula de DNA? E a de RNA? E a proteína?
3. Descreva, em termos gerais, como é estruturado o DNA, e como
ele produz proteínas.
4. Quantos pares de cromossomos possui um ser humano? É o
número de cromossomos que distingue humanos de animais?
5. Cite três fatos fascinantes a respeito do nosso corpo que indi
cam projeto.
Capítulo 4 — Grupo de Estudo
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: Salmos 139.13-16; o capítulo 4 deste texto. Familiarize-se com
o apêndice B. Também navegue por www.evidenceofgocl.com e fami
liarize-se com as ferramentas a respeito de criação versus evolução.
Oração de Abertura
Discussão: Leia Salmos 139-13-16, e comente a relação entre a
criação de Deus dos seres humanos, e a maravilhosa complexidade
do corpo humano, revisando as páginas 101-103- Revise o processo
de como o DNA comanda a produção cle proteínas.
Atividade Prática
R epresentação: O objetivo do “crente” é informar ao “não-crente”
sobre a assombrosa complexidade do corpo humano, e discutir como
ela se relaciona com a grande possibilidade de um projetista (Deus).
Oração de Encerramento
9 1
http://www.evidenceofgocl.com
Avaliação da Impossibilidade de
uma Origem Randômica da Vida
esmo através da visão rudimentar de uma única célula, e das
funções diárias dos seres vivos, ainda assim podemos perceber a
enorme complexidade da vida no seu nível mais inferior. Hoje em
dia, com as avançadas técnicas microscópicas que podem penetrar
no DNA dos seres vivos, permitindo que um DNA específico possa
ser mapeado em muitas criaturas, podemos usar modelos matemáti
cos para calcular as probabilidades de uma criação randômica da
vida (evolução). Como essa casualidade é alguma coisa que, pela sua
própria natureza, leva a uma análise estatística e às leis das probabi
lidades, os novos conhecimentos adquiridos da microbiologia e da
cosmologia nos permitem avaliar a possibilidade da teoria de uma
criação randômica.
Com respeito à primeira célula viva que foi formada, a criação e a
evolução são eventos independentes e exclusivos. Se um aconteceu,
o outro não poderia ter acontecido, e se um não aconteceu, o outro
deve ter acontecido. Portanto, com os novos conhecimentos sobre a
grande complexidade das exigências da vida (a partir da biologia
molecular), e com os limites impostos sobre o tempo disponível para
a ocorrência randômica dos eventos (a partir da cosmologia), os ci
entistas são capazes de analisar os requisitos necessários à uma ori
gem casual da vida (evolução neodarwiniana). O resultado será uma
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
certeza virtual cie que essa origem da vida é impossível — provando,
conseqüentemente, a única alternativa, a existência de um Criador
(Deus).
As Ciências Naturais Incluem uma Prova
Probabilístíca
Levando-se em conta todas as finalidades práticas, existe um limi
te além do qual alguma coisa é impossível de acontecer. No caso dos
eventos probabilísticos, os cientistas geralmente consideram que al
guma coisa que tenha 1 chance em ICPVle ocorrer ao acaso é essen
cialmente impossível ou absurda (sem nenhuma interferência sobre
natural). Portanto, ao observarmos a ocorrência dos eventos evolutivos,
devemos usar os mesmos padrões.
■ os Fas
Cento e cinqüenta pessoas tentando girar 150 moedas, à
razão de uma tentativa por segundo, durante 15 bilhões de
anos, ainda assim teriam a probabilidade de obter uma única
chance, em dez mil trilhões de trilhões de tentativas, de
que todas elas caíssem viradas com a mesma face. A forma
mais simples de vida iria exigir que fossem feitas 11.0.000
dessas tentativas de giros de moedas, e não apenas 150!
m
As ciências exatas usam a matemática, a experimentação e a esta
tística como fundamento para determinar se algum resultado seria
altamente provável. A melhor e a mais sólida evidência é aquela que
se mostra consistente com os cálculos matemáticos baseados em fór
mulas e dados comprovados — onde, portanto, podem se basear
úteis e razoáveis premissas. Uma evidência empírica, e ainda não
comprovada, deixa pouco espaço para a especulação e a interpreta
ção. Ela pode eliminar uma série de “conceitos fantasiosos" ao de
monstrar que algumas teorias, baseadas apenas na observação, são
irracionais.
9 4
A valiação d a I m p o s s ib il id a d e d e u m a O r ig e m R a n d ô m ic a d a V id a
A complexidade dos sistemas de células vivas foi revista breve
mente no capítulo 5. Além de reconhecermos a microbiologia como
necessária à vida, também usamos a ciência exata da astrofísica que
definiu, atualmente, os limites para a idade e o tamanho do nosso
universo. Essa ciência, ao lado de outras ciências exatas, fornece
importantes limites para a avaliação do que seria possível em relação
à origem da vida.
Quando desintegramos a célula mais simples e fundamental que
pode ser imaginada, a fim de darmos início a qualquer processo
evolucionário randômico, podemos começar a relacionar as exigên
cias bioquímicas e a probabilidade estatística de cada célula. Sabe
mos, por exemplo, que a primeira célula viva precisava ter um núme
ro mínimo de estruturas de construção, inclusive pelo menos uma
mínima molécula de DNA, juntamente com os aminoácidos específi
cos para a vida. (Embora também possam existir outros requisitos,
uma simples análise desses itens poderá igualmente corroborar o
nosso argumento).
Qulralidade
Inicialmente, examinamos o desenvolvimento do ser humano a
partir das informações contidas numa única e minúscula molécula de
DNA. Será que existe qualquer obstáculo ponderável para a teoria cia
origem randômica da primeira célula viva?
A maioria dos evolucionistas acredita que a primeira célula viva
era uma simples bactéria. As atuais células bacterianas têm cerca de
128 milhões de pares básicos (os “degraus” do DNA — veja a página
87) de DNA.1 Entretanto, alguns cientistas encontraram fósseis anti
gos de bactérias com apenas 500 mil desses pares. Outros questio
nam ainda a possibilidade de as primeiras bactérias terem sobrevivi
do com apenas mil desses pares básicos de DNA.
Da mesma forma, havia na primeira bactéria um limite mínimo
para o número de aminoácidos necessários à formação da proteína.
O número geralmente aceito é cie um mínimo cie 10 mil aminoácidos,
que compreendem pelo menos 100 cadeias funcionaisde proteínas
(embora cada uma delas teria, provavelmente, contido cerca de algu
9 5
E x a m in e as E v id ê n c ia s
mas centenas cie aminoáddos). Por que esses números de pares bá
sicos de DNA e de aminoácidos são tão importantes? Por causa da
quiral idade.
Quiralidade é o termo empregado para a necessidade inerente a
todos os nucleotídeos (açúcares), contidos numa cadeia de DNA ou
de RNA, de ter uma certa orientação molecular (ou uma formação
“destra” ou clextroform a , tecnicamente falando) para que a cadeia
possa funcionar.
Da mesma forma, quase todos os 20 diferentes aminoácidos (na
realidade, 19), que constam das cadeias protéicas celulares, também
devem ter uma orientação específica (ou uma formação “levo” ou
levoform a, tecnicamente falando) para que a proteína possa funcio
nar. Nenhuma delas pode ter qualquer defeito. Se essas exigências da
quiralidade não forem atendidas, todo o processo do DNA ou do
RNA de fabricar uma “proteína funcional” poderá falhar. Portanto,
para que a primeira bactéria existisse era necessário que houvesse a
ocorrência de uma perfeita combinação de orientação, tanto dos
nucleotídeos (destros) como dos aminoácidos (levos). Mesmo no caso
de uma simples bactéria precisamos ter em mente que tanto as cadei
as cio DNA como das proteínas são extremamente longas.
Exem plo 1: Aceitável
Todos os aminoácidos e nucleotídeos estão perfeitamente orientados
Exem plo 2: Inaceitável
A existência de um erro em qualquer orientação dos aminoácidos e
nucleotídeos
Quiralidade
9 6
A v a lia çã o d a I m p o s s ib il id a d e d e u m a O r ig e m R a n d ô m ic a d a V id a
O Problema Apresentado pela Quiralidade
Sabemos, entretanto, que na natureza os aminoácidos apresentam-
se numa formação randômica e em exatas proporções de orientação,
sendo destros ou levos (numa combinação racêmica). Depois de anos
cie estudo os cientistas ainda não encontraram um único meio de puri
f ic a r adequadamente essa composição — isto é, de aumentar substan
cialmente a proporção dos aminoácidos levos. (O mesmo problema,
embora seja mais difícil cie explicar, existe para os nucleotícleos que
elevem ser destros). Para criar a primeira célula todos os m ilhares de
am inoácidos, das centenas ou m ais d e proteínas fu n cion a is necessári
as, teriam qu e apresentar, repentinamente, os tipos corretos — exata
mente no m esm o lugar e no m om ento exato — sendo qu e todos deveri
am ser levos. Esta seria a única maneira de serem capazes de se ligar
adequadamente como foi determinado pelo DNA.2
Da mesma forma, todos os cerca de 100 mil nucleotídeos teriam
que se encontrar exatamente no mesmo momento e exatamente na
mesma forma — sendo todos destros — para formar uma molécula
funcional cle DNA.
Em outras palavras, som ente para obter um conjunto de
nucleotídeos, corretamente orientados, seria como girar uma moeda
100 mil vezes e obter, na sua qLieda, uma seqüência contínua de 100
mil faces iguais. Para obter um conjunto de 10 mil aminoácidos cor
retamente orientados seria como girar seqüencialmente a moeda 10
mil vezes e obter 10 mil faces iguais. A fim de obter ambos, o que
seria necessário, será o mesmo que obter 110 mil giros específicos da
moeda. É claro que existem outros problemas de combinação
randômica, mas não precisamos ir além do problema da quiralidade
para jtistificar o nosso argumento.
Analogia com o Giro da Moeda
Vamos considerar detalhadamente o exemplo do giro cia moeda,
que vai nos ajudar a relacionar esses números realmente imensos.
Qual seria a possibilidade de obter uma seqüência de 150 faces iguais?
A matemática é bastante simples — basta multiplicar 150 vezes a
9 7
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
mesma fração de +. O denominador da fração seria tão grande que,
para muitos computadores, o cálculo direto se tornaria muito difícil.
Usando logaritmos, esse número poderia ser calculado da seguinte
maneira:
h = 2150log1(1 (h) = 150 x log1(|(2) [porque log (hnx log (h)]
log10(h) = 4.5 então...
h = 1015
Em outras palavras, a probabilidade de se obter uma seqüência de
150 vezes a mesma face cie uma moeda é cie 1 chance em I0 's— ou
1 chance em um bilhão cie trilhões, de trilhões cie trilhões!
Um cético poderia dizer: “Bem, a probabilidade ainda não é igual a
zero — isso poderia acontecer”. Vamos tentar entender como seria im
provável girar urna moeda 150 vezes e obter uma seqüência de 150 faces
iguais. Imagine que você convidasse 150 amigos para se reunir com
você num ginásio e fazer a experiência cie girar a moeda. Imagine ainda
que cada um girasse uma moeda por um segundo — todos juntos, 150
vezes por segundo. É claro que isso não seria um feito desprezível.
Observe o tempo que leva para girar uma moeda, e veja que todos os
outros iriam certamente levar mais de um segundo. Entretanto, vamos
considerar que isso seja possível. Mesmo se você e seus amigos pudes
sem começar a girar a moeda no momento em que o universo começou
(de acordo com a maioria dos cientistas isso aconteceu há 14 bilhões de
anos) vocês somente seriam capazes de girar a moeda 1017 vezes. Depois
de todo este tempo, qual é a probabilidade que vocês teriam de conse
guir que num giro coordenado todas as faces fossem iguais? Haveria
ainda 1 chance em dez milhões cie trilhões de trilhões de vezes. A esta
tística iria considerar que isso é “impossível”.
Os Cientistas Reconhecem o Problema
Alguns cientistas propuseram alguns caminhos em volta do pro
blema da quiralidade. Christian cie Duve, do Institute o f Cellular
9 8
A v a lia çã o d a I m p o s s ib il id a d e d e u m a O r ig e m R a n d ô m ic a d a V id a
Pathology, na cidade de Bruxelas, Bélgica, propôs uma certa forma
de estrutura molecular. E disse:
A explicação proposta não resolve inteiramente o pro
blema da quiralidade.
Mais tarde ele disse:
A estrutura molecular não poderia ajudar a esclarecer
essa questão.3
Outros tentaram provar que a quiralidade não é necessária, mas
não tiveram sucesso. O Dr. Alan Schwartz do Evolutionary Biology
Research Group, da Universidade de Nijmegen, Holanda, descreve
essa tentativa:
Numa experiência destinada a testar os requisitos da
pureza quiral foi demonstrado que a incorporação de
um único mononucleótide de uma quiralidade oposta
no fim de uma cadeia crescente, na oligomerização de
um modelo, será suficiente para terminar a reação (Joyce
et al., 1984).4
Conceituados evolucionistas reconhecem claram ente que a
quiralidade representa um problema principal.
Comparação Matemática
Como mencionamos anteriormente, para se obter ranclomicamente
compostos corretamente orientados para o primeiro e mais simples
organismo vivo, seria o mesmo que predizer corretamente o resulta
do de 110 mil moedas girando em seqüência. A probabilidade de
cada giro estar correto é, naturalmente, de uma em duas tentativas.
Hasta um giro errado para encerrar o jogo. Um resultado correto seria
obtido simplesmente multiplicando + x + 110 mil vezes. Quais seriam
as chances desse resultado? Falando diretamente: +110 000. Converten
do para a base 10, as chances seriam, surpreendentemente, de 1 vez
em IO33-113!
9 9
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
Esse número é tão grande que pode ser comparado à chance de
alguém ganhar mais de 4700 vezes, em seguida, a loteria estadual com
um único bilhete em cada uma delas! Ou, se contarmos todas as partícu
las sub atômicas cio universo inteiro ( 10S|) — na verdade — em quase
400 universos — teríamos a chance de escolher uma única e pré-desig-
nada partícula dentro desse número. Pode-se, então, entender por que a
quiralidade representa uma pedra no sapato da ciência evolucionária?
----------------------------- CONCEITO-CHAVE ---------------------------
A c h a n c e d a e v o lu ç ã o , c o n s id e r a n d o s o m e n te a
qu iralidade, é igual a u m a ch a n ce em 10r’ Seria o
m esm o qu e g a n h a r 4 700 loterias estaduais seguidas,351
25. O Martírio dos Apóstolos................................................................. 367
26. Testemunhas na Época de Jesu s .....................................................379
27. Os Primeiros Mártires Cristãos e a Igreja Cristã.........................395
Resum o e C on clu são ................................................................................. 409
Parte 5 — Perguntas B íb licas Com uns
28. Por que Deus Permite o Sofrimento?............................................ 413
29. A Trindade............................................................................................. 429
30. Como Analisar Supostas Contradições na Bíblia Sagrada......447
31. Revisão das Supostas Contradições Específicas.........................463
32. De que Maneira Jesus é Diferente dos
outros Líderes Religiosos?................................................................. 475
Parte 6 — Seis Estudos Independ entes da H istória do Mundo e da
Bíblia
33- De Noé até o Período dos Juizes....................................................501
34. Do Reino Unido cie Israel até Alexandre, o Grande............... 505
35. De Alexandre, o Grande, até N ero................................................ 509
36. De Nero ao Imperador Constantino..............................................513
37. Do Imperador Constantino à Reforma Protestante...................517
38. Da Reforma até a Igreja Moderna.................................................. 521
Palavra Final: Com o C onhecer a D e u s ...........................................S25
Apêndice A: Uma Lista de Verificação de Perguntas
para E v o lu cio n istas ................................................................................. 527
Apêndice B: Análise das Profecias do Antigo T esta m en to ......531
N o tas................................................................................................................541
B ib lio g ra fia ...................................................................................................553
1 2
Preparação para a sua
Viagem, a Caminho
de uma Fé Maior
ADVERTÊNCIA — Uma p ra g a m ortal atingirá você!
A
JL JL notícia correu o mundo inteiro. Jornais, televisão, os meios de
comunicação de todos os tipos anunciam o surgimento de um novo
vírus, que vive nas partículas de pó da atmosfera superior. O vírus
“Dybbuk” se propaga pelo mundo diariamente e desce ã terra perio
dicamente. No final, acabará infectando cada homem, mulher e cri
ança no planeta. Contrair o tal vírus corresponde a mais lenta e dolo
rosa morte que se pode imaginar. As vítimas sentem uma terrível dor
de garganta, que torna o ato de comer praticamente impossível. Gra
dualmente, uma sensação ardente penetra nos vasos sangüíneos e
percorre todo o corpo. Cada parte do corpo parece ser engolida pelo
inferno — um fogo que não pode ser extinto. Feridas irrompem na
pele. Minúsculos vermes que acompanham o vírus crescem nas feri
das e se multiplicam, espalhando-se por toda parte, enquanto se ali
mentam cla carne que está apodrecendo. Lentamente, muito lenta
mente, o fogo eterno entope os vasos capilares cio organismo —
desabilitando o mesmo membro de uma vez, até que, finalmente,
não há sangue suficiente para irrigar o cérebro. Não existe cura...
somente prevenção.
Mas a prevenção é garantida, e simplesmente exige um pouco de
tempo, investigação e comprometimento para ser obtida. I )iversas
publicações médicas estão disponíveis a todos, cada uma delas reve-
E xa m in e a s E vidên cia s
lando possíveis antídotos — mas somente um deles funciona. A vaci
na correta não é difícil de ser identificada por um indivíduo — no
entanto, existem pessoas tentando convencer a todo mundo que a
sua alternativa favorita é a “certa”. Cabe a cada pessoa escolher um, e
som ente um, antídoto para usar. Neste mundo imaginário, cada esco
lha deve ser secreta, de modo que não existem “estudos de pesquisa”
para orientar no processo. Se o antídoto correto for escolhido, a pes
soa será poupada. Caso contrário, o terrível destino a espera.
O nosso grupo de amigos íntimos consiste de John, um dinâmico
vendedor; Maiy, uma tranqüila dona de casa; Richard, um jovem
mergulhador; e Joan, uma paupérrima moradora de rua. Todos estão
assombrados com as notícias da epidemia mundial. Em resposta a
elas, imediatamente eles saem e compram diversas publicações mé
dicas de salvar vidas em potencial.
Surpreendentemente, embora ninguém saiba quando um golpe
de “vento infectado” pode descer da troposfera — isto pode aconte
cer em qualquer dia — somente Joan começa a pesquisar nas publi
cações imediatamente.
“Eu farei isto na semana que vem”, diz Richard, que está planejan
do uma viagem às Ilhas Cayman para praticar mergulho.
Mary está apática. “Eu não estou preocupada”, diz. “Eu sou uma
boa pessoa, que se mantém ativa e bastante saudável, de modo que
eu não espero que nada realmente ruim aconteça”.
“Nós ainda não tivemos nenhuma morte na nossa área”, ri John,
passando pela porta com tacos de golfe sobre o ombro. “Vou investigar
isso logo, mas agora tenho um cliente importante para impressionar.”
Joan, lutando financeira e emocionalmente, guarda tudo o que des
cobre para si, e depois de duas semanas descobre o antídoto “correto”.
O que você faria? Decide sair de férias? Fica apático? Concentra-se
no seu trabalho ou no seu jogo de golfe? Ou começa a pesquisar?
O tempo passa. Um por um, os seus amigos são vitimados —
devastados pela praga irrefreável. Como é horrível ver cada um deles
“derrubado”. Repetidamente, as lágrimas enchem os seus olhos, e
você se pergunta por que eles deram tanta prioridade a outras coisas,
ou não se preocuparam o suficiente para investigar a maldição que
certamente iria atingir a todos.
1 4
P reparação para a sua V ia g e m , a C am inh o de uma F é M a io r
A História da Praga Dybbuk É um
Exemplo de uma Decisão Cristã
Todo homem, mulher e criança da terra morrerá no final. É como
a praga Dybbuk, ninguém pode evitar isso. E todos terão uma eterni
dade de intensos sofrimentos, a menos que obtenham o dom gratuito
da salvação por intermédio de Jesus Cristo. Além disso, tudo o que
precisamos saber para termos uma vicia alegre na terra e uma vida
eterna na presença de Deus pode ser aprendido em um único livro
— a Bíblia — desde que dediquemos tempo para aprender sobre o
presente de Deus que é Jesus Cristo, e aceitá-lo. Há outros livros
disponíveis, e promovidos por outras pessoas. A chave é descobrir o
“antídoto correto” para a redenção definitiva com Deus.
No entanto, como no exemplo acima, mesmo que todas as pesso
as saibam que acabarão morrendo, poucas dedicam algum tempo
para analisar objetivamente a verdade a respeito da eternidade.
Freqüentemente as pessoas têm outras prioridades, como férias ou
carreiras profissionais — ou simplesmente ficam apáticas. Muitas ve
zes as pessoas crêem que todas as religiões são praticamente a mes
ma coisa, e não dedicam tempo para descobrir as diferenças. Isto
implica a aceitação das crenças religiosas por parte da família ou de
amigos.
A Bíblia nos ensina que existe somente um Caminho (um antído
to) para a vida eterna (Jo 14.6). Além disso, Deus forneceu evidências
suficientes de que este único Caminho é Verdadeiro e Seguro. As
evidências estão em toda parte — desde registros históricos até fun
damentos científicos à profecias milagrosas e descobertas arqueoló
gicas. Somente o cristianismo pode fornecer um apoio tão grande.
Este texto examina as evidências.
Jesus — o maravilhoso Redentor de Deus —- convoca cada um
de nós, que já descobriu este “presente milagroso” a contar aos
outros sobre Ele. Embora a praga Dybbuk seja um modelo imaginá
rio da situação que toda a humanidade enfrenta, as conseqüências
da escolha religiosa antes da morte são reais. Embora cada um de
nós tenha a sua própria responsabilidade de procurar o verdadeiro
relacionamento com Deus, contá-lo a outros também écom
a com pra d e ap en as um único bilhete p a r a c a d a u m a
delas. Ou seria com o escolher ad eq u ad a m en te u m a p a r
tícula a tôm ica p ré-d esig n ad a a p artir d e 4 00 universos
d o tam an ho do nosso.
A Luta dos Evolucionistas com a Quiralidade
Veja o que os evolucionistas estão dizendo a respeito do proble
ma da quiralidade:
Uma recente conferência sobre a “Origem cia Homo-
quiralidade e a Vida” deixou bem claro que a origem
da tendência de uma ou outra mão é um completo mis
tério para os evolucionistas.5
O canal da WEB da Universidade da Califórnia, na cidade de Davis,
observa:
Obviamente, a origem da quiralidade está ligada à ori
gem da vida, como nós a conhecemos, de modo que os
mesmos problemas se encontram presentes... Existem
várias teorias para a origem da quiralidade, mas nenhu
ma é obviamente superior a outra.6
100
A v a lia çã o d a I m p o s s ib il id a d e d e u m a O r ig e m R a n d ô m ic a d a V id a
Como nenhum cientista pode refutar a impossibilidade matemá
tica cie uma solução randômica para o problema da quiralidade,
deu-se maior atenção a um meio de p u r ifica r oticam ente as partícu
las (escolhidas segundo a sua orientação), agrupando-se depois as
partículas escolhidas. É aí que as teorias parecem solicitar que a
sugerida purificação seja feita no espaço, com alguma transferência
para a terra. Mas essas desamparadas noções revelam seus próprios
problemas, por exemplo, onde e como as moléculas se agrupam?
Será que elas podem ser realmente 100% purificadas? Como seriam
transportadas para a terra? E, o que é mais importante, onde estão
as evidências?
Nesse ponto, infelizmente, o pensamento começa a abandonar
inteiramente o reino científico. Por exemplo, um canal da WEB de
senvolve grandes esforços para fornecer soluções racionais para a
origem randômica do DKTA. Mas depois o autor tropeça:
Essa [quiralidade] foi descoberta há muito tempo, em 1848,
por Luis Pasteur. e a ciência moderna dá a ela o nome de
homoquiralidade biológica. A ciência não tem explica
ção para isso."
Ela se tornou um problema tão sério para as teorias do autor que,
mais tarde, ele reflete:
O que poderia levar um engenheiro pré-orgânico
[alienígena] a criar uma vida orgânica usando apenas me
tade dos aminoácidos disponíveis? Por que ele se limita
ria a criar projetos que, dessa forma, ficariam limitados?
Uma possibilidade é que as condições locais fossem de
tal ordem que estivessem disponíveis algumas moléculas
orgânicas de uma orientação específica...
. Se a primeira célula foi criada fora deste mundo, então
esse lugar é a nossa melhor alternativa de onde devemos
começar a procurar.8
Falando seriamente, esse tipo de coisa é exatamente o que certos
conceituados evolucionistas como John Mavnard Smith e Eors
1 0 1
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
Szathmary (autores da obra padrão The Origins o fL i f e - “As Origens
da Vida”) estão considerando.
Também foram feitas outras sugestões, como neste artigo publica
do na revista Science:
Pesquisadores sobre a origem cia vicia estão tentando
procurar certas forças mais fracas que poderiam explicar
como a vida pode consistir de aminoácidos levos e de
açucares destros. Alguns dos mecanismos “clássicos”, tais
como a luz polarizada circularmente dos corpos super
novos, e de outros acontecimentos astronômicos explo
sivos, já foram eliminados.
Os pesquisadores mostraram que essa luz [polarizada
circularmente] pode distorcer as reações químicas e pro
duzir uma molécula quiral especial à custa da sua mo
lécula gêmea. Mas as fontes
supernovas, assim como ou
tras fontes astronômicas, iri
am gerar igualmente ambas as
formas levos e destras, portan
to seria improvável a produ
ção desequilibrada de molé
culas orgânicas.
No entanto, esses problemas
ignoram a dificuldade mais
fundamental dos elevados ní
veis de radiação que seriam
produzidos por estas fontes
astronômicas e que são incompatíveis com os organis
mos vivos, e mesmo com os complexos químicos or
gânicos.1’
Os cientistas vêm lutando com a quiralidade por mais de um sécu
lo. O problema se revela essencial para o entendimento da origem da
vida. E, pelo menos do ponto de vista evolucionário, nenhuma res
posta satisfatória foi encontrada até agora.
Não existe nenhuma evi
dência concreta que possa
dar suporte a qualquer
solução racional para o
problema da quiralidade.
Até os evolucionistas reco
nhecem isso.
1 0 2
A v a lia ç ã o d a I m p o s s ib il id a d e d e u m a O r ig e m R a n d ô m ic a d a V id a
Os Especialistas Reconhecem outros Problemas
Concernentes a Teoria da Origem Randômica da Vida
Aqui está o que alguns especialistas estão dizendo sobre a proba
bilidade de uma origem randômica para a primeira célula viva:
• Mareei Schutzenberger, da Universidade de Paris declarou: “Não
existe nenhuma chance (
dível. Sempre'. As probabilidades
com um mundo de macacos dati
lógrafos e um universo cle tempo
se tornam mais fracas quando comparadas às probabilidades
do simples problema da quiralidade. E este problema se tor
na muito maior quando outros fatores são levados em consi
deração.17
Stephen M. Meyer, da Uni
versidade de Cambridge,
que possui Phd em História e
Filosofia da Ciência, afirma,
"Embora muitos adeptos de
uma origem externa para a
vida biológica ainda possam
invocar a "chance" para a
explicação casual da origem
de uma informação biológi
ca, poucos pesquisadores
sérios ainda o fazem" .18
1 0 4
A v a lia çã o d a I m p o s s ib il id a d e d e u m a O r ig e m R a n d ô m ic a d a V id a
Os famosos ateus Cari Sagan e Francis Crick tentaram construir
um modelo para extraterrestres (a fim de obter fundos para realizar
pesquisas nesse campo). Durante o processo, eles avaliaram a difi
culdade da evolução humana como sendo de uma única chance em
10-2.ooo,ooo, que É uma Mutação?
A mutação é uma modificação randômica ocorrida nos nucleotídeos
de uma molécula de DNA. Isso acontece durante a reprodução, quando
o DNA está sendo duplicado, preparando-se para a divisão celular.
Muitas coisas podem provocar uma mutação. Primeiro, existem
erros randômicos na duplicação. Eles são extremamente raros por-
que o DNA tem realmente seu próprio sistema de “leitura a toda
prova”. Segundo, existem fatores externos, como a radiação, que
podem fazer com que a molécula do DNA sofra uma mutação.
Para que uma mutação seja transmitida a um descendente, ela pre
cisa ocorrer numa célula sexual (germe). Se assim não for, a mutação
existirá apenas dentro do próprio organismo do indivíduo. Entretanto,
raramente as mutações se estendem a toda uma população, a não ser
que exista uma significativa procriação consangüínea. Isso acontece
porque, em populações sexualmente reprodutoras, as características
de um organismo são constituídas a partir do pai e da mãe. Portanto, as
probabilidades são de 50%, ou ainda menores, de ocorrer a transmissão de um gene que tenha sofrido alguma mutação.
Verdadeiramente, todas as mutações são prejudiciais. Elas têm a
tendência de criar problemas em vez de oferecer algum benefício.
(Falaremos mais tarde sobre a estatística). Portanto, populações com
elevadas taxas de procriação consangüínea têm a tendência de apre
sentar mais defeitos, e problemas cie saúcle mais freqüentes.
Todas as fontes mencionadas acima reconhecem os efeitos preju
diciais das mutações:
Em geral, as mutações têm mais probabilidade de serem
prejudiciais à sobrevivência do que à adaptação.7
Geralmente, as informações alteradas [mutações] se apre
sentam no descendente como um defeito.8
Entretanto, provavelmente as mutações que dão origem
a mudanças substanciais nas características físicas cle um
organismo serão mais prejudiciais do que benéficas.9
1 0 9
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
A maioria das mutações que causa uma mudança visível
é prejudicial.10
Os evolucionistas, embora reconhecendo que a maioria das muta
ções seja prejudicial, ainda as aceitam como sendo o mecanismo da
evolução. Por que? Como mencionamos acima, as m utações são a
ú n ica esperan ça p a r a a m u d an ça d e um a espécie p a r a outra.
- CONCEITOCHAVE .....
Virtualmente, todas a s m utações são prejudiciais.
Haveria uma Mudança Real nas Espécies?
Como observamos anteriormente, dados recentes mostram que
cerca de três espécies estão sendo extintas a cada hora. Existem pro
vas confiáveis de que ultimamente o índice de extinção aumentou
com bastante rapidez, mas a extinção das espécies ainda levanta uma
questão: se a mudança ocorrida pela mutação é tão eficiente na cria
ção de novas espécies por que, através do passado, existem evidên
cias de que estamos perdendo algumas espécies e não estamos ga
nhando nenhuma?
Alguns evolucionistas insistem naquilo que eles chamam de no
vas espécies. Entretanto, parece claro que essas populações sim
plesmente experimentaram mudanças micro-evolucionárias. Um
impacto ambiental levou a uma modificação no conjunto de genes
que resultou, então, uma mudança visível. Esse é o caso da traça e
do urso polar que têm sido mencionados como exemplos de novas
espécies.
O famoso astrofísico Frecl Hoyle concorda com esta conclusão:
Minha impressão é que alguns evolucionistas procura
ram apressar as coisas e consideraram erroneamente al
guns casos onde as espécies estão apenas administrando
adequadamente certas condições ambientais já experi
1 1 0
M u t a ç õ e s : U m M e c a n is m o D e f e it u o s o para a E v o l u ç ã o
mentadas, de modo que a memória está sendo mal inter
pretada, como sendo uma nova descoberta.11
Hoyle continua e cita a traça como um exemplo da maneira como
os evolucionistas interpretam erroneamente uma simples adaptação
como se ela fosse o desenvolvimento de uma nova espécie. Depois
de usar extensivamente diferentes equações para avaliar o potencial
que têm as mutações positivas cie desenvolver novas e diferentes
espécies, ele conclui:
As raras mutações benéficas que ocorrem são domina
das pelas mutações deletérias mais freqüentes. O melhor
que a seleção natural poderia fazer, de acordo com 11111
ambiente específico, seria manter sob controle as muta
ções deletérias. Quando o ambiente não é estável existe
uma lenta erosão genética que, entretanto, a seleção na
tural não consegue evitar.12
Mudanças dentro das Espécies
Antes de pesquisarmos se as mutações no DNA podem realmente
provocar uma mudança entre as espécies, examinaremos uma ques
tão mais simples: as mutações que ocorrem clentro das espécies exis
tentes. O conceito da seleção natural estava sendo discutido descle o
ano de 1830. Por exemplo, o naturalista Edward Blyth (1810-1973),
contemporâneo cie Darwin, argumentou que se as espécies podiam
evoluir consideravelmente em relação ao seu gênero, família, ordem
e classe, então por que não poderiam também evoluir numa exten
são menor quando seus limites ambientais tivessem sido ameaçados?
A argumentação de Blyth era natural, mas os fatos indicam que
quando uma espécie sofre uma significativa mudança cie ambiente,
ela tem a tendência de não se adaptar, e de desaparecer.13 Isso serve
para dar suporte à observação cle Hoyle sobre a inexistência de uma
alteração positiva na mutação que pudesse contrabalançar qualquer
alteração negativa na mutação. É por isso que as extinções superam o
suposto desenvolvimento de novas espécies.
1 1 1
E x a m in e as E v id ê n c ia s
Outros matemáticos também analisaram o efeito das mutações.
Sir Ronald Fisher (1890-1962), um dos maiores especialistas mun
diais na matemática da evolução, que também foi um dos arqui
tetos da teoria neodarwiniana (e um dos fundadores do campo
da genética clas populações), realizou um dos seus primeiros es
tudos sobre como funciona a seleção natural. Essencialmente,
ele observou a descendência nas populações, e qual descendên
cia tinha um valor positivo de sobrevivência, em vista de ter uma
mutação positiva, ou uma sobrevivência negativa por causa de
uma mutação negativa. Depois de consideráveis análises, ele
concluiu que
a maioria dos mutantes, mesmo tendo valores positivos
cle sobrevivência, será extinta por causa de efeitos
randômicos.
...Uma única mutação, mesmo tendo sido positiva, tem
apenas uma pequena chance de sobrevivência. Como
resultado, uma única mutação terá pouca probabilidade
de executar um papel significativo na evolução.
Depois ele resumiu:
Se mutações positivas desempenharem algum papel
na evolução, então muitas delas ainda deverão ocor
rer.1"
É importante ter em mente que essas observações vieram de um
arquiteto do neodarwinismo.
Os cálculos cle Fisher, verificados e recalculados pelo Dr. Lee
Spetner (possuidor cle um diploma de física, do MIT) indicam que os
evolucionistas estão errados ao concluir que basta um pequeno nú
mero de alterações positivas da mutação para controlar uma popula
ção. Esse número deverá ser imenso. E, nesse ponto, estamos falan
do apenas sobre como aperfeiçoar uma população, e não sobre trans
formar uma lagarta num pássaro.
1 1 2
M u t a ç õ e s : U m M e c a n is m o D e f e it u o s o pa ra a E v o l u ç ã o
/l.v Mutações São Iguais aos Erros de Digitação
Uma das maneiras mais fáceis de entender porque as mutações
são quase sempre negativas é olhar para elas como se fossem erros
de datilografia. Essencialmente, é isso que elas são: erros ao transmi
tir informações. Quando uma molécula de DNA é copiada, e ocorre
um erro, isso seria igual a datilografar uma mensagem e, de repente,
bater na tecla errada. Quais são as probabilidades de que isso redun
dará numa melhoria? Temos aqui um exemplo bem simples:
A raposa correu celeremente
A rapsa correu celeremente
A rapjosa correu celeremente
A rabosa correu celeremente
A ratosa correu celeremente
A ralosa correu celeremente
A ramosa correu celeremente
A rasosa correu celeremente
A rafosa correu celeremente
A raxosa correu celeremente
A raposd correu celeremente
A radosa correu celeremente
A rapisa correu celeremente
A racosa correu celeremente
A ragosa correu celeremente
A rapusa correu celeremente
A ranosa correu celeremente
A ravosa correu celeremente
A rarosa correu celeremente
A razosa correu celeremente
É difícil melhorar uma sentença quanclo ela tem um erro, não é? O
mesmo acontece com o DNA, que foi pré-programaclo para uma fina
lidade específica. O erro elim in ará qu a lqu er informação.
As Mutações não Acrescentam Informações
Presumindo que a mutação é o mecanismo para as mudanças cia
evolução, ela. então, deveria ser capaz de acrescentar novas informa
ções a fim de desenvolver organismos mais sofisticados. Se os primeiros
organismos tivessem sido monocelulares, com talvez apenas 100 mil
pares de DNA, e agora temos os homens, que são imensamente mais
complexos, com 3,2 bilhões de pares de DNA, alguma informação deve
ter sido incorporada 110 decorrer cio tempo. Como jádisseram, “Sem a
mutação não poderia haver a evolução”. Em outras palavras, se as muta
ções não podem acrescentar informações, não pode haver evoluçâo:
1 1 3
E x a m in e as E v id ê n c ia s
Mas o que já se conhece, ou pelo menos pelo que co
nheço, não existem tais exemplos [de mutações acres
centando informações].1=1
Ao fazer esta afirmação, o Dr. Lee Spetner não está dizendo que
não existem mutações que podem ajudar as criaturas a sobreviver.
Mas indicando que essas mutações mudam simplesmente a função
de um gene — e que nada acrescentam.
r________CONCEITO-CHAVE -------------------------------
As m utações n ão acrescen tam in fo rm a ções— elas c a u
sam o sen desaparecim ento.
Exemplos de Perda de Informações
Todas as mutações mencionadas foram estudadas e mostraram
que não só nenhuma informação nova foi acrescentada, como tam
bém ela pode ter desaparecido. Vamos analisar alguns casos em par
ticular:
• B actérias resistentes à estreptom icina. Algumas bactérias tor
naram-se resistentes ao antibiótico estreptomicina através da
mutação. Normalmente, uma molécula desse medicamento se
liga ao centro de reprodução das células, localizado no
ribossomo da bactéria, interferindo assim com a sua capacida
de de produzir as proteínas necessárias. (Os mamíferos não
têm esse mesmo centro nos seus ribossomos, portanto essa
droga não lhes faz nenhum mal).
As mudanças ocorridas na bactéria, por causa da mutação, al
teram a estrutura desse centro, de modo que ele se torna imu
ne à futura ação do medicamento. Essa mutação acrescenta um
valor cie sobrevivência à bactéria, que é hereditário, mas não
acrescenta nenhuma informação nova. Além disso, a perda da
especificidade (informação) que ocorre no ribossomo provoca
uma degradação na performance geral da bactéria.16
1 1 4
M u t a ç õ e s : U m M e c a n is m o D e f e it u o s o para a E v o l u ç ã o
• Insetos resistentes a o DDT. Da mesma maneira, alguns insetos
desenvolveram mutações que lhes permitem ser resistentes ao
DDT. A função cio DDT é introduzir moléculas venenosas aos
centros reprodutores, localizados nas membranas das células
nervosas dos insetos. As mutações prejudicam a reprodução e
tornam ineficiente o veneno. Novamente, nenhuma nova in
formação foi acrescentada, houve apenas uma mudança. En
tretanto, o DDT sobrevivente começa a perder sua especificidade
nas proteínas das células nervosas.17
• Resistência dos ursos p o lares a o fr io . O urso polar adaptou-se
esplendidamente ao seu frígido ambiente. Entretanto, as muta
ções que ocorreram para essa sua adaptação irão diminuir a
sobrevivência do animal no caso de acontecer alguma modifi
cação no seu meio ambiente.
• M aior p rod u çã o de grãos e vegetais. A produção de muitas plan
tas comestíveis foi aumentada através de mudanças introduzidas
nos seus genes reguladores. Embora as células passassem a
fornecer maior nutrição protéica, o custo desse processo é a
perda da especificidade nas proteínas reguladoras da planta.
Novamente, nenhuma informação nova foi acrescentada.18
• M aior p ro d u çã o do g ad o leiteiro. O gado leiteiro, criado para
produzir maior quantidade de leite, apresentou uma diminui
ção na fertilidade. Houve, novamente, uma total perda de in
formação. 19
Uma série de experiências realizadas durante 20 anos por pesqui
sadores da evolução sugeriu, originalmente, que as culturas de bacté
rias poderiam realmente acrescentar informações formando, assim,
uma possível base para uma macroevolução. Entretanto, avaliando
detalhadamente essas experiências,
Vemos que nenhuma informação adicional foi acrescen
tada ao genoma. Na verdade, o que se observou é que
cada uma dessas mutações provocou perda de informa
ções. Elas fizeram com que o gene se tornasse menos
específico. Portanto, nenhuma delas pocle desempenhar
1 1 5
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
o papel dos pequenos passos que, supostamente, levari
am a uma macroevolução.20
Resumindo nossos argumentos originais, se as mutações não acres
centam informações, e se esta adição de informações também é ne
cessária, então a macroevolução possivelmente não poderá ocorrer.
Análise Estatística da Probabilidade de as Mutações
Levarem a uma M acroalteração
O Dr. Lee Spetner analisou a probabilidade do desenvolvimento
de novas espécies por meio da mutação.21 Para fazer sua análise, ele
preferiu selecionar cavalos porque, muitas vezes, eles são usados
como exemplos da evolução.
A fim de calcular as chances de a mutação criar novas espécies
precisamos saber:
1. quais as chances de se obter uma mutação
2. qual fração das mutações apresenta uma vantagem seletiva
3. quantas réplicas existem em cada passo da cadeia da seleção
4. quantos desses passos serão necessários para se obter novas
espécies.
Quais as chances de se obter uma mutação? Consideráveis pesqui
sas têm sido desenvolvidas sobre a chance de se obter uma mutação. Os
estudos indicam que a probabilidade de ocorrer uma mutação varia cie
acordo com a espécie. Por exemplo, as bactérias apresentam o maior
número de mutações, com um índice entre 1 e 10 por bilhão de transcri
ções. (Voltando ao nosso exemplo de datilografia, isso seria igual a um
erro em 50 milhões de páginas datilografadas — a produção de uma vida
inteira de cerca de 100 teclados profissionais.) Entretanto, outros organis
mos apresentam um índice de mutação de 1 em 10 bilhões (1010 ).22 Por
tanto, usaremos um índice de mutação igual a 10~10
Qual fração das m utações apresenta um a vantagem seletiva?
A fim de criar uma vantagem seletiva que possa nos levar a novas
espécies, uma mutação deve ter dois componentes:
1 1 6
M u t a ç õ e s : U m M e c a n is m o D e f e it u o s o pa ra a E v o l u ç ã o
® Deve ter um valor seletivo positivo (“ajudar” as espécies).
® Deve acrescentar uma pequena informação ao genoma.
Como vimos anteriormente, esse segundo componente apresenta
um problema. Não temos nenhuma evidência de que as mutações
acrescentaram informações ao genoma de um organismo. Entretanto,
no interesse dessa análise, vamos presumir que isso seja possível e,
então, continuar.
O primeiro com ponente também apresenta um problema.
Quantas mutações deveriam ocorrer para chegarmos a um valor
seletivo adequado para aperfeiçoar uma determinada população?
Sir Ronald Fisher admite que seriam necessárias “muitas” mutações,
de acordo com o que já observamos antes. Uma mutação mínima
seria aquela que ocorreu num único nucleotícleo, e alguns biólogos
(por exemplo, Richard Dawkins) entendem que mesmo uma míni
ma mutação pode desencadear uma modificação macroevolucionária.
Vamos presumir, a essa altura, que não sabemos quantas mutações
seriam necessárias para se obter um valor adequado de seleção
para uma macromodificaçâo para depois continuarmos com nossa
análise.
Quantas réplicas seriam necessárias para form ar novas espé
cies? Quanto menor for a mudança ocorrida em cada passo da cadeia,
mais passos serão necessários. Um outro arquiteto clo neodarwinismo,
o falecido G. Ledyard Stebbins, calculou que seriam necessários 500
procedimentos para criar uma nova espécie.23 Então, a questão passa a
ser, quantos nascimentos seriam necessários para que ocorresse um
pequeno passo evolucionário? Paleontólogos que estudaram cavalos
durante o seu teórico desenvolvimento de 65 milhões de anos fornece
ram informações ao I3r. Spetner que o levaram a concluir que seriam
necessários cerca de 50 milhões de nascimentos.
Voltando ao problem a das m utações benéficas. Qual fração
da mutação deveria ser tão favorável (adaptadora) que criasse uma
seleção benéfica? Ninguém sabe realmente, exceto que, segundo
Fischer, elas deveriam ser “muitas”. Então, a fim de continuar, vamos
1 1 7
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
examinar melhor a questão e ver quantas mutações benéficas seriam
necessárias para fazer com que a evolução “funcionasse”. Dessa ma
neira, poderemos julgar se esse númeroseria ou não verdadeiramen
te real.
Precisamos começar dando um certo “valor” a uma evolução “típi
ca”. Esse valor indicaria a contribuição feita pela mutação a uma
benéfica mudança de espécie. O falecido George Gaylord, geralmen
te reconhecido como o “decano dos evolucionistas” indicou um “va
lor freqüente” de cerca cie um décimo de porcentagem.-1 Spetner usa
esse valor nos seus cálculos.
Sobrevivência das m utações. “Em seguida", diz Spetner, “passa
remos para os cálculos usados por Fisher, especialista em evolução e
genética das populações, de que para única mutação, que tenha um
décimo da porcentagem do valor seletivo, as probabilidades da sua
sobrevivência serão de 500 contra 1. Deveria haver 1100 delas para
se chegar a 90% de chances de sobrevivência”.2’
Começamos agora a ver o problema das mutações em relação
aos passos entendidos como necessários à evolução do cavalo. Pri
meiro, deve ocorrer uma mutação positiva (com um adequado va
lor seletivo), depois ela precisa sobreviver e, em seguida, dominar
uma população. A chance de essa mutação se apresentar na popu
lação é de 1 em 600 (1/600). Se ela tiver um elevado valor seletivo,
de um décimo de porcentagem, a sua chance de sobreviver será de
1 em 500 (1/500). Assim sendo, as chances de essa mutação se
apresentar, sobreviver e dominar uma população serão de 1/600 X
1/500 = 1/300.000. Mas existe um outro problema estatístico para os
evolucionistas quando usamos os seus próprios números ao fazer
os nossos cálculos. A chance acima de 1 em 300.000 é simplesmen
te para um único passo num total de 500 passos, considerados como
necessários para efetuar uma mudança evolucionária. A fim de cal
cular o que seria necessário para que todos os 500 passos se apre
sentassem, presumindo uma ausência de erros, teríamos que multi
plicar o número 1/300.000 por si mesmo 500 vezes. Nosso resultado
seria 2.7/1027W
1 1 8
M u t a ç õ e s : U m M e c a n is m o D e f e i t u o s o p a ra a E v o l u ç ã o
Esta é vima probabilidade que os estatísticos chamam de impos
sível. Seria como ganhar 391 loterias em seguida com um único
bilhete em cada uma delas. E elevemos ter em mente o seguinte:
• Esta é apenas u m a m u d an ça na escala da evolução.
• Usamos os núm eros fo rn ec id o s pelos evolucionistas.
• Nós nos sujeitam os a argum entações qu e acred itam os serem
fa lsas, tais como a afirmativa de que uma mutação pode acres
centar informações.
Quando submetemos a idéia evolucionária da mutação a uma
análise crítica descobrimos que não existem provas de que as muta
ções acrescentem informações. Usando os números e as suposições
dos evolucionistas para avaliar a probabilidade de as mutações resul
tarem em uma única espécie aperfeiçoada, chegamos a um resultado
impossível.
V,x
Avalie o que Você Aprendeu
1. Quantas mutações a evolução exige que tenham ocorrido, des
de a primeira célula, para que tenhamos as espécies que pos
suímos hoje?
2. Quais são as exigências para que uma mutação seja transmiti
da?
3. Cite dois problemas críticos da teoria de que as mutações po
dem criar espécies novas e superiores.
4. Quais são os exemplos comumente mal interpretados de as
mutações produzirem “espécies novas e superiores” que, na
verdade, são exemplos de microevolução?
5. Qual é a probabilidade estatística de uma única mudança
evolucionária?
1 1 9
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
Capítulo 6 — Grupo de Estudo
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: o capítulo 6 deste texto. Familiarize-se com o apêndice B.
Também navegue por www.evidenceofgocl.com e familiarize-se com
as ferramentas a respeito de criação versus evolução.
O ração de Abertura
D iscussão: Discuta a análise de Spetner sobre uma mutação
evolucionária (pp. 116 -119). Procure fazer com que todos entendam
os cálculos matemáticos e sejam capazes de explicar, em termos ge
rais, como as mutações — mesmo que pudessem acrescentar infor
mações — seriam impossíveis.
Atividade Prática
A tividade d e In terpretação: O cristão está falando com um concei
tuado professor de biologia de uma escola que ensina a evolução. O
objetivo é criar dúvidas na mente dos incrédulos de que as mutações
sejam um mecanismo viável para a evolução.
O ração de Encerram ento
1 2 0
http://www.evidenceofgocl.com
A Irredutível Complexidade: Um
Grande Problema Transicional
m pré-requisito da evolução neodarw iniana é que as
infinitesimais mudanças ocorridas no sistema de um organismo de
vem ter acontecido ao longo de grandes períodos de tempo. Isso
levanta uma questão: O que acontece quando um grande número de
mudanças muito complexas acontece ao mesmo tempo — para que
um “sistema aperfeiçoado” (como a visão) funcione? Um sistema que
exige várias e importantes mudanças simultâneas para funcionar tem
o nome de sistema de “complexidade irredutível”.
De Darwin até o evolucionista Richard Dawkins, as afirmações
evolucionárias foram feitas por meio da observação do aspecto exte
rior dos organismos — as m acraporções. Elas parecem ter sido facil
mente projetadas do lado cle fora, mas a história é inteiramente dife
rente do lado de dentro.
Tome um automóvel como exemplo de um sistema de complexi
dade irredutível. Se levarmos em conta apenas um típico motor de
automóvel, ele poderia ser fragmentado em centenas de partes, todas
elas vitais ao funcionamento do carro. O mesmo acontece com o
movimento de um trem. Mas os sistemas vivos, em nível celular, são
infinitamente mais complexos cio que uma simples estrutura de um
carro, de um motor, ou do movimento de um trem. Precisaríamos
não só incluir o equivalente ao tanque de gasolina, as velas de igni
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
ção, os relês, radiadores, as tubulações do combustível, os pistões, os
sistemas de ignição eletrônica, as bombas, os sistemas de exaustão...
bem, nós também teríamos que incluir alguns trilhões de outras par
tes — tudo junto exatamente ao mesmo tempo. Isso faz dos sistemas
vivos um complexo irredutível de grau extremo.
Michael Behe, conhecido biólogo molecular, autor do livro
D anvin's B lack B ox — e campeão do conceito de com plex idade
irredutível faz a seguinte descrição:
Qual tipo de sistema biológico não poderia ser formado
por “numerosas, sucessivas e ligeiras modificações” [A
premissa da teoria evolucionária]?
Bem, para começar, um sistema que tem uma complexi
dade irredutível. Quando falo complexidade irredutível
estou querendo dizer um único sistema composto por
várias partes, bem combinadas e interagindo, e que con
tribuem para a função básica, porquanto a remoção cle
qualquer uma dessas partes fará com que o sistema dei
xe efetivamente de funcionar.1
Como acontece com o exemplo acima, do carro, se a p roposta
m acro ev o lu ção d e um sistem a n ã o p o d e a c o n tec er g rad u alm en te,
e se o sistem a fo r n ecessário p a r a au m en tar o va lor d e sobrev ivên
c ia d e u m a espécie, en tão esse sistem a n ão p o d e r ia ter resu ltado d e
p rocesso s evolu cion ários.
Um Exemplo Básico da Complexidade Irredutível
Behe explica a premissa básica deste modelo utilizando uma sim
ples ratoeira.
Veja que os componentes dessa ratoeira incluem:
1. Plataforma
2. Martelo
3. Mola
4. Lingüeta
5. Barra de Fixação
1 2 2
A I r r e d u t í v e l C o m p le x id a d e : U m G r a n d e P r o b le m a T r a n s i c i o n a l
Martelo Mola
Barra de
Fixação
Lingüeta Plataforma
Se colocarmos a ratoeira no contexto da evolução gradual, po
demos imaginar apenas a plataforma evoluindo e permanecendo
na população. Entretanto, por si só ela não tem nenhum valor de
sobrevivência, portanto com toda probabilidade iria desaparecer.
H certamente não pegaria nenhum camundongo. Da mesma for
ma, o martelo poderia evoluir dentro de uma população durante
algum tempo, mas novamente, se não tivesse nenhum valor de
sobrevivência em si mesmo, provavelmente também iria desaparecer da população. O mesmo poderia ser dito para cada um dos
outros componentes. A fim de que qualquer parte tivesse o valor
de pegar ratos, todas a s p artes d everiam estar d ispon íveis a o m es
m o tem po — sem dizer com as informações necessárias e a ener
gia para montar a ratoeira.
No entanto, esse exemplo básico está simplificando demais as coi
sas, Se a plataforma não é bastante forte, ela não funcionará — não
suportará a tensão da mola e do martelo. Se a mola não é suficiente
mente forte, ela não funcionará — não projetará a força necessária
para matar um rato. Se a lingüeta for muito curta, não alcançará o
martelo... e assim por diante.
1 2 3
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
Os Sistemas Celulares São muito mais Complexos
que a Ratoeira ou o Automóvel
Pense numa macromudança que está envolvendo um sistema de
células. A complexidade desse sistema celular é imensamente maior
que a complexidade de todas as instalações industriais do mundo em
conjunto. Pense na indústria ATP de motores em comparação com
uma mitocôndria — sem mencionar todas as outras funções que as
células devem executar — e na complexidade das instruções do DMA
que vimos anteriormente.
Na época de Darwin seria admissível examinar os variados tipos
de bico dos pássaros e, num sentido macro, presumir que um pássa
ro havia evoluído a partir de outro pássaro. Mesmo na metade do
século XX era talvez justificável afirmar que os macacos e os homens,
por causa da sua aparência, eram semelhantes. Atualmente, com a
biologia molecular, vemos que isso não é verdade. Com o microscó
pio eletrônico, a cristalografia, os Raios-X e as imagens por ressonân
cia magnética nuclear, pode-se examinar a verdadeira composição
dos genes e a função das células vivas.
Michael Behe faz uma relevante observação. Quando, no início
do século XX, a teoria neodarwiniana estava sendo sintetizada, havia
um grupo importante que se manteve ausente — os biólogos
moleculares. Por que? Porque não existia nem a disciplina, nem as
suas ferramentas! Como no exemplo abaixo, a maior parte da crítica
à irredutível complexidade é feita por biólogos que ainda não apren
deram, a “pensar pequeno”.
• A prem issa do olho humano, como foi discutida por Francis
Hitching:
É bastante evidente que se a menor coisa der errado
no caminho — se a córnea estiver indistinta, ou a pu
pila deixar cie dilatar, ou o cristalino se tornar opaco,
ou a focalizaçào não der certo — então uma imagem
reconhecível não será formada. O olho funciona como
um todo ou não funciona. Então, como poderia ter
1 2 4
A I r r e d u t ív e l C o m p l e x id a d e : U m G r a n d e P r o b l e m a T r a n sic io n a l
evoluído a partir dos aperfeiçoamentos Darwinianos,
lentos, invariáveis e infinitamente pequenos? Será real
mente plausível que centenas e centenas cle felizes
chances de mutação aconteceram coincidentemente de
modo que as lentes e a retina, que só podem funcionar
em conjunto, evoluíram em sincronia? Que valor de
sobrevivência pode existir num olho que não vê?2
• A Resposta do zoólogo Richard Dawkins ao argumento de
Hitching:
[Hitching] também afirma, como se fosse óbvio, que
o cristalino e a retina não podem funcionar um sem
o outro. Com que autoridade? Alguém muito próxi
mo fez uma operação de catarata nos dois olhos.
Antes, ela não tinha nenhum cristalino. Sem óculos
não podia nem com eçar a jogar tênis ou mirar um
alvo. Mas me garantiu que as pessoas se sentem
muito melhor com um olho sem cristalino, do que
se não tivessem nenhum olho. Você pode dizer se
está caminhando em direção a uma parede ou se
vai dar de encontro com outra pessoa. Se fosse uma
criatura selvagem, certamente usaria o seu olho sem
cristalino para detectar a imagem assustadora de
um predador, e a direção de onde ele viria se apro
ximando.3
Por que a afirmação cle Dawkins está ultrapassada? Por causa das
inerentes implicações de que o olho poderia ter evoluído cle acordo
com macro etapas parciais (por exemplo, sem o cristalino). Ela tam
bém conclui que o restante do olho — o incrível complexo da retina e
das suas células sensíveis à luz — representa um todo e que tudo
poderia ter evoluído simultaneamente. Essa ultrapassada forma de pensar
não pode mais ser justificada por causa das evidências obtidas a partir
da bioquímica molecular. Se a evolução vai funcionar, ela deverá fun
cionar em nível celular, ou não funcionará de forma alguma.
1 2 5
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
......- CONCEITO-CHAVE
Um complexo sistema irredutível é aqu ele que exige a
ocorrên cia sim ultânea cie im portantes m u dan ças a f i m
d e p o d er fu n cion ar. Com o a evolu ção exige um a m u dan
ça. g ra d u a l e com o muitos sistem as dos organism os vivos
fo rm a m um com plexo irredutível, conclu i-se qu e a evo
lu ção n ão é possível.
Estabelecendo uma Análise Real
Para se chegar ao valor macro para uma população, as mutações
devem ser positivas, elas precisam sobreviver e ter um valor seletivo
suficientemente elevado — cerca de 1%. (Analisamos esse assunto
no capítulo 7). Para um sistema tão útil como o sistema ocular deví
amos ser capazes de admitir que o valor seletivo precisa ser suficien
temente elevado.
O problema vai se tornar aparente com o enorme número de
mutações que seriam necessárias para termos todos os respectivos
subsistemas funcionando numa mutação simultânea. Afinal de con
tas, em se tratando do olho humano, consideramos que isso seria
mais do que justo para as partes facilmente visíveis — a córnea, a
íris, a pupila. Também temos que levar em conta o cristalino, os
músculos ligados a ele, a retina com seus 120 milhões de bastonetes
e 7 milhões de células cônicas, e muitas outras partes, sem mencio
nar o nervo que precisa saber como processar as informações. Cada
um desses subsistemas é formado por incontáveis células — sendo,
cada uma, uma pequena “fábrica”.
Vamos considerar a parte básica mais simples — a célula sensí
vel à luz (um simples bastonete ou cone). Iremos examiná-la a par
tir de um modelo bioquímico. O texto abaixo é a paráfrase de uma
descrição de Michael Behe, encontrada no seu célebre livro, Darwin 's
B lack Box:'
126
A I r r e d u t ív e l C o m p l e x id a d e : U m G r a n d e P r o b l e m a T r a n sic io n a l
Ciclo Bioquímico de uma Célula Sensível à Luz
1. A luz atinge a célula e um fóton interage com uma molécula
chamada 11-cis-retinal.
2. Isso se ajusta dentro de picosegundos (o tempo que a luz leva
para viajar na largura de um fio de cabelo) e se transforma
numa célula trans-retinal.
3. A mudança no formato da molécula retinal obriga uma mu
dança no formato da proteína rodopsina à qual a molécula
retinal está firmemente ligada.
4. A metamorfose ocorrida na proteína altera o seu comporta
mento — ela agora passa a se chamar m etarodopsina II.
5. A proteína alterada se liga a outra proteína chamada transducin.
6. Antes de se ligar à m etarod op sin a II, a tran sdu cin havia es
tado fortemente ligada a uma pequena molécula chamada
GDP.
7. Quando a trcmsducin interage com a m etarodopsina II, a mo
lécula GDP deteriora e uma molécula chamada GTP se liga à
transducin.
8. Agora a GTP-transducin-m etarodopsina //liga-se a uma prote
ína chamada fosfodiesterase, localizada na membrana interior
da célula.
9. Quando ligada ao grupo da m etarodopsina II a fosfodiesterase
adquire a capacidade química de “cortar” as moléculas chama
das cGMP da célula. A fosfod iesterase diminui a concentração
de cGMP, cla mesma maneira como uma tampa diminui o nível
de água de uma banheira ao ser removida.
Uma outra proteína da membrana, que se liga à cGMP, é chamada
de ca n a l d e íons. Ela age como uma porta de entrada para regular o
número de íons de sódio que fluem para dentro da célula. Normal
mente, o canal de íons permite que os íons de sódio penetrem na
1 2 7
E x a m in e as E v id ê n c ia s
célula, enquantouma outra proteína bombeia ativamente esse sódio
para fora novamente.
A ação do canal de íons, e a sua eliminação, mantêm o nível de
íons de sódio no interior da célula dentro de um limite reduzido.
10. Quando a concentração de cGMP fica reduzida por causa da
clivagem feita pela fosfocliesterase, o canal de íons se fecha,
fazendo com que a concentração celular de íons de sódio po
sitivamente carregados fique reduzida.
11. Isso faz com que seja transmitida uma corrente elétrica ao
longo do nervo ótico até o cérebro.
12. O resultado, quando interpretado pelo cérebro, é a visão.
Se as reações mencionadas acima fossem as únicas a operar
dentro da célula, fornecimento de 11-cis-retinal, cGMP e de
íons de sódio iria rapidamente diminuir. Alguma coisa deveria
desligar as proteínas que estavam funcionando e devolver a
célula ao seu estado original.
No escuro, o canal de íons, além dos íons de sódio, também
permite a entrada de íons de cálcio para dentro da célula. O
cálcio é bombeado para fora por uma proteína diferente, de
modo a manter a uma constante concentração de cálcio.
13. Quando os níveis de cGMP diminuem, fechando o canal de
íons, a concentração do íon de cálcio também diminui.
14. A reação enzimática da fosfocliesterase, que destrói a cGMP,
diminui até alcançar uma concentração mais baixa de cálcio.
15. Uma proteína chamada gucinilato ciclase começa a sintetizar no
vamente a cGMP quando os níveis de cálcio começam a baixar.
16. Enquanto tudo isso acontece, a metarodopsina II é modificada
quimicamente por uma enzima chamada rodopsinaquinase.
17. A rodopsina modificada liga-se então à uma proteína cha
mada arrestin que impede a rodopsina de ativar mais trans-
1 2 8
A I r red u tív el C o m plex id a d e : U m G rande P ro blem a T ransicional
ducin. (Vemos, portanto, que a célula contém mecanismos
para limitar a amplificação do sinal que começou com um
simples fóton.)
18. A trans-retinal diminui a quantidade de rodopsina e deve ser
convertida novamente em 11-cis-retinal. Ela precisa ser religada
à rodopsina para voltar ao ponto de partida para dar início a
outro ciclo visual.
19- Para que isto seja feito, a trans-retinal é primeiramente modifi
cada quimicamente por uma enzima e se torna o trans-retinol
— uma forma que contém dois ou mais átomos de hidrogênio.
20. Em seguida, uma outra enzima converte a molécula para 11-
cis-retinol.
21. Finalmente, uma terceira enzima remove os átomos de hidro
gênio previamente introduzidos para formar o 11-cis-retinal,
e o ciclo se completa.
Todo esse processo leva apenas alguns picosegundos — e se repe
te em 12 7 m ilhões de bastonetes e cones cie c a d a olho.
Observamos, imediatamente, que esse processo é muito mais com
plexo do que Darwin, ou qualquer outro biólogo, poderia jamais
imaginar. É bastante difícil imaginar como a evolução poderia ter
organizado toda estrutura dos bastonetes e cones. Mas a verdadeira
dificuldade se apresenta quando analisamos cada célula e, especifi
camente, aquilo que elas fazem. A omissão de um simples passo, dos
21 relacionados acima, iria resultar em falta de visão. Portanto, as
mutações que devem ocorrer para criar um centro sensitivo à luz
podem ser generalizadas em quatro estágios:
1. A cúm ulo d as bases m olecu lares necessárias para realizar o pro
cesso num único local, em primeiro lugar.
2. A gregação dos elem entos estruturais num sistem a m ecân ico a
fim de permitir o funcionamento do sistema químico.
3. D esenvolvim ento do com plexo processo descrito acima, que re
sulta em impulsos eletrônicos para o cérebro.
4. E n sin ar o cérebro a interpretar estes sinais.
1 2 9
E xa m in e as E vid ên c ia s
O conceito da complexidade irredutível indica que tudo que foi
descrito acima teria que acontecer de forma simultânea, pois qual
quer centro que fosse apenas parcialmente sensível à luz não teria
qualquer valor de sobrevivência. E se não houvesse esse valor, a(s)
mutaçâo(ões) iria(m) desaparecer.
Enfrentando os Dados
Será que, realmente, as mutações iriam produzir randomicamente
um centro sensível ã luz numa população? Poderíamos argumentar
que as necessárias bases m oleculares podiam ser agregadas,
randomicamente, num único centro.
Mas, no minuto em que passamos para o estágio 2, o problema se
torna substancialmente maior. Agora estamos pedindo que as muta
ções agreguem um número considerável de informações — como
estruturar alguma coisa simultaneamente com todas as outras que
devem acontecer ao mesmo tempo.
O problema atinge um ponto extremo quando passamos para o
estágio 3. Agora, serão necessárias imensas quantidades de infor
mações para a mutação (reveja simplesmente a complexidade do
sistema de 21 passos descrito acima). Nesse ponto, seria necessário
que as moléculas, a estrutura correta e um sistema químico extre
mamente complicado, tivessem todos sofrido uma mutação exata
mente ao mesmo tempo. A derradeira questão será a necessidade
do imediato entendimento do cérebro de como usar esse novo input
nervoso.
Na verdade, 127 milhões dessas células sensíveis à luz terão
que se agregar num único olho. Mas para que o olho com ece a
funcionar, serão indispensáveis muitas outras partes, cada uma
com suas próprias complexidades irredutíveis: o nervo ótico, o
conteúdo do globo ocular, o cristalino, a córnea, os músculos etc.
E se todas essas partes individuais do complexo irredutível não
puderem se agregar ao mesmo tempo por meio de mutações si
multâneas, o valor de sobrevivência do olho será inútil. (Nova
mente, você não poderá apanhar vários camundongos usando
apenas um pedaço de madeira.)
130
A I rred u tív el C o m plex id a d e : U m G rande P ro blem a T ransicional
Logicamente, não parece concebível que um imenso número des
sas necessárias, complexas e integradas mutações pudesse ter lugar
simultaneamente a fim de formar todos esses sofisticados sistemas.
Além disso, devemos ter em mente aquilo que vimos no capítulo
anterior:
• As mutações positivas são muito raras.
• As mutações geralmente não sobrevivem numa população.
• As mutações não agregam informações.
• Para o desenvolvimento de um sistema complexo, um grande
número de mutações positivas simultâneas teria que sobrevi
ver e dominar uma população.
De acordo com o que observamos em Darwin, não foi levada em
conta a necessidade da presença dos componentes da complexidade
irredutível nos modelos biológicos da evolução naturalista. Essa é
uma outra questão que ainda não foi respondida pelos adeptos do
neodarwinismo. Em resumo, a complexidade irredutível parece apontar
novamente em direção a uma evolução alternativa — em direção a
um projetista inteligente (Deus).
V
Avalie o que Você Aprendeu
1. Defina o que é a com plex idade irredutível e depois clê alguns
exemplos para explicá-la.
2. Por que uma simples ratoeira seria uma com plexidade
irredutível?
3. Descreva, de maneira geral, como o olho humano poderia ter
uma complexidade irredutível muito maior que uma ratoeira.
4. O que você acha que Darwin iria pensar sobre a complexidade
irredutível? Por quê?
5. Como o problema das mudanças da mutação combina com o
problema da complexidade irredutível para se tornar um pro
blema extraordinariamente grande?
1 3 1
-
Capítulo 7 — Grupo de Estudo
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: o capítulo 7 deste texto e o apêndice B. Também navegue
por www.evidenceofgod.com e familiarize-se com as ferramentas a
respeito de criação versus evolução.
Oração de Abertura
Discussão: Num grupo, faça uma relação dos sistemas cio corpo
humano que representam um complexo irredutível. Discuta cada um
deles e reveja como poderia explicar esse conceito às pessoas que
acreditam na evolução
Atividade Prática
Entrevista para a TV: O repórter leva o cristão para o estúdio a fim
de entrevistá-lo sobre o “novo” conceito da complexidade irredutível.
Explique como ele funciona de forma que a maioriados ouvintes
possa entender.
O ração de Encerram ento
E xa m in e as E vid ên c ia s
132
http://www.evidenceofgod.com
Parte
Evidência da Existência de Deus na
Criação: Resumo e Conclusão
1. A criação e a macroevoluçâo naturalista são mutuamente exclu
sivas; cenários independentes mostram como as coisas aconte
ceram. Se alguma coisa surgiu através de algum fato randômico,
ela não poderia ter sido criada, e vice-versa. Portanto, se uma
pode provar que é verdadeira — ou falsa — isso iria compro
var a inveraciclade da outra.
2. Sabemos agora (pela teoria da relatividade geral de Einstein)
que o tempo, o espaço e a matéria tiveram um começo. Como
a primeira lei da termodinâmica indica que a matéria e a ener
gia não podem ser criadas (ou destruídas) a causa primeira da
existência teria que estar fora das dimensões tempo-espaço.
3- Sabemos que se as coisas existentes tivessem sido formadas
randomicamente — a vida, em particular — elas deveriam ter
sido criadas por um projetista inteligente. Somente através da
observação podemos nos maravilhar perante a complexidade
do projeto que se apresenta em toda a forma de vida. Um
“nome” para esse projetista inteligente é “Deus”.
4. Podemos raciocinar que a base da evolução, como está sendo
ensinada em muitas escolas, é estritamente a base de uma ci
ência teórica que poderia ser, também, a base para que a cria-
E xa m in e as E vid ên cia s
cão fosse o resultado cla evolução. Em muitos casos, os mitos
são usados intencionalmente para enganar as pessoas, como
nos casos em que a microevolução é usada numa tentativa de
dar suporte à macroevolução.
5. Sabemos que os registros fósseis em nada contribuem para o
apoio à evolução. Mesmo os melhores paleontólogos reconhe
cem suas fraquezas. Por exemplo, o registro dos fósseis, em
especial a explosão Cambriana, no país cie Gales, é mais uma
indicação da criação tal como foi descrita na Bíblia.
6. Acreditamos que o relato da criação, como está indicado na
Bíblia, é consistente com o conhecimento científico. Da mes
ma forma, as outras referências feitas na Bíblia também são
consistentes com a ciência.
7. Podemos agora determinar a vasta complexidade dos eventos ne
cessários a qualquer desenvolvimento randê>mico proposto para
uma célula viva. Somente o problema da quiralidacle é suficiente
para tornar insustentável o conceito randômico cla origem da vida.
8. Além do problema matemático da quiralidade existem muitos ou
tros problemas estruturais, tal como a seleção cios aminoácidos
“corretos" e os componentes do DNA, a seqüência dos genes, a
localização dos aminoácidos e outros. As probabilidades contra a
agregação randômica dos componentes das células são astronô
micas c sua ocorrência seria certamente impossível dentro de um
universo de tempo de alguns meros 14 bilhões de anos ou mais.
9. As alterações da mutação, como mecanismo para o desenvolvimen
to clas espécies, é um conceito irracional. As mutações destroem as
informações quando, para terem sucesso, elas precisam agregar
informações (considere o número crescente de informações neces
sárias para passar de uma criatura monocelular para um ser huma
no). As mutações sempre são virtualmente destruidoras e uma pe
quena porção de mutações positivas iria matematicamente, e quase
sempre, desaparecer numa população. As mutações são diferentes
das variações genéticas, que são introduzidas nas espécies para
melhorar sua chance de sobrevivência.
1 3 4
P a rte 1 : R esu m o e C o n clu são
10. A complexidade irredutível torna irracional a idéia da transi
ção de uma espécie para outra por meio de um dramático
aperfeiçoamento (como a adição de um olho).
Finalmente, mesmo os evolucionistas que escrevem livros e
artigos em jornais sobre como funciona a evolução, indicam
que cada fase do processo evolucionário está cheia de incerte
zas e problemas. Se os evolucionistas não podem comprovar
suas próprias teorias, e se admitem ter problemas em todo o
sistema proposto, como alguém pode acreditar que ele
corresponda à verdade? Por outro lado, existe uma enorme
evidência de que a evolução é matematicamente e estatistica
mente (usando provas naturais) impossível.
11. Por outro lado, a evidência realmente apóia o relato da criação
registrado na Bíblia. O registro científico dá suporte às fases da
criação como estão descritas na Bíblia.
12. A descoberta científica da explosão Cambriana serve de apoio
à criação.
13. A admirável complexidade do projeto dos sistemas vivos —
que se encontra muito além dos processos naturalísticos esta
tisticamente racionais — dá suporte à criação.
14. A presença, nos organismos vivos, de muitos sistemas de com
plexo irredutível dá suporte à criação.
15. O fato de a matéria inerte tornar-se “viva”, por sua própria
conta, dá suporte à criação (considerando que a “geração es
pontânea" é um mito não científico).
1 3 5
I
Evidência da Confiabilidade
da Bíblia
____ Um V e r s íc u lo p a ra M e m o r i z a r ------------
Toda Escritura d iv inam en te insp irada é proveitosa p a r a
ensinar, p a r a redargüir, p a ra corrigir, p a r a instruir em ju s
tiça, p a r a qu e o hom em d e Deus seja perfeito ep er fe itam en
te instruído p a r a toda boa obra (2 Tm 3.16,17).
foi inspirada por Deus é de profunda importância. Em essên
cia, a Bíblia afirma ter a suprema autoridade sobre a "justi
ça" (isso quer dizer, um "correto" relacionamento com Deus,
que inclui a salvação eterna) e também sobre a nossa vida
na terra. Se pretendermos conceder à Bíblia essa autoridade
divina, devemos também esperar que ela seja precisa em
todos os aspectos — relacionados à criação (veja a Parte 1),
a história (veja esta parte), a ciência (veja o capítulo 9) e as
profecias (veja a Parte 3).
Também precisamos estar certos de que os manuscritos o r i
ginais — que teriam sido a "inspirada" versão orig inal —
foram precisamente copiados e chegaram até a nós através
dos séculos. Além disso, se as antigas profecias relaciona
das com Jesus Cristo forem consideradas válidas, devemos
ter certeza de que foram realmente profetizadas antes do
seu nascimento e não escritas após esta data. Nesta parte,
serão revistas todas as questões re lac ionadas com a
confiabilidade da Bíblia.
E xa m in e as E vid ên cia s
A Im portância da Teocracia em Relação à Escritura
O povo de Israel devia formar uma nação governada por Deus.
Na verdade, os israelitas haviam sido governados por Deus até a
época de Samuel (1 Sm 8.6), quando se queixaram de que não ti
nham um rei, como as demais nações. Logo depois Saul se tornou o
primeiro rei de Israel, no ano 1050 a.C.
É difícil, atualmente, avaliarmos o que teria significado ser uma
nação governada por Deus e sem as leis humanas. Mas várias coisas
devem ser consideradas:
• Todas as leis e regulamentos vieram da Escritura e foram
entregues por Deus. Especificamente, estas leis estavam con
tidas principalmente nos cinco primeiros livros da Bíblia
que foram dados a Moisés — conhecidos pelo nome de
Torá, P en tateu co ou simplesmente, a Lei. Isso é muito dife
rente de hoje, pois existe uma variedade de leis do gover
no de cada estado ou nação, juntamente com várias leis
para cada religião. No caso dos israelitas, as leis eram úni
cas e iguais.
• O governo estava nas mãos dos líderes religiosos — todos es
colhidos por Deus. Às vezes, esses líderes eram sacerdotes (sem
pre da tribo de Levi), como no caso de Moisés e Arâo. Outras
vezes, o governo era exercido por “juizes” previamente esco
lhidos, como no caso de Sansão, Gideão e Débora. E também
pelos profetas, como no caso de Samuel.
• As leis de Deus eram imutáveis e não havia nenhum “voto”
do povo em relação a quaisquer dessas leis, regulamentos ou
castigos.
• A Santa Escritura era considerada tão importante que pessoas
especialmente treinadas eram designadas (os escribas) para fa
zerem as cópias, e regras especiais eram definidas; além disso,
havia certosritos cerimoniais durante este processo, e quando
os sagrados pergaminhos chegavam ao fim da sua vida útil eles
geralmente recebiam um “enterro cerimonial”.
1 3 8
E vid ên c ia d a C o n fia bilid a d e da B íblia
• Os israelitas aprendiam a Santa Escritura assim que chegavam à
juventude e uma grande quantidade dos seus textos era decorada.
° As pessoas consideradas como profetas de Deus, que escre
veram (ou mandavam seus escribas escrever) uma grande
parte da Santa Escritura eram extremamente consideradas,
mas criticamente controladas. Se cometessem um ú n ico en
g a n o na sua profecia elas deviam ser apedrejadas até a mor
te (Dt 18.20).
• Os castigos para aquele que desobedecesse às leis contidas na
Santa Escritura eram geralmente muito severos. Por exemplo,
qualquer um que “amaldiçoasse” sua mãe ou pai devia ser con
denado à morte (Lv 20.9). Certamente os israelitas iriam querer
e precisar conhecer bem a Escritura.
Dessa forma, considerando que a nação de Israel era uma teocracia
(' que todas as leis e regulamentos — tanto religiosos como políticos
— vinham cla Santa Escritura, uma extrema atenção devia ser dada
aos detalhes a fim de manter esse conjunto de documentos consis-
tentemente precisos.
Além disso, como grande parte da Santa Escritura era memoriza
da, lida todo sábado (e ouvida virtualmente por toda a população) e
estritamente cumprida em bases legais, havia poucas oportunidades
para que erros pudessem se insinuar, sem serem percebidos. Em es
sência, com o grau de conhecimento e de escrutínio da nação judai
ca, qualquer engano teria sido descoberto e corrigido imediatamente.
Na verdade, na cópia dos pergaminhos mais importantes, não era
tolerado nem o erro de uma simples letra.
Regras para a Cópia da Escritura
Os escribas precisavam obedecer a regras muito precisas, sendo
que essa disciplina havia sido enraizada neles através dos seus anos
de treinamento. As muitas regras usadas pelos escribas do Antigo
Testamento incluíam o seguinte:1
1. O pergaminho de uma Sinagoga devia ser escrito sobre peles
de animais limpos,
1 3 9
E xa m in e as E vid ên c ia s
2. e preparadas por um judeu para o uso particular da Sinagoga.
3. Elas deviam ser amarradas com cordões obtidos de animais
limpos.
4. Toda pele devia conter um certo número de colunas e elas
deviam ser iguais em todo o codex (ou código).
5. O comprimento de cada coluna não devia ser menor que 48 ou
maior que 60 linhas; e a largura devia consistir de trinta letras.
6. Toda a cópia deveria ser feita na primeira linha, e se três pala
vras fossem escritas sem uma linha elas não teriam valor.
7. A tinta devia ser preta e não vermelha, verde ou de qualquer
outra cor, e ser preparada de acordo com uma receita definida.
8. O exemplar devia ser uma cópia autêntica, da qual o copiador
não devia de forma alguma se desviar.
9. Nenhuma palavra ou letra, nem mesmo um yod, devia ser es
crito de memória, e sem que o escriba tivesse olhado para o
código perante ele...
10. Entre cada consoante devia existir o espaço de um fio de cabe
lo ou de um fio de linha;
11. entre cada parágrafo novo, ou seção, devia haver o espaço de
nove consoantes;
12. entre cada livro, devia haver três linhas.
13-0 quinto livro de Moisés deveria terminar exatamente numa
linha, mas o restante não precisava ser assim.
14. Além disso, o copista devia vestir-se totalmente como um ju
deu,
15.lavar o corpo todo,
ló.nào começar a escrever o nome de Deus com uma pena recém
molhada com tinta,
17.e se um rei se dirigisse a ele enquanto estivesse escrevendo
esse nome, não devia tomar conhecimento dele.
Além desses requisitos especiais também existiam algumas regras
básicas. A palavra escriba significa literalmente contador. A fim de
1 4 0
E vid ên c ia da C o n fia bilid a d e da B íblia
verificar a precisão com que cada pergaminho havia sido copiado,
eles tinham vários itens que eram levados em consideração. Eles con
tavam cada letra e comparavam com o pergaminho mestre. Conta
vam o número de palavras e, como checagem final, contavam cada
pergaminho até um ponto médio e comparavam as letras com a “letra
média” do pergaminho mestre.
Portanto, a precisão dos escribas do Antigo Testamento (e até dos
copistas “profissionais” do Novo Testamento) era enorme. Isso é muito
diferente do que poderíamos esperar no mundo cle hoje.
A Memorização da Escritura Aumenta a sua
Confiabilidade
Imagine tentar modificar a história e as palavras da Santa Escritu
ra. Para ter sucesso seria necessário mudar uma grande porcentagem
de toda a Escritura a fim de evitar contradições, e que essa “mudan
ça” fosse transmitida às outras gerações. (Sabemos, a partir dos per
gaminhos do mar Morto, que isso não aconteceu.)
Entretanto, se alguém quisesse realmente mudar a Santa Escritura,
não adiantaria alterar todos os pergaminhos escritos. Virtualmente,
todos os judeus memorizavam grandes quantidades da Escritura, essa
era uma parte vital cia sua educação. Portanto, se alguém quisesse
modificar a Escritura (por causa de algum desconhecido motivo pos
1 4 1
terior) teria que mudar não só as suas muitas cópias, como também
mudar a memória de dez milhões de judeus. Certamente, não seria
possível acontecer isso numa teocracia, onde as palavras de Deus
eram consideradas com tanta seriedade.
E xam in e as E vidên cia s
1 4 2
A B íb lia É
c ie n tific a m e n te P re c isa
ara que a Bíblia seja aceita como a palavra inspirada de Deus ela
deve ser cientificamente precisa... considerando que Deus iria certamen
te conhecer os fatos sobre a sua criação. Fica aqui, entretanto, uma
palavra de cautela ao procurarmos avaliar a sua pretensão de ser cienti
ficamente precisa. Ao longo do tempo, muitas vezes a ciência descobriu
novos fatos que confirmaram o entendimento da versão de uma verdade
antes desconhecida. Essas descobertas têm sido sempre consistentes com
a Bíblia — entretanto, em certas ocasiões, deverá ser feito um cuidadoso
exame das palavras e (o que é importante) do seu contexto. Em muitos
casos, a ciência descobriu fatos que a Bíblia havia mencionado muito
antes de serem descobertos. E, em outros, as descobertas científicas
contribuíram para um melhor entendimento da mensagem da Bíblia.
Por exemplo, na época de Galileu a ciência acreditava que a Terra
era o centro do universo e que o sol girava em torno dela. Parece que
a Bíblia apoiava, teologicamente, este conceito — com a sua inter
pretação cie que se a humanidade fosse “especial” ela devia estar no
centro do universo. Além disso, alguns versículos da Bíblia pareciam
indicar que o nascer e o pôr-do-sol significavam que a Terra era
imóvel (veja Ec 1.5). Nessa época, qualquer um que desafiasse esse
conceito enfrentava uma possível condenação à morte como herético
nas mãos da igreja católica romana.
E xa m in e as E vid ên cia s
Copérnico, predecessor de Galileu, que havia antecipado a idéia
de que os planetas giravam em torno do sol, não teve coragem cle
publicar seus trabalhos com medo de ser perseguido pela Inquisição.
Galileu apoiava as idéias de Copérnico e enfrentou a ameaça da tor
tura e até da morte. Ele foi preso e declarado herético pela igreja por
causa das suas convicções — uma acusação que foi mantida até 1992
— quando foi finalmente perdoado.
Além do fato de a Bíblia conter realmente certas afirmações meta
fóricas ou fenomenológicas (como demonstra o exemplo acima em
Eclesiastes 1.5, quando fala do nascer e do pôr-do-sol) ela é cientifi
camente precisa e até contém um grande número de conclusões muito
antes de terem sido entendidas pelos humanos. Ao avaliar a Bíblia,
sob um “ponto cle vista científico” devemos ter em mente que ela não
é um livro científico — mas um livro destinado a definir o correto
relacionamento dos seres humanos com Deus. Portanto, não é cle se
esperar a presença de grandes discussões da ciência. Entretanto, como
indica o resumo abaixo, quando existe uma referência sobreum fato
cla natureza, a Bíblia é precisa e, em muitos casos, existem conclu
sões fornecidas milhões cle anos antes cle elas terem sido compreen
didas pela ciência.
A história da criação (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciência, os anos
1900). Como mencionamos na Parte 1, a história da criação, tal como
consta cla Bíblia, é precisa de acordo com as fases entendidas pela
ciência. Escrita originalmente por Moisés, ela não foi totalmente reco
nhecida pela ciência até cerca do ano 1900 através do emprego cla
moderna astronomia, da física, química, paleontologia e geologia.
Ciclo hidrológico (na Bíblia: 3000 a.C.; na ciência, nos anos 1700).
O ciclo hidrológico foi escrito primeiramente no livro de Jó, cerca de
3000 a.C. Ele afirma:
Porque reúne as gotas das águas que derrama em chuva
do seu vapor, a qual as nuvens destilam e gotejam sobre
o homem abundantemente (Jó 36.27,28).
1 4 4
A B íblia É cien tifica m en te P recisa
Além disso, Salomão descreveu o ciclo hidrológico cerca de 935
a.C., dizendo:
Todos os ribeiros vão para o mar, e, contudo, o mar não
se enche; para o lugar para onde os ribeiros vão, para aí
tornam eles a ir (Ec 1.7).
Entretanto, a ciência não havia entendido o ciclo hidrológico até
esse processo ser corretamente identificado por Perrault e Marriotte
em 1700.
A Terra está suspensa num espaço vazio (na Bíblia: 3000 a.C.;
na ciência: 1543). As antigas culturas acreditavam em muitas coisas,
no entanto todas elas pensavam que a terra era um tipo de objeto
chato e imóvel. Muitos mitos estavam associados a várias crenças.
Mas a Bíblia indicou corretamente que a terra estava suspensa no
espaço:
Ele estende o [céu do] norte sobre o vazio e faz pairar a
terra sobre o nada (Jó 26.7, ARA).
A ciência não havia descoberto isso até a declaração de Copérnico
em 1543.
O ar é pesado (na Bíblia: 3000 a.C.; na ciência: 1643). Embora os
povos cla antiguidade acreditassem plenamente que o ar fosse desti
tuído de peso, o livro de Jó indicava que, de fato, ele era pesado:
Quando deu peso ao vento e tomou a medida das águas
(Jó 28.25).
Torricelli, um cientista italiano, descobriu a pressão barométrica
em 1643.
O tem po, o espaço e a m atéria tiveram um com eço (na Bíblia:
1450 a.C.; na ciência: 1916). As primeiras palavras da Bíblia são “no
princípio”. E em outras passagens, inclusive no Novo Testamento,
1 4 5
E xa m in e as E vid ên cia s
existem referências ao começo cio tempo (2 Tm 1.9; Tt 1.2; 1 Co 2.7).
Em 1915 as equações da relatividade de Einstein sugeriam o começo
do tempo, da matéria e do espaço. Mais tarde, essas equações foram
confirmadas por meio de repetidas experiências.
------ C O N C E IT O -C H A V E --------------— --------
A con firm ação, fe ita p e la ciência, d e qu e o tempo teve
um com eço representa u m a d as consistências m ais im
portantes d a Bíblia. Essa con firm ação o ferece n ão só um a
dram ática m u d an ça no conceito existente, a o atestar o
relacion am en to d a B íb lia com a revelação geral, com o
tam bém é fu n d a m en ta l p a r a d esm en tira evolução. Uma
vez ten ba sido co lo cad o um lim ite no tempo, seja ele d e
10 mil ou 100 trilhões d e an os — ela torna a evolução
impossível ( veja a Parte 1).
A prim eira lei da term odinâm ica (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciên
cia: 1842). A lei da conservação da energia indica que a matéria e a
energia não podem ser criadas, nem destruídas (apenas convertidas).
Existem muitas referências bíblicas à conclusão de Deus (isto é, de
que a criação estava terminada) desde o Gênesis (2.2,3) e também
em vários outros livros (SI 148.6; Is 40.26; 2 Pe 3-3-7; Hb 4.3,4,10).
Joule e Mayer, independentemente um do outro, fizeram essa desco
berta no mesmo ano (1842) e ela ficou conhecida hoje como a pri
meira lei da termodinâmica.
A segunda lei da term odinâm ica (na Bíblia: 1000 a.C.; na ciência:
1850). Geralmente conhecida com o nome de entropia, essa lei afirma
que todas as coisas passam de um estado de ordem para um estado de
desordem (dentro de um sistema fechado) sem que haja um input de
energia intencional. Exemplos comuns: as coisas se estragam, as molas
desenrolam, as estrelas desaparecem, o calor se dissipa, e as matérias
se tornam impuras com o passar do tempo. Existem muitas referências
ao princípio da entropia na Bíblia, por exemplo:
1 4 6
A B íblia É c ien tifica m en te P recisa
Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus são obra
das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos
eles, como uma veste, envelhecerão (SI 102.25,26).
Outras referências semelhantes incluem Isaías 51.6; Mateus 24.35;
Romanos 8.20-22; 1 João 2.17; e Hebreus 12.27. Em 1850, essa segun
da lei da termodinâmica foi descoberta por Clausius.
A Terra é um a esfera (na Bíblia; 700 a.C.; na ciência: 1543).
Até a afirmação de Copérnico, a maior parte dos habitantes da terra
pensava que ela fosse chata. Entretanto, a Bíblia dizia que a terra tinha
a forma de um “círculo” (ou sugeria que fosse uma esfera usando uma
definição mais abrangente da palavra original hebraica, khug):
Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos
moradores são para ele como gafanhotos (Is 40.22).
O universo está em expansão (na Bíblia: 1000 a.C.; na ciência:
1916). A deslocação dos céus foi prevista nas equações gerais da
relatividade propostas por Albert Einstein e, desde então, confirmada
várias vezes. Físicos, como Edwin Hubble, fizeram experiências e
verificaram, no início de 1900 que, como havia sido previsto, o uni
verso estava em expansão. Entretanto, muito antes a Bíblia já havia
mencionado esta expansão. Aproximadamente no ano 1000 a.C., o
autor do Salmo 104 escreveu:
Ele cobre-se de luz como de uma veste, estende os céus
como uma cortina (v. 2).
Muitos outros versículos indicam que os céus estavam (e ainda
estão) sendo expandidos por Deus (Jó 9.8; Is 40.22; 42.5; 44.24; 45.12;
48.13; 51.13; Jr 10.12; 51.13; Zc 12.1).
As estrelas são incontáveis (na Bíblia: 600 a.C.; na ciência, dé
cada de 1920). Os povos da antiguidade acreditavam que podiam
contar as estrelas. Na verdade, no ano 100 a.C. Ptolomeu estava ativa
mente catalogando as estrelas — segundo seus cálculos, naquela época
147
E xa m in e as E vid ên cia s
elas eram 1100. Claro está que a ciência moderna, que começou por
volta da década de 1920 com telescópios extremamente potentes,
percebeu que o número de estrelas alcançava a casa dos bilhões.
Mais tarde, reconheceram que existe cerca de um bilhão de galáxias,
com aproximadamente um bilhão de estrelas cada uma. Entretanto,
isso já havia sido reconhecido pela Bíblia quando proclamou, cerca
do ano 600 a.C., que as estrelas era “incontáveis”:
Como não se pode contar o exército dos céus, nem me
dir-se a areia do mar, assim multiplicarei a descendência
de Davi, meu servo, e os levitas que ministram diante de
mim (Jr 33.22).
A precisão dessa afirmação literal da Bíblia pode ser agora fa
cilmente verificada. Se as estrelas fossem “contadas”, de acordo
com um índice de dez por segundo, seriam necessários mais de
100 trilhões de anos para “contar” as estrelas, o que é claramente
impossível.
As corren tes do oceano (na Bíblia: 700 a.C.; na ciência: 1855).
Os arqueólogos usam muitas vezes a Bíblia como um confiável docu
mento histórico que pode levar à descoberta de cidades e culturas
antigas. Uma pessoa que usou a Bíblia, por ser um “documento cien
tífico” confiável, foi Matthew Fontaine Maury, o pai da oceanografia.
Maury leu a afirmação de que havia “caminhos no mar”:
Assim diz o Senhor, o que preparou no mar um caminho
e nas águas impetuosas, uma vereda (Is 43.16).
Entendendo literalmente esse versículo, ele formou os oceanos do
mundo e mapeou as principais correntes que, desde essa época co
meçaram a ser usadas para a navegação. (Outra referência aos “cami
nhos clo mar” se encontra no Salmo 8.8. )
Padrões Globais das C orren tes de Ventos (na Bíblia. 1000
a.C.;a incumbên
1 5
E xa m in e as E vidên cia s
cia de cada um de nós. Como seria terrível saber que os nossos
amigos e entes queridos sofrerão desnecessariamente na terra e na
eternidade... simplesmente porque nunca receberam o “antídoto”
correto para o pecado. Você pode contar a eles. Você pode ensinar
aos outros, para que também digam aos seus entes queridos. Este
livro irá ajudá-lo.
Este Livro Irá Ensiná-lo a Compartilhar
(S.H.A.R.E.)
Contar aos outros sobre Jesus pode — e deve - ser fácil, natural e
divertido — e não um confronto terrível como sentem algumas pes
soas. Um programa que envolve um pouco de preparação, e que
pode utilizar outras ferramentas prontamente disponíveis chamado,
S.H.A.R.E., mostra como partilhar as Boas Novas sobre Jesus com
outros. (Veja no Apêndice A.)
Uma Aventura de Descobrimento
Prepare-se para uma viagem fascinante, rica de percepções na fé
cristã. Moisés passou 40 dias no monte para receber a instrução de
Deus sobre os Dez Mandamentos. Jesus passou 40 dias com os seus
discípulos, ensinando-os, depois da sua ressurreição. Neste livro, você
será conduzido por 40 lições (capítulos) de fé. Na conclusão, a sua fé
no cristianismo deverá ser mais forte do que nunca, porque obterá
uma percepção muito maior dos fatos e das evidências que susten
tam o cristianismo. Assim sendo, aperte o cinto de segurança e pre
pare-se para começar!
40 Lições de Fé
A Bíblia é o projeto do cristianismo. Mas, muitos já perguntaram:
Quão exata ela é? As palavras originais eram confiáveis, ou meramen
te a fantasia de alguém? Eram mitos criados e escritos muitos séculos
depois? Foram as palavras transmitidas com precisão a partir dos re
gistros originais, ou foram cometidos enganos? Posteriormente a igre
1 6
P reparação para a sua V ia g em , a C am inh o d e uma F é M a io r
ja alterou a Bíblia para adequá-la às suas necessidades? Existem mui
tas perguntas como estas.
Outros podem perguntar quais evidências sustentam a Bíblia. Ela
está de acordo com outros registros da história do mundo? Existe
evidência arqueológica para sustentar o que ela afirma? Ela está de
acordo com o conhecimento científico? As respostas a estas e outras
perguntas irá nos conduzir a uma empolgante aventura de descobri
mento da riqueza de evidências que sustentam o cristianismo.
O Cristianismo é uma Religião Baseada na História
É extremamente significativo o fato de que o cristianismo é uma religião
baseada na história. De todas as religiões do mundo, somente o judaísmo (o
alicerce do Antigo Testamento do cristianismo) e o cristianismo são verdadei
ramente baseados na história. Somente o cristianismo se apóia inteiramente
em um conjunto de eventos históricos (a crucificação e a ressurreição). O
islamismo, embora contenha muita informação baseada em história, não apre
senta nenhuma doutrina baseada em
qualquer reivindicação ou evidência
de divindade do seu líder, Maomé. E
as religiões orientais, como o budismo,
o hinduísmo e a religião criada por
Confücio, embora criadas por pessoas
históricas, não têm doutrina nem qual
quer reivindicação de conhecimento
divino que dependa de nenhum even
to histórico específico das suas vidas.
O cristianismo depende comple
tamente da morte e da ressurreição
de Jesus Cristo. Sc- estes dois even
tos profetizados não tiverem ocorri
do, então o cristianismo é controver
so e não tem significado. Quando a
Bíblia é subdividida na sua forma
mais simples, todo o Antigo Testamento revê, essencialmente, a separação
do homem de Deus, e a necessidade de uma oferta de expiação pelo
O cristianismo é a única reli
gião verdadeiramente ba
seada em história — o que
significa que a sua crença
essencial baseia-se em dois
eventos históricos. Isto permi
te que ela seja verificada e
testada, ao passo que outras
religiões se fundamentam
somente sobre crenças filo
sóficas mais fracas.
1 7
E xam in e as E vid ên cia s
pecado. A resposta definitiva para a reconciliação foi então predita,
por meio de profecias, como sendo um sacrifício futuro perfeito do
próprio Deus — Jesus Cristo. Sem este sacrifício definitivo não have
ria reconciliação com Deus. Assim, o fato histórico da crucificação (o
sacrifício prometido) é absolutamente essencial.
Embora a crucificação fosse o verdadeiro sacrifício e necessária
para redimir a humanidade, a ressurreição também é vital para o
cristianismo. Isto porque todas as declarações de Jesus de que Ele era
o Messias, que possibilitaria um relacionamento restaurado com Deus,
dependem da sua realidade como um convincente porta-voz — nes
te caso, o próprio Deus, sob forma humana. A ressurreição é a prova
da declaração de que Ele é Deus. A prova não está somente no espe
tacular evento de que Ele derrotou a morte — algo que ninguém
mais fez — mas também na sua exata profecia deste evento. O cum
primento de uma profecia é um teste crítico de que alguma coisa veio
de Deus. E, neste caso, estamos falando de uma pessoa, do Senhor
Jesus Cristo, que é Deus (veja a parte 3).
Decidindo Seguir a Palavra Provada de Deus
Uma vez que o cristianismo se apóia na história, ele pode ser
verificado e testado. Se ele pode ser provado como exato, especial
mente em um nível elevado de certeza “divina” (se nós pudermos
demonstrar que ele é inspirado divinamente), então seria prudente
submeter-se à sua orientação e rejeitar a crença e a doutrina qúe o
contradigam. Estas são ações que devem parecer óbvias para uma
pessoa objetiva, porque muitas questões — e, o mais importante,
toda a eternidade — residem na comparação. Mesmo assim, muitas
pessoas, sabendo disso, se recusam a investigar o cristianismo — ou
simplesmente se recusam a aceitar que ele se baseia no conhecimen
to que eles têm.
Por que alguém iria rejeitar o cristianismo, se ele pode ser verda
deiramente comprovado como sendo de Deus? Algumas das razões
mais comuns são:
• eles não entendem realmente como obter um relacionamento
com Deus (isto c, a mensagem do evangelho)
1 8
P reparação para a sua V ia g e m , a C am inh o d e uma F é M a io r
• eles não compreendem as conseqüências de não ter um relaci
onamento eterno com Deus (Jo 3.36)
• eles estão imersos em uma
religião baseada na família,
baseada na comunidade, ou
baseada na cultura, e não
estão dispostos a investigar
outras religiões
• eles são apáticos
• eles têm medo de investigar
a religião (é como ter medo
de ir ao médico, para que
não se descubra o que há de
errado)
Mas se o cristianismo for verda
de, se for o único caminho para
ter um relacionamento com Deus
por toda a eternidade (como indi
ca a Bíblia), então seria uma horrível tragédia que alguém não tivesse
pelo menos uma oportunidade de compreender as boas novas do
evangelho, o fundamento que há por trás dele, e as conseqüências
por não segui-lo. Certamente esta é uma razão essencial para o co
mando definitivo de Jesus, de ir e “fazer discípulos” em todas as
partes.
A Importância de Construir uma Fé Racional
Algumas pessoas pensam que somente ter f é em Deus, até mesmo
o Deus da Bíblia, é tudo o que importa. Elas dizem, às vezes com
bastante orgulho, que não é necessário que tenham fatos que susten
tem a sua fé. No entanto, se admitirmos que a Bíblia é claramente a
Palavra inspirada de Deus, então precisamos entender que o coman
do de Deus n ão é que nós aceitemos “cegamente” as noções sobre
Ele. O risco ao fazer isto deve ser óbvio. Isso poderia levar à aceita
ção de várias idéias “cultas” que conduzem ou à “morte” prematura
Este livro pretende ser um
programa pessoal para
ajudá-lo a descobrir a evi
dência que suporta o cristi
anismo, conduzindo a:
1) uma fé mais forte,
2) um amor crescente por
Deus, e
3) uma preparação para
contar aos outros sobre
Jesus.
1 9
E xam in e as E vid ên cia s
na terra (considere Jim Jones, David Koresh, ou Marshall Applewhite,
de Heaven’s Gate [Porta do Céu]) — ou à morte eterna, por seguir
umana ciência, década de 1960). Foi necessário usar a tecnologia
dos satélites para reconhecer exatamente os atuais padrões mun-
1 4 8
A B íblia É c ien tifica m en te P recisa
diais das correntes de ventos. Entretanto, a Bíblia mencionou a
existência de tais padrões no livro do Eclesiastes, escrito por
Salomão em 1000 a.C.:
O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte;
continuamente vai girando o vento e volta fazendo os
seus circuitos (1.6)
P rin cíp io de d e ix a r a te rra d escan sar (na Bíblia: 1450 a.C:
na ciência 200 a.C.). Atualmente, os agricultores reconhecem a
importância de “dar um descanso à terra” a cada sete anos mais ou
menos a fim de permitir a reposição dos nutrientes. O primeiro
registro histórico dos homens da antiguidade que fizeram isso (além
dos israelitas) está nos romanos, cerca de 200 a.C. Alguns histori
adores acreditam que os romanos aprenderam essa prática com os
israelitas. A Bíblia ordenava que a terra tivesse um repouso a cada
sete anos:
Porém, ao sétimo ano, haverá sábado de descanso para a
terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo,
nem podarás a tua vinha. O que nascer de sí mesmo da
tua sega não segarás e as uvas da tua vide não tratada não
vindimarás; ano de descanso será para a terra (Lv 25.4,5).
Construção da arca de Noé (na Bíblia: 1450; na ciência, década
de: 1900). A Bíblia definiu as dimensões e as especificações para a
construção cia arca de Noé (Gn 6.15). A moderna engenharia calcu
lou que o projeto de Noé seria ótimo e o mais adequado para a
construção de uma barca para mares revoltos.1
Código genético (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciência: 1735). Tínha
mos pouco conhecimento sobre a classificação básica das espécies
alé Carolus Linnaeus desenvolver um sistema para a classificação dos
organismos usados ainda hoje. O componente mais fundamental desse
sistema é a reprodução básica das espécies. A Bíblia fez referência a
esse sistema básico da classificação genética quando se refere às cri
aturas “conforme a sua espécie” (Gn 1.21-31; 7.14).
1 4 9
E xa m in e as E v id ên c ia s
Circuncisão no oitavo dia (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciência: 1947).
Ninguém sabe ao certo porque Deus escolheu especificamente a cir
cuncisão como sinal cio pacto com Abraão (Gn 17.11). Embora pare
ça ser uma prática antiga, pesquisas mostraram que isso tem uma
certa importância médica. Estudos realizados na metade do Século
XX mostraram que as mulheres judias apresentavam um índice me
nor de câncer cervical. Foi demonstrado que o acúmulo de bacilos
era a causa principal desse tipo de câncer. Eles podem, facilmente, se
localizar no prepúcio de homens não circuncidados e serem transfe
ridos às mulheres através de abrasões no cérvix (como aquelas que
ocorrem no parto).
Vale notar que Deus especificou que os recém-nascidos deviam
ser circuncidados no oitavo dia do nascimento (Gn 17.12). Pesqui
sas mostraram que os recém-nascidos se apresentam particular
mente sensíveis à hemorragia desde o segundo até o quinto dia
depois do nascimento. Um pequeno corte pode ser mortal. A Vita
mina K, necessária à produção da protrombina (a substância do
organismo que coagula o sangue) só está presente, em quantia
suficiente, a partir do quinto dia de vida e assim permanece até o
sétimo dia. Ela atinge o nível máximo de 110% do normal no oita
vo dia e, depois, se estabiliza. A Bíblia está especificando o me
lhor dia possível.
Quarentena (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciência, por volta de 1500). Antes
da Renascença, quando a Peste Negra estava assolando a Europa, nações
desesperadas procuraram a igreja para receber alguma orientação. Nessa
época, não se conhecia os germes, nem as infecções. O clero voltou-se
para os livros de Moisés para encontrar alguma informação e também às
leis instituídas e ensinadas aos israelitas, inclusive aquelas que tratam das
doenças infecciosas como a lepra. Em Levítico 13 enfatiza-se o isolamento
daquelas pessoas que são portadoras de doenças infecciosas. Essa orienta
ção, aliada a outras leis de Moisés, ajudou a controlar a Peste Negra.
Destino adequado do lixo (na Bíblia: 1450 a.C.; na ciência, por
volta cie 1500). Assim como a falta de quarentena, os métodos precá
rios de destinação do lixo também levaram à propagação da Peste
1 5 0
A B íblia É cien tifica m en te P recisa
Negra. As leis de Moisés especificavam, claramente, o método mais
adequado (Dt 23.12-14) e isso ajudou a controlar a doença.
Tratam ento adequado aos m ortos (na Bíblia: 1450 a.C.; na ci
ência, por volta de 1500). A Bíblia também é específica quanto ao
tratamento adequado para os mortos (Nm 19). Quando esse procedi
mento foi implementado, juntamente com outras leis de Moisés, ele
também ajudou a interromper a disseminação da Peste Negra.
Esterilização (na Bíblia 1450 a.C.; na ciência, por volta de 1800).
lí fácil aceitar como fato consumado o nosso conhecimento sobre
germes e doenças. Entretanto, tanto os germes como a esterilização
não eram conhecidos até a época de Joseph Lister (1865), quase no
fim da guerra civil. A Bíblia exigia a esterilização de muitas coisas:
doenças infecciosas (Lv 13), parto (cap. 12), evacuações orgânicas
(cap. 15) e no tratamento dado aos mortos (Nm 19).
Avalie o que Você Aprendeu
1. Onde está mencionado o ciclo hidrológico na Bíblia?-
2. Por que a descoberta da ciência de que o tempo teve um co
meço foi tão importante?
3- Quais são a primeira e a segunda lei da termodinâmica? Cite
um lugar para cada uma delas na Bíblia Sagrada.
4. Cite três princípios médicos contidos primeiramente na Bíblia.
5. Na Bíblia, onde Deus promete aos hebreus que eles nunca
teriam “nenhuma das más doenças dos egípcios”?
Capítulo 8 — Grupo de Estudo
...................‘ 1 ■ ■ ÍTZP
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: Deuteronômio 7.12-15; 2 Timóteo 1.9; Tito 1.2; 1 Coríntios
2.7 e o capítulo 8 deste texto.
1 5 1
E xa m in e as E vid ên c ia s
O ração de Abertura
Discussão: Peça a todos do grupo para escolher uma opinião cien
tífica bíblica que tenha exercido um grande impacto sobre eles. Peça a
cada pessoa para rever a sua escolha e por que ela é tão importante.
Atividade Prática
D ebate: O “cristão” discutirá com um “cientista”. A questão é se a
Bíblia é ou não precisa. (Não esqueça de dar ao “cientista” tempo
para se preparar).
O ração de Encerram ento
9
A Estrutura
da Bíblia
X Jk Bíblia é formada por um conjunto de 66 livros (39 do Antigo
Testamento e 27 do Novo Testamento) escritos por pelo menos 40
autores diferentes, em muitas terras e sob circunstâncias muito distin-
las. No entanto, ela é inteiramente consistente em muitas questões
extremamente controversas. Somente isso seria suficiente para indi
car a milagrosa inspiração divina.
A Bíblia pode confundir um leitor inexperiente ao não entender
que, em geral, ela não obedece a uma ordem cronológica. O Antigo
Testamento foi agrupado de acordo com os seguintes tópicos: 1)
Porá, 2) os outros livros de história, 3) literatura e 4) Profecias, e
distribuída em subgrupos em ordem cronológica dentro destas cate
gorias, e segundo a ordem da canonização feita pelos judeus.
O Novo Testamento começa com os três Evangelhos sinóticos (si
milares), seguidos pelo livro de João. Em seguida, vem o livro histó
rico dos Atos (dos apóstolos) que se acredita ser uma continuação do
livro de Lucas. As cartas de Paulo vêm em seguida no Novo Testa
mento, e depois as cartas dos outros apóstolos. E o Novo Testamento
termina com o livro do Apocalipse.
Segue-se um resumo da Bíblia e da sua estrutura. Todo leitor é
encorajado a fazer um bom estudo da Bíblia, a usar uma versão
confiável, ou ambos, para conseguir maior profundidade. Seria útil
E xa m in e as E vid ên cia s
considerar, na parte 6, o contexto histórico a fim de perceber como
os livros da Bíblia se coadunam com os acontecimentos históricos.
(As datas dos manuscritos bíblicos foram obtidas da Life Application.Bible).
Embora o conteúdo histórico do Antigo Testamento forneça im
portantes ensinamentos, o que existe cle fundamental na sua mensa
gem básica é a promessa do Messias (Jesus), junto com as promessas
de grandeza para Abraão (Gn 12) e o pacto de Deus prometendo a
terra de Israel aos descendentes de Abraão (Gn 15).
A T O R Á
Os cinco primeiros livros da Bíblia foram agrupados e são conhe
cidos como Torci, P entateuco e a Lei. Todos esses livros — Gênesis,
Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio foram “daclos” a Moisés
por Deus durante a peregrinação dos hebreus pelo deserto, depois
de se libertarem da escravidão no Egito.
Os livros da Torá formam a base fundamental tanto para o judaís
mo como para o cristianismo. Muitos judeus ortodoxos se limitam
quase exclusivamente à Torá e se dedicam à leitura diária dos seus
livros para garantir que seja lido, do começo ao fim, todo o ano. Para
os cristãos, a Torá introduz a natureza do amor perfeito, do Santo e
do Justo Deus, através do seu relacionamento com os primeiros
israelitas. E os maiores mandamentos mencionados por Jesus (Mc
12.30,31) também foram primeiramente mencionados na Torá:
Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração,
e de toda a tua alma, e de todo o teu poder (Dt 6.5).
Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Se
nhor (Iv 19.18).
O livro de Gênesis introduz um Deus onipotente ao descrever o
poder cia sua criação. Ele mostra que o processo da criação foi feito
de acordo com uma ordem planejada e metódica. Em seguida, o
Gênesis descreve o importante relacionamento dos seres humanos
com Deus — começando com o relacionamento desejado e, então,
1 5 4
A E stru tu ra da B íblia
(lescrevenclo como esse relacionamento foi rompido por causa da
vontade que o homem teve de desobedecer a Deus. O resto do livro
cie Gênesis apresenta um relato histórico de vários indivíduos e cio
seu relacionamento com Deus e com os demais seres humanos le
vando, por fim, os escolhidos descendentes de Sem, filho cie Noé
(que se tornaram a nação hebraica dos israelitas) ao Egito.
O livro do Êxodo faz um relato de como Deus chamou Moisés
para libertar os hebreus da escravidão no Egito. Nesse processo de
libertação Deus realizou muitos milagres, inclusive a separação do
mar Vermelho quando abriu passagem para os hebreus. Esse livro
descreve os 40 anos de peregrinação no deserto, ocasião em que os
Dez Mandamentos foram dados à nação em fuga, passando a fazer
parte dos livros da Torá. O Êxodo termina com a introdução do
Tabernáculo quando os israelitas foram expostos à glória de Deus e
chamados a adorá-lo.
O livro de Levítico é um relato detalhado das muitas leis dadas
aos israelitas. Foram de grande importância as leis espirituais exigidas
no sacrifício, nas ofertas e no culto a Deus. Além disso, havia leis
sobre a saúde e a religião em geral, juntamente com instruções espe
ciais para a tribo de Levi (os levitas) cujos membros deviam servir
como sacerdotes.
O livro cie Números descreve os acontecimentos que tiveram lugar
no deserto, inclusive a realização de um censo, uma rebelião contra os
líderes escolhidos por Deus (Moisés e Arão), o processo cia peregrina
ção e algumas tentativas iniciais para entrar na prometida terra de Canaâ.
Durante esse período de 40 anos cie peregrinação Deus estava prepa
rando uma nova geração para entrar na Terra Prometida.
O livro de D euteronôm io descreve os discursos de Moisés aos
israelitas antes de entrarem na Terra Prometida. Ele começa com a
revisão dos supremos atos de Deus, inclusive o relacionamento com
o seu povo escolhido. Os Dez Mandamentos são revistos novamente,
1 5 5
E xam in e a s E v id ên c ia s
junto com outras leis que Deus impôs ao seu povo. Ele também
exigia um compromisso duradouro do povo com o Senhor Deus.
Esse livro termina com a morte de Moisés, antes de cruzar o rio
Jordão e entrar na Palestina.
Outros livros Históricos
Na Bíblia, os outros livros históricos incluem Josué, Juizes, Rute, 1
e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.
O livro de Jo su é cobre o período ocorrido desde o êxodo, quan
do a liderança dos israelitas foi transferida de Moisés para Josué. Ele
enfoca, principalmente, a conquista inicial da Terra Prometida a Abraão,
demonstrando o poder de Deus e o cumprimento das suas promes
sas. Apesar de obterem sucesso no começo, os hebreus se estabele
ceram inicialmente na Terra Prometida sem que ela tivesse sido total
mente conquistada.
O livro de Juizes começa onde Josué termina, e faz uma revisão
da história dos israelitas na Palestina durante o período subseqüente
à liderança de Josué, quando não havia uma linha pré-ordenada de
lideranças. Em seu lugar, Deus formou uma seqüência de Juizes que
receberam autoridade para administrar as situações que podiam ame
açar a terra. Esse livro mostra que, mesmo quando as pessoas não
observavam uma estrita obediência à vontade de Deus, Ele ainda
atendia às suas necessidades.
O livro de Rute é uma história em quatro capítulos sobre o relaci
onamento de uma jovem camponesa moabita, chamada Rute, e do
seu compromisso, com a sogra israelita, Noemi, e mais tarde com
Boaz, seu parente e remidor. Este pequeno livro tem várias finalida
des: 1) Mostrar como três pessoas, de diferentes culturas, permanece
ram fortes de caráter e devotadas a Deus, mesmo quando a socieda
de que as cercava estava desabando; 2) dar um exemplo do papel de
um parente-remidor (o conceito de que uma pessoa pode redimir
outra, e que é muito parecido com o sangue de Cristo que redimiu os
1 5 6
A E stru tu ra da B íblia
pecadores); e 3) mostrar que a linhagem de Jesus foi formada através
de uma variedade de pessoas (inclusive de Raabe, uma prostituta e
Rute, uma moabita).
Os livros de 1 e 2 Samuel cobrem o período da história de Israel
em que houve a transição do período dos juizes, quando “cada um
fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21.25), para o período
dos Reis. Deus havia escolhido o profeta Samuel para ser o líder
principal da nação e aquele que iria escolher o primeiro rei. Esse
livro faz uma revisão do nascimento de Samuel e cia sua infância,
do momento em que escolheu Saul para ser rei, o crescimento de
Davi e o favor que recebeu por ter matado Golias, o ciúme que Saul
sentia de Davi e, finalmente, a morte de Saul. O livro de 2 Samuel
registra a história do reinado de Davi, e mostra a sua eficiência sob
a direção de Deus. Ele revela também as qualidades pessoais que
agradam a Deus (juntamente com aquelas que o desagradam) e
mostra Davi como sendo o líder ideal (apesar dos seus erros) de um
reino imperfeito.
Os livros de 1 e 2 Reis cobrem o período histórico de liderança
dos reis de Israel que se seguiram a Davi. O livro de 1 Reis começa
com o rei Salomão, filho de Davi e Bate-Seba. Salomão foi o último a
reinar sobre o reino unido do norte e cio sul de Israel. Devido a um
erro de Salomão, cometido no fim da sua vida, o reino foi tirado dos
seus herdeiros e dividido entre as dez tribos do norte (“Israel”) e as
duas tribos do sul (“Judá”). O livro de 1 Reis enfoca, em grande parte,
a vida de Salomão e os primeiros anos dos reis desse reino dividido,
juntamente com os profetas Elias e Eliseu. O livro de 2 Reis cobre os
inúmeros reis das duas nações que vieram mais tarde.
Os livros de 1 e 2 Crônicas podem ser intrigantes porque cobrem
a maior parte do mesmo período histórico de 2 Samuel e dos dois
livros de Reis. Diz a tradição judaica que foram escritos pelo escriba
Esdras, possivelmente depois do exílio na Babilônia. O livro de 1
Crônicas cobre virtualmente o mesmo período de 2 Samuel, e serve
como se fosse um comentário sobre esse tempo, enfocando a vida de
1 5 7
E xa m in e as E vid ên c ia s
Davi. O livro de 2 Crônicas cobre desde o período inicial do reino de
Salomão até a destruição de Jerusalém pelos babilônios (586 a.C.).
O livro de Esdras, segundo alguns, foi escrito por volta cie 450
a.C., talvezpelo próprio escriba Esdras. Ele cobre o período que se
seguiu a 2 Crônicas, quando o rei Ciro da Pérsia deu permissão aos
judeus para voltarem do exílio. Ele trata da volta dos judeus, da nova
dedicação da fundação do Templo, da oposição dos inimigos dos
judeus e a suprema fé e atitude do povo.
O livro cie Neemias é um outro livro escrito após o exílio. Foi escrito
depois do livro de Esdras, e discute sua preocupação com os muros de
Jerusalém que estavam em ruínas. O livro descreve como Deus permitiu
a Neemias, que era um líder, a reconstrução dos muros a fim cle proteger
Jerusalém, apesar de ele sofrer uma rigorosa oposição.
Acredita-se que o livro de Ester (cerca de 483 até 471 a.C.) foi
escrito depois da época do exílio dos judeus. Tendo como pano cle
fundo a Pérsia, ele descreve a soberania e o amor cle Deus para com
o seu povo, mesmo quando o seu povo estava numa terra estrangei
ra. O enredo desse livro mostra a coragem de uma única mulher,
Ester, que arriscou a própria vida para realizar proezas que, no fim,
salvaram a vida dos judeus.
Livros de Literatura (ou Poéticos)
Na Bíblia, os livros de literatura incluem Jó, Salmos, Provérbios,
Eclesiastes e Cantares (às vezes chamado de Cânticos cle Salomão).
Muitos acreditam que Jõ seja a obra mais antiga da Bíblia. Segun
do os estudiosos esse livro foi escrito por um homem chamado Jó,
que viveu numa região da Mesopotâmia. É interessante notar que o
livro mais antigo da Bíblia pode ter vindo da Mesopotâmia, conheci
da por ser o berço da civilização. Acreditam também que era ali que
se localizava o Jardim do Éden, e também o local onde a arca de Noé
1 5 8
A E stru tu ra da B íblia
ancorou (no monte Ararate, ao norte), assim como a Torre de Babel
Ibi construída (perto da Babilônia). Jó analisa filosoficamente as ques
tões do sofrimento dos justos, os ataques cle Satanás e a suprema
bondade de Deus.
O livro de Salm os é uma coletânea de 150 “cânticos” ou “salmos”
escritos por várias pessoas entre 1440 a.C. e 586 a.C. O escritor mais
prolífico foi Davi, que escreveu dezenas de Salmos por volta do ano
1000 a.C. e têm várias finalidades. Alguns expressam aflição e sofri
mento, outros refletem um pedido de ajuda ou confessam pecados.
Muitos louvam e cultuam a Deus. Incluídas nos Salmos estão as pro
fecias referentes à vinda do Messias.
O livro de Provérbios consta de ditados curtos e concisos que
transmitem verdades morais e práticas (ou sabedorias). Foi divido em
seções que transmitem sabedoria aos jovens, ao povo em geral, e aos
líderes. Escrito pelo rei Salomão, nos primeiros anos do seu reinado
(que começou cerca de 970 a.C.), esses versos memoráveis podem
ser aplicados à vida em geral.
Eclesiastes é um livro escrito por Salomão no fim da sua vida
(provavelmente em 935 a.C.) e analisa seus anos de aprendizado,
inclusive aqueles quando estava longe de Deus. A finalidade desse
livro é ajudar às futuras gerações a fugir de uma existência sem sen
tido se não tiver a presença de Deus.
Muitos acreditam que o livro de Cantares (ou Cântico de Salomão)
foi escrito no princípio do reinado de Salomão. Esse livro é uma
história de amor entre uma noiva e o seu noivo. Ele afirma a santida
de do casamento, e muitos estudiosos pensam que ele também serve
como uma alegoria ao amor de Deus pelo seu povo.
Livros Proféticos
Os livros proféticos foram divididos entre os profetas “maiores”
— Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel, e os profetas
1 5 9
E xa m in e as E vid ên c ia s
“m enores” — Oséias, Joel, Amos, Obaclias, Jonas, Miquéias, Naum,
Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Os profetas mai
ores não são considerados os mais importantes, simplesmente seus
livros é que são mais longos. Os profetas menores foram agrupa
dos como os “Doze” na Escritura judaica original (e atual). Os
livros proféticos, isto é as Escrituras, foram extremamente impor
tantes para os israelitas, pois os profetas eram considerados como
porta vozes de Deus se, e somente se, as suas profecias fossem
100% exatas (Dt 18.20-22). Quando a exatidão dos profetas era
comprovada, por serem profetas das Sagradas Escrituras, suas pa
lavras e seus escritos passavam a ser aceitos como determinações
do próprio Deus.
O livro de Isaías foi escrito cerca de 700 a.C. É um dos livros mais
importantes desse grupo por conter mais profecias a respeito de Je
sus Cristo do que qualquer outro livro. Em particular, o capítulo 53
contém uma descrição viva e acurada do sofrimento do futuro Salva
dor — contradizendo uma crença comum entre os judeus de que o
profetizado Messias seria um conquistador militar.
illllii
Fatos Fascinantes
O autor mais surpreendente da Bíblia é o rei Nabu-
codonosor, o tirano da Babilônia, que obrigou os judeus
a irem para o exílio (586 a.C.). Ele “escreveu” o começo
do quarto capítulo de Daniel onde existe a indicação de
que, até mesmo as pessoas mais improváveis, podem ser
transformadas e usadas por Deus.
mm
Acredita-se que o profeta Jerem ias escreveu tanto o livro cle
Jeremias como o de Lam entações. Ambos foram escritos no perí
odo entre 627-586 a.C. no reino do sul de Judá. Eles insistiam com
o povo de Deus para se arrepender dos pecados antes que fosse
muito tarde.
1 6 0
A E st r u t u r a d a B íb l ia
O livrei de Ezequiel foi escrito para os judeus que estavam no
cativeiro da Babilônia, cerca de 571 a.C. Ele previu a futura salvação
do povo de Deus.
Daniel foi um dos profetas mais importantes do Antigo Testamen
to. Ele escreveu o seu livro entre 605 e 535 a.C. e fez um relato
histórico do cativeiro da Babilônia. Suas profecias mostravam o enor
me poder de Deus e o controle que Ele exerce sobre o céu e a terra.
Talvez sua profecia mais importante seja aquela que previu a data
precisa em que o Messias iria entrar em Jerusalém (O chamado “Do
mingo de Ramos” foi o primeiro dia em que Jesus permitiu que as
pessoas o homenageassem publicamente como Rei-Messias).
Oséias (cerca cle 753-715 a.C.) escreveu ao reino do norte para
mostrar o amor de Deus pelo seu povo. Jo el (cerca de 835 a 796 a.C.)
preveniu Israel a respeito do iminente castigo por causa dos seus peca
dos, enquanto Amós (cerca de 760 a 750 a.C.) preveniu da mesma
forma o reino do norte a respeito de sofrerem um castigo semelhante.
Obadias (cerca de 853 a 8 Í1 a.C.) enfocou os edomitas, inimigos
dos judeus em Judá. Seu livro mostra o castigo de Deus sobre aque
les que prejudicam o seu povo. O livro de Jo n as (cerca de 785 a 760
a.C.) foi escrito para o povo de Deus que está em toda parte, a fim de
demonstrar a extensão da graça divina e indicar que a mensagem da
salvação se destina a todos os povos.
Miquéias (cerca de 742 a 687 a.C., para Israel), Naum (cerca de 663
a 612 a.C., para Nínive e Judá) e Sofonias (cerca cle 640 a 621 a.C. para
Judá) escreveram para proclamar o castigo de Deus sobre o pecado e
conclamar o povo a se arrepender. No caso de Naum, foi oferecido um
consolo a Judá, pois o castigo havia sido proclamado sobre a Assíria.
O livro de Habacuque (cerca de 612 a 588 a.C.) foi escrito para o
povo de Judá a fim de revelar que Deus está no controle, embora o
mundo pareça estar fora de controle. O livro de Ageu (cerca de 520
a 518 a.C.) foi escrito para os exilados que haviam retornado, a fim
161
E x a m in e as E v id ê n c ia s
de lhes dar a esperança da vinda do Messias. E o livro de Malaquias
(cerca de 430 a.C.) era uma exortação ao povo de todas as partes
para se arrepender e restaurar seu relacionamento com Deus.
Os Evangelhos e Atos
O Novo Testamento começa com quatro relatos individuais sobre
o ministério de Jesus Cristo: Mateus, Marcos, Lucas e João. Embora
esses livros sejam históricos, eles também são considerados Evange
lhos (que significa “Boas Novas") porque o seu propósito é apresen
tar o Senhor Jesus da forma mais importante para a humanidade —
Ele é o restaurador clo relacionamento entre o povo e o Deus vivo.
Os três primeiros,Mateus, Marcos e Lucas, são chamados de Evan
gelhos sinóticos (que significa “do mesmo ponto de vista”) porque
contêm um certo numero de versículos idênticos (ou quase idênti
cos). O Evangelho de João cobre a maioria dos mesmos eventos, mas
tem poucos versículos idênticos aos outros três. Acredita-se que o
Evangelho de Marcos tenha sido o primeiro a ser escrito (cerca clo
ano 55 cl.C.) enquanto Mateus e Lucas se basearam intensamente no
seu conteúdo. Também existem muitos versículos em Mateus e Lucas
que não são encontrados em Marcos. Os estudiosos acreditam que
eles podem ter se originado cie uma fonte ainda não identificada (que
é mencionada como “Q” nos círculos especializados).
Apesar das semelhanças encontradas nos Evangelhos (especial
mente nos Evangelhos sinóticos) todos eles apresentam o ministério
de Jesus sob um ponto de vista favorável. Tanto as diferenças, como
as semelhanças, são importantes para lhes dar credibilidade. Os Evan
gelhos estão de acordo — por serem realmente a obra de quatro
testemunhas oculares dos eventos — para podermos constatar a es
sência dos acontecimentos. Entretanto, eles também possuem algum
grau de diferença, considerando que cada testemunha ocular iria se
lembrar de coisas diferentes. Sc fossem analisadas de acordo com os
termos atuais cias cortes de justiça, testemunhas com as mesmas in
formações básicas sobre um evento estariam corroborando o próprio
evento, enquanto as diferenças que cada uma lembrasse iriam acres
centar profundidade ao entendimento clo que realmente aconteceu.
162
A E st r u t u r a d a B íb l ia
Cada um dos relatos dos Evangelhos aborda o ministério de
Jesus, fornecem uma nítida descrição do seu perfeito caráter, seus
milagres, sua missão e seus ensinamentos. Todos eles enfocam
especialmente o final da chamada “semana da paixão” — a morte
e a ressurreição de Jesus — com cerca de 25 a 35% desse texto
dedicado a essa parte da vida de Jesus na terra. Mateus e Lucas
são textos sem paralelos ao tratarem dos ancestrais de Jesus e dos
eventos que cercaram o seu nascimento, enquanto João também é
especial pelo fato cle insistir na divindade de Jesus, inclusive na
sua pré-existência e na sua atuação na criação cio universo como
participante da Trindade (João 1).
Cada autor do Evangelho citou o nome cle Jesus muitas vezes.
Suas palavras correspondem às seguintes porcentagens dos livros:
Mateus — 60%; Marcos — 42%; Lucas — 50% e João — 50%.' Como
era de se esperar, existem múltiplas narrações de eventos significantes
no ministério de Jesus, e 18 delas foram registradas em mais de uma
dessas narrações. Parece que a intenção do Evangelho cle João era
fornecer importantes informações que foram omitidas nos outros
Evangelhos. Dos oito milagres que João discute, somente os milagres
de Jesus dar de comer a 5 mil pessoas e caminhar sobre as águas
constam dos outros Evangelhos. O mais importante dos milagres es
peciais mencionados em João é a ressurreição de Lázaro que certa
mente serviu para intensificar o ódio dos líderes judeus na semana da
morte e ressurreição de Jesus.
Cada um dos Evangelhos clã uma ênfase diferente aos quatro pa
péis que Jesus precisava desempenhar, de acordo com o que havia
sido previsto no Antigo Testamento.
Mateus (cerca de 55 a 63 d.C.) realça a realeza de Jesus. Ele foi
retratado como um “leão”; esse Evangelho foi claramente escrito para
os judeus. O tema básico cle Mateus é que Jesus é o Messias porque
cumpriu as profecias cio Antigo Testamento. Portanto, o tom desse
Evangelho é profético. Mais cio que qualquer outro Evangelho, ele
faz uma extensa utilização das profecias do Antigo Testamento, e faz
53 citações diretas do seu conteúdo. De acordo com a realeza de
1 6 3
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
Jesus, ele insiste na sua descendência de Davi, através da genealogia
registrada.
M arcos (cerca de 55 a 60 d.C.) enfocou Jesus principalmente como
um servo (como havia sido profetizado por Isaías). Ele mostra a obe
diência de Jesus ao executar a vontade do Pai. O tema de Marcos é
que Jesus consolidou suas palavras com atos. O tom desse Evangelho
é prático e, de certa forma, aparentemente inclinado aos romanos.
Lucas (cerca cie 60 cl.C.) apresentou Jesus como o homem perfei
to. Tudo, desde o nascimento de Jesus e em toda sua vida, ministério,
morte e ressurreição, indicava a sua humanidade. Logo, o tema de
Lucas é que Jesus era Deus, mas também era humano. Parece que
seu Evangelho foi escrito para os gregos, e descrevia Jesus como o
Filho do Homem. Seu aspecto é histórico.
Jo ão (cerca de 85 a 90 d.C.) retratou Jesus como o divino filho de
Deus — e também como o próprio Deus 0 o 1). Jesus foi descrito como
o Verbo de Deus que pré-existiu à criação. O tema essencial de João é
que a crença em Jesus é necessária à salvação. O Evangelho de João
foi escrito para a igreja. Seu tom é espiritual. Embora ele faça menos
citações diretas do Antigo Testamento que qualquer outro Evangelho,
ele faz mais alusões ao Antigo Testamento do que os demais.
O livro de Atos (cerca de 60 a 63 d.C.) parece ser a continuação dos
acontecimentos históricos que sucederam à ressurreição descrita por Lucas
(por exemplo, os dois livros começam dirigindo sua narrativa a “Teófilo”).
Ele fornece uma descrição histórica sobre o desenvolvimento inicial da
igreja. O livro de Atos faz também uma importante conexão entre a vida
e o ministério de Jesus e a igreja cristã. Ele faz uma revisão do ministério
dos apóstolos, dedicando especial atenção aos primeiros líderes da igre
ja, Paulo e Pedro. Isso tem uma importância considerável, pois a
credibilidade de Paulo, em relação à sua conexão com Jesus, é essencial
(Paulo escreveu pelo menos 13 livros do Novo Testamento, sobre os
quais a igreja cristã se baseia como sendo as Santas Escrituras).
1 6 4
A E s t r u t u r a d a B íb l ia
As Cartas (Epístolas) q |jv r o ^ QS a j u c |a a
As epístolas compreendem os 21 dar credibilidade à aceita-
livros do Novo Testamento escritos çõo de Paulo pelos discí-
pelos apóstolos. As primeiras 13 fo- pu|os originais de Jesus,
ram escritas por Paulo e quase todas i . - i i .1 1 durante o período das tes-
foram dirigidas às igrejas que ele aju- . . .
, c , „ i rr i ' temunhas oculares da res-dou a fundar. O iivro de Hebreus e
de autoria desconhecida (alguns acre- surreiçõo. Isso é extrema-
ditam que foi escrito por Paulo), e os mente importante porque
livros de Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 Paulo escreveu muitos li-
João e Judas foram escritos pelos vros do Novo Testamento,
mesmos autores que lhes dão nome.
Embora cada epístola tenha um pro
pósito diferente, em geral elas servem para encorajar e orientar os
ensinamentos da Igreja Primitiva.
0 livro de Romanos (cerca de 57 d.C.) foi escrito para os cristãos de
Roma a fim de apresentar Paulo e fazer um resumo dos seus ensinamentos
antes dele chegar a esta cidade. O livro de Romanos é considerado
como a primeira e grande obra da teologia cristã, e muitos acreditam ser
o livro mais importante de Paulo, pois exerceu um impacto considerável
sobre o desenvolvimento da igreja. Ele enfoca o pecado da humanidade
e a justificação dos pecadores por meio do sacrifício de Jesus na cruz; ele
discute a santificação do crente. Esse livro vai mais além; faz uma revisão
dos propósitos de Deus para Israel, e oferece instruções práticas à igreja
a respeito dos cultos ao Senhor.
1 Coríntios (cerca de 55 d.C.) foi a segunda carta escrita à igreja
que Paulo havia estabelecido em Corinto (a primeira carta, e a carta
que se segue a 1 Coríntios foram perdidas). Ela foi escrita para iden
tificar e oferecer soluções aos problemas que esta igreja estava en
frentando, e realça a importância da unidade na igreja contra a divi
são, e a ordem e a moralidade contra a desordem e a imoralidade.
Além disso, o livro faz uma revisão dos dons e das doutrinas da igreja
e condena os seus abusos.
1 6 5
E x a m in e as E v id ê n cia s
2 Coríntios (cerca cie 55 a 57 cl.C. — na verdade, esta foi a quarta
carta escrita a essa igreja) tinha a finalidade cie afirmar o ministério e
a autoridade cie Paulo e refutar os falsos ensinamentos dentro cia
igreja de Corinto. Ela defendia a glória do ministério cristão e insistia
na glória do ministério cle dar.
Gálatas (cerca de 49 d.C.) essa carta foi escrita às igrejas que
Paulo havia fundado na sua primeira viagem missionária à região cia
Galácia. Sua finalidade principal era refutar aqueles que ensinavam
que os gentios deviam obedecer às leis judaicas a fim de serem sal
vos. Nesse sentido, a carta aos Gálatas ensinava a revelação pessoal,
a justificação e a santificação.
Efésios (cerca de 60 d.C.) esta carta foi escrita à igreja que Paulo
havia fundado em Éfeso para fortalecer a fé dos crentes ao explicar a
natureza e o propósito cia igreja como corpo cle Cristo.
Filipenses (cerca de 61 d.C.) esta carta foi escrita por Paulo à
igreja cle Filipos para agradecer pela oferta que esta havia lhe envia
do, e afirmar que a verdadeira alegria vem somente por meio de
Jesus Cristo. Essa alegria em Cristo se expressa através cia nossa vicia,
do nosso exemplo, do nosso propósito, e da suficiência que recebe
mos do Senhor.
Colossenses (cerca de 60 cl.C.) esta carta foi escrita à igreja em
Colossos (nunca visitada por Paulo). A sua intenção era combater os
erros que haviam sido introduzidos na igreja por alguns crentes que
tentavam combinar elementos do paganismo com a filosofia secular
da doutrina cle Cristo. Esse livro realça a glória de Cristo, as suas
respostas aos erros doutrinários e como a união com Ele forma a
base para a vida cristã.
1 Tessaionicenses (cerca de 51 a 52 d.C.) esta carta foi escrita
para fortalecer os tessaionicenses na sua fé e assegurar-lhes a volta
de Cristo.
166
A E s t r u t u r a d a B íb l ia
2 Tessalonicenses (cerca de 51 a 52 d.C.) esta carta foi escrita
aos tessalonicenses para esclarecer a confusão relativa à segunda vin
da de Cristo.
1 Timóteo (cerca de 64 cl.C.) esta carta, dirigida a Timóteo, discí
pulo de Paulo, e aos jovens lideres das igrejas em toda parte, tinha a
finalidade de encorajá-los e instruí-los. Ela faz uma revisão das disci
plinas da sã doutrina, da adoração, do governo da igreja e da lideran
ça pastoral local.
2 Timóteo (cerca de 66 a 67 cl.C.) escrita pouco antes da execu
ção de Paulo por Nero, esta carta dava instruções finais e encorajava
Tito e os demais líderes da igreja.
Tito (cerca de 64 cl.C.) esta carta foi escrita a um grego chamado
Tito que, provavelmente, havia se tornado cristão por meio do minis
tério cie Paulo. Esse livro tinha a finalidade cie aconselhar Tito sobre
suas responsabilidades na supervisão das igrejas na ilha de Creta.
Filem om (cerca cie 60 d.C.) escrita por Paulo a Filemom para
convencê-lo a perdoar o escravo que havia fugido e aceitá-lo como
irmão na fé.
Hebreus (antes de 70 cl.C.) foi escrita para apresentar a suficiência
e a superioridade de Cristo. O autor desse livro é desconhecido, embo
ra alguns versos possam sugerir que o autor também tenha sido Paulo
(Hb 13.23 — Timóteo era conhecido como um querido amigo e irmão
cle Paulo; 2 Pe 3.15 — pode ter se referido ao livro de Hebreus). Esse
é um livro básico para a definição do relacionamento do cristianismo
com o judaísmo. Ele discute a superioridade de Cristo em relação aos
profetas, anjos, Moisés, Josué e os sacerdotes. Ela também faz uma
revisão da superioridade da Nova Aliança em relação à Antiga Aliança.
Tiago (cerca cle 49 d.C.) é a primeira carta do Novo Testamento que,
definitivamente, não foi escrita por Paulo. O autor, Tiago — irmão de
Jesus e líder da igreja de Jerusalém — estava escrevendo para os cristãos
1 6 7
E x a m in e as E v id ê n c ia s
do primeiro século no mundo inteiro. O propósito dessa carta é expor as
práticas cristãs hipócritas, e estimular um comportamento adequado.
1 Pedro (cerca de 62 a 64 cl.C.) esta carta foi escrita pelo apóstolo
Pedro provavelmente em Roma e sob a perseguição cie Nero. Foi
dirigida aos cristãos expulsos de Jerusalém para encorajá-los a supor
tar o seu sofrimento.
2 Pedro (cerca de 67 cl.C.) foi escrita por Pedro aos cristãos de
toda parte a fim de preveni-los sobre os falsos ensinamentos e exortá-
los na fé. Os cristãos eram encorajados a crescer no seu conhecimen
to de Cristo.
1 João (cerca cie 85 a 90 cl.C.) foi escrita pelo apóstolo João como
uma carta pastoral dirigida a várias congregações dos gentios com a
intenção de ensinar os crentes de tocla parte. Sua finalidade era tranqüi
lizar os cristãos na sua fé e ajudá-los a enfrentar os falsos ensinamentos.
2 Jo ã o (cerca cie 90 cl.C.) foi escrita para uma determinada “se
nhora eleita” que pode ser uma metáfora da igreja, mas a mensagem
estava claramente dirigida aos cristãos de tocla parte. Essa pequena
carta pretendia realçar os ensinamentos básicos de quem deseja se
guir a Cristo e se prevenir contra os falsos mestres.
3 Jo ã o (cerca de 90 d.C.) foi escrita por João a Gaio, líder da
igreja, e a todos os cristãos. A finalidade dessa carta é agradecer a
Gaio pela sua hospitalidade e encorajá-lo na sua vida cristã.
Ju d as (cerca cie 65 cl.C.) foi escrita por Judas, irmão de Jesus e de
Tiago, aos judeus convertidos ao cristianismo, como também a todos
os cristãos. Sua finalidade era lembrar a igreja da necessidade de
permanecer em guarda — oponcio-se às heresias, e sendo forte na fé.
O último livro da Bíblia é o Apocalipse, escrito cerca de 95 d.C.
pelo apóstolo João enquanto estava no exílio na ilha cie Patmos.
Essa carta foi endereçada especificamente às sete igrejas da Ásia,
1 6 8
A E s t r u t u r a d a B íb l ia
mas o seu claro propósito era ensinar os crentes cio mundo inteiro.
Embora tenha sido escrito sob uma forma repleta de simbolismos,
talvez para proteger o autor da ameaça da perseguição, o propósito
desse livro é revelar a plena identidade de Cristo, dar conselhos e
transmitir esperança aos crentes.
V
Avalie o que Você Aprendeu
1. Quais são os livros da Torá e quando foram escritos?
2. Quais são as principais seções do Antigo Testamento?
3. Quais são os cinco livros dos profetas maiores? Como esses
profetas foram classificados?
4. Qual é a data aproximada em que os Evangelhos foram escri
tos? Qual é a importância da data das autorias?
5. Qual é a finalidade principal das epístolas? Quem escreveu a
maioria delas?
Capítulo 9 — Grupo de Estudo j
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: 2 Timóteo 3.16,17 e o capítulo 9 deste texto.
O ração de Abertura
D iscussão: Leia 2 Timóteo 3.16,17. Discuta o significado desses
versículos e questione a época dos livros da Bíblia em relação à
história do mundo.
Atividade Prática
A questão entre o “crente” e o “nào-crente” forma a estrutura cia
Bíblia. Esteja preparado para explicar a estrutura e o propósito de
cada uma das partes mais importantes, e responder às perguntas que
o nào-crente possa fazer.
O ração de Encerram ento
169
10
Os Manuscritos do Mar Morto, a
Septuaginta, e como Foram
Validados por Jesus
A alvez a descoberta religiosa mais importante jamais feita pela
arqueologia tenha sido os cerca cie 800 manuscritos encontrados nas
cavernas de Qumran, situadas na margem noroeste do mar Morto.
Esses manuscritos foram escritos aproximadamente entre os anos 250
a.C. e 65 d.C. e foram descobertos acidentalmente em 19-47. Suas
condições variavam entre manuscritos completos, quase perfeitos e
outros que estavam seriamente danificados e rompidos em milhares
de fragmentos. Além dos inúmeros manuscritos relevantes ã cultura
dos essênios, todos os livros do Antigo Testamento, com exceção de
Ester, estavam representados em Qumran (inteiros ou em parte). O
E x a m in e as E v id ê n c ia s
número de livros do Antigo Testamento e dos seus fragmentos en
contrados em Qumran está relacionado abaixo:1
Livro Núm ero de Cópias(segundo a ordem ca n ô n ica h ebra ica ) (? =
Gênesis 18
Êxodo 8
Levítico 17
Números 12
Deuteronômio 31
Josué 2
Juizes 3
1 - 2 Samuel 4
1 - 2 Reis 3
Isaías 22
Jeremias 6
Ezequiel 7
Doze (profetas menores) 10 ■
Salmos 39 ■
Provérbios 2
Jó 4
Cantares 4
Rute 4
Lamentações 4
Eclesiastes 3
Ester 0
Daniel 8 +
Esd ras-N eemias 1
1—2 Crônicas 1
3?
CONCEITO-CHAVE
Os m anuscritos do m ar Morto representam todos os livros
d o Antigo Testamento com ex ceção d e Ester (inteiros ou
em parte).
1 7 2
Os M a n u s c r i t o s d o M a r M o r t o , a S e p t u a g i n t a ,
e c o m o F o r a m V a l i d a d o s p o r J e s u s
Os manuscritos encontrados em Qumran foram enterrados pro
fundamente nas cavernas quando os romanos estavam avançando
para esmagar a revolta dos judeus em 66 cl.C. (Jerusalém e o Tem
plo foram totalmente destruídos em 70 d.C. e os judeus foram ex
pulsos da cidade). Os essênios formavam uma seita de judeus reli
giosos que escolheram viver como segregados dos hábitos religio
sos de Jerusalém. Eles fundaram seu domicílio num enclave cia ci
dade de Qumran, situada no lado noroeste do mar Morto, onde
praticavam uma rígida obediência à religião judaica e se dedicavam
a copiar a Sagrada Escritura. Essas cópias da Escritura, assim como
outros importantes documentos dos essênios, foram guardados em
jarros de louça e depois colocados nas livrarias das cavernas. Ao
receber a notícia de que os romanos estavam avançando, os essênios
abandonaram as cavernas (68 d.C.) e elas permaneceram intocadas
durante quase 1900 anos.
Em março de 1947 um jovem beduíno chamado Muhammad, que
estava à procura de uma cabra extraviada nas colinas em volta de
Qumran, jogou uma pedra numa das cavernas e ficou surpreso ao
ouvir o barulho de louça quebrada. Ao investigar o barulho, entrou
na caverna escura e desceu até o fundo. Ele descobriu inúmeros
potes de louça que continham manuscritos de couro envoltos em
tecido de linho. Como esses manuscritos haviam sido cuidadosamen
te preparados e selados nos jarros de barro, eles estavam em excelen
tes condições. Nos anos seguintes, foram descobertas outras caver
nas que continham mais manuscritos elevando o número total a vári
as centenas deles, com milhares de fragmentos que ainda estão sen
do analisados e agrupados.
Não se pode exagerar suficientemente a importância da descoberta
dos manuscritos cio mar Morto quanto à comprovação da precisão dos
manuscritos bíblicos. Por exemplo, um manuscrito cie Tsaías, escrito
em 150 a.C. e encontrado em condições quase perfeitas, foi compara
do a um texto escrito em hebraico massorá, datado de 916 d.C., e
revelou ser consistente depois de mais de 1000 anos! Na verdade, de
166 palavras do capítulo 53 do manuscrito de Isaías, somente 17 letras
mostravam algum possível sinal de mudança. E no caso das letras em
questão, as mudanças representam questões de mudança ortográfica e
173
E x a m in e as E v id ê n c ia s
de estilo, tais como as conjunções, que não têm nenhuma influência
no significado do texto.2
A descoberta dos manuscritos do mar Morto e a comparação do
seu texto com cópias posteriores revelaram, sem sombra de dúvida,
que o Antigo Testamento foi precisamente transmitido ao longo dos
séculos. Isso tem uma importância imensurável na avaliação da ver
dade e da relevância de Jesus porque o Antigo Testamento contém
muitas profecias sobre o Messias que foram precisamente cumpridas
por Jesus.
Os manuscritos do mar Morto, contendo profecias feitas centenas
de anos antes de Jesus, foram escritos décadas, e em alguns casos,
centenas de anos antes de Jesus. Dessa maneira, ficamos sabendo
que elas não foram escritas “depois do fato”. Isso também significa
que podemos saber, com certeza, que não foram inventadas e será
essencial para avaliarmos a importância da sua realização por Jesus.
Quando analisamos as probabilidades estatísticas das inúmeras pro
fecias que se tornaram verdadeiras em apenas um homem, percebe
mos que isso seria virtualmente impossível de acontecer, a não ser
que houvesse uma intervenção divina ( veja a Parte 3). Isso nos leva à
decisiva conclusão de que Jesus é o Messias profetizado pelo Antigo
Testamento.
A Septuaginta
Depois da conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, no
ano 331 a.C., não demorou muito para que o povo cla Judéia trocasse
o hebraico, sua língua nativa, pelo grego. Quando isso aconteceu,
somente os escribas e um seleto grupo de pessoas cultas eram capa
zes de ler a Sagrada Escritura. Reconhecendo este problema, durante
o terceiro e o segundo séculos a.C., os judeus nomearam um grupo
de 70 anciãos (daí a origem do nome Septuaginta, ou LXX) para
traduzir o Antigo Testamento para o grego. A Septuaginta era
comumente usada na época de Jesus. A maioria das citações do An
tigo Testamento, que constam do Novo Testamento, tem sua origem
na Septuaginta. Ela teria sido a Escritura que Jesus usou para ensinar
às pessoas do povo. Na verdade, os cristãos adotaram tão seriamente
1 7 4
Os M a n u s c r it o s d o M a r M o r t o , a S e p t u a g in t a ,
f. c o m o F o r a m V a l id a d o s p o r J e s u s
esse livro que os judeus acabaram perdendo o interesse e passaram a
considerá-lo como o “Antigo Testamento cristão”. Ainda agora ele é
considerado como a “versão oficial do Antigo Testamento” pela Igre
ja Ortodoxa Grega. Atualmente, temos alguns fragmentos da
Septuaginta de antes de 200 a.C. Outros fragmentos foram encontra
dos entre os manuscritos do mar Morto, embora a maioria deles esti
vesse escrita em hebraico. Existem várias razões pelas quais a tradu
ção da Septuaginta é especialmente importante:
• Como já mencionamos, ela era a versão do Antigo Testamento
geralmente disponível na época de Jesus, portanto, exige uma
atenção especial.
• Assim como os manuscritos do mar Morto, a Septuaginta esta
belece as profecias a respeito de Jesus em um determinado
momento antes da sua vinda. Podemos estar certos cie que as
profecias não foram inventadas a fim de se adaptar às circuns
tâncias da vida de Jesus.
• A Septuaginta foi traduzida da Escritura Hebraica pouco antes,
ou até na mesma época, da mais antiga Escritura Hebraica que
temos hoje (os manuscritos do mar Morto). Conseqüentemen
te, ela será útil para esclarecer quaisquer pontos controversos.
Jesus Confirmou as Escrituras Judaicas
Ao analisar a confiabilidade da Bíblia, muitos deixam de lado a
confirmação de Jesus. Devemos lembrar, em primeiro lugar, que Je
sus realmente confirmou todo o Antigo Testamento. Como mencio
namos, a Sagrada Escritura habitualmente usada durante o seu tempo
era a mesma Septuaginta que temos atualmente disponível para leitu
ra. Além disso, os manuscritos do mar Morto representam a Escritura
hebraica daquela época.
Em outras palavras, na mente de Jesus não havia nenhuma ques
tão relativa à escolha dos manuscritos (“livros”) reconhecidos como
Sagrada Escritura — também chamada de T anakb pelos judeus. O
Tanakh usado por Jesus era idêntico ao Antigo Testamento atual,
1 7 5
E x a m in e as E v id ê n c ia s
exceto que os manuscritos judeus com bin avam alguns livros (por
exemplo, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Jeremias, Lamentações
e outros) de modo que os 39 livros do Antigo Testamento Protestante
estavam contidos em 20 livros.
A Apócrifa
Os 11 livros apócrifos incluídos na Bíblia da igreja católica romana
não eram considerados como parte da Sagrada Escritura na época de
Jesus. Eram geralmente guardados no mesmo local da Escritura Sagra
da e entendidos como fontes de boas referências para o ensino, entre
tanto, simplesmente não eram
considerados como “inspirados
por Deus”. Isso é interessante,
porque esses livros estavam vir
tualmente sempre junto com a
Bíblia, e mesmo quando a Bíblia
era colocada sob a forma de um
coclex (livro), a apócrifa era ge
ralmente incluída. Até a Bíblia
produzida por Martinho Lutero,
líder da Reforma Protestante, continha esses livros.
Foi somente depois da Refor
ma Protestante que a igreja ca
tólica romana declarou de for
ma infalível que a Apócrifa era
parte da Sagrada Escritura. Mas
a igreja protestante discordou e
continuou a afirmar que os li
vros apócrifos eram apenas uma
“boa fonte de ensino” e não ti
nham sido inspirados por Deus. Por fim, por causa da grande exten
são, no que se refere ao custo de imprimir páginas extras na Bíblia
para aqueles leitores que estavam mais interessados na Palavra inspi
rada por Deus, a Apócrifa foi excluída das Bíblias Protestantes.
A Apócrifa não foi reconhecida
por Jesus — nem pelos autores
do Novo Testamento, nem peíos
patriarcas da Igreja — como
sendo a Sagrada Escritura até os
anos 1 500, quando a Igreja Ca
tólica Romana declarou que era
"igual à Escritura" e incluiu esses
livros na sua Bíblia. Entretanto,
eles sempre foram considerados
como "edificantes" e até incluí
dos por Martinho Lutero como
parte (uma parte "não inspirada
por Deus") em sua Bíblia. Mais
tarde, os protestantes excluíram
a Apócrifa da sua Bíblia.
1 7 6
Os M a n u s c r it o s d o M a r M o r t o , a S e p t u a g i n t a ,
e c o m o F o r a m V a l id a d o s p o r J e s u s
Jesus Pré-confirmou o Novo Testamento
Jesus verdadeiramente pré-eonfirmou o desenvolvimento do Novo
Testamento e a inspiração do Espírito Santo. Durante sua permanên
cia na terra, Jesus deu aos apóstolos a autoridade para escrevê-lo, e
depois o profetizou e confirmou.
Primeiro, Ele concedeu autoridade. O Espírito Santo iria guiar to
das as palavras dos apóstolos:
Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai envi
ará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos
fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito (Jo 14.26).
Mas. quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos
guiará em toda a verdade, porque não falará de si mes
mo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o
que há de vir (Jo 16.13).
Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o
que vos convenha falar (Lc 12.12).
Segundo, o evangelho foi profetizado. Jesus previu 17 vezes que
o evangelho seria propagado. Por exemplo:
E este evangelho cio Reino será pregado em todo o mun
do, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim
(Mt 24.14).
Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho
for pregado, em todo o mundo, também será referido o
que ela fez para memória sua (Mt 26.13)-
Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão
de passar (Lc 21.33).
Terceiro, em três ocasiões diferentes, Jesus confirmou o evange
lho durante o período em que estava sendo pregado:
1 7 7
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
E disse o Senhor, em visão, a Paulo: Não temas, mas fala
e não te cales (At 18.9).
E aconteceu que, tornando eu para Jerusalém, quando
orava no templo, fui arrebatado para fora cle mim. E vi
aquele que me dizia: Dá-te pressa e sai apressadamente
de Jerusalém, porque não receberão o teu testemunho
acerca cle mim (At 22.17,18).
E, na noite seguinte, apresentando-sedhe o Senhor, dis
se: Paulo, tem ânimo! Porque, como de mim testificaste
em Jerusalém, assim importa que testifiques também em
Roma (At 23.11).
Embora o Novo Testamento tenha
Jesus confirmou o Antigo sido escrito depois das extensas apari-
Tesfamento (Tanakh) còcs de Jesus na terr:l a'K>s a sua rt''s-
. suireicao, cremos (jiie o Senhor havia
quando esteve na terra. . , , , , ,
previsto a sua vinda. Alem disso, ele
E também pré-confirmou confirmou a escrita do Novo Testamento
o Novo Testamento. durante o período em que estava sen
do registrado, para qu e depois fosse
compilado.
Sabendo que o Espírito Santo guiou os escritos do Novo Testa
mento, e sabendo que havia sido previsto e confirmado pelo próprio
Jesus, podemos confiar nas suas palavras.
■ Avalie o que Você Aprendeu
1. Qual foi o único livro do Antigo Testamento que não foi inclu
ído nos manuscritos do mar Morto?
2. Por que é importante saber que os manuscritos do mar Morto
foram realmente escritos antes do nascimento de Cristo?
3- O que é a Septuaginta? Por que é importante?
1 7 8
Os M a n u s c r it o s d o M a r M o r t o , a S e p t u a g í n t a ,
e c o m o F o r a m V a l id a d o s p o r J e s u s
4. De .que maneiras Jesus confirmou a Bíblia?
5. O que é a Apócrifa? Quem a incluiu como parte da Bíblia?
Quem recusou? Por quê?
Capítulo 10 — Grupo de Estudo
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: Mateus 24.14 e o capítulo 10 deste texto.
O ração de Abertura
Discussão: Discuta por que os manuscritos do mar Morto são, pro
vavelmente, a descoberta arqueológica mais importante de todos os
tempos — especialmente em relação ã Bíblia. Preste particular aten
ção às profecias de Jesus.
Atividade Prática
Entrevista p a r a a TV: O “cristão” está participando de um show
que trata da questão das profecias cie Jesus terem sido escritas, ou
não, depois do seu cumprimento.
Oração de Encerram ento
A Grande Divulgação dos Manuscritos
do Novo Testamento
JL Igreja Cristã Primitiva entrou em cena mais rapidamente que
qualquer outro fenômeno teológico ou filosófico de todos os tempos.
A Bíblia informa que cerca de 3 mil pessoas aderiram ao grupo num
único dia — 50 dias depois da ressurreição (no dia conhecido como
Dia de Pentecostes). Provavelmente, eram todos homens, pois essa
era a maneira como as “pessoas” eram contadas naquela época. Se
acrescentarmos a eles as mulheres, as crianças e os crentes que já
existiam, isso teria levado o número total para aproximadamente 6
mil a 10 mil pessoas. Alguns dias depois, quando Pedro e João foram
capturados pelos guardas do templo e colocados na prisão por pre
gar sobre a ressurreição (At 4.1-4), o número de cristãos havia au
mentado para 5 mil homens e, novamente, somando as mulheres e as
crianças, ele pode ter chegado a 10 mil ou 15 mil, poucos dias depois
da ressurreição!
Essa rápida reação em cadeia da Igreja exigia algum controle para
garantir a precisão e a consistência da mensagem. Por essa razão, o
relato do ministério de Jesus, da sua morte e ressurreição, foi registra
do por vários e diferentes autores.
Além dos relatos precisos a respeito de Jesus, que seriam distri
buídos numa igreja que estava em rápida expansão, também era
necessário que houvesse uma orientação e uma organização nesse
E x a m in e as E v id ê n c ia s
crescimento. As cartas escritas por Paulo tinham exatamente essa
finalidade. Assim como os Evangelhos, elas foram profusamente
copiadas e distribuídas. Os E v an g elh os , as C artas e o livro do
A pocalipse (todos do Novo Testamento) fo r a m aceitos p o r m uitas
p essoas com o inspirados p o r D eus na época em que foram escritos.
Os patriarcas da Igreja concordaram em confirmar esses escritos do
Novo Testamento no início do ano 200, e ele foi oficialmente cano
nizado em 397.
Durante séculos o Antigo Testamento havia sido copiado por
escribas treinados, que obedeciam a regras rígidas e detalhadas de
escrituração, e isso resultou em registros isentos de erros (veja as
páginas 156,157). O Dr. Norman Geisler escreve:
Embora nem toclos os copistas cio Novo Testamento fos
sem escribas treinados profissionalmente, eles foram capa
zes de transcrevê-lo com tanto cuidado que a precisão des
se processo ficou demonstrada pela nossa capacidade de
determinar o texto original com um grau de precisão muito
mais elevado do que qualquer outro livro da antiguidade.1
Antigos Manuscritos do Novo Testamento
Atualmente, quase 2000 anos depois cla época de Jesus, temos um
número extraordinário cie manuscritos antigos do Novo Testamento
ainda existentes (cerca de 5.700). Isso é verdadeiramente notável,
considerando a perseguição inicial que procurou destruir esses regis
tros. Essas cópias existem em diferentes formatos e línguas.2
Antigos M anuscritos Existentes Número Existente
de A cordo com a Língua
Outros
Total
Grego
Vulgata LatinaEtíope, Eslavo, Armênio
5.700
8.000 a 10.000
8.000
Cerca de 1.000
Cerca de 24 .000
1 8 2
A G r a n d e D iv u l g a ç à o d o s M a n u s c r it o s d o N o v o T e st a m e n t o
A proximidade dos registros do Novo Testamento com a ressurrei
ção também é muito importante. Os registros mais antigos fazem
parte da época dos testemunhos oculares. Muitos outros fazem parte
de uma ou duas gerações posteriores. Dois importantes critérios aju
dam a assegurar a confiabilidade do texto: 1) o grande número de
manuscritos consistentes, e 2) o fato de a data dos primeiros manus
critos ser próxima dos eventos. Isso faz com que sejam favoravel
mente comparados a outros documentos da antiguidade que são ge
ralmente considerados históricos:1
Obra Número de Manuscritos Anos Desde o
Existentes Manuscrito Original
Homero - Ilíada 643 400
Heródoto - História 8 1350
Tucídides - História 8 1300
Platão 7 1300
Demóstenes 200 1400
César - Guerras G ãlicas 10 1000
Lívio - H istória de Rom a 19+1 Parcial 1000; 400
Tácito - A nais 20 1000
Plínio Segundo - História 7 750
Novo Testam ento 5700 50 a 225
Torna-se aparente que o Novo Testamento se encontra bem acima
de todos os outros livros mais importantes da antiguidade em: 1) nú
mero de cópias comprobatórias e 2) proximidade das cópias com a
escrita original, e isso tem grande significado. Estamos sempre dispos
tos a aceitar outros livros de história escritos pelos autores relaciona
dos acima, embora a confirmação desses documentos seja muito me
nos substancial e as cópias tenham sido posteriormente removidas dos
autógrafos originais. Deveríamos ter uma confiança muito maior na
precisão com que foi feita a transmissão do Novo Testamento.
Finalmente, em relação à consistência de um grande número de
cópias do Novo Testamento, encontramos uma substancial concor
dância e nenhum desacordo doutrinário. Como já mencionamos, na
maior parte os copistas não eram escribas treinados no sentido clássi
1 8 3
E x a m in e as E v id ê n c ia s
co. Um exemplo de uma insignificante inconsistência entre os docu
mentos do Novo Testamento pode ser a transposição da ordem das
palavras. Em nosso idioma vai fazer muita diferença se escrevermos “o
homem come galinhas” e “as galinhas comem o homem”. Em grego
isso não acontece. Em grego, cada sentença tem um sujeito definido,
um verbo e um predicado baseados na forma da palavra. Portanto, a
ordem das palavras não faz nenhuma diferença.4 Os estudiosos da
Bíblia, que analisaram a documentação do Antigo Testamento, afir
mam que ele é mais “puro” do que qualquer outro livro da antiguida
de. Os especialistas Norman Geisler e William Nix concluíram que o
Novo Testamento “sobreviveu numa forma que é 99,5% pura”.5
lÍÊi!ÁitJÊÊfi%á&4 • tô.$SlÈitlii£tiÊÈÊÊÊÊiSÊÍÍÊtíltÈÊÊ :
Fatos Fascinantes
Voltaire, o famoso escritor e filósofo francês alardeava, em
1700, que dentro de 100 anos o cristianismo e a Bíblia
iriam desaparecer — sugerindo que suas próprias obras
iriam durar muito mais. Atualmente, poucos conhecem as
obras de Voltaire, enquanto a Bíblia é um “best-seller”
permanente. Ironicamente, a casa de Voltaire e os seus
equipamentos agora são usados pela G eneva B ible Society
para publicar Bíblias.6
____________ CONCEITO-CHAVE --------------------
Existem, atualm ente, cerca d e 5 .7 0 0 cóp ias antigas do
Novo Testamento, e algum as d as suas porções p od em es
tar b ã 5 0 an os d a cóp ia original. Isso é muito superior a
q u a lqu er outro texto antigo, pois a m aioria deles tem
m enos d e d oze cóp ias escritas p e lo m enos m il an os depois
d a red ação original.
1 8 4
A G r a n d e D i v u l g a ç ã o d o s M a n u s c r i t o s d o N ovo T e s t a m e n t o
Antigos Manuscritos Confirmam a sua Precisão
Como mencionamos acima, houve uma explosão tão grande dos
manuscritos do Novo Testamento que hoje dispomos de um grande
número de cópias antigas — que em muito superam todos os outros
livros da história cia antiguidade.
Além das cópias do Novo Testamento, existem vários documentos
de fontes não cristãs que corroboram alguns fatos sobre Jesus, como
a crucificação, a crença na ressurreição, seus inúmeros seguidores e
seus milagres.
Exemplo das Cópias Existentes do Novo Testamento
Embora o número de cópias antigas do Novo Testamento chegue
aos milhares, existem outras que são especialmente importantes.
Papiro Jo h n Rylands. João 18.31-33 e também João 18.37,38
aparecem no papiro conhecido como papiro de John Rylands:
Disse-lhes, pois, Pilatos: Levai-o vós e julgai-o segundo a
vossa lei. Disseram-lhe, então, os judeus: A nós não nos
é lícito matar pessoa alguma. (Para que se cumprisse a
palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte
havia de morrer.) Tornou, pois, a entrar Pilatos na audi
ência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o rei dos
judeus? (Jo 18.31-33)
Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu:
Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci e para isso
vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Disse-
lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isso, voltou até
os judeus e disse-lhes: Não acho nele crime algum (Jo
18.37,38).
O papiro John Rylands, datado de 125 d.C, é o fragmento mais
antigo e comumente aceito do Novo Testamento existente hoje. (Em
bora alguns estudiosos acreditem que certas porções do Novo Testa
1 8 5
E x a m in e as E v id ê n c ia s
mento tenham sido encontradas entre os Rolos do mar Morto, outros
crêem que estes achados pertençam meramente ao livro não bíblico
de Enoque).
O papiro Rylands é importante em virtude da sua data e localiza
ção. Encontrado no Egito, a centenas de quilômetros do provável
lugar do autógrafo na Ásia Menor, ele parece indicar que o Evange
lho original de João poderia muito bem ter sido escrito no início de
40 d.C.7 O famoso estudioso da Bíblia, E F. Bruce, que foi professor
de Rylands na Universidade de Manchester, diz que o Evangelho de
João, o último dos Evangelhos, foi escrito em 90 d.C.H
Mesmo que o Evangelho original de João tenha sido escrito no
início de 40 d.C., ou mais tarde, em 90 d.C., o que sabemos é que João
estava presente no momento em que havia muitas testemunhas ocula
res da crucificação e ressurreição de Jesus. Isso nos dá a certeza de que
ele tinha condições de ser examinado em relação à sua precisão.
O Codex Sinaiticus (O Código Sinaítico). O Codex Sinaiticus é
um dos manuscritos bíblicos mais importantes jamais encontrados,
por ser uma das cópias mais completas e antigas da Bíblia. Até a
descoberta do Código é interessante:
O fogo ardia calidamente, lançando sombras bruxuleantes
sobre as paredes do mosteiro situado na base do monte
Sinai. Os monges se amontoavam ao redor dele e con
versavam tranqüilamente sobre os eventos do dia. Um
jovem de 30 anos chamado Tischendorf, da Universida
de de Leipzig, havia chegado no começo do dia à procu
ra de manuscritos da Bíblia. Os monges ficaram fascina
dos com o seu entusiasmo, sorriam disfarçadamente, e
imaginavam por que encontrar Bíblias antigas era tão
importante para ele.
Tischendorf, aproximando-se do fogo, dirigiu-se a um
cesto de papel usado para manter o fogo aceso. Quando
estava prestes a lançar uma folha às chamas, parou in
crédulo olhando para o que segurava nas mãos. Para sua
surpresa, tratava-se de parte de uma antiga cópia da ver-
1 8 6
A G r a n d e D i v u l g a ç ã o d o s M a n u s c r i t o s d o N ovo T e s t a m e n t o
são Septuaginta da Bíblia. Os monges começaram a rir
quando Tischendorf contou o que havia encontrado, di
zendo que já haviam queimado dois cestos de papel chei
os dos mesmos manuscritos. O jovem implorou que lhe
dessem outras folhas do manuscrito que tinham em seu
poder e pediu para não queimarem nenhuma outra que
porventura ainda tivessem.
Tischendorf retornou à sua casa e mandou publicar as
porções da Bíblia que havia recuperado, dando-lheso
nome de código Frederico-Augustanus. Mais tarde, ele
voltou uma segunda vez ao mosteiro, e depois uma ter
ceira vez. Agora já havia conquistado a confiança e a
amizade dos monges. Ele levou uma cópia da versão
publicada da Septuaginta e deu ao administrador do
mosteiro. Naquela noite, o administrador o chamou em
particular.
“Tenho uma coisa para lhe mostrar” disse ao enfiar a
mão num armário e retirar um manuscrito, meticulosa
mente envolvido num tecido vermelho. Vagarosamente,
ele abriu o pacote que tinhas nas mãos e Tischendorf
não conseguiu acreditar nos seus olhos. Era uma Bíblia
quase completa e, obviamente, de origem muito antiga.
Lágrimas começaram a rolar nas suas faces. Naquela noi
te, ele não conseguiu dormir e ficou examinando as pa
lavras do manuscrito. Nessa época, ele escreveu no seu
diário: “Parecia realmente que estaria cometendo um sa
crilégio se fosse dormir”. Alguma coisa verdadeiramente
muito importante havia sido descoberta.9
O manuscrito descoberto pelo Dr. Constantin Von Tischendorf
é conhecido atualmente como Código Sinaítico e foi organizado
em 1859. Ele contém quase todo o Novo Testamento e quase me
tade do Antigo Testamento. Posteriormente, o mosteiro deu esse
manuscrito de presente ao czar da Rússia e, mais tarde, ele foi
comprado pelo governo britânico por 100 mil libras no dia de
Natal de 1933-
1 8 7
E x a m in e as E v id ê n c ia s
Esse Código, escrito em grego, foi copiado primeiramente de um
manuscrito original, mais ou menos por volta cle 350 d.C. Os especi
alistas concluíram que três escribas estiveram envolvidos nessa cópia
e cerca de nove “corretores” haviam feito algumas anotações no de
correr dos séculos. Ele consiste de 148 páginas, medindo 35 por 36
centímetros cada página, escritas com tinta marrom, e cada página
tem quatro colunas e 48 linhas em cada coluna. Ele é consistente com
muitas cópias anteriores de porções do Novo Testamento encontra
das anteriormente (algumas dessas porções da Bíblia datam do início
do segundo século). Atualmente, o Código Sinaítico está guardado
no Museu Britânico.
O Código Sinaítico, escrito somente algumas gerações depois das
testemunhas oculares de Jesus, serve para corroborar que o texto do
Novo Testamento é uma precisa representação cia vida, morte e res
surreição de Jesus.
O Código Vaticano. De acordo com o autor e historiador Eusébio,
clo início do ano 300, Constantino mandou que fossem feitas 50 cópi
as “oficiais” da Bíblia para serem guardadas em Roma. Alguns estudi
osos afirmam que o Código Vaticano, guardado durante séculos no
Vaticano, em Roma, é uma das cópias verdadeiras solicitadas por
Constantino.
Não podemos ter certeza disso. Entretanto, estamos certos cia im
portância do manuscrito por causa da sua origem antiga e cia sua
integralidade.
O Código Vaticano foi escrito em aproximadamente 325 d.C. e é
uma edição quase completa da Bíblia atual. Ele contém todo o Antigo
Testamento, exceto a maior parte do livro cle Gênesis. Contém tam
bém o Novo Testamento, inclusive os Evangelhos, Atos e as cartas de
Paulo, e uma parte cle Hebreus. Estão faltando as cartas pastorais e o
livro cle Apocalipse. A porção que está faltando (a maior parte de
Gênesis e o final da Bíblia) deve-se ao fato de que tanto o início
como o final da Bíblia foram danificados e perdidos.
O Código Vaticano foi escrito em grego uncial, isto é, todas as
letras eram maiúsculas e não havia pontuação. O Antigo Testamento
1 8 8
A G r a n d e D iv u l g a ç ã o d o s M a n u s c r it o s d o N o v o T e st a m e n t o
consiste de 617 folhas (páginas) e o Novo Testamento de 142. Cada
folha mede cerca de 28 por 28 centímetros e está formatada em três
colunas com 40 a 44 linhas em cada coluna. Os estudiosos acreditam
que um escriba copiou o Antigo Testamento a partir de um exemplar
mestre e outro copiou o Novo Testamento da mesma maneira. Acre
ditam que um “corretor” trabalhou nesse manuscrito logo depois de
terminado e que ele também foi trabalhado por um segundo “corre
tor”, centenas de anos depois, provavelmente cerca do décimo ou
décimo primeiro século.
O Código Vaticano tem uma importância enorme. Ele representa a
Bíblia mais antiga e quase completa que temos disponível atualmente
e foi escrito apenas 200 anos depois da época dos apóstolos. Ele é
idêntico à Bíblia que lemos hoje, com apenas algumas exceções muitas
vezes observadas em muitas Bíblias de estudo.
O Código Vaticano nos dá provas de que a história de Jesus, como
é lida hoje, é idêntica à crença que era amplamente aceita na sua
época.
‘‘ í
Avalie o que Você Aprendeu
1. Por que é importante a existência de um grande número de
manuscritos consistentes para aumentar a confiabilidade?
2. Por que o fato de ter cópias próximas aos autógrafos ajuda a
assegurar a confiabilidade?
3. Aproximadamente, quantas cópias de alguns manuscritos anti
gos e quase completos da Bíblia existem atualmente?
4. Quantos anos se passaram desde que o livro de João foi escrito
no papiro John Ryland? Seria concebível que o copista tivesse
conhecido o apóstolo João?
5. O que são o Código Sinaítico e o Código Vaticano, e aproxima
damente quando eles foram escritos?
1 8 9
E x a m in e as E v id ê n c ia s
Capítulo 11 — Grupo de Estudo
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: o capítulo 11 deste texto.
Oração de Abertura
Discussão: Discuta a afirmação de Norman Geisler e de Willian
Nix de que a Bíblia é “99,5%” textualmente precisa (página 184).
Como o número de manuscritos, a proximidade dos autógrafos e o
grau de variação levaram ambos a fazer essa afirmação?
Atividade Prática
C on ferên cia com a Im prensa: O “cristão” estará analisando as pre
ocupações da imprensa relativas à garantia de que a Bíblia é confiável.
Como podemos saber que ela não foi alterada pela Igreja Católica
(ou outros grupos) no decorrer dos anos, como alegam muitas vezes?
Oração de Encerramento
1 9 0
D o cu m en to s N ão-C ristãos
a R esp e ito de Je s u s
sol estava se pondo, enquanto o vento fresco e seco soprava
sobre o Nilo. Os homens levavam consigo o seu precioso tesouro para
escondê-lo e protegê-lo para as futuras gerações. Chegaram, finalmen
te, à margem oriental do rio onde os documentos estariam a salvo.
Rochedos se erguiam acima deles, e o pesado vaso que carregavam
continha 45 textos divididos em 13 livros de papiro (os códigos ou
códices), sendo que também havia sido incluída uma cópia da obra
República de Platão. Os livros haviam sido cuidadosamente acondicio
nados num vaso, protegidos com um material envolvente e cobertos
com um cilindro. Vagarosamente, desceram o vaso até o fundo de uma
cova, cobriram-na com lodo e, sobre a cova foi colocada uma pedra
grande e arredondada. Constantino havia, recentemente, transformado
o cristianismo na religião mais importante do Império Romano. Agora,
os fundamentos do gnosticismo iriam ser preservados, a salvo de qual
quer perseguição que porventura acontecesse pelo fato cle terem sido
considerados heréticos pelos líderes da Igreja cristã.
O “Evangelho de Tomé” estava entre os documentos descobertos
dentro de um vaso enterrado debaixo cle uma pedra, na base dos
rochedos da margem oriental do Rio Nilo, no Egito. Essa importante
descoberta foi feita em 1945. Embora esse documento trouxesse o
nome de “Evangelho”, ele não é canônico, nem mesmo consistente
E x a m in e as E v id ê n c ia s
com os ensinamentos bíblicos cio Novo Testamento. A sua importân
cia se deve exclusivamente ao fato de ser uma das fontes não-bíblicas
que corroboraram com a existência e as palavras de Jesus.
Os estudiosos acreditam firmemente que o Evangelho de Tomé foi
escrito no início da metade do segundo século. A data geralmente
aceita é cerca de 140 d.C. Basicamente, supõe-se que seja uma antolo
gia de 114 declarações desconhecidas de Jesus que, segundo afirma o
prólogo, foram coletadas e transmitidas por Tomé. Elas foram escritasna língua copta usando um alfabeto grego expandido. Embora sua
origem seja herética, a relação abaixo1 das semelhanças entre os Evan
gelhos do Novo Testamento e o Evangelho de Tomé (GTh) ajuda a
confirmara existência dos propagados ensinamentos de Jesus.
Evangelho Mateus M arcos Lucas
de Tomé
9 13.3-8 4.3-8 8.5-8
10 12.49
16 10.34-36 12.51-53
20 13-31,32 4.30-32 13.18,19
26 7.3-5 6 .4 1,42
34 15.14 6.39
35 12.29 3.27 11.21,2 2
41 25.29 19.26
45 7.16-20 6.43-46
46 11.11 7.28
54 5.3 6.20
64 22.3-9 14.16-24
65 21.33-39 12.10 20.17
73 9.37,38 10.2
86 8.20 9.58
89 11.39,40
93 7.6
94 7.7,8 11.9,10
100 12.13-17 20.22-25
103 24.43 12.39
107 18.12,13 15.3-7*
* Fonte: www.sacred-texts.com/chr/thomas.htm
1 9 2
http://www.sacred-texts.com/chr/thomas.htm
O Evangelho de Tomé contra
diz, claramente, os ensinamentos
bíblicos em áreas importantes. Ele
não inclui nenhuma das palavras
de Jesus relacionadas com a sal
vação ou a suprema revelação his
tórica da sua segunda vinda, as
sim como a criação de “um novo
céu e de uma nova terra” (para os
gnósticos, a salvação é alcançada
através do conhecimento próprio).
Embora o Evangelho de Tomé tenha sido encontrado no Egito, ele
também foi encontrado na Síria e, nesse ponto, não temos certeza
sobre qual foi sua origem ou onde possa ter sido mais popular.
Embora esse Evangelho não tenha valor canônico ou teológico, e
tenha se originado de uma seita considerada herética, ele não deixa
de ter algum valor histórico por ser um documento comprobatório
escrito por aqueles que eram familiares aos ensinamentos de Jesus.
Ele também confirma muitos, se não uma grande parte, dos
ensinamentos do Novo Testamento.
Referências a Jesus no Talmude Judaico
O Talmude babilónico consiste de 63 livros contendo critérios éti
cos, espirituais, teológicos, rituais e históricos. Escrito e editado no
decorrer de muitos séculos, a parte que mais interessa em relação a
Jesus é a que foi escrita durante o período compreendido entre 70 a
200 d.C. por um grupo de estudiosos judeus (também chamado
Tanna). LTm texto particularmente importante é o Sanhedrin (ou
Sinédrio) 43a:
Na véspera da Páscoa eles penduraram Yeshu [Jesus —
uma das versões desse diz claram ente “Yeshu, o
Nazareno”]. E um arauto ia à frente dele durante quaren
ta dias dizendo: “Ele vai ser apedrejado porque praticou
a feitiçaria, seduziu e desviou Israel. Qualquer um que
D o c u m e n t o s N à o - C r is t â o s a R e s p e it o d e J esu s
O Evangelho de Tomé não
é um Evangelho, nem é
consistente com a doutrina
cristã. Entretanto, ele
acrescenta uma confirma
ção não-cristã da existên
cia histórica de Jesus e das
suas famosas declarações.
1 9 3
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
souber qualquer coisa a seu favor que venha e apele em
seu nome”. Mas, não tendo sido encontrado nada a seu
favor, eles o penduraram na véspera da Páscoa.2
Esta passagem é importante pelo fato de ter sido escrita por ju
deus que não só negavam Jesus, como faziam, também, um ativo
proselitismo contra os cristãos. Há muito tempo os tribunais vêm
afirmando que o testemunho mais poderoso é o testemunho corro
borado pelas declarações das testemunhas hostis (esse é o caso dos
judeus que testificaram a respeito de Jesus). O que pode ser deduzi
do das palavras do Talmude é o seguinte:
1. Que Jesus existiu
2. Que Jesus foi crucificado (“pendurado”) na véspera da Páscoa
3. Que Ele fazia milagres (que os judeus interpretavam como fei
tiçaria )
4. Que Ele havia desviado muitas pessoas do ensinamento legalista
dos judeus (como está mencionado no Novo Testamento —
Mt 15.3-9)
5. Que os líderes judeus estavam tramando para matar Jesus
Em resumo, a evidência de Jesus, escrita no Talmude pelos pró
prios judeus que o desprezavam, representa um sólido testemunho
da sua existência e dos seus atos. É bastante significativo o fato de
estar inteiramente de acordo com o relato de Jesus no Novo Testa
mento, inclusive com as referências feitas aos milagres, à crucificação
e a outros detalhes.
..... ......- ........... -.—.. CONCEITO-CHAVE _ -----
Os fa to s prin cipais d a história, inclusive os m ilagres d e
fesus, fo ra m con firm ados no Talm ude ju d a ico — p ela s
próprias pessoas qu e tentaram impedi-los.
194
D o c u m e n t o s N ã o - C r is t ã o s a R e s p e it o d e J esu s
Referências Feitas a Jesus por Josefo, um Historia
dor Judeu
Flávio Josefo foi amplamente reconhecido como um dos maiores
historiadores do primeiro século.
Nascido em 37 d.C., pouquíssimos anos depois cla morte de Jesus,
ele passou sua juventude em Israel. Ao completar 20 anos foi envia
do a Roma para negociar a libertação de vários sacerdotes mantidos
como reféns pelo Imperador Nero. Ao voltar para casa, a revolução
dos judeus já havia começado e ele foi convocado para comandar a
força revolucionária na Galiléia. Quando o general romano Vespasiano
capturou a cidade de Jotapata, o único que encontrou vivo foi Josefo,
pois todo o seu grupo de seguidores havia morrido. Obedecendo a
uma ordem de Josefo, eles haviam feito o pacto de se suicidar e, por
mais estranho que pareça, somente o seu chefe não havia tomado o
veneno mortal. Ele se proclamava um profeta. Por ter sido capaz de
bajular Vespasiano, levando-o a pensar que era o Messias menciona
do pela Escritura, Josefo foi poupado da morte. Mais tarde, quando
Vespasiano se tornou imperador de Roma, Josefo passou a pertencer
à família real dos Flávios. Durante o restante da guerra, ele ajudou o
comandante romano Tito com seus conhecimentos da cultura judai
ca. Entretanto, como Jerusalém o considerava um traidor, ele não
teve sorte na sua negociação com os revolucionários tornando-se,
antes, uma testemunha da destruição de Jerusalém e do Templo.
Josefo começou a escrever a história da guerra entre romanos e
judeus na década de 70 d.C. Aparentemente, seu livro era fiel aos
fatos, entretanto, ele também foi escrito para agradar os romanos e
advertir outras províncias sobre a loucura de se opor a Roma. Mais
tarde, ele escreveu uma obra volumosa sobre a história do povo
judeu (Jewish Antiquities) publicada em 93 ou 94 d.C.3
Foi assim que Josefo escreveu a respeito de Jesus na sua obra
Antiquities:
Ora, havia nessa época Jesus, um homem sábio, se for
lícito chamá-lo de homem, pois era alguém que fazia
maravilhas, um mestre de homens que recebem a verda-
1 9 5
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
cie com prazer. Ele trouxe muitos para junto de si, tanto
ju d eu s com o gentios. Ele era o Cristo. Quando Pilatos,
obedecendo à sugestão dos homens mais importantes
entre nós, condenou-o à cruz, aqueles que o amavam
primeiramente não se esqueceram clEle, p ois Ele lhes a p a
receu vivo novam ente no terceiro dia, com o os divinos
p rofetas hav iam previsto sobre essas e d ez m il outras co i
sas m aravilhosas a respeito clEle, e a tribo dos cristãos —
assim chamada por causa dEle — até hoje não se extin
guiu (Antiquities 18.63,64):4
Esse texto é uma declaração
extremamente poderosa feita
Josefo é um dos historiadores Por alguém que não era cristão,
mais conhecidos da antigui- dentro do Período das testemu-
, | . , . , nhas oculares. Embora exista
dade ludaica e ele comprovou , , , . , ,
alguma duvida em relaçao a to-
muitas coisas sobre Jesus, ^ ,is suas palavrJS _ pois acre_
inclusive sua história, sua cru- dita-se que algumas delas foram
cificaçõo e seus milagres. acrescentadas depois (as pala
vras em itálico estão sendo ques
tionadas) — considerando ape
nas as que foram aceitas pelos estudiosos como historicamente corre
tas, descobriremos que elas confirmam a história de Jesus, dos seus
milagres e seguidores, e da sua crucificação por Pilatos.
Referências Feitas a Jesus pelo Historiador Tácito
Nascido 22 anos depois cia morte de Jesus, Cornélio Tácito foi um
eficaz cônsul substituto que, mais tarde, se tornou procônsul na Ásia
Menor. Pouco se sabe sobre sua vicia, a nãofalsa religião.
Tal “fé cega” pode facilmente resultar de acompanhar a família ou
os amigos na escolha de crenças religiosas, em vez de fazer uma
investigação honesta e objetiva a respeito da verdade. Uma vez que o
cristianismo fundamenta-se na história, ele pode ser facilmente testa
do. Por mais atraentes que possam parecer as crenças religiosas de
alguém, isso não importará nem um pouco, se as mesmas não forem
verdadeiras. E a sinceridade, por mais profunda que seja, não é um
bom medidor da verdade. Independentemente de como alguém é
atraído para longe da verdade, a Bíblia indica que as conseqüências
são devastadoras. Todo este livro lida com a verificação de evidênci
as de Deus, de Jesus e da Bíblia.
Com respeito às pessoas que são suscetíveis à f é cega, essas com
freqüência abrem a sua Bíblia e apontam para Hebreus 11.6:
_______Um V e r s íc u lo p a ra M e m o r i z a r ----------------
Sem fé é impossível agradar-lhe [a Deus], p orq u e é necessá
rio qu e aqu ele que se aprox im a d e Deus creia qu e Ele existe
e qu e é g a la rd o a d o r dos qu e o buscam (Hb 11.6).
A tendência é 1er a primeira parte deste versículo e parar: “Sem fé
é impossível agradar-lhe [a Deus]...” No entanto, o restante do versículo
fornece outra informação crítica sobre a fé. Ele indica que “é necessá
rio que aquele que se aproxima de Deus cre ia que Ele existe”. Por
tanto, o significado é que a fé, que o dicionário Webster’s define
como uma “crença inquestionável” baseia-se em um “sentimento” de
que alguma coisa é verdadeira. O fu n d am en to p a r a este sentimento
inquestionável, no entanto, é muito importante. Como seres huma
nos, temos a oportunidade de considerar as nossas crenças de.forma
racional, o que normalmente vem de um teste ou de uma experiência
m ais racional. E uma vez que o cristianismo baseia-se na história, ele
fo r n e c e oportunidade p a r a testes racionais.
2 0
\
A última parte de Hebreus 11.6 também é crucial para compreen
der como a fé agrada a Deus. Ela diz que Deus “é galardoador dos
que o buscam”. Novamente, nós vemos que Deus não deseja sim
plesmente a “fé cega”, mas em vez disso, quer que as pessoas o
busquem fervorosamente, o que com certeza sugere que o ser huma
no faça uso de todos os dons que Deus forneceu — inclusive de
forma especial a mente — a fim de conhecê-lo.
Em resumo, Hebreus 11.6 diz que devemos procurar a Deus com
tudo o que somos (espírito, força e mente), e que seremos recompensa
dos. Aparentemente, um a recompensa chave será a fé racional e forte.
Uma fé tão forte, então, conduz à fé inabalável.
Os Apóstolos Precisavam de Fé Racional
Considere os primeiros apóstolos. Eles tinham todo o ensinamento
direto de Jesus, no entanto, quando Ele foi crucificado, desmoronaram. A
fé deles despedaçou-se. Por quê? Porque ainda não era sustentada por
uma crença racional de que Jesus era quem dizia ser — Deus, sob a forma
humana. Depois da ressurreição, tudo isso mudou. Então, os discípulos
tiveram a prova. Eles tiveram uma razão racional para crer. Podiam sim
plesmente ter crido, com fé, antes da ressurreição, mas não o fizeram... e
conheciam a Jesus pessoalmente. Eles tinham até mesmo visto os seus
muitos milagres. Jesus sabia como os discípulos iriam agir, antes de mor
rer. Se Jesus previu que os discípulos, que o conheciam pessoalmente,
precisariam de evidências racionais que sustentassem a sua reivindicação
de ser Deus, por que, da mesma maneira, não esperaria que nós também
desejássemos as evidências (e às vezes até precisássemos delas)?
Crença e Fé Racionais para Conhecer a Deus
A Bíblia nos ordena que examinemos tudo para saber se vem de
Deus.
i----------- Um V e r s íc u lo p a ra M e m o r i z a r _________
E xam in ai tudo. Retende o bem (1 Ts 5.21).
P reparação para a sua V ia g em , a C am inho d e uma F é M a io r
2 1
E xam in e as E vid ên cia s
Desenvolver a fé
racional nos ajuda a
1. conhecer a Deus (nós somos re
compensados quando buscamos
a Deus - Hb 11.6)
2. amar a Deus (nós amamos a
Deus com o nosso entendimento -
Mc 12.30)
3. compartilhar Deus (nós podemos
estar preparados para dar uma
razão para a nossa esperança por
meio de Jesus Cristo - 1 Pe 3.15)
(veja a parte 3):
_______Um V e r s íc u lo p a ra M e m o r i z a r ------------
Eu sou Deus, e n ão b ã outro Deus, n ão h á outro sem elhan
te a m im ; qu e an u n cio o fim desde o p rin cíp io e, desde a
antiguidade, a s coisas qu e a in d a n ão sucederam .
(Is 46.9,10)
Este versículo proclama que Deus é único e exclusivo — “não há
outro”; “não há outro semelhante a mim”. Além disso, este versículo
indica com o Deus é único e exclusivo — Ele anuncia “o fim desde o
princípio”. Há muitas outras passagens na Bíblia onde a profecia é
indicada e usada como um teste de que alguma coisa é verdadeira
mente de Deus. Por esta razão, uma atenção considerável é dada à
evidência profética e histórica de Deus, Jesus e da Bíblia neste livro.
Como foi observado acima, desenvolver uma crença racional em
Deus é importante como o princípio do estabelecimento de um rela
cionamento com Ele. Seguir o deus errado pode ser desastroso. Mui
tas influências podem conduzir alguém a uma crença equivocada:
Este versículo diz que de
vemos examinar tudo, inclu
sive as próprias palavras da
Bíblia e aqueles que dizem
falar por ela. Certamente a ra
zão para examinar (ou testar)
é saber que este ensinamento
e esta informação em que
baseamos a nossa vida e eter
nidade são, verdadeiramente,
de Deus, e não de algum fal
so profeta. A Bíblia também
nos fornece o teste definitivo
— a profecia 100% perfeita
2 2
P reparação para a sua V ia g e m , a C am inho d e uma F é M a io r
família, amigos, uma comunidade, um líder inspirador, costumes ou
apatia. Selecionar a autoridade correta para guiar o conhecimento de
um relacionamento com Deus é importantíssimo. Faz sentido que a
autoridade não seja humana, uma vez que os seres humanos podem
cometer erros e ter motivos equivocados. As pessoas mudam. Algu
ma coisa que transcende à humanidade, como as garantias escritas
de um livro santo como a Bíblia, seria uma autoridade mais perma
nente e mais confiável. Este livro demonstrará por que a Bíblia é
merecedora de confiança, e que tem toda a autoridade.
Fé e Crença Racional para Amar a Deus
Jesus ensinou que o maior de todos os mandamentos é amar a
Deus, com todo o nosso coração, alma, forças e entendimento:
---------- Um V e r s íc u lo p a ra M e m o r iz a r — _______
Amarás, pois, a o Senhor, teu Deus, d e todo o teu coração, e
d e toda a tua alm a, e d e todo o teu entendim ento, e d e
todas as tuas fo r ç a s (Mc 12.30).
Este versículo indica que devemos amar a Deus com todo o nosso
ser. Para simplificar a compreensão, Marcos define as maneiras como
devemos amar a Deus. O co ra çã o significa o âmago do amor (inclu
indo a emoção) que Deus deseja, talvez semelhante ao amor emoci
onal humano que nós sentimos pelos outros. A a lm a significa um
amor espiritual que transcende à humanidade. É um amor inato que
existe dentro do nosso ser — o sentimento de que existe um Deus
que podemos e devemos nos conectar. As fo r ç a s indicam o amor que
Ele espera por meio das nossas ações. Seja servindo ativamente aos
outros, demonstrando o amor de Deus, ou em um leito de morte,
servindo como uma inspiração, por meio da fé e da coragem, Ele
deseja que nós o amemos com todas as forças que nos concede.
Finalmente, o versículo acima mostra claramente que amar a Deus
com todo o nosso ser, também inclui amá-lo com o nosso entendimento.
Ele não o coloca em segundo lugar, depois do amor emocional, do
2 3
E xa m in e as E vid ên cia s
espiritual, ou do amor dedicado ao serviço. Ele está completamente
integrado. E por que não deveria estar? Deus dotou os seres humanos
com uma coisa exclusiva, entre todas as criaturas — um entendimento.
Uma vez queser que era amigo cio
cônsul romano, Plínio, o Moço. Tácito era conhecido por ser um
orador eloqüente e eficiente. Era inclinado a encorajar sua audiência
para manter um elevado padrão moral. Nas suas diversas posições de
governo, às vezes também era encarregado da política governamen
tal e até cio exército.
196
D o c u m e n t o s N à o - C r is t à o s a R e s p e it o d e J e su s
Ele se tornou famoso por causa das suas importantes obras histó
ricas, escritas numa época cla qual muito pouco cie história sobrevi
veu. Ele escreveu cinco Histórias, das quais apenas quatro sobrevive
ram (e parte cia quinta). Essa obra cobre apenas a história do impera
dor Galba (68-69 d.C.) e o início cio reinado de Vespasiano (70 d.C.).
Ele também escreveu um conjunto cle 12 volumes chamado Anais,
que vai do período histórico desde o reinado de Tibério (a partir de
uma data anterior ao ministério de Jesus) até o reinado de Cláudio e
o início do reinado de Nero (os últimos anos do ministério cle Paulo).
Escrevendo por volta do ano 115, Tácito afirma nos seus Anais 15.44:
Mas nem todo alívio que recebesse dos homens, nem todas
as recompensas que um príncipe pudesse lhe conceder,
nem toda reparação que pudesse oferecer aos deuses seri
am suficientes para libertar Nero da infâmia de ter sido
considerado aquele que teria ordenado a conflagração do
incêndio de Roma. Portanto, a fim de suprimir o boato, ele
falsamente acusou de culpados, e puniu, os cristãos que
eram odiados por causa das suas “perversidades”. Cristo, o
fundador desse nome, foi condenado à morte por Pôncio
Pilatos, procurador da Judéia no reinado de Tibério; mas a
perniciosa superstição, reprimida durante algum tempo,
rompeu novamente, não só através da Judéia, onde a de
sordem havia começado, mas também através da cidade de
Roma, onde todas as coisas vergonhosas e horrendas, de
todas as partes do mundo, encontram o seu centro e se
tornam populares. Assim sendo, primeiramente foram pre
sas todas as pessoas que se declararam culpadas; depois,
segundo sua informação, uma imensa multidão foi conde
nada, não tanto pelo crime de incendiar a cidade, como
pelo seu [cle Nero?] ódio contra a humanidade.5
É muito significativo que Tácito, claramente um anticristão, consi
derasse a existência de Jesus e dos seus muitos seguidores como se
fosse um assunto trivial. Além disso, ele menciona a crença dos cris
tãos primitivos na ressurreição (a “nova superstição”) e também for
1 9 7
E x a m in e as E v id ê n c ia s
nece um suporte nâo-bíblico a muitos outros detalhes dos textos do
Novo Testamento.
Referência Feita a Jesus pelo Historiador Plínio, o
Moço
Plínio, o Moço, começou a praticar a lei em 79 d.C., com a idade
de 18 anos. Ele rapidamente, adquiriu uma eminente reputação em
advocacia civil o que levou à demanda dos seus serviços nos tribu
nais políticos que julgavam funcionários acusados de fazer extorsão.
As vitórias mais importantes que se destacam como indicação das
suas habilidades incluem a condenação de um governador na África
e também de um grupo de oficiais na Espanha.6
Plínio, o Moço, era também um ávido escritor. Ele publicou dez
livros importantes que continham uma série de cartas com um con
teúdo muito variado. Muitas continham informações históricas sobre
seu relacionamento com as pessoas, como com o Imperador Trajano.
Outras ainda continham conselhos aos jovens, faziam inquéritos e
descreviam os diferentes cenários naturais.
Suas cartas registraram a primeira vez em que o governo romano
reconheceu o cristianismo como religião separada do judaísmo. Como
governador da Bitínia (na Ásia Menor), ele se encontrou preso a um
dilema. Os cristãos levados perante ele pareciam ser inofensivos, no
entanto se recusavam a adorar o imperador romano (a população de
Roma considerava os imperadores como deuses) e estavam prejudi
cando o comércio local de ídolos por causa da denúncia que faziam
contra eles. Plínio, o Moço, decidiu mandar executar vários cristãos
que foram levados até ele se não renunciassem à sua fé. Sentindo-se
inseguro dos seus atos, ele escreveu ao amigo, o Imperador Trajano,
pedindo conselhos:
Senhor,
Tenho o hábito freqüente de entrar em contato consigo
para a solução de todas as minhas dúvidas: pois quem
poderia melhor orientar a minha demorada forma de pro
ceder ou instruir a minha ignorância? Nunca estive pre-
198
D o c u m e n t o s N ã o - C r is t ã o s a R e s p e it o d e J e su s
sente ao interrogatório dos cristãos [pelos outros], portan
to, não estou familiarizado com o que habitualmente é
inquirido e o que, e até onde eles costumam ser punidos;
nem são pequenas as minhas dúvidas quanto a haver uma
distinção entre as idades [dos acusados?] e se os muito
jovens deveriam receber o mesmo castigo que os homens
fortes? Se não haveria perdão para o arrependimento? Ou
se não seria vantajoso para aquele que havia sido cristão
se ele tivesse renunciado ao cristianismo? Se o simples
nome, sem quaisquer outros crimes, ou crimes que esti
vessem ligados àquele nome, deveria ser punido?
Nesse ínterim, segui esse curso sobre aqueles que eram
trazidos perante mim como cristãos. Perguntei se eram
cristãos ou não. Se confessassem que eram cristãos, eu
perguntava novamente, e mais uma terceira vez, interca
lando ameaças com as perguntas. Se perseverassem na
sua confissão, ordenava que fossem executados; eu não
tinha dúvidas, e, como a sua confissão era de alguma
forma enfática, a sua positividade e inflexível obstinação
mereciam ser punidas.
Houve alguns dessa seita louca, que, por serem cidadãos
romanos, tratei particularmente, e creio que poderiam
ser enviados a esta cidade. Depois de algum tempo, como
é habitual nesses tipos de exames, o crime se espalhou e
mais casos foram trazidos perante mim. Um libelo foi-
me enviado, embora sem nenhum autor, contendo mui
tos nomes [de pessoas acusadas], No entanto, elas nega
ram que fossem, ou tivessem sido cristãs. Elas invocaram
os deuses e suplicaram perante sua imagem (que eu ha
via mandado trazer para esse propósito), com incenso e
vinho; também amaldiçoaram a Cristo e nenhuma dessas
coisas, segundo dizem, um cristão pode ser obrigado a
fazer. Portanto julguei mais adequado deixar que fossem
embora. Outras pessoas, que haviam sido mencionadas
nesse libelo, disseram que eram cristãs, mas que nega
1 9 9
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
vam naquele momento, dizendo que haviam sido cristãs,
mas tinham deixado de ser há cerca de uns três anos,
talvez mais, e uma delas disse que havia sido um cristão
há mais de vinte anos. Todos adoraram a tua imagem e
as imagens dos nossos deuses; e também amaldiçoaram
a Cristo. Entretanto, me garantiram que sua maior culpa,
ou o seu erro havia sido este: de que haviam sido acos
tumados a, num determinado dia, se encontrar antes do
amanhecer e a cantar um hino para Cristo, como para
um deus, alternadamente, e a se obrigarem a um sacra
mento [ou promessa] de não fazer nada que fosse erra
do, de não cometer nenhum roubo, ou furto, ou adulté
rio, de que não iriam quebrar suas promessas, ou negar
o que havia sido depositado consigo quando fosse recla
mado de volta novamente; depois disso, era costume
partir e se encontrar para uma refeição inocente e em
comum, que a tudo haviam abandonado obedecendo ao
édito que eu mandara publicar obedecendo a tua ordem
e, a partir do qual, passei a proibir tais reuniões religio
sas secretas. Esses exames me fizeram acreditar que se
ria necessário inquirir, através de tormentos, qual era a
verdade; e foi o que fiz com duas servas chamadas
diaconisas, mas nada mais descobri além de que eram
adeptas de uma superstição má e extravagante.
Depois disso, adiei quaisquer outros exames e recorri a
ti, pois esse assunto bem merece uma consulta, especial
mente por causa do número daqueles que correm peri
go, pois existem muitos de idades variadas e, portanto,
com a possibilidade de serem chamadospara prestar
contas e ficar em perigo; pois esta superstição se espa
lhou como se fosse por contágio, não só nas vilas e cida
des, mas também no campo, mas ainda há razões para
esperar que seja interrompida ou corrigida. Para estar
mos seguros, os templos que haviam sido quase esque
cidos, já passaram a ser freqüentados e as solenidades
2 0 0
D o c u m e n t o s N â o - C r is t ã o s a R e s p e it o d e J e su s
sagradas, que há muito haviam se tornado intermitentes,
começaram a reviver. Em toda parte os sacrifícios — para
os quais ultimamente apareciam poucos compradores —
começaram a ser vendidos. Portanto será fácil supor que
uma grande multidão cie homens poderá ser corrigida se
for admitida uma ocasião de arrependimento.7
Será muito interessante voltar no tempo e sentir, de fato, os aconte
cimentos que tiveram lugar na época cia perseguição aos cristãos. Ve
mos aqui o conteúdo de uma carta ao imperador que estava em Roma,
descrevendo o processo do julgamento e a pena capital àqueles que
proclamavam o cristianismo. Embora ciente de que havia muitos cris
tãos que preferiam morrer a amaldiçoar Jesus, esta carta também des
creve, em detalhes muito vivos, aqueles que realmente renegavam sua
fé para salvar a vida — em outras palavras, aqueles que “traíam” a
Cristo para adorar o Imperador Trajano. Podemos, em primeiro lugar,
imaginar o quanto deviam estar comprometidos com Cristo.
Essa carta também descreve a força da crença na ressurreição (a
“má” superstição era, provavelmente, uma referência à ressurreição).
De acordo com essa carta, os crentes em Jesus formavam um grande
grupo de pessoas — jovens, velhos, homens, mulheres, e cie todas as
classes sociais. E faz referências sobre como eles estavam se espa
lhando através daquela região.
Referências a Jesus Feitas pelo Historiador Suetônio
Caio Suetônio Tranqüilo era secretário particular do Imperador
Adriano. Sabemos que Adriano estava muito preocupado com a pro
pagação do cristianismo. Estava tão preocupado que mandou cobrir
os lugares sagrados da crucificação e da ressurreição com estátuas
pagãs numa tentativa de “ajudar” os cristãos a se esquecer delas.
Obviamente, Adriano e Suetônio tiveram uma discussão sobre Jesus
e os cristãos.
Suetônio foi um historiador que viveu no período de 69 a 140 d.C.
Além do seu relacionamento com Adriano, pouco se sabe sobre sua
vida. Ele realmente escreveu muitos livros históricos da antiguidade
2 0 1
E x a m in e as E v id ê n c ia s
que ainda temos atualmente, inclusive a obra De vila Caesarum (“Acer
ca cia vida dos Césares”, traduzida para o inglês em 1957 por Robert
Graves com o nome de Tloe Twelve Caesars) e a grande coleção de
biografias De viris illustribus ( “A respeito dos homens ilustres”).
As palavras que Suetônio escreveu sobre Jesus Cristo e os cristãos
foram as seguintes:
Como os judeus de Roma provocavam constantes distúr
bios, sob a instigação de Chrestus ( Cristo ), ele (Cláudio)
os expulsou da cidade (de Roma) (Life o f th e Empe ror
Claudius, capítulo 25— excerto. )s
Durante o seu reinado, muitos abusos foram severamen
te castigados e suprimidos, e muitas leis novas foram
feitas; foi estabelecido um limite para os gastos públicos,
os banquetes foram limitados a uma distribuição de ali
mento, foi proibida a venda de quaisquer carnes cozidas
nas tavernas, com exceção dos grãos e dos vegetais, en
quanto toda sorte de iguarias era exposta à venda. Casti
gos eram impostos aos cristãos, uma classe de homens
dedicada a novas e perniciosas superstições. Ele termi
nou com as diversões dos condutores das bigas que, por
causa da sua antiga posição, reclamavam o direito de
vaguear livremente e de se divertir tapeando e roubando
o povo. Os atores de pantomima e seus partidários tam
bém foram banidos da cidade (Life o f th e Em peror Nero,
capítulo 16— excerto).9
Suetônio reafirma a autenticidade da crença na ressurreição cha
mando-a, assim com outros historiadores da antiguidade que não
eram crentes, de “superstição”.
Referências a Jesus Feitas pelo Historiador Phlegon
Orígenes, um dos primeiros patriarcas da Igreja, estava procuran
do antigos escritos feitos por historiadores nào-cristàos a respeito dos
acontecimentos da crucificação e da ressurreição. Ele ficou sabendo
2 0 2
D o c u m e n t o s N à o - C r is t à o s a R e s p e it o d e J e su s
da obra de Phlegon, que escreveu sobre os eventos do terremoto e
do escurecimento do céu no momento cla crucificação.
Phlegon justificava que o céu havia escurecido no momento da
crucificação por causa de um eclipse, o que foi refutado por Orígenes.
Sabemos, ironicamente, que um eclipse solar teria sido impossível de
ocorrer na Páscoa (a data da crucificação de Jesus) porque isso só
acontece no período da lua cheia. Seria cientificamente impossível a
ocorrência de um eclipse solar porque, nesse caso, a lua estaria no
lado errado cla terra.
Orígenes (184-254 d.C.) faz referência a duas obras de Phlegon:
1 ) Crônicas e 2) Olimpíadas. Infelizmente, os dois originais foram
perdidos e somente restam referências feitas a elas por Orígenes. As
citações, nas quais ele trata do errôneo eclipse solar no momento da
crucificação, são as seguintes:
E, em relação ao eclipse na época de Tibério César, em
cujo reinado parece que Jesus foi crucificado, e o grande
terremoto que então teve lugar... (Orígenes contra Celsns)w
Phlegon mencionou o eclipse que teve lugar durante a
crucificação do Senhor Jesus e nenhum outro; é claro
que não sabia, a partir das suas fontes, a respeito de
nenhum outro eclipse (semelhante) nos anos anteriores
e isso pode ser visto através do relato histórico de Tibério
César ( Origen and Philopon, De. Opif. Mund., 1121).11
Phlegon também se referiu à profecia de Jesus e indicou que as
profecias se realizaram:
Agora sobre Phlegon, no décimo terceiro ou quarto li
vro, acho que suas Crônicas não só atribuem a Jesus o
conhecimento de eventos futuros, como também teste
munharam o resultado correspondente às suas previsões
( Orígenes contra Celsits).'z
Os escritos extra-bíblicos cle Phlegon contribuem em favor de
eventos como foram descritos na Bíblia. Embora não fosse cristão,
2 0 3
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
ele não negou esses eventos e até apoiou a precisão cia profecia
de Jesus.
Referências a Jesus Feitas por Luciano de
Samósata
O escritor satírico Luciano tinha paixão pela verdade histórica.
Essa paixão foi registrada em alguns dos seus escritos:
A história renega a intrusão do menor escrúpulo de falsida
de, ela se assemelha à traquéia que, segundo os médicos
nos dizem, não tolera um fragmento de comida desviada.1'
A única obrigação do historiador é contar as coisas como
elas aconteceram.14
[O historiador] não deve oferecer sacrifícios a nenhum
Deus, mas à Verdade; ele deve negligenciar toclo o resto,
sua única lei e seu infalível guia é esse — não pensar
naqueles que o estão ouvindo agora, mas naqueles que
ainda não nasceram e que irão consultar suas palavras.IS
Essa convicção sobre a história e a verdade é bastante importante
quando consideramos seus escritos a respeito de Jesus (sabendo es
pecialmente que ele é um escritor satírico que estaria inclinado a
realçar o lado engraçado das coisas).
Luciano nasceu em Samósata e viveu de 125 a 180 d.C. Era filho
de um escultor, mas rapidamente decidiu que nâo seguiria a mesma
carreira do pai e preferiu, ao contrário, a carreira da retórica e da
oratória pública em lugares como a Jônia, Grécia, Itália e até a Gália.
Seus discursos eram simplesmente destinados a divertir e nâo preten
diam estabelecer nenhuma verdade moral ou filosofar. Entretanto,
ele amava a precisão histórica e a verdade, como podemos ver nas
citações anteriores. Ele escreveu:
Os cristãos... até hoje adoram um homem, um distinto
personagem que lhes deu novos ritos e por isso foi cru
cificado... Foi gravado neles, pelo seu legislador original,
que eram todos irmãos, a partirdo momento em que se
2 0 4
D o c u m e n t o s N â o - C r is t â o s a R e s p e it o d e J e su s
convertiam, e que deviam negar os deuses da Grécia e
adorar a sabedoria do crucificado e viver de acordo com
as suas leis.16
Embora Luciano tenha zombado dos cristãos ao fazer esta declara
ção, vários pontos são dignos cle nota: D que Jesus é mencionado
como homem, 2) que os “novos ritos” foram anotados, 3) que ele foi
crucificado, 4) que ele era muito conceituado pelos seus seguidores,
5) que os seguidores se converteram cios deuses da Grécia para 6)
a d o ra r a “sabed oria
Referências a Jesus Feitas pelo Imperador Adriano
Adriano, imperador de Roma de 117 a 138, sofreu um forte impac
to do mundo judeu e cristão. Numa tentativa cle apagar nos cristãos
quaisquer lembranças dos locais sagrados cle Jesus, ele construiu um
templo pagão sobre o lugar da crucificação, colocou estátuas de Vênus
no lugar da cruz e de Júpiter no local da ressurreição.17 Longe de
fazer os cristãos se esquecerem desses lugares, eles serviram apenas
como referências permitindo que, mais tarde, fossem reverenciados
como lugares sagrados.
Esses atos abomináveis de Adriano de proibir vários costumes
judeus, construir monumentos pagãos, e cobrar impostos dos judeus
e dos cristãos em nome dos deuses pagãos, levaram a uma revolta
dos judeus que foi suprimida em 132. Terminada a revolta, os judeus
foram proibidos de voltar à cidade de Jerusalém — e a maioria dos
cristãos dessa região era formada por ex-judeus.
Parece que, durante a perseguição, Adriano foi mais tolerante com
os cristãos que os outros líderes romanos e, numa carta escrita ao
procônsul da Ásia em 124, ele adverte contra as falsas acusações:
Portanto, não desejo que esse assunto seja ignorado
sem antes ser examinado para que esses homens não
sejam molestados, nem desejo que seja oferecida aos
informantes a oportunidade de procedimentos mal in
tencionados. Portanto, se os encarregados regionais
puderem claramente provar suas acusações contra os
2 0 5
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
cristãos, de forma a levá-los a responder perante os
tribunais, que eles continuem apenas com esse curso
de ação, não por simples petições ou meras acusações
contra os cristãos. Portanto será mais conveniente, se
alguém apresentar uma acusação, que ela seja exami
nada por você.
Além disso, Adriano explicou que se os cristãos fossem conside
rados culpados eles deveriam ser julgados “de acordo com o horror
do seu crime”. Se os acusadores estiverem apenas caluniando os
crentes, então aqueles que erradamente fizeram as acusações deve
rão ser punidos.18
Entretanto, para não sermos enganados, estas delicadezas não se
aplicam durante os massacres organizados. Também, como nas ou
tras ocasiões, os cristãos serão convocados a adorar os deuses roma
nos (especialmente Júpiter) e se recusarem a renunciar à sua fé e
curvar-se perante os deuses romanos isso resultará na sua execução.
As políticas de Adriano (mesmo na tentativa de obliterar os luga
res sagrados) e os seus escritos oferecem uma prova contemporânea,
com algumas testemunhas oculares de Jesus, da rápida propagação
do cristianismo e da sólida crença na ressurreição.
Avalie o que Você Aprendeu
1. Por que os escritos dos não-cristâos são tão importantes?
2. Algumas pessoas afirmam que o Evangelho de Tomé é um legí
timo Evangelho bíblico. O que você poderia dizer a elas? Mas
de qualquer forma, por que se trata de um importante docu
mento histórico?
3. O que os líderes judeus registraram nos seus sagrados docu
mentos antigos sobre Jesus?
4. Quem foijosefo? O que ele disse sobre Jesus?
5. Cite pelo menos o nome de três outros autores não-cristâos que
escreveram sobre Jesus.
2 0 6
D o c i : .\ i i :\ t o s N â o - C k i s t v o s a Ri sim i j c > ni: ] 1 si s
Capítulo 12 — Grupo dc Estudo
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: O capítulo 12 deste texto.
Oração de Abertura
Discussão: Alguns escritores não-cristãos confirmaram importantes
fatos históricos, como a crucificação de Jesus. Mas outros falaram sobre
eventos difíceis cle acreditar como os milagres e a “superstição”, isto é,
a ressurreição. Discuta ambos, com ênfase no segundo ponto.
Atividade Prática
A credibilidade cia Bíblia é uma questão a ser discutida com o
“não- crente”. O “crente” deverá usar aquilo que aprendeu, inclusive
alguma autoria milagrosa e consistente para ajudar a resolver essa
questão.
Oração de Encerramento
Os Primeiros Patriarcas (ou Pais)
da Igreja Confirmam a Bíblia
âo levou muito tempo para a Igreja Primitiva se empenhar em
registrar a história de Jesus. No entanto, em aproximadamente 64
d.C., a perseguição havia atingido o auge, apenas 30 anos depois da
morte de Cristo. Mas a Igreja cristã explodia e parecia estar fora do
controle daqueles que desejavam suprimi-la. Por ocasião do fim do
primeiro século, todos os Evangelhos, o livro dos Atos, as cartas e o
livro de Apocalipse — todos os livros que formam o Novo Testamen
to — haviam sido completados.
Além de escrever o Novo Testamento pouco depois da morte de
Jesus, os líderes da Igreja do primeiro século (e do início do segun
do) conservaram grandes seções na sua memória. Essa memorização
ajudou a proteger contra os erros, pois qualquer um que desejasse
distorcer a mensagem do Evangelho teria também que enfrentar a
memória dos líderes da Igreja.
Os primeiros patriarcas (ou pais) da Igreja também incluíram, em
grande escala, versículos e outras seções do Novo Testamento em
outros escritos e ensinamentos.
Tão extensos eram esse reconhecimento e as referências ao Novo
Testamento que os estudiosos, ao fazerem sua análise, declararam
que se todas as cópias do Novo Testamento fossem destruídas ele
poderia ser reconstruído exclusivamente a partir das referências ex
E x a m in e as E v id ê n c ia s
ternas feitas pelos outros. O grande número de citações dos primei
ros líderes da Igreja está resumido abaixo:1
Citações do Novo Testamento Feitas pelos
Prim eiros Líderes da Igreja
Autor Datas Evangelhos/Atos Cartas Apocalipse Total
Justino 100-165 278 49 3 330
Mártir
Irineu 120-202 1232 522 65 1819
Clemente
de Ale
xandria 150-216 1061 1334 11 2406
Orígenes 185-253 9580 8177 165 17.922
Tertuliano 155-220 4324 2729 205 7258
Flipólito 170-236 776 414 188 1378
Eusébio 260-340 3469 1680 27 5176
Total 20 .720 14.905 664 36 .289
Além dessa relação, o conhecido mártir Inácio (30-107), nas suas
sete epístolas, fez citações do livro de Mateus, João, Atos, Romanos, 1
Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicen-
ses, 1 e 2 Timóteo, Tiago e 1 Pedro. Inácio conheceu pessoalmente
alguns dos apóstolos e teve todas as oportunidades para verificar a
exatidão da vida de Jesus por meio das próprias testemunhas oculares.
Os Credos da Igreja Primitiva
Priscila fitou o sacerdote com lágrimas nos olhos quando ele fez
as perguntas mais importantes da sua vida: “Você acredita em Deus
Pai Todo Poderoso, em Jesus Cristo, Filho de Deus, que nasceu do
Espírito Santo e da virgem Maria... você crê no Espírito Santo, na
santa Igreja e na ressurreição do corpo?” Seu esposo e seus dois
filhos pequenos observavam com um sorriso de aprovação.
“Sim, acredito” ela disse, com a voz cheia de emoção. Com isso,
Priscila foi mergulhada na água e depois ungida com óleo. “Faço isso
2 1 0
O s P r im e ir o s P a t r ia r c a s ( o u P a is ) d a I g r e ja C o n f ir m a m a B íb l ia
como sinal do seu batismo com o Espírito Santo” continuou o sacer
dote. Cheia da alegria, Priscila começou a chorar e abraçou fortemen
te o esposo enquanto pensava no seu novo relacionamento com o
Senhor Jesus Cristo.
Somente 180 anos haviam se passado desde que Jesus caminhara
sobre a face da terra.
Como líder da primitiva Igreja, Hipólito escreveu sobre batismos
no início do ano 200. As palavras que escolheu como declaração de
lé eram fundamentais para aquiloque o próprio Jesus considerava
como básicas para a religião cristã. Nós podemos ter certeza disso
porque aqueles que registraram tais declarações estavam apenas há
poucas gerações de Jesus. A doutrina foi discutida por líderes cris
tãos, tais como Inácio e Clemente de Roma (95 cl.C.) que haviam tido
contato com os próprios apóstolos. Em seguida, Inácio e Clemente
transmitiram a doutrina a outros lideres primitivos, inclusive Policarpo
(70-156), Justino Mártir (cerca de 100 a 165), Irineu (120-202), Tertuliano
(155-220) e Hipólito (170-236).
Houve uma ininterrupta continuidade entre os ensinamentos de
Jesus e dos apóstolos e as definidas declarações de fé da Igreja cristã
(veja a página 515).
Acredita-se que o Credo dos Apóstolos, isto é, a declaração funda
mental de fé usada ativamente por muitas denominações atuais, tem
suas raízes no “Credo Interrogatório de Hipólito” (aproximadamente
no ano 215).2 Ele é especialmente importante porque afirma:
• A “unidade” cie Jesus com Deus, o Criador do universo
• O nascimento virginal de Jesus
• A ressurreição do corpo de Jesus
• A natureza trina de Deus (Pai, Filho e Espírito Santo)
• O perdão do pecado
O Credo dos Apóstolos tinha a finalidade específica de combater
o gnosticismo — a crença herética que se opunha aos reinos espiritu
ais do bem e clo mal, com o mundo material alinhado com o mal. O
gnosticismo tinha origem filosófica e rejeitava a redenção e a ressur
reição do corpo de Jesus.
211
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
Credo dos Apóstolos
Creio em Deus, Pai Todo-Poderoso,
Criador do céu e da terra,
E em Jesus cristo, seu único Filho, nosso Senhor;
Que foi concebido do Espírito Santo,
Nasceu cla virgem Maria,
Sofreu sob Pôncio Pilatos,
Foi crucificado, morto e sepultado.
No terceiro dia ressurgiu dos mortos,
Subiu ao céu
Onde está sentado à mão direita de Deus Poderoso
De onde virá para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo, na santa Igreja,
Na comunhão dos santos
Na remissão dos pecados
Na ressurreição do corpo
Na vida eterna. Amém.
Um outro credo muito importante da antiguidade foi o Credo de
Nicéia, adotado aproximadamente no ano 325 (mais tarde revisto
pelo Primeiro Conselho de Constantinopla, 381). Este credo foi de
senvolvido no Primeiro Concílio de Nicéia, reunido pelo Imperador
Constantino de Roma. A finalidade desse credo era se opor à heresia
do arianismo que rejeitava a divindade de Jesus.
Credo de Nicéia
Cremos num único Deus,
Pai,
Todo-Poderoso
Criador do céu e da terra,
E de tudo que é visível e invisível.
Cremos num único Senhor, Jesus Cristo,
Unigénito Filho de Deus,
Gerado eternamente do Pai,
212
O s P r im e ir o s P a t r ia r c a s ( o u P a is ) d a I g r k ja C o n fir m a m a B íb l ia
Deus de Deus, Luz da Luz,
Verdadeiro Deus nascido do verdadeiro Deus,
Gerado, mas não feito,
Um único ser com o Pai.
Através dEle todas as coisas foram feitas.
Para nós e para a nossa salvação
Ele desceu do céu;
Pelo poder do Espírito Santo
Poi encarnado através da virgem Maria,
E fez-se homem.
Por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
Morreu e foi sepultado.
No terceiro dia ressuscitou novamente
Segundo as Escrituras;
Subiu ao céu
E está assentado à mão direita do Pai.
Voltará novamente em glória para julgar os vivos e os mortos,
E seu reino não terá fim.
Cremos no Espírito Santo, no Senhor criador da vida,
Que procede do Pai e do Filho.
Com o Pai e o Filho Ele é adorado e glorificado.
Ele falou através dos profetas.
Cremos numa única Igreja universal e apostólica.
Reconhecemos o batismo para o perdão dos pecados.
Aguardamos a ressurreição dos mortos
E a vida do mundo que virá. Amém.
O Cânon da Bíblia
A palavra “Cânon” significa simplesmente “padronizado”. De
acordo com o entendimento bíblico, ele tem a especial importân
cia de sugerir que a Escritura vem de Deus, ou foi “inspirada por
Deus”. Existem evidências substanciais, a partir de escritos históri
cos, indicando que o cânon do Antigo Testamento foi essencial
mente “fechado” (determinado) antes do ano 167 a.C. Jesus fazia
freqüentes referências às Escrituras como se fossem uma coleção
2 1 3
E x a m in e as E v id ê n c ia s
pré-ordenacla de palavras cie Deus. Nunca foi sugerida nenhuma
possibilidade de variação.
Três seções da Bíblia foram canonizadas em diferentes épocas
do tempo: a Torá, ou os primeiros cinco livros do Bíblia; o Tanakh,
ou o Antigo Testamento, e o remanescente da Bíblia, isto é, o Novo
Testamento.
O Cânon da Torá
Os primeiros cinco livros — a Torá — foram imediatamente con
siderados como a Sagrada Escritura (“inspirada por Deus”) e com
boas razões:
1. Deus ordenou a Moisés que escrevesse suas leis em grandes
rochas e nos papiros para as futuras gerações.
Será, pois, que, no dia em que passares o Jordão...
levantar-te-ás umas pedras grandes e ... escreverás
nelas todas as palavras desta lei, para entrares na
terra que te cler o Senhor, teu Deus, terra que mana
leite e mel, como te disse o Senhor, Deus de teus
pais (Di 27.2,3).
E, nestas pedras, escreverás todas as palavras desta
lei, exprimindo-as bem (Dt 27.8).
2. A presença de Deus era facilmente observada através da sua
glória. Encontramos a glória de Deus quase diariamente quan
do uma “coluna de nuvem” de dia e uma “coluna de fogo” de
noite guiava os hebreus através do deserto (Êx 13.21). Da mes
ma maneira, a glória de Deus era vista sobre o Tabernáculo
(40.34,35) e o monte Sinai.
E, subindo Moisés o monte, a nuvem cobriu o monte.
E habitava a glória do Senhor sobre o monte Sinai, e
a nuvem o cobriu por seis dias; e, ao sétimo dia, cha
mou o Senhor a Moisés cio meio da nuvem. E o as
2 1 4
O s P r im e ir o s P a t r i a r c a s ( o u P a is ) d a I g r e ja C o n firm a m a I5iiima
pecto da glória do Senhor era como um fogo consu
midor no cume do monte aos olhos dos filhos de
Israel (Êx 24.15-17).
3. A inspiração divina foi vista no próprio Moisés. Depois de
falar com Deus para receber a lei, ele voltou com um “res
plendor” no rosto — indicando sua interação com Deus. A
princípio, isso assustou o povo. Moisés até cobriu o rosto
com um véu para se dirigir ao povo, até a próxima vez em
que veria a Deus.
Assim, acabou Moisés de falar com eles e tinha posto
um véu sobre o seu rosto. Porém, entrando Moisés
perante o Senhor, para falar com ele, tirava o véu até
que saía; e, saindo, falava com os filhos de Israel o que
lhe era ordenado. Assim, pois, viam os filhos de Israel
o rosto de Moisés e que resplandecia a pele do rosto
de Moisés; e tornava Moisés a pôr o véu sobre o seu
rosto, até que entrava para falar com ele (Êx 34.33-35).
4. A presença de Deus se fazia aparente por meio de grandes e
visíveis milagres. Coisas como a divisão do mar Vermelho, a
provisão diária de maná e a derrota dos amalequitas (Êx 17.8-
14) eram óbvias indicações de uma direta interação divina.
Embora não houvesse necessidade de comprovar a Sagrada Escri
tura da Torá, o exílio dos judeus na Babilônia (586 a.C.) criou alguma
preocupação concernente ao fato de os registros escritos de Moisés
serem canonizados “oficialmente”. Portanto, pouco depois da época
da volta dos judeus a Israel (cerca do ano 500 a.C.) a Torá foi oficial
mente canonizada.
Jesus apoiou diretamente as palavras da Torá, e isso está indicafoi registrado, ele havia sido levado a vários testes de inspiração divina.
O teste mais importante para comprovar que era uma palavra vinda de
Deus foi o teste das profecias 100% perfeitas. A profecia foi designada
como “teste” pelo próprio Deus através de Moisés, na Torá. Podemos
observar alguma coisa por detrás disso quando os israelitas estavam
pedindo para não ouvir mais a voz de Deus, ou para não ver o seu
“grande fogo”, ou certamente iriam morrer (Dt 18.16). Por meio de
Moisés, Deus indicou que os futuros profetas iriam ser assim conside
rados se fossem testados através cle profecias 100% perfeitas (V 22):
Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os
prognosticadores e os adivinhadores; porém a li o Se
nhor, teu Deus, não permitiu tal coisa. O Senhor, teu
Deus, te despertará um profeta cio meio de ti, de teus
irmãos, como eu; a ele ouvireis; conforme tudo o que
pediste ao Senhor, teu Deus, em Horebe, no dia da con
gregação, dizendo: Não ouvirei mais a voz do Senhor,
meu Deus, nem mais verei este grande fogo, para que
não morra. Então, o Senhor me disse: Bem falaram na
quilo que disseram. Eis que lhes suscitarei um profeta do
meio cle seus irmãos, como tu, e porei as minhas pala
vras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe
ordenar. E será que qualquer que não ouvir as minhas
palavras, que ele falar em meu nome, eu o requererei
dele. Porém o profeta que presumir soberbamente de
falar alguma palavra em meu nome, que eu lhe não te
nho mandado falar, ou o que falar em nome de outros
deuses, o tal profeta morrerá. E se disseres no teu cora
216
O s P r im e ir o s P a t r ia r c a s ( o u P a is) d a I g r e ia C o n fir m a m a B íb l ia
ção: Como conheceremos a palavra que o Senhor não
falou? Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e
tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é
palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou o
tal profeta; não tenhas temor dele (Dt 18.14-22).
Depois, Deus define sua supremacia e a importância da profecia
por meio do profeta [saías:
Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade:
que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro
semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio
e, desde a antiguidade, as coisas que aincia não sucede
ram (Is 46.9,10).
Deus deixa bem claro que Ele é único (“Não existe outro" e “não
há outro semelhante a mim”) e, além disso, que ninguém mais anun
cia “o fim desde o princípio”. Conseqüentemente, o Antigo Testa
mento está repleto de profecias em todos os seus livros. Como era de
se esperar, profecias de curto prazo (realizadas dentro do mesmo
período de tempo e no mesmo livro em que foi registrada) represen
tavam uma importante ferramenta para descobrir se alguém era um
profeta digno de ser incluído na Sagrada Escritura. A Parte 3 faz uma
revisão detalhada da importante questão da profecia bíblica. Além
das profecias de longo prazo encontradas na Parte 3, outras também
podem ser encontradas no Apêndice C.
Portanto, os livros da Escritura do Antigo Testamento eram, em
geral, determinados ao usar a profecia como teste principal, logo
depois de serem escritas (usando as profecias de curto prazo feitas
pelo autor como forma de comprovação). No entanto, foi somente
depois do ano 167 a.C. (ano em que o governante selêucicla Antíoco
Epífanes IV sacrificou um porco no altar do Templo, desencadeando
a revolta dos judeus pelos macabeus — com o Hcmttkkab represen
tando o fim da revolta exatamente um ano depois) que os israelitas
chegaram a um consenso em relação aos livros e à integralidade do
Antigo Testamento.
2 1 7
E x a m in e as E v id ê n c ia s
Como mencionamos anteriormente nesta parte, Jesus confirmou o
Antigo Testamento por ser a Bíblia oficial (a Septuaginta) usada du
rante o seu tempo na terra.
Embora o cânon do Antigo Testamento ainda não tivesse sido
reconhecido oficialmente no ano 167 a.C., isso só aconteceu depois
que os judeus enfrentaram o segundo exílio no ano 70.
O Cânon do Novo Testamento
Cerca do ano 200, a Igreja cristã já havia afirmado um cânon
(uma coletânea de livros aceitos) para toda a Bíblia. Os primeiros
patriarcas cia Igreja, Irineu (aproximadam ente no ano 130) e
Orígenes (aproximadamente no ano 180) haviam relacionado to
dos os 27 livros do Novo Testamento (embora alguns tivessem
sido relacionados como suspeitos: 6 por Irineu e 5 por Orígenes).'1
Entretanto, uma confirmação final do cânon só ocorreu com o
Concílio de Cartago em 397.
Como dissemos anteriormente, Jesus realmente pré-confirmou o
Novo Testamento quando indicou que ele iria existir depois da sua
ressurreição (veja as páginas 177,178). Ele o autorizou, profetizou e
confirmou enquanto estava sendo pregado.
É significativo que o cânon tenha siclo submetido a um escrutí
nio logo depois da época em que os livros do Novo Testamento
foram escritos, assim permanecendo durante muitos anos antes da
sua aprovação final. Dessa maneira, os críticos dos livros cio Novo
Testamento tiveram bastante lempo para exprimir suas possíveis
preocupações, além de um conhecimento mais próximo para fa
zer a sua revisão.
Também é significativo que cada cânon da Bíblia — a Torá, o
T an akb e o Novo Testamento — tenha recebido uma aceitação ge
ral 200 anos ou mais antes de ser oficializado, leria havido tempo
suficiente para qualquer reclamação quanto a sua autenticidade fei
ta por aqueles que ainda estavam próximos cia época em que foram
escritos.
2 1 8
Avalie o que Você Aprendeu
1. Por que é tão importante haver uma cadeia contínua de docu
mentos desde os apóstolos, através dos primeiros patriarcas da
Igreja e até os nossos dias?
2. Se perdêssemos todas as cópias do Novo Testamento o que as
citações dos patriarcas da Igreja poderiam fazer por nós?
3. C) que é gnosticismo? Qual credo foi estabelecido para relutá-lo?
4. Qual foi o propósito do Credo de Nicéia? Quem convocou o
Concílio?
5. Relacione seis cânones (oficiais e não oficiais) e aproximada
mente quando foram estabelecidos.
Capítulo 13 — Grupo de Estudo
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: o capítulo 13 deste texto.
Oração de Abertura
Discussão: Discuta a continuidade da comunicação dos apóstolos
através dos primeiros patriarcas cla Igreja até os muitos documentos
do Novo Testamento (veja as páginas 210 e 211). Por que essa contí
nua cadeia dos apóstolos é importante para demonstrar a confiabilidade
da Bíblia?
Atividade Prática
Entrevista d e TV. O “porta voz da TV” entrevista o cristão sobre os
primeiros patriarcas cla Igreja e o seu papel no desenvolvimento do
Novo Testamento. Discuta como podemos saber que ele não mudou
desde essa época e como esses líderes realmente ajudaram a garantir
a sua confiabilidade.
Oração de Encerram ento
O s P r im e ir o s P a t r ia r c a s ( o u P a is ) d a I g r e ja C o n f ir m a m a B íb l ia
2 1 9
14
Evidências Arqueológicas
do Antigo Testamento
erguntam, muitas vezes: “Será que a Bíblia pode ser comprovada
pela arqueologia?” E a resposta, claro, é não. Geralmente, a arqueolo
gia não pocle provar os detalhes dos acontecimentos e, em especial,
não pode provar o que havia na mente das pessoas que viviam em
determinada época (por exemplo, não pode provar os seus motivos).
Mas, pode sugerir algumas coisas, inclusive esses motivos.
O que a arqueologia também pode fazer, entretanto, é comprovar
a existência de certas coisas como cidades, culturas, etc. Por exem
plo, pode comprovar a existência do Templo — exatamente como foi
descrito na Bíblia. Os eventos também podem ser seguramente suge
ridos e, em alguns casos (especialmente onde existem inscrições) até
confirmados. Dessa forma, muitas coisas que são discutidas na Bíblia
podem ser verificadas por meio da arqueologia, ou solidamente con
firmadas ou desmentidas. Até essa data, a arqueologia tem servido
como um forte apoio à Bíblia, muito mais do que as pessoas poderi
am originalmente esperar.E x a m in e a s E v id ê n c ia s
Nota: As informações contidas nos capítulos 15 e 16 foram obti
das de uma ou mais cias seguintes fontes (na maioria dos casos,
múltiplas fontes tratam das mesmas descobertas):
• Finegan, Jack. The Archeology o f the New Testament: The Life
o f Jesu s a n d the B eginning o f the Early Church, rev. ed.
Princeton, NJ: Princeton University Press, 1992.
• Free, Joseph P., and Howard F. Vos. A rchaeology a n d Bible
History. Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1992.
• McDowell, Josh. Evidence That D em ands a Verdict— Volu
mes I a n d II. Nashville, TN: Thomas Nelson, Inc., 1993.
• . The New Evidence That D em ands a Verdict. Nashville,
TN: Thomas Nelson Publishers, 1999.
• McDowell, Josh, and Bill Wilson. A R eady D efense. San
Bernardino, CA: Here’s Life Publishers, Inc.. 1990.
• McRay, Jo h n . A rchaeology a n d the New Testament. Grand
Rapids, MI: B aker B ook H ouse, 1991.
• Millard, Alan. Illustrated Wonders a n d Discoveries o f the Bible.
Nashville, TN: Thomas Nelson, Inc., 1997.
• Packer, J. I., Merrill C. Tenney, and William White Jr. Illustrated
Encyclopedia, o f B ible Facts. Nashville, TN: Thomas Nelson,
Inc., 1980.
• Pritchard, James B. The H arper Atlas o f the Bible. New York:
Harper & Row, 1987.
• Unger, Merrill F. The New Unger 's B ib le H andbook. Chicago:
Moody Press, 1984.
• Youngblood, Ronald F. New Illustrated B ib le D ictionary.
Nashville, TN: Nelson, 1995.
2 2 2
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T e st a m e n t o
O que É Arqueologia?
É natural as pessoas pensarem que a arqueologia é uma “ciência
antiga”. Afinal de contas, ela se dedica a coisas antigas. A maioria das
pessoas fica admirada ao saber que a arqueologia, sendo ou não uma
verdadeira “ciência”, é uma coisa relativamente nova. (Alguns defi
nem como ciên cia exclusivamente aquela disciplina que usa méto
dos científicos. Outras, inclusive as definições do dicionário Webster,
ampliam a palavra ciên cia para incluir qualquer método sistemático
de estudo).
A arqueologia é o estudo sistemático de coisas que as culturas
deixaram para trás. Até o século XVIII ela não havia se tornado obje
to de qualquer interesse profissional. Até essa época, a arqueologia
havia se dedicado a pesquisar principalmente os objetos de “valor”
(isto é, objetos de ouro e prata). A abordagem sistemática (científica)
não havia sido amplamente usada até o início do século XX depois
qtie alguns críticos inconsciente (e erroneamente) presumiram que a
Bíblia não dispunha de qualquer evidência para comprová-la. No
final do século XIX, “críticas elevadas” (ou “superiores”; populares
naquela época) sugeriram que a Bíblia poderia estar repleta de erros
e de mitos. Alguns arqueólogos procuraram “provar” que a Bíblia
estava errada. Outros adotaram a abordagem oposta e tentaram en
contrar evidências que a pudessem comprovar. Arqueólogos, traba
lhando no Oriente Médio, ficaram surpresos com suas descobertas
que confirmavam a Bíblia praticamente em todos os detalhes (veja
nas páginas 250, 256 e 257 os grandes arqueólogos que passaram de
críticos a crentes na Bíblia).
Os arqueólogos que usavam a Bíblia como guia para suas pesqui
sas começaram a encontrar partes da história que nem sabiam que
existiam. Foram descobertas antigas culturas até então desconheci
das. Antigas cidades, antes acreditadas como simplesmente mitos,,
foram descobertas. E eventos, antes classificados como simples “len
das”, foram confirmados. Atualmente, a Bíblia é considerada como
uma referência arqueológica fundamental.
Entretanto, devemos ter em mente que a maioria dessas evi
dências arqueológicas surgiu apenas nos últim os 50 anos. Foi so
2 2 3
E x a m in e as E v id ê n c ia s
mente durante um período relativamente pequeno de tempo que
a arqueologia foi capaz de descobrir certas coisas como a existên
cia de Socloma e Gomorra, de pessoas proeminentes como o rei
Davi, ou culturas como as dos antigos hititas (ou heteus). Agora os
museus estão cheios de provas arqueológicas que comprovam a
Bíblia.
A Arqueologia Refuta as “Críticas Elevadas” à Bíblia
Muitos livros especializados e muitas opiniões públicas ainda se
baseiam nos resquícios do período errôneo das “críticas elevadas” do
final do século XIX até o início do século XX. Essas “críticas” acredi
tavam que a Bíblia tivesse cometido erros, no entanto não possuíam
sólidas evidências sobre as quais pudessem se basear para suportar
suas opiniões. Agora, através cios fatos, a arqueologia deixou descon
certadas as antigas “críticas elevadas” da Bíblia. Aqui estão alguns
exemplos dos erros que cometeram:
• As “críticas elevadas” acreditavam que a cultura hitita da época
de Abraão não teria possibilidade de ter existido, da maneira
como está registrada na Bíblia (Gn 10.15; 15.20; 23.3, 7-20;
25.10; 49.32). Agora, a arqueologia descobriu muitos objetos
dos primitivos hititas e eles são tão numerosos que encheram
todo um museu em Israel.1
• A Bíblia fala que Tubal-Cain (um descendente de Caim, fi
lho de Adão e Eva) forjou “toda obra de cobre e de ferro”
(Gn 4.22). A ciência considera aproximadamente o ano de
1200 a.C. como o ano da Idade do Ferro, muito depois da
época estimada para Tubal-Caim. No entanto, a arqueologia
encontrou uma lâmina de ferro exatamente a noroeste de
Bagdá — não muito longe do provável lugar do Jardim cio
Éden — cuja data é anterior ao ano 2700 a.C., muito antes
da estimativa anterior.2
• Acreditava-se que camelos domesticados não existiam na épo
ca de Abraão (como mencionado em Gênesis 12.16), mas os
arqueólogos descobriram pinturas de camelos domesticados
2 2 4
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T e st a m e n t o
nas paredes do templo de Hatsbepsnl (perto da cidade de Tebas,
no Egito), cuja data é anterior a esse período.3
• Foi discutido anteriormente que o relato da existência das por
tas sólidas e trancadas na casa de Ló (Gn 19-9,10) era ilógico
porque naquela época as cidades estavam em estado de deca
dência. No entanto, os arqueólogos descobriram a cidade bí
blica de Quiriate-Sefer na mesma área, com provas da existên
cia de muros e portas sólidas. As construções datam de 2200 a
1600 a.C., a época de Ló.'
• Alguns insistiram que as leis do Antigo Testamento (a Torá, o
primeiro dos cinco livros escritos por Moisés) nào poderiam ter
sido escritas antes de 1450 a.C., pois, segundo acreditavam,
nenhuma cultura estaria tão avançada. No entanto, em 1902 os
arqueólogos descobriram na Babilônia um artefato com leis
semelhantes — o Código de Hamurabi, cuja data é anterior à
época de Moisés.s
• A existência dos filisteus também foi colocada em dúvida.
A Bíblia registra que os filisteus eram efetivos inimigos de
Israel na época dos Juizes. Até agora muitas cidades dos
filisteus já foram descobertas na Palestina, juntamente com
mais de 28 lugares e 5 centros importantes. Até o incên
dio da cidade de Gibeá foi confirmado, com o consta em
Juizes 20.8-40.'’
• Acreditava-se que Davi não poderia ter sido músico, pois os ins
trumentos que, segundo a Bíblia ele tocava, só foram desenvolvi
dos muito depois. No entanto, os arqueólogos descobriram os
tipos de instrumentos usados por Davi na cidade de Ur (cidade
natal de Abraão), inclusive liras, flautas, harpas e até um oboé
duplo, com data de 2500 a.C. Foram feitas descobertas posteriores
de instrumentos musicais feitos no Egito (com data anterior a 1900
a.C.) e na Palestina (cerca de 2000 a.C.) muito tempo antes de
Davi (que viveu aproximadamente no ano 1.000 a.C.).7
Infelizmente leva tempo para corrigir estas concepções errôneas,
que estão tão arraigadas.
2 2 5
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
Como a Arqueologia Procede
A moderna arqueologia — extremamente organizada e meticulosa
— mantém registros detalhados e é bastante lenta. Há muito tempo
os “caçadores de tesouros” destruíam muitos sítios à procura cieenri
quecimento rápido. Atualmente, os arqueólogos dão mais valor aos
escritos e aos objetos do que ao ouro ou pedras preciosas.
No Oriente Médio a forma habitual cia.s escavações é uma grande
montanha de terra chamada tell, que representa essencialmente uma
cidade soterrada. Os locais originais das cidades (onde mais tarde se
desenvolveram as tells) foram cuidadosamente escolhidos, levando-se
em conta certos detalhes como suprimento de água e defesas naturais.
Quando uma cidade era destruída, era típico construir outra em cima
da cidade antiga. Com o passar do tempo, este ciclo de destruição e
reconstrução resultou numa grande
montanha feita pelo homem. É claro
que o nível superior representava a
civilização mais recente, enquanto o
nível inferior correspondia às cultu
ras mais antigas. Ocasionalmente,
abriam-se covas através cie várias ca
madas ou estrato.
À medida que a escavação avan
çava, a localização precisa e o rela
cionamento com os vários objetos se
perdiam para sempre. Portanto, as
perfurações são feitas sistematica
mente divididas em áreas quadradas e freqüentemente fotografadas,
e cada objeto encontrado é detalhadamente documentado. A escava
ção pode começar com o uso cie enxadas que, à medida que se
aproximam das áreas críticas, são rapidamente substituídas por pe
quenas ferramentas manuais — até colheres e escovas de dente. Em
virtude do enorme tempo gasto e às despesas exigidas, somente uma
pequena perfuração já foi feita, até esta data, em dezenas de milhares
cle sítios em potencial.
A arqueologia é uma ciên
cia relativamente nova.
Mesmo assim, ela já des
mentiu muitas crenças de
que a Bíblia estava incorre
ta (especialmente os con
ceitos das "críticas eleva
das" da Bíblia — populares
no final do século XIX).
2 2 6
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T est a m en to
Como São Determinadas as Datas Arqueológicas
Ocasionalmente, os arqueólogos encontram moedas e inscrições
que ajudam a verificar a data de uma cidade ou cultura. Tais desco
bertas são extremamente raras. Entretanto, a grande quantidade de
cerâmicas deixadas para trás — com óbvias mudanças de estilo que
podem fazer referência às diversas épocas — representam uma fonte
abundante e confiável de datas. Como exemplo, as lâmpadas de óleo
abaixo mostram uma progressão distinta de estilos facilmente reco
nhecíveis pelos arqueólogos. Tais lâmpadas são comumente encon
tradas nas Terras Santas.8
Exemplo de uma Tell
Strata dos Períodos
Bizantino Inicial *■
Bizantino Final
Romano Recente
Heródio
M acabeu
H elenístico
Persa
Período
H elenístico
331 - 165 a.C.
Cidade
Muro
Fonte
Período
M acabeus
165 - 30 a.C.
2 2 7
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
Será que a Ausência da Evidência Significa Evidência
da Ausência?
Algumas pessoas dizem: “A falta de evidência significa que não
existiu”. Por exemplo, até agora, não foram encontradas inscri
ções com os nomes dos patriarcas anteriores a Moisés em nenhu
ma das tábuas de argila. Mas não deveríamos esperar que tais
registros fossem encontrados. Os patriarcas eram nômades de pouca
ou nenhuma aclamação mundial, eles não eram reis que constru
íam pirâmides.
Os céticos podem perguntar por que os egípcios, por exemplo,
não registraram o êxodo em massa dos hebreus. Seria ingênuo
acreditar que os governantes egípcios (ou outros) fossem docu
mentar seus erros ou derrotas mais importantes (a Bíblia é única
pelo fato de indicar prontamente os erros dos seus líderes). Entre
tanto, nós realmente encontramos evidências na arte e nas inscri
ções egípcias de que os hebreus rea lm en te existiram com o e scra
vos q u e a ju d a ra m nos g ran d es p ro jetos d e construção, tal como a
Bíblia indica. Portanto, eles estiveram lá — e depois partiram —
de modo que deve ter havido alguma forma de “êxodo”, para
aqueles que queriam ou não aceitar a Bíblia. Mesmo assim, muitos
outros escritos da antiguidade mencionam pessoas e acontecimentos
bíblicos (por exemplo, o Q u r’a n do islamismo menciona muitos
personagens bíblicos).
Além disso, â medida que o tempo passa, descobrimos que a
arqueologia muitas vezes descobre casualmente as evidências.
A Arqueologia Facilita o Entendimento da Bíblia
Às vezes, parece que algumas seções da Bíblia não fazem sentido,
mas a arqueologia tem ajudado a acrescentar hermenêutica (interpreta
ção) a um certo número de questões. Um exemplo disso é o seguinte:
Quantas Codornizes Existiram no Deserto?
Algumas pessoas acreditam que o número de codornizes fornecidas
por Deus aos israelitas nômades parece ser pouco real, se elas estive
2 2 8
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T e st a m e n t o
ram realmente a dois côvados de altura acima do chão. Observe a
tradução da versão RC:
Então, soprou um vento do Senhor, e trouxe codornizes
cio mar, e as espalhou pelo arraial quase caminho de um
dia de uma banda, e quase caminho de um dia da outra
banda, à roda do arraial, e a quase dois côvados sobre a
terra (Nm 11.31 )■
Entretanto, a palavra hebraica para “sobre” era a mesma pala
vra para “acim a” (o hebraico era a língua original).9 É claro que,
se a intenção da palavra era afirmar que as codornizes estavam
voando 91 centímetros acima do chão, ela estaria indicando que
seriam fáceis de serem capturadas. A arqueologia encontrou an
tigos escritos no Sinai registrando a captura de codornizes nos
ninhos quando elas voam 91 centímetros acima do chão. Na ver
dade, a mesma prática ainda é usada atualmente nessa mesma
região.
Algumas traduções mais modernas da Bíblia têm, no entanto,
mudado a linguagem para ela refletir o seguinte:
De repente, o Senhor enviou um vento que trouxe do
mar bandos de codornas. Elas caíram no acampamento
e em volta, em todas as direções, a uma distância de uns
trinta quilômetros; e cobriram o chão em montes de qua
se um metro de altura (Nm 11.31, NLT).
Há outras questões semelhantes na Bíblia Sagrada. Porém o mais
importante é saber que a Bíblia sempre registra a verdade. No caso
das codornizes, eram tantas que seria impossível contá-las!
Exemplos Arqueológicos do Antigo Testamento
Jard im do Éden (Gn 2.11-14). A Bíblia fornece alguns indícios
sobre a localização do Jardim do Éden com esta descrição.
Caim e Abel (Gn 4). Antigos instrumentos de sopro e de cordas,
e uma lâmina de ferro (datada de cerca de 2700 a.C.), foram desco-
2 2 9
E x a m in e as E v id ê n c ia s
hortos próximo ao local onde se propõe que estava o Jardim do
Eden.10
O Dilúvio (Gn 6). A arqueologia descobriu m ais d e 2 0 0 r e la -
los, de culturas tio mundo inteiro, sobre um grande dilúvio que
destruiu seres humanos e animais.
A T orre de Babel (Gn 11). Muitas estruturas, chamadas zigurates
— torres muito altas feitas cie tijolo, contendo no topo um altar,
foram encontradas perto cia Babilônia. Um fragmento de tábua de
argila encontrado na Babilônia menciona um templo que “ofen
deu tanto os deuses” que foi destruído em uma noite, e que o
povo foi espalhado com sua “linguagem que se tornou confusa”.
Abraão no Egito (Gn 12.10-20). Os arqueólogos concordam atu
almente com dois detalhes da curta permanência cie Abraão no Egito
que antes eram considerados errados.
Sodom a e G om orra (Gn 19). As cidades da planície podem
estar submersas sob as águas rasas do extremo sul do mar Morto
(ele teve grandes variações de profundidade - 1 1,27 metros em
poucas décadas). Um outro local, chamado Bab edh-Dhra, parece
ter sido a possível localização de Sodoma e Gomorra. Ele se encon
tra adjacente a um grande cemitério e mostra ter havido ali um
simultâneo enterro em massa. Uma espessa camada cie cinzas tam
bém cobre essas ruínas. Josefo, o historiador do primeiro século,
registra que “traços” de todas as cinco cidades da planície eram
visíveis naquela época.
Antigos Hititas (ou heteus; Gn 15.20; 23.10; 26.34). Muitas des
cobertas fornecem provas cie ter existidoum grande império hitita
na Síria, com áreas tribais que se estendiam ao sul, dentro de Canaã.
Tão grande é a quantidade cie evidências que, atualmente, muitos
museus contêm objetos hititas; e em algumas universidades pode-
se obter um título cie PhD somente com estudos sobre eles.
Sepultura de Sara (Gn 23). Acredita-se que uma caverna em
Hebrom possa ser a verdadeira sepultura de Sara (e de Abraão, Isaque
e Jacó — Gn 25.9; 49.29,30) e, atualmente, foi construída uma mes
quita muçulmana sobre ela (Abrão e Sara são reverenciados por mui
tos muçulmanos). Embora o acesso a essa cova tenha sido geralmen
te proibido, ela foi visitada pelo menos duas vezes por pessoas não
2 3 0
Locais do Antigo Testamento
Confirmados pela Arqueologia
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T e st a m e n t o
Ugarit
y*NÇ
* Sidom • Damasco
ff— Hazor
Megido
.Samaria
Siquém *
Gezer - • n — Sucote
• Gaza
Berseba
Betei
^•Jericó
Jerusalém
Qumran
Hebrom
\S odom a e
Gomorra
AMOM
MOABE
EDOM
Petra
DESERTO
DO SINAI
« Eziom-Geber
EDOM
SABA
2 3 1
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
" 'S "
~L- f
Fatos Fascinantes
P edras d e fe r r o e m ontes d e cobre: Deus disse a Moisés
que a Terra Prometida teria pedras de ferro e cobre que
podiam ser cavadas dos montes (Dt 8.9). À distância de 32
quilômetros ao sul do mar Morto uma grande área se en
contra pontilhada de antigas fornalhas. Esta vasta região
está coberta por montes de escória de cobre e algumas
veias de cobre ainda podem ser vistas acima do solo.11
muçulmanas (uma dos quais
não percebeu o seu significado).
Pouco depois da Guerra dos
Seis Dias de 1967, uma menina
de doze anos foi baixada para
dentro dessa cova, cerca de 3,65
metros abaixo do chão. I Im cor
redor de 17 metros levava a uma
porta fechada que, provavel
mente, se interligava com ou
tras áreas subterrâneas. Três
grandes pedras, uma delas pa
recendo ser uma pedra tumular,
estavam colocadas à frente des
sa entrada. Durante a Primeira
Grande Guerra, um oficial in
glês, que procurava outros soldados, escorregou para dentro de um
aposento medindo cerca de 6 por 6 metros. Ele relatou a respeito de
um objeto de pedra medindo 1,80 metros de comprimento, 91 centí
metros de largura e 91 centímetros de altura. Somente mais tarde
percebeu que esse lugar podia ser a sepultura de Sara.
As Leis cie Moisés. Durante muito anos, as "críticas elevadas” da
Bíblia afirmaram que as leis de Moisés (em Levítico) eram demasi-
Grande parte das informações
arqueológicas que temos —
tanto anteriores quanto da pró
pria época dos patriarcas —
nos ajuda a definir a cultura da
época. Porém, é fácil compre
ender que não haja menções
de pessoas específicas. Este
detalhe também tem uma gran
de importância, pois corrobora
com o relato bíblico.
232
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T e st a m e n t o
adamente avançadas para sua época e não poderiam ter sido escri
tas antes do ano 500 a.C. ou mais tarde ainda. Porém, em 1902, as
Leis de Hamurabi foram encontradas esculpidas em um stele
(monolito) negro da Babilônia, medindo 2,13 metros de altura —
descoberto em Susa, no Elam — mudando radicalmente a opinião
dos estudiosos.
As Conquistas de Josu é (Js 12.9-24). Vários reis de cidades pa
lestinas e sírias escreveram um conjunto de cartas, as Tábuas Amarna,
para o rei cio Egito, aproximadamente no ano 1400 a.C. (a época de
Josué). Essas tábuas confirmam as condições e os vários eventos
que aconteceram na época de Josué. Sete dessas cartas foram escri
tas pelos reis de Jerusalém e as outras pelos reis das importantes
cidades portuárias de Tiro e Sidom, juntamente com cartas de mui
tos dos 31 reis conquistados por Josué. Várias mencionam uma in
vasão feita pelos H abiru (aparentemente, uma palavra derivada de
“hebreu”.)12
Rei Davi; A M orte do Rei Saul (1 Sm, 1 Cr, 1 Rs). A arqueologia
descobriu considerável suporte ao relato bíblico a respeito de Davi.
Algumas pessoas argumentaram que o rei Davi era um mito — até
1993. Nesse ano, foi descoberto o fragmento de um monumento de
pedra em Tel Dan, próximo à fronteira entre Israel e Síria. Esse mo
numento, que se acredita ser um esteia de vitória, menciona o rei
Davi e a “Casa de Davi”, junto com palavras que sugerem uma vitória
conquistada pelo rei de Damasco, Ben-Hadacle que “feriu a Ijom, e a
Dà, e a Abel-Bete-Maaca” (1 Rs 15.20).13
As Datas dos Reinados dos Reis de Israel. Graças aos assírios,
a arqueologia pode confirmar as datas precisas dos reis de Israel
desde a época cle Salomão. Escavações descobriram listas de todos
os reis d a Assíria, d esde 893 a té 6 66 a. C. e também as datas em que
foram empossados (“as listas epônimas”). O ano exato de cada um
deles pode ser estabelecido usando um eclipse que ocorreu na ca
pital Nínive (maio-junho de 763 a.C. — confirmado pelos astrôno
mos) como ponto de referência. Os registros arqueológicos do rei
Salmaneser III (858-824) descrevem a grande batalha de Qarqar (853).
e mencionam o rei Acabe de Israel. Essa batalha aconteceu no últi
mo ano do reinado clo rei Acabe. Como a Bíblia especifica a suces
2 3 3
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
são dos reis de Israel, e a duração do seu reinado, fica fácil estabe
lecer a data de cada um.
Rei Acabe. Existem evidências do rei A cabe fora cie Israel (na
vizinha M oabe) num m onolito negro (esteia) construído p elo rei Mesa,
de M oabe, para registrar sua vitória sobre A cabe, em aproxim ada
m ente 860 a.C.
R eijeú . O Obelisco Negro de Salmaneser II, que menciona Jeú,
foi descoberto em Ninrode, cidade localizada ao sul de Nínive.
A Proteção de Deus a Jerusalém (2 Rs 19.20-36). Isaías havia pro
fetizado que Deus iria proteger Israel contra o ataque do rei Senaqueribe
da Assíria. Um anjo do Senhor matou 185 mil assírios na noite seguinte
à profecia (Is 37.35,36). Escavações feitas em dois cilindros separados
(o cilindro Taylor da antiga Nínive e o cilindro do Instituto Oriental)
confirmam esse incomum acontecimento, declarando com grande or
gulho as derrotas de muitas cidades cia Palestina, mas reconhecendo,
ao mesmo tempo, o insucesso na conquista cie Jerusalém.
Túnel de Ezequias (2 Rs 20.20; 2 Cr 32.30). Ezequias construiu um
túnel com 573 metros cie comprimento e 1,80 de altura que terminava
no Tanque de Siloé. Nesse local foi encontrada uma inscrição descre
vendo como os trabalhadores começaram a obra em cada uma das
extremidades e como “podiam ouvir cada um deles cavando” até que
finalmente se encontraram no meio do túnel (sem os benefícios da
moderna engenharia).
O Exílio (2 Rs, Dn, Ez). Existem evidências arqueológicas subs
tanciais das três fases distintas do exílio de Juclá até a Babilônia. A
primeira fase (605 a.C.), quando Daniel foi deportado, foi confirmada
pela “Crônica da Babilônia” encontrada nos registros da corte da
Babilônia. A segunda (597), quando Ezequiel foi capturado, foi con
firmada pelas “Crônicas dos Reis Caldeus”. E a terceira e última de
portação, em seguida à queda cie Jerusalém (596) foi confirmada
pelas “Cartas de Laquis”.
Os Rolos (ou P ergam inhos) do m ar M orto. A descoberta reli
giosa mais importante da arqueologia foi os rolos (ou pergaminhos)
do mar Morto. Cerca de um terço das centenas de pergaminhos
encontrados se refere ao Antigo Testamento (cópias, muitas vezes
múltiplas, de cada livro, exceto Ester), sendo que a maioria deles
2 3 4
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o A n t ig o T e st a m e n t o
foi escrita pelo menos um ou dois séculos antes de Cristo. Os per
gaminhos restantes contêm uma grande quantidade de informações
sobre a cultura desse período. Guardados em vasos escondidos nas
cavernas até ano 70, e depois esquecidos até 1947, esses pergami
nhos são como uma cápsula do tempo e mostram, praticamente,
que não há nenhuma diferença entre eles e o atual texto massorético.
Rei Joaquim . A arqueologia descobriuinteressantes evidências
sobre Joaquim que foi rei dejudá durante três meses apenas, inclusi
ve um recibo registrado numa tábua de argila relacionando paga
mentos feitos por azeite, cevada e outros alimentos para os cativos na
Babilônia, também relaciona o rei Joaquim e seus cinco filhos como
receptores (2 Rs 25.27-30).lH
Ezequiel, o profeta (livro de Ezequiel). Recentemente, foram
descobertas tábuas de pedra contendo um texto quase completo do
livro de Ezequiel. Estudos sobre a forma específica usada pelos hebreus
para fazer as inscrições indicam que essas tábuas foram escritas du
rante a época de Ezequiel - 600 a 500 a.C. Alguns estudiosos sugeri
ram que elas podem ter sido gravadas pelo próprio profeta Ezequiel
(o que o Talmude parece indicar).15
O R etorno do Exílio (Esdras, Ageu, Zacarias). A arqueologia con
firmou muitas e importantes profecias bíblicas. Uma das mais admirá
veis é a confirmação profética de que a pessoa responsável pelo
retorno dos judeus do primeiro exílio seria um homem chamado
“Ciro”. O cilindro de Ciro, encontrado na Babilônia, registra essa pro
clamação, junto com outros fatos históricos da Bíblia, inclusive a con
quista da Babilônia pelos persas sem qualquer violência e a devolu
ção dos tesouros do templo (Esdras 1.1-6).
_______________CONCEITO-CHAVE -------- ----------------
O “Cilindro d e C iro” f o i u m a im portante descoberta a r
qu eológ ica qu e con firm a o decreto de Ciro de perm itir o
retorno dos judeus a Jerusalém , depois do prim eiro ex í
lio, a f im d e reconstruírem a c id ad e e o Tem plo— ex a ta
m ente com o h av ia sido p ro fetizad o em Isaías 44.28, com
m ais d e 100 an os d e an tecedên cia .
2 3 5
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
Tiro: p rofecia cum prida. Embora a Bíblia tenha mantido silên
cio entre o Antigo e o Novo Testamento (desde 400 a.C. até a época
de Jesus) a arqueologia continuou a documentar o cumprimento de
muitas profecias feitas anteriormente. Entre elas está a dupla destrui
ção de Tiro, a grande cidade portuária da época de Ezequiel, em 586
e 330 a.C.
Resumo de mais Exemplos Arqueológicos do Antigo
Testamento
Para outros estudos e referências, aqui estão mais alguns even
tos da Bíblia cuja ocorrência e existência foram comprovados pela
arqueologia.
• ídolos d e Labão, Gênesis 31.
• Ja c ó e José, Gênesis 37-50.
• De líderes a escravos, Gênesis e Êxodo.
• Escravos hebreus constroem cidades, Êxodo 1.11; 5.13-18.
• O Tabernáculo.
• A qu ed a d e jer icó , Josué 6.
» Cidades d a época dos Juizes, livro de Juizes.
• Dagom, deus dos filisteus, 1 Samuel 5.2-7.
• C onsagração do rei Salom ão, 1 Reis 1.5-7, 41-50.
• R eiJeroboão , 1 Reis 12.20 e em outras passagens.
• Roboãio, Sisaque, 1 Reis 14.25-26.
• Dinastia d e Onri.
• Sam aria.
• P rofecias d a Amós, livro de Amós.
• Sargão, Isaías 20.1.
• N abucodonosor, Daniel 24.
• Profecia, d e Jerem ias, Jeremias 42.8-12.
• Susa (Susã) e ou tros d eta lh es sob re N eem ias, Neemias 1,2.
2 3 6
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g i c a s d o A n t ig o T e s t a m e n t o
Avalie o que Você Aprendeu
1. O que é um telft Como são determinadas as datas em arqueolo
gia?
2. O que são as “críticas elevadas” à Bíblia? Dê alguns exemplos
dessas críticas que, mais tarde, foram desmentidas com o uso
da arqueologia.
3- Qual é a evidência de que Davi existiu?
4. Qual é a evidência arqueológica que fornece um confiável pon
to de referência para as datas dos reis de Israel?
5. O que é o cilindro de Ciro? Por que é importante?
Capítulo 14 — Grupo de Estudo
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: o capítulo 14 deste texto.
Oração de Abertura
Discussão: O que a arqueologia “prova”? O que ela pode nos dizer
e quais são as suas limitações? Discuta em grupo.
Atividade Prática
D ebate: O “cristão” está enfrentando um “não-crente” que ainda
aceita as “críticas elevadas” (ainda encontradas em alguns livros).
Oração de Encerram ento
237
Evidências Arqueológicas
do Novo Testamento
maior parte cia vicia cie Jesus foi passada na região cia Galiléia
e a sua influência se fez sentir através cie toda essa região. Jesus
visitou as terras dos gentios em Tiro e Sidom (Mt 15.21), a área da
Transjordânia (localizada cio lado oriental do Jordão, também inten
samente habitada por gentios), a Samaria (Jo 4.5) e algumas cidades
escolhidas da Judéia, perto de Jerusalém.
Muitas pessoas, inclusive lideres religiosos, também vinham
vê-lo. Sabemos que uma grande multidão vinha ter com Ele da
“Judéia, e de Jerusalém, e da Iduméia, e dalém do Jordão, e de
perto de Tiro, e de Sidom” (Mc 3-8). Esse era um longo com pro
misso de viagem na época da antiguidade. A viagem de Jerusa
lém a Nazaré levava cerca de quatro a cinco dias. Viagens para
áreas mais distantes no sul (por exemplo, Iduméia) levavam vá
rios dias. E não havia nenhuma programação — nenhuma garan
tia de que Jesus estaria naquela cidade quando as pessoas che
gassem. Tudo isso mostra que Jesus exerceu um grande impacto
sobre esta região.
Locais da Vida e do Ministério de Jesus
Todos os seguintes locais do Novo Testamento foram identifica
dos através da arqueologia.
E x a m in e as E v id ê n c ia s
Betânia — local onde, aparentemente, Jesus viveu durante sua
última semana de ministério (Mt 21.17). Jesus foi ungido ali (26.6).
Belém — terra natal de Jesus (Mt 2.1), onde Ele recebeu a visita
dos reis magos (2.9) e Herodes mandou matar as criancinhas (2.16).
Betfagé — local para onde Jesus enviou os discípulos a fim de
buscar um jumento para sua entrada final em Jerusalém (Mc 11.1).
Betsaida — cidade onde Jesus curou um cego (Mc 8.22) e alimen
tou 5 mil seguidores (Ix 9-10).
C esaréia (m a rítim a ) — porto importante. Lugar onde um
centurião se converteu pela pregação de Pedro (At 10.1) e do julga
mento de Paulo (At 23.53).
Cesaréia de Filipe — cidade onde Pedro proclamou pela primei
ra vez que Jesus era o Messias, filho do Deus vivo (Mt 16.16).
Caná — cidade onde Jesus realizou seu primeiro milagre — trans
formando água em vinho (Jo 2.1).
C afarnaum — quartel general do ministério de Jesus (Mt 4.13) e
onde muitos milagres foram realizados. Local onde estava situada a
casa de Pedro.
Emaús — a primeira aparição de Jesus depois da ressurreição
ocorreu na estrada para essa cidade (Lc 24.13).
Gadara — um homem endemoninhado veio tia região que levava
o nome dessa cidade (Lc 8.26).
G enesaré — Jesus chegou ali depois de acalmar o mar. As
pessoas dali traziam os doentes para serem curados por Ele (Mt
14.35).
2 4 0
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N o v o T e st a m e n t o
Gergesa — atualmente, lugar
no mar da Galiléia, onde uma ma
nada de porcos possuídos por
demônios se precipitou no mar
(Mt 8.28).
Jericó — foi exatamente fora
dos muros dessa cidade que Jesus
curou o cego Bartimen (Mc 10.46).
Jerusalém — a cidade judai
ca mais importante. Local do tem
plo e onde Jesus foi crucificado,
morto e sepultado.
M agdala— cidade de pesca
dores no mar da Galiléia. Acre
dita-se que tenha sido o lar de
Maria Madalena.
N a im - local onde Jesus ressus
citou o filho de uma viúva (Lc 7 .11).
Nazaré — importante encru
zilhada comercial. Lar de Jesus durante sua juventude e local de um
número limitado de milagres (Mc 6.5).
S éfora— capital de Herodes Antipas, próxima a Nazaré. É possí
vel que Jesus tenha trabalhado ali como carpinteiro.
S id om — importante cidade portuária do Mediterrâneo, visitada
por Jesus para ministrar aos gentios (Mt 15.21).
Sicar — cidade na Samaria onde Jesus encontrou uma mulher
junto ao poço, prometendo-lhe dar a “água viva” (Jo 4.5).
MSI
-Sidom
*'■» Tiro
Cesaréia y®
de Filipe
Betsaidaf
Cafarnaum
Genesaré
Séfora
Nazaré
Naim
Magadala^
Gergesa
* Gadara •
Cesaréia
(Marítima)
SAMARIA
Sicar
IO
a
Jericó
EmaÚ5' ' * ^ B e tfa g ?
Jerusalém _,, Betânía
Belém _ #
2 4 1
E xa m in e a s E v id ê n c ia s
Tiro — importante cidade portuária do Mediterrâneo visitada por
Jesus para ministrar aos gentios (Mt 15.21).
Tradição Histórica
É comum venerarmos os lugares mais importantes da história. Por
exem plo, os am ericanos reverenciam certos lugares com o o
In depen den ce Hall, o M ount Vernon e a cidade natal de Lincoln. Se
uma catástrofe destruísse alguma dessas estruturas, não há dúvida de
que elas continuariam a ser famosas.
Da mesma forma, os lugares arqueológi
cos do Novo Testamento eram muito conheci
dos na sua época. Em primeiro lugar, docu
mentos históricos não-bíblicos revelam uma
clara descendência de parentes de Cristo que
se estende até o terceiro século.1 Esses parentes
deveriam conhecer os lugares do nascimento
e da morte de Jesus, assim como os aconteci
mentos mais importantes da sua vida. Em segundo lugar, os seguidores de
Jesus tinham uma admirável paixão pela verdade do Evangelho — uma
verdade pela qual valia a pena moner. Portanto, não é de admirar que,
apesar da perseguição, muitos locais dos relatos do Evangelho ficassem
registrados na tradição da Igreja Primitiva. Essas tradições, a respeito dos
locais, nem sempre são precisas, mas quando comprovadas pelos primei
ros historiadores, sua confiabilidade fica fortalecida. Ironicamente, as ten
tativas de dar fim à veneração a esses lugares através da construção de
monumentos pagãos sobre eles, só serviram para identificá-los até à acei
tação do cristianismo pelo império romano no quarto século, depois do
qual eles puderam ser abertamente reconhecidos.
Tradição Histórica Versus Lenda
Como identificamos a lenda de que George Washington atirou um
dólar de prata no Rio Potomac, e da tradição de que sua casa estava
situada no monte Vernon? Podemos testar essa evidência seguindo os
seguintes critérios:
A maioria dos luga
res do ministério de
Jesus, mencionados
no Novo Testamento,
já foi descoberta.
2 4 2
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N ovo T e st a m e n t o
1. Haveria alguma evidência an terior da cren ça no local ou no
evento, considerando-os como um fato histórico?
2. Será que essa evidência anterior se baseia numa fo n te confiável?
3- Será que existe uma evidência anterior de que o lugar ou even
to era am plam en te aceito como fato histórico?
As tradições históricas, para serem válidas, devem passar por três
testes, mas o mesmo não acontece com as lendas. A razão disso é
que as lendas levam muito tempo p a r a se transform ar em crenças.
Obviamente, se fosse feita uma afirmação ridícula (por exemplo, que
Elvis Presley ressuscitou) os seus ouvintes iriam rejeitá-la por ser uma
tolice. Alguma documentação escassa, se houvesse, iria sobreviver,
mas praticamente sem
ter nenhum seguidor Tradição Válida Lenda
contemporâneo dessa Evento Evento
crença. O oposto a c o n
teceu com os eventos
bíblicos. Houve um a
g ran d e explosão da fé,
ap esar d a p ersegu ição
e das tentativas para
erradicar as crenças
relativas aos eventos
que cercaram Jesus.
Tratando-se de afirma
ções ridículas, somen
te o tempo poderia fa
zer com que elas se
tornassem plausíveis.
Foram necessários vários séculos para as pessoas idolatrarem Bucla
ou Confúcio (os quais, diga-se de passagem, agiam de forma oposta
àquilo que pregavam). Um outro exemplo é que atualmente existem
algumas pessoas que idolatram Maria, a mãe de Jesus — muitos sécu
los depois da ocorrência desse fato. Entretanto, os lugares e os even
tos que cercaram o p róp rio Jesu s foram rapidamente aceitos e
registrados pelos seus contem porâneos.
Aceito pelos
Contemporâneos
I
A Tradição
jj se Espalha j
Aceitação Aceitação
2 4 3
E x a m in e as E v id ê n c ia s
Os Parentes de Jesus Es
tavam em Nazaré
Fontes não-bíblicas revelam que
parentes de Jesus residiram na área
de Nazaré pelo menos até o ter
ceiro século (e, talvez mais tempo
ainda). Julius Africanus (aproxima
damente no ano 200) escreve a
respeito de parentes do Senhor que
vieram de Nazaré e também da ci
dade próxima cle C ochaba e que
eles guardavam “registros do seu
descendente com muito cuidado”.
Eusébio (cerca do ano 300)
escreve a respeito de dois netos
de Judas, meio irmão de Jesus, que
foram levados perante o imperador Domiciano no décimo quinto ano
do seu reinado (no ano 95) e depois libertados quando admitiram que
pertenciam à casa de Davi. Em seguida, eles fundaram várias igrejas na
área “porque eram parentes do Senhor”. Eusébio também menciona o
nome de Simeão, filho de Clopas (que acreditavam ser irmão de José)
que sucedeu a Tiago como líder da Igreja e foi martirizado com cerca
de 120 anos cle idade.2
Irmãos, Irmãs e Parentes de Jesus
A Bíblia faz uma distinção bem clara entre os irmãos e irmãs cle “san
gue" de Jesus (na verdade, meio-irmàos e meio-irmãs) e os seus discípulos
(Mt 12.46-50). A arqueologia revela que a Igreja Primitiva de Roma (que
mais tarde se transformou na Igreja Católica Romana) reconheceu os pa
rentes de Jesus, inclusive seus irmãc xs Tiago e Judas, os netos de Tiago e
de Judas, seu primo Simeão e outros descendentes dos parentes, como
Conon. Isso foi confirmado por documentos antigos, mosaicos, inscrições
e monumentos. A existência dos parentes de Jesus também foi confirmada
por testemunhas oculares e por historiadores não-cristãos.
A tradição histórica não tem a
mesma confiabilidade da histó
ria. Entretanto, o seu valor não
pode ser desprezado, de forma
alguma, pois ela é completa
mente diferente das lendas. As
tradições são freqüentemente
baseadas em uma cadeia de
comunicação ininterrupta e bas
tante confiável, e várias trad i
ções têm sido confirmadas pela
arqueologia.
2 4 4
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N ovo T e st a m e n t o
As Pedras Podem se Calar — mas as Pessoas Não!
Tio e Ha de Jesus Irm ão de José
José e M a r ia
J
T iago Judas
C lopas
S im eão
O utros?
in de te r- \ in d e te r
m in a d o s I m ina do s
in de te r- in d e te r ; in d e te r
m ina do s m ina do s m ina do s
1--------------------H !
Netos d e Judas
(e de T iago?) m ina do s
in de te r- j i in de te r- :
m ina do s m ina do s
in de te r- in d e te r- j
m ina do s m inados-
in d e te r- in d e te r- in de te r- in de te r- in de te r- , \ in d e te r
m in a d o s m ina do s ; m ina do s m in a d o s m ina do s m ina do s
■ in d e te r- in de te r- in de te r- in de te r- in de te r- in de te r- i in de te r- i
! m ina do s m ina do s m ina do s m ina do s m ina do s m ina do s i m ina do s i
I in d e te r■ in de te r- Conon, descendente
1 m ina do s m ina do s de Tiago
in d e te r- in de te r- l in de te r- ;
m ina do s m ina do s m ina do s
Fim da perseguição — a igreja
reconhece os lugares históricos
Séculos mais tarde, a igreja católica romana negou as mesmas pes
soas que havia anteriormente homenageado, depois de redefinir Maria
como uma virgem perpétua. Portanto, o conceito de que Maria foi uma
virgem perpétua não está cle acordo com os critérios da tradição (esta
idéia precisaria ter sido concebida, e confirmada, muito antes).
CONCEITO-CHAVE _____________
A teologia cató lica rom an a p roc la m a ag ora a “virginda
d e perpétu a d e M aria Essa doutrina f o i con ceb id a a
p artir d e 1500. Os protestantes e a m aioria dos estudiosos
acred itam qu e Jesu s teve irm ãos e irm ãs naturais (Mt
12.46-50).
2 4 5
E x a m in e as E v id ê n c ia s
Exemplos Arqueológicos do Novo Testamento
Local do nascim ento de Jesus. A Igreja da Natividade, em Belém,
marca o tradicional lugar do nascimento de Jesus. A construção da
igreja original foi encomendada pela mãe de Constantino, Helena.
(Constantino foi o imperador que acabou com a perseguição aos
cristãos e transformou o cristianismo na religião oficial clo Império
Romano). Como acontece com muitos lugares cristãos, foram feitas
muitas tentativas para impedirasomos criados à sua imagem, sabemos que isso até mesmo
reflete (a uma pequena proporção) a mente de Deus. Devemos amá-lo
com o nosso entendimento. Este tipo de amor implica um entendimento
racional a respeito de quem Deus realmente é, e um amor impressionan
te que inspira temor, e que é um resultado deste entendimento.
Fé e Crença Racional para Compartilhar Deus
As últimas palavras de Jesus aos seus discípulos foram para que
saíssem e compartilhassem o evangelho:
_________ U m V er s íc u lo para M e m o r iz a r — -----------
Ide, portanto, J a z e i discípulos d e todas as nações, ba tizan
do-os em nom e do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo
(Ml 28.19,20 ARA).
Este é um mandamento vital para toda pessoa que tem um relaci
onamento com Deus, por intermédio de Jesus Cristo. A razão é que a
única maneira de ser redimido, em um relacionamento apropriado
com Deus, por toda a eternidade, é por intermédio de Jesus — cren
do no seu sacrifício na cruz e na sua ressurreição, e tomando a deci
são de aceitá-lo, tanto como Senhor e Salvador.
Um V e r s íc u lo p a ra M e m o r iz a r .................
Eu sou o cam inho, e a verdade, e a vicia. Ninguém vem. ao
P ai sen ão p o r mim (Jo 14.6,7).
É de extrema importância que as pessoas conheçam e aceitem o
dom da redenção, dado por Deus, por intermédio de Jesus Cristo. O
que poderia ser mais claro do que a afirmação de que somente aqueles
que crêem em Jesus terão a vida eterna? (No significado pleno da
2 4
P r e p a r a ç ã o p a r a a s u a V i a g e m , a C a m in h o d e u m a F é M a i o r
língua original, “crer” significa confiar
completamente em Jesus). Além dis- Aque|0 que crê nQ Fj|ho
to, está igualmente claro que aqueles . ,
. . _ tem a vida eterna, mas
que o rejeitarem (ou nao o aceitarem)
não verão a vida e terão que suportar aquele que não crê no Fi-
a ira de Deus. Que escolha — a vida lh° não verá a vida, mas a
eterna ou a ira de Deus! Isto nos leva ira de Deus sobre ele per-
ao segundo grande mandamento que manece (Jo 3.36).
Jesus ensinou:
Conhecendo a extrema necessidade de aceitar a Jesus como
Senhor e Salvador, como pode alguém amar verdadeiramente ao
seu próximo, como a si mesmo, sem compartilhar o evangelho —
e obedecer ao mandamento de Jesus, de “fazer discípulos de to
das as nações”?
---------Um V e r s íc u lo p a ra M e m o r i z a r ................
E o segundo... é: A m arás o teu próx im o com o a ti mesmo.
Não b á outro m an dam en to m aior do que este (Mc 12.31).
Duas Maneiras de Usar este Livro
Este livro lhe ajudará em tudo o que foi dito acima: 1) conhecer a
Deus, 2) amar a Deus, e 3) compartilhar Deus. Embora tenha sido
escrito para ser lido seqüencialmente, ele foi planejado de modo que
qualquer segmento possa ser lido como uma seção isolada. Além
disso, ele foi escrito para ser lido com um destes dois objetivos:
1. Puro divertimento - Alguns desejarão ler Exam ine a s Evidências
exclusivamente para divertimento na sua própria jornada de fé.
Deixe que a sua curiosidade lhe conduza em uma aventura de
descobrimento bíblico. Olhe o índice e vá para as áreas de seu
interesse. Folheie o texto, parando onde lhe chamar a atenção.
2 5
E xa m in e as E vid ên cia s
Ou, se você tiver uma pergunta específica, tente encontrar a
resposta, usando as opções de referência e índice disponíveis.
2. Estudo sério — Alguns irão desejar ter uma abordagem mais
séria e estudar o material, para ensinar aos outros, ou para
evangelismo. Em primeiro lugar, seria prudente verificar o seu
Podemos realmente amar
a outra pessoa que não
conhece a Jesus se não
compartilharmos o evan
gelho com ela?
to bíblico e do cristianismo já é suficientemente forte, poderá
começar logo com a parte 1, a seguir. Para um estudo sério, o
texto deverá ser coberto de forma seqüencial.
Recursos para um Aprendizado Fácil
Os seguintes recursos irão ajudar você a organizar o seu pensa
mento e aprendizado em qualquer um dos dois casos:
• Inúm eras referências cruzadas-. Referências úteis estão inseridas
ao longo de todo o texto.
• In form ações importantes: Informações que são importantes para
o aprendizado estão colocadas lateralmente, ao lado do texto
principal.
• M em orize isto: Informações importantes ou passagens das Es
crituras que devem ser memorizadas estão em destaque com
um sombreamento especial.
• Fatos fasc in an tes : Informações que são de interesse especial
estão colocadas em um quadro.
• Avalie o q u e você apren deu : No final de cada capítulo, há um
conhecimento dos fundamentos his
tóricos da Bíblia e do cristianismo. Se
você sentir que ele é relativamente
fraco, os “Seis Estudos Independen
tes” (parte 6) estão planejados de for
ma esquemática como um guia, para
ajudá-lo a obter uma compreensão
mais clara cia história da Bíblia e da
igreja, e como ela se encaixa na his
tória do mundo. Se o seu conhecimen-
26
P reparação para a sua V ia g em , a C am inh o d e uma F é M a io r
teste que pode lhe ajudar a avaliar o seu conhecimento a res
peito do que você acabou de ler.
• Estudo em grupo: Um programa para estudo em grupo é suge
rido no final de cada capítulo. Isso fornece diretrizes para 40
seções que podem ser escolhidas para aulas de estudo da Bí
blia, seminários ou pequenos grupos.
Seja qual for a razão do seu interesse nesse livro, simplesmente sen-
te-se, relaxe e comece a percorrê-lo. Pense nas suas próprias perguntas.
Ou pense nas pessoas que podem se beneficiar dos conceitos que você
aprenderá. Você pode perceber uma orientação para uma necessidade
educacional em particular. Se for este o caso, dedique um momento para
esquematizar um plano de estudos
pessoal, abrangendo as áreas de inte
resse específico para você.
E, o mais importante, esteja pre
parado para desfrutar a sua viagem
de conhecimento da evidência para
a fé cristã. Saiba, com plena certeza,
que, quando você tiver terminado de
ler este livro, terá à sua disposição,
a informação necessária para fazer
aquilo que o apóstolo Pedro nos exortou a
Estai sempre preparados
para responder com mansi
dão e temor a qualquer
que vos pedir a razão da
esperança que há em vós.
— 1 Pe 3.1 5
2 7
P í 1
Evidência da Existência
de Deus na Criação
------ Um V e r s íc u lo p a ra M e m o r iz a r ......... .
P orque as suas coisas invisíveis, desde a cr ia ção do m un do ,
tanto o seu eterno p o d er com o a su a divindade, se en ten
dem e claram en te se vêem p e la s coisas qu e estão cr iad as ,
p a r a qu e eles fiq u em inescusáveis (Rm 1.20).
beleza delicada de uma borboleta. A força estron
dosa das ondas. O aroma de uma rosa. A majestade
dos Alpes. A harmonia da floresta tropical. O espetá
culo do céu. O milagre de um bebê recém-nascido. To
das essas coisas testemunham a glória de Deus. Todas
essas coisas são evidências da sua existência. Todas são
"claramente vistas" e indicam o seu poder e natureza
divinos, tornando "inescusável" qualquer dúvida a res
peito da existência de Deus. Certamente a evidência
mais forte da existência de Deus é a da criação da vida
— que também inclui a evidência de que o surgimento
da vida, pelo acaso, é irracional; e, diriam alguns, im
possível.
1
Evidência através da
Observação da Criação
C omo a Bíblia descreve, em Romanos 1.20, o “eterno poder”
de Deus, e a sua “divindade” podem ser claramente vistos naquilo
que Ele criou, de modo que a humanidade é “inescusável” (em nâo
reconhecer a Deus). Quando se considera cuidadosamente a vida
propriamente dita, é bastante simples reconhecer se alguma coisa é
criada ou não.
Embora a maior parte desta seção trate de ev idências concretas
(veja as páginas 35 e 36 para a definição de evidências concretas [ou
exatas] e evidências menos rigorosas [ou naturais]), existe certa quan
tidade de ev idências m enos rigorosas que nós deveríamos considerar.
Essas evidências baseiam-se em lógica direta. Poradoração a Jesus com a destruição
desses lugares; mas sempre reaparecia uma indicação dessa adora
ção — uma igreja. Escavações feitas no lugar da Igreja da Natividade
revelaram provas da existência de igrejas anteriores, inclusive colu
nas e capitéis que datavam da época de Constantino. Escritores anti
gos indicaram que Jesus havia nascido numa gruta que, naquela épo
ca, era o lugar habitual dos estábulos. Acredita-se que a localização
exata da gruta do nascimento de Jesus é debaixo do altar que marca
esse lugar na atual Igreja da Natividade.
A Igreja da Natividade.
Cafarnaum : A Sinagoga de Jesus. A Sinagoga de Cafarnaum, na
qual Jesus pregou, foi localizada sob as ruínas de Sinagogas posteri
ores. Durante as escavações descobriu-se que os pavimentos inferio
2 4 6
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N o v o T e st a m e n t o
res continham cerâmicas antigas e uma moeda datada de aproxima
damente 146 a 116 a.C. (reinado de Ptolometi VIII do Egito) indican
do a provável presença de uma Sinagoga na época de Jesus.
Sinagoga em Cafarnaum.
Cafarnaum : A Casa de Pedro. Uma residência em Cafarnaum
tem sido reverenciada durante séculos como sendo a casa de Pedro.
O estilo da sua arquitetura combina precisamente com o tipo de casa
mencionada na Bíblia, da
qual o telhado foi parcial
mente removido para bai
xar um cego (Mc 2.4). Além
disso, a casa está localiza
da próximo à margem cio
mar da Galiléia e até con
tém anzóis pregados no
chão. Obviamente, ela foi
a casa de um pescador.
Mais importante, no entan
to, é a evidência que dá
suporte à antiga tradição de
Nos primeiros 300 anos depois da
morte de Jesus, as igrejas primitivas
eram, muitas vezes, construídas nos
locais tradicionais. Embora as Igrejas
originais fossem destruídas por suces
sivos invasores, geralmente elas eram
reconstruídas. Freqüentemente a ar
queologia descobre a história de anti
gas igrejas em determinados lugares.
2 4 7
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
ter sido a casa de Pedro. Aetheria, um peregrino que esteve nessa
área de 381 a 384 escreveu sobre a existência da casa do primeiro
dos apóstolos, “onde um para
lítico foi curado”.
Além disso, existem provas
de que esse local era venera
do por muitas pessoas desde
o início da era cristã. Foi en
contrada uma consid erável
quantidade de inscrições an
tigas, aproximadamente do se
gundo século (124 fragmentos
em grego, 15 em hebraico e 18 em siríaco). Essas inscrições fa
lam sobre o apóstolo Pedro, sobre Jesus e sobre os pedidos de
Casa do apóstolo Pedro em Cafarnaum.
ajuda a Jesus. No início, a casa de Pedro foi convertida num
lugar de oração e sofreu significativas modificações pelo menos
três vezes. As evidências mais antigas do seu uso como lugar de
oração pertencem ao primeiro século, uma época contemporâ
nea de Pedro.
B arco de P esca U sado no m ar da G aliléia. Um barco cle
pesca, usado na época cle Cristo, foi descoberto perto de Betsaida.
A existência de uma "casa igre
ja " no lugar que se acredita ter
sido a casa do apóstolo Pedro é
uma boa evidência da autentici-
dade daquilo que os cristãos do
segundo século acreditavam.
248
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N o v o T e st a m e n t o
Barco de pesca do primeiro século.
Ele media 8,08 metros de comprimento, 2,28 de largura e 1,37 de
altura. Esse era o tipo de barco provavelmente Lisado para atra
vessar o mar da Galiléia, inclusive na época em que Jesus acal
mou a tempestade (Mt 8.23-27) e caminhou sobre as águas (Mt
14.22-33).
C esaréia: E n co n trad a E vidência de P ô n cio Pilatos. Duran
te as escavações de um teatro romano em Cesaréia, foi encontra
da uma pedra na base de uma escada. Ela trazia a inscrição “Ao
Pedra de Pôncio Pilatos.
2 4 9
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
I William Albright (1891-1971). Ma época em que foi dire
tor da S cboo l o f O riental R esearch da Jo h n H opkíns
University, William Albright escreveu mais de 800 livros e
artigos dedicados principalmente à validade cios manus
critos bíblicos. Ele é mais conhecido pelos seus trabalhos
orientados à confirmação da autenticidade do Antigo Tes
tamento e, especialmente, da autenticidade dos Rolos (ou
Pergaminhos) do mar Morto.
Albright também pesquisou e confirmou a data dos escri
tos do Novo Testamento. Sua conclusão foi que não havia
"nenhuma base sólida para datar qualquer livro do Novo
Testamento depois tio ano 80”. No início da sua vida pro
fissional, Albright teve algumas dúvidas acerca da validade
cias afirmações bíblicas sobre Jesus. Essas, entretanto, fo
ram respondidas de forma conclusiva em favor da autenti
cidade da Bíblia à medida que realizava sua pesquisa.
povo de Cesaréia Tiberium Pontius Pilate Governador cia Judéia”.
LI ma outra sentença parece indicar uma palavra que significa “de
dicação”. É provável que essa pedra tenha sido colocada origi
nalmente em um muro externo para comemorar a construção do
teatro.
Betânia: A Sepultura de Lázaro. Um dos acontecimentos mais
significativos do ministério de Jesus foi a ressurreição cie Lázaro (Jo
I I ). Não é de admirar que esse lugar tenha siclo venerado desde a
antiguidade. Vários escritores dessa época registraram a existência da
cripta de Lázaro e os arqueólogos acreditam que conseguiram desco
brir a sua localização. Várias coisas levaram muitos arqueólogos a
acreditar que ela é autêntica. Primeiramente, foi aceita a identificação
cia cidade e do lugar. Segundo, os objetos encontrados são consisten
tes com o período. Terceiro, existe uma substancial evidência de que
2 5 0
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N o v o T e st a m e n t o
A “Sepultura de Lázaro".
os contemporâneos desse acontecimento acreditavam ser ali o local
original da sepultura. Essa evidência inclui antigas inscrições feitas
pelos cristãos. Essas inscrições mencionam que nesse lugar Lázaro
ressuscitou dos mortos, e demonstra que os próprios escritores im
ploraram por uma misericórdia semelhante para si mesmos.
O Tem plo de Jeru salém . O Templo sempre foi o lugar mais im
portante para os judeus desde Salomão. O Templo original, construído
por Salomão em aproximadamente 974 a.C., foi destruído na época
do exílio na Babilônia e reconstruído mais tarde. O rei Herodes, o
Grande, expandiu consideravelmente o tamanho do Templo durante
o seu reinado. Mencionado por alguns como o “Terceiro Templo” ele
foi destruído no ano 70.
O Muro Ocidental do Templo
(Também conhecido como Muro das Lamentações).
2 5 1
E x a m in e a s E v id ê n c ia s
Jesus passou muito tempo no Templo. Ali Ele foi circuncidado e
louvado pelos profetas (Lc 2.21-28). Ele voltou ao Templo quando
criança para as celebrações da Páscoa (Lc 2.41) e, durante o seu
ministério, Jesus certamente orou ali. Por duas vezes Ele expulsou os
cambistas que ficavam no pátio externo.
O Jardim do Getsêmani.
Getsêmani. A Igreja Universal do Getsêmani tem sido venerada
durante séculos por ter sido construída no lugar onde Jesus esteve
antes de ser traído. No centro da nave oriental está uma rocha identificada
como sendo a mesma rocha sobre a qual Jesus orou (Mt 26.36). Ela foi
Provável local onde Jesus foi açoitado.
2 5 2
E v id ê n c ia s A r q u e o l ó g ic a s d o N ovo T e st a m e n t o
construída sobre as fundações de uma antiga igreja bizantina. Eusébio
identificou este lugar no ano 330.
Julgam entos de Jesus: Caifãs e Pilatos. Jesus foi submetido a
uma série cle julgamentos realizados na casa de Caifás, o sumo sacer
dote (Jo 18.24) e no palácio cle Pilatos. Embora esses dois lugares
tenham sido sugeridos, nenhum deles foi até agora confirmado. En
tretanto, foram escavados degraus de pedra do primeiro século le
vando desde o lugar da Última Ceia até o Jardim cio Getsêmani, e do
Getsêmani até o lugar da casa do sumo sacerdote. Esses degraus
certamente são autênticos.
Locais da Morte e da Ressurreição de Jesus. A Igreja do Santo
Sepulcroexemplo, certa vez
um missionário disse que tinha explicado o conceito de evolução —
que o homem descendia dos macacos — a um grupo de nativos que
vivia na Amazônia. Ele foi imediatamente recebido com grandes gar
galhadas. Eles não conseguiam compreender como alguém podia
crer em uma coisa dessas.
Hoje temos a tecnologia de DNA, descobertas da biologia molecular,
e muitas outras evidências que indicam que as risadas dos nativos
estavam bem fundamentadas. Mas vamos examinar mais de perto a
lógica apresentada pelos nativos. Não devemos descartar o simples
processo de observação que os levou a rir.
E xam in e as E vid ên cia s
Acaso ou Criação?
O exemplo dos nativos da Amazônia exemplifica algo que tem sido
aparente ao longo de toda a história humana. Os seres humanos, tendo
um entendimento, podem prontamente reconhecer se alguma coisa foi
criada com um propósito ou se ocorreu por acaso. Alguma coisa criada,
projetada ou construída tem uma forma que desafia a aleatoriedade. Ela
parece ter um propósito. Pense em Stonehenge (o mais importante mo
numento megalítico da Europa [2000 a.C.]). Basicamente, trata-se de um
simples agrupamento de rochas. Mas a cuidadosa forma das rochas, a
sua localização, a sua coerência em tamanho e o seu padrão nos levam
a admitir que as rochas não se agruparam ali por acidente. Elas recebe
ram a sua forma e foram ali colocadas intencionalmente, embora possa
mos somente especular quanto ao modo e ao motivo.
Da mesma maneira, imagine que você está passeando pelo deserto.
Pode pisar sobre centenas de pedras, aqui e ali chutando algumas. De
repente, uma “pedra” chama a sua atenção. Obviamente ela recebeu a sua
forma propositadamente. Depois de um momento, você reconhece que a
sua forma é a de a ponta de uma flecha. Não há dúvida, na sua mente, de
que é alguma coisa que foi criada. Ela tem uma forma. Aparentemente, ela
tem um propósito. E é normal e intuitivo chegar a esta conclusão.
Como um exemplo adicional, considere a formação rochosa “Cara
de Macaco” (Monkey Face), em Smith Rock, no Parque Estadual Smith
Rock, no estado de Oregon.
Cortesia de Oregon State Parks and Recreation Department.
32
E vid ên c ia através d a O bservação d a C riação
Quando você olha a rocha, ela realmente parece um macaco. Mas
terá ela sido criada propositadamente? Não. Isto é óbvio para qual
quer observador. Você pode chamar esta rocha de “rocha do gorila”,
ou “rocha da cabeça de dinossauro”, ou muitas outras coisas. Ela
exalta os macacos? Ou ela foi apenas formada ao acaso, e por acaso
parece com a cabeça de um macaco? (Hoje em dia, muitos alpinistas
adoram escalar Smith Rock, mas ela não foi criada com este objetivo).
Agora, considere outra rocha, uma que todos nós reconhecemos,
o Monte Rushmore.
Esta “rocha” obviamente foi criada. Na verdade, é uma rocha que
foi transformada em um monumento. Foram necessários, energia e
um projeto proposital para criá-la. E ela tem um objetivo claro —
honrar quatro grandes presidentes.
O exemplo acima demonstra como é natural ver a diferença entre
coisas criadas e coisas desenvolvidas aleatoriamente — até mesmo
com simples formações rochosas.
Os Sistemas dentro das Coisas Vivas
Lidar com um desenho em rochas é simples, em comparação com
as complexidades da vida. Vamos levar a nossa comparação um pas
so adiante. Imagine que pousou em outro planeta. Você encontra
uma criatura parecida com um robô, com múltiplos componentes.
3 3
E xa m in e as E vid ên cia s
Talvez ele tenha “olhos” parecidos com um farol na cabeça. Talvez
tenha vários “braços” de alavancas de aço. E você percebe que ele
rola sobre um complexo conjunto de rodas que podem ser erguidos
e abaixados, para adequar-se ao terreno. Intuitivamente, você sabe
que este robô foi criado. Na verdade, reconhece que os seres huma
nos são capazes de criar coisas como esta.
Ainda assim, por exemplo, os mesmos tipos de motores que seriam
usados em um robô como este são encontrados aos trilhões no corpo
hum ano. Eles têm os mesmos componentes básicos — mas são 200 mil
vezes menores do que a cabeça de um alfinete. (Veja as páginas 83 e 84,
para mais informações a respeito destes “motores ATP”.) Cada célula do
nosso corpo possui centenas destes motores. E, em termos de eficiência,
no centro do motor há uma roda que gira aproximadamente 100 revolu
ções por segundo.1 A biologia molecular da atualidade fez com que
ficasse muito fácil, para nós, compreender que fomos criados por algum
projetista incrivelmente inteligente, agora que somos capazes de investi
gar a extraordinária máquina biológica, que nem sequer podemos ver.
Tudo isso não é novidade. Mesmo nos tempos antigos, as pessoas
percebiam os detalhes intrincados de uma flor, todos os componen
tes minuciosos e complexos. Ou podiam observar uma centopéia —
tão pequena, e ainda assim, tão complexa. Examinando criaturas mais
complexas, eles perguntariam: Como todas as partes do corpo pare
ciam “saber” como devem se unir? Como elas “sabiam” onde se en
caixam? Como “sabiam” como se diagnosticar e se consertar? Como
elas “sabiam” como crescer? Como essas criaturas “sabiam” como se
reproduzir? As perguntas continuam indefinidamente. Mesmo na
“macro-escala” de plantas e animais complexos, a sua complexidade
e o seu projeto tem sido óbvio por milênios.
Vamos dar uma olhada em mais um exemplo, obtido dos recentes
progressos na biologia molecular: a surpreendente harmonia do “sis
tema cle fábrica” de uma célula humana. Gerald Schroeder, PhD pelo
MIT, descreve da seguinte maneira:
Com a exceção das células sexuais e sangüíneas, cada célula
no seu corpo está produzindo aproximadamente duas mil
proteínas a cada segundo. Uma proteína é uma combinação
3 4
E v id ên c ia através da O bservação da C riação
de um número de aminoácidos, de trezentos a mais de mil.
Um corpo humano adulto é constituído de aproximadamen
te setenta e cinco trilhões de células. Cada segundo, de cada
minuto, de cada dia, o seu corpo, e o corpo de todo mundo,
está organizando aproximadamente 150 milhares, de milha
res, de milhares, de milhares, de milhares, de milhares de
aminoácidos em cadeias de proteínas, cuidadosamente
construídas. Cada segundo; cada minuto; cada dia. O tecido
da qual nós, e toda a vida, somos feitos, está sendo continu
amente tecido novamente, a uma velocidade tremenda e
assombrosamente rápida.2
É impossível à lógica supor que tais sistemas complexos — siste
mas que trabalham juntos de uma maneira tão precisa e harmoniosa
— surgiram ao acaso. Isto é completamente absurdo.
Evidências Concretas (ou Exatas) Versus Evidênci
as Menos Rigorosas (ou Naturais)
Uma ciência exata é uma ciência que obtém conclusões a partir cie
equações matemáticas ou com o uso de dados obtidos de experiênci
as confiáveis e altamente previsíveis. As ciências exatas incluem a
física, a astronomia, a engenharia, a química e a biologia molecular.
As ciências naturais são as que fazem um estudo cie um assunto com
o uso da melhor observação e do melhor conhecimento disponíveis,
embora sem uma abundância de evidências concretas disponíveis a
partir das quais tira conclusões. As ciências naturais incluem a geolo
gia, a paleontologia, a antropologia e a biologia básica.
Os experimentos e cálculos das ciências exatas levaram às leis e
fórmulas da física, termodinâmica, química e engenharia — todas
ciências exatas, e todas muito previsíveis. Essas são as ciências que
nos permitem construir pontes e edifícios com confiança, sabendo
que eles são seguros estruturalmente. Essas são as ciências que nos
permitem fazer o homem pousar na lua, ou lançar sondas espaciais
que percorrem distâncias imensas, de maneira previsível. E essas são
3 5
E xa m in e as E vidên cia s
as ciências que nos permitem criar refrigeradores, fornos de microon
das e remédios. Todos os dias, planejamos as nossas vidas, de acordo
com as ciências exatas. Pense nisto. Todas as vezes que dirigimos um
automóvel,passamos sobre um viaduto, subimos em um elevador,
bebemos água tratada ou tomamos algum remédio, estamos deposi
tando as nossas vidas nas mãos daquilo que a ciência exata estudou.
Felizmente, a ciência exata é extrem am ente confiável. A c iên cia n a
tural n ão é.
Como os Evolucionistas Usam as Ciências Naturais
para Ensinar a Evolução
As ciências naturais têm sido usadas durante anos, no ensino da
evolução, nas escolas públicas. Algumas das observações das ciênci
as naturais que são consideradas evidências a favor da evolução in
cluem estudos de partes comuns do corpo (homologia), estudos
embrionários comuns (embriologia) e um uso inadequado do estudo
da m icroevolu çâo como suporte para a m acroevolução .
À medida que examinarmos mais detalhadamente estas e outras
declarações abaixo, veremos, repetidas vezes, que tais observações
deixam de fornecer evidências ou comprovações sólidas da teoria da
evolução. Os registros fósseis (uma ciência natural), tão respeitados
por muitos, falharam. A lógica e a intuição falharam. E o mundo da
física, nas ciências exatas certamente desapontou os evolucionistas.
Agora, as maiores fronteiras no estudo das origens — biologia
molecular, astrofísica e análises de probabilidades — estão desapon
tando os evolucionistas também.
Embora alguns evolucionistas dedicados ainda estejam procuran
do respostas razoáveis a partir das ciências exatas, a teoria da evolu
ção não pode mais basear-se nas ciências exatas. Em vez disso, ela
fundamenta-se em especulações não comprovadas ou recai em no
ções ultrapassadas das ciências naturais. Apesar disso, novas evidên
cias, que mostram que a evolução é implausível, ainda não são ensi
nadas nas nossas escolas. Na verdade, a evolução continua sendo
ensinada vigorosamente no nosso sistema educacional. Devemos nos
propor a esta pergunta: Por quê?
3 6
E v id ên c ia através d a O bservação da C riação
SupÕe-se que a Evolução Seja Verdade
Infelizmente, vivemos em uma sociedade onde se supõe que a
evolução é um fato. Uma pesquisa na literatura escrita por
evolucionistas indica que as conclusões foram baseadas na suposi
ç ã o in ic ia l de que a evolução é um fato. Várias teorias foram, en
tão, consideradas, para ver qual delas melhor se encaixava no “fato”
da evolução. Em tais casos, a evolução propriamente dita jamais foi
questionada. Nunca se sugeriu que um projeto inteligente e sobre
natural poderia, na verdade, ser uma teoria mais razoável e ter mais
evidências que o suportassem. A suposição de que a evolução é um
fato tem resistido durante décadas, e isso somente mudará quando
os cientistas decidirem promover os fatos que agora são abundan
tes, das ciências exatas.
Um Sistema Hermético de Pensamento
Em um livro escolar destinado à sexta série, intitulado Earth
Science, publicado em 2001 (e endossado pela National Geographic
Society), podem ser encontradas evidências de uma doutrinação
precoce em evolução. Salpicada por todo o texto estava a pressu po
sição da evolução:1
• “A vida vegetal (flora) evoluiu na terra.”
• “Nesta época, os animais começaram a mover-se sobre a terra,
com as plantas.”
• “As aves evoluíram dos dinossauros.”
• “As evidências fósseis mostram que os ancestrais das baleias e
dos golfinhos da atualidade já viveram na terra.”
A questão é que as crianças são ensinadas que a evolução é
um fa t o . E agora, muito mais de cem anos depois do livro memo
rável de Darwin, esta doutrinação está estabelecida nas mentes
de muitas pessoas — apesar das novas evidências. É somente
por causa destes muitos anos de pressuposições que a evolução
ainda continua nos livros escolares. Ela continua se perpetuando
assim:
3 7
E xa m in e as E vid ên cia s
1. As pessoas desejam saber sobre a origem da vida.
2. As pessoas procuram aqueles que são considerados especialis
tas (os evolucionistas).
3. As pessoas ouvem a teoria cia evolução, um pouco modificada,
desde os tempos de Darwin.
4. Ninguém questiona os “especialistas”. A evolução permanece
arraigada no sistema educacional.
Um exem plo disso é uma
matéria da capa cla revista Time,
de outubro cie 1996. Robert
Wright afirma no seu artigo
“Science and the Original Sin” (A
Ciência e o Pecado Original):
Como a história da criação, o
livro cie Gênesis há muito,
muito tempo, desintegrou-se
sob o peso da ciência, nota
velmente a teoria da seleção
natural de Darwin.'
É triste, mas Robert Wright e os editores da revista Time estão
simplesmente desinformados acerca dos fatos.
Os Fatos Vêm à Tona
Agora, até mesmo evolucionistas dedicados reconhecem que o
neodarwinismo não é nada além de uma teoria — apesar das suas
próprias pressuposições de que é um fato. Tais cientistas repetida
mente descrevem passos teóricos da evolução, usando palavras e
expressões como “talvez”, “possivelmente”, “nós pensamos que”, “se”,
e assim por diante. Na verdade, nem um sequer dos passos críticos
de transição identificados pelos evolucionistas tem qualquer evidên
cia forte — e este problema é admitido pelos próprios arquitetos
A evolução é pressuposta como
sendo um fato pela maioria
dos evolucionistas. Um sistema
hermético de pensamento cau
sou a idéia de que a evolução
é "científica" e de que a cria
ção é a "re lig ião" que resiste.
Portanto a evolução continua
sendo ensinada nas escolas.
3 8
E vid ên c ia através da O bservação da C riação
evolucionistas! Isto dificilmente parece uma teoria que esmagou
logicamente teorias de criação sobrenatural, tais como a do projeto
inteligente.
Hoje em dia, as evidências das ciências exatas estão possibilitando
que cientistas como o bioquímico, Dr. Michael Behe, o astrofísico Dr.
Hugh Ross, e o matemático Dr. William Dembski contradigam os pen
samentos ultrapassados. Estamos vendo mudanças na maneira como
as evidências são consideradas. Na verdade, em breve teremos deixa
do para trás a pressuposição comum da evolução como um fato.
Uma observação final deve ser feita, à medida que os cristãos
aprendem como usar as ciências exatas para demonstrar a glória de
Deus. Seria absurdo n egar que os astrônomos são capazes de predi
zer um eclipse, ou que os engenheiros são capazes de construir uma
ponte segura, ou que os químicos são capazes de antecipar uma
reação química. Estas são ciências exatas nas quais aprendemos a
confiar. A maioria das pessoas deseja que seus filhos aprendam sobre
tais ciências. Essas e outras ciências similares colocam com precisão
o homem na lua, e enviam sondas espaciais com exatidão milimétrica
a Marte e Júpiter, exatamente na hora pré-determinada.
Mais adiante, neste texto, as mesmas ciências exatas serão usadas
para demonstrar um suporte poderoso a favor do Deus da criação e
a favor da exatidão da Bíblia. As ciências exatas também serão usa
das na discussão da revelação g era l (Deus por meio da sua criação) e
revelação especial (Deus por intermédio da sua Palavra — a Bíblia).
As ciências exatas fornecem o nosso conhecimento do universo e a
revelação geral de Deus, assim como uma abundância de evidências
que mostram a coerência entre a ciência e a Bíblia. Os cristãos devem
ser cautelosos para não criticar as ciências exatas porque elas prova
ram ser tão dignas de confiança e previsíveis.
Os leitores devem ter este pensam ento na discussão da reve
lação geral (que inclui o conhecim ento do universo). Não se deve
tentar seguir os dois caminhos. Em outras palavras, perderíamos
a credibilidade se afirmássemos que a matemática avançada e as
leis da física são confiáveis, enquanto estamos olhando para eclip
ses e enviando sondas espaciais a Marte e Júpiter, mas então, de
3 9
E xa m in e as E vid ên cia s
repente, afirmássemos que as equações e as leis da física se de
sintegram quando avaliamos as fronteiras (e a idade) do univer
so — usando exatamente os mesmos princípios astronômicos,
modelos matemáticos e métodos. A matemática e as leis da física
são imutáveis.
Como umaregra geral, aceitar as ciências exatas e questionar
as ciências naturais é a maneira mais correta e também a mais
eficiente de apresentar Deus, a Bíblia e, por fim, Jesus, a um mun
do incrédulo.
Mitos Observáveis Usados no Ensino da Evolução
Mito n° 1: Hontologia
A homologia é o mito de que similaridades observadas entre
criaturas diversas “provam” que estas criaturas tiveram um mesmo
ancestral evolucionário. Por exemplo, os seres humanos, os morce
gos e os gafanhotos, todos têm joelhos — um evolucionista que
usasse a homologia poderia afirmar, portanto, que todos eles ti
nham o mesmo ancestral.
Este argumento é destruído, no entanto, quando comparado com
o argumento a favor de um Projetista Inteligente (Criador). Obvia
mente, um bom projetista aplica um sistema bem sucedido de meca
nismos similares — como o projeto de rodas para pranchas de “skate”,
bicicletas e automóveis.
Mito n° 2: A Microevolução é Igual à
Macroevolução
Evolução simplesmente significa “mudança” (no sentido de “de
senrolar” ou “desenvolver”). A “evolução naturalista”, então, signifi
caria “mudança devida a causas que ocorrem na natureza sem o
envolvimento de um agente inteligente”. No entanto, a mais comum
definição de evolução — a definição usada no nosso sistema escolar
— dá a entender muito mais cio que isto. Ela significa a m u d an ça de
um a espécie reprodutora em outra espécie reprodutora. O livro de
Darwin, A Origem das Espécies estabelece uma fundação razoável
4 0
E vid ên c ia através d a O bservação da C riação
para a noção da seleção natural (veja a página 42). Mas muitos livros
escolares de biologia dão um grande salto no escuro e também a
citam como a fundação para o conceito da evolução interespécies.
Examinemos uma definição mais precisa destes termos.
M icroevolução. A evolução (mudança) acontece internamen
te, nas espécies em particular. Talvez a maneira mais segura de
identificar uma espécie seja pelo seu gen ótip o (a sua constituição
genética). Alguns podem identificar um genótipo como uma espé
cie reprodutora.
Existe uma considerável variedade na estrutura genética de qual
quer espécie. Por exemplo, um ser humano pode ter olhos azuis,
olhos castanhos, pode ter pele clara ou escura, pode ser alto ou
baixo, gordo ou muito magro... a lista continua, indefinidamente.
Todas essas variações em potencial existem no código de DNA hu
mano de um indivíduo. Como a ciência moderna descobriu, o
“mapeamento”, ou a constituição, do genoma humano é cle 3,2 bi
lhões de pares básicos de DNA. Esta informação permite uma enor
me flexibilidade para que os humanos e outras criaturas se adaptem
ao seu ambiente. Este tipo de adaptação pode ser chamado de
m icroevolução. Ele tem sido observado, e é aceito por praticamente
todo mundo.
M acroevolução. A teoria evolucionária neodarwiniana está base
ada no conceito de que uma espécie reprodutora pode converter-se
em outra. Este processo pocle ser chamado de macroevolução.
Hoje, somos capazes de compreender que saltos de aperfeiçoa
mento podem acontecer, em uma espécie, porque ela já tem esta
capacidade no seu DNA. Mas uma espécie pode ser “aperfeiçoada”
somente “microevolucionariamente” — no sentido de sobreviver
para atender às circunstâncias. Como outro exemplo, bactérias que
apresentam variações em longo prazo estatisticamente válidas na
estrutura do DNA (porque o seu ciclo rápido de procriação permite
populações rapidamente mutantes — veja a página 110), ainda con
tinuam sendo bactérias. Simplesmente, n ão existe ev idência , nem
m esm o neste caso, de u m a m od ifica ção estrutural no DNA d as b a c
4 1
E xa m in e as E vid ên cia s
térias q u e a s transform em em organ ism os m ais com plexos. (A pala
vra “variedade” é mais adequada para descrever os tipos modifica
dos das bactérias.)
Seleção natural. A tendência que têm os genes favoráveis de
predominar em uma espécie, para permitir a sobrevivência dos mais
adequados, foi denominada seleção natural.
Darwin estava certo. A seleção natural é óbvia. Mas ela funciona
somente em um determinado genótipo. Há muitos estudos que de
monstram que os conjuntos genéticos favoráveis sob determinadas cir
cunstâncias sobrevivem e proliferam
para auxiliar uma espécie existente.
Mas não parece lógico que um pro
jetista inteligente projetasse esta
adaptabilidade em qualquer criação?
Somente um projetista incapaz iria
projetar um mecanismo que deixa
ria de funcionar se uma única cir
cunstância do ambiente fosse alte
rada. Até mesmo os projetos huma
nos incluem mecanismos de com
pensação — por exemplo, a redun
dância dos sistemas nos aeroplanos.
O que dizer da procriação de
novas raças de cães, ou novos ti
pos de trigo? Não representam
modificações genéticas que criam
novas espécies? Nós fomos capa
zes de retocar o DNA existente para
efetivamente aprimorar alguns as
pectos das espécies, por meio do
aperfeiçoamento da raça. Alguns
cães parecem mais atraentes quando filhotes, o trigo pode tornar-se
mais abundante e as vacas podem produzir mais leite.
Mas embora o aperfeiçoamento artificial dos humanos (ou mesmo
a mutação acidental) possa, às vezes, “aperfeiçoar” um organismo,
A microevolução é uma mo
dificação em uma espécie, e
é verdadeira.
A mocroevolução é uma
transformação de uma espé
cie em outra e nunca foi pro
vada. A microevolução não
prova a macroevolução.
A seleção natural é o proces
so no qual um conjunto de
genes com uma vantagem de
sobrevivência, dominará
uma população. Ela é obser
vada na microevolução, mas
não na macroevolução.
4 2
E v id ên c ia através d a O bservação da C riação
em certo sentido, inevitavelmente ele prejudica o organismo de ou
tras maneiras.
Mito n° 3- A Embriologia Suporta a Evolução
Uma vez que Darwin admitiu a existência de problemas para a
comprovação da sua teoria da evolução, a partir das evidências dos
registros fósseis e de modificações graduais, ele formulou a hipótese
de que a evidência das similaridades embrionárias iria suportar as
suas afirmações. E, realmente, os desenhos bastante conhecidos de
embriões, feitos pelo biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919) pa
reciam mostrar similaridades entre os embriões de várias espécies. A
partir dos desenhos, foram extraídas conclusões que suportavam a
evolução darwiniana.
Infelizmente, estes desenhos e estas conclusões provaram ser frau
dulentos. A fraude envolveu: 1) uma adulteração dos embriões, ante
rior aos desenhos; 2) uma seleção incoerente do estágio e da idade
dos embriões, e um desenho distorcido cleles; e 3) um engano quan
to a quais espécies foram realmente usadas. Haeckel estava simples
mente tentando dar suporte às suas próprias idéias.5
Mito n° 4: As Experiências de Miller-Urey, de Vida
Criada em Laboratório
Praticamente qualquer pessoa exposta ao ensino da biologia
nas últimas cinco décadas terá ouvido que, em 1953, Stanley Miller,
juntamente com o seu mentor, Harold Urey, desenvolveu um meio
científico de simular o ambiente primitivo da terra e, nele, foi
capaz de criar os “elementos fundamentais da vida”. Isso é imen
samente enganador.
Em primeiro lugar, estes “elementos fundamentais da vida” con
sistiam de alguns poucos aminoácidos — muito distantes das com
plexas proteínas, dos nucleotídeos, e da informação organizada ne
cessária para a vida. Isto é o mesmo que produzir uma gota de tinta
preta, e afirmar que você criou o elemento fundamental de uma
enciclopédia.
4 3
E xa m in e as E vid ên cia s
Em segundo lugar, a simulação de Miller e Urey do ambiente da
terra primitiva foi amplamente criticada. Eles bloquearam oxigênio
artificialmente e “capturaram” somente os aminoáciclos favoráveis ã
vida. No entanto, não há maneira de explicar como isto poderia ter
acontecido na terra primitiva.
Em terceiro lugar, praticamente nunca se menciona que a vasta
maioria de componentes produzidos nestes experimentos era um
“alcatrão” destrutivo— que teria e lim in ad o qualquer vida primiti
va. O balanço final é que um projeto impressionante de laborató
rio, nos livros escolares de biologia, enganou as pessoas, fazendo-
as pensar que “a ciência criou vida”. Nada poderia estar mais lon
ge da verdade.
v .
Avalie o que Você Aprendeu
1. Cite uma referência da Bíblia que indica que “o homem é
inescusável” quando se trata de reconhecer que a presença,
o poder e a divindade de Deus são aparentes na natureza.
2. Que exemplos você usaria para dizer a alguém que a diferença
entre projeto e criação aleatória é óbvia?
3- O que é ciência exata? O que é ciência natural?
4. O que é homologia? Embriologia? Microevolução costuma mos
trar macroevolução? Por que elas não fazem sentido, como
evidências da evolução?
5. Quais são os problemas com as experiências de Miller-Urey?
jÈ)Capítulo 1 — Estudo em Grupo
Preparação para a Lição de Casa (faça antes do estudo em grupo)
Leia: Romanos 1.20; Isaías 44.24; o capítulo 1 deste texto. Familiari
ze-se com o Apêndice B. Também navegue em www.evidence-
ofgod.com e familiarize-se com as ferramentas a respeito de criação
versus evolução.
4 4
E vid ên c ia através d a O bservação da C riação
Oração de Abertura
D iscussão: O exemplo do “relógio” surgido ao acaso parece
exagerado. Ninguém seria tão tolo a ponto de considerar a “evolu
ção de um relógio”. Ainda assim, as pessoas estão prontas a crer
na evolução de um ser humano muito mais complexo. Comente o
porquê.
Atividade Prática
Representação: O objetivo é que o “cristão” apresente ao “não-
crente”, evidências convincentes, usando somente a simples observa
ção, que Deus existe. O descrente deve usar os argumentos emprega
dos no ensino “normal” da evolução.
Oração de Encerram ento
4 5
2
Analisando o
Registro Fóssil
ssos antigos, fossilizados e criaturas antigas, tais como os
dinossauros são fascinantes. Parece que estes restos podem nos
levar mais perto cle como a Terra realmente era há muito, muito
tempo. Mas devemos tomar muito cuidado com o que concluímos
de tais evidências não rigorosas, tendo em mente que estamos li
dando com uma ciência natural que está obtendo conclusões
especulativas.
O registro fóssil é freqüentemente avaliado partindo-se da suposi
ção da evolução — que é uma teoria em crise. É relativamente fácil
mostrar que o registro fóssil con trad iz a evolução.
Cortesia de www.creationism.org
http://www.creationism.org
E xa m in e as E vid ên cia s
O Ponto Crucial da Controvérsia dos Fósseis
Muitos evolucionistas afirmam que o registro fóssil confirma a
evolução. Outros se envergonham, porque não o confirma. Por que
existe esta controvérsia?
Aqueles que sustentam que o registro fóssil confirma a evolução,
partem da suposição cie que a evolução é um fato, e então procuram
evidências que satisfaçam a sua crença. Por exemplo, eles irão procu
rar estruturas de corpos aparentemente similares, esperando, desta
maneira, demonstrar que espécies diferentes têm um mesmo ances
tral. Na realidade, isso não demonstra nada. Um argumento igual
mente válido seria o de que estas espécies foram criadas diferentes e
completas, talvez até mesmo em épocas distintas no tempo.
Pense nisso. Antigos esqueletos humanos são com freqüência usa
dos como exemplos da evolução do homem. Esta é uma prova muito
fraca. Examine as diferentes formas de esqueletos que existem no mundo
hoje em dia. No futuro, depois de milhões de anos, alguém poderia
desenterrar esqueletos na Ásia, Europa e na África, e cometer o mesmo
erro, formulando a hipótese cle que um era o ancestral do outro.
A suposição da evolução não se encaixa no modelo de boa ciên
cia. Em vez disso, uma hipótese razoável deveria ser formulada em
primeiro lugar, cuidadosamente definindo os parâmetros para prová-
la. Por exemplo, suponha que a hipótese é que os peixes evoluíram
e se tornaram sapos (uma idéia que muitos evolucionistas defen
dem). Critérios de teste poderiam, então, ser estabelecidos, para ver
se a hipótese se confirmaria. Por exemplo, seriam pesquisadas for
mas cle vida transitória que tivessem nadadeiras com troncos, e ou
tras em que tais troncos realmente começassem a tornar-se pernas.
Estaríamos procurando evidências fósseis, que mostrassem que o corpo
dos peixes começou a assumir a forma de um sapo. Poderíamos
procurar indicações de que as guelras estivessem começando a trans
formar-se em pulmões. Esse tipo de teste científico ajudaria a forne
cer evidências objetivas de uma transformação de peixes em sapos.
A razão por que tantos biólogos — sendo ou não evolucionistas
— não acreditam que o registro fóssil forneça evidências de evolu
ção, é porque todos os organismos que constituem o registro fóssil
4 8
A nalisando o R eg ist r o F ó ssil
estão completamente formados e funcionais. Não encontramos lagar
tos com pequenas penas começando a formar-se nas suas escamas.
As formas de vida fossilizadas, ou têm penas ou não. Não encontra
mos organismos que apresentem somente o estojo da retina. Ou eles
têm globos oculares, ou não. Não encontramos nenhuma forma com
troncos para pernas. Ou eles têm pernas, ou não.
Que Tipo de Modificação o Registro Fóssil Revela?
O registro fóssil, na verdade, mostra que espécimes antigos têm
formas praticamente idênticas às formas de vida que existem hoje em
dia. Abaixo estão alguns exemplos:
• “Os mais antigos fósseis de animais residentes na terra são
milípedes (ou miriápodes), datando de mais de 425 milhões de
anos atrás. Inacreditavelmente, as formas arcaicas são pratica
mente indistinguíveis de certos grupos existentes hoje em dia.”1
• “As jazidas fósseis cle Florissant, no estado de Colorado, são
internacionalmente conhecidas pela variedade e quantidade
(mais de 60 mil espécimes) de fósseis descobertos. Estes fós
seis datam de aproximadamente 35 milhões de anos atrás, a
grosso modo, na metade do período compreendido entre a
idade dos dinossauros e os primeiros humanos. As descobertas
incluem mais de 1.100 diferentes espécies cle insetos. Segundo
a National Park Service’s Geologic Resources Division, ‘os fós
seis indicam que os insetos, há milhares de anos, eram muito
parecidos com os de hoje em dia.’”2
• “Um negociante de fósseis encontrou águas-vivas fossilizadas,
incrustadas em aproximadamente quatro metros verticais de
rocha, o que, segundo os cientistas, representa um período de
tempo de até um milhão de anos. Segundo um artigo da agên
cia Reuters, ‘A água viva fossilizada parece similar, em tama
nho e características, às suas irmãs modernas.’”3
Se o registro fóssil confirma alguma coisa, ele confirma a realida
de de poucas alterações. Plantas e animais que existiam há milhares
de anos são muito parecidos com as plantas e os animais de hoje.
4 9
E xa m in e as E vid ên cia s
O Registro Fóssil Está Completo?
Charles Darwin escreveu em seu livro A Origem clas Espécies que,
A seleção natural pocle agir somente pela preservação e
acúmulo de modificações herdadas, infinitesimalmente
pequenas, benéficas ao ser preservado.1
Ele prosseguiu perguntando,
Por que, se as espécies descenderam de outras espécies,
por graduações imperceptivelmente finas, nós não encon
tramos inúmeras formas de transição, por todas as partes?
Por que não está toda a natureza em confusão [ele está
falando sobre as plantas e os animais de hoje], em vez das
espécies como nós as vemos, bem definidas?1
Finalmente, ele se pergunta,
Mas, segundo esta teoria, incontáveis formas de transição
devem ter existido, por que não as encontramos incrusta
das, em quantidades incontáveis, na crosta da terra?6
Na época de Darwin, tínhamos escavado relativamente poucos
fósseis, em comparação aos incontáveis milhões de que dispomos
hoje em dia para análise. Mas a validade do que ele diz não se alte
rou. Se o registro fóssil realmente demonstrasse evolução, teríamos
encontrado “incontáveis” espécies de transição, apresentando varia
ções infinitesimalmente pequenas.