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ANÁLISE ESTRATÉGICA DO CICLO DE VIDA DO PRODUTO Prof. Demétrio de Mendonça Júnior AULA 1 2 INTRODUÇÃO O Ciclo de Vida do Produto (a partir daqui CVP) é algo muito abordado pela literatura de marketing, ganhando importância por auxiliar no gerenciamento do produto ou do portfólio de produtos de uma empresa. Você já ouviu falar dessa ferramenta? Pois bem, muitos gestores e profissionais de marketing desenvolvem suas habilidades para gerenciar de forma eficaz o ciclo de vida dos seus produtos, a fim de minimizar as possíveis perdas relacionadas a um portfólio ou catálogo obsoleto (ou seja, que não atende as demandas do mercado). Portanto, conhecer os limites de cada estágio do CVP é essencial para o desenvolvimento de estratégias eficazes e, consequentemente, o gerenciamento dos produtos. Compreender o CVP é essencial para o gerenciamento das estratégias de marketing e de vendas em um negócio. Por isso, muitas vezes os produtos são comparados a seres vivos, por passarem por diferentes estágios em sua vida nos mercados aos quais atende demandas e necessidades. Sendo assim, os produtos nascem, crescem, atingem a maturidade e entram em declínio logo em seguida. No entanto, é importante destacar que, diferente dos seres vivos, as organizações podem desenvolver estratégias para manter o produto na fase de maturidade, por exemplo, que é a que mais possibilita os retornos para a empresa. Para isso, a empresa precisa conhecer o mercado para o qual oferta seus produtos e isso pode ser feito no processo de segmentação e posicionamento. Esse processo possibilita o gerenciamento eficaz do CVP, já que se conhece o mercado no qual atua. Tendo isso em mente, será explorado, a seguir, os limites do CVP, como também os processos que o amparam. Alguns modelos atuam como base para o entendimento do CVP, como o de Levitt, mas é importante ponderar que existem outros entendimentos acerca do CVP. Bons estudos! TEMA 1 – O MODELO DE THEODORE LEVITT O Ciclo de Vida do Produto (a partir daqui chamado de CVP) é utilizado como uma ferramenta de gerenciamento de um produto ou de um portfólio de produtos, que possibilita conhecer o comportamento de mercado em relação a uma determinada oferta. Esse CVP acompanha, portanto, a trajetória do produto por meio de ciclos/estágios/etapas, que fornecem informações para que a empresa possa desenvolver estratégias viáveis para cada ciclo. Um 3 gerenciamento eficaz do CVP é aquele que consegue ajustar as estratégias do negócio aos diferentes estágios do ciclo do produto O monitoramento do CPV influencia diretamente a tomada de decisões, já que há conhecimento das diferentes taxas de crescimento e/ou declínio do produto (ou seja, demanda). Essas informações possibilitam a avaliação de tendências de uma oferta por meio da análise histórica da projeção de vendas, o que permite a otimização da vida de um produto com a tomada de decisão adequada a cada fase. Kotler (2000) ajuda a sustentar a ideia do CVP, ao entender que: • Os produtos possuem tempo limitado de vida; • As vendas dos produtos passarão por ciclos, com diferentes oportunidades e ameaças a serem visualizados; • O lucro dessa venda também varia entre os ciclos; • As estratégias do negócio (Marketing, Finanças, Produção, Compras e RH) devem ser adequadas a cada estágio. Com isso em mente, o primeiro modelo do CVP foi desenvolvido por Theodoro Levitt (1986), que reconhece quatro estágios que ocorrem, conforme apresenta a Figura 1: Figura 1 - Modelo do Ciclo de Vida do Produto de Levitt Créditos: Iamnee/Shutterstock. 4 O primeiro estágio é o da Introdução (Introduction/development), que é caracterizado pela inserção de um novo produto no mercado, o que o autor caracteriza como desenvolvimento de mercado. Esse desenvolvimento acontece antes que haja uma demanda efetiva pelo produto, o que faz com que as vendas sejam baixas e a receita insuficiente para gerar lucros. As vendas avançam de forma lenta, mas vão crescendo na medida que a empresa se concentra na criação de demanda, promovendo estratégias de comunicação para o produto. No estágio de Crescimento (Growth), a demanda começa a crescer e a aceitação do produto no mercado se expande rapidamente. As receitas e os custos passam a ganhar equilíbrio. Os esforços se concentram na otimização da produção para expandir ainda mais o mercado e “decolar” na exploração de todos os potenciais mercados. A empresa se concentra, então, na busca pela consolidação, já que o concorrente pode agir rapidamente. Novos atributos para o produto podem ser oferecidos aos consumidores a fim de atraí-los (Oliveira et al., 2012). A Maturidade (Maturity) é alcançada no momento que o mercado potencial está saturado, sendo este o primeiro sinal desse estágio. O produto agora compete com intensidade, a distribuição é intensificada e o preço é competitivo no mercado de atuação. É o momento que a empresa alcança o pico nas suas vendas. Os esforços positivos de revendedores e distribuidores são demandados para que o produto possa ser distribuído de forma intensificada. A empresa se empenha para diferenciar os atributos do produto ou até mesmo criar extensões de marcas, para que o estágio de maturidade se mantenha por mais tempo em diferentes segmentos de mercado. O último estágio proposto por Levitt é o Declínio (Decline), que se inicia no final da fase de maturidade. A demanda cai severamente e produtos substitutos são inseridos no mercado. Os esforços da empresa estão concentrados nos investimentos de recuperação do produto ou no gerenciamento da sua substituição, para fazer com que os clientes migrem para outros produtos da mesma empresa. Toda a operação da empresa precisa de uma reorganização, já que é necessário a adequação de insumos, matéria-prima e distribuição para o produto substituto (Oliveira et al., 2012). É importante destacar que cada estágio do CVP demanda uma estratégia de marketing diferente associada aos 4P’s. No entanto, para que isso aconteça, o marketing deve primeiramente direcionar a atenção para o processo de 5 segmentação, seleção de mercados-alvo e posicionamento. A figura 2 mostra como funciona esse processo. Figura 2 – Processo de Posicionamento Fonte: adaptado de Kotler e Keller, 2012. A figura mostra, portanto, que primeiro os esforços são direcionados para a seleção de um ou mais mercados-alvo (segmentação), seguido pela identificação e seleção dos mercados para atuar e, por fim, a definição de uma posição competitiva (posicionamento). Após essas definições, passa a ser possível desenvolver um composto de marketing para cada etapa da vida do produto, a fim de atender com eficácia o(s) segmento(s) escolhidos. Saiba mais Um artigo apresentado no Congresso Brasileiro de Custos, no ano de 2001, apresenta uma discussão interessante sobre a relação do ciclo de vida do produto e os elementos estratégicos da organização, como Vantagem Competitiva, Posicionamento Estratégico, Criação de Valor e os Custos relacionados ao gerenciamento do CVP. A discussão teórica apresentada no estudo pode contribuir com o gerenciamento do CVP e possibilitar uma maior aproximação da teoria e da prática. Leia mais em: . Acesso em: 16 ago. 2021. Segmentação de mercado Identificar as variáveis de segmentação e segmentar o mercado Desenvolver os perfis dos segmentos resultantes Mercado-alvo Identificar a atratividade de cada segmento Selecionar o(s) segmento(s)-alvo Posicionamento Identificar os possíveis conceitos de posicionamento para cada segmento-alvo Selecionar, desenvolver e comunicar o conceito de posicionamento escolhido 6 TEMA 2 – O MODELO DE FOX Como visto anteriormente, a segmentação é base para o gerenciamento do CVP. Compõea fase de pesquisa de mercado, em que a empresa determina públicos específicos de acordo com suas preferências. Kotler e Fox (1994) explicam que a segmentação acontece de acordo com essas preferências dos consumidores, que podem ser classificadas de três formas, segundo a Figura 3. Figura 3 – Segmentação de mercado segundo as preferências dos consumidores Segundo Kotler e Fox (1994), os consumidores podem ser classificados por meio de suas preferências homogêneas, difusas e conglomeradas. Como homogêneas, entende-se aquelas preferências semelhantes em relação aos atributos de um produto. Logo, o mercado não se separa em grupos de forma natural, o que faz com que as ofertas sejam semelhantes. As preferências difusas dizem respeito às particularidades das necessidades e desejos dos consumidores, ou seja, não há uma área de concentração que torna os consumidores ou grupos de consumidores homogêneos. As preferências difusas se opõem, portanto, às preferências homogêneas, o que demanda um número diversificado de ofertas para satisfazer esse mercado heterogêneo. Como intermediárias das preferências mencionadas anteriormente, as conglomeradas fazem com que os consumidores se separem em grupos com preferências comuns. Esses grupos são formados de maneira natural, ou seja, os segmentos se formam independentemente dos esforços de segmentação da empresa, de acordo com as necessidades similares. 7 Assim, as marcas podem estabelecer estratégias diferentes para se posicionar diferentemente no mercado em que está inserido, de acordo com as preferências dos consumidores. É válido destacar que uma empresa raramente consegue atender todos os mercados, o que exige um conhecimento aprofundado do mercado-alvo no qual deseja atuar. Isso só é possível por meio do processo de segmentação, que faz com que as atividades da empresa sejam direcionadas para um nicho do mercado formado por consumidores potenciais. Saiba mais Veja uma figura que representa as diferenças entre mercado-alvo, mercado potencial e mercado total: . Acesso em: 16 mai. 2022. Entenda melhor o processo de segmentação de mercado, seleção de mercado-alvo e posicionamento competitivo em detalhes, no documento disponibilizado pelo SEBRAE: . Acesso em: 16 mai. 2022. TEMA 3 – MODELO DE WASSON Como visto na primeira sessão, os produtos passam por ciclos que vão determinar as estratégias a serem desenvolvidas pela empresa. O tempo de permanência em cada um dos ciclos pode variar conforme as táticas aplicadas ao mercado, mas geralmente é difícil determinar ou prever a duração desses períodos ou a mudança de ciclo. No entanto, existem atributos do produto que podem influenciar o seu “comportamento” no mercado em que atua. Esses atributos podem ser entendidos como categorias adicionais para o CVP, sendo caracterizados pelo estilo, moda e moda passageira ou modismo (Wasson, 1968; Tomei; Lerner, 1997). • Estilo: modo básico e distinto de expressão, que pode durar anos, entrando e saindo do auge em vários momentos. Exemplos de estilo são as casas coloniais, ranchos e estilos modernos de construção. 8 • Moda: nada mais é do que um estilo, uma tendência aceita em um determinado local, ambiente, campo. Geralmente, tendem a crescer lentamente, permanecer populares por um certo tempo e depois declinar lentamente. Como exemplo, novos automóveis, que possuem atributos suficientes para o ano em que são lançados, que acabam ficando pequenos demais, menos confortáveis etc. • Moda passageira ou modismo: o modismo apresenta um ciclo de vida mais curto dos produtos, já que é aceito por um número menor de seguidores. Chama a atenção daqueles consumidores que gostam de se manter atualizados, em relação a um atributo do produto. Não alcança o status de moda por não satisfazer uma necessidade forte ou por ser insuficiente para virar tendência em um determinado mercado. Os nomes nas latas de refrigerante representam um tipo de atributo com o status de modismo. A figura 4 demonstra a representação gráfica sobre os três ciclos que compõem a vida de um produto. Figura 4 – Estilo, moda e modismo do produto Fonte: Kotler e Keller, 2006, p. 318. O principal objetivo das empresas é desenvolver estratégias que façam com que os ciclos sejam maiores, já que o lançamento de produtos e até mesmo o aprimoramento dos atributos que o compõem demandam o direcionamento de recursos, que devem ser maximizados pela comercialização dos produtos. Portanto, a gestão de marketing deve ser coerente com o ciclo de vida do produto, a fim de minimizar prejuízos e maximizar os retornos oriundos dos investimentos no produto ou nos seus atributos. 9 Saiba mais Entenda melhor sobre as categorias estilo, moda e modismo presentes no CVP, no artigo “Ciclo de vida do produto “Design Thinking”: Uma análise da difusão do conceito de “Design Thinking, sob a ótica do ciclo de vida de um produto”, e sua aplicação dentro do “Design Thinking”. O artigo explica como deve acontecer o gerenciamento de cada uma dessas fases e exemplifica em quais tipos de produto pode acontecer. Leia mais em: . Acesso em: 16 ago. 2021. TEMA 4 – MODELO DE ANDERSON E ZEITHAML Anderson e Zeithaml (1984) avançam na compreensão do ciclo de vida do produto (product life cycle - PLC) para compreender quais fatores levam ao aumento do desempenho de um negócio (desempenho entendido como participação de mercado e retorno sobre o investimento – ROI). Para os autores, o ciclo de vida também é composto por quatro fases, assim como em Levitt (1986), sendo a fase da Introdução, Crescimento, Maturidade e Declínio. A proposta do estudo de Anderson e Zeithaml (1984) não é, portanto, discutir quais os estágios que fazem parte do CVP, mas sim ressaltar que existem características ambientais e organizacionais que influenciam significativamente as estratégias em cada estágio do CVP que devem ser levadas em conta. Da mesma forma, parte-se do pressuposto que cada estágio do CVP também influencia a estratégia do negócio. Portanto, para cada estágio do CVP, mudanças estratégicas devem ser efetivadas para que esse estágio alcance o desempenho satisfatório. O estudo fornece uma visão geral para o pensamento estratégico em cada estágio do CVP, sendo esta a principal contribuição da pesquisa. O Quadro 1 mostra a revisão feita pelos autores que inclui as principais variáveis estratégicas associadas a cada estágio do CVP. 10 Quadro 1 – Variáveis estratégicas do CVP Introdução Crescimento Maturidade Maturidade (Cont.) Declínio Hofer (1975) • Novidade do produto • Percentual de mudança tecnológica na concepção do produto • Necessidade do cliente • Frequência da compra Rumelt (1979) • Preço • Performance do produto • Acesso a canais de distribuição • Adequação da produção com os segmentos • Eficiência na produção e venda • Economia de escala Hofer (1975) • Necessidade do cliente • Percentual de mudança tecnológica na concepção do produto • Grau da segmentação de marketing • Relação do custo de distribuição para produção (valor adicionado) Buzzel & Wiersema (1981) (Construir estratégia de crescimento na participação de mercado) • Aumentar novos produtos (atividade) • Melhoria na qualidade do produto • Aumentar as despesas de força de vendas, propaganda para promoção de vendas relativas ao crescimento e participação de mercado Hofer (1975) • Lealdade do cliente • Grau de diferenciação do produto • Elasticidade do preço/demanda • Participação demercado da empresa • Qualidade do produto • Tamanho da planta/produção • Propaganda • Alto preço dos produtos • Distribuição Hay & Ginter (1981), Wind (1981) • Propaganda reforçando as vantagens do produto • Modificação e melhoramento do produto • Larga distribuição Hay & Ginter (1981), Wind (1981) • Propaganda reforçando a diferenciação do produto • Diferenciação do produto • Queda do preço • Número de canais de venda começa a reduzir Hamermesh & Silk (1979) (Indústrias estagnadas) • Identificar criar e explorar segmentos em crescimento • Enfatizar a qualidade do produto e inovação de melhoramento do produto • Sistematicamente e consistentemente aumentar a eficiência do produto e sistemas de distribuição • Melhorar a produção, processo e custos baixos Hay & Ginter (1979), Wind (1981) • Queda na importância da propaganda • Diversificação de produto • Queda no número de canais de venda Hambrick e cols. (1982) • Ênfase no crescimento da empresa • Planta e equipamento novo (novidadade) • Intensidade de capital • Produtividade dos funcionários • Despesas e produção, PD e marketing • Novos produtos Hall (1980) • Alcançar um baixo custo de entrega com uma aceitável qualidade e política de preço para ter um volume de vendas e crescimento de mercado • Alcançar a melhor posição em relação ao produto/serviço/qualidad e em comparação com os concorrentes Hambrick e cols. (1982) • Capacidade de utilização (ociosidade) Harrigan (1979) • Abordagem contingencial enfatizando a estrutura da indústria e competitividade (forças e fraquezas) MacMillan e cols. (1982) • Intensidade de capital e custo de produção reduz lucro • Evitar PD de produto • Evitar despesas com força de vendas • Preço diferenciado (alto) aumenta o lucro Hamermesh, Anderson & Harris (1978) (Baixa participação de negócio) • Segmentação • Eficiência no uso de PD • Baixa ênfase no crescimento da participação de mercado MacMillan e cols. (1982) • Ênfase na produtividade dos funcionários, capacidade de utilização (equipamento) e qualidade do produto • Intensidade de capital e custo de produção reduz margem (lucro) • Evitar PD de produto • Evitar despesas e marketing • Preço diferenciado aumenta lucro (retorno) Fonte: adaptado de Anderson e Zeithaml, 1984 (tradução livre). 11 Saiba mais Saiba mais sobre os modelos analisados no Tema 4 e nos temas anteriores na apresentação de Francisco Rodrigues Gomes, que analisa o ciclo de vida dos produtos relacionados à inovação: . Acesso em: 16 ago. 2021. Você conhecerá como o ciclo de vida dos produtos pode se relacionar em um mesmo modelo teórico com a inovação e sua difusão, a fim de fornecer orientação para o gerenciamento de inovações em diferentes estágios de vida. TEMA 5 – MODELO DE COX Nos temas anteriores, foi possível visualizar que há um certo consenso acerca dos estágios do ciclo de vida de um produto. A literatura de marketing mostra que os estágios de Introdução, Crescimento, Maturidade e Declínio fazem parte do CVP e é imprescindível determinar os ciclos do produto ou do portfólio de produtos da empresa e dos concorrentes para que o planejamento e controle do produto sejam alinhados aos objetivos estratégicos. Assim, os ciclos de vida do produto podem ser determinados e atuar como modelos para a gestão das ações de marketing. No entanto, os conceitos de CVP mostram que muitas das vezes a análise do estágio da vida do produto é feita de forma subjetiva, por meio da análise da evolução da comercialização do produto. Cox (1967) propõe que essa análise pode ser feita de forma objetiva, por meio da medida de vendas ao longo do tempo. A proposta do autor busca suprir justamente os problemas encontrados nas medições subjetivas do CVP, por meio da coleta de dados empíricos que possibilitam a formulação de modelos do CVP já desenvolvidos pela literatura existente. A pesquisa contou com empresas do segmento farmacêutico, já que o portfólio de produtos possui característica universal, ou seja, os mesmos produtos podem ser consumidos em todos os lugares do mundo. O autor ressalta que nesse segmento existem modelos de produtos que passam pela fase de Introdução e alcançam o sucesso (maturidade), mas também existem produtos que são retidos quando inseridos no catálogo e chegam ao Declínio com certa facilidade. Logo, assim como nos modelos anteriores, o modelo de Cox também assegura que a vida útil de um 12 produto no mercado é definida pelo período de tempo entre a sua introdução e sua retirada. Assim, para conseguir a objetividade na determinação do CVP na indústria farmacêutica, Cox (1967) avalia os estágios da seguinte forma: • Introdução: período de tempo entre o nascimento de um produto no catálogo e seu nascimento comercial. Na indústria farmacêutica, esse prazo é curto, com média de duração de um mês para os produtos avaliados. • Crescimento: período de tempo entre a Introdução e a receita mensal máxima do produto. O tempo médio no estágio de crescimento pode ser de seis meses. Praticamente todos os produtos (95%) atingem a receita máxima trinta meses após a Introdução no mercado. Se os dois primeiros estágios forem combinados, o tempo médio entre a inserção do catálogo e a receita mensal máxima é de apenas sete meses. • Maturidade: consiste no período de tempo entre a receita mensal máxima e a morte comercial (que ocorre quando a receita mensal cai para 20 ou 10 por cento da receita mensal máxima). O intervalo de tempo médio entre a receita mensal máxima e a morte comercial é de quinze meses sob a regra de 20 por cento de morte e vinte meses sob a regra de 10 por cento. Se os intervalos de tempo mediano para os três primeiros estágios forem combinados, o tempo médio entre a inserção no catálogo e a morte comercial é de vinte e dois meses sob a regra dos 20 por cento e vinte e seis meses sob a regra dos 10 por cento. Um medicamento típico estará, portanto, comercialmente morto apenas dois anos após sua introdução no mercado. • Declínio: definido como o período de tempo entre a morte comercial e a morte do catálogo. Apenas uma pequena proporção (aproximadamente 2 por cento) dos produtos que atingiram o óbito comercial também alcançou o óbito por catálogo durante o estudo, resultando em dados insuficientes para determinar a duração do estágio de Declínio para a indústria farmacêutica. Com base nas evidências, parece provável que a duração média desse estágio seja maior do que os outros três estágios combinados. A baixa incidência de mortes por catálogo indica que, se um medicamento atinge a Introdução, é virtualmente certo que permanecerá na linha de produtos, independentemente de seu nível subsequente de sucesso. 13 Ainda na tentativa de demonstrar graficamente o ciclo de vida dos produtos na indústria farmacêutica, determina que a curva tradicional do CVP (curva em forma de parábola) foi feita para aqueles produtos que não cumprem com a missão para a qual foi projetado, que é encontrar um nicho, crescer e se manter maduro no mercado (gerando lucro) (Cox, 1967). Portanto, o autor ainda analisa outros tipos de curvas que representam os produtos da indústria farmacêutica. A Figura 5 mostra a representação gráfica desenvolvida por Cox (1967). Figura 5 - Tipos de curvas do CVP na indústria farmacêutica Fonte: Cox, 1967. É possível perceber que seis tipos de curvas foram necessários para representar os produtos (258 produtos que já foram introduzidos no mercado) da indústria farmacêutica. As fórmulas não serão analisadas nesse momento. Como mencionado anteriormente, a curva tradicional (Tipo 1) diz respeito àqueles produtos que não alcançamseu objetivo no portfólio de produtos, que é permanecer gerando lucros e não alcançar o estágio do declínio. A curva do Tipo 2 representa os produtos que alcançam sua missão, que é de gerar cada vez mais vendas desde o seu estágio de Introdução. Já os produtos representados pela curva do Tipo 3 acabam sendo retirados do portfólio, pois alcançam o estágio de declínio rapidamente e não fornecem retornos das vendas em nenhum outro estágio, a não ser durante sua Introdução no mercado. Os produtos do Tipo 4 possuem linearidade 14 nas suas vendas em todos os estágios do ciclo de vida, o que exige da organização tomadas de decisões assertivas para manter ou não esse produto no portfólio. O Tipo 5 refere-se àqueles produtos que alcançam o Crescimento repentino, logo após sua Introdução, mas que acaba indo ao Declínio sem chegar à maturidade. A empresa investe seus esforços no composto de marketing (mix de marketing ou 4P’s) para a recuperação do produto na fase as vendas decrescem. Para os produtos da curva do Tipo 6, o gerenciamento das ações de marketing acabe sendo um pouco mais complexo. Os produtos passam por amplitude das oscilações temporais, o que demanda rápidas ações para recuperação de suas vendas. É importante destacar que um produto pode passar de uma curva para outra, o que depende das ações da empresa para recuperação das vendas, se for esse o caso. Da mesma forma, a importância e o interesse no gerenciamento das curvas do produto ou portfólio de produtos (ou seja, CVP) se dá pelo potencial de previsibilidade recorrente da análise. As vendas podem ser estimadas já que o crescimento ou a queda das vendas pode ser previsto, a duração de cada estágio pode ser gerenciada e o resultado derivado das vendas dos produtos (ou seja, a participação de mercado) pode ser estimado. A análise do ciclo de vida do produto pode, portanto, fornecer a base para o desenvolvimento de modelos de desenvolvimento de mercado e facilitar a adoção de um sistema abrangente para o planejamento e controle do produto na empresa. Nesta aula, muitos modelos foram apresentados para entender o funcionamento e gerenciamento do CVP. As etapas de Introdução, Crescimento, Maturidade e Declínio foram conceituadas, juntamente com um entendimento dos processos que amparam o gerenciamento de cada uma dessas fases, como a segmentação, seleção do mercado-alvo e o posicionamento. Categorias presentes no CVP também foram exploradas, sendo elas o estilo, a moda e o modismo. Abordagens que avançam no entendimento do CVP foram trazidas, como o modelo que explora quais fatores que levam ao aumento do desempenho de um negócio no gerenciamento do CVP. Por fim, mas não menos importante, explorou-se um modelo empírico que busca tornar o gerenciamento do CVP mais objetivo, já que os achados anteriores foram considerados subjetivos. Com todo esse entendimento, é dada a importância da compreensão dos limites que envolvem os estágios da vida de um produto, uma vez que, se bem gerenciado, a empresa pode ser capaz de desenvolver posições competitivas para 15 suas ofertas de mercado. Além de trazer retornos satisfatórios para a empresa, essas posições competitivas podem gerar o valor que o mercado sempre busca. Portanto, um bom gerenciamento do CVP com o desenvolvimento de ações estratégias para cada estágio podem ser suficientes para que a empresa alcance os objetivos almejados. 16 REFERÊNCIAS ANDERSON, C. R.; ZEITHAML, C. P. Stage of the product life cycle, business strategy, and business performance. Academy of Management journal, v. 27, n. 1, p. 5-24, 1984. COX, W. E. Product life cycles as marketing models. The journal of business, v. 40, n. 4, p. 375-384, 1967. KOTLER, P. Administração de marketing: edição do novo milênio. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2000. KOTLER, P.; FOX, K. F. A. Marketing estratégico para instituições educacionais. São Paulo: Atlas, 1994. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de Marketing. Tradução de Sônia Midori Yamamoto. São Paulo: Pearson, 2012. LEVITT, I. M.; LEVITT, T. Marketing Imagination: New. Simon and Schuster, 1986. 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