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Noções de Direito Constitucional – 
Constituição: conceito e estrutura 
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Sumário 
SUMÁRIO 2 
CONSTITUIÇÃO: CONCEITO, ESTRUTURA, OBJETO E SUPREMACIA 3 
(1) RECADO INICIAL 3 
(2) CONSTITUIÇÃO: CONCEITO 3 
(3) CONSTITUIÇÃO: ESTRUTURA 9 
(4) ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO 12 
(5) SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO 19 
(6) QUESTÕES RESOLVIDAS EM AULA 23 
(7) OUTRAS QUESTÕES: PARA TREINAR 29 
(8) RESUMO DIRECIONADO 35 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 37 
 
 
 
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CONSTITUIÇÃO: CONCEITO, ESTRUTURA, OBJETO E 
SUPREMACIA 
(1) Recado inicial 
Lembre-se que esta aula foi produzida para a turma de Analista Judiciário (Área Judiciária) e 
Oficial Avaliador do TJDFT, sendo datada de julho de 2019. Como o conteúdo de Direito Constitucional 
é o que mais se altera no mundo jurídico (em razão das constantes mudanças legislativas e, em especial, 
das incessantes novas decisões do STF), não desperdice seu tempo ou arrisque sua aprovação estudando 
um material desatualizado. Busque sempre a versão oficial da aula no site do nosso curso! 
(2) Constituição: conceito 
Quando você pensa na palavra “Constituição”, o que lhe vem à mente? Talvez você pense em 
constituir, criar, delimitar... Todos esses termos realmente se associam à palavra que estamos 
analisando. Muitas vezes, aliás, a palavra “Constituição” é apresentada em frases comuns do nosso dia-
a-dia com a intenção de indicar uma criação ou organização de entidades ou seres. Por exemplo: você já 
pode ter dito em algum momento que iria constituir uma sociedade ou um grupo no WhatsApp. 
A partir dessas ideias iniciais, sugiro que você comece a pensar na nossa Constituição como um 
conjunto de normas que vão criar, estruturar e organizar o nosso país, o nosso Estado Nacional. 
Veja, então, que as Constituições são documentos muitos importantes. Mais que isso: são 
essenciais! Todo Estado Nacional (todo país) deve possuir a sua. Afinal de contas, em todos os países 
teremos que organizar as regras que vão orientar o funcionamento do Estado. E serão as Constituições 
que vão dizer de que forma o Estado vai funcionar (quais Poderes cumprirão quais funções, quais serão 
os direitos e as garantias asseguradas aos indivíduos, etc.). 
Repare que o art. 16, da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão (da 
Revolução Francesa, de 1789) reforça a explicação do parágrafo anterior, ao dizer que: “Toda sociedade 
na qual não está assegurada a garantia dos direitos nem determinada a separação dos poderes, não tem 
constituição”. 
Em prova, essa noção introdutória sobre a Constituição pode ser exigida de você. Quer saber de 
que forma? Vamos resolver juntos duas questões que trataram do assunto: 
 
 
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Questões para fixar 
[CESPE - 2014 - TJ-SE - Técnico Judiciário] Acerca dos direitos fundamentais e do conceito e da classificação 
das constituições, julgue o item a seguir: 
Do ponto de vista jurídico, a constituição funda as bases do ordenamento jurídico, contendo, em seu corpo, 
disposições estruturais acerca do funcionamento do Estado, seus entes e órgãos, e dos limites à atuação 
estatal, quais sejam, os direitos e garantias fundamentais do cidadão. 
Comentário: 
Este item é verdadeiro por definir corretamente que o Estado (o país) surge (juridicamente falando) quando 
a Constituição é apresentada e que o documento constitucional é que irá estabelecer as regras centrais de 
estruturação do Estado (seus entes e órgãos), bem como trará os direitos e garantias fundamentais do 
cidadão. 
Gabarito: Certo 
[FUNDEP-Gestão de Concursos - 2014 - TJ-MG - Juiz de Direito Substituto] Sobre o conceito de Constituição, 
assinale a alternativa CORRETA: 
A) É o estatuto que regula as relações entre Estados soberanos. 
B) É o conjunto de normas que regula os direitos e deveres de um povo. 
C) É a lei fundamental e suprema de um Estado, que contém normas referentes à estruturação, à formação 
dos poderes públicos, direitos, garantias e deveres dos cidadãos. 
D) É uma norma de um Estado, que regula os direitos e deveres de um povo nas suas relações. 
Comentário: 
Qual alternativa você marcaria? Ora, se queremos um conceito de Constituição, só podemos assinalar a letra 
‘c’ que corretamente identifica que ela representa a lei suprema e fundamental do Estado, pois prevê sua 
estrutura essencial, trata do funcionamento dos Poderes e estabelece direitos deveres e garantias para os 
indivíduos. 
Gabarito: C 
 
Dando sequência ao nosso estudo, entenda que apesar de na doutrina encontrarmos vários e 
diferentes conceitos para o termo “Constituição”, quero lhe mostrar, neste início do nosso curso, um 
muito importante, de um autor português respeitadíssimo no mundo todo, que é J.J. Gomes Canotilho. 
Segundo ele, uma constituição ideal deve conter os seguintes elementos: 
a) deve ser escrita; 
b) deve possuir um conjunto de direitos e garantias individuais; 
c) deve estabelecer expressamente o princípio da separação dos poderes; 
d) deve adotar um sistema democrático formal. 
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Seguindo em nossa conversa, quero lhe lembrar que como a Constituição trata dos assuntos 
mais importantes do Estado, ela ocupa no ordenamento jurídico uma posição diferenciada. “Como 
assim?”, você me pergunta. Ora, meu caro aluno, quando você imaginar o conjunto de normas (leis, 
medidas provisórias, decretos...) que temos em nosso país, não as visualize de forma espalhada e 
bagunçada! Nosso ordenamento jurídico é muito organizado e poderia ser visualmente ilustrado da 
seguinte maneira: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Essa estrutura é conhecida como “pirâmide de Kelsen” (Hans Kelsen é um dos juristas mais 
importantes da história da Teoria do Direito, tendo escrito em 1934 uma obra que é referência mundial 
no assunto, chamada “Teoria Pura do Direito”). Ela foi pensada pelo professor austríaco para explicitar 
a ideia de que existe hierarquia entre as normas que integram o ordenamento jurídico, vale dizer, as 
normas não têm a mesma importância e, por isso, não podem ser colocadas no mesmo patamar (no 
mesmo plano). Assim, existirão normas que serão superiores e normas que serão inferiores. As inferiores 
são consideradas normas fundadas pelas superiores (que, por isso, são chamadas de fundantes) e delas 
retiram seu fundamento de validade, sua razão de existir. Para visualizar uma correta definição de 
hierarquia e de superioridade, veja a assertiva abaixo: 
 
 
Constituição 
Federal 
Leis (complementares, 
ordinárias, delegadas); 
Resoluções; Decretos 
legislativos e Medidas 
provisórias 
Decretos Regulamentares; Instruções 
normativas; Portarias ... 
Normas 
Infraconstitucionais 
Normas 
Infralegais 
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Questões para fixar 
[ESAF - 2013 - MF - Conhecimentos Básicos - Adaptada] Quanto à hierarquia das normas, julgue o item: 
Há hierarquia entre asreproduzir o texto do preâmbulo da CF, realizem adaptações. Deste modo, a assertiva 
apresentada pelo examinador é verdadeira. 
QUESTÃO 05 
[CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Analista Legislativo - Consultor Legislativo Área III] À luz dos 
princípios fundamentais de direito constitucional positivo brasileiro, julgue o item a seguir: 
Quando um estado da Federação deixa de invocar a proteção de Deus no preâmbulo de sua constituição, 
contraria a CF, pois tal invocação é norma central do direito constitucional positivo brasileiro. 
Comentário: 
Não há dúvidas de que estamos diante de uma assertiva falsa. De acordo com o STF, o preâmbulo da 
Constituição Federal não é norma jurídica e, sendo assim, não vincula os Estados na confecção de suas 
Constituições Estaduais. Foi exatamente isso que nossa Suprema Corte firmou no julgamento da ADI 
2076, ao explicitar que a ausência da expressão “sob a proteção de Deus” na Constituição Estadual do 
Acre não violou a Constituição Federal. 
QUESTÃO 06 
[CESPE - 2012 - ANAC - Especialista em Regulação de Aviação Civil - Área 5] A respeito de 
constitucionalismo, interpretação, eficácia e hierarquia das normas constitucionais, julgue o item que se 
segue: 
As emendas constitucionais têm o mesmo grau hierárquico que as normas constitucionais originárias e, 
por isso, não estão sujeitas ao controle de constitucionalidade. 
Comentário: 
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Ainda que não exista hierarquia entre as normas constitucionais originárias e derivadas, elas se diferem 
no seguinte aspecto: as normas constitucionais derivadas, se não forem produzidas de acordo com as 
regras inseridas pelo Poder Constituinte Originário, estão sujeitas à controle de constitucionalidade. Ao 
contrário das normas constitucionais originárias, que serão sempre constitucionais. Sendo assim, não há 
dúvida meu caro aluno, que estamos diante de uma assertiva é falsa. 
QUESTÃO 07 
[NC-UFPR - 2014 - DPE-PR - Defensor Público - Adaptada] Quanto ao âmbito da Teoria da Constituição, 
Normas Constitucionais no Tempo, Hermenêutica Constitucional e Preâmbulos Constitucionais, julgue 
o item a seguir: 
O preâmbulo constitucional consiste em um texto introdutório à Constituição, sendo uma declaração de 
princípios, de caráter obrigatório, vinculativo, cujo conteúdo é de observância necessária aos demais 
entes da federação, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. 
Comentário: 
Ainda que o item acerte ao dizer que o preâmbulo da Constituição Federal consiste em um texto 
introdutório à Constituição, não há dúvidas de que estamos diante de uma assertiva falsa. De acordo com 
o STF, o preâmbulo da Constituição Federal não é norma jurídica e, sendo assim, não vincula os Estados 
na confecção de suas Constituições Estaduais e não tem caráter obrigatório. Foi exatamente isso que 
nossa Suprema Corte firmou no julgamento da ADI 2076, ao explicitar que a ausência da expressão “sob 
a proteção de Deus” na Constituição Estadual do Acre não violou a Constituição Federal. 
QUESTÃO 08 
[VUNESP - 2016 - TJ-RJ - Juiz Substituto - Adaptada] No que se refere à Teoria das Normas 
Constitucionais Inconstitucionais, julgue o item a seguir, segundo entendimento do Supremo Tribunal 
Federal: 
Há hierarquia e contradição entre normas constitucionais advindas do Poder Constituinte Originário, o 
que legitima o controle de constitucionalidade de normas constitucionais, produto do trabalho do Poder 
Constituinte Originário. 
Comentário: 
As normas constitucionais fruto do trabalho do Poder Constituinte Originário não estão sujeitas ao 
controle de constitucionalidade, uma vez que representam a própria Constituição. Deste modo, a 
assertiva é falsa. 
QUESTÃO 09 
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[CETREDE - 2016 - Prefeitura de Itapipoca - CE - Procurador - Adaptada] Levando-se em consideração a 
norma e o direito constitucional, no que diz respeito à evolução histórica, conceito e classificação, julgue 
a assertiva: 
O preâmbulo constitui norma central da Constituição Federal, possuindo força normativa para 
descortinar a inconstitucionalidade de uma norma. 
Comentário: 
Não há dúvidas de que estamos diante de uma assertiva falsa. De acordo com o STF, o preâmbulo da 
Constituição Federal não é norma jurídica e, sendo assim, não possui força normativa para servir de 
parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade de normas. Repare, meu caro aluno, que questões 
de prova tratando do preâmbulo são muito corriqueiras! E normalmente o examinador torna a alternativa 
incorreta ao dizer que o preâmbulo é norma jurídica, ou ao dizer que ele deve ser reproduzido nas 
Constituições estaduais, ou ao mencionar que o preâmbulo teria força normativa para ensejar a 
declaração de inconstitucionalidade de uma lei inferior que o desobedecesse. 
QUESTÃO 10 
[FCC - 2018 - ALESE - Técnico Legislativo - Técnico-Administrativo - Adaptada] À luz da Teoria Geral da 
Constituição, julgue a assertiva a seguir: 
O preâmbulo da Constituição Federal brasileira é norma de reprodução obrigatória nas Constituições 
Estaduais. 
Comentário: 
Os Estados, ao elaborarem suas Constituições, não estão obrigados a reproduzir o preâmbulo da 
Constituição Federal, vez que ele não possui força normativa. Deste modo, a assertiva apresentada pelo 
examinador é falsa. 
 
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(8) Resumo direcionado 
 Constituição 
 
 
 
Conceito 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estrutura 
 
 
 
 
- A Constituição representa o conjunto mais importante de normas que vão criar, 
estruturar e organizar o nosso país. 
- A Constituição Federal de 1988 foi elaborada pelo chamado “Poder Constituinte 
Originário” e promulgada em 05/10/1988. 
- A Constituição trata dos assuntos mais importantes do Estado, por isso ela ocupa no 
ordenamento jurídico uma posição diferenciada, de superioridade. 
- Não há hierarquia entre normas constitucionais, todas ocupam o ápice (o topo) do 
ordenamento jurídico) 
 
 
 
Estruturalmente a Constituição pode ser dividida em três partes: 
(i) preâmbulo (não possui força normativa); 
(ii) parte permanente (ou parte dogmática) e 
(iii) ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias) 
Constituição 
Federal 
Leis (complementares, 
ordinárias, delegadas); 
Resoluções; Decretos 
legislativos e Medidas 
provisórias 
Decretos Regulamentares; Instruções 
normativas; Portarias ... 
Normas 
Infraconstitucionais 
Normas 
Infralegais 
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 Elementos da Constituição 
 
Elementos 
orgânicos 
 
Elementos 
limitativos 
 
Elementos 
sócioideológicos 
 
Elementos de 
estabilização 
constitucional 
 
Elementos 
formais de 
aplicabilidade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tratam da estrutura do Estado e dos Poderes 
São as normas que instituem o rol de direitos e garantias fundamentais 
Visam o bem-estar social 
Buscam a solução dos conflitos constitucionais, a defesa da Constituição, do Estado e 
das instituições democráticas 
Preveem regras de aplicação para as normas constitucionais 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. São Paulo:Malheiros, 2017. 
BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de direito constitucional. 11ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018. 
BULOS, Uadi Lammêgo. Constituição Federal anotada. 12ª ed. São Paulo: Saraiva, 2017. 
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 7ª. ed. Salvador: Juspodivm, 2019. 
MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de 
Direito Constitucional. 13ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018. 
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional positivo. 41ª ed. atual. São Paulo: Malheiros, 
2018. 
SILVA, José Afonso da. Comentário contextual à Constituição. 9ª ed. São Paulo: Malheiros, 2014.normas jurídicas quando uma delas, a norma superior, é fundamento de validade da 
outra, a norma inferior. 
Comentário: 
Sabendo que nosso ordenamento jurídico é escalonado (formado por normas superiores e normas 
inferiores), você deve voltar à ilustração posta acima e identificar qual é a norma superior a todas as demais. 
Ficou fácil visualizar a importância da Constituição agora, certo? Ela ocupa o ápice (o topo) do ordenamento 
jurídico, sendo superior a todas as outras (princípio da supremacia da Constituição)! E se ela é superior a 
todas as outras normas, é porque todas essas outras normas (que são chamadas de infraconstitucionais) a 
ela devem irrestrita obediência. Ficou confuso? Vou explicar novamente com outras palavras: imagine que 
uma lei ordinária desrespeite uma regra que está inserida na Constituição. Essa lei pode continuar no nosso 
ordenamento? Claro que não! Afinal, ela é uma norma inferior, que só poderá permanecer validamente na 
ordem jurídica se obedecer completamente a norma superior, que é a Constituição. Aliás, é para isso que 
serve o “Controle de constitucionalidade”: para fiscalizarmos todas as normas inferiores feitas, se elas estão 
(ou não) de acordo com a norma superior (com a Constituição). E as que não estiverem terão que ser 
retiradas da ordem jurídica (serão declaradas inconstitucionais). 
Gabarito: Certo 
[CESPE - 2018 - MPE-PI - Analista Ministerial - Área Processual - Adaptada] Julgue o item seguinte, acerca 
da supremacia da Constituição e da aplicabilidade das normas constitucionais: 
Decorre da noção de supremacia da Constituição o pressuposto da superioridade hierárquica constitucional 
sobre as demais leis do país. 
Comentário: 
O item é verdadeiro, pois realmente há hierarquia normativa (entre normas) em nossa ordem jurídica, 
estando a Constituição em posição de supremacia (de superioridade) perante as demais. 
Gabarito: Certo 
Agora, um detalhe importante: nossa Constituição Federal de 1988 foi elaborada pelo chamado 
“Poder Constituinte Originário” e promulgada em 05/10/1988. Nossos representantes (eleitos pelo povo), 
se reuniram em uma Assembleia Nacional Constituinte e, de fevereiro de 1987 até outubro de 1988, se 
dedicaram à redação da nossa atual Constituição. Essas normas, que foram feitas pelo Poder Originário 
durante o período citado, são chamadas de normas constitucionais originárias. 
Uma pergunta para você: de outubro de 1988 até o presente momento, nossa Constituição 
manteve exatamente a mesma redação? Não. Ela foi objeto de diversas emendas constitucionais, que 
alteraram vários dos seus artigos. Por que isso ocorre? Ora, as Constituições não podem ser imutáveis 
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(ou imodificáveis), pois elas precisam se adaptar às mudanças sociais e à evolução histórica, senão seus 
textos perdem a sintonia com a realidade. Assim, vez ou outra, nossa Constituição passa por 
modificações, que nada mais são do que pequenos ajustes que pretendem rejuvenescer seu texto e 
melhor adequá-lo ao momento histórico. Estudaremos, futuramente, o modo como essas emendas 
constitucionais são feitas (como elas são apresentadas, discutidas, votadas, etc), mas, nesse momento 
do curso, eu preciso que você saiba que elas são elaboradas pelo chamado Poder Constituinte Derivado 
(representado pelo Congresso Nacional) e, por essa razão, também podem ser chamadas de normas 
constitucionais derivadas. 
Pois bem. A explicação acima lhe permite notar que em nossa Constituição existem normas 
constitucionais que são originárias (pois estão no texto constitucional desde 5/10/1988) e normas 
constitucionais que são derivadas, que foram sendo inseridas ao longo das últimas três décadas. Mas 
repare: pouco importa se a norma constitucional é originária ou derivada, ela é constitucional e, por isso, 
situa-se no topo da pirâmide de Kelsen, no ponto mais alto do ordenamento jurídico. Isso significa que 
não há hierarquia entre normas constitucionais originárias e normas constitucionais derivadas, já que, 
rigorosamente, todas as normas constitucionais estão no mesmo plano, se situam no mesmo patamar. 
Mas muito cuidado com um detalhe: apesar de não haver hierarquia entre normas 
constitucionais originárias e derivadas, há uma importante diferença entre elas. As normas 
constitucionais originárias não podem ser declaradas inconstitucionais, sendo sempre constitucionais 
(afinal, elas representam a própria Constituição). Já as normas constitucionais derivadas (as emendas 
constitucionais) devem ser produzidas em obediência as regras que o Poder Originário inseriu na 
Constituição quando a elaborou. Isso significa que uma emenda constitucional que desobedeça às 
normas que regulamentam a sua feitura poderá ser declarada inconstitucional. Em outras palavras: as 
normas constitucionais originárias não podem ser objeto do controle de constitucionalidade; já as 
normas constitucionais derivadas podem. 
Abaixo, um item verdadeiro que ilustra o modo como esse tópico pode ser apresentado em uma 
prova: 
 
 
 
 
 
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Questão para fixar 
[ESAF - 2013 - MF - Conhecimentos Básicos - Adaptada] Quanto à hierarquia das normas, julgue o item: 
As emendas constitucionais têm a mesma posição hierárquica das normas constitucionais originárias, 
embora somente aquelas estejam sujeitas a controle de constitucionalidade. 
Comentário: 
Este é um item verdadeiro. Como vimos acima, as emendas constitucionais têm a mesma posição 
hierárquica das normas constitucionais originárias. 
Gabarito: Certo 
Considero igualmente importante destacar que não há hierarquia entre as normas 
constitucionais em razão do conteúdo. Em outras palavras: não seria correto dizer que o art. 5° da 
Constituição, que consagra direitos e garantias individuais e coletivos é, do ponto de vista hierárquico, 
superior a um outro artigo constitucional que trate de um tema de menor relevância, como, por exemplo, 
o art. 242 que, em seu § 2°, determina que “O Colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, 
será mantido na órbita federal”. Independentemente do assunto tratado, se a norma é constitucional ela 
é superior e está no topo do ordenamento jurídico. 
Olhando agora para as normas infraconstitucionais (que são assim chamadas porque estão 
abaixo da Constituição), tampouco há hierarquia entre elas, pois estão todas elas no mesmo patamar: 
num nível inferior ao da Constituição. Por isso, leis complementares não são superiores às leis ordinárias 
ou às medidas provisórias. Todas elas (as infraconstitucionais) inovam no ordenamento jurídico, podem 
prever direitos, deveres e obrigações. 
No mesmo sentido, e ao contrário do que muitos podem imaginar, também não há hierarquia 
entre leis federais, estaduais e municipais: todas são leis, são normas infraconstitucionais. Não pense que 
a lei editada pela União, por ter abrangência nacional, é superior a uma lei editada por um Estado ou por 
um Município. Por isso, se houver um conflito entre essas leis, a solução não será dada por critério 
hierárquico, claro que não. Teremos que verificar qual ente da federação (União, Estados-membros ou 
Municípios) possui a competência para legislar sobre o tema. Se, por exemplo, a competência para 
legislar é dos Estados, a lei estadual vai prevalecer; se é dos Municípios, a lei municipal prevalecerá. 
Essa discussão sobre a existência ou não de hierarquia entre certas normas, é constantemente 
objeto de questionamento em prova. Vamos juntos resolver duas questões, para você começar a 
entender o tipo de pergunta que enfrentará: 
 
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Questões para fixar 
[MPE-BA - 2015 - MPE-BA - Promotor de Justiça Substituto] No que tange à disciplina normativo-
constitucional 2015expressa do processo legislativo (artigo 59 e seguintes da Constituição Federal de 1988), 
julgue a assertiva: 
Existe hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, bem como entre lei federal e estadual. 
[ESAF - 2012 - MI - Nível Superior - Conhecimentos Gerais - Adaptada] Sobre a hierarquia 
constitucionalmente caracterizada entre os atos jurídico-normativos do Poder Público, julgue a assertiva: 
As leis complementares são hierarquicamente superiores às leis ordinárias. 
Comentário: 
Já sabemos que não há hierarquia entre lei ordinária e lei complementar, pois elas estão no mesmo nível 
hierárquico: ambas são normas infraconstitucionais. Também não há hierarquia entre lei federal e lei 
estadual: são leis e estão abaixo da Constituição Federal. Desta forma, os dois itens são falsos. 
Gabarito: Errado / Errado 
Por último, repare que na pirâmide de Kelsen, abaixo das normas infraconstitucionais, temos as 
normas infralegais. Essas são normas secundárias que não podem gerar direitos, deveres ou prever 
obrigações. Por serem inferiores às normas infraconstitucionais (que são chamadas também de normas 
primárias), as secundárias devem obediência a elas, podendo ser invalidadas e retiradas do ordenamento 
em caso de desrespeito. Em outras palavras: pense em um decreto regulamentar (que é uma norma 
infralegal). Ele foi editado para regulamentar uma lei. Ele não cria direitos e deveres, ele só facilita a 
aplicação de uma lei (ela sim cria os direitos e deveres). E se esse decreto desrespeitar a lei, desobedece-
la, ele deverá ser retirado do nosso ordenamento jurídico. 
(3) Constituição: estrutura 
Agora que você já sabe que todos os Estados Nacionais possuem uma Constituição e que ela 
representa o documento jurídico mais importante do país, ocupando o topo do ordenamento normativo, 
quero iniciar a apresentação do nosso documento constitucional vigente: a Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988. Vamos conhece-la melhor a cada aula! E começaremos com a estrutura. 
Saiba que, estruturalmente, nossa Constituição pode ser dividida em três partes: 
(i) preâmbulo; 
(ii) parte permanente (ou parte dogmática) e 
(iii) ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias). 
Vamos aprender um pouco sobre cada um desses fragmentos. 
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O preâmbulo é a 1ª parte que você nota na Constituição. Ele vem antes do primeiro artigo e diz 
o seguinte: 
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir 
um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a 
liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores 
supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e 
comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, 
promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO 
BRASIL. 
De largada, preciso que você conheça o entendimento do STF sobre o preâmbulo: ele não é uma 
norma jurídica, não é uma norma constitucional. Representa um “recado” do legislador constituinte a 
nós, que somos os destinatários da Constituição. Ele vem antes do texto constitucional, como se fosse 
uma “carta de intenções” que resume as posições ideológicas (os valores e as intenções) do Poder 
Constituinte Originário (que é o poder que faz, que elabora, a Constituição). Sua importância é histórica, 
de guia/diretriz interpretativa. 
Como nossa Corte Suprema (o STF) já definiu que o preâmbulo não é norma constitucional, 
como responder as seguintes perguntas que podem ser feitas pelo examinador? 
(i) Uma lei que violar o preâmbulo da Constituição Federal pode ser considerada inconstitucional? 
- Não. Afinal, se o preâmbulo não é uma norma jurídica, ele não pode ser considerado uma norma 
constitucional. Logo, ele não serve de parâmetro (de paradigma) para a declaração de 
inconstitucionalidade de uma lei. Pensemos em uma situação que pode ser criada pelo examinador em 
prova: uma Lei Estadual X determina que está proibida a utilização de símbolos religiosos em repartições 
públicas; o Governador do Estado ajuíza uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) no STF, 
argumentando que a Lei X desobedece o preâmbulo da Constituição Federal, pois o Preâmbulo da CF diz 
que o texto constitucional foi promulgado “sob a proteção de Deus”. Claro que o STF não vai considerar 
a Lei Estadual X inconstitucional por violação do preâmbulo da CF, pois ele não é uma norma 
constitucional que tenha que ser estritamente obedecida. 
(ii) O preâmbulo é norma de repetição obrigatória para as demais esferas da federação? Ou seja: os 
preâmbulos das Constituições estaduais devem reproduzir o preâmbulo da Constituição Federal? 
- O STF diz que não. Afinal, se ele não é norma jurídica, não vincula as Constituições estaduais. Isso 
significa que os preâmbulos das Constituições estaduais podem ser diferentes. 
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Para você ter informações adicionais que vão lhe ajudar a gravar a posição do STF sobre o 
preâmbulo da nossa Constituição Federal, vou lhe contar um caso muito interessante que envolveu o 
preâmbulo da Constituição do Acre. 
Em 1999, o Partido Social Liberal (PSL), ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (a 
ADI 2076) contra o preâmbulo da Constituição do Acre, pois ele (na época) não trazia a expressão “sob a 
proteção de Deus”. O partido alegava que o preâmbulo da Constituição do Acre ofendia o preâmbulo da 
Constituição Federal, que traz a expressão. Aliás, dizia o PSL, essa “omissão” da Constituição do Estado 
o tornava “o único no país privado de ficar sob a proteção de Deus”. 
Ao julgar a ADI, o STF entendeu que o preâmbulo da Constituição Federal não cria direitos e 
deveres, nem tem força normativa, refletindo apenas a posição ideológica do Poder Constituinte 
Originário. “O preâmbulo, portanto, não contém norma jurídica”, disse o ministro relator da ação, Carlos 
Velloso. 
Desta forma, o STF firmou o entendimento de que o preâmbulo da Constituição do Acre, ao não 
usar a expressão “sob a proteção de Deus”, não estava violando a Constituição Federal. Só não invocava 
a proteção de Deus, mas tudo bem, pois essa frase posta no preâmbulo da Constituição Federal somente 
reflete um sentimento religioso do Poder Constituinte Originário. 
Agora vamos à parte permanente (ou dogmática) da Constituição: ela representa o texto 
constitucional propriamente dito e se inicia no art. 1° e vai até o 250. São os artigos que organizam o 
Estado, estruturam os Poderes e estabelecem os direitos e as garantias fundamentais. Essa parte é 
chamada de “permanente” não porque esses artigos sejam imutáveis e não possam ser modificados: eles 
podem sim ser alterados por meio das emendas constitucionais feitas pelo Poder Derivado Reformador. 
O nome dessa parte (“permanente”) foi dado justamente para diferencia-la do último fragmento da 
Constituição, que é a parte transitória. 
A parte transitória da Constituição é chamada de ADCT (Ato das Disposições Constitucionais 
Transitórias). Seu intuito é o de facilitar a passagem de uma ordem jurídica antiga para a nova. Numa 
metáfora, é como se o ADCT fosse um “colchão”, que vai amortecer essa mudança de uma Constituição 
para outra, facilitando o processo de substituição de quando do adventode uma nova Constituição, 
garantindo a segurança jurídica e evitando o colapso entre um ordenamento jurídico e outro. Suas 
normas são formalmente constitucionais, embora, no texto da CF/88, apresente numeração própria 
(vejam ADCT – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias). Assim como a parte dogmática, a parte 
transitória pode ser modificada por reforma constitucional. Além disso, também pode servir como 
paradigma para o controle de constitucionalidade das leis. 
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Questões para fixar 
[UFPR - 2014 - DPE-PR - Defensor Público - Adaptada] Quanto ao âmbito da Teoria da Constituição, Normas 
Constitucionais no Tempo, Hermenêutica Constitucional e Preâmbulos Constitucionais, julgue a assertiva: 
O preâmbulo constitucional consiste em um texto introdutório à Constituição, sendo uma declaração de 
princípios, de caráter obrigatório, vinculativo, cujo conteúdo é de observância necessária aos demais entes 
da federação, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. 
Comentário: 
Assertiva incorreta. O STF, acionado em ação direta de inconstitucionalidade (ADI 2076), definiu que o 
preâmbulo da Constituição Federal não é norma jurídica, logo não é de observância obrigatória em âmbito 
estadual, tampouco parâmetro para o controle de constitucionalidade. Foi nessa ADI 2076 que o STF decidiu 
que o preâmbulo da Constituição do Acre não era inconstitucional por não reproduzir na literalidade o que 
constava do preâmbulo do texto constitucional federal (na Constituição do Acre não havia menção à 
proteção de Deus, como o preâmbulo da Constituição Federal faz; e o STF disse que não havia 
inconstitucionalidade nesse comportamento de não repetir o preâmbulo da CF/88). 
Gabarito: Errado 
[VUNESP - 2014 - DPE-MS - Defensor Público] No que se refere à interpretação da natureza jurídica do 
preâmbulo da Constituição, segundo jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, julgue a assertiva: 
O preâmbulo da Constituição não constitui norma central, não tendo força normativa e, consequentemente, 
não servindo como paradigma para a declaração de inconstitucionalidade. 
Comentário: 
A assertiva está correta, segundo o STF o preâmbulo não é uma norma jurídica, não é uma norma 
constitucional (ADI 2076). 
Gabarito: Certo 
 
(4) Elementos da Constituição 
Eis um tema absolutamente doutrinário que o seu edital trouxe! Como temos uma Constituição 
muito ampla e prolixa (com muitos artigos, pois ela trata de variados temas), os autores se ocuparam de 
organizar as normas constitucionais de acordo com suas finalidades. Para tanto, foram estruturados 
cinco grupos, que refletem as cinco principais categorias de normas que podemos encontrar na 
Constituição Federal de 1988. Essa divisão, sem dúvida, facilita a visualização da nossa Constituição 
enquanto um conjunto harmônico de normas com diferentes propósitos. 
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Entendo que a mais completa organização desses cinco elementos que nossa Constituição 
possui é aquela clássica feita pelo Professor José Afonso da Silva1, que vou lhe apresentar: 
(i) elementos orgânicos: são representados pelas normas que regulam a estrutura do Estado e dos 
Poderes. Estão concentrados, predominantemente, nos Títulos III (Da Organização do Estado), IV (Da 
Organização dos Poderes e do Sistema de Governo), Capítulos II e III do Título V (Das Forças Armadas e 
da Segurança Pública) e Título VI (Da Tributação e do Orçamento); 
(ii) elementos limitativos: estão presentes nas normas que compõem o rol de direitos e garantias 
fundamentais, constantes do Título II (Dos Direitos e Garantias Fundamentais, excetuando-se os Direitos 
Sociais, que fazem parte da próxima categoria); 
(iii) elementos socioideológicos: são as normas que expressam o compromisso social das Constituições 
modernas, com a proteção dos indivíduos e com a busca pela efetivação de um bem-estar social, como 
as do Capítulo II do Título II (Direitos Sociais) e as dos Títulos VII (Da Ordem Econômica e Financeira) e 
VIII (Da Ordem Social); 
(iv) elementos de estabilização constitucional: conjunto representado pela reunião das normas que 
objetivam assegurar a solução de conflitos constitucionais, a defesa da Constituição, do Estado e das 
instituições democráticas, como as encontradas nos arts. 34 a 36 (que tratam da Intervenção); 59, I e 60 
(processo de emendas à Constituição); 102, I, “a” (ação direta de inconstitucionalidade e ação 
declaratória de constitucionalidade); 102 e 103 (consagradores da jurisdição constitucional) e no Título V 
(Da Defesa do Estado e das instituições democráticas, especialmente o Capítulo I, pois os Capítulos II e 
III, conforme vimos, integram os elementos orgânicos); 
(v) elementos formais de aplicabilidade: este último grupo é representado pelas normas que instituem 
regras de aplicação das normas constitucionais; pode-se dizer que o preâmbulo é um exemplo, bem 
como normas constitucionais de caráter transitório (presentes no ADCT) e, ainda, o § 1º do art. 5º, 
quando determina que “as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação 
imediata”. 
Para finalizar a parte teórica, veja no esquema abaixo uma organização estruturada dos cinco 
elementos da Constituição: 
 
 
 
1 .SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 28ª ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 44-45. 
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Bom, meu caro aluno, agora queria lhe convidar a resolver comigo dez questões ilustrativas do 
modo como esse assunto pode vir a ser cobrado em sua prova: 
Questões para fixar 
[IESES - 2017 - ALGÁS - Analista de Projetos Organizacionais - Jurídica] Para José Afonso da Silva, as 
Constituições contemporâneas, em sua estrutura normativa, revelam cinco categorias de elementos 
destacáveis: orgânicos; limitativos; socioideológicos; de estabilização constitucional; e, finalmente, formais 
de aplicabilidade. Podemos afirmar: 
A) Elementos socioideológicos: são aqueles que têm origem no liberalismo clássico, que busca estabelecer 
limites à ação do Estado, assegurando um Estado de Direito onde os direitos individuais e coletivos devem 
estar presentes no texto constitucional. 
B) Elementos de estabilização constitucional e os formais de aplicabilidade: Na Constituição brasileira em 
vigor, vislumbramos estes elementos no Capítulo II, do Título II (Dos Direitos Sociais), e, também, nos Títulos 
VII e VIII (Da Ordem Econômica Financeira e Da Ordem Social). 
C) Elementos orgânicos: são aqueles contidos em normas jurídicas que regulam a estrutura e o 
funcionamento do poder estatal, sendo, portanto, fundamentais à existência do Estado. 
D) Elementos Limitativos: não existiam nas primeiras Constituições escritas, porque elas tratavam 
exclusivamente da limitação à ingerência estatal. 
Comentário: 
Vamos iniciar a resolução dessa questão recordando duas coisas: (i) os elementos socio-ideológicos incluem 
as normas que expressam o compromisso social das Constituições modernas, com a proteção dos indivíduos 
e busca pela efetivação de um bem-estar social; (ii) são os elementos limitativos que representam as normas 
que integram o rol de direitos e garantias fundamentais (com exceção dos Direitos Sociais). Nesse sentido, 
a assertiva ‘a’ é falsa. 
Como os elementos de estabilização constitucional estão representados pela reunião das normas que 
objetivam assegurar a solução de conflitos constitucionais, a defesa da Constituição,do Estado e das 
instituições democráticas; enquanto os elementos formais de aplicabilidade estão representados pelas 
ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO 
ELEMENTOS 
ORGÂNICOS 
ELEMENTOS 
LIMITATIVOS 
ELEMENTOS 
SÓCIOIDEOLÓGICOS 
ELEMENTOS DE 
ESTABILIZAÇÃO 
CONSTITUCIONAL 
ELEMENTOS 
FORMAIS DE 
APLICABILIDADE 
Tratam da 
estrutura do 
Estado e dos 
Poderes 
São as normas 
que instituem o 
rol de direitos e 
garantias 
fundamentais 
Visam o bem-estar 
social 
Buscam a solução 
dos conflitos 
constitucionais, a 
defesa da 
Constituição, do 
Estado e das 
instituições 
democráticas 
Preveem regras de 
aplicação para as 
normas 
constitucionais 
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normas que instituem regras de aplicação das normas constitucionais; podemos concluir que a assertiva ‘b’ 
também é falsa. 
Em relação a letra ‘c’, esta deve ser assinalada, pois os elementos orgânicos realmente contemplam as 
normas que regulam a estrutura do Estado e dos Poderes. 
Por fim, a letra ‘d’ é incorreta, pois são os elementos socioideológicos, que não existiam nas primeiras 
Constituições escritas, que tratavam exclusivamente de impor uma limitação à ingerência estatal. Tais 
elementos revelam a emergência de um Estado Social, mais intervencionista que o velho Estado Liberal 
constante dos primeiros documentos constitucionais escritos. Lembremos, em conclusão, que são 
justamente os elementos limitativos que existiam nas primeiras Constituições escritas, afinal são elas que 
se preocupavam diretamente com a limitação da ingerência estatal na vida das pessoas. A letra ‘b’ até 
começa bem: realmente regras e princípios são espécies do gênero “normas jurídicas”. No entanto, não há 
hierarquia normativa entre eles (ou seja, os princípios não são superiores às regras). 
Gabarito: C 
[INSTITUTO AOCP - 2014 - UFES - Advogado] Em relação aos elementos das Constituições, aquele que 
manifesta-se nas normas que compõem o elenco de direitos e garantias fundamentais restringindo a 
atuação dos poderes estatais, denomina-se 
A) elementos orgânicos. 
B) elementos socioideológicos. 
C) elementos de estabilização constitucional. 
D) elementos limitativos. 
E) elementos formais de aplicabilidade. 
Comentário: 
Em relação aos elementos da Constituição, os limitativos são os presentes nas normas institutivas dos 
direitos e garantias fundamentais, constantes do Título II (Dos Direitos e Garantias Fundamentais, 
excetuando-se os Direitos Sociais, que fazem parte dos elementos socioideológicos). A letra ‘d’ é, portanto, 
a nossa resposta. 
Gabarito: D 
[FCC - 2013 - AL-RN - Assessor Técnico de Controle Interno] Sobre os elementos das Constituições, são 
considerados elementos orgânicos as normas: 
A) que revelam o compromisso da Constituição entre o Estado individualista e o Estado Social. 
B) que regulam a estrutura do Estado e do Poder. 
C) destinadas a assegurar a solução de conflitos constitucionais, a defesa da Constituição, do Estado e das 
instituições democráticas. 
D) que estabelecem regras de aplicação de outras normas constitucionais. 
E) que compõem o elenco dos direitos e garantias fundamentais, limitando a atuação dos Poderes estatais. 
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Comentário: 
A única assertiva correta é aquela constante da letra ‘b’, visto que os elementos orgânicos contemplam as 
normas que regulam a estrutura do Estado e dos Poderes; se concentram, predominantemente, nos Títulos 
III (Da Organização do Estado), IV (Da Organização dos Poderes e do Sistema de Governo), Capítulos II e III 
do Título V (Das Forças Armadas e da Segurança Pública) e Título VI (Da Tributação e do Orçamento). 
Gabarito: B 
[CESPE - 2012 - TCE-ES - Auditor de Controle Externo - Auditoria Governamental] Acerca da supremacia da 
Constituição Federal (CF), da organização político-administrativa e dos elementos da CF, julgue o item a 
seguir: 
Denominam-se elementos orgânicos da CF os elementos acerca da estrutura do Estado e do poder, tais 
como as normas relativas à organização do Estado. 
Comentário: 
A assertiva é verdadeira. São classificados como elementos orgânicos as normas constitucionais que 
regulam a estrutura do Estado e dos Poderes (e que estão inseridas, dentre outros, no Título III da CF/88 – 
Da Organização do Estado). 
 
Gabarito: Certo 
[FUMARC - 2013 - PC-MG - Analista da Polícia Civil – Direito] A tendência moderna é de elaboração de 
Constituições analíticas ou prolixas, repletas de normas pormenorizadas, sobre as mais diferentes matérias. 
Esse inchamento das Constituições fez com que a doutrina estabelecesse uma classificação, levando-se em 
conta a estrutura normativa do Texto Magno. Sobre os chamados “elementos da Constituição”, é CORRETO 
afirmar: 
A) Elementos limitativos: são os que se acham consubstanciados nas normas que estabelecem regras de 
aplicação das normas constitucionais, assim, o preâmbulo, o dispositivo que contém as cláusulas de 
promulgação, as disposições constitucionais transitórias e as normas definidoras dos direitos e garantias 
fundamentais que têm aplicação imediata. 
B) Elementos orgânicos: que se contêm nas normas que regulam a estrutura do Estado e do poder, que se 
concentram, predominantemente, nos seguintes Títulos: Da Organização do Estado; Da Organização dos 
Poderes e do Sistema de Governo; Das Forças Armadas e da Segurança Pública e Da Tributação e do 
Orçamento. 
C) Elementos socioideológicos: que se manifestam nas normas que consagram o elenco dos direitos e 
garantias fundamentais. 
D) Elementos formais de aplicabilidade: consagrados nas normas destinadas à solução de conflitos 
constitucionais, à defesa da Constituição, do Estado e das instituições democráticas. 
Comentário: 
Essa é uma questão bem completa, pois requer uma análise de todos os cinco grupos de elementos que a 
doutrina elenca. Vamos analisar item pode item: 
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(i) A letra ‘a’ é incorreta, visto que a assertiva traz a definição de elementos formais de aplicabilidade e não 
dos elementos limitativos (que são os presentes nas normas eu instituem o rol de direitos e garantias 
fundamentais); 
(ii) A letra ‘b’ é a assertiva que deve ser assinalada, afinal, os elementos orgânicos contemplam as normas 
que regulam a estrutura do Estado e dos Poderes; se concentram, predominantemente, nos Títulos III (Da 
Organização do Estado), IV (Da Organização dos Poderes e do Sistema de Governo), Capítulos II e III do 
Título V (Das Forças Armadas e da Segurança Pública) e Título VI (Da Tributação e do Orçamento); 
(iii) A letra ‘c’ traz um item incorreto, pois os elementos socioideológicos contemplam as normas que 
explicitam o compromisso social das Constituições modernas, com a proteção dos indivíduos e com a busca 
pela efetivação de um bem-estar social. As normas que consagram o elenco dos direitos e garantias 
fundamentais constituem os chamados elementos limitativos; 
(iv) Na letra ‘d’ temos outra assertiva incorreta, uma vez que ela traz a definição das normas que contemplam 
os elementos de estabilização constitucional, isto é, que objetivam assegurar a solução de conflitos 
constitucionais, a defesa da Constituição, do Estado e das instituições democráticas. 
Gabarito: B 
[IBFC - 2013 - SEPLAG-MG - Direito] Acerca dos elementos das constituições, assinale a alternativa 
INCORRETA: 
A) Orgânicos: elementos contidos nas normas que dispõem sobre a estrutura do Estado e do poder. 
B) Limitativos: elementos consagrados nas normas que cuidam da defesa da constituiçãoe das instituições 
democráticas. 
C) Socioideológicos: insculpidos nas normas que fixam os compromissos sociais do Estado. 
D) Formais de aplicabilidade: elementos assentados nas regras de aplicação das constituições. 
Comentário: 
A única afirmativa que está incorreta é aquela constante da letra ‘b’, pois os elementos limitativos 
contemplam as normas institutivas do rol de direitos e garantias fundamentais, constantes do Título II (Dos 
Direitos e Garantias Fundamentais, excetuando-se os Direitos Sociais, que fazem parte de outra categoria). 
Gabarito: B 
[CESPE - 2013 - DPE-DF - Defensor Público] Acerca dos elementos e normas constitucionais, julgue o item 
seguinte: 
Consideram-se elementos limitativos da Constituição as normas constitucionais que compõem o catálogo 
dos direitos e garantias individuais 
Comentário: 
A assertiva é verdadeira, realmente os direitos e garantias individuais são considerados elementos 
limitativos, conforme a classificação doutrinária. 
Gabarito: Certo 
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[CONSESP - 2015 - DAE-Bauru - Procurador Jurídico] No que concerne aos elementos da constituição, pode-
se afirmar que os “elementos formais de aplicabilidade" 
A) buscam a solução dos conflitos constitucionais, a defesa da constituição, do estado e das instituições 
democráticas. 
B) preveem regras de aplicação para as normas constitucionais. 
C) tratam da estrutura do estado e dos poderes. 
D) instituem o rol de direitos e garantias fundamentais. 
E) visam o bem-estar social. 
Comentário: 
A assertiva ‘b’ deve ser assinalada. Nos elementos formais de aplicabilidade encontram-se as normas que 
instituem regras de aplicação das normas constitucionais; pode-se dizer que o preâmbulo é um exemplo, 
bem como normas constitucionais de caráter transitório (presentes no ADCT) e, ainda, o § 1º do art. 5º, 
quando determina que “as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação 
imediata”. 
Gabarito: B 
[CESPE - 2012 - AL - Analista Judiciário] A respeito de Constituição e aplicabilidade das normas 
constitucionais, julgue a assertiva abaixo: 
O preâmbulo constitui exemplo de elemento orgânico da Constituição. 
Comentário: 
O item é falso, visto que o preâmbulo é um elemento formal de aplicabilidade das normas constitucionais. 
Gabarito: Errado 
[CESPE - 2012 - MPE-PI - Analista Processual] Julgue o item: 
O preâmbulo e o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias são exemplos dos denominados 
elementos de estabilização constitucional. 
Comentário: 
Errado, o Preâmbulo e o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias são exemplos de elementos 
formais de aplicabilidade. 
Gabarito: Errado 
 
 
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(5) Supremacia da Constituição 
Primeiramente, futuro Analista/futuro Oficial, cumpre informar que o último edital que tivemos 
para o seu concurso, da CESPE (banca que possivelmente organizará o próximo certame), trouxe um 
item muito curioso, que são os seguintes: “1.2. Supremacia da Constituição”. O tema se relaciona de 
forma muito estreita com o tema trazido pelo item 9 do edital, que trata do ”Controle de 
Constitucionalidade”. Aliás, poderíamos deixar para conversar sobre eles juntamente com o controle. 
Minha opção neste curso, todavia, foi a de traze-los logo nesta aula 01 (ao invés de esperarmos 
as aulas 21 e 22, sobre a jurisdição constitucional), a fim de aproximar estes temas da supremacia 
constitucional e da hierarquia das normas da concepção jurídica kelseniana. 
Claro que, futuramente, iremos voltar nas ideias que serão aqui apresentadas, pois falar de 
escalonamento do ordenamento, status de normas e hierarquia é algo ínsito ao estudo do controle de 
constitucionalidade. Mas com as informações básicas já discutidas desde este nosso encontro, lhe 
garanto que será bem mais agradável tratar do controle (talvez o tema mais instigante e interessante da 
nossa disciplina!). 
Enfim, vou começar esta parte teórica lhe lembrando que a expressão “controle de 
constitucionalidade” deve ser entendida como uma verificação de compatibilidade (de adequação) 
entre normas: as leis (e os demais atos normativos) e a Constituição. Todavia, você só entenderá bem o 
controle de constitucionalidade se já tiver assimilado previamente a concepção de Constituição sob o 
prisma kelseniano. 
Como vimos em tópico anterior, nosso mestre estruturou o ordenamento normativo de forma 
estritamente jurídica, baseando-se na constatação de que toda norma retira sua validade de outra que 
lhe é imediatamente superior. Segundo ele, no mundo das normas jurídicas, uma norma só pode receber 
validade de outra, de modo que a ordem jurídica sempre se apresente estruturada em normas superiores 
fundantes – que regulam a criação das normas inferiores – e normas inferiores fundadas – aquelas que 
tiveram a criação regulada por uma norma superior2. 
Essa relação de validade que Kelsen estabeleceu culminou em um escalonamento hierárquico 
do sistema jurídico, uma vez que as normas nunca estarão lado a lado, ao contrário, apresentarão 
 
2. “Consequência disso é o ordenamento jurídico se apresentar como uma estrutura de normas superiores-fundantes e 
inferiores-fundadas. Sendo que, por norma “superior-fundante” deve-se entender a que regula a criação da inferior-fundada; 
e, por sua vez, por norma “inferior-fundada” aquela que foi regulada em sua criação por uma norma superior fundante. A esse 
processo, pelo qual se obtém normas cada vez mais específicas, Kelsen chama “concretização” e, às vezes, “determinação””. 
SGARBI, Adrian. Hans Kelsen– Ensaios Introdutórios (2001-2005). Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 10. 
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posicionamentos diferenciados em graus inferiores e superiores. Nos dizeres de Kelsen, “a ordem jurídica 
(...) não é um sistema de normas coordenadas entre si, que se acham, por assim dizer, lado a lado, no 
mesmo nível, mas uma hierarquia de diferentes níveis de normas”3. 
Assim, por ser a ordem jurídica “uma construção normativa de diferentes camadas”4, sua 
unidade é produto da conexão de dependência que resulta do fato de as normas inferiores serem 
produzidas em absoluta conformidade com outra norma que lhes seja superior, lembrando que a 
Constituição, enquanto representante do escalão normativo mais elevado dessa ordem, é quem, por 
fim, fixa os critérios que objetivamente vinculam essa tarefa de elaboração das normas inferiores. 
Ademais, vale lembrar que nosso documento constitucional é marcado pela rigidez, pois a 
modificação de suas normas sujeita-se a um procedimento mais sofisticado e dificultoso, que 
impossibilita a alteração das normas constitucionais pelo (mais simples) mecanismo legislativo 
estruturado para a feitura de normas infraconstitucionais (basta ler o art. 60, CF/88 que você 
imediatamente comprova a rigidez!). Esse processo mais detalhado e rebuscado exigido para a 
modificação das normas constitucionais é, definitivamente, outro fator caracterizante da supremacia 
formal da Constituição em face das demais normas que compõem o ordenamento. Isso porque, acaso 
fosse permitido ao legislador ordinário modificar as normas da Constituição a partir da edição de uma 
norma infraconstitucional comum – como acontece nas Constituições flexíveis –, todas as normas 
produzidas seriam dotadas da mesma hierarquia, o que desconfiguraria qualquer tipo de supremacia 
formal de uma norma frente a outra5. 
Emsíntese, meu caro aluno, a constatação da inequívoca hierarquia normativa entre as normas 
constitucionais e as demais, justifica a realização do controle de constitucionalidade. Afinal, se a Carta 
Constitucional encontra-se em posição diferenciada no ordenamento (diga-se, superior), todas as 
demais normas lhe devem estrita observância e irrestrita obediência e precisam estar afinadas, em 
absoluto, com os seus preceitos, de modo que qualquer dissintonia possa ser detectada e solucionada 
em favor da Constituição. A instituição desse instrumental teórico de fiscalização da constitucionalidade 
dos diplomas é, pois, o que impede que o ideal da supremacia constitucional torne-se mera retórica. 
Assim, e a partir da breve digressão exposta, conclui-se que o controle de constitucionalidade 
pressupõe a rigidez constitucional, e, por consequência, a supremacia formal da Constituição, o que nos 
 
3. KELSEN, Hans. Teoria geral do direito e do Estado. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 181. 
4. KELSEN, Hans. Teoria pura do direito. 6ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 247. 
5. FIGUEIREDO DANTAS, Paulo Roberto de. Direito Processual Constitucional. São Paulo: Atlas, 2009, p. 152. 
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permite arquitetar como premissas para a sua realização as seguintes: 
(a) a Constituição deve ser escrita e marcada pela rigidez; 
(b) é preciso reconhecer que a Constituição é norma superior (supremacia constitucional) e pressuposto 
de validade de todos os demais diplomas normativos (lembrando que todos esses outros são inferiores); 
(c) deve ser estipulada uma relação de parametricidade (de comparação), isto é, feitura de uma avaliação 
de compatibilidade entre a norma superior (Constituição) e o restante do ordenamento jurídico, 
conferindo primazia (prefrência) sempre a norma fundamento (superior); 
(d) deve-se estabelecer uma consequência jurídica ante a violação da parametricidade – por exemplo, o 
reconhecimento da inexistência, da nulidade ou da anulabilidade do ato inferior incompatível com a 
Constituição. Aqui no Brasil, como veremos a partir da nossa aula de número 11, adotaremos como regra 
a de que o ato inconstitucional é nulo (excepcionalmente vamos considera-lo como anulável). 
Bom, vou finalizar nosso estudo sobre a supremacia da Constituição e análise do princípio 
hierárquico das normas sugerindo algumas questões para nosso treinamento. Vamos resolve-las juntos! 
Questões para fixar 
[TRT 21ªR - 2011 - TRT 21ªR-RN – Juiz - Adaptada] Julgue a seguinte assertiva: 
A proteção especial dada às normas constitucionais que são “cláusulas pétreas” lhes confere superioridade 
jurídica, diante do reconhecimento da sua condição peculiar de imutabilidade, elemento de distinção em 
face das outras normas constitucionais. 
Comentário: 
Todas as normas constitucionais são dotadas de superioridade, por ocuparem o ápice do ordenamento 
jurídico. Não há hierarquia entre elas, todavia. Nem mesmo as chamadas cláusula pétreas, cuja importância 
axiológica (de conteúdo) é indiscutível, são superiores às demais normas constitucionais. O item, portanto, 
é falso. 
Gabarito: Errado 
[VUNESP - 2014 - DPE-MS - Defensor Público - Adaptada] No que se refere à Hermenêutica Constitucional, 
analise as assertivas: 
Há hierarquia entre normas constitucionais originárias, admitindo-se a declaração de inconstitucionalidade 
de determinada norma em face de outra, gerando assim declaração das normas constitucionais 
inconstitucionais. 
Comentário: 
O STF e a doutrina pátria não admitem a tese da hierarquia entre as normas constitucionais. Todas elas 
possuem o mesmo status hierárquico-normativo, pois são todas constitucionais (isto é, ocupam o ápice do 
ordenamento jurídico). 
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Gabarito: Errado 
[FGV - 2015 – OAB - Adaptada] Muitos Estados ocidentais, a partir do processo revolucionário franco-
americano do final do século XVIII, atribuíram aos juízes a função de interpretar a Constituição, daí surgindo 
a denominada jurisdição constitucional. A respeito do controle de constitucionalidade exercido por esse tipo 
de estrutura orgânica, julgue a assertiva abaixo: 
A supremacia da Constituição e a hierarquia das fontes normativas destacam-se entre os pressupostos do 
controle de constitucionalidade. 
Comentário: 
Item verdadeiro! De fato, podemos apontar a supremacia e a hierarquia constitucional como pressupostos 
para a feitura do controle de constitucionalidade. 
Gabarito: Certo 
 
 
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(6) Questões resolvidas em aula 
QUESTÃO 01 
[CESPE - 2014 - TJ-SE - Técnico Judiciário] Acerca dos direitos fundamentais e do conceito e da 
classificação das constituições, julgue o item a seguir: 
Do ponto de vista jurídico, a constituição funda as bases do ordenamento jurídico, contendo, em seu 
corpo, disposições estruturais acerca do funcionamento do Estado, seus entes e órgãos, e dos limites à 
atuação estatal, quais sejam, os direitos e garantias fundamentais do cidadão. 
QUESTÃO 02 
[FUNDEP-Gestão de Concursos - 2014 - TJ-MG - Juiz de Direito Substituto] Sobre o conceito de 
Constituição, assinale a alternativa CORRETA: 
A) É o estatuto que regula as relações entre Estados soberanos. 
B) É o conjunto de normas que regula os direitos e deveres de um povo. 
C) É a lei fundamental e suprema de um Estado, que contém normas referentes à estruturação, à 
formação dos poderes públicos, direitos, garantias e deveres dos cidadãos. 
D) É uma norma de um Estado, que regula os direitos e deveres de um povo nas suas relações. 
QUESTÃO 03 
[ESAF - 2013 - MF - Conhecimentos Básicos - Adaptada] Quanto à hierarquia das normas, julgue o item: 
Há hierarquia entre as normas jurídicas quando uma delas, a norma superior, é fundamento de validade 
da outra, a norma inferior. 
QUESTÃO 04 
[CESPE - 2018 - MPE-PI - Analista Ministerial - Área Processual - Adaptada] Julgue o item seguinte, acerca 
da supremacia da Constituição e da aplicabilidade das normas constitucionais: 
Decorre da noção de supremacia da Constituição o pressuposto da superioridade hierárquica 
constitucional sobre as demais leis do país. 
QUESTÃO 05 
[ESAF - 2013 - MF - Conhecimentos Básicos - Adaptada] Quanto à hierarquia das normas, julgue o item: 
As emendas constitucionais têm a mesma posição hierárquica das normas constitucionais originárias, 
embora somente aquelas estejam sujeitas a controle de constitucionalidade. 
QUESTÃO 06 
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[MPE-BA - 2015 - MPE-BA - Promotor de Justiça Substituto] No que tange à disciplina normativo-
constitucional 2015expressa do processo legislativo (artigo 59 e seguintes da Constituição Federal de 
1988), julgue a assertiva: 
Existe hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, bem como entre lei federal e estadual. 
QUESTÃO 07 
[ESAF - 2012 - MI - Nível Superior - Conhecimentos Gerais - Adaptada] Sobre a hierarquia 
constitucionalmente caracterizada entre os atos jurídico-normativos do Poder Público, julgue a 
assertiva: 
As leis complementares são hierarquicamente superiores às leis ordinárias. 
QUESTÃO 08 
[UFPR - 2014 - DPE-PR - Defensor Público - Adaptada] Quanto ao âmbito da Teoria da Constituição, 
Normas Constitucionais no Tempo, Hermenêutica Constitucional e Preâmbulos Constitucionais,julgue 
a assertiva: 
O preâmbulo constitucional consiste em um texto introdutório à Constituição, sendo uma declaração de 
princípios, de caráter obrigatório, vinculativo, cujo conteúdo é de observância necessária aos demais 
entes da federação, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. 
QUESTÃO 09 
[VUNESP - 2014 - DPE-MS - Defensor Público] No que se refere à interpretação da natureza jurídica do 
preâmbulo da Constituição, segundo jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, julgue a assertiva: 
O preâmbulo da Constituição não constitui norma central, não tendo força normativa e, 
consequentemente, não servindo como paradigma para a declaração de inconstitucionalidade. 
QUESTÃO 10 
[IESES - 2017 - ALGÁS - Analista de Projetos Organizacionais - Jurídica] Para José Afonso da Silva, as 
Constituições contemporâneas, em sua estrutura normativa, revelam cinco categorias de elementos 
destacáveis: orgânicos; limitativos; socioideológicos; de estabilização constitucional; e, finalmente, 
formais de aplicabilidade. Podemos afirmar: 
A) Elementos socioideológicos: são aqueles que têm origem no liberalismo clássico, que busca 
estabelecer limites à ação do Estado, assegurando um Estado de Direito onde os direitos individuais e 
coletivos devem estar presentes no texto constitucional. 
B) Elementos de estabilização constitucional e os formais de aplicabilidade: Na Constituição brasileira 
em vigor, vislumbramos estes elementos no Capítulo II, do Título II (Dos Direitos Sociais), e, também, nos 
Títulos VII e VIII (Da Ordem Econômica Financeira e Da Ordem Social). 
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C) Elementos orgânicos: são aqueles contidos em normas jurídicas que regulam a estrutura e o 
funcionamento do poder estatal, sendo, portanto, fundamentais à existência do Estado. 
D) Elementos Limitativos: não existiam nas primeiras Constituições escritas, porque elas tratavam 
exclusivamente da limitação à ingerência estatal. 
QUESTÃO 11 
[INSTITUTO AOCP - 2014 - UFES - Advogado] Em relação aos elementos das Constituições, aquele que 
manifesta-se nas normas que compõem o elenco de direitos e garantias fundamentais restringindo a 
atuação dos poderes estatais, denomina-se 
A) elementos orgânicos. 
B) elementos socioideológicos. 
C) elementos de estabilização constitucional. 
D) elementos limitativos. 
E) elementos formais de aplicabilidade. 
QUESTÃO 12 
[FCC - 2013 - AL-RN - Assessor Técnico de Controle Interno] Sobre os elementos das Constituições, são 
considerados elementos orgânicos as normas 
A) que revelam o compromisso da Constituição entre o Estado individualista e o Estado Social. 
B) que regulam a estrutura do Estado e do Poder. 
C) destinadas a assegurar a solução de conflitos constitucionais, a defesa da Constituição, do Estado e 
das instituições democráticas. 
D) que estabelecem regras de aplicação de outras normas constitucionais. 
E) que compõem o elenco dos direitos e garantias fundamentais, limitando a atuação dos Poderes 
estatais. 
QUESTÃO 13 
[CESPE - 2012 - TCE-ES - Auditor de Controle Externo - Auditoria Governamental] Acerca da supremacia 
da Constituição Federal (CF), da organização político-administrativa e dos elementos da CF, julgue o item 
a seguir: 
Denominam-se elementos orgânicos da CF os elementos acerca da estrutura do Estado e do poder, tais 
como as normas relativas à organização do Estado. 
QUESTÃO 14 
[FUMARC - 2013 - PC-MG - Analista da Polícia Civil – Direito] A tendência moderna é de elaboração de 
Constituições analíticas ou prolixas, repletas de normas pormenorizadas, sobre as mais diferentes 
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matérias. Esse inchamento das Constituições fez com que a doutrina estabelecesse uma classificação, 
levando-se em conta a estrutura normativa do Texto Magno. Sobre os chamados “elementos da 
Constituição”, é CORRETO afirmar: 
A) Elementos limitativos: são os que se acham consubstanciados nas normas que estabelecem regras de 
aplicação das normas constitucionais, assim, o preâmbulo, o dispositivo que contém as cláusulas de 
promulgação, as disposições constitucionais transitórias e as normas definidoras dos direitos e garantias 
fundamentais que têm aplicação imediata. 
B) Elementos orgânicos: que se contêm nas normas que regulam a estrutura do Estado e do poder, que 
se concentram, predominantemente, nos seguintes Títulos: Da Organização do Estado; Da Organização 
dos Poderes e do Sistema de Governo; Das Forças Armadas e da Segurança Pública e Da Tributação e do 
Orçamento. 
C) Elementos socioideológicos: que se manifestam nas normas que consagram o elenco dos direitos e 
garantias fundamentais. 
D) Elementos formais de aplicabilidade: consagrados nas normas destinadas à solução de conflitos 
constitucionais, à defesa da Constituição, do Estado e das instituições democráticas. 
QUESTÃO 15 
[IBFC - 2013 - SEPLAG-MG - Direito] Acerca dos elementos das constituições, assinale a alternativa 
INCORRETA: 
A) Orgânicos: elementos contidos nas normas que dispõem sobre a estrutura do Estado e do poder. 
B) Limitativos: elementos consagrados nas normas que cuidam da defesa da constituição e das 
instituições democráticas. 
C) Socioideológicos: insculpidos nas normas que fixam os compromissos sociais do Estado. 
D) Formais de aplicabilidade: elementos assentados nas regras de aplicação das constituições. 
QUESTÃO 16 
[CESPE - 2013 - DPE-DF - Defensor Público] Acerca dos elementos e normas constitucionais, julgue o 
item seguinte: 
Consideram-se elementos limitativos da Constituição as normas constitucionais que compõem o 
catálogo dos direitos e garantias individuais 
QUESTÃO 17 
[CONSESP - 2015 - DAE-Bauru - Procurador Jurídico] No que concerne aos elementos da constituição, 
pode-se afirmar que os “elementos formais de aplicabilidade”: 
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A) buscam a solução dos conflitos constitucionais, a defesa da constituição, do estado e das instituições 
democráticas. 
B) preveem regras de aplicação para as normas constitucionais. 
C) tratam da estrutura do estado e dos poderes. 
D) instituem o rol de direitos e garantias fundamentais. 
E) visam o bem-estar social. 
QUESTÃO 18 
[CESPE - 2012 - AL - Analista Judiciário] A respeito de Constituição e aplicabilidade das normas 
constitucionais, julgue a assertiva abaixo: 
O preâmbulo constitui exemplo de elemento orgânico da Constituição. 
QUESTÃO 19 
[CESPE - 2012 - MPE-PI - Analista Processual] Julgue o item: 
O preâmbulo e o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias são exemplos dos denominados 
elementos de estabilização constitucional. 
QUESTÃO 20 
[TRT 21ªR - 2011 - TRT 21ªR-RN – Juiz - Adaptada] Julgue a seguinte assertiva: 
A proteção especial dada às normas constitucionais que são “cláusulas pétreas” lhes confere 
superioridade jurídica, diante do reconhecimento da sua condição peculiar de imutabilidade, elemento 
de distinção em face das outras normas constitucionais. 
QUESTÃO 21 
[VUNESP - 2014 - DPE-MS - Defensor Público - Adaptada] No que se refere à Hermenêutica 
Constitucional, analise as assertivas: 
Há hierarquia entre normas constitucionais originárias, admitindo-se a declaração de 
inconstitucionalidade de determinada norma em face de outra, gerando assim declaração das normas 
constitucionais inconstitucionais. 
QUESTÃO 22 
[FGV - 2015 – OAB - Adaptada] Muitos Estados ocidentais, a partir do processo revolucionário franco-
americano do final do século XVIII, atribuíram aos juízes a função de interpretar a Constituição,daí 
surgindo a denominada jurisdição constitucional. A respeito do controle de constitucionalidade exercido 
por esse tipo de estrutura orgânica, julgue a assertiva abaixo: 
A supremacia da Constituição e a hierarquia das fontes normativas destacam-se entre os pressupostos 
do controle de constitucionalidade. 
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GABARITO 
1 – V 
2 – C 
3 – V 
4 – V 
5 – V 
6 – F 
7 – F 
8 – F 
9 – V 
10 – C 
11 – D 
12 – V 
13 – V 
14 – B 
15 – B 
16 – V 
17 – B 
18 – F 
19 – F 
20 – F 
21 – F 
22 – V
 
 
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(7) Outras questões: para treinar 
QUESTÃO 01 
[CESPE - 2011 - EBC - Analista - Advocacia] Julgue o item seguinte, relativo às normas constitucionais: 
As normas previstas no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias possuem natureza de norma 
constitucional. 
QUESTÃO 02 
[CESPE - 2017 - DPU - Defensor Público Federal] A respeito da evolução histórica do constitucionalismo 
no Brasil, das concepções e teorias sobre a Constituição e do sistema constitucional brasileiro, julgue o 
item a seguir: 
A CF goza de supremacia tanto do ponto de vista material quanto do formal. 
QUESTÃO 03 
[CESPE - 2013 - STF - Analista Judiciário - Área Administrativa] Acerca do Estado federal brasileiro, tendo 
como referência a Constituição Federal de 1988 (CF), julgue o item a seguir: 
Dada a subordinação dos entes federados à força normativa da CF, seu preâmbulo deve ser 
obrigatoriamente reproduzido nas constituições estaduais. 
QUESTÃO 04 
[CESPE - 2016 - PGE-AM - Procurador do Estado] Julgue o item seguinte, relativos à aplicabilidade de 
normas constitucionais e à interação destas com outras fontes do direito: 
Embora o preâmbulo da CF não tenha força normativa, podem os estados, ao elaborar as suas próprias 
leis fundamentais, reproduzi-lo, adaptando os seus termos naquilo que for cabível. 
QUESTÃO 05 
[CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Analista Legislativo - Consultor Legislativo Área III] À luz dos 
princípios fundamentais de direito constitucional positivo brasileiro, julgue o item a seguir: 
Quando um estado da Federação deixa de invocar a proteção de Deus no preâmbulo de sua constituição, 
contraria a CF, pois tal invocação é norma central do direito constitucional positivo brasileiro. 
QUESTÃO 06 
[CESPE - 2012 - ANAC - Especialista em Regulação de Aviação Civil - Área 5] A respeito de 
constitucionalismo, interpretação, eficácia e hierarquia das normas constitucionais, julgue o item que se 
segue: 
As emendas constitucionais têm o mesmo grau hierárquico que as normas constitucionais originárias e, 
por isso, não estão sujeitas ao controle de constitucionalidade. 
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QUESTÃO 07 
[NC-UFPR - 2014 - DPE-PR - Defensor Público - Adaptada] Quanto ao âmbito da Teoria da Constituição, 
Normas Constitucionais no Tempo, Hermenêutica Constitucional e Preâmbulos Constitucionais, julgue 
o item a seguir: 
O preâmbulo constitucional consiste em um texto introdutório à Constituição, sendo uma declaração de 
princípios, de caráter obrigatório, vinculativo, cujo conteúdo é de observância necessária aos demais 
entes da federação, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. 
QUESTÃO 08 
[VUNESP - 2016 - TJ-RJ - Juiz Substituto - Adaptada] No que se refere à Teoria das Normas 
Constitucionais Inconstitucionais, julgue o item a seguir, segundo entendimento do Supremo Tribunal 
Federal: 
Há hierarquia e contradição entre normas constitucionais advindas do Poder Constituinte Originário, o 
que legitima o controle de constitucionalidade de normas constitucionais, produto do trabalho do Poder 
Constituinte Originário. 
QUESTÃO 09 
[CETREDE - 2016 - Prefeitura de Itapipoca - CE - Procurador - Adaptada] Levando-se em consideração a 
norma e o direito constitucional, no que diz respeito à evolução histórica, conceito e classificação, julgue 
a assertiva: 
O preâmbulo constitui norma central da Constituição Federal, possuindo força normativa para 
descortinar a inconstitucionalidade de uma norma. 
QUESTÃO 10 
[FCC - 2018 - ALESE - Técnico Legislativo - Técnico-Administrativo - Adaptada] À luz da Teoria Geral da 
Constituição, julgue a assertiva a seguir: 
O preâmbulo da Constituição Federal brasileira é norma de reprodução obrigatória nas Constituições 
Estaduais. 
 
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GABARITO COMENTADO 
QUESTÃO 01 
[CESPE - 2011 - EBC - Analista - Advocacia] Julgue o item seguinte, relativo às normas constitucionais: 
As normas previstas no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias possuem natureza de norma 
constitucional. 
Comentário: 
A assertiva deve ser julgada como verdadeira. O ADCT representa a parte transitória do texto 
constitucional e tem o intuito de facilitar a passagem de uma ordem jurídica antiga para uma ordem 
jurídica nova. Suas normas, cumpre dizer, são formalmente constitucionais, ainda que apresente 
numeração própria. 
QUESTÃO 02 
[CESPE - 2017 - DPU - Defensor Público Federal] A respeito da evolução histórica do constitucionalismo 
no Brasil, das concepções e teorias sobre a Constituição e do sistema constitucional brasileiro, julgue o 
item a seguir: 
A CF goza de supremacia tanto do ponto de vista material quanto do formal. 
Comentário: 
Eis um item verdadeiro. Na estruturação do nosso ordenamento jurídico, a Constituição Federal, norma 
fundante, é aquela que confere fundamento e validade a todas as demais, consideradas normas 
fundadas. Sendo assim, não se situa no mesmo plano hierárquico das normas infraconstitucionais e 
infralegais: ocupa, sozinha, o ápice do ordenamento jurídico. É, portanto, um diploma que goza de 
supremacia material e formal diante de todas as demais. Material porque em seu texto estão 
estruturados os temas mais essenciais para a organização do Estado. Formal porque suas normas são 
superiores e só podem ser modificadas por um rito mais solene e gravoso do que aquele previsto para os 
diplomas inferiores. 
QUESTÃO 03 
[CESPE - 2013 - STF - Analista Judiciário - Área Administrativa] Acerca do Estado federal brasileiro, tendo 
como referência a Constituição Federal de 1988 (CF), julgue o item a seguir: 
Dada a subordinação dos entes federados à força normativa da CF, seu preâmbulo deve ser 
obrigatoriamente reproduzido nas constituições estaduais. 
Comentário: 
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A assertiva é falsa. De acordo com entendimento firmado pelo STF, o preâmbulo não é norma jurídica e, 
tampouco, norma constitucional. Deste modo, não vincula as Constituições estaduais, que não estão 
obrigadas a reproduzi-lo. 
QUESTÃO 04 
[CESPE - 2016 - PGE-AM - Procurador do Estado] Julgue o item seguinte, relativos à aplicabilidade de 
normas constitucionais e à interação destas com outras fontes do direito: 
Embora o preâmbulo da CF não tenha força normativa, podem os estados, ao elaborar as suas próprias 
leis fundamentais, reproduzi-lo, adaptando os seus termos naquilo que for cabível. 
Comentário: 
Os Estados, ao elaborar suas Constituições, não estão obrigados a reproduzir o preâmbulo da 
Constituição Federal, vez que ele não possui força normativa. Sendo assim, nada impede que os Estados, 
caso optem por

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