Anotações de Patologia do Aparelho Reprodutor dos Animais Domésticos
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Anotações de Patologia do Aparelho Reprodutor dos Animais Domésticos


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Etiologia 
As orquites podem ser de natureza traumática ou infecciosa. As orquites traumáticas ocorrem em todos os 
animais domésticos. Além dos danos teciduais e circulatórios decorrentes, podem se sobrepor infecções 
secundários, agravando o processo. As orquites infecciosas, os agentes têm acesso ao testículo a partir de 
estruturas adjacentes (túnica vaginal, próstata, vesículas seminais, bexiga e ductos deferentes), seja por 
continuidade ou por extensão (refluxo do trato genito-urinário); ou, ainda, por via hematógena. 
A epididimite é mais freqüente que a orquite, embora esteja muitas vezes associada à inflamação das 
glândulas acessórias. Ao contrário da orquite, que é geralmente hematógena, a epididimite surge principalmente 
por disseminação de infecção no trato genito-urinário, apesar da existência de um mecanismo imune local de 
proteção. 
O epidídimo pode estar aumentado e macio (edema) no processo agudo ou firme e nodular (fibrose), no 
processo crônico. Ocorrem aderências fibrosas entre o epidídimo e a túnica vaginal, formação de granulomas 
espermáticos e abscessos. 
Entre os vários agentes infecciosos de orquite e epididimite, a BRUCELLA SP. é considerada a mais 
importante. A seguir, estão relacionados as principais espécies de Brucella relacionando à espécie que esta afeta 
com maior importância. 
\uf0d7 Brucella abortus: Infecta principalmente os bovinos, em menor intensidade os caprinos e 
ocasionalmente o cão e o homem. O processo é agudo. O animal torna-se estéril pois o exsudato inflamatório 
mistura-se ao sêmen, mesmo se for unilateral. O edema do escroto e a temperatura elevada provocam 
degeneração testicular. 
São descritas duas formas de orquite brucélica em bovinos: uma necrosante e uma fibrosa, com formação 
de granulomas. Na forma necrosante, há tumefação do testículo e epidídimo, a princípio de consistência amolecida 
e depois se tornando endurecida. A cavidade vaginal contém grande quantidade de material seropurulento, com 
flocos de fibrina; esta está distendida com exsudato fibrinopurulento e hemorragias. As outras camadas estão 
espessadas. Resulta em aderências entre as camadas parietal e visceral. O testículo apresenta, inicialmente, focos 
irregulares de necrose no parênquima. Estes focos se tornam confluentes e ocasionam, assim, a total necrose do 
testículo. As áreas de necrose podem se liquefazer com acúmulo de pus. 
A outra forma de orquite brucélica tem características de cronicidade mais evidente. O testículo 
apresenta-se bastante fibroso e contém numerosos granulomas miliares. Ocorre progressiva atrofia dos canalículos 
acompanhada de esclerose por cicatrização. 
\uf0d7 B. suis: As alterações causadas por esta espécie de Brucela em suínos caracterizam-se por orquite 
necrosante, com focos semelhantes a abscessos. A epididimite está associada à orquite nestes casos. 
\uf0d7 B. melitensis: acomete ovinos e caprinos e caracteriza-se por orquite e epididimite granulomatosas. 
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profª. Márcia de Figueiredo Pereira 
 
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\uf0d7 B. ovis: a epididimite é a lesão mais comum em carneiros com brucelose. Esta espécie de brucela 
acomete também os caprinos. 
\uf0d7 B. canis: é o principal agente da orquite brucélica em cães, embora estes também possam ser 
infectados pela B. abortus. A transmissão é venérea e ocasiona infertilidade nos cães acometidos. As alterações são 
do tipo intersticial, com infiltrado linfoplasmocitário, a necrótica, com vários focos de necrose disseminados e 
envolvem testículo e epidídimo. 
A TUBERCULOSE, cujo agente é o Mycobacterium sp., envolvendo os testículos e epidídimo é relativamente 
comum em bovinos e suínos. Geralmente a infecção surge por via hematógena, secundária a um processo 
tuberculoso em outro local do organismo. Também pode haver infecção por extensão de processos inflamatórios 
nas vias genitais inferiores (próstata, vesículas seminais). 
A orquite tuberculosa é do tipo granulomatosa. O epidídimo, no entanto, é mais freqüentemente atingido 
do que o testículo. O epidídimo encontra-se aumentado de volume e de consistência endurecida. A cabeça do 
epidídimo é o local mais afetado. À superfície de corte, observam-se nódulos miliares ou maiores, com caseificação 
e calcificação central. Também pode haver focos de amolecimento amarelados e caseosos, no interior dos ductos 
do epidídimo, os quais apresentam-se dilatados. Entre os focos, o tecido intersticial está fibroso e bastante 
espessado. No testículo, são observados dois tipos de alterações: a tuberculose miliar disseminada e a tuberculose 
crônica, caracterizada pela disseminação do processo para o interior dos túbulos. Na orquite tuberculosa miliar, são 
vistos tubérculos miliares e nodulares com caseificação e calcificação. Na orquite crônica progressiva, a 
participação do epidídimo é mais acentuada. Linhas de caseificação finas ou grosseiras irradiam-se da rede 
testicular para a periferia. 
Em bovinos, outros agentes bacterianos podem ser responsáveis por orquite, como o Actinomyces 
pyogenes, Streptococcus, Staphylococcus, E. coli e Proteus vulgaris. Estes agentes tipicamente piogênicos, podem 
ocasionar orquite intratubular a necrótica. 
Em eqüinos, a infecção pela Salmonella abortus equi causa orquite e epididimite intersticial. Os testículos 
estão aumentados de tamanho e a superfície de corte está saliente com ligeira turvação da estrutura. Os focos são 
caracterizados histologicamente por necrose dos túbulos, com destruição de células de revestimento 
(espermatogônias, espermatócitos, espermátides) e presença de bactérias no citoplasma e livres. Ainda em 
eqüinos, os agentes do mormo e do pseudomormo são algumas vezes incriminados pela ocorrência de orquite com 
típicos nódulos contendo material purulento. 
Outros agentes importantes de epididimite em caprinos e ovinos são: Actinobacillus seminis e 
Corynebacterium pseudotuberculosis 
Alguns vírus também podem ser responsáveis por orquite e epididimite nos animais doméstico. Entre ele, 
são importantes os herpesvírus em várias espécies, o vírus da diarréia viral bovina (BVD) e alguns enterovírus. Em 
cães, a CINOMOSE pode estar associada à ocorrência de orquite. A epididimite é mais comum e caracteriza-se pela 
presença de inclusões intranucleares e intracitoplasmática nas células epiteliais. Quando se desenvolve orquite e 
epididimite, a doença é de transmissão venérea. 
O parasito Strongylus edentatus já foi relacionado a orquite e epididimite em eqüinos. 
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Orquite e epididimite podem surgir também em resposta à ruptura da barreira hematotesticular, 
ocasionando uma resposta inflamatória contra os espermatozóides e levando ao aparecimento do granuloma 
espermático. 
\uf0b7 Classificação Morfológica da Orquite 
\uf0d7 Orquite intersticial (intertubular): pode ser confundida, à macroscopia, com a degeneração testicular. 
Microscopicamente, caracteriza-se por infiltrado mononuclear no estroma intertubular e fibrose. (inespecífica) 
\uf0d7 Orquite intratubular: macroscopicamente, há múltiplos focos amarelo esbranquiçados de até 1 cm no 
parênquima; à microscopia, observa-se obliteração do epitélio seminífero e substituição central por neutrófilos e 
detritos, cercados por células gigantes e mononucleares (granulomatoso). 
\uf0d7 Orquite necrótica: as principais causas são a brucelose, trauma ou isquemia; periorquite crônica 
grave (obstrução vascular). Macroscopicamente, caracteriza-se por massas necróticas secas, amarelas e 
calcificadas, na superfície de corte. Microscopicamente, há necrose de coagulação, cercada por fibrose e infiltrado 
mononuclear e pode haver abscessos e fístulas no escroto. 
\uf0d7 Orquite granulomatosa 
A membrana basal e o epitélio dos túbulos seminíferos, rete testis, ductos eferentes, epidídimo e ductos 
deferentes forma uma barreira impedindo a passagem de espermatozóides ao compartimento