Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Conteudista: Prof.ª Esp. Acacio Barros
Revisão Textual: Esp. Pérola Damasceno
Objetivos da Unidade:
Apresentar conceitos da epidemiologia populacional brasileira com enfoque na
terceira idade, identificando-a como parte crescente e importante da população
do Brasil;
Demonstrar as principais políticas públicas relacionadas à população idosa do
Brasil;
Conhecer a transição demográfica e nutricional brasileira relacionando-as com
as patologias preponderantes na população idosa.
📄 Material Teórico
📄 Material Complementar
📄 Referências
Epidemiologia do Envelhecimento e sua
Relação com a Nutrição
O Processo de Envelhecimento nos Seres Humanos
O envelhecimento é um processo natural e gradual pelo qual os seres vivos passam ao longo do
tempo, resultando em mudanças físicas, fisiológicas, psicológicas e sociais. É um fenômeno
complexo que afeta todos os organismos vivos, mas é mais notável nos seres humanos. É
considerado um processo sequencial, individual, acumulativo, irreversível, universal, não
patológico, de deterioração de um organismo maduro, próprio a todos os membros de uma
espécie, de maneira que o tempo o torne menos capaz de fazer frente ao estresse do meio-
ambiente e, portanto, aumente sua possibilidade de morte (OMS, 2007).
O envelhecimento pode ser influenciado por fatores genéticos, ambientais e comportamentais.
Fatores como estilo de vida, dieta, exercício físico, exposição a toxinas ambientais e cuidados
médicos podem afetar a forma como envelhecemos.
Embora o envelhecimento seja um processo natural e inevitável, a pesquisa científica e os
avanços na medicina buscam entender melhor os mecanismos do envelhecimento e
desenvolver estratégias para promover um envelhecimento saudável, aumentando a qualidade e
expectativa de vida à medida que as pessoas envelhecem. A área da ciência que estuda o
envelhecimento nos seres humanos é conhecida como Gerontologia. A gerontologia é o estudo
do processo de envelhecimento em todas as suas dimensões, incluindo as mudanças físicas,
mentais e sociais que ocorrem à medida que as pessoas envelhecem. É uma área multidisciplinar
que abrange diversos campos do conhecimento, como Medicina, Psicologia, Sociologia,
Enfermagem, Serviço Social, entre outros.
Página 1 de 3
📄 Material Teórico
Os gerontólogos podem ser de diferentes áreas de formação, como enfermeiros, psicólogos,
assistentes sociais e nutricionistas, e estes se dedicam a compreender os diferentes aspectos do
envelhecimento humano, procurando promover um envelhecimento saudável e melhorar a
qualidade de vida das pessoas idosas. Quando a gerontologia é estudada por um médico, é
conhecida como geriatria.
Existem dois tipos principais de envelhecimento: o envelhecimento cronológico, que se refere à
passagem do tempo desde o nascimento até o momento atual e é medido em anos e é inevitável
para todos os indivíduos; e o envelhecimento biológico que se refere às mudanças progressivas
que ocorrem no corpo à medida que envelhecemos. Essas mudanças incluem alterações nas
células, tecidos, órgãos e sistemas do corpo humano, e são diferentes entre os indivíduos.
Assim, o envelhecer das pessoas não ocorre de forma homogênea para todos e é influenciado
por diversos fatores, sendo os principais: a genética, os hábitos de vida, as condições sociais e
econômicas e aspectos culturais.
Os termos cronológico e biológico também estão ligados a outros dois termos muito
importantes no estudo do envelhecimento: a senilidade e a senescência. 
A senescência é um termo biológico mais amplo que se refere ao processo natural de
envelhecimento celular. A senescência celular é um estado em que as células param de se dividir
e entram em um estado de inatividade permanente, muitas vezes devido ao acúmulo de danos ao
DNA, estresse oxidativo ou outros fatores. Isso pode resultar na perda da capacidade das células
de funcionar adequadamente e contribuir para o envelhecimento do organismo como um todo.
Embora a senescência celular seja um processo natural, o acúmulo excessivo de células
senescentes pode estar ligado a várias doenças relacionadas à idade, como doenças
cardiovasculares, câncer, doenças neurodegenerativas e outras condições crônicas.
Já o termo senilidade é utilizado para descrever o declínio cognitivo associado à idade avançada,
especialmente no que diz respeito à memória, função mental e habilidades cognitivas. No
entanto, hoje em dia, o termo "senilidade" não é mais considerado clinicamente preciso ou
usado com frequência na área médica. Em vez disso, profissionais de saúde preferem usar
termos mais específicos, como demência ou comprometimento cognitivo relacionado à idade,
para descrever alterações significativas na função cognitiva associadas ao envelhecimento.
E quais Fatores Afetam o Envelhecimento?
A senilidade é um complemento da senescência no fenômeno do envelhecimento e está
relacionada as condições que afetam o indivíduo ao longo da vida, fundamentadas em
mecanismos patológicos: as doenças. As doenças no processo de envelhecimento são diversas e
impactam a qualidade de vida das pessoas idosas, mas não são universais. Essa diferença entre
envelhecimento saudável e patológico entre os indivíduos relaciona-se não apenas a genética
individual de cada indivíduo, mas também aos hábitos de vida durante a vida, e se relaciona à
epigenética. Epigenética é o estudo das mudanças herdáveis na expressão dos genes que
ocorrem sem alterações na sequência do DNA. Essas mudanças epigenéticas desempenham um
papel fundamental na regulação da atividade gênica e têm um impacto significativo no
desenvolvimento, na saúde e em processos biológicos ao longo da vida de um organismo.
O DNA de uma célula contém instruções genéticas que determinam suas características e
funções. No entanto, nem todos os genes são ativados o tempo todo, e é aí que a epigenética
Em Síntese
"Senilidade" costumava se referir ao declínio cognitivo associado à
idade, mas não é mais um termo amplamente usado na área médica
devido à sua imprecisão. "Senescência", por outro lado, descreve o
processo biológico de envelhecimento celular, que pode desempenhar
um papel importante no envelhecimento e no desenvolvimento de
doenças relacionadas à idade.
desempenha um papel importante. As mudanças epigenéticas podem influenciar como os genes
são "ligados" ou "desligados", afetando sua expressão sem alterar a sequência do DNA
subjacente.
Pesquisas atuais relacionam a epigenética ao envelhecimento patológico, sendo que a má
alimentação desempenha um papel significativo nesse processo. Uma dieta inadequada ao longo
da vida pode contribuir para o envelhecimento patológico de várias maneiras tais como:
Glossário
DNA: a palavra DNA, em inglês, significa Deoxyribonucleic Acid; e, em
Português, é Ácido Desoxirribonucleico – ADN. Sua definição
bioquímica é a de um composto orgânico cujas moléculas contêm
informação genética dos seres vivos.
Maior incidência de doenças crônicas relacionadas à dieta: uma dieta rica em
alimentos processados, açúcares adicionados, gorduras saturadas e pobre em
nutrientes essenciais está associada a um maior risco de doenças crônicas, como
doenças cardíacas, diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão e certos tipos de câncer;
Declínio cognitivo: estudos indicam que uma dieta pouco saudável, caracterizada
pela ingestão excessiva de alimentos processados, gorduras trans e açúcares, pode
estar relacionada a um maior risco de declínio cognitivo e demência em idades
avançadas. A falta de nutrientes essenciais, como vitaminas antioxidantes e ácidos
graxos ômega-3, pode afetar negativamente a saúde do cérebro;
Fragilidade e perda muscular: a ingestão inadequada de nutrientes, especialmente
proteínas ao longo do tempo pode contribuir para a sarcopenia (perda de massa
muscular) e fragilidade em idosos. A falta de proteínas, vitaminas e minerais
essenciais pode comprometer a saúde muscular e óssea, aumentando o risco de
quedas e fraturas;
Imunidadecomprometida: a alimentação deficiente em nutrientes essenciais
enfraquece o sistema imunológico, tornando os idosos mais suscetíveis a infecções
e doenças, afetando negativamente sua qualidade de vida.
Vídeo
Você Não Existiria sem Epigenética | Epigenética 2
Assista ao vídeo sobre os conceitos básicos da Epigenética.
Você NÃO existiria sem EPIGENÉTICA | Epigenética 2Você NÃO existiria sem EPIGENÉTICA | Epigenética 2
https://www.youtube.com/watch?v=F3Psi-CP6fs
É importante enfatizar que uma dieta balanceada e nutritiva ao longo da vida pode ajudar a
reduzir o risco de muitas doenças relacionadas à idade e contribuir para um envelhecimento
mais saudável. Incluir uma variedade de alimentos frescos, frutas, vegetais, grãos integrais,
proteínas magras, gorduras saudáveis e limitar a ingestão de alimentos processados, açúcares e
gorduras saturadas pode ter um impacto positivo na saúde geral e no processo de
envelhecimento.
Intervenções precoces, como orientação nutricional e programas de educação alimentar, podem
ajudar a melhorar os hábitos alimentares dos idosos e prevenir ou retardar o desenvolvimento
de doenças associadas ao envelhecimento patológico.
As Diferenças no Envelhecimento: o Exemplo das Zonas Azuis
Um exemplo científico de como a alimentação pode influenciar na qualidade de vida na
senescência são as chamadas Blue Zones ou Zonas Azuis. As "Blue Zones" são regiões no mundo
onde as pessoas têm uma taxa extraordinariamente alta de longevidade. Estas áreas foram
identificadas e estudadas pelo autor e pesquisador Dan Buettner, que viajou ao redor do mundo
para descobrir as semelhanças entre as comunidades que vivem nessas zonas e para entender
os segredos de sua longevidade. As Blue Zones são conhecidas por terem uma alta concentração
de centenários e pessoas que vivem saudavelmente até idades avançadas. As cinco Blue Zones
identificadas são:
Ogliastra, Sardenha, Itália: esta região montanhosa da
Sardenha tem uma alta taxa de homens centenários e é
conhecida por sua dieta mediterrânea, atividade física regular
e forte apoio social;
Ikaria, Grécia: a ilha grega de Ikaria é conhecida por ter uma alta concentração de
centenários. Estilo de vida ativo, dieta mediterrânea, baixos níveis de estresse e forte
apoio comunitário são fatores atribuídos à longevidade nesta região;
Essas comunidades compartilham características comuns, como uma dieta saudável rica em
vegetais, feijões e grãos integrais com pouca ou nenhuma carne vermelha, atividade física
regular, forte apoio social, sentido de propósito na vida e maneiras naturais de gerenciar o
estresse, que são consideradas contribuintes para sua longevidade notável. A pesquisa nessas
áreas continua a fornecer insights valiosos sobre o envelhecimento saudável e o estilo de vida.
Nicoya Península, Costa Rica: nesta península da Costa Rica, as pessoas têm uma
alta expectativa de vida. Uma dieta saudável, atividade física regular, forte apoio
social e uma atitude positiva em relação à vida são características comuns nesta
comunidade;
Loma Linda, Califórnia, EUA: Loma Linda é uma cidade na Califórnia, onde uma
comunidade adventista do sétimo dia vive. A dieta baseada em plantas, o descanso
regular no sábado (dia de sábado é observado como dia de descanso pelos
adventistas do sétimo dia), o apoio social e a conexão com sua fé são fatores
importantes para a longevidade nesta área;
Okinawa, Japão: a ilha de Okinawa, no Japão, é conhecida por ter uma alta
concentração de centenários. Uma dieta equilibrada com ênfase em vegetais e
alimentos ricos em nutrientes, atividade física regular, forte apoio social e um
sentido de propósito na vida são aspectos importantes do estilo de vida em Okinawa.
Figura 1 – Mapa mundial com as cidades chamadas de
Zonas Azuis em destaque
Fonte: Adaptada do Freepik
#ParaTodosVerem: mapa mundial com o oceano em azul contendo os cinco
continentes em verde e amarelo, representando em verde as áreas com
florestas; em amarelo áreas desérticas; e as 5 cidades da Zona Azul destacadas
com círculos brancos e nomeadas. No continente da América no Norte, à
esquerda, ao lado do oceano pacífico, está a cidade de Loma Linda, na Califórnia
(EUA). Descendo na América Central está a cidade de Nicoya, na Costa Rica. A
direita e em cima, no continente europeu, encontram-se as cidades da
Sardenha, na Itália, e Icaria, na Grécia. Mais à direita, no continente asiático, na
Ilha do Japão encontra-se a cidade de Okinawa. Fim da descrição.
Epidemiologia do Envelhecimento da População
Brasileira 
Segundo a legislação brasileira, é considerado idoso o cidadão com idade igual ou superior a 60
anos. Essa parcela da população brasileira está crescendo de forma intensa, e observa-se uma
desaceleração do crescimento populacional em nosso país, devido especialmente a queda nas
taxas de natalidade e mortalidade em todas as faixas etárias, o que resulta em maior expectativa
de vida das pessoas. 
No Brasil, o envelhecimento da população é uma realidade evidente. De acordo com dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022), o País passa por um rápido processo
de envelhecimento demográfico. O Censo Demográfico é a principal fonte de referência sobre as
condições de vida da população em todos os municípios do País e em seus recortes territoriais
internos. Os resultados do universo da população brasileira mostram que somos mais de 203
milhões de brasileiros e com aumento do índice de envelhecimento e diminuição nas taxas de
natalidade.
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
O envelhecimento da população brasileira é um fenômeno demográfico significativo que se
caracteriza pelo aumento da proporção de pessoas idosas em relação à população total do País.
Esse processo é resultado de vários fatores, incluindo a diminuição da taxa de natalidade, o
aumento da expectativa de vida e avanços na área da saúde que têm contribuído para um
envelhecimento populacional mais acentuado.
Site
Panorama do Censo 2022
Saiba mais sobre o Censo Demográfico e a população brasileira idosa
no Brasil.
https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/
O censo de 2022 mostrou que o percentual de idosos na população brasileira é o maior desde o
primeiro recenseamento realizado no Brasil, em 1972. No Brasil, o total de pessoas com 60 anos
ou mais de idade chegou a 32.113.490 (15,6% do total), um aumento de 56,0% em relação a 2010,
quando era de 20.590.597 (10,8%). A região Norte foi a região mais jovem: com 25,2% de sua
população com até 14 anos, e o Nordeste a seguir, com 21,1%. Já as regiões Sudeste e o Sul
apresentaram estruturas mais envelhecidas: 12,2% e 12,1% da sua população tinham 65 anos ou
mais de idade, respectivamente. A idade mediana da população brasileira aumentou 6 anos desde
2010 e atingiu os 35 anos em 2022.
O índice de envelhecimento é calculado pela razão entre o grupo de pessoas de 65 anos ou mais
de idade em relação à população de 0 a 14 anos. O índice de envelhecimento, considerando-se a
população com 60 anos ou mais, chegou a 80 em 2022, com 80 pessoas idosas para cada 100
crianças de 0 a 14 anos. Em 2010, o índice de envelhecimento correspondia a 44,8. No Rio Grande
do Sul (115,0) e Rio de Janeiro (105,9), o número de idosos de 60 anos ou mais ultrapassou o de
crianças de 0 a 14 anos.
Assim, vemos uma importante mudança epidemiológica na população brasileira. Em 1980, o
Brasil tinha 4,0% da população com 65 anos ou mais de idade; já em 2022 esse valor é de 10,9%,
o maior percentual encontrado nos Censos Demográficos. No outro extremo da pirâmide etária,
o percentual de crianças de até 14 anos de idade era de 38,2% em 1980 e passou a 19,8% em
2022. Percebe-se, portanto, que há um envelhecimento populacional, verificado na redução da
proporção da população mais jovem em detrimento do aumento da população mais velha. O
gráfico da pirâmide etária do último censo apresentado a seguir, demonstra essa modificação.
Figura 2 – Faixa etária da população brasileirapor idade e
sexo nos anos 2010 e 2022
Fonte: IBGE, 2022
#ParaTodosVerem: gráfico de pirâmide com barras horizontais mostrando a
porcentagem de idosos no Brasil comparativamente nos anos de 2010 e 2022. À
esquerda, em linhas cheias azuis, está demonstrada a população masculina,
com azul mais escuro sendo o ano de 2022 e azul mais claro o ano de 2010. Já as
barras do lado direito têm linhas laranjas representando a população feminina,
com barras laranja-escuro representando o ano de 2022 e laranja-claro
representando o ano de 2010. As barras da esquerda azuis mais escuras são
menores que as barras azuis mais claras, especialmente na base da pirâmide. As
barras da direita laranja mais escuras são menores na base da pirâmide que as
laranja clara e são maiores no ápice da pirâmide, demonstrando que há pessoas
com mais idade em 2022. Fim da descrição.
Figura 3 – Faixa etária da população brasileira entre os
anos 1980 e 2022
Fonte: IBGE, 2022
#ParaTodosVerem: gráfico de barras horizontais mostrando 5 linhas com
barras de idades da população brasileira nos anos de 1980, 1991, 2000, 2010 e
2022. A barra mais superior representa o ano de 1980 e tem uma parte da barra
de cor azul-escuro com 38,2% de pessoas com 0 a 14 anos, uma parte da barra
de cor azul–claro representando 57,7% de pessoas com idade entre 15 e 64 anos
e o final da barra de cor preta com 4% de pessoas com mais de 65 anos de idade.
A segunda barra representa o ano de 1991 e tem uma parte da barra de cor azul-
escuro com 34,7% de pessoas com 0 a 14 anos, uma parte da barra de cor azul-
claro representando 60,4% de pessoas com idade entre 15 e 64 anos e o final da
barra de cor preta com 4,8% de pessoas com mais de 65 anos de idade. A terceira
barra, de cima para baixo, representa o ano 2000 e tem uma parte da barra de cor
azul-escuro com 29,6% de pessoas com 0 a 14 anos, uma parte da barra de cor
azul-claro representando 64,5% de pessoas com idade entre 15 e 64 anos e o
final da barra de cor preta com 5,9% de pessoas com mais de 65 anos de idade. A
quarta barra, de cima para baixo, representa o ano 2010 e tem uma parte da barra
de cor azul-escuro com 24,1% de pessoas com 0 a 14 anos, uma parte da barra
de cor azul-claro representando 68,5% de pessoas com idade entre 15 e 64 anos
e o final da barra de cor preta com 7,4% de pessoas com mais de 65 anos de
idade. A quinta barra, a mais inferior de todas, representa o ano 2022, e tem uma
parte da barra de cor azul-escuro com 19,8% de pessoas com 0 a 14 anos, uma
parte da barra de cor azul-claro representando 69,3% de pessoas com idade
entre 15 e 64 anos e o final da barra de cor preta com 10,9% de pessoas com
mais de 65 anos de idade. Fim da descrição. 
E esse aumento da expectativa de vida não irá diminuir, muito pelo contrário: as estimativas
apontam que em 2040 teremos pelo menos 30% da população constituída por idosos acima de
60 anos e quase 10% por pessoas muito idosas, acima dos 80 anos. Isso constituirá mais de 40%
da população! Já para 2060, as estimativas sugerem que aproximadamente 1/3 da população
brasileira será de pessoas idosas, o equivalente a 73 milhões de brasileiros. A expectativa do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que, até 2055, o número de pessoas
com mais de 60 anos supere o de brasileiros com até 29 anos. Estamos nos tornando um País
com maioria de pessoas idosas.
Políticas Públicas para a População Idosa no Brasil
Historicamente, na maioria dos países ocidentais os idosos não tinham prioridade, seja em
termos legais ou políticas públicas. Entretanto, o crescente envelhecimento da população global
levou a Organização das Nações Unidas, no ano de 1982, a organizar a I Assembleia Mundial
sobre o Envelhecimento, que ocorreu na cidade de Viena. Esse evento representou um marco
mundial ao iniciar discussões específicas sobre os desafios e questões relacionadas aos idosos,
contando com a participação de 124 países, incluindo o Brasil.
Em nosso país, diante do envelhecimento da população há uma crescente necessidade de
políticas públicas que visem à promoção de saúde e ao envelhecimento saudável. Essa parcela
populacional compreende cidadãos que necessitam de amparo governamental de maneira mais
intensiva através de serviços sociais, de saúde e de proteção. 
São inúmeros os desafios e questões relacionadas à população idosa no Brasil. Dentre eles,
podem ser citadas a necessidade de políticas públicas com maior demanda de serviços de saúde
específicos e a sustentabilidade dos sistemas de previdência social, que uma preocupação,
especialmente porque o número de aposentados está aumentando em relação à população
economicamente ativa; a inclusão social dos idosos é crucial para garantir que eles continuem
ativos na sociedade. Isso inclui acesso a atividades recreativas, educacionais e culturais e
transporte e Infraestrutura visto que acessibilidade é uma preocupação, tanto em termos de
transporte público quanto de infraestrutura, para garantir que os idosos possam se movimentar
com segurança e ter qualidade de vida.
No relatório de qualidade de vida para idosos do Global Age Watch, 2014, o Brasil ocupa a 58º em
um ranking de 96 países. Para chegar nesse resultado, a pesquisa levou em consideração fatores
como expectativa de vida, bem-estar psicológico, renda, transporte e segurança. Porém, em
matéria de segurança de renda, o País aparece em 14º lugar. A cobertura de aposentadorias é um
dos principais motivos para isso – cerca de 86,3% da população acima dos 60 anos têm uma
renda fixa.
A aposentadoria é uma das conquistas de política pública para os idosos em nosso país. No
Brasil, as políticas de saúde brasileiras tiveram forte incentivo com o direito universal e integral
à saúde promulgado na Constituição de 1988 e reafirmado com a criação do Sistema Único de
Saúde (SUS), por meio da Lei Orgânica da Saúde n.º 8.080/90. 
Já o desenvolvimento das políticas públicas para idosos é mais recente, e foi instituída
nacionalmente em 1994 com a Política Nacional do Idoso (PNI) regulamentada pelo Decreto n.
1948, de 03 de junho de 1996. Essa política assegura direitos sociais à pessoa idosa, ao criar
condições para promover sua autonomia, sua integração e sua participação efetiva na sociedade
e reafirmar seu direito à saúde nos diversos níveis de atendimento do SUS. 
Aliada a ela, vieram o Estatuto da Pessoa Idosa, em 2003, e a Política Nacional da Pessoal Idosa,
em 2006, que, juntas, incentivam a promoção de saúde e o envelhecimento ativo da população
brasileira. O Estatuto da Pessoa Idosa, promulgado na Lei n.º 10.741/2003, garantiu inúmeros
direitos aos idosos, como a gratuidade de medicamentos e transporte público. Foi uma iniciativa
inovadora na garantia de direitos da pessoa idosa, fruto de forte mobilização da sociedade, e
abrange as seguintes dimensões:
Segundo o Art. 3º da Constituição Federal de 1988, é obrigação da família, da comunidade, da
sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso a efetivação do direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à
dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. 
O Estatuto também assegura a proteção integral a saúde do idoso e o direito à alimentação. Os
alimentos aos idosos devem ser prestados na forma da lei civil, sendo obrigação solidária,
podendo o idoso optar entre os prestadores, sejam eles filhos, netos, bisnetos e outros
descendentes, desde que maiores de idade. Se o idoso ou seus familiares não possuírem
condições econômicas de prover seu sustento, impõe-se ao Poder Público esse provimento, no
âmbito da assistência social.
Direito à vida;
À liberdade;
Ao respeito;
À dignidade;
À alimentação;
À saúde;
À convivência familiar;
À convivência comunitária.
Além do Estatuto do Idoso, outros programas também visam auxiliar a pessoa idosa, podendo
citar como principais:
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Programas de Transferênciade Renda: o governo brasileiro
possui programas como o Benefício de Prestação Continuada
(BPC) que oferecem assistência financeira a idosos em situação
de vulnerabilidade;
Saúde da Família: o Programa Saúde da Família (PSF) tem sido fundamental para
oferecer cuidados de saúde primários aos idosos em suas comunidades;
Cidades Amigas dos Idosos: algumas cidades brasileiras estão adotando o conceito
de "Cidades Amigas dos Idosos", que se concentra em tornar os espaços urbanos
mais acessíveis e inclusivos para os idosos.
Leitura
Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas
https://www.paho.org/pt/topicos/cidades-e-comunidades-amigas-das-pessoas-idosas
A Relação das Políticas Públicas para Idosos e a
Alimentação
As políticas públicas desempenham um papel crucial na formulação de estratégias e diretrizes
relacionadas à alimentação, com o objetivo de melhorar a segurança alimentar, promover dietas
saudáveis, garantir o acesso equitativo aos alimentos e abordar questões sociais e ambientais na
cadeia alimentar. 
Existem várias implicações das políticas públicas com interferências sociais, econômicas e de
saúde associadas ao envelhecimento da população. E a alimentação é uma delas. Comer é um ato
político e essa frase destaca como nossas escolhas alimentares e o sistema em que elas estão
inseridas são influenciados e moldados por decisões políticas e sociais. Ela ressalta a
interconexão entre comida, política, sociedade e meio ambiente.
 Vários fatores relacionados à alimentação estão ligados ao envelhecimento e precisam ser
atendidos por programas governamentais. Dentre eles, podemos citar as sociais, econômicas e
relacionadas a saúde, listadas a seguir:
Implicações Sociais:
Familiares: o número de famílias multigeracionais pode
aumentar, com várias gerações vivendo sob o mesmo teto para
cuidar dos idosos;
Pensões e Previdência: o sistema de previdência social pode enfrentar pressões
significativas à medida que mais pessoas se aposentam e passam a depender de
pensões e assistência social;
Cuidados aos Idosos: a demanda por serviços de cuidados a idosos, seja em
instituições especializadas ou em casa, aumenta à medida que a população
envelhece. Isso coloca pressão sobre os sistemas de saúde e da família.
Implicações Econômicas:
Implicações de Saúde:
Para lidar com essas implicações, os governos e as comunidades precisam implementar
políticas que apoiem os idosos, promovam um envelhecimento saudável, proporcionem acesso
a cuidados de saúde adequados e garantam a sustentabilidade dos sistemas de previdência
social. Além disso, é importante promover uma cultura de respeito e inclusão para os idosos,
reconhecendo suas contribuições para a sociedade e garantindo que eles tenham acesso às
mesmas oportunidades e serviços que outras faixas etárias.
Além dessa integração no contexto social, e como forma de prevenção e promoção de saúde, o
Ministério da Saúde implementou também o Guia Alimentar para a População Brasileira, que
apresenta informações e recomendações sobre alimentação sustentável e valorizando as
culturas regionais. Sua existência corrobora que a melhoria nas condições de alimentação dos
cidadãos pode promover um envelhecimento saudável e ainda prevenir uma em cada cinco
mortes (CNS, 2020). 
Força de Trabalho: o envelhecimento da população pode levar a uma diminuição da
força de trabalho ativa, o que pode afetar o crescimento econômico, especialmente
se não houver políticas eficazes para envolver os trabalhadores mais velhos;
Gastos com Saúde: as despesas com saúde tendem a aumentar à medida que as
pessoas envelhecem, devido ao aumento das doenças crônicas e da necessidade de
cuidados médicos especializados.
Doenças Crônicas: o envelhecimento está frequentemente associado a um aumento
nas doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, demência e câncer, o que requer
cuidados médicos a longo prazo;
Saúde Mental: questões de saúde mental, como depressão e demência, tornam-se
mais prevalentes em populações idosas, exigindo mais recursos para cuidados e
apoio psicológico.
O Guia Alimentar para a População Brasileira é um documento produzido pelo Ministério da
Saúde do Brasil que oferece orientações sobre alimentação saudável e equilibrada. O Guia aborda
diversas informações importantes para promover hábitos alimentares mais saudáveis. Suas
recomendações mostram que para uma boa alimentação devem estar em sintonia com seu
tempo de vida e que a cultura alimentar deve ser respeitada para cada região do País. Embora não
haja um guia voltado a população idosa, há o Protocolo de Uso do Guia Alimentar para a
População Brasileira na Orientação Alimentar da Pessoa Idosa para a população idosa com
objetivo de ser um instrumento de apoio à prática clínica no cuidado individual na Atenção
Primária à Saúde (APS). Ele traz uma ferramenta útil em forma de fluxograma para fazer as
orientações alimentares partir da verificação dos hábitos alimentares do paciente. 
Figura 4 – Fluxograma direcional de conduta para
orientação alimentar da pessoa idosa
Fonte: BRASIL, 2021 
#ParaTodosVerem: fluxograma com retângulos e losangos contendo as etapas
para avaliação do consumo alimentar da pessoa idosa na Atenção Básica. Fim da
descrição.
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Todas essas políticas têm relação com a alimentação, já que é consenso entre especialistas de
saúde, que uma alimentação saudável e equilibrada em nutrientes faz parte dessa qualidade do
envelhecimento. Assim, podemos destacar como importância das políticas públicas para a saúde
e segurança alimentar da população idosa os seguintes aspectos:
Leitura
Protocolo de Uso do Guia Alimentar para a População Brasileira na
Orientação Alimentar da Pessoa Idosa
Promoção de saúde por meio de educação alimentar e
nutricional em diferentes locais assistidos pelo SUS;
Formação dos profissionais com relação ao conhecimento sobre o envelhecimento
e a importância da alimentação adequada nutricionalmente para a prevenção de
doenças;
Contínua rede de assistência à saúde do idoso e organização das modalidades
assistenciais relacionadas a alimentação, internação, atendimento nas UBS e
atendimento domiciliar para controle e tratamento de doenças crônicas não
transmissíveis.
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/protocolo_guia_alimentar_fasciculo2.pdf
Políticas públicas são essenciais para enfrentar desafios relacionados à alimentação e têm o
potencial de impactar positivamente a saúde pública, a sustentabilidade ambiental, a equidade
social e a economia local e global. O desenvolvimento e a implementação eficaz dessas políticas
muitas vezes exigem cooperação entre governos, setor privado, sociedade civil e comunidades
locais para garantir resultados significativos e sustentáveis.
Transição Nutricional no Brasil
A população brasileira sofreu diversas mudanças nos últimos cinquenta anos, e hoje
caracteriza-se como uma população em transição epidemiológica. Esse conceito refere-se às
mudanças no comportamento da mortalidade e morbidade da população proposto por Omram
(1971). Para ele, as mudanças nos padrões de saúde e doença afetam a demografia de uma
população e, como consequência, temos diminuição da mortalidade por doenças infecto
contagiosas e aumento das doenças crônicas não transmissíveis.
Reflita
A população idosa brasileira está aumentando, mas as ações públicas
com promoção de saúde para a terceira idade ainda são insuficientes.
Qual o papel do gerontólogo no envelhecimento saudável? Como a
sociedade e o Governo podem agir em prol da saúde da população
idosa?
Além da mudança no perfil etário dos brasileiros, a transição nutricional também ocorre e se
refere às mudanças nos padrões de saúde e alimentação de uma população ao longo do tempo.
No caso do Brasil, tem havido uma transição significativa tanto no perfil de doenças quanto nos
hábitos alimentares ao longo das últimas décadas.
A transição nutricional é um processo no tempoque corresponde às mudanças de padrões
nutricionais de populações, essencialmente determinadas por alterações na estrutura da dieta e
na composição corporal dos indivíduos, resultando em importantes modificações no perfil de
saúde e nutrição (KAC; VELÁSQUEZ-MELÉNDEZ).
Devido à transição nutricional, o perfil epidemiológico da população idosa é caracterizado pela
tripla carga de doenças com forte predomínio das condições crônicas, prevalência de elevada
mortalidade e morbidade por condições agudas decorrentes de causas externas e agudizações de
condições crônicas. 
Glossário
Epidemiologia: etimologia (origem da palavra epidemiologia). De
epidemia: epidem(ia) + o + logia. A Epidemiologia é a ciência que estuda
a distribuição e os determinantes dos problemas de saúde em
populações. Ramo da Medicina capaz de analisar os distintos fatores
que interferem na disseminação de doenças, na maneira como estas se
propagam ou na forma como devem ser prevenidas e/ou tratadas;
estudo das epidemias.
As condições crônicas da população idosa brasileira estão ligadas às Doenças Crônicas Não
Transmissíveis (DCNTs). Talvez não conheça o termo, mas muito provavelmente conhece
alguém com uma dessas doenças. Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) são um grupo
de condições de saúde de longa duração e geralmente de progressão lenta. Elas não são
transmitidas de pessoa para pessoa, ao contrário de doenças infecciosas, e incluem uma
variedade de problemas de saúde que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. As principais
DCNTs são as doenças cardiovasculares, hipertensão, câncer, diabetes e doenças metabólicas
(obesidade, diabetes, dislipidemia). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), elas são
responsáveis por 63% das mortes no mundo e são a causa de 74% dos óbitos entre brasileiros.
Para a população idosa, o aumento das doenças crônicas não transmissíveis metabólicas –
Diabetes Melito, Hipertensão e Dislipidemias – além de aumentarem a morbidade, constituem-
se nas maiores causas de diminuição da capacidade funcional, aumento da dependência para
atividades de vida diária e uma diminuição geral da qualidade de vida. 
O processo de transição nutricional dá-se, no Brasil, a partir das modificações do padrão
alimentar brasileiro com a diminuição de alimentos in natura e aumento dos industrializados.
Além das alterações no padrão alimentar, dentre os principais fatores dessa transição
nutricional, temos também as mudanças sociais e geopolíticas com menor acesso a alimentos in
natura do campo, redução na prática de atividades físicas com maior carga de trabalho diária e
inserção da mulher no mercado de trabalho, o que fez com que houvesse a busca de maior
praticidade nas refeições com alimentos industrializados e almoços em restaurantes. Assim,
observamos na população redução na taxa de desnutrição, principalmente em crianças, e
aumento na prevalência de excesso de peso. 
As estatísticas de causas de mortalidade refletem essas mudanças alimentares. Dados apontam
que até meados de 1940 havia predomínio das doenças infecciosas e parasitárias como principal
causa de morte (BAYER; GOES, 1984). Atualmente, a principal causa de morte são as doenças
crônicas, especialmente as doenças cardiovasculares associadas à má alimentação e obesidade.
Essa condição se consolidou como agravo nutricional associado a uma alta incidência de
obesidade, doenças cardiovasculares, câncer e diabetes, influenciando, desta maneira, no perfil
de morbimortalidade das populações.
Atualmente, de acordo com a Pesquisa Vigitel (BRASIL, 2023), 56,8% dos brasileiros estão com
excesso de peso. O percentual representa a soma das pessoas com sobrepeso e com obesidade,
ou seja, com índice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 25. A taxa chega a 68,5% na faixa
etária com idade entre 45 e 54 anos e a 40,3% entre os mais jovens, com 18 a 24 anos. Em relação
ao sobrepeso, a frequência de excesso de peso foi de 61,4%, sendo maior entre os homens
(63,4%) do que entre as mulheres (59,6%). No total da população, a frequência dessa condição
aumentou com a idade até os 54 anos e reduziu um pouco na população idosa. Entretanto, os
dados demonstrados nos gráficos a seguir apontam que 60,9% da população acima de 65 anos
está com sobrepeso. A frequência de obesidade tendeu a ser maior nas faixas etárias com a idade
até os 54 anos na população total e para os homens, e até 64 anos para mulheres. Os dados
apresentados na Figura 5 mostram que 20,9% da população acima de 65 anos está com
obesidade.
Figura 5 – Gráficos demonstrando a prevalência de
sobrepeso e obesidade na população brasileira
Fonte: SISVAN, 2023
#ParaTodosVerem: gráfico de rosca setorizado em cores. Laranja
representando 2,17% da população com baixo peso, azul esverdeado
representando 31,32% da população com peso adequado, azul-escuro
representando 34,63% da população com sobrepeso e azul-claro representando
31,88% da população com obesidade. A partir do azul-claro, que demonstra os
31,88% da população com obesidade, há um novo gráfico em meia rosca
setorizado em cores. O vermelho claro indica que 20,04% da população está em
sobrepeso, o vermelho intermediário indica que 7,77% da população está em
situação de obesidade moderada e o vermelho-escuro indica que 4,07 da
população está com índice de obesidade mórbida. Fim da descrição. 
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Tabela 1 – Demonstração da prevalência de sobrepeso na população
brasileira de adultos com mais de 18 anos
Podcast
Podcast Prato Cheio
Para seguir aprendendo mais sobre a transição nutricional ocorrida no
Brasil, ouça os episódios do Podcast Prato Cheio, que apresenta
mudanças importantes na alimentação devido à industrialização.
https://ojoioeotrigo.com.br/2021/04/a-moca-da-lata/
Fonte: BRASIL, 2023 
Tabela 2 – Demonstração da prevalência de obesidade na população
brasileira de adultos com mais de 18 anos
Fonte: BRASIL, 2023
Em relação à Diabetes Melitus Tipo 2, 10,3% da população tem diagnóstico médico de diabetes.
Os grupos mais afetados são pessoas com 65 anos ou mais (26,2%) e pessoas com até oito anos
de escolaridade (15,7%). Quando se trata de hipertensão arterial, 26,6% dos brasileiros
receberam o diagnóstico, com maiores prevalências entre mulheres (30,8%), idosos com mais
de 65 anos (62,5%) e aqueles com até oito anos de escolaridade (38%). Entre os mais
escolarizados, a prevalência cai para menos da metade (15,6%).
Tabela 3 – Demonstração da prevalência de Diabetes mellitus tipo 2 na
população brasileira de adultos com mais de 18 anos
Fonte: BRASIL, 2023
Padrões Alimentares na Terceira Idade
O padrão alimentar da população idosa pode variar consideravelmente de acordo com fatores
como cultura, acesso a alimentos, condições socioeconômicas, estado de saúde e preferências
individuais. No entanto, existem certos aspectos gerais que podem ser observados no padrão
alimentar da população idosa, dentre eles, a baixa ingestão de alimentos mais duros, preferência
por alimentos hipercalóricos e palatáveis e por refeições rápidas devido a possível isolamento
social.
O arroz com feijão é uma combinação clássica e muito popular na culinária brasileira,
considerada uma base alimentar tradicional em grande parte do País. Esse prato simples, porém,
nutritivo, é uma parte fundamental da dieta diária de muitos brasileiros e está presente em
diversas refeições. Esse é um prato adequado nutricionalmente, mas tem diminuído na
alimentação do brasileiro e o mesmo ocorre com a população idosa.
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Leitura
Salvar o Feijão e o Arroz é Retomar a Função Social da Alimentação
Reflita sobre os fatores que podem contribuir para a diminuição do
arroz e feijão entre a população brasileira.
https://diplomatique.org.br/feijao-arroz-alimentacao-seguranca-alimentar/
Figura 6 – Exemplo de prato típico brasileiro e
nutricionalmente adequado
Fonte: Getty Images
#ParaTodosVerem: foto com fundo azul eum prato branco. No prato, há cinco
porções de alimentos divididos em porções, sendo arroz branco, feijão-carioca,
um filé de frango grelhado, farofa e salada de cenoura e alface ralados com
pedaços em cubos pequenos de tomate. Fim da descrição. 
Leitura
Guia Alimentar para a População Brasileira 
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
A pesquisa VIGITEL, de 2023, mostrou que menos da metade da população no Brasil (45,5%)
consome verduras e legumes cinco vezes ou mais na semana. Isso mostra que o consumo
continua baixo entre os brasileiros, apesar de ter aumentado no último ano após uma queda
expressiva durante a pandemia (aumento de 15,2% entre 2022 e 2023). A faixa etária que mais
consome esses alimentos é a das pessoas com 65 anos ou mais, onde 45,5% consumem
verduras e legumes na frequência semanal recomendada.
Apesar da transição nutricional, o padrão de consumo alimentar da pessoa idosa brasileira ainda
é caracterizado pelo maior consumo de alimentos in natura, principalmente feijão e arroz,
seguido de carnes e leite. Ao mesmo tempo, há baixa ingestão e frutas, verduras e legumes e
aumento dos alimentos ultraprocessados que contribuem com cerca de 15% das calorias
consumidas. Estudos realizados com brasileiros acima de 60 anos apontam também que é
comum entre as pessoas idosas a troca de refeições principais por lanches e outros alimentos
com baixo valor nutritivo, como salsichas e presunto (IBGE, 2020).
Acesse o guia para conhecer mais sobre as regionalidades da
alimentação no Brasil.
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf
Figura 7 – Imagem ilustrativa de homem idoso fazendo
refeição sozinho
Fonte: Getty Images
#ParaTodosVerem: foto com homem idoso ao centro, sentado em uma cadeira
na cozinha, vestindo camisa azul de manga longa, com hambúrguer na mão
direita olhando para a frente. Fim da descrição. 
Esses dados de alimentação são um alerta para cuidados da saúde do idoso. Isto poque os
estudos epidemiológicos mostram que a má alimentação tem relação direta com a incidência de
doenças crônicas não transmissíveis, e essas são a maior causa de mortalidade no mundo
atualmente.
A alimentação das pessoas idosas deve ser equilibrada em nutrientes como em todas as fases da
vida do ser humano, mas devem ser considerados aspectos como hábitos culturais e religiosos,
fatores psicológicos, problemas de saúde e condições financeiras. Assim, os hábitos
alimentares da população idosa estão relacionados principalmente a fatores fisiológicos,
econômicos e biopsicossociais, conforme observa-se a seguir:
Outro ponto importante de atenção na alimentação dos idosos são as características fisiológicas
e sociais que podem interferir na alimentação. Perda de apetite é uma alteração fisiológica bem
frequente e pode estar relacionada a fatores como dificuldade de mastigação, uso de
medicamentos, diminuição de sensibilidade gustativa e até depressão. Idosos que moram
sozinhos tendem a comer mais alimentos de baixo valor nutritivo e industrializados devido,
principalmente, a dificuldades de ir ao supermercado por falta de alguém que os leve ou falta de
motivação para fazer a própria comida.
Os hábitos alimentares apresentam-se como fatores de risco para as doenças crônicas não
transmissíveis, mas mudanças decorrentes do processo de envelhecimento podem ser
atenuadas com uma dieta balanceada nos aspectos dietéticos e nutritivos. Como vimos, esses
hábitos influenciam a Epigenética e, consequentemente, a nossa saúde.
Fisiológicos: redução do apetite, dificuldades na deglutição e diminuição de
gustação e olfato;
Econômicos: diminuição da capacidade financeira para comprar alimentos in
natura e maior acesso a alimentos industrializados e de menor valor aquisitivo;
Biopsicossociais: perda da capacidade de cozinhar seu próprio alimento, solidão e
falta de motivação para preparar alimentos e desmotivação psicológica associada a
quadros depressivos.
Vídeo
Cientistas Descobrem Genes Responsáveis pela Longevidade e
A obesidade está relacionada a uma variedade de complicações que podem afetar diferentes
sistemas do corpo, incluindo questões metabólicas, sanguíneas, urinárias, respiratórias e
ósseas. Para evitar o declínio funcional progressivo em idosos com obesidade, é crucial
introduzir intervenções no estilo de vida. Isso inclui a redução da ingestão diária de calorias,
combinada a um programa de exercícios físicos.
Evidências apontam que o consumo nutricional inadequado entre idosos pode agravar os
quadros de obesidade. Além disso, a carência nutricional é mais comum nessa faixa etária,
tornando fundamental uma atenção redobrada à alimentação equilibrada e rica em nutrientes
essenciais para manter a saúde e a qualidade de vida.
Embora tenhamos adquirido um conhecimento relativo sobre os padrões que determinam e
distribuem a obesidade, é de suma importância priorizar a integração de práticas clínicas com a
Resistência em Idosos
Cientistas descobrem genes responsáveis pela longevidade e resiCientistas descobrem genes responsáveis pela longevidade e resi……
https://www.youtube.com/watch?v=k1IrotCs5F4
educação nutricional. Há ainda muito a ser feito por profissionais, especialmente gerontólogos
de diversas áreas, no que tange à prevenção e intervenção em idosos.
É essencial um acompanhamento das políticas públicas e um monitoramento constante dos
padrões alimentares, incentivando práticas alimentares saudáveis entre essa parcela da
população brasileira. O objetivo é reduzir os efeitos adversos de uma alimentação desequilibrada
na saúde geral e na incidência de doenças crônicas não transmissíveis, que são tão prevalentes
entre os idosos.
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
  Site  
Projeção da População
Site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística com a projeção da população do Brasil e das
Unidades da Federação.
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
  Leitura  
Documento da Política Nacional da Pessoa Idosa
Página 2 de 3
📄 Material Complementar
https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pesquisa/53/49645?ano=2047
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Alimentação Saudável para Pessoa Idosa: um Manual para
Profissionais de Saúde
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Orientações para Avaliação de Marcadores de Consumo
Alimentar na Atenção Básica 
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2014/10/pol--tica-nacional-de-sa--de-da-pessoa-idosa.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/alimentacao_saudavel_idosa_profissionais_saude.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/marcadores_consumo_alimentar_atencao_basica.pdf
BAYER, G. F.; GOES, S. Mortalidade nas capitais brasileiras 1930-1980. RadisDados, Rio de
Janeiro, v. 7, p. 1-8, 1984. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília:
Ministério da Saúde; 2014. Disponível em:
.
Acesso em: 10/01/2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos de uso do Guia Alimentar para a população brasileira
na orientação alimentar da população idosa. Ministério da Saúde, Universidade de São Paulo.
Brasília: Ministério da Saúde, 2021. 15p. Disponível em:
.
Acesso em: 10/01/2024. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Alimentação saudável para a pessoa idosa: um manual para
profissionais de saúde. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Brasília:
Editora do Ministério da Saúde, 2009. Disponível em:
. Acesso em: 10/01/2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Previne Brasil. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para
Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL). 2023. Disponível em:. Acesso
em: 10/01/2024.
Página 3 de 3
📄 Referências
BORTOLINI, G. A.; DE LIMA, A. M. C.; MARINHO, P. A. S.; DE ANDRADE, G. C. L.; PIRES, A. C. L.;
BERNARDES, M. S.; BRESSAN, L. Â. Perspectivas atuais da Política Nacional de Alimentação e
Nutrição: no contexto da pandemia de Covid-19. Alimentação, Nutrição & Saúde, v. 17, p. 65611,
2022. Disponível em: . Acesso em: 10/01/2024.
CASTRO, L. C. V.; FRANCESCHINI, S. C. C.; PRIORE, S. E.; PELÚZIO, M. C. G. Nutrição e doenças
cardiovasculares: os marcadores de risco em adultos. Rev Nutr., v. 17, n.º 3, pp. 369-77, 2004.
Disponível em: . Acesso em:
10/01/2024.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico 2020: resultados do
universo. Disponível em . Acesso em: 10/01/2024.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde: 2020.
Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. Rio de Janeiro, 2020.
KAC, G.; VELÁSQUEZ-MELÉNDEZ, G. A transição nutricional e a epidemiologia da obesidade na
América Latina. Cadernos de Saúde Pública, v. 19, p. S4-S5, 2003. Disponível em:
. Acesso em: 10/01/2024.
LIMA-COSTA, M. F.; MAMBRINI, J. V.; ANDRADE, B. F.; SOUZA, P. R. B.; VASCONCELLOS, M. T. L.;
NERI, A. L.; CASTRO-COSTA, E.; MACINKO, J.; DE OLIVEIRA, C. C. The Brazilian Longitudinal Study
of Ageing (ELSI-Brazil). Int J Epidemiol. 2022. Disponível em:
. Acesso em: 10/01/2024.
MENDES, T. D. A. B.; WAKSMAN, R. D.; FARAH, O. G. Geriatria e gerontologia. 2014.
NUNES, B. P. et al. Multimorbidade em indivíduos com 50 anos ou mais de idade: ELSI-Brasil.
Revista de Saúde Pública, v. 52, p. 10s, 2018. Disponível em:
. Acesso
em: 10/01/2024.
OMRAM, A. R., 1971. The epidemiologic transition: a theory of the epidemiology of population change.
Milbank Memorial Fund Quarterly, 49 (Part 1): 509-538. 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, OMS. Envelhecimento ativo: um projeto de política de
saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005. 60 p. Disponível em:
. Acesso em: 17/09/2007.
ORLANDO, R. PINHEIRO, T. L. F.; VOLKWEISH, D. S. H.; COLUSSI, E. L. Avaliação da alimentação e
sua relação com as doenças crônicas não transmissíveis de um grupo de idosos de um
município da região norte do Estado do RS. Rev Enferm Frederico Westphalen, v. 6, n. 7, p. 203,
2006. Disponível em:
. Acesso em:
10/01/2024.
SOUZA, J. D. et al. Padrão alimentar de idosos: caracterização e associação com aspectos
socioeconômicos. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 19, p. 970-977, 2016.
Disponível em: . Acesso em: 10/01/2024.

Mais conteúdos dessa disciplina