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Conteudista: Prof.ª Esp. Acacio Barros Revisão Textual: Esp. Pérola Damasceno Objetivos da Unidade: Apresentar conceitos da epidemiologia populacional brasileira com enfoque na terceira idade, identificando-a como parte crescente e importante da população do Brasil; Demonstrar as principais políticas públicas relacionadas à população idosa do Brasil; Conhecer a transição demográfica e nutricional brasileira relacionando-as com as patologias preponderantes na população idosa. 📄 Material Teórico 📄 Material Complementar 📄 Referências Epidemiologia do Envelhecimento e sua Relação com a Nutrição O Processo de Envelhecimento nos Seres Humanos O envelhecimento é um processo natural e gradual pelo qual os seres vivos passam ao longo do tempo, resultando em mudanças físicas, fisiológicas, psicológicas e sociais. É um fenômeno complexo que afeta todos os organismos vivos, mas é mais notável nos seres humanos. É considerado um processo sequencial, individual, acumulativo, irreversível, universal, não patológico, de deterioração de um organismo maduro, próprio a todos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo o torne menos capaz de fazer frente ao estresse do meio- ambiente e, portanto, aumente sua possibilidade de morte (OMS, 2007). O envelhecimento pode ser influenciado por fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Fatores como estilo de vida, dieta, exercício físico, exposição a toxinas ambientais e cuidados médicos podem afetar a forma como envelhecemos. Embora o envelhecimento seja um processo natural e inevitável, a pesquisa científica e os avanços na medicina buscam entender melhor os mecanismos do envelhecimento e desenvolver estratégias para promover um envelhecimento saudável, aumentando a qualidade e expectativa de vida à medida que as pessoas envelhecem. A área da ciência que estuda o envelhecimento nos seres humanos é conhecida como Gerontologia. A gerontologia é o estudo do processo de envelhecimento em todas as suas dimensões, incluindo as mudanças físicas, mentais e sociais que ocorrem à medida que as pessoas envelhecem. É uma área multidisciplinar que abrange diversos campos do conhecimento, como Medicina, Psicologia, Sociologia, Enfermagem, Serviço Social, entre outros. Página 1 de 3 📄 Material Teórico Os gerontólogos podem ser de diferentes áreas de formação, como enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e nutricionistas, e estes se dedicam a compreender os diferentes aspectos do envelhecimento humano, procurando promover um envelhecimento saudável e melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas. Quando a gerontologia é estudada por um médico, é conhecida como geriatria. Existem dois tipos principais de envelhecimento: o envelhecimento cronológico, que se refere à passagem do tempo desde o nascimento até o momento atual e é medido em anos e é inevitável para todos os indivíduos; e o envelhecimento biológico que se refere às mudanças progressivas que ocorrem no corpo à medida que envelhecemos. Essas mudanças incluem alterações nas células, tecidos, órgãos e sistemas do corpo humano, e são diferentes entre os indivíduos. Assim, o envelhecer das pessoas não ocorre de forma homogênea para todos e é influenciado por diversos fatores, sendo os principais: a genética, os hábitos de vida, as condições sociais e econômicas e aspectos culturais. Os termos cronológico e biológico também estão ligados a outros dois termos muito importantes no estudo do envelhecimento: a senilidade e a senescência. A senescência é um termo biológico mais amplo que se refere ao processo natural de envelhecimento celular. A senescência celular é um estado em que as células param de se dividir e entram em um estado de inatividade permanente, muitas vezes devido ao acúmulo de danos ao DNA, estresse oxidativo ou outros fatores. Isso pode resultar na perda da capacidade das células de funcionar adequadamente e contribuir para o envelhecimento do organismo como um todo. Embora a senescência celular seja um processo natural, o acúmulo excessivo de células senescentes pode estar ligado a várias doenças relacionadas à idade, como doenças cardiovasculares, câncer, doenças neurodegenerativas e outras condições crônicas. Já o termo senilidade é utilizado para descrever o declínio cognitivo associado à idade avançada, especialmente no que diz respeito à memória, função mental e habilidades cognitivas. No entanto, hoje em dia, o termo "senilidade" não é mais considerado clinicamente preciso ou usado com frequência na área médica. Em vez disso, profissionais de saúde preferem usar termos mais específicos, como demência ou comprometimento cognitivo relacionado à idade, para descrever alterações significativas na função cognitiva associadas ao envelhecimento. E quais Fatores Afetam o Envelhecimento? A senilidade é um complemento da senescência no fenômeno do envelhecimento e está relacionada as condições que afetam o indivíduo ao longo da vida, fundamentadas em mecanismos patológicos: as doenças. As doenças no processo de envelhecimento são diversas e impactam a qualidade de vida das pessoas idosas, mas não são universais. Essa diferença entre envelhecimento saudável e patológico entre os indivíduos relaciona-se não apenas a genética individual de cada indivíduo, mas também aos hábitos de vida durante a vida, e se relaciona à epigenética. Epigenética é o estudo das mudanças herdáveis na expressão dos genes que ocorrem sem alterações na sequência do DNA. Essas mudanças epigenéticas desempenham um papel fundamental na regulação da atividade gênica e têm um impacto significativo no desenvolvimento, na saúde e em processos biológicos ao longo da vida de um organismo. O DNA de uma célula contém instruções genéticas que determinam suas características e funções. No entanto, nem todos os genes são ativados o tempo todo, e é aí que a epigenética Em Síntese "Senilidade" costumava se referir ao declínio cognitivo associado à idade, mas não é mais um termo amplamente usado na área médica devido à sua imprecisão. "Senescência", por outro lado, descreve o processo biológico de envelhecimento celular, que pode desempenhar um papel importante no envelhecimento e no desenvolvimento de doenças relacionadas à idade. desempenha um papel importante. As mudanças epigenéticas podem influenciar como os genes são "ligados" ou "desligados", afetando sua expressão sem alterar a sequência do DNA subjacente. Pesquisas atuais relacionam a epigenética ao envelhecimento patológico, sendo que a má alimentação desempenha um papel significativo nesse processo. Uma dieta inadequada ao longo da vida pode contribuir para o envelhecimento patológico de várias maneiras tais como: Glossário DNA: a palavra DNA, em inglês, significa Deoxyribonucleic Acid; e, em Português, é Ácido Desoxirribonucleico – ADN. Sua definição bioquímica é a de um composto orgânico cujas moléculas contêm informação genética dos seres vivos. Maior incidência de doenças crônicas relacionadas à dieta: uma dieta rica em alimentos processados, açúcares adicionados, gorduras saturadas e pobre em nutrientes essenciais está associada a um maior risco de doenças crônicas, como doenças cardíacas, diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão e certos tipos de câncer; Declínio cognitivo: estudos indicam que uma dieta pouco saudável, caracterizada pela ingestão excessiva de alimentos processados, gorduras trans e açúcares, pode estar relacionada a um maior risco de declínio cognitivo e demência em idades avançadas. A falta de nutrientes essenciais, como vitaminas antioxidantes e ácidos graxos ômega-3, pode afetar negativamente a saúde do cérebro; Fragilidade e perda muscular: a ingestão inadequada de nutrientes, especialmente proteínas ao longo do tempo pode contribuir para a sarcopenia (perda de massa muscular) e fragilidade em idosos. A falta de proteínas, vitaminas e minerais essenciais pode comprometer a saúde muscular e óssea, aumentando o risco de quedas e fraturas; Imunidadecomprometida: a alimentação deficiente em nutrientes essenciais enfraquece o sistema imunológico, tornando os idosos mais suscetíveis a infecções e doenças, afetando negativamente sua qualidade de vida. Vídeo Você Não Existiria sem Epigenética | Epigenética 2 Assista ao vídeo sobre os conceitos básicos da Epigenética. Você NÃO existiria sem EPIGENÉTICA | Epigenética 2Você NÃO existiria sem EPIGENÉTICA | Epigenética 2 https://www.youtube.com/watch?v=F3Psi-CP6fs É importante enfatizar que uma dieta balanceada e nutritiva ao longo da vida pode ajudar a reduzir o risco de muitas doenças relacionadas à idade e contribuir para um envelhecimento mais saudável. Incluir uma variedade de alimentos frescos, frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas magras, gorduras saudáveis e limitar a ingestão de alimentos processados, açúcares e gorduras saturadas pode ter um impacto positivo na saúde geral e no processo de envelhecimento. Intervenções precoces, como orientação nutricional e programas de educação alimentar, podem ajudar a melhorar os hábitos alimentares dos idosos e prevenir ou retardar o desenvolvimento de doenças associadas ao envelhecimento patológico. As Diferenças no Envelhecimento: o Exemplo das Zonas Azuis Um exemplo científico de como a alimentação pode influenciar na qualidade de vida na senescência são as chamadas Blue Zones ou Zonas Azuis. As "Blue Zones" são regiões no mundo onde as pessoas têm uma taxa extraordinariamente alta de longevidade. Estas áreas foram identificadas e estudadas pelo autor e pesquisador Dan Buettner, que viajou ao redor do mundo para descobrir as semelhanças entre as comunidades que vivem nessas zonas e para entender os segredos de sua longevidade. As Blue Zones são conhecidas por terem uma alta concentração de centenários e pessoas que vivem saudavelmente até idades avançadas. As cinco Blue Zones identificadas são: Ogliastra, Sardenha, Itália: esta região montanhosa da Sardenha tem uma alta taxa de homens centenários e é conhecida por sua dieta mediterrânea, atividade física regular e forte apoio social; Ikaria, Grécia: a ilha grega de Ikaria é conhecida por ter uma alta concentração de centenários. Estilo de vida ativo, dieta mediterrânea, baixos níveis de estresse e forte apoio comunitário são fatores atribuídos à longevidade nesta região; Essas comunidades compartilham características comuns, como uma dieta saudável rica em vegetais, feijões e grãos integrais com pouca ou nenhuma carne vermelha, atividade física regular, forte apoio social, sentido de propósito na vida e maneiras naturais de gerenciar o estresse, que são consideradas contribuintes para sua longevidade notável. A pesquisa nessas áreas continua a fornecer insights valiosos sobre o envelhecimento saudável e o estilo de vida. Nicoya Península, Costa Rica: nesta península da Costa Rica, as pessoas têm uma alta expectativa de vida. Uma dieta saudável, atividade física regular, forte apoio social e uma atitude positiva em relação à vida são características comuns nesta comunidade; Loma Linda, Califórnia, EUA: Loma Linda é uma cidade na Califórnia, onde uma comunidade adventista do sétimo dia vive. A dieta baseada em plantas, o descanso regular no sábado (dia de sábado é observado como dia de descanso pelos adventistas do sétimo dia), o apoio social e a conexão com sua fé são fatores importantes para a longevidade nesta área; Okinawa, Japão: a ilha de Okinawa, no Japão, é conhecida por ter uma alta concentração de centenários. Uma dieta equilibrada com ênfase em vegetais e alimentos ricos em nutrientes, atividade física regular, forte apoio social e um sentido de propósito na vida são aspectos importantes do estilo de vida em Okinawa. Figura 1 – Mapa mundial com as cidades chamadas de Zonas Azuis em destaque Fonte: Adaptada do Freepik #ParaTodosVerem: mapa mundial com o oceano em azul contendo os cinco continentes em verde e amarelo, representando em verde as áreas com florestas; em amarelo áreas desérticas; e as 5 cidades da Zona Azul destacadas com círculos brancos e nomeadas. No continente da América no Norte, à esquerda, ao lado do oceano pacífico, está a cidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA). Descendo na América Central está a cidade de Nicoya, na Costa Rica. A direita e em cima, no continente europeu, encontram-se as cidades da Sardenha, na Itália, e Icaria, na Grécia. Mais à direita, no continente asiático, na Ilha do Japão encontra-se a cidade de Okinawa. Fim da descrição. Epidemiologia do Envelhecimento da População Brasileira Segundo a legislação brasileira, é considerado idoso o cidadão com idade igual ou superior a 60 anos. Essa parcela da população brasileira está crescendo de forma intensa, e observa-se uma desaceleração do crescimento populacional em nosso país, devido especialmente a queda nas taxas de natalidade e mortalidade em todas as faixas etárias, o que resulta em maior expectativa de vida das pessoas. No Brasil, o envelhecimento da população é uma realidade evidente. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022), o País passa por um rápido processo de envelhecimento demográfico. O Censo Demográfico é a principal fonte de referência sobre as condições de vida da população em todos os municípios do País e em seus recortes territoriais internos. Os resultados do universo da população brasileira mostram que somos mais de 203 milhões de brasileiros e com aumento do índice de envelhecimento e diminuição nas taxas de natalidade. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE O envelhecimento da população brasileira é um fenômeno demográfico significativo que se caracteriza pelo aumento da proporção de pessoas idosas em relação à população total do País. Esse processo é resultado de vários fatores, incluindo a diminuição da taxa de natalidade, o aumento da expectativa de vida e avanços na área da saúde que têm contribuído para um envelhecimento populacional mais acentuado. Site Panorama do Censo 2022 Saiba mais sobre o Censo Demográfico e a população brasileira idosa no Brasil. https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/ O censo de 2022 mostrou que o percentual de idosos na população brasileira é o maior desde o primeiro recenseamento realizado no Brasil, em 1972. No Brasil, o total de pessoas com 60 anos ou mais de idade chegou a 32.113.490 (15,6% do total), um aumento de 56,0% em relação a 2010, quando era de 20.590.597 (10,8%). A região Norte foi a região mais jovem: com 25,2% de sua população com até 14 anos, e o Nordeste a seguir, com 21,1%. Já as regiões Sudeste e o Sul apresentaram estruturas mais envelhecidas: 12,2% e 12,1% da sua população tinham 65 anos ou mais de idade, respectivamente. A idade mediana da população brasileira aumentou 6 anos desde 2010 e atingiu os 35 anos em 2022. O índice de envelhecimento é calculado pela razão entre o grupo de pessoas de 65 anos ou mais de idade em relação à população de 0 a 14 anos. O índice de envelhecimento, considerando-se a população com 60 anos ou mais, chegou a 80 em 2022, com 80 pessoas idosas para cada 100 crianças de 0 a 14 anos. Em 2010, o índice de envelhecimento correspondia a 44,8. No Rio Grande do Sul (115,0) e Rio de Janeiro (105,9), o número de idosos de 60 anos ou mais ultrapassou o de crianças de 0 a 14 anos. Assim, vemos uma importante mudança epidemiológica na população brasileira. Em 1980, o Brasil tinha 4,0% da população com 65 anos ou mais de idade; já em 2022 esse valor é de 10,9%, o maior percentual encontrado nos Censos Demográficos. No outro extremo da pirâmide etária, o percentual de crianças de até 14 anos de idade era de 38,2% em 1980 e passou a 19,8% em 2022. Percebe-se, portanto, que há um envelhecimento populacional, verificado na redução da proporção da população mais jovem em detrimento do aumento da população mais velha. O gráfico da pirâmide etária do último censo apresentado a seguir, demonstra essa modificação. Figura 2 – Faixa etária da população brasileirapor idade e sexo nos anos 2010 e 2022 Fonte: IBGE, 2022 #ParaTodosVerem: gráfico de pirâmide com barras horizontais mostrando a porcentagem de idosos no Brasil comparativamente nos anos de 2010 e 2022. À esquerda, em linhas cheias azuis, está demonstrada a população masculina, com azul mais escuro sendo o ano de 2022 e azul mais claro o ano de 2010. Já as barras do lado direito têm linhas laranjas representando a população feminina, com barras laranja-escuro representando o ano de 2022 e laranja-claro representando o ano de 2010. As barras da esquerda azuis mais escuras são menores que as barras azuis mais claras, especialmente na base da pirâmide. As barras da direita laranja mais escuras são menores na base da pirâmide que as laranja clara e são maiores no ápice da pirâmide, demonstrando que há pessoas com mais idade em 2022. Fim da descrição. Figura 3 – Faixa etária da população brasileira entre os anos 1980 e 2022 Fonte: IBGE, 2022 #ParaTodosVerem: gráfico de barras horizontais mostrando 5 linhas com barras de idades da população brasileira nos anos de 1980, 1991, 2000, 2010 e 2022. A barra mais superior representa o ano de 1980 e tem uma parte da barra de cor azul-escuro com 38,2% de pessoas com 0 a 14 anos, uma parte da barra de cor azul–claro representando 57,7% de pessoas com idade entre 15 e 64 anos e o final da barra de cor preta com 4% de pessoas com mais de 65 anos de idade. A segunda barra representa o ano de 1991 e tem uma parte da barra de cor azul- escuro com 34,7% de pessoas com 0 a 14 anos, uma parte da barra de cor azul- claro representando 60,4% de pessoas com idade entre 15 e 64 anos e o final da barra de cor preta com 4,8% de pessoas com mais de 65 anos de idade. A terceira barra, de cima para baixo, representa o ano 2000 e tem uma parte da barra de cor azul-escuro com 29,6% de pessoas com 0 a 14 anos, uma parte da barra de cor azul-claro representando 64,5% de pessoas com idade entre 15 e 64 anos e o final da barra de cor preta com 5,9% de pessoas com mais de 65 anos de idade. A quarta barra, de cima para baixo, representa o ano 2010 e tem uma parte da barra de cor azul-escuro com 24,1% de pessoas com 0 a 14 anos, uma parte da barra de cor azul-claro representando 68,5% de pessoas com idade entre 15 e 64 anos e o final da barra de cor preta com 7,4% de pessoas com mais de 65 anos de idade. A quinta barra, a mais inferior de todas, representa o ano 2022, e tem uma parte da barra de cor azul-escuro com 19,8% de pessoas com 0 a 14 anos, uma parte da barra de cor azul-claro representando 69,3% de pessoas com idade entre 15 e 64 anos e o final da barra de cor preta com 10,9% de pessoas com mais de 65 anos de idade. Fim da descrição. E esse aumento da expectativa de vida não irá diminuir, muito pelo contrário: as estimativas apontam que em 2040 teremos pelo menos 30% da população constituída por idosos acima de 60 anos e quase 10% por pessoas muito idosas, acima dos 80 anos. Isso constituirá mais de 40% da população! Já para 2060, as estimativas sugerem que aproximadamente 1/3 da população brasileira será de pessoas idosas, o equivalente a 73 milhões de brasileiros. A expectativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que, até 2055, o número de pessoas com mais de 60 anos supere o de brasileiros com até 29 anos. Estamos nos tornando um País com maioria de pessoas idosas. Políticas Públicas para a População Idosa no Brasil Historicamente, na maioria dos países ocidentais os idosos não tinham prioridade, seja em termos legais ou políticas públicas. Entretanto, o crescente envelhecimento da população global levou a Organização das Nações Unidas, no ano de 1982, a organizar a I Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, que ocorreu na cidade de Viena. Esse evento representou um marco mundial ao iniciar discussões específicas sobre os desafios e questões relacionadas aos idosos, contando com a participação de 124 países, incluindo o Brasil. Em nosso país, diante do envelhecimento da população há uma crescente necessidade de políticas públicas que visem à promoção de saúde e ao envelhecimento saudável. Essa parcela populacional compreende cidadãos que necessitam de amparo governamental de maneira mais intensiva através de serviços sociais, de saúde e de proteção. São inúmeros os desafios e questões relacionadas à população idosa no Brasil. Dentre eles, podem ser citadas a necessidade de políticas públicas com maior demanda de serviços de saúde específicos e a sustentabilidade dos sistemas de previdência social, que uma preocupação, especialmente porque o número de aposentados está aumentando em relação à população economicamente ativa; a inclusão social dos idosos é crucial para garantir que eles continuem ativos na sociedade. Isso inclui acesso a atividades recreativas, educacionais e culturais e transporte e Infraestrutura visto que acessibilidade é uma preocupação, tanto em termos de transporte público quanto de infraestrutura, para garantir que os idosos possam se movimentar com segurança e ter qualidade de vida. No relatório de qualidade de vida para idosos do Global Age Watch, 2014, o Brasil ocupa a 58º em um ranking de 96 países. Para chegar nesse resultado, a pesquisa levou em consideração fatores como expectativa de vida, bem-estar psicológico, renda, transporte e segurança. Porém, em matéria de segurança de renda, o País aparece em 14º lugar. A cobertura de aposentadorias é um dos principais motivos para isso – cerca de 86,3% da população acima dos 60 anos têm uma renda fixa. A aposentadoria é uma das conquistas de política pública para os idosos em nosso país. No Brasil, as políticas de saúde brasileiras tiveram forte incentivo com o direito universal e integral à saúde promulgado na Constituição de 1988 e reafirmado com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Lei Orgânica da Saúde n.º 8.080/90. Já o desenvolvimento das políticas públicas para idosos é mais recente, e foi instituída nacionalmente em 1994 com a Política Nacional do Idoso (PNI) regulamentada pelo Decreto n. 1948, de 03 de junho de 1996. Essa política assegura direitos sociais à pessoa idosa, ao criar condições para promover sua autonomia, sua integração e sua participação efetiva na sociedade e reafirmar seu direito à saúde nos diversos níveis de atendimento do SUS. Aliada a ela, vieram o Estatuto da Pessoa Idosa, em 2003, e a Política Nacional da Pessoal Idosa, em 2006, que, juntas, incentivam a promoção de saúde e o envelhecimento ativo da população brasileira. O Estatuto da Pessoa Idosa, promulgado na Lei n.º 10.741/2003, garantiu inúmeros direitos aos idosos, como a gratuidade de medicamentos e transporte público. Foi uma iniciativa inovadora na garantia de direitos da pessoa idosa, fruto de forte mobilização da sociedade, e abrange as seguintes dimensões: Segundo o Art. 3º da Constituição Federal de 1988, é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. O Estatuto também assegura a proteção integral a saúde do idoso e o direito à alimentação. Os alimentos aos idosos devem ser prestados na forma da lei civil, sendo obrigação solidária, podendo o idoso optar entre os prestadores, sejam eles filhos, netos, bisnetos e outros descendentes, desde que maiores de idade. Se o idoso ou seus familiares não possuírem condições econômicas de prover seu sustento, impõe-se ao Poder Público esse provimento, no âmbito da assistência social. Direito à vida; À liberdade; Ao respeito; À dignidade; À alimentação; À saúde; À convivência familiar; À convivência comunitária. Além do Estatuto do Idoso, outros programas também visam auxiliar a pessoa idosa, podendo citar como principais: Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Programas de Transferênciade Renda: o governo brasileiro possui programas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) que oferecem assistência financeira a idosos em situação de vulnerabilidade; Saúde da Família: o Programa Saúde da Família (PSF) tem sido fundamental para oferecer cuidados de saúde primários aos idosos em suas comunidades; Cidades Amigas dos Idosos: algumas cidades brasileiras estão adotando o conceito de "Cidades Amigas dos Idosos", que se concentra em tornar os espaços urbanos mais acessíveis e inclusivos para os idosos. Leitura Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas https://www.paho.org/pt/topicos/cidades-e-comunidades-amigas-das-pessoas-idosas A Relação das Políticas Públicas para Idosos e a Alimentação As políticas públicas desempenham um papel crucial na formulação de estratégias e diretrizes relacionadas à alimentação, com o objetivo de melhorar a segurança alimentar, promover dietas saudáveis, garantir o acesso equitativo aos alimentos e abordar questões sociais e ambientais na cadeia alimentar. Existem várias implicações das políticas públicas com interferências sociais, econômicas e de saúde associadas ao envelhecimento da população. E a alimentação é uma delas. Comer é um ato político e essa frase destaca como nossas escolhas alimentares e o sistema em que elas estão inseridas são influenciados e moldados por decisões políticas e sociais. Ela ressalta a interconexão entre comida, política, sociedade e meio ambiente. Vários fatores relacionados à alimentação estão ligados ao envelhecimento e precisam ser atendidos por programas governamentais. Dentre eles, podemos citar as sociais, econômicas e relacionadas a saúde, listadas a seguir: Implicações Sociais: Familiares: o número de famílias multigeracionais pode aumentar, com várias gerações vivendo sob o mesmo teto para cuidar dos idosos; Pensões e Previdência: o sistema de previdência social pode enfrentar pressões significativas à medida que mais pessoas se aposentam e passam a depender de pensões e assistência social; Cuidados aos Idosos: a demanda por serviços de cuidados a idosos, seja em instituições especializadas ou em casa, aumenta à medida que a população envelhece. Isso coloca pressão sobre os sistemas de saúde e da família. Implicações Econômicas: Implicações de Saúde: Para lidar com essas implicações, os governos e as comunidades precisam implementar políticas que apoiem os idosos, promovam um envelhecimento saudável, proporcionem acesso a cuidados de saúde adequados e garantam a sustentabilidade dos sistemas de previdência social. Além disso, é importante promover uma cultura de respeito e inclusão para os idosos, reconhecendo suas contribuições para a sociedade e garantindo que eles tenham acesso às mesmas oportunidades e serviços que outras faixas etárias. Além dessa integração no contexto social, e como forma de prevenção e promoção de saúde, o Ministério da Saúde implementou também o Guia Alimentar para a População Brasileira, que apresenta informações e recomendações sobre alimentação sustentável e valorizando as culturas regionais. Sua existência corrobora que a melhoria nas condições de alimentação dos cidadãos pode promover um envelhecimento saudável e ainda prevenir uma em cada cinco mortes (CNS, 2020). Força de Trabalho: o envelhecimento da população pode levar a uma diminuição da força de trabalho ativa, o que pode afetar o crescimento econômico, especialmente se não houver políticas eficazes para envolver os trabalhadores mais velhos; Gastos com Saúde: as despesas com saúde tendem a aumentar à medida que as pessoas envelhecem, devido ao aumento das doenças crônicas e da necessidade de cuidados médicos especializados. Doenças Crônicas: o envelhecimento está frequentemente associado a um aumento nas doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, demência e câncer, o que requer cuidados médicos a longo prazo; Saúde Mental: questões de saúde mental, como depressão e demência, tornam-se mais prevalentes em populações idosas, exigindo mais recursos para cuidados e apoio psicológico. O Guia Alimentar para a População Brasileira é um documento produzido pelo Ministério da Saúde do Brasil que oferece orientações sobre alimentação saudável e equilibrada. O Guia aborda diversas informações importantes para promover hábitos alimentares mais saudáveis. Suas recomendações mostram que para uma boa alimentação devem estar em sintonia com seu tempo de vida e que a cultura alimentar deve ser respeitada para cada região do País. Embora não haja um guia voltado a população idosa, há o Protocolo de Uso do Guia Alimentar para a População Brasileira na Orientação Alimentar da Pessoa Idosa para a população idosa com objetivo de ser um instrumento de apoio à prática clínica no cuidado individual na Atenção Primária à Saúde (APS). Ele traz uma ferramenta útil em forma de fluxograma para fazer as orientações alimentares partir da verificação dos hábitos alimentares do paciente. Figura 4 – Fluxograma direcional de conduta para orientação alimentar da pessoa idosa Fonte: BRASIL, 2021 #ParaTodosVerem: fluxograma com retângulos e losangos contendo as etapas para avaliação do consumo alimentar da pessoa idosa na Atenção Básica. Fim da descrição. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Todas essas políticas têm relação com a alimentação, já que é consenso entre especialistas de saúde, que uma alimentação saudável e equilibrada em nutrientes faz parte dessa qualidade do envelhecimento. Assim, podemos destacar como importância das políticas públicas para a saúde e segurança alimentar da população idosa os seguintes aspectos: Leitura Protocolo de Uso do Guia Alimentar para a População Brasileira na Orientação Alimentar da Pessoa Idosa Promoção de saúde por meio de educação alimentar e nutricional em diferentes locais assistidos pelo SUS; Formação dos profissionais com relação ao conhecimento sobre o envelhecimento e a importância da alimentação adequada nutricionalmente para a prevenção de doenças; Contínua rede de assistência à saúde do idoso e organização das modalidades assistenciais relacionadas a alimentação, internação, atendimento nas UBS e atendimento domiciliar para controle e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis. http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/protocolo_guia_alimentar_fasciculo2.pdf Políticas públicas são essenciais para enfrentar desafios relacionados à alimentação e têm o potencial de impactar positivamente a saúde pública, a sustentabilidade ambiental, a equidade social e a economia local e global. O desenvolvimento e a implementação eficaz dessas políticas muitas vezes exigem cooperação entre governos, setor privado, sociedade civil e comunidades locais para garantir resultados significativos e sustentáveis. Transição Nutricional no Brasil A população brasileira sofreu diversas mudanças nos últimos cinquenta anos, e hoje caracteriza-se como uma população em transição epidemiológica. Esse conceito refere-se às mudanças no comportamento da mortalidade e morbidade da população proposto por Omram (1971). Para ele, as mudanças nos padrões de saúde e doença afetam a demografia de uma população e, como consequência, temos diminuição da mortalidade por doenças infecto contagiosas e aumento das doenças crônicas não transmissíveis. Reflita A população idosa brasileira está aumentando, mas as ações públicas com promoção de saúde para a terceira idade ainda são insuficientes. Qual o papel do gerontólogo no envelhecimento saudável? Como a sociedade e o Governo podem agir em prol da saúde da população idosa? Além da mudança no perfil etário dos brasileiros, a transição nutricional também ocorre e se refere às mudanças nos padrões de saúde e alimentação de uma população ao longo do tempo. No caso do Brasil, tem havido uma transição significativa tanto no perfil de doenças quanto nos hábitos alimentares ao longo das últimas décadas. A transição nutricional é um processo no tempoque corresponde às mudanças de padrões nutricionais de populações, essencialmente determinadas por alterações na estrutura da dieta e na composição corporal dos indivíduos, resultando em importantes modificações no perfil de saúde e nutrição (KAC; VELÁSQUEZ-MELÉNDEZ). Devido à transição nutricional, o perfil epidemiológico da população idosa é caracterizado pela tripla carga de doenças com forte predomínio das condições crônicas, prevalência de elevada mortalidade e morbidade por condições agudas decorrentes de causas externas e agudizações de condições crônicas. Glossário Epidemiologia: etimologia (origem da palavra epidemiologia). De epidemia: epidem(ia) + o + logia. A Epidemiologia é a ciência que estuda a distribuição e os determinantes dos problemas de saúde em populações. Ramo da Medicina capaz de analisar os distintos fatores que interferem na disseminação de doenças, na maneira como estas se propagam ou na forma como devem ser prevenidas e/ou tratadas; estudo das epidemias. As condições crônicas da população idosa brasileira estão ligadas às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs). Talvez não conheça o termo, mas muito provavelmente conhece alguém com uma dessas doenças. Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) são um grupo de condições de saúde de longa duração e geralmente de progressão lenta. Elas não são transmitidas de pessoa para pessoa, ao contrário de doenças infecciosas, e incluem uma variedade de problemas de saúde que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. As principais DCNTs são as doenças cardiovasculares, hipertensão, câncer, diabetes e doenças metabólicas (obesidade, diabetes, dislipidemia). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), elas são responsáveis por 63% das mortes no mundo e são a causa de 74% dos óbitos entre brasileiros. Para a população idosa, o aumento das doenças crônicas não transmissíveis metabólicas – Diabetes Melito, Hipertensão e Dislipidemias – além de aumentarem a morbidade, constituem- se nas maiores causas de diminuição da capacidade funcional, aumento da dependência para atividades de vida diária e uma diminuição geral da qualidade de vida. O processo de transição nutricional dá-se, no Brasil, a partir das modificações do padrão alimentar brasileiro com a diminuição de alimentos in natura e aumento dos industrializados. Além das alterações no padrão alimentar, dentre os principais fatores dessa transição nutricional, temos também as mudanças sociais e geopolíticas com menor acesso a alimentos in natura do campo, redução na prática de atividades físicas com maior carga de trabalho diária e inserção da mulher no mercado de trabalho, o que fez com que houvesse a busca de maior praticidade nas refeições com alimentos industrializados e almoços em restaurantes. Assim, observamos na população redução na taxa de desnutrição, principalmente em crianças, e aumento na prevalência de excesso de peso. As estatísticas de causas de mortalidade refletem essas mudanças alimentares. Dados apontam que até meados de 1940 havia predomínio das doenças infecciosas e parasitárias como principal causa de morte (BAYER; GOES, 1984). Atualmente, a principal causa de morte são as doenças crônicas, especialmente as doenças cardiovasculares associadas à má alimentação e obesidade. Essa condição se consolidou como agravo nutricional associado a uma alta incidência de obesidade, doenças cardiovasculares, câncer e diabetes, influenciando, desta maneira, no perfil de morbimortalidade das populações. Atualmente, de acordo com a Pesquisa Vigitel (BRASIL, 2023), 56,8% dos brasileiros estão com excesso de peso. O percentual representa a soma das pessoas com sobrepeso e com obesidade, ou seja, com índice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 25. A taxa chega a 68,5% na faixa etária com idade entre 45 e 54 anos e a 40,3% entre os mais jovens, com 18 a 24 anos. Em relação ao sobrepeso, a frequência de excesso de peso foi de 61,4%, sendo maior entre os homens (63,4%) do que entre as mulheres (59,6%). No total da população, a frequência dessa condição aumentou com a idade até os 54 anos e reduziu um pouco na população idosa. Entretanto, os dados demonstrados nos gráficos a seguir apontam que 60,9% da população acima de 65 anos está com sobrepeso. A frequência de obesidade tendeu a ser maior nas faixas etárias com a idade até os 54 anos na população total e para os homens, e até 64 anos para mulheres. Os dados apresentados na Figura 5 mostram que 20,9% da população acima de 65 anos está com obesidade. Figura 5 – Gráficos demonstrando a prevalência de sobrepeso e obesidade na população brasileira Fonte: SISVAN, 2023 #ParaTodosVerem: gráfico de rosca setorizado em cores. Laranja representando 2,17% da população com baixo peso, azul esverdeado representando 31,32% da população com peso adequado, azul-escuro representando 34,63% da população com sobrepeso e azul-claro representando 31,88% da população com obesidade. A partir do azul-claro, que demonstra os 31,88% da população com obesidade, há um novo gráfico em meia rosca setorizado em cores. O vermelho claro indica que 20,04% da população está em sobrepeso, o vermelho intermediário indica que 7,77% da população está em situação de obesidade moderada e o vermelho-escuro indica que 4,07 da população está com índice de obesidade mórbida. Fim da descrição. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Tabela 1 – Demonstração da prevalência de sobrepeso na população brasileira de adultos com mais de 18 anos Podcast Podcast Prato Cheio Para seguir aprendendo mais sobre a transição nutricional ocorrida no Brasil, ouça os episódios do Podcast Prato Cheio, que apresenta mudanças importantes na alimentação devido à industrialização. https://ojoioeotrigo.com.br/2021/04/a-moca-da-lata/ Fonte: BRASIL, 2023 Tabela 2 – Demonstração da prevalência de obesidade na população brasileira de adultos com mais de 18 anos Fonte: BRASIL, 2023 Em relação à Diabetes Melitus Tipo 2, 10,3% da população tem diagnóstico médico de diabetes. Os grupos mais afetados são pessoas com 65 anos ou mais (26,2%) e pessoas com até oito anos de escolaridade (15,7%). Quando se trata de hipertensão arterial, 26,6% dos brasileiros receberam o diagnóstico, com maiores prevalências entre mulheres (30,8%), idosos com mais de 65 anos (62,5%) e aqueles com até oito anos de escolaridade (38%). Entre os mais escolarizados, a prevalência cai para menos da metade (15,6%). Tabela 3 – Demonstração da prevalência de Diabetes mellitus tipo 2 na população brasileira de adultos com mais de 18 anos Fonte: BRASIL, 2023 Padrões Alimentares na Terceira Idade O padrão alimentar da população idosa pode variar consideravelmente de acordo com fatores como cultura, acesso a alimentos, condições socioeconômicas, estado de saúde e preferências individuais. No entanto, existem certos aspectos gerais que podem ser observados no padrão alimentar da população idosa, dentre eles, a baixa ingestão de alimentos mais duros, preferência por alimentos hipercalóricos e palatáveis e por refeições rápidas devido a possível isolamento social. O arroz com feijão é uma combinação clássica e muito popular na culinária brasileira, considerada uma base alimentar tradicional em grande parte do País. Esse prato simples, porém, nutritivo, é uma parte fundamental da dieta diária de muitos brasileiros e está presente em diversas refeições. Esse é um prato adequado nutricionalmente, mas tem diminuído na alimentação do brasileiro e o mesmo ocorre com a população idosa. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Leitura Salvar o Feijão e o Arroz é Retomar a Função Social da Alimentação Reflita sobre os fatores que podem contribuir para a diminuição do arroz e feijão entre a população brasileira. https://diplomatique.org.br/feijao-arroz-alimentacao-seguranca-alimentar/ Figura 6 – Exemplo de prato típico brasileiro e nutricionalmente adequado Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: foto com fundo azul eum prato branco. No prato, há cinco porções de alimentos divididos em porções, sendo arroz branco, feijão-carioca, um filé de frango grelhado, farofa e salada de cenoura e alface ralados com pedaços em cubos pequenos de tomate. Fim da descrição. Leitura Guia Alimentar para a População Brasileira Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE A pesquisa VIGITEL, de 2023, mostrou que menos da metade da população no Brasil (45,5%) consome verduras e legumes cinco vezes ou mais na semana. Isso mostra que o consumo continua baixo entre os brasileiros, apesar de ter aumentado no último ano após uma queda expressiva durante a pandemia (aumento de 15,2% entre 2022 e 2023). A faixa etária que mais consome esses alimentos é a das pessoas com 65 anos ou mais, onde 45,5% consumem verduras e legumes na frequência semanal recomendada. Apesar da transição nutricional, o padrão de consumo alimentar da pessoa idosa brasileira ainda é caracterizado pelo maior consumo de alimentos in natura, principalmente feijão e arroz, seguido de carnes e leite. Ao mesmo tempo, há baixa ingestão e frutas, verduras e legumes e aumento dos alimentos ultraprocessados que contribuem com cerca de 15% das calorias consumidas. Estudos realizados com brasileiros acima de 60 anos apontam também que é comum entre as pessoas idosas a troca de refeições principais por lanches e outros alimentos com baixo valor nutritivo, como salsichas e presunto (IBGE, 2020). Acesse o guia para conhecer mais sobre as regionalidades da alimentação no Brasil. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf Figura 7 – Imagem ilustrativa de homem idoso fazendo refeição sozinho Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: foto com homem idoso ao centro, sentado em uma cadeira na cozinha, vestindo camisa azul de manga longa, com hambúrguer na mão direita olhando para a frente. Fim da descrição. Esses dados de alimentação são um alerta para cuidados da saúde do idoso. Isto poque os estudos epidemiológicos mostram que a má alimentação tem relação direta com a incidência de doenças crônicas não transmissíveis, e essas são a maior causa de mortalidade no mundo atualmente. A alimentação das pessoas idosas deve ser equilibrada em nutrientes como em todas as fases da vida do ser humano, mas devem ser considerados aspectos como hábitos culturais e religiosos, fatores psicológicos, problemas de saúde e condições financeiras. Assim, os hábitos alimentares da população idosa estão relacionados principalmente a fatores fisiológicos, econômicos e biopsicossociais, conforme observa-se a seguir: Outro ponto importante de atenção na alimentação dos idosos são as características fisiológicas e sociais que podem interferir na alimentação. Perda de apetite é uma alteração fisiológica bem frequente e pode estar relacionada a fatores como dificuldade de mastigação, uso de medicamentos, diminuição de sensibilidade gustativa e até depressão. Idosos que moram sozinhos tendem a comer mais alimentos de baixo valor nutritivo e industrializados devido, principalmente, a dificuldades de ir ao supermercado por falta de alguém que os leve ou falta de motivação para fazer a própria comida. Os hábitos alimentares apresentam-se como fatores de risco para as doenças crônicas não transmissíveis, mas mudanças decorrentes do processo de envelhecimento podem ser atenuadas com uma dieta balanceada nos aspectos dietéticos e nutritivos. Como vimos, esses hábitos influenciam a Epigenética e, consequentemente, a nossa saúde. Fisiológicos: redução do apetite, dificuldades na deglutição e diminuição de gustação e olfato; Econômicos: diminuição da capacidade financeira para comprar alimentos in natura e maior acesso a alimentos industrializados e de menor valor aquisitivo; Biopsicossociais: perda da capacidade de cozinhar seu próprio alimento, solidão e falta de motivação para preparar alimentos e desmotivação psicológica associada a quadros depressivos. Vídeo Cientistas Descobrem Genes Responsáveis pela Longevidade e A obesidade está relacionada a uma variedade de complicações que podem afetar diferentes sistemas do corpo, incluindo questões metabólicas, sanguíneas, urinárias, respiratórias e ósseas. Para evitar o declínio funcional progressivo em idosos com obesidade, é crucial introduzir intervenções no estilo de vida. Isso inclui a redução da ingestão diária de calorias, combinada a um programa de exercícios físicos. Evidências apontam que o consumo nutricional inadequado entre idosos pode agravar os quadros de obesidade. Além disso, a carência nutricional é mais comum nessa faixa etária, tornando fundamental uma atenção redobrada à alimentação equilibrada e rica em nutrientes essenciais para manter a saúde e a qualidade de vida. Embora tenhamos adquirido um conhecimento relativo sobre os padrões que determinam e distribuem a obesidade, é de suma importância priorizar a integração de práticas clínicas com a Resistência em Idosos Cientistas descobrem genes responsáveis pela longevidade e resiCientistas descobrem genes responsáveis pela longevidade e resi…… https://www.youtube.com/watch?v=k1IrotCs5F4 educação nutricional. Há ainda muito a ser feito por profissionais, especialmente gerontólogos de diversas áreas, no que tange à prevenção e intervenção em idosos. É essencial um acompanhamento das políticas públicas e um monitoramento constante dos padrões alimentares, incentivando práticas alimentares saudáveis entre essa parcela da população brasileira. O objetivo é reduzir os efeitos adversos de uma alimentação desequilibrada na saúde geral e na incidência de doenças crônicas não transmissíveis, que são tão prevalentes entre os idosos. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Site Projeção da População Site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística com a projeção da população do Brasil e das Unidades da Federação. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Leitura Documento da Política Nacional da Pessoa Idosa Página 2 de 3 📄 Material Complementar https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pesquisa/53/49645?ano=2047 Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Alimentação Saudável para Pessoa Idosa: um Manual para Profissionais de Saúde Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Orientações para Avaliação de Marcadores de Consumo Alimentar na Atenção Básica Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2014/10/pol--tica-nacional-de-sa--de-da-pessoa-idosa.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/alimentacao_saudavel_idosa_profissionais_saude.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/marcadores_consumo_alimentar_atencao_basica.pdf BAYER, G. F.; GOES, S. Mortalidade nas capitais brasileiras 1930-1980. RadisDados, Rio de Janeiro, v. 7, p. 1-8, 1984. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2014. Disponível em: . Acesso em: 10/01/2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos de uso do Guia Alimentar para a população brasileira na orientação alimentar da população idosa. Ministério da Saúde, Universidade de São Paulo. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. 15p. Disponível em: . Acesso em: 10/01/2024. BRASIL. Ministério da Saúde. 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