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Processo Penal – Parte Geral 
Aula 01
Professor: Renato Pulz e-mail: renatopulz@gmail.com
AV1 – 20/04
Processo Penal – É o conjunto de princípios e normas que regulam a aplicação jurisdicional do Direito Penal, bem como as atividades persecutórias da Polícia Judiciária, e a estruturação dos órgãos da função jurisdicional e respectivos auxiliares (José Frederico Marques apud Capez, 2021).
O direito de punir do Estado
· Titular exclusivo. Estado-juiz. Terceiro imparcial
· Vedada a autotutela
· Jus puniendi e jus persequendi in judicio
Garantia de Direitos  Instrumento  Exercício da Jurisdição
Histórico – Eras das vinganças
Vingança Divina  Vingança Privada  Vingança Pública
1. Estado
2. Monopólio da Justiça
3. Titularidade exclusiva do poder de punir
Histórico
· Abusos do estado
· Noção de Estado de Direito. Legalidade
· Iluminismo. Humanismo. Sec XVIII
· Voltaire. Montesquieu. Locke. Rosseau. Bentham
· Cesar Bonesana (Marquês de Beccaria)
Código de Processo Penal – Decreto-Lei nº 3.689 de 1941
Constitucionalização do CPP
“O processo penal contemporâneo somente se legitima à medida que se democratizar e for devidamente constituído a partir da constituição” (Aury Lopes Jr.)
Jurisdição
“É a atividade pela qual o Estado soluciona os conflitos de interesse aplicando o Direito ao caso concreto, por meio do processo.” 
Procedimentos? Modo pelo qual são ordenados os atos do processo até a sentença.
Persecução Penal
Investigação + Ação Penal = Persecução Penal
Finalidade do Processo Final
· Propiciar a adequada solução jurisdicional do conflito de interesse entre o Estado-administração e o infrator, através de uma sequência de atos que compreendam a formulação da acusação, a produção de provas, o exercício da defesa e o julgamento de lide (Capez, 2021).
· Garantia de direitos fundamentais (Aury Lopes Jr, 2021).
· (Divergência na doutrina) Lide Penal – “Conflito de interesses entre o estado que tem a pretensão de punir o infrator, enquanto este, por imperativo constitucional, oferecerá resistência a essa pretensão, através de defesa técnica e pessoal”.
· “O processo não pode mais ser visto como um simples instrumento a serviço do poder punitivo (direito penal), senão que desempenha o papel limitador do poder e garantidor do indivíduo a ele submetido”. Há que se compreender que respeito às garantias fundamentais não se confunde com impunidade, e jamais se defendeu isso. O processo penal é o caminho necessário para chegar-se legitimamente a pena.
· (...) assim existe uma necessária simultaneidade e coexistência entre a repressão ao delito e respeito às garantias constitucionais, sendo essa a difícil missão do processo penal. (Aury Lopes Jr. 2021).
Pacificação Social pela Solução do Conflito (MEDIATA)  Finalidade do Direito Processual Penal (VISÃO TRADICIONAL)  Viabilizar a Aplicação do Direito Penal (MEDIATA)
Efetivação do Direito Penal e da aplicação da Pena  Finalidade do Processo Penal  Garantia de Direitos Fundamentais.
Garantias de Direito Fundamentais
Dez axiomas, que são valores, princípios garantidores de direitos mínimos do acusado que devem nortear tanto o Processo Penal quanto o Direito Penal.
1. Não há pena sem crime;
2. Não há crime sem lei;
3. Não há lei penal sem necessidade;
4. Não há necessidade sem ofensa a bem jurídico;
5. Não há ofensa ao bem jurídico sem ação;
6. Não há ação sem culpa;
7. Não há culpa sem processo;
8. Não há processo sem acusação;
9. Não há acusação sem prova;
10. Nulla probatio sine defensione
Relação Processual
Juiz – Acusação – Réu
Princípios Processuais Penais
· Constitucionais
· Convencionais
· Legais
Princípios no Processo Penal
· Da Jurisdicionalidade
· Devido Processo Legal
· Imparcialidade do Juiz
· Da Necessidade
· Estado de Inocência (não culpabilidade)
· Contraditório e Ampla Defesa
· Nemo tenetur se detegere
· Publicidade
· Igualdade Processual
· Da proporcionalidade
· Juiz natural. Promotor natural
· Da inércia da jurisdição
· Razoável duração do processo
· Vedação ao bis in idem
· Imediata aplicação da lei processual
· Duplo grau de jurisdição
· Da verdade real
· Prevalência do interesse do Réu
· Da motivação
· Vedação às provas ilícitas
Princípios Processuais Penais
· Visão Constitucional
· Instrumento em face aos excessos do Estado
· Dignidade da Pessoa Humana
As Normas abrangem princípios (caráter geral) e regras (vedação mais específica, ou seja, atribui conduta especifica, por exemplo, proíbe uma conduta e impõe uma pena).
Princípios
· J.J. Gomes Canotilho “A Constituição é um sistema aberto de regras e princípios”.
· Podemos didaticamente, dizer que princípios de direito “são normas de caráter geral, que se constituem em diretrizes do ordenamento jurídico e exigem sua otimização, possibilitando um balanceamento entre valores e interesses.
· Valores
· Caráter “normogenérico”
Função dos Princípios
· Fundamentadora: Constituem fundamento de validade de outras normas jurídicas, possuindo assim eficácia diretiva de outras normas;
· Interpretativa: Orientam a interpretação das demais normas jurídicas, por serem valores fundamentais do ordenamento jurídico e, em especial, do ramo do direito a que se relacionam;
· Supletiva: Os princípios podem ser utilizados, como regra geral, para suprir ou integrar as lacunas do direito. Assim, o art. 3º do Código de Processo Penal dispõe que a lei processual penal admitirá o suplemento dos princípios gerais do direito.
PRINCÍPIOS
1. Da Jurisdicionalidade
· Artigo 5º, inciso LXI, da CF/88. “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou por crime propriamente militar, definidos em lei.
· Jus puniendi é exclusivo do Estado.
· Reserva Legal. Reserva de jurisdição às medidas restritivas
· Como decorrência desse princípio surge o Princípio da motivação das decisões judiciais.
2. Instrumentalidade do Processo Penal
· O processo é o instrumento pelo qual se valerá o Estado para que seja verificada a existência ou não de um crime, para que assim seja possível a aplicação de uma sanção penal (TOUTINHO FILHO, 2010).
· É um meio, um instrumento, para efetivação do direito penal
· Não é um fim em si mesmo!
· Também foi concebido como forma de garantia da liberdade
· Respeito aos direitos fundamentais
3. Devido Processo Legal (Due process of Law)
· Magna Carta de João Sem Terra (procedimento previsto na lei de determinado país para que, depois da prática do crime, possa aplicar uma determinada pena).
· Super Princípio
Art. 5º, LVI. “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”.
· Devido Processo Legal Procedimental (Formal) – Rito previsto, previamente para cada tipo de crime.
· Devido Processo Legal Substancial (Material) – A observância do rito deve conduzir a uma decisão justa.
4. Da Necessidade
· Evolução do Processo Penal relacionada a evolução da Pena
· Regras para a aplicação da pena
· Ponte de ruptura do Processo Penal com Processo Civil (No processo penal não há solução de conflito via extra-judicial)
· O Processo Penal é o caminho NECESSÁRIO para a aplicação da Pena
· Críticas do autor à justiça plea bargain, ANPP
· “não existe delito sem pena, nem pena sem delito e processo, nem processo penal senão para determinar o delito e impor uma pena”
· Respeito às garantias não se confunde com impunidade (Aury Lopes Jr. 2021).
5. Imparcialidade do Juiz
· O juiz situa-se entre as partes e acima delas (CAPEZ, 2021).
· Sistema acusatório
· Terceiro imparcial
· Art. 5º, inc. XXXVII. Proibição de juiz de exceção
· Vedações e garantias ao juiz (art. 95, CF)
· Impedimentos (art. 252, CPP) e suspeições do juiz (art. 254, CPP)
6. Estado de Inocência (não culpabilidade)
· DUDH art. 11.1 “Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não se prova sua culpabilidade, de acordo com a lei e em processo público no qual se assegurem todas as garantias necessárias para suadefesa”.
· Pacto São José da Costa Rica (Convenção Interamericana de DH) art. 8º (2) “toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa”.
· Art. 5º, LVII, CF: “ninguém será considerado culpado, até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
Premissas do Direito Internacional
1. O pacto prevê a presunção de inocência, utilizando expressamente a expressão “inocência”;
2. O termo final da presunção de inocência é a comprovação de culpa, ou seja, quando não couber mais recurso que possa discutir a culpabilidade do réu.
Premissas da CF/88
Art.5º, LVII “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
1. Não utilizou a expressão inocência, mas afirmou que ninguém será considerado culpado;
2. Previu como termo final da presunção de não culpabilidade o trânsito em julgado da sentença penal condenatória
Duas Regras (Alcance)
1. Regra de Tratamento
1.1. Garantias em face do poder punitivo estatal (réu não é objeto do principal e sim um sujeito de direitos).
1.2. Limitação das medidas restritivas de direitos (prisão cautelar deve ser entendida como última medida-última ratio).
2. Regra Probatória
Ônus de comprovação da prática de crime é especialmente da acusação e de julgamento (“favor rei”, “in dúbio pro reo”). 
Polêmica – Execução Provisória da Pena
· Qual a previsão que prevalece?
· Art. 283, CPP (nova redação)
· Qual a mais favorável ao réu? Princípio Pro Homine
· Entendimentos do STF sobre o tema?
Argumentos sobre execução provisória da pena após decisão condenatória de 2º grau
Admite
· Marco final da presunção da culpa é a decisão de 2º grau
· A regra é que recurso extraordinário não tem efeito suspensivo
Não admite
· STF afirmou a constitucionalidade do art. 283 CPP (antiga redação)
· “Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva.”
Nova redação pela lei 13.964/19
· “Art. 283, CPP - Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de prisão cautelar ou em virtude de condenação criminal transitada em julgado.
Posição do STF - Mudanças no Entendimento
· Até FEV/2009 - É possível a execução provisória da pena (STF Planário, HC 68726, Rel. Min. Néri da Silveira, julgado em 28/06/1991)
· De FEV/2009 à FEV/2016 - Não é possível a execução provisória da pena. HC 84078 (Rel. Min. Eros Grau) - precisa aguardar o trânsito em julgado (prisão processual)
· NOV/2019 - Não é possível a execução provisória -ADCs 43, 44 e 54 (Rel. Min. Marco Aurélio). Votação 6x5
OBS: Nada impede a prisão preventiva se preenchidos os requisitos.
Inovação Legislativa (Pacote Anticrime)
No JURI
Art. 492, CPP – Em seguida, o presidente proferirá sentença que: (redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)
I – no caso de condenação (redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)
e) mandará o acusado recolher-se ou recomendá-lo-á à prisão em que se encontra, se presentes os requisitos da prisão preventiva, ou, no caso de condenação a uma pena igual ou superior a 15 (quinze) anos de reclusão, determinará a execução provisória das penas, com expedição do mandado de prisão, se for o caso, sem prejuízo do conhecimento de recursos que vierem a ser interpostos; (Redação dada pela Lei 13.967, de 2019).
Exemplo da aplicação do Princípio da Presunção da Inocência
· Art. 20, CPP - A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade
· Parágrafo Único. No caso de antecedentes que lhe forem solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de inquérito contra os requerentes. (Redação dada pela Lei nº 12.681, de 2012).
7. Contraditório e Ampla Defesa
· Art. 5º, LIV, CF “Garante que o indivíduo só será privado de sua liberdade ou terá seus direitos restringidos mediante um processo legal, exercido pelo Poder judiciário, por meio de um juiz natural, assegurados o contraditório e a ampla defesa.
· Não são sinônimos
7.1 Contraditório
· Direito da parte de ser ouvida e se manifestar em igualdade de condições
· Ciência Bilateral 
· Oportunidade de fazer prova em todos os atos
· Contraditório Real x “Diferido”
Aspectos
Direito a informação Direito a Manifestação Igualdade de Condições
Princípio do contraditório tem aplicação no Inquérito Policial
· Não, para a doutrina majoritária inquérito não é processo. Trata-se de procedimento administrativo.
· Para alguns autores é mitigado ou deferido
· Os elementos de prova produzidos poderão ser contraditados no processo
OBS 1: Art. 14 – A, CPP também não inseriu
OBS 2: Procedimento para expulsão de estrangeiro na lei de migração.
Súmula Vinculante 14 – É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. 
· O acusado, embora preso, tem o direito de comparecer, de assistir e de presenciar, sob pena de nulidade absoluta, os atos processuais, notadamente aqueles que se produzem na fase de instrução do processo penal, que se realiza, sempre, sob a égide do contraditório. São irrelevantes, para esse efeito, as alegações do Poder Público concernentes à dificuldade ou inconveniência de proceder à remoção de acusados presos a outros pontos do Estado ou do País, eis que razões de mera conveniência administrativa não têm - nem podem ter - precedência sobre as inafastáveis exigências de cumprimento e respeito ao que determina a Constituição. (...)
Jurisprudência. - O direito de audiência, de um lado, e o direito de presença do réu, de outro, esteja ele preso ou não, traduzem prerrogativas jurídicas essenciais que derivam da garantia constitucional do "due process of law" e que asseguram, por isso mesmo, ao acusado, o direito de comparecer aos atos processuais a serem realizados perante o juízo processante, ainda que situado este em local diverso daquele em que esteja custodiado o réu. ...” (HC 86634, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 18/12/2006, DJ 23-02-2007 PP-00040 EMENT VOL-02265-02 PP-00265 RTJ VOL-00202- 03 PP-01146 RJSP v. 55, n. 353, 2007, p. 179-186 LEXSTF v. 29, n. 340, 2007, p. 394- 405).
Contraditório e Ampla-Defesa
7.2 Ampla-Defesa
· Deve ser técnica
· Pode ser positiva ou negativa
· Permitida a autodefesa (art. 263, CPP)
· Todos os meios de prova admitidos em lei (Excepcionalmente, se admite provas ilícitas na defesa do réu).
Art. 261, CPP “Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem defensor”.
Art. 263, CPP “Se o acusado não o tiver, ser-lhe-á nomeado defensor pelo juiz, ressalvado o seu direito de, a todo tempo, nomear outro de sua confiança, ou a si mesmo defender-se, caso tenha habilitação.
Defesa Técnica
· Indisponível
· Falta = Nulidade Absoluta
· Deficiência = Nulidade Relativa
Autodefesa
· Disponível
· Direito à audiência
Súmula 523, STF – No processo penal, a falta da defesa constituí nulidade absoluta (nulidade relativa), mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.
Direito à Defesa
· Súmula Vinculante 05 – A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição. 
· Súmula Vinculante 21 – É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.
· Súmula Vinculante 28 – É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário.
· Súmula 701 – STF – No mandado de segurança impetradopelo Ministério Público contra decisão proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo.
· Súmula 707 – Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contra-razões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo.
SLIDE 65
AULA 02 – SLIDE 73 – SLIDE 88
AULA 03 – OLHAR
Aula 04
Slide 124
21. Prevalência do interesse do Réu
· Melhor um culpado solto que um inocente preso
· Aplicação só na sentença
· No recebimento da denúncia, na pronúncia (júri) e na revisão criminal (in dúbio pro societate)
· OBS. A dúvida é sobre as provas e não do juiz.
23. Da Motivação
Art. 381, CPP
Inovação Legislativa (Lei nº 13.964/2019)
Fontes do Direito Processual Penal
1. Fonte Material
2. Até slide 23
Aula 05
Slide 23 até
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