Apostila Dir Administrativo 2
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Apostila Dir Administrativo 2


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ou sucessivo, que é o que acompanha a realização do ato para verificar a regularidade de sua formação, como por exemplo, a realização de uma auditoria durante a execução do orçamento; fiscalização de um contrato em andamento, etc.
e) subseqüente ou corretivo, feito a posteriori e efetiva-se após a conclusão do ato controlado com fim de corrigi-lo nos eventuais defeitos ou dar-lhe eficácia, como a homologação do julgamento de uma concorrência; o visto das autoridades superiores em geral;
f) controle de legalidade ou de legitimidade, que objetiva verificar unicamente a conformação do ato ou do procedimento administrativo com as normas legais e demais preceitos que o regem. Pode ser realizado tanto pela Administração Pública como pelo Poder Judiciário.
h) controle de mérito, que é todo aquele que visa à comprovação da eficiência, do resultado, da conveniência ou oportunidade do ato controlado, mediante critérios técnicos e científicos de aferição do resultado e comprovação da eficiência. Sua realização, em razão disso, está a cargo da Administração Pública. Não cabe esse controle ao Judiciário. A revogação de uma permissão de uso de bem público, por não mais convir ao permitente, é controle de mérito, como é de mérito a desativação de uma caldeira considerado obsoleta.
É bom lembrar também que um ato do Executivo, sujeito a controle externo e prévio do Legislativo, pode ser submetido posteriormente ao controle interno e concomitante da própria Administração e, a final, sujeitar-se a controle de legalidade do Judiciário, caso seja argüido de lesivo ao direito individual do postulante de sua anulação, ou ao patrimônio público.
4) ESPÉCIES
Os tipos e formas de controle da atividade administrativa variam segundo o Poder, órgão ou autoridade que o exercita, ou o fundamento, o modo e momento de sua efetivação. Assim, temos o controle da própria Administração sobre seus atos e agentes, chamados controle administrativo, auto controle ou executivo. Depois, vem o do Poder Legislativo sobre determinados atos e agentes do Executivo (controle parlamentar ou legislativo) e, finalmente, a correção dos atos ilegais de qualquer dos Poderes, pelo Poder Judiciário (controle judiciário ou judicial).
Vejamos cada um deles:
a) Controle Administrativo ou Autocontrole
É todo aquele que o Executivo e os órgãos de administração dos demais Poderes exercem sobre suas próprias atividades, visando mantê-las dentro da lei, segundo as necessidades do serviços e as exigências técnicas e econômicas de sua realização, pelo que é um controle de legalidade e de mérito.
O controle administrativo deriva do poder-dever de autotutela que a Administração tem sobre seus próprios atos e agentes e que é exercido pelos órgãos superiores sobre os inferiores (controle hierárquico próprio das chefias e Corregedorias), com auxílio de órgãos incumbidos do julgamento de recursos (controle hierárquico impróprio) ou ainda de órgãos especializados em determinadas verificações (controle técnico de auditorias, etc.), integrantes da mesma Administração, caracterizado como controle interno.
É através do controle administrativo que a Administração pode anular, revogar ou alterar os seus próprios atos e punir os seus agentes com as respectivas penalidades estatutárias, quando considerados atos ilegais ou ineficientes.
Os meios de controle administrativo dividem-se em fiscalização hierárquica e recursos administrativos, embora a lei possa especificar outras modalidades mais adequadas para certos órgãos da administração direta e indireta.
A fiscalização hierárquica é exercida pelos órgãos superiores sobre os inferiores da mesma Administração, visando ordenar, coordenar, orientar e corrigir suas atividades e agentes. Exercita-se permanentemente e sem descontinuidade em todos os órgãos do Executivo e tem como características a permanência e automaticidade. É dever-poder de chefia e o chefe que não a exerce comete inexação funcional.
Os recursos administrativos caracterizam-se como todos os meios hábeis de propiciar o reexame de decisão interna pela própria Administração. Assim, no exercício de sua jurisdição a Administração aprecia e decide as pretensões de seus administrados e de seus servidores, aplicando o direito que entenda cabível, segundo a interpretação de seus órgãos técnicos e jurídicos. Os referidos meios hábeis de propiciar o reexame da atividade administrativa são a representação, a reclamação e o pedido de reconsideração.
Representação administrativa é a denúncia formal e assinada de irregularidades internas ou de abuso de poder na, prática de atos administrativos, feita por quem quer que seja à autoridade competente para conhecer e coibir tal ilegalidade apontada. O direito de representar é garantido constitucionalmente (art. 5.", XXXIV, a) e é incondicionado, imprescritível e independente do pagamento de taxas e pode ser exercido por qualquer pessoa, a qualquer tempo e em quaisquer circunstâncias. Quem, no entanto, fizer denúncia com falsidade de imputação poderá sofrer ação de responsabilidade civil e criminal.
Reclamação administrativa é a oposição expressa a atos da Administração que afetam direitos e interesses legitimes do administrado. O direito de reclamar é amplo e se estende a toda pessoa física ou jurídica que se sentir lesada ou ameaçada de lesão pessoal ou patrimonial por atos ou fatos administrativos. Pedido de Reconsideração é a solicitação da parte dirigida à mesma autoridade que expediu o ato para que o invalide ou o modifique nos termos da pretensão do requerente. Deferido ou indeferido, total ou parcialmente, não admite novo pedido nem possibilita nova modificação.
Cumpre observar, por fim, o que se deve entender por coisa julgada administrativa que, na verdade, não tem o alcance da coisa julgada judicial, tratando-se apenas de urna preclusão de efeitos internos visto que o ato administrativo não deixa de ser um simples ato de decisão, sem força conclusiva, como o ato jurisdicional do Poder Judiciário.
Por outro lado, a Administração Pública, para registro de seus atos, controle da conduta de seus agentes e solução de controvérsias dos administrados, utiliza-se de diversos procedimentos que recebem a denominação comum do processo administrativo. Mas, inicialmente há que se distinguir os dois conceitos:
Processo é o conjunto de atos coordenados para a obtenção de decisão sobre uma controvérsia no âmbito judicial ou administrativo. Procedimento é o modo de realização do processo, ou seja, é o rito processual. Assim, o processo pode realizar-se por diferentes procedimentos, embora haja inúmeros procedimentos administrativos que não constituem um processo, propriamente dito, como as licitações e os concursos.. O caracteriza um processo mesmo é o ordenamento de atos para a solução de um contraditório; e o que tipifica o procedimento de um processo é o modo específico do ordenamento desses atos.
Processo Administrativo é então o gênero que se reparte em várias espécies, dentre as quais destacam-se o processo disciplinar e o processo fiscal ou tributário, chamado de contencioso tributário. Além do mais, o processo administrativo está sujeito a certos princípios, entre os quais:
legalidade objetiva, no qual só pode ser instaurado com base na lei e para preservação dela, a 
oficialidade, que é o princípio pelo qual sempre se atribui o processo à Administração, oficialmente, ainda que tenha sido provocado por particular; 
informalismo, pelo qual o processo administrativo dispensa ritos sacramentais e formas rígidas, 
verdade material ou liberdade da prova, o qual autoriza a Administração a valer-se de qualquer prova de que autoridade julgadora ou processante tenha conhecimento, desde que a faça transladar para o processo 
garantia do processo. assegurado pela Constituição (art. 5°, LV) em decorrência do princípio do devido processo legal ("due process of taw "), também garantido pela CF/88 (art. 5°, LIV), do direito anglo norte americano, garantindo o direito do contraditório (de