A assistência farmacêutica no SUS
68 pág.

A assistência farmacêutica no SUS


DisciplinaIntrodução à Saúde Coletiva I17 materiais183 seguidores
Pré-visualização16 páginas
o cumprimento de prazos por inter-
médio da implantação de um cronograma de distribuição;
\u2022 Implantar sistema de controle da distribuição, documentação e arquivo.
7. Prescrição
\u2022 Promover a adesão dos prescritores à REME/REMUME por meio de campanhas de divulgação e 
ações de avaliação e acompanhamento sistemático através de indicadores de prescrição;
\u2022 Elaborar e divulgar normas de prescrição no âmbito do SUS;
\u2022 Promover ações de educação permanente em saúde com ênfase no URM e na promoção da 
saúde aos prescritores.
42 |
8. Dispensação e Uso Racional de Medicamentos
\u2022 Elaborar e divulgar manuais e portarias normatizando a dispensação com competências do 
pessoal de apoio, de acordo com a legislação sanitária vigente;
\u2022 Garantir gestão adequada da dispensação;
\u2022 Dispensar medicamentos segundo os preceitos das Boas Práticas de Dispensação (orientação, 
informação);
\u2022 Promover o uso racional de medicamentos, fitoterápicos e plantas medicinais por meio de cam-
panhas educativas e normatizações;
\u2022 Realizar ações de promoção da saúde;
\u2022 Dispensar exclusivamente mediante receita de profissional habilitado com definição das compe-
tências de cada profissional;
\u2022 Informatizar o processo de dispensação;
\u2022 Capacitar o pessoal de apoio;
\u2022 Capacitar a equipe de saúde para o uso racional de medicamentos;
\u2022 Acompanhar grupos operativos de usuários que fazem uso contínuo de medicamentos;
\u2022 Monitorar o uso de medicamentos por meio dos ACS;
\u2022 Promover campanhas para devolução de medicamentos não utilizados e vencidos;
\u2022 Apoiar os Núcleos de Apoio à Estratégia de Saúde da Família (NASFs), sem causar prejuízos à 
assistência farmacêutica nas unidades de saúde;
\u2022 Realizar ações integradas com os profissionais das ESF (agentes comunitários de saúde) para 
a promoção do uso racional de medicamentos, plantas medicinais e fitoterápicos;
\u2022 Participar das reuniões que envolvam a equipe multiprofissional;
\u2022 Participar das visitas domiciliares;
\u2022 Trabalhar ações de promoção em saúde.
9. Atenção Farmacêutica
\u2022 Prestar orientação individual e coletiva quanto ao uso correto dos medicamentos, priorizando os 
programas e estratégias do pacto de gestão;
\u2022 Realizar o seguimento da farmacoterapia, com ênfase na adesão do tratamento;
\u2022 Sinalizar para a equipe de saúde a necessidade de busca ativa de pacientes;
\u2022 Implantar sistema de acompanhamento farmacoterapêutico dos pacientes idosos, dos portado-
res de tuberculose, hanseníase, e dos hipertensos e diabéticos.
| 43
10. Recursos Humanos
\u2022 Dispor de, pelo menos, um farmacêutico para execução e organização da AF devendo atuar 
também como coordenador da AF municipal;
\u2022 Dispor de, pelo menos, um farmacêutico em cada serviço: tais como na Central de Abasteci-
mento Farmacêutico \u2013 CAF, na farmácia ambulatorial, farmácia hospitalar, etc.. Nas CAFs que 
armazenam outros produtos, exigir mais um farmacêutico;
\u2022 Na Atenção Básica, deverá ser previsto um farmacêutico para cada 7 mil habitantes;
\u2022 Dispor de pessoal auxiliar capacitado em AF;
\u2022 Propor realização de cursos de capacitação em áreas auxiliares da AF;
\u2022 Dispor de programa de educação permanente para profissionais (nível superior e médio) que 
atuam na AF;
\u2022 Implantar as normas de saúde do trabalhador no ambiente de trabalho.
11. Farmacovigilância
\u2022 Implantar a farmacovigilância e promover a capacitação dos profissionais para a notificação de 
eventos adversos a medicamentos;
\u2022 Acompanhar e avaliar as notificações;
\u2022 Notificar e encaminhar fichas de notificação de eventos adversos para o sistema estadual e 
nacional de farmacovigilância.
| 45
Farmácia Popular5
A Farmácia Popular do Brasil é um programa do Governo Federal para ampliar o acesso da 
população aos medicamentos considerados essenciais. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão 
do Ministério da Saúde, é a executora do programa, e adquire os medicamentos de laboratórios 
farmacêuticos públicos ou, quando necessário, do setor privado, e os disponibiliza nas Farmácias 
Populares a um baixo custo. Um dos objetivos do programa é beneficiar principalmente as pes-
soas atendidas fora do SUS e que têm dificuldade para realizar o tratamento devido ao custo do 
medicamento. (BRASIL, 2005b).
Na instalação e organização do programa Farmácia Popular, o Município deve vinculá-la à 
Coordenação Municipal da Assistência Farmacêutica.
Como o programa Farmácia Popular prevê o repasse de recursos financeiros para garantir 
a estrutura física adequada e a presença de, no mínimo, dois farmacêuticos, é importante que os 
Municípios contratem novos farmacêuticos, ao invés de utilizar farmacêuticos já existentes.
A Comissão de Saúde Pública do Conselho Federal de Farmácia considera que o programa 
Farmácia Popular se justifica nas seguintes situações:
\u2022 Para o atendimento de pacientes não oriundos do Sistema Único de Saúde, provenientes 
de convênios ou atendimento particular e que não possuem condições de arcar com os 
custos dos medicamentos, em especial os de uso crônico. Isso facilita o tratamento des-
ses pacientes e evita gastos futuros do Sistema;
\u2022 Para fornecer medicamentos que não são padronizados pelo Sistema Único de Saúde, 
como os de atendimento à média complexidade.
| 47
Considerações Finais6
A implantação dos serviços farmacêuticos na atenção básica de saúde dos Municípios brasi-
leiros proporciona vantagens aos gestores municipais por meio das seguintes ações:
1. Seleção dos medicamentos a serem utilizados no Município, através de indicadores 
epidemiológicos, do histórico de consumo e das definições de condutas adotadas pelos 
prescritores e dispensadores. Essa ação, por si, já produz uma economia ao erário, pois 
permite a aquisição direcionada às realidades de cada Município ou região, evitando, as-
sim, a obtenção desnecessária de alguns itens não utilizados.
2. Orientação sobre o uso correto dos medicamentos de forma individual ou para grupos 
específicos (hipertensos, diabéticos, idosos, mulheres, entre outros). Essa orientação au-
menta a adesão ao tratamento, aumentando também as chances de sucesso no tratamento 
ou no controle de agravos da atenção básica. Essa ação reduz o retorno desses pacientes 
ao serviço de saúde pelo mesmo motivo, gerando consultas com outros profissionais, e 
reduzindo a demanda clínica nas unidades de saúde.
3. Acompanhamento orientado do tratamento com medicamentos, na maioria das ve-
zes, reduz, de forma eficaz, os complicadores em decorrência da hipertensão e do dia-
betes, tais como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, doença renal 
crônica, retinopatias diabéticas, entre outras. Essas complicações, por suas vez, acabam 
demandando recursos financeiros, profissionais e apoio logístico mais complexos, o que 
é inviável para a maioria dos Municípios do País.
4. Estímulo ao atendimento multiprofissional contribui, de forma significativa, para a 
melhoria da qualidade de vida da população, através da inclusão de práticas integrativas 
e preventivas na atenção básica do Sistema Único de Saúde.
5. Realização da farmacovigilância, relatando efeitos adversos relacionados ao uso dos 
medicamentos, através de um banco de dados nacional, o que proporciona a aquisição de 
medicamentos de qualidade para distribuir à população.
6. Organização da assistência farmacêutica nos Municípios reduz substancialmente 
as demandas judiciais que obrigam os gestores a adquirir medicamentos com a mesma 
ação terapêutica, comprovados e legitimados pela Relação Nacional de Medicamentos 
atualizada.
48 |
Em toda extensão territorial brasileira, vários Municípios já implantaram efetivamente a as-
sistência farmacêutica. Podemos encontrar modelos mais organizados, balizados essencialmente 
na logística estabelecida por meio do Ciclo da Assistência