Carvalho_augusto_cesar_leite_direito_trabalho_versao003_dez2012
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DisciplinaDireito do Trabalho I36.631 materiais534.857 seguidores
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I) Indenização por danos morais ......................................................................................................... 356 
20 ESTABILIDADE NO EMPREGO ......................................................................................................... 358 
20.1 Fonte jurídica e tipologia da estabilidade ................................................................................... 358 
20.2 A estabilidade definitiva .............................................................................................................. 358 
20.3 A estabilidade provisória (ou garantia de emprego) .................................................................. 360 
20.3.1 A estabilidade sindical .............................................................................................................. 362 
20.3.2 A estabilidade dos membros da CIPA eleitos pelos empregados ............................................ 365 
20.3.3 A estabilidade da gestante ....................................................................................................... 366 
20.3.4 A estabilidade acidentária ........................................................................................................ 369 
20.3.5 A estabilidade dos membros da Comissão de Conciliação Prévia eleitos pelos empregados . 370 
20.3.6 A estabilidade do membro do Conselho Curador do FGTS ...................................................... 371 
20.3.7 A estabilidade do empregado eleito diretor de cooperativa ................................................... 371 
20.3.8 A estabilidade do membro do CNPS ........................................................................................ 373 
20.3.9 A estabilidade dos representantes dos trabalhadores na empresa ........................................ 373 
20.3.10 A estabilidade no período pré-eleitoral ................................................................................. 374 
21 DIREITO FUNDAMENTAL DE GREVE ............................................................................................... 375 
21.1 A greve e o meio ambiente de trabalho ..................................................................................... 375 
21.2 A interação entre a greve e os sistemas político e econômico ................................................... 375 
21.3 Conceito legal .............................................................................................................................. 375 
21.4 A greve como direito fundamental ............................................................................................. 376 
21.4.1 A greve como direito coletivo fundamental ............................................................................ 376 
21.4.1.1 As dimensões individual e coletiva do direito fundamental à greve .................................... 377 
21.4.1.2 A greve como direito fundamental \u2013 a opção pela via pacífica e a preeminência como 
método de solução dos conflitos coletivos ......................................................................................... 378 
21.4.1.3 O interesse coletivo e as greves geral, política e de solidariedade....................................... 380 
21.4.1.4 A greve como direito fundamental \u2013 o lock-in e o lock-out .................................................. 381 
 
 
21.4.2 A greve e o princípio da boa-fé objetiva .................................................................................. 382 
21.4.2.1 Imunização da greve contra a perturbação patronal ............................................................ 382 
21.4.2.2 Imunização da greve contra a perturbação obreira .............................................................. 384 
21.4.3 A suspensão do contrato durante a greve ............................................................................... 386 
21.5 A greve sob intervenção judicial ................................................................................................. 388 
21.6 A greve e o interdito proibitório ................................................................................................. 389 
21.6.1 A ameaça à posse como pressuposto do interdito possessório .............................................. 389 
21.6.2 A necessidade de audiência de justificação para a concessão do mandado proibitório ......... 391 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................................... 393 
NOTAS ................................................................................................................................................. 399 
 
 
 
 
1 ORIGEM DO DIREITO DO TRABALHO 
Augusto César Leite de Carvalho 
1.1 A pré-história do direito do trabalho 
Houve tempo em que o homem produzia para atender às suas próprias necessidades e às de sua 
família, interagindo com a natureza e com outros homens que agiam à sua semelhança. Era um tempo, 
portanto, de mediações de primeira ordemi, ou mediações primárias, e de comportamento instintivo. 
Produzindo o que era útil para o próprio consumo, o homem primitivo desconhecia o conceito 
de mercadoria e o mundo do trabalho não comportava, em situação de normalidade, a estrutura 
hierárquica que mais tarde viria a predominar nas relações de trabalho. A terra não estava repartida, 
nem havia quem a repartisse. 
A troca ou escambo ganhou, progressivamente, alguma complexidade até que se iniciou um 
processo de conversão do valor de uso em valor de trocaii, pois as coisas transferidas não o eram mais 
segundo o valor da utilidade que proporcionavam, mas passaram a ter o seu valor inflado pelo trabalho 
humano e, mais adiante, pelo valor que correspondia ao lucro, vale dizer, o ganho do empresário que 
precisava existir para justificar o seu investimento na produção. 
 O investimento na produção de mercadorias, em escala industrial, não foi a primeira forma de 
inversão do capital a contribuir para que se reduzissem gradualmente as mediações de primeira ordem. 
Um modelo econômico que pressupunha a realização de capital e, sob perspectiva histórica, precedeu 
o sistema capitalista fora decerto o sistema mercantilista. Desde as primeiras formas de mercantilismo 
(bulionismo ou metalismo), preconizava-se estar a riqueza das nações associada à quantidade de 
metais preciosos \u2013 ouro e prata \u2013 acumulada, servindo o incremento das exportações a esse fim. Não 
por acaso, as nações colonialistas impediam que o ouro da colônia fosse vendido a outros povos. 
Também a exploração do trabalho humano não surgiu, evidentemente, com a primeira revolução 
industrial. Ademais de citar o trabalho escravo e as suas modalidades \u2013 desde aquele que se realizava 
por meio de prisioneiros de guerra até o crudelíssimo aprisionamento da gente africana \u2013 podem-se 
mencionar o labor dos servos de glebaiii e o dos aprendizes e oficiais nas corporações de arte e 
ofícioiv. 
O aparecimento do direito do trabalho tem relação com um modo específico de produção 
capitalista que emergiu com a realidade social sobrevinda após os movimentos de ruptura sócio-
política e econômica que caracterizaram o fim da era moderna, no tumultuado século XVIII. As 
condições adversas do trabalho humano que se percebiam no âmbito do emprego industrial exigiam 
um sistema de compensação jurídica que por zelo ou hipocrisia as legitimasse, atenuando o seu caráter 
espoliativo, além de demandarem uma construção teórico-filosófica que fizesse face à ideia, desde 
antes difundida entre os colbertistas, de que o industrial deveria assegurar aos seus trabalhadores 
apenas a remuneração que lhes garantisse a sobrevivência, pois do contrário não ocorreria a 
acumulação de riqueza tão cara ao mercantilismo. 
Há, a propósito, sistematização proposta por Maurício Godinho Delgadov que destaca os fatores 
econômicos, sociais e políticos