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(03/2025) 
Teoria Geral do Processo 
 
O Direito Processual civil pode ser definido como ramo da ciência jurídica que trata 
o complexo das normas reguladoras do exercício da jurisdição civil 
 
 Para Humberto Theodoro Junior “o direito processual civil pertence aos grupos das 
disciplinas que formam o direito público, pois regula o exercício de parte de umas 
das funções soberana do Estado, que é a jurisdição. O direito processual civil está 
inserido no direito público pelo fato de o Estado exercer a jurisdição, assumindo de 
forma (quase) exclusiva a tarefa de solucionar conflitos de interesses não resolvidos 
extrajudicialmente, excepcionalmente se admitindo, o exercício da autodefesa, ou 
justiça com as próprias mãos. 
 Sua função jurisdicional é única, qualquer que seja o direito material 
debatido, sendo por isso mesmo comuns a todos os seus ramos os princípios 
fundamentais da jurisdição e do processo. 
 Por conta de conveniências de ordem prática, no entanto leva o legislador a 
agrupar as normas processuais em códigos ou leis especializadas, conforme 
a natureza das regras aplicáveis às soluções dos conflitos e daí surgem as 
divisões que individualizam o direito processual civil, o direito processual 
penal, o direito processual do trabalho etc. 
 
A autonomia do direito processual civil, diante do direito substancial (direito 
material) é inegável e se caracteriza por total diversidade de natureza e de 
objetivos. Enquanto o direito material cuida de estabelecer normas que regulam as 
relações jurídica entre as pessoas, o processual visa a regulamentar uma função 
pública estatal. O direito processual civil não pode ser estudado de forma isolada, 
como se fosse um ramo único da ciência jurídica, mas como “engrenagem” que se 
constitui em uma das peças da ciência jurídica, além de vários outros ramos ou 
engrenagens, principalmente o constitucional. 
 
FONTES 
♦ É tudo aquilo que se constitui como embasamento para a solução dos 
conflitos de interesse. As do direito processual civil são a Lei (Direito 
positivo), os Costumes (práticas reiteradas por membros da sociedade) a 
Doutrina (lições de estudiosos) e a Jurisprudência (julgamentos proferidos 
pelos tribunais). 
♦ As fontes do direito processual civil são as mesmas do direito em geral. 
 
♦ Fontes imediatas/Fonte Direta: São os fatos que geram o direito positivo, 
ou seja, a própria lei; 
♦ Fontes mediatas/ Fontes supletivas indiretas: As fontes mediatas são os 
fatos jurídicos que explicam, interpretam e aplicam a lei, sendo ela: 
jurisprudência, os costumes e os princípios gerais do direito. 
♦ Fontes supletivas Secundárias: O direito histórico, o direito estrangeiro e a 
doutrina. 
Disposto na lei de introdução ao código civil em seu art. 4º, quando a lei for omissa 
o juiz decidirá o caso de acordo com as fontes mediatas. 
Em razão do caráter público do direito processual é a lei a sua principal fonte 
 
❑ Lei 
A lei é uma norma de conduta elaborada pelos órgãos competentes da União 
na esfera federal, e dos estados e municípios, nas esferas estaduais e 
municipais, podendo provir do Poder Legislativo, como as leis ordinárias, ou 
do Poder Executivo como decretos regulamentares 
 
Lei ordinária - é uma norma jurídica que regula matérias de competência do ente 
federativo que a edita. É a lei mais comum e abrange a população em geral. irá 
abordar quaisquer outras matérias que não sejam regulamentadas por lei 
complementar, por decreto legislativo ou por resoluções. Quórum de aprovação = 
Maioria simples ou relativa: mais da metade de todos os presentes precisa aprovar. 
• É aprovada por maioria simples de votos 
• É elaborada pelo Poder Legislativo 
• Pode ser sancionada ou vetada pelo Presidente da República 
• Está sujeita ao processo legislativo 
• Exemplos: Códigos Civil e Penal, Lei sobre o regime jurídico dos Servidores 
Federais 
 
Lei Complementar - irá regulamentar as matérias já reservadas a ela pela 
Constituição Federal, ou seja, que já são pré-determinadas. Quórum de aprovação= 
Maioria absoluta: mais da metade de todos os membros precisa aprovar. 
 
É cabível propor uma lei complementar em casos em que há a necessidade de 
tornar claro o conteúdo exposto na Constituição Federal, e quando determinadas 
matérias não deveriam ser regulamentadas na própria Constituição Federal. 
Quem pode propor? 
1. Qualquer membro do Congresso 
2. O presidente da República 
3. Comissão da Câmara, do Senado ou do Congresso 
4. O procurador-geral da República 
5. O Supremo Tribunal Federal 
6. Tribunais superiores 
7. Cidadãos. 
❑ Costumes 
Os costumes são regras sociais não escritas, decorrente de prática reiterada, 
generalizada e prolongada, do que resulta a convicção de sua obrigatoriedade como 
norma de conduta. 
 Exige que se prove a existência do comportamento social reiterado e demonstre a 
Opinio juris vel necessitatis (é uma expressão latina que significa "uma opinião de lei 
ou necessidade". É um elemento subjetivo do costume, que é uma fonte de direito). 
❑ Jurisprudência 
É o conjunto de decisões judiciais que interpretam e aplicam a lei. É uma 
fonte do direito que orienta a aplicação da lei em casos concretos. 
• É formada por decisões reiteradas dos tribunais sobre um mesmo tema 
• É uma referência para a interpretação e aplicação do Direito 
• Contribui para a segurança jurídica e a previsibilidade das decisões 
• Influencia o desenvolvimento do Direito 
• Ajuda a suprir lacunas da lei 
• Garante decisões mais coerentes 
❑ Doutrina 
Também chamada Direito científico, consiste nos estudos desenvolvidos pelos 
juristas, que obtiveram entender e explicar todos os temas relativos ao direito 
buscando a correta interpretação dos institutos e normas, de forma a se obter uma 
real compreensão de todo o universo jurídico. 
• É uma fonte de direito mediata, ou seja, não tem força normativa própria 
• É um espaço de interseção das mentes pensantes do Direito 
• Ajuda na compreensão e aplicação eficaz do ordenamento jurídico 
• É expressa em pareceres, manuais ou artigos científicos 
 
 
 
→ O Direito Histórico é produto da história do direito na sua evolução desde 
suas origens até o momento em que é aplicado pelos juízos e tribunais. 
→ O Direito Estrangeiro é o direito que não seja produzido em território 
brasileiro, que sofre restrições no tocante às normas processuais, por serem 
estas reguladoras da atividade jurisdicional do Estado, não sendo de se 
admitir atividade estatal regulada por lei estrangeira. 
 
A interpretação da norma processual pode ser classificada: 
1. Do ponto de vista objetivo: leva em conta os meios ou expedientes intelectuais 
empregados na interpretação da lei, podendo ser: a) gramatical; b) lógica; c) 
sistemática; e d) histórica. 
a) A interpretação gramatical, também chamada literal, é aquela que se inspira no 
próprio significado das palavras, sendo a pior de todas as interpretações. 
b) A interpretação lógica, também chamada teleológica, é aquela que visa a 
compreender o espírito da lei e a intenção do legislador ao editá-la; procura 
descobrir a finalidade da lei ou a vontade nela manifestada. 
c) A interpretação sistemática é aquela que leva em consideração não apenas o 
sentido das expressões das fórmulas da lei, mas, sobretudo, a regulamentação do 
fato ou da relação sobre que se deve julgar, considerando o sistema como um todo. 
Nessa interpretação, o exegeta (aquele que interpreta normas jurídicas) deve 
colocar a norma dentro do contexto de todo o direito vigente e com as regras 
particulares de direito que têm pertinência com ela. 
d) A interpretação histórica é aquela que se assenta sobre a história da lei ou dos 
seus precedentes, como projetos de lei, discussões no plenário, exposições de 
motivos etc., procurando identificar a mens legislatoris (Significa “mente do 
legislador” é uma teoria interpretativa que consideraa intenção do legislador na 
interpretação das leis.) ou a intenção do legislador (ALVIM, 2016). 
2. Do ponto de vista subjetivo, leva em consideração o sujeito que interpreta a lei 
e pode ser: a) autêntica; b) doutrinária; e c) judicial. 
a) A interpretação autêntica é aquela que provém do próprio legislador, que é quem 
faz a lei. 
b) A interpretação doutrinária é aquela proveniente dos doutrinadores ou 
comentadores da lei, tendo grande autoridade moral, dependendo de quem 
interpreta. 
c) A interpretação judicial é aquela levada a efeito pelos juízos e tribunais, ao 
aplicarem a lei ao caso concreto; ou mesmo em abstrato na ação declaratória de 
constitucionalidade ou na ação direta de inconstitucionalidade (ALVIM,2016). 
3. A classificação da interpretação do ponto de vista dos resultados leva 
em consideração o fato de haver na lei algo a mais ou a menos do que 
deveria dela constar (ALVIM, 2016). 
 
a) A interpretação extensiva é aquela que impõe uma ampliação do 
enunciado legal, por ter a lei sido demasiado restrita, dizendo menos do que 
queria, excluindo aparentemente situações visadas pela lei. Nesse caso, 
cumpre ao intérprete ampliar o sentido e o alcance das palavras da lei. 
 
b) A interpretação restritiva é aquela que impõe uma restrição do denunciado 
legal, por ter a lei sido demasiado ampla, dizendo mais do que queria, 
compreendendo aparentemente situações que, na sua intenção, deveriam ter 
sido excluídas nesse caso, cumpre ao intérprete, restringir o sentido e o 
alcance das palavras da lei (ALVIM,2016). 
 
 
Para José Eduardo carreira Alvim. (2016): 
 
I) A analogia permite resolver o conflito não previsto em lei, mediante a 
utilização de regra jurídica relativa a um caso semelhante [...]. Não se 
confunde a analogia com a interpretação extensiva, pois esta é 
extensiva “de um significado textual da norma”; aquela é analogia “da 
intenção do legislador” (ALVIM, 2016). 
 
II) Os costumes são regras não escritas, produto de uma repetição reiterada, 
observadas por todos, impondo-se como meios de resolução dos conflitos; 
sendo muito prestigiadas nas relações entre os comerciantes (ALVIM, 2016). 
III) Os princípios gerais de direito são enunciados gerais e universais, 
geralmente expressos em latim, que ajudam na resolução dos conflitos, 
quando não seja possível resolvê-los pela analogia ou pelos costumes 
(ALVIM, 2016) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Princípios Constitucionais do Processo 
 
Art. 4 - Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a 
analogia, os costumes e os princípios gerais do direito. (LINDB) 
"os princípios seriam normas que obrigam que algo seja realizado na 
maior medida do possível, de acordo com as possibilidades fáticas e 
jurídicas do caso concreto" (THEODORO JUNIOR, Humberto et al). 
➢ Quando há um conflito entre normas, a solução é avaliar a hierarquia entre 
elas (a regra superior derroga a inferior), o grau de especialidade (a norma 
especial prevalece sobre a norma geral) e a anterioridade temporal (a 
norma nova revoga a norma anterior, conforme o art. 2º da LINDB - Não se 
destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou 
revogue) para que possa ser sanado o caso concreto. 
➢ Quando há conflito entre os Princípios constitucionais, a solução e realizar a 
ponderação (uma técnica de interpretação que permite solucionar conflitos 
entre direitos fundamentais), ou seja, contrabalanceá-los afastando, 
temporariamente, determinado princípio com vista a aplicar aquele que 
melhor conformar ao caso concreto 
 
1. Tutela constitucional do processo. 
Também conhecido como princípio da supremacia da Constituição, significa que 
todos os atos, todas as partes, todas as interpretações e todas as circunstâncias 
que possam acontecer dentro do processo devem, sempre, submeter-se ao critério 
constitucional e, assim, averiguar se a escolha, a interpretação ou a aplicação do 
caso concreto buscam cumprir e fazer valer o Direito Constitucional (principalmente 
direitos e garantias fundamentais). 
2. Princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional 
Art. 5º XXXV CF - A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário 
lesão ou ameaça a direito. 
“à luz do princípio da inafastabilidade do poder judiciário, ainda que descabido, 
inoportuno ou desnecessário o pedido, não pode o magistrado se afastar da 
prestação jurisdicional”. Ou seja, esse princípio assegura a todos independente do 
direito requerido, que o judiciário não deixe de exercer a sua devida função: julgar 
no limite da lei. 
princípio da Inafastabilidade do controle jurisdicional não é absoluta, portanto, 
possui suas exceções: como no caso de disciplinas e competições desportivas, não 
caberá recorrer ao judiciário sem antes esgotar a instância competente (órgão 
regulador do esporte) também não caberá acionar uma ação civil pública em casos 
que envolvem pretensão em relação a tributos, ordem previdenciárias, fundo de 
garantia de tempo e serviço (FGTS) ou outros fundos de natureza institucional, pois 
nesses casos o direito deve ser recorrido de forma individual. 
3. Princípio do juiz natural 
O princípio do juiz natural garante que ninguém será julgado por um tribunal ou 
juiz de exceção, ou seja, aquele criado após o fato para prejudicar ou beneficiar 
alguém. Esse princípio está previsto no 
Art. 5º LIII CF - Ninguém será processado nem sentenciado senão 
pela autoridade competente. 
Juiz natural é o juiz que é designado para julgar um caso de acordo com as regras 
de competência. O princípio do juiz natural é uma garantia de imparcialidade e de 
que o julgamento será justo. A Constituição ainda, em decorrência do juiz natural, 
para que o magistrado não seja influenciado, internamente ou externamente, 
contemplou a magistratura com as garantias da vitaliciedade, inamovibilidade e 
irredutibilidade de vencimentos. 
Não devemos confundir juízo natural e juízo especializado, pois o último indica a 
existência de órgãos jurisdicionais dotados de competência específica (em 
contraposição à competência comum), como é o caso da Justiça do Trabalho, 
Justiça Eleitoral e Justiça Militar, mas já previstos anteriormente para julgar matéria 
específica na lei. 
 Grupos de Sentença 
Essa exceção surge quando há uma necessidade de distribuir melhor a carga de 
trabalho entre magistrados e garantir mais eficiência no julgamento dos processos. 
No entanto, para que essa formação não viole o princípio do juiz natural, é 
fundamental que: 
O grupo de sentença seja formado previamente, antes da ocorrência do 
fato a ser julgado. 
As regras de composição sejam objetivas e previstas em lei ou 
regimento interno. 
A criação do grupo de sentença não tenha caráter casuístico, ou seja, 
não pode ser criada apenas para julgar um caso específico. 
 Diferentemente de um tribunal de exceção, esses grupos de sentença são previstos 
anteriormente, seguindo regras gerais e impessoais, sem direcionamento específico 
para prejudicar ou beneficiar alguém. 
4. Princípio do devido processo legal 
Art. 5º II CF - Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer 
alguma coisa, senão em virtude da lei. 
Art. 5º LIV CF - Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens, 
sem o devido processo legal. 
Também conhecido como o Princípio da Legalidade estabelece que as ações do 
Estado devem ser baseadas em leis e principalmente respeitando as etapas de um 
processo legal, ele é um dos fundamentos do Estado de direito primordial, pois é o 
qual todos os outros se sustentam (super princípio) e protege os cidadãos de 
abusos de poder por parte do judiciário. 
5. Princípio do contraditório e da ampla defesa 
 
Art. 5º CF - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e 
aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e ampla 
defesa, com os meios e recursos a elase inerentes. 
O princípio do contraditório é um dos fundamentos do devido processo legal, 
garantindo que nenhuma decisão judicial pode ser proferida sem que a parte 
contrária tenha a oportunidade de se manifestar, salvo disposto no parágrafo 
único do art. 9º do CPC onde aponta exceções em que o juiz pode demandar antes 
da manifestação previamente do réu (parte requerida), garantindo posteriormente o 
direito ao contraditório diferido. 
Art. 9º CPC - não se proferirá decisão contra uma das partes sem que 
ela seja previamente ouvida. 
Parágrafo único. Disposto no caput não se aplica: 
I- A tutela provisória de urgência (Quando há risco de dano irreparável 
e a demora pode comprometer a eficácia da decisão) 
II- As hipóteses de tutela de evidência prevista no artigo 311, inciso II, 
III (se baseia em provas anexadas e não depende da 
demonstração de urgência ou perigo de dano) 
III- E decisão prevista no art. 701 - Sendo evidente o direito do autor, o 
juiz deferirá a expedição de mandado de pagamento, de entrega de 
coisa ou para execução de obrigação de fazer ou de não fazer, 
concedendo ao réu prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento e 
o pagamento de honorários advocatícios de cinco por cento do 
valor atribuído à causa. (Quando a própria legislação prevê que a 
decisão pode ser tomada sem ouvir a parte contrária.) 
 
6. Princípio da inadmissibilidade de provas ilícitas 
A utilização de prova ilícita é expressamente proibida por dispositivos contidos tanto 
na Constituição Federal quanto no Código de Processo Civil que seguem: 
Art. 5º LVI CF - São inadmissíveis no processo as provas obtidas por 
meios ilícitos. 
Art. 369 CPC 2015 - As partes têm o direito de empregar todos os 
meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não 
especificados neste código, para provar a verdade dos fatos em que se 
funda. O pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz 
Nelson Nery Junior esclarece: "A prova é ilegal quando ofende o ordenamento 
jurídico como um todo (CF, leis e princípios), que se trate de ofensa material ou 
processual. A prova será ilícita quando sua proibição for de natureza material, vale 
dizer, quando tiver sido obtida ilicitamente." 
"(a) ilicitude material, em que a prova é obtida mediante ato contrário ao direito 
(invasão de domicílio, quebra de sigilo epistolar e do segredo profissional, subtração 
de coisa, captação clandestina de sons e imagens, constrangimento pessoal); 
(b) ilicitude formal, em que, originalmente lícito o procedimento de obtenção da 
prova, o vício ocorre no momento da produção da prova (depoimento de 
testemunha impedida)" (ASSIS, Araken). 
Para exemplificar, no primeiro caso, ilicitude material, toda a construção da prova 
está contaminada como é o caso de prova obtida por meio de invasão de domicílio, 
furto ou ameaça, enquanto no segundo caso, ilicitude formal, a contaminação é 
interna e não perceptível a olho nu, pois parece ser toda válida, porque a prova foi 
obtida por um meio lícito (um contrato, por exemplo), mas seu fundo era ilícito como 
é o caso de depoimento de testemunha impedida que ninguém sabia que o era. 
Embora o texto constitucional proíba a utilização no processo de provas obtidas por 
meio ilícitos, a doutrina se manifesta de forma bastante controvertida, sendo que vem 
ganhando força uma corrente intermediária, que se denomina modernamente de 
princípio da proporcionalidade. 
Esta corrente defende que a ilicitude do meio de obtenção de prova seria afastada 
quando, por exemplo, houver justificativa para a ofensa a outro direito por aquele que 
colhe a prova ilícita. É o caso, por exemplo, do acusado que, para provar sua 
inocência, grava clandestinamente conversa telefônica entre outras duas pessoas. 
 
 
7. Princípio da presunção de inocência 
Art. 5º [...] LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em 
julgado de sentença penal condenatória. 
O princípio da presunção de inocência estabelece que ninguém pode ser 
considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória. Em outras palavras, uma pessoa acusada de um crime deve ser 
tratada como inocente até que sua culpa seja comprovada de forma definitiva por 
meio do devido processo legal. O objetivo da presunção de inocência é evitar que 
pessoas sejam punidas injustamente antes de um julgamento adequado. Esse 
princípio protege os direitos fundamentais do indivíduo, impedindo que sanções 
sejam aplicadas sem prova concreta e garantindo um julgamento justo. 
não se aplica diretamente ao Direito Civil da mesma forma que se aplica ao 
processo criminal. No entanto, há conceitos similares no Direito Civil que garantem 
a proteção dos direitos das pessoas até que se prove o contrário. Por exemplo, no 
Direito Civil, a presunção de boa-fé pode ser equiparada à ideia de presunção de 
inocência. Isso significa que uma pessoa é considerada honesta e agindo 
corretamente até que haja evidências que indiquem o contrário. Em contextos 
contratuais, por exemplo, presume-se que as partes agem de boa-fé, salvo prova 
em contrário. Esses princípios visam assegurar a equidade e a justiça nas relações 
jurídicas, embora a aplicação e o contexto sejam diferentes dos do Direito Penal. 
8. Princípio do duplo grau de jurisdição 
Também conhecido como Princípio da dualidade de instancias, trata-se da 
possibilidade de revisão das decisões judiciais por um órgão do poder judiciário 
diverso daquele que proferiu a primeira sentença, ou seja, o princípio do duplo grau 
de jurisdição é uma garantia processual que assegura às partes o direito de recorrer 
de uma decisão judicial para que um tribunal superior a reexamine. Esse princípio 
está relacionado ao direito ao contraditório e à ampla defesa, pois permite que 
erros, omissões ou injustiças eventualmente cometidos na primeira instância sejam 
corrigidos por uma instância superior. 
Apesar de não estar expressamente previsto na Constituição Federal, o duplo grau 
de jurisdição é derivado de princípios constitucionais, como o devido processo legal 
(art. 5º, LIV) e a ampla defesa (art. 5º, LV). Além disso, tratados internacionais 
ratificados pelo Brasil, como a Convenção Americana sobre Direitos Humanos 
(Pacto de San José da Costa Rica), reforçam esse direito. 
9. Princípio da publicidade 
Art. 93 IX CF - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário 
serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de 
nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às 
próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos 
nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no 
sigilo não prejudique o interesse público à informação; 
 Art. 11. CPC- Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário 
serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. 
Parágrafo único. Nos casos de segredo de justiça, pode ser 
autorizada a presença somente das partes, de seus advogados, de 
defensores públicos ou do Ministério Público. 
O princípio da publicidade garante que os atos processuais e administrativos sejam 
acessíveis ao público, promovendo transparência, controle social e legitimidade das 
decisões esse direito fundamental possui duas funções: proteger as partes contra 
juízos arbitrários e secretos, e permitir o controle da opinião pública sobre os 
serviços da justiça principalmente sobre o exercício da atividade jurisdicional. 
O princípio da publicidade tem duas dimensões principais: publicidade interna e 
publicidade externa. Ambas garantem a transparência dos atos processuais e 
administrativos, mas de formas diferentes. 
A publicidade interna refere-se à circulação dos atos dentro dos órgãos públicos. 
Isso significa que mesmo que determinado ato não seja acessível ao público em 
geral, ele deve estar disponível para servidores, autoridades competentes (como 
advogado, Ministério Público)e as partes envolvidas. 
A publicidade externa é aquela que garante que os atos do Poder Público sejam 
acessíveis ao público em geral, permitindo que qualquer cidadão possa acompanhar 
e fiscalizar os atos administrativos e judiciais. 
O Artigo 189 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que, embora os atos 
processuais sejam públicos, há exceções em que o segredo de justiça se aplica 
para proteger direitos fundamentais e interesses específicos. 
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em 
segredo de justiça os processos: 
I - Em que o exija o interesse público ou social; 
II - Que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, 
separação, união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e 
adolescentes; 
III - Em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à 
intimidade; 
IV - Que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta 
arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja 
comprovada perante o juízo. 
• OBS: O sigilo só é concedido em casos que são devidamente comprovados e 
necessários, em relação aos negócios jurídicos o remédio para um julgamento 
sigiloso é optar pela arbitragem. O processo arbitral pode ser sigiloso, mas o 
sigilo não é pressuposto do processo arbitral, mas é bem comum. A 
arbitragem, pode ser confidencial se as partes assim decidirem, mas o sigilo 
não é automático: para que o processo judicial relacionado à arbitragem tramite 
em segredo de justiça, é necessário comprovar que a confidencialidade foi 
estipulada na convenção arbitral (um acordo para submeter um litígio à 
arbitragem antes mesmo do litígio existir) 
 
 
10. Princípio da fundamentação das decisões judiciais 
Princípio esculpido, igualmente ao da publicidade, nos artigos 93, IX, da CF88 e no 
art. 11 do CPC15, diz: 
Art. 93 IX CF todos os julgamentos dos órgãos do Poder 
Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, 
sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em 
determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou 
somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito 
à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o 
interesse público à informação; 
Art. 11. CPC Todos os julgamentos dos órgãos do Poder 
Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, 
sob pena de nulidade. 
Trata-se do fato de que as decisões judiciais deverão ser motivadas, por isso também 
é conhecido como princípio da motivação, ou seja, o juiz deve expor os argumentos 
jurídicos e fáticos que justificam sua decisão. 
O princípio da fundamentação das decisões judiciais garante transparência, 
legitimidade e segurança jurídica. Ele impede que magistrados decidam com base 
apenas em suas opiniões pessoais e assegura que as partes compreendam os 
motivos da decisão, permitindo o exercício do direito ao recurso, ou embargos de 
declaração. 
Em síntese, a fundamentação é o local onde todos nós podemos averiguar se o juiz 
respeitou todos os demais princípios como a supremacia da constituição, a 
inafastabilidade da jurisdição, da ampla defesa e do contraditório e, por isso, é tão 
importante ao processo. Por isso, o CPC15 institui um rol mínimo para analisar se a 
decisão é fundamentada ou não: 
Art. 489. São elementos essenciais da sentença: 
I - O relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação 
do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro 
das principais ocorrências havidas no andamento do processo; 
II - Os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de 
fato e de direito; 
III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais 
que as partes lhe submeterem. 
§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão 
judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: 
I - Se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato 
normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão 
decidida; 
II - Empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar 
o motivo concreto de sua incidência no caso; 
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer 
outra decisão; 
IV - Não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo 
capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo 
julgador; 
V - Se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, 
sem identificar seus fundamentos determinantes nem 
demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles 
fundamentos; 
VI - Deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou 
precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência 
de distinção no caso em julgamento ou a superação do 
entendimento. 
Para ser considerada válida, a fundamentação deve: 
Ser clara e coerente, apresentando os fundamentos fáticos e jurídicos da decisão. 
Analisar os principais argumentos das partes, justificando a razão do acolhimento 
ou rejeição. 
Indicar normas jurídicas, princípios, jurisprudência precedentes aplicáveis ao 
caso. 
11.Princípio da Isonomia (igualdade material): 
Dentro de um processo ninguém deve ter privilégios ou ser perseguido de uma forma 
mais dura que a outra parte. A ninguém é dado gozar de privilégios ou obstáculos que 
não sejam fundadas em normas racionais e claras, de modo que a fortuna, o cargo 
ou a importância midiática que uma pessoa tenha não seja elemento capaz de mudar 
a rota do processo ou o como procederá esse ou aquele juiz, pois sacramentou a 
Constituição Federal que: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza 
Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao 
exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, 
aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, 
competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. (CPC15). 
No processo, então, se revigora o princípio aristotélico de que "o juiz, então, 
reestabelece a igualdade, onde é preciso ver que "nessas situações, a lei processual 
aplicou e incorporou o princípio da isonomia ao seu texto, estampado na CF. É que o 
citado princípio significa que partes iguais (do ponto de vista processual e/ou 
econômico) devem ser igualmente tratadas; partes desiguais devem ser tratadas 
desigualmente" (MONTENEGRO FILHO) 
Em suma, O princípio da isonomia, também chamado de princípio da igualdade, 
estabelece que todas as pessoas devem ser tratadas de forma igual pela lei e pelo 
Poder Judiciário, respeitando suas diferenças e necessidades específicas. 
Igualdade Formal: É a ideia de que todos devem ser tratados da mesma forma 
perante a lei, sem distinções, mas essa abordagem ignora desigualdades concretas 
e pode perpetuar injustiças. 
Igualdade Material: Busca equilibrar desigualdades preexistentes para garantir 
condições justas e equitativas, lógica aristotélica que consiste em tratar os desiguais 
de forma desigual, na medida de sua desigualdade. 
 
No processo judicial, a igualdade material é observada quando: 
♦ O juiz concede prazos diferenciados para pessoas com deficiência ou que 
enfrentem dificuldades de acesso à Justiça. 
♦ O Estado oferece assistência judiciária gratuita a quem não pode pagar. 
♦ Há proteção especial para grupos vulneráveis, como crianças, idosos, 
mulheres vítimas de violência e pessoas em situação de extrema pobreza. 
12. Razoável duração do processo e celeridade: 
Art. 5º LXXVIII CF- A todos, no âmbito judicial e administrativo, são 
assegurados a razoável duração do processo e os meios que 
garantam a celeridade de sua tramitação 
Esse princípio garante que os processos não se arrastem por tempo excessivo, 
assegurando que as partes tenham uma resolução eficiente e justa dentro de um 
prazo adequado. O princípio da razoável duração do processo não significa pressa 
sem qualidade, mas sim um equilíbrio entre rapidez e justiça. A ideia é que a 
morosidade não prejudique os envolvidos, garantindo que o tempo do processo seja 
compatívelcom a necessidade das partes e a complexidade do caso. 
Razoável duração: O processo deve ter um tempo adequado e proporcional à sua 
complexidade. 
Celeridade: Os procedimentos devem ser rápidos, sem prejudicar a qualidade da 
decisão.

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