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IntroducaoPoliticaSaudeEAD_ApostilaCompleta_vs2_2024_Final_mod5

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Introdução à Política de Saúde 
 
 
 
 
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CRÉDITOS 
Escola de Contas e Gestão – TCE/RJ 
Equipe Executiva 
 
Direção Geral 
Adriana Ramos Costa 
 
Coordenadoria Pedagógica 
Mauricio Nunes Rodrigues 
 
Coordenadoria Acadêmica 
Nilton Cesar da Silva Flores 
 
Coordenadoria de Capacitação 
João Paulo Menezes Lourenço 
 
Coordenadoria de Gestão e 
Tecnologia Educacional 
Rachel Constant Vergara Mann 
 
Secretaria da ECG 
José Sigberto da Silva Junior 
 
 
Equipe Técnica 
 
Autoria 
Aline do Nascimento Macedo 
Josyanne da Rocha Ferreira 
Mariana Miranda Autran Sampaio 
Renata Odete de Azevedo Souza 
Talita Dourado Schwartz 
 
Revisão 
Josyanne da Rocha Ferreira 
Talita Dourado Schwartz 
 
Coordenação Pedagógica 
Dalva Stella Pinheiro da Cruz 
Marcia Araujo Calçada 
Mauricio Nunes Rodrigues 
Gabriela da Cunha Siqueira (estagiária) 
Hugo Dutra Coutinho (estagiário) 
Paolla Victorya Santos Martins (estagiária) 
 
Assessoria Técnica 
 Coordenação de Gestão e Tecnologia 
Educacional – CGT/ECG 
 
 
 
 
 
 
 
Edição – Junho/2024 
 
 
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Este material didático destina-se, exclusivamente, ao uso 
interno da ECG/TCE-RJ. 
 
O material didático fornecido pela ECG/TCE-RJ tem 
caráter meramente educativo e não vincula as decisões do 
Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, sendo o 
respectivo conteúdo de inteira e exclusiva 
responsabilidade de seu autor. 
 
(Deliberação TCE nº 243/07) 
 
 
 
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Sumário 
Módulo 5: Gestão do SUS: regulação, controle, avaliação e auditoria ......................................... 5 
5.1. Histórico ........................................................................................................................................ 7 
5.2. Regulação Assistencial ............................................................................................................ 17 
5.3. Controle Assistencial ................................................................................................................ 28 
5.4. Avaliação Assistencial .............................................................................................................. 31 
5.5. Auditoria Assistencial ............................................................................................................... 32 
Considerações Finais ..................................................................................................................... 35 
Referências ...................................................................................................................................... 38 
Lista de siglas e abreviaturas ......................................................................................................... 44 
 
 
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
 
Módulo 5: Gestão do SUS: regulação, controle, avaliação e auditoria 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gestão do SUS: regulação, controle, 
avaliação e auditoria 
Módulo 5 
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
INTRODUÇÃO 
Olá! Seja bem-vindo ao nosso módulo sobre Gestão do SUS: regulação, controle, avaliação e 
auditoria. 
Nos módulos anteriores, apresentamos a evolução histórica do sistema público de saúde no Brasil, 
que culminou no Sistema Único de Saúde (SUS) que temos hoje. Falamos sobre sua organização, 
seus princípios e diretrizes, além das competências de cada ente federativo. Também foram 
apresentadas as principais normas e legislações pertinentes. O módulo 4 abordou o 
funcionamento da gestão do SUS no que diz respeito às funções de planejamento e financiamento. 
Agora, daremos continuidade ao estudo da gestão do SUS, abordando as funções de regulação, 
controle, avaliação e auditoria (RCAA). 
Vamos começar! 
Inicialmente, é fundamental destacar que as funções apresentadas nesta aula devem ser 
coerentes com os processos de planejamento e financiamento (já abordados na aula 4), tendo em 
vista sua importância para a revisão de prioridades e a possibilidade de contribuir para melhores 
resultados em termos de impacto na saúde da população. Além disso, regulação, controle, 
avaliação e auditoria são conceitos bastante interligados e, muitas vezes, é difícil entender 
isoladamente cada um deles. Vamos nos debruçar sobre cada um desses conceitos, mas antes 
veremos um pouco do histórico na legislação a respeito dessas funções de gestão. 
Para você compreender melhor o conteúdo desta aula, apresentamos a seguir os conceitos de 
cada função segundo o livro “Auditoria do SUS Orientações Básicas”. 
 
 
 
 
Regulação Assistencial 
"ajustar a oferta assistencial disponível às necessidades imediatas do cidadão" 
Controle 
"monitoramento de processos (normas e eventos) para verificar a conformidade dos 
padrões estabelecidos e detectar situações de alarme que requeiram uma ação 
avaliativa, detalhada e profunda" 
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
5.1. Histórico 
Como já foi visto nas aulas anteriores, o art. 198 da Constituição Federal de 1988 estabelece que 
as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e 
constituem o Sistema Único de Saúde (SUS). 
Lembra que o SUS tem como princípios a universalidade do acesso e a integralidade da atenção? 
Para garantir que esses princípios sejam realmente observados na prática, foram elaboradas 
normas operacionais, conforme já apresentado na aula 2. 
As funções de gestão abordadas neste módulo começaram a ser operacionalizadas no âmbito do 
SUS na Norma Operacional Básica (NOB) 93, sendo praticamente restritas ao controle dos 
prestadores de serviços e centradas no faturamento. Antes desta norma, as atividades de controle 
e avaliação eram desenvolvidas essencialmente pelo governo federal, por meio do Inamps, e, 
Avaliação 
"identificação quantitativa e qualitativa dos resultados (impactos) obtidos pelo 
SUS em relação aos objetivos fixados nos programas de saúde e na adequação 
aos parâmetros de qualidade, resolutividade, eficiência e eficácia estabelecidos 
pelos órgãos competentes do SUS" 
Auditoria 
"Exame sistemático e independente dos fatos pela observação, medição, ensaio 
ou outras técnicas apropriadas de uma atividade, elemento ou sistema para 
verificar a adequação aos requisitos preconizados pelas leis e normas vigentes e 
determinar se as ações e seus resultados estão de acordo com as disposições 
planejadas" (...), além de possibilitar "avaliar a qualidade dos processos, sistemas 
e serviços e a necessidade de melhoria ou de ação preventiva/corretiva/saneadora" 
(BRASIL, 2011) 
 
Se você não lembra exatamente o que são esses princípios, é importante que releia este 
conteúdo, apresentado no módulo 2, antes de continuar esta leitura. 
Observação 
 
8 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
desde então, passaram a ser também desenvolvidas por estados e municípios (Brasil, 2016). 
A NOB 96 tentou aprimorar a prática do acompanhamento, controle e avaliação no SUS. Ao invés 
de utilizar apenas os mecanismos tradicionais, praticamente limitados ao faturamento de serviços 
produzidos, buscou valorizar os resultados das programações baseadas em critérios 
epidemiológicos. 
Incluiu também a necessidade de o órgão de controle, avaliação e auditoria considerar, dentro de 
seu rol de atividades, a legislação que regulamenta o Sistema Nacional de Auditoria (SNA) no 
âmbito do SUS, o Decreto Presidencial n° 1.651, de 28 de setembro de 1995, publicado no ano 
anterior. 
A Norma Operacional da Assistência à Saúde (NOAS) 01/01 começou a trazer um 
detalhamento do processo de controle, avaliação e regulação da assistência. Na NOAS 01/02, 
esse processo foi basicamenteEditora IPEA, 1993. 
MELO, J.A.C. Educação Sanitária: Uma Visão Crítica. CADERNOS DO CEDES, 4. “Educação 
e Saúde” (2ª. Reimpressão) São Paulo. Cortez, 1984. 
PAIM, J.S. Reforma Sanitária Brasileira: contribuição para a compreensão e crítica. 
Jairnilson Silva Paim. – Salvador: EDUFBA; Rio de janeiro: FIOCRUZ, 2008. 
POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL: um século de luta pelo direito à saúde. Roteiro e 
Direção: Renato Tapajós. BRASIL, 2006. Disponível em: 
https://renastonline.ensp.fiocruz.br/recursos/documentario-politicas-saude-brasil. Acesso em 14 
jun. 2017. 
SAÚDE: o Decreto 7.508 e a organização do SUS. SGEP/MS – Secretaria de Gestão 
Estratégica e Participativa / Ministério da Saúde. BRASIL, 2013. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=RQwKfSgrZ3Q&t=11s. Acesso em 17 jun. 2024. 
TV ALERJ. TCE Notícia - Auditoria saúde (bloco 1). RJ, 2015. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=xEbEqDoUL9s. Acesso em 17 jun. 2024. 
 
 
https://renastonline.ensp.fiocruz.br/recursos/documentario-politicas-saude-brasil
https://www.youtube.com/watch?v=RQwKfSgrZ3Q&t=11s
https://www.youtube.com/watch?v=xEbEqDoUL9s
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
Lista de siglas e abreviaturas 
AIS Ações Integradas de Saúde 
ASPS Ações e Serviços Públicos de Saúde 
CAP Caixas de Aposentadorias e Pensões 
CERAC Central Estadual de Regulação de Alta 
Complexidade 
CEREST Centros de Referência em Saúde do Trabalhador 
CIB Comissão Intergestores Bipartite 
CIR Comissão Intergestores Regional 
CIT Comissão Intergestores Tripartite 
CNES Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde 
CNRAC Central Nacional de Regulação de Alta 
Complexidade 
CNS Cartão Nacional de Saúde 
COAP Contrato Organizativo de Ação Pública da Saúde 
CONASEMS Conselho Nacional de Secretarias Municipais de 
Saúde 
CONASP Conselho Consultivo de Administração de Saúde 
Previdenciária 
CONASS Conselho Nacional de Secretários de Saúde 
COSEMS Conselho de Secretarias Municipais de Saúde 
CPMF Contribuição Provisória sobre Movimentações 
Financeiras 
DIGISUS Sistema Digital dos Instrumentos de Planejamento 
EC Emenda Constitucional 
FAS Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social 
IAP Institutos de Aposentadorias e Pensões 
IAPAS Instituto de Administração Financeira da 
Previdência e Assistência Social 
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
IAPB Instituto de Aposentadoria e Pensões dos 
Bancários 
IAPM Instituto de Aposentadorias e Pensões dos 
Marítimos 
INAMPS Instituto Nacional de Assistência Médica da 
Previdência Social 
INPS Instituto Nacional de Previdência Social 
LDO Lei de Diretrizes Orçamentárias 
LOA Lei Orçamentária Anual 
NOAS Norma Operacional da Assistência à Saúde 
NOB Norma Operacional Básica 
PAS Programação Anual de Saúde 
PCCS Plano de Carreira, Cargos e Salários 
PES Plano Estadual de Saúde 
PGASS Programação Geral das Ações e Serviços de Saúde 
PIB Produto Interno Bruto 
PNASS Programa Nacional de Avaliação de Serviços de 
Saúde 
PPA Plano de Pronta Ação 
PPA Plano Plurianual 
PPI Programação Pactuada e Integrada 
RAG Relatório Anual de Gestão 
RAS Rede de Atenção à Saúde 
RCAA Regulação, Controle, Avaliação e Auditoria 
RDQA Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior 
RENAME Relação Nacional de Medicamentos Essenciais 
RENASES Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde 
RREO Relatório Resumido da Execução Orçamentária 
SALTE Saúde, Alimentação, Transporte e Energia 
SAMDU Serviço de Assistência Médica Domiciliar de 
Urgência 
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
SARGSUS Sistema de Apoio ao Relatório de Gestão do SUS 
SCNES Sistema de Cadastro Nacional de 
Estabelecimentos de Saúde 
SESP Serviço Especial de Saúde Pública 
SINPAS Sistema Nacional de Previdência e Assistência 
Social 
SIOPS Sistema de Orçamentos Públicos em Saúde 
SUDS Programa de Desenvolvimento de Sistemas 
Unificados e Descentraliza- dos de Saúde nos 
Estados 
SUS Sistema Único de Saúde 
UNACON Unidades de Assistência de Alta Complexidade 
 
 
 
 
 
 
47 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúdemantido, frisando-se apenas a necessidade de pactuação entre os 
três níveis de governo, bem como de elaboração de planos estaduais e municipais que 
contemplassem o planejamento conjunto de estratégias e instrumentos a serem empregados para 
o fortalecimento da capacidade de gestão. Além disso, também instituiu o Plano de Controle, 
Regulação e Auditoria. O conteúdo deste Plano foi descrito em legislação futura, tratada mais 
adiante. 
A Portaria nº 423, de 24 de junho de 2002, aprovou um detalhamento das atribuições básicas 
inerentes a cada nível do Governo no controle, regulação e avaliação da Assistência à Saúde no 
SUS. Esse detalhamento considerou o processo de descentralização da época, em que o 
Ministério da Saúde tinha transferido às secretarias estaduais e municipais a quase totalidade de 
seus hospitais e unidades ambulatoriais. As secretarias estaduais, por sua vez, transferiram às 
secretarias municipais parcela importante de suas unidades assistenciais, principalmente as de 
atenção básica e de média complexidade (Portaria nº 423/2002). Entretanto, essa transferência 
da gestão das unidades para níveis mais locais não foi uma realidade em todos os estados. Por 
exemplo, o Rio de Janeiro ainda hoje conta com diversas unidades estaduais sob sua gestão. 
 
 
9 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
 
 
A Portaria nº 423/2002 tentou implementar um enfoque maior na avaliação dos resultados e na 
satisfação do usuário, superando métodos mais restritos ao faturamento, como pode ser 
observado no trecho a seguir: 
“A descentralização das funções de execução e, portanto, de controle, regulação e avaliação 
impõe aos gestores a superação de métodos que se referiam principalmente ao controle de faturas 
(revisão) e instrumentos de avaliação com enfoque estrutural (vistorias) e do processo (procedi- 
mentos médicos); supervalorizados em detrimento do enfoque da avaliação dos resultados e da 
A Portaria nº 423, de 24 de julho de 2002, está disponível no endereço: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2002/prt0423_24_06_2002.html 
Leitura Recomendada 
Vamos exercitar um pouco... 
Faça uma lista com as atividades de Controle, Regulação e Avaliação assistencial do SUS 
exercidas por você ou de que você tenha conhecimento, no caso de não estar formalmente 
inserido em nenhum serviço de saúde. Para ajudá-lo, apresentamos alguns exemplos de 
atividades possíveis: elaborar planilha para acompanhar a execução dos prestadores de 
serviços de saúde, elaborar protocolos de regulação. É fundamental que você descreva as 
atividades que realmente são executadas, com as suas próprias palavras. É um momento 
de refletir sobre sua prática. 
Depois de elaborar sua lista, consulte a Portaria nº 423/2002, para conhecer as atribuições 
pactuadas na época para os gestores do SUS. Compare a Portaria com a sua lista para 
identificar as atividades exercidas por você que constam no documento, bem como outras 
que você acredita que poderiam ser implementadas no seu serviço. Guarde essa lista, pois 
iremos utilizá-la mais à frente. 
Praticando... 
 
10 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
satisfação dos usuários. Sem subestimar a importância desses instrumentos, que devem continuar 
a ser usados, a construção do SUS implica mudanças estruturais e de postura gerencial, com 
elaboração e desenvolvimento de novos métodos e instrumentos” 
 (BRASIL, Portaria nº 423/2002) 
 
Outra inovação da Portaria no 423/2002 foi apresentar o conteúdo do Plano de Controle, 
Regulação e Auditoria, instituído pela NOAS 01/02, que pode ser observada no trecho a seguir: 
 
“Os Planos de Controle, Regulação e Avaliação deverão identificar a estrutura existente e a 
necessária para o pleno desempenho de suas atividades, definindo etapas para sua implantação, 
de forma a ampliar progressivamente sua capacidade gestora. A estrutura necessária compreende 
os recursos humanos, materiais e tecnológicos. Cabe aos gestores identificarem suas 
necessidades prioritárias, dentro de suas especificidades loco-regionais, decidindo o que, quando 
e como controlar, regular e avaliar” 
 (BRASIL, Portaria nº 423/2002) 
Segundo a Portaria no 423/2002, o Plano de Controle, Regulação e Auditoria estadual deveria 
incorporar também o desenho da regionalização do estado, integrando níveis crescentes de 
resolutividade assistencial, procurando atender às necessidades do usuário o mais próximo 
possível de sua residência. A partir do que consta na Portaria, podemos entender que serviços 
com baixo custo e cuja utilização seja frequente, como fisioterapia, por exemplo, deveriam ser 
disponibilizados mais perto da residência do usuário, oferecidos assim por todos os municípios. 
Já serviços com alto custo e com utilização pontual, como a cirurgia cardíaca, poderiam ser 
centralizados em determinado município da região e ofertados a todos os demais municípios. 
Essa portaria traz ainda alguns exemplos de instrumentos de controle, regulação e avaliação, que 
podem ser bastante úteis. Uns podem ser utilizados por mais de uma das funções - controle, 
regulação ou avaliação –, enquanto outros são mais específicos. Parte deles será abordada nos 
subtópicos de cada uma das funções, embora seu uso não seja necessariamente limitado à função 
em que o instrumento será apresentado. 
Em 2006, o Pacto pela Saúde (Portaria no 399, de 22 de fevereiro de 2006) trouxe o conceito de 
Regulação da Atenção à Saúde, tendo como objeto a produção de todas as ações diretas e finais 
de atenção à saúde, dirigida aos prestadores de serviços de saúde, públicos e privados: 
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
As ações da Regulação da Atenção à Saúde compreendem a Contratação, a Regulação do 
Acesso à Assistência ou Regulação Assistencial, o Controle Assistencial, a Avaliação da Atenção 
à Saúde, a Auditoria Assistencial e as regulamentações da Vigilância Epidemiológica e Sanitária. 
(BRASIL, Portaria nº 399/2006, revogada pela Portaria n° 2.501, de 28 de setembro de 2017, e 
inserida nas portarias de consolidação) 
Você reparou que o controle, a avaliação, a auditoria e a própria regulação do acesso foram 
mencionados como ações pertinentes à Regulação da Atenção à Saúde? Esse conceito foi mais 
bem detalhado pela Portaria MS/GM n° 1.559, de 1º de agosto de 2008, revogada pela Portaria 
de Consolidação nº 2, de 28 de setembro de 2017, Anexo XXVI, que instituiu a Política Nacional 
de Regulação do SUS. Nela, o conceito de regulação foi definido em três dimensões 
interrelacionadas, que são: 
 
I - Regulação do Sistema de Saúde 
• Tem como objetivo definir as macrodiretrizes para a Regulação da Atenção à Saúde e executar 
ações de monitoramento, controle, avaliação, auditoria e vigilância. 
II - Regulação da Atenção à Saúde 
 
• Tem como objetivo garantir a prestação adequada de serviços de saúde à população. 
III - Regulação do Acesso à Assistência 
• Tem como objetivo disponibilizar a alternativa assistencial mais adequada à necessidade do 
cidadão. 
 
Apesar de termos optado por trazer alguns trechos da Portaria MS/GM n°1.559/2008, 
revogada pela Portaria de Consolidação nº 2/2017, consideramos importante que você 
leia o Anexo XXVI na íntegra. Ela pode ser acessada no endereço: 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0002_03_10_2017.html 
 
Leitura Recomendada 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0002_03_10_2017.html
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
Veja, a seguir, um detalhamento de cada dimensão. 
Regulação de Sistemas de Saúde 
Essa dimensão vai envolver o sistema de saúde como um todo. Sua responsabilidade é delinear 
diretrizes gerais para a Regulação da Atenção à Saúde, que é o nível imediatamente inferior. 
Contempla as seguintes ações: 
I Elaboração de decretos, normas e portariasque dizem respeito às funções de gestão; 
II Planejamento, Financiamento e Fiscalização de Sistemas de Saúde; 
III Controle Social e Ouvidoria em Saúde; 
IV Vigilância Sanitária e Epidemiológica; 
V Regulação da Saúde Suplementar; 
VI Auditoria Assistencial ou Clínica; e 
VII Avaliação e Incorporação de Tecnologias em Saúde. 
(BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou Portaria MS/GM n° 1.559/2008) 
 
Considere que cada esfera de gestão terá papéis diferenciados em cada uma dessas ações. Para 
ilustrar, a União precisa estabelecer normais gerais, enquanto compete aos municípios legislar 
sobre assuntos de interesse local. 
Regulação da Atenção à Saúde 
Aqui o objeto é um pouco mais restrito, porque fica limitado às ações diretas e finais da atenção à 
saúde (consultas, exames e procedimentos, internações, ações preventivas, de promoção de 
saúde...), tendo como foco o prestador, seja ele público ou privado. Corresponde ao conceito 
anteriormente utilizado no Pacto pela Saúde. Além de definir diretrizes gerais para o nível 
imediatamente inferior a ela (neste caso, a regulação do acesso à assistência), tem como 
atribuições o controle, a avaliação, a auditoria e a vigilância da atenção e da assistência à saúde 
no âmbito do SUS. Suas ações envolvem: 
I cadastramento de estabelecimentos e profissionais de saúde no Sistema de Cadastro 
Nacional de Estabelecimentos de Saúde - SCNES; 
II cadastramento de usuários do SUS no sistema do Cartão Nacional de Saúde - CNS; 
 
13 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
III contratualização de serviços de saúde segundo as normas e políticas específicas deste 
Ministério; 
IV credenciamento/habilitação para a prestação de serviços de saúde; 
V elaboração e incorporação de protocolos de regulação que ordenam os fluxos 
assistenciais; 
VI supervisão e processamento da produção ambulatorial e hospitalar; 
VII Programação Pactuada e Integrada - PPI; 
VIII avaliação analítica da produção; 
IX avaliação de desempenho dos serviços e da gestão e de satisfação dos usuários - PNASS; 
X avaliação das condições sanitárias dos estabelecimentos de saúde; 
XI avaliação dos indicadores epidemiológicos e das ações e serviços de saúde nos 
estabelecimentos de saúde; e 
XII utilização de sistemas de informação que subsidiam os cadastros, a produção e a 
regulação do acesso. 
(BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou a Portaria MS/GM n° 
1.559/2008) 
Antes de introduzir o nível mais básico da regulação, é preciso dizer que a atenção é um conceito 
mais amplo do que o da assistência. Enquanto esta se limita a iniciativas de caráter individual e 
curativo, como consultas com profissionais de saúde, intervenções cirúrgicas ou procedimentos 
de fisioterapia, por exemplo, aquela envolve também iniciativas de caráter coletivo, com fins 
preventivos, como vacinação, campanhas de uso de preservativos, promoção da amamentação, 
entre outras. 
Regulação do Acesso à Assistência 
A regulação do acesso à assistência, também denominada regulação do acesso ou regulação 
assistencial, diz respeito à priorização do acesso e dos fluxos assistenciais no âmbito do SUS. 
Trazendo a definição do Pacto pela Saúde, trata-se do “conjunto de relações, saberes, tecnologias 
e ações que intermediam a demanda dos usuários por serviços de saúde e o acesso a eles”. É a 
disponibilização da opção de assistência mais adequada à necessidade do cidadão, 
contemplando as seguintes ações: 
I - regulação médica da atenção pré-hospitalar e hospitalar às urgências; 
II - controle dos leitos disponíveis e das agendas de consultas e procedi- mentos especializados; 
III - padronização das solicitações de procedimentos por meio dos protocolos assistenciais; e 
 
14 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
IV - o estabelecimento de referências entre unidades de diferentes níveis de complexidade, de 
abrangência local, intermunicipal e interestadual, segundo fluxos e protocolos pactuados. A 
regulação das referências intermunicipais é responsabilidade do gestor estadual, expressa na 
coordenação do processo de construção da programação pactuada e integrada da atenção em 
saúde, do processo de regionalização, do desenho das redes. 
(BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou a Portaria MS/GM n° 
1.559/2008) 
Essas definições nos ajudam a compreender melhor as funções de RCAA conforme preconizadas 
atualmente. 
 
Por fim, a Resolução CIT no 4, de 19 de julho de 2012, dispôs sobre a pactuação tripartite acerca 
de regras relativas às responsabilidades sanitárias no âmbito do SUS. 
 
 
 
 
O conceito de regionalização já foi abordado no módulo 2 e o do Coap, na 3. Se você não 
se lembra deles, vale a pena consultá-los novamente. 
Observação 
 
Leia o item 4. “Responsabilidades na Regulação, Controle, Avaliação e Auditoria” no anexo 
I da Resolução no 4/2012. O documento pode ser acessado no endereço: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cit/2012/res0004_19_07_2012.html 
Leitura Recomendada 
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Retomando o exercício anterior... 
Você se lembra da lista que pedimos para preparar e guardar? Vamos utilizá-la 
novamente neste momento. Realize a leitura recomendada sobre 
Responsabilidades na Regulação, Controle, Avaliação e Auditoria, do anexo I da 
Resolução CIT no 4/2012, para identificar as atribuições de cada um dos entes 
(municípios, estados, Distrito Federal e União) em relação ao tema desta aula. 
Agora, compare as responsabilidades do ente para o qual trabalha com a lista que 
você fez anteriormente e com as atribuições da Portaria no 423/2002. 
Você reparou que a Resolução no 4/2012 trouxe também atribuições ligadas à 
auditoria? Você executa todas as responsabilidades expressas na resolução? Se 
não, seria bom pensar em um plano para que passe a incorporar todas elas. A partir 
da data de publicação desta Resolução, ou seja, desde 19.07.12, todos os entes 
federados passaram a ter que assumir as responsabilidades nela expressas. 
Praticando... 
 
16 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
Veja na linha do tempo abaixo um resumo da legislação a respeito de RCAA: 
 
Após a trajetória histórica das funções de RCAA, vamos estudar cada um dos conceitos 
separadamente. 
 
17 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
5.2. Regulação Assistencial 
Como foi exposto, o conceito de regulação em vigor trata de três dimensões. Neste momento, 
vamos abordar o conceito mais específico, que é o de regulação do acesso aos serviços de saúde, 
que, em linhas gerais, é a intervenção do Estado nos processos da assistência à saúde, fazendo 
uma ponte entre a demanda dos usuários (necessidades imediatas do cidadão) e a prestação do 
serviço (oferta assistencial disponível). A Portaria de Consolidação nº 2/2017, que revogou a 
Portaria n° 1.559/2008, define como atribuições da regulação do acesso: 
I - garantir o acesso aos serviços de saúde de forma adequada; 
II - garantir os princípios da equidade e da integralidade; 
III - fomentar o uso e a qualificação das informações dos cadastros de usuários, estabelecimentos 
e profissionais de saúde; 
IV - elaborar, disseminar e implantar protocolos de regulação; 
V - diagnosticar, adequar e orientar os fluxos da assistência; 
VI – construir e viabilizar as grades de referência e contrarreferência; 
VII - capacitar de forma permanente as equipes que atuarão nas unidades de saúde; 
VIII - subsidiar as ações de planejamento, controle, avaliação e auditoria em saúde; 
IX - subsidiar o processamento das informações de produção; e 
X - subsidiar a programação pactuada e integrada. 
(BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou a Portaria MS/GM n° 
1.559/2008) 
Segundoessa portaria, a regulação do acesso é estabelecida por meio de estruturas denominadas 
Complexos Reguladores, formados por meio de unidades operacionais chamadas de centrais de 
regulação preferencialmente, descentralizadas e com um nível central de coordenação e 
integração. 
O Complexo Regulador deve ser organizado em três tipos de central de regulação, conforme 
trecho da legislação a seguir: 
I - Central de Regulação de Consultas e Exames: regula o acesso a todos os procedimentos 
ambulatoriais, incluindo terapias e cirurgias ambulatoriais; 
II - Central de Regulação de Internações Hospitalares: regula o acesso aos leitos e aos 
procedimentos hospitalares eletivos e, conforme organização local, o acesso aos leitos 
hospitalares de urgência; e 
III - Central de Regulação de Urgências: regula o atendimento pré-hospitalar de urgência e, 
 
18 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
conforme organização local, o acesso aos leitos hospitalares de urgência. 
(BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou a Portaria MS/GM n° 
1.559/2008) 
Cabe ressaltar que nem todos os entes precisam dispor dos três tipos de central de regulação. 
Para ilustrar, um município que não tenha hospital, não precisa ter uma central de regulação de 
internações hospitalares, visto que não tem leitos próprios. 
Segundo a Portaria no 1.559/2008, são atribuições do Complexo Regulador: 
I - fazer a gestão da ocupação de leitos e agendas das unidades de saúde; 
II - absorver ou atuar de forma integrada aos processos autorizativos; 
III - efetivar o controle dos limites físicos e financeiros; 
IV - estabelecer e executar critérios de classificação de risco; e V - executar a regulação médica 
do processo assistencial. 
(BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou a Portaria MS/GM n° 
1.559/2008) 
 
A Central de Regulação é o local que recebe as solicitações de atendimento, avalia, processa e 
agenda, a partir do conhecimento da capacidade de produção instalada nas unidades prestadoras 
de serviços. 
Muitas unidades dizem que possuem uma central de regulação quando, na verdade, se limitam a 
receber as solicitações de atendimento e agendá-las. No entanto, cabe também a essa estrutura 
a avaliação e o processamento das demandas em função da oferta. No caso de haver um número 
maior de pacientes necessitando de determinado procedimento do que sua oferta, é necessário 
que haja uma priorização das necessidades. Assim, são estabelecidos critérios para indicar quais 
pacientes terão acesso. 
 
Para entender melhor como o Complexo Regulador deve ser implantado, consulte o 
Volume 6 da Série Pactos pela Saúde: Diretrizes para a Implantação de Complexos 
Reguladores, acessível na íntegra na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da 
Saúde:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/DiretrizesImplantComplexosReg2811.p
df 
Saiba Mais 
 
19 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
 
Por exemplo, se temos pacientes em uma fila por tomografia, como essa fila será organizada? O 
critério é temporal, ou seja, o primeiro que entrou na fila terá acesso primeiro ao procedimento? 
Ou um paciente que tenha uma emergência pode ser colocado no início da fila, porque corre o 
risco de morrer caso não realize o procedimento? Essas são algumas das questões a serem 
consideradas. Por isso, é muito importante que sejam estabelecidos protocolos para orientar o 
acesso às ações de saúde. Esses protocolos, bem como outros instrumentos empregados para 
as atividades de Regulação, Controle e Avaliação, serão abordados mais adiante. 
As centrais de regulação são vinculadas a cada esfera administrativa, conforme pode ser 
observado no diagrama a seguir: 
 
 
 
*A exemplo da CNRAC na esfera federal, a Central Estadual de Regulação da Alta Complexidade – CERAC foi prevista para a 
esfera estadual. Contudo, a central de alta complexidade federal é única, porque não está dentre a competência da direção nacional 
do SUS executar serviços de saúde. Como o ente estadual deve executar supletivamente ações e serviços de saúde, a CERAC 
será integrada às centrais de regulação de consultas e exames e internações hospitalares, conforme os procedimentos regulados. 
 
Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade 
(CNRAC) 
FEDERAL
 
Central estadual/regionais de consultas e exames* 
Central estadual/regionais de internações hospitalares* 
Central estadual/regionais de urgências 
ESTADUAL
 
Central municipal de consultas e exames 
Central municipal de internações hospitalares 
Central municipal de urgências 
MUNICIPAL
 
 
Você se lembra do princípio da equidade abordado na aula 2? Caso não lembre, 
sugerimos que realize novamente a leitura para ajudá-lo na compreensão do conteúdo a 
Observação 
 
20 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
A Central Nacional de Regulação da Alta Complexidade (CNRAC), instituída pela Portaria 
no 2.309, de 19 de dezembro de 2001, revogada pelo Anexo XXVI da Portaria de Consolidação n° 
2/17, regula o fluxo das referências interestaduais de usuários que necessitam de assistência 
hospitalar de alta complexidade. Atualmente, fazem parte desta central os procedimentos relativos 
às áreas de neurologia, cardiologia, oncologia, ortopedia e gastroenterologia. 
Você lembra que falamos que a Portaria no 423/2002 apresentou alguns instrumentos que podem 
e devem ser empregados para as atividades de Regulação, Controle e Avaliação? Apesar de 
alguns instrumentos serem úteis a mais de uma das funções, vamos aproveitar para comentar 
alguns mais relevantes para a Regulação. 
 
• Protocolos clínicos 
Visam a garantir a alocação dos recursos terapêuticos mais adequados a cada situação clínica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
 
É importante que você leia a Lei nº 12.401, de 28 de abril de 2011. O documento encontra-se 
disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12401.htm. 
 
No site http://conitec.gov.br/index.php/protocolos-e-diretrizes é possível encontrar uma 
compilação de protocolos para diversas situações clínicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vale a leitura! 
Os Protocolos e Diretrizes (PCDT) do Ministério da Saúde são documentos que visam 
garantir as melhores práticas para o diagnóstico, tratamento e monitoramento dos 
pacientes no âmbito do SUS. Os PCDT incluem recomendações de condutas clínicas, 
medicamentos, produtos e procedimentos nas diferentes fases evolutivas da doença ou 
do agravo à saúde e são elaborados e revisados pela Comissão Nacional de Incorporação 
de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). 
Saiba Mais 
 
22 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
Como exemplo, apresentamos um fluxograma de tratamento da Anemia por Deficiência de 
Ferro: 
 
Fonte: Brasil. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Anemia por deficiência de ferro. Portaria Conjunta SAS/MS nº 1.247, de 
10 de novembro de 2014. Disponível em: 
http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2014/pcdt_Anemia_DeficienciaFerro_2014.pdf 
 
 
23 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
• Protocolos operacionais 
São protocolos que indicam as referências, as prioridades e os recursos disponíveis. Em geral, 
podemos diferenciar os protocolos clínicos dos operacionais pelo local onde é utilizado. Os clínicos 
geralmente são utilizados dentro dos estabelecimentos, enquanto os operacionais, para o fluxo 
entre os estabelecimentos. Além disso, uma vez que precisam considerar os estabelecimentos 
disponíveis em cada localidade, são mais singulares. 
Para que você entenda melhor como podem ser os protocolos operacionais, veja a seguir 
exemplos de protocolos de acesso a exames e a consultas com especialistas,retirados do sítio 
eletrônico da Secretaria de Estado de Santa Catarina www.saude.sc.gov.br. 
Protocolo de acesso – Videonasolaringoscopia: 
CRITÉRIOS DE ENCAMINHAMENTO 
- Disfonia 
- Pigarro 
- Estridor 
- Disfagia 
- Tumores 
- Anomalias congênitas da Laringe 
- Diagnóstico e acompanhamento de patologias faríngeas e laríngeas 
- Granulomas das cordas vocais 
- Pólipos das cordas vocais 
- Estenose subglotica congênita ou adquirida (pós-entubação traqueal prolongada) 
- Refluxo gastresofágico 
- Obstrução nasal 
- Respiração bucal 
- Epistaxe de repetição ou volumosa 
- Ronco e apneias do sono 
EVIDÊNCIAS CLÍNICAS E COMPLEMENTARES 
É importante considerar na abordagem inicial do paciente: 
- história clínica (relacionar fatores de risco para doenças laríngeas e faríngeas) 
- história detalhada de patologia pregressa e história familiar relacionada à patologia 
http://www.saude.sc.gov.br/
 
24 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
- exame físico 
- exames complementares realizados 
PROFISSIONAIS SOLICITANTES 
- Otorrinolaringologista, Médico da Família, Clinico Geral 
Protocolo de acesso – Videonasolaringoscopia 
Disponível em: http://portalses.saude.sc.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=10940&Itemid=85 
Protocolo de acesso - Consulta com cardiologista: 
PROTOCOLO SUGERIDO PARA CONSULTA COM CARDIOLOGISTA 
 
MOTIVOS PARA ENCAMINHAMENTO 
- Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) de difícil controle 
- Avaliação cardiológica para população acima de 45 anos (sexo masculino) 
e 50 anos (sexo feminino) 
- Insuficiência cardíaca congestiva (ICC) 
- Insuficiência Coronariana 
- Dor Torácica/Precordialgia 
- Sopros/Valvulopatias estabelecidas 
- Parecer Cardiológico – Pré-Operatório 
- Miocardiopatias 
- Avaliação para atividade física 
- Arritmias 
- Obstrução nasal 
- Respiração bucal 
- Epistaxe de repetição ou volumosa 
- Ronco e apneias do sono 
OBS.: Todo paciente encaminhado para o especialista continua sob a responsabilidade do médico que encaminhou e a ele 
deve voltar. 
Protocolo de acesso - Consulta com cardiologista 
 
Exemplo disponível em: 
http://www.saude.am.gov.br/regulacao/adm/imgeditor/file/arquivos_reg/protocolo%20de%20Acesso%20Consultas%20e%20Exa
mes%20v06_01_2014(1).pdf 
 
http://portalses.saude.sc.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=10940&Itemid=85
http://www.saude.am.gov.br/regulacao/adm/imgeditor/file/arquivos_reg/protocolo%20de%20Acesso%20Consultas%20e%20Exames%20v06_01_2014(1).pdf
http://www.saude.am.gov.br/regulacao/adm/imgeditor/file/arquivos_reg/protocolo%20de%20Acesso%20Consultas%20e%20Exames%20v06_01_2014(1).pdf
 
25 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
• Comissões autorizadoras / médicos autorizadores 
Nos casos de procedimentos ou internações de alto custo ou que precisem de uma análise clínica 
detalhada, é preciso solicitar autorização para a realização dos procedimentos. Essas comissões, 
que podem ser formadas multidisciplinarmente, ou os médicos autorizadores (dependendo da 
estrutura do ente e dos serviços regulados) vão fazer a análise do caso, tendo como base 
protocolos clínicos, quando necessário. 
 
 
 
 
Segundo o Plano Estadual de Saúde (PES) 2024-2027, o Complexo Regulador Estadual do 
Rio de Janeiro é composto por dez centrais específicas, cada qual com uma atuação ímpar 
e área de abrangência determinada. 
REUNI – Responsável pelo acesso dos cidadãos fluminenses dos 92 municípios aos serviços 
de alta complexidade ou recursos estratégicos existentes na Capital; 
Central Estadual – Responsável pela regulação de acesso dos 92 municípios aos leitos 
estratégicos e de alta complexidade existentes no ERJ, tais como: UTI NEO, UTI PED, 
Cirurgia Cardíaca Infantil, Neuroembolização de malformação vascular cerebral, 
Hematologia e Oncologia, entre outros; 
Exemplificando 
 
26 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
 
 
 
 
Centrais Regionais – As centrais regionais atuam na competência do seu território e das 
ofertas existentes na sua região. Apresentando cada uma delas as seguintes 
características próprias, a saber: 
 
• Baixada Fluminense: ausência de serviços de alta complexidade, sendo totalmente 
dependente da Capital para isso. 
 
• Baixada Litorânea: grande dificuldade na assistência na terapia renal substitutiva 
em pacientes em regime de internação em leito de enfermaria. região turística com 
alto índice de acidentes que acaba por demandar o envio de pacientes 
politraumatizados para as regiões do entorno; 
 
• Serrana: região com grande concentração de municípios, dezesseis ao total, sem 
instrumento de saúde estadual e com grande área rural, o que dificulta o trabalho da 
atenção primaria dos municípios; demanda procedimentos de cirurgia vascular em 
estágio avançado para outras regiões de saúde; 
 
• Médio Paraíba: é uma das regiões com mais serviços de saúde na própria região, 
quase que autossuficiente, demandando para outras regiões algumas 
subespecialidades de oncologia como a hematologia, cabeça e pescoço e a cirurgia 
torácica; 
 
• Metropolitana 2: vem crescendo em serviços de saúde, principalmente no 
diagnóstico e cardiologia, mas ainda tem oferta restrita, principalmente em risco 
habitual na gravidez, ocupando de forma equívoca os leitos de gestação de alto risco 
na rede estadual; 
 
 
27 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
 
 
 
 
 
• Centro Sul: conta com uma unidade estadual especializada em ortopedia de 
alta complexidade. Tem grande parceria com a Médio Paraíba na utilização 
de ofertas de serviços diagnósticos e outras ofertas como leito clínico de UTI 
adulto e pediátrico. Conta também com uma unidade universitária de grande 
porte com serviços especializados, e recebeu recentemente Radioterapia. 
 
• Noroeste: não conta com estrutura estadual; é uma região extensa composta 
por quatorze municípios, com baixa ocupação territorial por habitante. Conta 
com uma unidade filantrópica responsável pela execução de alta 
complexidade na região. Demanda para a Capital a Cirurgia Cardíaca Infantil. 
 
• Norte: tem uma oferta resolutiva para demandas cardiovasculares e tem 
pouca dependência de outras regiões. 
 
Ainda segundo o PES 2024-2027, além dessas, a Central de Regulação Estadual de 
Consultas e Exames – CRECE foi instituída para a regulação de consultas de média e 
baixa complexidade ofertadas na Capital. 
 
 
O conceito de município-polo, conforme definido na NOAS 01/02, é aquele que 
apresenta papel de referência para outros municípios, de acordo com a estratégia de 
regionalização de cada estado. Em geral, são municípios de maior porte e com maior 
estrutura. No entanto, em uma mesma região de saúde, um município pode ser polo 
para regulação e outro, para vigilância, por exemplo. 
Observação 
 
28 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
5.3. Controle Assistencial 
Historicamente, as funções de controle, avaliação e auditoria do SUS estavam associadas à 
apuração da produção dos serviços de saúde com vistas ao pagamento, o chamado “faturamento”, 
especialmente com relação aos presta- dores privados. Com o tempo, passaram a ser utilizados 
como uma ferramenta de gestão em relação a todos os prestadores de serviços do SUS, públicos 
ou privados. 
Essa nova forma de abordagem está de acordo com as ideias do livro “Auditoria do SUS 
Orientações Básicas”, que define o controle como o “monitoramento de processos (normas e 
eventos) para verificar a conformidade dos padrões estabelecidos e detectar situações de alarme 
que requeiram uma ação avaliativa, detalhada e profunda” (Brasil, 2011, p.15). 
A atuação do controle assistencial deve estar sempre baseada no planejamento, contendo 
informações como a produção de serviços previstos e as metasde indicadores. O processo de 
controle inclui ações de monitoramento da execução dos serviços, dos recursos financeiros, por 
meio dos sistemas de informação; identificação dos usuários do SUS; atualização do CNES; 
adoção de protocolos de regulação e protocolos clínicos; acompanhamento das referências e 
contrarreferências; autorização de procedimentos; controle da regularidade dos pagamentos 
efetuados aos estabelecimentos de saúde, dentre outras. 
Alguns dos instrumentos mencionados na Portaria no 423/2002 podem ser bastante úteis para o 
controle. Vejamos alguns. 
• Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES) 
É um banco de dados que traz a informação de todos os estabelecimentos de saúde no país. 
Evidentemente, como qualquer sistema de informação, fica sujeito ao preenchimento dos 
responsáveis por ele. No caso, cada estabelecimento de saúde é responsável pelo cadastramento 
e pela manutenção dos dados no sistema, sendo os profissionais de saúde corresponsáveis, 
conforme a Portaria no 1.646, de 2 de outubro de 2015. 
Às direções do SUS cabe subsidiar e apoiar a implantação e a manutenção do CNES em seu 
território, apoiar o cadastramento dos estabelecimentos sob seu comando, bem como fiscalizar, 
auditar, validar ou alterar, quando necessário, o cadastro dos estabelecimentos de saúde 
integrantes do SUS que estejam sob seu comando ou cujo comando esteja compartilhado com a 
 
29 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
esfera estadual. 
 
 
• Cartão Nacional de Saúde 
É um sistema informatizado de base nacional que possibilita a vinculação dos procedimentos 
realizados pelo SUS ao usuário, ao profissional que o realizou e à unidade de saúde. Seria 
importante que funcionasse como um prontuário eletrônico, por exemplo, para evitar que uma 
pessoa realizasse o mesmo exame em mais de um estabelecimento. No entanto, em geral 
funciona apenas como um número que é consultado e registrado no momento da utilização do 
sistema. 
• Indicadores e parâmetros assistenciais de cobertura e produtividade 
São instrumentos que vão permitir, no caso do controle, por exemplo, a observação de padrões 
que fogem à normalidade. Como falamos que um mesmo instrumento pode ser útil a mais de uma 
função, os indicadores também servem para a avaliação dos resultados, que será comentada mais 
à frente. Os indicadores devem ser definidos de acordo com a realidade local, tomando por base 
os parâmetros nacionais, estaduais e municipais. 
 
 
Para consultar o Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde, acesse o sítio 
eletrônico: https://cnes.datasus.gov.br/ 
Saiba Mais 
https://cnes.datasus.gov.br/
 
30 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
Alguns indicadores clássicos de produtividade são: taxa de ocupação, tempo médio de 
permanência, número de saídas hospitalares, taxa de mortalidade institucional, taxa de cesárea, 
taxa de infecção hospitalar. 
Vamos considerar a taxa de ocupação para ilustrar a necessidade de que os indicadores estejam 
adequados à realidade. Uma taxa de ocupação geral de 77% significa que há muitos leitos 
ocupados, poucos ou a ocupação está adequada? 
 Talvez esse indicador possa estar escondendo uma situação peculiar de ocupação de 100% de 
leitos adultos, o que indica que há áreas superlotadas, como pacientes aguardando internação em 
outros locais do hospital ou sem acesso, enquanto há outras áreas com leitos ociosos. 
Para dar outro exemplo, o que você acha de um tempo de permanência de seis dias? 
Considerando os parâmetros da Portaria de Consolidação nº 1, de 28 de setembro de 2017, 
artigos 102 a 106 (que revogou a Portaria nº 1.631, de 1º de outubro de 2015) transcritos a seguir, 
seria alto se estivéssemos controlando a especialidade de obstetrícia, mas estaria adequado para 
a especialidade cirúrgica para pessoas com 60 anos ou mais. 
 
ESPECIALIDADES 
 
Limite inferior 
 
Limite superior UNIDADE DE 
MEDIDA 
Cirúrgica 60 anos ou 
mais 
4,6 6,5 Dias/ano por internação 
Obstetrícia 2,4 3,1 Dias/ano por internação 
Fonte: elaboração própria, considerando os parâmetros da Portaria de Consolidação nº 1, de 28 de setembro de 2017. 
 
Com base nos exemplos, fica evidente a necessidade de planejamento da escolha dos indicadores 
utilizados, para que possam efetivamente servir para controlar os resultados. 
• Mecanismos de acompanhamento da Programação Pactuada e Integrada (PPI) e da 
programação dos estabelecimentos: São instrumentos que vão permitir confrontar o executado 
com o programado, planejado. Esses mecanismos devem estar previstos nos Plano de Controle, 
Regulação, e Avaliação (definido pela NOAS 01/02). 
• Sistema de Orçamentos Públicos em Saúde (Siops): É um sistema que padroniza as 
informações de receitas e gastos em saúde, conhecimento importante para as áreas de controle 
e avaliação do SUS. Visa a aperfeiçoar as políticas de financiamento e propiciar a elaboração de 
 
31 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
indicadores que reflitam a eficácia e a eficiência dos gastos públicos em saúde. Ele exibe o 
demonstrativo da saúde que integra o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) e 
detalha o cálculo do percentual aplicado em saúde. 
 
 
 
5.4. Avaliação Assistencial 
Segundo o livro “Auditoria do SUS Orientações Básicas”, a avaliação “é a identificação quantitativa 
e qualitativa dos resultados (impactos) obtidos pelo SUS em relação aos objetivos fixados nos 
programas de saúde e na adequação aos parâmetros de qualidade, resolutividade, eficiência e 
eficácia estabelecidos pelos órgãos competentes do SUS” (Brasil, 2011, p.16). 
Podemos dizer que enquanto o controle observa padrões, a avaliação irá realizar um julgamento, 
uma interpretação dos padrões observados. Na prática, geralmente existe um setor de controle e 
avaliação, que por vezes também é integrado pela regulação ou ainda pela auditoria, e dificilmente 
a função de avaliação é realizada. 
Além dos instrumentos da Portaria no 423/2002 já mencionados, podemos citar os de avaliação 
da qualidade assistencial e da satisfação dos usuários. 
 
 
 
O Siops pode ser acessado no sítio eletrônico: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-
informacao/siops 
Saiba Mais 
 
Conheça a Pesquisa de Satisfação do Usuário do SUS. O documento pode ser 
visualizado no sítio eletrônico: 
 https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-sudeste/hc-ufmg/acesso-
a-informacao/participacao-social/ouvidoria/pesquisas-de-satisfacao/pesquisa-de-
satisfacao-do-usuario-do-sus 
Saiba Mais 
https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/siops
https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/siops
 
32 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
5.5. Auditoria Assistencial 
O Sistema Nacional de Auditoria (SNA) no âmbito do SUS é regulamentado pelo Decreto 
n° 1.651, de 28 de setembro de 1995. 
 
 
Segundo o normativo, o SNA deve exercer, sobre as ações e serviços desenvolvidos no âmbito 
do SUS, as atividades de: 
I - controle da execução, para verificar a sua conformidade com os padrões estabelecidos ou 
detectar situações que exijam maior aprofundamento; 
II - avaliação da estrutura, dos processos aplicados e dos resultados alcançados, para aferir sua 
adequação aos critérios e parâmetros exigidos de eficiência, eficácia e efetividade; 
III - auditoria da regularidade dos procedimentos praticados por pessoas naturais e jurídicas, 
mediante exame analítico e pericial. 
Historicamente, a auditoria do SUS estava focada no “faturamento” dos serviços, conforme 
mencionado anteriormente, nessa linha de auditoria de regularidade dos procedimentos, que 
envolvia exame analítico e pericial. Assim, eventuais distorções de padrão indicadas pelo controle 
assistencial de determinados serviços poderiam disparar a necessidade de auditoria quecomprovasse sua realização. Por exemplo, a observação nos sistemas informatizados de um 
número de exames de tomografia no mês de dezembro 30% acima da média dos últimos 12 meses 
poderia levar à necessidade de auditoria para confirmar a realização dos exames. Desta forma, o 
setor de auditoria iria verificar a existência de “bagaços” (comprovantes de atendimento: 
encaminhamento médico, documentação do paciente, laudo e assinatura, por exemplo) e sua 
adequação às normas estabelecidas. Por exemplo, caso houvesse menos “bagaços” que a 
quantidade de exames informada, o valor que excedesse a comprovação era “glosado” e deveria 
ser devolvido pelo prestador. 
 
Leia o Decreto n° 1.651, de 28 de setembro de 1995 na íntegra. Ele está disponível no 
endereço: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1995/d1651.htm 
 
Leitura Recomendada 
 
33 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
 
O art. 5º do Decreto n° 1.651/1995 também define as competências de cada um dos entes em 
relação ao SNA. 
Na prática, essa divisão de atribuição das competências dos entes não é tão bem definida, uma 
vez que uma mesma ação ou serviço do SUS pode ser financiado por mais de um ente. Portanto, 
torna-se essencial um diálogo entre os componentes do SNA para que tenham um trabalho de 
parceria e possam otimizar os esforços a fim de obter um resultado mais efetivo. 
O conceito da auditoria vem se modificando ao longo dos anos com as diversas legislações do 
SUS. Segundo o Pacto pela Saúde (Portaria no 399/2006, revogada pela Portaria n° 2.501, de 
28.09.17, e inserida nas portarias de consolidação), a auditoria assistencial ou clínica é definida 
como: 
“processo regular que visa aferir e induzir qualidade do atendimento amparada em procedimentos, 
protocolos e instruções de trabalho normatizados e pactuados. Deve acompanhar e analisar 
criticamente os históricos clínicos com vistas a verificar a execução dos procedimentos e realçar 
as não conformidades” 
Já o livro “Auditoria do SUS Orientações Básicas” define auditoria da seguinte forma: 
Auditoria: é o exame sistemático e independente dos fatos pela observação, medição, ensaio ou 
outras técnicas apropriadas de uma atividade, elemento ou sistema para verificar a adequação 
aos requisitos preconizados pelas leis e normas vigentes e determinar se as ações e seus 
 
O Acórdão no 3.114/2010 da 2ª Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) 
discorre sobre os efeitos da glosa, notadamente no SUS. “O termo glosar, segundo 
o Dicionário Aurélio, é equivalente a censurar, criticar, suprimir ou anular, dentre 
outras acepções. Trata-se de juízo de reprovabilidade que alguém tem em relação 
a algo. (...) No caso do SUS, se a glosa decorre de um recebimento indevido, como 
no caso de pagamento de procedimentos não realizados, a medida tem por fim 
restituir os cofres públicos, logo a glosa deve ser processada como uma perda em 
definitivo.” 
Observação 
 
34 
 
 
 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
resultados estão de acordo com as disposições planejadas. A auditoria, por meio da análise e 
verificação operativa, possibilita avaliar a qualidade dos processos, sistemas e serviços e a 
necessidade de melhoria ou de ação preventiva/corretiva/saneadora. Tem como objetivo propiciar 
ao gestor do SUS informações necessárias ao exercício de um controle efetivo, e contribuir para 
o planejamento e aperfeiçoamento das ações de saúde. (Brasil, 2011, p.15) 
Essa noção vai além da visão antiga centrada basicamente no faturamento. A auditoria começa a 
ser usada não só para a verificação da aplicação dos recursos aos prestadores, mas também para 
garantir os princípios e as diretrizes do SUS e uma melhoria dos indicadores e, portanto, o 
resultado das ações e serviços de saúde, em linha com a evolução das demais funções 
mencionadas. 
Apesar da ampliação do escopo, a lógica permanece a mesma, devendo a auditoria atuar a partir 
das distorções identificadas pelas funções de controle, avaliação e regulação ou quando as ações 
dessas funções não forem suficientes para corrigir ou prevenir falhas. 
 
Finalizando... 
Como vimos neste módulo, as funções de regulação, controle, avaliação e auditoria são 
intimamente relacionadas e extremamente importantes para a gestão de um SUS eficiente, eficaz 
e efetivo. Foram detalhados os aperfeiçoamentos da legislação, deixando seu foco mais restrito 
no faturamento para uma visão mais abrangente, que passou a considerar também os resultados. 
Cada uma das funções foi separadamente abordada para fins didáticos, mas o fundamental é uma 
atuação integrada, que alcance os objetivos planejadamente propostos. 
 
Para mais detalhes sobre o funcionamento da Auditoria no SUS, consulte o livro 
“Princípios, diretrizes e regras da auditoria do SUS no âmbito do Ministério da 
Saúde”, disponível em: 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/principios_diretrizes_regras_auditori
a_sus.pdf 
Saiba Mais 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/principios_diretrizes_regras_auditoria_sus.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/principios_diretrizes_regras_auditoria_sus.pdf
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
Considerações Finais 
Chegamos ao final do nosso curso e, para finalizar, preparamos um texto de encerramento no 
qual apresentamos os marcos dessa nossa jornada de estudos. Vamos lá! 
Nosso curso “Introdução à Política de Saúde” abordou a evolução histórica do sistema público de 
saúde no Brasil, a organização do Sistema Único de Saúde (SUS), seus princípios e diretrizes, as 
competências de cada ente federativo, as normas e legislações pertinentes ao SUS, assim como 
o funcionamento da gestão do SUS (Planejamento, Financiamento, Regulação, Controle, 
Avaliação e Auditoria). 
No Módulo 1, a partir do entendimento da evolução histórica do sistema público de saúde no 
Brasil, pudemos observar como se deu o desenvolvimento da saúde pública no nosso país, desde 
sua independência, em 1822, até o período após a promulgação da Constituição Federal de 1988. 
Vimos que ao longo dos anos o acesso aos serviços públicos de saúde foi sendo ampliado, até 
chegar à universalidade. 
Com o SUS, a saúde pública deixou de ser limitada a ações coletivas, como campanhas de 
promoção e prevenção da saúde, para englobar também a atenção à saúde num sentido mais 
amplo, contemplando ações de profissionais de saúde de diversas categorias, atendendo a toda 
a população, independentemente de contribuição. 
No Módulo 2, aprendemos sobre a organização, princípios e diretrizes do SUS e, nesse contexto, 
as legislações que fundamentam o tema que se encontram em constante aprimoramento. Todos 
os anos o Ministério da Saúde edita novas portarias e institui novas políticas com vistas ao alcance 
de um sistema de saúde de qualidade para a população, e ao cumprimento dos seus princípios e 
diretrizes. É importante que você acompanhe essas publicações, mantendo-se sempre atualizado 
sobre as legislações pertinentes à sua atuação profissional. 
No Módulo 3, foram discutidos os aspectos estruturantes do Sistema Único de Saúde, desde a 
Constituição Federal de 1988 até o Decreto n.º 7.508 de 2011 e as portarias de consolidação de 
2017, com vistas a possibilitar a compreensão da organização e sua operacionalização. 
Em seguida, no Módulo 4, abordamos o funcionamento da gestão do SUS no que diz respeito às 
funções de planejamento e financiamento. 
 
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
Os instrumentos básicos de planejamento foram apresentados: Plano de Saúde (PS), 
Programação Anual de Saúde (PAS), Relatório Anual de Gestão (RAG) e Relatório Detalhado do 
Quadrimestre Anterior (RDQA). Vimos que, embora o planejamento em saúde seja instituído pela 
legislação e seja fundamental para a execução das ações e serviços de saúde,a cultura de 
planejamento entre os gestores do SUS ainda é insuficiente, o que justifica a importância de 
darmos continuidade a tal discussão para consolidar essa estratégia de gestão. 
Dada a compreensão do planejamento, prosseguiu-se com a discussão sobre Financiamento em 
Saúde. Como sabemos, essas discussões estão sempre presentes nas agendas dos movimentos 
sociais e políticos que atuam na defesa do SUS, principalmente devido à falta de recursos para 
saúde. 
No estudo sobre Financiamento vimos como o recebimento de recursos está condicionado, o 
estabelecimento dos blocos de financiamento federal e especificidades da legislação previstas na 
Constituição Federal/1988, da Lei n.º 8.080/1990 e da Lei Complementar n.º 141/2012. 
Por fim, no Módulo 5, foi dado prosseguimento ao estudo da gestão do SUS, abordando as 
funções de regulação, controle, avaliação e auditoria (RCAA). Essas funções estão intimamente 
relacionadas e são extremamente importantes para a gestão de um SUS eficiente, eficaz e efetivo. 
Foram detalhados os aperfeiçoamentos da legislação, deixando seu foco mais restrito no 
faturamento para uma visão mais abrangente, que passou a considerar também os resultados. As 
funções foram abordadas separadamente para fins didáticos, mas o fundamental é uma atuação 
integrada, que alcance os objetivos planejadamente propostos. 
Encerramos nosso curso buscando introduzir a compreensão da organização e da gestão do SUS. 
Tomamos por base a legislação estruturante e a vigente, bem como buscamos oferecer a vocês 
exemplos de aplicação no estado do Rio de Janeiro e em seus municípios para que o 
conhecimento fosse mais bem apresentado. 
Desejamos que esse seja o início do aprimoramento de seus estudos e que possamos ter 
contribuído para a melhoria de suas discussões e de seu dia a dia profissional. 
Até o próximo curso!! 
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"O saber a gente aprende com os mestres e os livros. 
A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes." 
 
 
 
 
 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
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GIOVANELLA, Lígia. As origens e as correntes atuais do enfoque estratégico em 
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 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 
 
 
MATUS, Carlos. Política Planejamento e Governo. Brasília:

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