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Introdução à Política de Saúde 2 CRÉDITOS Escola de Contas e Gestão – TCE/RJ Equipe Executiva Direção Geral Adriana Ramos Costa Coordenadoria Pedagógica Mauricio Nunes Rodrigues Coordenadoria Acadêmica Nilton Cesar da Silva Flores Coordenadoria de Capacitação João Paulo Menezes Lourenço Coordenadoria de Gestão e Tecnologia Educacional Rachel Constant Vergara Mann Secretaria da ECG José Sigberto da Silva Junior Equipe Técnica Autoria Aline do Nascimento Macedo Josyanne da Rocha Ferreira Mariana Miranda Autran Sampaio Renata Odete de Azevedo Souza Talita Dourado Schwartz Revisão Josyanne da Rocha Ferreira Talita Dourado Schwartz Coordenação Pedagógica Dalva Stella Pinheiro da Cruz Marcia Araujo Calçada Mauricio Nunes Rodrigues Gabriela da Cunha Siqueira (estagiária) Hugo Dutra Coutinho (estagiário) Paolla Victorya Santos Martins (estagiária) Assessoria Técnica Coordenação de Gestão e Tecnologia Educacional – CGT/ECG Edição – Junho/2024 3 Este material didático destina-se, exclusivamente, ao uso interno da ECG/TCE-RJ. O material didático fornecido pela ECG/TCE-RJ tem caráter meramente educativo e não vincula as decisões do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, sendo o respectivo conteúdo de inteira e exclusiva responsabilidade de seu autor. (Deliberação TCE nº 243/07) 4 Sumário Módulo 5: Gestão do SUS: regulação, controle, avaliação e auditoria ......................................... 5 5.1. Histórico ........................................................................................................................................ 7 5.2. Regulação Assistencial ............................................................................................................ 17 5.3. Controle Assistencial ................................................................................................................ 28 5.4. Avaliação Assistencial .............................................................................................................. 31 5.5. Auditoria Assistencial ............................................................................................................... 32 Considerações Finais ..................................................................................................................... 35 Referências ...................................................................................................................................... 38 Lista de siglas e abreviaturas ......................................................................................................... 44 5 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Módulo 5: Gestão do SUS: regulação, controle, avaliação e auditoria Gestão do SUS: regulação, controle, avaliação e auditoria Módulo 5 6 Material Textual | Introdução à Política de Saúde INTRODUÇÃO Olá! Seja bem-vindo ao nosso módulo sobre Gestão do SUS: regulação, controle, avaliação e auditoria. Nos módulos anteriores, apresentamos a evolução histórica do sistema público de saúde no Brasil, que culminou no Sistema Único de Saúde (SUS) que temos hoje. Falamos sobre sua organização, seus princípios e diretrizes, além das competências de cada ente federativo. Também foram apresentadas as principais normas e legislações pertinentes. O módulo 4 abordou o funcionamento da gestão do SUS no que diz respeito às funções de planejamento e financiamento. Agora, daremos continuidade ao estudo da gestão do SUS, abordando as funções de regulação, controle, avaliação e auditoria (RCAA). Vamos começar! Inicialmente, é fundamental destacar que as funções apresentadas nesta aula devem ser coerentes com os processos de planejamento e financiamento (já abordados na aula 4), tendo em vista sua importância para a revisão de prioridades e a possibilidade de contribuir para melhores resultados em termos de impacto na saúde da população. Além disso, regulação, controle, avaliação e auditoria são conceitos bastante interligados e, muitas vezes, é difícil entender isoladamente cada um deles. Vamos nos debruçar sobre cada um desses conceitos, mas antes veremos um pouco do histórico na legislação a respeito dessas funções de gestão. Para você compreender melhor o conteúdo desta aula, apresentamos a seguir os conceitos de cada função segundo o livro “Auditoria do SUS Orientações Básicas”. Regulação Assistencial "ajustar a oferta assistencial disponível às necessidades imediatas do cidadão" Controle "monitoramento de processos (normas e eventos) para verificar a conformidade dos padrões estabelecidos e detectar situações de alarme que requeiram uma ação avaliativa, detalhada e profunda" 7 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 5.1. Histórico Como já foi visto nas aulas anteriores, o art. 198 da Constituição Federal de 1988 estabelece que as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem o Sistema Único de Saúde (SUS). Lembra que o SUS tem como princípios a universalidade do acesso e a integralidade da atenção? Para garantir que esses princípios sejam realmente observados na prática, foram elaboradas normas operacionais, conforme já apresentado na aula 2. As funções de gestão abordadas neste módulo começaram a ser operacionalizadas no âmbito do SUS na Norma Operacional Básica (NOB) 93, sendo praticamente restritas ao controle dos prestadores de serviços e centradas no faturamento. Antes desta norma, as atividades de controle e avaliação eram desenvolvidas essencialmente pelo governo federal, por meio do Inamps, e, Avaliação "identificação quantitativa e qualitativa dos resultados (impactos) obtidos pelo SUS em relação aos objetivos fixados nos programas de saúde e na adequação aos parâmetros de qualidade, resolutividade, eficiência e eficácia estabelecidos pelos órgãos competentes do SUS" Auditoria "Exame sistemático e independente dos fatos pela observação, medição, ensaio ou outras técnicas apropriadas de uma atividade, elemento ou sistema para verificar a adequação aos requisitos preconizados pelas leis e normas vigentes e determinar se as ações e seus resultados estão de acordo com as disposições planejadas" (...), além de possibilitar "avaliar a qualidade dos processos, sistemas e serviços e a necessidade de melhoria ou de ação preventiva/corretiva/saneadora" (BRASIL, 2011) Se você não lembra exatamente o que são esses princípios, é importante que releia este conteúdo, apresentado no módulo 2, antes de continuar esta leitura. Observação 8 Material Textual | Introdução à Política de Saúde desde então, passaram a ser também desenvolvidas por estados e municípios (Brasil, 2016). A NOB 96 tentou aprimorar a prática do acompanhamento, controle e avaliação no SUS. Ao invés de utilizar apenas os mecanismos tradicionais, praticamente limitados ao faturamento de serviços produzidos, buscou valorizar os resultados das programações baseadas em critérios epidemiológicos. Incluiu também a necessidade de o órgão de controle, avaliação e auditoria considerar, dentro de seu rol de atividades, a legislação que regulamenta o Sistema Nacional de Auditoria (SNA) no âmbito do SUS, o Decreto Presidencial n° 1.651, de 28 de setembro de 1995, publicado no ano anterior. A Norma Operacional da Assistência à Saúde (NOAS) 01/01 começou a trazer um detalhamento do processo de controle, avaliação e regulação da assistência. Na NOAS 01/02, esse processo foi basicamenteEditora IPEA, 1993. MELO, J.A.C. Educação Sanitária: Uma Visão Crítica. CADERNOS DO CEDES, 4. “Educação e Saúde” (2ª. Reimpressão) São Paulo. Cortez, 1984. PAIM, J.S. Reforma Sanitária Brasileira: contribuição para a compreensão e crítica. Jairnilson Silva Paim. – Salvador: EDUFBA; Rio de janeiro: FIOCRUZ, 2008. POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL: um século de luta pelo direito à saúde. Roteiro e Direção: Renato Tapajós. BRASIL, 2006. Disponível em: https://renastonline.ensp.fiocruz.br/recursos/documentario-politicas-saude-brasil. Acesso em 14 jun. 2017. SAÚDE: o Decreto 7.508 e a organização do SUS. SGEP/MS – Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa / Ministério da Saúde. BRASIL, 2013. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=RQwKfSgrZ3Q&t=11s. Acesso em 17 jun. 2024. TV ALERJ. TCE Notícia - Auditoria saúde (bloco 1). RJ, 2015. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xEbEqDoUL9s. Acesso em 17 jun. 2024. https://renastonline.ensp.fiocruz.br/recursos/documentario-politicas-saude-brasil https://www.youtube.com/watch?v=RQwKfSgrZ3Q&t=11s https://www.youtube.com/watch?v=xEbEqDoUL9s 44 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Lista de siglas e abreviaturas AIS Ações Integradas de Saúde ASPS Ações e Serviços Públicos de Saúde CAP Caixas de Aposentadorias e Pensões CERAC Central Estadual de Regulação de Alta Complexidade CEREST Centros de Referência em Saúde do Trabalhador CIB Comissão Intergestores Bipartite CIR Comissão Intergestores Regional CIT Comissão Intergestores Tripartite CNES Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde CNRAC Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade CNS Cartão Nacional de Saúde COAP Contrato Organizativo de Ação Pública da Saúde CONASEMS Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde CONASP Conselho Consultivo de Administração de Saúde Previdenciária CONASS Conselho Nacional de Secretários de Saúde COSEMS Conselho de Secretarias Municipais de Saúde CPMF Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras DIGISUS Sistema Digital dos Instrumentos de Planejamento EC Emenda Constitucional FAS Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social IAP Institutos de Aposentadorias e Pensões IAPAS Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social 45 Material Textual | Introdução à Política de Saúde IAPB Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários IAPM Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Marítimos INAMPS Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social INPS Instituto Nacional de Previdência Social LDO Lei de Diretrizes Orçamentárias LOA Lei Orçamentária Anual NOAS Norma Operacional da Assistência à Saúde NOB Norma Operacional Básica PAS Programação Anual de Saúde PCCS Plano de Carreira, Cargos e Salários PES Plano Estadual de Saúde PGASS Programação Geral das Ações e Serviços de Saúde PIB Produto Interno Bruto PNASS Programa Nacional de Avaliação de Serviços de Saúde PPA Plano de Pronta Ação PPA Plano Plurianual PPI Programação Pactuada e Integrada RAG Relatório Anual de Gestão RAS Rede de Atenção à Saúde RCAA Regulação, Controle, Avaliação e Auditoria RDQA Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior RENAME Relação Nacional de Medicamentos Essenciais RENASES Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde RREO Relatório Resumido da Execução Orçamentária SALTE Saúde, Alimentação, Transporte e Energia SAMDU Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência 46 Material Textual | Introdução à Política de Saúde SARGSUS Sistema de Apoio ao Relatório de Gestão do SUS SCNES Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde SESP Serviço Especial de Saúde Pública SINPAS Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social SIOPS Sistema de Orçamentos Públicos em Saúde SUDS Programa de Desenvolvimento de Sistemas Unificados e Descentraliza- dos de Saúde nos Estados SUS Sistema Único de Saúde UNACON Unidades de Assistência de Alta Complexidade 47 Material Textual | Introdução à Política de Saúdemantido, frisando-se apenas a necessidade de pactuação entre os três níveis de governo, bem como de elaboração de planos estaduais e municipais que contemplassem o planejamento conjunto de estratégias e instrumentos a serem empregados para o fortalecimento da capacidade de gestão. Além disso, também instituiu o Plano de Controle, Regulação e Auditoria. O conteúdo deste Plano foi descrito em legislação futura, tratada mais adiante. A Portaria nº 423, de 24 de junho de 2002, aprovou um detalhamento das atribuições básicas inerentes a cada nível do Governo no controle, regulação e avaliação da Assistência à Saúde no SUS. Esse detalhamento considerou o processo de descentralização da época, em que o Ministério da Saúde tinha transferido às secretarias estaduais e municipais a quase totalidade de seus hospitais e unidades ambulatoriais. As secretarias estaduais, por sua vez, transferiram às secretarias municipais parcela importante de suas unidades assistenciais, principalmente as de atenção básica e de média complexidade (Portaria nº 423/2002). Entretanto, essa transferência da gestão das unidades para níveis mais locais não foi uma realidade em todos os estados. Por exemplo, o Rio de Janeiro ainda hoje conta com diversas unidades estaduais sob sua gestão. 9 Material Textual | Introdução à Política de Saúde A Portaria nº 423/2002 tentou implementar um enfoque maior na avaliação dos resultados e na satisfação do usuário, superando métodos mais restritos ao faturamento, como pode ser observado no trecho a seguir: “A descentralização das funções de execução e, portanto, de controle, regulação e avaliação impõe aos gestores a superação de métodos que se referiam principalmente ao controle de faturas (revisão) e instrumentos de avaliação com enfoque estrutural (vistorias) e do processo (procedi- mentos médicos); supervalorizados em detrimento do enfoque da avaliação dos resultados e da A Portaria nº 423, de 24 de julho de 2002, está disponível no endereço: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2002/prt0423_24_06_2002.html Leitura Recomendada Vamos exercitar um pouco... Faça uma lista com as atividades de Controle, Regulação e Avaliação assistencial do SUS exercidas por você ou de que você tenha conhecimento, no caso de não estar formalmente inserido em nenhum serviço de saúde. Para ajudá-lo, apresentamos alguns exemplos de atividades possíveis: elaborar planilha para acompanhar a execução dos prestadores de serviços de saúde, elaborar protocolos de regulação. É fundamental que você descreva as atividades que realmente são executadas, com as suas próprias palavras. É um momento de refletir sobre sua prática. Depois de elaborar sua lista, consulte a Portaria nº 423/2002, para conhecer as atribuições pactuadas na época para os gestores do SUS. Compare a Portaria com a sua lista para identificar as atividades exercidas por você que constam no documento, bem como outras que você acredita que poderiam ser implementadas no seu serviço. Guarde essa lista, pois iremos utilizá-la mais à frente. Praticando... 10 Material Textual | Introdução à Política de Saúde satisfação dos usuários. Sem subestimar a importância desses instrumentos, que devem continuar a ser usados, a construção do SUS implica mudanças estruturais e de postura gerencial, com elaboração e desenvolvimento de novos métodos e instrumentos” (BRASIL, Portaria nº 423/2002) Outra inovação da Portaria no 423/2002 foi apresentar o conteúdo do Plano de Controle, Regulação e Auditoria, instituído pela NOAS 01/02, que pode ser observada no trecho a seguir: “Os Planos de Controle, Regulação e Avaliação deverão identificar a estrutura existente e a necessária para o pleno desempenho de suas atividades, definindo etapas para sua implantação, de forma a ampliar progressivamente sua capacidade gestora. A estrutura necessária compreende os recursos humanos, materiais e tecnológicos. Cabe aos gestores identificarem suas necessidades prioritárias, dentro de suas especificidades loco-regionais, decidindo o que, quando e como controlar, regular e avaliar” (BRASIL, Portaria nº 423/2002) Segundo a Portaria no 423/2002, o Plano de Controle, Regulação e Auditoria estadual deveria incorporar também o desenho da regionalização do estado, integrando níveis crescentes de resolutividade assistencial, procurando atender às necessidades do usuário o mais próximo possível de sua residência. A partir do que consta na Portaria, podemos entender que serviços com baixo custo e cuja utilização seja frequente, como fisioterapia, por exemplo, deveriam ser disponibilizados mais perto da residência do usuário, oferecidos assim por todos os municípios. Já serviços com alto custo e com utilização pontual, como a cirurgia cardíaca, poderiam ser centralizados em determinado município da região e ofertados a todos os demais municípios. Essa portaria traz ainda alguns exemplos de instrumentos de controle, regulação e avaliação, que podem ser bastante úteis. Uns podem ser utilizados por mais de uma das funções - controle, regulação ou avaliação –, enquanto outros são mais específicos. Parte deles será abordada nos subtópicos de cada uma das funções, embora seu uso não seja necessariamente limitado à função em que o instrumento será apresentado. Em 2006, o Pacto pela Saúde (Portaria no 399, de 22 de fevereiro de 2006) trouxe o conceito de Regulação da Atenção à Saúde, tendo como objeto a produção de todas as ações diretas e finais de atenção à saúde, dirigida aos prestadores de serviços de saúde, públicos e privados: 11 Material Textual | Introdução à Política de Saúde As ações da Regulação da Atenção à Saúde compreendem a Contratação, a Regulação do Acesso à Assistência ou Regulação Assistencial, o Controle Assistencial, a Avaliação da Atenção à Saúde, a Auditoria Assistencial e as regulamentações da Vigilância Epidemiológica e Sanitária. (BRASIL, Portaria nº 399/2006, revogada pela Portaria n° 2.501, de 28 de setembro de 2017, e inserida nas portarias de consolidação) Você reparou que o controle, a avaliação, a auditoria e a própria regulação do acesso foram mencionados como ações pertinentes à Regulação da Atenção à Saúde? Esse conceito foi mais bem detalhado pela Portaria MS/GM n° 1.559, de 1º de agosto de 2008, revogada pela Portaria de Consolidação nº 2, de 28 de setembro de 2017, Anexo XXVI, que instituiu a Política Nacional de Regulação do SUS. Nela, o conceito de regulação foi definido em três dimensões interrelacionadas, que são: I - Regulação do Sistema de Saúde • Tem como objetivo definir as macrodiretrizes para a Regulação da Atenção à Saúde e executar ações de monitoramento, controle, avaliação, auditoria e vigilância. II - Regulação da Atenção à Saúde • Tem como objetivo garantir a prestação adequada de serviços de saúde à população. III - Regulação do Acesso à Assistência • Tem como objetivo disponibilizar a alternativa assistencial mais adequada à necessidade do cidadão. Apesar de termos optado por trazer alguns trechos da Portaria MS/GM n°1.559/2008, revogada pela Portaria de Consolidação nº 2/2017, consideramos importante que você leia o Anexo XXVI na íntegra. Ela pode ser acessada no endereço: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0002_03_10_2017.html Leitura Recomendada https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0002_03_10_2017.html 12 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Veja, a seguir, um detalhamento de cada dimensão. Regulação de Sistemas de Saúde Essa dimensão vai envolver o sistema de saúde como um todo. Sua responsabilidade é delinear diretrizes gerais para a Regulação da Atenção à Saúde, que é o nível imediatamente inferior. Contempla as seguintes ações: I Elaboração de decretos, normas e portariasque dizem respeito às funções de gestão; II Planejamento, Financiamento e Fiscalização de Sistemas de Saúde; III Controle Social e Ouvidoria em Saúde; IV Vigilância Sanitária e Epidemiológica; V Regulação da Saúde Suplementar; VI Auditoria Assistencial ou Clínica; e VII Avaliação e Incorporação de Tecnologias em Saúde. (BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou Portaria MS/GM n° 1.559/2008) Considere que cada esfera de gestão terá papéis diferenciados em cada uma dessas ações. Para ilustrar, a União precisa estabelecer normais gerais, enquanto compete aos municípios legislar sobre assuntos de interesse local. Regulação da Atenção à Saúde Aqui o objeto é um pouco mais restrito, porque fica limitado às ações diretas e finais da atenção à saúde (consultas, exames e procedimentos, internações, ações preventivas, de promoção de saúde...), tendo como foco o prestador, seja ele público ou privado. Corresponde ao conceito anteriormente utilizado no Pacto pela Saúde. Além de definir diretrizes gerais para o nível imediatamente inferior a ela (neste caso, a regulação do acesso à assistência), tem como atribuições o controle, a avaliação, a auditoria e a vigilância da atenção e da assistência à saúde no âmbito do SUS. Suas ações envolvem: I cadastramento de estabelecimentos e profissionais de saúde no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde - SCNES; II cadastramento de usuários do SUS no sistema do Cartão Nacional de Saúde - CNS; 13 Material Textual | Introdução à Política de Saúde III contratualização de serviços de saúde segundo as normas e políticas específicas deste Ministério; IV credenciamento/habilitação para a prestação de serviços de saúde; V elaboração e incorporação de protocolos de regulação que ordenam os fluxos assistenciais; VI supervisão e processamento da produção ambulatorial e hospitalar; VII Programação Pactuada e Integrada - PPI; VIII avaliação analítica da produção; IX avaliação de desempenho dos serviços e da gestão e de satisfação dos usuários - PNASS; X avaliação das condições sanitárias dos estabelecimentos de saúde; XI avaliação dos indicadores epidemiológicos e das ações e serviços de saúde nos estabelecimentos de saúde; e XII utilização de sistemas de informação que subsidiam os cadastros, a produção e a regulação do acesso. (BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou a Portaria MS/GM n° 1.559/2008) Antes de introduzir o nível mais básico da regulação, é preciso dizer que a atenção é um conceito mais amplo do que o da assistência. Enquanto esta se limita a iniciativas de caráter individual e curativo, como consultas com profissionais de saúde, intervenções cirúrgicas ou procedimentos de fisioterapia, por exemplo, aquela envolve também iniciativas de caráter coletivo, com fins preventivos, como vacinação, campanhas de uso de preservativos, promoção da amamentação, entre outras. Regulação do Acesso à Assistência A regulação do acesso à assistência, também denominada regulação do acesso ou regulação assistencial, diz respeito à priorização do acesso e dos fluxos assistenciais no âmbito do SUS. Trazendo a definição do Pacto pela Saúde, trata-se do “conjunto de relações, saberes, tecnologias e ações que intermediam a demanda dos usuários por serviços de saúde e o acesso a eles”. É a disponibilização da opção de assistência mais adequada à necessidade do cidadão, contemplando as seguintes ações: I - regulação médica da atenção pré-hospitalar e hospitalar às urgências; II - controle dos leitos disponíveis e das agendas de consultas e procedi- mentos especializados; III - padronização das solicitações de procedimentos por meio dos protocolos assistenciais; e 14 Material Textual | Introdução à Política de Saúde IV - o estabelecimento de referências entre unidades de diferentes níveis de complexidade, de abrangência local, intermunicipal e interestadual, segundo fluxos e protocolos pactuados. A regulação das referências intermunicipais é responsabilidade do gestor estadual, expressa na coordenação do processo de construção da programação pactuada e integrada da atenção em saúde, do processo de regionalização, do desenho das redes. (BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou a Portaria MS/GM n° 1.559/2008) Essas definições nos ajudam a compreender melhor as funções de RCAA conforme preconizadas atualmente. Por fim, a Resolução CIT no 4, de 19 de julho de 2012, dispôs sobre a pactuação tripartite acerca de regras relativas às responsabilidades sanitárias no âmbito do SUS. O conceito de regionalização já foi abordado no módulo 2 e o do Coap, na 3. Se você não se lembra deles, vale a pena consultá-los novamente. Observação Leia o item 4. “Responsabilidades na Regulação, Controle, Avaliação e Auditoria” no anexo I da Resolução no 4/2012. O documento pode ser acessado no endereço: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cit/2012/res0004_19_07_2012.html Leitura Recomendada 15 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Retomando o exercício anterior... Você se lembra da lista que pedimos para preparar e guardar? Vamos utilizá-la novamente neste momento. Realize a leitura recomendada sobre Responsabilidades na Regulação, Controle, Avaliação e Auditoria, do anexo I da Resolução CIT no 4/2012, para identificar as atribuições de cada um dos entes (municípios, estados, Distrito Federal e União) em relação ao tema desta aula. Agora, compare as responsabilidades do ente para o qual trabalha com a lista que você fez anteriormente e com as atribuições da Portaria no 423/2002. Você reparou que a Resolução no 4/2012 trouxe também atribuições ligadas à auditoria? Você executa todas as responsabilidades expressas na resolução? Se não, seria bom pensar em um plano para que passe a incorporar todas elas. A partir da data de publicação desta Resolução, ou seja, desde 19.07.12, todos os entes federados passaram a ter que assumir as responsabilidades nela expressas. Praticando... 16 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Veja na linha do tempo abaixo um resumo da legislação a respeito de RCAA: Após a trajetória histórica das funções de RCAA, vamos estudar cada um dos conceitos separadamente. 17 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 5.2. Regulação Assistencial Como foi exposto, o conceito de regulação em vigor trata de três dimensões. Neste momento, vamos abordar o conceito mais específico, que é o de regulação do acesso aos serviços de saúde, que, em linhas gerais, é a intervenção do Estado nos processos da assistência à saúde, fazendo uma ponte entre a demanda dos usuários (necessidades imediatas do cidadão) e a prestação do serviço (oferta assistencial disponível). A Portaria de Consolidação nº 2/2017, que revogou a Portaria n° 1.559/2008, define como atribuições da regulação do acesso: I - garantir o acesso aos serviços de saúde de forma adequada; II - garantir os princípios da equidade e da integralidade; III - fomentar o uso e a qualificação das informações dos cadastros de usuários, estabelecimentos e profissionais de saúde; IV - elaborar, disseminar e implantar protocolos de regulação; V - diagnosticar, adequar e orientar os fluxos da assistência; VI – construir e viabilizar as grades de referência e contrarreferência; VII - capacitar de forma permanente as equipes que atuarão nas unidades de saúde; VIII - subsidiar as ações de planejamento, controle, avaliação e auditoria em saúde; IX - subsidiar o processamento das informações de produção; e X - subsidiar a programação pactuada e integrada. (BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou a Portaria MS/GM n° 1.559/2008) Segundoessa portaria, a regulação do acesso é estabelecida por meio de estruturas denominadas Complexos Reguladores, formados por meio de unidades operacionais chamadas de centrais de regulação preferencialmente, descentralizadas e com um nível central de coordenação e integração. O Complexo Regulador deve ser organizado em três tipos de central de regulação, conforme trecho da legislação a seguir: I - Central de Regulação de Consultas e Exames: regula o acesso a todos os procedimentos ambulatoriais, incluindo terapias e cirurgias ambulatoriais; II - Central de Regulação de Internações Hospitalares: regula o acesso aos leitos e aos procedimentos hospitalares eletivos e, conforme organização local, o acesso aos leitos hospitalares de urgência; e III - Central de Regulação de Urgências: regula o atendimento pré-hospitalar de urgência e, 18 Material Textual | Introdução à Política de Saúde conforme organização local, o acesso aos leitos hospitalares de urgência. (BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou a Portaria MS/GM n° 1.559/2008) Cabe ressaltar que nem todos os entes precisam dispor dos três tipos de central de regulação. Para ilustrar, um município que não tenha hospital, não precisa ter uma central de regulação de internações hospitalares, visto que não tem leitos próprios. Segundo a Portaria no 1.559/2008, são atribuições do Complexo Regulador: I - fazer a gestão da ocupação de leitos e agendas das unidades de saúde; II - absorver ou atuar de forma integrada aos processos autorizativos; III - efetivar o controle dos limites físicos e financeiros; IV - estabelecer e executar critérios de classificação de risco; e V - executar a regulação médica do processo assistencial. (BRASIL, Portaria de Consolidação MS/GM nº 2/2017, que revogou a Portaria MS/GM n° 1.559/2008) A Central de Regulação é o local que recebe as solicitações de atendimento, avalia, processa e agenda, a partir do conhecimento da capacidade de produção instalada nas unidades prestadoras de serviços. Muitas unidades dizem que possuem uma central de regulação quando, na verdade, se limitam a receber as solicitações de atendimento e agendá-las. No entanto, cabe também a essa estrutura a avaliação e o processamento das demandas em função da oferta. No caso de haver um número maior de pacientes necessitando de determinado procedimento do que sua oferta, é necessário que haja uma priorização das necessidades. Assim, são estabelecidos critérios para indicar quais pacientes terão acesso. Para entender melhor como o Complexo Regulador deve ser implantado, consulte o Volume 6 da Série Pactos pela Saúde: Diretrizes para a Implantação de Complexos Reguladores, acessível na íntegra na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/DiretrizesImplantComplexosReg2811.p df Saiba Mais 19 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Por exemplo, se temos pacientes em uma fila por tomografia, como essa fila será organizada? O critério é temporal, ou seja, o primeiro que entrou na fila terá acesso primeiro ao procedimento? Ou um paciente que tenha uma emergência pode ser colocado no início da fila, porque corre o risco de morrer caso não realize o procedimento? Essas são algumas das questões a serem consideradas. Por isso, é muito importante que sejam estabelecidos protocolos para orientar o acesso às ações de saúde. Esses protocolos, bem como outros instrumentos empregados para as atividades de Regulação, Controle e Avaliação, serão abordados mais adiante. As centrais de regulação são vinculadas a cada esfera administrativa, conforme pode ser observado no diagrama a seguir: *A exemplo da CNRAC na esfera federal, a Central Estadual de Regulação da Alta Complexidade – CERAC foi prevista para a esfera estadual. Contudo, a central de alta complexidade federal é única, porque não está dentre a competência da direção nacional do SUS executar serviços de saúde. Como o ente estadual deve executar supletivamente ações e serviços de saúde, a CERAC será integrada às centrais de regulação de consultas e exames e internações hospitalares, conforme os procedimentos regulados. Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade (CNRAC) FEDERAL Central estadual/regionais de consultas e exames* Central estadual/regionais de internações hospitalares* Central estadual/regionais de urgências ESTADUAL Central municipal de consultas e exames Central municipal de internações hospitalares Central municipal de urgências MUNICIPAL Você se lembra do princípio da equidade abordado na aula 2? Caso não lembre, sugerimos que realize novamente a leitura para ajudá-lo na compreensão do conteúdo a Observação 20 Material Textual | Introdução à Política de Saúde A Central Nacional de Regulação da Alta Complexidade (CNRAC), instituída pela Portaria no 2.309, de 19 de dezembro de 2001, revogada pelo Anexo XXVI da Portaria de Consolidação n° 2/17, regula o fluxo das referências interestaduais de usuários que necessitam de assistência hospitalar de alta complexidade. Atualmente, fazem parte desta central os procedimentos relativos às áreas de neurologia, cardiologia, oncologia, ortopedia e gastroenterologia. Você lembra que falamos que a Portaria no 423/2002 apresentou alguns instrumentos que podem e devem ser empregados para as atividades de Regulação, Controle e Avaliação? Apesar de alguns instrumentos serem úteis a mais de uma das funções, vamos aproveitar para comentar alguns mais relevantes para a Regulação. • Protocolos clínicos Visam a garantir a alocação dos recursos terapêuticos mais adequados a cada situação clínica. 21 Material Textual | Introdução à Política de Saúde É importante que você leia a Lei nº 12.401, de 28 de abril de 2011. O documento encontra-se disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12401.htm. No site http://conitec.gov.br/index.php/protocolos-e-diretrizes é possível encontrar uma compilação de protocolos para diversas situações clínicas. Vale a leitura! Os Protocolos e Diretrizes (PCDT) do Ministério da Saúde são documentos que visam garantir as melhores práticas para o diagnóstico, tratamento e monitoramento dos pacientes no âmbito do SUS. Os PCDT incluem recomendações de condutas clínicas, medicamentos, produtos e procedimentos nas diferentes fases evolutivas da doença ou do agravo à saúde e são elaborados e revisados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). Saiba Mais 22 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Como exemplo, apresentamos um fluxograma de tratamento da Anemia por Deficiência de Ferro: Fonte: Brasil. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Anemia por deficiência de ferro. Portaria Conjunta SAS/MS nº 1.247, de 10 de novembro de 2014. Disponível em: http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2014/pcdt_Anemia_DeficienciaFerro_2014.pdf 23 Material Textual | Introdução à Política de Saúde • Protocolos operacionais São protocolos que indicam as referências, as prioridades e os recursos disponíveis. Em geral, podemos diferenciar os protocolos clínicos dos operacionais pelo local onde é utilizado. Os clínicos geralmente são utilizados dentro dos estabelecimentos, enquanto os operacionais, para o fluxo entre os estabelecimentos. Além disso, uma vez que precisam considerar os estabelecimentos disponíveis em cada localidade, são mais singulares. Para que você entenda melhor como podem ser os protocolos operacionais, veja a seguir exemplos de protocolos de acesso a exames e a consultas com especialistas,retirados do sítio eletrônico da Secretaria de Estado de Santa Catarina www.saude.sc.gov.br. Protocolo de acesso – Videonasolaringoscopia: CRITÉRIOS DE ENCAMINHAMENTO - Disfonia - Pigarro - Estridor - Disfagia - Tumores - Anomalias congênitas da Laringe - Diagnóstico e acompanhamento de patologias faríngeas e laríngeas - Granulomas das cordas vocais - Pólipos das cordas vocais - Estenose subglotica congênita ou adquirida (pós-entubação traqueal prolongada) - Refluxo gastresofágico - Obstrução nasal - Respiração bucal - Epistaxe de repetição ou volumosa - Ronco e apneias do sono EVIDÊNCIAS CLÍNICAS E COMPLEMENTARES É importante considerar na abordagem inicial do paciente: - história clínica (relacionar fatores de risco para doenças laríngeas e faríngeas) - história detalhada de patologia pregressa e história familiar relacionada à patologia http://www.saude.sc.gov.br/ 24 Material Textual | Introdução à Política de Saúde - exame físico - exames complementares realizados PROFISSIONAIS SOLICITANTES - Otorrinolaringologista, Médico da Família, Clinico Geral Protocolo de acesso – Videonasolaringoscopia Disponível em: http://portalses.saude.sc.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=10940&Itemid=85 Protocolo de acesso - Consulta com cardiologista: PROTOCOLO SUGERIDO PARA CONSULTA COM CARDIOLOGISTA MOTIVOS PARA ENCAMINHAMENTO - Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) de difícil controle - Avaliação cardiológica para população acima de 45 anos (sexo masculino) e 50 anos (sexo feminino) - Insuficiência cardíaca congestiva (ICC) - Insuficiência Coronariana - Dor Torácica/Precordialgia - Sopros/Valvulopatias estabelecidas - Parecer Cardiológico – Pré-Operatório - Miocardiopatias - Avaliação para atividade física - Arritmias - Obstrução nasal - Respiração bucal - Epistaxe de repetição ou volumosa - Ronco e apneias do sono OBS.: Todo paciente encaminhado para o especialista continua sob a responsabilidade do médico que encaminhou e a ele deve voltar. Protocolo de acesso - Consulta com cardiologista Exemplo disponível em: http://www.saude.am.gov.br/regulacao/adm/imgeditor/file/arquivos_reg/protocolo%20de%20Acesso%20Consultas%20e%20Exa mes%20v06_01_2014(1).pdf http://portalses.saude.sc.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=10940&Itemid=85 http://www.saude.am.gov.br/regulacao/adm/imgeditor/file/arquivos_reg/protocolo%20de%20Acesso%20Consultas%20e%20Exames%20v06_01_2014(1).pdf http://www.saude.am.gov.br/regulacao/adm/imgeditor/file/arquivos_reg/protocolo%20de%20Acesso%20Consultas%20e%20Exames%20v06_01_2014(1).pdf 25 Material Textual | Introdução à Política de Saúde • Comissões autorizadoras / médicos autorizadores Nos casos de procedimentos ou internações de alto custo ou que precisem de uma análise clínica detalhada, é preciso solicitar autorização para a realização dos procedimentos. Essas comissões, que podem ser formadas multidisciplinarmente, ou os médicos autorizadores (dependendo da estrutura do ente e dos serviços regulados) vão fazer a análise do caso, tendo como base protocolos clínicos, quando necessário. Segundo o Plano Estadual de Saúde (PES) 2024-2027, o Complexo Regulador Estadual do Rio de Janeiro é composto por dez centrais específicas, cada qual com uma atuação ímpar e área de abrangência determinada. REUNI – Responsável pelo acesso dos cidadãos fluminenses dos 92 municípios aos serviços de alta complexidade ou recursos estratégicos existentes na Capital; Central Estadual – Responsável pela regulação de acesso dos 92 municípios aos leitos estratégicos e de alta complexidade existentes no ERJ, tais como: UTI NEO, UTI PED, Cirurgia Cardíaca Infantil, Neuroembolização de malformação vascular cerebral, Hematologia e Oncologia, entre outros; Exemplificando 26 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Centrais Regionais – As centrais regionais atuam na competência do seu território e das ofertas existentes na sua região. Apresentando cada uma delas as seguintes características próprias, a saber: • Baixada Fluminense: ausência de serviços de alta complexidade, sendo totalmente dependente da Capital para isso. • Baixada Litorânea: grande dificuldade na assistência na terapia renal substitutiva em pacientes em regime de internação em leito de enfermaria. região turística com alto índice de acidentes que acaba por demandar o envio de pacientes politraumatizados para as regiões do entorno; • Serrana: região com grande concentração de municípios, dezesseis ao total, sem instrumento de saúde estadual e com grande área rural, o que dificulta o trabalho da atenção primaria dos municípios; demanda procedimentos de cirurgia vascular em estágio avançado para outras regiões de saúde; • Médio Paraíba: é uma das regiões com mais serviços de saúde na própria região, quase que autossuficiente, demandando para outras regiões algumas subespecialidades de oncologia como a hematologia, cabeça e pescoço e a cirurgia torácica; • Metropolitana 2: vem crescendo em serviços de saúde, principalmente no diagnóstico e cardiologia, mas ainda tem oferta restrita, principalmente em risco habitual na gravidez, ocupando de forma equívoca os leitos de gestação de alto risco na rede estadual; 27 Material Textual | Introdução à Política de Saúde • Centro Sul: conta com uma unidade estadual especializada em ortopedia de alta complexidade. Tem grande parceria com a Médio Paraíba na utilização de ofertas de serviços diagnósticos e outras ofertas como leito clínico de UTI adulto e pediátrico. Conta também com uma unidade universitária de grande porte com serviços especializados, e recebeu recentemente Radioterapia. • Noroeste: não conta com estrutura estadual; é uma região extensa composta por quatorze municípios, com baixa ocupação territorial por habitante. Conta com uma unidade filantrópica responsável pela execução de alta complexidade na região. Demanda para a Capital a Cirurgia Cardíaca Infantil. • Norte: tem uma oferta resolutiva para demandas cardiovasculares e tem pouca dependência de outras regiões. Ainda segundo o PES 2024-2027, além dessas, a Central de Regulação Estadual de Consultas e Exames – CRECE foi instituída para a regulação de consultas de média e baixa complexidade ofertadas na Capital. O conceito de município-polo, conforme definido na NOAS 01/02, é aquele que apresenta papel de referência para outros municípios, de acordo com a estratégia de regionalização de cada estado. Em geral, são municípios de maior porte e com maior estrutura. No entanto, em uma mesma região de saúde, um município pode ser polo para regulação e outro, para vigilância, por exemplo. Observação 28 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 5.3. Controle Assistencial Historicamente, as funções de controle, avaliação e auditoria do SUS estavam associadas à apuração da produção dos serviços de saúde com vistas ao pagamento, o chamado “faturamento”, especialmente com relação aos presta- dores privados. Com o tempo, passaram a ser utilizados como uma ferramenta de gestão em relação a todos os prestadores de serviços do SUS, públicos ou privados. Essa nova forma de abordagem está de acordo com as ideias do livro “Auditoria do SUS Orientações Básicas”, que define o controle como o “monitoramento de processos (normas e eventos) para verificar a conformidade dos padrões estabelecidos e detectar situações de alarme que requeiram uma ação avaliativa, detalhada e profunda” (Brasil, 2011, p.15). A atuação do controle assistencial deve estar sempre baseada no planejamento, contendo informações como a produção de serviços previstos e as metasde indicadores. O processo de controle inclui ações de monitoramento da execução dos serviços, dos recursos financeiros, por meio dos sistemas de informação; identificação dos usuários do SUS; atualização do CNES; adoção de protocolos de regulação e protocolos clínicos; acompanhamento das referências e contrarreferências; autorização de procedimentos; controle da regularidade dos pagamentos efetuados aos estabelecimentos de saúde, dentre outras. Alguns dos instrumentos mencionados na Portaria no 423/2002 podem ser bastante úteis para o controle. Vejamos alguns. • Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES) É um banco de dados que traz a informação de todos os estabelecimentos de saúde no país. Evidentemente, como qualquer sistema de informação, fica sujeito ao preenchimento dos responsáveis por ele. No caso, cada estabelecimento de saúde é responsável pelo cadastramento e pela manutenção dos dados no sistema, sendo os profissionais de saúde corresponsáveis, conforme a Portaria no 1.646, de 2 de outubro de 2015. Às direções do SUS cabe subsidiar e apoiar a implantação e a manutenção do CNES em seu território, apoiar o cadastramento dos estabelecimentos sob seu comando, bem como fiscalizar, auditar, validar ou alterar, quando necessário, o cadastro dos estabelecimentos de saúde integrantes do SUS que estejam sob seu comando ou cujo comando esteja compartilhado com a 29 Material Textual | Introdução à Política de Saúde esfera estadual. • Cartão Nacional de Saúde É um sistema informatizado de base nacional que possibilita a vinculação dos procedimentos realizados pelo SUS ao usuário, ao profissional que o realizou e à unidade de saúde. Seria importante que funcionasse como um prontuário eletrônico, por exemplo, para evitar que uma pessoa realizasse o mesmo exame em mais de um estabelecimento. No entanto, em geral funciona apenas como um número que é consultado e registrado no momento da utilização do sistema. • Indicadores e parâmetros assistenciais de cobertura e produtividade São instrumentos que vão permitir, no caso do controle, por exemplo, a observação de padrões que fogem à normalidade. Como falamos que um mesmo instrumento pode ser útil a mais de uma função, os indicadores também servem para a avaliação dos resultados, que será comentada mais à frente. Os indicadores devem ser definidos de acordo com a realidade local, tomando por base os parâmetros nacionais, estaduais e municipais. Para consultar o Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde, acesse o sítio eletrônico: https://cnes.datasus.gov.br/ Saiba Mais https://cnes.datasus.gov.br/ 30 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Alguns indicadores clássicos de produtividade são: taxa de ocupação, tempo médio de permanência, número de saídas hospitalares, taxa de mortalidade institucional, taxa de cesárea, taxa de infecção hospitalar. Vamos considerar a taxa de ocupação para ilustrar a necessidade de que os indicadores estejam adequados à realidade. Uma taxa de ocupação geral de 77% significa que há muitos leitos ocupados, poucos ou a ocupação está adequada? Talvez esse indicador possa estar escondendo uma situação peculiar de ocupação de 100% de leitos adultos, o que indica que há áreas superlotadas, como pacientes aguardando internação em outros locais do hospital ou sem acesso, enquanto há outras áreas com leitos ociosos. Para dar outro exemplo, o que você acha de um tempo de permanência de seis dias? Considerando os parâmetros da Portaria de Consolidação nº 1, de 28 de setembro de 2017, artigos 102 a 106 (que revogou a Portaria nº 1.631, de 1º de outubro de 2015) transcritos a seguir, seria alto se estivéssemos controlando a especialidade de obstetrícia, mas estaria adequado para a especialidade cirúrgica para pessoas com 60 anos ou mais. ESPECIALIDADES Limite inferior Limite superior UNIDADE DE MEDIDA Cirúrgica 60 anos ou mais 4,6 6,5 Dias/ano por internação Obstetrícia 2,4 3,1 Dias/ano por internação Fonte: elaboração própria, considerando os parâmetros da Portaria de Consolidação nº 1, de 28 de setembro de 2017. Com base nos exemplos, fica evidente a necessidade de planejamento da escolha dos indicadores utilizados, para que possam efetivamente servir para controlar os resultados. • Mecanismos de acompanhamento da Programação Pactuada e Integrada (PPI) e da programação dos estabelecimentos: São instrumentos que vão permitir confrontar o executado com o programado, planejado. Esses mecanismos devem estar previstos nos Plano de Controle, Regulação, e Avaliação (definido pela NOAS 01/02). • Sistema de Orçamentos Públicos em Saúde (Siops): É um sistema que padroniza as informações de receitas e gastos em saúde, conhecimento importante para as áreas de controle e avaliação do SUS. Visa a aperfeiçoar as políticas de financiamento e propiciar a elaboração de 31 Material Textual | Introdução à Política de Saúde indicadores que reflitam a eficácia e a eficiência dos gastos públicos em saúde. Ele exibe o demonstrativo da saúde que integra o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) e detalha o cálculo do percentual aplicado em saúde. 5.4. Avaliação Assistencial Segundo o livro “Auditoria do SUS Orientações Básicas”, a avaliação “é a identificação quantitativa e qualitativa dos resultados (impactos) obtidos pelo SUS em relação aos objetivos fixados nos programas de saúde e na adequação aos parâmetros de qualidade, resolutividade, eficiência e eficácia estabelecidos pelos órgãos competentes do SUS” (Brasil, 2011, p.16). Podemos dizer que enquanto o controle observa padrões, a avaliação irá realizar um julgamento, uma interpretação dos padrões observados. Na prática, geralmente existe um setor de controle e avaliação, que por vezes também é integrado pela regulação ou ainda pela auditoria, e dificilmente a função de avaliação é realizada. Além dos instrumentos da Portaria no 423/2002 já mencionados, podemos citar os de avaliação da qualidade assistencial e da satisfação dos usuários. O Siops pode ser acessado no sítio eletrônico: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a- informacao/siops Saiba Mais Conheça a Pesquisa de Satisfação do Usuário do SUS. O documento pode ser visualizado no sítio eletrônico: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-sudeste/hc-ufmg/acesso- a-informacao/participacao-social/ouvidoria/pesquisas-de-satisfacao/pesquisa-de- satisfacao-do-usuario-do-sus Saiba Mais https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/siops https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/siops 32 Material Textual | Introdução à Política de Saúde 5.5. Auditoria Assistencial O Sistema Nacional de Auditoria (SNA) no âmbito do SUS é regulamentado pelo Decreto n° 1.651, de 28 de setembro de 1995. Segundo o normativo, o SNA deve exercer, sobre as ações e serviços desenvolvidos no âmbito do SUS, as atividades de: I - controle da execução, para verificar a sua conformidade com os padrões estabelecidos ou detectar situações que exijam maior aprofundamento; II - avaliação da estrutura, dos processos aplicados e dos resultados alcançados, para aferir sua adequação aos critérios e parâmetros exigidos de eficiência, eficácia e efetividade; III - auditoria da regularidade dos procedimentos praticados por pessoas naturais e jurídicas, mediante exame analítico e pericial. Historicamente, a auditoria do SUS estava focada no “faturamento” dos serviços, conforme mencionado anteriormente, nessa linha de auditoria de regularidade dos procedimentos, que envolvia exame analítico e pericial. Assim, eventuais distorções de padrão indicadas pelo controle assistencial de determinados serviços poderiam disparar a necessidade de auditoria quecomprovasse sua realização. Por exemplo, a observação nos sistemas informatizados de um número de exames de tomografia no mês de dezembro 30% acima da média dos últimos 12 meses poderia levar à necessidade de auditoria para confirmar a realização dos exames. Desta forma, o setor de auditoria iria verificar a existência de “bagaços” (comprovantes de atendimento: encaminhamento médico, documentação do paciente, laudo e assinatura, por exemplo) e sua adequação às normas estabelecidas. Por exemplo, caso houvesse menos “bagaços” que a quantidade de exames informada, o valor que excedesse a comprovação era “glosado” e deveria ser devolvido pelo prestador. Leia o Decreto n° 1.651, de 28 de setembro de 1995 na íntegra. Ele está disponível no endereço: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1995/d1651.htm Leitura Recomendada 33 Material Textual | Introdução à Política de Saúde O art. 5º do Decreto n° 1.651/1995 também define as competências de cada um dos entes em relação ao SNA. Na prática, essa divisão de atribuição das competências dos entes não é tão bem definida, uma vez que uma mesma ação ou serviço do SUS pode ser financiado por mais de um ente. Portanto, torna-se essencial um diálogo entre os componentes do SNA para que tenham um trabalho de parceria e possam otimizar os esforços a fim de obter um resultado mais efetivo. O conceito da auditoria vem se modificando ao longo dos anos com as diversas legislações do SUS. Segundo o Pacto pela Saúde (Portaria no 399/2006, revogada pela Portaria n° 2.501, de 28.09.17, e inserida nas portarias de consolidação), a auditoria assistencial ou clínica é definida como: “processo regular que visa aferir e induzir qualidade do atendimento amparada em procedimentos, protocolos e instruções de trabalho normatizados e pactuados. Deve acompanhar e analisar criticamente os históricos clínicos com vistas a verificar a execução dos procedimentos e realçar as não conformidades” Já o livro “Auditoria do SUS Orientações Básicas” define auditoria da seguinte forma: Auditoria: é o exame sistemático e independente dos fatos pela observação, medição, ensaio ou outras técnicas apropriadas de uma atividade, elemento ou sistema para verificar a adequação aos requisitos preconizados pelas leis e normas vigentes e determinar se as ações e seus O Acórdão no 3.114/2010 da 2ª Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) discorre sobre os efeitos da glosa, notadamente no SUS. “O termo glosar, segundo o Dicionário Aurélio, é equivalente a censurar, criticar, suprimir ou anular, dentre outras acepções. Trata-se de juízo de reprovabilidade que alguém tem em relação a algo. (...) No caso do SUS, se a glosa decorre de um recebimento indevido, como no caso de pagamento de procedimentos não realizados, a medida tem por fim restituir os cofres públicos, logo a glosa deve ser processada como uma perda em definitivo.” Observação 34 Material Textual | Introdução à Política de Saúde resultados estão de acordo com as disposições planejadas. A auditoria, por meio da análise e verificação operativa, possibilita avaliar a qualidade dos processos, sistemas e serviços e a necessidade de melhoria ou de ação preventiva/corretiva/saneadora. Tem como objetivo propiciar ao gestor do SUS informações necessárias ao exercício de um controle efetivo, e contribuir para o planejamento e aperfeiçoamento das ações de saúde. (Brasil, 2011, p.15) Essa noção vai além da visão antiga centrada basicamente no faturamento. A auditoria começa a ser usada não só para a verificação da aplicação dos recursos aos prestadores, mas também para garantir os princípios e as diretrizes do SUS e uma melhoria dos indicadores e, portanto, o resultado das ações e serviços de saúde, em linha com a evolução das demais funções mencionadas. Apesar da ampliação do escopo, a lógica permanece a mesma, devendo a auditoria atuar a partir das distorções identificadas pelas funções de controle, avaliação e regulação ou quando as ações dessas funções não forem suficientes para corrigir ou prevenir falhas. Finalizando... Como vimos neste módulo, as funções de regulação, controle, avaliação e auditoria são intimamente relacionadas e extremamente importantes para a gestão de um SUS eficiente, eficaz e efetivo. Foram detalhados os aperfeiçoamentos da legislação, deixando seu foco mais restrito no faturamento para uma visão mais abrangente, que passou a considerar também os resultados. Cada uma das funções foi separadamente abordada para fins didáticos, mas o fundamental é uma atuação integrada, que alcance os objetivos planejadamente propostos. Para mais detalhes sobre o funcionamento da Auditoria no SUS, consulte o livro “Princípios, diretrizes e regras da auditoria do SUS no âmbito do Ministério da Saúde”, disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/principios_diretrizes_regras_auditori a_sus.pdf Saiba Mais https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/principios_diretrizes_regras_auditoria_sus.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/principios_diretrizes_regras_auditoria_sus.pdf 35 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Considerações Finais Chegamos ao final do nosso curso e, para finalizar, preparamos um texto de encerramento no qual apresentamos os marcos dessa nossa jornada de estudos. Vamos lá! Nosso curso “Introdução à Política de Saúde” abordou a evolução histórica do sistema público de saúde no Brasil, a organização do Sistema Único de Saúde (SUS), seus princípios e diretrizes, as competências de cada ente federativo, as normas e legislações pertinentes ao SUS, assim como o funcionamento da gestão do SUS (Planejamento, Financiamento, Regulação, Controle, Avaliação e Auditoria). No Módulo 1, a partir do entendimento da evolução histórica do sistema público de saúde no Brasil, pudemos observar como se deu o desenvolvimento da saúde pública no nosso país, desde sua independência, em 1822, até o período após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Vimos que ao longo dos anos o acesso aos serviços públicos de saúde foi sendo ampliado, até chegar à universalidade. Com o SUS, a saúde pública deixou de ser limitada a ações coletivas, como campanhas de promoção e prevenção da saúde, para englobar também a atenção à saúde num sentido mais amplo, contemplando ações de profissionais de saúde de diversas categorias, atendendo a toda a população, independentemente de contribuição. No Módulo 2, aprendemos sobre a organização, princípios e diretrizes do SUS e, nesse contexto, as legislações que fundamentam o tema que se encontram em constante aprimoramento. Todos os anos o Ministério da Saúde edita novas portarias e institui novas políticas com vistas ao alcance de um sistema de saúde de qualidade para a população, e ao cumprimento dos seus princípios e diretrizes. É importante que você acompanhe essas publicações, mantendo-se sempre atualizado sobre as legislações pertinentes à sua atuação profissional. No Módulo 3, foram discutidos os aspectos estruturantes do Sistema Único de Saúde, desde a Constituição Federal de 1988 até o Decreto n.º 7.508 de 2011 e as portarias de consolidação de 2017, com vistas a possibilitar a compreensão da organização e sua operacionalização. Em seguida, no Módulo 4, abordamos o funcionamento da gestão do SUS no que diz respeito às funções de planejamento e financiamento. 36 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Os instrumentos básicos de planejamento foram apresentados: Plano de Saúde (PS), Programação Anual de Saúde (PAS), Relatório Anual de Gestão (RAG) e Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA). Vimos que, embora o planejamento em saúde seja instituído pela legislação e seja fundamental para a execução das ações e serviços de saúde,a cultura de planejamento entre os gestores do SUS ainda é insuficiente, o que justifica a importância de darmos continuidade a tal discussão para consolidar essa estratégia de gestão. Dada a compreensão do planejamento, prosseguiu-se com a discussão sobre Financiamento em Saúde. Como sabemos, essas discussões estão sempre presentes nas agendas dos movimentos sociais e políticos que atuam na defesa do SUS, principalmente devido à falta de recursos para saúde. No estudo sobre Financiamento vimos como o recebimento de recursos está condicionado, o estabelecimento dos blocos de financiamento federal e especificidades da legislação previstas na Constituição Federal/1988, da Lei n.º 8.080/1990 e da Lei Complementar n.º 141/2012. Por fim, no Módulo 5, foi dado prosseguimento ao estudo da gestão do SUS, abordando as funções de regulação, controle, avaliação e auditoria (RCAA). Essas funções estão intimamente relacionadas e são extremamente importantes para a gestão de um SUS eficiente, eficaz e efetivo. Foram detalhados os aperfeiçoamentos da legislação, deixando seu foco mais restrito no faturamento para uma visão mais abrangente, que passou a considerar também os resultados. As funções foram abordadas separadamente para fins didáticos, mas o fundamental é uma atuação integrada, que alcance os objetivos planejadamente propostos. Encerramos nosso curso buscando introduzir a compreensão da organização e da gestão do SUS. Tomamos por base a legislação estruturante e a vigente, bem como buscamos oferecer a vocês exemplos de aplicação no estado do Rio de Janeiro e em seus municípios para que o conhecimento fosse mais bem apresentado. Desejamos que esse seja o início do aprimoramento de seus estudos e que possamos ter contribuído para a melhoria de suas discussões e de seu dia a dia profissional. Até o próximo curso!! 37 Material Textual | Introdução à Política de Saúde "O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes." 38 Material Textual | Introdução à Política de Saúde Referências BAHIA. Secretaria Estadual de Saúde. Suds-BA. Plano Estadual de Saúde (1988-1991). Salvador: Sesab/Assessoria de Planejamento, 1987. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 16 maio 2017. . Emenda Constitucional nº 29, de 13 de setembro de 2000. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc29.htm. Acesso em: 14 jun. 2017. . Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp141.htm . Acesso em: 14 jun. 2017. . Lei n° 8.080, de 19 de dezembro de 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 25 abr.2017. . Lei n° 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm. 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