Livro SUS 20 anos
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Livro SUS 20 anos


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Entre os países de grande dimensão geográfica, existe grande hete-
rogeneidade do gasto total com saúde e do gasto per capita (US$PPP). 
Considerando o percentual do PIB, o Brasil encontra-se próximo da 
média, entretanto, quando se consideram apenas os chamados BRICs, 
é o país com o mais alto gasto com saúde como percentual do PIB e 
gasto per capita.
Brasil e Estados Unidos têm situação bastante similar quando se 
examina o percentual do gasto público em relação ao gasto total com 
saúde (Tabela 3), apesar da diferença de sistemas de saúde existentes 
nos dois países. O país com mais alta participação pública (67%) é a 
Austrália, seguido da Rússia (62%).
3 Sigla criada por uma empresa de consultoria internacional para designar quatro países 
considerados emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China.
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Entre os países do Mercosul (Tabela 4), até mesmo aqueles com 
status de membros associados, a situação pode ser considerada como 
homogênea quando comparada com o grupo anterior. Em valores rela-
tivos (% do PIB), o Brasil (7,9%) gasta menos que Argentina (10,2%) e 
Uruguai (8,1%). Em valores per capita, perde também para esses países 
O país com a mais alta participação pública é a Bolívia (61,6%), e todos 
os outros, com exceção do Chile (51%), tem participação menor que 
46%, sendo que o percentual brasileiro só é mais alto que Paraguai, 
Uruguai e Argentina.
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Quando se examinam os sistemas de saúde de atenção universal, 
nota-se que apresentam gasto total em saúde relativamente alto, finan-
ciamento público superior ao privado, recursos oriundos de impostos 
gerais, gratuidade, gasto e cobertura privados residuais ou pouco 
significativos. 
No Brasil, ao contrário, só as características de recursos oriundos de 
impostos gerais e gratuidade estão presentes no sistema. O percentual 
do gasto público em saúde é inferior ao privado e o valor per capita 
público é muito baixo quando comparado com países de sistemas 
semelhantes (Tabela 5).
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Quando comparamos o Brasil com outros países que têm sistemas 
universais de saúde, nota-se claramente que o percentual em relação 
ao PIB e os valores gastos estão muito aquém, o que deixa evidente o 
subfinanciamento do SUS desde a sua criação.
III. as ações do ConaSS no enfrentamento 
do desafio do subfinanciamento
O CONASS tem sido enfático na defesa de um financiamento 
adequado para o SUS e compatível com os seus princípios de univer-
salidade e integralidade. 
A regulamentação da EC n. 29 e a defesa de mais recursos no orça-
mento do Ministério da Saúde têm sido bandeiras de luta do CONASS 
junto ao Congresso Nacional nos últimos anos.
\u201cRepolitizar\u201d a questão da saúde e debater o financiamento do 
Sistema Único de Saúde com a sociedade brasileira são ações do 
CONASS exercidas no seu cotidiano por meio da participação nos 
mais diversos fóruns e de suas publicações.
Desde 2003, o tema subfinanciamento está presente nos debates 
promovidos pelo CONASS. O 1º Seminário do Conselho Nacional de 
Secretários de Saúde (CONASS) para Construção de Consensos, reali-
zado em Aracajú-SE, no período de 10 a 12 de julho de 2003, teve como 
tema central \u201cPreocupações e prioridades dos secretários estaduais 
quanto à organização, gestão e financiamento do SUS\u201d e as principais 
conclusões do tema \u201cFinanciamento do SUS\u201d foram: 
a) Manifestação ao Congresso Nacional sobre a necessidade da 
imediata regulamentação da EC n. 29 por meio de lei complementar.
b) Reafirmação dos secretários de estado da saúde do seu compro-
misso histórico de lutar pelo cumprimento da EC n. 29.
c) Divulgação de manifesto do CONASS pela manutenção da vincu-
lação das receitas para a saúde e pela regulamentação da EC n. 29.
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d) Construção de uma nova política de alocação de recursos fede-
rais, visando à redução das desigualdades macrorregionais e 
interestaduais. 
No fórum Saúde e Democracia: uma Visão de Futuro para o Brasil, 
realizado pelo CONASS em parceria com o jornal O Globo, nos dias 13 e 
14 de março de 2006, no Rio de Janeiro, do qual participaram gestores do 
SUS, lideranças políticas, sociedade civil e intelectuais, um dos pontos de 
consenso foi o problema do financiamento da saúde, com forte clamor 
para maior alocação de recursos financeiros na área, revelando que a 
questão da falta de recursos tem precedência sobre a gestão propria-
mente dita, rejeitando-se a ideia de que o centro do problema estaria na 
gestão e não nos recursos, que seriam, supostamente, suficientes.
Nesse mesmo ano, o CONASS entregou o Manifesto aos candi-
datos à Presidência da República, apresentando os temas que conside-
rava prioritários para serem contemplados nos respectivos planos de 
governo. No caso específico do financiamento, ressaltava:
a) O desafio do financiamento da saúde no Brasil tem de ser enfren-
tado em duas vertentes: aumentar o gasto em saúde, mas, ao 
mesmo tempo, melhorar sua qualidade.
b) Na perspectiva da equidade, exige uma política de financiamento 
de custeio e investimento que aloque os recursos financeiros entre 
os estados e entre os municípios de cada estado de forma articu-
lada com o objetivo de redução das desigualdades regionais.
c) A luta política por mais recursos públicos para a saúde deve 
centrar-se, em curto prazo, na regulamentação, pelo Congresso 
Nacional, da Emenda Constitucional n. 29, para que se possa 
construir um sistema público universal de qualidade. 
Desde 2004, o CONASS busca sensibilizar o Congresso Nacional 
para recompor o orçamento federal, alertando sobre os problemas 
decorrentes do subfinanciamento. Assim é que, como subsídio ao 
diálogo com o Congresso Nacional, o CONASS tem apresentado 
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sistematicamente, a partir da análise do Projeto de Lei Orçamentária 
Anual (Ploa), um conjunto de propostas para a recomposição de 
valores orçamentários referentes a ações prioritárias que se encontram 
aquém das necessidades da população brasileira.
Na agenda de prioridades do CONASS, consta como fundamental 
a atuação de seus membros em defesa da regulamentação da Emenda 
Constitucional n. 29/2000, visando garantir maior aporte de recursos 
para a saúde e financiamento mais estável para o Sistema. Para manter 
esse tema na pauta política, o CONASS tem mantido permanente arti-
culação com o Congresso Nacional, com o Conselho Nacional de Saúde, 
o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais 
de Saúde (Conasems) e outras instituições ligadas à área da saúde por 
meio de agendas comuns e de mobilização junto à mídia nacional. 
IV. a regulamentação da EC n. 29/2000
Os projetos que atualmente tramitam no Congresso Nacional, 
visando à regulamentação da EC n. 29, estabelecem as regras para a 
participação mínima anual das três esferas de governo no financia-
mento do SUS e definem o que são e o que não podem ser conside-
rados como ações e serviços públicos de saúde.
O Projeto de Lei Complementar n. 1/2003, de autoria do depu-
tado Roberto Gouveia (PT/SP) aprovado na Câmara dos Deputados 
em 2007, encontra-se atualmente no Senado Federal (Projeto de Lei da 
Câmara (PLC) n. 89 de 2007 \u2013 Complementar) para tramitação conjunta 
com o Projeto de Lei Complementar do Senado (PLS) n. 156/20074 de 
autoria do senador Marconi Perillo (PSDB-GO). Por esse projeto a 
4 O PLS n. 156/2007 define que a União aplicará, anualmente, em ações e serviços públicos 
de saúde, conforme definidos nesta Lei Complementar, o montante mínimo corres-
pondente a 18% de sua receita corrente líquida, calculada nos termos do art. 2º da Lei 
Complementar n. 101, de 4 de maio de 2000.
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União passaria a destinar anualmente em ações e serviços públicos 
de saúde o montante equivalente ao empenhado no exercício finan-
ceiro anterior, acrescido de no mínimo o percentual correspondente à 
variação nominal do PIB, adicionado nos exercícios de 2008 a 2011 de 
percentuais da receita da Contribuição Provisória sobre Movimentação 
Financeira (CPMF). Os percentuais da receita da CPMF adicionados, 
de