AULA - PCO I - PARTE 1
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AULA - PCO I - PARTE 1


DisciplinaProcesso do Conhecimento I65 materiais412 seguidores
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PROCESSO CIVIL 
INTRODUÇÃO 
Processo é um instrumento abstrato a serviço do Estado para que este exerça suas funções. Quaisquer 
funções estatais são exercitadas mediante processo. 
Autos do processo se diferem de processo. 
Processo judicial é o instrumento pelo qual o Estado exerce sua função jurisdicional. 
A autotutela é vedada (com algumas exceções). O Estado tem, então, que criar mecanismos para resolver 
os conflitos de interesses. Esse mecanismo é o processo. 
Jurisdição é a parcela do poder estatal cujo encargo é a resolução dos conflitos de interesse (lide). É 
inerte. 
Ação é o direito publico do sujeito de exigir a jurisdição do Estado, uma vez que este o vedou a 
autotutela. 
Petição inicial: instrumento pelo qual o Estado é provocado. 
Obs.: é possível fazer petição inicial verbal. 
O CÓDIGO 
É dividido em 5 livros. 
I \u2013 Processo de Conhecimento 
O processo de conhecimento vai se materializar em um procedimento. 
Procedimento é uma sequencia ordenada dos atos processuais. É o procedimento que dá forma ao 
processo. Caminho do processo. 
Esse procedimento pode ser: 
1. Procedimento comum 
2. Procedimento ordinário (residual) 
3. Procedimento sumário (art. 275) 
2. Procedimento especial (1102-A) 
1. 2.1 Jurisdição contenciosa 
2. 2.2 Jurisdição voluntária 
II \u2013 Processo de Execução 
III \u2013 Processo Cautelar 
IV \u2013 Procedimentos Especiais (obs.: art. 1102 A). 
É restante do livro I. 
V \u2013 Disposições finais 
Obs: Escolhendo o procedimento a ser adotado: 
Aplica-se o Principio da Especialidade: significa dizer que há que se fazer uma analise dos processos mais 
especiais para os mais comuns. 
Procedimentos especiais > Procedimento comum sumario > Procedimento ordinário. 
CONHECIMENTO, EXECUÇÃO OU CAUTELAR? 
Como identifico dentro de uma lide qual tipo processo será utilizado? Como regra, a eleição equivocada do 
instrumento equivocado pode dar um resultado equivocado e não apreciação da resolução do conflito de 
interesses. 
Para cada conflito de interesse, há um instrumento adequado. Após definir o tipo de processo, deverá 
também ser indicado o tipo de procedimento. 
Cada um desses processos tem uma serventia diferente, e o modo de o Estado utilizar é diferente. 
Processo de Conhecimento 
É o instrumento mediante o qual o estado vai solucionar crise de certeza. Como assim? A diz que o imóvel 
é dele e B também. Não podendo resolver isso com suas próprias forças, vão ao judiciário. 
A sentença é o ato que vai dizer do direito. Vai dizer a quem pertence o direito. Vai por certeza jurídica 
naquela situação conflituosa. 
É o instrumento mediante o qual o Estado exerce sua função cognitiva. 
Jurisdição cognitiva: o meio pelo qual o Estado vai exercitar a sua função jurisdicional. É o meio como 
esse instrumento é utilizado. É uma atividade intelectual. É como o Estado procede até chegar ao 
desfecho desse processo. 
Obs.: não significa que haja apenas atividade cognitiva. Serão atos preponderantemente cognitivos, mas 
não 100%. 
Processo de Execução 
Não há dúvidas de que A esteja certo. Mas aqui a crise não é de certeza. 
Preciso então que aquela obrigação que o Estado diz que é minha seja concretizada. Preciso de uma 
realização concreta daquele direito revelado por aquela sentença. 
Executar é pedir ao Estado que promova os atos necessários para a efetivação de uma obrigação já 
revelada. 
É o instrumento mediante o qual o Estado exerce sua função Executiva. 
Jurisdição executiva: o Estado jurisdição saindo para a realidade fática aquilo já determinado. 
Obs.: não significa que haja apenas atividade executiva. 
Processo Cautelar 
É o processo do processo. É uma medida que vai garantir a eficácia do processo. Por este motivo, se volta 
a outro processo, pois garante que ele tenha eficácia. Resguarda o processo e por consequência o direito 
material. 
Ex.: A e B brigam por um imóvel num processo de conhecimento. Contudo, B está vendendo o imóvel e A 
descobre. Assim, A pede que esse imóvel seja resguardado no patrimônio de B para que o processo de 
conhecimento seja eficaz. 
Por fim, processo é tradicionalmente entendido como uma relação processual, contendo elementos 
processuais subjetivos e objetivos. Essa relação processual é mais ou menos representada assim: 
Petição inicial ------------------------------------------------------------------------------------------- Sentença 
COMUNICAÇÃO DOS ATOS 
CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA 
O processo para que tenha validade deve ter a participação das partes, sendo que a forma que elas 
participam depende do procedimento. Uma vez praticado o ato processual necessariamente a parte deve 
ser comunicada. 
Assim, contraditório e ampla defesa resumem-se em ciência e reação. Para que as partes participem do 
processo é necessário que elas tomem ciência do que se passa no curso do processo. O sujeito precisa ser 
comunicado e pode, então, praticar atos no sentido de tentar influenciar no processo. Contraditório e 
ampla defesa, portanto, se satisfazem pela cláusula em que o sujeito precisa ser comunicado, assim 
podendo influenciar no resultado do processo como o ordenamento lhe permite. Um processo sem 
contraditório e ampla defesa é um processo NULO - violação ao devido processo legal. 
Obs.: Ônus: a participação no processo civil, diferentemente do processo penal, não é obrigatória. Nada 
mais é que um ônus. É um encargo no qual se a parte não decidir se utilizar, sofrerá as consequências de 
inércia - perca da oportunidade de influenciar a decisão do juiz, influenciar no resultado do processo. 
CITAÇÃO X INTIMAÇÃO 
Art. 213. Citação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a fim de se defender. 
É o ato de comunicação ao réu acerca de uma demanda em face dele ajuizada. A partir daí ele pode 
participar do processo do modo como a legislação o permitir, ou seja, a partir daí integra oficialmente a 
relação processual, podendo utilizar das faculdades processuais permitidas. 
Mas Cândido Rangel afirma que o réu pode se defender, não porque foi citado, mas porque foi comunicado 
via intimação. Só no procedimento comum ordinário que o réu é citado para contestar. Nos demais 
procedimentos, como sumário, o réu não é citado para praticar ampla defesa, mas sim para comparecer a 
audiência. Assim, o fato de o réu poder se defender, depende do procedimento. Ao lado da citação, 
sempre acompanha uma intimação. 
Art. 234. Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e termos do processo, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa. 
A intimação é todo ato comunicatório que se faz no decurso do processo. Fora a citação, que é a inicial, 
todas as demais comunicações se faz por meio de intimação. 
Daí Cândido diz: quando um sujeito é citado num procedimento comum ordinário e tem 15 dias para 
contestar, prazo passa a fluir não porque ele foi só citado, mas sim porque juntamente com a citação 
havia uma intimação - ele foi citado para compor a relação processual e intimado para que oferecesse 
contestação. 
A defesa no sentido do código ou dizer que o réu pode se defender, não significa necessariamente se 
defender através de uma peça processual (a possibilidade de contestar). A verdade é que quando se fala 
de defesa, temos que lembrar que a defesa no sentido mais amplo não é só o ato praticado pelo réu, mas 
sim o exercício do direito de defender a sua pretensão e contestação. Então é a defesa dos seus direitos 
(o autor defendendo o seu através da pretensão e o réu através da contestação). 
Obs.: Em alguns livros de doutrina, existiria um terceiro ato comunicatório, a notificação. Porém, deixou 
de ser uma comunicação de ato, pois é agora especifico. Contudo, na pratica forense é comum utilizar a 
expressão notificar como sinônimo de intimar. Notificar o MP de uma decisão, por exemplo - no final da 
sentença o juiz escreve PRI (publique-se, registre-se, intime-se). 
Mas como se faz a citação e a intimação? Fazem-se pelos