Processo de Conhecimento 1
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Processo de Conhecimento 1


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Ai diz o código pra deixar bem claro que oposição é ação, que eu elaboro a minha petição da oposição com a observância dos requisitos da petição inicial, com observância dos artigos 282 e 283. 
Diz o código que os réus serão citados na pessoa do seu advogado. Na comunicação dos atos processuais, vimos que a citação obedece o requisito da pessoalidade. Quem tem que ser citado é o próprio réu ou o seu representante legal. Via de regra advogado não tem poderes para receber citação em nome do seu constituinte, pois esses poderes pra receber citação não são os poderes que decorrem daquilo chamado de cláusula adjuntícia (a procuração vai passada para fins de atuação de processo não outorga ao advogado poderes para receber citação, assim como não outorga ao advogado poderes para fazer acordo, pra transigir, pra reconhecer a procedência do pedido, pra pagar ninguém). Os poderes do foro geral não abrangem esses atos. Quando o advogado pode fazer acordo, pagar, fazer citação é porque a parte outorgou outros tipos de poderes que são os chamados poderes especiais. 
Então as partes outorgam poderes mediante procuração para o foro em geral para atuar no processo e mais pra essas hipóteses especiais. Diz o código então que independente de haver outorga de poderes expressos pra receber citação, que a opostos serão citados na pessoa do seu advogado. É como se tivessem incluindo essa citação não na clausula dos poderes gerais, mas na clausula dos poderes para foro, para atuar em processo. É como se esses poderes recorressem do próprio, ou como esse poder de receber citação recorresse da própria clausula de outorga de poderes para atuar em processos que não são clausulas especiais. A razão é bastante simples: é que tendo os réus opostos já advogados constituídos nos autos, e sendo essa oposição processada nos mesmos autos, é na pessoa dos seus próprios advogados que serão feitas as citações. Não teria então necessidade de se fazer citação na pessoa dos próprios opostos. Isso sugere a mesma discussão da reconvenção: que esse ato de comunicação a despeito de oferecer contestação seria intimação e não citação. No final das contas não faz muita diferença. Mas me parece que considerando que a oposição tem natureza jurídica de ação autônoma, embora por vezes possa tramitar nos mesmos autos, se é ação a natureza jurídica da comunicação, ainda que se dê na pessoa do advogado é por citação. Lê o artigo 213. 
O artigo 236 prevê forma de comunicação ordinária para os advogados, mediante publicação no diário oficial. Há uma exceção, entretanto, é possível que seja réu, seja autor opostos, não tenham advogados constituídos nos autos. Seja porque o réu de repente não foi citado (ao tempo da oposição pode o réu não ter sido citado pra ação). Aqui é preciso que se faça citação na pessoa da parte, pessoalmente, obedece a regra geral da pessoalidade. Ou é possível que o réu tenha sido citado, mas não tenha constituído advogado. Do mesmo modo não constituindo advogado, é revel e precisa ser citado pessoalmente. O autor ingressa no feito, por obvio tem advogado constituído e ao tempo da oposição por alguma razão está sem advogado. Se o autor ao tempo do ajuizamento da oposição e ao tempo da determinação da citação não tiver advogado, a citação se faz pessoalmente. É obvio que faltante advogado no pólo ativo, o juiz tem que determinar um prazo para que o autor constitua sob pena de a relação processual ficar sem ninguém que detenha capacidade postulatória. A representação fica defeituosa e o juiz poderia extinguir o processo sem resolução de mérito. 
 Uma vez citado os réus, o procedimento vai seguir junto ao procedimento da ação se a oposição for interventiva ou vai seguir o rito ordinário se a oposição for autônoma. O procedimento da oposição é o mesmo de uma ação qualquer, afinal de contas essa uma ação e só recebe o nome diferenciado de oposição porque obedece ao rito da intervenção de terceiros. Porque o juiz tem que julgar na oposição interventiva a oposição primeiro do que a ação? Pois aqui é uma relação de prejudicialidade, a pretensão do opoente exclui as pretensões dos opostos. E uma vez sendo improcedente a pretensão do opoente sobra a indagação se a pretensão do autor é viável em face do réu. Como assim? A em face de B e C. Por que a relação é prejudicial? Porque a solução desta oposição vai definir a solução desta outra. Então como é processo de conhecimento desfecho normal, são dois: ou o pedido do opoente é procedente ou o pedido do opoente é improcedente. Se for procedente, ou seja, se a coisa ou o direito for dele significa que não é de A nem de B. Então o juiz vai julgar procedente a oposição e porque a relação é de prejudicialidade e não de preliminariedade, vai julgar improcedente o pedido formulado na ação. Então a procedência da oposição vai gerar necessariamente a improcedência do pedido formulado na ação, porque se é de C, não é de A nem de B, então o juiz julga improcedente o pedido. Sendo improcedente o pedido formulado na oposição, abra-se espaço para o juiz julgar ou procedente ou improcedente. Não é de C, é isso que o juiz diz quando julga oposição improcedente. Se não é de C, talvez seja de A, pode ser de A ou não, daí se abrir a possibilidade de julgar procedente ou improcedente. Por isso que a oposição tem que ser julgada antes, pois a oposição é de prejudicialidade. 
Quando a oposição é autônoma e o juiz não faz uma suspensão pra aquele prazo de noventa dias para julgar de modo autônomo, é possível que ele julgue uma sem prejuízo da outra. Assim a primeira esta vai ser julgada depois. A relação de prejudicialidade vai continuar, só que os procedimentos não autorizam (a diferença entre o momento que se encontra a ação e que se encontra processualmente a oposição, não autorizam o julgamento conjunto). E essa relação que antes era de prejudicialidade, vai passar a ser de restringibilidade, pois uma vez que o juiz julga a ação em primeiro lugar, caso ela seja procedente, essa sentença só vai atingir a relação jurídica entre A e B. A eficácia desta decisão vai se resumir às partes. Uma vez transitada em julgado, inclusive, essa sentença faz coisa julgada entre as partes, entre A e B. Não é porque o juiz disse que a coisa era de A, que não possa se convencer que era de C. Esta sentença embora diga que era de A, não pode atingir C, pois a sentença proferida neste processo que não fez parte de C, não pode atingir este. Então acontece o fenômeno da restringibilidade desta sentença. 
A depois de ter pedido julgado procedente depois do julgamento da oposição, é possível que C seja o titular do direito ou da coisa. Então A leva até ser decidida a relação entre A e C. Isso ocorre por conta do fenômeno da eficácia subjetiva da coisa julgada. Não pode esta sentença ser proferida sem que C tenha participado e ela não pode atingir a esfera jurídica de C, pois isso é violar o devido processo legal.
O fato de a pretensão do autor ser improcedente, não quer dizer aqui pelo fato de ser litisconsórcio que a coisa seja de B, só está dizendo que não é de C. Por isso que a relação originariamente é prejudicial. Essa é a distinção que a doutrina faz e que alguns autores discordam, como Didier, da expressão muito comum, dizendo que o réu não pede, ele impede. E aqui Didier diz que o réu pede sim, quando ele pede a improcedência, quando ele faz um incidente, por exemplo. E ai pedido no sentido estrito, é no sentido de pretensão e pretensão quem manifesta é só o autor, salvo se a ação for de natureza dúplice. Ainda que B não possa obter a coisa em seu favor, ainda sim tem ele interesse de figurando no pólo passivo impedir a presença de C. Não pode obter a coisa em seu favor (porque nunca ia obter mesmo, uma vez que é réu), mas pode impedir a pretensão do autor. 
A oposição sempre vai ser três interesses contrapostos, no mínimo.
Se o opoente ingressa com ação depois da concessão de tutela antecipada, pra dizer que a coisa não é nem de A e nem de B, e sim dele. A parcela que era incontroversa passa a ser controversa, sendo controversa