Processo de Conhecimento 1
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Processo de Conhecimento 1


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ter confessado os fatos, não prejudica o outro litisconsorte, assim como o fato de um ter contestado, refutado os fatos aproveita e beneficia. Então não é absolutamente verdade o que consta no artigo 48 e seu parágrafo, uma vez que é possível sim que haja beneficio.
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
Para conseguirmos identificar intervenção de terceiro, a primeira coisa a se fazer é entender quem é o terceiro que em algumas hipóteses estaria habilitado a intervir. Pra se conseguir entender o que é terceiro, é necessário entender primeiro o que é parte, até porque segundo a doutrina terceiro é um conceito que se alcança por exclusão. Parte é conceituada na maioria dos livros, tendo em vista um conceito que diz que parte é aquele que demanda (que pede) algo em seu favor ou aquele em face de quem é demandado ou em face de quem algo é pedido, ou seja, parte é aquele que vai a juízo postulado ou aquele que postula em face de quem se pede. Esse conceito de parte está atrelado a relação jurídica de direito material, ou seja não é um conceito processual de parte, é uma transposição da noção de partes da demanda pro âmbito do processo. Demanda não no sentido de conflito de interesse já posto em juízo, mas no sentido de conflito de interesse visto sobre a perspectiva do direito material. 
A firma um contrato com B, em que este se obriga a pagar uma quantia e não paga, essa relação jurídica de direito material é composta subjetivamente pelas partes da demanda, partes dessa relação conflituosa. Quando A, que é o credor da obrigação ajuíza ação em face de B para que o judiciário reconheça que o débito existe e faça então com que B pague, essa relação conflituosa de direito material se apresenta também no âmbito do processo, e nesse exemplo, os pólos da relação de direito material serão exatamente transpostos para o pólo da relação de direito processual, ou seja, credor e devedor assumem a postura no processo de autor e réu. Esse é o conceito talvez mais difundido, mas que não tem viés estritamente processual. Uma faceta estritamente processual da noção de partes, diz singelamente a idéia de que parte é aquele que participa do processo, é um conceito formal de parte. Parte é aquele que a qualquer titulo participa do processo, seja porque está inserido na relação jurídica de direito material, seja não. Esse conceito é mais amplo que o primeiro. Basta que formalmente alguém esteja inserido na relação processual, para ser caracterizada como parte. Isso é o que me autoriza a dizer fulano é parte ilegítima (é parte porque participa do processo, e ainda assim é reconhecida a sua legitimidade, pois enquanto ele participou formalmente da relação processual, ele é considerado como parte). 
Para fins de intervenção de terceiros, a gente vai tratar o conceito de parte pela segunda perspectiva- parte segundo o aspecto formal, considerado então aquela pessoa que participa do processo. Isso é o que autoriza, por outro lado, eu falar que o juiz é parte imparcial do processo. 
Há uma contradição a respeito de que se a assistência faz ou não parte de intervenção de terceiro (pois o CPC trata de litisconsórcio, assistência e logo depois começa as intervenções de terceiros, faz crer então que a assistência não seria intervenção de terceiro, porque não incluída no capitulo próprio de intervenção de terceiros). Não obstante isso, é bem tranqüilo na doutrina, sobretudo na moderna, a natureza jurídica da assistência como intervenção de terceiros, e mais ainda: diz os autores que de todas as modalidades interventivas previstas no código, a assistência seria a única que genuinamente seria intervenção de terceiros. Porque a doutrina diz isso? Porque todas as hipóteses de intervenção que não a assistência, permitem que aquele que era terceiro ingresse no processo, e uma vez ingressando no processo passa a ser parte. E segundo a doutrina, o assistente seria o único terceiro que ingressa em relação processual de que não faz parte e que não obstante ingressar nessa relação processual continua a ser terceiro. Que a intervenção de terceiro na modalidade de assistência permitiria que o terceiro ingressasse na relação processual alheia, pendente e que continuasse sempre \u2013até o final- terceiro. Ao passo que as outras modalidades interventivas o terceiro ingressa como terceiro e passa a ser parte.
Quando é que cabe a assistência? Artigo 50. Quando o terceiro tiver interesse. Essa intervenção de terceiros é uma modalidade que a doutrina chama de intervenção do tipo adcoadjuvane (é uma intervenção de terceiro em que o terceiro ingressa no processo pendente com a finalidade de auxiliar uma das partes, de ser coadjuvante naquele processo, não vai ser o principal, e sim o coadjuvante). Diz o código: \u201cpendente causa entre duas ou mais pessoas, aquele que tiver interesse jurídico em que a sentença seja favorável a uma delas, pode intervir no processo, na qualidade de assistente\u201d, que vai ingressar a qualquer tempo, em qualquer grau de jurisdição, qualquer procedimento admite assistência e que o terceiro recebe o processo no estado em que se encontra. 
Então a estrutura da assistência é \u201cmais ou menos\u201d assim: A e B em processo pendente e C pretende auxiliar ou A ou B, a intenção de C assistente é a vitória de A ou a vitória de B. A chave da questão para se entender como funciona a assistência é a expressão interesse jurídico que habilita o terceiro a intervir na qualidade de assistente, como é que ele se classifica? Obviamente, se o legislador fala de interesse jurídico é porque não é qualquer interesse que habilita o terceiro a ser assistente. O legislador quando diz que o interesse deve ser classificado de jurídico, isso já exclui de antemão o sujeito que só pelo fato de ser amigo do outro ingressa no processo, para auxiliá-lo. Então diz a doutrina, a jurisprudência que não qualifica o interesse de terceiro para fins de assistência, o interesse altruístico, religioso, moral, meramente econômico. 
Como é que se identifica o interesse jurídico? O interesse jurídico se qualifica pela identificação de uma outra relação jurídica mantida entre o pretenso assistente e o pretenso assistido CONEXA a relação jurídica discutida em juízo. É por isso que uma relação autônoma não enseja assistência. Conexa como? Ex: A faz contrato de locação com B, que por sua vez faz um contrato de sublocação com C. A não tem nenhuma ligação com C. Mas para que o contrato de sublocação exista é necessário que também exista o de locação. Digamos que A ingressa ação em face de B, pretendendo a rescisão do contrato, por que B deixou de pagar. Logo C pensa: se o contrato de locação for rescindido, o contrato de sublocação também não vai subsistir porque ele é acessório, logo a relação jurídica de B com C que é de dependência enseja a assistência. C que tem interesse jurídico dependente da relação entre A e B pode ser assistente. C NÃO poderá ser parte nesse processo porque ele não tem relação jurídica discutida em juízo. Então o interesse de C é de coadjuvar uma das partes e auxiliá-la para que ela saia vitoriosa do processo, pois uma vez saindo vitoriosa a sua esfera jurídica identificada por outra relação conexa também será atingida. 
Não basta um atingimento da esfera jurídica de terceiro para classificá-lo como terceiro. É necessário que essa esfera jurídica seja atingida, que haja uma relação jurídica autônoma com uma das partes em relação ao adversário da parte de seu assistente, mas ao mesmo tempo conexa. Tem que haver duas relações jurídicas: a mantida entre aqueles que são partes originarias no processo e uma outra mantida entre o terceiro e com uma das pessoas que é parte no processo.
A assistência pode ser simples e qualificada (também chamada de litisconsorcial). O regime jurídico da assistência em simples e litisconsorcial vai definir a qualidade ou o modo de participação dos assistentes no processo. Simples é a assistência quando o terceiro tiver interesse exclusivamente jurídico na vitória de uma das partes, e qualificada vai ocorrer todas as vezes que o terceiro tenha não só