contexto educacional e gagueira IV seminario paranaense  28.05
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contexto educacional e gagueira IV seminario paranaense 28.05


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\u201cPra mim, hoje em dia, em si, eu já 
consigo é... Já... Me acostumar, entendeu? Já não não não fico tanto assim 
[...]\u201d. As estratégias utilizadas ao sentir que não vai conseguir falar, 
demonstram parte de um ritual para desencadear as palavras e evitar a 
gagueira: \u201cQuando o professor já vem para falar isso, eu: \u2018professor tu vai 
perguntar o nome eu já vou já responder para senhor para depois não ficar 
nervosa, não ter que gaguejar...\u2019 Eu já começo já comigo." \u201cAté bater o pé 
ajuda a sair\u201d. \u201cTudo que é /s/, [...] eu gaguejo..\u201d Nesse ponto, nos contando 
sobre como está lidando com isso, buscando a aceitação do outro em relação 
às suas diferenças, S. chora relatando: \u201c Às vezes as pessoas acham estranho 
porque eu brinco com isso, porque eu já sofri tanto preconceito e hoje eu 
aproveito bastante\u201d. O choro evidencia o sofrimento de S. diante de sua fala. 
Essa análise demonstra, assim, que o contexto educacional é fortemente 
marcado pela exclusão social, exclusão daquele que é diferente, que fala 
diferente. 
 
 
Anais do IV Seminário Paranense de Fonoaudioloia 2013 
 
Conclusões: 
 A partir dessas discussões evidencia-se que, ao entrar na meio escolar, 
a criança com gagueira se isola deixando de participar efetivamente das 
interações escolares por causa da vergonha e do preconceito. Ou seja, há uma 
necessidade emergencial de que essas reflexões possam ser feitas no 
contexto educacional. Se a criança recebesse um auxílio desde o início e 
ainda, se o professor tivesse formação para lidar com alunos que apresentam 
essa dificuldade, essas situações poderiam ser ressignificadas. Ao chegar no 
meio universitário, o sujeito já se constituiu como mau falante, é estigmatizado. 
A gagueira tem, assim, implicações para as relações familiares, sociais, 
profissionais e escolares. 
O sistema educacional não está preparado para lidar com o diferente. 
Seja qual for a diferença, há uma exclusão de quem não segue um padrão de 
normalidade socialmente estabelecido. O processo educacional exige um 
preparo dos docentes que vai além dos conteúdos didáticos. É emergente a 
necessidade de uma formação para os docentes relacionada a questões de 
inclusão e exclusão social e escolar. A mudança nas políticas públicas 
relacionadas à inclusão ainda não se efetivou na prática. Há muitas questões 
voltadas aos deficientes, mas os diferentes também sofrem exclusão. Isso 
ocorre tanto na educação básica quanto na educação regular. Se a constituição 
do sujeito falante se faz a partir de suas interações é importante proporcionar 
interações com interlocutores que valorizem o sujeito e sua fala, mesmo que 
diferente. Essa posição de valorização ajuda ao sujeito gago a poder 
ressignificar a sua visão de \u201cmau falante\u201d. Logo, o modo como esse su jeito 
interage nas várias esferas de sua vida tem, também, implicações diretas para 
a sua subjetividade. 
 
Referências 
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Friedman, S. Gagueira: Origem E Tratamento. 4ª Edição, São Paulo: Plexus, 
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