Planejamento-Competitividade-Sustentabilidade_IndustriaMineral
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Planejamento-Competitividade-Sustentabilidade_IndustriaMineral


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as empresas se 
especializam e implementam o projeto e a produção de bens e serviços, que 
sejam novos para a própria empresa, independente de que sejam novos para os 
seus competidores. 
Planejamento Estratégico, Competitividade e Sustentabilidade na Indústria Mineral: 
Dois Casos de Não Metálicos no Rio de Janeiro 
 
 
 
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Mytelka (1998) destaca ainda que o nível de aprendizado de uma firma está 
profundamente relacionado às seguintes estratégias de inovação (inspiradas em 
Abramovitz): i) atingir a inovação (to catch up), ii) mantê-la (to keep up); e iii) 
desenvolve-la (to get ahead). 
Catching up: envolve a criação de capacidades para solução de 
problemas que habilitem a empresa a melhorar a produtividade, a imitar e a 
adaptar, às condições locais, o produto, processo e tecnologias organizacionais 
já desenvolvidas em qualquer lugar. É durante a fase de \u201ccatch up\u201d que as 
empresas \u201caprendem a aprender\u201d. 
Keeping up: além das capacidades produtivas, que sustentam a 
competitividade com base em baixos salários e/ou baixas relações preço / 
produtividade, as empresas devem construir investimentos e capacidades 
incrementais de mudança que lhes permitam modificar e reconfigurar produtos 
e processos. 
Getting ahead: continuar inovando pressupõe a capacidade de projetar e 
de desenvolver novos produtos e processos, o que pode resultar da combinação 
de tecnologias genéricas que já existam ou de P&D que alarga as fronteiras do 
conhecimento. No passado, a capacidade de sustentar esforços de P&D, conferia 
claras vantagens a uma empresa. Atualmente, a dimensão da rede de que a 
empresa participa é, que assegura suporte crítico à atividade inovativa na 
fronteira tecnológica. 
Cassiolato, Lastres e Maciel (2003) assinalam as seguintes 
considerações complementares, relativas à relação entre aprendizado e 
inovação: 
\u2022 A ênfase deve ser colocada na capacidade de aprender e de inovar, como 
elementos cruciais para a produtividade e a competitividade dos agentes 
econômicos, e não na capacidade de adquirir e de usar novos meios 
técnicos. 
\u2022 A criação e a sustentação de oportunidades para o aprendizado e a 
inovação deveria estar no centro das novas políticas e estratégias públicas e 
privadas orientadas para a promoção da capacidade de aquisição e uso do 
conhecimento. 
\u2022 A idéia de sociedade do aprendizado parece particularmente interessante 
para os países em desenvolvimento, porque enfatiza o processo de 
aprendizado e, portanto, de mudanças. 
5.3.2. Sistemas de Inovação e Desenvolvimento Econômico 
Coutinho (2003) assinala que as características dos sistemas macro-
econômicos condicionam as decisões micro-econômicas que formam os padrões de 
financiamento, governança corporativa, comércio internacional e mudanças 
tecnológicas, influenciando, consequentemente, a dinâmica do conhecimento, do 
aprendizado e da inovação. Como exemplo, assinala que as taxas de desconto e de 
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Dois Casos de Não Metálicos no Rio de Janeiro 
 
 
 
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retorno aplicadas em estimativas de valor econômico dos ativos são baseadas em 
taxas de juros, as quais incorporam o risco monetário do país e o específico risco 
de crédito ou comercial do empreendimento. Lembra ainda que, similarmente, a 
taxa de câmbio tem um efeito direto e decisivo sobre decisões micro-econômicas. 
Assinala também que regimes macro-econômicos benignos são aqueles 
capazes de combinar baixas taxas de juros com taxas de câmbio relativamente 
sub-avaliadas (condições que promovem a maior adição de valor doméstico, 
bem como maior estímulo à exportação). Por sua vez, regimes macro-
econômicos malignos são aqueles que combinam altas taxas de juros com 
taxas de câmbio sobre-avaliadas (condições prejudiciais à produção doméstica 
e à competitividade das exportações). 
Quadro 5.1 - Sistemas macro-econômicos e condições para a competição 
Taxa de Juros Taxa de Câmbio 
Baixa Alta 
Sub-avaliada 
A) Benigno: sólida posição 
externa; taxa de juros com 
persistente viés de baixa; 
Círculo virtuoso é possível 
B) Semi-maligno: esta situação 
pode ser mitigada pelo estímulo de 
uma taxa de câmbio relativamente 
positiva; taxa de juros em declínio 
Sobre-avaliada 
C) Semi-benigno: se a posição 
externa pré-existente for sólida; 
taxa de câmbio sobre-avaliada 
pode erodir a posição; taxa de 
juros pode continuar a cair se a 
inflação se mantiver baixa. 
D) Maligno: alta taxa de juros 
sustenta a sobre-avaliação da taxa 
de câmbio, afetando as contas 
externas de modo adverso; pode 
também resultar em déficits fiscais 
de origem financeira. 
Fonte: Coutinho, 2003. 
Países com balança de pagamentos em equilíbrio ou superavitária e boa 
posição de reservas estrangeiras se tornam mais atrativos e, portanto podem 
melhor desfrutar de crescimento mais elevado, devido a taxas de juros mais 
reduzidas e mais baixas taxas de risco cambial (posições A e C). 
Por outro lado, países com desequilíbrios persistentes em suas contas 
correntes e com insuficientes reservas de moeda estrangeira são penalizados 
por suas taxas de câmbio e pela sua taxa de risco, precisando, 
conseqüentemente, manter elevadas as taxas de juros, refletindo uma posição 
de vulnerabilidade macro-econômica (posições B e D). 
Coutinho (2003) ressalta que, no sistema de Bretton Woods, os países em 
desenvolvimento poderiam incorrer em modestos déficits externos (financiados por 
IED ou por empréstimos oficiais) sem que constrangimentos fossem impostos em 
suas políticas de taxas de juros. Paradoxalmente, o sistema corrente de 
\u201cglobalização financeira\u201d afeta de modo adverso a alocação eficiente de capital ao 
punir os países deficitários e premiando os superavitários . 
Verifica-se que, sob regimes macro-econômicos benignos, o grau de 
autonomia na política nacional é comparativamente maior. No entanto, no caso 
de regimes macro-econômicos malignos, a dependência em relação aos fluxos 
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de capital externo, sujeita as autoridades econômicas a pressões liberalizantes, 
por parte de organizações internacionais. Assinale-se, entretanto, que em 
regimes macro-econômicos malignos, a aceleração da taxa de inovação e 
aprendizado constitui uma relevante estratégia de sustentação do 
desenvolvimento. 
Assinale-se ainda que a aceleração da inovação e do aprendizado, 
proposto por Coutinho (2003) pode atuar como o motor de \u201cliberação\u201d do SI do 
país, de sua base de recursos naturais, ou seja, possibilitando que o país utilize 
a sua base de recursos naturais, sem que seja por ela constrangido, conforme 
o pensamento de Edquist (1997). 
5.3.3. Financiamento da Pesquisa, do Desenvolvimento e da Inovação 
Tecnológica 
Chesnais e Sauviat (2003) registram que investimentos de longo prazo 
em educação e aprendizado constituem a base da democracia, do 
desenvolvimento e da competitividade, devendo ser implementados com 
absoluta prioridade, seja através de mecanismos de financiamento estatal 
(como na Europa continental) ou pela combinação do capital público e privado 
(como nos países anglo-americanos e no Japão). Ressaltam ainda que a 
mudança do financiamento público para o privado e do controle gerencial para 
o controle do mercado acarreta mudanças no nível, nos objetivos, nas 
prioridades e no horizonte dos investimentos em inovação. 
Assinalam que, à medida que cresce o financiamento privado, em 
detrimento das fontes públicas, o nível geral de financiamento do investimento 
em inovação estará mais influenciado pelas perspectivas de rentabilidade e de 
demanda efetiva. 
Ressaltam também que o imenso poderio econômico, social e político do 
mercado financeiro é fundamentado na articulação de duas forças: de um lado 
uma concentração sem precedentes de capital financeiro e, de outro, a 
possibilidade de desinvestimento instantâneo,