TRANSTORNOS DISSOCIATIVOS E SOMATOFORMES
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TRANSTORNOS DISSOCIATIVOS E SOMATOFORMES


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TRANSTORNOS DISSOCIATIVOS E SOMATOFORMES 
São transtornos menos prevalentes dentro da psiquiatria, na antiguidade acreditava-se que o útero sofria um transtorno, como se alguma substância tóxica ficava no útero em mulheres que não tinham filhos e causava a histeria, porém, mais tarde, o primeiro homem foi descrito e passou-se o estudo para o cérebro. Os transtornos somatoformes, dissociativos e conversivo fazem parte de um espectro histérico, vemos neste algumas características: 
Somatização: salto psíquico para o orgânico tendo a ver com o sistema nervoso central e periférico. Caracteriza-se por múltiplas queixas físicas referentes a vários sistemas orgânicos.
Conversão: salto do psíquico para o orgânico, conflito psíquico em sintomas físicos em partes do corpo enervadas pelo sistema sensório-motor.
TRANSTORNOS DISSOCIATIVOS 
Cada pessoa se vê como um indivíduo de personalidade básica ou self, os transtornos dissociativos interferem na noção de ter uma única consciência, perdem a noção de identidade, sentem-se confusas a respeito de quem são. Gera interrupção das funções da consciência, da memória. Por isso, a disfunção fundamental nos transtornos dissociativos consiste na perda deste estado unitário de consciência, o indivíduo sente a falta desta identidade ou uma confusão envolvendo sua identidade, ou tem múltiplas identidades. A experiência unificadora de si mesmo, geralmente consiste em uma integração dos pensamentos, sentimentos e ações do indivíduo em uma única personalidade. A epidemiologia é parecida entre homens e mulheres e os sintomas tendem a diminuir com a idade. 
AMNÉSIA DISSOCIATIVA
INCAPACIDADE DE RECORDAR INFORMAÇÕES PESSOAIS IMPORTANTES GERALMENTE DE NATUREZA TRAUMÁTICA, o diagnóstico é mais apropriado quando esse sintoma se limita apenas a amnésia, com incapacidade de recordar informações já armazenadas na memória do paciente. É apenas limitado a interrupção de devidas informações e não amnésia global. Para sabermos se é amnésia dissociativa devemos excluir demais transtornos e substâncias ou condições neurológicas. A forma mais comum é a amnésia em relação a identidade pessoal, porém outras informações a respeito da vida se apresentam intactos. Exceto pela amnésia, esses pacientes tem funcionamento coerente e intacto, geralmente estão associados a guerras, catástrofes naturais, abuso infantil, abuso conjugal, entre outros. 
Quanto a etiologia temos a teoria do aprendizado (hipocampo) em que diz que a aprendizagem é estado-dependente, ou seja, podemos lembrar onde está a luz de dentro do carro quando estamos dirigindo do que quando estamos na sala de nossas casas assistindo TV, ou seja, a aprendizagem depende de todo um contexto no qual ela ocorre. A Teoria da Aprendizagem estado-dependente aplica-se a amnésia dissociativa, no sentido de que a memória de um evento traumático é sacrificada durante o evento e o estado emocional pode estar tão fora do habitual para a pessoa afetada, que se torna difícil para ela recordar as informações aprendidas durante esse estado. As defesas secundárias envolvidas com a amnésia dissociativa incluem: repressão e negação. 
Quanto ao diagnóstico, temos confirmação apenas se os sintomas não estiverem limitados à amnésia que ocorre no curso de um transtorno dissociativo de identidade e não resultam de uma condição médica geral ou de ingestão de uma substância:
A perturbação predominante consiste de um ou mais episódios de incapacidade de recordar informações pessoais importantes, em geral de natureza traumática ou estressante, demasiadamente extensa para ser explicada pelo esquecimento normal.
A perturbação não ocorre exclusivamente durante o curso do transtorno dissociativo de identidade, fuga dissociativa, TEPT, transtorno de estresse agudo ou transtorno de somatização, nem se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica ou ingestão de substância psicoativas.
Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. 
A amnésia pode ser localizada (acontecimentos de curto período de tempo), generalizada (todo o período de experiências da vida), contínua (esquecimento de cada evento sucessivo na medida em que ocorre) ou seletiva (incapacidade de recordar alguns momentos), embora não necessária para o diagnóstico, geralmente ela ocorre de maneira abrupta, alguns apresentando insight sobre essa perda repentina de memória e outros não, a depressão e a ansiedade são transtornos predisponentes comuns e frequentemente presentes no exame do estado mental. 
Os sintomas em geral terminam também de maneira abrupta, com recuperação completa e pouca recorrências e a condição pode se prolongar quando há ganho secundário, ou seja, quando a situação é confortável, as memórias demoram um maior tempo para voltar. Acredita-se que o uso de barbitúricos de ação curta e intermediária, tais como o Tiopental e Amobarbital Sódico ou outros medicamentos que causam sonolência, como os benzodiazepínicos, podem ser usados para ter um maior acesso aos pensamentos e memórias do paciente: hipnose, além do uso da psicoterapia para pacientes que já apresentam suas recordações resgatadas, sendo recomendada para que os pacientes incorporem as recordações a seus estados conscientes.
FUGA DISSOCIATIVA
O indivíduo continua fazendo suas atividades diárias, mas não se recorda de parte ou todo o seu passado, tem início súbito e o indivíduo pode assumir outra identidade ou ocupação no local que o paciente se encontra. Eles AFASTAM-SE FISICAMENTE DE SEUS LARES HABITUAIS OU SITUAÇÕES DE TRABALHO E NÃO CONSEGUEM LEMBRAR ASPECTOS IMPORTANTES DE SUAS IDENTIDADES ANTERIORES, porém as identidades antigas e novas não se alteram, como no transtorno de personalidade múltipla. As crises podem durar de minutos a meses, assim como se iniciou, também termina subitamente. Acredita-se que a causa também seja psicológica, com afastamento de experiências dolorosas do ponto de vista emocional, apesar de uma gama de estudos demonstrarem ligações ao consumo de álcool. 
 É uma doença muito rara, mais frequente em períodos conflituosos, o tratamento é feito com psicanálise com orientação psicanalítica procurando ajudar o paciente a retornar ao seu estado mental normal, além da entrevista assistida por drogas, que ajuda o paciente a retornar ao seu estado de consciência plena. O diagnóstico é dado através de quatro critérios: 
A perturbação predominante é uma viagem súbita e inesperada para longe de casa ou do local costumeiro de um trabalho ou indivíduo, com incapacidade de recordar o próprio passado. 
Confusão acerca de identidade pessoal ou adoção de uma nova identidade. 
Excluindo transtornos dissociativos, efeitos fisiológicos de uma substância ou de uma condição médica geral. 
Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional do paciente.
TRANSTORNO DE PERSONALIDADE MÚLTIPLA
PRESENÇA DE DUAS OU MAIS IDENTIDADES DISTINTAS OU ESTADOS DE PERSONALIDADE QUE ASSUMEM O CONTROLE DO COMPORTAMENTO DO INDIVÍDUO, acompanhado de incapacidade de recordar informações pessoais importantes, é uma forma mais grave dos transtornos dissociativos, muito comum em casos de trauma de infância intensos de abusos físicos ou sexuais. A identidade ou estado de personalidade diferem um das outras põe terem traços relativamente duradouros e na forma de se relacionar com o ambiente, é um transtorno crônico e de difícil remissão. Quanto a etiologia podemos listar 4 principais fatores causais: um evento traumático, uma tendência para o desenvolvimento do transtorno, fatores condicionantes do ambiente e ausência de apoio externo.
A característica essencial do Transtorno Dissociativo de Identidade é a presença de duas ou mais identidades ou estados de personalidade distintos (Critério A), que recorrentemente assumem o controle do comportamento (Critério B). Existe uma incapacidade de recordar informações pessoais importantes, cuja extensão é