Apostila de TGA
159 pág.

Apostila de TGA


DisciplinaAdministração159.037 materiais1.138.385 seguidores
Pré-visualização42 páginas
da integração dos elementos numa totalidade é a mesma 
ideia básica que sustenta a Teoria dos Sistemas. 
83 
Teoria Geral da Administração Professor Alessandre Silva 
 
Professor Alessandre Silva Teoria Geral da Administração 
 
Os autores neo-estruturalistas são os responsáveis pelo surgimento da Teoria 
da Contingência. 
 
11) SISTEMA TOYOTA DE PRODUÇÃO. 
A Toyota era uma empresa produtora de teares. Iniciou sua produção de 
automóveis em 1934, sendo que, em torno de 1940, interrompeu sua produção de 
veículos de passeio para apoiar o esforço nacional de guerra, produzindo apenas 
caminhões. Com o final da guerra, seu então presidente, Toyoda Kiichiro, afirmou 
que ou a empresa alcançava a produtividade dos americanos em 3 anos ou a 
indústria automobilística japonesa não sobreviveria. Mas para isso, os japoneses 
tiveram que perceber que eles estavam desperdiçando alguma coisa. E algo que 
não poderia ocorrer no Japão pós-guerra era o desperdício. Assim, se eles 
conseguissem eliminar todo e qualquer tipo de desperdício, a produtividade 
aumentaria. Essa se tornou a pedra fundamental do sistema Toyota de produção. 
A filosofia do modelo Ford, que havia influenciado toda história ocidental, 
consistia em dispor de recursos abundantes, de todos os tipos, para enfrentar 
qualquer eventualidade. Os recursos deveriam ficar em estado de prontidão, para 
cumprir o programa de trabalho com segurança e lidar com as emergências. O 
negócio nessa época era ser grande. Para ser eficiente e competitiva, a Toyota 
precisaria modificar e simplificar o sistema de Ford, tornando-o mais racional e 
econômico. Dessa observação nasceu o elemento básico do sistema Toyota de 
produção: eliminação de desperdício, ou seja, eliminar desperdícios e reduzir ao 
mínimo a atividade que não agrega valor ao produto. 
O sistema Toyota de produção, chamado mais adiante de just- in-time (JIT), 
vem evoluindo desde os anos 1950 do século XX, e é a semente do modelo japonês 
de administração. Baseia-se não somente nos especialistas da qualidade (Deming, 
Shewhart), mas principalmente nas técnicas de Ford e Taylor. Na realidade, o 
sistema Toyota de produção é um estágio na história das técnicas que vem 
evoluindo desde que os primeiros sistemas de produção foram desenvolvidos. 
Para entender o sistema just-in-time sabe-se que surge a necessidade 
mediante a demanda real por um produto. Quando um item é vendido, em tese, o 
mercado \u201cpuxa\u201d um substituto da última posição da fila daquele produto. Isso dispara 
84 
Teoria Geral da Administração Professor Alessandre Silva 
 
Professor Alessandre Silva Teoria Geral da Administração 
 
um pedido para a linha de produção, na qual então um operário \u201cpuxa\u201d outra unidade 
de uma estação anterior no fluxo para substituir a unidade que foi tomada. 
Essa estação, então, \u201cpuxa\u201d uma unidade da próxima estação imediatamente 
anterior, e assim por diante, até chegar à liberação de matéria-prima. Para conseguir 
que esse processo funcione corretamente, o JIT exige altos níveis de qualidade em 
cada etapa do processo, como pôde ser entendido. 
Assim, qualidade na filosofia JIT significa fazer direito da primeira vez e, 
quando alguma coisa dá errado, o processo deve ser reorganizado imediatamente. 
Os trabalhadores das fábricas se tornaram seus próprios supervisores, 
pessoalmente responsáveis pela qualidade de sua produção. O princípio da 
eliminação de desperdício fez nascer à produção enxuta, que consiste em fabricar 
com o máximo de economia de recursos. Identificar desperdícios é o primeiro passo 
para eliminá-los. 
A Toyota identificou sete tipos de desperdícios: 
1 \u2013 DESPERDÍCIO DE SUPERPRODUÇÃO: Ocorre quando se produz mais do que 
é necessário para o próximo processo de produção gerando desperdício. De acordo 
com a filosofia JIT, deve-se produzir somente o necessário, quando necessário e 
nada mais. 
2 \u2013 DESPERDÍCIO DE TEMPO DISPONÍVEL: Ocorre quando os materiais ficam 
esperando para ser processados, formando filas que visam a garantir altas taxas de 
utilização dos equipamentos. Deve-se coordenar o fluxo entre as operações e 
equilibrar as cargas por meio de trabalhadores e equipamentos flexíveis. 
3 \u2013 DESPERDÍCIO DE PROCESSO: Ocorre quando são realizadas funções ou 
etapas do processo que não agregam valor ao produto. É necessário eliminar todos 
os passos de produção desnecessários. Algumas operações existem apenas em 
função do projeto ou manutenção inadequados. 
4 \u2013 DESPERDÍCIO DE TRANSPORTE: A movimentação de materiais dentro da 
fábrica não agrega valor ao produto. É necessária devido às restrições do processo 
e das instalações. Sugerem-se layouts de instalações que reduzam ou eliminem o 
manuseio e embarque de materiais. 
5 \u2013 DESPERDÍCIO DE ESTOQUE: Este desperdício interage com todos os outros, 
pois funciona como uma solução para os problemas de qualidade, manutenção e 
instalação dos equipamentos, além da preparação de máquinas. No JIT, todo 
85 
Teoria Geral da Administração Professor Alessandre Silva 
 
Professor Alessandre Silva Teoria Geral da Administração 
 
estoque deve ser eliminado. A meta consiste em estimular todas as filas de estoque 
para zero, minimizando o investimento e encurtando os lead times (prazos). 
6 \u2013 PRODUTOS DEFEITUOS: Significa desperdício de materiais, mão de obra, uso 
de equipamentos, movimentação, armazenagem e inspeção desses produtos. 
7 \u2013 DESPERDÍCIO DE MOVIMENTAÇÃO: Ocorre nas operações do processo 
produtivo, na interação entre o operador, a máquina e o material que está sendo 
processado. A simplificação do trabalho é uma importante fonte de redução de 
desperdício de movimentação. 
 
Depois dos tipos de desperdícios enumerados fica claro entender que o JIT é 
um princípio ou uma técnica da administração que se baseia na filosofia de fazer 
algo certo, no momento certo, nem antes, nem depois, usando o mínimo de 
recursos. 
O que resta, depois de eliminados ou reduzidos ao mínimo os desperdícios, é 
a atividade ou esforço para agregar valor ao produto que se destina ao cliente. 
Agregar valor significa realizar operações de transformações de materiais e 
componentes estreitamente relacionados com a elaboração do produto. Assim, a 
eliminação de desperdício diminui os custos da produção sem que o valor do 
produto para o cliente fique comprometido. Desperdício é o contrário de agregação 
de valor, uma ideia fundamental nos sistemas enxutos de produção. 
 
11.1) ESCOLA JAPONESA DE QUALIDADE. 
 Uma escola que se tornou exemplo de conceito de qualidade foi a escola 
japonesa. No pós-guerra, dois importantes teóricos da área da qualidade estiveram 
no Japão: Edwards Deming e Joseph Juran. Esses teóricos influenciaram a criação 
da escola japonesa de qualidade. 
A Toyota foi fortemente influenciada pelas teorias da qualidade de Deming, 
guru da qualidade norte-americana que foi convidado a ir para o Japão na década 
de 1950 para ministrar um curso de estatística (controle estatístico da qualidade). 
Deming defendia que a melhoria da qualidade era o caminho da prosperidade, por 
meio do aumento da produtividade, da redução dos custos, da conquista de 
mercados e da expansão do emprego. Os japoneses ouviram, prestaram atenção e 
puseram em prática o que ele disse. 
86 
Teoria Geral da Administração Professor Alessandre Silva 
 
Professor Alessandre Silva Teoria Geral da Administração 
 
A qualidade tornou-se uma obsessão nacional, devido ao fato de o país não 
possuir recursos naturais e necessitar sobreviver da exportação de produtos. Os 
japoneses foram alunos aplicados dos professores americanos; queriam aprender 
quais as técnicas que ajudariam o pequeno país a recuperar-se