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sacadas) podem funcionar como espaços de transição para a 
propagação sonora, protegendo o interior do edifício do ruído da rua (fig. A17) principalmente se 
algumas de suas superfícies forem tratadas com materiais absorventes. esta é uma alternativa 
interessante por não interferir na ventilação, importante em clima tropical-úmido. 
 
Fig. A17 
 
3.4.6. Condicionamento Acústico 
Teatros, auditórios, estúdios, salas de aula ou qualquer outro espaço destinado à música ou a voz 
humana devem, necessariamente, ter o tempo de reverberação calculado de modo a garantir sua 
qualidade acústica. Entretanto, mesmo em espaços menos \u201cnobres\u201d o arquiteto se preocupar com 
o condicionamento acústico: espaços muito reverberantes são desagradáveis e provocam 
desconforto por dificultar a inteligibilidade dos sons desejados. 
Uma vez que, em espaços exteriores, os materiais mais constantemente usados (concreto, 
cerâmica, pedras, asfalto) possuem baixo coeficiente de absorção sonora, a presença de 
vegetação pode ter um efeito significativo na ambiência sonora dos espaços ao ar livre pelos 
efeitos da absorção, difusão e do mascaramento. Desempenham a mesma função de um 
revestimento absorvente aplicado sobre o solo ou as fachadas: deformam o espectro do ruído, 
atenuando os sons agudos e criando uma ambiência mais \u201csurda\u201d. Sob o efeito do vento, podem 
se tornar uma fonte sonora secundária, mascarando os ruídos indesejáveis. 
Entretanto, a vegetação não possui, por si mesma, um efeito de barreira significativo. A atenuação 
provocada por uma faixa de cem metros de vegetação densa é de apenas 10dB(A), ou seja, 1 
dB(A) para cada 10 metros de vegetação, o que pode ser considerado insignificante (Fig. A18). O 
uso de vegetação sobre taludes de terra, nas bordas das vias de tráfego, se bastante eficiente, 
mas são os taludes e não a vegetação que se opõem à propagação do ruído. 
 
 
 
Conforto Ambiental 1° semestre 2005 
 PROARQ e DTC \u2013 FAU - UFRJ 47
10 m de vegetação = - 1 dB(A)
 
Fig. A18 
 
 
 
Conforto Ambiental 1° semestre 2005 
 PROARQ e DTC \u2013 FAU - UFRJ 48
 ,t
e
q \u2206= \u3bb
Glossário 
 
Pequeno glossário informal. Menos que uma definição científica precisa, que englobe todo o 
espectro necessário a plena compreensão dos preceitos envolvidos, este glossário busca, 
respeitando a veracidade das informações, uma re-apresentação dos conceitos científicos básicos 
ao estudo arquitetônico de conforto ambiental, em linguagem leiga, favorecendo sua compreensão. 
Quando necessário, no trato diário, poderão \u2013 e deverão \u2013 ser consultados os livros mencionados 
na bibliografia. 
 
1. Higrotermia 
 
Calor - calor é a energia transferida entre corpos de diferentes temperaturas. Ocorre até que os 
dois atinjam uma mesma e nova temperatura, situada entre as anteriores. É medido em unidade de 
energia, que no sistema internacional é representada pelo Joule (J). Entretanto quando nos 
referimos ao ser humano, por vezes utilizamos outra unidade, a caloria (cal), que representa a 
quantidade de calor necessária para que 1 grama de água aumente em um grau Celsius (ou 
Kelvin). A equivalência se faz segundo a fórmula: 1J=0,24 cal. Ou 1cal. = 4,18J. 
Clima - é o conjunto de fenômenos meteorológicos que caracterizam, durante um período longo, o 
estado médio da atmosfera e sua evolução em determinado lugar. Nos interessamos, ao projetar a 
duas situações climáticas : o que acontece ao longo do ano, sobretudo para as edificações de uso 
permanente, e as estações críticas, ou seja em geral verão e inverno. 
Condução - consiste na troca de calor entre dois corpos em contato, ou dois pontos de um mesmo 
corpo, que estejam a temperaturas diferentes: 
 
 
 O valor desta troca - chamado intensidade do fluxo térmico - varia segundo a 
distância entre os pontos, a diferença de temperatura e o tipo de material 
envolvido. A fórmula de cálculo é: 
onde \u3bb é a condutibilidade térmica do material e e a espessura 
do elemento (parede, por exemplo); \u3bb é definido em W/mºC; e em 
metros, \u2206T em ºC, o que gera a unidade de fluxo q em W/m2 
 
Condensação - é a troca térmica proveniente da mudança de estado gasoso para líquido. O ar 
possui uma certa capacidade de retenção de água, sob a forma de vapor, que aumenta sobretudo 
à medida que a temperatura aumenta. Quando o ar é resfriado, esta capacidade se reduz, 
podendo chegar a uma temperatura limite (temperatura de ponto de orvalho). Podemos observar 
este fenômeno nos banheiros, após um banho de chuveiro no inverno, quando o vapor d'água 
quente, ao entrar em contato com a superfície mais fria dos azulejos (ou do teto) se condensa e 
goteja. Se por um lado esta condensação é acompanhada de um gasto de energia equivalente ao 
de evaporação, por outro, em arquitetura, torna-se fonte de patologias, se não antecipado e tendo 
as superfícies protegidas. 
Convecção - troca de calor entre dois corpos em contato, sendo um deles sólido e outro fluido 
(líquido ou gás), que estejam a temperaturas diferentes. A intensidade do fluxo térmico se 
expressa por: q= hc \u2206T, (W/m2) onde hc (W/mºC ) é um coeficiente de trocas térmicas por convecção, 
que varia segundo a posição da troca - horizontal ou vertical - e a velocidade de passagem do 
fluido. 
 
 
20ºC 40ºC 
q 
Conforto Ambiental 1° semestre 2005 
 PROARQ e DTC \u2013 FAU - UFRJ 49
Tempo 1 \u2192 tempo 2 \u2192 tempo 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
Diagrama psicrométrico - reunião de dados de temperatura (seca e de bulbo úmido) e umidade 
(absoluta e relativa) do ar, sob forma de gráfico segundo as relações encontradas na natureza. 
Energia - no contexto da dualidade energia-potência, seria a potência utilizada por um 
determinado período de tempo. A unidade é Joule, embora possa ser expressa também por Wh 
(ou de forma menos freqüente, e ultrapassada BTU ou ainda caloria (cal)). A conversão se faz : 
1kJ = 0,278Wh, ou 238,66 cal, ou ainda 0,948 BTU 
Equinócio - época do ano em que a trajetória aparente solar nos oferece, em toda a Terra a 
mesma duração para o dia e para a noite. Acontece 2 vezes por ano, nos dias 23 de setembro e 22 
de março nos dias Ver também solstício. 
Evaporação - é a troca térmica proveniente da mudança de estado líquido para o gasoso de um 
corpo, no nosso caso a água. É necessário uma certa quantidade de energia para esta troca, que 
varia segundo a umidade ambiente e a velocidade do ar. O fenômeno inverso chama-se 
Condensação. 
Higrotermia - na realidade existe uma relação indissociável entre o valor da temperatura e da 
umidade do ar para o conforto humano, assim, em Conforto Ambiental usa-se este termo - 
higrotermia - para caracterizar a relação desta duas grandezas físicas, ao invés de simplesmente 
Térmica ou Higrometria. Em países onde os valores de umidade permanecem sempre estáveis ou 
dentro dos limites aceitáveis, a Higrometria tende a ser colocada de lado como fonte de 
desconforto e estuda-se somente os fenômenos térmicos. 
Hora legal, hora solar - a hora legal é aquela que marca nosso relógio (quando certo), em cada 
cidade. Altera-se em algumas épocas do ano - horário de verão - quando, pelo fato da trajetória 
solar ser mais extensa, e o dia começar mais cedo e terminar mais tarde (ver diagramas solares), 
opta-se por retroceder em uma hora os relógios, fundamentalmente para economizar energia 
elétrica, embora também proporcione um período de lazer pós-trabalho muito benéfico ao ser 
humano. A hora que é marcada nos gráficos solares, no entanto corresponde à realidade, ou seja o 
meio dia solar acontece quando o Sol passa elo meridiano local, dividindo o dia em duas metades 
idênticas. É o meio dia solar. As demais horas se somam ou se subtraem como as legais. Há 
alguns outros fatores que a diferenciam da hora legal, ligados sobretudo ao fato de que a Terra 
não é, como a abstraímos, esférica, nem roda precisamente