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Texto IV - A Invenção

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Grupo de Estudo / Sistema de Representação Bidimensional
Profª Sophia Costa
Design / CARUARU / 60 horas / manhã – 8:00 às 12:00 / noite – 18:50 às 22:00
A Invenção – Caminhos intuitivos e inspiração
Ao converter a “invenção” em um dos cinco passos da retórica*, os clássicos a consideravam essencial na busca ou descobrimento de temas ou argumentos para seu discurso. No qual se sugeria de certo modo que os temas ou argumentos já existiam, que não se tratava de uma busca arbitrária ou desordenada, já que estava orientada ao fim que se propunha o orador e que o único que fazia o retórico era buscá-los e naturalmente encontrá-los.
INVENÇÃO > DISPOSIÇÃO > ELOCUÇÃO > MEMÓRIA > AÇÃO
No processo criativo do designer gráfico a invenção ocorre de forma semelhante. Todas as formas de linguagens visuais já existem, formas, tipografias (caracteres) e cores e o que o designer gráfico faz é basicamente criar novas combinações e arranjos obedecendo a uma conceituação determinada.
Em seu trabalho habitual, os criadores em design ou publicidade funcionam de um modo similar e distinto ao mesmo tempo. Atuam de modo similar no sentido da busca constante de argumentos e temas para utilizá-los em seus projetos.
* RETÓRICA = Arte de falar bem; conjunto de regras relativas à eloqüência.
Idéias básicas sobre invenção
A retórica visual é para o designer gráfico e para o publicitário um excelente dispositivo persuasivo de eficácia comunicativa.
A habilidade para descobrir ou inventar argumentos é essencial para potencializar a persuasão.
A invenção é a busca de idéias ou argumentos verdadeiros que façam um tema convincente.
Percepção e pensamento criador
Para que necessitamos uma idéia?
Geralmente para resolver problemas. De tal maneira que a criatividade em muitas ocasiões se converte em uma ferramenta para resolver problemas.
Para buscar uma idéia utilizamos o cérebro. E o cérebro humano utiliza – por sua vez – dois caminhos distintos para encontrar essa idéia que se ordena buscar. 
O caminho da lógica, da racionalidade, da evidência, das vivências que nos proporciona nossa própria cultura, e o caminho da criatividade, da inspiração, da intuição, da imaginação.
Inspiração, intuição e imaginação são etapas de um processo de percepção que nos conduz do pensamento à idéia.
Quando falamos de percepção nos referimos a unidade psicológica básica do conhecimento sensível, entendendo por percepção a apreensão básica da realidade através dos sentidos. Um processo sensorial e cognitivo no qual a realidade exterior se manifesta como uma experiência.
A percepção produz um efeito intelectual triplo
A inspiração > o efeito de sentir estímulo interior provocado pela percepção que o faz sentir.
A intuição > o efeito de entender clara e instantaneamente uma idéia, sem o processo da racionalidade ou argumentação.
A imaginação > a faculdade de formar “deformando” ou alterando imagens e conceitos.
Capacidade perceptiva
Retomando o processo de idealização, examinaremos agora o papel decisivo que a percepção desempenha no processo da invenção, já que as capacidades perceptivas que possuímos são as que fazem possível construir pontes que unem idéias entre si. Pontes conscientes, desejadas, buscadas; porém, também, imprevisíveis e inesperadas. De um lado a informação do emissor; do outro, a compreensão do receptor.
São, pois, nossas capacidades perceptivas as que provocam a união de idéias, aparentemente estranhas entre si.
Por um lado, alguns estudiosos da criatividade sugerem que o ponto de partida para resolver problemas é conhecer a fundo o campo próprio de atuação. Se alguém trata de fabricar um novo microchip, necessitará partir de um bom conhecimento de eletrônica. Por outro lado, existem estudiosos que sustentam que maximizar o conhecimento no campo de pesquisa de cada um, pode colocar em perigo a capacidade de descubrir as relações, onde os outros só vêem diferenças.
A ignorância pode ser vantajosa, já que, de fato, um descobrimento é por regra geral uma conexão inesperada que não pode ser encontrada mediante o conhecimento, pois já haveria sido prognosticada.
Percepção e conhecimento
Existe uma unanimidade por parte dos estudiosos em admitir que o criador deve ser capaz de reconhecer a solução quando se encontre diante dela, qualquer que seja o caminho utilizado para alcançá-la.
Enquanto alguns autores sugerem que o conhecimento é um empreendimento para a capacidade de solucionar problemas de forma criativa, existem poucas dúvidas que o conhecimento básico é imperativo para que, qualquer pessoa possa desenvolver soluções criativas, tanto dentro do marco artístico, como científico.
As pessoas com mais conhecimentos em uma determinada área – por sua própria especialização – limitam suas capacidades de experiências em outros campos.
A educação criativa deve servir para melhorar o ser humano em todos os aspectos. E isto não só pela auto-realização, como também para a aceleração do ritmo de crescimento dos fatos, conhecimentos, técnicas, invenções e avanços tecnológicos.
Criatividade e desenvolvimento de personalidade
Um novo passo nesta etapa de revitalização do processo criativo foi o de admitir o caráter polifacético da criatividade e a heterogeneidade de suas representações.
Suas classes, figuras, tipos e modelos são tantos como são as classes, as figuras, os tipos e modelos da atuação humana. O seguinte passo foi o de analisar o processo criativo, comparando-o com outros processos mentais e buscar analogias que se dão com qualquer processo que persiga a solução de problemas.
Mais adiante se chegou a conclusão de que este potencial criativo – a capacidade para encontrar relações, a que se refere Érika Landau em sua definição de criatividade – todos os indivíduos a possuem e podem aplicar em qualquer situação vital.
Características da personalidade criativa
As pessoas criativas desenvolvem uma atitude perceptiva aberta e flexível, em oposição a uma atitude crítica.
As pessoas criativas desenvolvem uma percepção intuitiva das manifestações mais profundas, em oposição a uma atitude hiper-sensorial estreitamente relacionada à realidade.
As pessoas criativas tendem a complexidade, a diferenciação, inclusive a desordem, em oposição a facilidade, a simplicidade, ao equilíbrio e a previsibilidade.
As pessoas criativas são mais independentes em seus julgamentos, mais conscientes de si mesmas, mais dominantes, em oposição a atitudes dóceis e manejáveis.
As pessoas criativas se rebelam contra as limitações, as restrições ou a opressão em oposição a atitudes conformistas ou condescendentes.
As reservas inconscientes que modelam a personalidade criativa são numerosas. Podem ser natas ou adquiridas, podem ser comuns em muitas pessoas ou ser reconhecida em uma pessoa especialmente criativa, em particular; podem ser facilmente detectadas porque se manifestam abertamente ou podem ser fruto de um especial esforço imaginativo.
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