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Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC) DEFINIÇÃO ● Súbita instalação de um déficit focal neurológico persistente, decorrente de uma isquemia e posterior infarto no parênquima cerebral, ou de uma hemorragia. ● O AVC pode provocar sequelas permanentes, gerando necessidade de adaptação familiar, demanda constante do sistema de saúde, além de custos. ● Objetivo - salvar a área de penumbra, impedindo que a prossiga para o infarto estabelecido. ○ A penumbra isquêmica denota a parte de um AVCi agudo que corre o risco de progredir para o infarto, mas ainda é recuperável se reperfundida. ○ Geralmente está localizada ao redor de um núcleo de infarto que representa o tecido que já infartou ou vai infartar, independemente da reperfusão. ● Fatores de risco - idade > 60 anos, tabagismo, dislipidemia, HAS, diabetes mellitus, obesidade, sedentarismo e história familiar de doença cerebrovascular. ● Ataque Isquêmico Transitório (AIT) - início súbito de um sintoma neurológico focal e/ou sinal com duração inferior a 24h, causado por uma diminuição transitória no fluxo sanguíneo, que torna o cérebro isquêmico na área de produção do sintoma. ○ Dura pouco tempo (2-15 minutos). ○ 90% das vítimas de AIT melhoram consideravelmente após 3h. QUADRO CLÍNICO ● Início súbito de: ○ Fraqueza ou dormência em um lado do corpo. ○ Confusão. ○ Dificuldade repentina para falar ou compreender. ○ Dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos, mas especialmente se unilateral. ○ Dificuldade para andar, tontura ou incoordenação. ○ Cefaleia intensa e súbita, sem causa aparente. DIAGNÓSTICO ● É clínico, mas pode-se usar exames de imagem para confirmar casos duvidosos, bem como estabelecer a extensão do acometimento vascular. ● Em um quadro sugestivo de AVC, a equipe deve realizar o primeiro atendimento e avaliar sinais vitais, glicemia capilar (para afastar hipoglicemia), realizar o exame neurológico sucinto e encaminhar para a emergência. ● É importante investigar uso de drogas (cocaína e anfetaminas), ocorrência de outro AVC, traumatismo recente, sangramentos, doenças hepáticas e renais, neoplasia e uso de anticoagulante. ● Pacientes com suspeita de AVC devem ser avaliados com urgência, pois muitas das opções terapêuticas que podem ter impacto na evolução devem ser administradas nas primeiras horas (ex. tratamento trombolítico). ● Tomografia computadorizada (TC) sem contraste - exame de escolha que especifica o tipo de AVC (isquêmico ou hemorrágico). ○ Também detecta outras possíveis simulações de AVC (ex. neoplasia, malformação arteriovenosa). ○ Detecção de sinais isquêmicos de infarto estabelecido. ○ Principal achado - área hipoatenuante cortical-subcortical dentro de um território vascular. ● AVC isquêmico - paciente deve ser avaliado para a possibilidade de trombólise endovenosa dentro de 4-5h do início dos sintomas. ● AVC hemorrágico - estudo de vasos, avaliação do neurocirurgião e monitorização são medidas necessárias. PATOGÊNESE ● AVC isquêmico (AVCi), mais comum, é causado por uma obstrução vascular, enquanto o Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem hemorrágico (AVCh) é causado por sangramento decorrente do rompimento de um vaso sanguíneo. ● A isquemia costuma ser de origem trombótica, usualmente por processo de aterosclerose, ou embólica, quando trombos de origem cardíaca ou arterial migram para as artérias encefálicas. ● Principais causas de AVCh: HAS, angioma cavernoso, angiopatia amiloide, neoplasia intracraniana, malformação ou fístula arteriovenosa, aneurisma roto. ● Dois fatores principais contribuem para os territórios vasculares: anatomia do polígono de Willis e variantes normais, e também a variabilidade intrínseca na extensão do tecido que cada ramo principal fornece. ● Circulação intracraniana (com base na artéria carótida interna): ○ Circulação anterior ■ Artéria carotídea anterior ■ Artéria cerebral anterior ■ Artéria cerebral média ○ Circulação posterior ■ Artéria cerebral posterior ■ Artéria basilar ■ Artéria cerebelar superior ■ Artéria cerebelar inferior anterior ■ Artéria cerebelar inferior posterior EPIDEMIOLOGIA ● O AVC é a segunda causa mais comum de morbidade no mundo (após IAM) e é a principal causa de incapacidade adquirida. AVC ISQUÊMICO ● Resulta de uma interrupção repentina de quantidades adequadas de sangue que atingem partes do cérebro. ● Quadro clínico: ○ Déficit neurológico de início rápido, que é determinado pela área do cérebro envolvida. ○ Os sintomas geralmente evoluem ao longo de horas e podem piorar ou melhorar, dependendo do destino da penumbra isquêmica. ● Patologia: ○ A interrupção do fluxo sanguíneo através de uma artéria intracraniana leva à privação de oxigênio e glicose no território vascular fornecido. ○ Isso inicia uma cascata de eventos no nível celular que, se a circulação não for restabelecida no tempo, levará à morte celular, sobretudo por necrose liquefativa. ○ As artérias são ocluídas por: ■ Trombose - ruptura aguda de placa com trombose sobrejacente ■ Embolia - cardíaca (fibrilação atrial, aneurisma ventricular, endocardite), gordurosa e aérea ○ Pode ocorrer perda temporária do fluxo sanguíneo (AIT). ○ Morte celular resulta em edema e inchaço. ● Características radiográficas: ○ Em instituições com unidades de AVC que oferecem terapias de reperfusão (AVC codificado), deve ser realizado: TC de crânio sem contraste, com perfusão e angiografia por TC Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem ○ Papel da imagem: ■ Há evidência de derrame? ■ Qual é a distribuição e a gravidade do AVC? ■ Há transformação hemorrágica? ■ Há uma causa visível (ex. trombo in situ)? ■ Existem contraindicações para trombólise intravenosa? ■ Há estenose carotídea significativa? ○ Tomografia computadorizada sem contraste ■ Pode evidenciar vaso hiperdenso (coágulo) ou evidência de infarto. ■ Objetivos: excluir hemorragia intracraniana (que impediria a trombólise), procurar características “precoces” da isquemia e excluir outras patologias intracranianas que possam imitar um AVC (ex. tumor). ■ Infarto parenquimatoso pode não ser visível no quadro agudo. Com o tempo, o edema citotóxico causa densidade reduzida na TC. ■ Hemorragia aguda aparecerá densa. ■ Vantagens: rapidez, baixo custo e disponibilidade. ○ Angiotomografia ■ Pode identificar bloqueios e avaliar garantias ao planejar a recuperação de coágulos ■ Avalia o suprimento arterial para conformar se o coágulo está presente ○ Ressonância magnética ■ Menos usada para eventos agudos, mas pode identificar infartos (especialmente usando sequência DWI) ● A sequência ponderada por difusão (DWI) é uma técnica não invasiva que reflete tanto a estrutura histológica do tecido como a celularidade ● Restrição de difusão nesse contexto é altamente sensível à isquêmica. ○ Ultrassonografia com doppler carotídeo ■ Seleciona pacientes que podem se beneficiar da endarterectomia (procedimento cirúrgico no qual é removido o material oclusivo do interior da artéria carótida). ■ Não no quadro agudo, mas geralmente dentro de duas semanas após o início. ■ Avaliação dos vasos do pescoço à procura de estenose carotídea. ■ Se > 70% de estenose no lado afetado, a cirurgia pode ser oferecida. ● Classificação: ○ Hiperagudo precoce: 0-6h ■ Nesse período, vários sinais são visíveis, dependendo do local da oclusão e da presença de fluxo colateral, incluindo: ● Perda de diferenciação da substância cinza-branca e hipoatenuação de núcleos profundos ○ As alterações do núcleo lentiforme são vistas 1h após a oclusão, visíveis em 75% dos pacientes em 3 horas Perda da diferenciação entre substância branca e cinza ● Hipodensidade cortical com inchaço parenquimatoso associado com consequente apagamento giral ○ O córtex com pouca oferta colateral (ex. fita insular) é mais vulnerável Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem ○ Hiperagudo tardia: 6-24h ○ Agudo: 24h-1 semana ■ Com o tempo, a hipoatenuação e o inchaçotornam-se mais acentuados, resultando em um efeito de massa significativo ■ Essa é uma das principais causas de danos secundários em grandes infartos ○ Subagudo: 1-3 semanas ■ À medida que o tempo passa, o inchaço começa a diminuir e pequenas quantidades de hemorragias petequiais corticais (que não devem ser confundidas com a transformação hemorrágica) resultam na elevação da atenuação do córtex - fenômeno de nebulização da TC ■ A imagem de um derrame nesse momento pode ser enganosa, pois o córtex afetado parecerá quase normal. ■ Durante a primeira semana após o infarto cortical, a hipoatenuação e o inchaço tornam-se mais acentuados, resultando em efeito de massa significativo e demarcação clara do infarto, geralmente com realce geral vívida. ■ Com o tempo, o inchaço começa a diminuir e o córtex a aumentar em atenuação. ■ Acredita-se que isso ocorra como resultado da migração de macrófagos carregados de lipídios para o tecido infarto, com proliferação de capilares e diminuição do edema. ■ Duas a três semanas após o infarto, o córtex recupera uma densidade quase normal e a imagem pode levar a confusão ou falha no diagnóstico. ■ A nebulização ocorre em cerca de 50% dos casos. ■ Caso de dúvida - a administração de contraste IV demarcar a região do infarto. ○ Crônico: > 3 semanas ■ Mais tarde, o inchaço residual passa e a glicose acaba aparecendo como uma região de baixa densidade com efeito de massa negativo. ■ Às vezes, a mineralização cortical também pode ser vista aparecendo hiperdensa. Alargamento do ventrículo (AVC antigo/crônico). Se fosse agudo, o ventrículo estaria menor, uma vez que o derrame comprime Evolução 🚨Tanto a TC quanto a RNM podem ajudar a determinar quando um AVC ocorreu! ● Tratamento: Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem ○ Trombólise intravenosa ou intra-arterial (ex. estreptoquinase, rtPA) ■ Depende do protocolo local ■ AVCiassociados à demência vascular. ○ Paciente sintomático pode apresentar síndrome do AVC lacunar (LACS), em que os sintomas variam de acordo com a área afetada, mas podem incluir: ■ Fraqueza de um lado do corpo. ■ Perda sensorial. ■ Distúrbios do movimento. ■ Alterações de fala. ● Patologia: ○ Os infartos lacunares são causados por oclusão de pequenas artérias terminais penetrantes, devendo ser menores que 15 mm. ○ Acredita-se que resultam da formação de microateroma in situ ou tipo hialinose. ○ Patologicamente, são pequenos orifícios de encefalomalácia e são atravessados por uma malha de fios fibrosos em forma de teia de espiga. ● Características radiográficas: ○ TC ■ Quadro agudo - infartos lacunares aparecem como hipodensidades mal definidas. ■ Quadro crônico - focos hipodensos (semelhantes ao LCR). INFARTOS ESTRIATOCAPSULARES ● Conhecidos como infartos capsulares ganglionares basais ou infartos lenticuloestriados. Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem ● São infartos incomuns que envolvem o núcleo caudado, o putâmen e o membro anterior da cápsula interna, sem qualquer envolvimento do córtex. ● São causados por uma oclusão parcial ou total da artéria cerebral média proximal. AVC HEMORRÁGICO ● Pode se manifestar como hemorragia subaracnoidea ou hemorragia cerebral. ○ Hemorragia subaracnoidea ■ É um tipo de hemorragia intracraniana extra-axial. ■ Ocorre quando há extravasamento de sangue para o espaço subaracnoideo, geralmente por ruptura de aneurisma intracraniano. ■ Pode ocorrer também por malformações arteriovenosas. ■ É extremamente grave, levando à morte em 32-67% dos casos. ■ Acomete principalmente a artéria comunicante anterior, a artéria comunicante posterior e a artéria cerebral média. ■ Os pacientes tendem a ter idade mais avançada, geralmente com menos de 60 anos. ■ Fatores de risco: ● História familiar. ● Hipertensão. ● Consumo aumentado de álcool. ● Tecido conjuntivo anormal (ex. doença renal policística autossômica dominante, doença de Ehlers-Danlos tipo IV, síndrome de Marfan e neurofibromatose tipo 1) ● Sexo feminino. ● Ascendência africana. ● Descendência japonesa ou finlandesa. ■ Quadro clínico: ● Geralmente, o quadro se apresenta como uma dor de cabeça insuportável, com trovoadas, de início súbito. ● Frequentemente associado a fotofobia e meningismo. ● Em mais da metade dos pacientes, está associado ao colapso e à diminuição ou perda de consciência. ■ Escala de Hunt e Hess - descreve a gravidade da hemorragia subaracnoidea, sendo usada como preditor de sobrevida. ● Grau 1 ○ Dor de cabeça assintomática ou mínima e leve rigidez no pescoço. ○ 70% de sobrevivência . ● Grau 2 ○ Dor de cabeça moderada a grave, rigidez do pescoço, sem déficit neurológico, exceto paralisia do nervo craniano. ○ 60% de sobrevivência. ● Grau 3 Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem ○ Sonolência e déficit neurológico mínimo. ○ 50% de sobrevivência. ● Grau 4 ○ Torpor, hemiparesia moderada a grave, possivelmente rigidez descerebrada precoce e distúrbios vegetativos. ○ 20% de sobrevivência. ● Grau 5 ○ Coma profunda, rigidez descerebrada, moribundo. ○ 10% de sobrevivência. ■ Escala de Fisher (mais recente: escala Modified Fisher) ● Sistema inicial e mais conhecido para classificar a quantidade de hemorragia subaracnoidea na TC, sendo útil na predição da ocorrência e gravidade do vasoespasmos cerebral (mais alta no grau 3). ● Grau 1 ○ Não subaracnoide (HSA) ou hemorragia intraventricular (IVH) ○ Incidência de vasoespasmo sintomático: 21% ● Grau 2 ○ HSA (1 mm 1 mm de espessura ○ Sem IVH. ○ Incidência de vasoespasmo sintomático: 37%. ● Grau 4 ○ Difusa ou nenhuma HAS. ○ ICH ou IVH presentes. ○ Incidência de vasoespasmo sintomático: 31%. ■ Patologia: ● 3 padrões distintos de hemorragia subaracnoidea foram descritos: ○ Cisterna supra-selar com extensão periférica difusa ○ Cisternas perimesencefáli cas e basais Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem ○ Convexidade cerebral isolada Rompimento de cisterna periencefálica (era para ser preto e está branco) ■ Ruptura de um aneurisma de bagas (aneurisma sacular) ● Resulta em hemorragia subaracnoidea, mas, dependendo da localização da ruptura e presença de aderências ao aneurisma, pode resultar também a hematoma cerebral, hematoma subdural e/ou hemorragia intraventricular ● Formam 97% de todos os aneurismas do SNC. ● Quadro clínico: ○ Dor de cabeça repentina e dolorosa. ○ Mudanças visuais. ○ Dor facial. ○ Convulsões. ○ Distúrbios autonômicos (náuseas, vômito, calafrios, palpitações). ○ Neurologia focal (perda sensorial, fraqueza, perda de memória, dificuldades de linguagem). ○ Meningismos (rigidez nucal, febre, fotofobia). ○ Consciência alterada ● A mortalidade desde a primeira ruptura é de 25-50%, com sangramentos repetidos (complicação comum). ● A cada sangramento recorrente, o prognóstico é agravado. ● Nos primeiros dias após a hemorragia subaracnoidea, há risco aumentado de lesão isquêmica adicional do vasoespasmo reativo da vasculatura circundante. Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem Hematoma intraparenquimatoso ○ Hemorragia cerebral (intraparenquimatosa) ■ Principal forma de AVCh, usualmente associada à hipertensão arterial (principal fator de risco). ■ Causas menos comuns são sangramentos sobrepostos a neoplasias ou ruptura de malformação de vasos. ■ Basicamente, constitui um subconjunto de uma hemorragia intracraniana. Isso pode abranger várias entidades que compartilham o acúmulo agudo de sangue no parênquima do cérebro. ■ A hemorragia intraparenquimatosa é causada pela ruptura de pequenas artérias perfurantes, ocasionando sangramento dentro do parênquima cerebral e provocando edema nas estruturas locais, o que levará à lesão neurológica. ■ Regiões mais frequentes de hemorragia intraparenquimatosa: lobar, núcleos da base, tálamo, ponte e cerebelo. ■ Em qualquer hemorragia intracerebral, os seguintes pontos devem ser incluídos em um relatório, pois têm implicações diagnósticas: ● Localização. ● Tamanho/volume. ● Forma (regular x irregular). ● Densidade (homogênea x heterogênea). ● Presença/ausência de hemorragia intraventricular. ● Presença/ausência de hidrocefalia. ■ Classificado da seguinte forma: ● Localização ○ Hemorragia dos gânglios da base ○ Hemorragia talâmica ○ Hemorragia pontina ○ Hemorragia cerebelar ○ Hemorragia lobar ● Etiologia ○ Infarto venoso hemorrágico ○ Hemorragia hipertensiva ○ Transformação hemorrágica de um infarto isquêmico ○ Hemorragia traumática Hemorragia dos gânglios da base (sobretudo o putâmen) ● Forma comum de hemorragia intracerebral. ● Geralmente é resultado de hipertensão prolongada e mal controlada. ○ Outros locais de hemorragia hipertensiva são a ponte e o cerebelo. ○ Nesses locais, hemorragias lobares também são encontradas, mas frequentemente estão mais associadas à angiopatia amiloide. ● Como é o caso das artérias penetrantes nos gânglios da base, as artérias penetrantes da artéria basilar que se estendem até a ponte estão sujeitas à lipo-hialinose como resultado da hipertensão mal controlada. Isso torna a parede do vaso propensa a se romper. Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem ● Leva a uma variedade de alterações patológicas nos vasos: ○ Microaneurismas de artérias perfurantes (aneurismas de Charcot-Bouchard) ■ Aneurismas de pequeno diâmetro (0,3-0,9 mm) que ocorre em artérias de pequeno diâmetro (0,1-0,3 mm). ■ Distribuição que corresponde à incidência de hemorragias hipertensivas (80% lenticuloestriado, 10% cerebelo) ○ Aterosclerose (vasos maiores) ○ Arteriosclerose hialina ○ Arteriosclerose hiperplásica (casos muito elevados e prolongados). ● TC ○ Região de hiperdensidade centrada nos gânglios da base ou tálamo. ○ Pode haver uma extensão para os ventrículos, com o componente parenquimatososendo ocasionalmente muito pequeno ou inaparente. Vaso que sangrou Área branca com halo de edema Área com sequelas de AVC antigo no tálamo Edema decorrente da hemorragia, com presença de desvio da linha média Hemorragia lobar ● É um subtipo de hemorragia intracraniana, que geralmente apresenta prognóstico ruim. ● Hemorragia lobar primária, sobretudo por angiopatia amiloide cerebral, é tipicamente observada em idosos. ● Pacientes mais jovens também podem desenvolver o quadro, mas geralmente há uma lesão subjacente (ex. malformação arteriovenosa cerebral). ● Quadro clínico: ○ Deterioração neurológica aguda, cursando com diminuição da escola de coma de Glasgow. ○ Dor de cabeça pode estar presente. ● Etiologia: ○ Muitas vezes, a causa de uma hemorragia lobar nunca é estabelecida. Quando encontrada, pode variar, incluindo: ■ Angiopatia amiloide cerebral. ■ Hipertensão (primária ou secundária ao uso de drogas, como anfetamina). ■ Aneurisma cerebral (sacular e micótico). ■ Malformação arteriovenosa. ■ Cavernoma cerebral. ■ Tumor cerebral (glioma ou metástase cerebral). ○ Distúrbios hemorrágicos ou coagulopatias. Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem Transformação hemorrágica ● É uma complicação do infarto isquêmico cerebral, que pode piorar o prognóstico. ● Refere-se a dois processos diferentes: ○ Hemorragia petequial ○ Hemorragia intracerebral ● No geral, mais da metade de todos os infartos cerebrais em algum estágio desenvolve algum componente hemorrágico. ● A maioria das transformações hemorrágicas após AVC são hemorrágicas petequiais (89%, enquanto a minoria são hematomas (11%). ● Classificação - ECASS II (Estudo Cooperativo Europeu sobre Acidentes Agudos) ○ Infarto hemorrágico tipo 1 (HI1) ■ Hemorragias petequiais nas margens do infarto. ■ Mais comum. ○ Infarto hemorrágico tipo 2 (HI2) ■ Hemorragias petequiais durante todo o infarto. ■ Nenhum efeito de massa atribuível às hemorragias. ○ Hematoma parenquimatoso tipo 1 (PH1) ■ ≤ 30% da área afetada. ■ Menor efeito de massa atribuível ao hematoma. ○ Hematoma parenquimatoso tipo 2 (PH2) ■ > 30% da zona de infarto. ■ Efeito de massa substancial atribuível ao hematoma. ● Fatores que aumentam o risco de transformação hemorrágica do AVC: ○ Idade. ○ Maior tamanho do infarto. ○ Etiologia do AVC cardioembólico. ○ Uso de anticoagulante. ○ Febre. ○ Hiperglicemia. ○ Colesterol sérico baixo. ○ Pressão arterial sistólica elevada no quadro agudo. ○ Pressão trombolítica ou outra recanalização. Transformação hemorrágica no sulco vascular isquêmico Transformação hemorrágica CASOS Mulher de 50 anos deu entrada no PS com hemiplegia D e perda súbita da consciência. Quadro com duração inferior a 12h. Diminuição súbita da consciência, afasia e rigidez de nuca. Medicina - UFAL - 5º período | Katiane Pinheiro Imagem Infarto recente de parte do território da artéria cerebral média esquerda. Homem de 54 anos com episódio de hipotensão, seguido de pico hipertensivo, durante arteriografia para avaliação de oclusão da bifurcação da aorta (síndrome de Leriche). Instalou-se diminuição da consciência, hemiparesia esquerda, anisocoria, coma, óbito. TC sem contraste feita cerca de 24h após o início do quadro. Afasia e déficit do dimídio D por infarto da artéria cerebral média esquerda. Homem de 78 anos com cefaleia, diminuição da força muscular direita e hemianopsia esquerda. Sugere infarto antigo da artéria cerebral posterior direita (sequela).