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Apostila - Direito Individual do Trabalho (parte II)

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Saldo salarial (se houver);
Férias vencidas acrescidas de 1/3 (§ único, art. 146, CLT).
Obs1: Por força do que dispõe a Convenção 132, da OIT, ratificada pelo Brasil e em vigor desde 1999, o empregado após 6 (seis) meses de trabalho na empresa tem direito a férias (proporcionais) independentemente do motivo do seu desligamento. Como a convenção é posterior à CLT, derrogou as normas desta que com aquela conflitassem. Assim, com fundamento na Convenção 132, da OIT, o empregado que tem mais de 6 (seis) meses de trabalho numa empresa e que venha a ser demitido por justa causa pode pleitear o direito a férias (proporcionais, e sempre acrescidas de 1/3).
Obs2: É vedado ao empregador proceder a anotações desabonadoras na CTPS do funcionário. Nem mesmo o tipo de desligamento deve constar na CTPS; apenas e tão-somente a data. 
1.3. Rescisão Indireta (art. 483 da CLT):
É a chamada justa causa do empregador. Ou seja, se o empregador cometer alguma falta grave prevista em lei (art. 483 da CLT), o empregado poderá dar por rescindido o contrato de trabalho alegando justa causa daquele e recebendo todos os direitos como se dispensado sem justa causa tivesse sido. A tal providência chamamos de rescisão ou dispensa indireta.
Também estão tipificados em lei os casos de Justa Causa do empregador:
a) exigências de serviços superiores às forças do empregado. Ex: imposição à mulher de pesos excessivos para carregar, acima dos permissivos legais (20kg/25Kg);
b) exigência de serviços defesos em lei. Ex: requerer o trabalho de menor em período noturno;
c) exigência de serviços contrários aos bons costumes, ou seja, de serviços ofensivos à moral do empregado (pratica de operações fraudulentas, por exemplo);
d) exigências de serviços alheios ao contrato. Ex.: alteração das funções do trabalhador para passar a realizar serviços para os quais não fora contratado;
e) rigor excessivo contra o empregado. Ex.: Dar seguidamente ordens a um empregado que não são atribuídas aos demais e com o intuito de levá-lo a desistir do emprego;
f) exposição do empregado a perigo manifesto de mal considerável. Ex.: determinação para o empregado realizar tarefas que possam colocar em risco sua integridade física;
g) descumprimento das obrigações contratuais. Ex.: o atraso no pagamento de salários;
h) ofensas à honra do empregado ou sua família;
i) ofensas físicas ao empregado;
j) redução do trabalho por peça ou tarefa de modo a afetar sensivelmente o ganho do empregado.
Obs1.: Nos casos das alíneas “g” e “j” supra, a CLT dá permissão para que o empregado, ao pleitear a rescisão indireta judicialmente, continue trabalhando até o desfecho final da ação.
Obs2.: Verbas Rescisórias devidas:
As mesmas da dispensa sem justa causa (inclusive aviso prévio indenizado)
1.4. Pedido de Demissão, Falecimento do Empregado ou Aposentadoria Espontânea:
Obs.: Verbas rescisórias devidas
saldo salarial (se houver);
férias vencidas acrescidas de 1/3 (se for o caso);
férias proporcionais acrescidas de 1/3 (apenas se o empregado tiver mais de 12 meses de serviço);
13º salário proporcional;
Nota 1: no caso de pedido de demissão de empregado que não tenha sido dispensado do cumprimento do aviso prévio pelo empregador, e desde que não venha o empregado a cumprí-lo por vontade própria, poderá o empregador deduzir de seus haveres a parcela correspondente.
Nota 2: No caso de falecimento do trabalhador, seus haveres rescisórios deverão ser pagos aos seus beneficiários junto ao INSS. Apenas na hipótese de não haver dependentes junto ao INSS é que as verbas rescisórias devem ser pagas aos sucessores do trabalhador segundo a legislação civil.
Nota 3: A despeito do art. 453 (parte final), da CLT dispor que a Aposentadoria deva ser considerada como uma causa de extinção do contrato de trabalho, o E. STF, no final de 2007, assinalou entendimento de que a Aposentadoria não deve mais ser considerada como causa de extinção do contrato de trabalho. Tal posicionamento do E. STF repercutiu no C. TST que editou a OJ 361 (SDI-1) referendando o entendimento da Suprema Corte de que a aposentadoria espontânea não é mais causa de extinção do contrato de trabalho. 
1.5. Situações específicas:
Morte do Empregador – A morte do empregador (empresa individual) não rescinde o contrato de trabalho. É a cessação da atividade empresarial que o faz (nesse caso é devida a indenização – art. 485 da CLT). Se a atividade continuar com os sucessores, o empregado terá a faculdade de, sem ônus, para ele (e nem para a empresa), rescindir o contrato de trabalho (art. 483, § 2º, da CLT);
Factum Principis – quando, por ato do governo, restar impossível a continuidade da atividade do empregador, prevalecerá o pagamento da indenização, p. ex., a dos 40% do FGTS, mas ficará ela a cargo do governo (art. 486, da CLT);
Culpa Recíproca (dupla justa causa – uma de cada parte – art. 484 da CLT) – a indenização será reduzida pela metade (20% do FGTS). Há discussão sobre o direito ao aviso prévio, férias proporcionais+1/3 e sobre o 13º salário (A Súmula nº 14 do TST diz que são devidas pela metade).
1.6. Término do Contrato a Termo (ex: período de experiência)
Obs.: Verbas rescisórias devidas:
saldo salarial (se houver);
férias proporcionais acrescidas de 1/3;
13º salário proporcional;
guias para levantamento do saldo do FGTS;
Nota: se houver ruptura antecipada do contrato por prazo determinado por iniciativa do empregador, este pagará, ainda, uma indenização de metade dos dias que faltavam para o término do contrato (art. 479 da CLT).
2. Prazos para pagamento dos haveres rescisórios (art. 477, §6º, da CLT)
Até o primeiro dia útil imediato ao término do contrato, inclusive, se houver cumprimento do aviso prévio (trabalhado);
Até o décimo dia, a contar da data de notificação da dispensa, quando da ausência do aviso prévio, indenização do mesmo ou dispensa de seu cumprimento.
Obs1: O pagamento fora do prazo dá direito ao empregado a uma multa no valor equivalente a um salário (art. 477, § 8º, da CLT) + 160 BTN’s (hoje UFIR´s) de multa administrativa devida ao Ministério do Trabalho.
Obs2: Dispõe o art. 467, da CLT, que o empregador que não paga as verbas rescisórias incontroversas até a 1ª audiência (em uma ação trabalhista), fica sujeito a pagar ao empregado uma multa extra de 50% do valor daquelas.
3. Forma
Para o empregado com menos de um ano de serviço, o pagamento se dá na própria empresa sem forma específica determinada em lei;
Para o empregado com mais de um ano de serviço, o termo de rescisão contratual, onde consta as verbas devidas, deve ser homologado pelo Sindicato de Classe ou pelo Ministério do Trabalho (art. 477, § 1º, da CLT).
Obs1: Em não havendo na localidade as entidades referidas, a homologação deverá ser feita junto ao Membro do Ministério Público, ou ao Defensor Público, ou na falta destes, perante o Juiz de Paz (art. 477, § 3º, da CLT).
X. SUSPENSÃO E INTERRUPÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO 
1. Introdução
O Contrato de Trabalho está sujeito a causas suspensivas ou interruptivas da sua execução. Na verdade, não é o contrato de trabalho que se suspende ou interrompe, mas a prestação do trabalho pelo empregado, ou ainda melhor esclarecendo, são os efeitos do contrato que são atingidos pela suspensão ou pela interrupção.
2. Diferença entre as duas figuras:
A suspensão se dá quando há a paralisação temporária dos efeitos principais do contrato, não havendo nesse caso: nem o trabalho pelo empregado, nem a obrigação do pagamento de salário (o tempo de serviço, também, e via de regra, não é contado). Há na suspensão a cessação provisória e total dos efeitos do contrato.
A interrupção, contudo, se dá quando, embora não haja a prestação dos serviços, o empregado continua a receber seu salário e o seu tempo de serviço é considerado normalmente. Nesse caso (de interrupção), há cessação provisória e parcial dos