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ECA_comentado

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ou manutenção de criança ou 
adolescente em sua família extensa). Valem aqui as mesmas observações feitas 
ao parágrafo anterior, razão pela qual a intervenção de uma equipe 
interprofissional, que por força do disposto nos arts. 150 e 151, do ECA, deve 
estar à disposição do Juízo, se torna imprescindível.
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93 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 87, incisos VI e 
VII, 92, inciso V e 197-C, §1º, do ECA e art. 1733, caput, do CC. O dispositivo 
encerra um verdadeiro princípio: deve-se procurar preservar os vínculos 
fraternais, ressalvada a comprovada ocorrência de situação excepcionalíssima 
que autorize solução diversa como, por exemplo, no caso de abusos praticados 
por um dos irmãos em relação ao outro. Assim sendo, não mais se deve colocar 
os irmãos em famílias substitutas diversas, o que realça a necessidade de 
investir em políticas destinadas à reintegração familiar e/ou à colocação familiar 
das crianças e adolescentes junto a parentes, que em regra são mais propensos 
a acolher grupos de irmãos, especialmente quando numerosos, sem prejuízo da 
realização de um trabalho de preparação psicossocial dos interessados em 
adotar, que contemple o estímulo à adoção de grupos de irmãos (cf. arts. 50, 
§§3º e 4º e 197-C, do ECA).
94 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 86, 87, incisos VI 
e VII, 88, inciso VI, 92, inciso VIII e 151, do ECA. O dispositivo enaltece a 
importância de realização de um trabalho voltado à efetiva integração da criança 
ou adolescente à família substituta, na perspectiva de que a colocação familiar 
tenha êxito, evitando possível resistência à aplicação da medida ou problemas de 
adaptação daquela ao seu novo lar. Para tanto, é necessária uma articulação 
entre a equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude e 
a equipe técnica responsável pela execução da política municipal de garantia do 
direito à convivência familiar, sem prejuízo da participação também dos técnicos 
a serviço dos programas de acolhimento institucional e familiar que deverão 
integrar tal política. O contido no presente dispositivo deve ser também aplicado 
(por analogia) quando da reintegração da criança ou adolescente afastado do 
convívio familiar à sua família de origem, de modo que haja uma preparação 
adequada e um acompanhamento posterior, devendo-se, em qualquer caso, 
tomar as cautelas e providências necessárias para que a medida surta os 
resultados desejados e que a criança/adolescente cresça num ambiente familiar 
saudável, cercada de amor e cuidados.
95 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide art. 161, §2º, do ECA e 
art. 30, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989. A 
preocupação do legislador foi destinar às crianças e adolescentes indígenas e 
oriundas de comunidades remanescentes de quilombos um tratamento 
diferenciado, que respeite suas peculiaridades (cf. art. 100, caput, do ECA). O 
diálogo e a articulação de ações (cf. art. 86, do ECA) entre os antropólogos e 
técnicos do órgão federal responsável pela política indigenista e a equipe 
interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude é fundamental, 
como forma de evitar ou minorar possíveis traumas decorrentes do afastamento 
da criança ou adolescente do seio de sua comunidade, em razão da diversidade 
cultural existente. A previsão da observância de certas cautelas e princípios 
quando do atendimento de indígenas está também presente em normas 
internacionais, como é o caso da Convenção nº 169/1989, da OIT, de 
27/06/1989, aprovada pelo Dec. Legislativo nº 143/2002, de 20/06/2002 e 
promulgada pelo Decreto nº 5.051/2004, de 19/04/2004. Cumpre observar, por 
fim, que a partir de uma interpretação extensiva do dispositivo, a intervenção de 
antropólogos e as cautelas adicionais nele referidas devem ser também 
observadas quando do atendimento de crianças, adolescentes e famílias 
provenientes de outros grupos étnicos e/ou cuja diversidade cultural assim o 
determine, a exemplo dos ciganos, devendo-se, em qualquer caso, respeitar o 
quanto possível sua cultura e seus costumes, livre de qualquer preconceito ou 
discriminação em razão da origem da família que, nunca é demais lembrar, será 
sempre destinatária de “especial proteção por parte do Estado” (lato sensu), por 
força do disposto no art. 226, da CF.
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96 Vide arts. 215, §1º, 231 e 232, da CF, art. 100, par. único, do ECA e art. 6º, da 
Lei nº 6.001/1973, de 19/12/1973 (Estatuto do Índio). O respeito à cultura e os 
costumes dos povos indígenas e das comunidades remanescentes de quilombos 
passa a ser obrigatório.
97 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 4º, caput (direito 
à convivência comunitária), 28, §3º e 100, caput, do ECA.
98 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 86, 87, incisos VI 
e VII, 88, inciso VI e 151, do ECA.
Art. 29. Não se deferirá colocação em família substituta a pessoa que revele, por 
qualquer modo, incompatibilidade com a natureza da medida ou não ofereça 
ambiente familiar adequado [99] .
99 Vide arts. 50, §§1º e 2º, 167 e 197-C, do ECA. Sobre a matéria: ADOÇÃO. 
FAMÍLIA SUBSTITUTA. ESTUDO SOCIAL CONTRÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DOS 
REQUISITOS LEGAIS (ARTIGOS 29 e 43 DO ECA). DECISÃO CONFIRMADA. 1. 
Para que uma criança seja colocada mediante adoção, em uma família 
substituta, é necessário a rigorosa comprovação dos critérios de compatibilidade 
da pessoa que deseja adotar com a natureza da medida, do ambiente familiar 
adequado, das vantagens para o adotando e da fundamentação calcada em 
motivos legítimos, previstos nos artigos 29 e 43, do ECA, vez que os interesses 
do menor prevalecem sobre a vontade dos adotantes. 2. Não elididos os pontos 
contrários à adoção constantes do estudo social, pelas provas produzidas pelos 
requerentes, deve ser rejeitada a pretensão de colocação da criança na família 
substituta. (TJPR. Rec.Ap.ECA nº 98.2581-2. Rel. Des. Accácio Cambi. Ac. nº 
8346. J. em 08/03/1999).
Art. 30. A colocação em família substituta não admitirá transferência da criança ou 
adolescente a terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamentais, sem 
autorização judicial [100] .
100 Vide arts. 148, caput e inciso III e par. único, inciso I, do ECA. Em outras 
palavras, a colocação de criança ou adolescente em família substituta, em 
qualquer de suas modalidades, é medida de competência privativa da autoridade 
judiciária, não podendo ser aplicada pelo Conselho Tutelar (inteligência do art. 
136, inciso I, do ECA) e muito menos por entidades de acolhimento familiar, que 
embora devam estimular (sempre que esgotadas as possibilidades de retorno da 
criança ou adolescente à família de origem) a integração da criança ou 
adolescente que se encontre inserida em programa de acolhimento institucional 
em família substituta (conforme disposto no art. 92, inciso II do ECA), isto 
somente poderá ser concretizado mediante intervenção da autoridade judiciária 
competente, o que vale inclusive para transferência de crianças e adolescentes 
de uma entidade para outra.
Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida 
excepcional, somente admissível na modalidade de adoção [101] .
101 Vide arts. 50, §10, 51, 52 e 52-A a D, do ECA e art. 4º, alínea “b”, da 
“Convenção de Haia” (Convenção Relativa à Proteção das Crianças e Cooperação 
em Matéria de Adoção Internacional), datada de 1993, assinada e ratificada no 
Brasil, tendo sido promulgada pelo Decreto Legislativo nº 3.087/1999, de 
21/06/1999.
Art. 32. Ao assumir a guarda ou a tutela, o responsável prestará compromisso de 
bem e fielmente desempenhar o encargo, mediante termo nos autos [102] .
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102 Vide art. 170, do ECA. Tal compromisso não é exigido dos adotantes, pois estes 
assumem, pleno jure, a condição de pais dos adotados, com todos os deveres