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CBI of Miami 
 
 
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Estrutura e Funcionamento do Sistema Nervoso Central 
Alessandra Machado 
 
 Ao longo de toda a sua vida o Homem encontra-se em permanente 
relação com o ambiente que o rodeia, onde recebe constantemente inúmeros 
estímulos como variações de luz, temperatura, ruídos, vozes etc. O Homem 
recebe estes sinais, analisa-os, coordena-os e reage, sendo que são os nervos, 
constituídos por neurónios, que lhe permitem a captação destes sinais e sem os 
quais o ser humano não sobreviveria. 
 Por isto, é necessário sabermos detalhadamente a constituição, 
funcionamento e estrutura do sistema nervoso, que engloba o conjunto de todo 
o tipo de neurónios (e consequentemente) e nervos que existem no organismo. 
 O sistema nervoso permite a integração das informações provenientes 
tanto dos receptores sensoriais, que captam estímulos do meio exterior, como 
dos diferentes órgãos do organismo, usando-as para controlar a fisiologia e o 
funcionamento do organismo. Este sistema compreende o Sistema Nervoso 
Central (SNC), constituído pelo encéfalo e medula espinhal, e o Sistema Nervoso 
Periférico (SNP), composto por nervos e gânglios nervosos, que interagem com 
os diferentes órgãos do organismo, funcionando como um meio de ligação entre 
estes e o SNC. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 O encéfalo encontra-se no interior da caixa craniana e entre os vários 
órgãos que o constituem, pode-se destacar o cérebro, o cerebelo, e o bolbo 
raquidiano. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Cérebro: Parte do encéfalo que intervém nas emoções e pensamento 
consciente que se encontra dividido por um sulco longitudinal em dois 
hemisférios cerebrais, cuja superfície apresenta numerosos sulcos que 
desenham circunvoluções, permitindo um aumento significativo da sua área. 
Os dois hemisférios estão ligados, inferiormente, por duas pontes de 
uma substância branca: o corpo caloso e o trígono cerebral, constituídos 
maioritariamente por axónios e células gliais (células não neuronais do sistema 
nervoso central que proporcionam suporte e nutrição aos neurónios), que iremos 
falar mais à frente. A camada exterior de cada hemisfério, conhecida por córtex 
cerebral, é constituída por substância cinzenta, formada por corpos celulares e 
uma grande quantidade de dendrites, sendo aí que o cérebro processa a 
informação. 
 Cerebelo: Parte do encéfalo que coordena os movimentos 
subconscientes. O cerebelo assegura o equilíbrio do corpo e a coordenação dos 
movimentos. E constituído por milhões de neurónios agrupados em duas 
metades, ou hemisférios, e pesa cerca de 10 por cento do peso do encéfalo. O 
 
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cerebelo recebe constantemente informações atualizadas acerca da posição e 
movimentos do corpo. Emitindo sinais para os músculos, controla a postura 
corporal e o equilíbrio dos movimentos. 
Bolbo Raquidiano: Parte inferior do tronco cerebral ligada à espinal 
medula. Controla as funções essenciais à vida, tais como a respiração, o ritmo 
dos batimentos cardíacos e a tensão arterial. Mantém as funções vitais e é o 
ponto em que se entrecruzam muitas fibras nervosas. 
A medula espinhal apresenta-se como uma continuidade do encéfalo fazendo 
parte do sistema nervoso central e encontra-se alojada no interior da coluna 
vertebral. Esta estrutura é crucial para o funcionamento adequado do organismo 
e indispensável à sua sobrevivência, estando protegida pelos ossos da coluna 
vertebral. 
 Tal como o encéfalo, a medula espinal é formada por uma substância 
cinzenta e uma branca. O centro da medula tem forma de borboleta e constitui a 
massa cinzenta. As zonas anteriores contêm os corpos celulares dos neurónios 
motores, que transmitem informações do encéfalo ou da medula espinal para os 
músculos, estimulando o movimento. As zonas posteriores contêm neurónios 
sensitivos, que transmitem as informações sensoriais provenientes de outras 
partes do corpo através da medula espinal até ao encéfalo. A substância branca 
circundante contém fibras nervosas que transportam informações sensoriais do 
resto do corpo para o encéfalo (feixes ascendentes) e colunas que transportam 
impulsos do encéfalo para os músculos (feixes descendentes). 
A medula espinhal tem como principal função a transmissão de sinais 
nervosos entre as diferentes partes do corpo e o cérebro, mas, através dos 
circuitos nervosos que a compõem pode controlar de forma independente os 
mais diversos reflexos do corpo. De uma forma simples, pode-se enumerar três 
principais funções da medula espinhal: 
• Via por onde caminham as informações motoras; 
• Canal para as informações sensoriais no sentido da medula para os 
outros órgãos; 
• Um centro de coordenação de reflexos. 
 
 
 
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 O Sistema Nervoso Periférico é um conjunto de estruturas nervosas 
constituído por nervos e gânglios. Os nervos têm forma de cordões cilíndricos 
mais ou menos espessos, de comprimento variável, de coloração branco-rosada 
e são formados essencialmente por prolongamentos (conjunto do axónio e da 
bainha de mielina) das células nervosas aos quais se chamam fibras 
nervosas. Os nervos são constituídos por conjuntos destas fibras organizadas 
em feixes que, por sua vez, estão revestidos por um tecido onde circulam vasos 
sanguíneos- o tecido conjuntivo. Asseguram a ligação entre os centros 
nervosos e as várias partes do corpo, sendo que as células nervosas, ou 
neurónios, representam a unidade estrutural do sistema nervoso. A sua 
característica mais relevante é a presença de uma ou mais expansões 
protoplasmáticas (prolongamentos) de tamanhos diferentes, que emergem do 
corpo celular propriamente dito, as dendrites e os axónios, essenciais para o 
bom desempenho das funções dos neurónios: a transmissão e recepção de 
impulsos nervosos. 
 
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A unidade básica do sistema nervoso é o neurónio, célula nervosa onde se 
distinguem quatro zonas. O corpo celular, onde se localiza o núcleo e a maior 
parte do citoplasma com as restantes organelas; 
• Dendritos, ramificações citoplasmáticas que recebem o impulso nervoso 
de outros neurónios ou dos órgãos recetores; 
• Axónio, prolongamento citoplasmático e com ramificações terminais que 
conduz o impulso e o transmite a outro neurónio, a uma célula muscular 
ou a uma glândula. 
• As bainhas de mielina, formadas por camadas concêntricas de células 
de Schwann, que permitem a rápida propagação do impulso nervoso nos 
neurónios dos Vertebrados. 
 
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 Em 1786 descobriu-se, através da realização de experiências com 
músculos de rã, que os nervos podem ser estimulados por uma corrente elétrica, 
contudo mais tarde verificou-se que a velocidade do impulso nervoso é 
demasiado baixa para poder corresponder a uma corrente elétrica ao longo da 
fibra nervosa. Posto isto, em 1900 foi sugerido que o impulso nervoso seria 
um fenómeno eletroquímico, envolvendo o movimento de íons através da 
membrana do neurónio. 
Nos neurônios, tal como em outras células do nosso organismo, existe 
uma desigual distribuição de íons negativos e positivos de um e do outro lado da 
membrana plasmática. Essa diferença faz com que a face interna da membrana 
seja negativa e a face externa positiva-membrana polarizada. Esta diferença 
de potencial elétrico denomina-se de potencial de repouso. 
 
 
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 Quando o neurônio é estimulado, a permeabilidade da membrana a certos 
íons é alterada, tornando a sua face interna mais positiva do que a face 
externa- membrana despolarizada. Esta diferença de potencial elétrico 
denomina-se de potencial de ação. 
 
 
 
 
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O potencial de repouso deve-se, principalmente, à diferença de 
concentração de íons positivos de sódio e potássio, dentro e fora da célula, que 
se mantêm através de bombas de sódio e potássio, com consumo de ATP. No 
entanto, na membrana celular, existem canais que permitem a passagem destes 
íons de forma passiva; quando o neurónio está em repouso, estes canais 
encontram-se fechados, abrindo-se quando a célula é estimulada. Atingindo o 
final do axónio, o impulso nervoso passa para outro neurónio ou para uma célula 
efetora. 
 
 
 
 
 As terminações dos axónios estabelecem ligações com as dendrites ou 
com o corpo celular dos neurónios seguintes, sendo que a passagem do impulso 
nervoso de um neurónio para outro faz-se através de sinapses. Esta é uma 
região de contato muito próxima entre a extremidade de um neurónio e a 
superfície de outras células, havendo dois tipos de sinapses: as sinapses 
elétricas e as sinapses químicas. 
 
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Nesse tipo de sinapse (elétrica), há comunicação direta entre as células 
envolvidas e, por isso, a propagação do impulso não é mediada por 
neurotransmissores. 
 A transmissão, neste caso, ocorre devido à junção da membrana de duas 
células, formadas por proteínas denominadas conexões. Esses canais permitem 
a passagem direta de íons inorgânicos e pequenas moléculas solúveis em água 
do citoplasma de uma célula para outra, o que liga as células eletricamente (e 
também metabolicamente). Isto permite que os potenciais de ação se espalhem 
rapidamente de uma célula para a outra, sem a "demora" que ocorre nas 
sinapses químicas. 
Este tipo de sinapse é vantajoso quando a velocidade e a precisão na 
transmissão do impulso são fundamentais. Pode ser verificada, nos vertebrados, 
em células do músculo cardíaco, uma vez que a ligação elétrica sincroniza as 
suas contrações, e dos músculos lisos, responsáveis, por exemplo, pelos 
movimentos peristálticos do intestino. 
 
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 Nas sinapses químicas, o axónio de um neurônio não contata diretamente 
com as dendrites de outro neurónio ou com a célula efetora, criando, assim, um 
pequeno espaço entre este, designado fenda sináptica. 
Quando o impulso nervoso chega à zona terminal do axónio, as vesículas 
contendo neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelos 
neurónios, fundem-se com a membrana da célula pré-sináptica, lançando os 
neurotransmissores na fenda sináptica. A membrana da célula pós-sináptica 
possui receptores específicos para os neurotransmissores, que, ligando-se a 
eles, permitem a alteração da permeabilidade da membrana e a continuidade do 
impulso nessa célula ou o estímulo de um órgão efetor. 
 
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 Canais iônicos são proteínas da membrana celular que formam poros 
aquosos através da mesma, pelos quais passam os íons, do meio 
extracelular para o meio intracelular e vice-versa. Ajudam a estabelecer e 
controlar a diferença de potencial elétrico (gradiente de voltagem) através 
da membrana da célula, permitindo o fluxo de íons pelo seu gradiente 
eletroquímico. Existem dois tipos básico de canais iónicos de permeabilidade 
seletiva: dependentes da voltagem e dependentes do ligante. 
 
 
 
 
Células de Schwann 
 Possuem a mesma função dos oligodendrócitos, no entanto, localizam-se 
ao redor dos axónios, no sistema nervoso periférico. Cada uma destas células 
forma uma bainha de mielina em torno de um segmento de um único axónio, 
contribuindo para a completa transmissão do impulso nervoso; 
diversas citocinas que intervém na defesa das células nervosas e removem os 
restos celulares resultantes de lesões no SNC. 
 
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O Sistema Nervoso Central está relacionado com o recebimento e 
interpretação de mensagens vindas de várias partes do corpo e é constituído 
pelo encéfalo e medula espinal. 
Todo o Sistema Nervoso Central é revestido por três membranas que o 
isolam e protegem, as meninges. 
As meninges são: 
• Dura-máter: É a mais externa, sendo espessa e resistente. Formada por 
tecido conjuntivo rico em fibras colágenas. A sua porção mais externa fica 
em contato com os ossos. 
• Aracnoide: É a membrana intermediária, entre a dura-máter e a pia-
máter. Sua estrutura parece uma teia de aranha, por isso o seu nome. 
• Pia-máter: É a mais interna e delicada, em contato direto com o SNC. 
 
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A aracnoide e a pia-máter são separados pelo líquido cefalorraquidiano ou 
liquor. Ele confere proteção mecânica e amortecimento de choques aos órgãos 
do Sistema Nervoso Central. Ainda oferece nutrientes ao cérebro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O cérebro comanda todas as nossas atividades e sentimentos, tais como 
os movimentos corporais, a memória e nossas emoções. Se somos capazes de 
andar, falar e refletir isso se deve à atuação conjunta de diversas regiões do 
cérebro. Cognição nada mais é, na linguagem mais simples possível, que 
aprendizagem ou processo de aquisição de conhecimento. É a capacidade que 
temos de receber uma informação, processá-la e responder esse estímulo, que 
envolve fatores diversos como o pensamento, a linguagem, a percepção, a 
memória, o raciocínio que fazem parte do desenvolvimento intelectual. 
 
 
 
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Referências Bibliográficas 
 
In F. GRAMAXO, J. Mesquita, A. D. Silva, M. E. Santos, & O. Cruz, BIOLOGIA 
9º ANO - VIDA E SAÚDE. (1987). Porto: BLOCO GRÁFICO, LDA. 
 
In O. Matias, & P. Martins. Porto: BIOLOGIA 10. (2011). Areal Editores. 
 
In REIS, J., P. Lemos, & A. Guimarães, Preparação para o Exame Nacional 
2014 Biologia e Geologia (pp. 117-126) (2014). Porto: Porto Editora, Lda. 
 
CASTRO, Sebastião Vicente de. Anatomia Fundamental. 3ed. São Paulo: 
Makron Books, 1985. 
 
DÂNGELO, José Geraldo; FATTINI, Carlo Américo. Anatomia Humana 
Sistêmica e Segmentar. 2ed. São Paulo: Atheneu, 2001. 
 
FREITAS, Valdemar de. Anatomia – Conceitos e Fundamentos. São Paulo: 
Artmed, 2004.

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