As Miserias Do Processo Penal-FRANCESCO CARNELUTTI
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As Miserias Do Processo Penal-FRANCESCO CARNELUTTI

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Francesco	Carnelutti

AS	MISÉRIAS	DO
PROCESSO	PENAL

Tradução
RICARDO	RODRIGUES	GAMA

1ª	edição
eBook

2013
Campinas/SP

ÍNDICE

Nota	do	Tradutor
Dados	Biográficos	do	Autor
Prefácio	do	Autor
Capítulo	I	–	A	Toga
Capítulo	II	–	O	Preso
Capítulo	III	–	O	Advogado
Capítulo	IV	–	O	Juiz	e	as	Partes
Capítulo	V	–	Da	Parcialidade	do	Defensor
Capítulo	VI	–	Das	Provas
Capítulo	VII	–	O	Juiz	e	o	Acusado
Capítulo	VIII	–	O	Passado	e	o	Futuro	no	Processo	Penal
Capítulo	IX	–	A	Sentença	Penal
Capítulo	X	–	Da	Execução	da	Sentença
Capítulo	XI	–	Da	Libertação
Capítulo	XII	–	Além	do	Direito

NOTA	DO	TRADUTOR

A	presente	 obra	 de	Francesco	Carnelutti	 não	 vem	 estampada	 de	 seu	 conteúdo	 simplesmente	 com	o
contado	com	o	título,	reclamando	a	leitura	dos	primeiros	capítulos	para	tomar	contato	com	a	tentativa	do
autor	 em	 ensinar	 assuntos	 complexos	 para	 o	 homem	 leigo,	 isso	 sem	 deixar	 escapar	 os	 detalhes	 tão
importantes	que	somente	os	doutores	poderiam	ter	acesso.

Além	do	prazer	de	transportar	as	ideias	do	autor	para	o	nosso	vernáculo,	fomos	tomados	pela	voraz
vontade	de	mapear	todos	os	desdobramentos	gerados	com	blocos	de	ideias	constantes	em	cada	um	dos
capítulos.	Verificamos	a	fusão	da	disposição	para	promover	a	tradução	com	a	caminhada	habitual	de	um
leitor,	 ambos	 interessados	 no	 desfecho	 de	 cada	 uma	 das	 histórias	 contadas,	 nas	 lições	 que	 o	 autor
pretendia	 passar	 com	 suas	 reflexões,	 nas	 comparações	 possíveis	 apenas	 para	 um	 exímio	 jurista	 e	 até
mesmo	na	evolução	dos	temas	abordados	genialmente.

A	 estrutura	 do	 poder	 judiciário,	 com	 o	 auxílio	 dos	 advogados	 e	 membros	 do	Ministério	 Público,
apresenta-se	 como	 perfeita,	 montada	 sobre	 a	 mais	 refinada	 técnica	 para	 excluir	 da	 sociedade	 o
criminoso,	faltando	até	consciência	das	dimensões	malignas	da	decisão	que	rompe	todas	as	barreiras	do
cumprimento	da	pena,	marcando	a	pessoa	delinquente	para	sempre.

Na	maioria	 das	 passagens,	 fica	 evidente	 o	 esforço	 do	 autor	 em	 fazer-se	 compreender,	 chegando	 a
retornar	 a	 condição	 de	 criança,	 relatando	 suas	 experiências	 num	 período	 que	 não	 tinha	 envolvimento
algum	com	o	direito.	Na	passagem	pela	maior	parte	de	sua	vida,	uma	vez	que	o	autor	faleceu	oito	anos
depois	de	escrever	a	presente	obra,	as	mazelas	cometidas	pelo	autor	são	exaltadas	para	evitar	que	outras
pessoas	 possam	 assumir	 a	 frieza	 em	 nome	 da	 técnica,	 voltar-se	 à	 fantasia	 por	 puro	 descaso	 com	 a
realidade,	 deixar	 de	 lado	 a	 religião	 em	 nome	 da	 expansão	 nos	 próprios	 conhecimentos,	 afastar-se	 da
simplicidade	para	viver	em	plena	contemplação	à	inutilidade...

As	 falhas	 do	 processo	 penal	 não	 podem	 ser	 superadas	 com	 o	 conhecimento	 científico,	 claramente
porque	a	realidade	dos	fatos	não	pode	encontrar	solução	na	norma	jurídica,	ainda	mais	quando	se	deixa
de	 lado	os	sentimentos	das	pessoas	envolvidas	no	processo	por	 terem	infringido	à	 legislação	penal	ou
como	meio	de	expressar	seus	conhecimentos	mais	profundos...

RICARDO	RODRIGUES	GAMA

DADOS	BIOGRÁFICOS	DO	AUTOR

Francesco	Carnelutti	foi	advogado,	jurista	e	professor	em	Milão,	Catania,	Pádua	e	Roma.
Nasceu	em	Udine	em	1879	e	morreu	em	Milão	em	1965.
Graduou-se	 em	 Pádua	 em	 1900	 e	 tornou-se	 advogado	 no	 ano	 seguinte,	 livre	 docente	 em	 Direito

Comercial	em	1905,	e	professor	de	Direito	Comercial	em	Catania	em	1911,	de	Direito	Processual	Civil
em	Pádua	 em	1915	 e	 em	Milão	 em	1935	 e	de	Direito	Penal	Puro	 em	Milão	 em	1942	 e	 finalmente	de
Direito	Processual	Penal	em	Roma	em	1946.	Quando	completou	75	anos	era	professor	emérito	do	mesmo
ateneu.

Fundou	em	Giuseppe	Chiovenda	a	Rivista	di	Diritto	Processuale	Civil;	e	 foi	 redator	do	projeto	do
Código	Civil	italiano.

Escreveu	 inúmeras	 obras	 sobre	 Direito	 Civil,	 Direito	 Processual	 Civil,	 Direito	 Penal,	 Direito
Processual	Penal,	Direito	Comercial	e	Direito	do	Trabalho.

Em	seus	últimos	anos	escreveu	obras	literárias	de	caráter	filosófico.

PREFÁCIO	DO	AUTOR

A	Voz	de	São	Jorge[1]	é	o	veículo	de	comunicação	do	Centro	de	Cultura	e	Civilidade	da	Fundação
Giorgio	Cini[2],	que	tem	sua	sede	em	Veneza,	cidade	maravilhosa,	naquela	ilha	situada	defronte	à	Praça
de	São	Marcos	e	 ao	Palácio	Ducal[3],	 cuja	 arquitetura	 de	Buora[4],	 de	Palladio[5]	 e	 de	Longhena[6]
hoje	ressurgida	em	seu	antigo	esplendor,	estando	circundado	de	tantas	maravilhas.

O	Centro	propõe-se	a	servir	à	cultura	e	à	civilidade,	ou	seja,	dizendo	de	forma	mais	simples,	o	saber
servindo	 à	 bondade.	 Deveria	 ser	 este	 o	 destino	 do	 saber;	 nem	 sempre	 as	 coisas	 acontecem	 como
deveriam	acontecer.	Também	o	 saber,	para	 citar	um	exemplo,	 como	a	energia	 atômica,	pode	 servir	 ao
bem	ou	ao	mal,	para	tornar	os	homens	piores	ou	melhores,	fazendo-os	erguer	a	cabeça	em	ato	de	soberba
ou	incliná-la	em	ato	de	humildade.

O	que	se	deveria	 fazer	este	ano,	com	tal	objetivo,	é	concluir	algo	em	torno	do	processo	penal.	Um
raciocínio	científico,	à	primeira	vista,	pouco	conveniente	para	uma	conversação	com	o	grande	público,	o
qual,	 especialmente	 no	 rádio,	 tem	 prazer	 em	 se	 divertir.	 Mas	 aqui	 está	 precisamente	 o	 nodo[7]	 da
questão,	 em	 termos	 de	 civilização.	 Divertir-se	 quer	 dizer	 escapar	 da	 vida	 cotidiana,	 a	 qual	 é	 tão
monótona,	 tão	 difícil,	 tão	 amarga,	 tornando	 irresistível	 a	 necessidade	 de	 evasão.	 Não	 estou	 fora	 da
realidade	 ao	 extremo	 de	 não	 reconhecer,	 e	 ainda	 de	 não	 experimentar	 esta	modesta	 necessidade.	Mas
existe	outra	 saída	para	 se	evadir,	 além	da	diversão.	É	a	 saída	oposta;	 e	assim	diz	o	provérbio	que	os
opostos	se	atraem.	Esta	saída	é	o	isolamento.	Ao	término	e	ao	extremo,	não	há	evasão	mais	completa	do
que	 a	 prece,	 que	 é	 a	 forma	 ideal	 do	 isolamento.	 Muitas	 pessoas	 não	 o	 sabem	 por	 que	 não
experimentaram;	mas	aqueles	que	experimentaram	o	conforto	da	oração	sabem	o	que	pensar	da	diversão
e	do	isolamento.

Um	pouco	em	todos	os	tempos,	mas	na	atualidade	cada	vez	mais	o	processo	penal	interessa	à	opinião
pública.	Os	jornais	ocupam	boa	parte	das	suas	páginas	para	a	crônica	dos	delitos	e	dos	processos.	Quem
as	lê,	aliás,	tem	a	impressão	de	que	existem	muito	mais	delitos	do	que	boas	ações	neste	mundo.	A	eles	é
que	 os	 delitos	 assemelham-se	 às	 papoulas	 que,	 quando	 se	 tem	 uma	 em	 um	 campo,	 todos	 delas	 se
apercebem;	e	as	boas	ações	se	escondem,	como	as	violetas	entre	as	ervas	do	prado.	Se	dos	delitos	e	dos
processos	penais	os	jornais	se	ocupam	com	tanta	assiduidade,	é	que	as	pessoas	por	estes	se	interessam
muito;	sobre	os	processos	penais	assim	ditos	célebres	a	curiosidade	do	público	se	projeta	avidamente.	E
é	também	esta	uma	forma	de	diversão:	foge-se	da	própria	vida	ocupando-se	da	dos	outros;	e	a	ocupação
não	é	nunca	tão	intensa	como	quando	a	vida	dos	outros	assume	o	aspecto	do	drama.	O	problema	é	que
assistem	 ao	 processo	 do	mesmo	modo	 com	que	 deliciam	o	 espetáculo	 cinematográfico,	 que,	 de	 resto,
simula	com	muita	frequência,	assim,	o	delito	como	o	relativo	processo.	Assim	como	a	atitude	do	público
voltado	 aos	 protagonistas	 do	 drama	 penal	 é	 a	 mesma	 que	 tinha,	 uma	 vez,	 a	 multidão	 para	 com	 os
gladiadores	 que	 combatiam	 no	 circo[8],	 e	 tem	 ainda,	 em	 alguns	 países	 do	 mundo,	 para	 a	 corrida	 de
touros,	o	processo	penal	não	é,	infelizmente,	mais	que	uma	escola	de	incivilização.

Com	estes	colóquios,	o	que	se	desejaria	é	fazer	do	processo	penal	um	motivo	de	isolamento,	em	vez
de	 sê-lo	 diversão.	 Não	 vale	 fazer	 oposição	 em	 torno	 desse	 processo	 no	 qual	 reúnem	 os	 homens	 da
ciência;	e	não	têm	aqui	o	que	fazer	os	homens	comuns.	Os	juristas,	certamente,	o	estudam	ou,	até	agora,
deveriam	 estudá-lo	 ainda	 melhor	 para	 conseguir	 que	 seu	 mecanismo,	 delicado	 como	 nenhum	 outro,
aperfeiçoe-se;	 este	 é	 um	 problema	 com	muito	mais	 semelhanças	 do	 que	 se	 possa	 crer	 a	 respeito	 dos
problemas	 de
Fernando Scherer fez um comentário
  • Olá Lincoln, boa tarde. Poderia por favor me encaminhar este livro? Preciso urgentemente dele... o e-mail é fernando_sgs@hotmail.com
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