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4. Princípios Constitucionais do Processo.
É preciso retornar um pouco e recordar o que são as normas. A norma pode ser vista sob várias formas,
mas duas são fundamentais: a primeira é que a norma é uma "fórmula abstrata do que deve ser" (DINIZ,
Maria Helena. Dicionário jurídico universitário / Maria Helena Diniz. - São Paulo: Saraiva, 2010. p. 414)
e, a segunda é que a norma é o gênero de onde nascem as espécies normativas regra e princípios. Essa
lição é bem explicada por Araken de Assis quando diz que:
“Os princípios e as regras são espécies do gênero normas. Das regras, que
exigem imperativamente uma conduta (impondo, proibindo ou permitindo),
concretamente cumprida ou não, os princípios se destacam porque, a despeito de
exibirem análoga função retórica-argumentativa (ou prescritiva), representam
normas ‘impositivas de otimização, compatíveis com vários graus de
concretização’, segundo as condições de fato e de direito”. (ASSIS, Araken de.
Processo civil brasileiro, volume I: parte gera: fundamentos e distribuição
de conflitos / Araken de Assis. - São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015.
p. 388/389). 
No entanto, sem ignorar a importância das regras dentro do ordenamento jurídico, é preciso observar que
"no estudo de qualquer ramo do direito, é muito importante pesquisar os seus princípios, visto serem eles o
caminho para alcançar o estado de coisas ideal visado na aplicação do conjunto de normas analisado"
(THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil [livro eletrônico] / Humberto
Theodoro Júnior. – 59. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense, 2018) e, por isso, este tópico e o
seguinte se destinarão ao estudo dos princípios que regem o processo, pois "um princípio é uma norma
que aponta para um estado ideal de coisas a ser promovido, sem, no entanto, indicar os comportamentos
cuja adoção irá contribuir para a promoção gradual desse ideal" (ÁVILA, Humberto. O que é "devido
processo legal"? / Humberto Ávila. RePro, São Paulo: Editora RT, 163/2008). 
Existem muitas formas de conceituar princípio e, por isso, é preciso adotar aquela que se aproxima mais de
uma posição generalizada pela doutrina. Nesse sentido, a melhor compreensão é a de que o princípio
constrói um estado de coisas que anseia acontecer, isto é, "os princípios seriam normas que obrigam que
algo seja realizado na maior medida do possível, de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas do
caso concreto" (THEODORO JUNIOR, Humberto et al., Novo CPC - Fundamentos e Sistematização /
Humberto Theodoro Junior, Dierle Nunes, Alexandre Melo Franco Bahia, Flávio Quinaud Pedron - 2ª ed. -
Rio de Janeiro: Forense, 2015. p. 55) enquanto a regra, de praxe, diz uma conduta que se espera praticada
de determinada forma e não da melhor forma possível. 
Por isso, é possível ver diversas metodologias podem ser invocadas para separar de dentro da norma o
que é uma regra e o que é um princípio, mas a grande diferença compreensível de modo mais prático
possível é que a regra ordena que faça ou deixe de fazer isso ou aquilo, ou seja, espera que as partes
cumpram o contrato de venda e compra onde o vendedor entrega a coisa e o comprador entrega o dinheiro
pela coisa, enquanto que, por sua vez, o princípio se depara com situações não tão claras e espera que em
todas as ações ou omissões das partes existe uma busca por atender o princípio da melhor forma possível
como, no direito civil, o princípio da função social do contrato. 
No Processo Civil não é diferente. Por isso, a grande diferença é que no conflito de regras, uma regra deixa
de ser aplicada, enquanto no princípio a única coisa que se faz é diminuir a intensidade de aplicação do
princípio naquela oportunidade. Melhor dizendo, a regra se depara com os três brocardos latinos (lex
posterior derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali e lex superior derogat legi inferiori), a saber: 
havendo o conflito entre duas regras se averigua se há entre elas algumas hierarquia (a regra superior
derroga a inferior), algum grau de especialidade (a norma especial derroga a norma geral) ou de
anterioridade temporal (a regra mais nova derroga a mais antiga), transcrita no art. 2º e seus parágrafos da
Lei de Introdução das Normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei n° 4.657/42):
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Art. 2o [...] § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o
declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a
matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições
gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei
anterior.
E nesse sentido, correto é o exemplo da jurisprudência: 
Conflito de regras:
“EMENTA: Somente o proprietário pode dispor do bem, inclusive para oferta-lo
como garantia em alienação fiduciária, o que faz do §2º do artigo 1º acrescentado
Decret-Lei 911/69, letra morta, em razão do que rezam os artigos 5º, XXII, da
CRFB e o artigo 1.228 do CCB e por aplicação do princípio lex superior que,
diante do conflito entre normas de diferentes escalões, faz prevalecer a de nível
mais elevado em relação a de nível inferior” (TJMG – Ap. 10024058125626001 –
rel. Antônio Bispo – j. 08.03.2018).
Normas conflitantes: o art. 1º, §2º Dec-Lei 911/69 diz: “§ 2º Se, na data do instrumento de alienação
fiduciária, o devedor ainda não fôr proprietário da coisa objeto do contrato, o domínio fiduciário desta se
transferirá ao credor no momento da aquisição da propriedade pelo devedor, independentemente de
qualquer formalidade posterior.”, enquanto o art. 5º, XXII, da CF88: “é garantido o direito de propriedade;”.
Isto é, o art. 1º, §2º do Dec-Lei 911/69 retira o direito de propriedade que a Constituição (que é a norma
superior) manda proteger, portanto, a regra do decreto deixa de valer. 
Quando dois princípios colidem com o que se faz é uma ponderação, ou seja, avalia-se quem, naquele
momento e caso, deve prevalecer sobre o outro, mas sem tirar do princípio que perde toda a sua validade. 
Conflito de princípios:
“EMENTA: CONFLITO ENTRE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. NEGADO
PROVIMENTO. Em aparente conflito entre princípios constitucionais, cabe ao
intérprete contrabalançá-los, afastando, temporariamente, determinado
princípio com vistas a aplicar aquele que melhor conformar ao caso concreto.
Nega-se provimento ao recurso quando as alegações não são suficientes para
desconstruir os fundamentos da deliberação recorrida”. (TCU -n° 01122320071 –
Rel. Valmir Campelo – j. 01.02.2011).
No exemplo acima, trata-se de uma discussão sobre um aposentadoria concedida a um cidadão e que fora
retirada por se ver faltar recolhimento ao INSS para o período total, por exemplo, faltava ao cidadão
recolher ainda 6 anos ao INSS, mas, mesmo assim, por equívoco, o Poder Público lhe havia dado a
aposentadoria. Revogada a aposentadoria o cidadão argumentou que retirar dele esse direito depois de
concedido violaria a segurança jurídica e, então, a Corte entendeu que não existe princípio absoluto e,
nesse momento, a segurança jurídica deveria ceder ao princípio da legalidade para afastar a aposentadoria
concedida.
Outro exemplo é quando o Código de Processo Civil permite à parte recorrer da decisão, mas, para ganhar
tempo, a parte perdedora resolve recorrer infinitamente sem apresentar novos argumentos. Nesse caso,
colidem com os princípios da Ampla Defesa com a Razoável Duração do processo. Quem deve
permanecer? Se o juiz observar que o recurso é apenas para ganhar tempo (procrastinatório), será lícito ao
juiz afastar temporariamente o direito de recorrer e punir a parte por litigância de má-fé.
E, para o Processo Civil, a má-fé é o melhor exemplo, pois o Código de Processo Civil manteve a tradição
de fixar regras que visem impedir a litigância de má-fé, mas, inovando, trouxe também um princípio da boa-
fé processual, fixando, ao mesmo tempo, regrase princípios para proteger o mesmo comportamento. 
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Para ilustrar:
Regra: “Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes,
de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do
processo: I - expor os fatos em juízo conforme a verdade; II - não formular
pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são destituídas de
fundamento; III - não produzir provas e não praticar atos inúteis ou
desnecessários à declaração ou à defesa do direito; IV - cumprir com exatidão as
decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não criar embaraços à
sua efetivação; V - declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos
autos, o endereço residencial ou profissional onde receberão intimações,
atualizando essa informação sempre que ocorrer qualquer modificação
temporária ou definitiva; VI - não praticar inovação ilegal no estado de fato de
bem ou direito litigioso.” (CPC15 - Lei 13.105 de 2015: Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm).
Princípio: “Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve
comportar-se de acordo com a boa-fé.” (CPC15 - Lei 13.105 de 2015: Disponível
em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm). 
A regra desenha comportamentos exatos como não mentir (mentira deliberada) do art. 77, I, enquanto o
princípio descreve um ideal a ser perseguido como "agir de boa-fé" do art. 5º. Por isso, o Novo Código de
Processo Civil instituiu um rol de princípios que entende por fundamental e imprimindo no seu dever de
aplicação começando pela vinculação direta com os valores, objetivos, princípios e regras escritas na
Constituição, pois "antes, porém, de enfocar os princípios específicos do direito processual civil, é bom
lembrar que, sendo ramo de um organismo maior, que é o direito em sua configuração total, as leis que
regem o processo se apoiam, antes de tudo, nos princípios gerais observáveis em todo o ordenamento
jurídico" (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil [livro eletrônico] / Humberto
Theodoro Júnior. – 59. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense, 2018), ou seja:
Todo o direito hoje ou é direito constitucional (conforme à Constituição) ou
não é direito. (ZANETI JUNIOR, Hermes. A constitucionalização do processo: o
modelo constitucional da justiça brasileira e as relações entre processo e
constituição / Hermes Zaneti Júnior - 2ª ed. - São Paulo: Atlas, 2014. p. 51).
 
4.1. Tutela constitucional do processo (supremacia da constituição):
O primeiro princípio não pode ser chamado de princípio processual porque é, na verdade, o princípio
fundamental de todo o direito brasileiro, pois, "a norma jurídica que produz o poder constituinte é a norma
fundamental" (BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico / Norberto Bobbio; tradução Ari
Marcelo Solon - São Paulo: EDIPRO, 2014. p. 67) e, por isso, a Constituição é o topo, ou, melhor dizendo,
a norma fundamental onde todas as demais normas retiram seus próprios fundamentos e nenhuma norma,
sobretudo o processo civil, pode ignorar objetivos, valores, normas, regras e princípios que estão
esculpidos na Constituição Federal, pois "estamos sustentando, com isso, que a norma processual, que no
momento da sua criação observou princípios constitucionais, não pode ser aplicada além ou aquém do
esperado pela CF" (MONTENEGRO FILHO, Misael. Curso de Processo Civil: de acordo com o Novo
CPC / Misael Montenegro Filho. - 12. ed. - São Paulo: Atlas, 2016. p. 21).
Nesse sentido é bem claro o artigo 1º do Código de Processo Civil:
Art. 1o O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os
valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constituição da República
Federativa do Brasil, observando-se as disposições deste Código. (CPC15 - Lei
13.105/15).
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Portanto, o princípio da tutela constitucional do processo (também compreendido como o princípio da
supremacia da constituição) significa que todos os atos, todas as partes, todas as interpretações e todas as
circunstâncias que possam acontecer dentro do processo devem, sempre, submeter-se ao critério
constitucional e, assim, averiguar se a escolha, a interpretação ou a aplicação do caso concreto buscam
cumprir e fazer valer o Direito Constitucional (principalmente direitos e garantias fundamentais), pois "hoje
os Direitos Fundamentais e suas gerações precisam cada vez mais influenciar todo o ordenamento
brasileiro a fim de que os Direitos Protegidos pela Lei Maior possam ser efetivamente assegurados e
consginar uma evolução concreta e efetiva da sociedade brasileira na luta do sacramento da Dignidade da
Pessoa Humana". (DITÃO, Ygor Pierry Piemonte. Dano Moral Presumido: uma reflexão constitucional /
Ygor Pierry Piemonte Ditão. - São Paulo: LiberArs, 2018. p. 127)
 
4.2. Princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional.
Juntamente com o princípio anterior (tutela constitucional do processo) é um dos princípios fundamentais
para que exista o processo, pois, sem ele, seria possível que o poder judiciário simplesmente
desaparecesse já que o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional tem por finalidade impedir que
se crie obstáculos ao cidadão de ser ouvido por um juiz, cuja previsão se vê tanto na Constituição Federal
(art. 5º, XXXV) quanto no novo Código de Processo Civil (art. 3º) que praticamente repete o teor do art. 5º,
XXXV, da CF.
Art. 5º. [...] XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
ameaça a direito; (CF88), E
Art. 3o Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
(CPC15)
Sua interpretação é complexa e se divide em duas compreensões: (a) a primeira visão é que a constituição
vincula o legislador, então, “a disposição impede a lei de erigir entraves ao exercício do direito à tutela
jurídica do estado” (ASSIS, Araken de. Processo civil brasileiro, volume I: parte geral: fundamentos e
distribuição de conflitos... op. Cit. P. 395) e, (b) noutro viés, vincula o Poder Judiciário como medida de
não lhe autorizar recusar casos pela simples interpretação de que o pedido é impertinente. No segundo
caso bom exemplo é o seguinte: 
“EMENTA: PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DO PODER JUDICIÁRIO. À luz
do princípio da inafastabilidade do poder judiciário, ainda que descabido,
inoportuno ou desnecessário o pedido, não pode o magistrado se afastar da
prestação jurisdicional” (TRT 12ª Região n° 0000417-45.2012.5.12.0010 - 3ª
Turma – Rel. José Ernesto Manzi – dje. 13.02.2014).
Além desse ponto (que o juiz não pode negar julgar o caso por achar irrelevante, insignificante ou
desarrazoado o pedido) existe ainda, é claro, o dever de propiciar ferramentas de acesso como o art. 98 do
CPC15, pois se a questão econômica não receber cuidado, poderá transformar o tribunal em um tribunato
dos patrícios (tribunal da Roma Antiga em que somente uma elite especial poderia participar) ofende a
inafastabilidade da jurisdição por impedir o acesso ao Judiciário às pessoas em condições econômicas
menos favoráveis, da mesma forma como consolidou a Súmula 667 do STF “Viola a garantia constitucional
de acesso a jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa”.
No entanto, como todo princípio, a inafastabilidade da jurisdição não é absoluta e tem exceções como o art.
217, §1º CF88: “O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas
após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei.” e o Art. 1º, Parágrafo Único da
Lei n° 7.347/85: “Não será cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam tributos,
contribuições previdenciárias,o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de
natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente determinados.”.
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O legislador confirmou o compromisso firmado pelo ordenamento jurídico em ofertar ao indivíduo não
apenas prestação jurisdicional de cunho repressivo, mas também a prevenção a qualquer ameaça ou lesão
a direito.
 
4.3. Princípio do juiz natural.
Duas são a previsões constitucionais que garantem o princípio do juiz natural, a saber: (a) "ninguém será
processado nem sentenciado senão pela autoridade competente" (Art. 5º, LIII, da CF88), bem como (b)
"não haverá juízo ou tribunal de exceção" (art. 5º, XXXVII, da CF88) que, de uma maneira, bem simples, é
uma ferramenta de controle para evitar manipulação do Poder Judiciário, pois "o juiz natural, enquanto juiz
pré-constituído e definido segundo critérios legais de competência, é um mecanismo eficiente para permitir
que o acusado não seja julgado por um juiz parcial, evitando a manipulação dos poderes do Estado para
atribuir um caso a um órgão jurisdicional específico" (BADARÓ, Gustavo. A garantia do juiz natural:
predeterminação legal do órgão competente e da pessoa do julgador / Gustavo Badaró - RBCCRIM,
vol. 112, São Paulo: Editora RT, jan-fev. 2015). 
O princípio do juiz natural proíbe a existência dos Tribunais de Exceção, que são juízos criados para julgar
fatos já ocorridos, com parcialidade, para prejudicar ou beneficiar alguém (frequente em regimes
ditatoriais). Assim, a cláusula do juiz natural representa a garantia de que alguém somente será condenado
por órgão jurisdicional preexistente ao ato praticado por essa pessoa, vale dizer, por órgão judicante pré-
constituído, proibindo a constituição de órgão ex post facto, sendo consequência do Estado de Direito.
A Constituição ainda, em decorrência do juiz natural, para que o magistrado não seja influenciado,
internamente ou externamente, contemplou a magistratura com as garantias da vitaliciedade,
inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos.
Não devemos confundir juízo natural e juízo especializado, pois o último indica a existência de órgãos
jurisdicionais dotados de competência específica (em contraposição à competência comum), como é o caso
da Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral e Justiça Militar, mas já previstos anteriormente para julgar matéria
específica na lei.
Também não se deve confundir juízo de exceção e prerrogativa de foro, que se constitui em razão da lei,
levando em conta certo interesse público, define a competência do órgão jurisdicional segundo o foro como,
por exemplo, ações em face da União perante a Justiça Federal; ação de alimentos no foro do domicílio do
alimentando; ação de separação ou anulação de casamento no foro da residência da mulher; julgamento
do Presidente da República nos crimes de responsabilidade pelo Senado Federal, etc..., pois em todos
esses casos o Juízo é preexistente ao fato.
Portanto, o princípio do juiz natural se traduz no seguinte conteúdo: a) exigência de determinabilidade,
consistente na prévia individualização do juízes por meio de leis gerais; b) garantia de justiça material
(independência e imparcialidade dos juízes); c) fixação de competência absoluta, vale dizer, a existência de
critérios objetivos para a determinação de competência dos juízes; d) observância das determinações de
procedimento referentes à divisão funcional interna, ficando vedado o mecanismo de substituição,
designação e convocação de juízes pelo Poder Executivo, tarefa reservada exclusivamente ao Judiciário,
em virtude do princípio do autogoverno da magistratura.
 
4.4. Princípio do devido processo legal.
Art. 5º (...) LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o
devido processo legal; (CF88)
O devido processo legal (due process of law) é o direito ao processo, que não pode ser entendido somente
como uma simples ordenação dos atos, através de qualquer procedimento; este há de realizar-se em
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contraditório, cercando-se de todas as garantias necessárias para que as partes possam sustentar suas
razões, produzir provas, influir sobre a formação do convencimento do juiz, legitimando o exercício da
função jurisdicional. Seu elo essencial é a compreensão prévia de regras do jogo que delimitem o como
será procedida a averiguação da verdade processual.
Princípio fundamental do processo, sobre o qual todos os outros se sustentam (super princípio). Configura
gênero do qual todos os demais princípios constitucionais são espécies. É preciso compreender que "O
devido processo legal, no Estado Democrático de Direito, jamais poderá ser visto como simples
procedimento desenvolvido em juízo. Seu papel é o de atuar sobre os mecanismos procedimentais de
modo a preparar e proporcionar provimento jurisdicional compatível com a supremacia da Constituição e a
garantia de efetividade dos direitos fundamentais." (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de direito
processual civil [livro eletrônico]... op. cit. idem).
Do Princípio do devido processo legal decorre, por exemplo: contraditório e ampla defesa (art. 5º, LV,
CF88); igualdade processual (art. 5º, I, CF88); publicidade das decisões (Art. 93, IX, CF88); dever de
motivar as decisões (art. 93, IX, CF88); inviolabilidade do domicílio (art. 5º, XI, CF88). Na área processual
penal vemos ainda: presunção de não culpabilidade do acusado (Art. 5º, LVIII, CF88); indenização por erro
judiciário e prisão que supere os limites da condenação.
Um bom exemplo pode ser retirado da jurisprudência:
EMENTA: PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. [...] A decisão agravada
foi baseada na jurisprudência desta Corte, a qual entende pela possibilidade de
bloqueio de ativos financeiros via BACENJUD, apenas quando o executado for
validamente citado e não pagar nem nomear bens à penhora, sob pena de
violação ao princípio do devido processo legal” (STJ – AgInt no REsp 1.485.018).
Sem entrar no mérito se a dívida existia ou não, ou, ainda, se é correto ver o devedor aproveitar-se das
formalidades da Lei, a decisão acima do STJ (Superior Tribunal de Justiça) é um claro exemplo da
supremacia do princípio do devido processo legal, pois é inaceitável, no Estado Democrático de Direito, que
qualquer um seja surpreendido com ataques ao seu patrimônio sem ser claramente conhecedor do
processo que contra ele existe. 
 
4.5. Princípio do contraditório e da ampla defesa.
O princípio constitucional do contraditório e o da ampla defesa repousa na impossibilidade de restrição da
participação ativa e contraditória das partes e ainda na produção de ampla defesa.
O referido princípio está previsto tanto na CF88 quanto no CPC15:
Art. 5º . [...] LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
meios e recursos a ela inerentes; (CF88)
Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício
de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos
deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo
efetivo contraditório. (CPC15)
Art. 9º Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja
previamente ouvida. (CPC15)
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em
fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se
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manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
(CPC15)
É a imposição legal de audiência bilateral, ou seja, a necessidade de o juiz, caso tenha ouvidouma das
partes, também ouvir a outra, traduzindo-se na imposição legal de dar conhecimento da ação (ao réu) e de
todos os atos processuais às partes, e de assegurar-lhes a possibilidade de reagir juridicamente aos atos
que lhes forem desfavoráveis (ciência bilateral dos atos contrariáveis); Esse princípio não deve, todavia, ser
interpretado como uma exigência de que os litigantes se manifestem, efetivamente, acerca dos atos e
termos do processo, mas sim lhes seja concedida a oportunidade para essa manifestação.
O Princípio da Ampla Defesa e do Contraditório era vistao "tradicionalmente [...] formado por dois
elementos: informação e possibilidade de reação" (NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito
processual civil - volume único / Daniel Amorim Assumpção Neves - 8ª ed. - Salvador: JusPodivm, 2016.
p. 115), ou seja, conhecer a situação e poder manifestar-se imediatamente sobre ela, mas, com o Novo
CPC15 essa forma tradicional ganhou mais um relevo que foi a vedação, isto é, proibição de decisões
surpresas, "o entendimento resta consagrado pelo art. 10 do Novo CPC e em outros dispositivos legais.
Segundo o dispositivo mencionado, nenhum juiz, em qualquer órgão jurisdicional, poderá julgar com base
em fundamento que não tenha sido objeto de discussão prévia entre as partes, ainda que as matérias
devam ser conhecidas de ofício pelo juiz" (NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito
processual civil - volume único... op. cit. p. 118). 
É possível ver a Ampla Defesa e o Contraditório em pelo menos 6 situações, conforme ensina Araken de
Assis (2015, p. 427):
(a) tempo razoável para defender-se (art. 335);
(b) defensor técnico (art. 341, parágrafo único do CPC15 e art. 1º Lei 8.906/94);
(c) participar de todos os atos do processo mesmo como simples espectador, salvo se causa risco ao
processo (art. 385, §1º);
(d) ser chamado para se defender sempre (art. 9º e 10);
(e) direito de usar os remédios processuais sem ser punido por isso (art. 5º);
(f) direito de entender o que acontece como a necessidade de intérprete para estrangeiro ou língua dos
sinais (art. 162).
Deve-se frisar que "por um lado, o contraditório legitima, democraticamente, o desfecho do processo [...]
por outro lado [...] o contraditório efetivo e real é o único meio de as partes contrabalançarem os vastos e
ilimitados poderes atribuídos ao órgão judiciário na direção material do processo" (ASSIS, Araken de.
Processo civil brasileiro, volume I: parte geral: fundamentos e distribuição de conflitos... op. Cit. P.
421), mas "o direito ao contraditório não comporta supressão, mas pode ser diferido por razões
técnicas" (ASSIS, Araken de. Processo civil brasileiro, volume I: parte geral: fundamentos e
distribuição de conflitos... op. Cit. P. 421), como nos casos de (a) tutela provisória de urgência ou
evidência (arts. 300 e 311); (b) art. 1.023, §2º do CPC, em hipótese de Embargos de Declaração só se
chama a outra parte se os EDCL tiverem força ou aptidão para afetarem a decisão, isto é, caráter
infringente; (c) art. 330, indeferimento de plano.
O contraditório se aplica a todo e qualquer tipo de processo, inclusive nos processos que permite a
concessão de liminares. O fato de o juiz poder conceder medida liminar sem audiência do réu, não
configura uma transgressão a este princípio, pois tal situação se dá justamente é para evitar que o réu,
sendo citado, torne a medida ineficaz, ou na própria demora do provimento jurisdicional, acabe frustrando
os objetivos desta, aliado ao fato de que o contraditório será estabelecido posteriormente (contraditório
diferido).
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Ademais, existem situações, como bem ensina Araken de Assis (2015, p. 427), que limitam o exercício da
defesa ou que são exceções à regra de ampla defesa e contraditório sempre e a qualquer custo, como, por
exemplo: (i) defesa técnica obrigatória: a parte junta contestação ela mesma (o juízo deve nomear
defensor); (ii) art. 507, fazer no prazo (não praticado no tempo devido perde o direito de fazê-lo); (iii) art.
341, dever de contestar não exercido corretamente (dever de impugnar todos os argumentos do adversário)
e art. 374 fatos que independem de prova (não se prova o dia do ano e que o sol existe); (iv) causa
excepcionais: procedimentos que não têm a amplitude de prova e atuação como a regra geral (art. 398
prazo de 5 dias); (v) possibilidade de substituição do debate oral por memorial.
 
4.6.Princípio da inadmissibilidade de provas ilícitas.
A utilização de prova ilícita é expressamente proibida por dispositivos contidos tanto na Constituição
Federal quanto no Código de Processo Civil que seguem:
Art. 5º [...] LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios
ilícitos; (CF88)
Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como
os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar
a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente
na convicção do juiz. (CPC15)
O tema é controvertido. Pois a compreensão das provas ilícitas abrange discussões maiores quanto ao que
se entende por ilicitude da prova e, ainda, se depara com uma maior complexidade trazida pelo CPC15
com a inclusão de locuções como "moralmente legítimos", fazendo-se difícil exemplificar de uma maneira
abstrata para todos os casos o que seria uma prova aceitável ou não e, por isso, a análise sempre deverá
levar em consideração o caso concreto escolhido. 
Nelson Nery Junior esclarece: "A prova é ilegal quando ofende o ordenamento jurídico como um todo (CF,
leis e princípios), que se trate de ofensa material ou processual. A prova será ilícita quando sua proibição
for de natureza material, vale dizer, quando tiver sido obtida ilicitamente." (NERY JUNIOR, Nelson.
Constituição Federal comentada e legislação constitucional / Nelson Nery Junior, Rosa Maria de
Andrade Nery. - 6ª ed. - São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2017. p. 269). No entanto, infelizmente,
tal conceito por sua evidente tecnicidade acaba por ser de difícil compreensão e, com isso, é aconselhável
replicar as lições de Araken de Assis que traz uma divisão mais empírica ao conhecimento das provas:
"(a) ilicitude material, em que a prova é obtida mediante ato contrário ao direito
(v.g., invasão de domicílio, quebra de sigilo epistolar e do segredo profissional,
subtração de coisa, captação clandestina de sons e imagens, constrangimento
pessoal); (b) ilicitude formal, em que, originalmente lícito o procedimento de
obtenção da prova, o vício ocorre no momento da produção da prova (v.g.,
depoimento de testemunha impedida)" (ASSIS, Araken de. Processo civil
brasileiro, volume I: parte geral: fundamentos e distribuição de conflitos...
op. Cit. P. 476).
Para exemplificar, no primeiro caso, ilicitude materail, toda a construção da prova está contaminada como é
o caso de prova obitida por meio de invasão de domicílio, furto ou ameaça, enquanto no segundo caso,
ilicitude formal, a contaminação é interna e não perceptível a olho nu, pois parece ser toda válida, porque a
prova foi obtida por um meio lícito (um contrato, por exemplo), mas seu fundo era ilícito como é o caso de
depoimento de testemunha impedida que ninguém sabia que o era. 
No Brasil os Tribunais costumeiramente adotam a Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada (fruits of the
poisonous tree). Tal teoria sustenta que a prova obtida mediante violação de norma jurídica contaminará
todas as outras provas obtidas a partir daquela. Essas provas são consideradas ilícitas por derivação.
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Embora o texto constitucional proíba a utilização no processo de provas obtidas por meio ilícitos, a doutrina
se manifesta de forma bastante controvertida, sendo que vem ganhandoforça uma corrente intermediária,
que se denomina modernamente de princípio da proporcionalidade.
Esta corrente defende que a ilicitude do meio de obtenção de prova seria afastada quando, por exemplo,
houver justificativa para a ofensa a outro direito por aquele que colhe a prova ilícita. É o caso, por exemplo,
do acusado que, para provar sua inocência, grava clandestinamente conversa telefônica entre outras duas
pessoas.
 
4.7. Princípio da presunção de inocência.
Em conjunto com as demais garantias constitucionais, o princípio da presunção da inocência, relacionado
principalmente com o processo penal, garante ao acusado pela prática de uma infração penal um
julgamento justo partindo do pressuposto de que o mesmo é inocente enquanto não sobrevier decisão
transitada em julgado que lhe impute, por meio do devido processo legal, prova em contrário. 
A CF88 apresenta o princípio da presunção de inocência no artigo 5º, LVII:
Art. 5º [...] LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de
sentença penal condenatória;
O princípio da presunção de inocência é um dos princípios basilares do Estado Democrático de Direito, e
visa tutelar a liberdade pessoal, pois cabe ao Estado provar a culpabilidade do indivíduo, que é
constitucionalmente presumido inocente. Sua importância ganhou relevância recente em casos envolvendo
a prisão do ex-presidente Inácio Lula da Silva cuja jurisprudência do STF mostrou-se instável até consolidar
nas ADC 43, 44 e 54, o seguinte entendimento estabelecendo a supremacia da presunção de inocência e
afastando a possibilidade de prisão em segunda instância:
"Decisão: O Tribunal, por maioria, nos termos e limites dos votos proferidos,
julgou procedente a ação para assentar a constitucionalidade do art. 283 do
Código de Processo Penal, na redação dada pela Lei nº 12.403, de 4 de maio de
2011, vencidos o Ministro Edson Fachin, que julgava improcedente a ação, e os
Ministros Alexandre de Moraes, Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia, que a
julgavam parcialmente procedente para dar interpretação conforme." (ADC 43 -
 STF). 
O instituto da inocência presumida é, portanto, garantia fundamental e instituto essencial ao exercício da
jurisdição imparcial, e, por incrível que pareça, pode influir no processo Civil como no seguinte caso:
“EMENTA: PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA. VIOLAÇÃO. 1. A
jurisprudência dessa Corte é firme no sentido de que viola o princípio da
presunção de inocência a negativa homologar diploma de curso de formação de
vigilante com fundamento em inquéritos ou ações penais sem trânsito em julgado”
(STF AgRg no ARE 943.503).
 
4.8.Princípio do duplo grau de jurisdição.
Por mais que a tecnologia tenha progredido - como nos recentes casos do Tribunal de Justiça do Estado de
São Paulo em utilizar inteligência artificial para encontrar jurisprudência mais rapidamente aplicável ao caso
- o julgamento é feito por seres humanos dotados de concepções pessoais, pré-conceitos próprios, religião
e posicionamento político que influenciam sempre seu modo de ver o mundo e, tanto por tais pontos como
pelo simples fato de serem seres humanos, são passíveis de erro. 
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Por isso, a parte que não obteve a satisfação de sua pretensão pode provocar um novo exame de seu
pedido por um órgão jurisdicional diverso sustentando, em apertadíssima síntese, a factível hipótese o juízo
ter errado. Portanto, esse princípio prevê a possibilidade de revisão, por via de recurso, das decisões
proferidas, garantindo, assim, um novo julgamento, por parte dos órgãos da jurisdição superior.
Isto é, "em linhas gerais, o duplo grau de jurisdição remete o operador à possibilidade de a parte vencida,
através do recurso competente, obter um novo julgamento da causa (reexame), preferencialmente por
órgão hierarquicamente superior, através de decisão que supere e substitua a decisão anterior.
Divergências à parte, é disso que se fala quando se cogita sobre duplo grau de jurisdição" (TEIXEIRA,
Guilherme Puchalski. Análise fragmentada do duplo grau enquanto regra de direito / Guilherme Puchalski
Teixeira. - RePro - vol. 158, pp 337-362 - abr., 2008São Paulo: Editora RT, 2008).
A origem desse princípio encontra-se na história do homem que insatisfeito com o resultado obtido e sua
busca por uma decisão que seja conforme a sua pretensão e, ainda, ao fato da possibilidade do julgador
falhar em sua interpretação, deixando, porém, séria discussão se seria ou não um princípio constitucional.
De um lado, há quem veja o princípio na CF de maneira implícita nos artigos 5º, 102, 105 e 108, enquanto,
por sua vez, outros entendem ser apenas um princípio informativo, ou seja, infraconstitucional. No entanto,
a corrente majoritária sobre o caráter constitucional do duplo grau de jurisdição ganhou mais força com a
AP 470 quando o STF assentou o entendimento de caber Embargos Infringentes em ações penais
originárias da Suprema Corte:
"O Ministro Celso de Mello votou pelo cabimento dos embargos infringentes nas
ações penais originárias sob competência do STF: 'Tenho para mim, na linha do
voto que proferi em 2 de agosto de 2012, que ainda subsistem no âmbito do
Supremo Tribunal Federal, nas ações penais originárias, os embargos
infringentes a que se refere o artigo 333, inciso I, do regimento interno da Corte,
que não sofreu no ponto, segundo entendo, derrogação tácita ou indireta da
superveniente edição da lei 8.038/90" (MIGALHAS, STF decide pelo cabimento
dos infringentes no mensalão. - Disponível
em: https://www.migalhas.com.br/quentes/186669/stf-decide-pelo-cabimento-dos-
infringentes-no-mensalao - Acesso em: 22.03.2020). 
Por força disso, é melhor o posicionamento de defende o duplo grau de jurisdição como um princípio
constitucional, respeitadas as posições divergentes. 
 
4.9.Princípio da publicidade.
Este princípio é bem ilustrado pela filosofia, quando Kant em A Paz Perétua escreveu que "todas as ações
relativas ao direito de outros homens cuja máxima não se conciliar com a publicidade são injustas" (KANT,
Immanuel, 1724-1804. À paz perpetua / Immanuel Kant; tradução Marco Zinano – Porto Alegre, RS:
L&PM, 2016. P. 76).
No sentido mais simples: fazer escondido é a prova de que fazes algo contra a lei. O referido princípio é
escrito no art. 93, IX, da CF88 e no art. 11 do CPC15:
Art. 93 [...] IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a
lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus
advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à
intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à
informação; (CF88)
Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. (CPC15)
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Parágrafo único. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a
presença somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do
Ministério Público. (CPC15)
A publicidade do processo constitui verdadeiro instrumento de controle da atividade dos órgãos
jurisdicionais tanto pelas partes envolvidas como pela sociedade, pois a garantia em tela justifica-se na
exigência política de evitar a desconfiança popular na administração da justiça. De modo que a publicidade
é aquela que permite o acesso, na realização dos atos processuais, não só das partes, mas ainda do
público em geral.
Contudo, sempre é frisante que nenhum princípio é absoluto, e, por isso, é necessário destacar a existência
de exceção que vem prevista no parágrafo único do art. 11 em relação aos casos que demandam o
segredo de justiça. Essa exceção existe em virtude de outroprincípio: a dignidade da pessoa huamana e a
intimidade, para que, assim, preservem-se a intimidade da pessoa sem ver sua vida no mais íntimo
expostas em todo o território nacional.
Coerente com tal enunciado, o artigo 189 dispõe que:
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de
justiça os processos:
I - em que o exija o interesse público ou social;
II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação,
união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes;
III - em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade;
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral,
desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante
o juízo.
 
4.10.Princípio da fundamentação das decisões judiciais.
Princípio esculpido, igualmente ao da publicidade, nos artigos 93, IX, da CF88 e no art. 11 do CPC15, diz: 
Art. 93 [...] IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a
lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus
advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à
intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à
informação; (CF88)
Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. (CPC15)
Parágrafo único. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a
presença somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do
Ministério Público. (CPC15)
"A fundamentação da sentença é elemento essencial não só para o processo, mas também para toda a
sociedade, que diante dos fundamentos ganha condições de saber se o Judiciário age com imparcialidade
e se suas decisões são fruto da lei ou do arbítrio do prolator" (RODRIGUEZ, Victor gabriel. Argumentação
jurídica: técnicas de persuasão e lógica informal / Víctor Gabriel Rodriguez. - 6ª ed. - São Paulo: Editora
WMF Martins Fontes, 2015. p. 40).
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Possui ainda este princípio estreita ligação com os postulados do regime democrático do Estado de Direito,
que repugna a possibilidade de decisões judiciais arbitrárias, trazendo consequentemente a exigência da
imparcialidade do juiz, a publicidade das decisões judiciais, passando pelo princípio constitucional da
independência do magistrado, que pode decidir de acordo com a sua livre convicção, desde que motive as
razões de seu convencimento.
O CPC não admite pronunciamento judicial despido fundamentação, mas isso todos os Códigos
praticamente repetiram. Então, qual seria a grande inovação do Novo CPC? É que no Novo CPC a visão
simplista de fundamentação formal é superada por uma fundamentação material em que é capaz de "tornar
as decisões judiciais intersubjetivamente controláveis a partir de um método adequado de interpretação e
aplicação do Direito" (MARINONI, Luiz Guilherme. Novo curso de processo civil: teoria do processo
civil, volume I / Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart, Daniel Mitidiero. - São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2015. p. 138). 
Por isso, o CPC15 instituiu regras mais específicas e detalhadas para aferir e averiguar se a decisão
proferida pelo juiz é fundamentada ou não, pois compreendeu que:
O CPC/2015 deu especial destaque ao modo como deve ser fundamentada a
decisão judicial, seja no sentido de resposta àquilo que tiveram afirmados as
partes, como manifestação do princípio do contraditório (cf. art. 489, §1º, IV do
CPC/2015), seja ao dispor sobre o modo como o juiz demonstra como
compreendeu os fatos,a través das provas (cf. arts. 371 e 479 do CPC/2015),
seja sobre o modo como apreendeu o sentido da norma (cf. art. 489, §1º, I a III, e
§2º, do CPC/2015) e a interpretou, à luz do que se vem decidindo, na
jurisprudência (cf. art. 489, §1º, V e VI do CPC/2015). (MEDINA, José Miguel
Garcia. Direito Processual Civil Moderno / José Miguel Garcia Medina. - 2ª ed. -
São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016. p. 136).
Em apertadíssima síntese, a fundamentação é o local onde todos nós podemos averiguar se o juiz
respeitou todos os demais princípios como a supremacia da constituição, a inafastabilidade da
jurisdição, da ampla defesa e do contraditório e, por isso, é tão importante ao processo. Por isso, o CPC15
institui um rol mínimo para analisar se a decisão é fundamentada ou não:
Art. 489. São elementos essenciais da sentença:
I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a
suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas
no andamento do processo;
II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito;
III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe
submeterem.
§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela
interlocutória, sentença ou acórdão, que:
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem
explicar sua relação com a causa ou a questão decidida;
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto
de sua incidência no caso;
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em
tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;
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V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta
àqueles fundamentos;
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado
pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a
superação do entendimento.
Para compreender melhor, é importante buscar um exemplo prático:
EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO - INVENTÁRIO - CONSTRIÇÃO DE
BENS DO ESPÓLIO - DECISÃO NÃO FUNDAMENTADA - NULIDADE. -
Consoante o disposto no art. 93, inciso IX, da CF, bem como no art. 11 do CPC, é
nula a decisão judicial não fundamentada, pelo que deve ser declarada a nulidade
da decisão que, no curso do inventário, determina o bloqueio das matrículas dos
bens imóveis do espólio sem expor os fundamentos fáticos e jurídicos da medida
constrititva. (TJGM - AI 10342020283376003 - Rel. Adriano de Mesquita Carneiro
- j. 07.02.2019). 
No exemplo acima, a decisão reformada limitou-se a dizer "defiro o bloqueio das matrículas até deliberação
deste juízo" sem explicar às partes qualquer razão que justificasse a medida, mostrando-se como uma
decisão fundada na vontade arbitrária do juízo e, por isso, inconstitucional. Esse exemplo serve a todos os
demais do art. 489, §1º do CPC15, de modo que não basta citar artigo de lei (I), como o juiz que impõe
penhora citando apenas o art. 835 do CPC, usar palavras comuns ou expressões de imponência (II) como
o juiz que fundamenta sua decisão na dignidade da pessoa humana sem explicar como ela se aplica ao
seu caso, apresentar decisão modelo que cabe para qualquer processo (III), que ignorar algum argumento
importante (IV), que fundamenta sua decisão numa súmula (V) mas ignora o dever de demonstrar o como
essa súmula cabe no caso em concreto, ou, ainda, (VI) quando resolve não seguir precedente, mas se
nega a explicar a distinção dos casos. 
De uma maneira geral, se espera do Judiciário que as decisões tornem claro o posicionamento adotado e
pela racionalidade persuada a parte sucumbente, pois uma decisão mal-fundamentada é uma das grandes
razões pelas quais os recursos não cessam de acontecer. Uma decisão fundamentada permite o controle
de todos e,ainda, inibe recursos desnecessários quando a parte derrotada vê que tudo que poderia utilizar
foi devidamente rebatido.
 
4.11. Princípio da Isonomia (igualdade material):
Dentro de um processo ninguém deve ter privilégios ou ser perseguido de uma forma mais dura que a outra
parte. A ninguém é dado gozar de privilégios ou obstáculos que não sejam fundados em normas racionais e
claras, de modo que a fortuna, o cargo ou a importância midiática que uma pessoa tenha não seja
elemento capaz de mudar a rota do processo ou o como procederá esse ou aquele juiz, pois sacramentou
a Constituição Federal que:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza [...]
(CF88)
E acrescentou O CPC15:
Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício
de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos
deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo
efetivo contraditório. (CPC15).
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Mas a igualdade é algo bem mais complexo do que dar às partes as mesmas oportunidades e, no
desenvolver da história, se conceberam duas formas de ver a igualdade: (a) a formal, onde todos são
iguais perante a Lei, e; (b) material, em que as desigualdades existentes entre as pessoas são
reequilibradas pela Lei. Assim, "o preceito magno da igualdade, como já tem sido assinalado, é norma
voltada que para o aplicador da lei quer para o próprio legislador. Deveras, não só perante a norma posta
se nivelam os indivíduos, mas, a própria edição dela assujeita-se ao dever de dispensar tratamento
equânime às pessoas" (MELLO, Celso Antônio Bandeira de. O contéudo jurídico do princípio da
igualdade / Celso Antônio Bandeira de Mello. - 3ª ed. - São Paulo: Malheiros Editores, 2014. p. 09).
No processo, então, se revigora o princípio aristotélico de que "o juiz, então, reestabelece a igualdade"
(ARISTÓTELES, Ética à Nicômaco / Aristóteles; tradução Torrieri Guimarães. - 5ª Ed. - São Paulo: Martin
Claret, 2011. p. 107), onde é preciso ver que "nessas situações, a lei processual aplicou e incorporou o
princípio da isonomia ao seu texto, estampado na CF. É que o citado princípio significa que partes iguais
(do ponto de vista processual e/ou econômico) devem ser igualmente tratadas; partes desiguais devem ser
tratadas desigualmente" (MONTENEGRO FILHO, Misael. Curso de direito processual civil: de acordo
com o novo CPC... op. cit. p. 28). 
Por isso, a regra é tratamento igual a todos: prazos, custos, direito de fala, manifestação e acesso. Todavia,
para que a igualdade saia da simples linha formal e atenda seu critério material, existem situações
excepcionais em que são dados tratamentos desiguais para igualar pessoas desiguais. 
Por exemplo, em um processo há uma disputa processual entre uma Multinacional fabricadora de veículos
contra Joãozinho (pessoa simples, analfabeta que adquiriu o veículo depois de muito custo e trabalho como
servente de pedreiro). O veículo, infelizmente, estava com defeito, então, Joãozinho, sem recursos foi até a
defensoria público e conseguiu um defensor. 
Nesse caso o art. 186, do CPC15 instituiu a regra de que "a Defensoria Pública gozará de prazo em dobro
para todas as suas manifestações processuais". Por quê? Simples, porque sem isso a defensoria pública
que é responsável por defender o interesses de todas as pessoas que não têm condições de arcarem elas
mesmas não teria condições de defender adequadamente Joãozinho, pois cuida de milhares de
"joãozinhos" em todo o país. 
Nesse mesmo exemplo, tem-se ainda outro problema de caráter econômico: custas processuais. No caso
hipotético, por causa do defeito no veículo, Joãozinho viu seu filho Pedrinho falecer em um acidente
automobilístico e, então, acionou a fornecedora para reclamar danos materiais e morais em valores
significativos em vista de tamanha perda. No entanto, todo processo tem custas e encargos (como os
honorários do perito). Então, o CPC15 para não deixar a dificuldade econômica ser um obstácul de acesso
à Justiça instituiu o art. 98, do CPC15 cristalizando que "a pessoa natural ou jurídica, brasileira ou
estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários
advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei". 
Ainda nesse mesmo exemplo, Joãozinho não tem condições de provar, pois além das questões de perícia,
depende de participação e fornecimento de material da outra parte que Joãozinho é incapaz pessoal e
economicamente de providenciar. Então, o CPC15 no art. 373, §1º, fixou uma possibilidade de mudar a
regra de ônus da prova para equilibrar a disputa tão desigual neste caso, dizendo que: "§ 1º Nos casos
previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva
dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato
contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão
fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi
atribuído."
Existem outros exemplos, como o prazo em dobro do Ministério Público (art. 180, do CPC15), o prazo em
dobro da União, Estados, DF e Municípios (art. 183, do CPC15) ou o litisconsorte com patronos diferentes
(art. 229 do CPC15), mas todos retratam exceções que não violam a igualdade, mas otimizam-na
praticando igualdade material e igualando os desiguais na lide, no conflito processual e estabelecendo uma
igualdade de armas.
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Conclusivamente:
"Vale dizer que a aplicação da igualdade depende de um critério diferenciado e de
um fim a ser alcançado. Dessa constatação surge uma conclusão, tão importante
como menosprezada: fins diversos levam à utilização de critérios distintos, pela
singela razão de que alguns critérios são adequados á realização de
determinados fins; outros, não. Mais do que isso: fins diversos conduzem a
medidas diferentes de controle. Há fins e fins no Direito. [...] Os sujeitos devem
ser considerados iguais em liberdade, propriedade e dignidade" (ÁVILA,
Humberto. Teoria dos Princípios: da definição à aplicação dos princípios
jurídicos / Humberto Ávila. - 15ª ed. - São Paulo: Malheiros Editores, 2014. p.
193).
Não se põe numa corrida golfinho contra um leopardo, ambos na água, mas golfinho contra golfinho
(ambos na água) e leopardo contra leopardo (ambos na terra). Isso é igualdade. 
 
4.12. Razoável duração do processo e celeridade:
O tempo é valioso, pois "o homem está sujeito á passagem do tempo. Ele nasce, cresce, fica velho e
morre. Seu tempo é escasso. Precisa economizá-lo como economiza outros fatores escassos" (MISES,
Ludwig von. Ação Humana. / Ludwig von Mises. - São Paulo: Instituo Ludwig von Mises Brasil, 2010. p.
135). Por isso "já denunciava Sun Tzu que uma guerra longa demais é dura para todos" (DITÃO, Ygor
Pierry Piemonte. Dano Moral Presumido: uma reflexão constitucional... op. cit. p. 12), e, um processo longo
é uma tortura mesmo àquele que se utiliza do tempo para postergar o cumprimento de uma obrigação, uma
vez que já é velha a reclamação da humanidade quanto a morosidade dos processos, posto que "Quem
suportaria [...] as delongas da lei [...] podendo, ele próprio, encontrar seu repouso com um simples punhal?"
(SHAKESPEARE, William. Hamlet. / William Shakespear; tradução Millôr Fernandes. - Porto Alegre: L&PM,
2010, p. 67).
Por isso, equilibrando com outros princípios como a Ampla Defesa, Contraditório e Devido Processo Legal,
a razoável duração do processo e celeridade, emergem-se como o direito das partes de alcançarem uma
decisão que produza uma "solução integral do processo, incluída a atividade satisfativa" (NEVES,Daniel
Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil - volume único... op. cit. p. 142), pois "Ainda que
afinal se reconheça e proteja o direito violado, o longo tempo em que o titular, no aguardo do provimento
judicial, permaneceu privado de seu bem jurídico, sem razão plausível, somente pode ser visto como uma
grande injustiça" (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil [livro eletrônico]...
op. cit. idem).
Seus grandes exemplos são os arts. 300, 311, 355 e 356 do CPC15 (além de outros como indeferimento de
plano da Petição Inicial ou o provimento ou improvimento de plano de recurso pela Relator), em que se tem
a possibilidade, no art. 300, do CPC15, antecipar ou acautelar medidas e pedidos em vista de risco,
urgência ou perigo de dano, bem como de antecipar, também, ou acautelar por força de notoriedade, isto é,
evidência (conforme art. 311, do CPC15). Já os arts. 355 e 356, do CPC15, dispensam a necessidade de
realização de provas inúteis (a parte que requer oitiva de testemunha para provar que é casada, mas já
tinha nos autos certidão de casamento) para que se decida imediatamente, no mérito, a favor ou contra
pontos que já estão bem provados ou seja matéria de direito.
28/05/2024, 10:58 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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