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11 Mauricio Kitamura GINECOLOGIA INCONTINÊNCIA URINÁRIA 2 SUMÁRIO INCONTINÊNCIA URINÁRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 INCONTINÊNCIA URINÁRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 1. Anatomia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 2. Fisiologia da micção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 2.1. Enchimento vesical . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 2.2. Micção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 3. Mecanismos da continência urinária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 4. Etiologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 5. Incontinência urinária de esforço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 6. Incontinência urinária de urgência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 7. Fatores de risco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 8. Avaliação clínica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 8.1. Exames complementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 9. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 9.1. Incontinência urinária de esforço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 9.2. Incontinência urinária de urgência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 9.3. Incontinência urinária mista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Mapa mental . Incontinência urinária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 3 INCONTINÊNCIA URINÁRIA O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u A anamnese é fundamental na avaliação dos quadros de perda urinária. u As 2 formas mais importantes são: incontinência urinária de esforço e de urgência. u Sobre os exames complementares, saiba interpretar um estudo urodinâmico. u Na terapêutica, focar nas medidas gerais e também nas específicas de cada uma das incontinências. INCONTINÊNCIA URINÁRIA Para a incontinência, muitas vezes, temos um diag- nóstico clínico, mas os exames complementares auxiliam bastante. Além do quadro clínico, é preciso saber interpretar um estudo urodinâmico. Incontinência Urinária (IU) é definida como qualquer perda de urina, e prejudica grandemente a qualidade de vida das pessoas, gerando constrangimento, limitação da interação social, problemas cutâneos, internações e distúrbios psicológicos. Deve ser ativamente investigada e tratada. BASES DA MEDICINA Para entender melhor as incontinências urinárias, preci- samos recordar a fisiologia da micção e a anatomia do assoalho pélvico que está envolvida nos mecanismos de continência. 1. ANATOMIA BASES DA MEDICINA A bexiga é um órgão muscular oco, que é revestido inter- namente por epitélio transicional denominado urotélio. Externamente a ele, encontram-se a lâmina própria, que na bexiga é uma camada rica em tecido conectivo com abundância de fibras elásticas, e as camadas muscular lisa e adventícia. A camada muscular é chamada de mús- culo detrusor, constituído por fibras, que se organizam na forma de uma malha complexa, conferindo à bexiga complacência, ou seja, a capacidade de aumentar de volume, sem apresentar aumento de pressão importante durante o enchimento vesical, mas que também permite que a contração da bexiga seja harmônica, para o esva- ziamento adequado. importância/prevalência Incontinência urinária Ginecologia 4 2. FISIOLOGIA DA MICÇÃO BASES DA MEDICINA A bexiga funciona como reservatório para armazenamento e eliminação periódica da urina. Para que essas funções ocorram adequadamente, é necessário que o músculo detrusor relaxe e haja aumento coordenado do tônus esfincteriano uretral durante a fase de enchimento da bexiga – e o oposto durante a micção. A coordenação das atividades da bexiga e do esfíncter uretral envolve a interação entre os sistemas nervosos central e periférico e os fatores regulatórios locais e é mediada por vários neurotransmissores. O músculo detrusor apresenta duas porções distintas com base nas diferenças regionais de sua inervação simpá- tica: 1) a porção localizada acima dos orifícios ureterais, denominada corpo vesical, que compreende sua maior parte; e 2) a base, que incorpora o trígono e o colo vesical. A bexiga e a uretra são inervadas por 3 tipos de fibras: u Simpáticas: originam-se no segmento toraco- lombar da medula, de T10 a L2, e direcionam-se através da cadeia simpática ao plexo hipogástrico superior (pré-aórtico). A subdivisão caudal desse plexo forma o nervo hipogástrico, que contém os eferentes pós-ganglionares simpáticos para a bexiga e a uretra. u Parassimpáticas: originam-se de neurônios loca- lizados nos segmentos S2 a S4 da medula, sendo conduzidas através de fibras pré-ganglionares pelo nervo pélvico até os gânglios no plexo pél- vico. Este localiza-se lateralmente ao reto e dá origem às fibras parassimpáticas pós-ganglio- nares, que se dirigem à bexiga. u Somáticas: originam-se no núcleo de Onuf, loca- lizado no corno anterior de um ou mais segmen- tos da medula espinhal sacral (S2-S4) e inervam o esfíncter uretral através dos nervos pudendos, sem conexão com gânglios periféricos. Sobre as vias aferentes, estas partem de receptores na bexiga e na uretra, dirigem-se ao plexo pélvico, de onde partem para a medula, através dos nervos pélvico, hipogástrico e pudendo. Na medula, fazem sinapse no corno dorsal, de onde seguem para o tronco encefálico e para o Centro Pontino da Micção (CPM), que é a via final comum para motoneurônios da bexiga, localizados na medula espinhal. A micção depende de um reflexo espino-bulbo-es- pinal liberado pelo CPM, que recebe influências, na maior parte inibitórias, do córtex cerebral, do cerebelo, dos gânglios da base, do tálamo e do hipotálamo. 2 .1 . ENCHIMENTO VESICAL BASES DA MEDICINA Nessa fase, ocorre a ativação de receptores que mandam sinais aferentes ao cérebro, onde são processados no centro pontino da micção. Isso desencadeia a ativação dos neurônios simpáticos, que atingem a bexiga e a uretra através do trígono e do colo vesical, liberando noradre- nalina para estimular os receptores beta-adrenérgicos no detrusor, promovendo o relaxamento da musculatura lisa da bexiga. A noradrenalina também ativa receptores alfa-1-adrenér- gicos no colo vesical e uretra, promovendo contração da musculatura lisa e aumento da resistência uretral. Os neurônios somáticospartem de S2 a S4, formam os nervos pudendos, de controle voluntário, liberam acetilcolina, que age sobre receptores nicotínicos na musculatura estriada da uretra, principalmente no seu terço médio, contribuindo com aumento da resistência uretral. Enquanto ocorre o enchimento vesical, os neurô- nios parassimpáticos estão inibidos. 2 .2 . MICÇÃO BASES DA MEDICINA No momento da micção, após o relaxamento esfincteriano uretral, os neurônios parassimpáticos são estimulados e liberam acetilcolina na placa neuromuscular das fibras do músculo detrusor, provocando sua contração através dos receptores muscarínicos M2 e M3 (o M2 ocorre em maior número, mas a ação é predominante através do M3). Incontinência urinária 5 3. MECANISMOS DA CONTINÊNCIA URINÁRIA BASES DA MEDICINA À medida que a bexiga enche, as fibras aferentes paras- simpáticas levam impulsos por vias dos nervos pélvicos até as raízes sacrais S2-S4, chegando ao centro da micção sacral. Aqui, os impulsos sobem e são enviados até a ponte, onde existem áreas capazes de inibir ou excitar o centro da micção sacral. Durante as primeiras fases do enchimento da bexiga, a contração do detrusor é inibida pela descida de impulsos inibitórios até o centro sacral. Quando ocorre o aumento do volume, a descarga dos receptores da parede da bexiga aumenta, transmitindo seus impulsos ao córtex cerebral, de modo que o desejo seja percebido conscientemente. Assim, o córtex é tam- bém incluído na inibição do detrusor. Além disso, a eferência simpática por meio dos nervos hipogástricos, T10-L2, reduz a contratilidade da bexiga e aumenta a pressão uretral. A contração voluntária dos músculos do assoalho pélvico associa-se a esse meca- nismo retentor. Quando a decisão de urinar é tomada, impulsos eferentes descendentes são liberados, causando inibição do nervo pudendo, de modo que o assoalho pélvico e o esfíncter externo relaxem. Esse relaxamento provoca a inibição dos impulsos simpáticos, permitindo a contração do detrusor (reduz o estímulo beta-adrenérgico) e diminuindo a pressão de fechamento do colo da bexiga e da uretra (encerra o estímulo alfa-adrenérgico). Imediatamente, o córtex e o centro pontino estimulam o centro sacral e, por meio da ação dos nervos parassimpáticos eferentes (S2 a S4), provocam a contração do detrusor. A pressão vesical supera a uretral e a micção é realizada. 4. ETIOLOGIA As perdas urinárias podem ocorrer via uretral ou extrauretral, sendo as primeiras muito mais fre- quentes. As perdas extrauretrais ocorrem por fístulas uriná- rias; por exemplo, vesicovaginais, ureterovaginais e uretrovaginais. DICA Nas questões que envolvem fístulas urinárias, sempre há o antecedente de algu- ma cirurgia prévia como a histerectomia. As perdas uretrais são divididas em 2 tipos prin- cipais: Incontinência Urinária de Esforço (IUE) e Incontinência Urinária de Urgência (IUU), mas podem ocorrer simultaneamente, quando chamamos de incontinência urinária mista. 5. INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO Também chamada de incontinência urinária de estresse, genuína ou anatômica. Sua definição é muito simples: extravasamento de urina precipitado por esforço, que pode ser desde um espirro até um exercício físico. Afeta de 4% a 35% da população feminina e costuma ocorrer em mulheres mais jovens, entre 45 e 50 anos, quando comparado à incontinência urinária de urgência. É dividida de acordo com suas etiologias em IUE por hipermobilidade do colo vesical e por deficiência esfincteriana intrínseca. BASES DA MEDICINA Há estruturas anatômicas da pelve que apoiam o colo vesical e uretral e, assim, auxiliam na continência urinária: W Ligamentos pubouretrais. W Vagina e sua fáscia lateral. W Arco tendinoso da fáscia pélvica. W Músculos levantadores do ânus. Durante os momentos em que há aumento da pres- são intra-abdominal, como tosse, espirro, atividade física, além dos mecanismos de continência já Incontinência urinária Ginecologia 6 descritos, há uma contração da musculatura do assoalho pélvico, que traciona a uretra em direção à parede pélvica anterior, aumentando a oclusão uretral. Quando há suporte insuficiente da uretra e do colo vesical, há hipermobilidade da uretra, que pode causar perda urinária aos esforços. Além disso, pode haver disfunção do próprio esfínc- ter, o que diminui a pressão de fechamento uretral nos momentos em que há elevação da pressão intra-abdominal. Essa disfunção é causada por perda intrínseca do trofismo da mucosa e do tônus muscular da uretra, que normalmente a mantém fechada. Pode resultar de lesões neuromusculares associadas a partos, a cirurgias pélvicas ou a incon- tinência prévias ou ainda da hipotrofia associada à deficiência estrogênica da pós-menopausa. Pode ocorrer em associação à hipermobilidade uretral. 6. INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE URGÊNCIA É definida como a perda urinária involuntária pre- cedida de sensação de forte desejo de urinar, com necessidade de esvaziar a bexiga imediatamente no momento da urgência. A principal causa é a síndrome da bexiga hiperativa, caracterizada pelos sintomas de urgência urinária com ou sem incontinência de urgência, geralmente acompanhada de aumento na frequência miccional e noctúria, sem causa local ou metabólica. Outras causas são a baixa complacência, atonia, a bexiga neurogênica e a polaciúria associada a quadros de cistite. 7. FATORES DE RISCO Identificamos como fatores de risco para IU os seguintes: u Idade. u Gestações e partos, principalmente partos vagi- nais, ainda mais em casos de uso de fórcipe ou de fetos macrossômicos. u Condições que aumentam cronicamente a pres- são abdominal: sobrepeso e obesidade, DPOC e outras causas de tosse crônica, obstipação intestinal. u Qualidade do colágeno (tabagismo, por exemplo, diminui sua síntese), características familiares e/ou genéticas. 8. AVALIAÇÃO CLÍNICA Na anamnese, é importante caracterizar especifica- mente em que situações ocorrem as perdas e a sua quantidade. Pela clínica, pacientes que apresentam perda urinária apenas aos grandes esforços, como correr, saltar, levantar peso ou até ao tossir e espirrar (que cursam com aumento abrupto e importante da pressão intra-abdominal), costumam ter como etiologia a hipermobilidade do colo vesical. Enquanto isso, pacientes com perdas aos mínimos esforços, como mudar de decúbito, tendem a ter deficiência esfincteriana intrínseca. Incontinência urinária 7 Fluxograma 1. Classificação. Incontinência urinária de esforço Classificação Incontinência urinária de urgência Incontinência urinária mista Incontinência urinária por transbordamento Polaciúria Noctúria Perda urinária precedida de urgência miccional Ausência de perda urinária durante o esforço Perda urinária durante o esforço Ausência de urgência miccional Perda urinária de pouca quantidade Perda urinária por esforço associada à urgi-incontinência Obstrução da saída da bexiga Inatividade do músculo detrusor Fonte: Sanarflix. DIA A DIA MÉDICO Frequentemente, as perdas por esforço, sem contrações vesicais associadas, são em gotas, enquanto a perda de todo o conteúdo da bexiga no momento ou logo após o esforço está mais associada a contrações involuntárias desencadeadas pelo esforço e ocorrem em pacientes com Incontinência urinária de urgência. Diversos outros dados devem ser obtidos na história e necessidade de uso de absorventes, interferência do problema na qualidade de vida, antecedentes obstétricos e ginecológicos, doenças neurológi- cas prévias ou concomitantes, cirurgias pélvicas, antecedente de radioterapia, status hormonal e tratamentos anteriores para IU. Quanto ao exame físico, além do exame ginecoló- gico completo, incluindo avaliação de prolapsos e do trofismo das mucosas, deve ser feita inspeção dinâmica em busca de perda urinária à Valsalva e durante a tosse, o que tem grande valor preditivo positivo. Incontinência urináriaGinecologia 8 Além disso, deve ser realizado exame neuro-uroló- gico básico, que inclui avaliação da sensibilidade perineal e anal, do reflexo bulbocavernoso e do tônus do esfíncter anal, que nos permite ter uma ideia da integridade das vias neurológicas responsáveis pela inervação dos órgãos e do assoalho pélvico. Sobre a avaliação de mobilidade uretral, pode ser feita de algumas maneiras: u Avaliação do ponto Aa do POP Q ao exame físico pode denotar hipermobilidade da uretra. u Ultrassonografia do assoalho pélvico, que é um método de investigação não invasivo, ainda em análise quanto à eficácia e à aplicação, mas que pode auxiliar no diagnóstico de uretra fixa e de hipermobilidade uretral. u Teste do cotonete ou Q-tip test: insere-se um cotonete embebido com gel anestésico na ure- tra, até a junção uretrovesical. Após a inserção, solicita-se que a paciente realize Manobra de Valsalva. Se a variação da angulação entre a po- sição de repouso do cotonete e a posição após o esforço for maior que 30º, constata-se uma pos- sível hipermobilidade, provavelmente por falha no suporte anatômico da uretra. Esse teste tem caído em desuso na prática clínica, pois, além de desconfortável para a paciente, apresenta grande variação inter e intraobservador, apesar de ser um teste classicamente usado em provas. DIA A DIA MÉDICO Na prática, a avaliação da hipermobilidade do colo vesical é difícil e costuma ser indireta, através da avaliação do Ponto Aa do POP Q, ponto que fica na parede vaginal anterior, a 3 cm da carúncula himenal. No entanto, muitas vezes, a hipótese de IUE por hipermobilidade do colo vesical é feita só com a história clínica, pois os métodos de avaliação são falhos, e sua presença, sem queixa de incontinência urinária, não tem importância clínica. Algumas pacientes têm dificuldade para caracterizar as perdas urinárias; nesses casos, deve-se utilizar o Diário Miccional, que mostra objetivamente o volume de líquido ingerido e o volume urinado. Consiste em uma tabela em que a paciente anota toda a ingestão hídrica ao longo do dia e seus horá- rios e as micções, o volume urinado, sensações de urgência e os episódios de incontinência urinária, por urgência ou por esforço. Deve ser preenchido preferencialmente por 48h-72h e é tão importante no diagnóstico quanto no seguimento das pacientes. Figura 1. Inervação do trato urinário. Simpático Parassimpático Pudendo Ureter Corpo da bexiga Trígono vesical Colo vesical (uretra posterior) Esfíncter externo Fonte: periyanayagam/Shutterstock.com¹. Incontinência urinária 9 8 .1 . EXAMES COMPLEMENTARES Devem ser realizados com alguns objetivos: excluir alterações como hematúria e infecção do trato urinário, que podem mimetizar os sintomas da incontinência urinária de esforço e de urgência; caracterizar objetivamente as perdas urinárias. Os exames que podem ser solicitados são: u Urina tipo 1 e urocultura. u Pad test: utilizado principalmente como ferra- menta de estudos clínicos, permite detecção e quantificação de perda urinária sem definir a causa da incontinência urinária. Pesa-se um ab- sorvente seco e coloca-se na paciente. Então, ela ingere 500 mL de líquido, sem eletrólitos. Após uma série de atividades por 60 min, como subir e descer lances de degraus, sentar-se, tossir, re- move-se o absorvente para pesá-lo. Aumento de peso maior que 1 g confirma o diagnóstico de IU. É pouco utilizado na prática clínica. u Avaliação do resíduo pós-miccional: recomen- dada na avaliação inicial de IU e no seguimento após tratamento. O resíduo pode ser mensurado por ultrassonografia ou por cateterismo vesical e deve ser avaliado várias vezes devido às varia- ções que podem ocorrer. u Estudo urodinâmico: deve ser realizado somen- te após afastarmos infecção do trato urinário, e a paciente deve ter urocultura negativa antes do exame. DIA A DIA MÉDICO A investigação inicial de qualquer paciente com queixas de incontinência urinária, independentemente da etiologia, requer urina tipo 1 e urocultura e avaliação do resíduo pós-miccional. Fluxograma 2. Diagnóstico. Diagnóstico Estudo urodinâmico Diário miccional Sumário de urina Anamnese Exame Físico Urocultura Fonte: Sanarflix. BASES DA MEDICINA O estudo urodinâmico contém 3 etapas: W Fluxometria: paciente urina espontaneamente, sem uso de sonda. É a medida do fluxo urinário expressa em mL/s. Possibilita a construção de gráficos que retratam o ato miccional da paciente. W Um fluxo em curva tipo sino é considerado normal, já picos intermitentes ou ausência de pico podem representar alguma obstrução. Incontinência urinária Ginecologia 10 Figura 2. Curva de fluxometria. Fonte: Acervo Sanar. Após urinar espontaneamente, a paciente é sondada para avaliação do resíduo miccional e cistometria. u Cistometria: paciente é sondada via vesical e via retal/vaginal. Dessa maneira, são avaliadas a pressão intra-abdominal e a pressão intrave- sical durante o enchimento vesical. W A pressão do detrusor é calculada como a dife- rença entre a pressão intravesical e a pressão abdominal (avaliada pela sonda retal/vaginal): Pdetrusor = Pvesical – Pabdominal É infundido soro fisiológico, preferencialmente aquecido e em velocidade de 20-30 mL/min, até 200-250 mL, quando se solicita que a paciente faça Manobra de Valsalva e tussa, para avaliar perda urinária e as pressões em que ocorreram. Caso não haja perda nesse momento, o enchimento é retomado até a capacidade cistométrica máxima (momento em que a paciente refere forte desejo de urinar), e as manobras provocativas são repetidas. Nessa fase, o normal é que não sejam observadas contrações vesicais ou perdas urinárias. u Estudo miccional: nesse momento, permitimos que a paciente inicie a micção, e é possível avaliar a fase de esvaziamento vesical e contratilidade do músculo detrusor. DIA A DIA MÉDICO O estudo urodinâmico é útil para avaliação do esvazia- mento vesical, bem como da pressão de perda e da pre- sença de contrações involuntárias. Não é recomendado como avaliação inicial, mas tem indicação em casos de incontinência urinária de esforço complicada, que, por definição, acontece em pacientes com: W Cirurgia prévia para incontinência. W História de radioterapia pélvica. W Alteração neurogênica do trato urinário (trauma raqui- medular, esclerose múltipla). W Suspeita de outras causas de incontinência urinária: V Perda não associada ao esforço; por exemplo, perda ao permanecer em pé. V Noctúria. V Resíduo pós-miccional aumentado (≥ 50 mL). V Perda urinária logo após o esforço, volumosa e com dificuldade de parar a perda. Na urodinâmica é possível diferenciar a hipermobi- lidade do colo vesical da deficiência esfincteriana intrínseca. Quando a paciente só apresenta perdas urinárias após atingir níveis de pressão abdominal acima de 90 cmH2O, o mecanismo etiológico mais provável da IUE é a hipermobilidade do colo vesical; se as perdas acontecem com níveis de pressão menores que 60 cmH2O, o mecanismo mais prová- vel é a deficiência esfincteriana. Perdas urinárias com valores entre 60 e 90 cmH2O não permitem um diagnóstico de certeza, e o tratamento deve ser baseado nas queixas clínicas da paciente. No estudo urodinâmico, também podem ser vis- tas contrações involuntárias do músculo detrusor (antigamente chamadas de não inibidas) na fase de cistometria (enchimento). A presença dessas contrações chama-se hiperatividade do detrusor e pode ajudar no diagnóstico da síndrome da bexiga hiperativa, que é clínico. A hiperatividade do detru- sor pode estar presente em mulheres sem queixas compatíveis com incontinência urinária de urgência, e as contrações involuntárias podem acontecer caso o soro infundido na bexiga durante o exame esteja frio ou a velocidade de infusão seja alta. A urodinâmica é mais utilizada em pacientes com incontinência urinária mista; em pacientes que não conseguem caracterizar as perdas,mesmo com diário miccional; em pacientes que estão em programação de cirurgia para incontinência de esforço; em pacientes com suspeita de disfunção miccional; ou nas que não responderam ao tra- tamento habitual. Não deve ser solicitada como investigação inicial. Incontinência urinária 11 9. TRATAMENTO 9 .1 . INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO O tratamento conservador é sempre de primeira linha e, geralmente, é mantido por pelo menos 6 semanas. Pode ter resultados satisfatórios em casos mais leves. u Modificação de estilo de vida: perda de peso em pacientes com sobrepeso ou obesidade; mudanças de dieta (redução do consumo de ál- cool, alimentos ricos em cafeína e bebidas car- bonatadas); tratamento de obstipação crônica; cessação de tabagismo. u Exercícios de assoalho pélvico: chamados de Exer- cícios de Kegel; o objetivo é o fortalecimento do assoalho pélvico, para aumentar a sustentação durante o aumento da pressão intra-abdominal ou detrusora. u Planejamento miccional: micções programadas para aumento do controle da musculatura e/ou evitar que a bexiga atinja volume muito grande de urina, propiciando perdas por esforço. u Estrogenioterapia tópica para pacientes pós ou perimenopausa, com sinais e sintomas de hi- poestrogenismo. u Pessários: aumentam o suporte uretral e são particularmente úteis em incontinência desenca- deada por atividades específicas, como exercício físico. Não devem ser prescritos para qualquer paciente com incontinência urinária. DIA A DIA MÉDICO A maioria das pacientes tem alguma consciência corporal sobre a musculatura do assoalho pélvico, então muitas são capazes de realizar Exercícios de Kegel, caso recebam orientação. Para orientá-las, peça para imaginarem que estão tentando evitar a perda de gases e urina ao mesmo tempo, mantendo a musculatura interna da coxa, do abdome e dos glúteos relaxada. A paciente deve tentar fazer contrações rápidas da musculatura do assoalho pélvico com duração de, no máximo, 10 segundos, com 8-12 contrações, repetindo a série 3 vezes ao dia. Caso esteja disponível, a fisioterapia do assoalho pélvico é mais eficaz que a realização de exercícios apenas por conta própria, mas, para pacientes que não conseguem realizar os exercícios somente com essas orientações, a fisioterapia é mandatória. A fisioterapia pode lançar mão de outros tratamentos além dos exercícios, como: u Estimulação elétrica dos músculos elevadores do ânus. u Terapia de biofeedback: os sinais fisiológicos e as respostas são fornecidos em tempo real para a paciente, aumentando a propriocepção da musculatura pélvica. Os medicamentos têm papel muito restrito na tera- pêutica da incontinência urinária de esforço, sendo reservado para os casos de incontinência mista (quando a urgência miccional também está pre- sente). Fique atento! Algumas provas ainda cobram medi- camentos que foram proscritos, devido à baixa eficácia e aos efeitos adversos, e vamos citar 2 aqui rapidamente: u Duloxetina: inibidor da recaptação de serotoni- na e noradrenalina. Seu uso está contraindicado devido ao risco de suicídio. u Alfa-agonistas adrenérgicos (fenilpropanolamina): aumentam o risco de AVC; por isso, obviamente, estão contraindicados. O tratamento cirúrgico está indicado para todas as pacientes que não respondem ao tratamento conservador. Diversas já foram as abordagens para esse tipo de problema, e todas buscam reajustar o colo vesical à posição anatômica, aumentando a sustentação da transição uretrovesical. 9 .1 .1 . Slings de uretra média Abordagem padrão-ouro, pois apresenta grande efi- cácia, entre 80% e 90% de sucesso, com morbidade baixa e baixo risco de disfunção de esvaziamento vesical. Consiste na passagem de faixas de tela inabsorvível (polipropileno) sob a uretra média, colocadas sem tensão. Existem 2 técnicas para realizar esse procedimento: Incontinência urinária Ginecologia 12 u Retropúbico: através de abordagem transvaginal, o kit de punção passa pelo espaço retropúbico e sai pela parede abdominal anterior. Assim, posi- ciona-se a tela na uretra média, que oferece resis- tência à perda urinária quando ocorre aumento da pressão abdominal; entretanto, em repouso, não oferece tensão. Essa é a técnica com maiores taxas de sucesso entre os slings de uretra média, mas apresenta maior risco de complicações, como perfuração vesical e, por isso, exige cistoscopia de controle após o procedimento. u Transobturatório: também através de incisão vaginal, cria-se espaço para passagem de agu- lhas pelo forame obturatório, para colocação da tela. Aqui é possível realizar desde abordagem dentro-fora (vaginal-obturatória) ou fora-dentro (obturatória-vaginal). Independentemente da abordagem utilizada, como a punção não atinge o espaço retropúbico, ela apresenta menor taxa de complicação e não é exigida cistoscopia de controle. DIA A DIA MÉDICO A escolha dos slings de uretra média passa por alguns fatores, como: W Pressão de perda na urodinâmica e queixa clínica da paciente: geralmente, preferem-se slings retropúbicos para pacientes com diagnóstico de IUE por deficiên- cia esfincteriana (pressões menores que 60 cmH2O na urodinâmica), enquanto os transobturatórios são bastante eficazes em casos de hipermobilidade do colo vesical (pressões acima de 90 cmH2O). W Idade da paciente: sabe-se que slings retropúbicos apresentam maior eficácia em prazo mais longo; por isso, em mulheres mais jovens, pode-se optar por retropúbicos. W Atividade física: slings transobturatórios podem ter como complicação cirúrgica dor crônica nas coxas, o que pode interferir no desempenho das atividades físicas. Figura 3. SLING TVT x TVTO. Fonte: Acervo Sanar. Incontinência urinária 13 Figura 4. Kit para sling transobturatório e etapas cirúrgicas do procedimento. Fonte: Acervo Sanar. 9 .1 .2 . Colposuspensão retropúbica (Cirurgia de Burch) Consiste na fixação da fáscia endopélvica adjacente ao colo vesical e da uretra proximal ao ligamento pectíneo (de Cooper). Pode ser realizada por via laparotômica ou laparoscópica e é indicada para tra- tamento da hipermobilidade uretral (p> 90 cmH2O). Por ser mais mórbida e ter resultados semelhantes ao sling, perdeu espaço, mas ainda pode ser usada em casos selecionados, como quando coexiste prolapso apical. Figura 5. Cirurgia de Burch. Fonte: Acervo Sanar. 9 .1 .3 . Sling pubovaginal São procedimentos realizados com faixas de tecido autólogo, ou seja, da própria paciente. Geralmente, utiliza-se uma faixa de aponeurose dos múscu- los oblíquo interno e externo, retirada através de pequena Incisão à Pfannenstiel; ou uma faixa da fás- cia lata. É indicado principalmente quando a paciente recusa o uso de material sintético ou quando há contraindicação ou falha de slings de uretra média, por ser um procedimento mais complexo. É um procedimento combinado vaginal e abdominal, e a faixa é colocada atrás da uretra proximal e fixada ao púbis. Incontinência urinária Ginecologia 14 Figura 6. A: Cirurgia de Burch. B: sling pubovaginal (sling fáscia retoabdominal). Legenda Figura A: Cooper’s (Pectineal) Ligament (Ligamento Pectíneo Cooper), pubic symphysis (sínfise púbica), bladder neck (colo vesical), bladder (bexiga), uterus (útero). Legenda Figura B: rectus abdominus muscle (músculo retoabdominal), sling rectus sheath (sling fáscia retoabdominal). Fonte: Acervo Sanar. 9 .1 .4 . Agentes de preenchimento uretral São realizadas injeções de material de preenchi- mento, para aumentar a coaptação uretral, através de cistoscopia. É o procedimento menos invasivo de todos, podendo ser realizado ambulatorialmente, mas também com a menor taxa de sucesso e alta taxa de recorrência. Raramente são usados como primeira opção de tratamento cirúrgico e são mais indicados para deficiência esfincteriana intrínseca, em pacientes com uretra fixa e naquelas que não apresentam condições clínicas de realizar proce- dimentos maiores.Os agentes utilizados são diversos, desde colágeno bovino até materiais sintéticos. 9 .2 . INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE URGÊNCIA Como a bexiga hiperativa é a principal causa da IUU e é um distúrbio funcional, além de um problema de saúde crônico, o tratamento também consiste em modificações de estilo de vida e fisioterapia. Além disso, o uso de medicamentos é bastante eficaz. Incontinência urinária 15 u Modificações de estilo de vida: perda de peso em pacientes com sobrepeso ou obesidade; cessação de tabagismo e mudanças dietéticas: diminuição de ingesta hídrica 2 horas antes de dormir (para diminuição da noctúria), redução de alimentos ricos em cafeína (café, chá verde, chá preto), redução de alimentos ácidos (frutas ácidas, tomate, molho de tomate, vinagre), redu- ção de alimentos condimentados (pimentas) e de bebidas carbonatadas e alcoólicas. Os alimentos citados são considerados irritantes vesicais e podem aumentar o número de contra- ções involuntárias do detrusor. u Fisioterapia: também auxilia o tratamento da be- xiga hiperativa, e todas as pacientes deveriam ser encaminhadas após o diagnóstico, juntamente às orientações de mudança do estilo de vida. Podem ser realizados treinamento vesical, exer- cícios do assoalho pélvico, uso de cones vaginais e eletroestimulação. Acredita-se que, para hiperatividade, a eletroes- timulação consiga restabelecer mecanismos inibitórios com normalização do equilíbrio entre neurotransmissores adrenérgicos e colinérgicos. Podem ser usados eletrodos vaginais ou cutâneos para estimulação do nervo tibial. Tibial? Sim, o nervo tibial divide a mesma raiz sacral que supre a bexiga e o reto; por isso, sua estimulação pode modular as contrações involuntárias vesicais. u Tratamento medicamentoso: a principal classe de medicamentos utilizados são os anticolinérgi- cos (antimuscarínicos), mas recentemente estão também disponíveis agonistas β3-adrenérgicos. W Anticolinérgicos: exemplos são a oxibutinina, tolterodina, darifenacina e solifenacina. Todos esses são igualmente eficazes no tratamento da bexiga hiperativa. No entanto, a inibição de receptores muscarínicos não está limitada à bexiga, o que faz com que os efeitos colaterais sejam o principal fator limitante desses méto- dos (boca seca e constipação, por exemplo). Quanto menos específicos para os receptores vesicais (como a oxibutinina), maiores os efei- tos colaterais. Deve-se prestar atenção tam- bém a contraindicações, como glaucoma de ângulo estreito e bloqueios cardíacos. São o tratamento medicamentoso de primeira linha. W Agonistas dos receptores beta-3-adrenérgico: a ativação desses receptores gera relaxamen- to do detrusor, diminuindo as contrações in- voluntárias, melhorando, assim, a frequência e a urgência miccional. Por terem potencial de elevar a pressão arterial, não devem ser prescritos em pacientes com hipertensão des- compensada e, durante o seguimento clínico, deve-se aferir PA nas consultas. Podem ser usados em associação com anti- colinérgicos e seus efeitos se somam. W Imipramina: antidepressivo com ação alfa-a- drenérgica melhorando a continência urinária. Não está entre as medicações utilizadas como primeira linha. u Neuromodulação sacral: sistema implantável para estimulação nervosa em casos de incontinência de urgência refratários. u Toxina botulínica: deve ser aplicado por cistos- copia a cada 6 meses e seu efeito colateral é retenção urinária, às vezes sendo necessário cateterismo vesical intermitente, ou seja, son- dagem vesical de alívio. DIA A DIA MÉDICO Na prática clínica, enquanto se realiza a investigação inicial com exames, podemos orientar as mudanças de estilo de vida e aconselhamento sobre exercícios do assoalho pélvico. No retorno ambulatorial, após algumas semanas, já é possível avaliar se houve melhora e iniciar o tratamento medicamentoso, em casos de IUU. 9 .3 . INCONTINÊNCIA URINÁRIA MISTA Acontece quando coexistem sintomas de IUE e IUU. São casos complexos e o tratamento deve ser iniciado pelo componente que mais incomoda a paciente. Habitualmente, esse componente é a IUU, que causa perdas com maior frequência que as por esforço. Incontinência urinária Ginecologia 16 Quadro 3. Tratamento. Fisioterapia do assoalho pélvico Terapia cirúrgica Incontinência urinária de esforço Incontinência urinária de urgência Incontinência urinária mista Terapia com biofeedback Exercícios de Kegel Estimulação elétrico dos músculos elevadores do ânus Sling de uretra média Uretropexia retropúbica Evitar líquidos irritantes vesicais Fármacos anticolinérgicos Toxina botulínica Abordar queixas que mais incomodam o paciente Tratamento Fonte: Sanarflix. Incontinência urinária 17 Mapa mental. Incontinência urinária Incontinência urinária Urgência Urgência Perda extra uretral Fatores de risco Clínica Cirurgia Polaciúria + Comuns: vesico-vaginal e uretero-vaginal Nictúria Complicacoes de procedimentos (ex.: histerectomia) Bexiga hiperativa é diagnóstico clínico Forte desejo de urinar com necessidade de escape a bexiga Perdas às manobras de esforço (tosse/ espirro; risada) Tratamento clínico Diagnóstico Mudanças comportamentais Clínica + VLPP 40 anos SLING Fisioterapia Estudo urodinâmico VLPP > 90 cm H2O Hipermobilidade do colo vesical Deficiência de esfíncter Fisioterapia do assoalho pélvicoGestações e partos Obesidade DPOC/ tosse crônica Constipação Anticolinérgicos Agonista B3 adrenérgico Fístulas Esforço Tratamento Incontinência urinária Ginecologia 18 REFERÊNCIAS 1. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, dispo- nível em: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/ innervation-urinary-bladder-1758498128. Acesso em: 08 dez 2022. Incontinência urinária 19 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS – 2021) Mulher, 56 anos, refere incontinência urinária ao tossir e espirrar, e urgência miccional há 6 meses. IIG II Partos cesáreas. Sem comorbidades. Nega disúria, hematúria e noctúria. Frequência urinária diária: 5. O diagnóstico clínico mais provável é: ⮦ Infecção do trato urinário. ⮧ Fístula ureterovaginal. ⮨ Incontinência urinária neurogênica ⮩ Incontinência urinária neurogênica ⮪ Síndrome da bexiga hiperativa. Questão 2 (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ – PI – 2018) Paciente de 56 anos de idade busca atendimento médico queixando-se de perda urinária aos pequenos es- forços, como andar, correr, tossir, espirrar, além de urgeincontinência. Relata seis partos normais e ter sido submetida à perineoplastia em 2 ocasiões. Ao exame físico, apresentou perda urinária visível à manobra de Valsalva, vagina atrófica e ausência de distopias. Urocultura negativa. Estudo urodinâmico revelou incontinência urinária mista, com pressão de perda urinária de 45 cm3 de H2O. Assinale a melhor alternativa terapêutica para esta paciente: ⮦ Tratamento clínico com promestrieno tópico e anticolinérgicos. ⮧ Tratamento clínico com anticolinérgicos e pro- mestrieno tópico, seguido de tratamento cirúrgico com perineoplastia (técnica de Kelly-Kennedy). ⮨ Tratamento clínico com promestrieno tópico e anticolinérgicos, seguido de tratamento cirúrgi- co com faixa de sling transobturatório (TVT-O). ⮩ Tratamento cirúrgico isolado com cirurgia de Burch. ⮪ Tratamento clínico com promestrieno tópico e anticolinérgicos, seguido de cirurgia de Burch. Questão 3 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA UFSC – SC – 2018) Mulher de 65 anos de idade, sem outras morbidades, queixa-se de perda involuntária de urina: dificuldade de controle da micção, quando sente a bexiga cheia, e inabili- dade de cessá-la, com perda irregular de grande ou pequena quantidade de urina. O estudo urodinâmico demonstrou contrações involuntárias da muscula- tura detrusora, durante a fase de enchimento. Qual a provável classificação da incontinência urinária? ⮦ De esforço.⮧ De urgência. ⮨ Por desvio. ⮩ Por transbordamento. ⮪ Funcional secundária. Questão 4 (AUTARQUIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE APUCARANA – PR – 2022) A realização de cistoscopia é recomendada em al- gumas circunstâncias ao se lidar com distúrbios miccionais e do assoalho pélvico, e ao se realiza- rem alguns procedimentos cirúrgicos envolvendo o trato genitourinário. Em vários procedimentos cirúrgicos, a associação de cistoscopia é uma ma- neira de aumentar as chances de detectar, ainda Incontinência urinária Ginecologia 20 durante a cirurgia, eventual lesão ao trato urinário, para que essa lesão seja corrigida no mesmo mo- mento. Em alguns procedimentos, porém, o risco de lesão é mais elevado, e a cistoscopia passa a ser um passo obrigatório da cirurgia. Assinale a alternativa que indica um procedimento cirúrgico em que a realização de cistoscopia intraoperatória é indicada, pela literatura: ⮦ Colporrafia anterior. ⮧ Miomectomia. ⮨ Sling sintético retropúbico. ⮩ Histerectomia laparoscópica. Questão 5 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – SP – 2019) Mulher, 45 anos de idade, refere perda urinária involuntária contínua após 2 semanas de histerectomia total abdominal por mioma uterino. Refere que tem uri- nado menos vezes. Qual o provável diagnóstico? ⮦ Divertículo uretral. ⮧ Síndrome da bexiga hiperativa. ⮨ Infecção do trato urinário. ⮩ Incontinência urinária de esforço. ⮪ Fístula vesicovaginal. Questão 6 (UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS – 2018) Pa- ciente de 53 anos de idade, obesa e portadora de diabetes mellitus, queixa-se de perda urinária, qua- tro a cinco vezes por dia, geralmente após tossir, espirrar ou levantar peso. Relata também alguns episódios de urgência miccional. Ao exame físico, foram identificadas perda urinária à manobra de Valsalva e ausência de distopia genital. Pressão arterial (PA) de 130 × 90 mmHg, frequência cardía- ca (FC) de 92 bpm, glicemia capilar de 188. Possui urocultura negativa realizada há 1 mês. Nesse caso, qual o diagnóstico mais provável e o exame mais indicado para elucidação diagnóstica? ⮦ Incontinência urinária mista e estudo urodinâ- mico. ⮧ Infecção urinária e urocultura. ⮨ Incontinência urinária mista e urocultura. ⮩ Infecção urinária e cistoscopia. ⮪ Incontinência urinária de esforço genuína e es- tudo urodinâmico. Questão 7 (SELEÇÃO UNIFICADA PARA RESIDÊNCIA MÉDICA DO ESTADO DO CEARÁ – CE – 2018) Mulher de 30 anos de idade re- lata dismenorreia primária com escala visual da dor (EVA) de 6/10, evoluindo para dor pélvica crô- nica acíclica com EVA de 8/10 há 3 anos. Além disso, apresenta dispareunia profunda e também superficial, dor ao enchimento vesical e aumento da frequência urinária com urgência. Queixa-se de fezes endurecidas, com dificuldade de evacuação (frequência de duas vezes por semana) e tenesmo não relacionado à menstruação há 2 anos. Ao exa- me físico, constata-se abdome plano, flácido, pouco doloroso à palpação. Ao toque vaginal, dor à pal- pação em músculo obturador esquerdo com ponto de gatilho, útero móvel pouco doloroso à palpação. Quanto à investigação das causas de dor, quais os principais diagnósticos diferenciais? ⮦ Síndrome do intestino irritável, endometrioma ovariano e vaginismo. ⮧ Constipação crônica, síndrome da bexiga dolo- rosa e dor miofascial. ⮨ Endometriose profunda em fórnice vaginal e síndrome da bexiga hiperativa. ⮩ Fibromialgia, doença inflamatória intestinal e infecção do trato urinário inferior. Questão 8 (HOSPITAL DAS CLÍNICAS DO PARANÁ – PR – 2017) Paciente com 60 anos de idade vai à consulta no ambulató- rio de ginecologia e relata perda urinária ao tossir; a perda é em pequena quantidade. Gesta 4, para 4. A última menstruação foi há 10 anos. Histerectomia há 5 anos. Não utilizou terapia na pós-menopausa. Urina parcial e urocultura sem alterações. Estudo urodinâmico evidencia incontinência urinária ao esforço. Exame ginecológico mostrou cistocele Incontinência urinária 21 grau I e retocele grau II. Pela manobra de Valsalva, foi constatada pequena perda de urina. Com base no exposto, qual a melhor conduta? ⮦ Estrogênio 1 mg/dia por via oral. ⮧ Oxibutinina 5 mg ao dia. ⮨ Injeção periuretral de colágeno. ⮩ Sling de uretra média. ⮪ Colporrafia anterior + colpoperineoplastia. Questão 9 (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO – RJ – 2015) Pa- ciente na pós-menopausa, diabética em uso de hipoglicemiante oral, procurou ginecologista com queixa de perda urinária. Estudo urodinâmico: ca- pacidade cistométrica máxima de 400 mL; primeira micção de 170 mL; fluxo médio de 16 mL/s; resíduo pós-miccional de 20 mL; pressão de perda ao es- forço de 100 cmH2O durante manobra de Valsalva e ausência de contrações involuntárias do detrusor. A incontinência urinária, tomando como base os dados da urodinâmica, deve-se à: ⮦ Dissinergia detrusor-esfíncter. ⮧ Deficiência do esfíncter uretral. ⮨ Bexiga neurogênica. ⮩ Hipermobilidade do colo vesical. Questão 10 (H.U. BETTINA FERRO DE SOUZA/JOÃO BARROS BARRETO – PA – 2022) Mulher de 42 anos, G4P2 (2 partos normais e 1 aborto espontâneo), apresenta perda urinária aos mínimos esforços, sugerindo: ⮦ infecção urinária recorrente. ⮧ deficiência intrínseca de esfíncter. ⮨ vaginismo. ⮩ hiperatividade do detrusor. ⮪ hipoestrogenismo vaginal. Questão 11 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – SP – 2017) Mulher de 64 anos de idade, IG IP normal há 30 anos, refere perder urina diversas vezes ao dia. Tem 3 episódios de micções noturnas. Refere se exercitar com fre- quência na esteira, mas não perde urina durante o exercício. Às vezes, perde urina na cama. Ao exa- me ginecológico, não há alteração significativa. Realizou o estudo urodinâmico mostrado na figura (conforme imagem do caderno de questões). O tra- tamento ADEQUADO é: ⮦ Drogas anticolinérgicas. ⮧ Sling retropúbico. ⮨ Sling transobturador. ⮩ Drogas alfa-adrenérgicas. ⮪ Drogas colinérgicas. Questão 12 (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO – SP – 2020) Uma paciente de 45 anos de ida⁄de queixa-se de urgên- cia miccional, associada à incontinência urinária e à noctúria, com episódios esporádicos de enurese noturna. Nega disúria, polaciúria ou sensação de esvaziamento incompleto. Realizou estudo urodinâ- mico, que revelou pressão de perda de 140 mmHg e presença de contrações involuntárias do detrusor. Com base nesse caso hipotético, assinale a alter- nativa que apresenta o diagnóstico mais provável. ⮦ Bexiga hiperativa. ⮧ Bexiga neurogênica. ⮨ Hipermobilidade do colo vesical. ⮩ Insuficiência intrínseca do esfíncter. ⮪ Síndrome da bexiga dolorosa. Incontinência urinária Ginecologia 22 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Y Dica do professor: Questão simples aborda uma paciente de 56 anos que perde urina ao tossir e ao espirrar. Apesar de também apresentar urgência miccional, o quadro clínico é típico da incontinência urinária de esforço, que é a causa mais comum de incontinência nas mulheres e o diagnóstico mais provável. ✔ resposta: ⮩ Questão 2 dificuldade: Y Dica do professor: Questão sobre a mais comum das incontinências: a de esforço! E a paciente já possui estudo urodinâmico. Alternativa A: INCORRETA. Apenas o uso de estro- gênio tópico e de anticolinérgicos não trataria a Incontinência Urinária de Esforço (IUE) por defeito esfincteriano intrínseco (pressão de perda menor que 60 cmH2O) da paciente. Alternativa B: INCORRETA. A colporrafia anterior (ou Cirurgia de Kelly-Kennedy) apresenta alta taxa de recidiva (em torno de 40%) e, por isso, vem sendo cada vez menos utilizada. Alternativa C: CORRETA. Nesse caso, a melhor con- duta é o tratamento clínico, inicialmente. A primeira conduta são as medidas gerais para o componente hiperativo (redução de peso, redução da ingesta hí- drica, redução do consumo de cafeína, suspensão do tabagismo, melhora da função intestinal) asso- ciadas ao tratamento farmacológico para a mes- ma patologia (anticolinérgicos)e, como a paciente apresenta atrofia vaginal, é necessária a reposição estrogênica tópica (promestrieno), pois aumenta- rá o fluxo sanguíneo uretral e a sensibilidade dos receptores alfa-adrenérgicos, elevando, assim, a coaptação uretral e a pressão de fechamento da uretra. O tratamento definitivo da incontinência urinária de esforço é o TVT-O. Alternativa D: INCORRETA. A Cirurgia de Burch já foi considerada padrão-ouro para tratamento da IUE por hipermobilidade do colo vesical (pressão de perda maior que 90 cmH2O), que não é o diagnós- tico da paciente em questão. Alternativa E: INCORRETA. Apenas o tratamento da bexiga hiperativa não resolverá a IUE. A cirurgia de Burch não é indicada nesse caso. ✔ resposta: ⮨ Questão 3 dificuldade: Y Dica do professor: Paciente com quadro clássico de incontinência de Urgência. Atenção que o diag- nóstico de bexiga hiperativa é clínico! Não precisa- ríamos do estudo urodinâmico. Alternativa A: INCORRETA. Na incontinência urinária de esforço (IUE), não há contrações involuntárias do músculo detrusor, mas pressão de perda maior que 90 cmH2O, caso seja IUE por hipermobilidade do colo vesical, ou menor que 60 cmH2O, se por defeito esfincteriano intrínseco. Alternativa B: CORRETA. Paciente com queixa de perda urinária involuntária e quadro de urgeincontinência. Ao estudo urodinâmico, evidenciaram-se contrações involuntárias da musculatura detrusora. Com esses dados, já se pode suspeitar de Incontinência Uriná- ria (IU) de urgência (sinônimo: bexiga hiperativa). Alternativa C: INCORRETA. Não há essa classificação para as IU. Alternativa D: INCORRETA. A incontinência urinária por transbordamento acontece quando a pres- são intravesical excede a pressão uretral, estando, Incontinência urinária 23 portanto, associada à distensão com ausência de contrações involuntárias da musculatura detrusora. É mais comum em pacientes com quadros neuro- lógicos instalados, e a perda urinária ocorre quan- do a bexiga ultrapassa sua capacidade máxima de armazenamento, pois há uma falta de contração da musculatura lisa do músculo detrusor. Alternativa E: INCORRETA. A paciente não apresen- ta quadro clínico para suspeita de acometimento secundário. ✔ resposta: ⮧ Questão 4 dificuldade: Y Dica do professor: A cistoscopia é definida como um exame endoscópio das vias urinárias baixas, permitindo uma avaliação detalhada dos segmen- tos uretrais e da bexiga urinária, podendo também ser chamado de uretrocistoscopia (Sociedade Bra- sileira de Urologia, 2015). As principais indicações da cistoscopia são para o diagnóstico e o acompa- nhamento de distúrbios das vias urinárias, incluin- do tumores da bexiga ou da uretra, diagnóstico de infecções recorrentes da bexiga, resolução de problemas criados por cálculos na bexiga e realiza- ção de biópsia endoscópica da bexiga ou da uretra, quando necessárias. É um procedimento simples, que pode ser realizado de forma ambulatorial, cuja técnica envolve a introdução de um cistoscópio por meio da abertura externa da uretra. Contudo muitos pacientes queixam-se de ser um exame doloroso, assim é essencial o cuidado com a anestesia local e, se necessário, a internação e a sedação dos pa- cientes para permitir a adequada visualização das estruturas urinárias. Existem também as indicações de realização desse exame durante o intraopera- tório, essencialmente quando há risco de lesão da uretra, como veremos adiante. Dentre as opções acima, a cistoscopia intraopera- tória é indicada no procedimento chamado sling sintético retropúbico. Esta é uma técnica que foi bastante utilizada em pacientes com diagnóstico de Incontinência Urinária de Esforço (IUE). A IUE é a causa mais frequente de perda urinária, acometendo aproximadamente 50% das mulheres incontinentes, e alteração que interfere diretamente na qualidade de vida, pois ocasiona sintomas como perda invo- luntária de urina durante a realização de esforço ou de exercício, ao espirrar ou tossir. Sabe-se que com a utilização do sling os índices de cura são de aproximadamente 85% em seguimentos acima de 5 anos. Como curiosidade, o sling sintético retro- púbico não é a técnica padrão-ouro na atualidade, pois envolve maiores complicações perioperatórias, incluindo lesões intestinais, vasculares e vesicais. Ele vem sendo substituído por uma faixa introduzida pelo forame obturador, por via vaginal, evitando a passagem pelo espaço retropúbico, que oferece um reforço anatômico para o ligamento uretropélvico. Quando a via retropúbica é utilizada, existe a indica- ção de cistoscopia, pelo risco de lesões vesicais e uretrais, por isso esta é a alternativa correta (Revista da Associação Médica Brasileira, 2010). Alternativa A: INCORRETA. A colporragia anterior é o procedimento indicado para Prolapsos de Órgãos Pélvicos (POP) da parede vaginal anterior. O POP ocorre por lesões ou por deficiências dos tecidos de suspensão e/ou sustentação dos órgãos pélvi- cos, sendo eles: fáscia endopélvica, ligamentos e m. levantador do ânus. As principais causas de lesão destas estruturas são a paridade e o parto vaginal. De forma geral, a técnica cirúrgica envolve a sutu- ra da fáscia enfraquecida, e materiais de reforço como redes/telas sintéticas ou biológicas podem ser usados para corrigir a parede anterior da vagi- na. Essas telas são normalmente reservadas para os casos de repetidas cirurgias ou prolapso acen- tuado. A cistoscopia não é mandatória, logo essa afirmativa é incorreta. Porém pode haver indicação pós-operatória para confirmar que não houve lesão da bexiga urinária Febrasgo (2017). Alternativa B: INCORRETA. Miomas uterinos são tu- mores benignos comum em mulheres com idade fértil, desenvolvidos a partir de células musculares lisas do útero. Variam de acordo com a localização em mioma submucoso, subseroso e intramural. No caso de miomas sintomáticos, associados a sangramento uterino anormal, pode haver a indi- cação cirúrgica com a miomectomia. As vias são por histeroscopia, laparoscopia ou por laparotomia. Existe um escore para nortear a conduta para mio- mectomia, que leva em consideração o tamanho, a penetração nas camadas subjacentes, a base, o Incontinência urinária Ginecologia 24 terço e a parede lateral do mioma, e quando o es- core pontua de 0-4 espera-se uma miomectomia histeroscópica com baixa complexidade; pontuação de 5 e 6 indica miomectomia complexa, quando é ideal pensar em preparo com análogo do GnRH e/ ou cirurgia em 2 tempos e, por fim, pontuação de 7 e 9 define a necessidade de indicar outra técni- ca não histeroscópica. Podemos afirmar que não há na literatura a indicação de cistoscopia para a miomectomia (Febrasgo, 2019). Alternativa C: CORRETA. Vide dica do professor. Alternativa D: INCORRETA. De acordo com a Febras- go (2017), este é um procedimento que utiliza téc- nicas cirúrgicas laparoscópicas e instrumentos para remover o útero e/ou as trompas e os ovários através da vagina. Ela pode ser classificada como histerectomia total videolaparoscópica, quando to- dos os ligamentos, os vasos uterinos, os ligamen- tos uterossacros e os ligamentos cardinais, assim como a colporrafia, são realizadas por via laparos- cópica. Esse procedimento tem como vantagens a não realização de incisões abdominais, menor sangramento e necessidade de transfusões san- guíneas, menores taxas de complicações e menor tempo de internação hospitalar. Não há indicação de realizar cistoscopia para esse procedimento, logo a alternativa é incorreta. ✔ resposta: ⮨ Questão 5 dificuldade: Y Dica do professor: Após histerectomias abdomi- nais, uma complicação importante é formação de fístulas urinárias! A diminuição de micção espon- tânea pode significar fístulas vesicovaginal (perda contínua sem o esfíncter interposto). ✔ resposta: ⮪ Questão 6 dificuldade: Y Dica do professor: Pela anamnese, a paciente apre- senta perda de urina ao esforço, mas também tem urgência. É, portanto, um quadrode incontinência mista. Nesses casos, o estudo urodinâmico é o principal exame a ser solicitado. Não perguntou sobre o tratamento, mas, nos casos mistos, é sempre importante avaliar qual das incon- tinências se sobressai para iniciar o melhor trata- mento. ✔ resposta: ⮦ Questão 7 dificuldade: Y Dica do professor: O aluno deve prestar atenção ao anunciado e analisar por partes. Alternativa A: INCORRETA. Para confirmarmos o diag- nóstico de síndrome do intestino irritável, de acordo com o Critério de Roma IV, deve haver dor abdominal relacionada com 2 dos critérios citados (dor relacio- nada com defecação, mudança na frequência das fezes e na forma), o que a paciente não apresenta. Alternativa B: CORRETA. Constipação crônica é de- finida quando a paciente apresenta fezes duras, fragmentadas ou ressecadas e/ou evacuações ≥ há três dias com dor ou desconforto, ou seja, a pa- ciente apresenta; cistite intersticial é compatível, pois a paciente apresenta dor pélvica que piora com o enchimento da bexiga, sintomas de urgência e apresenta também síndrome miofascial, a qual é caracterizada por dor à palpação do músculo, com nódulo ou ponto de gatilho, relacionada com estresse excessivo sobre a musculatura, condicio- namento físico inadequado, postura inadequada, entre outros sintomas. Alternativa C: INCORRETA. Lembrar que a dismenor- reia da endometriose é secundária, e a dispareunia é profunda e não superficial. Alternativa D: INCORRETA. Na doença inflamatória intestinal, a paciente só apresenta a dor e não ou- tros sinais ou sintomas, como fezes com sangue ou muco, perda de peso, fraqueza, não sendo, assim, suficiente para o diagnóstico. ✔ resposta: ⮧ Questão 8 dificuldade: Y Dica do professor: Paciente com quadro de in- continência urinária de esforço. O tratamento de escolha é o sling de uretra média, pois tem meno- res morbidade cirúrgica e índice de complicações Incontinência urinária 25 pós-operatórias. Neste caso, a cistocele e a reto- cele não requerem tratamento cirúrgico, pois não são graves. ✔ resposta: ⮩ Questão 9 dificuldade: Y Dica do professor: Primeiramente, vamos falar sobre alguns parâmetros do estudo urodinâmico: • Capacidade cistométrica: normal entre 400 e 600 mL. • Primeira micção: normal entre 150 e 200 mL. • Resíduo pós-miccional: menor que 50 mL. Agora vamos para a questão: Paciente apresenta queixa de perda urinária, sem muitas pistas sobre ser Incontinência Urinária (IU) de esforço ou de urgência, porém há um dado impor- tante no enunciado: a pressão de perda. Devemos saber que a pressão de perda 90 cmH2O caracteriza uma hipermobilidade do colo vesical; logo, respondemos à questão. Alternativa A: INCORRETA. Mais comum em doenças de cunho neurológico, como esclerose múltipla e traumatismos raquimedulares. Alternativa B: INCORRETA. Não há deficiência do esfíncter da uretra, pois a pressão de perda é de 100 cmH2O. Alternativa C: INCORRETA. Não se trata de bexiga neurogênica. Alternativa D: CORRETA. No estudo urodinâmico, apresenta pressão de perda > 90 cmH2O, o que caracteriza uma hipermobilidade do colo vesical. ✔ resposta: ⮩ Questão 10 dificuldade: Y Dica do professor: Incontinência urinária é a per- da involuntária da urina pela uretra, podendo ser subdividida em incontinência urinária de esforço, incontinência urinária de urgência ou mista. Existem inúmeros fatores associados, por exemplo, obesida- de, tabagismo, traumas pélvicos (incluindo partos vaginais), infecções e obstruções do trato uriná- rio. O diagnóstico ocorre a partir da associação da história clínica e alguns exames como sumário de urina, USG de vias urinárias e cistometria. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, a Incontinência Urinária de Esforço (IUE) é definida pela perda de urina quando associada a esforços como tosse, espirros e na vigência de exercícios físicos. Ela ocorre por inúmeras condições que levam a danos aos músculos do assoalho pélvico e lesões dos nervos, por exemplo, durante o trabalho de parto vaginal. Alternativa A: INCORRETA. A infecção urinária é uma causa frequente de incontinência urinária. Essa as- sociação ocorre, pois a infecção causa sintomas irritativos na bexiga urinária, podendo torná-la hi- perativa. Assim os sintomas presentes estão mais associados à sensação de urgência urinária, ou seja, a necessidade de ir rápido esvaziar a bexiga quando surge a vontade e não necessariamente as perdas relacionadas aos esforços. Por isso essa alternativa é incorreta. Alternativa B: INCORRETA. O termo "deficiência es- fincteriana uretral intrínseca" refere-se a um subtipo de incontinência urinária de esforço causada pela inabilidade do mecanismo esfincteriano uretral em manter a coaptação da mucosa tanto no repouso quanto ao esforço físico. Ela está associada à ida- de avançada, à mielopatia congênita ou adquirida, ao hipoestrogenismo, a cirurgias pélvicas radicais e partos vaginais. Como a paciente possui perdas aos mínimos esforços e tem o histórico de partos vaginais essa passa a ser nossa principal suspeita. Logo, discordamos da opção trazida como correta. Alternativa C: INCORRETA. O vaginismo é caracterizado por uma contração involuntária da musculatura do assoalho pélvico, sendo uma das principais causas conhecidas de dispareunia. Não há correlação im- portante do vaginismo com disfunção esfincteriana como causa de incontinência urinária. É possível que essas 2 condições estejam presentes, mas por etiologias diferentes. O tratamento com fisiotera- pia pélvica é bastante útil tanto para o vaginismo quanto para sintomas urinários quando ocorrem simultaneamente. Alternativa D: CORRETA. De forma geral a hiperativida- de do detrusor associada à urgência miccional, sen- do ela de difícil controle por parte do paciente, o que, muitas vezes, causa perdas urinárias incontroláveis, Incontinência urinária Ginecologia 26 determinando a incontinência urinária (Febrasgo, 2018). Existem algumas causas explicativas como veremos adiante. 1. Bexiga hiperativa neurogênica: ocorre por alterações no controle central, na subs- tância reticular da ponte, no cerebelo, na medula e nos gânglios periféricos, com a participação de di- versos neurotransmissores e neuromoduladores. O trauma medular é uma importante causa de bexiga neurogênica, principalmente em traumas de gran- de impacto como em acidentes automobilísticos, podendo ser irreversíveis. 2. Bexiga hiperativa não neurogênica: um mecanismo importante é a obs- trução vesical como em homens com hiperplasia prostática benigna e mulheres com distopias ge- nitais. A justificativa de causa-efeito ocorre por- que há um maior esforço na tentativa de superar a barreira obstrutiva, o que leva a hipertrofia do músculo detrusor, diminuição da função contrátil e do aparecimento de atividade elétrica espontânea (BVS, 2021). Perceba que a paciente tem o relato de partos vaginais que podem justificar lesões es- fincterianas, e o enunciado não dá nenhum indício que nos indique para hiperatividade do detrusor. Essa é a opção correta pela banca, contudo, nós discordamos. Alternativa E: INCORRETA. O hipoestrogenismo va- ginal está associado a sinais e sintomas como a atrofia vaginal, sensação de ressecamento na mucosa e dispareunia. Quando a mulher está em período de falência ovariana como no climatério e menopausa é possível que o hipoestrogenismo te- nha repercussão também na bexiga e no assoalho pélvico causando sintomas como disúria, polaciú- ria, hiperatividade vesical e incontinência urinária de esforço ou mista (SOGESP, 2021). Essa não é nossa principal suspeita, pois estamos diante de uma mulher de 42 anos, quando ainda não são es- peradas alterações hormonais tão intensas e, em geral, os enunciados trazem o quadro clínico mais completo para suspeitarmos de hipoestrogenismo. ✔ resposta: ⮩ Questão 11 dificuldade: Y Dica doprofessor: Temos uma paciente com in- continência urinária, e percebemos, pela história, que não existe perda de urina aos exercícios, mas há incontinência ao dormir. Logo, a nossa hipótese diagnóstica é de incontinência urinária de urgência ou bexiga hiperativa. Este diagnóstico é confirma- do pelo estudo urodinâmico, que demonstra um aumento da Pressão Vesical (PV) sem aumento concomitante da Pressão Retal (PR), ou seja, não houve aumento da pressão abdominal para que ocorresse a perda urinária. O tratamento da hipe- ratividade do m. detrusor é com o uso de drogas com propriedades anticolinérgicas. ✔ resposta: ⮦ Questão 12 dificuldade: Y Dica do professor: Paciente com quadro clássico de incontinência de urgência. Atenção que o diag- nóstico de bexiga hiperativa é clínico! Não precisa- ríamos do estudo urodinâmico. Alternativa A: CORRETA. A presença de contrações não inibidas da musculatura detrusora vesical, as- sociada a queixas de urgência, sugere a hipótese de bexiga hiperativa, cujo tratamento se dá com fármacos anticolinérgicos. Alternativa B: INCORRETA. Não há histórico de mal- formações ou lesões medulares para embasar este diagnóstico. Alternativa C: INCORRETA. Haveria quadro de perda aos esforços, sem contrações não inibidas! Alternativa D: INCORRETA. Vide alternativa C. ✔ resposta: ⮦ Incontinência urinária Incontinência urinária Anatomia Fisiologia da micção Enchimento vesical Micção Mecanismos da continência urinária Etiologia Incontinência urinária de esforço Incontinência urinária de urgência Fatores de risco Avaliação clínica Exames complementares Tratamento Incontinência urinária de esforço Incontinência urinária de urgência Incontinência urinária mista Mapa mental. Incontinência urinária Referências Questões comentadas