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Introdução aos Socorros de Urgência-ABCDE

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Elaboração: Prof.ª Zoraide Immich Wagner UNISINOS/Disciplina: 22014-0 
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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
CURSO DE ENFERMAGEM 
DISCIPLINA – SOCORROS DE URGÊNCIA nº. 22014-0 
PROFESSORA – ZORAIDE IMMICH WAGNER 
 
 
INTRODUÇÃO AOS SOCORROS DE URGÊNCIA 
 
 
Socorros de Urgência ou Primeiros Socorros são um conjunto de medidas e cuidados necessários 
para o atendimento imediato às pessoas que sofreram acidentes ou mal súbito com o objetivo de 
assegurar a manutenção das funções vitais e evitar danos secundários até a chegada de um serviço 
especializado. 
O atendimento a uma pessoa que está passando por um desequilíbrio de suas funções vitais, 
independente das causas, deve ser IMEDIATO, uma vez que a demora ou retardo no início do 
atendimento podem significar a perda da vida ou ser responsável por seqüelas importantes. 
Na grande maioria das vezes os primeiros socorros são prestados por pessoas leigas, que por 
inabilidade, podem, muitas vezes, ocasionar danos secundários à vítima. 
Em função disto são importantes os treinamentos de pessoas da comunidade e principalmente de 
profissionais cuja atividade está intimamente ligada com situações de risco para acidentes. Estas 
pessoas treinadas são chamadas de SOCORRISTAS. Então, entende-se que socorrista é aquela 
pessoa que presta o primeiro socorro, já que no Brasil não existe esta categoria profissional dentro 
da área da saúde. 
 
Os socorristas devem aprender a manter a calma, agir no momento certo fazendo o que deve ser 
feito para assegurar a vida, evitar danos secundários e providenciar ajuda qualificada para as 
vítimas. Uma pessoa preparada para agir como socorrista deve estar também comprometida com a 
prevenção de acidentes, uma vez que medidas preventivas podem evitar ou diminuir o número de 
acidentes e a gravidade das lesões nas vítimas. 
O socorrista deve estar consciente das limitações da sua formação e estar seguro da sua capacitação, 
sabendo que os primeiros socorros são intervenções importantes, mas limitadas e temporárias até a 
chegada de uma assistência profissional qualificada. 
A atuação do socorrista frente a uma situação emergencial seja num acidente com várias vítimas ou 
diante de pessoas com mal súbito deve seguir uma rotina e respeitar ETAPAS Fundamentais de 
Atendimento: 
 
- Assumir a Situação 
- Avaliar a Cena 
- Avaliar as Vítimas 
- Estabelecer Prioridades de Atendimento 
- Iniciar Medidas de Suporte Básico de Vida. 
 
 
1.- ASSUMIR A SITUAÇÃO – Entendemos com isto assumir a LIDERANÇA do atendimento 
dando ordens claras parar evitar o PÂNICO, tranqüilizar as vítimas, coordenar as ações de ajuda e 
solicitar atendimento qualificado. 
 
2.- AVALIAR A CENA – A cena precisa ser avaliada para não colocar outras pessoas em risco e 
também deve ser SEGURA para os socorristas. Algumas situações especiais devem sempre ser 
lembradas pelo socorrista como o tráfego de veículos, riscos de explosão, fios elétricos, 
afogamentos, substâncias tóxicas e muitas outras. 
Elaboração: Prof.ª Zoraide Immich Wagner UNISINOS/Disciplina: 22014-0 
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Na cena do acidente é também de extrema importância que o socorrista faça uma avaliação da 
CINEMÁTICA DO TRAUMA, ou seja, avalie o MECANISMO que originou a lesão na vítima. 
O entendimento do mecanismo de lesão permite ao socorrista reconhecer possíveis lesões e fazer o 
atendimento com técnica para proteger e evitar danos adicionais à vítima. Para facilitar este 
entendimento é necessário que se conheça algumas leis básicas de física (leis de Newton - energia 
cinética, troca e conservação de energia, etc). 
Existem duas etapas de atendimento as emergências. 
 
a) SUPORTE BÁSICO DE VIDA – Consiste na oxigenação e perfusão de órgãos vitais, 
através de medidas simples sem o uso de equipamentos. 
b) SUPORTE AVANÇADO DE VIDA – Atendimento especializado para a manutenção das 
funções vitais com a utilização de equipamentos e medicamentos. 
 
3.- AVALIAR AS VÍTIMAS – A abordagem inicial das vítimas consiste na avaliação e 
identificação das condições clínicas e lesões que produzem risco iminente de vida e, 
concomitantemente, estabelecer condutas para a estabilização das Funções Vitais. As condições 
clínicas que representam risco de vida são obstruções das vias aéreas, respiração ineficaz, trauma 
cervical, instabilidade circulatória e, às vezes, alterações no nível de consciência. Posicione a 
vítima, abra as vias aéreas, tranqüilize a vítima, nunca dê água ou qualquer outra bebida para a 
vítima. 
 
4.- ESTABELECER PRIORIDADES – Estabelecer prioridades no atendimento significa que o 
socorrista deve selecionar a vítima que necessita atendimento prioritário (risco iminente de vida) e 
portanto deverá ser atendida em primeiro lugar. Fazer esta triagem nem sempre é tarefa fácil, mas 
existem regras sistematizadas de atendimento. Esta sistematização organiza e orienta os socorristas 
em relação às manobras prioritárias no suporte básico à vida. 
 
5.- INICIAR MEDIDAS DE SUPORTE BÁSICO À VIDA- 
Tendo sido estabelecida a prioridade de atendimento o socorrista inicia as manobras de suporte 
básico de vida. Ambas utilizam a sistematização preconizada por Órgãos Oficiais de Assistência às 
Emergências como o ATLS, ACLS entre outros. Esta sistematização segue a regra do “ABCDE”. 
 
 
“A” - Airway 
 Via Aérea com Controle da Coluna Cervical 
“B” - Breathing and Ventilation 
 Respiração e Ventilação 
“C” - Circulation with Hemorrage Control 
 Circulação e Controle das Hemorragias 
“D” - Disability: Neurologic Status 
 Avaliação Neurológica - Nível de Consciência 
“E” - Exposure with control of Hipothermia 
 Exposição do Paciente com Controle da Hipotermia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Elaboração: Prof.ª Zoraide Immich Wagner UNISINOS/Disciplina: 22014-0 
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- A - 
VIAS AÉREAS com 
CONTROLE DA COLUNA CERVICAL 
 
 
A impossibilidade de suprir o cérebro com sangue oxigenado é o fator que mais rapidamente pode 
levar a morte vítimas de trauma ou pessoas inconscientes. Por esta razão a abordagem das vias 
aéreas deve ser PRIORITÁRIA sobre todas as demais etapas do atendimento inicial de emergência. 
A obstrução das vias aéreas freqüentemente é a causa da hipóxia que leva as vítimas ao óbito. Esta 
obstrução pode ser ocasionada por corpos estranhos, sangue, secreções ou até mesmo a própria 
língua. 
Existem alguns fatores que contribuem para a obstrução das vias aéreas: 
 
- Traumatismo Crânio Encefálico com Coma; 
- Traumatismos graves de face com sangramento abundante na cavidade oral; 
- Lesões no pescoço com formação de hematomas e conseqüente compressão da laringe, 
faringe e traquéia; 
- Lesões torácicas que impedem uma ventilação adequada; 
- Uso abusivo de álcool ou drogas que impossibilitam o paciente a abrir as vias aéreas; 
- Nos pacientes inconscientes ou em coma ocorre a perda do tônus dos músculos 
submandibulares que sustentam a língua o que pode levar a queda da própria língua com obstrução 
da via aérea ou aspiração de secreções e corpos estranhos alojados na orofaringe; 
- Atraso no atendimento inicial; 
- Inexperiência dos profissionais que atendem as vítimas com escolha equivocada das 
manobras de desobstrução ou ainda por falta de material adequado. 
 
 
 
 
 
a)