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DEPARTAMENTO DE GEOCIÊNCIAS
Disciplina Análise Regional
Prof. Heitor Soares de Farias
Do meio natural ao meio técnico-científico-informacional
A história do território brasileiro é uma e diversa, pois é também a soma e a síntese das histórias de suas regiões.
Em cada momento deste longo processo de formação do território, algumas variáveis comandarão o sistema, daí a necessidade de periodização.
Um elemento não evolui sozinho nem é capaz de se transformar sem arrastar os demais no seu movimento, então toda evolução é do todo.
Períodos são pedaços de tempo definidos por características que interagiram, assegurando o movimento do todo – uma organização.
Quando a organização se desfaz, então uma(s) característica(s) evoluiu, desarmonizando o conjunto – houve ruptura – um novo período se inicia.
A periodização do território brasileiro é analisar a nação pelo território. O espaço brasileiro acumula defasagens e superposições de divisões do trabalho (sociais e territoriais).
As descontinuidades permitem explicar as diversidades regionais – o que chamamos desigualdades regionais.
Assim, a sucessão dos meios geográficos no Brasil são divididos em três grandes momentos, segundo Milton Santos:
- Meio ”natural”;
- Meio técnico;
 Meio técnico-científico-informacional.
Por meio de suas técnicas diversas, no tempo e nos lugares, a sociedade foi construindo uma história de usos do território nacional.
Meio “natural” ou pré-técnico
Já existia a técnica, mas a unidade é dada pela natureza (tempo lento).
O país era, de um lado uma vasta e impenetrável floresta e de outro, cerrado e caatinga. As ocupações humanas estavam restritas.
No entanto, a presença do homem atribuiu valor (prioridades) – técnica.
Período marcado pelas ações humanas de diversos grupos indígenas e a chegada dos europeus, adaptando-se aos sistemas naturais.
Nesse período “pré-técnico” havia a escassez de instrumentos artificiais necessários para dominar a o mundo natural.
A própria localização dos assentamentos humanas estavam subjugados às ofertas da natureza.
Os sucessivos meios técnicos
Segunda grande fase – diversos meios técnicos e mecanização seletiva 
- pré-máquina;
máquinas para produção;
máquinas para integração.
Pré-máquina – o Brasil é arquipélago de mecanização incompleta – manchas ou pontos do território onde há produção mecanizada..
Máquinas para produção - algumas máquinas incorporadas (ferrovias, portos e telégrafos) - circulação mecanizada e indústria balbuciante.
Máquinas para integração - a integração nacional (dos mercados e do território) ocorre após a construção das estradas de rodagem interligando o país, continuação das ferrovias e uma nova fase de industrialização.
O Brasil arquipélago – mecanização incompleta
Formação de zonas econômicas ligadas ao exterior – originam muitas cidades.
O desenvolvimento urbano era consequência imediata da combinação de dois fatores principais: 
		- localização do poder político-administrativo, e;
		- centralização dos agentes e das atividades econômicas.
A máquina do Estado servia para ampliar fronteiras, manter o regime e a ordem, cobrar impostos e, com a ajuda da igreja, unificar a língua.
As regiões produziam para o mercado externo em relações quase diretas, daí a imagem de um arquipélago.
	Escravidão e domínio são outros termos para contar a história colonial do território brasileiro. Homens, plantas e animais de três continentes, sob o império dos europeus, encontraram-se, e no convívio obrigatório, criaram uma nova geografia nessa porção do planeta.
A cultura da cana-de-açúcar derruba a floresta e funda uma série de pequenos centros na zona da mata nordestina e no recôncavo baiano. 
Os engenhos, responsáveis pela manutenção da escravidão africana nessas terras, são a manifestação precoce da mecanização – importância para Salvador e Recife.
A exploração do ouro e a criação de gado foram responsáveis pela interiorização da população em inúmero pequenos núcleos urbanos (MG, BA, GO, MT).
Os portos deram vida às cidades litorâneas, a borracha a Belém e Manaus, o café a São Paulo e Santos, o cacau às cidades do interior da Bahia.
No país não existiam estradas, apenas caminhos onde circulava o gado.
A exceção era o sudeste e sul, onde havia algumas estradas por onde circulavam diligências, no entanto nada que pudesse concorrer com as rodovias no escoamento da produção. 
Como as ilhas econômicas estavam isoladas, o crescimento das cidades foi desigual devido às oscilações das economias regionais.
Daí a inexistência de uma rede urbana verdadeiramente nacional, pois não havia uma integração – navegação de cabotagem.
As maiores cidades formaram-se no litoral e nos seus arredores. Com exceção das cidades do ouro, a vida urbana não existia fora do litoral.
Durante 400 anos vagarosos, principalmente no nordeste, a base da produção era um meio técnico dependente do trabalho do homem – seleção de produções e homens que ocupavam àquelas terras.
As primeiras indústrias não eram urbanas, já que dependiam das matérias-primas ou das fontes de energia.
As fábricas localizavam-se próximo da população. As mais numerosas e importantes estavam no Rio de Janeiro, até o início do séc.XX.
No sul, a política de migração comandou a forma de povoamento e trabalho
Em São Paulo, parte da imigração constituía a mão de obra qualificada e se tornou mercado consumidor – estímulo ao desenvolvimento industrial.
O meio técnico da circulação mecanizada e início da industrialização
No geral, início do século XX até 1940, quando finalmente é estabelecida uma rede brasileira de cidades, com hierarquia e interiorização urbana.
Período de transição - aparelhamento dos portos, construção das estradas de ferro e novas participações do país na fase industrial – expressão e duração diferentes em cada região.
Nesse período ocorre uma grande expansão das estradas de ferro, com profundas diferenças regionais: o sudeste conta com mais de 37% do total.
O café foi um fator importante nesse processo, incorporando áreas de MG até o norte do PR - começo da integração nacional e hegemonia de São Paulo, formação de um mercado no Centro-Sul.
O telégrafo também foi importante na integração do país - presente no Brasil desde 1852, só integrou o Mato Grosso ao país em 1904.
A população brasileira aumentou muito nesse período – 30 milhões em 1920 a 83 milhões em 1965.
O crescimento das cidades permitiu a redistribuição da população pelo território – Norte e Nordeste = 37% em 1872, e apesar de manter altos índices de natalidade, passam a 25% em 1960.
Incremento da população das cidades do Centro-sul do país por nordestinos que abandonaram suas regiões de origem.
Crescimento maior nas cidades do que a média global (39% e 54%).
A estrutura da propriedade no campo, a redistribuição da população nordestina e o crescimento das cidades no sudeste explicam um crescimento urbano ainda maior nas metrópoles com grande número de desempregados e subempregados.
A mudança relaciona-se ao desejo pela melhoria da qualidade de vida, facilitado pelos meios de comunicação – do rádio e tv às estradas e aviões.
A indústria que se desenvolve a partir de 1930 (mercados) e a fim das barreiras entre Estados (livre circulação) – fundamentais no processo de integração nacional.
Porém faltava uma rede nacional de transportes – Região Concentrada.
A integração nacional
A partir de 1945/50, a indústria ganha novo ímpeto – SP se destaca como a grande metrópole fabril do país (crescimento industrial intencional).
As indústrias de SP e Sul se expandem e necessitam da matéria-prima presente nos Estados do nordeste (algodão, sisal e mamona), como também necessitam de mais mercados.
A modernização do país facilitou a concentração econômica e espacial.
Novas formas de relação entre a metrópole e os centros regionais são estabelecidas pelo transporte feito pelos caminhões.
As exportações por caminhões a parir do RJ já representavam 79% em 1954.
O RJ sempre fora beneficiado por sua função política – metrópole econômica
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