A variabilidade de divisões possíveis é quase infinita assim como os critérios utilizados como possibilidade de análise. Só interessa aquilo que é geral e está sempre presente, pois o fato particular não é domínio da ciência – essas novas regras são chamadas de análise regional. Nessa nova abordagem a região passa a ser uma nova classe de área, fruto de uma classificação geral que divide o espaço segundo critérios. Os critérios são arbitrários e utilizados para justificar uma explicação. Dentro dessa perspectiva surgem as regiões homogêneas e as regiões funcionais. Regiões homogêneas (uniformes) - definem espaços homogêneos. Regiões funcionais (polarizadas) - hierarquização de polos e fluxos. Não há uniformidade espacial, mas nas múltiplas relações que circulam e dão forma a um espaço internamente diferenciado – valorização da vida econômica. Os progressos realizados no domínios dos transportes e das comunicações, bem como a expansão da economia internacional – que se tornou generalizada -, explicam a crise da noção clássica de “região”. Se ainda pretendemos manter a denominação, somos obrigados a redefinir a palavra. Milton Santos (1978) Baseado em modelos econômicos - Teoria dos lugares centrais – Christaller - grandes cidades teriam grandes áreas de influência, sobre a qual gravitariam os pequenos núcleos urbanos vizinhos - Teoria dos anéis concêntricos – von Thünen o valor do transporte determina a localização da produção. Teoria da Facilidade Central – Weber um empreendimento deve localizar-se em um ponto que minimize a distância total viajada para satisfazer as procuras de fregueses. Forte crítica a esta perspectiva que se amparava nos modelos econômicos neoclássicos - Morte do conceito região. Produzir regionalizações baseadas nessas noções é colaborar com a produção do desenvolvimento espacial desigual. Assumir a dinâmica de mercado como a lógica da organização espacial é naturalizar o capitalismo como única forma possível de conceber o desenvolvimento social, além de manter o status quo. Esta corrente crítica ficou também conhecida como geografia radical. Afinal de contas, qual é a diferença essencial, num país capitalista plenamente desenvolvido como os Estados Unidos da América do Norte, entre a Califórnia e Nova Iorque, entre Michigan e a Nova Inglaterra? À parte certas diferenças que chamaremos aqui de “culturais” – e que a própria evolução capitalista, sob a forma das comunicações, da televisão, da indústria “cultural” em suma, se encarrega de dissolver – na essência do movimento de reprodução do capital, na estruturação das classes sociais, não há mais “regiões” neste país norte-americano, há razões de localização diferenciada de atividades econômicas. Oliveira (1981) É importante destacar que essas tendências à homogeneização só ocorreria nos países centrais. Em qualquer outra situação a homogeneização não irá ocorrer pela acentuação das desigualdades espaciais. Isso não impede de haver uma proposta de regionalização a partir da divisão regional do trabalho, que no processo de acumulação capitalista provoca a diferenciação espacial - o conceito região ressuscita. Grammsci trabalha com o conceito de bloco histórico enquanto bloco regional, ou simplesmente região. A abordagem está centrada em processos e sujeitos (classes sociais), em uma dimensão geográfica. A divisão regional deve se ater ao processo de produção do espaço, à divisão territorial do trabalho. Qualquer outra proposta de regionalização que não considere esse novo ângulo crítico, visa esconder as contradições sociais e sua luta pelo espaço. Apesar dos novos critérios para construção da região, a metodologia é mantida, ou seja, continua a ser um processo de classificação do espaço. As sociedade produzem seu espaço de forma determinada e são determinadas por eles (princípios da lógica dialética marxista). A última morte do conceito região é quase que uma continuação da abordagem anterior, mas em outra escala. Acreditava-se que o processo de globalização iriam cada vez mais impor sociedades em rede, e não mais uma sociedade territorial. Desta maneira, a região desapareceria enquanto recortes regionais contínuos. A globalização intensifica o processo contínuo de fragmentação e articulação. Outra corrente crítica, chamada de humanista, ao contrário da radical, resgatou a noção de região. A consciência regional, o sentimento de pertencimento – revalorização do regional como o espaço vivido. A região volta a ser vista como um produto real, uma teia de experiências. Para compreender a região é preciso viver a região. O conceito de região foi importante para afirmar um campo de pesquisas unificado. Tanto a região natural quanto a região geográfica significaram a manutenção de uma reflexão que incluiu o homem e a natureza dentro da mesma análise.