sinopses jurídicas 15 - tomo i - processo penal procedimentos nulidades e recursos - 14ª edição_1

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após o recebimento da denúncia passam a ser aplicáveis a procedimentos previstos em leis especiais, como, por exemplo, para crimes falimentares e eleitorais
(desde que não se trate de infração de menor potencial ofensivo). O dispositivo em tela, entretanto, não criou um novo rito integral em substituição aos ritos
especiais, tendo apenas acrescentado fases que devem ser observadas, sem prejuízo da manutenção das peculiaridades de cada rito especial. Há de se ver, ainda,
que alguns ritos especiais, tal como aquele previsto na Lei n. 11.343/2006 (Lei Antitóxicos), já preveem uma fase de resposta preliminar com as mesmas
características, porém mais benéfica ao réu, pois anterior ao recebimento da denúncia. Neste caso, não faz sentido permitir-lhe nova resposta escrita logo após o
recebimento da inicial, pois se isso acontecesse o réu teria duas oportunidades para arrolar testemunhas, opor exceções etc.

Por fim, ressalve-se que o art. 398 do Código de Processo Penal foi revogado, de modo que o dispositivo em análise (art. 394, § 4º) diz respeito somente à
aplicação dos arts. 395 a 397 do Código a outros ritos.

Quadro sinótico – Procedimentos



Definição Procedimento é a sequência de atos que devem ser realizados durante o tramitar da ação penal.

Procedimentos comuns
a) ordinário: adotado para apuração de crimes cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 anos de privação de liberdade;
b) sumário: adotado para apuração de crimes cuja pena máxima seja inferior a 4 anos de privação de liberdade e superior a dois;
c) sumaríssimo: adotado para apuração das infrações penais de menor potencial ofensivo, ou seja, todas as contravenções e crimes
cuja pena máxima não exceda a 2 anos.

Procedimentos especiais previstos no Código de
Processo Penal

a) crimes de competência do júri;
b) crimes contra a honra;
c) crimes funcionais;
d) crimes contra a propriedade imaterial;

Procedimentos especiais previstos em leis
especiais

a) crimes relativos a entorpecentes;
b) crimes praticados com violência doméstica contra a mulher;
c) crimes eleitorais etc.

Quadro sinótico – Procedimento ordinário



PROCEDIMENTO SUMÁRIO
É adotado para os crimes que tenham pena máxima superior a 2 anos e inferior a 4 (ex.: embriaguez ao volante, lesão leve qualificada pela violência doméstica,

dano qualificado, tentativa de furto etc.).
As fases procedimentais são praticamente as mesmas do rito ordinário e estão regulamentadas nos arts. 531 a 538 do CPP:

a) recebimento da denúncia ou queixa;
b) citação do réu;
c) resposta escrita;
d) análise em torno de eventual absolvição sumária ou designação de audiência;
e) oitiva de testemunhas, interrogatório, debates e julgamento.

As principais diferenças que se pode elencar entre os dois procedimentos são as seguintes: no rito sumário o prazo máximo para a realização de audiência é de
30 dias, enquanto no ordinário é de 60; no sumário o número máximo de testemunhas é de 5, e no ordinário é de 8; no rito sumário a lei não prevê requerimento
oral de novas diligências ao término da audiência ao contrário do que se dá no rito ordinário; no sumário a lei não prevê de forma expressa a possibilidade de
conversão dos debates em memoriais e a possibilidade de o juiz determinar que os autos lhe venham conclusos para proferir sentença por escrito em 10 dias (não
haverá, todavia, qualquer nulidade na adoção de tais providências).

Quadro sinótico – Procedimento sumário



PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO (JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS)
O art. 98, I, da Constituição Federal estabelece que a União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados devem criar juizados especiais, providos por

juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os
procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau. O art.
98, parágrafo único, permite a criação dos juizados na esfera federal.

Para regulamentar esse preceito constitucional foi promulgada, em 26 de setembro de 1995, a Lei n. 9.099, que definiu infração de menor potencial ofensivo e
estabeleceu as regras para a transação penal e para o procedimento sumaríssimo, dentre várias outras providências.

O art. 61 da referida lei considerou como infrações de menor potencial ofensivo as contravenções penais e os crimes com pena máxima até 1 ano, exceto
aqueles que tenham rito especial. Posteriormente, a Lei n. 10.259/2001, que regulamenta os Juizados Especiais Criminais na esfera federal, definiu que, em seu
âmbito, consideram-se de menor potencial os crimes com pena máxima não superior a 2 anos. Essa lei fez nascer controvérsia em torno da aplicação desse novo
patamar à esfera estadual. Para pacificar a questão, entretanto, foi aprovada a Lei n. 11.313/2006, que alterou o art. 61 da Lei n. 9.099/95, de modo que,
atualmente, consideram-se infrações de menor potencial ofensivo, no âmbito estadual, todas as contravenções penais e os crimes cuja pena máxima não exceda 2
anos (com ou sem previsão de multa cumulativa). Essa nova redação, além de aumentar a pena máxima para 2 anos, passou, também, a admitir o julgamento no
Juizado Especial Criminal de delitos para os quais a lei previa rito especial, como, por exemplo, os crimes contra a honra e alguns crimes contra a administração
pública, como a prevaricação.

Por sua vez, a Lei n. 10.259, de 12 de julho de 2001, com a redação também alterada pela Lei n. 11.313/2006, estabelece que os Juizados Especiais Criminais
Federais julgam as infrações de menor potencial ofensivo atinentes a tal esfera. O Juizado Federal, todavia, não julga contravenções penais porque o art. 109, IV,
da Constituição Federal excluiu a possibilidade de a Justiça Federal julgar essa espécie de infração penal, que, assim, são todas julgadas pela Justiça Estadual.

Observações:
1) Quanto ao montante da pena, há de se ressalvar que a existência de causa de aumento que torne a pena máxima superior a 2 anos exclui a competência do

juizado. Ex.: crime de lesões corporais culposas na direção de veículo automotor (art. 303 do CTB), em que o agente não presta socorro à vítima. A pena máxima
do crime é de 2 anos, mas haverá acréscimo máximo de metade da pena em razão da omissão de socorro, perfazendo um total de 3 anos. Assim, fica afastada a
competência do juizado. O mesmo não ocorre em relação às agravantes genéricas, uma vez que o reconhecimento destas não permite a aplicação da pena acima
do máximo legal.

2) São também aplicáveis os institutos da Lei n. 9.099/95 às autoridades que gozam de foro por prerrogativa de função que venham a cometer infração de
menor potencial ofensivo. Nesse caso, a aplicação dos dispositivos legais será feita diretamente pelo tribunal competente.

3) O art. 94 do Estatuto do Idoso (Lei n. 10.741/2003) determinou a aplicação do procedimento da Lei n. 9.099/95 aos crimes nele previstos, cuja pena
máxima não ultrapasse quatro anos. Esse dispositivo simplesmente permite a aplicação do rito sumaríssimo, após o recebimento da denúncia, nos crimes contra os
idosos, e não da transação penal, já que tal texto não trouxe nova definição de infração de menor potencial ofensivo. A intenção do dispositivo é apenas a de dar
maior celeridade ao procedimento judicial, em face da peculiaridade da vítima idosa, e não de tornar menos gravosos tais delitos. O STF, ao julgar a Ação Direta
de Inconstitucionalidade n. 3.096, em junho de 2010, confirmou tal entendimento e deu “interpretação conforme à Constituição” ao dispositivo, declarando que, nos
crimes do Estatuto do Idoso com pena superior a 2 anos e não superior a 4, aplica-se o rito sumaríssimo da Lei n. 9.099/95, mas não suas medidas
despenalizadoras.

4) A Lei n. 11.340/2006, que trata da questão da violência doméstica e familiar contra a mulher, estabelece, em seu art. 41, que, independentemente da pena,
não se aplica a Lei n. 9.099/95 às infrações penais dessa natureza. Por não haver, todavia, regra