sinopses jurídicas 15 - tomo i - processo penal procedimentos nulidades e recursos - 14ª edição_1

@direito-penal-ii ESTÁCIO
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manifestação. Se a resposta escrita, todavia, consistir apenas em argumentação no sentido de que as provas já existentes no inquérito autorizam a imediata
absolvição, os autos não devem ser encaminhados ao Ministério Público, sendo, de imediato, conclusos ao juiz para decisão. Este, eno, baseado nas provas
existentes, absolverá sumariamente o réu ou determina o prosseguimento do feito.
A absolvição sumária será decretada, nos termos do art. 397 do Código de Processo Penal, quando o juiz verificar:
I a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;
II a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, exceto inimputabilidade;
III que o fato narrado evidentemente não constitui crime;
IV que ocorreu causa extintiva da punibilidade do agente.
A possibilidade de absolvição sumária nesse momento processual constitui importante inovão trazida pela Lei n. 11.719/2008. Houve, entretanto, equívoco
do legislador quando estabeleceu que o reconhecimento de causa extintiva da punibilidade constitui hipótese de absolvição, pois, neste caso, não há análise de
mérito — e sim de causa impeditiva, e tanto é assim que o art. 61 do Código de Processo Penal permite que o juiz, em qualquer fase do processo, reconheça a
extinção da punibilidade, agindo, inclusive, de ofício.
Em razão disso, o recurso cabível contra a absolvição sumária nos casos do art. 397, I, II e III, é a apelação, enquanto na hipótese do inciso IV, cabível o
recurso em sentido estrito (art. 581, VIII).
2.4. AUDIÊNCIA DE INST RÃO, INTERROGAT ÓRIO, DEBAT ES E JULGAMENT O
Se o juiz não absolver sumariamente o acusado, designará audiência, a ser realizada no prazo máximo de 60 dias (art. 400), e ordenará a intimação do
Ministério Público, do acusado, de seu defensor e, se for o caso, do querelante e do assistente de acusão (art. 399).
Em tal audiência será feita toda a instrução, ouvindo- se o ofendido, as testemunhas de acusação e as de defesa, nesta ordem.
Se tiver sido expedida carta precatória para oitiva de testemunha (de acusão ou de defesa), ela poderá ser juntada aos autos, ainda que após a audiência.
O número máximo de testemunhas no rito ordinário é 8 (para a acusação e para a defesa). Nesse número não se compreendem as que não prestam
compromisso e as referidas (art. 401, § 1º).
As partes podem desistir do depoimento de qualquer das testemunhas por elas arroladas se já considerarem suficientes as provas produzidas. Essa desisncia,
porém, deverá ser homologada pelo juiz, pois, na busca da verdade real, é possível que o magistrado tenha interesse na oitiva da testemunha em relação à qual
houve a desisncia (arts. 401, § 2º, e 209).
As testemunhas serão inquiridas cada uma de per si, de modo que umas não saibam nem ouçam os depoimentos das outras, devendo o juiz adverti- las das
penas cominadas ao falso testemunho. Antes do início da audiência e durante sua realização, serão reservados espos separados no rum para garantir a
incomunicabilidade das testemunhas (art. 210).
Se o juiz verificar que a presença do réu poderá causar humilhão, temor ou sério constrangimento à testemunha ou ao ofendido, de modo que prejudique a
verdade do depoimento, fará a inquirição por videoconferência e, somente na impossibilidade dessa forma, determinará a retirada do réu da sala, prosseguindo- se
na inquirição na presença do defensor (art. 217).
Importantes inovações foram trazidas pela Lei n. 11.690/2008, que deu nova redação ao art. 212 do digo de Processo Penal. Pelo novo sistema, as
perguntas serão feitas pelas partes diretamente às testemunhas (cross ex aminat ion ), e não mais por intermédio do juiz. Se não tiver sido adotado processo de
estenotipia ou de gravação magnética dos depoimentos, caberá ao juiz ditar as respostas ao escrevente de sala, ou seja, as partes enderam os questionamentos
diretamente às testemunhas, mas as respostas o consignadas nos autos pelo juiz. Cabe, ainda, ao magistrado indeferir as perguntas que puderem induzir a
resposta, não tiverem relão com a causa ou importarem repetição de outra pergunta já respondida.
Após as perguntas das partes, o juiz poderá complementar a inquirição sobre os pontos que entenda que ainda não foram esclarecidos.
O Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou no sentido de que, muito embora devam as partes dirigir suas indagões às testemunhas antes do juiz, de modo
a simplificar a colheita da prova e a garantir mais neutralidade ao magistrado, a inobservância dessa fórmula, ou seja, a circunstância de o juiz formular as perguntas
em primeiro lugar gera, quando muito, nulidade relat iv a (HC 137094/DF, Turma, Rel. Min. Og Fernandes e HC 144909/PE, 6 ª Turma, Rel. Min. Nilson
Naves). Há, entretanto, julgado dessa mesma Corte declarando a nulidade de audiência de instrução e julgamento, bem como dos atos subsequentes, em
decorrência de o juiz ter endereçado perguntas às testemunhas antes das partes (HC 121216, 5ª Turma, Rel. Min. Jorge Mussi).
Em seguida, se tiver havido prévio requerimento das partes, o perito prestará os esclarecimentos solicitados (art. 400, § 2º).
Na sequência, serão efetuadas acareações, se requeridas pelas partes e deferidas pelo juiz, e efetuados reconhecimentos de pessoas ou coisas.
Dise o art. 400, § , que as provas serão produzidas em uma só audiência, devendo o juiz indeferir aquelas que considerar irrelevantes, impertinentes ou
protelatórias. É evidente, entretanto, que haverá necessidade de designão de dia e hora para continuão da audiência se faltar alguma testemunha considerada
imprescindível. Assim, suponha-se que tenham sido arroladas 4 testemunhas pela acusação e 4 pela defesa e, na data designada, compareçam apenas 3
testemunhas de acusão. Após serem colhidos os depoimentos destas, caso o promotor insista na oitiva da testemunha faltante, o juiz deve redesignar a
audiência e determinar nova intimação da testemunha ausente. As 4 testemunhas de defesa que estavam presentes não poderão ser ouvidas para que não haja
inversão na ordem das provas , de modo que sairão já cientes do dia e hora designados para continuação da audiência, para serem ouvidas logo após a oitiva da
testemunha de acusação que havia faltado.
A audiência poderá também ser adiada se, por motivo justificado, o defensor não puder comparecer (art. 265, § 1 º). Incumbe ao defensor provar seu
impedimento a a abertura da audiência. Se não o fizer, o juiz não determinará o adiamento, devendo nomear defensor substituto, ainda que provisoriamente, ou só
para o efeito do ato (art. 265, § 2º).
O último ato instrutório é o interrogatório, ato em que o juiz ouve o réu/querelado acerca de sua versão sobre os fatos descritos na denúncia ou queixa, bem
como a respeito de sua vida pessoal.
As o advento da Lei n. 10.792/2003, que alterou diversos artigos do Código em relação a esse tema, o interrogatório passou a ser feito obrigatoriamente na
presença do defensor, constituído ou dativo. Além disso, antes do interrogatório, será assegurado ao réu o direito de entrevistar- se reservadamente com seu
defensor (art. 185, §). Como o interrogatório ocorre na mesma audiência, as a oitiva da vítima e das testemunhas, tem sido comum os juízes conferirem nova
oportunidade de o u entrevistar- se com seu defensor as referidos depoimentos (antes do interrogatório).
Outra inovação da Lei n. 10.792/2003 é permitir que as partes fam reperguntas ao final do interrogatório (art. 188). Essas reperguntas serão feitas por
intermédio do juiz, que as indeferirá se entender impertinentes ou irrelevantes. O Supremo Tribunal Federal entendeu que, se houver corréu, seu defensor deverá ter
oportunidade de enderar perguntas no interrogario do outro acusado, devendo ele ser intimado quando a oitiva se der por precatória.
Em se tratando de réu preso, o juiz deverá realizar o interrogatório no estabelecimento prisional em que ele se encontrar, salvo se não houver segurança
suficiente no local, hipótese em que o ato se dará em juízo. Em tal hipótese, o réu deverá ser requisitado junto ao estabelecimento em que esteja preso, para que
seja providenciada sua remoção no dia do interrogatório (art. 399, § 1º).
O interrogatório é constituído de duas partes. A primeira diz respeito à pessoa do acusado e a segunda, aos fatos criminosos que lhe foram imputados na
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Waldo Baleixe fez um comentário
  • que absurdo, este site pede que disponibilize para depois cobrar..site bandido
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