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Avaliando e Tratando do Sistema Estomatognático

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Avaliando e Tratando do Sistema Estomatognático 
Irene Queiroz Marchesan 
 
 
Ao avaliarmos o Sistema Estomatognático não podemos nos esquecer que ele é 
composto de partes duras e moles, ou seja, ossos e músculos. Portanto não adianta conhecer 
apenas as partes moles, como os lábios, língua e bochechas, tendo como justificativa o fato de 
que somos fonoaudiólogos, assim como não se justifica que o dentista conheça somente as 
partes duras, como os ossos e os dentes. 
 
A avaliação deverá ser completa. Não só examinaremos todas as estruturas que compõe 
este sistema, como deveremos, acima de tudo, relacioná-las entre si, já prevendo o que será 
possível ocorrer. Um bom clínico, ao fazer a anamnese já poderá estar examinando seu paciente. 
Comportamentos, posturas, hábitos e funções podem ser observadas durante as perguntas da 
anamnese, sejam estas feitas para os pais ou para o próprio paciente. Para que isto ocorra, é 
claro que a pessoa a ser examinada deverá estar presente durante a anamnese. Os terapeutas 
podem escolher se querem fazer a anamnese diretamente com o paciente, só com os pais ou com 
os pais e o paciente. As três maneiras de colher os dados podem ser adequadas, se bem 
utilizadas, e todas apresentarão aspectos positivos e negativos. Cada terapeuta deverá encontrar 
para si, ou para cada caso, a melhor maneira de conhecer a problemática dos pacientes que o 
procuram. 
 
O Sistema Estomatognático, é composto por ossos, dentes, articulação temporo-
mandibular, músculos, sistema vascular e nervoso e espaços vazios. Sobre os ossos estão as 
partes moles e, portanto, ao examinarmos as partes duras, poderemos prever como ocorrem as 
funções. Qualquer alteração, principalmente sobre os dentes, tenderá a levar a um desarranjo de 
todo o sistema. Dentre os principais ossos que compõem a face destacaremos a maxila e a 
mandíbula. Sobre estas bases estão implantados os dentes. O ser humano nasce, cresce se 
desenvolve e envelhece. Ocorrerão modificações durante toda a vida. Sendo assim, não 
podemos tomar um único parâmetro de normalidade para a avaliação. Devemos ter sempre em 
mente que nossas estruturas, dentro de um processo normal de desenvolvimento, se modificam 
constantemente. 
 
Um dos fatores que pode levar a estas modificações é a hereditariedade. Observarmos as 
características dos familiares pode ser uma forma de obtermos indícios sobre possíveis caminhos 
que o futuro crescimento de nossos pacientes pode tomar. Outro fator interferente, e que deverá 
ser relevado durante o exame, é sabermos de que meio sócio - econômico eles provêm. Não 
poderíamos deixar de citar, ainda, que exercerá grande influência em nosso trabalho o 
conhecimento técnico-científico dos profissionais envolvidos no caso, como o dentista e o 
otorrinolaringologista, assim como o interesse do paciente e de sua família pelo trabalho. É 
também de fundamental importância que os fonoaudiólogos mantenham-se bem informados e 
atualizados em relação aos problemas com os quais pretendem atuar. 
O paciente e sua família devem estar conscientes da necessidade do trabalho e 
participarem de todo o processo terapêutico para que seja possível alcançar as modificações 
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pretendidas. Nunca é demais lembrar que qualquer modificação virá de dentro para fora, ou seja, 
o profissional pode interferir, determinando o que o paciente deve fazer mas só ele é quem 
poderá fazer algo por si mesmo. Sendo assim, mesmo com ótimos profissionais trabalhando no 
caso, se não houver uma verdadeira participação do paciente e de seus familiares, dificilmente 
conseguiremos um resultado positivo. 
 
Faremos, a seguir, um roteiro didático para que possamos nos orientar na anamnese e no 
exame de nossos clientes. Somente a partir da coleta destes dados poderemos pensar no 
planejamento terapêutico. 
 
 
ANAMNESE 
 
O que usar? Roteiros prontos? Folhas em branco? Perguntas semi dirigidas? Ou será que 
é melhor deixar os pais falarem sem perguntarmos nada? Temos visto que os jovens 
fonoaudiólogos se perdem inicialmente a respeito do que usar ao estarem pela primeira vez com 
um paciente. Não é importante que um questionário formal exista. Na verdade, tanto faz a forma 
como iremos abordar a família para descobrir o que queremos saber. Se vamos dirigi-los ou 
simplesmente deixar que contem livremente o que entendem como importante para aquele 
momento. O essencial é que saibamos manejar, e compreender, a técnica escolhida para a 
primeira entrevista. Devemos ressaltar que ambas as formas, entrevistar sem roteiros e fazer 
perguntas pré estabelecidas, são maneiras interessantes e muitas vezes fundamentais. Às vezes, é 
mais uma questão de rotina ou de como aprendemos a colher dados. 
 
Devemos, no entanto, ter claro que nenhum modelo será suficientemente bom quando o 
estamos utilizando apenas porque o temos em mãos, sem compreendermos exatamente o que o 
autor daquele tipo de anamnese queria quando a elaborou. Os autores de anamneses e exames 
quando fazem seus roteiros, têm em sua mente um conceito do que é o problema em questão e 
das possíveis causas que levaram a ele. Sendo assim, irão tentar, através de perguntas e técnicas 
de exame, comprovar suas hipóteses chegando às causas do problema. Conhecer o que aquele 
instrumento específico pretende, ou seja, o que o autor daquele questionário, ou forma de 
entrevistar ou examinar, tinha como princípio teórico é o mais importante. Até porque, desta 
maneira, saberemos se estes princípios são os mesmos que queremos adotar e nos quais 
acreditamos. 
 
Em relação às perguntas específicas para cada caso, podemos dizer que serão inúteis se 
não estiverem ligadas a um conhecimento que justifique a questão. Exemplo disto seria 
perguntarmos para uma mãe com quantos centímetros e com que peso seu filho nasceu e não 
sabermos os parâmetros de normalidade. Outro bom exemplo seria o de uma criança de seis 
anos que tem como queixa, simplesmente, a troca do fonema /k/ por /t/, e perguntamos se a mãe 
fez abortos, quantos e em que condição. Estas perguntas não são significativas para o caso, com 
certeza. Tampouco nos levam a um raciocínio clínico acerca das possíveis causas da troca do /k/ 
pelo /t/ que era a queixa inicial. Muitas vezes recorremos a um roteiro pré determinado onde 
existem questões as quais não sabemos o que querem dizer, qual o parâmetro de normalidade e, 
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até mesmo, como utilizar estes dados no futuro. Estas perguntas e respostas acabam se tornando 
um monte de papel arquivado sem significado. 
 
O primeiro contato com o paciente deve servir, entre uma série de razões, para criar 
vínculos entre terapeuta e família, criar hipóteses diagnósticas, levantar novas questões e 
possíveis encaminhamentos. Como se pode perceber, fazer entrevistas e ou anamneses não é 
algo fácil. Fundamentação teórica, raciocínio inferencial e alguma perspicácia, são elementos 
necessários para que se obtenha com sucesso aquilo que se pretende. Um conhecimento mínimo 
da patologia é condição básica para nos orientarmos dentro da anamnese. Só desta maneira 
poderemos, ao final, interpretar de forma adequada o que colhemos. Agindo desta maneira, os 
próximos encontros passarão a ser uma continuidade do primeiro, não havendo a quebra entre a 
anamnese, o exame e a terapia. Devemos evitar que cada bloco se torne estanque e sem vínculo 
com o seguinte. A anamnese, o exame e a terapia devem ter os mesmos princípios e também uma 
continuidade entre eles. 
 
 
 
SUGESTÕES PARA A ELABORAÇÃO DE UM ROTEIRO DE ANAMNESE 
 
Primeira Parte 
 
Se estamos confusos por onde começar, sugiro iniciarmos pela coleta de dados que irão 
identificar o paciente, perguntando dados como nome, data de nascimento, nome dos pais, 
profissão, endereço, escolaridade, etc. Podemos terminar esta parte com a queixa, ou seja, com 
a razão que levou

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