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1 
 
 
 
 
 
 
 
 
TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO 
DE SEMENTES 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Thiago Cardoso Silva 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta etapa, iremos abordar assuntos relacionados à tecnologia e 
produção de sementes para a produção vegetal. O objetivo desta etapa é 
explorar os fundamentos do beneficiamento e armazenamento de sementes, 
abordando conceitos essenciais para garantir a qualidade e a eficiência na 
preservação e manejo das sementes. 
Iniciaremos com uma análise detalhada das técnicas, etapas e unidades 
de beneficiamento de sementes. Em seguida, focaremos nas práticas e 
tecnologias relacionadas ao armazenamento de sementes, com ênfase em 
métodos que asseguram a longevidade e a viabilidade das sementes ao longo 
do tempo. Serão discutidos os impactos dessas práticas na produção agrícola e 
florestal, bem como suas implicações para o melhoramento genético e a 
sustentabilidade. 
Os cinco temas principais desta etapa serão: 
1. Beneficiamento de sementes: conceito e etapas 
2. Equipamentos utilizados para o beneficiamento de sementes 
3. Armazenamento de sementes: longevidade e deterioração 
4. Armazenamento de sementes: fatores que afetam a conservação 
5. Armazenamento de sementes: tipos de armazenamento 
Vamos iniciar esta etapa, então, pois temos muitos assuntos importantes 
a tratar. 
TEMA 1 – BENEFICIAMENTO DE SEMENTES: CONCEITO E ETAPAS 
O beneficiamento de sementes é um conjunto de etapas que busca 
aprimorar a qualidade física e fisiológica das sementes, garantindo que elas 
cumpram os requisitos necessários para a sua comercialização e plantio. O 
processo inclui fases como limpeza, separação, tratamento e armazenamento 
das sementes, eliminando impurezas, sementes defeituosas ou danificadas, 
além de aplicação de tratamentos que previnam ataques de pragas e doenças. 
O principal objetivo do beneficiamento é assegurar que as sementes estejam 
saudáveis, vigorosas e padronizadas, promovendo melhor desempenho no 
campo e aumentando a produtividade agrícola e florestal. 
O beneficiamento e o armazenamento de sementes são etapas 
importantes para garantir sua qualidade, uniformidade, germinação e vigor, 
 
 
3 
resultando em alta produtividade. Após o beneficiamento adequado, as 
sementes devem ser armazenadas em condições que mantenham sua 
qualidade, com embalagens apropriadas, baixa umidade e ausência de pragas 
e roedores (Oliveira et al., 2021). Esses cuidados são essenciais para preservar 
a viabilidade das sementes durante o período de armazenamento. Porém, sobre 
armazenamento, veremos mais detalhes a seguir. 
O beneficiamento de sementes envolve várias etapas que resultam em 
sementes de alta qualidade. Esse processo é essencial para garantir que as 
sementes estejam prontas para o plantio, assegurando sua pureza e potencial 
produtivo. Após a colheita, as sementes são enviadas para as unidades de 
beneficiamento de sementes (UBS), onde passam por uma série de 
tratamentos (Oliveira et al., 2021). As UBS têm uma função essencial na cadeia 
produtiva agrícola, assegurando que as sementes destinadas ao plantio 
possuam elevada qualidade. Nesses locais, as sementes colhidas passam por 
etapas como remoção de impurezas, secagem, classificação por tamanho e 
tratamento para defendê-las contra pragas e enfermidades. 
Além de aumentar a pureza e o vigor das sementes, as UBS também 
ajudam a prolongar a vida útil das sementes pela secagem e armazenamento 
em condições controladas. Isso permite que as sementes sejam mantidas por 
períodos maiores, sem perda significativa de qualidade. Com o avanço das 
tecnologias de beneficiamento, essas unidades tornaram-se ainda mais 
eficientes. As sementes chegam às UBS com diversas impurezas, como palhas, 
pedras, restos de culturas e sementes de plantas daninhas. Além disso, podem 
conter sementes malformadas, deformadas ou contaminadas por patógenos e 
insetos (Freitas; Nascimento, 2012). O beneficiamento remove essas impurezas, 
selecionando apenas as sementes adequadas para uso, assegurando melhor 
qualidade e rendimento nas lavouras. 
Durante o beneficiamento, precisa-se dar atenção aos danos mecânicos 
e à contaminação varietal, pois esses são os principais fatores que podem 
comprometer o êxito dessa fase. Quando executado corretamente, o 
processamento melhora o lote de sementes. Como resultado, as etapas 
seguintes na produção gerarão benefícios à qualidade da produção das 
sementes. A prioridade no processamento é preservar a qualidade das 
sementes, garantindo que os cuidados no campo sejam mantidos, reduzindo os 
danos no decorrer do processo (Freitas; Nascimento, 2012). 
 
 
4 
1.1 Etapas do beneficiamento de sementes 
As principais etapas do beneficiamento das sementes estão apresentadas 
no Quadro 1. Um organograma dessas etapas consta na Figura 1. 
Quadro 1 – Etapas do beneficiamento de sementes 
ETAPA CARACTERÍSTICAS 
Recepção Nessa fase, as sementes chegam à UBS, sendo imediatamente 
encaminhadas para processamento ou armazenadas para aguardar as 
próximas etapas. 
Pré-limpeza Etapa responsável pela remoção inicial de impurezas, como palha, torrões, 
sementes de outras espécies (incluindo plantas invasoras) e insetos 
mortos. 
Secagem Realizado quando as sementes estão com teor de umidade inadequado, 
esse processo ajusta os níveis de umidade para o armazenamento ou 
beneficiamento, podendo ser feita de forma natural ou artificial. 
Limpeza Semelhante à pré-limpeza, porém mais rigorosa, separa com maior 
precisão materiais indesejáveis, como outras sementes ou sementes 
malformadas e imaturas. 
Separação e 
classificação 
A classificação de sementes visa separá-las com base em características 
físicas, como tamanho, peso, umidade e cor, para garantir uma separação 
precisa. Nessa etapa, um lote já limpo é subdividido em lotes menores e 
mais uniformes, usando equipamentos que classificam as sementes por 
espessura, largura ou comprimento, de acordo com a espécie. Esse 
processo melhora a qualidade do lote, facilita o tratamento das sementes 
e otimiza a semeadura mecânica, devido à uniformidade no tamanho e 
forma das sementes, tornando todo o processo mais eficiente. 
Embalagem As sementes são ensacadas após serem tratadas, se necessário com 
fungicidas ou inseticidas ou após total limpeza e separação. Elas são 
levadas para embaladoras e colocadas em embalagens adequadas para a 
espécie. O objetivo é garantir que estejam em boas condições para 
armazenamento futuro, preservando sua qualidade durante o período em 
que permanecerão estocadas até o seu uso ou comercialização. 
Armazenamento Após embaladas, as sementes estão prontas para serem armazenadas e, 
posteriormente, comercializadas. O local de armazenamento deve ser 
amplo e permitir a separação adequada dos lotes, mantendo as condições 
ambientais ideais para conservar a qualidade fisiológica e sanitária das 
sementes, preservando sua viabilidade durante o período de estocagem. 
Fonte: elaborado por Silva, 2024, com base em Carvalho; Nakagawa, 2000; Oliveira et al., 2021. 
 
 
 
5 
Figura 1 – Esquema geral do beneficiamento de sementes em uma UBS 
 
Fonte: elaborado por Silva, 2024, com base em Silva et al., 2012. 
1.2 Separação e classificação de sementes 
O beneficiamento de sementes é realizado com base nas diferenças nas 
características físicas entre as sementes e as impurezas presentes no lote. A 
separação e a classificação só ocorrem se houver variações detectáveis pelos 
maquinários, nas UBS (Freitas; Nascimento, 2012). 
As principais características físicas desse processo são (Oliveira et al., 
2021): 
a. Tamanho: é uma das características mais variáveis em um lote recém-
colhido e amplamente usada na separação de sementes e impurezas. A 
variação no tamanho das partículas (largura, espessura e comprimento) 
torna essa etapa um ponto inicial no beneficiamento de muitas espécies. 
b. Forma: apresenta-seuma grande variação entre espécies de sementes. 
A separação geralmente ocorre pela diferença entre sementes 
arredondadas e achatadas, utilizando máquinas especializadas. 
c. Peso: diferenças no peso ou densidade permitem separar sementes de 
impurezas, como pedras ou resíduos. Variações no peso das sementes 
podem ser causadas por ataques de insetos, patógenos, imaturidade ou 
malformação. 
 
 
6 
d. Textura do tegumento: refere-se ao grau de rugosidade das sementes, 
permitindo a separação entre sementes lisas e rugosas, com o uso de 
máquinas específicas. 
e. Cor: é útil para separar sementes com características físicas semelhantes 
(tamanho, forma, peso), utilizando-se para isso máquinas eletrônicas que 
diferenciam as sementes pela cor, por meio de células fotoelétricas. 
f. Afinidade por líquidos: diferencia as sementes pela quantidade de 
líquido que podem absorver, separando as sementes com tegumento 
danificado das saudáveis, com base na capacidade de absorção. 
g. Condutividade elétrica: reflete a capacidade das sementes de conduzir 
ou armazenar cargas elétricas. Usada como último recurso para 
separação quando as outras características não são suficientes, 
empregando um separador eletrostático. 
1.3 Equipamentos utilizados para beneficiamento de sementes 
Os equipamentos utilizados no beneficiamento de sementes são 
fundamentais para garantir a eficiência e qualidade do processo. Máquinas como 
classificadoras, mesas densimétricas e selecionadoras são essenciais para a 
separação adequada, removendo impurezas e sementes de baixa qualidade. O 
uso adequado dos equipamentos reduz danos mecânicos e contaminações, 
preservando a qualidade e vigor das sementes durante o beneficiamento, o que 
é essencial para a eficiência agrícola e florestal e a qualidade dos plantios. 
Os principais equipamentos utilizados para beneficiamento das sementes 
são (Freitas; Nascimento, 2012): 
a. Máquina de ar e peneiras (MAP) (Figura 2): separa sementes pelo 
tamanho e peso específico, realizando sua pré-limpeza ou classificação 
completa. Pode ter diferentes peneiras e sistemas de ventilação, 
removendo impurezas maiores e menores. 
• Pré-limpeza: realizada por até duas peneiras e ventilação, removendo 
impurezas grosseiras. 
• Limpeza e classificação: utiliza três ou mais peneiras e ventilação, 
podendo dispensar o uso de outros equipamentos. 
 
 
 
7 
Figura 2 – Esquema de funcionamento da máquina de ar e peneiras 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
b. Mesa de gravitação (Figura 3): elimina sementes defeituosas com base 
no peso específico, sendo usada no final do beneficiamento para refinar 
a limpeza e classificar sementes por densidade. 
Figura 3 – Exemplo de mesa de gravitação 
 
Crédito: Magnon Oliveira. 
 
 
8 
c. Separador de pedras (Figura 4): remove pequenas impurezas pesadas 
com base no peso específico, separando materiais em duas frações: 
impurezas e sementes. 
Figura 4 – Exemplo de separador de pedras 
 
Crédito: Magnon Oliveira. 
d. Separadores a ar: utilizam fluxo de ar para eliminar impurezas leves, 
como cascas e sementes defeituosas, com base no peso específico. 
e. Separador de espiral: separa sementes arredondadas pelo formato, mas 
tem menor rendimento, necessitando-se de um conjunto de espirais para 
se otimizar o processo. 
Figura 5 – Separador de sementes em espiral 
 
Crédito: Sichkarenko.com/Shutterstock. 
f. Separador de cilindro (Figura 6): usado para separar sementes e 
impurezas por comprimento, classifica sementes em longas e curtas. 
 
 
9 
Figura 6 – Separador de cilindros 
 
Crédito: Magnon Oliveira. 
g. Separador eletrônico (Figura 7): utiliza a cor para separar sementes, 
eliminando as manchadas. É utilizado principalmente em sementes 
híbridas, apesar do seu alto custo. 
Figura 7 – Separador de grãos por cores 
 
Crédito: Goldren/Adobe Stock. 
h. Separador de correia inclinada (Figura 8): separa sementes com base 
em diferenças de formato e textura superficial, separando lisas de rugosas 
ou arredondadas de achatadas. 
 
 
10 
Figura 8 – Separador de correia inclinada para grãos 
 
Crédito: Larisa AI/Adobe Stock. 
i. Correia de seleção manual: a seleção é feita manualmente, em uma 
correia plana, removendo materiais indesejados enquanto as sementes 
são transportadas para o final da correia. 
j. Classificador horizontal de peneiras planas: classifica sementes por 
largura e espessura, semelhantemente à MAP. 
k. Transportadores: movem as sementes entre as máquinas. Podem ser 
manuais, devido ao pequeno volume. Devem minimizar danos mecânicos 
e evitar misturas indesejadas. 
l. Descascador (Figura 9): o equipamento de trilha e desaristamento de 
sementes é eficiente para pequenos volumes, removendo impurezas e 
aristas, preservando a qualidade das sementes. Seu design compacto 
facilita o seu uso e transporte, sendo ideal para pequenos produtores. A 
sua manutenção regular prolonga sua durabilidade e maximiza o retorno 
do investimento. 
 
 
 
11 
Figura 9 – Descascador de castanhas (macadâmia) 
 
Crédito: Santi/Adobe Stock. 
m. Desaristador (Figura 10): remove apêndices e impurezas das sementes, 
proporcionando um polimento suave. O desaristador de sementes é um 
equipamento utilizado para remover as aristas (estruturas finas e 
pontiagudas) das sementes, especialmente em plantas como gramíneas 
e cereais. As aristas podem dificultar o processo de plantio e 
armazenamento, além de atrapalhar a eficiência de outras máquinas 
agrícolas. O desaristador facilita a limpeza e o preparo das sementes, 
garantindo uma melhor qualidade para o plantio e contribuindo para um 
manejo agrícola/florestal mais eficiente e produtivo. 
https://stock.adobe.com/br/contributor/209026673/santi?load_type=author&prev_url=detail
 
 
12 
Figura 10 – Exemplo de desaristador de sementes/grãos 
 
Crédito: Magnon Oliveira. 
n. Depilador: remove tricomas e pelos de sementes sem prejudicar sua 
germinação ou vigor. 
O planejamento, o desenvolvimento e a implementação de uma UBS 
demandam investimentos significativos e conhecimento técnico especializado, 
considerando toda a infraestrutura necessária para etapas como secagem, 
aquisição e instalação de equipamentos, além do armazenamento das sementes 
em um espaço adequado e amplo (Oliveira et al., 2021). Devido a esses altos 
investimentos, o valor agregado ao preço final do lote de sementes beneficiadas 
é elevado (Trogello et al., 2013). 
TEMA 2 – PLANEJAMENTO DAS UNIDADES DE BENEFICIAMENTO DE 
SEMENTES (UBS) 
Como já discutido, as UBS têm como principal objetivo separar e 
classificar as sementes com base em suas características específicas, como 
tamanho, peso e forma. Esse processo garante a obtenção de um produto mais 
homogêneo, livre de impurezas e adequado para o mercado. Além disso, as 
sementes processadas apresentam alta qualidade física, fisiológica e sanitária, 
o que aumenta sua eficiência durante a semeadura e seu valor comercial. Dessa 
forma, o trabalho realizado nas UBS contribui para garantir que os lotes de 
sementes estejam em perfeitas condições, proporcionando melhores resultados 
tanto para os agricultores quanto para o meio ambiente. Seu objetivo é obter 
 
 
13 
sementes de maior qualidade e consistência, cultivando uma lavoura mais 
homogênea e produtiva (Trogello et al., 2013). 
A seleção das máquinas e a ordem das etapas a serem realizadas no 
processo de beneficiamento variam conforme a espécie em questão e as 
condições físicas do lote. No entanto, já existem sequências padrões para a 
maioria das sementes comumente beneficiadas, apenas com pequenas 
variações pontuais (Oliveira et al., 2021). 
De modo geral, o processo de beneficiamento em uma UBS segue várias 
etapas básicas, como recepção, pré-limpeza, limpeza, secagem (quando 
necessário), separação, classificação, tratamento (quando aplicável), 
armazenamento e comercialização. Isso já foi explicadoanteriormente. Cada 
uma dessas etapas é fundamental para garantir a qualidade final das sementes, 
promovendo a remoção de impurezas e a preservação de suas características. 
Além disso, a escolha, a instalação e o ajuste dos transportadores, 
equipamentos e maquinários utilizados na UBS devem ser feitos com cuidado, 
de forma a garantir o manuseio adequado e a separação eficiente das sementes, 
evitando qualquer tipo de dano mecânico que possa comprometer sua 
integridade (Trogello et al., 2013). 
Os equipamentos de transporte, secagem, limpeza, separação e 
classificação precisam ser estrategicamente organizados na UBS. O objetivo 
disso é assegurar um fluxo contínuo e eficiente das sementes durante todo o 
processo de beneficiamento. Esse fluxo deve se iniciar na recepção do lote, onde 
as sementes são descarregadas e preparadas para o processamento. A partir 
daí, as sementes passam por uma série de etapas, como secagem e limpeza, 
com o objetivo de remover impurezas e reduzir a umidade, garantindo sua 
qualidade. Em seguida, são realizadas as suas separação e classificação, que 
têm como finalidade organizar as sementes conforme suas características e 
padrões de qualidade. Ao final desse processo, as sementes são embaladas e 
direcionadas para a área de embarque, onde estarão prontas para distribuição e 
comercialização, completando o ciclo de beneficiamento de forma organizada e 
otimizada (Oliveira et al., 2021). 
Os investimentos e conhecimentos técnicos necessários para planejar e 
executar uma UBS são elevados, devido à estrutura exigida para etapas como 
secagem, aquisição de máquinas e armazenamento adequado das sementes. 
 
 
14 
Esse investimento resulta em um aumento do valor agregado ao preço final do 
lote beneficiado, como visto na etapa anterior. 
2.1 Práticas de controle interno na UBS 
As práticas de controle interno na UBS são essenciais para garantir a 
eficiência e a qualidade dos processos, desde a recepção das sementes até a 
sua comercialização. O controle interno assegura a rastreabilidade, a 
conformidade com normas regulatórias, a minimização de perdas e a prevenção 
de danos mecânicos. Além disso, ajuda a otimizar o uso de recursos, a reduzir 
custos operacionais e a garantir que os lotes de sementes atendam aos padrões 
de qualidade exigidos pelo mercado. 
A seguir, serão apresentados alguns testes aplicados para controle 
interno na UBS. Muitos desses são regidos pela Regra para análise de sementes 
– RAS (Brasil, 2009). 
2.1.1 Teste de peneiras 
O teste de peneiras para sementes é uma técnica usada para classificar 
as sementes com base em seu tamanho e forma. O processo envolve o uso de 
um conjunto de peneiras de diferentes aberturas, que permitem separar as 
sementes de acordo com as suas dimensões (Figura 11). 
Figura 11 – Separação de grãos de milho por peneiramento 
 
Crédito: Andrey Krupenko/Adobe Stock. 
https://stock.adobe.com/br/contributor/206801229/andrey-krupenko?load_type=author&prev_url=detail
 
 
15 
Durante o teste, as sementes são colocadas na peneira superior e 
agitadas, permitindo que as menores passem para as peneiras inferiores, 
enquanto as maiores permanecem nas peneiras de cima (Figura 12). O teste de 
peneiras é amplamente utilizado em unidades de beneficiamento de sementes 
para assegurar que o produto atenda aos padrões de qualidade exigidos pelo 
mercado. Esse método é essencial para: 
a. Padronização: garante que o lote de sementes tenha uniformidade em 
termos de tamanho, o que é importante para a semeadura. 
b. Qualidade: remove impurezas, como detritos e sementes defeituosas, 
melhorando a qualidade do lote. 
c. Viabilidade: as sementes maiores geralmente têm maior viabilidade e 
vigor, enquanto as menores podem ser descartadas ou usadas para 
outros fins. 
d. Eficiência: auxilia no ajuste dos equipamentos de plantio e na melhoria 
da eficiência da colheita. 
Figura 12 – Jogo de peneiras para seleção de sementes por tamanho 
 
Crédito: Itsanan/Adobe Stock. 
2.1.2 Teste da canequinha: peso volumétrico 
O teste da canequinha é um método simples utilizado para avaliar a 
qualidade física e a pureza de lotes de sementes. Esse teste consiste em usar 
uma pequena amostra de sementes, geralmente colocada em uma canequinha 
ou recipiente pequeno, para identificar a presença de impurezas, como pedaços 
https://stock.adobe.com/br/contributor/206918339/itsanan?load_type=author&prev_url=detail
 
 
16 
de terra, restos vegetais, sementes de outras espécies ou sementes quebradas 
e malformadas. 
Basicamente segue-se, para tanto, este passo a passo: 
a. Coleta da amostra: escolhe-se uma pequena quantidade de sementes, 
representativa do lote. 
b. Análise visual: as sementes são despejadas em uma canequinha e 
examinadas visualmente. A pessoa responsável verifica o estado físico 
das sementes e a presença de impurezas. 
c. Separação manual: os elementos indesejáveis, como fragmentos de 
solo, sementes danificadas ou de outras espécies, são separados para se 
estimar a proporção de impurezas. 
d. Interpretação dos resultados: a porcentagem de impurezas e defeitos é 
calculada, e isso ajuda a determinar a qualidade do lote e a necessidade 
de um novo beneficiamento. 
Esse teste é uma maneira rápida e prática de verificar a qualidade de 
sementes em campo ou nas UBS, antes de elas serem submetidas a métodos 
mais detalhados ou laboratoriais. É especialmente útil para decisões rápidas 
sobre a continuidade do processo de beneficiamento ou comercialização. 
2.1.3 Teste de peso e qualidade de frações 
O teste de peso e qualidade de frações para sementes é uma técnica 
utilizada para avaliar e classificar as diferentes partes ou frações do lote de 
sementes. Com esse teste é possível: 
a. Determinar o peso específico: avaliar o peso de cada fração para 
identificar a densidade das sementes, o que está relacionado à sua 
qualidade e potencial de germinação. 
b. Avaliar a viabilidade: verificar se as sementes de cada fração 
apresentam boa capacidade de germinação e vigor. 
c. Eliminar frações inferiores: separar frações que contenham sementes 
de menor qualidade, como sementes quebradas, malformadas ou 
imaturas. 
Essas frações são obtidas ao longo das etapas de limpeza e separação, 
e o teste visa identificar quais delas possuem melhor qualidade e maior 
 
 
17 
viabilidade, além de auxiliar na determinação do peso específico de cada fração. 
Basicamente, segue-se este passo a passo: 
a. Separação das frações: o lote de sementes é passado por máquinas de 
separação, como peneiras e mesas gravitacionais, que dividem o lote em 
diferentes frações com base em tamanho, peso e forma. 
b. Pesagem das frações: cada fração separada é pesada para determinar 
sua proporção em relação ao lote total e seu peso específico, o que pode 
indicar sua qualidade geral. 
c. Análise da qualidade: a qualidade de cada fração é avaliada por meio 
de testes de germinação e vigor em que as frações com maior densidade 
e melhor integridade tendem a ter maior potencial de crescimento. 
d. Classificação final: com base no peso e na qualidade de cada fração, o 
lote é classificado, e as frações inferiores podem ser descartadas ou 
usadas para outros fins, como alimentação animal. 
TEMA 3 – ARMAZENAMENTO DE SEMENTES: LONGEVIDADE E 
DETERIORAÇÃO 
Após a conclusão do processo de beneficiamento, os lotes, já 
devidamente separados e classificados, são armazenados em um local amplo e 
especialmente adequado para preservar sua qualidade. Esse ambiente é 
caracterizado por baixa umidade relativa do ar, o que contribui para evitar a 
proliferação de fungos, além de ser livre de insetos, pragas e patógenos que 
possam comprometer a integridade do produto (Oliveira et al., 2021). 
O acondicionamento correto é essencial para manter a qualidade e o valor 
dos lotes durante o período de armazenamento, garantindo que permaneçam 
em perfeitas condiçõesaté o momento de sua comercialização ou utilização 
(Oliveira et al., 2021). Assim, os lotes precisam ser armazenados em um local 
com condições apropriadas para garantir a qualidade fisiológica e sanitária das 
sementes após o beneficiamento, visando à comercialização ou uso futuro 
(Medeiros; Eira, 2006). 
3.1 Longevidade de sementes 
As sementes, principalmente as de espécies arbóreas, podem 
permanecer viáveis por períodos variados, dependendo da espécie. Espécies 
 
 
18 
pioneiras mantêm viabilidade com 8-12% de umidade, podendo ser 
armazenadas em baixas temperaturas, enquanto espécies de clímax necessitam 
de altos teores de umidade (30-40%) e têm curta viabilidade, o que impede o seu 
armazenamento prolongado, exigindo semeadura imediata após a colheita 
(Floriano, 2004). 
A longevidade das sementes pode ser determinada pela espécie, 
condições de armazenamento e teor de umidade, fatores que influenciam 
diretamente sua viabilidade ao longo do tempo. Em condições naturais, a 
longevidade das sementes pode ser classificada em (Hong; Ellis, 2003): 
a. Microbióticas: possuem vida útil inferior a 3 anos, incluindo a maioria das 
sementes recalcitrantes (sementes que possuem alto teor de umidade). 
b. Mesobióticas: têm, no máximo, vida útil entre 3 e 15 anos. 
c. Macrobióticas: são aquelas que mantêm sua viabilidade por mais de 15 
anos. 
Essa classificação não se aplica a condições artificiais, pois, ao serem 
retiradas de seu ambiente natural, a fisiologia da maioria das sementes é 
alterada. Isso pode resultar tanto no aumento quanto na redução de seu período 
de vida, dependendo da espécie e das condições de armazenamento. Fatores 
como temperatura, umidade e presença de oxigênio são importantes para a 
viabilidade das sementes. Em ambientes controlados, essas variáveis podem ser 
ajustadas para prolongar ou encurtar o tempo de vida das sementes, mostrando 
que a longevidade natural não necessariamente reflete o comportamento em 
condições de armazenamento artificial (Floriano, 2004). 
3.1.1 Sementes ortodoxas e sementes recalcitrantes 
Uma questão de nomenclatura da classificação previamente apresentada 
sobre longevidade das sementes envolve os termos sementes ortodoxas e 
sementes recalcitrantes. Suas características são (Carvalho; Müller; 
Nascimento, 2001): 
a. Sementes ortodoxas: são aquelas que toleram a redução do teor de 
umidade para níveis de 5% ou menos e podem ser armazenadas por até 
6 meses em temperaturas de -18 °C, sem perder sua capacidade de 
germinação. 
 
 
19 
b. Sementes intermediárias: são as que suportam uma redução de 
umidade até níveis entre 7% e 10%, mantendo a capacidade de 
germinação. No entanto, ao serem armazenadas por 6 meses a -18 °C, 
elas sofrem perda parcial ou total dessa capacidade, independentemente 
do nível de umidade. 
c. Sementes recalcitrantes: são aquelas que perdem drasticamente ou 
totalmente a capacidade de germinação quando sua umidade é reduzida 
para 15% ou mais. 
As sementes ortodoxas toleram a desidratação e podem ser 
armazenadas por longos períodos em condições de baixa umidade e 
temperatura sem perder a capacidade de germinação. Sua importância está na 
facilidade de conservação e armazenamento, característica importante para a 
preservação de espécies e para a agricultura. 
Após a coleta das sementes maduras, é fundamental remover quaisquer 
resíduos de polpa ou outros materiais que possam estar aderidos a elas. Esse 
processo de limpeza é importante para evitar a proliferação de fungos ou 
bactérias que possam comprometer a qualidade das sementes. Em seguida, 
deve-se proceder à secagem das sementes, que pode ser realizada ao ar livre, 
desde que em um local com sombra, boa ventilação e proteção contra a umidade 
excessiva. Outra opção eficiente é o uso de desumidificadores, que ajudam a 
controlar o nível de umidade de maneira mais precisa. O objetivo é reduzir a 
umidade das sementes para algo entre 5% e 8%, garantindo assim sua 
viabilidade para o plantio posterior. 
Após o processo de secagem, as sementes devem ser acondicionadas 
em um local seco e fresco, preferencialmente em recipientes herméticos, como 
potes de vidro ou sacos plásticos selados, para se evitar o contato com a 
umidade do ambiente. Além disso, é essencial etiquetar corretamente os 
recipientes, indicando o nome da espécie, a data da coleta e quaisquer outras 
informações relevantes. Essa organização é fundamental para facilitar o manejo 
das sementes e garantir que estejam prontas para o plantio quando necessário, 
preservando sua qualidade e viabilidade por um período mais longo. 
As sementes recalcitrantes, ou de curta longevidade, não seguem a 
regra de armazenamento com redução de temperatura e teor de água, como as 
sementes ortodoxas, o que resulta em baixa viabilidade. O termo recalcitrante é 
considerado inadequado, pois sugere algo negativo, em contraste com o 
 
 
20 
comportamento “correto” das sementes ortodoxas. Sugestões de termos 
alternativos incluem sensíveis à dessecação e poikilohidras (sementes 
ortodoxas) e homeohidras (sementes recalcitrantes), baseados na capacidade 
de tolerar ou não a desidratação. Além disso, recalcitrante também é usado para 
descrever sementes com dormência profunda ou mecanismo de liberação 
desconhecido (Ohse, 2022). 
Sementes recalcitrantes possuem alto teor de água e não secam 
naturalmente na planta-mãe. Sua longevidade é curta, pois a desidratação 
abaixo de um nível crítico causa sua morte. Metabolicamente ativas, podem ser 
armazenadas apenas até o início da germinação, variando de dias a meses, 
dependendo da espécie. As sementes recalcitrantes são produzidas por plantas 
aquáticas e perenes, liberando sementes grandes em ambientes úmidos, o que 
garante a sobrevivência da espécie. Em espécies tropicais, suas características 
de germinação, dormência e armazenamento estão relacionadas à regeneração 
natural das florestas, com espécies pioneiras, oportunistas e tolerantes 
participando em diferentes estágios de sucessão (Ohse, 2022). 
Sementes pioneiras têm alta longevidade, enquanto as oportunistas e 
tolerantes são de curta duração e dependem de clareiras para se desenvolver. 
Espécies recalcitrantes tropicais apresentam curta viabilidade e pouca 
dormência, enquanto as de regiões temperadas geralmente possuem dormência 
para sobreviver ao inverno (Ohse, 2022). Na Quadro 2 é apresentada uma lista 
de espécies que produzem sementes recalcitrantes. 
Quadro 2 – Espécies recalcitrantes e intermediárias 
Nome vulgar Nome científico Família 
Abacateiro Persea americana Lauraceae 
Andiroba Carapa guianensis Meliaceae 
Aveleira Corylus sp. Betulaceae 
Cacau Theobroma cacao Sterculiaceae 
Carvalho Quercus spp. Fabaceae 
Cedro Cedrela odorata Meliaceae 
Citros Citrus spp. Rutaceae 
Inga Inga edulis Fabaceae 
Ipê Tabebuia sp. Bignoniaceae 
Jaqueira Artocarpus heterophyllus Moraceae 
Macadâmia Macadamia ternifolia Proteaceae 
Mangueira Mangifera indica Anacardiaceae 
Pinheiro-do-paraná Araucaria angustifolia Araucariaceae 
Seringueira Hevea brasiliensis Euphorbiaceae 
Fonte: Ohse, 2022. 
 
 
21 
Com base nas características apresentadas, as sementes podem ser 
classificadas em quatro grupos, com base nas características de 
armazenamento (Bonner, 1990): 
1. Sementes verdadeiramente ortodoxas: podem ser conservadas por 
longos períodos, com umidade entre 5% e 10% e em temperaturas 
negativas. 
2. Sementes subortodoxas: podem ser guardadas nas mesmas condições, 
mas por menos tempo devido ao seu alto conteúdo de lipídios ou cascas 
finas. 
3. Sementes temperadas recalcitrantes: não podem ser secas, mas 
permanecem viáveis por 3 a 5 anos, em temperaturas próximas de zero. 
4. Sementes tropicais recalcitrantes: não resistem à desidratação e 
morrem quando expostas a temperaturas abaixo de 10-15 °C. 
As sementes recalcitrantes também podem ser classificadas em trêstipos 
(Bonner, 1990): 
1. Semente de recalcitrância mínima: possui maior capacidade de 
suportar a perda de água, apresenta germinação lenta, sem necessidade 
de água extra, e é tolerante a temperaturas baixas. Exemplos: Quercus 
spp. (carvalhos) e Araucaria angustifolia (pinheiro-do-paraná). 
2. Semente de recalcitrância moderada: tem tolerância moderada à 
desidratação, mas é sensível ao frio. Exemplos: Theobroma cacao 
(cacau), Azadirachta indica (nim) e Hevea brasiliensis (seringueira). 
3. Semente de recalcitrância alta: apresenta pouca resistência à secagem, 
germina rapidamente na ausência de água adicional e é extremamente 
vulnerável a baixas temperaturas. Exemplo: Avicennia marina. 
3.2 Deterioração de sementes 
A deterioração e o vigor das sementes são processos que estão 
fortemente interligados, já que o avanço da deterioração leva a uma diminuição 
proporcional na capacidade de vigor. Assim como qualquer organismo vivo, as 
sementes não podem manter suas funções vitais para sempre, pois estão 
sujeitas a um processo contínuo de degradação. Com o passar do tempo, as 
sementes também envelhecem, o que afeta seu vigor e a capacidade de 
germinação. 
 
 
22 
O processo de deterioração envolve uma série de mudanças bioquímicas 
e fisiológicas, que vão se acumulando até que as sementes percam 
completamente suas funções essenciais. Esse processo, embora seja natural, é 
acelerado por fatores como umidade, temperatura e oxidação, que afetam o 
metabolismo das sementes. Eventualmente, esse ciclo leva até à morte da 
semente, um resultado inevitável do envelhecimento que ocorre em todos os 
seres vivos. Portanto, o vigor e a deterioração são aspectos complementares de 
um ciclo biológico inevitável. 
A deterioração provocada por agentes biológicos pode se realizar pelas 
seguintes formas de vida (Krzyzanowski et al., 2022): 
a. Insetos (Figura 13): se alimentam do interior das sementes, comprometendo 
sua estrutura e viabilidade. Além disso, podem transmitir fungos e bactérias que 
aceleram a degradação das sementes, reduzindo seu vigor e capacidade de 
germinação. Exemplos: gorgulhos (Sitophilus zeamais e Sitophilus oryzae), 
carunchos (Callosobruchus maculatus) e traças como a traça-das-farinhas 
(Plodia interpunctella), que perfuram e consomem o conteúdo das sementes, 
comprometendo sua qualidade. 
Figura 13 – Insetos em sementes de feijão e grãos de milho 
 
Créditos: Korostylev Dmittii/Shutterstock; Kungfu01/Shutterstock. 
b. Fungos (Figura 14): invadem e consomem os tecidos das sementes, 
resultando na perda de sua viabilidade. Além disso, os fungos podem 
produzir toxinas que aceleram o processo de degradação, 
comprometendo o vigor e a capacidade de germinação das sementes. 
Exemplos: Aspergillus, Penicillium, Fusarium e Rhizopus, que causam 
apodrecimento e perda de viabilidade. 
 
 
 
23 
Figura 14 – Sementes de tamarindo e grãos de milho com fungos 
 
Créditos: Rsooll/Shutterstock; Agrofruti/Shutterstock. 
c. Fungos armazenadores: deterioram as sementes ao consumirem seus 
nutrientes e energia, liberando ácidos graxos que causam rancificação do 
óleo (processo de degradação). Esse processo aumenta a taxa 
respiratória e aquece a massa das sementes, levando a uma rápida 
degradação. Antes da colheita, fatores como temperatura e umidade 
elevadas, além de chuvas, intensificam essa deterioração, especialmente 
quando há presença de microrganismos associados. 
TEMA 4 – ARMAZENAMENTO DE SEMENTES: FATORES QUE AFETAM A 
CONSERVAÇÃO 
A conservação de sementes é impactada por fatores como a umidade, 
que pode acelerar a deterioração, e a temperatura elevada, que compromete a 
viabilidade delas ao longo do tempo. Além disso, a qualidade inicial das 
sementes e o nível de ventilação no ambiente de armazenamento são fatores 
para sua preservação. 
Os desafios no armazenamento costumam aparecer nas seguintes 
condições ou eventos (Epamig, 2011): 
• Quando sementes de qualidade inferior são guardadas. 
• Quando as sementes não são devidamente secas. 
• Quando as sementes ficam armazenadas por um período prolongado. 
• Quando sementes com vida útil curta ou recalcitrantes são armazenadas 
de forma inadequada. 
• Quando as sementes são mantidas úmidas, em locais sem ventilação e 
com altas temperaturas. 
 
 
24 
A semente, sendo um ser vivo, continua respirando após a colheita, 
consumindo energia e diminuindo suas reservas. Para garantir sua qualidade, o 
manuseio, o transporte e o armazenamento devem minimizar essa respiração, 
principalmente controlando impacto físico, temperatura e umidade. Os principais 
fatores abióticos que influenciam na conservação das sementes são umidade, 
temperatura e luz. A seguir, faremos considerações e observações com base em 
publicação da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig, 
2011). 
4.1 Como a umidade influencia a conservação de sementes? 
A umidade é um dos principais fatores que causam a deterioração das 
sementes, pois aumenta sua respiração e favorece o crescimento de 
microrganismos e insetos, reduzindo o seu vigor e capacidade germinativa. Para 
garantir níveis adequados de umidade, a secagem deve ocorrer imediatamente 
após a colheita e ser realizada de forma eficaz. Além disso, é importante escolher 
corretamente as embalagens e assegurar que o local de armazenamento seja 
adequado. 
As sementes, quando expostas a variações de umidade no ambiente, 
tendem a absorver ou liberar água até atingir um equilíbrio. Isso significa que, 
mesmo após a secagem, sementes armazenadas em ambientes úmidos podem 
absorver água novamente, o que facilita sua deterioração. Por isso, é 
recomendável o uso de embalagens que sejam à prova de umidade, para 
preservá-las. O local de armazenamento precisa ser seco e ventilado, mas ainda 
assim a umidade pode entrar pelas paredes, pelo chão ou pelo teto. Portanto, é 
essencial evitar que as embalagens fiquem em contato direto com o solo, 
utilizando estrados de madeira para impedir a absorção da umidade do piso. 
4.2 Como a temperatura influencia a conservação de sementes? 
A temperatura, assim como a umidade, é um fator de grande importância 
para o armazenamento adequado das sementes. Altas temperaturas aumentam 
a taxa de respiração das sementes e intensificam a atividade de microrganismos 
e insetos, acelerando a deterioração. Esses dois fatores estão interligados, e o 
impacto de um afeta diretamente o outro. Em temperaturas elevadas, a taxa de 
deterioração das sementes aumenta, o que pode comprometer sua capacidade 
de germinação e reduzir a qualidade, ao longo do tempo. Em regiões de clima 
 
 
25 
semiárido, onde as temperaturas são elevadas, é fundamental que os locais de 
armazenamento ofereçam sombra e boa ventilação. Além disso, dentro de 
recipientes como silos e latões, variações entre o dia e a noite podem aquecer 
as sementes na área central, afetando sua qualidade. Para minimizar esse risco, 
é necessário gerenciar bem as condições de armazenamento. 
O ideal é armazenar sementes em ambientes frescos ou frios. Colocá-las 
mais perto do chão, onde a temperatura é geralmente mais baixa, é preferível a 
mantê-las próximas ao teto. Para armazenamento prolongado, usar geladeiras 
ou freezers é a melhor alternativa quando não se tem acesso a câmaras frias. 
As sementes e os recipientes de armazenamento devem estar com baixos níveis 
de umidade, sendo hermeticamente fechados, e a temperatura ideal é em torno 
de 4 °C. 
4.3 Como a luz influencia a conservação de sementes? 
Assim como a umidade e a temperatura, a luz pode desempenhar um 
papel importante no estímulo e apoio ao processo de germinação de sementes. 
Certos níveis de exposição à luz podem ativar o desenvolvimento embrionário, 
auxiliando na germinação e no crescimento inicial da planta, dependendo da 
espécie e de suas necessidades específicas para iniciar o processo germinativo. 
No entanto,a exposição prolongada à luz pode prejudicar a viabilidade e o vigor 
das sementes. Assim como alimentos, produtos farmacêuticos e químicos se 
deterioram rapidamente com a luz, as sementes também podem sofrer danos 
durante o armazenamento, perdendo sua capacidade de germinação e 
reduzindo sua qualidade. Por isso, é essencial armazená-las em condições 
adequadas, para manter sua integridade. 
Portanto, a melhor opção para armazenar sementes é no escuro. A 
exposição à luz durante o armazenamento pode acelerar o processo de 
deterioração das sementes, prejudicando sua viabilidade e vigor. O escuro, 
aliado a condições de baixa umidade e temperatura adequada, ajuda a preservar 
a qualidade das sementes por mais tempo, garantindo que mantenham sua 
capacidade de germinação. 
 
 
 
 
26 
TEMA 5 – ARMAZENAMENTO DE SEMENTES: TIPOS DE ARMAZENAMENTO 
A embalagem é essencial no armazenamento de sementes, pois mantém 
os lotes separados, protege contra pragas e doenças, facilita o manejo e otimiza 
o espaço no armazém. A escolha da embalagem depende do tipo de semente 
(ortodoxa ou recalcitrante), do método de armazenamento e da duração. As 
embalagens são classificadas, conforme sua permeabilidade ao vapor d’água 
(Oliveira et al., 2021), em: 
a. Embalagens permeáveis: são porosas e permitem a troca livre de vapor 
d’água entre as sementes e o ambiente, sem proteger contra insetos. 
Exemplos incluem sacos de pano, plástico perfurado, papel e papelão. 
b. Embalagens semipermeáveis: são semiporosas e possibilitam uma 
troca intermediária de vapor d’água, sendo feitas de materiais como 
polietileno ou poliéster. 
c. Embalagens impermeáveis: bloqueiam totalmente a troca de vapor 
d’água, utilizando materiais como metal, plástico, vidro e alumínio para 
oferecer maior proteção. 
Fatores como o tempo de armazenamento, as condições climáticas e as 
características das embalagens influenciam na conservação das sementes. Para 
armazenamento prolongado, devem-se evitar embalagens permeáveis, que não 
mantêm a qualidade das sementes. O clima da região também é importante, pois 
afeta o equilíbrio de umidade das sementes, podendo aumentar o risco de 
pragas, patógenos e perda de vigor com o aumento da umidade. O ideal é se 
escolher embalagens resistentes a rasgamento, pragas e roedores, fáceis de 
empilhar e manusear e que estejam amplamente disponíveis no comércio local, 
para garantir a melhor opção de armazenamento. 
Dessa forma, alguns materiais utilizados em embalagens para 
armazenamento de sementes (Epamig, 2011) são: 
a. Tela de juta: esse material é econômico e amplamente utilizado na 
fabricação de sacos (Figura 15). Eles possuem alta resistência à tensão 
e ruptura, permitindo empilhamento elevado e fácil manuseio. Em 
condições normais de armazenamento, podem durar muitos anos, mas 
sua durabilidade diminui com longa exposição ao sol e alta umidade. 
 
 
 
27 
Figura 15 – Grãos de soja em saco de tela de juta 
 
Crédito: Photoongraphy/Shutterstock. 
b. Tela de algodão: sacos de algodão são comumente usados para 
comercializar sementes de grandes culturas (Figura 16). Eles são fáceis 
de manusear, imprimir e preservam as propriedades físicas das 
sementes, embora não ofereçam proteção contra pragas, como insetos e 
roedores, nem impeçam trocas de umidade com o ar. Quando 
combinados com materiais mais duráveis, sua eficácia aumenta. 
Figura 16 – Sementes em saco de algodão 
 
Crédito: Kristini/Shutterstock. 
c. Embalagens de papel: pequenas embalagens de sementes são 
frequentemente feitas de papel sulfite ou kraft (Figura 17), revestidas com 
um material branco para facilitar a impressão, mas permitem trocas de 
umidade com o ambiente. Sacos de papel com várias camadas são 
comuns para sementes grandes, consistindo em várias camadas de papel 
kraft e, às vezes, são protegidos por uma capa externa de papel resistente 
ou camadas de asfalto, polietileno ou alumínio, para maior proteção 
contra umidade. 
 
 
28 
Figura 17 – Sementes e grãos em embalagens de papel 
 
Crédito: New Africa/Shutterstock. 
d. Recipientes metálicos: quando fechados corretamente, oferecem uma 
barreira altamente eficaz contra umidade, gases, pragas e roedores. 
Garantem a preservação da germinação e vigor das sementes, desde que 
estejam bem secas, antes do armazenamento. 
e. Recipientes de vidro: embora raramente utilizados para armazenar 
sementes, principalmente devido à sua fragilidade, os frascos de vidro são 
comuns em pesquisas e exposições comerciais, especialmente para 
vendas a granel (Figura 18). Eles oferecem uma proteção comparável à 
dos recipientes de metal, impedindo a entrada de umidade e pragas. 
Figura 18 – Sementes e grãos em recipientes de vidro 
 
Crédito: Tania Shustyk/Shutterstock. 
f. Garrafas plásticas: para pequenos agricultores, garrafas plásticas podem 
ser uma solução prática para armazenar sementes. No entanto, é 
importante considerar a longevidade da espécie armazenada e garantir 
 
 
29 
que as garrafas estejam completamente limpas e secas para evitar 
contaminação ou degradação das sementes, ao longo do tempo. 
Figura 19 – Grãos de arroz armazenados em garrafas plásticas 
 
Crédito: Jr Images/Shutterstock. 
FINALIZANDO 
Chegamos ao final desta etapa, na qual foi possível discutir brevemente 
sobre beneficiamento e armazenamento de sementes. Com isso, destacamos a 
importância do beneficiamento, incluindo suas etapas, e das UBS, visando 
compreender processos de aumento de qualidade das sementes. Além disso, foi 
destacado o processo de armazenamento, com discussões sobre longevidade e 
degradação de sementes, fatores que influenciam a conservação de sementes 
e tipos de embalagens e formas de armazenamento. 
Encerramos aqui essa parte do estudo sobre tecnologia e produção de 
sementes. Esperamos que você tenha assimilado o conteúdo discutido nesta 
etapa. 
 
 
 
30 
REFERÊNCIAS 
BONNER, F. T. Storage of seeds: Potential and limitations for germplasm 
conservation. Forest Ecology and Management, v. 35, n. 1-2, p. 35-43, 1990. 
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de 
Defesa Agropecuária. Regras para análise de sementes. Brasília, 2009. 399 p. 
CARVALHO, J. E. U.; MÜLLER, C. H.; NASCIMENTO, W. M. O. Classificação 
de sementes de espécies frutíferas nativas da Amazônia de acordo com o 
comportamento no armazenamento. Belém: Embrapa Amazônia Oriental, 
2001. 4 p. (Comunicado Técnico, n. 60). 
CARVALHO, N. M.; NAKAGAWA, J. Sementes: ciência, tecnologia e produção. 
Jaboticabal: Funep, 2000. 
EPAMIG – Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais. 
Armazenamento de sementes. Prudente de Morais, 2011. 16 p. 
FLORIANO, E. P. Armazenamento de sementes florestais. Santa Rosa: 
Cadernos Didáticos, 2004. 10 p. 
FREITAS, R. A.; NASCIMENTO, W. M. Beneficiamento de sementes de 
hortaliças. In: CURSO SOBRE TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO DE SEMENTES 
DE HORTALIÇAS, 12., 2012, Mossoró. Palestras... Brasília: Embrapa, 2012. 
HONG, T. D.; ELLIS, R. H. Storage. In: TROPICAL Tree Seed Manual. [S.l.]: 
USDA Forest Service’s, Reforestation, Nurseries, & Genetics Resources, 2003. 
KRZYZANOWSKI, F. C. et al. Deterioração e vigor da semente. Londrina: 
Embrapa, 2022. 19 p. (Circular Técnica, n. 191). 
MEDEIROS, A. C. S.; EIRA, M. T. S. Comportamento fisiológico, secagem e 
armazenamento de sementes florestais nativas. Colombo: Embrapa 
Florestas, 2006. 13 p. (Circular Técnica, n. 127). 
OHSE, S. Sementes recalcitrantes: um apanhado. Visão Acadêmica, v. 23, n. 
2, 2022. 
OLIVEIRA, C. R. et al. Produção e tecnologia de sementes. Porto Alegre: 
Grupo A, 2021. 
 
 
31 
TROGELLO, E. et al. Acompanhamento de uma unidade beneficiadora de 
sementes de milho: estudo de caso. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v. 12, 
n. 2, p. 193-201, 2013. 
 
	2.1.1 Teste de peneiras
	TEMA 3 – ARMAZENAMENTO DE SEMENTES: LONGEVIDADE E DETERIORAÇÃO
	3.1 longevidadede sementes
	3.2 deterioração de sementes
	4.1 Como a umidade influencia a conservação de sementes?
	4.2 Como a temperatura influencia a conservação de sementes?
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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