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Tema 2 - Epistemologia e pesquisa em Psicologia Social

Material sobre epistemologia e pesquisa em Psicologia Social. Contém contextualização histórica, debates sobre positivismo e a crise da década de 1970, objetivos e módulos sobre epistemologia, métodos e vertentes psicológica e sociológica.

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07/04/2025 16:58Epistemologia e pesquisa em Psicologia Social
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Epistemologia e pesquisa em Psicologia Social
Prof.ª Renata Casemiro Cavour
Descrição A epistemologia da Psicologia Social, sua contextualização e os
métodos científicos, ao longo de sua história.
Propósito Reconhecer a epistemologia da Psicologia Social, entendendo como a
contextualização histórica, filosófica e social influenciou sua teoria e
metodologia, ao longo dos anos, permite identificar fatores
fundamentais em intervenções e práticas do psicólogo tanto em grupos
e comunidades quanto em casos individuais.
Objetivos
Módulo 1 Módulo 2
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Epistemologia e
contextualização da
Psicologia Social
Reconhecer a epistemologia da Psicologia
Social.
Pesquisa e métodos de
investigação em Psicologia
Social
Analisar o estilo de pesquisa em Psicologia
Social.
Módulo 3
A Psicologia Social
Psicológica e a Sociológica
Distinguir as duas vertentes em Psicologia
Social.
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Introdução
Neste conteúdo você entrará no universo da Psicologia Social, conhecendo
a epistemologia deste assunto. Para isso, contextualizar as influências da
Sociologia, da Filosofia e os acontecimentos históricos é de suma
importância para entender o desenrolar de todo o desenvolvimento da
Psicologia Social.
Ao longo dos anos, o modelo experimental das ciências naturais era
considerado o estilo padrão de metodologia para que se tivesse
confiabilidade de ciência. Tanto a Psicologia como a Psicologia Social
tentaram se enquadrar nesse modelo positivista para ganhar mais respaldo
do meio científico.
Com o passar do tempo, esse modelo foi criticado por correntes teóricas
da Psicologia Social, especialmente por não levar em consideração a ação
do homem em seu grupo social, nem o contexto socio-histórico. Por isso,
na década de 1970, teve início a crise da Psicologia Social, que trouxe uma
mudança tanto teórica quanto metodológica para a disciplina.
Vamos, então, conhecer um pouco sobre todo esse caminhar da Psicologia
Social para que, futuramente, você possa entender melhor as diversas
abordagens e os estudos envolvidos.
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1 - Epistemologia e contextualização da Psicologia Social
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer a epistemologia da Psicologia Social.
Breve histórico da Psicologia Social
A Psicologia Social é uma disciplina relativamente nova, já que o primeiro uso
dessa expressão foi em 1908. Porém, muitos de seus principais contribuidores
fazem parte de outras disciplinas, como Sociologia, Antropologia e Filosofia,
uma vez que existia uma relativa falta de clareza e consenso sobre o seu objeto
de estudo. Entre os principais nomes precursores, podemos citar:
Charles Darwin e a teoria da evolução (A Origem das Espécies, 1859), na
qual descreve que o ser humano é o processo final de um processo
evolucionista de todas as espécies.
Herbert Spencer em 1870, inspirado pelas ideias de Darwin, escreve os
Princípios de Psicologia, no qual afirma que nações e grupos étnicos
deveriam ser classificados de acordo com seu grau de desenvolvimento,
poder, organização e capacidade de adaptação.
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A Psicologia dos Povos, de Wilhelm Wundt, no qual associa a mente a um
fenômeno histórico, um produto da cultura e da linguagem de um povo, que
deveria ser explicada de forma coletiva, e não individual.
Em Representações Individuais e Representações Coletivas, de Émile
Durkheim, 1898, traz a ideia de que sentimentos privados se tornam sociais
quando ultrapassam a barreira do indivíduo e se associam, dando origem à
representação de uma sociedade.
As Leis da Imitação, de Gabriel Tarde, de 1890, que demonstra o quanto a
vida social tem como estrutura básica a imitação.
Gustav Le Bon, em 1895, publicou Psicologia das multidões, no qual alega
que, quando o indivíduo se junta à uma massa, perde suas características
pessoais e autonomia, e passa a ser regido pelas características daquele
grupo e do coletivo.
Em 1908, William McDougall e Edward Ross lançaram seus livros Uma
introdução à Psicologia Social e Psicologia Social: uma resenha e um livro-fonte,
respectivamente, os quais marcaram a fundação da disciplina. Cabe lembrar que
os livros, apesar do título, falavam de assuntos completamente diferentes.
Enquanto McDougall, psicólogo britânico influenciado pelas obras de Darwin,
dissertou sobre o conceito de instinto, enfatizando as características inatas,
Edward Ross, psicólogo norte-americano e influenciado pelas obras de Tarde e
Le Bon, definiu a Psicologia Social como o estudo que padronizava as formas de
pensamentos, valores, crenças e comportamentos, como, por exemplo, a
imitação, decorrentes das interações entre os seres daquele grupo.
McDougall (à esquerda) recebendo os psicólogos refugiados judeus-alemães Kurt Lewin (centro) e William
Stern (à direita) na Duke University, em meados da década de 1930.
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Morton Prince, inicia em 1921, a publicação do Journal of Abnormal and Social
Psychology que passa a ser a principal fonte de publicação de experimentos em
Psicologia Social até 1965.
Somente em 1924, Floyd H. Allport publica o primeiro manual de Psicologia
Social, contendo experimentos relacionados a fenômenos psicossociais que se
contrapõem ao estudo da consciência coletiva e considera a Psicologia Social
como parte da Psicologia do indivíduo. Assim, fica claro que a Psicologia Social
deve ter como objeto de estudo as influências do comportamento individual em
outras pessoas e as possíveis reações frente a essas ações.
Em 1927, inicia-se também os estudos de mensuração das
atitudes de Thurstone e seus colaboradores. Esses estudos,
aliados à sofisticação do método experimental, darão um
status científico à Psicologia Social ao longo das décadas
seguintes.
Com a chegada da Segunda Guerra Mundial, há uma mudança de concepção de
behaviorismo para gestaltismo, trazendo propriedades perceptivas e com os
principais autores:
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(Kurt Lewin, 1890-1947)
Muzar Sheriff, que tinha o foco
em estudar os fatores que
determinam a formação e a
permanência das normas
sociais.
Kurt Lewin, que direcionava seus
estudos para pesquisas sobre
clima grupal e, diferentemente
do colega behaviorista Allport,
acreditava que o grupo tem
dinâmica própria.
Fritz Heider e suas duas linhas
de pesquisa: teorias de
atribuição e teoria de
consistência cognitiva.
Solomon Arch, que se opõe
firmemente às ideias
behavioristas e aplica princípios
gestálticos sobre a percepção e
impressão de pessoas e sua
construção de um todo sobre
elas.
No final dos anos 1950 e no decorrer das duas décadas seguintes, houve uma
mudança nos interesses de pesquisas, substituindo toda linha de pensamento a
respeito de mudanças de atitude e processos grupais para teorias que tivessem
sua base nos processos cognitivos.
A teoria mais marcante desse período é a Teoria da Dissonância Cognitiva de
Leon Festinger, que seria uma atitude contrária, desconfortável e conflituosa à
crença inicial, levandoe valorizar a vocação psicológica da
Psicologia Social moderna.
B
estabelecer um critério que permita ao leitor especializado
reconhecer uma Psicologia que sabe equacionar os
problemas relativos aos indivíduos em situação social.
C
na realidade, trata-se apenas de um recurso histórico para
classificar a Psicologia produzida antes de 1930 nos EUA, que
precede a Psicologia Social cognitivista.
D
a diferenciação entre George Mead e a Völkerpsychologie de
Wundt.
E
estabelecer critérios que permitam compreender a influência
da Sociologia e da Psicologia na produção da Psicologia
Social, principalmente a partir do conhecimento desenvolvido
após a Segunda Guerra Mundial.
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Considerações finais
Neste conteúdo sobre a epistemologia e a pesquisa em Psicologia Social,
conseguimos perceber o quão é importante entender os caminhos percorridos
pela Psicologia Social durante sua história e percebermos as linhas de raciocínio
que temos hoje.
Suas duas principais vertentes, a Psicologia Social Psicológica e a Psicologia
Social Sociológica nos levam para olhares diferentes dentro da mesma
disciplina, sendo a primeira, os estudos sobre a relação entre indivíduo e
sociedade, utilizando como unidade de análise o indivíduo, nos seus aspectos
cognitivos ou comportamentais; e a segunda, os estudos adotando o coletivo, o
social, como unidade de análise.
Em torno dessas questões que entravam em discordância, junto à
interdependência entre teoria e prática, à relevância da contextualização dos
dados e da participação dos atores sociais, assim como da relação da pesquisa
científica com os problemas ético-políticos e sociais, foi gestada a crise teórica
da Psicologia Social, que teve profundas consequências no conteúdo e na
prática primeiro na Europa e depois no contexto da América Latina. A crise da
Psicologia Social veio juntar-se, em nosso continente, ao elemento político, em
virtude das ditaduras militares, com a opressão social decorrente delas.
Portanto, a partir desse momento de crise, duas vertentes de pensamento da
Psicologia Social foram criadas: a Psicologia Social Psicológica, que trazia todo
o olhar positivista e das correntes da Psicologia Clínica, e a Psicologia Social
Sociológica, que trazia influência das correntes sociológicas e da visão do ser
humano como agente do meio social em que vive.
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Podcast
Neste podcast, a especialista discutirá as bases epistemológicas da Psicologia
Social na atualidade, apresentando as diferenças entre a Psicologia Social
Psicológica e a Psicologia Social Sociológica, destacando origens, objetivos e
metodologias de pesquisa de cada vertente.
Explore +
Pesquise e saiba mais sobre os assuntos estudados neste conteúdo, no livro
Psicologia Social – Perspectivas psicológicas e sociológicas, de José Luis
Álvaro e Alicia Garrido, 2006.
Conheça um clássico da Psicologia Social Psicológica na visão de autores que
são referência na área: Psicologia Social, de Aroldo Rodrigues, Eveline Assmar e
Bernardo Jablonski, 2005.
Conheça um clássico da Psicologia Social Sociológica na visão de dois autores:
Silvia Lane e Wanderley Codo, Psicologia Social: Homem em movimento.
Referências

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Referências
ALVARO, J. L.; GARRIDO, A. Psicologia Social – Perspectivas psicológicas e
sociológicas. São Paulo: McGraw-Hill, 2006.
AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Ethical Principles of Psychologists
and Code of Condute. Consultado na Internet em: 10 abr. 2022.
FARR, R. M. As raízes da psicologia social moderna. 8. ed. Petrópolis, RJ: Vozes,
2008.
FONSECA, T. M. G. Epistemologia. In: Psicologia Social Contemporânea (livro-
texto). STREY, M. N. N et al. 21. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
GÜNTHER, H. Métodos de pesquisa em psicologia social. In: NEIVA, E. R.;
TORRES, C. V. Psicologia Social: principais temas e vertentes. São Paulo: Artmed,
2011.
LANE, S. T. M.; CODO, W. (Org.). Psicologia Social - O homem em movimento.
São Paulo: Brasiliense, 1985.
NEIVA, E. R.; TORRES, C. V. Psicologia Social: principais temas e vertentes. São
Paulo: Artmed, 2011.
RODRIGUES, A.; ASSMAR, E. M. L.; JABLONSKI, B. Psicologia Social. 18. ed.
reform. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.
TITTONI, J.; JACQUES, M. G. C. Pesquisa. In: STREY, M. N. et al. Psicologia Social
Contemporânea (livro-texto). 21. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
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Leon Festinger (1919 – 1989)
Epistemologia em Psicologia Social
Epistemologia tem sua origem nos termos gregos episteme, que significa
conhecimento, e logos que significa estudo. Ou seja, estamos nos referindo ao
estudo do conhecimento ou até mesmo, da teoria da ciência, como é mais
conhecida.
Mas o que isso significa, na prática?
Resposta
Epistemologia é um conjunto de conhecimentos sobre a origem, a natureza, os
métodos e os resultados do conhecimento científico, dentro de seus aspectos
práticos e teóricos.
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O valor da epistemologia se observa quando percebemos a importância da
cronologia não somente como uma simples passagem de tempo, mas como
uma forma de compreensão das novas perspectivas na discussão do
conhecimento, prevista por novos paradigmas ou modelos, gerados ou
geradores de novos tempos sociais e humanos.
A Psicologia Social, segundo Farr (2008), foi fortemente
influenciada pelo contexto em que se formou como ciência,
surgindo como disciplina independente nos Estados Unidos e
com raízes na Europa.
As bases europeias estavam principalmente relacionadas aos estudos de
Gabriel Tarde sobre a imitação, a Psicologia das Massas, de Gustave Le Bon e
principalmente os estudos de Wilhelm Wundt sobre a Psicologia dos Povos.
G. Tarde acreditava que os efeitos da sociedade sobre o comportamento
individual não são os resultados de processos psicológicos independentes e
situados fora dos indivíduos, mas sim decorrência das influências recíprocas
entre as consciências em um contexto de interações espontâneas.
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Le Bon tem como cerne de seus estudos o reconhecimento da massa como uma
associação psíquica independente de seus membros e, portanto, quando os
sujeitos se reúnem para formar uma aglomeração, surgem processos
psicológicos que não estão presentes nos indivíduos isolados. Isso inclui,
inclusive, os aspectos negativos dessa aglomeração, como a capacidade de
transformar qualquer ideia em atos de barbárie. É como se estando em multidão,
o sujeito perdesse sua identidade e mostrasse somente um caráter
compartilhado.
Já o fortalecimento real da Psicologia como disciplina científica,
independentemente das bases sociológicas e filosóficas, ocorreu em meados do
século XIX, na Alemanha, e estava muito vinculada ao desenvolvimento das
ciências naturais.
Nesse contexto, Wilhelm Wundt deu um passo significativo sobre os
pressupostos epistemológicos da Psicologia, indo a favor de uma Psicologia
científica que segue os esquemas das ciências naturais. Ele caracterizou a
Psicologia como a ciência da mente e reivindicou o uso da experimentação
como a forma válida de estudar os processos mentais de maneira científica.
Atenção!
Tempos depois, o próprio Wundt, percebendo as limitações da Psicologia
experimental para os processos mentais mais complexos, resolveu dividir a
Psicologia em duas áreas: a Psicologia experimental, que teria o seu foco em
processos mais básicos e a Völkerpsychologie, centrada em processos mentais
superiores para os quais a compreensão individualista não seria adequada.
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A Völkerpsychologie ou Psicologia dos povos tem como ideia central que o
desenvolvimento individual depende do contexto mental (constituído por
linguagem, costumes e crenças) no qual a pessoa está inserida. Ou para melhor
compreender, a Psicologia experimental estuda o comportamento possível de
ser observado e quantificado, pertencendo às ciências naturais.
Já a Psicologia dos povos foca a origem da mente pela língua e cultura,
pertencentes às ciências humanas e sociais. Daqui observamos uma dicotomia
na identidade da Psicologia como ciência que permanece até os dias de hoje.
Em alguns contextos observamos um certo debate que procura delimitar a
Psicologia como uma ciência pertencente à área da Saúde, por exemplo, ou à
área das Ciências Humanas.
A origem da Psicologia norte-americana foi extremamente influenciada pela
Psicologia experimental de Wundt, mas sua duração foi curta, devido às teorias
evolucionistas e ao desenvolvimento do pragmatismo, cuja figura mais marcante
foi William James, com sua ideia de que a Psicologia deveria ter como objeto a
decomposição da consciência em seus elementos constituintes.
Foi também na Alemanha que surgiu a Psicologia da Gestalt,
como uma alternativa à teoria experimental de Wundt, devido
às suas bases na fenomenologia, e exerceu grande influência
no desenvolvimento da Psicologia Social.
Entretanto, a principal linha de influência no desenvolvimento da Psicologia
Social na etapa inicial foi resultado das teorias evolucionistas. Grande parte do
comportamento humano passou a ser explicada, recorrendo a fatores como
instinto ou herança genética, apoderando-se da Psicologia Social do início do
século até o aparecimento do behaviorismo na Psicologia Social introduzido por
Floyd Allport.
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Psicologia Social no contexto da
Psicologia
O marco do surgimento da Psicologia Social como disciplina independente e
moderna foi a publicação de dois manuais:
Do sociólogo Edward A. Ross, com o Social Psychology: an outline and a
source book, que tinha suas bases nas ideias de Gabriel Tarde e estuda os
fenômenos de imitação, de sugestão e da simpatia.
Do psicólogo Willian McDougall e o An introduction to social psychology,
que está dentro da tradição evolucionista da Psicologia britânica e tem
como base a análise das bases instintivas do comportamento humano.
A proposta de McDougall foi bem acolhida pelo contexto da época, pois
coincidiu com o movimento da eugenia, que visava à melhoria da espécie
humana mediante a intervenção no processo de seleção. Porém, logo as críticas
a esse modelo começaram a aparecer, como, por exemplo, a validação do termo
“instinto” no âmbito da Psicologia, devido à variedade de teorias e classificações
dos instintos. E em 1924, virou alvo principal de John Watson e dos
behavioristas, entre eles, Floyd Allport.
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Floyd Allport e o behaviorismo na Psicologia Social
Nos Estados Unidos, surge um novo marco para a Psicologia Social. Floyd
Allport começa a introduzir o behaviorismo na Psicologia Social a partir de seu
livro Social Psychology, de 1924, definindo-a como uma especialidade da
Psicologia dedicada ao estudo do comportamento social. Apesar de admitir e
considerar a importância do conceito de consciência, ele a reduz a um papel
secundário no estudo do comportamento.
Delimita o campo da Psicologia Social, relacionando o behaviorismo e o
individualismo, opondo-se à concepção da Psicologia Social que se concentrava
no estudo de grupos, justificando que o grupo não pode ser considerado uma
entidade psicológica independente. Allport acreditava que o grupo era somente
um aglomerado de indivíduos diferentes que reagem uns diante dos outros ou de
uma situação comum. E, com isso, a Psicologia Social deveria ser entendida
como a Psicologia individual, levando a uma proposta metodológica objetiva e,
assim, uma influência decisiva para o rápido desenvolvimento da
experimentação Em PsicologiaSocial.
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O apogeu e a queda do positivismo
Durante as décadas de 1930 e 1940, o desenvolvimento tanto teórico quanto
metodológico da Psicologia Social foi muito influenciado pelo positivismo lógico,
que defendia que todo conhecimento, fosse ele derivado das ciências naturais
ou das ciências sociais, tinha que ter como requisito a verificabilidade e deveria
se submeter à aplicação rigorosa do método hipotético-dedutivo da física.
Nesse período, também foi gerada a corrente do neobehaviorismo, cujas
contribuições mais representativas na Psicologia Social foram:
A teoria da frustração-
agressão
Que dizia que o aparecimento de um
comportamento agressivo sempre
significava a existência de frustração e
a frustração sempre levava a alguma
forma de agressão.
A teoria da
aprendizagem por
imitação de Miller e
Dollard
Que afirmava que a aprendizagem
acontece quando a imitação do
comportamento é reforçada.
Nos anos 1950 e 1960, os estudos estavam voltados para a percepção social, a
influência social e a consistência cognitiva. Um dos estudos destacados nessa
época é a teoria da dissonância cognitiva, de Leon Festinger, que trata da
situação em que a pessoa percebe a existência de uma contradição entre dois
elementos da cognição. A dissonância tem um efeito psicológico negativo e,
portanto, a pessoa tenderá a eliminá-la para restabelecer a congruência.
A partir dos anos 1970, a queda do positivismo lógico acelerou a crise do
behaviorismo. O estudo dos processos cognitivos se tornou um dos principais
temas de interesse para a Psicologia Social. A pesquisa da dissonância
cognitiva perde espaço para as teorias da atribuição, e esse fato foi um
importante ponto de interseção entre a Psicologia Social e a Psicologia
cognitiva, que deu como frutos a consolidação da pesquisa sobre cognição
social.
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A Psicologia Social no contexto da
Sociologia
Como já falamos, dois manuais de Psicologia Social deram origem ao termo em
1908. Concomitante ao livro de William McDougall, surgiu o manual de Edward
A. Ross como um exemplo do processo de consolidação simultânea da
Psicologia Social tanto na Psicologia como na Sociologia.
Ross definia a Psicologia Social como uma especialidade da Sociologia, que
deveria ignorar as uniformidades no comportamento determinadas por fatores
biológicos e se concentrar somente nas uniformidades, com explicações em
causas sociais. Seus principais mecanismos explicativos são a invenção, a
sugestão e a imitação.
Entretanto, dos autores que tiveram seus textos publicados no início do século
XX, devemos destacar aqueles que tiveram formação na Escola de Chicago,
universidade fundada em 1890, e principal núcleo de desenvolvimento das
ciências sociais norte-americanas, nas primeiras décadas do século XX.
Atenção!
A Escola de Chicago tinha como premissa fazer ciência para a resolução dos
problemas sociais, o que acabou criando o clima propício para o
desenvolvimento da pesquisa sociológica. A principal característica da
universidade foi a ausência de uma orientação predominante e a diversidade
tanto teórica quanto metodológica de suas pesquisas.
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Do ponto de vista teórico, os sociólogos formados na instituição tiveram grandes
influências do pragmatismo de John Dewey e a microssociologia de Georg
Simmel. Porém, como destaque na influência do desenvolvimento em Psicologia
Social, temos William I. Thomas e George Herbert Mead.
Thomas contribuiu de duas formas para a Psicologia Social: utilizando uma
metodologia com diversas fontes de dados e o caráter empírico do conceito de
atitude, central para a constituição e o desenvolvimento da área.
George Mead foi o autor da Escola de Chicago que mais exerceu influência em
Psicologia Social. Crítico do individualismo, que era o enfoque característico da
Psicologia na época, propôs uma mudança para que a experiência individual
fosse tratada do ponto de vista da sociedade.
Portanto, a ideia era explicar a determinação social do comportamento,
afastando-se das concepções individualistas das teorias psicológicas,
colocando ênfase no social, mas sem deixar de destacar a participação do
indivíduo como agente ativo e não como passivo diante as influências do meio.
Para isso, trouxe o conceito de interacionismo simbólico que visa à
compreensão do modo como os indivíduos interpretam os objetos e as outras
pessoas com as quais interagem e como tal processo de interpretação conduz o
comportamento individual em situações específicas.
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Durante as décadas de 1930 e 1940, a dificuldade em realizar
o estudo do comportamento social de forma que este
rejeitasse a intervenção da consciência ou dos processos
mentais superiores em suas ações abriu o caminho para que
a Psicologia Social fosse influenciada pela Escola da Gestalt,
que trouxe, como seus mais importantes princípios, a teoria
de campo e os estudos experimentais sobre o
comportamento grupal de Kurt Lewin.
Na teoria do campo, Lewin dá importância aos fatores ambientais na
determinação do comportamento sem renunciar às variáveis de caráter
cognitivo, como o behaviorismo fazia. O grupo não se definia pela proximidade
ou semelhança que seus membros poderiam apresentar, mas pelas relações de
interdependência entre eles. Com relação aos experimentos de Lewin, suas
contribuições mais conhecidas são no campo da dinâmica de grupos,
destacando seus estudos sobre os processos intragrupais. Além disso, o
trabalho de Lewin alcançou também o campo da metodologia, sendo
fundamental para a Psicologia Social como uma ciência experimental. Ele
defendeu a adequação do método experimental para os estudos dos pequenos
grupos e destacou a necessidade de desenvolver também técnicas de pesquisa
que permitissem realizar experimentos reais nos grupos sociais naturais
existentes, sendo, portanto, um dos primeiros a introduzir o experimento de
campo em Psicologia. Também teve uma contribuição importante à Psicologia
Social com o conceito de pesquisa-ação, situando a pesquisa dentro do contexto
do planejamento e da ação social.
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A Psicologia Social chega às décadas de 1950 e 1960 apresentando um
crescimento espetacular, consolidando-se como uma disciplina diferenciada na
Psicologia. A Psicologia Social europeia foi perdendo espaço para a Psicologia
Social norte-americana. Tanto os psicólogos sociais neobehavioristas como os
gestaltistas assumiram princípios metodológicos da corrente da Psicologia à
qual estavam vinculados, dando mais ênfase à experimentação e ela se tornou o
principal método de pesquisa de Psicologia Social Psicológica.
Entretanto, mesmo que a Psicologia Social Psicológica tenha vivenciado maior
desenvolvimento, a Psicologia Social não se desligou totalmente da Sociologia,
que durante a década de 1960 teve tendência aos estudos dos processos
microssociológicos, que deram origem às correntes teóricas psicossociológicas,
como as teorias do intercâmbio de George Homans, o desenvolvimento do
interacionismo simbólico das Universidades de Chicago e Iowa, a Sociologia
fenomenológica de Schutz, o enfoque dramatúrgico de Goffman e a
etnometodologia de Garfinkel. Essa abordagem deu origem à Psicologia Social
Sociológica.
A crise da Psicologia Social
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Após esse apogeu da Psicologia Social durante a década de 1960, os anos 1970
apresentaram um cenário bem diferente. Iniciou-se uma grande e importante
crise que afetou as bases teóricas, metodológicas e epistemológicas da
disciplina.
A crise ocorreu devido a um reflexo das mudanças que
estavam acontecendo na época, no âmbito da Filosofia da
ciência, com a diminuição da influência do positivismo lógico
e a crise do behaviorismo.
Nessa época, como consequência da crise, surgiram outras propostas teóricas e
metodológicas, que ao se consolidarem, contribuíram para mudar a fisionomia
da Psicologia Social. Os psicólogos sociais europeus passaram a reivindicar
uma identidade própria e diferente da Psicologia Social norte-americana,
defendendo a realização de pesquisas mais relevantes do ponto de vista social.
Exemplo
A teoria da identidade de Henri Tajfel, as teorias das representações e as
minorias ativas de Serge Moscovici e os trabalhos sobre o desenvolvimento
cognitivo de Willem Doise e seus colaboradores da Escola de Genebra foram
exemplos dessa mudança de cenário.
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Também surgiu, no mesmo momento, na América Latina, o desenvolvimento da
Psicologia Social, que procurava maior compromisso com a realidade social dos
países que a compõem, com propostas mais voltadas ao trabalho com
comunidades e com a mudança social. Nessa área, merecem destaque os
aportes da Psicologia Social da liberação e da Psicologia Social comunitária, que
tem como seu maior contribuidor Ignacio Martín-Baró.
A obra de Baró foi orientada pelo seu compromisso com a mudança social
necessária devido aos problemas sociais existentes nos países latino-
americanos, tendo como temas: a aglomeração, o machismo, o fatalismo, a
saúde mental, a violência e a guerra. Portanto, sua contribuição à Psicologia
Social está voltada para a construção de uma teoria crítica da realidade social,
propondo inverter um processo de raciocínio hipotético-dedutivo da
epistemologia positivista para um realismo crítico.
Baró propõe substituir a concepção universalista alheia à história e totalmente
individualista da Psicologia Social hegemônica por um modelo mais contextual,
histórico e mais sociológico, com um compromisso com as classes mais
marginalizadas, a partir de um viés de uma Psicologia Social crítica e
libertadora. Para ele, é fundamental levarmos em consideração as condições
socio-históricas, o que faz com que o conhecimento da realidade não possa ser
nem universal nem atemporal.
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A Psicologia Social comunitária, na América Latina, surgiu por causa da
necessidade de responder aos enormes problemas sociais que atingiam a todos
os países da região, buscando, assim, contribuir para melhorias nas condições
de vida dos grupos mais desfavorecidos.
A partir desse raciocínio, a Psicologia Social comunitária acredita que os
problemas que afetam os grupos sociais não têm sua origem nas características
pessoais de seus membros, mas na estrutura social em que se situam, e o seu
enfoque está em intervir psicossocialmente para promover uma mudança na
situação desses grupos.
Pode-se verificar o desenvolvimento mais aprimorado da Psicologia Social pós-
moderna, na qual se agrupam diversas correntes articuladas em torno de um
relativismo epistemológico que questiona as bases da Psicologia Social
tradicional e propõe uma nova forma de entender a disciplina. A Psicologia
Social pós-moderna traz como suas principais objeções:
A adoção de um enfoque relacional e não representacionalista da
linguagem.
A crítica a uma concepção naturalista e à Psicologia Social experimental.
A ênfase na construção social do conhecimento científico.
A rejeição da crença em critérios universais de validação do conhecimento.
A aceitação de que a ciência não é superior a outras formas de
conhecimento.
Por consequência desse movimento, o desenvolvimento das correntes da
Psicologia Social Sociológica, que antes era marginalizada pelo positivismo
lógico, passa a trazer novas ideias para o enriquecimento do interacionismo
simbólico.
A Psicologia Social pós-moderna
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Neste vídeo, a especialista reflete sobre a crise da Psicologia Social, destacando
o relativismo epistemológico que questiona as bases da Psicologia Social
tradicional e propõe uma nova forma de entender a Psicologia Social pós-
moderna.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Martín-Baró alega que o papel do psicólogo na sociedade deve ser
extremamente ativo, como um agente de mudança. Assinale a alternativa
correta:
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Parabéns! A alternativa C está correta.
Estar consciente do que acontece com o ambiente histórico-social é
fundamental para saber fazer o psicológico.
Questão 2
Observe as afirmativas a seguir, inspiradas na Psicologia Social de orientação
positivista.
A
A Psicologia não tem uma especificidade como área de
conhecimento científico e prático.
B
O trabalho do psicólogo deve buscar a alienação das pessoas
e grupos, para que isso os ajude a chegar a um saber crítico
sobre si próprios e sobre a realidade.
C
A conscientização constitui-se no horizonte primordial do
“que fazer” psicológico.
D
O psicólogo deve transformar sua prática profissional,
despojando-a de pressupostos teóricos adaptacionistas e de
suas formas de intervenção a partir de posições de
passividade.
E
O psicólogo deve ficar despreocupado com as consequências
históricas concretas que sua atividade esteja produzindo.
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I. Propõe-se a descrever os processos observáveis dos encontros sociais. 
II. Seus objetivos estão voltados para a procura de formas adequadas de
ajustamento de comportamentos individuais ao contexto social. 
III. O social é entendido apenas como a relação entre pessoas, e não como
um conjunto de produções humanas que constroem a realidade social e, ao
mesmo tempo, o indivíduo. 
IV. É uma Psicologia Social comprometida com a transformação das
condições de desigualdade e injustiça social.
Pode-se afirmar que
Parabéns! A alternativa B está correta.
A Psicologia Social Psicológica propõe que os encontros sociais devem ser
processos observáveis. Como foco principal se tem o comportamento do
indivíduo em meio social e o social é passivo perante a ação do indivíduo.
A apenas I e III estão corretas.
B apenas I, II e III estão corretas.
C apenas a I e a IV estão corretas.
D apenas a I está correta.
E apenas II, III e IV estão corretas.
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2 - Pesquisa e métodos de investigação em Psicologia Social
Ao final deste módulo, você será capaz de analisar o estilo de pesquisa em Psicologia Social.
A pesquisa em Psicologia Social
07/04/2025 16:58Epistemologia e pesquisa em Psicologia Social
Página 27 de 64https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03574/index.html?brand=estacio#Já está claro para você que a Psicologia Social estuda a relação do indivíduo e
seu meio social, ou seja, o sujeito sendo agente ativo em seu meio e sofrendo os
impactos que o meio pode causar em seus comportamentos, cognições e
emoções.
Para isso, a Psicologia Social tem uma gama enorme de assuntos a serem
estudados e analisados, utilizando diferentes tipos de abordagens
metodológicas, visto que o objeto de estudo pode orientar a melhor metodologia
a ser aplicada.
Mas nem sempre a história foi essa. Segundo Tittoni e Jacques (2013), até o
século XVIII, a definição do ser científico era tornar o conhecimento o mais
objetivo possível, trazendo a ideia de que o conhecimento científico detinha o
poder de construir uma verdade sobre a “vida real”. Essa concepção positivista
da ciência se impôs no âmbito das Ciências Sociais durante as primeiras
décadas do século XX, induzindo a ideia de que existia um método único
científico, ao qual todas as ciências deveriam se ajustar.
Essa concepção da ciência, presente nos momentos iniciais
da Psicologia, propôs que os processos psicológicos fossem
passíveis de experimentação, objetivação e generalização e,
assim, seriam qualificados como científicos.
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A Psicologia Social em seus primórdios teve como sua base a Psicologia norte-
americana, que tinha o seu forte na experimentação, tanto na concepção do
objeto quanto nas estratégias metodológicas para abordagem dos processos
sociais. O objetivo era entender de forma lógica como os objetos estudados
influenciam ou são influenciados pelos comportamentos das pessoas.
Após esse período, teve início um tempo de crítica ao modelo de ciência
predominante na época, definindo a pesquisa como algo maior do que o senso
comum, um recurso que possui vários métodos de produzir conhecimento e
história de suas legitimações.
Na Europa do final dos anos 1960, começam a surgir as críticas mais incisivas à
Psicologia Social norte-americana, denunciando seu caráter ideológico. Nos
países da América Latina, que tinham sua base toda inserida nos ensinamentos
da Psicologia Social norte-americana, a crítica estava associada à distância dos
estudos à realidade social.
Mais especificamente após a década de 1970, instaura-se a
crise em Psicologia Social, dada justamente pelo
questionamento da hegemonia da forma de conceber a
ciência, tanto no objeto quanto nos objetivos e estratégias
metodológicas.
Um dos pressupostos de pesquisa era o de mostrar que não existia essa
neutralidade afirmada pelo experimentalismo e demonstrar o quanto o sujeito é
um agente ativo de conhecimento. Essa visão de mundo e de homem como
produto e produtor da história vai de encontro à ideia de gerar um conhecimento
neutro, que o outro não interfira na existência.
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Pesquisador e pesquisado se definem por
relações sociais que tanto podem ser
reprodutoras como podem ser
transformadoras das condições sociais
onde ambos se inserem; dessa forma,
conscientes ou não, sempre a pesquisa
implica em intervenção, ação de um sobre
os outros.
(LANE, 1985, p. 18)
A Psicologia Social, portanto, passa a trazer também como objeto de estudo, os
cenários históricos, sociais, econômicos e culturais dos sujeitos examinados.
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Para simplificar o entendimento, podemos dividir em três principais caminhos
para entender o comportamento humano no contexto da Psicologia Social:
1. Observar o comportamento em seu ambiente natural.
2. Criar situações artificiais e monitorar o comportamento diante de tarefas
definidas para essas situações.
3. Fazer questionamentos aos sujeitos sobre suas percepções, os
comportamentos, pensamentos e as experiências acerca de algo de sua
história pregressa, atual ou futura.
A Psicologia Social passa a ter a concepção de ciência que propõe
complexidade, pluralidade teórico-metodológica, a interseção de diferentes áreas
do conhecimento, a prática interdisciplinar e uma preocupação ética com os
laços sociais e políticos.
Algumas observações ao fazer a pesquisa
De acordo com Günther (2011), podemos estudar os fenômenos sociais a partir
do referencial teórico e com métodos de diferentes áreas do conhecimento.
A pesquisa começa com um palpite ou uma hipótese que o pesquisador queira
testar e, a partir dela, o pesquisador tem que coletar os dados para submeter sua
hipótese a teste. Quanto mais detalhada e específica for a hipótese, maior a
chance de ter sucesso nos resultados.
Todos os passos de uma pesquisa precisam estar claramente expostos, como,
por exemplo, a descrição dos participantes para saber como foram recrutados e
quais são seus aspectos; a descrição bem definida dos instrumentos utilizados e
dos procedimentos para que outros pesquisadores possam replicá-la.
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A análise de dados deve ser clara e
explícita. Caso a escolha seja por
métodos quantitativos, o
detalhamento deve estar no
procedimento estatístico escolhido.
Se a escolha for por procedimentos
qualitativos, a explicitação e a
documentação de procedimentos
analíticos são indispensáveis.
A escolha de uma abordagem
quantitativa ou qualitativa está muito
relacionada com o objeto da pesquisa
e não necessariamente são
mutuamente excludentes.
Os procedimentos quantitativos tendem a ser mais dedutivos e confirmatórios,
partindo de uma teoria. Geralmente, utiliza-se questionários com perguntas
fechadas, e a escala Likert de avaliação. Não se utiliza somente os métodos
observacionais, mas sempre se realiza a coleta de dados de maneira sistemática
e de forma que seja possível analisá-los estatisticamente, como modo de avaliar
se esses dados e os resultados são fidedignos ou foram encontrados ao acaso.
Já os métodos qualitativos tendem a ser mais intuitivos e exploratórios. Tenta-
se coletar dados a partir de observações, registros de comportamentos e outros
materiais como documentos, diários, filmes e gravações. Seus questionários
tendem a utilizar perguntas abertas com um roteiro semiestruturado, permitindo
que o sujeito investigado também consiga conduzir o rumo da investigação e dar
mais explicação e/ou informação sobre o fenômeno estudado. A análise desses
dados costuma ser mais interpretativa, usando-se de técnicas de análise do
discurso e de análise do conteúdo.
Outro aspecto que pode chamar atenção em alguns tipos de pesquisa são as
variáveis. Podemos verificar dois tipos:
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Variável independente
Com a qual o pesquisador altera
algum ponto da pesquisa para
provocar consequências em outra
variável.
Variável dependente
Que é afetada diretamente pela
variável independente.
Geralmente, a hipótese é baseada no fato de que a variável dependente sofrerá
influência da variável independente.
A análise de conteúdo e pesquisa-ação
Vamos conhecer alguns métodos de investigação utilizados em Psicologia
Social.
Análise de conteúdo
As características da análise de conteúdo são:
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Descrever e organizar o
conteúdo de comunicações
escritas ou verbais, podendo ser
utilizados materiais visuais
(filme, vídeo, desenhos),
materiais impressos (jornais,
revistas, livros) e registrosverbais (entrevistas e
questionários).
Os sujeitos não são
necessariamente as pessoas
propriamente ditas, mas sim o
material que foi produzido por
elas.
O procedimento consiste na
análise do conteúdo dos artigos.
O instrumento pode ser um
programa que sistematize e
analise o material coletado.
Veja a seguir suas vantagens e desvantagens.
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Suas vantagens são:
Avaliar grandes quantidades de dados, podendo utilizar dados
brutos recolhidos no momento do estudo.
Utiliza procedimentos mais robustos e bem documentados, a
partir dos quais o pesquisador estabelece como selecionar,
organizar em unidades e categorizar os dados brutos de
pesquisa.
Tem a oportunidade de desenvolver dados históricos, tendo como
fontes entrevistas já realizadas, alguns experimentos, dados
observados e levantamentos passados que estão condicionados
ao presente.
Permite uma nova compreensão histórica/cultural por meio da
análise de texto.
Suas desvantagens são:
Os problemas de codificação na análise de conteúdo dificultam a
generalização.
Dificuldade de fazer uma única conclusão sobre os estudos, pois
a mesma variável pode ser utilizada de forma diferente por
diferentes pesquisadores.
Esse tipo de estudo, geralmente, está sujeito a algum nível de
interpretação subjetiva e, com isso, a confiança e a validade
estabelecida em seus resultados pode ser afetada.
A demora na codificação manual de grandes volumes de texto.
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Pesquisa-ação
As características da pesquisa-ação são:
Fundamenta-se no materialismo histórico, tendo a hermenêutica dialética
como sua principal ferramenta de análise.
O foco do pesquisador é de solucionar algo por meio de uma ação ou um
comportamento e, com isso, ele ser o seu objeto de estudo.
Tanto o pesquisador quanto o grupo pesquisado interagem de modo
participativo, desenvolvendo as ideias propostas no plano de pesquisa. O
que pode resultar em alguma transformação comportamental do grupo
envolvido e a possibilidade de solução para o objeto de estudo em
questão.
Diversos ajustes podem acontecer de forma progressiva dentro dos
planejamentos de pesquisa, caso necessário, para que seja fortalecido o
problema da pesquisa com ação.
Essa metodologia também tem como objetivos potencialmente
alcançáveis coletar os dados sobre o problema avaliado, desenvolver
conhecimentos teóricos e comparar as teorias sobre o tema, e, finalmente,
descrever os processos vivenciados em pesquisa e as suas variáveis, de
modo a produzir resultados práticos sobre os problemas pertinentes à
pesquisa.
O ambiente da pesquisa é o local natural em que as práticas acontecem.
Veja a seguir suas vantagens e desvantagens.
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Suas vantagens são:
É focada em mudança.
Na pesquisa-ação, a metodologia de pesquisa deve ter sempre um
olhar com relação à prática, de modo que não se deixe de avaliar o
que mudou, por não dispor de um bom instrumento de medição
ou de dados necessários.
Os cenários onde acontecem esse tipo de metodologia não são
manipulados como ocorre com a tradicional pesquisa científica
experimental. Assim, a pesquisa-ação está mais dentro dos
moldes intervencionistas.
A pesquisa-ação traz como forma de problematização o
apontamento sobre a quem cabe o problema. Esse é um olhar
crítico da Psicologia Social.
Suas desvantagens são:
A relação dos experimentos com grupo de controle, que
geralmente não se beneficiam das práticas de melhoria prevista
na pesquisa e acabam sendo desvantajosos para eles.
Muitas vezes, não acontece o real empenho dos participantes em
fazer algumas atividades e, até mesmo, alguns sacrifícios
pessoais, principalmente com relação a tempo e esforço, para
melhorar sua prática.
O fato de ser socialmente crítico nem sempre é bem aceito na
instituição em que a pesquisa é aplicada.
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Experimentos, levantamento de dados e
estudos de campo
Vamos observar mais alguns métodos de investigação apontados por Rodrigues,
Assmar e Jablosnski (2005):
Experimento
O experimento pode ser de campo e de laboratório. Vamos ver cada um deles,
bem como suas vantagens e desvantagens.
Acontece a observação do fenômeno e é permitida a manipulação da
variável independente, que o pesquisador teria interesse em verificar seu
efeito em uma situação natural.
As suas vantagens são:
Analisar o fenômeno em estudo tal como ele ocorre no ambiente
natural.
Permite o estudo mais detalhado do objeto de estudo.
Possibilita a descoberta da importância de variáveis que poderiam
estar sendo negligenciadas pelo pesquisador, e justamente pelo
experimento ocorrer no ambiente natural do fenômeno, pode vir à
tona a sua relevância.
As suas desvantagens são:
Dificuldade em obter cooperação.
O experimentador é limitado em testar as variáveis que julga serem
importantes devido às restrições inerentes ao ambiente natural.
Apreensão quanto a uma possível avaliação que os sujeitos da
De campo 
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experiência possam exibir.
O pesquisador cria uma situação com as condições exatas que pretende
ter e na qual ele controla e manipula outras variáveis. Permite o
estabelecimento de relações causais entre variáveis. Permite o controle
de variáveis capazes de se associarem à variável independente gerando a
possibilidade de atribuições errôneas. Cria o realismo experimental, ou
seja, a situação é realista para o sujeito da experiência e para que ele se
sinta envolvido e seja atingido o impacto desejado.
O pesquisador tem a possibilidade de controlar possíveis diferenças
iniciais dos participantes que são incluídos nos diferentes grupos
experimentais.
As suas vantagens são:
Possibilidade que oferece o controle de variáveis estranhas e
manipulações das variáveis de interesse do pesquisador.
A variável independente se apresenta de forma mais pura possível,
sem outras que são controladas pelo pesquisador.
Criação de uma ordem temporal das variáveis
As suas desvantagens são:
A artificialidade faz com que a variável independente perca parte de
suas forças, quando comparada com a situação da vida real.
De laboratório 
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Levantamento de dados
Possui um número elevado de pessoas que simbolizam uma amostra do
universo pesquisado. Os dados são coletados por meio de questionários no ato
da pesquisa ou para serem enviados posteriormente.
Passo a passo da pesquisa de levantamento:
1. Determinação dos objetos gerais
2. Determinação dos objetivos específicos e possível formulação de
hipóteses
3. Escolha da amostra
4. Criação de um instrumento para coletar os dados da pesquisa
5. Trabalho de campo (coleta de dados)
z. Codificação dos dados
7. Análise dos dados
{. Relatório final
Veja a seguir suas vantagens e desvantagens.
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Suas vantagens são:
Obtenção de informações que jamais seriam obtidas por outros
métodos de pesquisa social.
Permite o estudo de grandes áreas.
Suas desvantagens são:
São demoradas e dispendiosas.
Requerem cooperação das pessoas entrevistadase treinamento
adequado de entrevistadores para não causar distorções nos dados
coletados.
Cuidado na construção de instrumentos de coleta de dados e
verificação da honestidade dos entrevistados.
Precaução especial na eliminação de possíveis tendenciosidades
dos entrevistadores e dos efeitos que certas características podem
desempenhar.
Estudo de campo
Permite ao pesquisador um olhar aprofundado sobre o tema em questão. O
estudo é realizado em local predefinido, em que ocorre o fenômeno psicossocial
no qual acontece o objeto de estudo. O pesquisador observa o fenômeno ou
coleta os dados sobre o objeto de estudo de uma forma mais esmiuçada, mas
ele não pode intervir sobre o que está acontecendo. Veja a seguir suas
vantagens e desvantagens.
Vantagens 
Desvantagens 
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As suas vantagens são:
Ser conduzido no ambiente natural em que acontece o fenômeno
estudado.
Permite o estudo mais detalhado do objeto de estudo.
Possibilita a descoberta da importância de variáveis que poderiam
estar sendo negligenciadas pelo pesquisador, e justamente pelo
experimento ocorrer no ambiente natural do fenômeno, pode vir à
tona a sua relevância.
As suas desvantagens são:
Dificuldade em obter a colaboração dos responsáveis pelos locais
em que o estudo de campo será conduzido.
Dificuldade em evitar explicações alternativas por não ter controle
da variável independente e de possíveis influências de uma variável
desconhecida que pode ser a responsável pela composição do
grupo estudado.
Metodologias de pesquisa na Psicologia
Social
Vantagens 
Desvantagens 

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Neste vídeo, a especialista compara diferentes metodologias de pesquisa
usadas na Psicologia Social, destacando as suas características, vantagens e
desvantagens.
A ética
Princípios éticos dos psicólogos para a realização de pesquisas, segundo a
American Psychological Association (2010):
Os psicólogos devem buscar promover a exatidão, a honestidade e a
veracidade na ciência, no ensino e na prática da Psicologia.
Os psicólogos devem ter como prioridade o respeito à dignidade e ao valor
das pessoas, os direitos individuais da privacidade, confidencialidade e
autodeterminação.
Quando os psicólogos vão realizar uma pesquisa pessoalmente, via
transmissão eletrônica ou outras formas de comunicação, devem obter o
consentimento informado da pessoa.
Para obter o consentimento informado, os psicólogos devem informar aos
participantes a respeito da finalidade da pesquisa, tempo de duração
esperado e procedimentos; o direito de se recusar a participar e de se
retirar da pesquisa quando já iniciada; as consequências previstas de se
recusar ou se retirar; os fatores razoavelmente previsíveis que podem
influenciar a decisão de participar ou não, como riscos potenciais,
desconfortos ou efeitos adversos; quaisquer benefícios potenciais da
pesquisa; limites de confidencialidade; incentivos para participar; e do
contato para perguntar a respeito da pesquisa e dos direitos dos
participantes.
Os psicólogos são os principais responsáveis e devem tomar as devidas
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precauções para proteger a informação confidencial obtida ou guardada
em qualquer tipo de mídia.
A técnica do engano se refere a induzir o participante ao erro sobre a
verdadeira finalidade do estudo ou do que está acontecendo. Os
psicólogos não podem realizar uma pesquisa que envolva o engano, a
menos que comprovem que a técnica do engano é justificada pelo
potencial significativo do estudo com relação à ciência, educação ou valor
agregado e que as alternativas efetivas que não envolvam o engano não
sejam viáveis.
Os psicólogos devem deixar claro aos participantes qualquer tipo de
dúvida sobre os enganos, que eles fazem parte do projeto e da realização
de um experimento, assim que possível.
Os psicólogos devem fornecer uma forma de acesso imediato para que os
participantes possam obter informações a respeito da origem, dos
resultados e das conclusões da pesquisa e para poderem saber quais são
os passos para corrigir quaisquer equívocos ocorridos, dos quais os
psicólogos tenham conhecimento.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Qual é o método de pesquisa em Psicologia Social que permite a indagação
dos efeitos da variável independente sobre a dependente, com maior garantia
de controle de variáveis externas?
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Parabéns! A alternativa D está correta.
A Psicologia Social é uma disciplina que possui múltiplos métodos de
avaliação. A escolha do método tem a ver com o tipo de pesquisa que
gostaria de realizar, quais resultados gostaria de levantar, qual a vertente que
irá seguir. O experimento de laboratório permite a investigação dos efeitos da
VI sobre a VD, controlando a interferência de ruídos que possam ser
causados por variáveis estranhas ao estudo.
Questão 2
A Psicologia Social possui uma multiplicidade de métodos de pesquisa
possíveis de serem aplicados em seus estudos. A partir disso, assinale a
alternativa correta:
A Análise do conteúdo.
B Pesquisa-ação.
C Experimento de campo.
D Experimento de laboratório.
E Estudo de campo.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
A característica mais marcante da pesquisa-ação é o envolvimento das
pessoas analisadas no estudo, bem como o resultado do estudo pode
influenciar e modificar diretamente o ambiente/cotidiano dessas pessoas.
A
Une-se com o pressuposto da neutralidade do conhecimento
ou apoia um conhecimento que não interfira na realidade do
outro.
B
A abordagem qualitativa é a única possibilidade. A pesquisa
quantitativa não é um recurso aplicado em Psicologia Social.
C
A pesquisa-ação, por sua objetividade, possibilita conhecer os
diferentes fenômenos psicossociais.
D
Um ponto característico da pesquisa-ação é o envolvimento
da população pesquisada nas diferentes etapas do
desenvolvimento da investigação.
E
A pesquisa-ação é o único modelo de pesquisa aceitável em
Psicologia Social.
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3 - A Psicologia Social Psicológica e a Sociológica
Ao final deste módulo, você será capaz de distinguir as duas vertentes em Psicologia Social.
Diferenciação da Psicologia Social no
contexto da Psicologia
Como vimos, nas primeiras décadas do século XX, os Estados Unidos foram os
protagonistas da ascensão do behaviorismo, foco principal da Psicologia
verdadeiramente científica e que deveria estudar e explicar apenas o
comportamento humano e dispensava a importância de aspectos mentais,
cognitivos e emocionais.
A partir desse olhar, os psicólogos sociais progressivamente abandonam os
instintos humanos como uma explicação dos comportamentos sociais e
utilizam a experimentação com foco no indivíduo como metodologia e teoria
para a Psicologia Social, adotando um viés muito mais próximo de uma ciência
natural do que de uma ciência social.
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Página 48 de 64https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03574/index.html?brand=estacio#Floyd Allport, considerado um dos mais famosos psicólogos
sociais behavioristas da época, não apoiava o estudo da
consciência coletiva pela Psicologia Social, por não acreditar
na força da mente grupal, e valorizava que o foco deveria ser
o indivíduo.
Com esse raciocínio, a Psicologia Social não fazia parte da Sociologia, e sim da
Psicologia, devendo, portanto, dedicar-se ao estudo das influências do
comportamento que uma pessoa causa em sua sociedade e quais reações a
sociedade teria em relação a tais influências. Com isso, a obra de Allport define
os limites do que seria conhecido como Psicologia Social Psicológica, que tem
um olhar de uma disciplina objetiva e de base experimental.
Com a Segunda Guerra Mundial, muitos psicólogos sociais foram procurados
com intuito de ajudar na resolução dos problemas sociais provocados pela
guerra e esses estudos deram ênfase à Psicologia Social Psicológica no período
que vai da década de 1930 à década de 1950. Novas demandas foram geradas
pelos problemas sociais causados pela Segunda Guerra Mundial.
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Os trabalhos de Fritz Heider foram responsáveis pelas bases conceituais de
duas linhas de pesquisa que dominaram as décadas subsequentes: os
fundamentos das teorias de atribuição, em 1944 e 1958, e o princípio do
equilíbrio cognitivo, em 1946, que seria a base das teorias da consistência
cognitiva, defendendo que as pessoas mantêm emoções e cognições
consistentes sobre um mesmo objeto ou pessoa, obtendo uma situação de
equilíbrio. Porém, quando esse equilíbrio se desfaz, dá-se início a uma situação
de tensão e à busca para restabelecê-lo, a partir da mudança de algum dos
elementos da situação.
Em 1946, tivemos a atuação de Solomon Asch, que se colocava em oposição
aos psicólogos sociais que defendiam a bandeira do behaviorismo, passando a
dar ênfase aos princípios gestaltistas no campo da percepção de pessoas, um
marco que até hoje é uma das principais áreas de estudo que abarca a
Psicologia Social Psicológica.
De acordo com Asch, quando temos uma impressão sobre
uma pessoa ou objeto, criamos um todo estruturado e
organizado sobre ela, uma impressão que difere do somatório
de todas as partes de suas características pessoais.
As duas décadas seguintes do pós-guerra foram cruciais para a produção de
pesquisas inovadoras e mais sofisticadas metodologicamente, organizadas
pelos psicólogos sociais psicológicos, com bases solidamente estabelecidas,
que redirecionaram o surgimento de novas formas de pensar sobre pesquisa e
teorização.
Um dos focos do período pós-guerra foi o interesse pela pesquisa experimental
sobre mudanças de atitudes, sendo o tema central da vertente psicológica da
Psicologia Social durante os anos de 1960 e ocupando o maior espaço nos
livros-texto da época. No final dos anos de 1960 e 1970, houve uma decadência
na produção de pesquisas com essa temática, dando espaço para as teorias de
base cognitiva.
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Atenção!
A teoria da dissonância cognitiva de Festinger deu margem para o
desdobramento, nas décadas seguintes, de um volume considerável de
pesquisas experimentais destinadas a testar seus pressupostos. Apesar de ter
sido também alvo de críticas, ela foi a principal responsável pelo
desenvolvimento da Psicologia Social Psicológica nas décadas seguintes
(RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI, 2005).
Nos anos de 1970 e 1980, houve um redirecionamento dos interesses para as
teorias da atribuição. Essas teorias representam também o desenvolvimento do
cognitivismo, que tem como essência os processos cognitivos sendo
responsáveis pelo processamento da informação social, e essa perspectiva se
tornou dominante dos anos 1980 até os dias atuais na Psicologia Social
Psicológica.
A crise em Psicologia Social
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A Psicologia Social Psicológica tinha encontrado seu auge do período pós-guerra
até o final dos anos 1960, visto que diversas teorias e experimentos foram
realizados.
Porém, no início dos anos 1970, houve uma mudança no foco de pesquisa, que
deixa de lado toda a linha de raciocínio criada sobre comunidade e estudo de
grupo e a substitui pela investigação de fenômenos e pelo olhar sobre processos
de natureza cognitiva.
Dá-se início a um período mais sombrio na história conhecido com a Crise da
Psicologia Social, no qual se tem muitos questionamentos a respeito das bases
conceitual e metodológica da Psicologia Social Psicológica predominante, que
tinha como o objetivo central a pesquisa pelas leis universais capazes de
explicar o comportamento social, desconsiderando o papel que as estruturas
sociais e os sistemas culturais exercem sobre o sujeito. Esses questionamentos
se direcionavam, principalmente, com relação à relevância social, já que essa
vertente utilizava uma linguagem neutra e distante dos problemas sociais reais,
além da falta de comprometimento ético e excessiva fragmentação dos modelos
teóricos.
Martín-Baró (1942 – 1989)
A América Latina também vivencia
esse movimento de oposição à
Psicologia Social Psicológica ao final
dos anos 1970, com o intuito de ir em
busca de uma Psicologia Social mais
voltada aos problemas políticos e
sociais que estavam passando, como
a arbitrariedade dos regimes militares
e a grande desigualdade social do
continente.
Um destaque dessa fase na América
Latina é Martín-Baró, que defendia a
teorização em Psicologia Social
contextualizada na história da região,
marcada por problemas e conflitos
vivenciados pelo povo latino-
americano.
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Diferenciação da Psicologia Social no
contexto da Sociologia
Como vimos, a Psicologia Social Sociológica teve como sua principal vertente o
interacionismo simbólico, com base nas obras de Charles Cooley e George
Mead. Este último, apesar de ter recebido várias críticas, exerceu forte influência
no desenvolvimento de duas diferentes correntes teóricas: a Escola de Chicago e
a Escola de Iowa. Veja mais sobre elas a seguir.
Na Escola de Chicago, Herbert Blumer resgatou a expressão
“interacionismo simbólico de Mead”, trazendo uma visão mais
sociológica da Psicologia Social, e tinha como pressupostos:
A interpretação pessoal do mundo, dando um significado próprio.
O comportamento entendido como uma construção criativa oriunda
da interpretação da situação e das pessoas que nela se encontram.
A compreensão da conduta humana como imprevisível, porque os
significados e as ações dependem de cada situação, enquanto a
interpretação das situações e a construção do comportamento são
processos que ocorrem durante a interação social.
A Escola de Chicago deu valor a um ecletismo metodológico, fazendo um
mix de abordagens, tanto quantitativas como qualitativas, para estudar
com mais eficácia a realidade social de Chicago e cientificamente tentar
resolver os problemas sociais da cidade nos anos de 1930 e 1940, como,
por exemplo, o aumento da imigração, da criminalidade e da violência.
Escola de Chicago 
Escola de Iowa 
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A Escola de Iowa destacou-se pelo interacionismo simbólico nos anos
1960, que tinha Manford Kuhn como seu principal representante. Apesar
de defender o uso dos mesmos métodos de pesquisa das ciências
naturais, Kuhn pressupunha que a estrutura social era um fator
importante para definir o selfe a sociedade.
Desse modo, as interações sociais eram limitadas a respeito dos
julgamentos que as pessoas faziam sobre si e sobre os outros, bem
como o significado das situações que viviam, e isso era causado devido
aos níveis de expectativas da sociedade geradas com relação ao
desempenho dos papéis sociais.
O interacionismo simbólico passou a ser norteador das pesquisas e tinha
como principal método a observação participante em conjunto com o
uso de entrevistas. Esse tipo de orientação levou os psicólogos sociais,
adeptos da corrente sociológica, a dar prosseguimento às suas
pesquisas com temas como processos de socialização, interação face a
face (diferente dos experimentos laboratoriais), e a dar início a uma
temática do que seria a formação e o desenvolvimento da Psicologia
Social, com tópicos como identidade, comportamento desviante e
comportamento coletivo.
Outras vertentes teóricas foram desenvolvidas com o tempo, como a escola
dramatúrgica de Goffman (1985) e a teoria da identidade de Stryker (1980), que
deram importância em colocar em um patamar diferenciado a Psicologia Social
Sociológica que, por muito tempo, vivia às sombras da Psicologia Social
Psicológica, dominante no cenário acadêmico da Psicologia.
A Psicologia Social Sociológica
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Neste vídeo, a especialista reflete sobre as principais características e objetivos
da Psicologia Social Sociológica, destacando a importância do interacionismo
simbólico e metodologias de pesquisa derivadas.
A Crise da Psicologia Social no Brasil
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A Psicologia Social no Brasil começou mais tardiamente. Os primeiros indícios
foram na década de 1930, com algumas publicações em relação à análise de
questões psicossociais. Mas foi em 1962 que a Psicologia Social foi
institucionalizada, após a criação do Parecer de número 403/62 do Conselho
Federal de Psicologia, que obrigava a entrada da Psicologia Social no currículo
mínimo para os cursos de Psicologia.
Até os anos 1970, o Brasil, assim como a maioria do mundo, sofria grandes
influências da Psicologia Social Psicológica de origem norte-americana, que tem
o brasileiro Aroldo Rodrigues como seu maior representante e o livro Psicologia
Social sua principal obra, com sua primeira edição publicada em 1972. Rodrigues
também estava à frente do desenvolvimento da linha de pesquisa em Psicologia
Social Psicológica e dos diversos artigos sobre o assunto publicados na época.
O autor também se opunha às novas vertentes que estavam surgindo na
Psicologia Social brasileira dos anos 1970 e 1980, demonstrando que essas
correntes tinham intenções unicamente políticas e não tinham preocupação com
a teoria ou metodologia.
Em contrapartida a esse grupo que considerava a Psicologia Social Psicológica
como vertente única, em 1970 outro grupo de psicólogos sociais estava mais
voltado ativamente ao movimento de ruptura com o modelo tradicional, que
aconteceu na América Latina, principalmente devido ao sistema autoritário
político e à falta de contextualização da realidade na visão dos tradicionalistas.
Atenção!
Dois nomes de psicólogos sociais brasileiros se destacaram nessa mudança de
mentalidade: Silvia Lane e Wanderley Codo, que lançaram o livro Psicologia
Social: o homem em movimento, em 1984. Essa obra foi um marco para que
outros manuais brasileiros fossem criados, em um viés mais crítico. Nesse
período, dois eventos foram importantes e influenciaram bastante a Psicologia
Social Sociológica: congressos da Sociedade Interamericana de Psicologia e o I
Encontro Brasileiro de Psicologia Social, que reforçavam ativamente as críticas à
vertente tradicional.
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Além dos encontros citados, um marco para a Psicologia Social no Brasil foi a
fundação, em 10 de julho de 1980, na UERJ, da Associação Brasileira de
Psicologia Social (ABRAPSO), que tinha como visão a redefinição do campo da
Psicologia Social, bem como a ideia de que o ser humano é um produto
histórico-social e agente sobre a sociedade em que vive.
Com isso, a ABRAPSO ficou sendo a principal incentivadora dos
questionamentos a respeito da importação dos modelos norte-americanos para
o Brasil e como eles não estavam associados aos problemas sociais locais, o
que tirava a sua relevância e abria espaço para uma Psicologia Social com um
viés mais voltado à realidade social e a sua busca para transformar o
conhecimento científico em práxis.
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Silvia Lane estava à frente, na maior parte do tempo, desse movimento contra o
modelo norte-americano, discordando de Rodrigues em ao menos dois
aspectos:
1. Aroldo acreditava que a Psicologia Social era uma ciência básica, já Lane
abraçava a ideia de que a ciência básica e a sua aplicação deveriam ser
vistas como uma só e inseparáveis.
2. Rodrigues não concordava que a Psicologia deveria ter aspectos políticos,
mantendo-se neutra cientificamente e com a liberdade acadêmica, já Silvia
via que a Psicologia Social deveria ter como o foco a transformação da
realidade social, defendendo o aspecto crítico e com viés político da
disciplina.
Por fim, no que tange à breve história da Psicologia Social brasileira, outro
aspecto importante é o desenvolvimento dos cursos de pós-graduação
stricto‑sensu na área, na década de 1980.
A partir desses cursos, foram estruturadas diversas linhas de pesquisa na área
de Psicologia Social, com uma multiplicidade de paradigmas e tendências, e
novamente, um aumento na produção científica brasileira em Psicologia Social.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Que fato(s) estimulou(ram) a chamada “Crise da Psicologia Social”, na
segunda metade do século XX?
I. Falta de mercado de trabalho para os psicólogos sociais. 
II. Relevância social da área. 
III. Baixa autoestima dos psicólogos. 
IV. Perda de confiança nas abordagens clínicas. 
V. Não aplicabilidade do conhecimento produzido.
Estão corretas as afirmativas:
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Parabéns! A alternativa C está correta.
Alguns pontos levaram à Crise da Psicologia Social nos anos 1970, um deles
foi a relevância social da área, pois não avaliavam o cunho social dos
fenômenos. Os psicólogos criticavam que os estudos não tinham
aplicabilidade na realidade social, pois não levavam em conta os aspectos
sociais, só se concentravam no aspecto individual.
Questão 2
Como uma forma de classificar a Psicologia Social no desenvolvimento
histórico, foram criadas duas vertentes para a Psicologia Social: a sociológica
e a psicológica. O objetivo dessa classificação é
A IV e V apenas.
B I, II e III apenas.
C II e V apenas.
D Apenas V.
E I, IV e V apenas.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
A epistemologia das duas vertentes da Psicologia Social está diretamente
relacionada com as influências da Sociologia e da Psicologia Clínica na
Psicologia Social.
A
separar a contaminação que a Sociologia produziu em parte
da Psicologia Social

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