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vez que políticas que almejam a equidade, muitas vezes, alcançam-na às custas da eficiência. Considere, por exemplo, a política de assentos preferenciais em transportes públicos. Para assegurar que sempre haja assento disponível para grávidas, pessoas com deficiência, idosos e pessoas com crianças de colo, normalmente, há um número reservado de vagas. Muitas vezes, esses assentos ficam vagos, enquanto algumas pessoas ficam em pé. Isso gera ineficiência, mas será que gostaríamos de resolver essa ineficiência deixando as pessoas do grupo preferencial sem assento? Essa situação envolve um trade-off entre eficiência e justiça. Mercados rumo à eficiência Frequentemente, os mercados levam à eficiência ― embora não tenhamos um “planejador central” que se certifique de que a economia esteja operando de forma eficiente. O Estado não precisa gerar eficiência, porque os mercados já cumprem essa função razoavelmente bem. Adam Smith chama isso de mão invisível do mercado. Assim, os incentivos presentes em uma economia de mercado já garantem que os recursos sejam utilizados da melhor maneira possível, sem que haja desperdício de oportunidades. Contudo, há exceções para esse princípio. Quando temos falhas de mercado, a busca individual a partir do interesse próprio piora a situação da sociedade, e o resultado é ineficiente. Isso acontece, em geral, quando a ação individual de uma pessoa tem efeitos colaterais sobre as demais, o que economistas chamam de externalidade. Exemplo Poluição é um exemplo clássico de externalidade negativa. Adam Smith (1996) revelou que o crescimento da riqueza de uma nação depende basicamente da produtividade do trabalho. Essa produtividade, por sua vez, é função do grau de especialização ou da divisão do trabalho, determinado pela expansão do mercado e do comércio (SMITH, 1996). Por isso, Adam Smith concluiu que era fundamental, em qualquer nação, a remoção de todas as barreiras ao comércio interno e externo. Para ele, essa política liberal conduziria invariavelmente ao desenvolvimento das forças produtivas e ao sucesso do que ele chamou de “mão invisível” (SMITH, 1996). Logo, as regulamentações estatais mercantilistas levavam a economia ao retrocesso No seu livro A Riqueza das Nações, Adam Smith (1983) já apontava os efeitos da existência de leis relativas à intervenção do Estado na livre concorrência de mercado. Vem daí a importante expressão “mão invisível”, que Adam Smith formulou ao fazer alusão aos efeitos de um mercado livre. Esse mercado, sem intervencionismo, seria suficiente para regular os preços em prol de uma justa concorrência. Ainda assim, vários autores da AED usaram as bases ideológicas de Adam Smith para dar corpo teórico, em especial, à disciplina da AED. Com a Revolução Inglesa de 1688 e a Revolução Francesa de 1789, abriu--se a era do capitalismo e o caminho para o liberalismo. Nessa conjuntura, a percepção do Estado absolutista entrou em declínio. Assim, o liberalismo passou a ser a palavra de ordem — em especial no plano econômico e político. Em poucas palavras, o liberalismo era o contraditório do absolutismo. Enquanto o absolutismo se caracterizava por um governo de monarcas absolutos e déspotas, em que tudo tinha a cabeça e a mão do Estado, o liberalismo queria um governo pequeno ou um governo que não governasse demasiadamente. Ou seja, o liberalismo não defendia o fim do Estado, mas a redução da sua “mão” — noção que ficou popular com a ideia de Adam Smith da “mão invisível”. Ação governamental em prol do aumento de bem-estar Quando há falhas de mercado, é possível que ações governamentais melhorem o bem-estar da sociedade. Considere uma indústria que produz algo importante, mas gera poluição (por exemplo, usinas termoelétricas que geram energia, mas são muito poluentes). Ela não tem incentivo para levar em conta o custo de sua ação para a sociedade e deixar de poluir. Há duas possíveis respostas para essa situação: ● A sociedade pode subsidiar a adoção de uma nova tecnologia que gere menos poluição. ● O governo pode multar a indústria. Essas alternativas mudam os incentivos da indústria, dando a ela motivos para poluir menos. No entanto, as possíveis soluções vão depender da intervenção do estado. Assim, quando os mercados não funcionam corretamente, a ação do governo pode tornar o resultado mais próximo de algo eficiente, mudando a forma de alocar recursos na sociedade. Em geral, o mercado não funciona corretamente quando há externalidades. Também há falha quando o bem em questão não consegue ser eficientemente administrado pelo mercado. Exemplo Vamos pensar na iluminação pública. Não precisamos pagar para passar sob um poste de luz na rua, o que diminui o incentivo a contribuir para a provisão do serviço. Esse último caso é conhecido como bem público. Alguns agentes econômicos podem ter poder de mercado, como uma empresa monopolista, que poderá restringir o uso de recursos por outros indivíduos para maximizar seu lucro individual. Variáveis endógenas e exógenas O objetivo de um modelo econômico é demonstrar como as variáveis exógenas afetam as endógenas. Vamos primeiro entender o que são e quais as diferenças entre elas. As variáveis endógenas são aquelas que o modelo tenta explicar. Já as exógenas são as que o modelo toma como dadas. A imagem a seguir representa um esquema mais intuitivo para as variáveis: Modelo econômico. De acordo com a imagem, as variáveis exógenas são determinadas fora do modelo, servindo como insumo, enquanto as endógenas são estipuladas dentro do modelo, sendo o seu resultado. Considere um produtor de cogumelos. A demanda por seu produto vai depender de seu preço e da renda dos consumidores. A oferta, por sua vez, vai depender dos preços do cogumelo e dos insumos utilizados na produção. O equilíbrio acontece quando oferta e demanda se igualam. Nesse caso, as variáveis exógenas são a renda individual e o preço dos insumos, e a variável endógena será o preço do cogumelo. Escola Clássica É a Escola Clássica que inaugura a economia como ciência. Ou seja, ela é a origem do pensamento econômico em caráter científico. Nesse sentido, a Escola Clássica surgiu no século XVIII, com a publicação do livro A Riqueza das Nações (em 1776), do escocês Adam Smith. Contudo, a Escola Clássica se consolidou como uma linha de pensamento econômico no século XIX, com o aparecimento de novos pensadores econômicos que expandiram as análises teóricas, como Jeremy Bentham, David Ricardo, Thomas Malthus, James Mill, Jean-Baptiste Say e John Stuart Mill. Para Adam Smith (1996), o objeto de estudo da economia estava indicado no título completo da sua obra: é uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações. Nesse contexto, as riquezas eram os bens que possuíam valor de troca. Logo, distinguia-se o valor de uso do valor de troca das mercadorias, sendo que este último era determinado pela quantidade de trabalho necessária para produzi-las. Assim, a Escola Clássica enfatizava a importância da produção — colocando em segundo plano o consumo e a demanda Em termos gerais, os pensadores clássicos refutaram as tradições mercantilistas e as doutrinas fisiocratas. Eram contra as concepções mercantilistas de que a riqueza é constituída pelo entesouramento de ouro e de prata, e contra as ideias fisiocratas de que somente a agricultura produz valor. É dessa crítica que a Escola Clássica elabora a teoria do valor-trabalho, revelando que todas as atividades em uma economia produzem valor e que a riqueza de uma nação é resultado dos valores de troca Dessa maneira, Adam Smith (1996) revelou que o crescimento da riqueza de uma nação depende basicamente da produtividade do trabalho. Essa produtividade, por sua vez, é função do grau de especialização ou dadivisão do trabalho, determinado pela expansão do mercado e do comércio (SMITH, 1996). Por isso, Adam Smith concluiu que era fundamental, em qualquer nação, a remoção de todas as barreiras ao comércio interno e externo. Para ele, essa política liberal conduziria invariavelmente ao desenvolvimento das forças produtivas e ao sucesso do que ele chamou de “mão invisível” (SMITH, 1996). Logo, as regulamentações estatais mercantilistas levavam a economia ao retrocesso. Essas análises teóricas foram também defendidas por David Ricardo, que colocou o trabalho como um determinante do valor de troca. Nas suas reflexões, David Ricardo observou ainda uma contradição entre o valor de troca e o preço relativo das mercadorias. Essa contradição só seria resolvida anos mais tarde por Karl Marx, ao analisar a transformação do valor de troca em preço de produção (RASMUSSEN, 2006). Além do mais, David Ricardo formulou o conceito de vantagem comparativa e demonstrou que o comércio internacional é uma situação de “ganho–ganho” para os países envolvidos. Essa visão clássica destruiu a equivocada teoria do mercantilismo, que defendia que o colonialismo deveria beneficiar apenas a metrópole à custa da colônia. David Ricardo analisou também o fenômeno econômico dos retornos decrescentes. Assim, ele revelou por que os custos tendem a crescer, em determinado momento, quando você aumenta os níveis de produção Outro importante pensador clássico foi John Stuart Mill, que analisou principalmente as teses de Thomas Malthus e David Ricardo. Além do mais, John Stuart Mill deu sequência aos estudos de seu pai, o pensador inglês James Mill. No que se refere à teoria do valor, John Stuart Mill procurou demonstrar como o preço é determinado pela igualdade entre demanda e oferta e como a demanda recíproca de produtos afeta os termos do intercâmbio entre os países. Ele lançou também a ideia da elasticidade da demanda — expressão introduzida mais tarde por Alfred Marshall — para analisar as possibilidades alternativas de comércio. Por fim, cabe destacar que John Stuart Mill foi o único pensador clássico a abandonar o rigor doutrinário do liberalismo e do individualismo. Ele afirmava que deveria haver menor dependência da natureza e maior grau de intervenção governamental para a resolução de determinados problemas econômicos. Por exemplo, John Stuart Mill defendia, para contrabalançar o poder dos grandes empresários, o fortalecimento dos sindicatos e o recurso à greve. Defendia também que a renda, por constituir um excedente, deveria ser submetida à tributação Para entender o pensamento desses quatro autores clássicos da economia: ● Adam Smith: Defendeu a ideia de livre mercado e divisão do trabalho, enfatizando a importância da busca individual pelo lucro para o benefício da sociedade. ● David Ricardo: Contribuiu com a teoria das vantagens comparativas, que explica os benefícios do comércio internacional. ● Karl Marx: Famoso por suas teorias sobre o capitalismo, incluindo a luta de classes e a crítica à exploração do trabalho. ● John Stuart Mill: Defendeu a liberdade individual, mas também reconheceu a necessidade de intervenção do governo para corrigir desigualdades e proteger os mais vulneráveis. Cada autor teve contribuições significativas para o pensamento econômico, abordando diferentes aspectos e perspectivas. Boa parte da análise econômica marxista está em O Capital, de 1867. Foi a partir da teoria do valor-trabalho da Escola Clássica que Karl Marx desenvolveu o conceito de mais-valia como trabalho excedente, não pago, fonte do lucro, do juro e da renda da terra. A mais-valia é um dos conceitos mais importan-tes da Escola Marxista. E é a partir da mais-valia que Karl Marx analisa o processo de acumulação de capital no sistema capitalista, mostrando existir uma correlação entre as crescentes acumulação e concentração de capital e o empobrecimento dos trabalhadores ou proletariados. Para a Escola Marxista, essa é a principal contradição do sistema capitalista. A Escola Neoclássica, ou Marginalista, predominou entre 1870 e a Primeira Guerra Mundial. Os pensadores precursores foram Johann Heinrich von Thünen, Hermann Heinrich Gossen e Antoine Augustin Cournot. Contudo, a Escola Neoclássica reuniu várias gerações de representantes, como William Jevons, León Walras, Alfred Marshall, Vilfredo Pareto, John Bates Clark, Irving Fisher e Jules Dupuit. Também contribuíram ao pensamento neoclássico os austríacos Carl Menger e Eugen von Böhm-Bawerk (SANDRONI, 2005). Segundo Karl Marx (1996), a mais importante característica do capitalismo é ser um modo de produção de mercadorias. Ou seja, a riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista aparece como uma imensa coleção de mercadorias, e a mercadoria individual como a sua forma elementar. Assim, a mercadoria se apresenta como o principal elemento universal na sociedade capitalista e serve de mediação a todas as relações sociais. Segundo Karl Marx (1996), o modo de produção capitalista se fundamenta na exploração do trabalho. Todos os arranjos de produção no sistema capitalista objetivam o lucro. Em outras palavras, o lucro é o objetivo central da produção capitalista. Em suma, é o que diferencia a circulação mercantil simples da circulação mercantil capitalista (MARX, 1996) Uma das principais tentativas de formular uma teoria econômica para explicar as razões do desemprego no capitalismo foi de Karl Marx (1996). Para Karl Marx (1996), o desemprego seria uma consequência do próprio processo de acumulação de capital. Assim, os desempregados funcionariam como reguladores das taxas dos salários dos trabalhadores e, logo, das taxas de lucro dos capitalistas. Nesse contexto, Karl Marx (1996) formulou o conceito de “exército industrial de reserva” O exército industrial de reserva é, para Karl Marx, a população excedente relativa, ou uma massa de trabalhadores que seria constantemente desem-pregada pelo progresso/avanço técnico. Na concorrência para a obtenção de empregos, essa massa pressionaria para baixo o nível de salários, impedindo assim a sua elevação. Logo, o sistema capitalista não teria qualquer interesse em extinguir completamente o desemprego Marx via a transição para a sociedade industrial e capitalista como positiva, como um passo necessário para criar as condições a partir das quais os trabalhadores poderiam se unir. Com as grandes mudanças eco-nômicas e sociais que ocorreram na sua época, Marx acreditava que o curso da história era marcado por uma força irresistível que levaria ao progresso. Portanto, como a mudança da sociedade feudal para a sociedade industrial e capitalista tinha sido um progresso, a transição desta última para uma sociedade socialista e, depois, comunista, teria de acontecer como uma con-sequência inevitável das contradições inerentes ao capitalismo, e dos esfor-ços eventuais por parte dos trabalhadores para se livrarem da situação de exploração capitalista. Nesse sentido, era quase como uma lei da natureza para Marx. É interessante observar a crença de Marx de que a paz mundial seria possí-vel no momento em que as classes trabalhadoras chegassem ao poder, visto que a sua solidariedade baseada na condição de trabalhador criaria um laço que superaria a diferença de nacionalidade. Isso não se concretizou, e diferentes conflitos entre países comunistas, como, por exemplo, a União Soviética e a China, de fato se materializaram ao longo do século XX. É talvez um tanto paradoxal que a convivência pacífica, prevista por Marx, entre países socialistas chegou de fato a se concretizar, porém, entre países de democracias liberais, que quase sem exceções não declararam guerra entre eles ao longo das últimas décadas. Na sua teoria sobre os interesses objetivos da classe trabalhadora, Marx parece ter subestimadoa força do nacionalismo e suas diferentes expressões ao longo da história, que frequen-temente também foram incorporadas e utilizadas por governos socialistas. . É in-teressante lembrar que os fundadores do pensamento econômico moderno, como Adam Smith e Karl Marx, sempre se referiam à economia política. A separação entre economia e política, portanto, não foi vista como algo viável, pois constituem dois lados da mesma moeda. John Stuart Mill (1806-1873) John Stuart Mill foi o sintetizador do pensamento clássico. Seu trabalho foi o principal texto utilizado para o ensino de Economia no fim do período clássico e no início do período neoclássico. Sua obra consolida o exposto por seus antecessores e avança ao incorporar mais elementos institucionais e definir melhor as restrições, vantagens e funcionamento de uma economia de mercado A filosofia econômica de John Stuart Mill (1806-1873) fornece refle-xões muito interessantes sobre os dilemas que marcaram as sociedades dos países centrais à medida que se industrializaram e ganharam força ao longo do século XIX. Como os seus antecedentes intelectuais, Mill argumenta a favor dos mercados livres e ressalta a importância da concorrência como um meio para prover um maior nível de bem-estar da sociedade. Acreditava, porém, que havia uma certa necessidade da intervenção estatal na economia quando isso se justificasse por razões de necessidades sociais e justiça geral. Mill foi um advogado do igualitarismo na esfera econômica. Isso implicava uma forte convicção na importância da meritocracia e do esforço e respon-sabilidade individual, o que, por sua vez, pressupunha uma certa igualdade de oportunidades. Para Mill (1848), todos deveriam ter o mesmo ponto de partida para perseguir sucesso econômico. Por isso, favorecia impostos sobre heranças – sendo visto como uma forma de enriquecimento injusta, pois não implicava nenhum esforço do indivíduo –, e argumentava sobretudo a favor do acesso igual à educação. Sem isso não haveria como falar em meritocracia. Mill também defendia a democracia econômica como uma situação na qual os trabalhadores seriam responsáveis por gerir a produção e compartilhar seus frutos de maneira igualitária. Isso tem algumas semelhanças com os seus contemporâneos filósofos marxistas, porém Mill rejeitava veementemente a aversão do socialismo à concorrência, que na visão dele constitui um meca-nismo central na geração de riqueza. Os pensamentos liberais do John Stuart Mill convergem em larga medi-da com ideias que têm sido cada vez mais prevalentes nos debates do libera-lismo econômico hoje em dia. Enquanto até 2000 havia uma forte tendência em ressaltar a importância do crescimento econômico a qualquer custo, as crises econômicas de 2008 e 2020, a crescente desigualdade no mundo e os lados negativos da globalização econômica têm levado cada vez mais libe-rais a apontar a necessidade de suplementar as forças do mercado com um grau de intervenção em prol de questões sociais. Hoje, instituições frequen-temente associadas ao liberalismo econômico, como o Banco Mundial, a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Fórum Econômico Mundial, aceitam as premissas de que a desigualdade social deve ser combatida e de que a educação universal é um meio abso-lutamente central nesse sentido. O social-liberalismo de John Stuart Mill, portanto, é uma corrente ideológica cada vez mais presente, e é defendida sobretudo por observadores que ressaltam a combinação de sucesso econô-mico, competitividade e uma forte proteção social nos Estados de bem-estar social do norte da Europa. Por fim, Mill também parece estar à frente do seu tempo em suas reflexões sobre o valor intrínseco do meio ambiente. Destacava como o crescimento econômico desenfreado inevitavelmente iria prejudicar o meio ambiente e, consequentemente, as precondições para a vida humana saudável. Essas ideias têm ganhado força ao longo das últimas décadas e têm levado inclusive ao surgimento de perspectivas que ressaltam os limites do crescimento econômico e a importância de medir progresso em forma de bem-estar humano em vez do tamanho da economia. Também compartilham traços fundamentais com as perspectivas interdisciplinares so-bre o conceito do antropoceno, que parte do pressuposto de que, por moldar fundamentalmente a face da Terra, o ser humano tem se tornado uma força da natureza que deve ser assim analisada. 2. História do pensamento econômico Pensamento econômico Origem da ciência econômica Até a economia se tornar o que é atualmente, a ciência econômica passou por diversas transformações. Além disso, hão há consenso a respeito de quando o pensamento econômico começou. Embora a maior parte das pessoas só tenha ouvido falar de economia como ciência a partir de Adam Smith, pode-se argumentar que nas formas mais rudimentares de civilização já existia algum tipo de pensamento econômico, principalmente se partirmos do pressuposto de que seres racionais já se preocupavam com seu sustento. Assim, é ingênuo pensar que uma civilização antiga como a egípcia, que era caracterizada pela produção e distribuição de parte dos recursos, não tenha desenvolvido algum tipo de ideias econômicas, especialmente quando se considera a existência de comércio (em forma de troca) com outras nações e a propensão egípcia a manter registros escritos. Na Grécia Antiga, Platão já contribuía para o pensamento econômico ao abordar alguns conceitos, como a divisão do trabalho, a teoria da moeda, a produção como base da riqueza do estado (na época, cidade-estado) e até a propriedade comum. Seu discípulo, Aristóteles, também contribuiu para o campo sistematizando sua teoria, mas se opunha a seu mestre quanto à propriedade comum. A Idade Média representa um período de transformações na estrutura da sociedade, e grandes mudanças costumam vir acompanhadas de novas ideias. Seguindo a queda do Império Romano, que era caracterizado por ser escravocrata e ter como base econômica o latifúndio, o período deu origem à forma de organização econômica conhecida como feudalismo. Trabalho e terra passaram a ser transferidos, e não mais vendidos. O feudalismo sofreu muitas transformações ao longo da Idade Média, atingindo seu auge por volta do século X EC. O desenvolvimento de novas técnicas agrícolas aumentou a produtividade das terras, e a Europa vivenciou um período de estabilidade que permitiu o crescimento populacional e a formação de cidades. Essa combinação de fatores deu origem ao mercado independente. A Igreja Católica se tornou a instituição dominante na Europa e, por isso, quase todos os acadêmicos e escritores ocidentais do período eram clérigos. Surgimento da economia política As bases para o capitalismo industrial moderno também foram estabelecidas. A classe mercantil enriqueceu, a aristocracia e o clero começaram a perder influência e a expansão do comércio proporcionou o surgimento de centros comerciais e industriais. Além disso, as universidades foram criadas A esfera de produção se transformou, pois os comerciantes deixaram de ser apenas fornecedores de matérias-primas e se tornaram detentores de meios de produção e empregadores de mão de obra. A alta inflação vigente na Europa no período também influenciou o pensamento econômico. O período é conhecido como pré-mercantilismo, e Jean Bodin esboçou a primeira teoria quantitativa da moeda, em Resposta aos paradoxos de Malestroit (1568), afirmando que a principal causa do aumento dos preços era o aumento do ouro e da prata em circulação. A revolução cultural e científica proporcionou a ascensão do pensamento secular no lugar do religioso. No campo da economia, não foi diferente, pois ela se emancipou da ética e da filosofia política. Influenciado pelo crescimento dos estados-naçãoe pelos trabalhos de pensadores como Maquiavel, Hobbes e Locke, o pensamento econômico deixou de se preocupar apenas com o comportamento de agentes econômicos individuais e passou a examinar também o estado. Assim, foram estabelecidos os pilares para o pensamento econômico moderno. A economia política emergiu como ciência, e seu objeto de estudo era a atividade pública, tratando da acumulação e do gerenciamento da riqueza, a fim de aumentar a eficiência do estado. O conhecimento passava a ser baseado nos aspectos individuais e empíricos dos objetos. Sir William Petty é considerado um dos pais da economia política moderna, pois foi um defensor e expoente do método empírico e quantitativo. Mercantilistas Outra fase de transformações ocorreu durante o Mercantilismo. No campo do pensamento econômico, foram propostas ideias de um sistema comercial restritivo com o objetivo de aumentar a prosperidade econômica de uma nação. Os pensadores do período podem ser divididos entre: bulionistas (metalistas) e mercantilistas. Confira mais detalhes: Bulionistas (metalistas) Defendiam a regulamentação do câmbio. Por não entenderem a teoria do comércio internacional, enxergavam qualquer saída de metais preciosos como uma desvantagem. Desse modo, advogaram pela proibição da exportação de qualquer espécie que tivesse como consequência a saída de ouro e prata da nação, assim como de importações, especialmente de mercadorias de luxo, que envolvessem pagamentos na forma de metais preciosos. Em contrapartida, defendiam a exportação de mercadorias, como bens manufaturados, que propiciavam a entrada de metais preciosos em seus países como forma de pagamento. Mercantilistas Acreditavam que havia a necessidade de incentivar a troca de mercadorias, buscando alcançar uma balança comercial favorável, isto é, o país deveria exportar mais do que importar. A economia passara a ser política, influenciada pelo maior envolvimento do estado. A nação passou a ser vista como uma grande empresa comercial, o que acarretou a defesa e a adoção de políticas protecionistas. Em geral, o pensamento mercantilista dialogava com o poder do estado ― por exemplo, com ideias de unidade nacional ―, e seus objetivos eram identificados com a riqueza de uma nação. Atenção Teorias sobre a conceituação do valor e monetárias sobre o papel dos juros na economia também foram esboçadas no período estudado. Os principais contribuintes para o pensamento econômico da época foram: Thomas Mun, Antonio Serra e Edward Misselden. A posição teórica mercantilista foi se tornando inadequada frente à acumulação capitalista e ao seu controle sobre a produção, além da difusão do comércio e da competição. Tudo isso resultou na queda dos lucros. Nasceu uma classe capitalista de mestres artesãos que controlava a produção, que conflitava com os interesses dos comerciantes. Essas transformações foram acompanhadas por uma mudança radical na maneira de conceber os fatos econômicos. A intervenção do estado na economia passou a ser vista com suspeita, e a ideia de que o lucro se originava na esfera de produção começou a se disseminar. Além disso, para prosperar, a nova classe de empresários capitalistas precisava abrir mão dos laços morais e ideológicos tradicionais. A partir do final do século XVII, a celebração do individualismo, em conjunto com o desenvolvimento da ética protestante, legitimou a usura e a atividade econômica. Entre os economistas da época, começou a se disseminar a noção de que restrições administrativas na produção criavam mais desvantagens do que vantagens para a coletividade. Eles passaram a defender a intervenção do Estado apenas no reconhecimento e na proteção ao direito de propriedade. Precursores da economia política clássica A política aritmética de sir William Petty, publicada em 1690, marcou o início da economia política clássica, iniciando a crítica ao pensamento mercantilista prévio. Dudley North e Mandeville, influenciados por esse pensamento, atacaram o protecionismo do estado e defenderam o livre comércio. A ênfase mercantilista em uma balança comercial positiva também foi criticada: o comércio internacional não poderia ser uma fonte de perda para nenhuma das partes, uma vez que, sendo uma atividade voluntária, não ocorreria em primeiro lugar se não gerasse ganhos para todos. A teoria também avançou em outros aspectos. Richard Cantillon propôs que a terra era a principal fonte de riqueza, a qual seria produzida com o poder do trabalho empregado. Além disso, ele distinguiu o valor intrínseco do valor de mercado dos bens, o que foi considerado um esboço da teoria de preço e custo. Na França, no final do século XVIII, os conceitos pós-mercantilistas foram aprimorados por um grupo de pensadores, que ficou conhecido como fisiocratas, encabeçados por François Quesnay. As principais contribuições da escola fisiocrata para o pensamento econômico moderno consistem na rejeição do conceito mercantilista de riqueza por meio da troca e no reconhecimento da produção como fonte de riqueza. A invenção do termo e da política do laissez faire e laissez passer também forma duas contribuições significativas, além do Tableau economique (1759), principal obra de Quesnay. Interessado em transformar o setor agrícola em indústria capitalista eficiente, o autor apresentou um modelo quantitativo da produção de mercadorias. Ao distinguir entre trabalho produtivo e improdutivo, ele identificou uma fonte de riqueza no excedente que a terra é capaz de produzir, oriunda do fato de que nela se produz mais do que se consome. Quesnay foi o precursor da acumulação de capital. Seu trabalho também traz a ideia de interdependência entre os setores da economia e a inovadora representação de trocas como um fluxo circular de dinheiro e bens. Desse modo, os fisiocratas foram os primeiros a tentar analisar, de maneira sistemática, a circulação da riqueza na economia. O filósofo David Hume também fez valiosas contribuições ao pensamento econômico. Embora não tenha estruturado suas ideias de maneira sistemática, como os pensadores que viriam depois, suas obras tiveram grande influência na filosofia geral encontrada posteriormente no trabalho de Adam Smith. Suas principais ideias econômicas destacavam o trabalho e a atenção a oscilações e mudanças na economia e apontaram a inter-relação dos fatos econômicos com outras forças sociais. Na parte monetária, Hume descreveu o mecanismo pelo qual uma mudança na quantidade de moeda em circulação alteraria o valor do dinheiro na economia ― assunto debatido até hoje. Economia política clássica Economia clássica é o nome dado ao sistema de teoria econômica desenvolvido a partir do final do século XVIII. Ele foi iniciado com a publicação do livro Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações, mais conhecido simplesmente por A riqueza das nações, de Adam Smith, em 1776. Ele lançou as bases da teoria econômica clássica de livre mercado. Acompanhe, a seguir, o que torna essa obra tão importante! I Evoluções no pensamento econômico clássico A teoria clássica proposta nesse período contrastou fortemente com as tendências anteriores do pensamento econômico. Embora tenham assimilado diversos conceitos estabelecidos por seus antecessores, os economistas clássicos identificaram falhas em todas as soluções propostas previamente para os problemas econômicos. II A mão invisível e a harmonia do mercado Os clássicos viam como positivos os resultados que decorriam naturalmente das forças econômicas. Nesse período, surgiu a noção de uma “mão invisível do mercado”, ou seja, forças que naturalmente convergiriam para um equilíbrio eficiente sem precisar de intervenção estatal. III Rupturas com o mercantilismo A visão clássica de um sistema econômico harmoniosodestoava das crenças mercantilistas e escolásticas de que o mercado era caracterizado por desequilíbrios que exigiam intervenções e Mercados: interações entre indivíduos Mercados rumo à eficiência Exemplo Ação governamental em prol do aumento de bem-estar Exemplo Variáveis endógenas e exógenas Escola Clássica 2. História do pensamento econômico Pensamento econômico Surgimento da economia política Mercantilistas Bulionistas (metalistas) Mercantilistas Atenção Precursores da economia política clássica Economia política clássica