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1 Lay Alba, XLI, 3ª fase – Semiologia I ANAMNESE A semiologia médica vai se basear em um raciocínio clínico: anamnese exame físico (EF) hipóteses diagnósticas exames complementares (se necessário) diagnóstico final tratamento ou terapêutica. Exame clínico = anamnese + EF Representa 70% do caminho. Deve ser bem feita para não prejudicar o resto do processo! ANAMNESE: é a história clínica do paciente. Tem como objetivo reconstruir os fatos relacionados a saúde do paciente. Precisa respeitar uma ordem cronológica. Tem três tipos: - Aberta: espaço para o paciente contar sem interferir – usado em consultas normais - Dirigida: médico vai guiando a partir de perguntas – usado nas emergências - Mista: o médico vai deixando o paciente ir relatando mais também faz perguntas – usado em ambulatórios Segue uma ordem cronológica. É dividida em sete partes: Identificação, queixa principal (QP), história da doença atual (HDA), interrogatório sobre diversos aparelhos e sistemas (ISDAS), história mórbida pregressa (HMP), história mórbida familiar (HMF), história fisiológica social (HFS). 1. IDENTIFICAÇÃO - Nome: em relatos usar apenas as iniciais, mas se tiver autorização do paciente pode usar o nome escrito; - Idade: importante pois existem doenças em certas faixas etárias. A febre reumática é mais comum entre 5 e 15 anos. O infarto agudo do miocárdio é mais comum após os 40 anos. Além disso, é importante observar se a idade cronológica é compatível com a idade biológica. - Sexo/gênero: existem doenças específicas ou com maior taxa de acometimento para algum dos gêneros. O lúpus eritematoso sistêmico acomete mais mulheres e a gota é mais comum nos homens. - Raça/cor/etnia: o termo raça contempla duas possibilidades, caucasiano e não-caucasiano; já o termo cor faz referência à múltiplas possibilidades: negro, branco, pardo, mameluco, índio, amarelo. - Estado civil: solteiro, casado, viúvo, separado e divorciado. - Profissão/ocupação: não apenas a atual, como também a anterior. A profissão pode estar relacionada diretamente ao desenvolvimento de uma patologia. - Naturalidade e procedência: é importante saber para compreender as doenças comuns aos locais – áreas endêmicas. A naturalidade é o local do nascimento e a procedência é o local em que estava morando. 2. QUEIXA PRINCIPAL (QP) A queixa principal é definida pelo paciente. Precisa colocar a queixa entre aspas com as palavras do paciente. Exemplo: ‘’tosse’’, ‘’dor de barriga’’. A QP é detalhada na HDA. 2 Lay Alba, XLI, 3ª fase – Semiologia I 3. HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA) A história da doença atual (HDA) é a narrativa do problema corrente. Para classificar as dimensões ou parâmetros da doença apresentada pelo paciente, as seguintes linhas de questionamentos devem ser seguidas. É uma reconstrução cronológica da condição anormal. É a principal parte da anamnese, pois conta por detalhadamente a história do problema atual. - Início: quando o paciente notou o sintoma pela primeira vez? O que estava fazendo naquela ocasião? - Sequência temporal: o que tem acontecido com o sintoma desde que ele foi notado pela primeira vez? Vem melhorando, piorando ou se mantém estável? Tornou-se mais ou menos frequente? Como é hoje comparado com ontem ou semana passada ou quando começou? Alguma coisa semelhante já ocorreu no passado? - Qualidade do sintoma: O quanto mau ou extenso é o sintoma? Que palavras o paciente usaria para descrever a quantidade? Em uma escala de 1 (mínima) a 10 (agonizante), onde o paciente a colocaria? - Fatores agravantes: o que em sido observado que desencadeia o sintoma ou o torna pior? - Fatores atenuantes: o que tem diminuído o sintoma ou feito desaparecer? SINTOMA GUIA: é aquele que permite melhor reconstruir cronológico a HDA. O médico define o sintoma guia. Exemplo: no caso de uma dor precordial precisa saber o local, tipo, intensidade, irradiação, fatores desencadeantes, fatores de agravo ou alívio, duração dos fatores associados (febre, náusea, vômito). 4. INTERROGATÓRIO SOBRE DIVERSOS APARELHOS E SISTEMAS (ISDAS) São perguntas sistemáticas e organizadas sobre todos os sinais e sintomas porventura apresentados pelo paciente. Toda resposta afirmativa resultará em uma série de questionamentos, com descrição pormenorizada da época de aparecimento, duração e características do sintoma ou sinal relatado. São perguntas relacionadas aos sintomas que não foram abordados na história da doença atual (HDA) – ou seja, o sistema que foi abordado na HDA não será perguntado no ISDAS. Funciona como um complemento ao HDA, pois é uma revisão da cabeça aos pés passando por todos os sistemas. O ISDAS permite que o médico levante possibilidades que não tem relação com o quadro sintomatológico na HDA. Através do ISDAS podemos achar outro sintoma guia não relatado pelo paciente. SINTOMAS GERAIS: aborda peso atual e qualquer mudança recente, fadiga, febre e nível de energia. » Temperatura corporal: Febre? Foi verificada com termômetro? Qual a sua periodicidade? Sinais e sintomas associados? Evolução? » Fadiga: sensação de cansaço desproporcional ao esforço. » Astenia: cansaço sem esforço físico. » Sudorese: eliminação abundante de suor. » Calafrios: sensação momentânea de frio. » Cãibras: contrações involuntárias de um músculo ou grupo muscular. 3 Lay Alba, XLI, 3ª fase – Semiologia I » Apetite: deverá ser avaliado tanto do ponto de vista qualitativo como do ponto de vista quantitativo – polifagia ou anorexia. » Alterações no peso: quantificar o ganho ou perda de peso e estabelecer uma relação temporal, como por exemplo: ganho de 4 quilos em duas semanas. Sempre questionar se houve mudança na alimentação ou na atividade física. » Alterações na ingesta hídrica: diminuição ou polidpsia. MANIFESTAÇÕES CUTÂNEAS: mudanças recentes na textura ou aparência do cabelo, pele ou unhas; novas erupções; tumorações; úlceras; e história de tratamento dermatológico. » Prurido: coceira. Precisa estabelecer a localização exata e se é acompanhado ou não de lesões. » Palidez » Icterícia: algum local amarelo? » Cianose: algum local azul? » Manchas ou outras lesões: solicitar ao paciente que descreva as mesmas. Deve ser salientado que neste momento não estamos realizando EF que somente a sua execução o médico fará a inspeção da lesão e a descrição teórica. » Alterações nos fâneros (cabelos, pelos e unhas): Alopécia: queda de cabelo. Hirsutismo: crescimento de pelos na mulher em áreas características masculinas. Hipertricose: excesso de pelo em áreas normais de pelo. » Promoção da saúde: exposição solar (hora do dia, uso de protetor solar); cuidados com a pele e cabelos. TECIDO CELULAR SUBCUTÂNEO (TCSC): É uma camada de tecido conjuntivo frouxo localizada abaixo da derme, a camada profunda da pele, unindo-a de maneira pouco firme aos órgãos adjacentes. » Linfonodomegalia: perguntar sobre a localização, número de linfonodos, aumentados de volume, presença de sinais flogísticos – inflamação: dor, calor, rubor e edema –, consistência e mobilidade. » Edema: perguntar sobre a localização (localizado ou anasarca/geral), período do dia em que se evidencia e presença de sinais flogísticos. MANIFESTAÇÕES NEUROMUSCULARES E ARTICULARES: » Mialgia: dor muscular localizada ou generalizada. » Artralgia: dor em articulações do corpo. Listar as articulações envolvidas, se o comprometimento é aditivo ou migratório, se há sinais flogísticos. » Limitações de movimentos. » Lipotímia: sensação de desmaio. » Síncope: desmaio. » Parestesia: dormência. » Paresia: perda parcial da motricidade. » Paralisia: perda da capacidade de movimento voluntário de um músculo. 4 Lay Alba, XLI, 3ª fase – Semiologia I » Convulsões » Alterações na marcha » Tremores CABEÇA: » Cefaleia: dor de cabeça. » Paralisias: imobilidade total ou parcial. » Movimentos involuntários» Dor » Aumento de volume OLHOS: » Diplopia: visão dupla. » Xeroftalmia: olhos secos. » Amaurose: perda total ou parcial da visão. » Lacrimejamento » Secreção: líquido purulento que recobre as estruturas externas do olho. » Prurido: sensação de coceira. » Fotofobia: aversão a qualquer tipo de luz. » Nistagmo: oscilações rítmicas e involuntárias em um ou ambos os olhos em algumas ou todas as posições de mirada. » Alucinações visuais: sensação de luz, cores ou reproduções de objetos. » Escotomas: alterações do campo visual, que traduzem a diminuição parcial ou total da capacidade de enxergar, sempre rodeados por um campo de visão normal. As manchas dos Escotomas provocam espaços escuros que atrapalham o olhar. » Acuidade visual: capacidade do olho para distinguir detalhes espaciais. » Uso de lentes corretivas: óculos ajuda? Anotar o grau e o resultado com o uso. OUVIDOS: » Hipoacusia: perda total ou parcial da audição. » Zumbidos » Otorreia: secreção líquida nos ouvidos. » Otorragia: perda de sangue. » Otalgia: dor. » Vertigem: sensação de estar girando em torno dos objetos (vertigem subjetiva) ou os objetos girando em torno de si (vertigem objetiva). A vertigem é a sensação falsa de movimento. » Tontura: perturbação na orientação espacial sem a sensação de estar em movimento. 5 Lay Alba, XLI, 3ª fase – Semiologia I NARIZ: » Dor » Hiposmia: diminuição do olfato. » Anosmia: perda total do olfato. » Coriza: excesso de muco. » Epistaxe: perda de sangue pelo nariz. » Cacosmia: sentir mau cheiro, sem razão para isso. » Rinolalia: voz anasalada (fanho). » Rinorreia: corrimento de mucosidade. » Parosmia: perversão do olfato, geralmente resultando em sensações de cheiros que não existem ou em cacosmia. CAVIDADE BUCAL: » Sialose ou Sialorreia: excesso de saliva. » Sialosquese: ausência de saliva. » Halitose: mau hálito. » Dor FARINGE: » Odinofagia: deglutição dolorosa. » Disfagia: dificuldade para deglutir. » Pigarro: excesso de muco na garganta. LARINGE: » Disfonia: rouquidão. » Afonia: incapacidade total ou parcial de produzir a fala. MANIFESTAÇÕES CARDIORRESPIRATÓRIAS: » Dispneia: falta de ar. Caracterizar se a dispneia é de repouso ou aos esforços. Se for aos esforços, especificar se a manifestação ocorre aos pequenos, médios ou grandes esforços. » Dispneia paroxística noturna: ao dormir, acorda com dispneia. » Ortopneia: é a dispneia de ficar deitado. Quantos travesseiros usa para dormir? » Dor torácica: caracterizar. » Palpitações: sensação de consciência do batimento forte do coração. » Tosse: produtiva ou improdutiva? Caracterizar. » Expectoração: expulsão de secreções por meio da tosse e sua característica (quantidade, cor e odor). » Hemoptise: sangue durante a tosse. » Hemoptoico: escarro com a presença de sangue. 6 Lay Alba, XLI, 3ª fase – Semiologia I MANIFESTAÇÕES GASTROINTESTINAIS: » Ritmo intestinal: anotar quantas vezes evacua por dia e as características das fezes. » Obstipação ou Constipação: prisão de ventre. » Diarreia: fezes líquidas ou amolecidas? » Disenteria: fezes com muco e sangue acompanhado de cólica intestinal. » Características das fezes: cor, odor, consistência. » Acolia: fezes brancas. » Esteatorreia: fezes com presença de gordura (brilhantes). » Enterorragia: sangramento intestinal (ao limpar). » Melena: fezes de cor escura e cheiro fétido. » Hematoquezia: sangramento misturado com as fezes. » Náuseas e vômitos – Hematêmese: vômitos com sangue MANIFESTAÇÕES GENITOURINÁRIAS: » Características da urina: cor, odor, quantidade, presença de sedimento urinário. » Hematúria: sangue na urina. » Colúria: urina escura. » Piúria: pus na urina. » Anúria: ausência de urina. » Oligúria: diminuição da produção de urina. » Poliúria: aumento do volume urinária » Polaciúria: aumento do número de micções. Há muita vontade e pouco xixi. » Disúria: dor ao urinar. » Noctúria: necessidade de se levantar a noite para esvaziar a bexiga interrompendo o sono. » Incontinência urinária: perda involuntária da urina. » Secreções » Menstruação: fluxo, ciclo. » Dismenorreia: cólica menstrual. » Dispareunia: dor durante a relação sexual. MANIFESTAÇÕES NEUROPSIQUIÁTRICAS: questionar o paciente sobre distúrbios de memória, raciocínio e humor, e sobre a presença de nervosismo, insônia ou apatia (falta de emoção/entusiasmo) 5. HISTÓRIA MÓRBIDA PREGRESSA (HMP) É um catálogo de problemas de saúde significativos passados. Problemas que devemos perguntar: » Doenças médicas passadas remotas: doenças que melhoraram com o tratamento ou por si próprias, mas que tem potencial para recorrência ou sequelas tardias. 7 Lay Alba, XLI, 3ª fase – Semiologia I » Procedimentos cirúrgicos: qualquer cirurgia que tenha havido, incluindo a data da operação, os sintomas que levaram ao procedimento, a natureza do procedimento, reações adversas à anestesia, sequelas. » Outras hospitalizações: datas, razões e os resultados das hospitalizações. » Traumas graves não mencionados previamente » Medicações: com ou sem receita, nome, posologia, motivo. » Alergias » Doenças da infância: caxumba, sarampo, rubéola, varicela e febre reumática. » Imunizações: - Crianças: BCG; difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, poliomielite, meningite por influenza B, sarampo, rubéola, varicela, caxumba, rotavírus, febre amarela (a cada 10 anos). - Adolescentes: difteria, tétano, hepatite B, sarampo, caxumba, rubéola, febre amarela (a cada 10 anos). - Adultos e idosos: difteria, tétano, sarampo, caxumba, rubéola, febre amarela (a cada 10 anos). Para 60 anos ou mais: influenza ou gripe, pneumonia por pneumococo. » História gineco obstétrica: número de vezes que ficou grávida, nascidos vivos e abortos espontâneos ou induzidos, como a documentação do tipo de parto e qualquer complicação da gravidez ou partos. Exemplo: G3 P2 C1 A0 3F – gestação, parto, cesariana, aborto – importante saber o período do aborto. Nº de gestações (G); Nº de partos (P); Nº de abortos (A); Nº de prematuros e Nº de cesarianas (C) (G_ P_ A_ C_). É importante saber em qual trimestre ocorreu o aborto para relacionar a etiologia. 6. HISTÓRIA MÓRBIDA FAMILIAR (HMF) A história mórbida familiar vai dar ideia se a doença atual tem fator de risco, genética. » Questionar sobre doenças na família: neoplasias, diabetes, HAS, asma brônquica, doenças congênitas, depressão e tuberculose. » São de interesse: pais, avós, irmãos e cônjuge. » Causas de óbitos e idades que ocorreram - HAS (hipertensão arterial sistêmica): se for antes dos 35 anos tem que procurar causas secundárias como estenose da artéria renal; tumor feocromocitoma (tumor na suprarrenal – produz cortisol e adrenalina desencadeando vasoconstrição e HAS). 7. HISTÓRIA FISIOLÓGICA SOCIAL (HFS) » Tabagismo: tipo, quantidade, tempo de uso. Cálculo: multiplica-se a quantidade de maço pelo tempo de anos. Exemplo: 30 anos/maço. 8 Lay Alba, XLI, 3ª fase – Semiologia I » Bebida alcóolica: tipo, quantidade, tempo de uso. » Drogas ilícitas: tipo, quantidade, tempo de uso. » Tipo de habitação: banheiro, destino de esgoto, água, banheiro. » Presença de animais domésticos: quais, quantos, padrão de higiene. » Ambiente de trabalho: se insalubre ou não. » Viagens para áreas endêmicas » Escolaridade » Vida sexual ativa Fatores de risco do IAM: sedentarismo, tabagismo, dislipidemias, diabetes, HAS, histórico familiar (dependendo da idade dos pais). EM QUALQUER SINAL OU SINTOMA REFERIDO PELO PACIENTE, SEMPRE PERGUNTAR: HÁ QUANTO TEMPO? SINAIS E SINTOMAS ASSOCIADOS? FATORES DESENCADEANTES, DE AGRAVO, DE ALÍVIO? NO CASO DE DOR: LOCALIZAÇÃO E IRRADIAÇÕES DA MESMA.