Prévia do material em texto
Hanseníase Profa. Mariana Vasconcelos https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/hanseniase/experiencias-exitosas-em-hanseniase O que é a Hanseníase Doença infecciosa, contagiosa, de evolução crônica, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Acomete principalmente os nervos superficiais da pele e troncos nervosos periféricos, mas também pode afetar os olhos e órgãos internos No Brasil, cerca de 47.000 casos novos são detectados a cada ano, sendo 8% deles em menores de 15 anos. Fatores relacionados: Condições socioeconômicas e ambiente É uma doença tratável e curável Hanseníase Descoberta em 1873- GehardAmauer Hansen; Longo Período de incubação– 2 a 7 anos; • Multiplicação– 12 a 21 dias; • Tropismo por nervos periféricos; Raramente em crianças; Condições sócio– econômicas baixas. Alta infectividade, mas baixa patogenicidade Hanseníase É uma doença de notificação compulsória e de investigação obrigatória. Para notificar utiliza-se a ficha de Notificação/ Investigação do Sistema de Informação de Agravo de Notificação – SINAN. Hanseníase Se não tratada na forma inicial, a doença quase sempre evolui, torna-se transmissível e pode atingir pessoas de qualquer sexo ou idade A evolução ocorre de forma lenta e progressiva e pode levar à incapacidades físicas. BRASIL,2017 Hanseníase São temas pertinentes a essa discussão o medo, o preconceito e a discriminação em relação à doença; assistência e cuidado dos pacientes; treinamento para o autocuidado; estratégias para fortalecer vínculos do paciente com o serviço e sua adesão aos tratamentos; humanização da assistência – olhar a pessoa no seu contexto de vida, como ser integral; identificação de necessidades da comunidade; avaliação de comunicantes, busca ativa e ações educativas; f ortalecimento das redes e qualidade da atenção BRASIL,2008 Classificação Paucibacilares (PB) Presença de até cinco lesões de pele com baciloscopia de raspado intradérmico negativo, quando disponível Multibacilares (MB) Presença de seis ou mais lesões de pele OU baciloscopia de raspado intradérmico positiva A baciloscopia positiva indica o caso como MB, porém o resultado negativo não exclui o diagnóstico clínico da hanseníase e também não classifica obrigatoriamente o doente como PB. Indeterminada e Tuberculóide até 5 Dimorfa e Virchowiana >5 Classificação Alguns pacientes não apresentam lesões facilmente visíveis na pele, e podem ter lesões apenas nos nervos ou as lesões podem se tornar visíveis somente após iniciado o tratamento. Classificação de Madri - formas clínica Paucibacilares (PB) Multibacilares (MB) não são importantes como fonte de transmissão grupo contagiante até não iniciar o tratamento Período de incubação: Entre o contato com a pessoa doente e o aparecimento dos primeiros sinais pode levar em média 2 a 5 anos (algumas literaturas trazem o período de até 10 anos). Isso acontece devido ao padrão de multiplicação do bacilo. Transmissão Ag etiológico Mycobacterium Leprae Reservatório Indivíduo com a forma MB Fonte da infecção Homem XXXXXXQUEBRA DA CADEIA DE TRANSMISSÃO XXXXX É transmitida por meio de contato próximo e prolongado de uma pessoa suscetível com um doente com hanseníase que não está sendo tratado. A bactéria é transmitida pelas vias respiratórias (pelo ar), e não pelos objetos utilizados pelo paciente. Considera-se que a maioria da população possua defesa contra o M. leprae. A susceptibilidade ao M. leprae possui influência genética. Transmissão Investigação de contatos Contato domiciliar: toda e qualquer pessoa que resida ou tenha residido, conviva ou tenha convivido com o doente de hanseníase, no âmbito domiciliar, nos últimos cinco (5) anos anteriores ao diagnóstico da doença (familiar ou não). Atenção especial deve ser dada aos familiares. Devem ser incluídas, também, as pessoas que mantenham convívio mais próximos, àqueles que frequentem o domicílio do doente ou tenham seus domicílios frequentados por ele. Contato social: toda e qualquer pessoa que conviva ou tenha convivido em relações sociais (familiares ou não), de forma próxima e prolongada com o caso notificado. Aqueles que tiveram contato muito próximo e prolongado com o paciente não tratado. SEM CICATRIZ DE BCG ENCAMINHA PRA VACINAÇÃO COM 1 CICATRIZ DE BCG ENCAMINHA PARA VACINAÇÃO COM DUAS CICATRIZES NÃO PRESCREVER NENHUMA DOSE Investigação de contatos NÃO fazer a vacinação BCG em pacientes imunossuprimidos, pessoas com tuberculose ativa, gestantes ou em indivíduos vacinados recentemente. aspectos determinantes das condutas terapêuticas a serem seguidas: a infecção pelo M. leprae e as reações hansênicas. Enquanto a infecção é combatida com antibióticos, as reações hansênicas são tratadas com medicamentos anti-inflamatórios e/ou imunomoduladores. Aspectos clínicos Destaca-se que a principal consequência da hanseníase, a neuropatia periférica, instala-se por ambos os mecanismos patogênicos, merecendo atenção especial e monitoramento constante. Manifestações clínicas Indeterminada e Tuberculóide até 5 Dimorfa e Virchowiana >5 Classificação Classificação de Madri - formas clínica Paucibacilares (PB) Multibacilares (MB) Hanseníase Paucibacilar Inderterminada É a forma inicial da doença, surgindo com manifestações discretas e menos perceptíveis Não se relacionam à resposta imune específica manchas na pele, em pequeno número, mais claras que a pele ao redor (hipocrômicas) Sem alteração na textura e sem relevo O comprometimento sensitivo é discreto, geralmente com hipoestesia térmica Dificilmente com diminuição da sensibilidade dolorosa, enquanto a sensibilidade tátil é preservada. Pode ou não haver diminuição da sudorese (hipoidrose) e rarefação de pelos nas lesões Hanseníase Paucibacilar Inderterminada É mais raro que os pacientes busquem o serviço de saúde nessa fase da doença, pois nem sempre há manifestações IMPORTÂNCIA DA BUSCA ATIVA E DE CASOS CONTATO Hanseníase Paucibacilar Tuberculoide Forte resposta da imunidade celular específica, evoluindo com multiplicação bacilar limitada e não detectável pela baciloscopia do esfregaço intradérmico. Comprometimento restrito da pele e nervos Geralmente a lesão cutânea é única ou em pouca quantidade. A resposta inflamatória é intensa Presença de granulomas tuberculoides na derme e acentuado comprometimento dos filetes nervosos acentuada hipoestesia ou anestesia nas lesões dermatológicas é comum haver comprometimento da função das glândulas sudoríparas E como dos folículos pilosos Os nervos periféricos são poupados ou se apresentam espessados de forma localizada e assimétrica, Hanseníase Paucibacilar Tuberculoide Placas com bordas nítidas, elevadas, geralmente eritematosas e micropapulosas, bem delimitadas O centro das lesões pode ser hipocrômico apresenta certo grau de atrofia que reflete a agressão da camada basal da epiderme pelo infiltrado inflamatório granulomatoso Hanseníase Multibacilar Wirchoviana As manifestações cutâneas e neurológicas e a baciloscopia apresentam características totalmente contrárias às da forma tuberculoide, ocupando o polo oposto no espectro clínico da hanseníase Ocorre em indivíduos que não ativam adequadamente a imunidade celular específica contra o M. leprae, evoluindo com intensa multiplicação dos bacilos A imunidade do indivíduo não impede a infiltração difusa, especialmente, da pele e dos nervos periféricos, além de linfonodos, fígado, baço, testículos e medula óssea Achado facilmente na baciloscopia e em biopsia cutânea Hanseníase Multibacilar Wirchoviana O comprometimento cutâneo pode ser silencioso, com a progressiva infiltração sobretudo da face, com acentuação dos sulcos cutâneos, perda dos pelos dos cílios e supercílios (madarose) congestão nasal e aumento dos pavilhões auriculares. BRASIL, 2020 Infiltrações difusas em mãos e pés pápulas e nódulos cutâneos (hansenomas), acastanhados Lesões de pele podem apresentar sensibilidade normal. nervos periféricos geralmente se encontram espessados difusamente e de forma simétrica, frequentemente com hipoestesia ou anestesia dos membros. disfunções autonômicas, com hipotermia e cianose das extremidades. Hanseníase Multibacilar Wirchoviana embora o primeiro sinal cardinal da doença possa estar ausente, o diagnóstico clínico pode ser estabelecido com base no comprometimento cutâneo exuberante associado ao segundo sinal cardinal associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas. Hanseníase Multibacilar Dimorfa As lesões cutâneas aparecem em número variável Geralmente acompanha diversas áreas Apresenta grande variabilidade clínica: manchas e placas hipocrômicas, acastanhadas ou violáceas, nodulações Predomínio do aspecto infiltrativo Lesões podem assemelhar-se às da forma tuberculoide O comprometimento dos nervos periféricos geralmente é múltiplo e assimétrico Muitas vezes com espessamento, dor e choque à palpação, associado à diminuição de força muscular e hipoestesia no território correspondente. O M. leprae geralmente é encontrado em número moderado na baciloscopia do esfregaço intradérmico e em biópsia. Hanseníase Multibacilar Dimorfa As lesões mais típicas da hanseníase dimorfa são denominadas “lesões foveolares”, que apresentam bordos internos bem definidos, delimitando uma área central de pele aparentemente poupada, enquanto os bordos externos são espraiados, infiltrados e imprecisos. Manifestações clínicas Reação hansênica Inflamação aguda no organismo, causada pelo sistema imune, que ataca o bacilo ou as substâncias liberadas em sua decomposição, antes, durante ou após o uso da PQT-U. Mais frequentes nos casos Multibacilares,. É importante investigar e tratar cáries, infecções urinárias, intestinais (verminoses) ou outras assintomáticas. A inflamação em uma lesão de pele pode ser incômoda, mas raramente é grave, entretanto a inflamação sistêmica pode levar à morte e é a maior causa de perda da função do nervo, por causa de edema, pressão e lesão. Reação hansênica tipo 1 As lesões de pele da hanseníase se tornarem mais avermelhadas e inchadas; e/ou • Os nervos periféricos ficarem mais dolorosos; e/ou Houver piora dos sinais neurológicos de perda de sensibilidade ou perda de função muscular; e/ou As mãos e pés ficarem inchados; e/ou Houver surgimento abrupto de novas lesões de pele até 5 anos após a alta medicamentosa BRASIL,2017 Reação hansênica tipo 2 Manchas ou “caroços” na pele, quentes, dolorosos e avermelhados, às vezes ulcerados; e/ou Febre, “dor nas juntas”, mal-estar; e/ou Ocasionalmente dor nos nervos periféricos (mãos e pés); e/ou Comprometimento dos olhos; e/ou Comprometimento sistêmico (anemia severa aguda, leucocitose com desvio à esquerda, comprometimento do fígado, baço, linfonodos, rins, testículos, suprarrenais) BRASIL , 2017 TAREFA DE CASA ENTREGAR ATÉ A PRÓXIMA AULA PESQUISE O MANEJO PARA AS REAÇÕES HANSÊNICAS DO TIPO 1 E TIPO 2 Rifampicina Dapsona Clofazimina Tratamento farmacológico Poliquimioterapia (PQT) TTO 6 MESES PB TTO 12 MESES MB GESTAÇÃO E ALEITAMENTO: não contraindicam o tratamento PQT-U padrão. ATENÇÃO AO ÚLTIMO TRISMESTRE !!!!! TUBERCULOSE: administrar a rifampicina na dose requerida para tratar tuberculose. Os demais medicamentos (clofazimina e dapsona) permanecem em igual dose ao esquema padrão PQT-U. HIV/AIDS: na dose ultilizada para tratamento da hanseníase - 600 mg/mês, a rifampicina não interfere nos inibidores de protease usados para o tratamento de HIV/AIDS a A PQT-U deverá ser interrompida após a administração de seis doses mensais supervisionadas em intervalo de até nove meses para os casos paucibacilares e após 12 doses mensais supervisionadas em um intervalo de até 18 meses para os casos multibacilares, quando os pacientes deverão receber alta por cura, saindo do registro ativo do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan); b A rifampicina também está disponível no SUS sob a forma de suspensão oral com 20mg/mL; c Para crianças com peso abaixo de 30kg, a administração diária clofazimina é dificultada, tendo em visa a sua disponibilidade apenas em cápsulas de 50 e 100mg. Desse modo, recomenda-se calcular a dose semanal e dividi-la em duas ou três tomadas. Por exemplo: uma criança com 15kg deverá receber 105mg de clofazimina ao longo de sete dias (1mg/kg x 15kg x 7 dias = 105mg), podendo receber uma cápsula de 50mg duas vezes por semana. A regressão das lesões durante e após o uso da poliquimioterapia, é bastante variável, pode Levar meses ou anos paraocorrer Pode ser ainda mais lenta nos MB, especialmente em pacientes com hansenomas, lesões infiltradas e índice baciloscópico (IB) elevado A regressão das lesões durante e após o uso da poliquimioterapia, é bastante variável, pode Levar meses ou anos para ocorrer Pode ser ainda mais lenta nos MB, especialmente em pacientes com hansenomas, lesões infiltradas e índice baciloscópico (IB) elevado PREVENIR Prevenção de incapacidades A hanseníase é a principal doença de notificação compulsória causadora de incapacidade física permanente. TRATAR REABILITAR Prevenção de incapacidades Conjunto de ações que englobam: DIAGNÓSTIC O PRECOCE Tratamento e acompanhamen to das reações hansênicas Tratamento e acompanhamen to das funções neurais Tratamento de úlceras Fisioterapia e cirurgia (preventiva e reabilitadora) Ações para promoção do autocuidado Garantir a integralidade do cuidado. Prevenção de incapacidades Os nervos envolvidos com maior freqüência são: nervo facial (VII par craniano), nervo tri gêmeo (V par craniano), nervo ulnar, nervo mediano, nervo radial, nervo fibular comum e nervo tibial Prevenção de incapacidades