DIREITO ADMINISTRATIVO
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DIREITO ADMINISTRATIVO


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determinadas profissões etc., desde que tudo isso seja fiscalizado 
pelo Estado, que tem a supremacia sobre os particulares. Certas 
leis municipais que disciplinam as construções urbanas, como por 
ex., o Código das Águas, o Código Florestal, o Código de Caça e 
Pesca, são leis infraconstitucionais que submetem as pessoas a 
esta supremacia estatal. 
III- O Objeto do Poder de Polícia 
É o bem, direito ou atividade individual que afeta a coletividade ou 
põe em risco a segurança nacional, exigindo regulamentação, 
controle, contenção do Poder Público, que vai resultar em restrição 
ao uso do bem, condição para exercício de direito e limite à 
execução de atividade. 
Não só a pessoa física, mas também a pessoa jurídica pode 
cometer infrações no campo do poder de polícia. 
IV- Finalidade do Poder de Polícia 
É a proteção ao interesse público em sentido amplo, que deve ser 
interpretada, além do campo material, também no campo moral e 
espiritual (proteção à propriedade, às tradições, aos heróis 
nacionais, ao folclore etc.). 
V- Extensão do Poder de Polícia 
Abrange tudo: proteção à moral e bons costumes, propriedade, 
segurança nacional, construções, transportes, proteção ao meio 
ambiente etc. A cada um desses campos acaba surgindo uma 
polícia administrativa (polícia sanitária, das profissões, do comércio, 
dos costumes etc.). As autoridades têm que ter a sensibilidade 
daquilo que se deve proteger, levando-se em conta o momento 
social. 
VI- Limite do Poder de Polícia 
É a conciliação entre o interesse social e os direitos fundamentais 
do indivíduo. Como o Estado cuida dos direitos coletivos num 
ambiente de plenitude de direitos individuais, na medida que vamos 
exercê-los, nos deparamos com outras pessoas que também 
pretendem exercer esses mesmos direitos e o Estado tem que 
achar esse ponto de equilíbrio. 
VII- Atributos do Poder de Polícia 
O poder de polícia enseja a produção de atos administrativos que 
têm determinadas qualificações, que lhe são atributos. Diante de 
um ato e com a verificação do seu usufruto, podemos dizer se é ou 
não ato de poder de polícia administrativa. Esses atributos são os 
seguintes: 
a) Discricionariedade - utilizando-se do poder discricionário, 
o Administrador Público, diante de um caso concreto, vai agir com 
certa margem de liberdade, fazendo a perquirição da conveniência 
e oportunidade de praticar ou não determinado ato. 
Como não há possibilidade de um manual para se elencar todas as 
providências a serem tomadas pelaAdministração em virtude de 
haver uma porção de situações fáticas que não estão previstas na 
lei, o Administrador Público soluciona certos casos utilizando-se do 
poder de polícia, conjugado com o poder discricionário. Os atos do 
poder de polícia são também, na generalidade, atos do 
poder discricionário. Essa discricionariedade não é arbitrariedade- é 
a eficiência e rapidez do Administrador Público. 
b) Autoexecutoriedade - é a faculdade da Administração 
Pública decidir e executar diretamente a sua decisão por seus 
próprios meios, sem a intervenção do Judiciário. 
Isto significa que a Administração Pública, no campo do poder de 
polícia decide as questões e age, sem ter que consultar o Poder 
Judiciário. 
Há uma exceção: quando a Administração Pública tem que receber 
seus créditos decorrentes de multas aplicadas aos particulares, 
pois, para recebê-los, é necessário a demorada e onerosa 
tramitação de umprocesso dministrativo. É por isso que na prática, 
milhares de multas não são cobradas. 
Torna-se importante dizer que a autoexecutoriedade do poder de 
polícia não deve ser confundida com punição sumária pois, as 
punições, previstas na lei, são decididas pelo Judiciário. 
c) Coercibilidade (imperatividade) - esse atributo representa uma 
imposição coativa das medidas adotadas pelaAdministração. 
Os atos administrativos, além de discricionários e munidos de 
executoriedade, podem ser também imperativos, ou seja, de 
cumprimento obrigatório. Essa coercibilidade não significa violência 
desnecessária ou desproporcional. 
Por exemplo, quando um fiscal multa um determinado açougue que 
está vendendo carne contaminada, pratica um ato de coercibilidade. 
Praticaria violência desnecessária, se agredisse o açougueiro ou, 
violência desproporcional, se lacrasse o seu estabelecimento, ao 
invés de, simplesmente multá-lo. 
VIII- Meios de atuação do Poder de Polícia 
No exercício do poder de polícia, a Administração é 
prevalentemente preventiva. Nessa atuação são produzidas regras 
de comportamento em várias áreas (sanitária, de trânsito, de 
comércio, de construção etc.) com um elenco de normas punitivas 
antecipadamente preparadas pelo poder executivo competente, 
para que todos tenham conhecimento delas e de suas sanções. Isto 
significa atuar de maneira preventiva. 
Aquele que pretende praticar uma determinada atividade deve 
dirigir-se à Administração competente, dizendo o que vai fazer. 
A Administração , verificando o preenchimento das condições, vai 
manifestar-se sobre esse assunto. Ao deferir o pedido, documenta 
isso, expedindo um alvará, que é um instrumento de licença ou de 
autorização para a prática de ato, realização de atividade ou 
exercício de direito, dependente de polícia administrativa. 
Assim, temos dois tipos de alvará: 
a) Alvará de licença 
Tem um caráter de definitividade, sendo vinculante para a 
Administração Pública, quando expedido diante de um direito 
subjetivo com satisfação das normas administrativas. 
Exs.: licenciamento de veículo, licença para edificação etc.; 
b) Alvará de autorização 
Tem o caráter de ser precário. Ele contém discricionariedade e 
representa uma liberalidade da Administração, sem qualquer 
obstáculo legal. 
Por ex., a Administração Municipal ao autorizar a colocação de uma 
banca de revistas numa praça pública, pode, a qualquer tempo, 
retirá-la de lá; da mesma forma, a autoridade policial que autoriza o 
cidadão a portar arma, pode desfazer esta autorização a qualquer 
tempo. 
O alvará pode revogado, cassado ou anulado, dependendo de cada 
caso concreto. Assim temos: 
1) Revogação - é utilizada quando a Administração, após avaliar 
determinado ato, por razões de conveniência e oportunidade, o 
desfaz. No caso do alvará de licença, a revogação é complicada, 
pois ela tem definitividade. No entanto, se ocorrer interesse público 
superveniente e justificado, pode ser possível essa revogação, 
mediante indenização do proprietário. 
Já no caso do alvará de autorização, a revogação pode ocorrer sem 
indenização ou qualquer compromisso da Administração. Por ex., o 
porte de arma pode ser revogado em qualquer tempo, por decisão 
do executivo; 
2) Cassação - é utilizada quando por descumprimento das normas 
legais de execução. 
Há um descumprimento das normas constitutivas. 
Por ex., o porte de arma também pode ser cassado, caso o 
indivíduo o esteja portando ostensivamente; o alvará de licença 
para construção de um prédio pode ser cassado, se o mesmo for 
construído com um número superior de andares, diferente daquele 
permitido pela Administração; 
3) Anulação - é utilizada quando tiver ocorrido ilegalidade na 
expedição do alvará. 
Por ex., alvará concedido por autoridade incompetente, ou mesmo 
que tenha sido concedido por autoridade competente mas com 
informações incorretas prestadas pelo interessado, ou ainda, por 
falsificação de documentos ou através de meios ilícitos (ex.: um 
porte concedido para determinada arma e utilizado indevidamente 
para outra não autorizada). 
Obs: não há diferença entre alvará de licença e de autorização, no 
tocante à cassação. 
A Administração